“Menores vivem grande sofrimento” entrevista de Dulce Rocha do IAC ao DN

Maio 22, 2017 às 4:23 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista da Drª Dulce Rocha, presidente do IAC (Instituto de Apoio à Criança) ao Diário de Notícias de 18 de maio de 2017.

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“Suicídio é o limite de todo o sofrimento. Série expõe jovens ao risco” declarações de Melanie Tavares do IAC

Maio 8, 2017 às 7:41 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do site https://www.noticiasaominuto.com/ de 6 de maio de 2017.

A Dra. Melanie Tavares, Coordenadora dos Sectores da Actividade Lúdica e da Humanização dos Serviços de Atendimento à Criança do Instituto de Apoio à Criança, comenta a notícia.

O suicídio é um assunto sobre o qual pouco se fala, mas que tem dado muito que falar nos últimos dias. Ao mesmo tempo que vamos tendo conhecimento de adolescentes que desafiam a morte através do jogo Baleia Azul – e são já pelo menos oito os casos em Portugal -, há uma série televisiva a despertar o debate em torno do suicídio na adolescência.

Falamos da série da Netflix ’13 Reasons Why’ em que a protagonista é uma jovem que acaba com a própria vida esvaindo-se em sangue numa banheira após cortar os pulsos. A história é contada pela própria adolescente que decide deixar cassetes a explicar de viva voz as razões que a levaram a tal ato. As 13 cassetes são, propositadamente, entregues a todos aqueles que contribuíram para o seu suicídio, sem se darem conta de tal, e revelam um acumular de situações que se agravam ao longo da história.

A questão que se coloca é saber se séries como estas são ou não bem-vindas, se funcionam como alerta à nossa sociedade ou, se por outro lado, são o último ‘empurrão’ a quem já se encontra em situação vulnerável. Ao Notícias ao Minuto, a psicóloga Melanie Tavares explicou o quão perigosa pode ser a série sobretudo para aqueles que já tiverem pensamentos suicidas.

“A quem se encontra numa situação vulnerável pode até causar uma distorção cognitiva da mensagem. Qualquer pessoa, de qualquer idade, mediante situações dessas, pode identificar-se com a personagem, considerando que aquele é o caminho e até, inclusive, estar num sofrimento profundo e olhar para a personagem como uma heroína, que coragem de fazer aquilo que ela ainda não conseguiu”.

E o facto de a história ser contada de uma forma algo romantizada, na opinião da psicóloga, “não ajuda nada”. “Quando uma pessoa, ainda por cima tem uma vulnerabilidade, acaba por ser contaminada pelos efeitos perversos das coisas”, frisa a especialista do Instituto de Apoio à Criança.

A especialista defende que 13 anos – idade a partir da qual a Netflix recomenda a série – é “precoce”, tendo em conta a exposição ao perigo que ela representa. Tal como num filme pornográfico, compara, “visionar esta série, ainda que acompanhados dos pais”, não é o mais correto. É, na sua opinião, “contraproducente”, embora os pais devam, em última instância, supervisionar todos os conteúdos que os filhos vêem.

Assistir a cenas como aquelas que se vêem na série em causa não é benéfica. O importante, defende, é atuar na base da prevenção, não do suicídio em si mas sim das causas que levam a que a morte seja encarada como a única solução. “Os adolescentes não precisam de ver para falar nisso, como o caso agora da Baleia Azul, não é preciso ver para discutir o problema na escola”.

“O grande problema destas questões todas é a comunicação que falta. Falta de tempo dos pais para estar e conversar com os filhos, no meio de tantas rotinas. O tempo de estar é o que promove a comunicação e isso falha muito. numa sociedade apressada, não se trabalha muito as questões do sentir”.

Comunicação, a palavra de ordem

A prevenção, em todas as áreas que impliquem comportamentos de risco, é a palavra-chave para tratar o suicídio. É crucial estar atento a comportamentos de risco, como a a automutilação, e a sinais como a tristeza, a apatia, o isolamento social, as alterações de humor, “tudo sinais de que as coisas não estão bem”. “E no limite, quando as coisas não estão bem, comete-se o suicídio, ou como forma de acabar com o sofrimento, ou para pedir ajuda”, refere a psicóloga, explicando que, por vezes, há suicídios em que o objetivo não é morrer. “Às vezes as coisas não correm como esperam e acaba por acontecer o pior”.

A forma de combater os problemas que podem levar as crianças e adolescentes a acabar com a própria vida é, reforça a especialista, “ter mais psicólogos atentos nas escolas, equipas multidisciplinares que possam estar com a criança não só em contexto de sala de aula, que é o que acontece. Em contexto de sala de aula existe uma quantidade de regras que torna difícil perceber quando a criança ou jovem foge à norma. Quanto mais o vemos no ‘meio deles’, em situações informais, mais nos apercebemos de alterações de comportamento”.

Sendo o suicídio “o limite de todo o sofrimento”, defende, a prevenção tem de ser feita em todas as áreas, nomeadamente no bullying, na educação sexual, porque pode ser um problema de identidade, um problema de aceitação de identidade. “Prevenir o suicídio é o debate. Temos de prevenir as coisas que normalmente levam ao suicídio”, insiste. Prevenir e jamais “desvalorizar os problemas” dos adolescentes como se não o fossem.

A grande base dessa prevenção é a comunicação entre família – escola. “Se todos comunicarem, alguém há-de perceber que aquela criança/jovem está a ter comportamentos de risco”, salienta. “Ninguém sabe que faltou às aulas, que chegou atrasado e tinha um corte na mão, não há aqui ninguém que dê o alerta. Se em casa não conversa com a família e não conta que há um menino que todos os dias o ameaça na escola, não se pode evitar que isto tudo aconteça”, fundamenta, frisando que o ser humano precisa de viver em relação com o outro como de água para matar a sede. “Não vivemos se não for em relação, somos seres sociais”.

Em suma, devemos sim debater todo o tipo de problemas, suicídio juvenil incluído, mas não confrontá-los com situações tão dramáticas como as que a série mostra, porque estes “não têm maturidade para as descodificar”. Melanie deixa ainda um aviso. Apesar de o debate poder ser benéfico, o “excesso de informação tem efeito multiplicador” e “temos de ter cuidado com a forma como se veicula a informação e a forma como é percecionada. Tudo o que tem um efeito pedagógico é benéfico, o que nem sempre acontece com as notícias sobre o tema”. As notícias, defende, “não podem ter um efeito sensacionalista, de desgraça”.

 

 

“Os filhos fechados em casa não estão mais seguros” Entrevista de Manuel Coutinho do IAC ao JN

Maio 5, 2017 às 4:50 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do  Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança) ao Jornal de Notícias de 30 de abril de 2017.

 

Manuela Eanes pressiona PGR a bloquear Baleia Azul

Maio 5, 2017 às 3:30 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.dn.pt/ de 5 de maio de 2017.

Manuela Eanes | Ângelo Lucas / Global Imagens

Presidente honorária do Instituto de Apoio à Criança está a reunir apoios para convencer Joana Marques Vidal a bloquear links

“O desafio Baleia Azul é um assunto tão grave que não pode esperar uma semana nem um dia. Temos que atuar já, antes que morra algum jovem”. O alerta foi dado por Manuela Ramalho Eanes, a presidente honorária do Instituto de Apoio à Criança (IAC), que durante o dia de ontem reuniu apoios de alguns nomes conhecidos na defesa dos direitos dos menores para tentar sensibilizar a procuradora–geral da República, Joana Marques Vidal, a “acelerar o bloqueio de links” como o caminho mais curto para prevenir o risco.

Em declarações ao DN, à margem do quarto Fórum Abrigo, que decorreu no Montijo, Manuela Ramalho Eanes sustentou estar em causa “um crime”, pelo que, diz: “Aqui não se pode falar em liberdade. Não podemos esperar que um menor se automutile ou se suicide e não fazermos nada para o evitar. O perigo está iminente”, insistiu, acrescentando que a procuradora “é uma a pessoa muito sensível e vai perceber como é inaceitável que se esteja à espera para agir”.

A presidente honorária do IAC lamentava os quatro casos já conhecidos no país, de jovens que, alegadamente, se automutilaram no desafio da Baleia Azul – um “jogo” que terá origem numa rede social da Rússia, onde mais de cem jovens já se suicidaram – numa altura em que o Ministério Público já abriu quatro inquéritos e a PJ investiga, em contacto com os inspetores da Unidade Nacional do Crime Informático, para tentar seguir o rasto dos curadores do jogo e perceber se há portugueses envolvidos ou se as ordens vêm todas de fora do país. O JN escreveu que a adolescente de Matosinhos, internada no Porto, recebia ordens de um brasileiro, que lhe ligava de madrugada.

“Temos uma unidade de cibercrime que funciona muito bem na PGR, mas os links têm de ser bloqueados por ordem do Ministério Público, porque estão em causa vidas humanas e há que prevenir”, alertou Manuela Eanes.

Ao seu lado nesta causa já tem nomes como Laborinho Lúcio, juiz conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça jubilado, Armando Leandro, presidente da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens, e Luís Villas-Boas, diretor do Refúgio Aboim Ascensão.

Armando Leandro admitiu estar atento ao fenómeno. “Iremos atuar, caso haja jovens com menos de 18 anos envolvidos no jogo”, disse. Já Laborinho Lúcio aponta o dedo ao fácil acesso dos menores à internet, perante o distanciamento dos pais.

“Os educadores têm cada vez menos tempo para estarem com as crianças e elas acabam por ser libertadas para uma vontade imediata”, sublinhou, destacando que é neste quadro que se inscreve a apetência dos jovens por desafios como a Baleia Azul. “Nós deixámos instalar na sociedade uma grande violência e hoje os jovens têm uma expressão muito violenta na sua relação. Isso passa para as crianças”, referiu.

Luís Villas-Boas também defendeu a necessidade “urgente” de bloquear os links suspeitos, admitindo que os jovens, entre 12 e 18 anos, em situação de “maior fragilidade emocional” serão “mais facilmente convencidos” a aderir. E deixa um recado para os adultos: “Este tipo de propaganda só acontece em certos grupos de jovens em que não haja pais ou amigos por perto capazes de impedir.”

 

 

Baleia Azul. Coordenador da linha SOS Criança dá conselhos aos pais

Maio 2, 2017 às 2:21 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista da http://rr.sapo.pt/ de 2 de maio de 2017 ao  Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do  Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança).

“Todos nós temos a nossa quota-parte de responsabilidade” na solução deste problema, diz Manuel Coutinho. Psicólogo clínico destaca importância da relação afectiva entre pais e filhos.

O desafio da “Baleia Azul”, que já fez duas vítimas em Portugal, está a deixar muitos pais preocupados, além de professores e as próprias autoridades. Mas o que fazer?

Manuel Coutinho, psicólogo clínico coordenador da Linha SOS Criança e secretário-geral do Instituto de Apoio à Criança esteve no programa Carla Rocha – Manhã da Renascença e deixa alguns conselhos.

Como podemos distinguir o isolamento normal dos jovens de um isolamento indicador de que algo corre mal?

A pergunta é pertinente. Todos os jovens se isolam. Faz parte do crescimento. A partir de uma certa altura, fecham a porta à família e abrem-na aos amigos. E nem sempre se isolam do mundo.

A questão patológica é quando os jovens só vivem isolados, porque um jovem saudável isola-se durante um determinado período de tempo, mas na escola convive, com a família convive.

O que faz a diferença é a quantidade de tempo que o jovem está ou não isolado. Não é pelo facto de um jovem estar pontualmente com o que chamamos “um momento depressivo” que está com uma depressão. Porque um jovem que passa por um momento depressivo está num momento de crescimento, com dúvidas existenciais, está a reflectir, está a tentar perceber os seus próprios limites.

É completamente saudável e os pais não devem invadir. Nem os pais nem ninguém. A questão agora da “Baleia Azul” faz com que muitos pais comecem, de uma forma persecutória, a invadir o espaço íntimo do filho.

Estamos a exagerar nos receios, então?

É preciso haver serenidade. Os jovens estão muito mais aptos a lidar com a Internet do que os adultos; com estas redes sociais do que os adultos; com estes desafios perigosos online a que erradamente chamamos jogos. Os jovens já sabiam disto antes dos pais.

Os pais souberam agora e ficaram preocupados. E bem, mas devem estar mais preocupados com o relacionamento que têm com os seus filhos, com a relação afectiva profunda, de qualidade que estabelecem. Este deve ser o mote.

Não é como aqueles pais que só querem saber das notas dos filhos no final do ano. Têm de saber ao longo do ano e acompanhar. A questão da afectividade é uma questão para se tratar diariamente. Para se conversar, para se dialogar. Conversar sempre que é possível ter uma boa conversa. Para estar com os filhos.

Não temos de estar com os filhos só para criticar. Há pais que passam a vida a criticar negativamente os filhos e isto destrói a auto-estima.

Temos de dizer: “filho, tu és capaz, tu vais vencer”. Porque são estas as palavras mágicas que ajudam na boa construção da auto-estima, da auto-estima positiva, que fazem com que uma criança consiga ir em frente. Se uma criança tiver uma boa auto-estima, não se deixa influenciar por esta questão da “Baleia Azul”, ou outras baleias azuis que possam aparecer.

No tempo das nossas avós costumava-se dizer: “por aquela pessoa se atirar ao poço, tu vais-te atirar ao poço?” Claro que ninguém se atirava.

A maior parte dos jovens é saudável, prudente e não vai entrar nestas questões.

E como traçar a linha entre a vigilância e a privacidade do jovem?

Há o bom senso. E o bom senso ou se tem ou não se tem.

Há pais que já estão a limitar o acesso à internet

Isso não é positivo. Os pais devem controlar, mas não devem tornar-se o polícia mau da vida dos filhos. Devem conversar com os filhos, ver o que os filhos andam a fazer e devem confiar nos filhos, porque a confiança é extremamente importante nesta questão.

E perceber se os filhos têm comportamentos autolesivos – embora possam ter. Tenho na minha consulta, diariamente, um número de jovens com comportamentos autolesivos porque estão depressivos. Não pela questão da “Baleia Azul”. A dor psíquica é situada na pele. Eles cortam-se porque não aguentam. A dor psíquica é vaga e eles cortam os pulsos, muitas vezes, porque estão tristes, é uma forma de libertação daquela dor.

Como é que se trata um caso assim?

São situações que precisam de apoio de um psicólogo clínico, de um psiquiatra da adolescência e também da família.

Há respostas estatais para os jovens e para as famílias?

O Estado somos todos nós e as pessoas só se suicidam porque não encontram bons amigos. Todos nós temos uma função social, não podemos pôr tudo no Estado.

O Estado tem centros de saúde, tem hospitais, mas não sei se a resposta que é dada pelo Estado, contínua e continuada, é imediata. Mas posso dizer que, desde 1988, o Instituto de Apoio à Criança tem uma linha telefónica gratuita, para onde centenas de milhares de crianças já ligaram para falar destas e doutras situações.

O número é o 116 111.

São muitas as crianças e os jovens que, sem os pais saberem, telefonam, põem as suas dúvidas existenciais, os seus problemas, porque apresentam ideação suicida, e são os psicólogos da equipa que servem de suporte. E hoje muitos ainda estarão vivos, porque tiveram aquele apoio. Sendo que se trata de uma organização da sociedade civil.

Por isso, o Estado, as organizações da sociedade civil e todos nós – os professores, pais e amigos – temos a nossa quota-parte de responsabilidade.

Ouça aqui a entrevista a Manuel Coutinho

O “Baleia Azul” consiste na atribuição de 50 tarefas, entre as quais cortar “o braço com uma lâmina” ou furar “a mão com uma agulha”.

Os administradores do jogo enviam ainda filmes e músicas que os jovens têm de ouvir. Depois, levam a que estes avancem para a automutilação. A última tarefa é o suicídio. As vítimas são normalmente menores fragilizados a quem são feitas ameaças, pessoais e à família, em caso de abandono do jogo.

Se precisa de ajuda ou tem dúvidas sobre este tipo de problemas, contacte um médico especialista ou um dos vários serviços e linhas de apoio (gratuitas), como a Saúde 24 (808 24 24 24), o SOS Criança (116 111), a Linha Jovem (800 208 020) ou o S.O.S. Adolescente (800 202 484).

 

 

 

 

Tráfico de crianças: Portugal continua a ser país de destino – Declarações de Matilde Sirgardo do IAC ao DN

Março 17, 2017 às 4:42 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.dn.pt/ de 17 de março de 2017.

A notícia contém declarações da Dra. Matilde Sirgado, Coordenadora do setor IAC- Projecto Rua e membro da Direção do IAC.

A 13 de outubro de 2016, o governo lançou uma campanha contra o tráfico de crianças

Conselho da Europa apela a melhorias na identificação e proteção dos menores vítimas de tráfico de seres humanos em Portugal

M., cidadã romena, de 34 anos, veio para Portugal com uma proposta de trabalho aliciante na restauração. Pensou que era uma oportunidade de dar melhores condições de vida aos filhos, mas foi recebida por um casal da mesma nacionalidade, que a obrigou a entregar toda a documentação e a prostituir-se na rua. Não recebia qualquer remuneração, vivia em condições desumanas, era vítima de agressões. O caso acabou denunciado e M. recebeu apoio no Centro de Acolhimento e Proteção (CAP) do Sul, da responsabilidade da Associação de Apoio à Vítima.

M. foi uma das 226 vítimas de tráfico de seres humanos identificadas entre 2012 e junho de 2016 em Portugal, país que é sobretudo de destino, mas também de saída e trânsito para este fenómeno, como refere o relatório publicado hoje pelo grupo de peritos em ações contra o tráfico de seres humanos (GRETA). Entre as recomendações que o grupo do Conselho da Europa faz a Portugal está um maior enfoque nas crianças: Portugal deve melhorar a identificação e proteção dos menores vítimas de tráfico humano, nomeadamente através de alojamento adequado, acesso à educação e formação profissional.

Embora existam três abrigos para adultos em Portugal – algo que é destacado como positivo no documento -, o país não dispõe de nenhum específico para crianças, sendo estas encaminhadas para instituições de apoio a crianças e jovens em risco. “Portugal tem trabalhado para melhorar os procedimentos e apoio às crianças, mas tem de existir uma melhoria na identificação e assistência”, destaca Rita Bessa, diretora técnica do CAP Sul da APAV, centro que tem capacidade para oito mulheres.

No que diz respeito ao alojamento dos menores, Matilde Sirgado, coordenadora do projeto RUA do Instituto de Apoio à Criança (IAC) – membro da Rede de Apoio e Proteção às Vítimas de Tráfico -, revela que “está prevista a criação de uma casa-abrigo específica para estas crianças”. “Temos algumas coisas a fazer, mas que estão previstas no Plano Nacional. Portugal está atento, tem estado a fazer um bom trabalho”, refere.

A ausência ou a utilização de documentos falsos e uma mobilidade constante são alguns dos problemas que surgem na identificação das vítimas menores. No período referido no documento foram identificadas 36 em Portugal. Segundo os dados do Observatório de Tráfico de Seres Humanos (OTSH), só em 2015 foram sinalizados 18 menores como presumíveis vítimas, dos quais seis foram confirmados. Todos do sexo feminino e a maioria de nacionalidade angolana. Em três casos, Portugal era país de destino e nos restantes era país de trânsito para França.

O IAC é uma das entidades que sinalizam menores em situação de vulnerabilidade. “Podemos melhorar a sinalização e identificação das vítimas em Portugal, porque é uma problemática muitas vezes escondida”, sublinha Matilde Sirgado, sugerindo, por exemplo, a formação de técnicos para que possam identificar situações de risco. Crianças em contexto de rua, porque fugiram de instituições ou de casa, “são potenciais vítimas de tráfico” humano, muitas vezes para serem integradas em “grupos organizados” de “tráfico, furtos ou prostituição”.

Uma das preocupações do GRETA é o desaparecimento de crianças estrangeiras não acompanhadas, o que requer alojamento adequado e formação específica. Uma inquietação referida pela coordenadora do RUA, que diz que Portugal precisa de se preparar, porque o problema poderá vir a ter expressão no país.

No documento, o GRETA manifesta-se igualmente preocupado com “o baixo número de vítimas de tráfico que recebem indemnizações”, pelo que pede às autoridades portuguesas que garantam que as vítimas exercem o direito às mesmas. Destacando medidas positivas como o reforço do quadro jurídico e a criação da rede de apoio às vítimas, apela a que as autoridades continuem a perseguir os casos de tráfico de seres humanos.

 

 

Instituto de Apoio à Criança pede proteção de imagem da jovem de Ponte de Lima

Março 13, 2017 às 7:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://portocanal.sapo.pt/ de 11 de março de 2017.

11-03-2017 11:41 | Norte Porto Canal com Lusa

Lisboa, 11 mar (Lusa) — O Instituto de Apoio à Criança apelou hoje que seja mantida a privacidade da jovem que desapareceu de Ponte de Lima, e entretanto encontrada, por considerar que a exposição da sua imagem compromete o seu futuro e dignidade.

“O Instituto de Apoio à Criança considerando a múltipla exposição da adolescente de 13 anos, que desaparecera de Ponte de Lima e agora encontrada, apela aos órgãos de comunicação social que, sem deixar de informar, se abstenham de divulgar a imagem”, refere o secretário-geral do IAC, Manuel Coutinho, numa nota enviada à agência Lusa.

A adolescente de 13 anos, residente na freguesia de Beiral do Lima, apanhou o autocarro dos transportes escolares numa sexta-feira de manhã, para ir para as aulas, mas não se apresentou na escola.

O alerta às autoridades foi dado cerca das 20:00 de 03 de março, pelos pais da menor e na sexta-feira foi encontrada em Aveiro, tendo sido detido um homem de 24 anos pelo alegado envolvimento no seu desaparecimento.

O homem, detido numa residência onde também se encontrava a menor, está indiciado pela prática de um crime de rapto agravado e segundo a Policia Judiciária tem o perfil de “predador sexual” através da internet.

Na nota enviada à Lusa, a direção do Instituto de Apoio à Criança refere que a continuidade da exposição mediática da jovem “prejudica-a e compromete o seu futuro e dignidade”.

GC // ZO

Lusa/fim

 

 

Bullying – Há 616 crimes por mês nas escolas portuguesas

Março 10, 2017 às 1:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.dn.pt/ de 6 de março de 2017.

Rute Coelho

Bullying e as agressões em ambiente escolar têm vindo a aumentar. No último ano letivo, PSP e GNR registaram 4757 crimes

“Tens piolhos, és foleira, olha as tuas roupas.” Os insultos repetiram-se durante meses, criando um clima de medo e de revolta numa aluna do 7.º ano de uma escola secundária na zona de Sacavém, Loures. O caso desta adolescente, de 14 anos, que chegou ao Gabinete de Apoio ao Aluno e à Família (GAAF), do Instituto de Apoio à Criança, na passada quarta-feira, é um dos 4757 atos de agressões, ameaças ou injúrias registados em ambiente escolar.

Uma realidade que tem aumentado nos últimos quatro anos, segundo os dados do Programa Escola Segura da PSP, a que o DN teve acesso. No ano letivo de 2015-2016 houve 4102 crimes registados nas escolas portuguesas pela PSP, aos quais se juntaram 657 reportados pelo programa equivalente da GNR, num total de 4757 situações. A maioria dos casos acontece no interior do espaço escolar, sobretudo no recreio.

Um dos casos que vão entrar na estatística é o de um menor agredido por vários adolescentes em Almada, num episódio de violência acontecido em novembro, filmado com um telemóvel e conhecido ontem (ver texto secundário).

Feitas as contas aos 167 dias úteis de aulas no último ano letivo (de 15 de setembro de 2015 a 9 de junho de 2016), chegou-se à média de 616 crimes por mês nas escolas portuguesas cobertas pelos programas Escola Segura da PSP e da GNR. E têm sido mais de 200 as vítimas que, por ano, são conduzidas ao hospital, segundo os registos do programa da PSP (ver caixa).

As agressões estão em maioria no total de crimes, numa média estabilizada de 1350 por ano, nas 3366 escolas asseguradas pelo programa da PSP. Na área da GNR houve mais 91 casos de alunos agredidos no ano letivo passado – 349 situações contra 258 de 2014-15. A maioria dos agressores e vítimas têm menos de 16 anos.

Mas o coordenador do Programa Escola Segura da PSP acredita que a subida de casos nas estatísticas não significa maior quantidade de crimes. “Há um aumento das denúncias dos miúdos em relação ao bullying devido às ações de sensibilização que temos feito nas escolas. As queixas que têm aumentado referem-se sobretudo a crimes ocorridos no interior do espaço escolar”, comentou o subintendente Hugo Guinote.

Vítima de bullying quer desistir

Regressando à escola na zona de Sacavém – considerado território de risco – na quarta-feira à tarde, a técnica de serviço foi surpreendida pelo relato de uma rapariga de 14 anos, aluna do 7.º ano, que se queixou de ser vítima de bullying. A técnica falou com o DN mas pediu para que nem ela nem a escola fossem identificadas de forma a proteger a jovem. A rapariga começou a faltar às aulas antes do final do 1.º período. Depois de três semanas de ausência, a diretora contactou os pais e sinalizou o caso ao GAAF. Na quarta-feira, a aluna voltou então à escola, acompanhada pela mãe. Em casa já tinha contado o que se passava: há meses que era vítima de bullying por parte de duas colegas de turma que a humilhavam com ofensas, dia após dia. “Tens piolhos, és foleira, olha as tuas roupas”, eram alguns dos insultos constantes.

Os pais querem que a filha seja transferida de escola. A técnica do GAAF vai mediar o conflito da criança com o estabelecimento de ensino, ouvindo também o diretor de turma, as duas agressoras e os pais, e a comunidade escolar.

Na turma desta adolescente ninguém sabia, aparentemente, o que se passava. “Também já sinalizámos a situação ao Programa Escola Segura da PSP. A PSP pode encaminhar o caso de agressão verbal e psicológica para o tribunal mas é difícil fazer a prova”, referiu a técnica. “A menor e os seus pais querem a transferência da escola mas ela não vai resolver o seu problema assim. É quase uma fuga. Quantas transferências escolares poderão existir motivadas pelo bullying?”, questiona. A técnica vai querer “trabalhar com as agressoras e com os seus pais, perceber o que se passa. Geralmente, o agressor já foi vítima de alguma situação”.

Nos 137 agrupamentos de escolas que se localizam em zonas de risco, os GAAF não têm mãos a medir. Ali promove-se a mediação escolar em territórios de guerra pouco habituados ao diálogo.

Apoiar a vítima e chegar a quem agride é um dos objetivos deste ano do Programa Escola Segura, da PSP. “A causa do problema reside na criança que é agressora e que muitas vezes é vítima de violência no seu espaço doméstico ou social. Poderão ser os criminosos de amanhã. Por isso, temos de fazer uma intervenção o mais precoce possível”, salienta o subintendente Hugo Guinote. A PSP já iniciou, há um ano, ações de sensibilização sobre o que significa agredir os outros física e verbalmente, junto das crianças do pré-escolar e primeiro ciclo.

O cenário nas escolas é cada vez mais duro e a violência está a ser banalizada pelas gravações de telemóvel que se colocam nas redes sociais. No ano letivo passado, a PSP deteve 90 alunos, 74 deles no interior da escola, por alegada participação em crimes. Uma subida de assinalar, pois no ano letivo de 2014-15 foram 58 os detidos, a maioria deles no exterior (47). Nos últimos quatro anos, as armas apreendidas pela PSP nas escolas superaram a média de cem por ano.

A socióloga Margarida Gaspar de Matos, que coordenou parte dos dados do relatório da UNICEF – “As crianças no mundo desenvolvido” – divulgado em abril, diz não ser possível associar a pobreza às vítimas de bullying e a riqueza aos agressores. “Um estudo recente num outro sentido associa o desafogo económico e o sucesso escolar a algum egocentrismo. Por isso, mais do que “diabolizar” a pobreza ou a riqueza, era importante providenciar aos jovens alternativas (competências, motivação e oportunidades) de optarem por modos de convívio mais pacíficos”, conclui Margarida Gaspar.

 

 

Carta da Criança Hospitalizada e Zebedeu – Um Príncipe no Hospital em destaque no site da DGS

Fevereiro 17, 2017 às 12:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social, Publicações IAC-CEDI | Deixe um comentário
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Texto do site da https://www.dgs.pt/

A Carta da Criança Hospitalizada foi preparada por várias associações europeias em 1988, e o Sector da Humanização dos Serviços de Atendimento à Criança do Instituto de Apoio à Criança (IAC) publica, desde 1996, a sua versão em português.

A Carta da Criança Hospitalizada, nos seus dez princípios, define de forma clara um conjunto de direitos da Criança que, uma vez garantidos, asseguram a excelência do acolhimento e estadia da criança no hospital.

Em 2012, procurando cumprir um dos direitos consignados na própria Carta da Criança Hospitalizada – direito a receber uma informação adaptada à sua idade e compreensão -o IAC lançou o livro “Zebedeu – Um Príncipe no Hospital”, que aborda os direitos da criança no hospital, numa linguagem adaptada à compreensão do público infantil.

Para aceder a estes conteúdos, visite o website do IAC.

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As visitas, quando benéficas para as crianças, devem ser gratuitas – Artigo de Fernanda Salvaterra no Público

Fevereiro 7, 2017 às 2:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião da Doutora Fernanda Salvaterra, investigadora do Instituto de Apoio à Criança, publicado no https://www.publico.pt/ de 4 de fevereiro de 2017.

A decisão de retirada de uma criança à sua família de origem é sempre uma decisão difícil e complexa para todos os intervenientes, mas ela deve ser tomada e não temida pelos profissionais, sempre que a criança se encontra em situação de perigo. É uma situação difícil, em primeiro lugar para a criança que, embora esteja a ser vítima de negligência grave e/ou maus tratos e/ou abusos de diversa ordem, que colocam em perigo o seu desenvolvimento saudável e harmonioso, ela está vinculada a esses pais.

Sim, as crianças vinculam-se mesmo a pais maltratantes e negligentes, pois é o único modelo relacional que conhecem e o único que lhes proporcionou um mínimo de condições, para a sua sobrevivência. A qualidade da vinculação é que é distinta da das crianças que possuem pais, suficientemente bons, protectores e sensíveis às necessidades dos filhos.

É também uma decisão difícil para os pais, que consideram os filhos como propriedade sua e, algumas vezes, não têm sequer a noção da situação de perigo em que colocam as crianças e dos efeitos adversos que os seus comportamentos e estilos de vida têm no desenvolvimento dos filhos, porque eles próprios foram, na grande maioria das vezes, negligenciados /ou maltratados na infância.

E, por último, é uma decisão complexa para os profissionais (psicólogos, assistentes sociais, magistrados) que avaliam a situação e tomam a decisão final, tendo em conta o superior interesse da criança, a protecção dos seus direitos e o seu bem-estar físico e psicológico. É uma decisão tomada em situações graves, que comprometem o desenvolvimento físico, social e emocional da criança e, após ter sido dada a oportunidade à família de se recuperar.

Embora os interesses das crianças e dos pais estejam intimamente ligados, são os interesses da criança que devem prevalecer e são estes que devem nortear as decisões dos profissionais, baseadas numa avaliação criteriosa, ouvindo a criança, o que ela diz, mas também o que não diz e se manifesta de diversas formas no seu comportamento, avaliando o seu desenvolvimento e a qualidade da vinculação.

Sempre que os pais não são capazes ou não desejam mudar o seu estilo de vida e o seu comportamento em função das necessidades dos filhos, então à criança deve ser dada a oportunidade de ter outros pais, de ter uma nova família. Havendo laços afectivos já estabelecidos com outros familiares que estejam motivados e desejem assumir a parentalidade da criança, essa deve ser a opção, ou então, de ter uma nova família através da adopção.

Apenas no caso da adopção plena os vínculos com a família de origem se quebram, quer do ponto de vista social, quer jurídico; quando ficam aos cuidados de outros familiares, a questão da continuidade ou não, da relação com os pais, coloca-se. Esta é mais uma questão complexa, em que os interesses da criança e o interesse dos pais entram muitas vezes em conflito, e que deve ser resolvida tendo em conta o bem-estar da criança, a curto, e sobretudo, a longo prazo.

A manutenção dos contactos só deve ser decidida se for benéfico para a criança, não deve ser a vontade dos pais a prevalecer. Nalgumas situações, em que a criança é confiada a familiares, estes também preferem o distanciamento dos pais biológicos e dos problemas destes (dependência de álcool ou estupefacientes, comportamentos violentos, entre outros), para evitar a destabilização do seu seio familiar.

Caso seja do entendimento dos profissionais que as visitas dos pais trazem benefícios para a criança, então estas devem ser mediadas e avaliadas por técnicos, com formação específica, em locais próprios, proporcionadas pela segurança social, ou outras IPSSs que dispõem deste tipo de resposta (CAFAP – ponto de encontro) de forma gratuita, dado que é no Interesse da Criança.

Fernanda Salvaterra

Psicóloga e investigadora do Instituto de Apoio à Criança, doutorada em Psicologia do Desenvolvimento

 

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