Estratégias para o seu filho se concentrar nas aulas

Abril 30, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://uptokids.pt/

Ponto prévio:

A incapacidade de manter a atenção pode ter origem em motivos diversos, desde a ansiedade, a depressão e até a Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA).

Crianças com problemas de aprendizagem, por exemplo, facilmente se distraem. Regra geral, sentem maiores dificuldades em iniciar projetos, dividir tarefas e assumir responsabilidades, prejudicando assim a vida académica e social.

Se for o caso do seu filho, procure descobrir o que mais o perturba. Estará a ajudá-lo a dar o primeiro passo para superar as dificuldades. Nem sempre é fácil abordar o assunto de forma positiva e construtiva mas a comunicação é fundamental.

Crie algumas estratégias para o manter focado e se concentrar nas aulas:

1 – Organize uma lista com os livros, cadernos e outros materiais utilizados durante o ano letivo. Essa lista servirá, diariamente, para que o seu filho se certifique que transporta sempre, de casa para escola e da escola para casa, tudo o que realmente precisa.

2 – Procure que fique sentado junto a um colega que seja um bom modelo a seguir. Quanto menos barulho na sala maior a capacidade de concentração.

3 – Ensine-o a descobrir e sistematizar a informação. A probabilidade de manter a atenção aumenta substancialmente quando há organização. Incentive-o, por exemplo, a fazer resumos, ou tópicos, sobre a material lecionada.

4 – Mantenha as rotinas. É fundamental estabelecer hora e local para todas as atividades. Alterações, não programadas, podem potenciar as dificuldades de concentração.

5 – Simplifique a agenda. Crianças sobrecarregadas com atividades tendem a ser mais distraídas.

6 – Crie um local de estudo, arrumado e sem ruído. Quanto menos distrações, melhor. Televisões e telefones não são bons aliados.

7- Incentive-o a privilegiar as atividades ao ar livre. Controle o tempo que o seu filho passa a ver televisão e a jogar em computadores e tablets. Atividades desportivas e o contato descontraído com outras crianças são de extrema importância.

8 – Celebre as conquistas. O excesso de críticas é prejudicial. Olhe para o elogio como um bom aliado e mostre satisfação sempre que o seu filho apresente bons resultados.

O psicólogo e especialista em terapia para crianças, o norte-americano Jeffrey Bernstein, deixa-lhe outras dicas importantes para ajudar uma criança distraída.

  • Tenha consciência
    Lembre-se que estas crianças muitas vezes se sentem diferentes das outras e precisam por isso de maiores incentivos.
  • Evite gritar
    Ao gritar só o confunde ainda mais, tornando-o mais propício à desconcentração.
  • Mantenha-se calmo, firme e não seja controlador
    Esteja tranquilo, não crie expectativas inalcançáveis e tente não dar demasiadas ordens.
  • Seja pro-activo e comunicativo com os professores
    As crianças desatentas desistem rapidamente quando têm de enfrentar obstáculos. Mantenha-se envolvido na vida escolar do seu filho para que o possa ajudar a superar eventuais dificuldades.
  • Incentive o seu filho
    Ensine-o a tornar as tarefas complexas noutras mais pequenas e viáveis. As crianças sentem-se mais motivadas ao alcançar pequenas vitórias.
  • Faça listas
    É estimulante para uma criança ‘riscar’ as tarefas já cumpridas.
  • Ajude, mas não faça por ele
    Ajudar demasiado uma criança a concluir um problema difícil pode fazê-la sentir-se bem momentaneamente, mas não estará a ajudá-la verdadeiramente.
  • Promova a auto-estima do seu filho
    A maioria das crianças desatentas sente-se inferior aos outros. Demonstre ao seu filho não só que gosta, mas que também acredita nele.

 

Aula Aberta “Escolas ONLINE: Utilização saudável das tecnologias e da Internet no contexto educativo” – 9 de maio na Póvoa de Santo Adrião

Abril 30, 2018 às 4:38 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Apesar da entrada ser livre, é sujeita à lotação do espaço, pelo que é necessária inscrição prévia através dos seguintes contactos:

Câmara Municipal de Odivelas – Gabinete de Saúde, Igualdade  e Cidadania

Plano Estratégico Concelhio de Prevenção das Toxicodependências (PECPT)

Tel.: 219 320 970 | e-mail: gsi@cm-odivelas.pt (ou, em alternativa, pedro.fernandes@cm-odivelas.pt e/ou  sandra.silva@cm-odivelas.pt)

 

9 mentiras que os pais têm de parar já de contar às crianças

Abril 30, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do https://www.noticiasmagazine.pt/ 11 de abril de 2018.

 

«NÃO VAI DOER NADA»

Qualquer pai gostaria de livrar um filho de todo o sofrimento, mas certas dores fazem parte e as mentiras que lhes contamos só as torna piores. Se ele gritar ao ter de levar uma vacina, por exemplo, tranquilize-o dizendo que é uma picada pequenina e passa num instante, em vez de lhe prometer que não vai doer nada. Afinal, basta-lhe levar a primeira para saber que o enganou e perder a confiança em si.

«ÉS MESMO UM ARTISTA»

Claro que é legítimo dizer isto à criança, desde que seja verdade e não esteja a elogiá-la em vão apenas para ficar contente. A ser esse o caso, pode acontecer que acabe por magoá-la sem intenção se ela perceber (e acredite: miúdos são ótimos a ler a linguagem corporal dos adultos) que os pais não estão a ser sinceros. O resultado não é bom, seja um desenho ou um boneco de plasticina? Releve os aspetos em que se destaca, como a originalidade, a iniciativa ou a escolha de cores.

«NÃO SEI O QUE ACONTECEU À TUA PINTURA»

Esta é outra frase que pode dizer ao seu filho se não souber, de facto, onde foi parar a tão procurada folha, mas nunca se tiverem sido os pais a dar-lhe sumiço enquanto dormia a sesta. É um facto que não pode guardar todos os desenhos que ele faz. Porém, para evitar enganos, designe uma gaveta ou caixa para o efeito e explique-lhe que naquele lugar das pinturas especiais só cabem os trabalhos mais mágicos. Depois dê-lhe a responsabilidade de decidir quais quer guardar.

«O PAI NATAL ESTÁ A VER-TE»

Embora a fantasia do Pai Natal possa ser mantida até depois dos 5-6 anos em nome da imaginação, sem prejuízo para o desenvolvimento infantil, não é boa ideia (também em nome da imaginação) servir-se do velhinho de barbas para ameaçar o seu filho de que ficará sem presentes se não se portar bem. Castigos devem ser justos, proporcionais à falta e dados na hora, como consequência de algo a corrigir. Imputar as culpas ao Pai Natal não só não é justo, como um dia a criança irá cobrar a mentira aos pais

«OLHA QUE ME VOU EMBORA»

Às vezes é só o que apetece: a criança está à mesa há horas e não dá sinais de ir comer a sopa tão cedo? «Olha que me vou deitar e ficas às escuras.» Queremos sair de casa, já sem tempo para nada, e ela descalça os sapatos e faz-se de morta? «Levanta-te do chão ou deixo-te sozinha.» Claro que a política de instilar medo nunca foi boa conselheira, pelo que é preferível dizer-lhe que se não entrar já no elevador deixa de haver tempo para irem comer o tal gelado mais tarde.

«NUNCA VOU DEIXAR QUE TE MAGOES»

Oposta à política do medo, a política da superproteção também não resulta pelo facto de não estar ao nosso alcance protegê-los de tudo o tempo todo. Nunca lhes diga «nunca vou». De novo, o melhor é agarrar-se à verdade para os fazer sentirem-se seguros sem, no entanto, deixar de lhes explicar – sempre com palavras tranquilizadoras para não gerar uma ansiedade acrescida – que existem perigos reais aos quais têm de estar atentos, como falar com estranhos ou largarem a mão dos pais num centro comercial.

«O PARQUE INFANTIL ESTÁ FECHADO»

E quem diz o parque diz a piscina ou qualquer outro lugar onde prometeu que levava o seu filho antes de chegar à conclusão que afinal não dá mesmo jeito nenhum. Seja qual for o cenário, não lhe minta. Ensine-lhe que nem sempre as coisas correm como nós queremos, por muito que nos custe, e que certos compromissos como ir às compras ou visitar os avós têm prioridade, sob pena de ficarmos com a despensa vazia ou magoarmos alguém querido. Ele acabará por perceber.

«NÃO TEMOS DINHEIRO PARA ISSO»

Desferir sem rodeios esta frase se a criança lhe pede um bolo ou um brinquedo pode assustá-la, já para não mencionar o facto de estar a faltar à verdade. Explique-lhe antes que não podemos ter tudo o que nos apetece porque o dinheiro não estica. Que ir à Disneyland, mudar de casa, de carro ou passar umas férias divertidas em família exige alguns sacrifícios, mas vai valer a pena. Sobretudo, envolva-a na questão das poupanças familiares (sem forçar nada) para que se sinta integrada.

«DÁ-ME SÓ UM MINUTO»

Somos ótimos a despachar as crianças com esta frase, mas não a use se souber que vai levar mais do que um minuto a poder ir brincar com elas, passear ou dar-lhes a atenção de que precisam. Conta demorar ainda uns dez minutos a terminar o bolo para pô-lo no forno? Ou um bom quarto de hora a preencher o IRS e a limpar o quarto? Pois diga-lhes isso: que vai só despachar aquela tarefa urgente e depois fica livre. Ser franco e pedir-lhes ajuda também as ajuda a entender o mundo à sua volta.

 

Concurso “77 Palavras Contra a Discriminação Racial “

Abril 30, 2018 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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O Concurso é aberto a qualquer cidadão/cidadã residente em Portugal, independentemente da sua nacionalidade ou profissão, a partir dos 7 anos de idade.

O prazo de candidatura termina a 4 de maio de 2018.

mais informações no link:

http://www.cicdr.pt/-/77-palavras-contra-a-discriminacao-racial?inheritRedirect=true

 

Concurso Lusófono da Trofa – Conto Infantil – Prémio Matilde Rosa Araújo 2018

Abril 29, 2018 às 5:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações aqui

 

A solução para as cólicas pode estar no mimo. “A noção de que os recém-nascidos ganham habituação ao colo é um mito”

Abril 29, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site https://magg.pt/ de 12 de abril de 2018.

por CATARINA DA EIRA BALLESTERO

As cólicas são um dos dramas de quem acabou de ter um bebé. Pediatras explicam o que são, como se podem atenuar e dão conselhos úteis.

São uma das maiores inimigas dos novos pais. As cólicas dos bebés, que geralmente surgem ao final do dia, provocam desconforto à criança, fazendo-a chorar durante longos períodos, o que lhe gera um elevado grau de irritação, que não ajuda a que se acalme. Mas afinal, o que são as cólicas e o que é que as causa?

“Na verdade, não se sabe muito bem o que as causa”, diz à MAGG Hugo Rodrigues, pediatra, que acrescenta que se calcula que estas “estejam relacionadas com alguma imaturidade do intestino e acumulação de gases”.

A definição médica das cólicas baseia-se na chamada “regra dos 3”, como explica o pediatra — se os bebés choram mais de três horas por dia, mais de três dias por semana e mais de três semanas por mês.

“Na prática, consideramos que um bebé tem cólicas quando tem episódios de choro que não têm causa evidente e se fora desses episódios, a criança estiver bem”, afirma o especialista.

No entanto, existem outras teorias, e uma das mais consistentes assenta na premissa de que as cólicas dos recém-nascidos são apenas mais uma etapa do desenvolvimento cerebral do bebé.

As cólicas são tão comuns como gatinhar ou sentar

O pediatra Miguel Fragata Correia acredita que as cólicas são uma etapa do desenvolvimento das crianças, tão comum como aprender a gatinhar.

“O cérebro dos recém-nascidos, ainda muito imaturo, tem uma perceção alterada dos estímulos dos intestinos e reage aos mesmos com um choro excessivo.”

“O bebé passa por um desenvolvimento cerebral e as cólicas são o reflexo disso mesmo. O cérebro dos recém-nascidos, ainda muito imaturo, tem uma perceção alterada dos estímulos dos intestinos e reage aos mesmos com um choro excessivo.”

O especialista afirma que as cólicas permanecem um mistério, dado que todos os estudos feitos no sentido de perceber a razão das mesmas se revelaram inconsistentes.

“Existe uma associação geral com os gases, e que é de facto um contributo (dado que quanto mais gás temos nos intestinos, maior é o desconforto), mas não é a razão principal”, refere o pediatra.

A obstipação das crianças também costuma ser um fator apontado por muitos pais como a causa mas, mais uma vez, o especialista desmente. “Se esse fosse o caso, não teríamos bebés que fazem cocó três e quatro vezes por dia e sofrem imenso com as cólicas.”

“Acredito que não fazem mal ao bebé, só à família”

Apesar do enorme desconforto que causa nas crianças, Miguel Fragata Correia acredita que as cólicas não são prejudiciais para a saúde. “Acredito que as cólicas não fazem mal ao bebé, só à família. São um período muito complicado, de extremo cansaço, muito stressante e os pais passam muitas horas sem dormir”, salienta o pediatra.

Débora Grilo Esteves, produtora, tem 30 anos e é mãe de duas crianças: Frederica, de dois anos, e Lopo, com apenas 10 semanas. “A Frederica nunca sofreu com cólicas por isso não fazia ideia do que me esperava. Nos primeiros dias o Lopo era um anjinho, dormia dia e noite e só acordava para mamar”, conta Débora.

Mas não demorou muito para o cenário se alterar. Com cerca de duas semanas, o filho de Débora e do companheiro de quase dez anos, Sebastião, começou a sofrer muito com cólicas. “Por volta das 19 horas começava a ficar irrequieto. De repente acordava a chorar, aos gritos mesmo, muito encarnado e não acalmava com nada. Tentava dar mama, colo, mimos — mas nada funcionava. E ficava assim horas e horas.”

As cólicas do filho mais novo foram complicadas de decifrar para Débora, e a produtora chegou a pensar se Lopo teria fome. ”Estás num tal estado de desespero que pensas em tudo e equacionei que o meu leite não fosse suficiente para o alimentar. Mas percebi numa consulta que estava a aumentar bem de peso e acabei por descartar essa hipótese.”

A produtora concorda que a fase das cólicas, que ainda atravessa no presente, é um período muito duro, principalmente para os pais, privados de sono e exaustos ao limite.

“Já ouvi várias vezes que é uma fase, que geralmente termina por volta dos três, quatro meses e estou aqui em countdown.”

“Já ouvi várias vezes que é uma fase, que geralmente termina por volta dos três, quatro meses e estou aqui em countdown. São semanas muito complicadas. Quando a Frederica nasceu, aproveitava os momentos em que ela dormia para descansar mas agora a realidade é outra.”

Com uma criança de dois anos e um bebé de dez semanas em casa, Débora confessa que a gestão do tempo é desafiante e que o apoio do companheiro é crucial — assim como os momentos a dois para respirar.

“Os meus filhos não gostam de dormir ao mesmo tempo. Quando consigo adormecer o Lopo, a Frederica acorda e está super ativa, o que é completamente normal para a idade dela. Quer brincar, ver filmes, o que for. Mas o meu tempo de descanso desaparece. Acabámos por nos organizar por turnos: de noite eu fico responsável pelo bebé, de manhã o Sebastião cuida da nossa filha para eu dormir mais, por exemplo.”

O cansaço e a noites sem dormir também podem causar danos no casal, como explica o pediatra Miguel Fragata Correia, que considera que alguns pais até “podem ter de fazer terapia de casal. É um facto, as cólicas de uma criança podem alterar a dinâmica familiar.”

No caso de Débora e do companheiro, a exaustão também gera conflitos, apesar de o casal conseguir reconhecer facilmente a razão porque está a discutir.

“Estamos tão exaustos que começamos a discutir por tudo e por nada. Mas pouco depois conseguimos parar um bocadinho e perceber que o cansaço é o culpado de todas essas brigas. E tentamos também ter espaço para nós. De vez em quando recorremos aos avós ou às nossas irmãs e arranjamos forma de ir jantar com amigos ou a dois. É importante ter três horas para estarmos um com o outro, sem falar nem pensar em bebés.”

Há uma luz ao fundo do túnel: as cólicas, como qualquer fase, também passam

Patrícia Ferreira Ramos, blogger e assessora de imprensa, tem 35 anos e é mãe de dois filhos. Mas foi com a filha mais velha, de quatro anos, que passou pelo pesadelo das cólicas.

“A Leonor teve imensas até aos dois meses. Usámos todas as gotas e mais algumas, como o Aero-Om, e até pedimos a uma amiga da Irlanda para nos trazer umas especiais que não se vendiam em Portugal”, conta Patrícia.

A filha não dormia, os pais também não — e não sabiam mais o que fazer. Chegaram a ir ao hospital e passavam noites com a bebé ao colo e a fazer muitas massagens.

“Os nossos esforços aliviavam-na um pouco mas, de repente, as cólicas desapareceram por completo com cerca de dois meses.”

Os pediatras concordam: as cólicas têm uma linha de tempo. “Geralmente, começam por volta das três semanas, têm o seu pico nas seis, oito semanas, e terminam aos três ou quatro meses”, explica Miguel Fragata Correia, que acrescenta que ”são uma fase que todos os bebés passam, apenas existem uns que se manifestam mais que outros. E nunca vi casos de cólicas que não passassem, há que explicar isso aos pais.”

Enquanto não se atinge a marca dos quatro meses, que geralmente representa o fim desta saga, há que não desesperar — e existem técnicas para tentar acalmar o seu bebé.

“A noção de que os recém-nascidos ganham habituação ao colo é um mito.”

“O mais importante é o contacto físico com os pais, porque tranquiliza os bebés”, afirma o pediatra Hugo Rodrigues. “Para além disso, devem sempre tentar-se as massagens ou dobrar as pernas do bebé sobre a barriga, para ver se ajuda.”

Miguel Fragata Correia é um apologista do colo para acalmar os bebés e vai mais longe — há que abandonar a ideia de que este pode ser prejudicial.

“A noção de que os recém-nascidos ganham habituação ao colo é um mito e, até aos cinco meses, nenhuma criança ganha manhas. Há sim que acalmar o bebé com colo, é mais fácil e as crianças respondem melhor. Se colocarmos um recém-nascido sozinho num berço, este não vai ter capacidade para se acalmar.”

O especialista acrescenta que, apesar de não existirem fórmulas precisas e cada criança ser diferente, as técnicas que acalmam mais os bebés são aquelas que recriam o ambiente do útero.

“Um ambiente calmo, quente, em que a mãe encoste o bebé a si fazendo um contacto pele a pele e embrulhado numa manta podem ser ferramentas úteis, bem como as massagens na barriga a cada muda da fralda”, afirma Miguel Fragata Correia, que acredita que há que “acalmar os bebés para acalmar os pais.”

Hugo Rodrigues conclui: ”Por fim, e se mesmo assim não se conseguir resolver a situação, existem alguns medicamentos no mercado com uma eficácia considerável. Faz sentido que os pais tentem testá-los para atenuar o desconforto do seu filho, desde que sempre aconselhados pelo médico pediatra.”

O leite de fórmula causa mais cólicas que o materno?

Existem vários mitos à volta do tema das cólicas, sendo a alimentação um dos mais recorrentes. Afinal, existe alguma validade na ideia de que os bebés alimentados a leite artificial sofrem mais de cólicas do que os bebés amamentados?

O pediatra Miguel Fragata Correia garante que não existe verdade nessa ideia. “Se assim fosse, todos os bebés alimentados a fórmula, que são bastantes, iriam ser os únicos a ter cólicas, o que não é a realidade. Essa ideia surgiu porque os bebés que não são amamentados bebem o leite através do biberão, que pode causar mais ingestão de ar, o que gera gases e que se acreditava serem o motivo das cólicas”, explica o especialista.

Da mesma forma, o médico pediatra também desmistifica a ideia de que a alimentação das mães pode ser um fator.

“Já existiram vários estudos a tentar encontrar uma ligação entre a alimentação das mães e a amamentação mas todos se revelaram inconclusivos”, afirma Miguel Fragata Correia.

 

 

Por que a garotada precisa brincar ao ar livre, segundo a neurociência

Abril 28, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Texto do https://brasil.elpais.com/ de 30 de março de 2018.

MARIO FERNÁNDEZ SÁNCHEZ

Tempo dedicado às brincadeiras em ambientes naturais diminuiu nas últimas décadas, enquanto aumentou o número de crianças com ansiedade e depressão.

Por mais paradoxal que pareça, muitos detentos passam mais tempo ao ar livre do que algumas crianças das nossas cidades. O tempo ao ar livre em contato com a natureza, especificamente, vem diminuindo enormemente, a tal ponto que muitos meninos e meninas passam mais de 90% do seu tempo em espaços fechados. O correto desenvolvimento infantil exige movimento desde o nascimento, e a forma mais fácil e interessante de se movimentar é brincando, se possível ao ar livre.

O sistema nervoso serve para a locomoção, e as demais milhares de páginas de um manual de neurociência estão subordinadas a esse fato natural tão relevante. Trata-se de algo extraordinário, tão belo como complexo. A função primordial de um ser vivo é se reproduzir, e para isso ele precisa se aproximar de certos estímulos, como um possível parceiro sexual, e se afastar de outros, como os predadores.

Os subsistemas sensoriais e emocionais estão a serviço do subsistema motor, que por sua vez está relacionado com uma conduta de aproximação ou afastamento. Podemos comprovar isso na vida cotidiana. Se pisamos em algo cortante na piscina, levantamos o pé instintivamente. Se alguém ou algo nos atrai, nos aproximamos pouco a pouco. Do mesmo modo, nos afastamos se não gostamos de uma situação ou detectamos um perigo. Tudo é movimento, portanto. E o nosso cérebro dedica muitos neurônios à realização dessa função.

Uma grande superfície dos nossos hemisférios cerebrais – especificamente o córtex motor primário e secundário – é dedicada ao controle motor. Existem núcleos neuronais (um complexo chamado estriado, situado nas profundezas do cérebro) dedicados, entre outras coisas, ao movimento planejado. Do mesmo modo, o cerebelo, que se encontra na parte posterior do encéfalo, é outra estrutura fundamental para o movimento. Também existe um subsistema completo, chamado vestibular, para garantir o equilíbrio em todos os nossos movimentos. São muitíssimos recursos, e nossa vida depende deles.

Durante as primeiras etapas do desenvolvimento, nossa espécie aprende paulatinamente a se movimentar de maneira cada vez mais sofisticada, o que significa que aprende a comandar os subsistemas envolvidos nesse movimento: o sensorial, o vestibular, o cognitivo e, obviamente, o emocional. E essa aprendizagem se realiza na infância graças às brincadeiras.

Muitas funções do sistema nervoso têm janelas temporais de neuroplasticidade, nas quais a sensibilidade é crítica e sua formação é a ideal. Por exemplo, andar e falar são tarefas aprendidas nos três primeiros anos. A alteração da plasticidade durante períodos críticos de desenvolvimento está ligada a muitos transtornos neurológicos pediátricos.

Essas janelas têm como fundamento de aprendizagem a brincadeira em todas as suas variantes. Algumas funções são fisiológicas, como o sistema nervoso vestibular, que, como explicamos, realiza dentro do cérebro a função do equilíbrio e necessita de estímulos para seu desenvolvimento, já que do contrário a mobilidade da criança não será otimizada e ela terá medo perante qualquer desafio que envolva deslocamentos em altura, velocidade, giros ou mudança posturais bruscas. Os hematomas, cortes e arranhões são, portanto, um direito das crianças na hora de aprender. E não só isso: pretender evitá-los a todo custo pode causar déficits cognitivos e emocionais para toda a vida.

Modular a agressividade e a empatia

A brincadeira deve ser a principal atividade de uma criança. É o que seu cérebro espera: brincadeiras e mais brincadeiras, sobretudo relacionadas com a atividade física, e preferivelmente ao ar livre. Pode-se brincar sozinho – e o cérebro também precisa aprender a se entediar – e, sobretudo, em companhia. Quanto mais heterogêneas forem as idades das crianças que brincam, melhor será para o desenvolvimento das relações pessoais e para a modulação da agressividade e da empatia.

Qualquer pessoa que já tenha lidado com crianças terá observado quais são suas preferências e como se divertem quando vão a um playground, para não falar dos parques de diversões. A velocidade, as voltas, a sensação de perigo causada pela altura, os desafios do equilíbrio… Tudo isso é muito atrativo para a criança, porque o que estamos fazendo é levar seu cérebro ao ambiente onde evoluímos durante milhões de anos e ao qual estamos adaptados. Faz poucos séculos que passamos a habitar as cidades, e a evolução não foi capaz de adaptar nosso organismo a viver nelas. Quando uma criança brinca ao ar livre, preferivelmente em um ambiente natural, o cérebro agradece com uma injeção de felicidade. Há riscos? Claro, isso é viver.

Por natureza, as crianças não têm excessiva consciência do passado e do futuro – vivem o momento. Sua atividade principal é brincar. E a brincadeira permitirá que nossa prole aprenda a se movimentar com destreza, a não se machucar, a avaliar as situações de maneira adequada e, quando não houver outro remédio, a ser agressivo e sobretudo a sê-lo na medida certa, respeitando dentro do possível os valores aprendidos. Nisso o ambiente familiar tem um papel fundamental.

Se for para escolher, é melhor brincar na natureza do que na praça do bairro, porque o cérebro precisa de novidade, curiosidade e investigação. A brincadeira permite que as crianças, depois de examinar seu entorno, gerem de maneira bastante eficaz um repertório de comportamentos inovadores que podem se adaptar a um nicho específico. A exploração do desconhecido, felizmente, está nos nossos genes.

Crianças com ansiedade e depressão

Durante as últimas décadas, ocorreu nas sociedades modernas – sobretudo as ocidentais – um declínio na liberdade das crianças para brincar, especialmente em brincadeiras sociais e em grupos de idade heterogênea, longe dos olhares vigilantes dos adultos. Ao mesmo tempo, ocorreu um aumento considerável dos casos de ansiedade, depressão, sentimentos de tristeza, impulsividade e narcisismo entre as crianças.

Todos nós já fomos crianças e nos divertimos com o frio na barriga quando estávamos no topo do escorregador ou subíamos pela estrutura de ferro dos balanços. Girar nos carrosséis ou se pendurar por qualquer lado, feito um macaco – afinal de conta, é isso que nós somos –, é uma evidente fonte de prazer. Qualquer conduta que teste nosso senso de equilíbrio nos atrai como um desafio. Tanto é que, durante seu desenvolvimento, as crianças experimentam os limites para se superarem pouco a pouco. Um passo a mais, um degrau a mais, uma volta a mais… O perigo lhes atrai, pois marca esses limites.

Assim, a teoria da regulação emocional através da brincadeira propõe que uma das principais funções da brincadeira entre jovens mamíferos é a aprendizagem de como regular o medo e a raiva. Em uma brincadeira com certo risco, os pequenos aprendem a enfrentar pequenas doses manejáveis de medo, sem cair em emoções negativas por muito tempo. Assim, aprendem que é possível superar a situação e posteriormente recuperar um estado emocional normal de alegria.

As análises revelam que, ao mesmo tempo em que se limita a liberdade na brincadeira, entre cinco e oito vezes mais jovens sofrem níveis clinicamente significativos de ansiedade e depressão, segundo os padrões atuais, muito maiores que nos anos cinquenta. Assim como a diminuição na liberdade de brincar com certo risco foi contínua e gradual, também foi contínuo e gradual o aumento da psicopatologia infantil. São necessários mais estudos para corroborar isto. Por exemplo, Peter Schober, da Universidade de Medicina de Graz (Áustria), afirma que crianças sedentárias, que não assumem nenhum risco, adoecem cinco vezes mais de depressão que as que se mantêm ativas.

Eles sabem quando assumir riscos

Temos uma tendência inata a subestimar as capacidades cognitivas das crianças, mas o fato é que elas sabem melhor do que nós quando estão preparadas para assumir certos riscos. Na praia, minha filha pequena sabe perfeitamente até que altura podem chegar as ondas antes que ela saia correndo para a areia. Há pouquíssimas possibilidades de que uma onda a pegue de surpresa, pois seu cérebro ativa os mecanismos para saber onde estão os limites.

É fato que as crianças podem se enganar – se enganam mesmo, e assim aprendem –, mas não costuma ser frequente. Se não, não teríamos sobrevivido como espécie. Como as crianças enfrentam desafios e riscos manejáveis, um resultado negativo leve é aceitável. E, se não, os pais podem ficar de olho, como aliás sempre devemos fazer em praias e piscinas.

Porque é muito importante saber que nem todas as crianças são iguais. O que para uma pode ser estimulante para outra pode ser traumático. Nesta diferença os pais desempenham um papel fundamental. As crianças devem escolher o risco que podem administrar. Não devemos forçá-las a lidar com riscos maiores, mesmo se soubermos que não são prejudiciais. O ponto de vista da criança é diferente. Se ela tiver medo que uma onda lhe cubra o rosto, não se deve forçá-la, por mais que saibamos que não há problema. A melhor forma de superar desafios é a que a criança escolher. E a brincadeira é o caminho que guia essas condutas.

Vale a pena dar uma olhada neste documentário que mostra como algumas comunidades promovem a brincadeira ao ar livre, a partir da aventura, para fomentar o correto desenvolvimento físico e cognitivo da criança. O documentário está em inglês.

 

 

 

Cinco dias fora dos bairros para aprender a dar um concerto

Abril 28, 2018 às 9:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Os alunos do Acorde Maior ensaiam canto e rimas ao som do piano do professor Duarte Cardoso © João Porfírio/Observador

Texto do https://observador.pt/ de 4 de abril de 2018.

Gonçalo Correia

João Porfírio

Vivem na Buraca, na Cova da Moura, no Zambujal, no Bairro da Serafina. Com o projeto Acorde Maior, passaram as férias da Páscoa a aprender música no Village Underground. Há concerto esta sexta às 17h.

João tem 9 anos e mora na Amadora. O que mais gosta de fazer é jogar futebol. Mayra tem 23, é angolana e vive no bairro de Campolide. Adora música, sobretudo hip hop português. Mingo é o mais velho. Tem 23 anos, é cabo-verdiano, mora na Buraca (Amadora) e diz que há poucas coisas que o deixem tão feliz quanto estar com crianças (fica “um pouco mais animado e mais aliviado com algumas coisas”). Os três fazem parte de um grupo de 26 jovens, a maioria dos quais carenciados, que nos últimos dias passaram umas férias da Páscoa diferentes no VillageUnderground, em Alcântara, Lisboa. E o resultado pode ser visto e ouvido esta sexta feira no VU às 17h.

O que os juntou ali foi o Acorde Maior, um novo projeto de solidariedade social que coloca estes jovens a aprender música, tocando instrumentos musicais e colaborando uns com os outros, com a orientação de três professores e formadores portugueses (Duarte Cardoso, Joana Araújo e Teresa Campos) habituados a desenvolver projetos educativos através da música. “Estão aqui jovens que nunca teriam a oportunidade de conhecer o Village Underground nesta dimensão de estarem aqui livremente, passarem aqui uma semana inteira a aprender com estes professores incríveis”, explica Mariana Duarte Silva, fundadora e gestora do espaço. “Às vezes sou capaz de estar cinco ou seis meses à procura de um patrocinador ou de um apoio para fazer um evento e acabo por receber uma resposta negativa muito em cima. Desta vez foi o contrário.”

Esta é a primeira vez que o espaço de coworking destinado a agentes das indústrias criativas — que está prestes a celebrar o quarto aniversário — acolhe um projeto de ação social para crianças e jovens. “Sempre tivemos a vontade de trabalhar mais com a comunidade aqui de Alcântara e também com outros bairros perto de nós. O Village Underground londrino já fazia isto, também. Conhecemos o José Crespo, que trabalha no Barbican Center em Londres, onde faz projetos destes. Está a tirar uma sabática em Portugal e queria fazer projetos com o Village Underground daqui”, conta Mariana Duarte Silva.

Numa conversa informal entre José e Mariana surgiu a ideia: “Porque não juntar esta minha vontade de fazer projetos com miúdos e com música com a experiência que ele tem? Juntámos as duas coisas e só faltava um apoio financeiro. Felizmente conseguimos e assim nasceu a primeira edição do Acorde Maior. Quando há um projeto com objetivos muito definidos e com participantes já com experiência comprovada, é mais fácil convencer uma marca a apoiar. E depois, como é óbvio, o conteúdo do projeto em si é só por ele nobre”, diz a responsável.

“Queremos abrir-lhes os olhos e os ouvidos”

“Entrevistámos um entrevistador”, ri-se o grupo de Mingo Furtado com entusiasmo. No segundo dia do projeto — terça-feira, 3 de abril –, uma das tarefas que Duarte Cardoso, Joana Araújo e Teresa Campos deram aos jovens que o Acorde Maior levou ao Village Underground foi passearem pelo espaço (situado no antigo museu da Carris) em grupos e recolherem imagens, sons, textos e conversas que encontrem e tenham pelo caminho. Os próprios repórteres presentes não escapam a uma entrevista — daí a primeira frase.

“Nestes primeiros dois dias estamos a testar muita coisa. A algumas eles reagiram melhor, a outras pior”, conta Joana Araújo. O objetivo é que “eles sintam que fizeram parte de uma coisa que é muito maior do que eles” (diz Duarte Cardoso), que “sintam que o que construíram nesta semana veio deles, diz-lhes alguma coisa” (refere Joana ) e que os formadores lhes consigam “estimular a criatividade para serem pessoas atentas e despertas, curiosas, que são capazes de olhar para uma pedra e ver a forma, a cor, a textura, o som. Abrir-lhes os olhos e os ouvidos e misturá-los, porque queremos que eles se conheçam uns aos outros” (diz Teresa Campos).

A abordagem que os três professores — que já se conhecem bem, já trabalharam juntos (os três fizeram aliás um mestrado em projetos educativos em Londres) e até gostavam de trabalhar mais — seguem tem muito a ver com a estimulação da criação individual. “Muito deste processo depende do que os miúdos trazem, daquilo com que eles se identificam, de coisas que nos rodeiam”, refere Teresa Campos. “Tem a ver com a abordagem do [compositor canadiano e especialista em educação musical] MurraySchafer, de trabalharmos a paisagem sonora, de termos uma abordagem pelos sentidos, de trabalharmos a audição. E para nós também é muito importante a psicogeografia, isto é, deixar que o ambiente influencie a arte que nós estamos a criar”, acrescenta Duarte Cardoso. Daí a recolha de matéria-prima (sonora, visual, textual) ao ar livre.

“Encontrei pessoas angolanas, pessoal que dança…”

Outra das tarefas que os 26 jovens tiveram de cumprir foi selecionarem (cada um deles) um excerto de cinco segundos de uma música de que gostassem. Houve quem escolhesse temas de Ana Moura, D.A.M.A. e Anjos e houve quem escolhesse canções de rap (por exemplo, de Rafa G, que faz rap crioulo).

Mayra é uma das várias jovens que gosta de hip hop. Tem 20 anos, veio de Angola para Portugal com três anos e trabalha com música numa associação do seu bairro. Quando o Observador a encontrou, estava a gostar da ideia de poder recolher sons e manipulá-los depois numa máquina chamada loopstation“A Teresa [Teresa Campos, professora] estava a usar isso e dá muito jeito para concertos, perguntei-lhe logo o nome quando ela estava a usá-lo, é mesmo interessante”, diz a fã de Slow J, Valete, NBC, Mundo Segundo e Sam the Kid, também satisfeita por ter encontrado “pessoas angolanas, pessoal que dança…”.

Enquanto João, com nove anos e a camisola do Benfica vestida, vai correndo com uma bola de futebol debaixo do braço, enquanto outros miúdos dançam e sobem e descem o skate park do Village Underground no intervalo das aulas-ensaios, Mingo, o mais velho dos membros do grupo, vai contando a sua história.

“Se eu não estivesse aqui, estaria na Academia do Johnson, onde acompanho miúdos e sou treinador. Estaria lá, a ajudar, porque temos muitos miúdos lá, uns 70”, diz ele. E acrescenta: “Gosto de estar com eles a apoiar e a ensinar um pouco daquilo que eu sei e daquilo que já passei. São lições de vida, que lhes conto para eles mais à frente não passarem ou não cometerem tantos erros como os que eu cometi. Ou, talvez, como eu vi os mais velhos cometerem.”

A academia do Johnson, que trabalha com jovens carenciados em vários bairros de Lisboa (da Cova da Moura e Boavista à Buraca, onde Mingo mora), pode estar a sentir a sua falta mas Mingo está contente com as experiências que tem tido nestas férias. “Está a ser engraçado, estamos a aprender coisas novas”, diz, acrescentando: “Quando vim para aqui, pensei que ia encontrar pessoas mais velhas mas também gosto de estar com crianças. Chego aqui e encontro um monte de crianças, é a minha área, é a área que eu gosto. Estando ao pé deles sinto-me um pouco mais animado também com algumas coisas…”

“Há aqui miúdos que dançam, há rappers, há beatboxers”

“Eles se calhar nunca vinham cá se não fosse esta semana”, desabafa Mariana Duarte Silva, enquanto vê os alunos brincarem nos seus 15 minutos de intervalo. “A única exigência, vá, que nós fizemos foi que viessem jovens da junta de freguesia de Alcântara, que vivessem aqui no nosso bairro. Acabaram por vir também jovens do projeto Aldeias de Crianças SOS.”

Os restantes alunos foram escolhidos a partir dos contactos pessoais de Mariana Duarte Silva com instituições. “Trouxe crianças do bairro do Zambujal e da Cova da Moura, onde há uma instituição chamada Ajuda-me a Ajudar que faz projetos maravilhosos. Também vieram cinco jovens do programa Escolhas, de uma instituição chamada Soma e Segue que fica aqui no bairro da Serafina e que combate o abandono escolar e convidei cinco filhos de funcionários da Carris, porque faz todo o sentido — estou aqui nas instalações da Carris, são miúdos que até já têm alguma experiência musical e fazia todo o sentido estarem neste grupo”.

Teresa Campos, uma das professoras, explica que conhecer os alunos foi um dos passos fundamentais para perceber o que de melhor podiam preparar para a apresentação pública que os alunos vão fazer na sexta-feira, às 17 horas: “Há aqui miúdos que dançam, há rappers, há beatboxers. No fundo queríamos aproveitar o que cada um tivesse — mas claro que precisamos de ter truques na manga para o caso de eles não se sentirem confortáveis a partilhar coisas com os outros”.

Misturar é preciso

Um dos desafios foi misturar jovens vindos de bairros diferentes, pô-los em contacto uns aos outros. “A maior preocupação de início, acho que é a de qualquer formador, é que o jovem se sinta integrado no grupo — não só no grupo com que veio, mas no grupo inteiro. Manter a motivação deles é um desafio, temos de nos adaptar a eles em vez de acontecer o contrário. Quando lhes começamos a dizer que vamos formar grupos e que não vão ficar com o amigo que já conhecem… nem sempre corre como nós planeamos, mas a experiência diz-nos que normalmente vai correr bem, porque eles são obrigados a falar uns com os outros, exploram o espaço e ganham com isso. Estamos sempre a tentar criar estratégias que os obriguem a misturar-se, hoje foi o segundo almoço e já vimos algumas dinâmicas novas.”

As características do espaço também moldam a forma dos professores trabalharem — e dos alunos aprenderem. O grande espaço ao ar livre existente entre o Village Underground e os portões de entrada do Museu da Carris (do qual os alunos estavam proibidos de transpor) potenciou as dinâmicas, por ser “suficientemente seguro e suficientemente ao ar livre”. Acrescenta Joana Araújo: “Quando chegámos cá foi evidente que tínhamos de fazer este tipo de trabalho [no exterior]. E quando vimos que o que eles traziam era eles mesmos — só três é que tocam instrumentos, alguns têm aulas de dança mas não têm experiência musical — mais natural nos pareceu que eles recorressem ao que tinham: os olhos, os ouvidos… estamos numa parte engraçada do processo em que eles ainda não percebem bem no que vai resultar esta recolha, estes primeiros dias”.

A seguir aos primeiros dias (onde os jovens foram ainda instados a criar uma letra e a cantar e rimar), conta Teresa Campos, virá “uma fase mais de montagem”, em que formandos e formadores vão percebendo juntos “se há materiais que nós criámos separadamente que se podem juntar, em que vamos decidir um bocado a forma [da apresentação]. Mas em cinco dias… só no último, mesmo no fim, é que há realmente uma imagem definitiva do que vai sair [na apresentação]. E quando eles apresentam estão com aquele nervoso miudinho.” Há também uma conversa com Pedro Coquenão (do projeto Batida), artista residente do Village Underground que vai trocar impressões e experiências com os alunos — e contar como é ser um músico adulto. Os mais novos, esses querem quase todos ser coisas diferentes. José, Joana, Duarte, Teresa e Mariana, só querem que esta semana não lhes saia da memória.

 

 

 

Qual a idade ideal para entrar para a escola primária?

Abril 27, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da http://visao.sapo.pt/ de 6 de maio de 2017.

HUGO RODRIGUES

PEDIATRIA

Esta é uma pergunta que muitos pais se colocam e, para a qual, existem uma série de condicionalismos que importa ter em atenção. Não é fácil encontrar uma resposta universal, que se adapte à totalidade das crianças, mas o que os estudos demonstram é que o ideal é que entrem com 6 anos já feitos e esse deve ser o princípio a seguir na maioria das situações.

Segundo a legislação portuguesa, “A matrícula no 1.º ano do 1.º ciclo do ensino básico é obrigatória para as crianças que completem 6 anos de idade até 15 de setembro. As crianças que completem os 6 anos de idade entre 16 de setembro e 31 de dezembro podem ingressar no 1.º ciclo do ensino básico se tal for requerido pelo encarregado de educação, dependendo a sua aceitação definitiva da existência de vaga nas turmas já constituídas (..)” [Despacho n.º 5048-B/2013]. Teoricamente, o que isto significa é que todos os alunos que façam anos depois de 15 de Setembro são os chamados “condicionais”, o que quer dizer que só entram para a Escola Primária em situações de excepção. No entanto, com o passar dos anos a realidade mostra exactamente o contrário, ou seja, que todos os alunos que fazem anos até 31 de Dezembro entram, salvo algumas excepções. E esta opção acaba por ser perversa, pois inverte o princípio que se encontra subjacente ao referido Despacho e também os estudos científicos que demonstram que é importante que as crianças não queimem etapas e que só avancem quando se encontram efectivamente preparadas para tal.

Posto isto, importa perceber quais são os factores que permitem perceber se a criança está preparada para ingressar na Escola Primária ou não. E eles são, basicamente, dois: a capacidade cognitiva e a maturidade.

Capacidade cognitiva

É, sem dúvida, o mais fácil de avaliar. Actualmente existem uma série de testes que permitem quantificar o Quociente de Inteligência (QI) das crianças de forma bem objectiva, pelo que não é difícil perceber se a criança tem “capacidade” ou não para acompanhar as exigências. Para além disso, com esse tipo de avaliação torna-se possível também perceber quais as áreas mais fortes e mais fracas da criança, o que ajuda a estabelecer melhor de que forma aquela criança precisa de ser estimulada.

Na prática, a maior parte das crianças ditas “condicionais” acabam por ter um QI que lhes permite, do ponto de vista cognitivo, acompanhar as outras, pelo que não costuma ser este o aspecto que mais condiciona a decisão dos pais.

Maturidade

É muito subjectiva e, como tal, não existe nenhum método muito eficaz para a avaliar. Depende de muitos aspectos que não se conseguem quantificar, pelo que é uma área onde são os pais quem melhor pode tirar conclusões. Apesar de ser possível ter uma ideia geral, nenhum profissional de saúde consegue dar uma opinião muito fundamentada em relação à maturidade de uma criança. E devia ser exactamente este o principal discriminador para decidir se a criança avança ou não…

A maturidade é algo que não se aprende, pois é “biológica”. Precisa de tempo para se desenvolver e não se adquire por imitação. Os comportamentos podem-se imitar, mas a maturidade tem que ir surgindo. E quando não está presente, as dificuldades vão-se fazer notar. Por muitas capacidades que uma criança tenha, se não tiver maturidade para entender o que se lhe ensina e o que se lhe exige, os seus resultados vão sempre ficar aquém do que ela merece e é capaz. E esta questão pode fazer a diferença entre a positiva e a negativa, como é lógico, mas pode também fazer a diferença entre um aluno ser brilhante ou “apenas” muito bom.

Assim, em jeito de conclusão, diria que a regra deveria ser que só entrariam para a Escola Primária as crianças com 6 anos já feitos. Pontualmente poderia abrir-se uma ou outra excepção, mas essa seria a decisão mais acertada para a esmagadora maioria. Não é preciso pressas, apenas respeitar o que a biologia nos diz e os estudos comprovam. Sei que haverá muita gente que discorda desta opção, mas acredito mesmo que é a mais acertada.

Todas as crianças devem ter oportunidade de usar as capacidades que têm e, para isso, precisam de maturidade e segurança. E, acredite, todas elas têm muitos anos para ser adultos, mas muito poucos para ser crianças. E atrevo-me até a dizer que é quase “criminoso” impedir que elas usufruam desses poucos anos que têm enquanto crianças…

 

Hugo Rodrigues é pediatra no hospital de Viana do Castelo e docente na Escola Superior de Tecnologias da Saúde do Porto e na Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho. Pai (muito) orgulhoso de 2 filhos, é também autor do blogue “Pediatria para Todos” e do livro “Pediatra para todos”

 

 

 

Há demasiados alunos órfãos de pais vivos

Abril 27, 2018 às 2:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Alexandre Henriques publicado no https://www.publico.pt/ de 26 de março de 2018.

Não é admissível que os pais não compareçam quando a escola os chama duas, três, cinco vezes… não é admissível que mintam nas justificações de faltas que entregam.

Professor: Estou?

Encarregado de Educação: Sim…

Professor: Boa tarde, fala o professor Alexandre Henriques, é possível falarmos um bocadinho sobre o seu filho? É que ele tem tido uns problemas disciplinares e tem faltado a algumas aulas…

Encarregado de Educação: Mas o professor não sabe que eu estou no meu local de trabalho? Acha pertinente incomodar-me no meu local de trabalho?

Professor: Eu estou a ligar para o número que a senhora deixou na escola e deve calcular que é impossível eu saber quando a senhora está disponível ou não…

Como devem imaginar, a conversa “azedou” um bocadinho e aquilo que tinha demorado três ou quatro minutos demorou mais de cinco sem nunca falarmos sobre o motivo do telefonema. A partir desse momento, todas as comunicações passaram a ser via postal, perdendo-se algo fundamental para o sucesso do aluno: a ligação entre o director de turma e o encarregado de educação.

O que me aconteceu é apenas um exemplo das mais incríveis situações que possam imaginar, desde os pais dizerem que não sabem o que fazer aos filhos, que só esperam que eles façam 18 anos, a não atenderem o telefone, tudo acontece na comunicação com alguns pais.

Não é por isso de estranhar que os professores apontem o dedo aos encarregados de educação, num inquérito realizado e que foi divulgado no PÚBLICO – cerca de 80% dos 2348 inquiridos refere como principal causa para a redução da indisciplina escolar uma maior responsabilização dos encarregados de educação.

Não vamos ignorar o que acontece frequentemente, as relações entre professores e pais são muitas vezes difíceis e demasiadas vezes inexistentes. Nas escolas, sempre que se fala em indisciplina, aponta-se o dedo aos pais e os pais, sempre que surge um problema, apontam o dedo à escola. Esta costuma ser a norma, esquecendo, as partes equacionadas até agora, que o principal visado também tem uma palavra a dizer, aliás, a última e principal palavra. Todos nós conhecemos casos de crianças/jovens de sucesso que tiveram infâncias difíceis, chamo-lhes os heróis silenciosos, pois é isso que eles são, pequenos grandes heróis, que apesar de toda a adversidade, conseguiram atingir o impensável. Não é fácil ter sucesso quando não se quer voltar para casa, não é fácil ter sucesso quando a escola é um local inóspito, de incompreensão e onde o ensino está formatado para as massas e não para o indivíduo.

É verdade que cada vez mais existem órfãos de pais vivos, os professores conhecem bem os casos de negligência e abandono parental, conhecem bem a desculpabilização excessiva em que o filho nunca é responsável e é sempre a vítima. Não é admissível que os pais não compareçam quando a escola os chama duas, três, cinco vezes… não é admissível que mintam nas justificações de faltas que entregam aos directores de turma, não é admissível que apontem o dedo sem se olharem ao espelho.

A escola, os professores, também precisa de melhorar algumas abordagens. O professor não pode ser apenas o mensageiro da desgraça, o professor também deve contactar os pais para elogiar a evolução, a mudança de atitude. Já sei que os professores vão dizer que não têm tempo e infelizmente é a mais pura das verdades, mas, para certos casos, mais vale “perder” cinco minutos e recuperar a confiança da família na escola, recuperando, ao mesmo tempo, a própria relação familiar. Sim, o professor também tem esse poder…

Lembro-me de uma colega que partilhou comigo a experiência dos seus alunos terem feito uma apresentação numa reunião com os pais. Em situações normais, tal seria restrito à turma, era a sua avaliação… mas, por que não com os pais? Que melhor forma de verem o trabalho que os seus filhos fazem e ligarem-se à escola através de algo positivo.

Existem excelentes pais e os professores reconhecem isso, provavelmente os pais que lerem estas linhas fazem parte desse grupo e não devem, por isso, sentir como suas as acusações que aqui são feitas. Faço um mea culpa e digo que a escola devia apoiar mais os seus filhos, pois a verdade é que a escola não gasta um terço da sua energia em tornar um aluno mediano num bom aluno ou um bom aluno num aluno excelente. O foco está sempre no pior e não é justo, não é justo para os bons alunos, não é justo para os bons pais.

Para os casos problemáticos é preciso uma maior responsabilização dos encarregados de educação, o desafio está no aluno, mas o desafio maior está na família, está na própria sociedade. Os pais precisam de assumir na plenitude o título que carregam – são encarregados de educação, é essa a sua prioridade, é essa a sua função!

Quanto aos professores, compreendo a frustração e revolta de se sentirem com o “menino nas mãos”, de se sentirem impotentes por verem, do outro lado, o que nunca devia acontecer. Cabe-lhes manter a perseverança e acreditar que é possível mudar erros passados, estabelecer pontes que potenciem o sucesso dos seus alunos e continuarem a ser aquilo que hoje são, muito mais do que professores…

Professor, pai e autor do Blogue ComRegras

 

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