Colóquio “Educar para o Direito” destinatários jovens dos 12 aos 21 anos – 11 de outubro no CED D. Nuno Álvares Pereira, Lisboa

Outubro 2, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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https://www.facebook.com/Educar-Para-o-Direito-848831975226022/

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Encontro Comemorativo 10 anos PIAC “Crianças e Jovens Hoje – Família, Escola, Sociedade…” 12 e 13 outubro no Porto

Setembro 27, 2017 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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http://portal.arsnorte.min-saude.pt/portal/page/portal/ARSNorte/Conte%C3%BAdos/Conferencias/PIAC_DICAD/Encontro%20Comemorativo%2010%20anos%20PIAC

Álcool em excesso altera atividade cerebral a longo prazo

Setembro 24, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.dn.pt/ de 4 de setembro de 2017.

Filomena Naves

As mudanças no funcionamento do cérebro são diferentes nos homens e nas mulheres

O consumo alcoólico excessivo e prolongado durante a adolescência e juventude não só afeta o desenvolvimento cerebral, causando alterações visíveis no EEG (eletroencefalograma), como se traduz de forma diferente nos cérebros de homens e mulheres, causando mais alterações funcionais nos primeiros.

Estas são duas conclusões centrais de um estudo realizado por cientistas finlandeses que serão apresentadas hoje no congresso anual do Colégio Europeu de Neuropsicofarmacologia, que está a decorrer até amanhã em Paris.

“Descobrimos que há mais alterações na atividade elétrica do cérebro nos homens do que nas mulheres, [devido ao consumo excessivo continuado de bebidas alcoólicas]”, explica a investigadora Outi Kaarre, do Hospital da Universidade de Kuopio, que é uma das autoras do estudo.

Na prática, os resultados mostram que existem alterações elétricas e químicas no cérebro, nomeadamente em relação a um neurotransmissor chamado GABA e aos seus recetores neuronais, dos quais existem dois tipos diferentes: o A, e o B. Segundo os novos dados, o consumo excessivo e continuado de bebidas alcoólicas afeta os dois tipos de recetores nos homens, enquanto nas mulheres só os recetores de tipo A do neurotransmissor sofrem alterações. No entanto, o que isto significa e como pode ser interpretado do ponto de vista do funcionamento cerebral de homens e mulheres não é claro.

“O GABA”, nota Outi Kaarre, “é um neurotransmissor fundamental, que está envolvido na inibição de muitos dos sistemas e funções cerebrais e que tem um papel importante, por exemplo, nas perturbações de ansiedade e de depressão”. Em geral, sublinha a investigadora, “este neurotransmissor tem um efeito de diminuir, ou de acalmar, a atividade cerebral”.

Estudos feitos em animais mostraram entretanto que o recetor GABA-A está associado a padrões de menor consumo de álcool, enquanto o GABA-B está mais presente no processo cerebral ligado ao desejo de beber. Por isso, a equipa finlandesa acredita os seus resultados “podem ser a porta para um possível mecanismo que explique as diferenças entre homens e mulheres” em relação ao consumo de álcool.

No estudo foram envolvidos 11 homens e 16 mulheres, com idades compreendidas entre os 23 e os 28 anos e com um historial de 10 anos ou mais de consumo excessivo de álcool. Todos tinham alterações nos EEG, depois de aplicada estimulação magnética transcaniana, que estimula a atividade neuronal, Sujeitos da mesma idade e sem esse historial não apresentaram essas alterações.

mais informações na media release:

Heavy alcohol use alters brain functioning differently in young men and women

 

 

“Os nossos filhos podem tornar-se estranhos”

Setembro 18, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista da http://www.paisefilhos.pt/ a Gordon Neufeld no dia 31 de agosto de 2017.

 

Escrito por Elsa Páscoa

Nas últimas décadas, o papel dos adultos enquanto motores de educação e transmissão de valores tem vindo a ser substituído junto das crianças pela influência incontrolada dos seus pares. E as consequências podem ser preocupantes.

O psicólogo clínico canadiano Gordon Neufeld, em entrevista à Pais&filhos, revela de que forma os educadores podem perder o norte, em favor de terceiros. E de que modo são capazes, através de um profundo conhecimento das crianças e dos seus próprios instintos, de resistir à maré que ameaça colocá-los à margem.

A nossa sociedade permitiu o surgimento do fenómeno da orientação das crianças pelos seus pares, em detrimento da orientação da família. Os pais desistiram do seu papel?
Não acredito que os pais devam ser responsabilizados na maior parte dos casos. Penso que é a cultura instalada nas nossas sociedades que deve ser responsabilizada. O papel fundamental das estruturas culturais é o desenvolvimento e a preservação dos vínculos necessários à educação das crianças e à transmissão dos nossos valores. A cultura tem vindo a desempenhar esse papel há milhares de anos. Entretanto, surgiu a revolução industrial e o materialismo dela resultante, a revolução na escola e, hoje, a revolução digital. Estas profundas alterações tiveram reflexos nos costumes, rituais e tradições que tinham como papel manter-nos unidos. Alguns exemplos são as refeições, os passeios, os jogos as reuniões de família. Tudo isto tem vindo a ser substituído por atividades e tecnologias que favorecem a criação de vínculos das crianças umas com as outras. Assim, em vez de viverem na órbita dos adultos responsáveis por elas, muitas crianças gravitam agora em redor de outras crianças e afastam-se da órbita dos pais e dos educadores.

Sem que estes possam fazer alguma coisa?
Cabe-lhes compensar o que a atual cultura não consegue transmitir. Os vínculos não acontecem de forma espontânea. São cultivados nos momentos em que nos deliciamos na companhia uns dos outros, desfrutando a experiência de existirmos na presença dos outros. A menos que assumamos esta missão, criando as tradições que nos permitam permanecer unidos, ficaremos aquém do que desejamos.

Estão os valores, identidade e códigos de conduta das crianças irremediavelmente afastados da influência da família?
Levando em linha de conta que muitas crianças substituíram a família pelos pares e que estes apresentam diferentes valores, é um facto que os nossos filhos podem tornar-se estranhos para nós. As boas notícias são que muitas crianças ainda vivem na órbita dos seus pais, famílias e professores. A má notícia é que este estado de coisas está a mudar e é essa alteração que nos deve preocupar. O problema não é tanto saber se existe uma mistura de influências, mas sim o facto de que as crianças não conseguem ser próximas dos pais e dos pares em simultâneo. É nesse cenário que os vínculos podem entrar em polarização e, frequentemente, as crianças afastam-se da família para procurar vinculação aos seus pares.

A orientação pelos pares é sempre um fenómeno negativo?
Certamente que não. Existe um conjunto de cenários em que a orientação pelos pares pode ser positiva. Por exemplo, todos nós conhecemos casos em que uma criança ou um adolescente foi resgatado da sua família disfuncional pelos amigos. Neste caso, a orientação pelos pares é certamente uma coisa boa. O mesmo acontece quando uma criança é orientada por pares que partilham os valores da família: nestes casos serve mesmo para reforçar o sentido de pertença.

É possível os adultos perceberem quando as desejáveis amizades dos filhos se transformam na indesejável orientação pelos pares?
Habitualmente não é difícil distinguir as situações. As amizades saudáveis permitem à criança ou ao adolescente manifestar a sua personalidade de forma livre. Quando começa a substituir o seu “eu”, por influência do “outro” – a nível de preferências, atitudes, linguagem – então estamos perante orientação por pares, em vez de amizade. Um outro sinal é visível quando a criança já não consegue manifestar vínculos familiares quando está na presença dos seus pares. As ligações com outras crianças não devem ser incompatíveis com a família. As crianças que não são orientadas pelos seus pares desejam que estes e a família tenham pontos de ligação. A situação já não é muito saudável quando estar com os ‘amigos’ leva a que a criança ou o adolescente se afaste dos irmãos, dos pais e dos avós.

Pais, educadores, e até os media, tomaram já consciência de que muitas crianças e jovens estão a ser afastados das famílias?
A orientação pelos pares tem vindo a desenvolver-se. No entanto, os media parecem mais preocupados em transmitir as mensagens que o consumidor quer ouvir do que a verdade.

Como assim?
Por exemplo, os parâmetros de avaliação escolar centram-se agora nas médias obtidas, em vez de valorizar as classificações que era possível obter. Nos dias de hoje, muitos adultos viram-se para os seus próprios pares para receberem orientação de como se comportarem e até de como serem. Tradicionalmente, isso não acontecia: virávamo-nos para os mais velhos, para as tradições, para a religião e mesmo para a ciência. Atualmente, na nossa sociedade obcecada pelos pares, existe uma preocupação avassaladora para ser normal, o que basicamente significa ser igual a toda a gente. A generalização da orientação por pares está na base da cultura popular e é o motor, por exemplo, das indústrias de publicidade e de moda. Até atingiu já o campo da investigação científica. Em muitos estudos sociais e comportamentais, entende-se a norma não como o que poderia ser, ou deveria ser, mas como o que é típico. E qualquer desvio do típico é considerado fora do normal.

Qual é a maior ferramenta que os pais necessitam na educação dos seus filhos? A intuição?
Tradicionalmente, a intuição tem sido a nossa grande ferramenta enquanto pais. Enquanto as estruturas culturais permaneceram intactas e as crianças mantinham vínculos familiares fortes, era possível, na maior parte dos casos, confiar nos nossos instintos. Os nossos antepassados não precisavam de ler livros para saberem o que fazer. O problema com a intuição é de que necessita do contexto para ser utilizada. Quando a nossa cultura nos falha, ou as nossas crianças não estão fortemente vinculadas, perdemos a intuição. É precisamente isto que parece estar a acontecer aos pais um pouco por todo o mundo. A intuição esteve ao serviço de pais e educadores durante milhares de anos, mas hoje estamos a perder acesso a esta importantíssima parte de nós mesmos. O que pode trazer esperança é o facto de ser possível recuperarmos os nossos instintos enquanto educadores.

De que forma?
Através de um profundo conhecimento das nossas crianças. Se as conseguirmos conhecer e compreender de forma profunda e total, recuperamos a intuição que nos é inata. Assumir conscientemente a missão de perceber quem são e como são os nossos filhos não era uma necessidade em sociedades antigas: esse conhecimento era resultado de vínculos quase inquebráveis. Hoje necessitamos de o fazer, para compensar a falta do contexto educativo natural. É por isso que é essencial que as nossas crianças nos façam sentido.

E como é que isso é possível?
Passei toda a vida a tentar que as crianças fizessem sentido – as minhas e as dos outros. Felizmente tive cinco filhos meus e, agora, três netos com os quais pude e posso praticar. E foi assim que desvendei algumas conceções da ciência do desenvolvimento nos campos das teorias da vinculação, vulnerabilidade e maturidade. Nos últimos 40 anos, tenho tentado mover as peças do puzzle, na tentativa de criar uma teoria integrada do desenvolvimento baseado nos esquemas de vinculação, que seja relativamente livre do ‘calão’ e dos termos esotéricos que tendem a ser a grande praga das teorias psicológicas.

Como é que isso se consegue?
Uma boa teoria deve ser acessível, ecoar a intuição e explicar fenómenos que não podem ser entendidos de outra forma. Procuro ajudar outros a verem as suas crianças através destes instrumentos. O maior problema dos dias de hoje é que não estamos a fazer as perguntas certas. Em vez de nos perguntarmos ‘o que estou a ver?’, a perguntarmo-nos ‘o que devo fazer?’ Assim, em vez de discernimento, obtemos estratégias inúteis, pois a vida tende a ser muito mais complexa. Se conseguirmos perguntar ‘o que estou a ver?’, procurando ir para além dos sinais de comportamento, é possível obter progressos.

A uma certa altura das nossas vidas, todos necessitamos de orientação. A educação de uma criança começa no sentido de missão e/ou na confiança dos pais?
Há algo de errado connosco, enquanto pais, se não experimentarmos sentimentos de insegurança perante a perspetiva de criarmos uma criança. Mas se respondermos a essa insegurança procurando respostas em terceiros, acabamos por perder a intuição. Para encontrar a nossa intuição parental, ao invés de procurar as respostas, devemos assumir o papel de sermos a resposta ao nosso filho. Se assumirmos esta atitude, tudo o resto surgirá quando for necessário. O tipo de confiança de que necessitamos enquanto pais não se encontra nos livros. Provém do sentido de que a nossa missão é sermos o pai ou a mãe de que o nosso filho precisa. O sentido de missão e a confiança é tudo para os pais e educadores, mas apenas se podem descobrir. Não se podem ensinar.


O livro que escreveu chama-se “Hold on to your kids – Why parents need to matter more than peers (“Segure os seus filhos – Por que razão os pais devem ter mais importância que os pares”, em tradução livre). Como é que isso se faz?
É necessário fazer os possíveis para preservar o tipo de proximidade que os protege da necessidade de se realizarem fora da família. Os nossos filhos necessitam de nós até à altura em que são maduros o suficiente para procurarem o seu caminho. Como é que seguramos os nossos filhos? Fazendo da nossa relação mútua uma prioridade, não deixando nada ficar entre nós e criando estruturas e rituais que nutram a relação e não ‘namorando’ os nossos competidores.

Os pares e a sua influência?
Certamente. O melhor das relações entre pais e filhos é que nunca é demasiado tarde e existe sempre esperança. A partir do momento em que sabemos por onde começar, habitualmente surgem progressos.

Em Portugal, os valores das famílias encontram-se ainda muito presentes. Uma determinada cultura pode influenciar a orientação por pares?
Com toda a certeza. Apetece-me dizer que vos invejo em Portugal. Neste campo, o vosso país está em muito melhor forma que outras regiões da civilização ocidental. Mas, a menos que determinem o que é realmente importante, correm o risco de perder essa vantagem. A vossa cultura terá agora de sobreviver a uma cultura europeia que sobrepõe os valores materiais aos valores culturais e a uma revolução digital que fomenta os vínculos indesejados com os pares. Para que a vossa cultura sobreviva, os portugueses terão de perceber o que vale a pena segurar.

 

Quem é Gordon Neufeld

Reconhecido psicólogo clínico canadiano, possui longa experiência em questões de família e viu as suas teses reconhecidas internacionalmente após a publicação do livro “Hold on to your kids – Why parents need to matter more than peers”, escrito em parceria com o médico Gabor Maté. Defensor da ideia de que o papel dos pais é insubstituível, procura alertar para a importância de manter vínculos estreitos em todas as fases de crescimento e desenvolvimento das crianças e adolescentes

 

 

Há entre os jovens uma “explosão de frustração”

Agosto 24, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do https://www.publico.pt/ a Augusto Cury no dia 3 de junho de 2017.

Bárbara Wong

Augusto Cury é psiquiatra e autor de dezenas de livros. Muitos são de auto-ajuda, outros são aquilo a que o próprio chama “romance psiquiátrico”, ou seja, ao longo da trama o autor vai introduzindo informação técnica e científica, de uma forma pedagógica. Os seus livros vendem milhões e alguns já chegaram à televisão.

O brasileiro veio a Portugal para o lançamento de O Homem mais Inteligente da História (editado pela Pergaminho) em que revela como se converteu ao cristianismo ao estudar a “mente fascinante de Jesus”, mas sobretudo confessa uma enorme preocupação com a educação das novas gerações e com as doenças mentais.

Critica os pais que compram os filhos com bens materiais…

Em todo o mundo há pais que transferem dinheiro, carros, casas, mas não conseguem falar das suas lágrimas para que os filhos venham a ser capazes de chorar as deles. É preciso educação socioemocional. Os pais não se apercebem de que quando elevam o tom de voz, quando criticam ou comparam, tornam-se predadores da emoção dos seus filhos. Os pais pioram os seus filhos porque não conhecem o funcionamento da mente. O mesmo fazem os professores.

Mas também vemos pais que mostram desinteresse. Por exemplo quando um filho está a chamar a atenção e o pai dá-lhe um smartphone

Há um problema sério no mundo. Já sabemos que os ecrãs não acalmam nem aliviam a ansiedade, mas sufocam o tédio, dando a falsa noção de que as crianças e jovens estão calmos. E os pais utilizam essa ferramenta porque não conseguem brincar, dialogar, ajudar os filhos a reflectir porque eles também estão stressados. Eles também são vítimas da síndroma do pensamento acelerado. Uma criança de sete anos tem mais informação do que tinha um imperador no auge de Roma.

E isso tem consequências?

Isso gera agitação mental e sintomas como dores de cabeça, musculares, cansaço, sofrimento por antecipação, baixo limiar para a frustração, dificulta a memória. Sintomas que pais e crianças sentem. Os pais eximem-se da sua responsabilidade de criar alternativas para educar de uma maneira inteligente. Por isso é que as crianças e adolescentes estão cada vez mais agitados.

E são diagnosticados como hiperactivos?

Está a confundir-se a síndroma do pensamento acelerado com hiperactividade e há erros de diagnóstico no mundo todo. Digo isso no livro: estão a ser prescritas drogas de obediência para um problema que nós criámos.

Há um problema maior de saúde mental do que há dez ou 20 anos?

Hoje é gravíssimo! Estamos assustados porque antigamente uma pequena quantidade de pessoas poderia ter um problema de saúde mental, hoje sabemos que uma em cada duas tem ou vai desenvolver um transtorno emocional. Metade da população! Destes quantos procuram tratamento? Talvez nem 1%. Por isso, o melhor é a prevenção. É mais inteligente e democrático. Neste livro falo de ferramentas preventivas.

Tais como, por exemplo?

Costumo dizer que não devemos apenas fazer higiene oral, mas mental. Isso é prevenção. A cada 40 segundos suicida-se uma pessoa e a cada quatro segundos uma pensa em suicídio.

Falou de automutilação, de suicídio, como é que olha para o fenómeno da Baleia Azul?

Há 20 anos que estamos numa epidemia de suicídio. E é um paradoxo porque estamos perante uma poderosa indústria do lazer, capitaneada pelo cinema, o desporto, os smartphones. Mas temos a geração mais triste e com a mais baixa capacidade de contemplar o que é belo, de elaborar experiências, de fazer muito do pouco. O índice de suicídio entre os dez e os 15 anos aumentou 40%. Esse jogo é apenas a ponta do icebergue.

Quem são os jovens que pensam no suicídio? São os que estudam mas não têm perspectivas para o futuro?

No Brasil, o maior estrago da corrupção não foi nas finanças do país, mas no inconsciente colectivo de toda uma geração de jovens que viram a sua esperança ser esmagada. A falta de perspectiva, a competitividade atroz na sociedade capitalista, a dificuldade de acesso à universidade são elementos stressantes, mas não explicam a explosão de frustração. A dificuldade está em gerir as emoções. A humanidade não estava preparada para a avalanche de estímulos. Por isso, defendemos que as pessoas seleccionem a informação. Nas escolas deveriam ensiná-los a ler jornais e revistas, para que não sejam manipulados por políticos autoritários com soluções mágicas, radicais e inclusive fascistas que seduzem milhões de jovens. Estou muito preocupado com isso.

Mas há esperança!…

A esperança está na educação. Sem uma educação socioemocional e de gestão da emoção a nossa espécie é quase inviável porque os instintos de sobrevivência prevalecem sobre a cooperação, generosidade e altruísmo.

Mas neste livro [O Homem mais Inteligente da História] há uma forte crítica ao actual sistema de ensino e à forma como as crianças são educadas naquilo a que chama a “era da informação”…

Exactamente. Temos de mudar da “era da informação” para a “era do eu como gestor da mente humana”. Sem isso não vamos produzir mentes brilhantes, com consciência crítica.

O que é preciso mudar nas escolas?

Se pegarmos nos alunos do pré-escolar até ao doutoramento, verificamos que não damos ferramentas para que se tornem autores da sua própria história, para terem consciência crítica, capacidade de escolha. Não desenvolvem capacidades para colocar-se no lugar do outro, serem resilientes, tolerantes à frustração, generosos. Estes jovens estão preparados para os desafios profissionais, sociais, para as preocupações com a segurança alimentar e aquecimento global, mas não passarão de “meninos” com um diploma nas mãos. Portanto, a educação mundial tem de contemplar a gestão da emoção.

E como é que isso se faz?

No Brasil estamos a aplicar o Programa Escola da Inteligência, que é um projecto de gestão de emoção, inserido no currículo. Temos 250 mil alunos do pré-escolar ao secundário a quem, uma vez por semana, ensinamos a desenvolver capacidades para protegerem a emoção. Para isso, é preciso entregarmo-nos sem esperar nada em troca. Segundo, entender que atrás de uma pessoa que fere está uma pessoa ferida. Terceiro, não ser agiota da emoção. Os que elevam o tom de voz, apenas apontam falhas, não brincam, não transformam as crises em oportunidades de [as crianças] se reinventarem são pais e professores implacáveis.

Existem outras regras?

Sim, a quarta é a vingança que nos alivia um minuto, enquanto o perdão inteligente alivia uma vida. Vivemos numa era de autopunição e é preciso ensinar as crianças e os adolescentes a perdoarem os outros e a si mesmos. E há outras. O importante é perceber que não adianta fazermos seguros de vida se não protegermos o maior de todos os bens, que é a emoção.

 

 

 

 

 

Como gerir as saídas à noite dos seus filhos

Agosto 2, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://lifestyle.sapo.pt/

Entre a vontade dos adolescentes e a apreensão dos pais – a arte da negociação.

A partir de determinada idade, os adolescente querem, e começam, a sair à noite. Mas este aspeto, tão banal na nossa sociedade, é visto muitas vezes com apreensão por parte dos pais. O filho fica fora do controlo dos pais e na companhia de outros adolescentes, nem todos com os mesmos princípios e valores que os pais tanto se esforçaram para ensinar e incutir no seu filho. E as tentações são muitas, a começar pelo álcool e pelo contato com desconhecidos, por vezes com aspeto bem simpático mas dos quais não se conhece nada.

Estabelecer regras é fundamental

Um aspeto fundamental, antes de começarem as saídas, é, segundo o pediatra Paulo Oom, «o estabelecimento de regras precisas sobre a forma como os filhos se devem comportar. A hora de saída e de chegada, como vão e como (e com quem) vêm, com quem devem (e não devem) estar, e principalmente como se devem comportar, são aspetos que devem ser combinados com antecedência». A maioria dos jovens vai achar os conselhos dos pais «uma seca» e portanto cabe aos pais conseguir estabelecer algumas regras e limites de uma forma agradável.

Qualquer regra deve ser elaborada em conjunto com os filhos. «É importante que eles sintam as regras como necessárias, racionais e razoáveis, para assegurar que sejam cumpridas», afirma Paulo Oom. Da mesma forma, as regras devem ser simples e concretas, dizendo respeito a assuntos específicos (tipo «deves estar em casa às 2 horas») e não abstratos (do género «tens de estar em casa cedo»).

«É também importante que as regras sejam feitas pela positiva, pois a sua aceitação é melhor e os mal-entendidos menos frequentes», explica o especialista. É preferível dizer diretamente o que queremos como «tens de vir de táxi», do que «não podes vir de boleia com o Rodrigo», o que deixa campo aberto para que possa vir de boleia com outro amigo qualquer, a pé, de autocarro ou de metro.

As consequências do não cumprimento

Devem ser estabelecidas com antecedência, para que todos saibam, as consequências do não cumprimento de alguma regra. «Esta consequência deve ser justa e proporcional, por exemplo “não sais à noite na próxima semana” em vez de “não sais mais à noite estas férias” ou o impossível “nunca mais sais à noite”, que ninguém leva a sério e apenas desautoriza os pais», aconselha o pediatra.

Os filhos devem conhecer bem os limites que os pais estabelecem para que não haja ambiguidades. Se não estão em idade de consumir álcool não o devem fazer, se já têm idade para isso devem ser responsáveis, estabelecendo com os pais o que significa «ser responsável».

Com que idade podem começar a «sair à noite»?

A idade a que um adolescente começa a «sair à noite», o que significa chegar a casa depois da meia-noite, é muito variável de família para família. Paulo Oom defende que «parece sensato que não seja antes dos 14 anos pois antes desta idade não existe habitualmente maturidade para lidar com alguma situação inesperada». Mas isto não significa que tenha de ser obrigatoriamente nesta idade. «Se o jovem não mostrar grande interesse por este tema, os pais devem adiá-lo até surgir a primeira oportunidade», recomenda. Não há necessidade desta regra ser diferente para rapazes ou raparigas, devendo estar dependente, isso sim, do seu grau de maturidade e capacidade de lidar com os problemas.

Com que frequência deve o adolescente sair?

A frequência de saídas deve ser previamente combinada e ir aumentando com a idade. Se aos 14 anos deve ser muito esporádica, por ocasião do aniversário de um colega, por exemplo, a frequência pode ir aumentando gradualmente. É claro que «em tempo de aulas deve ser uma exceção e em altura de férias pode ser mais liberal», sugere Paulo Oom.

A guerra das horas de chegada a casa

A que horas a que deve estar em casa é outra batalha frequente: o adolescente quer sempre mais tarde, os pais querem sempre mais cedo. Aos 14 anos este não é um aspeto a negociar. «Os pais estabelecem a hora que consideram apropriada e o filho ou a filha tem de aceitar esse facto. Ou em alternativa fica em casa», explica o pediatra. A partir dos 16 anos é normal existir já alguma negociação.

Negociação e aspetos inegociáveis

Algumas coisas não são negociáveis: não saber com quem vai e com quem vem, ou não saber a que horas vem, são alguns exemplos. Mas outros aspetos podem ser discutidos, se não existir previamente uma regra para eles. «Saber com quem vai e com quem vem de uma festa é importante. Os pais não precisam de saber os nomes, idades e moradas de todos eles, mas devem conhecer pelo menos um ou dois e saber os números dos seus telemóveis para o caso de precisarem de contactar o filho e ele não atender o telefone», defende Paulo Oom. Também aqui pode existir alguma resistência, pois o adolescente pode achar que os pais estão a querer controlá-lo. O que os pais têm de explicar é que o fazem apenas por uma questão de segurança, para a eventualidade de ser preciso, e que em condições normais não fazem tenção de utilizar aquele contacto.

Nos mais novos, «os pais devem fazer um sacrifício e ir buscar o adolescente à saída da festa ou da discoteca, nem que seja às duas da manhã», diz o pediatra. É útil conhecer um ou dois pais de colegas do filho e combinar com eles quem vai buscar todos de uma vez e os distribui pelas respetivas casas.

Em caso de pais separados

No caso de pais separados, o ideal é os dois (pai e mãe) estarem de acordo sobre as regras a seguir. No caso de não ser possível existir este consenso, devem existir regras em casa da mãe e regras em casa do pai e a criança deve cumpri-las consoante o ambiente em que se encontra.

Saídas de irmãos

Um caso especial para os irmãos que pretendem sair juntos. Neste caso, o mais velho deve assumir a responsabilidade de olhar pelo mais novo e servir de exemplo. Se o mais velho já tem carta de condução, pode igualmente ser responsável por o trazer a casa à hora combinada.

REGRAS DE OURO

  • Devem existir regras concretas sobre o «sair à noite», combinadas com antecedência com o adolescente.
  • O adolescente pode começar a sair à noite a partir dos 14 anos, mas esta idade depende do seu grau de maturidade e capacidade de resolver problemas.

“Desinvestiu-se na droga e na sida”. Ambas “aumentam entre os jovens”

Julho 20, 2017 às 6:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do https://www.publico.pt/ de 9 de julho de 2017 a Margarida Gaspar de Matos.

Nos 30 anos do seu projecto Aventura Social, Margarida Gaspar de Matos, psicóloga e professora catedrática da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa, olha para o que foi então o projecto – e para o que seria, se fosse lançado hoje.

Ana Dias Cordeiro

Se fosse lançado hoje, em vez de há três décadas, o projecto Aventura Social, acredita Margarida Gaspar Neto, em vez dos problemas comportamentais e da droga, teria os novos desequilíbrios que se começam a notar entre géneros e as novas tecnologias da informação a assumir o protagonismo.

O que é o Projecto Aventura Social?

Quando vim para a universidade, vinha do Ministério da Educação onde trabalhava junto das escolas com jovens com problemas de comportamento. Já naquela altura, final dos anos oitenta, esse era o grande problema das escolas. Não criámos um núcleo formal. Para conseguirmos ultrapassar a necessidade de autorização, demos-lhe um nome que não era nada do que costumava ser: Aventura Social. Não era uma instância com existência legal. Hoje tem mais de 20 investigadores. E foram criados três grandes grupos: um deles é o dos estudos à população — temos redes ligadas à União Europeia, redes ligadas à OMS — em matéria da saúde, da qualidade de vida, e de outros. Outro — a que chamámos Aventura Social na Comunidade — tem a ver com o trabalho de intervenção universal como a rede que criámos para envolver os jovens na reflexão dos temas que lhes dizem respeito. Com este projecto dos Dream Teens, o objectivo é trabalhar as partes positivas. As nossas estatísticas dizem que 20% dos miúdos têm problemas e 80% não têm. Vamos ver porque é que esses 80% não têm [problemas]. Vamos ver, quando as coisas correm bem, por que é que correm bem, e vamos tentar providenciar essas coisas boas, e que sejam os próprios jovens a lutar por elas.

Além do problema de comportamento nas escolas, havia outros?

Na altura, associados aos problemas de comportamento, havia os problemas de consumos de droga, a questão da Sida, logo ali nos anos 80. Mais tarde passámos pelo bullying e depois pela questão da obesidade.

Se o projecto fosse lançado agora, qual seriam os problemas a analisar de forma prioritária?

Um deles é a desesperança dos jovens relativamente ao seu futuro. Os miúdos dizem coisas estranhas como “Tanto faz ter 10 como ter 20” [nas notas]. Esta desesperança dos jovens afecta-me mais do que o facto de eles serem insuportáveis na escola, como se nem energia tivessem para serem insuportáveis. Há três anos, quando ia às escolas, muitos jovens diziam que o que aprendiam na escola era o que servia para emigrar: ou inglês ou culinária, para serem chefs. Agora eu penso que, com ou sem razão, as pessoas estão a começar a ficar animadas com o suposto fim da crise. Além dessa desesperança, também vejo a família, que vai começar a ter alguns desequilíbrios, e as novas tecnologias como os outros grandes desafios de agora.

Que tipo de desequilíbrios?

Por exemplo, vamos ter em breve casais em que as mulheres são doutoradas e os homens trabalham na construção civil. Isso não tem nada de mal em si, a questão é o choque cultural que acontece nas nossas casas, do ponto de vista dos interesses pela sociedade.

Os rapazes não apostam tanto na parte académica?

Não apostam, primeiro porque há essa desesperança, e depois porque eles acham que, se aprenderem a arranjar um cano, ou a arranjar computadores, encontram um emprego já e a ganhar mais, e isso é verdade. Mas cria um desequilíbrio entre os casais naquilo que diz respeito à intimidade conceptual e filosófica, sobre as questões da vida.

Já vê sinais evidentes de que isso acontece?

Sim, vejo sinais disso na estatística, porque os dados mostram-nos que, até ao 9.º ano, há tantos homens como mulheres e depois os homens desaparecem e não voltam a aparecer.

Dizia que o terceiro desafio é a questão das novas tecnologias.

Sim, porque vai mudar as relações humanas. As tecnologias têm coisas fantásticas, as pessoas circulam muito pelo mundo e as tecnologias mantêm-nas muito em contacto. Isso é muito importante. Agora tem que haver outras alternativas. A Internet pode ser utilizada para aumentar o convívio pessoal ou para o limitar, e esse é que é o desafio.

A obesidade e os problemas comportamentais já não são prioritários?

Isto são fluxos. A droga foi um daqueles problemas dos anos oitenta. Agora em 2018 — espero estar enganada — penso que os dados dos consumos de droga vão aumentar outra vez. E vão aumentar pela primeira vez desde 2002. A partir desse ano, os jovens em Portugal e na Europa toda têm ficado com melhores indicadores de saúde. Mas isso vai mudar. Nesta altura da crise os indicadores não pioraram. Não melhoraram mas também não pioraram a não ser aquele mal-estar, a desesperança e a falta de expectativas. Não houve ainda problemas do ponto de vista físico, mas eu acho que vamos ter. Eu ainda não tenho dados, mas tenho a percepção.

Que tipo de consumos?

O ectasy, e todas aquelas drogas sintéticas, que estão muito ligadas à cultura dos festivais. Há muito consumo desses produtos também porque os jovens acham que aquilo não faz assim muito mal, porque arranjam uma teoria, que é muito frequente, e dizem isto que há coisas que fazem mal mas que aquilo que eles consomem não faz mal nenhum. Além disso, as pessoas, envolvidas nestes negócios milionários, não vão deixar que o consumo baixe.

Por que aumenta agora e não aumentou antes, neste intervalo entre 2002 e 2018?

Não aumentou antes porque houve um grande investimento nas políticas da saúde, na promoção da saúde nas escolas. Depois desinvestiu-se na droga como se desinvestiu na Sida. Achamos que a Sida desapareceu, mas não desapareceu, continua a aumentar, nomeadamente, nestes jovens adolescentes.

 

 

É altura de os deixar sair à noite (mas com regras…)

Julho 19, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Notícias Magazine de 16 de julho de 2017.

É altura de os deixar sair à noite mas com regras

Alguma vez falou (a sério) sobre drogas com o seu filho?

Julho 7, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site https://lifestyle.sapo.pt/

O tema deve ser abordado em casa, sem tabus, defende o pediatra Mário Cordeiro que, em entrevista à Prevenir, ensina como o podemos fazer para a mensagem sair reforçada.

Pais, é um facto. Facilmente, os adolescentes podem cruzar-se com drogas. Cerca de 25% dos jovens têm contacto com o álcool, tabaco ou substâncias ilícitas, revela o «Relatório Europeu sobre Drogas 2016: Tendências e Evoluções». Os dados indicam que a sociedade e, em particular, os educadores não devem menosprezar o facto de poder haver consumo, mesmo que seja uma experiência fugaz, sublinha Mário Cordeiro, pediatra.

«Temos de abordar o tema com frontalidade, para melhor se aprender e ensinar a lidar com esta questão. Mesmo não se tornando toxicodependentes, os jovens que usam este tipo de substâncias podem vir a ter problemas na gestão da sua vida quotidiana, na escola, no seu círculo de amizades e em família», alerta o especialista.

«Quando a droga passa a ser refúgio, entramos numa dimensão diferente, mais preocupante», sublinha. «As drogas iludem a realidade, dão uma falsa e curta noção de bem-estar e esse imediatismo tem consequências terríveis», afirma também. «Os jovens desconhecem os efeitos das drogas», alerta ainda o pediatra, autor do livro «Os Nossos Adolescentes e a Droga – Realidades, Mitos, Verdades e Estratégias», publicado pela editora A Esfera dos Livros.

O que o levou a escrever este livro?

Tenho acompanhado, sobretudo como representante de uma associação de pais de um agrupamento, casos preocupantes que me levam a pensar que ainda existe muito desconhecimento sobre o assunto. O tema das drogas tem sido muito debatido e têm-se conseguido avanços, nomeadamente no que toca à despenalização das drogas leves, mas a abordagem não tem sido a melhor.

Para se conseguir um discurso eficaz não basta dizer «Não à droga!». É essencial trabalhar a mensagem e, claro, conhecer os destinatários pois os adolescentes estão numa fase da vida que tem características  e preocupações muito vincadas. O problema da toxicodependência na adolescência é importantíssimo para a sociedade.

A minha intenção, com este livro, foi aliar informação geral a esclarecimentos científicos e dar voz a testemunhos, aos factos deste flagelo. Moveu-me a vontade de dar ferramentas aos pais para conseguirem abordar o tema, explicando os tipos de drogas que existem e quais os seus efeitos e malefícios.

O que leva hoje um adolescente a experimentar drogas?

A adolescência é uma fase de novas competências e experiências, onde se desenvolve a autonomia e a identidade. O jovem sente-se pronto para experimentar o menu da vida, evitando o controlo dos pais, sendo a escola (e a pressão dos rituais de grupo) o cenário ideal para aceder a novas perspetivas, nas quais se incluem substâncias como o álcool, o tabaco e as drogas. É aqui que entra um fator decisivo. A informação. Essa é uma ferramenta essencial para fazer a triagem entre o que interessa ou não.

Por norma, em que idades acontece o primeiro contacto?

Por volta dos 13, 14 anos, os jovens sentem-se preparados para tudo, refugiam-se numa hipotética invencibilidade, têm uma curiosidade inata para quase tudo e o álcool, o tabaco e as drogas são temas apelativos.

Que drogas são mais usadas?

A ingestão de álcool ou o consumo de canábis são os vícios mais frequentes e podem causar sérios problemas de fígado, gastrites e lesões cerebrais. O alcoolismo continua a ser a forma de toxicodependência por excelência e existe uma espécie de tolerância errada, face, por exemplo, aos efeitos na saúde provocados pela canábis. A nível comportamental, podem provocar comportamentos agressivos e perda do autocontrolo.

Há um extremo desconhecimento entre os jovens sobre estas substâncias, apesar da facilidade de acesso a tanta informação. No caso do álcool, esse desconhecimento é gritante, para mais tratando-se de uma substância legal. Aos 14, 15, 18 anos, pensa-se que se sabe muito, mas não se viveu o suficiente para tal.

O álcool representa um perigo semelhante a outras substâncias, mas está mascarado pela legalidade. O seu consumo pode servir de isco para o uso de outras substâncias e levar a uma habituação face a essa forma de vencer problemas ou por mera diversão.

Quais são as substâncias mais perigosas?

Sobretudo a cocaína, o crack e o ecstasy, ainda que o álcool, o tabaco e a canábis sejam também muitíssimo perigosas. Convém reforçar que a questão da dependência não tem apenas que ver com a droga mas também com o seu utilizador ou a razão que  o levou a fazer. Se o objetivo é fugir da realidade, a dependência vai ser cada vez maior pois os jovens encaram-na como uma forma de facilitar a vida.

Muitas das substâncias promovem elevados graus de extroversão e levam a descuidos nas relações sexuais, como a rejeição de proteção e, mais tarde, invariavelmente, arrependimento. Outras das consequências graves são a sensação de vazio sentido depois de passado o efeito ou a angústia de não se lembrar do que aconteceu.

Como devem os pais lidar com este tema?

Tornar o assunto um tabu é um erro. Dizer apenas que «É mau porque sim» é uma má abordagem, uma atitude pouco sensata, assim como fazer uso de um discurso moralista ou preconceituoso, associando o estatuto de drogado a perfis marginais (tipo arrumadores ou pessoas sem-abrigo). Devemos, sim, explicar o que é a droga, que ninguém está imune aos seus efeitos, antes de dizer «Filho, não te metas nisto!».

É preciso transmitir aos jovens que ninguém precisa destas substâncias para viver ou para ultrapassar alguma situação menos boa. Eles têm de aprender que a vida tem momentos bons e maus e que é o ensinamento que deles retiramos que nos torna pessoas melhores, mais humanas.

A que sinais, que indicam que os jovens podem estar a consumir drogas, devem os pais estar atentos?

O facto de o jovem parecer estar alheado da vida, isolar-se, tornar-se indiferente em relação a algo por que demonstrava um interesse assinalável, registar alterações do padrão de sono ou desleixo com a aparência são alguns alertas. A rispidez comportamental e a perda do controlo emocional, por vezes associada à violência, são outros sinais.

Como reagir se a hipótese se confirmar?

Deve evitar-se um interrogatório agressivo, ainda que convenha confrontar o jovem com a situação, e, no caso de existirem evidências fortes do consumo, não as ignorar. Enquanto pais, temos a obrigação de interferir, de perceber o que se passa e de zelar pela saúde do jovem.  Num primeiro plano, o assunto deverá ser tratado no âmbito familiar e com recurso a ajuda médica.

Mas sempre deixando explícito o nosso amor pelo jovem e que é esse sentimento que nos leva a preocupar-nos, a tentar ajudar. Deve também evitar-se fazer julgamento da questão e concentrar as atenções na própria ajuda, reforçando que, quer queiram quer não, os pais são os responsáveis pelas suas vidas e a experiência que possuem pode ajudar a resolver situações e prevenir cenários que hoje parecem positivos, mas que vão tornar-se pesadelos.

A escola deve ter algum papel neste processo?

Principalmente a nível da prevenção e informação. Deveria existir um programa mais organizado ainda que seja completamente contra disciplinas específicas sobre drogas, à semelhança da educação sexual. Defendo que, por exemplo, a partir do sétimo ano, se utilize as disciplinas já existentes pois conferem a oportunidade de falar sobre drogas, algo que atinge a sociedade.

Por exemplo, na matemática, por via das estatísticas de exposição e consumo. Em história, explicando os conflitos que surgiram devido ao tráfico. Na geografia, ao elucidar as rotas do tráfico. Em química, por referência às suas fórmulas. Nas ciências, ao indiciar os danos cerebrais provocados…

Como abordar o tema

Siga este guião, inspirado em dados fornecidos por Mário Cordeiro, pediatra:

– A preparação

Antes de ensinar é importante aprender. Prepare-se antes de abordar o tema com o seu filho, recolhendo dados de fontes fidedignas que ofereçam dados científicos.

– O contexto

Um bom pretexto para falar sobre o tema pode ser, por exemplo, uma notícia sobre o tema associado a artistas ou desportistas.

– O tom e o conteúdo

Fale com o seu filho sem medos. Seja frontal. Não esconda o facto de ser possível que eles possam vir a ter contacto com essa realidade na escola, numa festa ou reunião de amigos. O excesso de informação pode ser contraproducente. O mais importante é que o adolescente entenda os perigos associados ao consumo.

– A reação

Mesmo que o adolescente reaja à conversa com um encolher de ombros, esse gesto não significa necessariamente desinteresse. Enquanto pais, somos erradamente levados a crer que os nossos filhos já não nos ouvem ou amam. Isso é falso, continuam a fazê-lo, mas de outra forma, com outro distanciamento, e aquilo que dizemos vai ser interiorizado e sentido.

Sinais de alarme

O comportamento do seu filho pode dar-lhe pistas importantes sobre a possibilidade de estar a consumir drogas:

– Alheamento da vida e isolamento

– Alterações do padrão de sono

– Indiferença em relação a algo por que demonstrava um interesse assinalável

– Desleixo com a aparência

– Rispidez comportamental

– Perda do controlo emocional, por vezes associada à violência

Texto: Carlos Eugénio Augusto

 

 

Instituto de Emprego tem estratégia de quatro anos para integrar jovens “nem nem”

Julho 2, 2017 às 4:23 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Notícia do http://expresso.sapo.pt/ de 28 de junho de 2017.

No âmbito do programa Garantia Jovem, o Instituto de Emprego e Formação Profissional apresentou a Estratégia Nacional de Sinalização, plano a quatro anos, para encontrar soluções para os jovens que não trabalham e não estudam, muitos deles fora dos registos oficiais. INE diz que são mais de 175 mil

Mafalda Ganhão

um problema crescente em todos os países da União Europeia e que, no caso de Portugal e tendo em conta estimativas de 2011, representou uma perda para a economia de aproximadamente 2,1 mil milhões de euros, ou seja 1,24% do PIB. Encontrar soluções para integrar os jovens que não trabalham, nem estudam, muitos não constando sequer dos registos dos centros de emprego é uma das prioridades para o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), entidade que apresentou esta terça-feira a sua estratégia Nacional de Sinalização de Jovens, um programa delineado para um prazo de quatro anos e que pretende alcançar pelo menos 30 mil dos 67.500 jovens nesta situação – e que são uma parte dos 175.900 até aos 30 anos que não estudam, não trabalham, nem frequentam formação profissional (dados do INE referentes ao 1º trimestre de 2017).

Segundo o documento dado a conhecer, “a implementação das políticas adotadas será desenvolvida em duas fases”. A primeira, de 2017 a 2018, tem como objetivo o aumento dos serviços de apoio, expandindo a gama de serviços e programas disponíveis. A segunda etapa passará por, em 2019 e 2020, “dar escala às ações e projetos que, em função da avaliação efetuada na primeira fase, possam permitir amplificar os resultados de atuação”.

Conforme explicou o vice-presidente do IEFP, Paulo Feliciano, esta é uma estratégia a desenvolver no âmbito do Garantia Jovem, programa europeu de resposta à inatividade e ao desemprego, que tem como principal objetivo proporcionar aos jovens entre os 15 e os 29 anos que não se encontrem a estudar nem a trabalhar, uma oportunidade para apostar na sua qualificação e estar em contacto com o mercado de trabalho, no prazo de quatro meses após a inscrição no ‘site’ do programa ou nos seus parceiros.

Em Portugal, o programa foi criado pelo Governo português em 2013 e através dele o IEFP contará com mais de 600 parceiros para ajudar à concretização deste seu planeamento a quatro anos, envolvendo autarquias, as associações de juventude e as Instituições Particulares de Solidariedade Social, como entidades que trabalham no terreno com os jovens a sinalizar.

Tendo em conta que em causa estão jovens que “tendem a não procurar ajuda, nomeadamente dos serviços públicos, ou porque desconhecem essa possibilidade ou porque tendencialmente não acreditam nela”, como diz o relatório de 2016 da Garantia Jovem, informar e sensibilizar são palavras de ordem. Metas a atingir com recurso a “metodologias inovadoras, com adaptação da linguagem e dos canais”.

Reformular o portal Garantia Jovem, tornando-o mais moderno e acrescentando-lhe funcionalidades, está na lista das missões a cumprir, a mesma onde se inclui a criação de uma aplicação Garantia Jovem para smartphones e tablets.

mais informações:

https://www.garantiajovem.pt/

 

 

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