Redes sociais imitam estratégias de casas de jogos para criar dependência psicológica

Maio 22, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da Visão de 9 de maio de 2018.

As técnicas utilizadas pelos casinos e outras empresas de jogos de azar estão a ser copiadas pelas redes sociais. O objetivo é criar dependência psicológica nos utilizadores.

As redes sociais podem ser tão viciantes como os jogos dos casinos, e ativam no cérebro dos utilizadores mecanismos parecidos aos que são provocados pelo efeito da cocaína. Quem o diz são especialistas de várias áreas, que afirmam que os utilizadores podem chegar a ouvir sons relacionados com os smartphones que, muitas vezes, não são reais. “Essas ‘chamadas fantasma’ e notificações estão ligadas ao nosso desejo psicológico de recebermos esses sinais”, explica, ao The Guardian, Daniel Kruger, especialista em comportamento humano e professor na Universidade de Michigan, EUA.

“Empresas como o Facebook usam métodos parecidos aos da indústria do jogo para manter os utilizadores nas suas plataformas”, afirma Natasha Schüll, autora do livro Addiction by Design: Machine Gambling in Las Vegas, publicado em 2012, onde explica, por exemplo, como as máquinas automáticas dos casinos, as conhecidas slot machines, são pensadas de forma detalhada para viciar os jogadores.

Segundo a escritora, no mundo online, o objetivo é manter a “atenção contínua do utilizador”, através de cliques e do tempo passado nas plataformas: se a pessoa começa a perder o interesse, por exemplo, pelo que se passa no Facebook, vai ser, automaticamente, bombardeada por mensagens subtis ou ofertas para que o seu foco volte a ser a rede social.

O mecanismo cerebral das pessoas quando atualizam o feed do Facebook ou do Instagram é, na opinião de Tristan Harris, ex-especialista em Ética da Google, “irritantemente” semelhante àquele que é desencadeado pelas slot machines: quando puxam a alavanca da máquina, as pessoas podem ter direito a mais uma partida, receber um prémio monetário, ou nada. A verdade é que nunca se sabe o que vai acontecer, se vai haver alguma recompensa ou não, da mesma forma que, nas redes sociais não se sabe se se vai encontrar algum conteúdo interessante. “Mas isso é, precisamente, aquilo que nos faz voltar a atualizar os nossos feeds”, refere Tristan Harris.

Também Mark Griffiths, diretor da Unidade Internacional de Pesquisa de Jogos da Universidade de Nottingham Trent, diz que a recompensa é a chave que prende os utilizadores às redes sociais. “As redes sociais estão repletas de recompensas imprevisíveis, para chamar a atenção dos utilizadores e fazer com que eles criem a rotina de irem constantemente ver os seus perfis”. afirma.

Tal como o gambling, que afeta a estrutura do cérebro e que, por isso, torna as pessoas mais suscetíveis a sofrerem de ansiedade e depressão, as redes sociais também têm sido relacionadas com comportamentos depressivos e, por isso, o seu potencial para provocar um impacto psicológico negativo nos utilizadores não deve ser desvalorizado. “Temos de começar a perceber os custos que o tempo passado nas redes sociais acarreta, porque afeta-nos financeiramente, fisicamente e emocionalmente”, defende Natasha Schüll.

Mas, apesar de toda a polémica em torno das violações da privacidade no Facebook durante o início deste ano, a verdade é que o número de utilizadores desta rede social aumentou 14% em relação ao ano passado e o lucro aumentou 49%, quando comparado com o do mesmo trimestre de 2017.

 

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Com que idade as crianças devem acessar redes sociais?

Maio 11, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto e foto da Folha de São Paulo de 25 de abril de 2018.

Para especialistas, é importante respeitar regras das próprias plataformas

Flávia Mantovani

São Paulo

Está nas regras do Facebook, Instagram, YouTube e outras redes sociais: só pode criar conta quem tem ao menos 13 anos de idade. Mas todo mundo sabe que, na prática, não é o que acontece.

Segundo pesquisa de 2017, 86% dos brasileiros de 9 a 17 anos que acessam a internet têm perfil em redes sociais. Entre aqueles de 9 a 10 anos, o índice é de 62% e, de 11 a 12 anos, 76%. WhatsApp e Facebook são as redes mais acessadas nessa faixa etária, ainda segundo o estudo, do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br).

“Vemos as crianças entrando nas redes sociais cada vez mais cedo e usando por cada vez mais tempo”, diz o psicólogo Rodrigo Nejm, diretor de educação da associação Safernet. “A internet é a maior praça pública do planeta. Você tem que se perguntar: meu filho já tem maturidade para ter autonomia plena nesse lugar público?”, questiona.

Autora do livro recém-lançado “Como Criar Filhos na Era Digital” (ed. Fontanar, 220 pág.), a psicóloga britânica Elizabeth Kilbey diz que atende cada vez mais pais preocupados com o excesso de uso dos filhos. “Trabalho com crianças com quadros de ansiedade e tristeza porque acreditam que não são tão populares, bonitas ou magras quanto seus amigos nas redes sociais.”
Para a filósofa e escritora Tânia Zagury, os pais dessa geração, que convivem com a tecnologia há bastante tempo, acham que não há problema em deixar o filho entrar nas redes sociais precocemente.
“As crianças só têm acesso porque os pais possibilitam. Eles tendem a achar que seu filho é mais maduro do que realmente é”, diz ela, que lançou em 2017 o livro “Os novos perigos que rondam nossos filhos” (Rocco, 192 págs.).

Segundo os especialistas, a solução não é proibir ou demonizar as redes. É orientar as crianças para que saibam navegar de forma saudável e segura nesse ambiente. E, uma vez que elas tiverem um perfil, monitorar seu uso.

“Supervisionamos nossos filhos muito mais no mundo real do que no virtual”, escreve Kilbey. “A maioria dos pais nem sonharia em dar um pote de biscoito ao filho todos os dias, tampouco deixar que comessem todos os biscoitos que quisessem, como quisessem. Mas muitos pais não pensam duas vezes em dar aos filhos acesso irrestrito a um aparelho digital”, compara.

A recomendação é estabelecer um diálogo transparente com as crianças. “Não é diferente da orientação que se dava antes da internet, de não conversar com estranhos, não divulgar seu endereço”, diz Maluh Duprat, do Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática da PUC-SP. “A internet é o mundo deles, não adianta querer que fiquem fora.”

Veja a seguir orientações dos especialistas para seis dúvidas sobre o tema.

Com que idade devo deixar meu filho criar um perfil nas redes sociais?

Os especialistas não recomendam desrespeitar a norma das próprias redes —quase sempre, a idade mínima é 13 anos. Antes disso a criança pode não ter maturidade para navegar ali.

Mesmo quando ela chegar à idade permitida, vale analisar cada caso. “Posso ver que meu filho de 13 ou 15 anos é imaturo, influenciável, não tem boa autoestima. E por isso achar que não vai fazer bem a ele”, diz Nejm.

Deixar a criança mentir a idade para criar um perfil é, para Zagury, uma “lição de falta de ética”. “Quem age assim ensina aos filhos que, sob certas circunstâncias, é válido fraudar regras”, afirma.

A criança não vai se sentir excluída se não entrar em uma rede social?

O argumento “todos meus amigos têm” pode ser desconstruído facilmente, afirma Rodrigo Nejm. “Os pais explicam que cada família é diferente e que na casa deles, por acharem que aquilo é o melhor, a regra é essa. Isso vale para para tudo.”

Zagury garante que a criança não ficará traumatizada se não usar as redes sociais até os 13 anos: “A pressão social sempre vai existir. Cabe ao adulto ser adulto e decidir o que é melhor para ela”.

Devo ter a senha das contas do meu filho?

Se os pais acham que o filho tem maturidade para criar um perfil, não deveria ser necessário compartilhar a senha —o que não significa deixá-los sem monitoramento. O importante é acompanhar o que eles postam e até, de vez em quando, entrar no perfil junto com eles, e não escondido. “Se você acha que seu filho não deve ter privacidade naquele ambiente, ele não deveria ter rede social ainda”, diz Nejm.

Para crianças mais novas, caso os pais optem por deixá-las usar as redes, podem criar a conta junto com elas e avisar que também têm a senha. Mesmo assim, o melhor é acessar o perfil só com o filho ao lado.

Qual é o problema de as crianças entrarem cedo demais nas redes?

Além de serem mais vulneráveis a desconhecidos que cometem crimes pela internet, elas precisarão lidar com problemas típicos da adolescência sem ter a maturidade para isso. Ficam expostas a um tipo de bullying com alcance ampliado e podem divulgar informações que comprometem a privacidade da família.

Elizabeth Kilbey ressalta que crianças têm mais risco de se tornarem dependentes. “Elas se tornam facilmente hiperfocadas nas redes e deixam de lado outras atividades importantes””, alerta.

Segundo estudos, o excesso de tempo de tela pode atrapalhar o desenvolvimento motor, social e emocional, causar dores e piorar a concentração e o rendimento escolar.

Como saber se tem algo errado acontecendo com meu filho nas redes?

Crianças e jovens que passam por dificuldades como bullying ou abuso na internet costumam mudar o comportamento. Ansiedade, tristeza, variações bruscas de humor, mudanças no sono e na alimentação são alguns sinais. “Eles dificilmente não transparecem quando algo está errado. Se isolam no quarto, não querem mais ir à escola, o rendimento cai”, diz Maluh Duprat.

Se eu uso muito as redes sociais, meu filho fará o mesmo?

Os pais são a primeira referência da criança para tudo. Pais que jantam olhando o celular e checam o Facebook enquanto conversam com os filhos devem esperar o mesmo deles. “É mais comum eu ter que dizer para os pais largarem seus celulares do que para as crianças e adolescentes com os quais trabalho”, diz Elizabeth Kilbey.

O ideal é que regras como não comer com o celular na mesa valham não só para os pequenos, mas para toda a família.

 

Conferência “Há tecnologia a mais na vida dos nossos filhos?” 5 maio no ISCTE

Maio 2, 2018 às 9:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

https://www.facebook.com/events/202454583689992/

 

Como lidar com esta nova geração “dependente” da tecnologia

Abril 23, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da http://visao.sapo.pt/ de 8 de abril de 2018.

CLARA SOARES

Jornalista e Psicóloga

Duas psicólogas, especialistas em perturbações que afetam os adolescentes, falam das pressões excessivas e dos exageros da vida virtual. Não é à toa que a Organização Mundial de Saúde acabou de incluir o “vício de videojogos” na sua lista de doenças do foro psiquiátrico.

IVONE PATRÃO

A investigadora do ISPA – Instituto Universitário de Psicologia Aplicada e autora do livro Geração Cordão defende que os adultos devem falar com as crianças desde cedo sobre 
o uso da tecnologia

Os adolescentes passam demasiado tempo online ao ponto de isso lhes alterar o humor?

Há dez anos, comecei a receber na clínica jovens com indicação de comportamentos agressivos e alterações do sono, mas que nada tinham que ver com perturbação de hiperatividade e défice de atenção. Estavam ligados à dependência online. 
A dependência da tecnologia compromete a alimentação, o sono, o rendimento escolar, as relações com os outros. Numa pesquisa que fizemos com meio milhão de adolescentes que usa smartphone, 14% deles tiveram a cotação máxima em dependência da internet.

A vida virtual e o multitasking afetam o funcionamento 
do cérebro juvenil? 
Há diferenças de género?

Quem já tem outros fatores de risco para sintomas ansiosos e depressivos fica mais vulnerável. 
Os estudos na área da neurobiologia, com recurso a ressonâncias magnéticas, mostram que são ativadas as mesmas zonas cerebrais (da recompensa) nos utilizadores da internet e de videojogos. O excesso 
do seu uso limita o desenvolvimento 
e o treino das competências sociais 
e da autonomia. Uma investigação com 2 220 jovens, entre os 12 e os 30 anos, permitiu perceber que os rapazes tendem a ligar-se mais aos videojogos 
e as raparigas às redes sociais.

Os miúdos aprendem por imitação e seguem o modelo dos pais. Estes estão à altura?

Os jovens, com legitimidade, perguntam: “Então o meu pai não me deixa estar na internet e, à uma da manhã, põe um post no Facebook?” Chegam aos 16 anos sem nunca terem conversado sobre isto com os pais ou recebem respostas vagas como “podes estar, mas só um bocadinho” ou “já estás nisso há tempo demais”. 
Não são exemplos a seguir.

Os jovens podem ficar deprimidos pelo medo da comparação social 
na vida real. Como se lida com isto na vida virtual?

A pressão do grupo sempre existiu. 
A vida online amplia essa pressão, eles ficam 24 horas ligados, sem parar 
para refletir, como acontecia antes. Deixaram de ter time out. Assumo que a sintomatologia ansiosa e depressiva tem que ver com esta sobrecarga. Aconselho os pais a promoverem momentos de encontro. Definam regras, como o não usar ao jantar, sem exceções, seja o jogo ou o email de trabalho a enviar. Mas falem uns com os outros!

TERESA LOBATO FARIA

A especialista lembra que os jovens precisam de se sentirem compreendidos e aceites pelos adultos, sem pressões excessivas nem julgamentos. E deixa pistas para os pais e os professores
Porque se agravam 
os sintomas ansiosos e depressivos 
na adolescência?

Essa é a altura da vida em que os jovens começam a questionar e a tomar decisões, a imitar o que fazem os amigos. 
É também nessa altura que surgem atitudes de isolamento ou de rebeldia. Há também a questão genética, o bullying, a rejeição do grupo e o stress crónico nas famílias. O imediatismo social dominante limita a capacidade de esperar e de resistir à frustração. 
A ansiedade vem antes da depressão 
e é um fator de risco para esta.

O que faz com que haja jovens que se sintam menos bem na escola, chegando mesmo a vomitar?

Vomitar pode traduzir uma fobia escolar ligada à angústia da separação ou ao excesso de exigência e à pressão para o sucesso. Muitas vezes, os adultos exigem em vez de ajudarem. Por exemplo, quando divulgam nas redes sociais o facto de o filho estar no quadro de honra… A intenção até pode ser boa, mas a comparação social cria sensações de incapacidade.

A adolescência não é uma doença. 
Há alguma coisa que está 
a escapar aos adultos?

O pior que se pode dizer a um adolescente aflito é: “Tu sabes, tu consegues.” Isto agrava o problema, conduz a estados de desistência e de falta de esperança. Outros erros comuns: numa turma, castigar os malcomportados sem ter a sensibilidade de avaliar o impacto que isso tem sobre os perfeccionistas, que vão para as aulas com uma ansiedade horrível; pais que ficam ofendidos se os jovens preferem programas com amigos às saídas com eles.

Que fatores contribuem 
para uma adolescência tranquila?

A partilha familiar, que é um fator protetor por excelência, mas existe pouco, 
e ter abertura para aceitar os deslizes e a experimentação dos miúdos. Imagine que o vê a fumar – mas é fumador, está em risco ou só a experimentar? Os pais também não devem ficar sentidos perante os primeiros sinais de autonomia dos filhos, o que é saudável. Quando os vossos filhos se queixam, levem-nos a sério. Evitem que meros mal-entendidos se tornem conflitos enormes. Saibam ouvir e respeitar para que eles não se sintam incompreendidos e cresçam com chão e esperança.

 

 

 

Carta aberta – Pedido de ajuda aos youtubers portugueses

Abril 9, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Rute Agulhas publicado no https://observador.pt/ de 29 de outubro de 2017.

Deparo-me cada vez mais com crianças e pré-adolescentes com sintomas de ansiedade, insónias a despertares nocturnos, pesadelos e medos que estão, de alguma forma, relacionados com os vossos vídeos.

Caros youtubers, sejam aqueles com mais ou menos subscritores e seguidores e cujos vídeos têm mais ou menos visualizações, esta carta é um pedido de ajuda feito a todos vós.

Enquanto mãe e psicóloga, tenho acompanhado de perto o vosso trabalho. Sei os vossos nomes, conheço muitos dos vossos vídeos e insta stories, sei o que gostam de publicar e de que forma se distinguem uns dos outros. Já estive presente em 3 meets (é assim que se diz, certo?) e, ao longo das várias horas de espera (sentada no chão) pude observar quem vos segue. Centenas de crianças e pré-adolescentes, rapazes e raparigas. Uns pintam o cabelo de azul ou fazem totós no alto da cabeça para ficarem parecidos com os seus ídolos. Outros levam presentes ou desenhos para vos oferecer. Muitas raparigas choram ou gritam, ou ambos. Os rapazes, ainda fiéis aos bons estereótipos de género, controlam as lágrimas, mas é visível toda a emoção que sentem.

Em consulta, tenho-me deparado com uma frequência crescente com crianças e pré-adolescentes que apresentam sintomas de ansiedade, desde insónias a despertares nocturnos, pesadelos e medos variados. Na mente de muitas destas crianças os conteúdos destes sintomas estão, de alguma forma, relacionados com os vossos vídeos, sejam porque estes apresentam jogos de computador com conteúdos mais agressivos, ou porque testam a veracidade da história da Maria Sangrenta, ou porque abordam palhaços assassinos, ou porque… ou porque….

Naturalmente, a responsabilidade em supervisionar aquilo a que as crianças assistem na internet é dos pais e cuidadores. É destes o dever de estar atentos, filtrar os conteúdos em função da idade e nível de desenvolvimento dos filhos. No entanto, e por motivos diversos, nem todos os pais o conseguem fazer. Uns por falta de tempo e atenção. Outros porque acreditam que os filhos têm já essa capacidade de análise crítica. Outros porque são enganados pelos filhos, que navegam na internet quando os pais já dormem. E há ainda os pais que, embora atentos e com capacidade de supervisão, não conseguem, de todo, controlar aquilo a que os filhos assistem quando estão na escola, através dos telemóveis dos colegas.

Face a isto, surge o meu pedido de ajuda. Não vos peço, naturalmente, para alterarem a vossa estratégia ou o tipo de vídeos que, no fundo, vos caracteriza.

Peço-vos sim para, enquanto modelos a que estes jovens aspiram, ajudarem-nos a ultrapassar algumas dificuldades e a desenvolver algumas competências.

Como?

Antes de mais, explicar como funcionam os modelos. Os modelos têm um impacto muito importante nas aprendizagens que fazemos, na medida em que muito do que aprendemos é fruto daquilo que observamos. E ao observarmos modelos pelos quais sentimos empatia e simpatia, e com os quais nos identificamos, de forma natural e, muitas vezes, de forma inconsciente, estamos a aprender. Ora, será então natural que, quando os nossos modelos são reforçados ou punidos (por exemplo, quando se assustam, quando gritam, quando expressam medo ou alegria), também nós podemos experienciar essas mesmas emoções.

Ora, face a isto, de que forma imagino a vossa ajuda?

Imagino vídeos onde possam expressar dificuldades em algumas situações, em que não desistem, e em que pensam na melhor forma para ultrapassar todo o tipo de obstáculos. O que chamamos de modelos de confronto, ou seja, modelos que não são perfeitos (e com quem mais facilmente todos nos identificamos), mas que encontram estratégias adequadas para lidar com os problemas. São estes modelos que apresentam uma maior probabilidade em ser seguidos e imitados.

Imagino vídeos a que as crianças possam assistir e aprender essas mesmas estratégias.

Como lidar com os medos? Sim, porque todos temos medos.

Como lidar com a ansiedade? Sim, porque todos nós sentimos ansiedade.

O que fazer perante uma dificuldade? Como tomar uma decisão mais adequada? Sim, porque todos temos dúvidas em relação à forma como lidamos com a adversidade.

Mas há mais. Se me permitem, imagino ainda algo adicional. Imagino que nos vossos meets sugerem aos fãs que levem, por exemplo, comida ou ração para os animais abandonados, roupa ou calçado para as pessoas que vivem na rua, livros para as crianças que não os têm. E ao imaginar isto, visualizo centenas de crianças e pré-adolescentes ao rubro, por poderem ouvir, falar, abraçar e tirar fotografias com os seus ídolos mas, também, por sentirem que contribuem para o bem-estar de alguém.

É este o meu pedido de ajuda.

Até ao próximo meet,

Psicóloga clínica e forense, docente universitária

 

Como ajudar as crianças a concentrarem-se no meio de tantas distrações digitais

Abril 8, 2018 às 4:30 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site https://magg.pt/ de 28 de março de 2018.

Há alguns anos podiam desconcentrar-se com uma mosca a voar, ou com um cão a ladrar. Hoje, os miúdos já nem veem a mosca nem ouvem o cão. Estão demasiado ocupados com o computador, o tablet, o telemóvel. Estão sempre “ligados”, a responder a uma mensagem, publicar no Instagram, colocar gostos e comentários no Facebook, acudir às notificações do Snapchat , falar com o grupo do WhatsApp, colocar um emoji no Messenger, verificar o “plim” de mais uma entrada na caixa do correio, ou no hangup, jogar online ou ver os vídeos no Youtube, por exemplo. São infindáveis as distrações que a era digital proporciona e tentar estudar e aprender no meio de todos estes apelos e “ruídos” não é fácil.

Como explica Isabel Cavadas, psicóloga no colégio Primeiros Passos, do Porto, os conteúdos digitais “vão diretamente às redes neuronais do prazer”, acabando por se tornar aditivas, o que pode até ter um impacto negativo no desenvolvimento cognitivo da criança.

Isto porque a área do cérebro que governa a atenção é a mesma que domina o controlo de impulsos, a organização e o pensamento crítico, entre outras. Adelaide Dias, psicóloga, diz que todas estas distrações dão origem “a um excesso de informação que as crianças recebem quando a parte emocional ainda não está toda desenvolvida”. Esta desregulação pode gerar “problemas de comportamento, dificuldades no autocontrolo e em gerir a autoestima, a frustração e a ansiedade”.

Os bonecos animados não são todos inofensivos

Uma equipa de investigadores da reputada organização nortre-americana Brookings Institution concluiu recentemente que as distrações constantes a que as crianças estão sujeitas lhes estão a prejudicar a “função executiva”. Ou seja, aquilo que o Center on the Developing Child de Harvard define como “o processo mental que nos permite planear, focar a atenção, recordar instruções e conciliar com sucesso várias tarefas”.

É por isso que, numa tentativa de ajudar os pais e os educadores a orientarem as crianças a desenvolverem capacidades de concentração, a Academia Americana de Pediatria faz uma série de recomendações.

A primeira passa por definir criteriosamente o tempo passado em frente aos ecrãs. As crianças entre os 2 e os 5 anos não devem passar mais do que uma hora por dia a ver programas, mas de qualidade, na televisão. Sim, porque o tempo de ecrã pode ser mais ou menos didático, dependendo do que se está a ver.

Se é fã de “Sponge Bob”, por exemplo, pode ser a altura de pensar duas vezes. Um estudo concluiu que programas que tinham um ritmo mais acelerado, como o “Sponge Bob”, perturbavam a capacidade de uma criança em idade pré-escolar para se concentrar quando comparada com uma outra criança que via programas mais calmos ou estava a desenhar. O melhor seria mesmo ver “A Rua Sésamo”.

A Academia Americana de Pediatria não aconselha a televisão para crianças com menos de 2 anos, propondo antes que se leia, cante, brinque ou converse com elas. “Os pais muitas vezes assumem que se são bonecos animados está tudo bem”, disse Rahil Briggs, psicóloga citada pelo New York Times ao comentar este estudo. Mas as sequências aceleradas e fantásticas de alguns programas infantis podem fazer com que o cérebro das crianças, no futuro, “não consiga prestar atenção a alguma coisa que não seja tão fantástico”.

Criar zonas livres de media dentro da casa

Nas crianças mais velhas, pode ser mais difícil controlar as milhares de mensagens sem sentido, a navegação constante na internet, as conversas ininterruptas nos chats, ou os jogos online, principalmente se têm os seus próprios smartphones. A Academia Americana de Pediatria recomenda que se mantenham, dentro de casa, “media-free-zones”, isto é, áreas sem internet e telemóveis, como os quartos, e há especialistas que falam em “screen-free time”, períodos sem ecrãs, como a hora do jantar, por exemplo. E isto tanto para as crianças e jovens como para os adultos.

No mesmo sentido segue a psicóloga Isabel Cavadas, que propõe “um ritual de pousar o telemóvel”, ou qualquer aparelho tecnológico a fim de proporcionar um momento para a família. Serve “para haver diferenciação do que é o espaço social através do digital e o espaço social da interação direta” e, acima de tudo, para “estabelecer momentos de paragem”, uma vez que “estamos inseridos numa era tecnológica em que temos acesso a tudo o que é imediato, e as crianças nasceram nesta imediatez, o que faz com que tenham dificuldade em parar”.

Para controlar o uso dos meios digitais pelos adolescentes, o ideal é a “negociação”. É necessária uma “comunicação transparente por parte dos pais; a rigidez, ao ser demasiadamente elevada, vai levar o jovem a omitir”, avisa Isabel Cavadas. Há que “tentar ir pelo acordo e não pelas medidas mais radicais”.

Quem manda? Eu ou o telemóvel?

Pelo menos, dizem os especialistas, há que encorajar os filhos a que no período do estudo, o smartphone esteja em silêncio, sem alertas e notificações sonoras. E seria conveniente explicar-lhes como falhamos muito ao tentar fazer duas (ou mais) coisas ao mesmo tempo (como estudar e manter uma conversa no chat, jogar na consola, ou estar atento às publicações e stories dos amigos no Instagram). Não somos (nem sequer as mulheres, como muitas gostam de dizer) multitaskers. O melhor é mesmo mostrar-lhes alguns estudos como um publicado na Psicology Today, sobre os custos de fazer várias tarefas em simultâneo.

Centro de Desenvolvimento Infantil de Harvard publicou uma série de atividades que pode fazer com o seu filho para que este melhore a sua “função executiva”, em várias idades, desde os bébés até aos adolescentes. Incluem, nos mais pequeninos, canções, rimas e jogos de memórias e nos mais velhos, a prática de artes marciais, tocar um instrumento, dançar ou fazer teatro. Tudo isso exige concentração.

Os especialistas sugerem ainda que os pais ajudem os filhos a fazer uma pergunta básica: “Sou eu que mando no smartphone ou noutro aparelho digital ou é é ele que manda em mim?”. E que aprendam a não estar permanentemente ligados. O melhor é responder a mensagens por blocos em vez de estar sempre a interromper a concentração cada vez que chega uma mensagem, isso ajuda-os a melhorar o seu autocontrolo.

Muitos pais podem deparar-se com resistência por parte dos seus filhos nesta tentativa de moderar o uso dos meios digitais. Nessas situações, a opinião de Isabel Cavadas é clara: “Os nãos também têm de existir para educar, os nãos são um meio para a criança aprender a gerir a frustração”, porque “a escalada comportamental requer limites bem definidos e assertividade e consistência”.

Mas acima de tudo, conclui, há que demonstrar “que há tempo para tudo”, seja por iniciativas escolares ou familiares.

Atividades por idades de acordo com o Centro de Desenvolvimento Infantil de Harvard:

  • 3 a 5 anos: teatro, puzzles, culinária;
  • 5 a 7 anos: jogos de tabuleiro, jogos de adivinhas, ritmos de palmas complicados;
  • 7 a 12 anos: qualquer jogo que envolva estratégias, como xadrez, saltar à corda, aprender a tocar um instrumento;
  • Adolescentes: fazer voluntariado, escrever num diário, inscreverem-se num desporto.

 

 

 

Apresentação livro “Ameaça nas redes sociais! E agora, Marta?” 21 abril em Coimbra

Abril 5, 2018 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Mais informações no link:

https://www.facebook.com/events/939383659562845/

Reino Unido quer limitar tempo que crianças passam frente a ecrãs

Março 29, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia e foto do https://pplware.sapo.pt/ de 11 de março de 2018.

Estamos a atravessar uma época em é bastante comum vermos crianças, desde tenras idades, agarradas de forma frenética aos smartphones e tablets.

Trata-se de um comportamento que gera controvérsia e, agora, um Secretário de Estado do Reino Unido pretende limitar o tempo que as crianças passam em frente a ecrãs.

Certamente que já se questionou sobre esta crescente tendência das crianças, quase não irem a lado nenhum, sem estarem agarradas ao smartphone ou tablet… parece uma chupeta que as acalma.

É uma realidade preocupante e já há quem pense em soluções para ela.

Concretamente no Reino Unido, Matt Hancock, Secretário de Estado da Cultura Digital, sugere que se limite o tempo que as crianças estão expostas a ecrãs, sobretudo o que passam online

O Secretário de Estado reconhece que este é um problema e que algo deve ser feito, sendo que essas mudanças devem ser implementadas nas diferentes faixas etárias dos mais pequenos, através de um sistema de verificação de idade que poderia ser benéfico para o controlo do tempo que as crianças passam online.

Em entrevista ao The Times, Hancock diz considerar que o impacto negativo que esta exposição traz para as crianças é uma preocupação genuína, e afirma:

For an adult I wouldn’t want to restrict the amount of time you are on a platform but for different ages it might be right to have different time cut-offs.

There is a genuine concern about the amount of screen time young people are clocking up and the negative impact it could have on their lives.

Estes comentários surgiram após Jeremy Hunt, Secretário de Estado da Saúde também do Reino Unido, ter afirmado que a utilização excessiva das redes sociais pode trazer consequências tão negativas para a saúde das crianças como fumar e como a obesidade.

Das medidas que poderão ser implementadas constam o limite, a não mais que algumas horas, do tempo que os jovens passam online, e a permissão a que se tenha uma conta numa rede social apenas a partir dos 13 anos.

 

 

Adolescentes portugueses trocam Facebook pelo Instagram

Março 23, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Relatório | Deixe um comentário
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PAULO SPRANGER/GLOBAL IMAGENS

Notícia do https://www.dn.pt/ de 5 de março de 2018.

Ana Rita Guerra

Rede de partilha de fotos e vídeos foi a que mais cresceu no ano passado e já é a segunda mais utilizada em Portugal

As notícias da morte do Facebook ao longo dos anos têm sido claramente exageradas, mas a tendência de perda de utilizadores entre os 12 e os 17 anos está a acelerar mais do que o previsto. Há pelo menos cinco anos que diversos estudos se debruçam sobre este problema na rede social mais utilizada do mundo: os mais jovens não querem estar onde estão os adultos. Os números recentes da eMarketer mostram que os adolescentes americanos estão a deixar o Facebook em grandes quantidades e a voarem para a aplicação de mensagens efémeras Snapchat. Mas, em Portugal, a tendência não é bem essa. A rede social que os jovens portugueses preferem agora é o Instagram, que, apesar de também pertencer ao conglomerado de Mark Zuckerberg, tem características mais atrativas para essa faixa de idades.

“Toda a gente começou a deixar de usar [o Facebook] e depois lá não dá para pôr as Stories”, confirma Sofia Matos, de 15 anos. “No Insta dá para pôr histórias e começou a ficar mais na moda.” A criação desta funcionalidade, Instagram Stories, foi uma das iniciativas recentes mais bem-sucedidas da rede social. Permite criar uma história curta com fotografias, frases, clips de vídeo e emojis que desaparece ao fim de 24 horas – uma cópia clara do conceito do Snapchat (e que, na verdade, também existe no Facebook). É a funcionalidade que os jovens portugueses parecem preferir. “Eu quando vou ao Instagram o que costumo ver mais é Stories”, diz ao DN Baltazar Nunes, de 17 anos, que fez exatamente o mesmo que Sofia: desinstalou a app do Facebook do telemóvel e só deixou a do Messenger. “O Instagram é para pôr fotografias e editá-las com filtros diferentes e acho que o Facebook ficou mais antiquado. As pessoas gostam de coisas mais modernas e diferentes”, resume. Baltazar diz que a tendência é a mesma entre todos os seus amigos e dura há cerca de um ano. “O Instagram tem funções completamente diferentes” reitera. “No Instagram, não sei explicar, mas tenho mais amigos que veem.”

Sofia, que já nem se lembra da palavra-passe da conta no Facebook, só usa a app do Messenger para enviar fotografias a si mesma e poder guardá-las. Explica que um dos motivos pelos quais deixou de gostar de ir à rede era estar rodeada de adultos. “No Facebook tinha muitos familiares e no Insta não tenho quase ninguém.”

A mesma transição aconteceu com Mara Machado, que vai fazer 16 anos em maio. No caso de Rafael de Barros, de 13 anos, a passagem para o Instagram deveu-se à popularidade entre os amigos. “Fiz porque ouvia toda a gente a falar sobre isso, queria ver como era e como funcionava”, diz ao DN. Ainda assim, Rafael não é um grande utilizador de redes sociais; mantém o Facebook por causa do Messenger, apesar de quase nunca entrar no seu perfil, e prefere o WhatsApp como meio de comunicação.

Em todos os casos, os pais dos adolescentes criaram contas no Instagram para poderem seguir a atividade dos filhos, sendo que são contas privadas – o adolescente tem de aceitar o pedido para ser seguido e a regra é não o fazer se não conhecer a pessoa.

“Ela acha o Instagram mais seletivo”, conta Ana Machado, mãe de Mara, que agora usa a rede de partilha de fotos para divulgar o seu trabalho de estética. “Um mundo um pouco mais fechado.”

Anabela de Barros, mãe de Rafael, continua a ter as palavras–passe das contas do adolescente, mas diz notar uma grande diferença entre rapazes e raparigas. “Elas expõem-se muito mais”, considera. “Há aquela coisa de se mostrarem.”

Tendência nacional

Estes casos refletem uma tendência nacional que foi atestada pela Marktest num estudo divulgado no final de 2017. Segundo os dados apurados no relatório “Os Portugueses e as Redes Sociais”, da Marktest Consulting, o Instagram foi a rede que teve o maior aumento relativo em 2017, na ordem dos 35%, e é já a segunda rede mais usada pelos portugueses. Enquanto a taxa de utilização global é de 50,3% entre todos os portugueses que usam redes sociais, a penetração na faixa etária dos 15 aos 24 anos é bem mais impressionante: 80,4%.

O Facebook continua a ser a rede mais utilizada, tendo registado durante o ano de 2017 uma taxa de penetração de 95,5% entre o universo de utilizadores de redes sociais. Mas, mesmo que os adolescentes não apaguem as suas contas no site criado por Mark Zuckerberg por uma questão de conveniência – por exemplo, login noutras apps, ligação entre contas ou manutenção do Messenger -, deixaram de ser utilizadores reais. No caso de Mara Machado, a jovem cancelou mesmo o seu perfil e já só usa o Instagram. Os dados da Marktest, curiosamente, indicam que existe uma incidência superior de utilização da rede de partilha de fotos entre as mulheres. Por outro lado, “os residentes na Grande Lisboa e no Grande Porto e indivíduos das classes mais baixas também referem mais do que a média ter conta no Instagram”, indica o relatório da consultora.

E o Snapchat?

A eMarketer prevê que, só neste ano, o Snapchat adicione 1,9 milhões de utilizadores americanos com menos de 25 anos, enquanto o Facebook vai perder 2,1 milhões de utilizadores nessa faixa etária (os analistas questionam se será troca por troca). No ano passado, a rede de Zuckerberg perdeu 1,4 milhões de adolescentes entre os 12 e os 17, três vezes mais que o previsto, e a tendência repete-se noutros grandes mercados, como o do Reino Unido. A aplicação de mensagens efémeras em fotos e vídeos continua a ter mais jovens entre os 12 e os 24 do que o Instagram nos Estados Unidos, mas mesmo assim tem uma dimensão mundial inferior. O Snapchat contabiliza 187 milhões de utilizadores diários, enquanto o Instagram tem 500 milhões.

A que se deve esta diferença entre os jovens americanos e os portugueses? Baltazar Nunes resume desta forma: “O Snapchat é como o Facebook, há uns anos toda a gente usava e deixaram de usar, passou tudo a usar o Instagram.” Sofia Matos confirma: “O Snapchat uso para tirar fotos, porque tem lá efeitos giros, mas já não uso muito.” Rafael de Barros e Mara Machado nem sequer têm lá conta.

Talvez reflitam uma transição que vai chegar a outros mercados, ou estejam a responder às próprias decisões da Snap, casa-mãe do Snapchat, que nos últimos tempos fez um grande esforço para atrair utilizadores mais velhos. Na conferência com analistas para discutir os resultados do quarto trimestre fiscal, o CEO da Snap, Evan Spiegel, falou dos resultados das novidades introduzidas gradualmente na aplicação do Snapchat com esse propósito. O executivo mostrou uma série de indicadores encorajadores, entre os quais melhor envolvimento e interação com utilizadores acima dos 35 anos. É uma faixa etária que normalmente não se associava à aplicação de mensagens efémeras, e que choca com o desejo dos adolescentes de socializarem em ambientes virtuais com poucos ou nenhuns adultos.

A Snap parece estar a tirar notas da experiência do Facebook e do Instagram: é que, embora haja muita atenção devotada às preferências dos adolescentes, estes não têm o mesmo poder de compra das faixas etárias superiores, que estão mais bem distribuídas pelas redes sociais controladas por Mark Zucker- berg.

É um caminho inverso ao que o Instagram fez, quando usou os métodos bem-sucedidos do Snap- chat para atrair utilizadores mais velhos – com resultados muito positivos em mercados como o português. As Stories de que os adolescentes falaram, uma inspiração direta do conceito do Snapchat, aumentou o envolvimento com os utilizadores e acelerou o crescimento em novas contas. É possível até traçar um paralelo entre o ganho de utilizadores no Instagram e a desaceleração do crescimento no Snapchat, o que, por sua vez, levou a Snap a tomar medidas controversas.

De facto, o redesenho mais recente da interface do Snapchat foi feito precisamente para atrair outros públicos, mas causou uma autêntica revolta entre os utilizadores fiéis, que estão a fazer circular uma petição contra com mais de 1,2 milhões de assinaturas. A consultora LikeFolio reportou uma explosão de comentários de pessoas que trocaram o Snapchat pelo Instagram por causa do novo layout, que foi avaliado negativamente por 80% dos utilizadores.

A juntar a esta repercussão inesperada do redesenho, a Snap tombou 6,1% em bolsa e perdeu mais de 1,3 mil milhões de dólares de capitalização bolsista por causa de um tweet de Kylie Jenner, uma das figuras mais populares do clã Kardashian. “Entãooooo há mais alguém que já não vai ao Snapchat? Ou sou só eu… ugh isto é tão triste.” Muitos dos seus seguidores do Twitter (um total de 24,5 milhões) concordaram com o que a celebridade escreveu, apesar de Kylie ter publicado logo a seguir que ainda adora o Snapchat, o seu “primeiro amor”.

mais informações no relatório:

Os Portugueses e as Redes Sociais 2017

 

Antes de partilhar fotos de menores nas redes sociais, pense nisso

Março 20, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.noticiasaominuto.com de 27 de fevereiro de 2018.

Nos Estados Unidos, há uma média de 1500 fotos de menores publicadas pelos pais, antes dos filhos completarem cinco anos de idade, conta o Lavanguardia. Esta é uma prática comum para quem partilha publicamente qualquer momento da sua vida. Nesta perspetiva, poderá fazer sentido que também partilhe aspetos relativos aos seus filhos, mas e quando a criança crescer e tiver idade para opinar sobre se quer ou não esta exposição da sua vida privada?

Esta partilha constante e desenfreada é identificada como ‘Shareting’, que junta os conceitos ‘partilha’ (share) e criar/educar (parenting), numa tentativa de alertar para a necessidade de consciencialização sobre esta prática.

Várias iniciativas seguem este propósito como é o caso da espanhola ‘Por un uso Love de la tecnologia’, que partilha um conjunto de dicas de comportamento a seguir, para que não prejudique a imagem dos mais novos.

Antes de publicar alguma foto, pergunte-lhes se concordam: Os pais têm domínio sobre os filhos menores de idade, mas criar um perfil digital sem que a criança tenha sequer noção, vai mais além dos aspetos sobre os quais as crianças não têm domínio.

Configure a privacidade do seu perfil nas redes sociais: Usando como referência o caso de adultos britânicos, sabe-se que 45% usa perfil fechado só para amigos, 20% permite que amigos de amigos vejam as suas publicações e que 8% optam por perfis abertos. Nos dois últimos referidos casos, há a possibilidade de configurar a privacidade de cada foto, independentemente da generalidade do seu perfil.

Amigos reais ou virtuais? Muito admitem que não são amigos de pelo menos metade das conexões que tem no Facebook. Pense se tem de facto interesse em partilhar fotos privadas do seu filho com estas pessoas que não conhece.

Atenção à informação que a foto transmite: Uma foto a usar o uniforme do colégio, com o equipamento da equipa de futebol que participa ou outro pormenor que revele informação sobre a sua vida, é mais do que partilhar uma simples foto.

Evite partilhar momentos vergonhosos: Os pais podem achar muito engraçado uma foto do filho na banheira, a dormir de boca aberta ou noutra situação que, anos mais tarde, possa vir a ser motivo de humilhação para o filho.

No caso de aparecer outras crianças na foto, peça autorização aos seus pais: Em última instância, a responsabilidade é sua. Partilhar as fotos dos seus filhos é uma decisão sua, mas não tem o direito de tomar esta decisão relativamente aos filhos de outros adultos.

Uma foto partilhada viaja milhares de quilómetros: Através de uma rede de cinco pessoas, qualquer publicação pode chegar ao outro lado do mundo. Pense nisso na hora de qualquer partilha.

 

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