Dra. Melanie Tavares, do IAC, esteve em Audição Pública na Assembleia da República

Abril 29, 2016 às 2:00 pm | Na categoria O IAC na comunicação social | Deixe o seu comentário
Etiquetas: , , ,

Melanie

A Dra. Melanie Tavares, Coordenadora dos Sectores da Actividade Lúdica e da Humanização dos Serviços de Atendimento à Criança do Instituto de Apoio à Criança, participou na  Audição Pública sobre necessidades educativas especiais, deficiência e escolaridade obrigatória, na Assembleia da República em 26 de abril de 2016.

Veja o vídeo no link abaixo a partir de 02:27.00 min.

http://www.canal.parlamento.pt/?cid=956&title=audicao-publica-necessidades-educativas-especiais-deficiencia-e-esc

Apresentação do Livro Cyberbullying – Um guia para pais e educadores – Vídeo com a participação de Manuel Coutinho do IAC

Abril 26, 2016 às 1:24 pm | Na categoria O IAC na comunicação social, Vídeos | Deixe o seu comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

O vídeo contém declarações do Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do  Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança).

visualizar a reportagem completa no link em baixo:

https://www.facebook.com/ualmedia/videos/1039958212737494/

Pais e juízes criticam acordos de poder parental no registo civil

Abril 21, 2016 às 1:00 pm | Na categoria O IAC na comunicação social | Deixe o seu comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

Notícia do Diário de Notícias de 20 de abril de 2016.

A notícia contém declarações da Drª Dulce Rocha, Vice-Presidente do Instituto de Apoio à Criança.

DN

Lei aplica-se às separações nas uniões de facto e aos pais solteiros. Votação está agendada para esta quarta-feira na especialidade

Um casal a viver em união de facto que se separa e concorda com a residência alternada do filho. Vai ao registo civil e assina uma minuta que não contempla a partilha. O que acontece se entram em conflito? Uma mãe adolescente ou uma mulher vítima de violência doméstica, vulneráveis de mais para acautelar os seus direitos e os da criança deixam de ter um juiz com sensibilidade para estes casos. A não audição das crianças em casos de poder paternal.

Estas são, segundo os críticos do projeto de lei do PS, algumas das situações que não estão contempladas, no documento “Regulação das responsabilidades parentais por mútuo acordo junto das conservatórias para os pais não casados (nº 149/XIII)”, que hoje deverá ser votado na 1.ª comissão da AR.

Responsáveis do Instituto de Apoio à Criança (IAC), da Associação para a Igualdade Parental e juízes entendem que o projeto de lei devia ser sujeito à discussão pública, uma vez que levanta problemas jurídicos e sociais. Mas vai ser votado na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias oito dias depois de ter baixado à especialidade e sem serem ouvidos peritos.

O projeto foi aprovado por unanimidade no Parlamento a 8 de abril e, segundo os socialistas, equipara as dissolução das uniões de facto e casos similares ao dos casados que se divorciam no que diz respeito à guarda dos filhos Os pais que estejam de acordo podem fazer a regulação das responsabilidades parentais nas conservatórias dos registos civis, como já faz que se divorcia por mútuo acordo desde 2008 (Lei n.º 61).

“Sete anos de experiência positiva de um processo que é mais célere e menos sonoroso do que se decorrer num tribunal”, defende Pedro Delgado Alves, o deputado socialista responsável pelo projeto. Acrescenta que poderá não ser votado hoje, mas “para melhorar pormenores não para o sujeitar ao debate”.

“Um pormenor” a acrescentar é permitir que os divorciados façam a alteração da regulação das responsabilidades parentais nas conservatórias, o que a lei nº 61/2008 não prevê. Esta foi uma das falhas apresentadas pelo juiz António José Fialho, do Tribunal de Família e Menores do Barreiro, que diz ser esta uma lei desnecessária. “O campo judicial tem uma solução tão rápida ou mais do que as conservatórias e acautela melhor o superior interesse da criança uma vez que é feito por um juiz com experiência.”

É também a posição de Ricardo Simões, presidente da Associação para a Igualdade Parental. “Dando este poder às conservatórias, significa que corremos o risco de as mesmas forçarem uma determinada regulação sem vocação para tal. É só para quem está de acordo e a nossa preocupação são as situações de conflito e que podem surgir a qualquer momento.” Denuncia o caso de divorciados que acordaram na residência alternada das crianças e que acabaram por assinar uma minuta com outra forma de regulação “para não complicar”.

Outra questão está relacionada “com a não salvaguarda da audição das crianças e que são um contributo fundamental para a regulação, como defendem o Conselho Europeu e o Tribunal Europeu”, sublinha Dulce Rocha, presidente do IAC. E, tal como António Fialho, teme que as regulações portuguesas não sejam reconhecidas no estrangeiro por isso. Mas o que a ex-juiz de família e menores considera mais importante “é a questão das mulheres vítimas de violência doméstica”, que não está contemplada. Uma crítica que também fazem à Lei n.º 61.

 

 

Sinais de depressão na adolescência são mais frequentes do que imagina

Abril 4, 2016 às 1:00 pm | Na categoria O IAC na comunicação social | Deixe o seu comentário
Etiquetas: , , , ,

Notícia do site https://www.noticiasaominuto.com de 3 de abril de 2016.

A notícia contém declarações da Dra. Melanie Tavares, Coordenadora dos Sectores da Actividade Lúdica e da Humanização dos Serviços de Atendimento à Criança do Instituto de Apoio à Criança.

iStock

POR Goreti Pera

A ideia de que vivem a “idade da parvoíce” não é desculpa para que não se preste atenção aos adolescentes. Períodos de tristeza são frequentes na puberdade. Conheça os sintomas e saiba como deve agir.

Ingressar numa escola que não se conhece, ter dificuldades de relacionamento com os colegas, perder um animal de estimação, ver nascer um irmão ou um dos pais emigrar são situações que motivam, não raras vezes, episódios de depressão ligeira na infância ou adolescência.

Os sintomas começam frequentemente em idade escolar e tendem a agravar-se na puberdade, altura de maior indefinição e mais propícia à angústia. “O adolescente não é respeitado como adulto e não quer ser visto como criança”, explica ao Notícias ao Minuto Melanie Tavares.

A psicóloga do Instituto de Apoio à Criança olha para as crianças privadas de afeto como as mais vulneráveis ao desenvolvimento de pensamentos depressivos, que se caracterizam por “silêncio, isolamento, comportamentos de oposição, instabilidade e agitação”.

Mas tal não deve ser confundido, alerta o pedopsiquiatra Pedro Monteiro, com doença depressiva. “Nesta, a tristeza assume um caráter persistente e invasivo, dominando a experiência interna e condicionando o funcionamento do indivíduo”.

Perda de interesse pala maior parte das atividades, perturbações no sono, crises de choro e diminuição da energia são os principais sinais de alerta. E o tratamento revela-se imprescindível para um desenvolvimento saudável.

A ideia de que vivem a “idade da parvoíce” não é, alertam os especialistas, desculpa para não se avaliar atentamente o estado de espírito dos adolescentes. A conversa e os afetos tendem a ser o melhor remédio. Mas para tal é preciso olhar “com olhos de ver”, frisa Melanie Tavares.

Um estudo do Instituto Nacional de Estatística (INE) datado de 2014 comprova que 11% dos jovens entre os 15 e os 24 anos apresentam sintomas ligeiros de depressão. Olhando para idades abaixo desta fasquia, Pedro Monteiro arrisca uma percentagem de 25%. Mas só em 4% dos casos se diagnostica efetivamente uma depressão.

O sexo feminino é o mais atacado por estes sintomas, que atingem duas vezes mais raparigas do que rapazes. E também nas manifestações se nota uma distinção. Se as raparigas tendem a isolar-se, os rapazes apostam essencialmente na ação e tornam-se reativos.

E se os episódios de depressão mais ligeiros se ultrapassam naturalmente, o mesmo não se pode dizer dos casos mais graves. Nas alas de psiquiatria, todos os dias são conhecidas tentativas de suicídio de jovens inconformados. Felizmente, nota Pedro Monteiro, “são muito mais as tentativas do que os atos consumados”.

Há ainda quem não vá tão longe mas se deixe igualmente apoderar pelo desespero. “Quando o sofrimento é tão grande e sentem necessidade de purgar a dor, alguns jovens recorrem à automutilação. Desta forma, a dor física sobrepõe-se à psicológica”, explica Melanie Tavares.

No Instituto de Apoio à Criança, há uma linha de apoio gratuito a que os jovens podem recorrer “para falar de tudo e de nada”. As conversas são mantidas de forma confidencial.

 

 

 

PJ regista quatro queixas por dia de menores desaparecidos

Março 27, 2016 às 5:42 pm | Na categoria O IAC na comunicação social | Deixe o seu comentário
Etiquetas: , , , ,

Notícia do Jornal de Notícias de 22 de março de 2016.

clicar na imagem

jn_criancas

 

 

Maus tratos dominam denúncias à Linha SOS Criança

Março 22, 2016 às 4:07 pm | Na categoria O IAC na comunicação social | Deixe o seu comentário
Etiquetas: , , , , , ,

Notícia da Visão de 21 de março de 2016.

Maus tratos físicos e psicológicos, na família ou em instituições, e menores em perigo de vida representaram quase metade das 1 857 denúncias feitas, em 2015, à linha telefónica de emergência do Instituto de Apoio à Criança. E foram reportados 61 desaparecimentos de crianças e jovens.

Plácido Júnior

No relatório preliminar dos dados da Linha SOS Criança referentes a 2015, a que a VISÃO teve acesso, verifica-se que o maior número de casos sinalizados, 272, se relacionam com negligência. Logo depois, com 198 casos reportados, surgem as situações em que a vida de menores se encontra mesmo em perigo. Já os maus tratos físicos na família ascendem a 137 denúncias.

Os maus tratos psicológicos na família contam 105 registos, enquanto os perpetrados por terceiros chegam aos dez alertas. Em crianças e jovens institucionalizados, a negligência é sinalizada em 14 casos, os maus tratos físicos em 15 e os maus tratos psicológicos em dez. Até aqui, temos 41% (ou 761 casos) das 1 857 denúncias feitas, em 2015, àquela linha telefónica de emergência.

Noutros segmentos, o bullying soma 38 sinalizações e o abuso sexual 36. Nestes e nos casos atrás mencionados, as vítimas têm idades entre nove e 14 anos.

CRIANÇAS E JOVENS DESAPARECIDOS

Foram reportados 61 desaparecimentos de crianças e jovens, maioritariamente com idades entre 14 e 16 anos. Mas existem também situações em que os desaparecidos têm entre 11 e 13 anos. São sobretudo fatores de risco associados a estes casos problemas familiares e de comportamento, a que acrescem, para lá dos maus tratos, a fuga com amigos e o desejo de aventura.

Em 2014, dos 62 casos reportados de crianças e jovens desaparecidos, 25 assim continuavam no final do ano. Quanto a 2015, o Instituto de Apoio à Criança (IAC) ainda desconhece esse dado.

As famílias monoparentais encontram-se no topo do grupo doméstico das crianças sinalizadas (359), seguidas de perto pelas famílias tradicionais (354). Há depois os agregados reconstruídos (164), os alargados (132) e os não identificados (340).

No ranking de quem denuncia, surgem, por ordem decrescente, a mãe (248 casos), a vizinhança (227), alguém da comunidade (143), a avó (135), o pai (122) e a própria criança (118).

O IAC trata e encaminha as situações para a PJ, PSP, GNR, Comissões de Proteção de Menores e Jovens em Risco e escolas.

 

 

 

 

“Hoje em dia assistimos a uma super-protecção excessiva dos pais em relação aos seus filhos”

Março 5, 2016 às 1:00 pm | Na categoria O IAC na comunicação social | Deixe o seu comentário
Etiquetas: , , , ,

Entrevista de Cinelândia Cogumbreiro ao Correio dos Açores no dia 19 de fevereiro de 2016.

DSC_0016

Escrito por Nélia Câmara

Cinelândia Cogumbreiro, aos 83 anos de vida, continua muito activa sempre em prol das crianças e dos menos favorecidos, mas a sua vida não foi ligada apenas a uma actividade. Desempenhou várias funções, tanto na política, na cultura e sociedade, em geral. O seu trabalho foi, e é reconhecido. Foi homenageada por várias instituições, publicações e órgãos de soberania. É uma mulher que não baixa os braços. Defende que temos de “preservar a Família, como instituição altamente especializada e preservar também valores e princípios fundamentais”. Tudo porque, como opina, “uma sociedade que cuida das crianças e respectivas famílias e dos idosos, é uma sociedade que assegura o futuro, proporcionando a todas as crianças uma vida de oportunidades, que lhes permite uma mais-valia social, cultural e económica”.

Esteve ligada à política e foi deputada à Assembleia Legislativa Regional dos Açores? Que episódios recorda desta passagem? Que momentos a marcaram?
É verdade. Quando me convidaram não decidi de imediato, embora me agradasse a ideia de vir a participar activamente no órgão máximo da Democracia, a Assembleia Legislativa Regional.
Depois de uma breve reflexão em família, resolvi aceitar o convite, sem hesitações. Era mais uma oportunidade que se me deparava para me dedicar também à causa pública justamente no momento áureo da autonomia.
Tive a sorte de conhecer e conviver muito de perto com pessoas de valores, princípios e saberes com quem muito aprendi e que jamais esquecerei, também a sua idoneidade política.
Foi uma época de talentos, brilhantes oradores, grandes difusores de causas públicas e verdadeiros construtores da Autonomia Democrática.
Foram muitos os momentos que me marcaram positivamente dos quais destaco a minha eleição para Representante da Região Autónoma dos Açores no Conselho Nacional da Educação pelas repercussões que teve na minha vida na altura e no futuro.

Foi homenageada com o “Prémio Mulher Activa 2004” atribuído pela revista Activa, com o “Prémio Prestígio 2007” atribuído pelo jornal Correio dos Açores e com o “Diploma de Reconhecimento Municipal” atribuído pelo Município de Ponta Delgada, em 2011, tendo, ainda, sido condecorada pelo Presidente da República com o grau de Comendadora da Ordem do Mérito, a 10 de Junho de 2011.

Que simbolismo na sua carreira e na sua vida pessoal têm estas atribuições?
É verdade que me foram atribuídas homenagens, que me colocam e me colocarão sempre num patamar de gratidão para com quem mas atribuiu. É uma dádiva e reconhecimento estimulante.
Vejo também nessas homenagens, um reforço de motivação e um grande desafio e responsabilidade para prosseguir com o meu contributo para as causas em que acredito.
Também julgo poderem ser um testemunho de incentivo para tantos que com enorme valor podem igualmente abraçar causas nobres e fazerem a diferença.

O facto de ser mulher acha que a impediu ou não de desempenhar outras funções na sociedade açoriana? Como pode a mulher numa sociedade conservadora como a nossa ter um papel activo, sem descurar as suas funções de mulher-mãe e esposa?
O fato de ser mulher, confesso que não me impediu de desempenhar as funções que me eram confiadas, sem descurar as funções de mulher-mãe, esposa e até de avó.
Como já atrás referi tive sempre uma vivência com ambos os géneros, acentuando-se mais quando frequentei o ensino secundário, onde funcionavam turmas mistas, continuando no exercício das minhas funções, aquando professora do Ensino Básico e ao longo da minha vida até aos dias de hoje.
E gostaria de acrescentar que a convivência que mantive com os meus colegas quer ao nível do ensino/aprendizagem, quer já no profissional, foram os melhores momentos da minha vida, traduzidos no respeito, na amizade, camaradagem no diálogo na troca permanente de impressões e até de estímulo e motivação. Havia uma aproximação saudável e rica. Partilhamos o desporto, a ginástica, o canto, a dança, os passeios, as visitas de estudo e momentos de trabalho em grupo.
Recuando um pouco no tempo, ainda no secundário, tive professores que me marcaram muito pela positiva, reservávamos os sábados de manhã por exemplo para estarmos juntos nas práticas desportivas e convivênciais.
Olhando o presente e contrastando o passado, fica-me a interrogação: Como é possível encontrar estudantes que pouco ou nada sabem dos seus professores e vice-versa?!
A vida faz-se, fazendo e o caminho fez-se caminhando, daí que aprendi desde criança, que as tarefas, quer em família, quer fora dela, têm que ser assumidas, independentemente da sociedade em que estamos inseridos. Daí não ter dificuldade em me inserir no seio dela, independentemente desta ser ou não conservadora. Não foi nem limitativa nem impeditivo para mim uma sociedade conservadora, independentemente do respeito que nutria por tudo e por todos.
Isto faz-me lembrar de mais um testemunho de vida. A minha mãe, por exemplo, para além das muitas profissões que exercia, pelas exigências da vida que ela própria escolheu, também desempenhava funções de parteira amadora o que a levava a muitas vezes correr a pé sozinha, com bons e maus tempos, a socorrer quem dela precisava naquele momento.
Estou cada vez mais convencida que as sociedades, sejam elas conservadoras ou não, somos nós que as construímos conforme as situações e as épocas!
Falando também por mim e por todas as mais que, como eu, exerceram as mesmas funções, tivemos que organizar a nossa vida em função do compromisso que assumimos mas sempre em sintonia com a família, com o marido que amamos e com os filhos que são a razão de ser da nossa vida dando-lhes em todos os momentos os afectos da família e em família, para a felicidade dos nossos filhos.
E isto é o maior contributo que podemos dar para que sejam os nossos filhos a terminar o que iniciamos com o nosso testemunho.
As sociedades têm impreterivelmente de acompanhar a evolução dos tempos, neste mundo globalizado.

Como sabemos, teve uma vida profissional e social muito preenchida. Como se consegue conciliar todos os papéis sem descurar nenhum?
A partir dos 20 anos passei a ter uma vida profissional e social muito intensa, mas sempre no contexto profissional, que se alongava até às 24h00, com explicações que dava no secundário, em grupo, ou individualmente, conforme as necessidades dos alunos.
Para responder a tudo isto, e como já referi anteriormente, essa conciliação passava pela reorganização interna das nossas vidas familiares, passando essencialmente pela participação de todos em todas as tarefas, sem nunca por em causa a hora das refeições em família, por constituir um momento educativo, cultural e social nas relações humanas estabelecidas entre nós.
É evidente que foi preciso juntar ao aglomerado familiar uma empregada a tempo inteiro e que foi sempre uma preciosa ajuda ao longo dos anos, a partir do nascimento dos meus filhos à sua integração escolar.
Na altura não tinha carro e mesmo depois de o ter, os percursos escola-casa; casa-desporto; casa-actividades artísticas, faziam-se a pé.
Isto permite-me dizer que nós pais, temos de dar mais oportunidade às crianças para elas terem uma vida mais saudável, mais activa e mais autónoma. Nós nascemos para sermos autónomos e para termos ao longo do percurso de desenvolvimento mais autonomia e mais independência.
Aprendi há muitos anos com o Dr. João dos Santos, o maior pedopsiquiatra português, que educar é um vai e vem entre dar proximidade para dar segurança e dar distanciamento para dar autonomia.
Hoje em dia assistimos a uma superprotecção excessiva dos pais em relação aos seus filhos e que em nada beneficia a sua necessidade de se adaptarem ao mundo e se autonomizarem.

O que mais a preocupa em pleno século XXI?
O que mais me preocupa no Século XXI são as situações seguintes:
1. É o avanço das desigualdades sociais, económicas e culturais, o que contraria as nossas expectativas e a esperança em relação a uma mais generosa distribuição de riqueza. O que se tem verificado é justamente o contrário e de forma bem acelerada;
2. O modo como as organizações passaram a ser influenciadas pelas regras de mercado, transformando as pessoas em autênticas mercadorias, o que institui uma forma de relacionamento muito desumanizado, e que põe em causa os princípios civilizacionais porque se deve nortear a organização das sociedades.
3. Impressiona-me de sobremaneira a intervenção dos Estados mais desenvolvidos do ocidente, mais concretamente a Europa e os Estados Unidos, no Médio Oriente e Mediterrâneo, desencadeando novas formas de fundamentalismo religioso, por falta de respeito pelas culturas dessas regiões.
Essas intervenções fazem-se em zonas cujas matérias-primas são necessárias para o ocidente, o que muitas vezes promove o desrespeito pelas pessoas nas suas culturas, daí também o surgimento da violência contra movimentos migratórios, sobretudo a Europa, por não estar preparada para acolher com dignidade e a tempo as pessoas, permitindo ao mesmo tempo a manipulação, através das agências de negócios que prosperam pela exploração humana.
4. Como a escola de massas que surgiu para acolher todos os cidadãos se desumanizou tanto e de tal forma, para corresponder aos critérios de eficácia, como se fossem máquinas de produção em série.
O que vamos fazer para resolver essas situações, se o desenvolvimento económico e social depende cada vez mais duma escola com qualidade e dignidade humana?
Sabemos que o trabalho incorpora cada vez mais os saberes adquiridos nas escolas, mas também sabemos que a Educação Escolar não está a respeitar os homens e as mulheres, enquanto crianças, das quais depende o desenvolvimento humano futuro, e que são elas que poderão contribuir para fazer avançar o próprio desenvolvimento social e económico, para um Mundo melhor que sempre esperamos ver concretizado ao longo das nossas vidas!

Que memórias destaca de toda a sua vida, tendo em conta que teve uma ligação muito estreita com várias personalidades do nosso país, nomeadamente o casal Eanes?
São tantas as memórias que poderia destacar de toda a minha vida, justamente pela ligação estreita que mantive e que mantenho com destacadas personalidades que me adoptaram como amiga.
De facto o casal Eanes foi um deles pelo apoio que me deram aquando da criação do IAC-Açores, apoio esse que se transformou numa amizade profunda, com inicio na Assembleia Legislativa Regional, aquando de uma das suas visitas de Estado à Região. Travámos troca de impressões sobre o futuro que já preconizava, após a minha aposentação. Como viajava muito por causa da minha vida profissional, surgiram assim oportunidades para convivermos e solidificarmos a nossa profunda amizade.
Foi e é muito dignificante para mim relacionar-me com um casal com um presente e passado brilhantes. Tanto o General como Presidente da República como a Dra. Manuela Eanes, como Primeira-dama, ainda hoje se distinguem no contexto nacional e internacional também pelos seus valores pessoais, profissionais e familiares.
Exímios na aparência, no trato e na dedicação a causas várias, das quais destaco a defesa intransigente dos direitos das crianças e dos jovens, para uma maior dignidade humana.
Gostaria de mencionar mais três personagens que me foram e são queridas:
– A Dra. Ana Maria Bernard da Costa, minha professora, aquando me especializei em deficientes visuais em Lisboa, e que me acompanhava-me muito de perto com muito carinho e amizade, tendo eu vindo a descobrir mais tarde que tal aproximação tinha tido origem no facto de eu, durante a especialização em Lisboa, ter deixado atrás 3 filhos, dos quais um com 18 meses, facto que muito impressionou e sensibilizou a inesquecível amiga Ana Maria.
– Uma 3ª pessoa – colega e grande Prof. Sérgio Niza, fundador e responsável do “Movimento da Escola Moderna”, que muito tem contribuído para a melhoria do Ensino em Portugal, na formação dos professores, sendo um dos grandes e inspiradores pedagogos da actualidade.
Deixaria aqui a mensagem de Sérgio Niza, que ilustra bem aquilo em que acredito e que é fruto de partilha de ideias e das vivências que tivemos em conjunto a quando da minha passagem pelo MEM:
“A pedagogia ética e democracia” são a mesma coisa, conduz-nos a uma reflexão imprescindível sobre o processo educativo e necessariamente à afirmação da emergência de sabermos desenvolver metodologias inovadoras que permitam chegar a cada uma das crianças, em vez da ilusória ideia de chegar a todos da mesma forma.
Não poderia também deixar de mencionar o Juiz Conselheiro, Dr. Laborinho Lúcio, e o seu inigualável poder de retórica, que nos contagia e inspira. Pessoa por quem nutro grande consideração e amizade, e que, desde a criação do IAC-Açores, esteve sempre presente, com espírito solidário, amizade e humanismo, quer para connosco, quer para com as crianças, às quais tem oferecido uma parte significativa da sua vida, da sua obra e, estou certa, do seu enorme coração. Muitas outras distintas individualidades têm cruzado e marcado a minha vida, no entanto, não querendo correr o risco de ser injusta com nenhuma delas, aqui expresso o meu sentido reconhecimento a todas elas.

Que legado gostaria de deixar às futuras gerações?
Esta pergunta constitui um desafio, que me ajuda a refletir e me convoca a agir.
Tenho tido o privilégio ao longo da minha vida de ter passado por muitas experiencias e práticas que me levaram felizmente a testemunhar momentos de sucesso e a refletir e melhorar sempre aquilo que fazia e a forma como incentivava as pessoas que comigo trabalharam e trabalham a fazerem sempre mais e melhor.
Hoje, fruto de toda esta caminhada, e tendo tido o privilégio de comungar do saber de muitos ilustres pensadores, tento, com convicção, transmitir a todos os que me rodeiam, familiares, amigos, profissionais, aquilo em que acredito ser o caminho melhor na busca de um mundo mais humano.
E começava por citar Pitágoras, que dizia – “Eduquemos os jovens para que não tenhamos que punir os adultos”.
Isto leva-nos urgentemente à necessidade de priorizar um futuro com humanismo, responsabilidade, partilha, olhar e respeitar o outro, se queremos uma civilização onde possamos viver com dignidade e mestria, enquanto seres humanos.
Nunca deixar de partilhar com os outros o saber e a informação. É aqui que ganha sentido a vida.
A partilha de informação é uma dádiva que fazemos às gerações seguintes, é um enriquecimento para as práticas que desenvolvemos e para o conhecimento.
Isto é particularmente importante no processo educativo.
Trata-se de um processo de desenvolvimento global, que terá de ser também uma construção participada, encarando primeiramente a criança como principal agente de aprendizagem e de mudança.
Deve-se assegurar uma Educação que se caracterize pela defesa do desenvolvimento das competências individuais, da aprendizagem interactiva, da escola criativa e ativa, apostando na autonomia do aluno.
Hoje, necessário se torna transformar a Escola, em benefício de uma educação à medida de cada aluno, garantindo a equidade, a igualdade de oportunidades e a inclusão social.
Isto não pode ser mera retórica. É fundamental assumir com verdade esta mudança. Para tal o Ensino tem que ser reorganizado e pensado cada vez mais como uma atividade cooperada por todos os agentes educativos, com equipas que preparam os materiais e as aulas em conjunto.
A Escola deve formar crianças e jovens autónomos e empreendedores, porque são esses que hoje têm um lugar no mundo do emprego e que podem ser os verdadeiros motores do desenvolvimento.
No entanto, o nível de autonomia e de independência e de mobilidade das nossas crianças está a ser um problema muito sério nas culturas da Infância do nosso país.
As crianças por exemplo já não contactam com a natureza, já não saem à rua, desapareceu para muitas o tempo que restava para tal. Isto tudo está-lhes restringido.
A construção de uma cultura empreendedora, faz-se quando se dão possibilidades para que a criança possa brincar, experimentar e exprimir-se livremente.
Estamos a retirar-lhes o fundamental alicerce da liberdade que é o brincar.
Brincar é o corpo estar em confronto com o risco e com o imprevisível, com a aventura. As crianças precisam de tempo suficiente para brincar, tempo e espaço para experimentar os seus desejos. Estamos hoje a dar tudo às crianças já pronto; e não estamos a confrontá-las com nada!
Como entender uma organização da escola que releva para segundo plano este aspecto tão essencial do desenvolvimento das crianças?
O Recreio escolar é o último reduto que a criança tem, durante as longas horas que passa na Escola, para brincar livremente.
É essencial brincar para desenvolver a capacidade adaptativa, quer no ponto de vista biológico, quer do ponto de vista social.
Há também que apostar na formação artística como componente essencial da formação das nossas crianças, dando-lhe o merecido relevo nas aprendizagens escolares e não fazendo dela o parente pobre aos conteúdos escolares.
Crianças que vivem, experimentam, que aprendem a se expressar, a expressar as suas emoções, terão de certo, mais sucesso.
Todos estes aspectos fazem parte da vida das crianças e a Escola não pode ser um mundo à parte.
Todo o processo educativo se realiza de fora para dentro, trazendo a vida para a Escola e fazendo desta uma nova forma de vida.
O processo educativo, tal como a vida, deve ser um processo partilhado, cooperado e negociado, onde todos os intervenientes, pais, professores e crianças, têm voz activa.
Também a família não pode ser desvirtuada do seu papel fundamental.
Há que preservar a Família, como instituição altamente especializada e preservar também valores e princípios fundamentais.
Uma sociedade que cuida das crianças e respectivas famílias e dos idosos, é uma sociedade que assegura o futuro, proporcionando a todas as crianças uma vida de oportunidades, que lhes permite uma mais-valia social, cultural e económica.
E assim, estaremos certamente a salvaguardar os direitos das crianças e dos jovens.

 

 

 

Vídeo da Participação de Manuel Coutinho do IAC no programa “360” da RTP 3 sobre o homicídio do jovem em Portimão

Março 4, 2016 às 2:09 pm | Na categoria O IAC na comunicação social, Vídeos | Deixe o seu comentário
Etiquetas: , , , , , ,

Participação do Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do  Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança) no programa “360” da RTP 3  de 3 de março de 2016.

Visualizar o vídeo no link a partir do minuto 07,55 m:

http://www.rtp.pt/play/p2044/e226789/360/485744

coutinho

 

Participação de Dulce Rocha do IAC no programa “Sexta às 10” hoje a partir das 22.00 na RTP 3

Março 4, 2016 às 1:00 pm | Na categoria O IAC na comunicação social | Deixe o seu comentário
Etiquetas: , ,

Participação da Drª Dulce Rocha, Vice-Presidente do Instituto de Apoio à Criança, no programa “Sexta às 10” hoje a partir das 22.00 na RTP 3.

Vídeo da participação de Melanie Tavares do IAC no Jornal das 8 da TVI sobre o homicídio do jovem em Portimão

Março 3, 2016 às 7:11 pm | Na categoria O IAC na comunicação social, Vídeos | Deixe o seu comentário
Etiquetas: , , , , , ,

Vídeo da participação da Dra. Melanie Tavares, Coordenadora dos Sectores da Actividade Lúdica e da Humanização dos Serviços de Atendimento à Criança do Instituto de Apoio à Criança ao Jornal das 8 da TVI de 2 de março de 2016.

visualizar o vídeo a partir do minuto 1,08,05 m

http://tviplayer.iol.pt/programa/jornal-das-8/53c6b3903004dc006243d0cf/video/56d75bc80cf20176bcfe401b

melanie

Página seguinte »

Create a free website or blog at WordPress.com. | O tema Pool.
Entries e comentários feeds.

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 1.107 outros seguidores