Geração Inabilitada

Julho 2, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto e imagem publicados no site Up to Kids

 A crença de que a felicidade é um direito tem tornado inabilitada a geração mais preparada

Ao conviver com os mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão no caminho para tornar-se adultos, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, a mais inabilitada.

Preparada do ponto de vista das habilidades, inabilitada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, inabilitada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, inabilitada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o património da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.

Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que os seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – só falta apenas que o mundo reconheça a sua genialidade.

Tenho-me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação das suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e uma boa parte embirra e desiste.

Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que alcançaram tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é baseada na construção – e que para conquistar um espaço no mundo é preciso virar muitos frangos. Com ética e honestidade – e não às cotoveladas ou aos gritos. Como os seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que lhes anuncia uma nova e não lá muito animadora: viver é para os insistentes.

Porque razão grande parte dessa nova geração é assim? Penso que este é uma questão importante para quem está a educar uma criança ou um adolescente nos dias de hoje. Esta época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de tudo e de todos – sem esperar qualquer responsabilização nem reciprocidade.

É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinónimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces do mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto da sua condição humana como das suas capacidades individuais?

A nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “o fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de trabalhar para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bom, bom é aquele que não estudou, passou a noite nos copos e passou nas específicas para entrar em Medicina. Este atesta a excelência dos genes dos seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar o seu lugar no país.

Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforços, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pago caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.

Basta andar por este mundo para testemunhar a cara de espanto e de mágoa de alguns jovens ao descobrir que a vida não é como os pais lhes tinham prometido. Expressão que logo muda para o amuo. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não estão minimamente preparados para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.

A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumo desaparece deixando nada para trás. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a explicitar-se no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem sequer para falar da tristeza e da confusão.

Parece-me que é isto que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando do seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.

Quando o que não pode ser dito se torna um sintoma – já que ninguém está disposto a ouvir, porque ouvir significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não é por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode manter o quotidiano sem que ninguém precise olhar a sério para ninguém dentro de casa.

Se os filhos têm direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.

Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem alcançar. E por isso, é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo a funcionar.

O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas não se conhecem. E, portanto, estão a perder uma grande chance. Todos sofrem muito neste teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.

Quando converso com estes jovens no parapeito da vida adulta, com as suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores à sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que um jovem se transforma em adulto.

Seria muito bom que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad, dizer de vez em quando: “Organiza-te, dá a volta e resolve, meu filho. Poderás contar sempre comigo, mas essa batalha é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, o meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou a tentar descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significar dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão mau quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.

Agora, se os pais transmitiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou amuar ao descobrir que vai ter de conquistar o seu espaço no mundo sem qualquer garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não resultou, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.

Crescer é compreender que o facto da vida ser insuficiente não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo a sentir-se injustiçado porque um dia a vida acaba.

Por Eliane Brum, publicado na Revista Época, por Clínica Alamendas
Adaptado por Up To Kids®

imagem@saltoyouth

 

 

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Pneumologistas alertam para risco de consumo de cigarros eletrónicos nos jovens

Junho 8, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Peter Nicholls

Notícia da SIC Notícias de 30 de maio de 2018.

O uso de cigarros eletrónicos e tabaco aquecido está a preocupar a Sociedade Portuguesa de Pneunomologia, que teme serem “produtos atraentes” para os jovens por acharem que são mais seguros e menos tóxicos, o que é “uma falsa ideia”.

Em declarações à agência Lusa, o coordenador da Comissão de Trabalho de Tabagismo da Sociedade Portuguesa de Pneumonologia, José Pedro Boléo-Tomé, alertou hoje para a necessidade de intervir, junto dos adolescentes, com campanhas atrativas e um “trabalho continuado” para evitar a iniciação tabágica, em especial destes novos produtos.

“Há um risco agora mais recente que são os novos produtos como os cigarros eletrónicos, tabacos aquecidos e outros produtos” que são “atraentes para os jovens” para experimentação, porque “dão uma aparência de serem interessantes, giros, tecnológicos”, disse o especialista, que falava à Lusa a propósito do Dia Mundial Sem Tabaco, que se assinala na quinta-feira.

Contudo, estes produtos também têm tóxicos, muitos dos quais parecidos com os do cigarro.

“A falsa ideia de que são produtos seguros ou que são muito mais seguros [do que o cigarro] é muito duvidoso, é preciso dizer às pessoas que são produtos que têm componentes perigosos, tóxicos e com altas doses de nicotina” e que o risco de “ficar dependente é muito alto”, salientou.

Para José Pedro Boléo-Tomé, “é importante” que haja informação sobre este risco e que seja numa linguagem adaptada à população jovem.

“O que interessa aos jovens não são as doenças, porque para eles é uma questão que não se coloca, mas é mostrar que ser ‘cool’ não passa por fumar qualquer produto”, disse, explicando que é preciso mostrar-lhes que “os hábitos saudáveis é que são bons” e “marginalizar o ato de fumar qualquer que seja o produto”.

A mensagem deverá chegar-lhes de uma forma atrativa através da internet ou do ‘smartphone’, vias a que os jovens são muito recetivos.

“Da mesma forma que a indústria tabaqueira foi sempre criativa a fazer publicidade aos seus produtos também existem formas criativas de fazer o oposto, mostrar que o tabaco e os outros produtos não prestam e que o que presta são os hábitos saudáveis”.

“Mas não bastam campanhas, é um trabalho que tem que ser feito de uma forma muito continuada”, porque “é preciso mudar uma geração” e evitar que as crianças e adolescentes comecem a fumar.

“Isso é que vai ter impacto no futuro”, salientou.Um estudo, apoiado pela Direção-Geral da Saúde (DGS), que decorreu no ano letivo 2013/2014, revelo que a iniciação tabágica ocorre entre o 7.º e o 9.º ano.

No 7.º ano, cerca 70 a 80% dos jovens nunca fumaram um cigarro, uma percentagem que baixou para os 40% no 9.º ano.

Sobre o consumo de tabaco nos jovens, Boléu-Tomé disse que os vários inquéritos indicam que não tem havido um aumento muito grande, mas “há algumas questões preocupantes”, nomeadamente o facto de as raparigas estarem a fumar mais do que os rapazes, acompanhando o que está a acontecer com as mulheres jovens até aos 30 anos, que “estão a fumar cada vez mais”.

“O que está a acontecer é que no futuro vamos ter cada vez mais mulheres fumadoras e menos homens a fumar”, comentou o pneumologista.

Para assinalar o Dia Mundial Sem Tabaco, a SPP vai lançar uma campanha promocional sobre os benefícios de não fumar, com testemunhos de vários ex-fumadores que pretende mostrar que “as pessoas têm imenso a ganhar” se deixarem de fumar, independentemente da idade, do que já fumaram ou de terem doenças ou não.

Segundo estimativas elaboradas pelo Institute of Health Metrics and Evaluation, em 2016, morreram em Portugal mais de 11.800 pessoas por doenças atribuíveis ao tabaco.

Lusa

 

 

Seminário “Internet e Novas Tecnologias: desafios à sua utilização por parte de crianças e jovens” 8 junho na Biblioteca Municipal de Penalva do Castelo

Junho 4, 2018 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

https://cm-penalvadocastelo.pt/noticias/item/1532-cpcj-de-penalva-do-castelo-promove-seminario-sobre-internet-e-novas-tecnologias

Dias de Inauguração do LU.CA – Teatro Luís de Camões 1, 2 e 3 de junho! novo teatro para crianças e jovens na Calçada da Ajuda

Junho 1, 2018 às 10:30 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

https://www.facebook.com/LUCA-Teatro-Lu%C3%ADs-de-Cam%C3%B5es-1264522747011858/

http://www.lucateatroluisdecamoes.pt/

 

Crianças e Jovens protagonistas da sua Saúde – 1 de Junho no Teatro Thalia, em Lisboa com a participação de Ana Perdigão do IAC

Maio 31, 2018 às 5:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A Drª Ana Perdigão – Coordenadora do Serviço Jurídico do instituto de Apoio à Criança, irá participar no evento com a comunicação “A Voz da Criança no Sistema de Saúde (Enquadramento legal)”.

mais informações no link:

http://www.aenfermagemeasleis.pt/2018/05/11/criancas-e-jovens-protagonistas-da-sua-saude-1-de-junho-dgs/#more-53326

 

Lançamento do Prémio Municipal dos “Direitos Humanos na Criança e no Jovem” 1 junho na Escola Francisco Arruda

Maio 30, 2018 às 10:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Jovens não empregados que não estão em educação ou formação – Estatística da OCDE

Maio 29, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Imagem retirada do Facebook da OECD Education and Skills

Across OECD countries, 14% of people between the ages of 15 and 29 are not in education, employment or training.

See how your country compares https://bit.ly/20GWtpC

Mais de metade dos jovens sente tristeza, irritação ou medo pelo menos uma vez por semana

Maio 28, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Tina Markova on Unsplash

Notícia do Expresso de 15 de maio de 2018.

Mais de 54% dos jovens entre os 14 e os 24 anos apresentam sintomas psicológicos como tristeza, nervosismo, problemas de sono, irritação e medo pelo menos uma vez por semana, o que influi negativamente na perceção global do estado de saúde.

As conclusões são de um estudo observacional transversal realizado por investigadores do Cintesis – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde, a que a Lusa teve esta terça-feira acesso.

Com uma amostra composta por 746 adolescentes e jovens, o estudo foi publicado na obra “Qualidade de vida e saúde em uma perspetiva interdisciplinar” e tinha por objetivo caracterizar as perceções juvenis acerca da sua própria saúde e as experiências de ocupação dos tempos livres, fora do contexto académico ou laboral.

De acordo com este trabalho, assinado por Paula Rocha, Carlos Franclim e Paulo Santos, a sintomatologia psicológica era “significativamente maior” no género feminino, que também é o que perceciona pior o seu estado de saúde.

Nas jovens, o nervosismo é um dos sintomas mais referidos, seguindo-se a irritação e os problemas de sono.

Os autores defendem que “a diferença de género na perceção do estado de saúde e nos sintomas reforça a necessidade de intervenções e abordagens distintas entre os géneros”.

O estudo aponta também para a existência de uma correlação positiva e significativa entre a satisfação com a ocupação dos tempos livres e a perceção favorável do seu estado de saúde, sendo que os jovens mais satisfeitos são os que aproveitam os tempos livres para conviver com familiares e com amigos.

Para os investigadores, esta associação “justifica a inclusão sistemática da avaliação da dimensão ‘atividades’ nas consultas de seguimento de saúde dos adolescentes e jovens”.

Entre as atividades de ocupação regular dos tempos livres (pelo menos uma vez por semana), a música e a internet ocupam os lugares cimeiros, enquanto atividades como o voluntariado ou a participação associativa são menos comuns, mostrando que esta é “uma juventude mais individual na sua forma de passar os tempos livres, o que implica atualizar a compreensão sobre as causas deste movimento e as suas consequências”, consideram.

Os autores salientam a necessidade de ajustar as respostas existentes, nomeadamente o formato dos tempos escolares e laborais, bem como as estratégias de promoção de saúde e de estilos de vida saudáveis às “especificidades dos contextos e das gerações”.

O Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde é uma Unidade de Investigação e Desenvolvimento (I&D) cuja missão é encontrar respostas e soluções, no curto prazo, para problemas de saúde concretos, sem nunca perder de vista a relação custo/eficácia.

Sediado na Universidade do Porto, o Cintesis beneficia da colaboração das Universidades Nova de Lisboa, Aveiro, Algarve e Madeira, bem como da Escola Superior de Enfermagem do Porto. No total, o centro agrega cerca de 500 investigadores e conta com sete spin-offs.

mais informações no link:

http://cintesis.eu/pt/sintomas-psicologicos-influenciam-percecao-do-estado-de-saude-nos-jovens-e-adolescentes/

Há mais de 136 mil crianças e jovens sem médico de família

Maio 23, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 10 de maio de 2018.

Miguel Santos Carrapatoso

De acordo com dados oficiais, existem mais de 136 mil crianças e jovens até aos 18 anos sem médico de família. Entre janeiro e março, havia quase mil recém-nascidos nestas circunstâncias.

São números preocupantes: existem neste momento, em Portugal, mais de 136 mil crianças e jovens com menos de 18 anos sem médico de família atribuído. Mais: olhando para os dados referentes ao período entre janeiro e março deste ano, é possível concluir que quase mil recém-nascidos também se viram privados de médico de família, isto apesar de a lei dterminar que todos os recém-nascidos têm de ter médicos de família à nascença.

A informação é avançada pelo jornal Público, depois de o Bloco de Esquerda ter questionado os 55 agrupamentos de saúde (Aces) sobre a atribuição de médico de família a recém-nascidos, crianças e jovens até aos 18 anos. Desses 55 agrupamentos, apenas 47 responderam, o que permitiu concluir, ainda assim, que existem mais de 136 mil crianças e jovens em idade pediátrica e 968 recém-nascidos (entre janeiro e março) sem médico de família.

Esta é a segunda vez que o Bloco exige saber se a lei, aprovada em setembro de 2016, estava ou não ser respeitada. Da última vez que o fez, em maio de 2017, foram registados mais de 4 mil recém-nascidos e mais de 108 mil crianças e jovens em idade sem médico de família. Ou seja, diminuíram os casos de falta de acompanhamento entre recém-nascidos, mas aumentou o défice de resposta para os restantes grupos.

É isso mesmo que nota Moisés Ferreira, deputado do Bloco de Esquerda. “Os números resultantes das perguntas de 2017 eram claramente preocupantes. Houve uma evolução, mas a lei continua longe de ser cumprida. Temos quase mil recém-nascidos sem médico de família atribuído e houve uma evolução negativa quando olhamos na idade pediátrica. É preciso encontrar uma solução. O que nos preocupa é que, não estando atribuído um médico a estes recém-nascidos, crianças e jovens, esta vigilância esteja a ser prejudicada”, afirmou o deputado, em declarações ao mesmo jornal Público.

O bloquista não poupa, aliás, críticas ao Governo socialista, que diz estar mais preocupado em “fazer anúncios” do que em fazer cumprir a lei.

“O Governo não pode ficar só por anunciar a legislação sem se preocupar que ela seja cumprida. Tem de fazer cumprir a lei para os recém-nascidos e tem de fazer mais para contratar médicos de família. Infelizmente, o Governo parece ficar mais pelos anúncios, não vai ver o que está a ser cumprido no terreno e no último ano e meio tem contribuído negativamente para a não resolução do problema com atrasos nos concursos para a colocação de médicos de família”, criticou Moisés Ferreira.”

Em declarações ao mesmo jornal, Rui Nogueira, presidente da Associação Portuguesa de Médicos de Família, sublinhou a importância do acompanhamento permanente de recém-nascidos e crianças durante os primeiros dois anos de vida, sendo que as consultas aos cinco e 12 anos também são fundamentais.  “[Essa] vigilância que fica perdida sem um médico de família atribuído”, notou.

De acordo com as contas do jornal Público, os casos de falta de médico de família nestas idades registam-se, sobretudo, na região de Lisboa e Vale do Tejo. “É uma expressão claríssima da falta de médicos. Isto significa que 86% dos recém-nascidos sem médicos estão nesta região”, sublinhou Rui Nogueira.

O Público tentou contactar o Ministério da Saúde, mas o gabinete de Adalberto Campos Fernandes não respondeu às perguntas daquele jornal.

 

OCDE: 80% dos jovens portugueses dizem “sentir-se mal” quando não estão na Internet

Maio 20, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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thumbs web sapo io

Notícia do Sapo24 de 7 de maio de 2018.

Oito em cada dez adolescentes portugueses dizem “sentir-se mal” se não estiverem ligados à internet, uma percentagem só superada pelos franceses e suecos, segundo dados da OCDE sobre 31 países.

“Entre os países da OCDE tem havido um aumento do tempo que os estudantes passam online depois de um dia típico de aulas”, sublinha o estudo agora divulgado que aponta Portugal como tendo um “elevado número de jovens de 15 anos que reportam sentir-se mal se não estiverem ligados à Internet”.

Entre os rapazes a percentagem é de 79,4% e entre as raparigas é de 79,2%, segundo os dados relativos a 2015, que revelam que as adolescentes portuguesas são as que mais se ressentem, já que a percentagem de francesas e suecas é um pouco menor.

Entre os rapazes, mais de 80% dos suecos e dos franceses ressentem-se quando não estão online. No final da lista dos 31 países, surgem os jovens alemães, estónios e eslovacos, que rondam os 40%.

A média dos países da OCDE analisados ronda os 55%, com as raparigas a queixarem-se um pouco mais, segundo os dados do relatório que analisa a aplicação do Programa de Autonomia e Flexibilidade e Curricular (PAFC), que começou a ser aplicado em Portugal este ano letivo.

O relatório mostra também que os jovens passam cada vez mais tempo ligados, quando se comparam os dados de 2012 e 2015: Os jovens portugueses estavam ligados cerca de 100 minutos e passaram a estar cerca de 140 minutos, ficando abaixo da média da OCDE e em 9.º lugar dos que menos tempo passam ligados.

O relatório aponta ainda o aumento de alunos estrangeiros e lembra a importância da criação do “Perfil do Aluno”, que define o perfil que os estudantes devem alcançar até ao final da escolaridade obrigatória (12.º ano).

O relatório considera que o PAFC “realiza muitos objetivos práticos que estão ligados aos objetivos estabelecidos pelo perfil do aluno”, dando como exemplo o facto de o PAFC dar autonomia pedagógica às escolas que assim “podem projetar experiências de aprendizagem que estejam alinhadas com os objetivos do perfil do aluno”.

“Por exemplo, as escolas podem direcionar lições e práticas para falantes de português não nativos ou para estudantes em risco de abandono. Assim, o projeto aborda os principais objetivos da política, como equidade e retenção. Por se tratar de uma reforma ampla que está aberta a todas as escolas, também se empenha em apoiar a aprendizagem de alta qualidade para todos – não apenas as elites”, sublinha o relatório, que lembra que uma equipa da OCDE visitou as escolas envolvidas neste projeto.

O estudo recorda algumas das medidas que têm sido aplicadas pelo Ministério da Educação, como o programa nacional de promoção do sucesso escolar, a estratégia nacional para a cidadania ou o fim dos exames nacionais do 4.º e 6.º anos.

 

 

 

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