“Jovens estão saturados de discursos centrados nos riscos da internet”

Fevereiro 21, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://tek.sapo.pt/ de 7 de fevereiro de 2017.

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O cenário é semelhante em várias idades. Logo desde os mais pequenos (alguns com menos de 3 anos) e até aos mais velhos, é cada vez mais frequente encontrar os jovens portugueses de olhos colados aos ecrãs, como prova um estudo realizado por uma equipa de investigadores da FCSH/Nova para a ERC.

Hoje dominam os smartphones e os tablets onde há 10 anos pontuavam os portáteis Magalhães, mas os desafios vão crescendo com novas tecnologias, modas das redes sociais e conteúdos mais visuais, mas também a tendência para expor mais da vida privada online.

Como podem os pais e educadores gerir a relação dos mais jovens com as tecnologias? Devem proibir e limitar o tempo de utilização, que rouba muitas vezes espaço ao estudo e a outras atividades, mas também tempo de socialização com a família e amigos, e horas de sono?

O estudo realizado para a ERC dá outro tipo de recomendações, com estratégias flexíveis, adequadas à idade, nível de competências e a própria personalidade dos jovens, e da sua tendência para arriscar. “Estratégias restritivas resultam numa limitação do acesso a oportunidades, pelo que a mediação deve privilegiar a capacitação para a resolução de problemas e a resiliência”, refere o estudo entre outras recomendações.

Cristina Ponte, uma das responsáveis pela investigação, explica ao TeK que, por uma questão cultural, os povos do Sul da Europa apresentam mais receios sobre os conteúdos online, sobretudo os de cariz sexual. Habituada a discutir em fóruns europeus os temas relacionados com a segurança na internet, a investigadora refere que esta é uma das grandes preocupações dos educadores portugueses, a par com o contacto com estranhos, que não tem eco nos países nórdicos.

“No norte da Europa a educação privilegia a autonomia. No Sul a tendência é para sermos mais protecionistas”, justifica. O espírito de que o bom pai e a boa mãe são os que protegem ainda está muito vincado na cultura portuguesa e traduz-se na forma como encaram a utilização dos equipamentos tecnológicos, embora muitas vezes os aparelhos sejam usados como baby sitter ou “pacificadores”, sobretudo junto das crianças com idades até aos 8 anos.

E qual é o discurso certo? Cristina Ponte afirma que não há uma resposta genérica, mas que no geral “os jovens estão saturados de discursos centrados nos riscos da internet, sobretudo na adolescência”. Em vez de protecionista, o discurso devia ser mais “empoderador”, apostando no faz, controla, verifica. “Devia ser capacitante para ajudar a lidar com o risco e para criar competências”.

 

Gabinete de Apoio à Vítima para Juventude LGBTI

Fevereiro 18, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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O Gabinete de Apoio à Vítima da Casa Qui é um serviço especializado para a juventude lésbica, gay, bissexual, trans ou intersexo (LGBTI) que dá apoio em situações de violência familiar, violência no namoro, bullying na escola ou de crise/vulnerabilidade. Este serviço é gratuito.

mais informações:

https://www.casa-qui.pt/index.php/destaques/54-gabinete-de-apoio-a-vitima

https://www.facebook.com/casa.qui.associacao/

 

Mais de dez mil jovens com 18 anos bebem álcool quase todos os dias

Fevereiro 18, 2017 às 10:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança, Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 11 de fevereiro de 2017.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Relatório Anual 2015 – A Situação do País em Matéria de Álcool

clicar na imagem

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36ª Edição do Prémio Nacional de Literatura Juvenil Ferreira de Castro

Fevereiro 6, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

https://premioferreiradecastro.wordpress.com/

Conferência “Acima da Média! Descodificação dos Media ao Serviço da Cidadania Global” 24 de Janeiro, no Auditório 3 da Fundação Calouste Gulbenkian

Janeiro 23, 2017 às 6:23 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Esta iniciativa tem como objetivo capacitar jovens e elementos de organizações juvenis para a compreensão e descodificação dos meios de comunicação social.

mais informações no link:

https://www.facebook.com/events/1225554944218970/

 

As regras do Instagram foram simplificadas para que até as crianças as compreendam

Janeiro 19, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 9 de janeiro de 2017.

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Estudo mostra que os jovens passam 20 horas semanais na Internet Rui Gaudencio

Uma advogada esteve a “traduzir” a linguagem hermética da versão dos termos e condições em inglês. Crianças e jovens afirmam que não utilizariam a rede social se soubessem com o que estavam a concordar.

Inês Chaíça

Um estudo do Comissariado para as Crianças inglês determinou que os “Termos e Condições” das redes sociais não estão escritos de maneira a que as crianças percebam. Só no Reino Unido, 56% das crianças entre os 12 e os 15 anos têm Instagram, mas uma grande parte dos jovens em estudo com a mesma idade diz não compreender as condições de adesão a esta rede social.

Não é novidade que os jovens da “Geração Z” (ou seja, os nascidos depois de 1998) passam muito tempo na Internet. Um estudo da Common Sense Media mostrou que passam nove horas por dia nas redes sociais. Outros estudos e relatórios dizem que passam quase 20 horas por semana online – muitas dessas horas passadas nas redes sociais. Só o grupo de crianças entre os três e os quatro anos passou oito horas e 18 minutos por semana a usar a Internet.

Um estudo do Instituto Superior de Psicologia mostra que 70% dos jovens portugueses até aos 25 anos apresentam sinais de dependência, dos quais 6% admite ter ficado “sem comer ou sem dormir por causa da Internet”. Mas quantos podem dizer que sabem com o que estão a concordar quando marcam a caixa que diz “Li e compreendi os termos e condições de utilização”? De acordo com um relatório do Comissariado para as Crianças de Inglaterra, Growing Up Digital, publicado na semana passada, as expressões usadas nessas páginas são tão complexas que são “impenetráveis e largamente ignoradas”.

O grupo, composto por profissionais dos sectores público e privado de várias áreas, trabalhou com crianças e jovens entre os oito e os 15 anos que utilizavam o Instagram (ainda que a rede social apenas autorize a utilização a maiores de 13 anos).

“Os Termos e Condições são a primeira coisa com a qual alguém concorda quando se inscreve em sites, mas claro que ninguém os lê. Quero dizer, quase nenhum adulto os lê”, afirma Jenny Afia, advogada e colaboradora no grupo de trabalho do Comissariado Para as Crianças de Inglaterra, ao jornal norte-americano Washington Post. O que a leva a concluir que a maior parte das crianças não sabe no que se está a inscrever quando aceita as condições das redes sociais.

Traduzindo o “legalês”

Trabalhando especificamente com os “Termos e Condições” do Instagram, pela sua popularidade entre os jovens, conseguiram perceber que tem mais de 5000 palavras e sete páginas, num vocabulário hermético, um “legalês”. De acordo com um teste de legibilidade, conseguiram perceber que só um licenciado teria facilidade em compreender na totalidade a linguagem utilizada.

Depois da leitura, o grupo de jovens disse que tinham conseguido perceber muito pouco. Uma adolescente de 13 anos chegou mesmo a perguntar se seria necessário ler tudo até ao fim: “isto tem, tipo, 100 páginas”, lê-se no relatório. O problema é que os termos e condições têm exactamente tudo o que estes jovens precisam de saber sobre os seus direitos online. Por isso Afia ficou encarregada de traduzir o “legalês” para inglês comum, simplificado – e o mesmo documento ficou apenas com uma página.

Por exemplo, no artigo 4.º que explica os direitos do utilizador lê-se:

“O utilizador declara e garante que: (i) é o proprietário do Conteúdo que publica no ou através do Serviço ou que de algum modo dispõe do direito de ceder os direitos e licenças estipulados nos presentes Termos de Utilização; (ii) a publicação e o uso do Conteúdo do utilizador no ou através do Serviço não desrespeita, não constitui a apropriação indevida nem infringe os direitos de terceiros, incluindo mas não limitado a direitos de privacidade, direitos de publicidade, direitos de autor, direitos de marca comercial e/ou outros direitos de propriedade; (iii) pagará quaisquer direitos de autor, taxas e quantias devidos resultantes de Conteúdo que este publique no ou através do Serviço; e (iv) tem o direito e a capacidade legal de subscrever os presentes Termos de Utilização na respetiva jurisdição.”

Que, “traduzido”, fica apenas:

“Partimos do princípio de que é dono de tudo o que publica e que não constitui uma ofensa à lei. Caso contrário, poderá ser multado e terá de pagar essa multa”.

Outra frase determina: “Oficialmente, é dono de tudo o que publicares, mas estamos autorizados a usá-lo e podemos deixar que terceiros o usem. Essas pessoas podem até pagar-nos para usar as imagens, mas não a si”.

Vários adolescentes disseram que não usavam o Instagram se soubessem de tudo o que estão a aceitar. “Usava muito menos as mensagens directas do Instagram se soubesse que [o Instagram] as podia ler”, afirmou uma jovem de 13 anos. “Eles devem mesmo saber que ninguém lê os Termos e Condições. Se os tornassem mais fáceis de ler, as pessoas pensariam duas vezes antes de aderirem”, disse a mesma jovem, que garantiu que ia apagar a aplicação.

Outro jovem de 16 anos diz ter percebido “a quantidade de informação pessoal” que está a dar “a uma empresa aleatória” sem se aperceber. Jenny Afia acrescentou que “até advogados com experiência têm dificuldade em perceber os Termos e Condições de alguns sites. Como podemos esperar que as crianças percebam?”

A General Data Protection Regulation, da União Europeia, a entrar em vigor em 2018, deve vir a protegê-los da maior parte dos abusos de privacidade por parte de empresas privadas. Até que haja transparência por parte dos sites, o consentimento informado das crianças e jovens não será uma realidade, afirma Jenny Afia, acrescentando que “os pais têm de ter consciência de que eles são crianças até serem adultos e não a partir do momento em que pegam num smartphone”.

Texto editado por Hugo Torres

 

 

Menores de Edad y Conectividad Móvil en España: Tablets y Smartphones

Janeiro 13, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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menores

descarregar o estudo no link:

http://www.diainternetsegura.es/descargar_estudio.php

 

Jovens portugueses são os que mais procuram linguagem explícita na Internet. Mas há piores

Janeiro 5, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://visao.sapo.pt/ de 23 de dezembro de 2016.

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O mais recente estudo da empresa de softwares de antivírus Kaspersky fez um rescaldo do ano que agora termina e avaliou os comportamentos online de jovens menores de idade de 89 países, nos últimos 12 meses.

Os comportamentos online de risco assumem, neste estudo, 7 formas: conteúdos para adultos; álcool, tabaco e narcóticos; linguagem explícita; jogos a dinheiro, lotarias ou concursos e sorteios; conteúdos de software, áudio, vídeo em sites sem licença; violência; e armas, explosivos e pirotecnia.

O trabalho tem por base as estatísticas recolhidas com o módulo “Controlo Parental” ativo e, a nível global, Portugal encontra-se na 13ª classificação (com 170 tentativas por ano), no quer diz respeito aos comportamentos de risco adotados por crianças e jovens. É uma classificação muito positiva comparando com os três primeiros lugares: Israel (775 tentativas por ano), o Reino Unido (490 tentativas por ano) e os Estados Unidos (352 tentativas por ano). É importante referir que as tentativas em causa são, todas elas, falhadas, uma vez que o módulo “controlo parental” as intercetou, impedido o acesso aos sites pesquisados.

No parâmetro especifico de “linguagem explicita”, no entanto, lideramos esta lista, com 60 tentativas por ano. Isto significa que os jovens portugueses são os que mais visitam sites com asneiras ou linguagem de conteúdo sexual.

A pesquisa de conteúdos para adultos e a entrada em sites não licenciados é liderada pelo Japão enquanto Israel lidera a pesquisa de álcool, tabaco e narcóticos e armas, explosivos e pirotecnia, os Estados Unidos lideram a pesquisa de conteúdos violentos e Itália as pesquisas de associadas a apostas e jogos ou sorteios com recompensas.

Resta dizer que embora os nossos jovens sejam mais atrevidos no que toca à linguagem não estamos sequer presentes nos restantes top 10, dos outros seis parâmetros analisados, com um consumo e procura pouco substanciais de outros conteúdos considerados perigosos.

Alfonso Ramírez, o Diretor Geral do Kaspersky Lab Iberia comentou o estudo reforçando a importância do uso de soluções especializadas que alertem previamente os pais. “Uma mãe ou um pai não podem estar sempre ao pé do seu filho e prevenir um encontro casual com conteúdos pornográficos ou sites que promovem a utilização de drogas”, disse.

Este estudo cobre o espaço temporal entre o mês de dezembro de 2015 e o mês de novembro deste ano e inclui dados recolhidos pelas soluções de segurança do Kaspersky Lab para Windows e Mac OS X, mas há que ter em atenção que estes valores não dizem inteiramente respeito a pesquisas feitas pelos menores de forma deliberada, por exemplo, as crianças podem acabar nestes sites por terem clicado, acidentalmente, num banner ou num link partilhados por outra pessoa ou sugeridos por outros sites.

Um outro estudo feito com 3780 famílias em sete países e também este ano pela empresa serve de complemento a estes dados revelando que as crianças russas e americanas são as mais suscetíveis de esconder dos pais as provas das suas pesquisas online.

 

 

Internet: dependência dos jovens portugueses ainda é inferior à média europeia

Janeiro 3, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 27 de dezembro de 2016.

Crianças e jovens portugueses já passam um tempo considerável a utilizar o computador Enric Vives-Rubio

Crianças e jovens portugueses já passam um tempo considerável a utilizar o computador Enric Vives-Rubio

Estudos mostram que jovens portugueses já passam demasiado tempo na Internet, mas com valores em linha ou até inferiores aos registados nos restantes países europeus.

Romana Borja-Santos

As crianças e jovens portugueses já passam um tempo considerável, tanto durante a semana como ao fim-de-semana, a utilizar o computador – seja para conversar, navegar na Internet, enviar emails ou mesmo para estudar. Os sinais de dependência das novas tecnologias já são alguns, mas mesmo assim os valores encontrados em Portugal ainda estão quase sempre abaixo da média europeia.

No estudo europeu Net Children Go Mobile, realizado 2014, foram identificados alguns casos extremos: 6% dos jovens admitiram que tinham ficado sem comer ou sem dormir por causa da Internet. No entanto, tirando estes casos limite, os adolescentes portugueses mostraram “resultados em sintonia com a média europeia” ou até mais baixos nos vários indicadores referentes ao uso excessivo: por exemplo, em média 42% dos jovens europeus admitiram passar frequentemente ou algumas vezes menos tempo com a família, com os amigos e deixar tarefas escolares de lado por causa da Internet e dos jogos. Em Portugal, o valor ficou nos 31%.

Também o estudo mundial Health Behaviour in School-Aged Children, do mesmo ano, avaliou a dependência da Internet, numa escala que varia entre 9 e 45 pontos, correspondendo o valor mais alto a uma elevada dependência. Os autores do trabalho chegaram a uma média de 18 pontos para a realidade portuguesa – um valor inferior ao da realidade europeia.

http://netchildrengomobile.eu/

http://www.hbsc.org/

 

Jovens mais confiantes e competentes têm menos valores e consciência social

Dezembro 29, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 19 de dezembro de 2016.

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Adriano Miranda

Inquérito feito a 2700 alunos portugueses revela que, à medida que crescem, jovens vão perdendo a auto-estima e confiança em si mesmos. As raparigas, por outro lado, parecem ver o seu desempenho prejudicado por terem maior consciência social. E quanto mais ricos, menos preocupações com os outros.

Natália Faria

Até que ponto a consciência social e os valores pessoais podem funcionar como travão ao sucesso de um jovem, em termos académicos mas também de saúde e bem-estar? A capacidade que um jovem possa ter para criar empatia com os outros e com os problemas à volta actua no sentido contrário ao do bem-estar? Estas são duas das perguntas que ficaram a pairar na cabeça da psicóloga Margarida Gaspar de Matos, coordenadora portuguesa de um estudo que, após um inquérito a 2700 jovens portugueses entre os 16 e os 29 anos, chegou a conclusões aparentemente pouco animadoras: por um lado, as raparigas demonstram ter uma consciência social mais apurada do que os rapazes, mas depois aparecem como menos optimistas e propensas a sentimentos de mal-estar físico e psicológico; por outro lado, os jovens com um estatuto sócio-económico mais elevado são os que menos valores e consciência social parecem ostentar mas também os mais confiantes e optimistas e os que mais facilmente se percepcionam como bons alunos.

“Fica-se com a sensação que um jovem ou é competentíssimo e confiante mas muito pouco preocupado com os outros e com a realidade – portanto, autocentrado e egoísta, ou cria empatia com o que o rodeia e sofre por causa disso e torna-se menos bem-sucedido”, cogita Margarida Gaspar de Matos. Mas estas são elaborações para fazer no futuro. Por enquanto o que o estudo “Be Positive” que é apresentado esta segunda-feira, na Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa, faz é o “raio x” da situação em termos de saúde pública dos jovens, segundo a teoria dos 5’C’s do norte-americano Richard Lerner, segundo o qual há características básicas nos jovens – Confiança, Competência, Conexão, Cuidados e Carácter – que são determinantes nos seus comportamentos, em termos académicos, de saúde, bem-estar e qualidade de vida, entre outros aspectos.

“É como se estes 5 C’s fossem um software, uma maneira de agir na vida”, ajuda a compreender Margarida Gaspar de Matos. Coordenadora desde há muitos anos do projecto Aventura Social, que se dedica à promoção da saúde dos jovens, e membro da equipa do Health Behaviour in School-aged Children, da Organização Mundial de Saúde, a psicóloga foi convidada a integrar a rede do Desenvolvimento Positivo dos Jovens (Positive Youth Development, conhecido internacionalmente pela sigla PYD) que se propôs fazer a validação à escala mundial dos 5 C’s, enquanto instrumento aferidor do comportamento dos jovens. O estudo, liderado pela Universidade de Bergen, na Noruega, decorreu simultaneamente em mais de 20 países, nesta primeira fase em que Portugal também participou (outros países se juntaram entretanto). E, numa altura em que ainda não é possível comparar os resultados entre países nem chegar aos porquês, os inquéritos feitos online aos 2700 jovens, levantam desde já várias interrogações.

Quanto mais velhos, mais tristes e menos saudáveis

Desde logo, os níveis de confiança, que remetem para a questão da auto-estima e para a existência de uma identidade positiva e sensação de bem-estar, parecem diminuir à medida que os jovens crescem. “Podia-se pensar que quanto mais velhos mais competências destas têm, mas é o contrário: quando mais velhos pior. Quando andam, por exemplo, no 10º ano, os miúdos têm muito mais boa impressão sobre si e sobre as suas competências e, à medida que vão ficando mais velhos, vão ficando não sei se mais realistas se mais pessimistas”, admirou-se Margarida Gaspar de Matos, para quem se trata de “um dado preocupante, do ponto de vista da saúde do bem-estar dos jovens”, e que levanta a questão de saber “o que é que a sociedade em geral, mas também a escola e a universidade, podem fazer para ajudar os jovens a crescer sem terem que sucumbir e ficar mais tristes e menos saudáveis”.

Se esta mudança é exclusiva da sociedade portuguesa ou decorre do amadurecimento dos jovens, e de uma maior noção que estes possam ganhar das dificuldades que os esperam na vida adulta, é cedo para concluir. “Daqui para a frente vamos discutir com os jovens para perceber como é que eles interpretam isto. Em segundo lugar, vamos comparar os resultados a nível internacional, mas isso só poderá ser feito daqui por um ano, o mais tardar”, explica a psicóloga para quem esta conclusão terá também de se relacionar com o que já se sabe quanto à adopção em idades mais avançadas de comportamentos de risco como a ingestão de álcool e o tabaco e as relações sexuais desprotegidas.

Raparigas sentem mais “o peso” do outro

Habituada a estudos sobre a saúde dos jovens que tradicionalmente caracterizam os rapazes como sendo mais propensos a comportamentos de risco e as raparigas a estados de mal-estar físico e psicológico, o “Be Positive” surpreendeu Margarida Gaspar de Matos porque não mostrou grandes diferenças entre homens e mulheres nestas cinco competências. “É dos primeiros estudos que tenho em mãos em que não há diferenças de género, a não ser na questão da consciência social que se inscreve no C do carácter. As raparigas parecem ter mais consciência social, mas depois sabemos, pelos outros estudos que conhecemos sobre a saúde dos jovens, que os rapazes são mais optimistas e conseguem fazer muito melhor, ou seja, o potencial e os processos são idênticos entre rapazes e raparigas, mas, em termos de output, daquilo que é possível concretizar, eles saem-se melhor. É uma nova maneira de ver as diferenças de género e que levanta a questão de perceber a que ponto a consciência social, a capacidade de cada um se preocupar com os outros, conseguem empatar o bem-estar e a descontracção de quem possui estas características”, explica a psicóloga, a quem interessa agora perceber até onde é que “nas raparigas o peso dos outros é um factor negativo”. Dito de outro modo, “se esta consciência social faz com que elas fiquem penalizadas no seu desempenho”. E, por outro lado, se este efeito decorre de elas estarem mais alertas para os problemas mas incapazes de actuar e produzir mudanças.

Os 5 C’s ao pormenor

O propósito da validação da teoria dos 5 C’s é perceber a que ponto a reunião destas cinco características num jovem funciona como indicador de que ele será bem-sucedido. A confiança remete para a questão da auto-estima, a competência refere-se ao desempenho académico mas também em termos sociais e de saúde, a conexão mede a relação com a escola, família, amigos, vizinhança e comunidade em geral, o cuidado que apela ao sentimento de compaixão e justiça social e para a noção de pluralidade e inclusão e, por ultimo, o carácter que é, em ultima instância, que leva cada um a procurar fazer o que está certo.

 

 

 

 

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