OCDE: 80% dos jovens portugueses dizem “sentir-se mal” quando não estão na Internet

Maio 20, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Sapo24 de 7 de maio de 2018.

Oito em cada dez adolescentes portugueses dizem “sentir-se mal” se não estiverem ligados à internet, uma percentagem só superada pelos franceses e suecos, segundo dados da OCDE sobre 31 países.

“Entre os países da OCDE tem havido um aumento do tempo que os estudantes passam online depois de um dia típico de aulas”, sublinha o estudo agora divulgado que aponta Portugal como tendo um “elevado número de jovens de 15 anos que reportam sentir-se mal se não estiverem ligados à Internet”.

Entre os rapazes a percentagem é de 79,4% e entre as raparigas é de 79,2%, segundo os dados relativos a 2015, que revelam que as adolescentes portuguesas são as que mais se ressentem, já que a percentagem de francesas e suecas é um pouco menor.

Entre os rapazes, mais de 80% dos suecos e dos franceses ressentem-se quando não estão online. No final da lista dos 31 países, surgem os jovens alemães, estónios e eslovacos, que rondam os 40%.

A média dos países da OCDE analisados ronda os 55%, com as raparigas a queixarem-se um pouco mais, segundo os dados do relatório que analisa a aplicação do Programa de Autonomia e Flexibilidade e Curricular (PAFC), que começou a ser aplicado em Portugal este ano letivo.

O relatório mostra também que os jovens passam cada vez mais tempo ligados, quando se comparam os dados de 2012 e 2015: Os jovens portugueses estavam ligados cerca de 100 minutos e passaram a estar cerca de 140 minutos, ficando abaixo da média da OCDE e em 9.º lugar dos que menos tempo passam ligados.

O relatório aponta ainda o aumento de alunos estrangeiros e lembra a importância da criação do “Perfil do Aluno”, que define o perfil que os estudantes devem alcançar até ao final da escolaridade obrigatória (12.º ano).

O relatório considera que o PAFC “realiza muitos objetivos práticos que estão ligados aos objetivos estabelecidos pelo perfil do aluno”, dando como exemplo o facto de o PAFC dar autonomia pedagógica às escolas que assim “podem projetar experiências de aprendizagem que estejam alinhadas com os objetivos do perfil do aluno”.

“Por exemplo, as escolas podem direcionar lições e práticas para falantes de português não nativos ou para estudantes em risco de abandono. Assim, o projeto aborda os principais objetivos da política, como equidade e retenção. Por se tratar de uma reforma ampla que está aberta a todas as escolas, também se empenha em apoiar a aprendizagem de alta qualidade para todos – não apenas as elites”, sublinha o relatório, que lembra que uma equipa da OCDE visitou as escolas envolvidas neste projeto.

O estudo recorda algumas das medidas que têm sido aplicadas pelo Ministério da Educação, como o programa nacional de promoção do sucesso escolar, a estratégia nacional para a cidadania ou o fim dos exames nacionais do 4.º e 6.º anos.

 

 

 

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Aumentam as multas por venda de álcool a menores

Maio 15, 2018 às 9:00 am | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Gerardo Santos / Global Imagens

Notícia do Jornal de Notícias de 10 de maio de 2018.

Aumentam as multas por venda de álcool a menores

ASAE cobrou 1,3 milhões de euros em coimas desde 2016

Dependência Contraordenações em 2017 são quase o dobro do ano anterior. Sinalização de jovens diminuiu

Helena Teixeira da Silva

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) cobrou mais de um milhão de euros nos últimos dois anos e meio a estabelecimentos que violaram a lei de venda de bebidas alcoólicas a menores de idade.

Este valor, que tem registado um aumento progressivo, resulta de 1737 processos instaurados por contraordenação desde 2016. “Tendo em consideração os processos concluídos e as decisões proferidas, foi determinada a aplicação de coimas num valor que corresponde a 390 mil euros em 2016, 637 mil euros em 2017 e 291 mil euros relativos a processos decididos já em 2018”, informou fonte da ASAE ao JN.

O valor das contraordenações oscila entre 500 euros e 3740 euros, no caso de o infrator que facilitou a venda e o consumo ser uma pessoa singular. E entre 2500 euros e 30 mil euros, no caso de o infrator ser uma pessoa coletiva. Acresce que, no caso de a infração estar ancorada na ausência de aviso visível dando conta da proibição da venda, a contraordenação pode variar entre 500 e 1500 euros (pessoa singular) ou 1500 e 5500 euros (pessoa coletiva). Desse montante, 60% reverte para o Estado, 25% para a própria ASAE e 15% para a entidade fiscalizadora.

A legislação foi alterada em abril de 2015 (Decreto-Lei nº 106/2015), uniformizando a proibição da venda de todas as bebidas alcoólicas para jovens menores de 18 anos. No âmbito das competências de fiscalização relativamente a essa restrição ao consumo, a ASAE instaurou 167 processos de contraordenação em 2016, número de processos que aumentou em 2017 para 211. Já este ano, foram instaurados 27 processos.

As principais infrações detetadas foram “facultar, vender ou colocar à disposição bebidas alcoólicas em locais públicos, a menores e a falta de afixação de aviso de forma visível com a menção de proibição”.

Menos sinalizados em 2017

Três anos após a alteração à lei do álcool, os dados do Relatório de Avaliação da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos das Crianças (CPCI) são, pela primeira vez, positivos. Em 2017, as situações sinalizadas de jovens em risco desceram de 185 para 164. Contudo, no grupo etário entre os 15 e os 18 anos, que é o mais representativo, houve uma ligeira subida (de 121 para 123). Entre os 11 e os 14 anos, verificou-se uma descida acentuada (de 46 para 30).

Manuel Cardoso, subdiretor-geral do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e Dependências (SICAD), confirma que as metas resultantes da alteração da lei estão a ser atingidas. “Os jovens que dizem que é ‘fácil’ ou ‘muito fácil’ encontrar bebidas alcoólicas reduziu. E a idade de início do consumo aumentou”. O cenário estará estabilizado mas, alerta, “continua fixado em níveis muito elevados, sobretudo entre as raparigas, que são cada vez mais um foco de preocupação”.

O responsável lamenta que a sociedade ignore os malefícios do álcool. “Há uma complacência enorme para o consumo excessivo. E um grande desconhecimento das patologias agudas que provoca, mas sobretudo das doenças crónicas.” Basta pensar, diz, “que hoje encontramos cada vez pessoas mais jovens com cirrose hepática, que não há muito tempo era uma doença diagnosticada apenas em pessoas com mais de 50 anos”.

Comissão Europeia oferece Interrail a jovens de 18 anos

Maio 10, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Euronews de 3 de maio de 2018.

A Comissão Europeia apresentou a iniciativa “DiscoverEU”, que vai permitir a jovens que cumpram 18 anos até 1 de julho viajar de comboio pela Europa este verão, com um bilhete Interrail gratuito.

Os jovens poderão candidatar-se através da internet, no Portal Europeu da Juventude.

O comissário europeu para a Educação e Juventude, Tibor Navracsics, explica que “este ano são disponibilizados 12 milhões de euros para que os jovens de 18 anos possam concorrer. O processo de candidatura começa em Maio e serão avaliados em colaboração com peritos independentes. A partir de julho poderão começar a viajar, com durações variáveis entre 1 e 30 dias”.

Um dos promotores da iniciativa diz que um dos objetivos é combater o populismo. O eurodeputado húngaro István Ujhelyi afirma que “o objetivo é perceber a Europa, viajando pelo território e obtendo novas histórias, para que esta nova geração sinta, de certa forma, o que sentiram gerações anteriores depois da Segunda Guerra Mundial: que esta é agora uma Europa de paz e cooperação, que pretende desenvolver o continente de forma unida”.

visualizar o vídeo da notícia no link:

http://pt.euronews.com/2018/05/03/comissao-europeia-oferece-interrail-a-jovens-de-18-anos

 

‘Selfitis’ é a nova terminologia para os viciados em selfies. Saiba se é um deles

Abril 25, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto da http://visao.sapo.pt/visaomais/ de 9 de abril de 2018.

Sara Rodrigues

Um estudo realizado na Índia demonstra que há seis razões principais para as pessoas tirarem selfies. A competição social e a busca de atenção são apenas duas

Quando, em 2014, vários jornais republicaram uma notícia que dava conta de que a Sociedade Psiquiátrica Americana iria classificar a selfitis – o vício em fazer selfies – como um distúrbio mental vários investigadores indianos ficaram em alerta. Logo depois, soube-se que a história não passava de um embuste (fake-news), mas os docentes ficaram com a pulga atrás da orelha. Assim, e como desde 1995, ano que foi publicado o primeiro estudo sobre “adições tecnológicas”, foram várias os distúrbios estudados e cunhados – como o vício da internet, dos videojogos online ou do telemóvel – porque não poderia existir também um ligado às selfies?

Juntaram-se investigadores de duas universidades indianas, Nothingham Trent e Thiagarajar School of Management, e pegaram numa amostra de 400 estudantes e em focus group com outros 200 (90% com menos de 25 anos). O estudo não pretende ser um retrato internacional ou mesmo da população indiana, já que, como referem os autores, a amostra foi selecionada nas universidades e não representa várias gerações, embora possa servir de base para futuros estudos empíricos sobre esta mania que alastrou pelo mundo inteiro.

Esta análise foi feita na Índia porque é este o país como mais utilizadores de Facebook e com o maior número de mortes relacionadas com a tentativa de fazer selfies em locais perigosos.

O estudo, publicado no International Journal of Mental Helth and Addiction, classificou os selfitis em três categorias: borderline, agudo, crónico.

Borderline – tira selfies pelo menos três vezes por dia, mas não as publica nas redes sociais
Agudo – tira selfies pelo menos três vezes por dia e publica-as nas redes sociais
Crónico – tira selfies de forma descontrolada o dia inteiro e publica pelo menos seis

Os investigadores identificaram seis fatores de motivação para os selfitis: os que querem aumentar a auto-confiança, os que buscam por atenção, para melhorar o humor, registar memórias quando se está num ambiente agradável, aumentar a integração no grupo que as rodeia e competição social.

A prevalência destes itens determina o grau de vício de cada um.

“O facto de esta história ter tido início numa notícia falsa, não quer dizer que a condição de selfitis não possa existir. Confirmámos a sua existência e criámos a Escala de Comportamento Selfitis”, referiu o investigador Mark Griffiths.

Os investigadores criaram uma grelha de 20 perguntas para aferir do grau de adição de cada um.

Responda a cada uma das perguntas utilizando uma escala de 1 a 5. Em que 5 quer dizer “concordo plenamente” e 1 quer dizer “discordo completamente”. Quanto maior a sua pontuação, maior a probabilidade de você sofrer de “selfitis”

1- Tirar selfies dá-me a sensação de estar a aproveitar melhor o ambiente em que estou

2 – Partilhar as minhas selfies cria uma competição saudável com os meus amigos e colegas

3 – Tenho muito mais atenção dos outros se partilhar as selfies nas redes sociais

4 – Consigo reduzir o meu nível de stress quando tiro selfies

5 – Sinto-me confiante quando tiro selfies

6 – Sou melhor aceite no meu grupo de amigos quando tiro selfies e as partilho nas redes sociais

7 – Consigo expressar-me melhor no meu ambiente através das selfies

8 – Fazer selfies em diversas poses ajuda a aumentar o meu estatuto social

9 – Sinto-me mais popular quando publico selfies nas redes sociais

10 – Tirar selfies melhora o meu humor e faz-se sentir feliz

11 – Sinto-me melhor em relação a mim mesmo quando tiro selfies

12 – Torno-me mais forte no meu grupo de amigos quando publico selfies

13 – Tirar selfies faz com que me lembre melhor de ocasiões e experiências

14 – Publico selfies frequentemente para ter mais “gostos” e comentários nas redes sociais

15 – Ao publicar selfies espero uma avaliação dos meus amigos

16 – Tirar selfies muda instantaneamente o meu humor

17 – Tiro selfies e olho para elas em privado como forma de aumentar a minha auto-confiança

18 – Quando não tiro selfies sinto-me separado do meu grupo de amigos

19 – Tiro selfies como troféus para a minha memória

20 – Edito ou uso filtros de imagem para que as minhas selfies fiquem melhor do que as dos outros

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

An Exploratory Study of “Selfitis” and the Development of the Selfitis Behavior Scale

 

42% dos jovens portugueses não se identificam com nenhuma religião

Abril 20, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança, Relatório | Deixe um comentário
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Notícia e foto da http://visao.sapo.pt/ de 21 de março de 2018.

Estudo europeu divulgado esta quarta-feira caiu como uma bomba, mas a verdade é que apenas veio confirmar a tendência observada em inquéritos anteriores. E mostrar que não somos os únicos a afastarmo-nos da Igreja.

Quando se olha para percentagens quase sempre vem à cabeça a imagem do copo meio cheio e do copo meio vazio. Podíamos pegar no relatório Os Jovens Adultos e a Religião na Europa e escrever que a maioria dos jovens portugueses entre os 16 e os 29 anos identifica-se com uma religião, mas neste caso é o próprio autor principal do estudo que conclui: “A percentagem elevada de jovens adultos afirmando não ter nenhuma religião em muitos países é, sem nenhuma dúvida, o facto mais significativo deste relatório.”

É verdade que, segundo este relatório publicado pelo Centro de Religião e Sociedade Bento XVI, divulgado esta quarta-feira (atempadamente antes do Sínodo dos Bispos dedicado à juventude que o Vaticano agendou para outubro), 57% dos jovens portugueses se identificam com alguma religião. E que, entre estes, 53% dizem-se católicos. No entanto, é para os 42% de jovens que afirmaram não ter nenhuma religião que todos olham – aparentemente sem dramas.

“O cristianismo era originalmente muito estranho, e é provavelmente bom para nós sentirmo-nos um pouco estranhos”, já disse Stephen Bullivant, professor de Teologia e de Sociologia das Religiões na Universidade de St. Mary, no Reino Unido (onde também dirige o Centro Bento XVI), que encabeçou o estudo realizado em colaboração com o Institut Catholique de Paris, em França.

Bullivant e a sua equipa pegaram em dados recolhidos no European Social Survey (ESS), nas edições de 2014 e 2016, relativos a 22 países europeus, para fazerem um retrato da dimensão e prática religiosa dos jovens católicos. Os dados de Portugal são apenas de 2014, e a Itália ficou de fora porque em nenhum destes anos conseguiu financiar a realização de um inquérito.

Entre as conclusões a que chegaram, os investigadores destacam que, em 12 dos 22 países, mais de metade dos jovens adultos declararam não se identificar com nenhuma religião. À cabeça encontraram a República Checa, com uns esmagadores 91 por cento, e na cauda Israel, com 1 por cento. Logo em segunda posição no gráfico, com 80 por cento, ficou a Estónia. E acima de Israel encontra-se a Polónia, com 17 por cento, e a Lituânia, com 25 por cento. “É interessante constatar que os dois primeiros países e os dois últimos são países pós-comunistas”, escreve Bullivant.

É igualmente interessante ver quem são os nossos vizinhos na tabela do “não”: os irlandeses, com 39 por cento, e os alemães, com 46 por cento. Os espanhóis, nossos vizinhos no mapa mundi, ainda estão mais desligados da fé do que nós, com 55 por cento, mas mesmo assim bastante menos do que os seus vizinhos franceses, com 64 por cento.

Quanto à prática religiosa, depois de aplaudirem o facto de o ESS colocar igualmente esta questão a todos os inquiridos, religiosos ou não, Bullivant et al. analisam as respostas à pergunta “Fora de ocasiões como os casamentos e os funerais, quantas vezes assiste a um serviço religioso?”. Aqui, temos 35% de portugueses a confessarem nunca ir, e 20% a afirmar fazê-lo pelo menos uma vez por semana ou mais. “Em apenas quatro países, mais de um jovem adulto em dez declara ir a serviços religiosos pelo menos uma vez por semana: na Polónia, em Israel, em Portugal e na Irlanda”, notam os investigadores. Fora de missas e afins, é interessante verificar que a percentagem de quem assiste a serviços religiosos uma vez por semana ou mais aumenta ligeiramente (23 por cento); a resposta “nunca” desce, por isso, para 41 por cento.

Entre os que se disseram católicos, 27% dos jovens portugueses entre os 16 e os 29 anos afirmaram ir à missa pelo menos uma vez por semana e 17% assumiram-se como “não praticantes” (nunca vão à missa). Ter fé não é o mesmo que acreditar na Igreja – e aqui, sim, percebe-se por que razão Stephen Bullivant lamenta ter-se perdido toda uma geração.

 

Adolescentes portugueses trocam Facebook pelo Instagram

Março 23, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Relatório | Deixe um comentário
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PAULO SPRANGER/GLOBAL IMAGENS

Notícia do https://www.dn.pt/ de 5 de março de 2018.

Ana Rita Guerra

Rede de partilha de fotos e vídeos foi a que mais cresceu no ano passado e já é a segunda mais utilizada em Portugal

As notícias da morte do Facebook ao longo dos anos têm sido claramente exageradas, mas a tendência de perda de utilizadores entre os 12 e os 17 anos está a acelerar mais do que o previsto. Há pelo menos cinco anos que diversos estudos se debruçam sobre este problema na rede social mais utilizada do mundo: os mais jovens não querem estar onde estão os adultos. Os números recentes da eMarketer mostram que os adolescentes americanos estão a deixar o Facebook em grandes quantidades e a voarem para a aplicação de mensagens efémeras Snapchat. Mas, em Portugal, a tendência não é bem essa. A rede social que os jovens portugueses preferem agora é o Instagram, que, apesar de também pertencer ao conglomerado de Mark Zuckerberg, tem características mais atrativas para essa faixa de idades.

“Toda a gente começou a deixar de usar [o Facebook] e depois lá não dá para pôr as Stories”, confirma Sofia Matos, de 15 anos. “No Insta dá para pôr histórias e começou a ficar mais na moda.” A criação desta funcionalidade, Instagram Stories, foi uma das iniciativas recentes mais bem-sucedidas da rede social. Permite criar uma história curta com fotografias, frases, clips de vídeo e emojis que desaparece ao fim de 24 horas – uma cópia clara do conceito do Snapchat (e que, na verdade, também existe no Facebook). É a funcionalidade que os jovens portugueses parecem preferir. “Eu quando vou ao Instagram o que costumo ver mais é Stories”, diz ao DN Baltazar Nunes, de 17 anos, que fez exatamente o mesmo que Sofia: desinstalou a app do Facebook do telemóvel e só deixou a do Messenger. “O Instagram é para pôr fotografias e editá-las com filtros diferentes e acho que o Facebook ficou mais antiquado. As pessoas gostam de coisas mais modernas e diferentes”, resume. Baltazar diz que a tendência é a mesma entre todos os seus amigos e dura há cerca de um ano. “O Instagram tem funções completamente diferentes” reitera. “No Instagram, não sei explicar, mas tenho mais amigos que veem.”

Sofia, que já nem se lembra da palavra-passe da conta no Facebook, só usa a app do Messenger para enviar fotografias a si mesma e poder guardá-las. Explica que um dos motivos pelos quais deixou de gostar de ir à rede era estar rodeada de adultos. “No Facebook tinha muitos familiares e no Insta não tenho quase ninguém.”

A mesma transição aconteceu com Mara Machado, que vai fazer 16 anos em maio. No caso de Rafael de Barros, de 13 anos, a passagem para o Instagram deveu-se à popularidade entre os amigos. “Fiz porque ouvia toda a gente a falar sobre isso, queria ver como era e como funcionava”, diz ao DN. Ainda assim, Rafael não é um grande utilizador de redes sociais; mantém o Facebook por causa do Messenger, apesar de quase nunca entrar no seu perfil, e prefere o WhatsApp como meio de comunicação.

Em todos os casos, os pais dos adolescentes criaram contas no Instagram para poderem seguir a atividade dos filhos, sendo que são contas privadas – o adolescente tem de aceitar o pedido para ser seguido e a regra é não o fazer se não conhecer a pessoa.

“Ela acha o Instagram mais seletivo”, conta Ana Machado, mãe de Mara, que agora usa a rede de partilha de fotos para divulgar o seu trabalho de estética. “Um mundo um pouco mais fechado.”

Anabela de Barros, mãe de Rafael, continua a ter as palavras–passe das contas do adolescente, mas diz notar uma grande diferença entre rapazes e raparigas. “Elas expõem-se muito mais”, considera. “Há aquela coisa de se mostrarem.”

Tendência nacional

Estes casos refletem uma tendência nacional que foi atestada pela Marktest num estudo divulgado no final de 2017. Segundo os dados apurados no relatório “Os Portugueses e as Redes Sociais”, da Marktest Consulting, o Instagram foi a rede que teve o maior aumento relativo em 2017, na ordem dos 35%, e é já a segunda rede mais usada pelos portugueses. Enquanto a taxa de utilização global é de 50,3% entre todos os portugueses que usam redes sociais, a penetração na faixa etária dos 15 aos 24 anos é bem mais impressionante: 80,4%.

O Facebook continua a ser a rede mais utilizada, tendo registado durante o ano de 2017 uma taxa de penetração de 95,5% entre o universo de utilizadores de redes sociais. Mas, mesmo que os adolescentes não apaguem as suas contas no site criado por Mark Zuckerberg por uma questão de conveniência – por exemplo, login noutras apps, ligação entre contas ou manutenção do Messenger -, deixaram de ser utilizadores reais. No caso de Mara Machado, a jovem cancelou mesmo o seu perfil e já só usa o Instagram. Os dados da Marktest, curiosamente, indicam que existe uma incidência superior de utilização da rede de partilha de fotos entre as mulheres. Por outro lado, “os residentes na Grande Lisboa e no Grande Porto e indivíduos das classes mais baixas também referem mais do que a média ter conta no Instagram”, indica o relatório da consultora.

E o Snapchat?

A eMarketer prevê que, só neste ano, o Snapchat adicione 1,9 milhões de utilizadores americanos com menos de 25 anos, enquanto o Facebook vai perder 2,1 milhões de utilizadores nessa faixa etária (os analistas questionam se será troca por troca). No ano passado, a rede de Zuckerberg perdeu 1,4 milhões de adolescentes entre os 12 e os 17, três vezes mais que o previsto, e a tendência repete-se noutros grandes mercados, como o do Reino Unido. A aplicação de mensagens efémeras em fotos e vídeos continua a ter mais jovens entre os 12 e os 24 do que o Instagram nos Estados Unidos, mas mesmo assim tem uma dimensão mundial inferior. O Snapchat contabiliza 187 milhões de utilizadores diários, enquanto o Instagram tem 500 milhões.

A que se deve esta diferença entre os jovens americanos e os portugueses? Baltazar Nunes resume desta forma: “O Snapchat é como o Facebook, há uns anos toda a gente usava e deixaram de usar, passou tudo a usar o Instagram.” Sofia Matos confirma: “O Snapchat uso para tirar fotos, porque tem lá efeitos giros, mas já não uso muito.” Rafael de Barros e Mara Machado nem sequer têm lá conta.

Talvez reflitam uma transição que vai chegar a outros mercados, ou estejam a responder às próprias decisões da Snap, casa-mãe do Snapchat, que nos últimos tempos fez um grande esforço para atrair utilizadores mais velhos. Na conferência com analistas para discutir os resultados do quarto trimestre fiscal, o CEO da Snap, Evan Spiegel, falou dos resultados das novidades introduzidas gradualmente na aplicação do Snapchat com esse propósito. O executivo mostrou uma série de indicadores encorajadores, entre os quais melhor envolvimento e interação com utilizadores acima dos 35 anos. É uma faixa etária que normalmente não se associava à aplicação de mensagens efémeras, e que choca com o desejo dos adolescentes de socializarem em ambientes virtuais com poucos ou nenhuns adultos.

A Snap parece estar a tirar notas da experiência do Facebook e do Instagram: é que, embora haja muita atenção devotada às preferências dos adolescentes, estes não têm o mesmo poder de compra das faixas etárias superiores, que estão mais bem distribuídas pelas redes sociais controladas por Mark Zucker- berg.

É um caminho inverso ao que o Instagram fez, quando usou os métodos bem-sucedidos do Snap- chat para atrair utilizadores mais velhos – com resultados muito positivos em mercados como o português. As Stories de que os adolescentes falaram, uma inspiração direta do conceito do Snapchat, aumentou o envolvimento com os utilizadores e acelerou o crescimento em novas contas. É possível até traçar um paralelo entre o ganho de utilizadores no Instagram e a desaceleração do crescimento no Snapchat, o que, por sua vez, levou a Snap a tomar medidas controversas.

De facto, o redesenho mais recente da interface do Snapchat foi feito precisamente para atrair outros públicos, mas causou uma autêntica revolta entre os utilizadores fiéis, que estão a fazer circular uma petição contra com mais de 1,2 milhões de assinaturas. A consultora LikeFolio reportou uma explosão de comentários de pessoas que trocaram o Snapchat pelo Instagram por causa do novo layout, que foi avaliado negativamente por 80% dos utilizadores.

A juntar a esta repercussão inesperada do redesenho, a Snap tombou 6,1% em bolsa e perdeu mais de 1,3 mil milhões de dólares de capitalização bolsista por causa de um tweet de Kylie Jenner, uma das figuras mais populares do clã Kardashian. “Entãooooo há mais alguém que já não vai ao Snapchat? Ou sou só eu… ugh isto é tão triste.” Muitos dos seus seguidores do Twitter (um total de 24,5 milhões) concordaram com o que a celebridade escreveu, apesar de Kylie ter publicado logo a seguir que ainda adora o Snapchat, o seu “primeiro amor”.

mais informações no relatório:

Os Portugueses e as Redes Sociais 2017

 

GNR lança operação para prevenir comportamentos de risco de jovens em férias

Março 19, 2018 às 3:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.dn.pt/ de 19 de março de 2018.

A GNR inicia hoje uma operação junto de escolas e nas fronteiras terrestres para prevenir comportamentos de risco pelos jovens que se deslocam a Espanha na altura das férias escolares da Páscoa.

Em comunicado, a GNR adianta que a operação “Spring Break” vai realizar-se entre hoje e dia 30 de março em todo o território nacional.

Até dia 30 de março, a GNR vai desenvolver ações de sensibilização junto da comunidade escolar e de fiscalização nas fronteiras terrestres de Vilar Formoso (Guarda), em Caia (Portalegre) e Vila Real de Santo António (Faro).

A operação, que será realizada em três fases, tem por objetivo prevenir a adoção de comportamentos de risco inerentes ao consumo de droga e álcool por parte da população mais jovem, que se desloca nesta altura do ano (Páscoa) para o sul de Espanha e Catalunha em férias escolares.

Na primeira fase da operação, entre hoje e sexta-feira, os “militares dos Núcleos Escola Segura realizam ações de sensibilização junto dos jovens, alertando-os para os comportamentos de risco associados a estas viagens, direcionado para o grupo-alvo de alunos do 9.º ao 12.º ano de escolaridade”.

Numa segunda fase entre sexta-feira e domingo (23 a 25 de março), “os militares dos comandos territoriais, com o apoio da valência de investigação criminal e de binómios cinotécnicos de deteção de droga, em coordenação com a Guardia Civil, realizam ações de fiscalização junto às fronteiras terrestres”.

O objetivo, segundo a GNR, é detetar a prática de ilícitos associados ao consumo de substâncias estupefacientes, bem como garantir as condições de segurança dos veículos que irão transportar os jovens.

Na terceira fase, que vai decorrer entre os dias 26 e 30, os militares dos comandos territoriais, realizam ações de fiscalização em estabelecimentos comerciais no âmbito da venda de álcool e produtos estupefacientes a adolescentes e jovens adultos.

As férias escolares da Páscoa são entre 26 de março e 06 de abril.

mais informações:

http://www.gnr.pt/noticias.aspx?linha=8223

Atenção aos sinais. O seu filho pode estar doente por causa da internet

Março 10, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://magg.pt/ de 18 de fevereiro de 2018.

por CATARINA DA EIRA BALLESTERO

Um em cada quatro jovens está clinicamente dependente de jogos ou redes sociais. A psicóloga Ivone Patrão alerta para este problema grave.

enho a mente a derreter, nada para fazer e, à falta de melhor, abuso do computador. Antes fazia um pouco de tudo: jogava um bocado, depois ia ver uns vídeos, ouvia umas músicas. Lia notícias sobre o que me apetecesse e ficava a olhar para o ecrã um bocado, à espera que acontecesse alguma coisa. Jogo tudo desde que tenha qualidade. O jogo teve mais presença na minha vida há uns quatro, seis anos. Foi o tempo que eu joguei mais. Era chegar a casa e jogar, porque a vida social também nunca foi nenhum doce para mim e nunca fui muito de estudar (…). Nos últimos dois anos, incluindo consolas, em média devo ter jogado no mínimo 12 horas e no máximo, talvez 16 horas por dia. Quando estava a jogar às horas das refeições os meus pais não gostavam. De resto, eles só começaram a ficar tristes quando as minhas notas desceram um bocado. Estando no computador não tinha necessidade de qualquer outro tipo de distração. Os meus traços de depressão simplesmente ficaram mais carregados ao longo do tempo.”

Este é o relato de Carlos, com 22 anos à data deste testemunho feito para um vídeo pedagógico do blogue Mala da Prevenção, uma plataforma criada por Luís Patrício, médico psiquiatra. Com 16 anos, Carlos começou a passar horas consecutivas ao computador e a jogar online, tornando-se dependente. Teve mesmo de ser internado cerca de um mês na Unidade de Saúde de Carnaxide,  tendo sido acompanhado com apoio terapêutico em ambulatório após a alta hospitalar.

“Nos estudos que tenho realizado com jovens entre os 12 e 30 anos, em cada amostra surge uma média de 20 a 25 por cento de jovens dependentes do que fazem na internet”, disse à MAGG Ivone Patrão, psicóloga clínica do ISPA – Instituto Universitário e autora do livro “#GeraçãoCordão – A geração que não desliga”.

“Os rapazes demonstram um perfil de dependência de jogos e apostas online, enquanto as raparigas tendem para a dependência das redes sociais”. Desde os canais de YouTube, que têm tido cada vez mais crescimento e criam nos jovens uma sensação de exemplo a seguir, até aos jogos, são muitos os focos de distração que podem levar a um comportamento aditivo. É importante saber distinguir sinais de perigo e o que fazer para reverter uma possível situação de vício.

O vício levou-o a reprovar e a deixar a universidade

Um comportamento é aditivo quando este tem potencial para gerar dependência, em que a pessoa procura prazer, mas que pode facilmente resvalar para o lado compulsivo, muito difícil de interromper. “Temos de considerar diferentes comportamentos aditivos relacionados com a tecnologia. Podem ser passar imensas horas a jogar online, navegar compulsivamente passando de uns assuntos para outros ou estar bastante tempo nas redes sociais”, acrescenta Isabel Prata, psicóloga clínica e psicoterapeuta, que não gosta de usar a palavra vício para caracterizar esta dependência porque vê nela uma carga negativa.

O primeiro passo para identificar este problema é  saber reconhecer os sinais de alarme.Os mais evidentes são: desinvestimento de outros aspetos da vida, tal como o baixo rendimento escolar; desinteresse face à escola e vida social offline; abandono de  outras atividades fora de casa como o desporto; sonolência durante o dia; alteração das rotinas de sono, alimentação e estudo; mentira acerca do tempo que se passa na internet ou a jogar; compra compulsiva de jogos e até usar o cartão de crédito dos pais em segredo para o efeito. E, claro está, passar muito tempo ao computador ou ao telemóvel, bem como ultrapassar os períodos previamente estipulados para este tipo de atividades.

Ivone Patrão recorda o caso de um jovem de 21 anos: “Estudante de engenharia informática estava dependente do jogo online, sobretudo ‘League of Legends’, e desistiu do curso superior após dois anos de insucesso escolar por pouca dedicação ao estudo. Acabou por decidir ingressar no mercado de trabalho. Com boa adesão ao emprego, organizou melhor os seus ritmos diários e já obteve alta.

“Um estudante de engenharia informática estava dependente do jogo online, sobretudo ‘League of Legends’ e desistiu do curso superior após dois anos de insucesso escolar por pouca dedicação ao estudo”

Agressividade e dificuldade em controlar a ansiedade que é gerada por não estarem online são aspetos a que os pais também devem estar atentos. “De acrescentar que é importante redobrar a atenção face a estes comportamentos se existir algum acontecimento de vida que possa favorecer um uso excessivo de tecnologia, tal como o divórcio dos pais, uma perda significativa ou a dificuldade em realizar alguma tarefa da adolescência”, acrescenta Ivone Patrão.

Foi o que aconteceu com um doente de Ivone Patrão: “Um  jovem de 18 anos, estudante de um curso profissional na área do design, debatia-se com a dependência de jogo online e com conflitos familiares por causa do divórcio dos pais. Quando decidiu ir viver com um familiar próximo, este tornou-se numa peça essencial na ajuda da regulação do comportamento online”.

É mais fácil viver online

Os comportamentos aditivos na adolescência não devem ser ignorados nem desvalorizados por se pensar que são fases momentâneas, que passam com a idade.  Neste período da vida, a diversidade de interesses, experiências e relações ganham ainda mais importância. Repetir permanentemente o mesmo comportamento é um fator de risco para o desenvolvimento de competências sociais, para a transição para a vida adulta e para a própria socialização numa maior faixa etária, defendem os especialistas.

“É provável que um adolescente fechado se torne num adulto fechado, há uma continuidade no desenvolvimento”, diz Isabel Prata. “É mais fácil para os jovens viver online e o problema está quando ficam apenas por ali, quando a verdadeira vida fica de fora e preferem as personagens e as relações criadas num contexto de jogo às relações reais.”

Antes dos sinais de alarme e de um cenário aditivo, é também importante compreender que a barreira geracional entre pais e filhos desempenha aqui um papel importante — e pode contribuir para a criação de um comportamento aditivo. Os pais que começaram a viver com a tecnologia na adolescência ou mesmo na idade adulta têm filhos que nascem neste ambiente completamente dominado pela internet, computadores e smartphones. “É com esta diferença de experiências que temos de nos preocupar em primeiro lugar. É comum escutar em consulta que os pais nunca conversaram em família sobre o uso saudável da tecnologia e apenas quando sentem que há um abuso é que começam a tocar no tema, quando já se trata de um conflito”, afirma Ivone Patrão.

Para não se chegar a uma situação de dependência, existem passos que os pais devem tomar. Luís Patrício recomenda “interromper a visualização e utilização de um jogo, por exemplo, por breves momentos a cada 10 minutos para descansar a vista; limitar o tempo dedicado a esta atividade, não ultrapassando os 40 a 90 minutos por dia; definir dias da semana sem acesso a jogos; não aceitar que os jogos ou a adição à tecnologia interfira com outras atividades fundamentais individuais ou familiares como alimentação, descanso, higiene, estudo ou trabalho; alternar o uso dos videojogos com outras atividades lúdicas e convívio com família, amigos e colegas; e, por último, é também importante que a criança ou jovem não fique muito tempo sozinho com consolas ou computadores”.

Outra técnica que pode ser benéfica é a partilha do mesmo espaço: apesar de o jovem ou adolescente estar a jogar ou ao computador, será bom que pais e filhos partilhem a sala comum, por exemplo, mesmo que todos estejam ocupados com diferentes atividades.

Dar o exemplo também é importante. Afinal, os bons hábitos devem começar em casa e desde cedo: como se vê no estudo publicado este mês pela ERC, “Boom digital? Crianças (3 a 8 anos) e Ecrãs”  38% desta faixa etária usa a internet. Devem os pais dar o exemplo, limitando o tempo que eles próprios passam agarrados ao computador ou ao telemóvel, é um ótimo ponto de partida, garantem os terapeutas. Promover interesses diversificados nos jovens e falar com eles sobre as atividades virtuais também é algo em que devem apostar – os pais não necessitam ter o mesmo nível de competência que os filhos nesta área, mas é importante terem algumas noções para que possam estar atentos a eventuais comportamentos excessivos

Isabel Prata acrescenta outras medidas: “Ser capaz de dizer não com firmeza é uma atitude muito necessária para os pais de adolescentes, embora nem sempre fácil. Não oferecer ou aceitar comprar todos os jogos que os jovens querem é, muitas vezes, uma tentação pois é um presente sempre bem recebido e existe uma insistência e argumentos lógicos dos filhos. Dialogar e conversar sobre as consequências do comportamento é ainda mais importante do que abordar o comportamento em si. Por exemplo, os pais podem explicar aos jovens que entendem o gosto pelo jogo, mas estão preocupados com a descida das notas, com a falta de interesse por outras atividades e que suspeitam que estas alterações sejam uma consequência das horas passadas a jogar. Manifestar preocupação de uma forma argumentada, apontando as consequências evidentes do comportamento, e oferecer apoio para a mudança são passos importantes e necessários”.

Control – Escape – E acabar com a dependência

Se os comportamentos identificados como sinais de alarme forem uma constante, é provável que se verifique uma situação de dependência e pode ser necessário recorrer a ajuda profissional.

Hoje já existem consultas especializadas nestes comportamentos ligados aos jogos virtuais e à tecnologia, para adolescentes e jovens – o Ministério da Saúde está preparado para lidar com estas novas tendências nos serviços de comportamentos aditivos e dependências  que funcionam em vários centros de saúde espalhados pelo país.

Deverá existir uma primeira fase de avaliação para que se perceba o contexto pessoal e social da dependência e se, de facto, existe. “Comprovada a situação, a intervenção  deve ser mista, em psicoterapia individual e familiar. Pode ser necessária uma avaliação psiquiátrica e ponderado o uso de psicofármacos”, afirma Ivone Patrão.

“Aos 13 anos jogava Football Manager uma vez por semana, dos 14 aos 17 duas a quatro horas, no máximo, aos fins de semana. Até aos 20 anos joguei menos mas, dos 20 aos 25 aumentei as horas a jogar. Era capaz de estar até 12 horas por dia a jogar e também passava bastante tempo a navegar no YouTube”

João, de 25 anos, precisou de ser internado, como contou à MAGG: “Aos 13 anos jogava ‘Football Manager’ uma vez por semana, dos 14 aos 17 duas a quatro horas, no máximo, aos fins de semana. Até aos 20 anos joguei menos mas, dos 20 aos 25 aumentei as horas a jogar. Era capaz de estar até 12 horas por dia a jogar e também passava bastante tempo a navegar no YouTube. Esta situação fez com que estudasse menos e criou conflitos na família, já que os meus pais se alteravam se não me vissem a estudar. Para mim não era dependência, era uma escapatória. Acabei por aceitar ser internado uns dias. A equipa tem psiquiatra, psicólogo, terapeuta ocupacional e psicomotrista. Estou em tratamento e agora não sinto falta, não tenho jogado e penso em outras coisas.”

Mesmo depois de um diagnóstico, há medidas que os pais podem tomar para tentar reverter a situação. “Estimular os filhos a convidar amigos para jogarem presencialmente juntos (existindo assim um convívio social durante o jogo), tentar avaliar previamente os conteúdos visualizados na internet e acompanhar o que está a passar nos ecrãs, colocando-os numa posição visível: um ecrã escondido não deixa que outros vejam o que se está a passar, enquanto o contrário permite uma seleção de conteúdos”, afirma Luís Patrício.

 

 

 

Vale a pena vacinar os rapazes contra o HPV? Com que idade?

Março 7, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da https://www.tsf.pt/ de 19 de fevereiro de 2018.

Rita Costa

A transmissão do Vírus do Papiloma Humano (HPV) é feita por contacto sexual e, por isso, muitos pais não veem urgência na vacinação, mas o pediatra Paulo Oom defende que quanto mais cedo melhor.

O pediatra Paulo Oom considera que a vacinação de rapazes contra Vírus do Papiloma Humano (HPV) deve ser feita o mais cedo possível. “Sabemos que a vacina é mais eficaz se for feita em idades mais precoces”, explica o pediatra.

Paulo Oom defende também que é uma boa ideia aproveitar as janelas de oportunidade. “Aproveitar outros momentos de vacinação, por exemplo, aos dez anos as crianças têm vacinas que fazem parte do Programa Nacional de Vacinação e, tal como nas raparigas, a vacina foi introduzida nesta idade também aproveitando um momento que já é conhecido de toda a população, as vacinas dos 10 anos, portanto, aproveitando esse momento devemos vacinar os rapazes nessa idade também”.

O pediatra acredita que a melhor forma de prevenir o vírus do papiloma humano é mesmo a vacinação. “A prevenção pode ser feita através do preservativo, mas sabemos que o preservativo não protege 100% dos casos de infeção por HPV e, portanto, aqui a vacinação tem um papel fundamental”, explica Paulo Oom.

Desde 2008, a vacina está incluída no Plano Nacional de Vacinação das raparigas. Sabe-se que a vacinação dos rapazes pode conferir a proteção individual e a proteção indireta dos(as) parceiros(as) e, por isso, a Direção Geral da Saúde já admitiu alargar a vacina aos rapazes.

ouvir a entrevista a Paulo Oom no link:

https://www.tsf.pt/sociedade/saude/interior/vale-a-pena-vacinar-os-rapazes-contra-o-hpv-com-que-idade-9128482.html

 

Mais novos deixam o Facebook mas alguns abrem o Instagram

Março 6, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 12 de fevereiro de 2018.

Previsões da eMarketer antecipam uma queda nos utilizadores entre os 12 e os 24 anos.

JOÃO PEDRO PEREIRA

A ideia de que os utilizadores mais jovens não gostam de partilhar a rede social com os pais e avós corre pela Internet há anos. Mas o envelhecimento dos utilizadores do Facebook está a acelerar, indica um relatório de uma analista de mercado, numa tendência que trará mais desafios à rede social e que poderá mudar o comportamento dos anunciantes.

De acordo com previsões da eMarketer, divulgadas nesta segunda-feira, de todos os utilizadores de Internet entre os 12 e os 17 anos nos EUA, serão este ano menos de metade aqueles que vão aceder pelo menos uma vez por mês ao Facebook.

Os chamados utilizadores activos mensais são uma métrica importante para o Facebook, que tinha em Dezembro 2130 milhões destes utilizadores, mais 14% do que no final de 2016. Teoricamente, é preciso ter pelo menos 13 anos para ter uma conta na rede social.

A eMarketer (que é propriedade do grupo de media alemão Axel Springer) antecipa que o número de utilizadores com menos de 12 anos nos EUA deverá cair 9% ao longo de 2018. Já o número de utilizadores entre os 12 e os 24 anos deverá descer perto de 6%. É a primeira vez que a eMarketer prevê um declínio no número de utilizadores destas faixas etárias.

No Reino Unido, segundo estimativas da mesma analista citadas pelo jornal The Guardian, o número de utilizadores entre os 12 e os 24 anos cairá 12% este ano. Não há números para Portugal.

Contactado pelo PÚBLICO, o Facebook disse não ter nenhum comentário sobre o relatório.

Outras plataformas a crescer

Perder utilizadores mais novos no Facebook não quer dizer que a empresa os perca completamente. Alguns estão a migrar para outras plataformas, entre as quais o Instagram, uma aplicação focada em partilha de fotografias, que é também do Facebook (a empresa é ainda dona da aplicação de mensagens WhatsApp). A eMarketer aponta que esta aplicação deverá conseguir este ano, nos EUA, mais 1,6 milhões de utilizadores com menos de 25 anos.

A aplicação rival Snapchat, que permite a partilha de imagens que se apagam automaticamente e foi concebida especificamente para utilizadores mais jovens, também está a crescer. A aplicação terminou 2017 com 187 milhões de utilizadores diários (não comunica utilizadores mensais, ao contrário das outras redes sociais), um aumento anual de 18%.

“O Snapchat poderá acabar por ter um aumento de utilizadores nos grupos mais velhos, uma vez que está a redesenhar a plataforma para ser mais fácil de usar”, observou a analista da eMarketer Debra Aho Williamson. “A questão vai ser saber se os utilizadores jovens vão continuar a achar o Snapchat fixe à medida que mais pais e avós lá estão. É essa a encruzilhada em que o Facebook está.”

As previsões da eMarketer surgem depois de dois anos difíceis para o Facebook, que começaram com a disseminação de desinformação, especialmente durante as eleições americanas de 2016, e terminaram com um acumular de críticas no final de 2017 em relação aos potenciais efeitos nocivos da rede social, nomeadamente entre os mais novos. “Só deus sabe o que está a fazer aos cérebros das nossas crianças”, afirmou em Novembro, numa entrevista, um dos primeiros investidores na empresa e antigo presidente não executivo, Sean Parker. Poucos meses antes, frente a uma plateia de universitários, um antigo executivo pedira desculpas e tinha dito que “o circuito perpétuo de validação social movido a dopamina” criado pela rede social estava “a destruir a forma como a sociedade funciona”.

Mark Zuckerberg anunciou em Janeiro que iria dedicar o ano a concentrar-se em resolver os problemas do Facebook e a empresa já fez alterações nos conteúdos que apresenta a cada pessoa e que resultaram num decréscimo de 5% no tempo passado dentro da rede social. O objectivo é aumentar a qualidade dos conteúdos que os utilizadores vêem.

Por ora, as críticas e alterações na demografia dos utilizadores parecem não estar a afectar o negócio: as receitas da empresa dispararam 47% em 2017.

 

 

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