YouTube aperta regras para crianças. Saiba o que muda

Janeiro 21, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 9 de janeiro de 2020.

Alterações que já tinham sido anunciadas entram em funcionamento nos próximos dias. A desactivação e restrição dos comentários, likes e publicidade vai afectar youtubers que fazem vídeos para crianças.

Sofia Neves

As mudanças que o YouTube tinha prometido implementar este ano no que toca aos conteúdos apropriados para menores entraram esta segunda-feira em vigor em todo o mundo, mas só as devemos começar a ver em acção nos próximos dias. Os criadores devem ser claros sobre o tipo de audiência a que estão a dirigir os seus vídeos, mas há mais medidas.

​Em Setembro de 2018, o YouTube lançou em Portugal a YouTube Kids, uma versão da sua plataforma dedicada às crianças. Em Julho de 2019, o site principal deixou de ser acessível a menores de 13 anos — as crianças abaixo desta idade eram direccionadas para conteúdos apropriados para a sua idade na segunda plataforma. No caso de o utilizador ter menos de 18 anos, passou a ser “necessária a autorização de um dos pais ou do tutor legal”.

Este foi o primeiro passo para uma separação definitiva entre os conteúdos que são apropriados para os menores de 13 anos e para a restante população. Pouco depois, em Setembro de 2019, o YouTube anunciou nova série de alterações para “proteger melhor as crianças e a sua privacidade”.

Nessa altura foi anunciado que todos os criadores de conteúdos deveriam, até 6 de Janeiro, designar os seus vídeos como sendo direccionados (ou não) para crianças. Os dados de qualquer pessoa que assistisse a um vídeo designado para essa faixa etária seriam, doravante, tratados como informações de um menor, independentemente da idade do utilizador. O prazo para a implementação destas mudanças terminava esta segunda-feira, mas, como assinala fonte do YouTube ao PÚBLICO, as alterações só “serão levadas a cabo nos próximos dias” — em Portugal e no resto do mundo.

Uma das grandes transformações acontecerá no campo das interacções com os youtubers. A nova política de tratamento de dados significa que, nos vídeos criados para crianças, o YouTube vai limitar a recolha e o uso de dados e, como resultado, vai necessitar de “restringir ou desactivar alguns recursos”. Entre estes estão funcionalidades como os anúncios personalizados, comentários, chats em directo, botões de “gosto” e “não gosto”, notificações que alertam o utilizador para novos vídeos, as histórias, ou o acto de salvar um conteúdo numa lista de reprodução, entre outros. A remoção de comentários em vídeos para menores, por exemplo, acontecerá na plataforma normal porque o YouTube Kids nunca permitiu comentários.

Estas medidas foram também introduzidas para resolver as preocupações levantadas pela Comissão Federal do Comércio dos EUA (FTC, na sigla original). Em Setembro de 2019, o Google aceitou pagar 170 milhões de dólares ​(154 milhões de euros) para encerrar as investigações abertas por aquela entidade e pelo estado de Nova Iorque sobre a recolha de dados pessoais de menores. Em causa estava a forma como a plataforma recolhia informação de crianças para lhes mostrar anúncios personalizados, sem nunca avisar os encarregados de educação — esta era uma violação directa da lei de protecção da privacidade das crianças online nos EUA, conhecida pela sigla COPPA, que dita que as empresas online não podem armazenar e utilizar dados de menores de 13 anos sem autorização.

Mas o que é que é designado como conteúdo para crianças? Um vídeo é designado para aquele tipo de audiência dependendo do seu assunto principal: se enfatiza personagens infantis, brinquedos ou jogos, e se inclui tutoriais, vídeos educativos ou canções.

Nos EUA e no Reino Unido, vários pais têm alertado para problemas no tipo de conteúdo que chega à aplicação com o filtro automático — paródias que usam desenhos animados infantis como o Ruca e a Peppa Pigs — em cenas violentas e sexuais. Mesmo que o YouTube Kids só promova na página inicial conteúdo verificado, as crianças podiam chegar a outros vídeos quando a função de pesquisa estava activada.

Alterações podem prejudicar criadores

Tal como admite o YouTube, estas mudanças “terão um impacto significativo” nos criadores de conteúdo. Desactivando as principais ferramentas de interacção com o público (como os comentários e gostos) e a própria publicidade, a empresa diminui a possibilidade de os youtubers rentabilizarem os seus canais.

Questionada pelo PÚBLICO sobre esta possibilidade, a empresa garante que continua a “acreditar no valor dos criadores de conteúdos para família” e que está a “analisar formas adicionais de entender e apoiar este ecossistema”. “Vamos trabalhar em estreita colaboração com os mesmos durante este período de transição para os ajudar a entender as mudanças que devem esperar na forma como o conteúdo é exibido e monetizado”, lê-se na resposta enviada por escrito ao PÚBLICO.

Já desde 2015 que o YouTube tem tentado dirigir menores de 13 anos para o YouTube Kids, que começou por ser uma aplicação móvel específica dedicada a crianças e que pode ser controlada pelos encarregados de educação.

Além de resolver a questão da COPPA, a aplicação também reduz possíveis problemas com bullying ao impedir o acesso a comentários, e permite aos pais personalizar o conteúdo que os mais novos vêem (por exemplo, limitar o YouTube Kids a vídeos com conteúdo educativo) bem como o tempo que passam na aplicação.

TikTok: a rede social que está a “viciar” as crianças

Janeiro 18, 2020 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do site Delas de 9 de janeiro de 2020.

Provavelmente já se deparou nas redes sociais com vídeos provenientes do TikTok ou já viu os seus filhos a dançar para uma câmara sem entender as razões. Saiba tudo sobre esta App.

Provavelmente já se deparou, enquanto vê os stories do Instagram, com várias das pessoas que segue a publicar vídeos vindos de uma App chamada TikTok. Apesar de não ser propriamente recente, parece que só nos últimos tempos é que esta aplicação tem sentido um verdadeiro boom nos seus seguidores e participantes.

Outro cenário possível: também já se deve ter deparado com os seus filhos a dançar avidamente para uma câmara sem entender as razões. Tem dúvidas sobre o que raio é a aplicação TikTok ou se é segura? Nós ajudamos a desvendar este mistério.

O que é e para que serve

O TikTok é uma aplicação que permite aos seus usuários publicar um vídeo de até 15 segundos na sua conta. Desde fingir que se canta a fazer passos de dança ousados, podendo ainda fazer vídeos com amigos ou animais de estimação, uma breve passagem por esta aplicação mostra-nos que humor e criatividade não faltam.

Titania Jordan, responsável de curadoria e entrevistada pelo site Good House Keeping, explica que a aplicação é “muito divertida”, chegando mesmo a ser “viciante”, acrescentando ainda que é uma aplicação “muito popular entre a a Geração Z, particularmente porque consegue combinar o humor, a dança, a música, a performance e o entretenimento num só sítio onde há micro conteúdos intermináveis e adaptados ao que cada um gosta de ouvir, graças ao seu poderoso algoritmo“, explica a especialista.

A especialista explica ainda que alguns usuários fazem os seus vídeos apenas “por diversão”, já outros ambicionam chegar mais longe, vendo os seus vídeos transmitidos a todos os usuários do TikTok – isto quando alcançam muitas visualizações. Desafios constantes e vídeos em formato de memes é algo muito habitual na aplicação, existindo vários jovens a entrar nos desafios e tentar superar-se uns aos outros, criando novas tendências.

É ou não seguro para as crianças e jovens

Esta rede social permite que os usuários se conectem uns aos outros, podendo ver qualquer tipo de conteúdo que não se consegue filtrar, o que começou a preocupar alguns pais.”Embora existam recursos de privacidade, o controlo parental não existe na App“, explica Titania Jordan.

“Os usuários podem entrar em contacto com qualquer pessoa do mundo, uma vez que a plataforma é de cariz público”, continua a explicar a especialista, acrescentando que “embora seja possível bloquear ou denunciar outras pessoas por mensagens inapropriadas, por exemplo, o TikTok não possui controlos parentais mais amplos“, reitera.

Se o Instagram, por exemplo, permite que os perfis sejam privados e que exista um maior controlo sobre com quem se está a falar ou o que se está a ver, esta rede social é publica e permite que todo o conteúdo seja visível a todos os usuários. “Como o TikTok é uma plataforma que incentiva a performance, isto pode facilitar a que alguns ‘predadores’ usem elogios ou métodos idênticos para chegar mais facilmente às crianças e jovens, fazendo com que se sintam especiais”, avisa a especialista em curadoria.

Mas Titania Jordan adverte ainda para mais algumas questões pertinentes: ainda que seja possível colocar o perfil privado, isso não quer dizer que dê para filtrar o conteúdo que o usuário vê. “Mesmo que coloquemos a nossa conta como privada, ainda podemos ser expostos a conteúdo sexual ou violento, porque estes conteúdos são publicados no feed público”, explica, acrescentando ainda que “este tipo de conteúdo pode variar desde vídeos de cariz sexual, passando por mostrar acrobacias fisicamente perigosas (que as crianças acabam por conseguir recriar), tendo ainda a possibilidade de comentários racistas e discriminatórios”, termina por explicar.

Para além do mais, como qualquer outra rede social, o TikTok pode ainda propiciar sentimentos de tensão e ansiedade por se querer criar ‘mais e melhor’, o que pode não ser vantajoso para o publico mais jovem: “As crianças podem ser absorvidas pela pressão de ‘terem’ de criar mais e melhores conteúdos, e isso pode causar sentimentos de ansiedade, especialmente se o seu conteúdo não estiver a ser destacado como popular”, adverte ainda a entrevistada.

As políticas de segurança da App

Para que existisse uma maior consciencialização sobre as políticas de segurança da aplicação, o TikTok fez uma parceria com a Family Online Safety Institute (FOSI), organização internacional sem fins lucrativos, que afirma que a rede social “que oferece espaço para a expressão criativa e oferece uma experiência genuína, alegre e positiva, que vai ao encontro da missão da FOSI de incentivar as famílias a compartilhar de forma positiva as suas experiencias online e a conversar com as crianças sobre o que fazem online”, podemos ler na plataforma digital da instituição.

Conseguimos ainda, na mesma página, ter acesso a algumas dicas de segurança bem como um guia para os pais. São ainda disponibilizados vários vídeos educacionais que ensinam a gerir melhor os controlos no site.

Cyberbullying: apenas porque sim

Janeiro 17, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Vera Silva publicado no Público de 14 de janeiro de 2020.

Há que informar largamente os nossos jovens para os riscos que a exposição da sua imagem publicamente pode correr.

Numa era digital onde tudo se torna demasiado fácil, encapuçado por um ecrã, miúdos e graúdos escondem-se na compensação das suas necessidades sociais maioritariamente falhadas. Objetivos de difícil concretização manifestam-se numa agressão evidenciada por atos de índole dúbia.

Aquilo que se mostra em publicações de redes sociais é apenas os que se quer ver e não aquilo que verdadeiramente somos. Rasgos de felicidade e de vidas ilusionadas mostram-se em fotografias quase sempre de beleza e alegria. Quando assim não é a vitimização, por detrás da publicação, também ocorre. Mostra-se a vida que se pretende mostrar. Mantêm-se fachadas, máscaras do se quer mostrar e erra-se no encontro do que verdadeiramente é. Destroem-se vidas apenas porque sim. A difamação, calúnia e derrame da imagem ocorrem entre adolescentes, mas também e cada vez mais entre adultos. Uma forma cobarde de se atingirem objetivos infelizes de prejudicar a vida alheia. Muitas vezes porque sim.

Entre agressor e agredido a diferença é vasta e ao mesmo tempo tão curta. Agredir é muitas vezes um ato de defesa cobarde. Agride-se por que sim, porque quero e porque a liberdade que me é concedida nas redes sociais é de tal forma extensa que não há limites… e também porque ninguém está a ver, não se é identificado. Já lá vai o tempo em que o que corria menos bem se resolvia cara a cara. Agora ofende-se, denigre-se a imagem de outros por motivo algum, mas também porque sim.

Mas são assim tão importantes as redes sociais que nos fazem colocar a vida em risco ao expor a imagem que é do próprio e só a ele diz respeito? O grau de confiança que deposito em alguém é medido pelo que publica, pelo que diz que disse, e se será ou não de confiança. Entre dez atos de bondade ao próximo, um ato tido pelo outo como desadequado danifica uma relação, porque a virtualidade assim nos ensina. É fácil, descartável e ninguém me vê. Destruo a imagem do outro apenas porque sim.

Quando alguém ataca é porque se sente de alguma forma agredido, seja porque motivo for, mais que não seja porque a vida do outro nas redes sociais (desconhece-a na realidade) é tão boa, tão feliz, tão brilhante, repleta de sucesso que por esse motivo me apetece destrui-la, mesmo sem a conhecer na realidade. Construções mentais de emoções que assolam o corpo ao olhar para a realidade virtualidade social do outro manifestam-se na destruição daquele que se “admira”. A admiração, é subjetiva, pois no seu expoente máximo pode tornar-se obsessão e assim sendo deixam de existir bitolas que sirvam para manter o discernimento.

O agressor deliberadamente assume um papel de prepotência perante aquele, que sofre as consequências da ofensa. A diferença entre nós e os animais é que os mesmos atacam para se defenderem e se alimentarem. O ser humano fá-lo muitas vezes por que sim. A prepotência de quem agride exige uma paciência enorme do outro para que se dê a outra face. Muito poético, muito inteligente, muito sábio dar a outra face quando se sofre na pele a agressão da calúnia e difamação. No entanto, o limite humano permite-nos dizer chega!

Hoje em dia muitas são as crianças que já tem acesso às redes sociais e por vezes com a conivência do adulto. Digo por vezes porque situações há nas quais os pais desconhecem sequer o que os filhos fazem por mares navegados da internet. As redes sociais são de fácil acesso, difícil é sair delas, porque uma vez publicado dificilmente se apaga da net e da mente dos que assistiram de camarote à difamação e calúnia sem nada fazerem. As crianças e adolescentes ainda não atingiram um grau de maturidade para discernir entre o que pode eventualmente ser divulgado e o que não pode. Muitas vezes mesmo o que pode é alvo de calúnia. Há que informar largamente os nossos jovens para os riscos que a exposição da sua imagem publicamente pode correr. Esta educação deve vir da família em primeiro lugar, mas também da escola através das aulas de Educação para a Cidadania, por exemplo. Quantas imagens de jovens são colocadas nas redes sociais com fortes avisos de que emocionalmente não estão bem e nada é feito, porque o mundo virtual é de tal forma intrincado que a maioria das famílias e da escola não têm conhecimento deste sofrimento explicito na fotografia publicada para chamada de atenção. Por vezes considera-se (nalguns casos assim é) que o que se publica serve para alimentar o ego com mais likes e seguidores. Mas com isto têm que expor a sua vida, estar constantemente, ligados a uma App para que tenham vida social lá. A exposição mesmo a mais correta, acreditando que não há certos nem errados, pode ser alvo de calúnia e difamação. Como ficará no futuro a vida destes jovens que expõem a sua vida a nu nas redes sociais? Atualmente para termos uma noção superficial da pessoa que temos à frente vamos às redes sociais (por exemplo para uma entrevista de emprego). O que é facto é que muitas vezes são o lobo na pele do carneiro e isso as crianças e jovens são sabem discernir… nem mesmo os adultos. Porque muitas vezes acredita-se que o que é mostrado é o que é real. Em fases cujo desenvolvimento social, mental e da imagem têm elevada preponderância como é o caso da adolescência, como farão a gestão emocional quando, são alvo de chacota, difamação ou calúnia? Como poderão apresentar-se no dia seguinte na escola e enfrentar os colegas? Muitos dirão, infelizmente, “colocou-se a jeito”. Infeliz expressão e de desrespeito pelo ser humano. Consequências graves poderão advir destes atos impensados de jovens para jovens, pois o caminho para situações de automutilação ou suicídio é curto.

O uso de fotografias de crianças e jovens para fins degradantes é algo a reter já que ao ser publicada a fotografia na rede social, por mais cuidado com a segurança que se possa ter, aquela imagem, fica ao acesso de todos. E todos… são mesmo todos.

Mas o que é facto é que os adultos têm dificuldade em ser exemplo, pois ao publicarem nas redes sociais momentos que só aos próprios dizem respeito (por vezes para mostrarem que têm a família perfeita, dentro da desarmonia existente), fotografias de crianças (sem a sua autorização) estão a colocar em risco a vida dos que mais amam. Quanto mais adultos, mais distantes ficam da inocência da infância, e se as crianças são apanhadas nas malhas das redes sociais é por serem crédulas, de que o que vêem é o que é. No caso do adulto, o mesmo sabe ou deveria saber que expor-se nas redes sociais é colocar a sua imagem (literalmente) à disposição de todos. E as intenções nem sempre são as melhores de todos aqueles que se tornam amigos, seguidores, etc. Difama-se, calunia-se derrama-se a imagem apenas porque sim.

A autora escreve segundo o novo acordo ortográfico

Pediatra e Investigadora em Ciências da Cognição e da Linguagem do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa

7 conselhos para ajudar os miúdos a lidar com as redes sociais – conselhos de Maria João Cosme do IAC

Janeiro 15, 2020 às 8:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da Visão de 9 de janeiro de 2020.

Margarida Queirós

Na edição de dezembro da VISÃO Júnior falámos sobre o mundo dos likes. Agora, temos sete conselhos – dados por uma psicóloga – para os pais ajudarem os mais novos a lidar com as redes sociais.

As redes sociais fazem parte da nossa vida, é um facto que ninguém consegue negar. Os mais novos também as usam e muita da sua vida social é vivida no Instagram, no TikTok e no Facebook. Passar demasiado tempo preocupado com likes ou ansioso porque os dados móveis acabaram é algo que acontece a muitos jovens. Por isso, e com base em testemunhos recolhidos junto dos nossos leitores que usámos no artigo de capa, questionámos a psicóloga Maria João Cosme sobre algumas situações comuns a muitos pais. A especialista é psicóloga no programa SOS Criança, do Instituto de Apoio à Criança.

Ultimamente o meu filho só fala de redes sociais. O que posso fazer para que se interesse por outras atividades?

As redes sociais não têm de ser conotadas apenas como algo negativo. Sabendo que nas redes sociais a comunicação faz-se principalmente entre pessoas amigas, podemos por exemplo aconselhar outras atividades que possam fazer offline com essas pessoas. O ponto de partida deve ser ouvir os filhos, mostrar interesse pelo que gostam e tentar perceber como funcionam as redes sociais. Depois, poderão pedir que os filhos façam o mesmo, ou seja, que deem atenção a outras atividades que os pais dominem melhor. Conhecer os filhos e os seus interesses abre uma porta de comunicação saudável e rica entre pais e filhos!

Já aconteceu ver o meu filho triste porque uma das fotos que publicou teve poucos likes. Como lhe explico que os likes não ditam se as pessoas gostam de nós ou não?

Os pais devem ter sempre por base uma relação de confiança, abertura e comunicação com os filhos. Isso começa à nascença… Até antes! Assim sendo, os pais, melhor que ninguém, saberão chegar até eles. Por um lado, mostrando empatia pelo seu sentimento de tristeza mas, por outro lado, explicando de forma clara que os likes são gestos à distância, não há apego, não há pessoas em presença, logo, não se podem nunca comparar com as ações e os sentimentos que temos em presença de alguém. Se forem likes de desconhecidos também não devem ser sobrevalorizados, ou seja, ter likes ou não terlikes deve ter a mesma explicação, relativizando o tema, para não ter uma dimensão desmesurada.

O meu filho está sempre ligado, e quando lhe peço para largar o telemóvel, noto que fica ansioso, como se fosse perder algo. É normal?

Pedir para largar o telemóvel vai depender do que o jovem estiver a fazer . É normal que o filho fique ansioso caso esteja envolvido numa atividade ou jogo ou conversa que tenha de interromper. Obviamente, se estiver a usar o telemóvel num momento desadequado, como por exemplo ao jantar, ou onde saiba à partida que está a incumprir ou desobedecer, não deve ser valorizada a sua ansiedade e deve ser explicada de forma assertiva a regra e o motivo pelo qual não se pode estar ao telemóvel naquele momento. Os pais devem também ser o exemplo e desligar mais vezes o seu telemóvel!

A minha filha tem muitos seguidores nas redes sociais e está a tornar-se “famosa”. É normal para uma adolescente? O que faço para que não dê tanta importância ao assunto?

O sentimento de “ser famoso” nao tem de ser negativo. Tem, sim, de ser contextualizado, ou seja, a jovem deve entender a diferença entre  a “fama” online, e a fama da vida real, conseguida através de reconhecimento por feitos nobres ou de excelência em alguma área específica. Os pais devem ajudar a “trazer à terra” e não deixar que fiquem demasiado deslumbrados com algo que nem sequer conseguem dominar pelo carácter “fantasiado” do mundo virtual.

Como explico aos meus filhos que a vida dos influencers não é exatamente como vemos no Instagram?

Os influencers só mostram o que querem. Tal como os atores e atrizes também têm vidas muito diferentes das que mostram no ecrã – assim se deve explicar que nem tudo o que parece é.  Caso os influencers sejam modelos pela positiva, isso pode resultar numa boa forma de os jovens seguirem modelos.

Como posso ajudar a minha filha a reduzir o tempo que passa no telemóvel?

Os pais devem sempre ter um discurso pela positiva. Falar dos benefícios que se pode ter e das muitas atividades interessantes que se podem fazer se tiverem mais tempo disponível: estando online na vida real,  fazendo histórias sem Instagram e obtendo abraços em vez de likes. O sabor disto falará por si. Têm que se sentir os ganhos!

Como posso introduzir a ideia de fazer um detox de redes sociais/telemóvel? Qual será a melhor altura e como se pode lidar com a ansiedade que daí resulte?

Qualquer vício está associado a ansiedade. Combater os vícios é perceber as rotinas que lhe estão associadas. Se os nossos filhos perceberem em que momentos mais usam o telemóvel, poderão antecipar e substituir o uso do telemóvel por qualquer atividade ou ocupação que gostem. Estarem distraídos e divertidos ou concentrados em algo, fará desaparecer ou diminuir a ansiedade. O que interessa é estarem a sentir prazer: se o obtiverem de uma forma diferente, não haverá ansiedade associada. A nossa mente é que nos guia e somos nós que controlamos a nossa mente! Experimentem em família programas de fins de semana ou férias cativantes, mantendo a possibilidade de usarem telemóvel ou rede social em momentos acordados pelos interessados. Não esquecer que os pais devem dar o exemplo!

Vício do telemóvel afasta as famílias dentro da própria casa

Janeiro 1, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site Up to Kids

Vício do telemóvel afasta as famílias dentro da própria casa

Os telemóveis foram e são, sem dúvida, umas das melhores invenções de sempre.  Permitem-nos que possamos estar em constante contacto com pessoas que estão a milhares de quilómetros de distância. As redes sociais vieram ainda “aproximar-nos” de amigos com quem não conseguimos estar no dia-a-dia. Mas será esta aproximação real? Ou quanto mais nos aproximamos dos nossos amigos, mas nos estamos a afastar da nossa família?

Há vários fatores a ter em conta, mas como em tudo, as redes sociais têm muito de positivo, mas também um lado negativo.

Se por um lado as novas tecnologias e as redes sociais nos permitem estar a par de tudo o que se passa no Mundo em tempo real,  o facto de passarmos tanto tempo a olhar para o telemóvel, faz-nos perder muito do que se passa à nossa volta, incluindo o que se passa em nossa casa.

O fotógrafo Al Lapkovsy partilhou uma série de imagens que, apesar de serem um pouco chocantes, retratam exactamente o que se passa em casas em todo o Mundo.

Desde pais que deixam de dar atenção aos filhos por estarem a olhar para o telemóvel, a crianças que acabam por não ter com quem brincar pois todas as outras estão agarradas aos telemóveis, ou até mesmo casais que deixam de aproveitar a sua intimidade para estarem nas redes sociais.

Muitas são as famílias que, apesar de viverem na mesma casa, se afastam cada vez mais, e tudo graças a este vício silencioso.

Com isto não digo que se deva deixar de usar as novas tecnologias e as redes sociais. Mas cabe-nos a nós, adultos e pais, controlar o uso para que não se torne exagerado prejudicando o equilibrio familiar. O vicio do telemóvel não pode existir.

Nada é mais importante do que a nossa família, por isso temos de garantir que a aproveitamos ao máximo, antes que seja tarde demais!

Façamos uma reflexão sobre se estamos realmente a valorizar e priorizar a família.

Estas imagens fazem parte da coleção Desconectar Conectar do artista AL LAPKOVSKY

Era uma vez umas roupas que um dia já tinham sido uma pessoa, iluminadas pela luz azulada 

De acordo com vários estudos, algumas crianças passam em média 7,5 horas na frente das telas por dia. Isso mesmo 7,5 horas. É o tempo que a maioria dos adultos passa no trabalho diarimante. Os adolescentes passam até nove horas por dia nos meios sociais. Surpreendentemente, uma pessoa comum gasta quase duas horas (aproximadamente 116 minutos) nas redes sociais todos os dias, o que significa um total de 5 anos e 4 meses ao longo da vida. Atualmente, o tempo total gasto nas meios sociais supera o tempo gasto a comer e beber, a socializar ou organizar.

Para percebermos o tempo excessivo que uma pessoa passa realmente nos meios sociais, façamos a comparação com o número de horas (cinco anos e quatro meses) que passa ao longo da vida a sociabilizar com amigos e familiares na vida real (um ano e três meses ).

Estamos a desaparecer, deixamos de existir, perecemos.

Não podemos imaginar as nossas vidas sem os ecrãs azuis. Somos bombardeados com notícias, atualizações e status. Temos milhares de amigos e ainda estamos sozinhos. Somos semi-transparentes, perdidos na luz azul de informações inúteis e num falso sentimento de pertença.

O principal objetivo deste projeto é ilustrar como continuamos a desconectar-nos da realidade que nos rodeia a qualquer momento e nos envolvendo em algo que talvez seja real, mas não tão importante e relevante no momento. Como, apenas pela natureza do hábito, escolhemos com mais frequência olhar para o ecrã do que olhar à volta. Enviar uma mensagem para alguém em vez de conversar com uma pessoa sentada à nossa frente. Como a nossa mente se torna global no sentido de que podemos conversar com pessoas que mal conhecemos e, ao mesmo tempo, ignorar alguém muito próximo e real.

Quando estamos com os nossos filhos, estamos realmente presentes? Ou estamos no vício do telemóvel?

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É frequente os nossos filhos alhearem-se dos irmãos e dos pais?

Enquanto casal: quantas vezes já esteve em situações idênticas às retratadas?

Privacidade online trocada por miúdos

Janeiro 1, 2020 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Notícia do Educare de 23 de dezembro de 2019.

Campanha nacional vai sensibilizar crianças, pré-adolescentes, adolescentes e jovens adultos para a confiança e segurança online. Serão disponibilizados tutoriais e recursos e lançado um concurso para alunos de todos os níveis de ensino.

Sara R. Oliveira

A aprovação chegou da Internet Society Foundation e o projeto “ePrivacidade Trocada Por Miúdos”, iniciativa do Capítulo Português da Internet Society e do Projeto MiudosSegurosNa.Net arranca em 2020. Trata-se de uma campanha que pretende sensibilizar crianças, pré-adolescentes, adolescentes e jovens adultos para a confiança e segurança online. A iniciativa será lançada publicamente num evento marcado para 28 de janeiro de 2020, Dia da Proteção de Dados, na Fundação Portuguesa das Comunicações, em Lisboa.

O projeto está desenhado e inclui quatro componentes. Um evento anual para assinalar o Dia da Proteção de Dados. A disponibilização de tutoriais e outros recursos sobre privacidade e segurança online. Um concurso anual destinado a estudantes de todos os níveis de ensino, do pré-escolar ao universitário, interessados na sensibilização em torno da privacidade online. A disseminação dos trabalhos desenvolvidos pelos estudantes no âmbito do concurso.

“O objetivo é sensibilizar e levar crianças, pré-adolescentes, adolescentes e jovens adultos, sobretudo, mas a população em geral, a refletir sobre o tema, sobre os riscos associados à falta de privacidade online e sobre a importância de a salvaguardarmos. Para tal, pretendemos também ouvir os jovens sobre esta temática, de forma a dar-lhes voz para que possam ser ouvidos no debate público sobre o tema”, adianta Tito de Morais, fundador do Projeto MiudosSegurosNa.Net, ao EDUCARE.PT. O projeto tem prevista uma duração de dois anos, que poderão ser prolongados em função do seu sucesso.

Para José Legatheaux Martins, presidente da Direção do Capítulo Português da Internet Society, a iniciativa “está alinhada internacionalmente com as metas da missão da Internet Society e também com as prioridades do Capítulo Português anunciados aquando da eleição desta direção em março último”. O responsável destaca algumas dessas prioridades, tal como a promoção de debates e formações à volta da problemática da confiança, a produção de materiais de suporte e ações de apoio à formação dos utilizadores, sobretudo dos mais jovens, e o “lançamento de um concurso que promova o envolvimento ‘mãos na massa’ de equipas de jovens em torno do tema confiança online”.

Aprofundar um tema atual e complexo é um dos objetivos do projeto que conta com o patrocínio da Internet Society Foundation e o apoio da Fundação Portuguesa das Comunicações. A Internet Society Foundation é uma organização sem fins lucrativos que trabalha com a Internet Society para apoiar uma visão partilhada de que a Internet é para todos. Esta fundação foca-se no financiamento de iniciativas que promovam o desenvolvimento da Internet como uma infraestrutura técnica global e o que pode fazer para enriquecer a vida das pessoas em todo o mundo.

O Projecto MiudosSegurosNa.Net, lançado em 2003, ajuda famílias, escolas e comunidades a promover a utilização ética, responsável e segura das tecnologias de informação e comunicação por crianças e jovens. Guia-se pela visão de uma sociedade onde as famílias, as escolas e as comunidades trabalham em conjunto para minimizar os riscos a que crianças e jovens podem estar expostos online, no sentido de lhes permitir maximizar as oportunidades e os benefícios que as tecnologias de informação e comunicação têm para oferecer.

O Portuguese Chapter da Internet Society, designado em Portugal por Associação ISOC Portugal, é uma instituição sem fins lucrativos, reconhecida pela Internet Society como sua representante no nosso país. Promove o desenvolvimento de uma Internet segura e confiável, acessível a todos, aberta e de acesso não discriminatório, com respeito pelos princípios da liberdade de expressão e da privacidade.

A campanha “ePrivacidade Trocada Por Miúdos” conta com um vasto leque de parceiros. Entre várias entidades públicas e privadas, convidadas a aderir ao projeto, estão a Confederação Nacional das Associações de Pais, a Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação, o Conselho Nacional de Juventude, a Associação D3 – Defesa dos Direitos Digitais, a Associação Nacional de Professores, a Associação Nacional de Professores de Educação Visual e Tecnológica, a Associação Nacional de Professores de Informática, a Associação para a Promoção da Segurança Infantil, a Associação Nacional para o Software Livre, a Associação Portuguesa para a Promoção da Segurança da Informação, a Aventura Social, a Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens, o Dream Teens, o Eukids Online, o Instituto de Apoio à Criança, o Instituto Português da Juventude e Desporto, o Programa Escolhas, a Rádio Miúdos e a Rede de Bibliotecas Escolares.

ByteDance, dona do TikTok, paga multa de $1,1 milhões por ter recolhido dados de crianças

Dezembro 13, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do PPLWare de 8 de dezembro de 2019.

O TikTok tem estado sob fogo no mundo Ocidental, especialmente nos EUA. O seu crescimento notável tem preocupado algumas entidades, sobretudo por ser uma empresa chinesa. Agora, a ByteDance, dona do TikTok, aceitou pagar multa de $1,1 milhões por ter recolhido dados de crianças.

Segundo o acordo alcançado, foram violadas leis de privacidade das crianças nos EUA, recolhendo dados e executando a app “de forma imprudente e ilegal para obter ganhos comerciais”.

O TikTok, apesar de ter pouca representatividade em Portugal, é uma das redes sociais que mais cresce em todo o mundo! Desde 2017, o seu crescimento foi de 1.533%.

Especialmente popular junto dos mais novos, o TikTok consiste em pequenos vídeos em que os utilizadores acrescentam música e efeitos especiais. Um conceito semelhante ao antigo Vine, entretanto extinto.

A empresa mãe da rede social é a ByteDance, da China. Esta empresa adquiriu o Musical.ly em 2017 e transformou-o no fenómeno que o TikTok é hoje em dia. Contudo, algumas práticas realizadas pela antiga rede social ditaram agora uma multa milionária para a ByteDance.

Num processo judicial nos EUA alega que o Musical.ly havia recolhido, de forma indevida, dados de crianças. Em causa está a “recolha e divulgação clandestina de informações de identificação pessoal e/ou dados (…) de utilizadores menores de idade, tendo sido posteriormente vendidos a terceiros para que pudessem comercializar os seus produtos e serviços na rede social”.

Acima de tudo, as queixas estão no ineficaz controlo do uso do TikTok por parte de menores de idade, especialmente em crianças com menos de 13 anos. Para além disso, a acusação focou-se também no tratamento realizados aos dados destes utilizadores, que devem ser diferenciados tendo em conta o seu estatuto.

Tendo em conta o sucedido, a ByteDance aceitou pagar 1,1 milhões de dólares pelas violações de privacidade feitas no passado. Para além disso, demonstrou que irá mudar a sua atividade no futuro de modo a evitar a repetição destas situações.

O TikTok está comprometido com a proteção dos dados dos seus utilizadores, especialmente dos mais jovens. Embora discordemos de grande parte do que é alegado na denúncia, temos trabalhado com as partes envolvidas e temos o prazer de anunciar uma solução para este problema”.

Nos Estados Unidos da América, a app da rede social já foi transferida mais de 110 milhões de vezes. É assim um autêntico caso de sucesso!

Eduardo Mota

Redator

Os grupos de pais no WhatsApp são um problema para as escolas? Depende

Dezembro 5, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Visualizar a notícia do Público de 11 de novembro de 2019 no ficheiro:

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Sessão de Sensibilização “#Geração Cordão – A Geração que não desliga!” 30 novembro Sobral de Monte Agraço.

Novembro 28, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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João criou uma app para incentivar crianças a ler — e isso mudou-lhe a vida

Novembro 28, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 21 de novembro de 2019.

Aos 18 anos, o jovem de Santarém não queria nada com a escola; a nota suficiente para passar “chegava”. Até que a participação num concurso destinado a resolver problemas sociais através da tecnologia lhe trocou as voltas. Hoje prepara a entrada no curso de Engenharia Informática com a criação de uma aplicação no currículo.

Ana Rita Moutinho (texto) e Nuno Ferreira Santos (fotos)

Em criança, João Rosado não tinha uma resposta definida quando lhe faziam a típica pergunta “O que queres ser quando cresceres?”. Todos os anos tinha uma sugestão nova e, do que se lembra, a mais original foi “primeiro-ministro”. Revelara-se um aluno distraído, o que acabou por marcar (e complicar) a sua passagem pelos bancos da escola. “Não me sentia cativado, acabava sempre por me perder nas aulas”, confessa ao P3. “A nota necessária para passar” era suficiente para satisfazer as suas exigências. Nos jogos e no computador, oferecido quando frequentava o 6.º ano do ensino básico, acabou por encontrou a escapatória, através da qual começou a construir “uma relação próxima com a tecnologia” que resultou na criação de uma aplicação para incentivar as crianças a ler.

Na hora de escolher a área a seguir no ensino secundário, esta relação não foi, naturalmente, ignorada. Optou por um curso de Multimédia onde, durante três anos, teve aulas de Tecnologias de Informação. Os conhecimentos adquiridos revelar-se-iam úteis quando, no início do 12.º ano, o jovem foi apresentado ao projecto Apps for Good, uma iniciativa que apela à criatividade dos alunos para que, com recurso à tecnologia, apresentem soluções para problemas quotidianos. O estudante não ficou imediatamente convencido ou cativado pela ideia, mas como a conclusão do ciclo de estudos que frequentava pressupunha o desenvolvimento um “projecto de aptidão profissional”, acabou por anuir numa lógica de “Ok, vamos experimentar e ver no que dá”. Sempre “sem expectativas”.

O resultado chegaria após dois períodos de aulas, nos quais João e Mónica Marona (sua colega de grupo) trocaram ideias e discutiram conceitos para a Pensa antes de publicar, a aplicação que desenvolveram com o objectivo de “ensinar às crianças algumas regras e incentivá-las para o hábito da leitura”. O projecto contempla um livro (escrito e construído pelos alunos) que alerta para “os perigos das redes sociais” e uma aplicação para smartphones. A tecnologia está dividida em dois módulos: “um de realidade aumentada [em que as imagens de livros são animadas] e outro que consiste num quiz de consolidação de conhecimentos” sobre os conteúdos lidos. Durante a concepção da app, os estudantes foram acompanhados por professores, que dedicavam ao projecto cerca de duas horas semanais. Mesmo assim, tiveram que esperar até ao final do ano lectivo para ver o trabalho reconhecido, a nível escolar, com “nota máxima”.

Apesar do feedback positivo que foram recebendo, João confessa que o trabalho foi “um pouco menosprezado” pela dupla, que nunca foi capaz de lhe atribuir “a credibilidade que realmente tinha”. A percepção começou a alterar-se quando a Pensa antes de publicar foi a vencedora da final nacional do Apps for Good, que teve lugar na Fundação Calouste Gulbenkian. O primeiro lugar, encarado “com surpresa”, valeu aos jovens a oportunidade de representar Portugal em Londres, no evento final da iniciativa. “Uma experiência engraçada”, classifica o jovem natural de Santarém.

Da mostra de Londres também não saiu de mãos vazias. Apesar de não ter ganho prémios, no bolso trouxe alguns contactos de empresas que o incentivaram a prosseguir trabalho. Entre elas, a gigante alemã Mercedes. A mesma que, semanas mais tarde, lhe batia à porta e acenava com uma proposta de estágio em Mem Martins, onde se situam as instalações portuguesas da marca de automóveis. Lá, João fazia “suporte aplicacional com pequenos desenvolvimentos internos, dentro da casa”.

Finalizado o estágio, que o jovem diz ter corrido de forma “impecável”, algo começou a mudar. A experiência num ambiente profissional estimulante e exigente fez com que o aluno outrora desmotivado começasse a considerar um rumo diferente para a sua vida, algo que passasse pelo ensino superior. “Quando acabei o 12.º ano não tinha qualquer interesse em prosseguir os estudos mas, um pouco à conta de tudo isto (o concurso, os resultados que obtive e ver que era realmente bom nesta área), pretendo ingressar em Engenharia Informática no próximo ano lectivo.”

Aos 23 anos, João trabalha numa instituição financeira de crédito onde desempenha funções como “developer em formação”. O futuro passará por conciliar esta mesma actividade profissional com a licenciatura em regime pós-laboral.

Face a todas estas mudanças, o jovem confessa que a Pensa antes de publicar foi relegada para segundo plano, tendo em conta que “não houve qualquer interesse ou ideia” que motivasse uma actualização do que já existia. No entanto, a tecnologia continua a ser utilizada pelos alunos do segundo ciclo do ensino básico no agrupamento de escolas que a dupla de antigos alunos frequentou em Santarém. Planos para a comercialização parecem não existir de momento, até “porque a Porto Editora e a Areal já se juntaram para fazer algo similar”.

Acho que [o Apps for Good] me abriu os olhos e abre a muitos alunos. Não é só falar em teoria, tem a parte prática e coisas físicas”, confessa. Ainda que na altura não fosse esta a sua opinião, o conselho que tem para dar aos alunos que hoje possam estar a participar numa iniciativa semelhante resume-se a uma palavra: “Aproveitem!”

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