“O meu agressor anda comigo no bolso”

Março 20, 2017 às 2:20 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Texto do http://observador.pt/ de 18 de março de 2017.

Ana França

As ofensas, o gozo, os e-mails difamatórios, as fotografias tiradas no balneário. Na era da internet, o bullying é uma nódoa negra permanente. Nada se esquece e tudo se partilha.

Já não é só das nove às cinco. É todo o dia e toda a noite, e acontece dentro de um objeto que transportamos para todo o lado. “O meu agressor anda comigo no bolso”, ouviu Rosário Carmona, psicóloga que acompanha crianças e jovens vítimas de abuso, um dia, no seu gabinete. O bullying é um fenómeno que existe em todas as escolas do mundo e desdobrou-se, com a chegada da internet , no cyberbullying. O gozo, a ofensa, a violência psicológica, as críticas, as ameaças e a chantagem acontecem 24 horas por dia, sete dias por semana, no ecrã de um telemóvel do qual os jovens estão cada vez mais dependentes. O cordão que os liga ao mundo onde estão os seus agressores serve também como principal escape a essa agressão.

As marcas não desaparecem nunca, porque da internet nada desaparece nunca. O direito ao esquecimento é fundamental para quem sofre de cyberbullying, já foi aprovado por todos os países da Europa, mas é preciso que o caso chegue a tribunal. A lei, em Portugal, já considera o bullying e o cyberbullying como crimes, puníveis com pena de prisão até cinco anos quando o agressor é maior de 16 anos.

O principal risco para as crianças é que os pais e os educadores por vezes relativizam este tipo de violência como uma coisa banal, como só mais uma parte de se ser adolescente. Só que o bullying acontece nas idades que nos definem, naquela altura em que ter muitos amigos, ser convidado para festas de aniversário, ou ser escolhido em primeiro lugar para as equipas na aula de Educação Física são as batalhas mais importantes do mundo. O bullying não é apenas gozar com miúdo que é mais baixo que os colegas de turma. É um ataque sistemático e premeditado a alguém que vai deixando de acreditar, à medida que lhe espezinham a auto-estima, que é digno de amor e respeito no futuro.

O bullying é um problema sério, com uma influência direta e documentada nas tendências suicidas dos jovens de todo o mundo. Em Portugal este fenómeno ainda não está bem estudado, até porque os pais e os educadores precisam de mais formação para identificarem os alertas nas crianças e para estarem atentos ao que se passa dentro dos computadores e dos telemóveis. “É essencial que os professores e os pais entendam que aquele miúdo mais calado ao fundo da sala, que chega a casa com dores de cabeça e dores de barriga pode não ser apenas uma criança tímida mas sim uma criança que já não comunica com medo de ser gozada”, defende, numa entrevista ao Observador, Rosário Carmona. A psicóloga será uma das oradoras no debate “Novas tecnologias: Uso ou abuso?” que acontece este sábado, em Aveiro, organizado pelo SIPE – Sindicato Independente de Professores e Educadores.

Na semana passada, o caso da adolescente de Ponte de Lima que fugiu de casa cinco dias para se ir encontrar com um rapaz de 24 anos que já tinham sido identificado pela Polícia Judiciária como alguém “com perfil de predador online”, voltou a colocar a questão da segurança dos jovens no meio digital em primeiro plano. Infelizmente, já nem é possível contar os casos de homens — e algumas mulheres — que fingem serem outras pessoas na internet para aliciar jovens a enviar fotografias e vídeos em situações comprometedoras. Alguns chegam mesmo a convencer as vítimas a marcar um encontro, e não é preciso dizer o perigo que isso acarreta — ou é? “É sim. Parece óbvio para um migrante digital, que tem noção do que é a interação social antes da internet, mas nas redes sociais as coisas parecem sempre relativamente inofensivas. É só uma mensagem, qual é o problema? Se um homem nos abordar na rua começamos a correr ou chamamos a polícia, mas na internet expomo-nos mais, baixamos as defesas, somos desconhecidos, até podemos ser anónimos. Esta é a realidade de muitos adultos, e de muito mais crianças”, explica Rosário Carmona.

“O papel dos professores é essencial e a formação de professores e auxiliares tem que ser uma prioridade nas escolas”, defende, na mesma sala, Júlia Azevedo, presidente do SIPE. “A tecnologia é ensinada em aulas específicas, mas como estamos sempre a correr para dar o programa resta pouco tempo para incluir nas aulas essas advertências essenciais em relação aos perigos que se escondem em algo que os alunos utilizam todos os dias”. Na opinião da professora, falta “flexibilidade de horários e conteúdos”. Rosário Carmona e Júlia Azevedo já têm ideias. Por exemplo, nas aulas de Português ou Psicologia um dos trabalhos podia ser conduzir uma entrevista com um especialista em cyberbullying, e, em Matemática, construir um gráfico com a evolução da prevalência deste problema nos vários países da Europa”, dizem à vez.

“As formas de subjugação e violência possíveis na internet são inúmeras. Por exemplo, um agressor pode criar uma página na internet e colocar insultos ou fotos da vítima, ou então pode fazer circulá-las pelo Whatsapp ou outro chat, ou criar grupos fechados por exemplo no Facebook onde circulam comentários ofensivos à pessoa alvo do cyberbullying”.

Rosário Carmona, psicóloga clínica especializada em problemas da juventude

Alguns dos casos mais conhecidos chegam-nos pela imprensa estrangeira. Amanda Todd tinha 15 anos quando se suicidou, em 2012, em sua casa, depois de uma fotografia do seu peito ter sido partilhada por um homem que a chantageou por mais de dois anos. Aydin Coban, o agressor de Amanda, foi preso na quinta-feira e vai passar 11 anos na prisão. Também Jessica Logan, uma jovem de 18 anos de Cincinnati, escolheu acabar com a própria vida depois uma imagem do seu corpo nu ter sido partilhada centenas de vezes pelo namorado na rede social pré-Facebook, o MySpace, depois de ela ter terminado a relação. A chantagem está quase sempre subjacente a esta forma de violência e os golpes chegam de várias direções.

“As formas de subjugação e violência possíveis na internet são inúmeras. Por exemplo, um agressor pode criar uma página na internet e colocar insultos ou fotos da vítima, ou então pode fazer circulá-las pelo Whatsapp ou outro chat, ou criar grupos fechados por exemplo no Facebook onde circulam comentários ofensivos à pessoa alvo do cyberbullying“, diz Rosário Carmona.

Os jovens que chegam ao seu consultório trazem histórias que a ficção não conseguiria conjurar. Rosário Carmona conta a história de um jovem que é vítima de cyberbullying e que sabe perfeitamente que existe um grupo no Facebook criado para dizer mal dele. “Às vezes, os seus agressores concedem-lhe acesso, outras vezes bloqueiam-no. Numa das consultas ele disse-me que não sabia se era pior estar lá dentro e ler o que diziam dele, ou se era quando não podia ver, porque ficava horas a imaginar as coisas horríveis que estariam a circular”, exemplifica a psicóloga que além de um jogo de tabuleiro para tentar que as crianças e os pais se reúnam à volta destas questões tem um livro de perguntas e respostas para educadores e pais — “iAgora?” — que deve sair no início de abril.

“Para um migrante digital é óbvio que a internet representa um outro mundo, porque existe a noção do que é ou foi a interação social antes da internet mas nas redes sociais as coisas parecem sempre relativamente inofensivas. É só uma mensagem, qual é o problema? Se um homem nos abordar na rua começamos a correr ou chamamos a polícia mas na internet expomo-nos mais, baixamos as defesas, somos desconhecidos, até podemos ser anónimos”.

Rosário Carmona, Rosário Carmona, psicóloga clínica especializada em problemas da juventude

 

Apesar de não existirem estudos exaustivos realizados recentemente no nosso país, existe um publicado em 2014 (comparando dados de 2010 e 2014) pelo EU Kids Online, uma plataforma financiada pela União Europeia e sediada na London School of Economics que estuda os hábitos de utilização da internet dos jovens europeus, em parceria com um outro projeto com o mesmo objetivo, o Net Children Go Mobile. Os investigadores entrevistaram 28 mil jovens e a conclusão é que o fenómeno está a crescer. Em Portugal, Dinamarca, Itália, Irlanda, Roménia, Bélgica e Reino Unido, os sete países analisados, os dados mostram um aumento dos oito para os 12 por cento.

O crescimento aconteceu sobretudo entre as raparigas, e entre o grupo mais jovem do estudo (nove aos 16 anos). Outro dado preocupante é que o contacto com imagens ou informação de cariz sexual através das redes socais também aumentou (de 26 para 28%) na mesma faixa. Em quatro anos, as raparigas, que já eram o grupo mais vulnerável, ficaram ainda mais expostas (de 12 para 19 por cento).

Cristina Ponte, uma das investigadoras da equipa que tratou os dados dos jovens portugueses no estudo, destaca que, no nosso país, o dado mais interessante é que as crianças têm um acesso à internet quase universal, o que também acaba por os expor mais a mais riscos.

Já em 2016, Tito de Morais, autor do “Cyberbullying, Um Guia para Pais e Educadores” e fundador da página Miúdos Seguros na Net, disse que a violência propagada pelo espaço digital “atinge hoje entre 10 a 20% dos jovens portugueses mas “mas a sua verdadeira prevalência não se conhece”.

Repercussões perpétuas

Nos recreios dos idos anos 90, e nos de todas as décadas que lhe antecederam, as ofensas resolviam-se disferindo uma pior, ou, no máximo, um soco. A vergonha, fora nos casos mais graves, fazia mossa apenas até ao próximo miúdo ser gozado, ou pelo menos cessava quando a vítima se libertava das paredes das escola. Agora, o palco para este tipo de violência é, potencialmente, todo o mundo.

“Para que exista uma situação de bullying a violência tem que ser intencional, persistente e tem que haver um desequilíbrio de poder. Na internet tudo isto é mais fácil, mais rápido e mais abrangente”, explica Rosário Carmona, que completa com um exemplo.

“Uma das adolescentes que eu acompanho confessou que decidiu, com uma amiga, criar um email em nome de uma outra rapariga da escola e escrever, a partir daquele e-mail falso, e-mails para todos os rapazes da turma oferecendo-se para dormir com eles. Isto causa problemas complicados de perceção, e essa ‘fama’ é de uma grande violência para as raparigas nestas idades”.

Uma criança que seja vítima de cyberbullying não consegue ver um fim para o seu sofrimento e por isso “o risco de suicídio aumenta três vezes em relação ao bullying presencial”, diz Rosário Carmona.

O palco alarga-se e o controlo escorre-lhes das mãos. “Há duas características principais que distinguem os dois tipos de bullying. Uma é o palco e outra é o controlo. Uma fotografia comprometedora na internet pode ser partilhada centenas de vezes em poucos segundos, adquire uma exposição muito mais vasta, o palco é infinito. Por outro lado, o controlo deixa de existir como o conhecemos. Estou a ser agredida mas não o consigo evitar, não o consigo enfrentar. Não sei quem fez o site sobre mim, ou o print screen, quem publicou as ofensas ou as fotos, quantas pessoas viram, ou quando vai parar”, diz a psicóloga que há mais de uma década acompanha dezenas de jovens que todos os dias sofrem com este tipo de abuso cobarde e anónimo.

Terra de ninguém

Tal como na maioria dos casos de abuso fora dos meios digitais, as vítimas muitas vezes optam por não recorrer à ajuda dos pais, nem dos professores. Fecham-se, porque anteveem o pior caso denunciem os seus agressores: temem, em primeiro lugar, que a agressão se intensifique, depois têm vergonha de contar os abusos em si. Quando a vítima deixa de reagir ao abuso e depois volta a reagir, sem querer, está a ensinar ao agressor a partir de que ponto é que começa a obter uma reação “, diz Rosário Carmona.

Esperam que passe. Os pais, mesmo os que sabem, esperam que passe. “Só que raramente passa e os pais tendem a ignorar”, diz a psicóloga. Às vezes, na tentativa de ajudar, ainda causam mais ansiedade. “Alguns pais optam por retirar o computador, ou o acesso às redes sociais, ou o telemóvel. Alguns miúdos dizem-me que não falam com os pais porque têm a certeza que eles lhe vão retirar o telefone. Só que impedir o uso do telefone muitas vezes ainda desestabiliza mais”.

Isto apesar de Rosário Carmona defender uma restrição ao uso da internet e aconselhar que os pais controlem o que os filhos consultam, incluindo pedindo-lhes as passwords para as redes sociais, prometendo respeitar a privacidade e intervindo apenas em situações suspeitas. Alguns pais também lhe dizem que “não se querem meter” porque “não sabem utilizar muito bem a internet” mas, na opinião da psicóloga, os pais não precisam de saber utilizar redes sociais, ou qualquer outra plataforma, para proibirem alguma coisa que está claramente a afetar o comportamento dos seus filhos, ou pode colocá-los em perigo, ou quando têm alguma suspeita de que estejam a ser sujeitos a algum tipo de violência”.

A internet são fios invisíveis. Fios que ligam toda a gente sem que ninguém perceba quem está ligado a quem. “É muito possível que uma situação de cyberbullying se passe durante muito tempo sem ninguém reparar, porque muitas vezes os agressores não ofendem publicamente. Uma das minhas pacientes estava sentava nas aulas na mesma carteira que a sua agressora e aquilo deixava-a tão angustiada que começou a baixar consideravelmente o seu aproveitamento escolar”. Só mais um exemplo.

O cyberbullying, diz Rosário Carmona, é uma “terra de ninguém” porque “a escola não quer assumir o problema e os pais não sabem o que se passa, por isso também não agem. É por isso que a formação e a educação das crianças é tão importante. É absolutamente essencial que os pais saibam ensinar aos jovens as competências para lutarem eles contra isto: assertividade, interação, tolerância à frustração, regulação do comportamento e adiamento da recompensa”, explica.

O que isto quer dizer, basicamente, é que há ferramentas que ajudam a lutar contra todas as adversidades da vida, e que os jovens estão a perder, porque hoje a regulação dos comportamentos é sempre feita através de um estímulo externo. Depende-se do iPad para uma criança comer, por exemplo, o que quer dizer que a paciência para esperar, a capacidade para esperar pela resolução de uma situação desagradável, a resiliência, tudo isto está em causa quando falamos não do uso mas do abuso da utilização da internet.

Rosário Carmona pergunta a Júlia Azevedo em que deve focar a apresentação que irá fazer em Aveiro. “Sinais de alerta, sinais de alerta, sinais de alerta”, responde a professora, que não se cansa de frisar que a formação é essencial para todos os membros da comunidade escolar que têm de estar preparados para identificar estes alunos. “Tanto as vítimas como os agressores”, diz a professora, “porque os agressores, muitas vezes já foram vítimas e as vítimas estão a um click de se tornarem agressores”.

 

 

Apps para dispositivos móveis: manual para professores, formadores e bibliotecários

Março 15, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Recursos educativos | Deixe um comentário
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apps

descarregar a publicação no link:

https://estudogeral.sib.uc.pt/jspui/handle/10316/31202

 

As páginas do Facebook que usam fotos de crianças doentes para ganhar cliques – e dinheiro

Março 11, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto da http://www.bbc.com/portuguese/ de 23 de fevereiro de 2017.

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Leo Kelion BBC News

O Facebook deletou duas contas que usavam fotografias de uma criança doente sem autorização da família e as usavam na rede social afirmando que o menino tinha câncer.

As imagens eram publicadas para atrair usuários e roubar dados deles ou para o envio de publicidade e ofertas.

Nas fotos, o menino aparece doente, com manchas pelo corpo. A postagem falsa afirmava que se os usuários curtissem ou comentassem na foto, o Facebook doaria dinheiro para que a criança passasse por uma cirurgia.

Mais de um milhão de pessoas compartilharam a publicação e centenas de milhares reagiram – curtindo ou comentando.

A mãe do menino, Sara Allen, então viu as imagens na internet. Ela acredita que as fotos foram retiradas de notícias que saíram na mídia online quando Jasper teve um caso grave de catapora, em agosto do ano passado.

A enfermidade dele chamou a atenção da imprensa na época e ele virou personagem de várias reportagens veiculadas na internet justamente por causa da gravidade do problema.

Sua mãe chegou a fazer uma campanha pressionando o governo do Reino Unido pela gratuidade da vacina contra a doença.

“Nos alertaram de que isso poderia acontecer porque a busca por catapora no Google sempre resgata as imagens dele. Então estávamos conscientes de que isso poderia ocorrer, mas não dessa forma, dizendo que ele tem câncer”, contou Allen à BBC.

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Reclamação

Allen afirmou que alguns amigos viram as fotos e entraram em contato com ela perguntando se Jasper estava com câncer. Ela disse ainda que entrou enviou diversas mensagens ao Facebook com reclamações sobre a infração ao direito autoral da imagem.

Em 10 de fevereiro, a rede social respondeu afirmando que havia cancelado as contas porque elas infringiam suas regras.

Segundo mãe, porém, as contas voltaram a ficar ativas 24 horas depois sem nenhuma explicação.

O Facebook só deu instruções para que a equipe responsável revisasse o caso quando os veículos de comunicação – inclusive a BBC – passaram a cobrir o ocorrido.

A princípio, a empresa apenas eliminou as publicações fraudulentas sobre Jasper, mas depois cancelou completamente as contas associadas a essas publicações.

Prática recorrente

Além disso, foi identificado que as mesmas contas estavam difundindo informações com textos idênticos, mas usando imagens de outras crianças.

facebook

Algumas publicações diziam que as crianças tinham câncer. Outras as mostravam em hospitais e afirmavam que os usuários que vissem as fotos teriam má sorte caso não curtissem ou compartilhassem as postagens.

O especialista em cibersegurança Graham Cluley afirma que esses parecem ser casos de “like farming” – ou “fazenda de cliques” -, uma fraude virtual na qual os criminosos fazem com que os usuários interajam com publicações no Facebook para que posteriormente possam enviar mensagens com publicidade e ofertas a esses perfis ou mesmo para vender os dados do usuário e de seus contatos.

“Há muitas fraudes que usam essas imagens emocionais somente para ganhar dinheiro”, disse.

“Em alguns casos, depois da publicação eles entram em contato dizendo que você ganhou um prêmio e tentam te convencer a dar seu número de telefone ou a se inscrever em um determinado tipo de serviço ou dar seus dados pessoais”, afirmou.

Segundo ele, o problema é que “a maioria das pessoas acredita em tudo que vê na internet. Deveriam ser mais cuidadosas sobre o que curtem e compartilham nas redes”.

 

 

 

Fotos dos filhos no Facebook. Sim ou não?

Fevereiro 16, 2017 às 5:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Hugo Daniel Sousa publicado no https://www.publico.pt/ de 5 de fevereiro de 2017.

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A Maria acabadinha de nascer. O João a dormir como um anjinho. A Sofia com aquele olhar sedutor. O Miguel com um sorriso maroto de quem só tem dois dentes. Os primeiros passos do Pedro. Ou a acrobacia da Mariana no parque. Há poucas coisas mais ternurentas do que uma foto de uma criança. Especialmente se forem as nossas. Por esta razão, e mais algumas, os pais adoram mostrar as fotos dos filhos aos amigos e familiares. E os feeds do Facebook e do Instagram ou a timeline dos blogues enchem-se de fotos de crianças,

A grande questão — que até já chegou aos tribunais — é se os pais têm o direito de publicar fotos dos filhos nas redes sociais, em particular, e na Internet, em geral?

Para não ficar apenas com a minha opinião (e a minha prática), fiz uma rápida sondagem por alguns amigos. “Publicas fotos dos teus filhos no Facebook?” A primeira resposta foi curta e grossa. “Não”. Porquê? “É um assunto da vida privada”. Outra mãe, outra resposta: “Publico algumas, sempre irreconhecível e demos instruções ao resto da família para fazerem o mesmo”. “Porquê? Achas que não tens o direito de publicar ou é só por segurança?”, perguntei. “Ambas”, foi a resposta.

Voltei a fazer a pergunta, desta vez a alguém que está fora do país. “Sim, publico. Porque vivo longe e é uma maneira fácil de os meus amigos e família poderem acompanhar o crescimento deles, já que raramente os vêem”, respondeu-me um dos pais, deixando um par de ressalvas: “Tenho a preocupação de não os mostrar em situações que impliquem desconforto/embaraço (para futuro registo digital) e nunca, mas nunca, os localizo geograficamente.” E juntou uma adenda. “Num futuro próximo, poderei deixar de publicar fotos deles e até as poderei apagar todas, se for esse o desejo deles.”

A última resposta que recebi é muito parecida com a anterior. Os pais só publicam fotos dos filhos às vezes, mas com o cuidado de as limitar aos amigos e não deixar que sejam vistas por conhecidos deles. A razão para publicar fotos é fácil de adivinhar. “Porque sou uma mãe estupidamente babada. E para ir dando noticias nossas à família e amigos espalhados pelos quatro cantos do mundo.”

Esta discussão já começou há alguns anos e promete continuar. Até na justiça. Num caso de um casal divorciado, o tribunal definiu as condições da regulação do poder parental e, entre elas, incluiu o dever de os pais não divulgarem “fotografias ou informações que permitam identificar a filha nas redes sociais”. A mãe recorreu para o Tribunal da Relação de Évora, que foi bem claro na resposta. “Na verdade, os filhos não são coisas ou objectos pertencentes aos pais e de que estes podem dispor a seu belo prazer. São pessoas e consequentemente titulares de direitos”, escreveram os juízes Bernardo Domingos, Silva Rato e Assunção Raimundo num acórdão de Julho de 2015.

Argumentando que há um “perigo sério e real” de a divulgação de fotos de crianças nas redes sociais as deixar mais susceptíveis a predadores sexuais, os juízes concluem que a proibição de publicar fotos que permitam identificar a criança é “adequada e proporcional à salvaguarda do direito à reserva da intimidade da vida privada e da protecção dos dados pessoais e sobretudo da segurança da menor no ciberespaço”.

Confesso que mais do que ser um legalista ou proibicionista, sou fã da lei do bom-senso. E, por isso, o que realmente me choca são os pais que publicam fotos dos filhos sem qualquer pudor ou contenção (e, como viram, não é o caso dos amigos acima citados). Mas há muitos que não respeitam as dicas básicas de segurança, como enumerava um artigo da Notícias Magazine, de Junho de 2014: nunca publicar fotos de crianças no banho ou de fraldas, nem com uniformes escolares; evitar pôr fotos em alta resolução; não fazer post de imagens em que crianças aparecem com objectos de valor ou imagens em que seja fácil identificar o local (a escola, a casa, etc). Também fundamental é ter o cuidado de restringir ao máximo o número de pessoas que podem ter acesso à imagem no Facebook, limitando, por exemplo, a acesso a amigos mais próximos — e, mesmo assim, as definições de privacidade no Facebook são um mundo em constante mutação, sendo fácil cometer erros.

Estes conselhos são todos úteis para quem não resistir à tentação. Eu, porém, prefiro seguir neste caso a regra do menos é mais: zero fotos é igual a zero riscos. E as imagens hão-de chegar, por outros meios (menos fáceis mas mais seguros), aos avós, tios e amigos que vivem longe. É que — como alguém escreveu num texto erradamente atribuído na Internet a José Saramago — um “filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar os nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem”. Na feliz (e assustadora) expressão desse autor desconhecido, os filhos “são apenas um empréstimo”. E, por isso, prefiro que um dia não me cobrem essa dívida: “Pai, como foste capaz de publicar esta foto minha no Facebook?”.

 

Partilhar fotos íntimas ou insultar? Normal

Fevereiro 14, 2017 às 1:30 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.dn.pt/de 13 de fevereiro de 2017.

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DN/Lusa

Um em cada quatro jovens acha normal partilhar fotos íntimas ou insultar nas redes sociais

Um em cada quatro jovens considera normal partilhar fotografias íntimas ou insultar alguém através das redes sociais, de acordo com um estudo da UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta, a ser divulgado na terça-feira.

O estudo sobre violência no namoro “apresenta dados preocupantes”, dos quais a UMAR, num comunicado hoje divulgado, destaca que 24% dos jovens inquiridos “considera normal partilhar fotos íntimas ou insultar através das redes sociais” e 14% “legitima a violência psicológica”.

Dos cerca de 5.500 jovens inquiridos no estudo, 19% “já foi vítima de violência psicológica”.

O mais recente estudo da UMAR sobre Violência no Namoro é apresentado na terça-feira, Dia dos Namorados, em Lisboa, numa conferência de imprensa que contará com a presença da secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Catarina Marcelino.

 

 

 

Lego cria rede social para crianças partilharem as suas construções

Fevereiro 13, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 31 de janeiro de 2017.

A Lego Life disponibiliza avatares e emojis especiais Lego Life

A Lego Life disponibiliza avatares e emojis especiais Lego Life

 

Empresa pretende que a Lego Life seja uma plataforma segura para utilizadores até aos 13 anos, que não poderão divulgar dados reais.

Ana Cristina Sousa

A Lego lançou recentemente a Lego Life, uma rede social vocacionada para crianças, que permite partilhar as construções de Lego de uma forma segura para menores de idade.

Apesar de haver vários sites, como o Flickr, que os mais aficionados usam para partilhar as suas obras de Lego, até ao momento não havia nenhuma opção destinada a menores e onde estes pudessem navegar com total segurança. A marca dinamarquesa entendeu que estava na hora de mudar o panorama.

Os utilizadores vão poder publicar fotografias das suas criações Lego, seguir outros utilizadores e comentar publicações com recurso a emojis especiais da Lego. Através do newsfeed é possível às crianças acederem a uma variedade de conteúdos de marketing da marca. Segundo o site The Verge poder-se-á aceder a linhas de produtos como os Lego com base no Star Wars, bem como às contas das redes sociais de personagens da Lego (como o Master Wu de Ninjago ou Lego Batman).

Aceder à rede social implica alguns requisitos: a criança terá de ter até 13 anos (embora não haja uma restrição explícita da marca para pessoas acima desta idade), ser um fã incondicional da marca e, não menos importante, o registo na conta Lego Life deve ser efectuado com recurso a um endereço de e-mail dos pais. Outra novidade na Lego Life é que os perfis não têm a fotografia dos utilizadores. Em vez disso, a Lego permite serem criadas pequenas figuras, com uma variedade de roupa e acessórios à escolha.

Para deixar os pais livres de preocupações sobre quem os filhos seguem, por quem são seguidos, ou ainda, a que tipo de conteúdo estão expostos, a Lego estabeleceu uma parceria com a Crip, uma empresa que faz moderação de conteúdo que combina algoritmos e detecção humana para escrutinar todas as imagens antes de estas irem para o site.

A rede social Lego Life é gratuita e está disponível para Android e iOS, da Apple. A aplicação pode ser descarregada nos Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e Suíça, bem como em 12 países da União Europeia e nas respectivas línguas. Portugal não foi contemplado.

Texto editado por João Pedro Pereira

 

Instagram do SOS-Criança do IAC

Janeiro 31, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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sos

https://www.instagram.com/iacsoscrianca/

 

Facebook e educação : publicar, curtir, compartilhar

Janeiro 30, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Livros, Recursos educativos | Deixe um comentário
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descarregar o livro no link:

http://books.scielo.org/id/c3h5q

Vídeos publicados na Internet incentivam jovens a ser violentos?

Janeiro 23, 2017 às 6:00 am | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Texto do http://ionline.sapo.pt/ de 16 de janeiro de 2017.

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Joana Marques Alves

Investigadora Margarida Gaspar de Matos e pedopsiquiatra Ana Vasconcelos comentam os últimos casos de imagens virais de violência entre jovens. Teme-se um “concurso de mau caráter”. Adolescentes vivem uma fase da vida particularmente vulnerável. Despistar sinais de risco, até familiares, é crucial para que a moda não pegue.

Primeiro houve mensagens ameaçadoras. Depois, a ex-namorada marcou um encontro para falarem sobre o relacionamento. Quando chegou ao local combinado, no Feijó, o jovem de 15 anos foi esfaqueado, espancado e apedrejado. Teve de ser hospitalizado, depois de uma das facadas lhe ter atingido um pulmão. O caso foi divulgado no mesmo dia em que foi difundido na internet o vídeo de um jovem da mesma idade a ser espancado por outros junto a duas escolas em Almada. Repete-se a cena. Cenas que, no passado, muitas vezes podiam ficar escondidas nos recantos das escolas, são filmadas e colocadas a circular na internet. O número de casos de violência entre adolescentes tem vindo a preocupar pais, educadores e psicólogos, e as autoridades estão a ser cada vez mais requisitadas nos estabelecimentos de ensino. A violência juvenil está a aumentar? E as imagens com milhares de partilhas e reproduzidas na televisão a qualquer hora do dia serão um combustível perigoso?

Segundo dados da PSP e da GNR citados pela imprensa, no ano letivo de 2015/2016 foram registados 5051 episódios criminais nas escolas ou imediações. Só a PSP registou 4102 ocorrências, um número que representa um aumento significativo face aos anos anteriores. No ano letivo de 2014/2015 houve 3930 ocorrências, em 2013/2014, 3888, e em 2012/2013 foram contabilizadas 3486, ou seja, menos 700 casos do que no último ano letivo. Também a GNR tem vindo a registar mais casos.

O último Relatório Anual de Segurança Interna – que apresenta dados relativos ao ano escolar 2014/2015 – dá mais pistas sobre o fenómeno da violência nas escolas. A maioria das ocorrências que levaram as autoridades a deslocar-se aos estabelecimentos de ensino estava relacionada com casos de ofensa à integridade física. Depois surgem os episódios relacionados com furtos e injúrias ou ameaças. O mesmo relatório mostra que a maioria dos casos ocorre no distrito de Lisboa, seguido de Porto e Aveiro. Os distritos onde foram registadas menos ocorrências foram Évora, Guarda e Castelo Branco.

A necessidade de ser viral

Entre os especialistas contactados pelo i, a opinião é unânime: a divulgação de imagens estimula comportamentos violentos, mas isso não quer dizer que as agressões tenham aumentado. A sociedade também pode estar mais atenta, declarando mais casos que, no passado, eram calados nos corredores das escolas. “Antes não se falava tanto disso porque, de algum modo, a violência interpessoal era mais tolerada: os pais agrediam os filhos, de chicote por vezes, os professores agrediam os alunos, os maridos agrediam as mulheres, os amigos agrediam-se uns aos outros, a polícia agredia os cidadãos… A regulação social era feita com base na pancadaria”, sublinha a investigadora Margarida Gaspar de Matos, membro do Centro de Investigação do ISPA – William James Center for Research.

A especialista defende que, com as mudanças sociais, é necessário filtrar bem os casos e estabelecer uma diferença entre atos de delinquência, doença mental e meras formas “menos conviviais” de relação interpessoal. “Vídeos como o acima referido [o caso revelado nos primeiros dias de janeiro] mostram uma agressão gratuita que aparenta ter como fim único ‘postar’ na internet um vídeo ‘viral’. Esta é uma nova forma de exibicionismo e de ‘desafeto’ que, a pegar, nos vai dar enormes dissabores nas relações interpessoais”, alerta a especialista.

Margarida Gaspar de Matos usa mesmo uma ideia forte: para os jovens, este fenómeno pode desencadear uma espécie de “concurso de mau caráter”, um despique em torno da violência. E que já não é o conceito de bullying, que começou a ser discutido no final do século passado. “A diminuição do bullying teve muito a ver com a identificação do fenómeno e a tolerância zero em relação a este. Foi retirado ao bullier o estatuto de valentão e passou a ter o estatuto de parvalhão, do cobarde que, não sabendo dialogar para resolver diferendos, agride os mais fracos”, diz a investigadora. “Este vandalismo exibicionista representa outra coisa diferente e temo que este fenómeno aumente se não for identificado e desmistificado como algo estúpido, selvagem e intolerável, e se não houver propostas consistentes e continuadas de soluções que passam, claro, pela responsabilização e punição, mas também, em alguns casos, pelo tratamento.”

Falta de consciência moral

Gaspar de Matos acredita que, podendo ser uma intolerável moda de mau gosto, alguns casos poderão indiciar perturbações mentais ou de personalidade dos jovens que requerem acompanhamento. A pedo- psiquiatra Ana Vasconcelos assinala que não há, ainda assim, muitos casos semelhantes aos de Almada e Feijó. Mas também teme que esta tendência incite a mais violência e defende, por isso, um maior acompanhamento dos jovens.

“Uma das coisas de que se falava há uns tempos era o facto de não ser aconselhável divulgar muitos casos de pedofilia porque isso podia excitar as tendências dos pedófilos. Aqui pode acontecer um fenómeno semelhante”, diz a especialista.

A natureza do adolescente, em fase de descobertas, faz deste um terreno arriscado. “Houve uma altura em que havia a moda de os miúdos se asfixiarem com sacos de plástico. Isso, na verdade, é um truque erógeno [que causa satisfação ou prazer sexual]. No início da puberdade, os adolescentes podem entrar em esquemas como este nos quais confundem a excitação com a violência, acabando por ter esses impulsos muito desajustados.”

A pedopsiquiatra explica que a falta de consciência moral e de autocrítica têm papéis preponderantes nestas alturas, bem como a necessidade de mostrar aos outros aquilo de que se é capaz e de copiar os comportamentos exemplificados em situações prévias. Além disso, o ambiente precário e as inseguranças vividas no seio familiar podem condicionar bastante a vida do jovem na escola, suscitando potenciais comportamentos violentos: “A falta de uma base familiar e de uma perspetiva para as famílias condiciona os adolescentes. Ainda hoje um rapaz me dizia: ‘Estou preocupado porque acho que o meu pai vai para a Suíça.’ Os jovens ouvem coisas que lhes trazem uma insegurança familiar. Todos estes aspetos também não ajudam.” O problema pode começar nas redes sociais, mas vai, como sempre, muito para além disso.

 

 

 

Um jogo sexual está a preocupar as autoridades espanholas

Janeiro 21, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Noticia do http://www.dn.pt/ de 9 de janeiro de 2017.

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A não utilização de preservativos agrava os riscos deste comportamento | Arquivo Global Imagens

Médicos alertam para riscos deste comportamento, depois de aumento de casos de doenças sexualmente transmissíveis entre jovens

Um aumento de casos de doenças sexualmente transmissíveis na unidade de adolescentes de um hospital de Madrid e pelo menos quatro casos de gravidezes indesejadas são sinais que estão a preocupar as autoridades de saúde da capital espanhola, que alertam para um jogo sexual perigoso, chamado “roleta sexual” ou “Juego del Muelle”, segundo o jornal El Mundo.

De acordo com o jornal, há um vídeo de quatro minutos que se tornou viral nas redes sociais em Espanha e mostra como se joga: cinco rapazes estão sentados sem roupa interior e três raparigas, nuas da cintura para baixo, sentam-se aos seus colos. A cada 30 segundos, as raparigas mudam para o colo do rapaz ao lado. Perde o jovem que ejacular primeiro.

Todos os jovens que aparecem no vídeo são menores de idade e em cima de uma mesa são visíveis várias garrafas de álcool e cigarros. Um dos jovens contou ao jornal espanhol que faz este jogo regularmente com os amigos, tendo recebido as instruções do jogo por uma mensagem no Whatsapp. O rapaz, que não se quis identificar, contou ainda que não usam preservativo. Os jovens contam também que este começou na Colômbia, onde é conhecido por Carrossel.

Os serviços de saúde espanhóis dizem que pelo menos quatro adolescentes ficaram grávidas em 2016 ao fazer este jogo, mas admitem que é difícil chegar a um número real, pois as jovens não contam como engravidaram. “É algo relativo, impossível de comprovar, pois elas não dizem”, disse uma fonte médica ao El Mundo.

Difícil de contabilizar é também o número de casos de doenças transmitidas neste tipo de jogo. Pilar Lafuente, ginecologista do Hospital La Paz, em Madrid, diz que passou de ver “dois ou três casos [de DST] por ano para atender 10 menores de idade por trimestre”.

“O problema é que se unem a inconsciência e a imaturidade. Com boa educação sexual isto não aconteceria”, explicou a psicóloga e sexóloga Ana Lombardía, citada pelo jornal. A especialista explica alguns dos problemas práticos deste tipo de comportamento: “os rapazes podem ter problemas de ereção e de controlo da ejaculação. Mas é pior para as raparigas. A dor de serem penetradas sem estarem excitadas cria vaginismo: a vagina está contraída e isso cria lacerações e feridas”.

Além disso, mesmo que os rapazes usem preservativo, as raparigas estão “totalmente indefesas”, continua Lombardía. “Elas vão rodando e entram em contacto com as secreções das outras. Logo contraem VIH, hepatite C, sífilis, gonorreia e o HPV”.

“Os adolescentes são cada vez mais precoces e têm acesso ao álcool, drogas e sexo mais cedo. Aborrecem-se rápido e procuram outras formas de se divertirem sexualmente”, explicou a psicóloga e sexóloga.

O estudo internacional Health Behaviour in School-aged Children (HBSC), revelado no ano passado, mostrou que a não utilização de preservativo é um problema grave entre os jovens portugueses: 25% disseram não usar.

 

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