Unicef: sem mais ação, 80 adolescentes morrerão com HIV todos os dias até 2030

Janeiro 4, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia da Onu News de 29 de novembro de 2018.

Fundo pede mais programas de tratamento e prevenção; novas infeções cairão para metade entre crianças, mas diminuirão apenas em 29% entre os adolescentes; cerca de 700 adolescentes são infetados com HIV todos os dias.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, estima que cerca de 80 adolescentes morrerão de Aids, ou Sida, todos os dias, até 2030.

O Unicef apela, por isso, a um aumento urgente dos programas de tratamento e prevenção entre adolescentes, uma vez que os dados mostram uma redução lenta das infeções pelo HIV e mortes relacionadas com a Sida.

Novas Infeções

Em relatório divulgado esta quinta-feira, o Fundo adianta que cerca de 360 mil adolescentes morrerão de doenças relacionadas com a Aids entre 2018 e 2030.

Isto caso não haja investimento adicional em programas de prevenção, testes e tratamento.

O relatório “Crianças, HIV e Aids: O mundo em 2030” tem como base as atuais projeções populacionais e estima que o número de crianças até aos 19 anos com novas infeções atingirá cerca de 270 mil crianças até ao final da década de 30. É uma quebra de um terço em relação às últimas estimativas.

No entanto, o Unicef considera que a trajetória de queda é muito lenta, principalmente entre os adolescentes.

De acordo com o relatório, até 2030, o número de novas infeções por entre crianças na primeira década de vida será reduzido para metade, enquanto que entre adolescentes dos 10 aos 19 anos só diminuirá em 29%.

Mais Programas

O Fundo prevê que as mortes relacionadas com Aids diminuam em 57% nas crianças com menos de 14 anos, em comparação com uma redução de 35% nas pessoas com idades entre os 15 e os 19 anos.

A diretora executiva do Unicef, Henrietta Fore, afirmou que “o relatório deixa claro que o mundo ainda não está no caminho certo para acabar com a Aids entre crianças e adolescentes até 2030″, por isso, admite que os “programas para prevenir a transmissão do HIV de mães para bebés estão a valer a pena, mas não foram longe o suficiente, enquanto programas para tratar o vírus e impedir que ele se espalhe entre crianças mais velhas estão muito aquém do que deveriam.”

África

O Unicef estima que cerca de 700 adolescentes entre 10 e 19 anos são infetados com HIV todos os dias, ou seja, um a cada dois minutos.

Ainda segundo o relatório, 1,9 milhão de crianças e adolescentes ainda estarão vivendo com o vírus em 2030, principalmente na África Oriental e Meridional, seguido pela África Central e Ocidental e América Latina e Caribe.

Atualmente, 3 milhões de crianças e adolescentes vivem com o HIV em todo o mundo, mais da metade deles na África Oriental e Austral.

Diagnóstico

O relatório aponta para duas grandes falhas na resposta para crianças e adolescentes: o progresso lento na prevenção entre crianças pequenas e o fracasso em lidar com os fatores estruturais e comportamentais da epidemia.

Muitas crianças e adolescentes não sabem se têm ou não o vírus, e entre aqueles que foram diagnosticados, poucos aderem ao tratamento.

Para abordar essas lacunas persistentes, o relatório recomenda uma série de abordagens, apoiadas pelo Unicef, incluindo testes centrados na família para ajudar a identificar e tratar crianças, mais tecnologias de diagnóstico, maior uso de plataformas digitais para melhorar o conhecimento entre adolescentes, entre outras.

descarregar PDF –  Children and AIDS: The world in 2030

Site –  Children, HIV and AIDS: The world today and in 2030

 

 

OIT: o trabalho infantil “tem que acabar”

Novembro 23, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 14 de novembro de 2018.

Diretor do Escritório da agência em Nova Iorque diz que não é possível que um mundo com avanços econômicos e conhecimento tecnológico ainda precise da prática; mundo tem 152 milhões de crianças vítimas desta prática.

Quase metade destas crianças estão envolvidas em atividades perigosas e têm entre cinco e 11 anos. Entre estes menores, 64 milhões são meninas e 88 milhões meninos.

Triste realidade

Falando à ONU News, o diretor do Escritório da Organização Internacional do Trabalho em Nova Iorque, Vinicius Pinheiro, disse que é impossível que num mundo com avanços econômicos e tecnológicos ainda haja trabalho infantil.

“Para você ter uma ideia, há 100 anos houve uma convenção da OIT onde se teve um acordo que o trabalho infantil seria eliminado. Após 100 anos, com todo o crescimento econômico que nós tivemos, você ainda tem esta triste realidade de 152 milhões de crianças que deveriam estar na escola, se preparando para o futuro, mas que são restringidas deste direito para participar em atividades. São atividades criminosas, como em casos relacionados à exploração sexual, e outras como crianças-soldado em guerras, que são diferentes formas de exploração que têm que acabar.”

Trabalho Infantil

O “trabalho infantil”, de acordo com a OIT, é com frequência definido como uma atividade que priva crianças da sua infância, do potencial e da dignidade delas. É também uma prática que pode prejudicar o corpo e o desenvolvimento mental das vítimas.

De acordo com a agência, a escravidão ou práticas semelhantes estao entre as piores formas de trabalho infantil que incluem ainda a venda ou o tráfico de crianças e o recrutamento forçado de menores para atuarem em conflitos armados.

Prostituição infantil

A prostituição infantil, o uso de crianças para atividades ilegais como o tráfico de drogas e o envolvimento de menores em trabalhos que possam prejudicar a saúde, a segurança e o moral também constam na Convenção da OIT.

Dados da agência indicam que quase metade dos casos de trabalho infantil, mais de 72 milhões, acontece na África. No continente, uma em cada cinco crianças é vítima da prática.

A região da Ásia e Pacífico tem mais de 62 milhões de crianças envolvidas no trabalho infantil e as Américas têm quase 11 milhões.

A maior concentração de trabalho infantil em geral, 71%, está na agricultura, com 17% em serviços e 12% no setor industrial.

 

 

Metade das pessoas que vivem na pobreza tem menos de 18 anos

Outubro 15, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 20 de setembro de 2018.

Índice  revela que 662 milhões de crianças vivem em situação de pobreza; Timor-Leste, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe são os países lusófonos com maior incidência de pobreza; maioria dos carenciados vive em zonas rurais.

Metade da população que vive em situação de pobreza é menor de idade. A conclusão é do Índice Multidmensional de Pobreza do Programa da ONU para o Desenvolvimento, Pnud, e da Iniciativa de Oxford para a Pobreza e Desenvolvimento Humano, Ophi.

Os dados mostram que nos 104 países de baixa e média rendas analisados, 662 milhões de crianças são pobres. Em cada 35 destes países, metade da população infantil vive em situação de pobreza.

Para além do rendimento, este Índice considera também outras dimensões como a saúde, a educação, a nutrição, o acesso a saneamento e a água potável, para aferir o grau de pobreza. Aqueles que estão privados de três destes critérios são considerados pobres.

No total,  há 1,3 mil milhões de pessoas que vivem em situação de pobreza, sendo que destes 46% vivem mesmo em pobreza extrema.

Para o administrador do Pnud, Achim Steiner, há ainda muito a ser feito mas a evolução tem sido positiva. Na Índia, por exemplo, 271 milhões de pessoas saíram da pobreza 2005/06 e 2015/16.

CUT 1 – Administrador do Pnud, Achim Steiner

Segundo Steiner, “milhões de pessoas escaparam da pobreza devido a políticas e programas deliberadamente concebidos que permitiram que os países fizessem coisas extraordinárias.” Por isso, o Pnud “pretende criar uma rede global de aprendizagem que permita a outros países extrair rapidamente essas lições.”

Lusófonos

Timor-Leste regista a maior percentagem de pessoas em situação de pobreza: 26%, seguido por São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau. Já Angola e Moçambique apresentam uma taxa de 16% e 14%, respetivamente.

Outras regiões

A pobreza em afeta todas as regiões em desenvolvimento do globo mas é mais acentuada na África Subsariana e no sul da Ásia.

Os dados revelam também que a maioria que vive na 1,1 mil milhão vive em zonas rurais, onde a taxa de pobreza é quatro vezes mais alta do que nas cidades.

Mais notícias na notícia:

Half of world’s poor are children

 

Unicef avisa que eventos climáticos extremos colocam crianças em risco

Outubro 3, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 31 de agosto de 2018.

Agência da ONU acredita que recordes de temperatura, cheias e secas oferecem visão austera do mundo que espera as gerações futuras; América Central e Caribe já se preparam para temporada de furacões.

O grande número de eventos climáticos extremos, como cheias na Índia, incêndios florestais nos Estados Unidos e ondas de calor, em todo o Hemisfério Norte, colocam as crianças em risco iminente e arriscam os seus futuros. O alerta é do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef.

O diretor de programas da agência, Ted Chaiban, disse que “as crianças estão entre as mais vulneráveis em qualquer crise e os eventos climáticos extremos não são exceção. ”

Crises

Segundo Chaiban, “nos últimos meses, tem se visto uma visão austera do mundo que está a ser criado para as gerações futuras.”

O especialista acredita que “estes eventos aumentam o número de emergências e crises humanitárias e serão as crianças a pagar o preço mais alto.”

Os meses de junho e julho registraram recorde de temperaturas em grande parte do Hemisfério Norte. A Organização Mundial de Meteorologia, OMM, afirmou que os primeiros seis meses do ano foram os mais quentes desse o início dos registros de temperatura.

Grandes partes do globo sofreram ondas de calor, secas, incêndios florestais, inundações e deslizamentos de terra, resultando em ferimentos e perda de vidas, danos ambientais e perdas econômicas.

Neste momento, os países da América Central e do Caribe preparam-se para a temporada de furacões, enquanto se recuperam da época do ano passado, que provocou um recorde de prejuízos.

Desafios

O Unicef explica que, embora estes eventos não possam ser especificamente atribuídos à mudança climática, estão de acordo com as previsões de como as atividades humanas afetam o clima em todo o mundo.

A agência diz que estes desastres causam morte e devastação, mas também fazem aumentar problemas que matam muitas crianças, como desnutrição, malária e diarreia.

Chiaban afirma que “é vital que os governos e a comunidade internacional tomem passos concretos para proteger o futuro das crianças e os seus direitos”. Segundo ele, “os piores efeitos da mudança climática não são inevitáveis, mas o tempo para agir é agora.”

Consequências

Em relação à temperatura, o Unicef explica que as crianças com menos de 12 meses são mais vulneráveis. Bebés e crianças pequenas não têm capacidade de controlar a sua temperatura corporal ou o ambiente à sua volta. Temperaturas altas também aumentam a necessidade de água potável, e em muitos casos torna esse recurso mais escasso devido à evaporação.

Quanto às cheias, além dos riscos de ferimentos e afogamento, afetam o fornecimento de água e as condições sanitárias, aumentando o risco de diarreia e outras doenças, e dificultando o acesso das crianças à escola.

Por fim, as secas têm vários efeitos nas famílias e comunidades mais pobres. As colheitas falham e o gado morre, causando insegurança alimentar e um aumento do preço dos alimentos em todo o mundo.

Segundo o Unicef, estes problemas aumentam a desordem social e as migrações, e as crianças estão entre as mais vulneráveis aos seus efeitos.

 

Qual é a prevalência do bullying na escola?

Abril 18, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto do Facebook da OECD Education and Skills

Nearly 19% of students in OECD countries have experienced some form of bullying at school, and nearly 4% said they are hit or pushed at least a couple times per month.

Learn more about the prevalence of bullying and how it can impact academic performance ➡https://bit.ly/2uHsfw3

 

Mais de 150 milhões de meninas em risco de casamento forçado até 2030 – UNICEF

Março 25, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.destak.pt/ de 6 de março de 2018.

Mais de 150 milhões de meninas correm o risco de ser submetidas a casamentos forçados até 2030, se não se acelerarem os progressos em algumas regiões do mundo, alertou hoje a UNICEF.

Em comunicado, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) referiu que, no ano passado, cerca de 25 milhões de casamentos infantis foram impedidos em todo o mundo, salientando que apesar da “redução significativa” de 15% na última década, esta é uma realidade que afeta ainda 12 milhões de meninas por ano.

“Dado o forte impacto que o casamento infantil pode ter na vida de uma menina, recebemos qualquer redução como uma boa notícia, mas ainda temos um longo caminho por percorrer”, declarou a assessora principal da UNICEF em matéria de género, Anju Malhotra.

Destak/Lusa

Infografia completa da Unicef:

https://www.unicef.org/protection/57929_child-marriage-infographic.html

Comunicado de imprensa da Unicef Portugal

25 milhões de casamentos infantis impedidos na última década devido a rápidos  progressos, de acordo com novas estimativas da UNICEF

 

Um milhão de crianças por ano morrem no dia em que nascem

Março 12, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da https://www.tsf.pt/ de 20 de fevereiro de 2018.

Nuno Guedes

UNICEF lança apelo mundial para resolver problema com décadas que podia ter mas não tem solução à vista.

Dois milhões e 600 mil bebés morrem por ano antes de completarem o primeiro mês de vida, entre eles um milhão que morrem no mesmo dia em que nascem. A conta é avançada pela UNICEF, a agência das Nações Unidas que olha para a defesa dos direitos das crianças e lança agora um apelo aos governos para que resolvam um problema que tem diminuído pouco nas últimas décadas.

O relatório que suporta o apelo da Unicef revela que vários países de língua oficial portuguesa estão no topo da lista negra da morte de recém-nascidos. Portugal volta a surgir na lista de países com menos mortalidade neonatal, mais precisamente o 17º numa lista com 184 países. Em Portugal, 1 criança entre 476 falece antes de completar um mês de vida.

Guiné-Bissau, Angola e Moçambique na lista negra

No outro extremo, a Guiné-Bissau é o 6º país do mundo com mais mortalidade antes de se completar um mês de vida: 1 em cada 26 crianças. Angola é o 19º (1 em 34), Moçambique o 24º (1 em 37) e Timor-Leste o 47º (1 em 46).

Melhor classificado está Cabo Verde com 1 morte por cada 98 crianças (93º lugar no ranking). No relatório da UNICEF que serve para lançar um apelo ao Mundo, a agência da ONU sublinha que “todas as vidas contam e é urgente pôr fim à morte de recém-nascidos” pois “o número global de mortes de recém-nascidos continua a ser extremamente elevado, sobretudo nos países mais pobres do mundo”.

“O Mundo está a falhar com os recém-nascidos”

O relatório revela que mais de 80 por cento das mortes entre recém-nascidos devem-se à prematuridade, complicações durante o parto ou infeções como a pneumonia e septicemia, casos que “podem ser evitados através do acesso a parteiras com formação adequada, juntamente com soluções com eficácia comprovada, como água limpa, desinfetantes, a amamentação durante a primeira hora de vida do bebé, contacto pele-a-pele e uma boa alimentação”.

A UNICEF defende que “o Mundo está a falhar para com os recém-nascidos” e acrescenta que “os bebés que nascem nos países mais desfavorecidos têm uma probabilidade de morrer no primeiro mês de vida 50 vezes maior que os outros bebés”.

Os bebés nascidos no Japão, na Islândia e em Singapura têm as melhores probabilidades de sobrevivência, enquanto que os que nascem no Paquistão, na República Centro-Africana e no Afeganistão estão na posição inversa.

mais informações:

http://www.unicef.pt/Relatorio-Todas-as-vidas-contam/

http://www.unicef.pt/18/site_pr_unicef_o_mundo_esta_a_falhar_p_c_recem-nascidos_2018_02_20.pdf

Quando ir à escola é um risco, a UNICEF responde com soluções criativas

Novembro 20, 2017 às 4:59 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Estudantes cingalesas a caminho da escola. Pelo caminho, têm de atravesar uma tábua colocada sobre a muralha do Forte de Galle (séc. XVI), na costa sudoeste do Sri Lanka
Vivek Prakash / Reuters

Notícia do http://expresso.sapo.pt/ de 20 de novembro de 2017.

Margarida Mota

Uma ponte partida, um rio revolto, já para não falar em situações de guerra, são obstáculos suficientemente fortes para demover as crianças de irem à escola. No Dia Universal dos Direitos da Criança – a educação é um deles –, que se assinala esta segunda-feira, a UNICEF revela ao Expresso alguns projetos em curso para contornar essas armadilhas.

r à escola é, para milhões de crianças em todo o mundo, um verdadeiro desafio à sobrevivência. Faz-se, muitas vezes, através de pontes esburacadas, de rios com a água pelos joelhos ou por trilhos montanhosos ladeados por escarpas íngremes.

“A UNICEF trabalha com parceiros no terreno para garantir escolas e percursos seguros”, diz ao Expresso Lisa Bender, especialista na área de Educação em Situações de Emergência da UNICEF. “Há cada vez mais soluções inovadoras ao serviço de uma educação de qualidade.”

Em Madagáscar, por exemplo, esta agência das Nações Unidas, que trabalha em defesa dos direitos das crianças, forneceu bicicletas e canoas a adolescentes do sexo feminino que vivem em zonas rurais e para quem a lida da casa é prioritária em relação aos estudos. Para muitas meninas, as horas do dia não chegam para tudo o que têm em mãos. Com um recurso tão simples como uma bicicleta, vão e vêm da escola muito mais rapidamente, deixam de chegar atrasadas a todo o lado e, o mais importante, não abandonam a escola tão facilmente.

Um outro projeto da UNICEF está a ser concretizado no Bangladesh, onde os rios são um problema, sobretudo nos meses das monções, época em que os caudais sobem metros, tudo fica inundado, aldeias ficam isoladas e escolas são forçadas a fechar.

Através de uma ONG local, a Shidhulai Swanirvar Sangstha, a UNICEF apoia a manutenção de uma frota de “navios-escola”, reconstruídos a partir das tradicionais embarcações “noka”. Com telhados à prova de chuvas intensas, estão equipados com painéis solares, o que permite a utilização de computadores nas aulas. Há também barcos-biblioteca, outros para formação de adultos e clínicas flutuantes que se deslocam para zonas remotas.

Combater o Boko Haram… com a rádio

“A UNICEF está também a explorar, cada vez mais, de que forma a tecnologia pode trazer conhecimento a comunidades remotas”, acrescenta Lisa Bender. Até lá, o recurso a velhas tecnologias tem-se revelado eficaz. “A rádio pode desempenhar um papel-chave em tempos de crise. Durante o surto de ébola, na África Ocidental, a UNICEF e parceiros no terreno usaram o rádio para dar aulas a crianças nas áreas afetadas”, diz a especialista da organização da ONU.

“Estes esforços continuam em países como a Nigéria, onde a crise provocada pelo [grupo islamita] Boko Haram está a ter um impacto prejudicial no acesso das crianças à escolaridade.” (“Boko”, em língua hausa, significa algo como educação ocidental secular, ou seja não-islâmica, e “haram”, em árabe, significa “proibido”.)

Muito do trabalho da UNICEF no terreno apoia-se em parceiros locais, conhecedores do meio, das sensibilidades sociais e culturais e das necessidades. “A educação é um direito humano fundamental e um requisito muito importante para o desenvolvimento não só individual das crianças mas das sociedades e economias como um todo”, recorda Lisa Bender. “Temos de encontrar formas de tornar a educação disponível.”

A UNICEF está atenta também às zonas em guerra. Segundo um relatório da organização de setembro passado, em 2015, havia 27 milhões de crianças sem escola em regiões afetadas por conflitos, declarados ou latentes. É o caso do território palestiniano da Cisjordânia, onde a ocupação israelita faz-se (também) através de postos de controlo, o que obriga muitas crianças a cruzarem-se, diariamente, com militares e armas a caminho da escola.

A pensar no stresse provocado por situações do género, a UNICEF apoia um projeto de percursos acompanhados, na zona H2 de Hebron (Cisjordânia) –área sob controlo militar de Israel, onde vivem 500 colonos judeus entre 30 mil palestinianos. Em parceria com o Programa de Acompanhamento Ecuménico na Palestina e pelas Equipas Pacificadoras Cristãs, este programa passa por colocar voluntários internacionais a acompanhar grupos de crianças no seu caminho para a escola. Estes adultos transmitem confiança e segurança às crianças, induzem os militares israelitas a fazerem controlos mais céleres nos checkpoints e dissuadem o assédio e atos de violência por parte dos colonos. A sua presença encoraja as crianças a não abandonarem a escola.

Uma instituição beneficiada por este projeto é a Escola de Cordoba, junto aos colonatos de Beit Hadassah e de Beit Romano. No passado, foi várias vezes vandalizada por colonos, o que levou à colocação de arame farpado em redor de parte da escola.

“A falta de acessos seguros para as crianças irem à escola pode ser um grande obstáculo para que, em especial as meninas, recebam educação”, conclui Lisa Bender. “É por esta razão que escolas comunitárias, como as que temos no Afeganistão, podem verdadeiramente ajudar a derrubar estes obstáculos e dar às crianças a possibilidade de irem à escola num ambiente seguro. Estas escolas comunitárias não só incentivam as meninas a matricularem-se, como contribuem para melhorar resultados e aprendizagem.”

mais fotos no link:

http://expresso.sapo.pt/internacional/2017-11-20-Quando-ir-a-escola-e-um-risco-a-UNICEF-responde-com-solucoes-criativas

 

 

 

 

“Crise educativa”. Seis em cada dez crianças não estão a atingir níveis básicos de proficiência

Outubro 14, 2017 às 6:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://expresso.sapo.pt/ de 27 de setembro de 2017.

Joana Azevedo Viana

Relatório da ONU revela resultados “assombrosos de estudo global do Instituto de Estatísticas da UNESCO, que apurou que mais de 600 milhões de crianças em idade escolar não têm conhecimentos básicos de matemática nem de leitura

Seis em cada dez crianças e adolescentes de todo o mundo não estão a conseguir alcançar níveis básicos de proficiência na aprendizagem escolar, aponta a ONU num relatório divulgado esta quarta-feira no qual classifica os resultados do estudo do Instituto de Estatísticas da UNESCO como “assombrosos”, num sinal de que estamos a viver uma “crise de aprendizagem” a nível global. O foco da ajuda humanitária internacional para a Educação tem incidido sobre a falta de acesso a escolas, em particular em países pobres da África subsariana e em zonas de conflito. Mas de acordo com a nova investigação, a ausência de qualidade nas escolas não é exclusiva dessas regiões, havendo neste momento mais de 600 milhões de crianças em idade escolar em todo o mundo que não têm conhecimentos básicos de matemática nem de leitura.

O caso da África subsariana, onde existem mais entraves à educação, é o mais gritante, com 88% das crianças e adolescentes a caminho da idade adulta sem saberem ler convenientemente. No sudeste asiático, o número de crianças sem níveis adequados de literacia ronda os 81%. Na América do Norte e na Europa, que concentram alguns dos países mais desenvolvidos do mundo, apenas 14% de crianças e adolescentes concluem os estudos num nível tão baixo — mas de acordo com a investigação, só 10% do total de crianças em idade escolar de todo o mundo é que vivem nesses países.

“Muitas destas crianças não estão escondidas ou isoladas dos seus governos e das suas comunidades, pelo contrário estão sentadas em salas de aula”, refere Silvia Montoya, diretora do Instituto de Estatísticas da UNESCO. As conclusões do estudo, acrescenta, são “uma chamada de atenção para que haja maior investimento na qualidade da educação”, já que as ambições de progresso social e económico serão asfixiadas por estes níveis de iliteracia.

Este problema de “ir à escola e não aprender” já tinha sido igualmente referido num relatório divulgado esta semana pelo Banco Mundial, no qual a instituição alerta que há milhões de crianças e jovens em países de rendimentos médios e baixos que não estão a receber educação adequada, o que a médio e longo prazo vai remetê-las para empregos mal pagos e insegurança profissional.

Ao apresentar o relatório, o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, não se poupou a críticas, dizendo que estes falhanços educativos representam uma “crise moral e económica” que precisa de respostas urgentes. No documento, os investigadores avisam em particular que, depois de vários na escola, os alunos do Quénia, Tanzânia, Uganda e Nicarágua não sabem fazer simples contas de somar nem ler frases simples.

No Japão há 99% de crianças com níveis básicos de proficiência na escola primária, mas apenas 7% no Mali, o que apesar de tudo denota algumas diferenças na aprendizagem consoante a concentração de riqueza dos países onde crescem. Outro ponto sublinhado é que parece haver um fosso ainda maior entre as crianças de famílias ricas e de famílias pobres — assim demonstra o exemplo dos Camarões, onde apenas 5% das raparigas de famílias mais pobres saem da escola primária preparadas para continuarem os estudos, contra 76% das raparigas oriundas de famílias ricas.

Quais as causas?

Na sua investigação, o Banco Mundial tentou examinar os fatores que contribuem para tão fracas conquistas a nível da aprendizagem escolar e o dinheiro desempenha um papel importante. Nos países mais pobres do mundo, as crianças entram na primeira classe sem condições de aprenderem por causa da má-nutrição e de outros problemas de saúde, a par da pobreza e deprivação de bens básicos. A par disso, a instituição revela-se preocupada com a qualidade do ensino, sublinhando que muitos professores não são, eles próprios, particularmente proficientes. Nalguns países da África subsariana, há ainda um problema endémico de falta de assiduidade dos professores, em grande parte ligado ao facto de não receberem salários regulares pelo seu trabalho.

Para Paul Romer, economista chefe do Banco Mundial, é preciso honestidade ao lidar com o facto de que, apesar de muitas crianças poderem ir à escola, isso não significa que elas estejam a aprender o bê-a-bá. O progresso, referiu ao apresentar o relatório, vai depender de reconhecer que “estes factos sobre a educação revelam uma verdade dolorosa” sobre o estado do ensino a nível global. Entre outros problemas, é apontado no documento que não há escrutínio suficiente dos padrões educativos e que existe ausência de informações básicas sobre as conquistas de cada aluno ao longo do seu percurso académico.

Apesar de nos países ocidentais o debate público estar focado há vários anos no excesso de testes e exames a que as crianças são submetidas, o Banco Mundial refere que, nas nações mais pobres do mundo, há “muito poucos medidores de aprendizagem e não demasiados”. A contrariar a tendência global, surgem casos positivos em que foram alcançados grandes progressos educativos, como na Coreia do Sul e no Vietname.

A apresentação destes relatórios surge uma semana depois de vários Estados-membros da ONU se terem comprometido com um maior investimento na educação global durante a assembleia-geral que esteve a decorrer na semana passada em Nova Iorque. “Decidi transformar a educação na prioridade de topo do desenvolvimento e da política externa de França”, anunciou na altura o Presidente Emmanuel Macron. A par dele, também Gordon Brown, antigo primeiro-ministro britânico que é o atual enviado da ONU para a Educação, anunciou que tem como principal objetivo nesse cargo conseguir que a Parceria Global para a Educação consiga angariar pelo menos dois mil milhões de dólares (cerca de 1,7 mil milhões de euros) até 2020, fundos esses que serão canalizados para projetos educativos em todo o mundo.

A União Europeia, por sua vez, anunciou que vai alocar 8% do seu orçamento de ajuda humanitária para esta área — e que, através da Education Above All Foundation, da UNICEF e de outras organizações de caridade, vai investir 60 milhões de dólares extra (quase 51 milhões de euros) em projetos educativos para as crianças sírias que estão impedidas de ir à escola por causa da guerra civil que estalou no país em março de 2011 e que continua sem fim à vista.

Os documentos citados na notícia são os seguintes;

More Than One-Half of Children and Adolescents Are Not Learning Worldwide

World Development Report 2018: Learning to Realize Education’s Promise

 

 

Jovens obesos ultrapassarão os mal nutridos em 2022

Outubro 11, 2017 às 7:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.dn.pt/ de 11 de outubro de 2017.

Actividade física regular é uma das formas de combater a obesidade

Filomena Naves

Estudo prevê população infantil global maioritariamente obesa dentro de quatro anos. Para a OMS trata-se de “uma crise de saúde global”, a exigir políticas dirigidas ao problema

Hoje há dez vezes mais crianças e adolescentes obesos em todo o mundo do que há 40 anos e se a tendência de crescimento das últimas décadas se mantiver, em 2022, ou seja, dentro de apenas quatro anos, o número de jovens obesos tornar-se-á pela primeira vez superior ao dos que não têm peso suficiente por mal nutrição. A previsão é de um estudo do Imperial College de Londres e da Organização Mundial da Saúde (OMS), que foi publicado ontem, véspera do Dia Mundial da Obesidade que hoje se assinala, na revista The Lancet.

O trabalho, que passou em revista e coligiu ao longo de quatro décadas, entre 1975 e 2016, os dados do peso, altura e índice de massa corporal de mais de 130 milhões de pessoas com mais de cinco anos – 31,5 milhões entre os 5 e os 19 anos, e 97,4 milhões com mais de 20 anos -, é o maior estudo epidemiológico alguma vez realizado, segundo os seus autores, e mostra que a tendência para aumento de número de jovens obesos ganhou maior velocidade desde 2000. Em 1975, um por cento das crianças e jovens a nível mundial tinham peso em excesso, ao passo que em 2016 esse percentagem já chegava aos 8%.

“Esta tendência preocupante, que está igualmente em curso em países de médios e baixos recursos, reflete o impacto do marketing alimentar e das políticas que tornam os alimentos saudáveis e nutritivos demasiado caros para as famílias e as comunidades pobres”, afirma Majid Ezzati, da Escola de Saúde Pública do Imperial College, que coordenou a investigação. Por isso, sublinha o especialista, “esta é uma geração de crianças e adolescentes ao mesmo tempo obesos e mal nutridos”, pelo que alerta para a urgência de se “encontrarem formas de tornar acessíveis a estas famílias e comunidades, incluindo nas escolas, os alimentos saudáveis e nutritivos, especialmente nas comunidades pobres”. Outra medida essencial para combater o problema “é criar leis e taxas para proteger os mais novos de alimentos pouco saudáveis”, diz o coordenador do estudo.

Em 2016, último ano a que se reporta a avaliação, o número de crianças e adolescentes no mundo com peso insuficiente por deficiências alimentares era superior ao dos obesos e com excesso de peso (192 milhões no primeiro caso, 112 milhões no segundo), mas com a atual tendência de crescimento da população obesa a manter-se, nomeadamente nos países do Leste da Ásia, da América Latina e da Caraíbas, esses valores vão inverter-se no espaço dos próximos quatro, asseguram os autores do estudo.

“Esta é uma crise de saúde global”, garante Fiona Bull, que coordena na OMS o programa de vigilância e prevenção de doenças de notificação não obrigatória, notando que a situação “se agravará nos próximos anos, se não se tomarem medidas drásticas”.

A OMS já iniciou o combate contra a obesidade infantil, com a recomendação de políticas nesse sentido, e um plano cujas orientações serão hoje publicadas. Promover a redução drástica do consumo dos alimentos baratos e ultraprocessados e altos teores de calorias e gorduras, e favorecer a atividade física e os desportos são duas dessas orientações.

News release da WHO, gráficos e estudo mencionado na notícia:

Tenfold increase in childhood and adolescent obesity in four decades: new study by Imperial College London and WHO

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