A “pressão do mundo virtual” anda a mexer com a saúde mental dos jovens

Setembro 21, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 7 de setembro de 2017.

Passam em média mais de duas horas por dia nas redes sociais. Há especialistas que acham que isso já se está a notar nas urgências e consultórios psiquiátricos.

Catarina Reis

Sem barreiras e sem segredos, como uma casa virtual onde tudo pode realmente acontecer. Assim se apresentam as redes sociais aos jovens que as utilizam como o seu meio de comunicação mais natural. E a pergunta que muitos pais fazem é esta: pode o uso excessivo de redes sociais estar associado ao aparecimento de problemas de saúde mental? O médico psiquiatra Diogo Telles Correia, a psicóloga Rosário Carmona e a pedopsiquiatra Maria de Lurdes Candeias acreditam que sim.

Da rua para casa, do convívio de recreio às conversas em redes sociais — em Portugal, são os jovens dos 15 aos 24 anos que mais tempo lhes dedicam. Passam uma média de mais de duas horas por dia a “conversar” e a “partilhar”, segundo um estudo da Marktest, divulgado no ano passado, que indicava ainda que em poucos anos — de 2008 a 2015 — a percentagem de utilizadores, entre todas as faixas etárias, crescera de 17,1% para 54,8%.

Diogo Telles Correia não hesita em ligar os mais recentes números ao crescimento de patologias do foro psicológico nos jovens, como ansiedade e depressão. Porquê? De acordo com o especialista, as redes sociais expõem “os adolescentes a um contínuo fluxo de informação, que os estimula constantemente e alimenta uma personalidade hiperactiva e que pode conduzir, não raramente, a situações de ansiedade”.

E a ansiedade, diz o médico psiquiatra e psicoterapeuta, é um veículo para a depressão. Além disso, a globalização das redes sociais veio tornar as relações humanas “mais superficiais e menos estruturantes, facto que reduz a resiliência dos adolescentes às adversidades”, acrescenta.

Aos olhos de Rosário Carmona, psicóloga especialista em adição à Internet, o problema não é novo. “A pressão social, a pressão da integração, sempre existiu. Agora, apenas existe em moldes diferentes.” E prossegue: “Enquanto essa pressão existia na realidade, agora há uma pressão adicional — a do mundo virtual. É esta pressão, que as gerações antigas já tinham, mas a duplicar.” E que é passível de ser encontrada nos episódios mais banais do dia-a-dia de um adolescente. “O não pertencer a um grupo de turma já é motivo de stress. Tudo é uma pressão social” na vida dos adolescentes.

Já a pedopsiquiatra Maria de Lurdes Candeias considera que se um adolescente está sujeito a uma pressão social resultante das redes sociais, então é natural que essa utilização “agrave uma patologia que o jovem já possa ter”. Na perspectiva da especialista, as redes sociais funcionam, assim, como factor de agravamento de uma condição já existente — embora adormecida —, mas não como raiz de um problema da ordem mental.

Não há atenção suficiente

É precisamente nas redes sociais que têm lugar algumas páginas dedicadas à divulgação de imagens e citações de carácter depressivo. De origem desconhecida, o fenómeno tem atraído milhares de jovens utilizadores em todo o mundo. São exemplos as páginas de Facebook Depression Memes 2.0, seguida por 25.323 pessoas, e a Yes, I’m sad, com mais de um milhão de seguidores.

Em Maio, a Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou um relatório onde apontava as cinco principais causas de morte em adolescentes entre os 15 e os 19 anos, em 2015. No estudo Acção Global Acelerada para a Saúde dos Adolescentes: Orientações para apoiar a implementação nacional, a autolesão foi apontada como a terceira causa de morte no mundo — antecedida por acidentes de viação e infecções respiratórias. Este número (67 mil mortes num ano) engloba, segundo o relatório, os suicídios e mortes acidentais resultantes de lesões auto-infligidas pelos jovens que não tinham como intenção. O mesmo estudo divulgou ainda diferenças a nível de género: a autolesão é mais frequente entre raparigas adolescentes do que entre rapazes.

Em Portugal, Diogo Telles Correia lembra os dados partilhados pelo Programa Nacional para a Saúde Mental, em 2015, que davam conta de que, nos últimos anos, se registara “um aumento do número de crianças e adolescentes que recorreram às urgências por depressão, ansiedade e tentativas de suicídio ou para-suicídio — autolesões cujo objectivo não era morrer, mas sim passar uma mensagem de sofrimento ou mágoa”.

Já Rosário Carmona, ainda que admita que há uma relação causa-efeito entre redes sociais e saúde mental dos jovens, não considera, a partir daquilo que presencia no seu consultório, que o problema esteja a crescer. “Não sinto que tenha aumentado. Mas também não quero dizer que acredito nisto porque damos maior atenção ao assunto, porque há pais que vão ler e vão achar que, efectivamente, têm prestado mais atenção, o que não é verdade. Há uma maior informação, mas ainda não há atenção suficiente ao assunto”, subinha.

Prevenção desvalorizada

Nas escolas, junto dos jovens — é onde a psicóloga Rosário Carmona diz ser necessário prevenir e exactamente onde considera que está a falhar a prevenção.

Garante que “há especialistas suficientes no país para ajudar estas crianças”, mas, nos estabelecimentos de ensino, a realidade é outra. “Ou não há psicólogos ou há poucos”, afirma.

Desde cedo que “a prevenção está muitíssimo desvalorizada”. A psicóloga é ainda da opinião que o Governo deveria prestar mais atenção ao problema da saúde mental dos jovens, pois “está confirmado que ganha mais em prevenir do que em remediar”.

Rosário Carmona também lamenta que “a maioria dos pais” chegue “demasiado tarde” ao seu consultório. Para a pedopsiquiatra Maria de Lurdes Candeias, esta é mesmo a raiz do problema. “Não há uma boa formação junto das crianças, sobre o que é certo e o que é errado. Há escolas que querem ter mão nisto, outras que não. Mas eu continuo a dizer que isto depende da formação dada em casa, pelos pais, pelos primos, pelos avós, pelos tios”, conclui.

Travar este fenómeno e as falhas que dele têm decorrido no sistema é, de acordo com Diogo Telles Correia, responder multidisciplinarmente, “incluindo psiquiatras, pediatras, clínicos gerais, psicólogos, entre outros”.

“Como em todas as áreas de saúde mental, o número de médicos e técnicos especializados na área podem não estar à altura deste acréscimo contínuo da prevalência das perturbações mentais” e da complexidade do tema, explica Telles Correia que também ressalva que o trabalho tem que começar em casa, com “pais mais atentos” a sintomas que podem estar associados a uma possível depressão ou problemas de ansiedade.

 

 

 

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Os meus pais não percebem nada

Setembro 11, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Crónica de José Manuel Diogo publicado no dia 24 de agosto de 2017 no http://www.noticiasmagazine.pt/

Crónica de José Manuel Diogo

Um dos maiores desafios para os pais deste milénio é conhecer e compreender a forma como os nossos filhos atingem e gerem o conhecimento. No centro desse desafio estão as redes sociais. No século xx – nesse distante «nosso tempo» –, os instrumentos de comunicação eram lineares e de fácil compreensão, mas hoje tudo é diferente. Antes «uma coisa» era sempre consequência «de outra»; e essa coisa estava quase sempre perto e era conhecida por todos. Não havia surpresa nas novidades.

Antigamente, os filhos aprendiam dos pais porque tinham menor acesso à informação. Hoje não é assim. Os nossos filhos, porque são mais novos, menos ocupados e mais digitais, têm acesso a mais e melhor informação do que os pais. O desafio dos mais velhos é hoje muito maior. Se antes o problema era saber que informação se devia proibir, hoje é preciso saber que mundo devemos conhecer. E neste «jogo» os mais novos levam grande vantagem.

As redes sociais são por excelência o território onde esta batalha se trava. Porque são mais imediatas, rápidas e expõem os nossos filhos a um mundo que nos é desconhecido; mas também porque, paradoxalmente, são o local onde nos encontramos com eles na internet. Por exemplo, o Google é muito mais perigoso do que o Facebook, mas os adultos preocupam-se menos com ele. Talvez porque as hipóteses de encontrar um filho ou uma filha num motor de busca é nula. Já nas redes sociais a coisa não é assim…

Quem tem filhos adolescentes preocupa-se. Perguntamo-nos se eles conseguem ter uma vida normal passando tanto tempo ligados aos amigos. Mas será que são eles que estão viciados na rede, ou seremos nós mais viciados do que eles? Se formos pelo que diz o dicionário – «vício é um efeito pelo qual uma pessoa se afasta do tipo considerado normal» – não parece que as redes sociais preencham o requisito. Antes pelo contrário. Se virmos com atenção, vício aplica-se mais aos adultos que as usam menos para adquirir ou partilhar conhecimentos e amizade e se dedicam a elas como instrumentos de vaidade e fervor voyeurístico.

Os mais novos sabem exatamente para que serve cada uma das redes sociais, como se «mantêm vivas», e qual a recompensa que existe em cada uma. A Kika, de 14 anos, sabe que o que mantém vivo o Snapchat (a rede mais utilizada pelos adolescentes nos EUA) é a regularidade com que contacta cada pessoa – é a rede da Amizade. Que no Instagram o objetivo são os gostos em cada fotografia – é a rede da Vaidade.

Já o Twitter é diferente e «muito fixe» e «serve para encontrar coisas interessantes» – é a rede da Informação. Os adolescentes estão a abandonar o Facebook. Têm-se transferido para o Snapchat e para o Instagram, deixando a rede criada por Mark Zuckerberg para a mais tradicional forma de comunicação: as mensagens de texto.

O nosso maior medo – como educadores – de que os nossos filhos possam estar a falar com um pedófilo, em vez do aparente amigo ou amiga digitais, rapidamente vai perdendo sentido. Eles sabem mais sobre o assunto do que nós, e as próprias redes sociais onde verdadeiramente se conhecem são elas próprias uma cadeia de segurança.

É verdade que as redes sociais são um assunto difícil de compreender, sobretudo pelos adultos, que gostam das coisas organizadas e hierarquizadas, porque nelas tudo está em mudança constante. Mas o que há de novo? Não foi sempre assim quando a tecnologia mudou a vida das pessoas? É tão difícil, hoje, aceitar as redes sociais como no fim do século xviii foi compreender o caminho-de-ferro. Há 160 anos, quando o comboio chegou a Portugal, houve quem dissesse, e escrevesse, que viajar à espantosa velocidade de 40 km/h até podia causar descolamento da retina.

Leia a reportagem sobre o crescimento do Instragram aqui.

José Manuel Diogo, autor e colunista, Especialista em media intelligence, informação e comunicação, é autor de uma biografia de Steve Jobs, iMe, a Vida de Steve Jobs. Escreve no Jornal de Notícias e no Diário de Coimbra.

 

 

O que significa ser a última geração que viveu o mundo analógico

Setembro 4, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Texto do site https://www.nexojornal.com.br/ de 5 de setembro de 2016.

Ana Freitas 05 Set 2016 (atualizado 18/Jul 12h37)

Você se lembra de quando se via sem nada para fazer e contemplava o ócio, sem sacar o celular do bolso? Essa é uma reflexão que tende a acabar junto com aqueles que vivenciaram o mundo off-line.

Quando foi a última vez que você se viu sem absolutamente nada para fazer e contemplou o ócio? Momentos como esse têm se tornado cada vez mais raros no cotidiano. O motivo é que, mesmo naqueles minutos de espera do ônibus ou da chegada de um amigo no bar, sua atenção é desviada para o celular.

Muito em breve, esse tipo de reflexão sequer existirá. A última geração que viveu o mundo completamente analógico —e portanto pode comparar a espera off-line e a on-line—, não terá mais representantes em cerca de 40 ou 50 anos. E as experiências pessoais sobre como a vida era antes e depois do digital desaparecerão com ela.

Essa é a provocação do jornalista canadense Michael Harris. Autor do livro “O Fim da Ausência”, lançado em 2014, Harris fala sobre a última geração “bilingue” — capaz de traduzir o mundo analógico para o digital, e vice-versa — e como essa será a última geração a conhecer o que chamamos de “não fazer nada”.

 A geração em transição

Harris defende que qualquer pessoa que tenha nascido antes de 1985 faz parte da última leva de seres humanos que sabe o que é a vida sem internet — “estão fazendo a peregrinação do antes para o depois”, escreve Harris.

O “antes” é um mundo em que a comunicação era mais lenta e acontecia de maneiras completamente diferentes, no qual havia menos tipos de entretenimento e os pensamentos e opiniões pessoais das pessoas recebiam menos atenção pública.

Para Harris, os indivíduos que conheceram o mundo analógico têm uma habilidade única — a capacidade de notar como a introdução da tecnologia no mundo mudou a maneira como as pessoas se relacionam. E esse é o público alvo do livro, de acordo com ele.

O maior prejuízo que a ubiquidade da tecnologia vai causar às gerações futuras, de acordo com o autor, é a ausência da sensação de ausência. O estado de conexão permanente, com o celular ligado no bolso, nos impede de estar definitivamente sozinhos.

Ainda assim, Harris fala disso mais como observador e menos como crítico. O autor assume uma postura sobre o “antes” e o “depois” que não tenta classificar um ou outro como melhor ou pior, mas só como “como as coisas são”.

Harris não foi o primeiro a falar sobre como a tecnologia nos afasta do ócio. O comediante norte-americano Louis C.K., em uma entrevista em 2013, refletiu sobre a ausência de momentos solitários nos tempos modernos — e, de maneira tragicômica, sobre como nos ocupamos com a tecnologia para afastar reflexões existenciais que podem trazer frustração.

 “Você precisa cultivar a habilidade de ser você mesmo e não estar fazendo nada. É isso que os celulares estão tirando, a habilidade de só ficar sentado [fazendo nada]. Isso que é ser uma pessoa. Porque por baixo de tudo na sua vida tem aquela coisa, aquele vazio — eterno. O conhecimento de que nada vale a pena e que você está sozinho. Está lá, no fundo. E às vezes quando tudo sai da frente, você não está assistindo nada, no seu carro, sozinho, você pensa ‘Ah, não, lá vem. Estou sozinho’. Começa a vir. Só aquela tristeza. A vida é triste demais, só estar nela…”

 Louis C.K.

Comediante norte-americano, em entrevista ao programa Late Night With Conan O’Brien

Apesar do tom bem humorado, a provocação de C.K. se conecta com as reflexões de Harris no livro. “Logo, ninguém vai se lembrar da vida antes da internet. […] Os silêncios provenientes de ‘sonhar acordado’ nas nossas vidas foram preenchidos: as solidões sufocantes foram extintas. Não há ‘tempo livre’ verdadeiro quando você está com seu celular”, diz o livro.

 “Na medida em que adotamos os dons da tecnologia, normalmente falhamos em considerar o que a tecnologia pede de nós em troca — os pagamentos sutis, que dificilmente notamos e que fazemos em troca de seu maravilhoso serviço. […] Por que nos importaríamos em notar o fim da solidão, da ignorância, da ‘falta’? Por que deveríamos nos importar que a ausência desapareceu?”

 Michael Harris

No livro “The End of Absence”, de 2014

O autor argumenta que vai faltar, no futuro, a capacidade de deixar a mente correr livremente, de se sentir entediado e a importância das descobertas feitas nesses momentos. Mas que só essa geração “híbrida” vai sentir falta dessas coisas como parte da experiência humana.

Valor próprio definido por curtidas

Outra mudança, escreve, está na maneira como avaliamos nosso valor como pessoas — que, nos nossos tempos, frequentemente está conectado com números em redes sociais. A capacidade de observar isso, diz, também é exclusiva dessa geração que está passando pela transição entre dois mundos.

“Acho que tem a ver com a noção de prestação de contas [de si mesmo] online. Então [há a ideia de que] se um tweet ganha centenas de reweets, deve significar que meus pensamentos valem [alguma coisa]. Se minha foto é muito curtida, deve significar que sou bonito. Uma das coisas que me preocupa na conexão permanente é que perdemos a habilidade de decidir, por nós mesmos, o que pensamos sobre quem somos”, disse Harris, em entrevista ao site Quartz.

O livro de Harris, como muitos do tipo que analisam as mudanças sociológicas impulsionadas pela revolução digital, foi escrito depois que o autor decidiu tirar uma folga de um mês de qualquer aparelho digital.

Seu período sabático, no entanto, não despertou nenhuma habilidade adormecida ou desencadeou um momento de epifania: ele concluiu que uma pausa ocasional pode ser útil, embora quase inviável para a maioria das pessoas. “Acho que o que você consegue [de um período de abstinência do digital] é uma luz interior mais rica e a habilidade de se enxergar de uma perspectiva mais crítica. Porque, se você está no meio de algo, nunca dá para ver propriamente”, disse, sobre a experiência.

 

 

 

Memória a curto prazo – José Luís Peixoto

Setembro 1, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto de José Luís Peixoto publicado no site http://www.joseluispeixoto.net de 20 de agosto de 2016.

Perdemos a capacidade de explicar às gerações mais novas como era antes. Podemos iniciar essa tentativa mas, ao fim de minutos, ou nos confundimos e começamos a divergir, ou eles se desinteressam e começam a escutar música de elevador dentro da cabeça, ou talvez escutem aquele ruído estático de quando os canais de televisão não emitiam programas durante vinte e quatro horas por dia, aquela imagem de grão cinzento que quase esquecemos também.

É normal que os mais jovens deixem de nos prestar atenção, é sempre assim quando alguém começa a falar uma língua que não entendemos. Raramente nos sentimos tão sozinhos como num jantar de polacos. Também é normal que nos falte coerência e articulação, fomos soterrados pelo tempo.

Parecia controlável, era incontrolável.

Hoje, os telemóveis são pequenas extensões do mundo ou, com mais probabilidade, de nós próprios. Há realidades e paisagens que apenas existem na internet, mergulhamos nelas. Com o telemóvel na mão, de repente, deixamos de ser um corpo com vontade e propósito, passamos a ser um objecto que está ali, um obstáculo com volume e textura, mas cuja existência está noutro lugar qualquer. Há muito que deixou de ser notícia a imagem de toda a gente nos transportes públicos a ver o telemóvel, toda a gente na sala de espera a ver o telemóvel.

Num esforço da memória, admiramo-nos com o tamanho dos primeiros aparelhos, com o gesto que tínhamos de fazer para puxar a antena quando recebíamos uma chamada, com aquele toque irritante da Nokia. Estas lembranças impressionam-nos, sobrepomo-las a tudo o que sabemos agora. Levamos no telemóvel a internet: a possibilidade de contactar todos com quem já nos cruzámos, um escritório inteiro e distrações para todos os gostos, para todos os likes.

Agora, a esta distância, olho com uma certa ternura para aqueles que, nos anos noventa, juravam que nunca iriam ter telemóvel. Insurgiam-se contra a obrigação de estarem sempre contactáveis, achavam (com razão) que perdiam liberdade. Hoje, essa ideia desapareceu. Agora, ninguém quer estar incontactável. Preocupamo-nos de morte quando sabemos que algum amigo nosso está incontactável. Sem pensarmos muito nisso, sem debate, damos por garantido que os telemóveis salvam vidas. Hoje, se alguém garante que ficou sem rede ou sem bateria, pensamos: mentiroso, adúltero.

Aqueles que juravam que nunca iam ter telemóvel são como os romanos que permaneceram na Península Ibérica depois da chegada dos árabes, são como os árabes que se deixaram ficar após a chamada “reconquista cristã”. Ou, com mais precisão, são como os cristãos-novos, os judeus que, no século XV, foram obrigados a converter-se ao cristianismo.

De nada vale dizer-lhes: eu bem te avisei. Com mais certeza, se não tiverem esquecido completamente quem eram, serão eles a dizer-nos essa mesma frase.

Ao contrário do que se costuma afirmar, a internet não é para sempre. Em poucos lugares os assuntos envelhecem tão depressa. Ao fim de algumas semanas, já ninguém quer ver a sex-tape da estrela do maior reality show do momento; ao fim de alguns meses, já ninguém sabe quem essa pessoa é.

Seguramente que a memória não ficará salvaguardada nas redes sociais. As redes sociais são feitas de presente. Nelas, o passado desaparece da forma mais absoluta de todas: perde significado.

Os adolescentes passam as reuniões de família a olhar para o telemóvel. Um dia, estes adolescentes serão pais em reuniões de família. Para onde irão olhar os adolescentes do futuro?

José Luís Peixoto, in GQ, Maio de 2016

 

 

Parents, here’s the truth about online predators

Agosto 24, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da http://edition.cnn.com de 3 de agosto de 2017.

By Christine Elgersma, Common Sense Media

Every parent worries about online predators at some point. And while it’s smart to be cautious, the facts show that it’s actually fairly rare for kids to be contacted by adult strangers seeking sexual communication. Of course it’s natural to be concerned when your kid goes into an unknown world. But instead of acting out of fear, arm yourself with the facts so that you can help your kids be smart, cautious, and savvy. If the concerns below ring true, use some of these strategies to be proactive in protecting your kids — they’ll make your kid safer and help you feel a lot better.

The concern: Every time I read the news, it feels like there’s an article about some creep contacting a kid in a game.

The facts:

  • According to the University of New Hampshire’s Youth Internet Safety Study (YISS), reports of unwanted sexual solicitations declined 53 percent between 2000 and 2010. As of 2010 only 9 percent of kids who use the internet received an unwanted sexual solicitation.
  • The YISS report also found that two specific kinds of contact — requests for offline meetings and situations that kids found extremely upsetting — declined between 2005 and 2010.
  • When there’s a report of an online predator (like the one about Roblox in 2017), multiple news outlets jump on the story, and they often appear in many outlets over a week or two, so it may feel like it’s more common than it is. Also, it makes for a popular article since it plays on parents’ fears.
  • The University of New Hampshire’s Crimes Against Children Research Center reports that kids are more likely to pressure each other to send or post sexual content than an adult.

The strategy: More than inspiring fear in our kids, we want to arm them with information. So when you talk to your kid, tell them there’s a chance someone could approach them online to get personal information, exchange pictures, and/or meet in person, and it might be someone who feels like an online friend. It’s not the norm, and it’s not a reason to be afraid all the time. It’s simply a reason to be aware and know that if someone starts asking for personal information or talking about sexual stuff, it’s time to get help from an adult.

5 myths and truths about kids’ Internet safety

The concern: I can’t keep up with all of the media my kid is into, so I don’t know what games and apps to keep my eye on.

The facts:

  • According to the New England Journal of Public Policy, contact with online predators happens mostly in chat rooms, on social media, or in the chat feature of a multiplayer game (Roblox, Minecraft, Clash of Clans, World of Warcraft, and so on).
  • Most games meant for kids — like Roblox and Animal Jam — have built-in features and settings that are designed to prevent inappropriate comments and chat. Though they’re often imperfect, they do help.
  • Games that aren’t designed only for kids have fewer controls, settings, and safeguards.
  • Any app or online space that allows contact with strangers without moderation or age verification can allow contact between kids and adult strangers.
  • Teens sometimes visit adult sites, chat rooms, and dating apps out of curiosity about sex and romance.

The strategy: First, stay on top of what your kid is doing online by asking them which apps, games, and other tech they use. If they’re on social media, friend or follow them. Set rules about times and places for device use — for example, banning phones and tablets from bedrooms. Find out how they chat — is it through an app or through their phone’s SMS texting? (If they’re using an app, it won’t be easy for you to see it, so ask to do occasional spot checks.) Make rules around who they can chat with — for instance, only people they know in real life. If your kid’s a gamer, use these questions to probe deeper: Do you like multiplayer games — and why? Do you chat with others while you’re gaming? What’s been your experience so far? What would you do if someone you didn’t know contacted you? Help them set privacy settings to limit the contacts in their games.

The concern: I don’t even understand how this works — does an adult pose as a kid, then ask to meet?

The facts:

  • Only 5 percent of online predators pretend they’re kids. Most reveal that they’re older — which is especially appealing to 12-to-15-year-olds who are most often targeted.
  • Some predators initiate sexual talk or request pictures immediately and back off if refused. They’re in it for an immediate result.
  • In contrast, some predators engage in “bunny hunting,” which is the process of picking a potential victim for “grooming”: They’ll look at social media posts and public chats to learn about the kid first.
  • Once they’ve selected someone, they may begin the grooming phase, which often involves friending the target’s contacts, engaging in increasingly personal conversations to build trust, taking the conversation to other platforms (like instant messaging), requesting pictures, and finally requesting offline contact.
  • Sometimes if a kid shares one compromising picture, a predator will engage in “sextortion,” which involves demanding more pictures or contact under threat of exposure or harm.

The strategy: We often tell kids not to talk to strangers or share personal information, but a kid’s online relationships can feel just as real as their offline ones. So before they start chatting with anyone online, kids need to know some basic digital citizenship and online privacy information. For instance, kids should never share a phone number, address, or even last name with someone they’ve never met. Also, sharing sexy pictures or being overtly sexual online leaves an unwanted legacy, with or without creepy adults, so we need to teach kids about being mindful about their digital footprint. Plus, having nude pictures of a minor — even if you are a minor — is against the law and teens can get into legal trouble as a result. Finally, it’s important to teach kids that if someone is asking a kid for sexy pictures or chat, that person is not a friend, no matter how cool or understanding they seem.

Apps to help keep track of what your kids are doing online

The concern: How would I even know if this is happening to my kid if they don’t come out and tell me?

The facts:

  • Predators target kids who post revealing pictures, divulge past sexual abuse, and/or engage in sexual talk online.
  • There’s some conflicting research about what ages are most at-risk, but 12 to 15 seems to be prime time, and girls are more frequent victims.
  • Teen boys who are questioning their sexuality are the second-most targeted group because they often feel talking about it online is safer than sharing in real life.
  • Sometimes, teens egg each other on to pursue contact with strangers online, and it can feel like a game.
  • Teens want to feel special, validated, attractive, and understood at a time when they’re separating from their parents, so an older “friend” who’s very interested in them can feel exciting and special.
  • Most often, teens engage in relationships with predators willingly, though they often keep them secret.
  • If your kid withdraws and becomes secretive around a device (hiding the screen, clicking from a window suddenly), it could be an indicator.
  • Phone calls and gifts from unknown people are possible signs.
  • Porn on the device your kid uses might be a sign.

The strategy: The tricky part is that most tweens and teens withdraw and are sometimes secretive; it’s part of their development. If, however, you notice these in the extreme, that’s a concern — no matter the reason. Spot checks on the devices your kid uses to monitor for sexy posts and pictures and knowing some lingo can help, but open communication — without accusation or overreaction — is usually the most effective.

7 reasons parents should care about kids and online privacy

The concern: This already happened to my kid, and I don’t know what to do next.

The facts:

  • Your kid told you.
  • You saw something on his or her phone or social media.

The strategy: First, don’t panic. Instead, gather evidence: Take screenshots, save communications, and so on. Talk with your kid about the details without making them feel like it’s their fault or that they’re in trouble. Then report it to the platform or service your kid is using, block the person, and find the reporting features on other apps and games your kid uses together. Finally, contact the police. Even though it may seem like a one-time thing, that it’s over, or you don’t want to make it a big deal, it’s best to let the authorities know in case the person is a known offender and to prevent them from doing it to other kids.

 

 

 

Por que o número de crianças hospitalizadas por tentativa de suicídio dobrou nos EUA?

Agosto 19, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto da http://www.bbc.com/portuguese/ de 7 de agosto de 2017.

Ricardo Senra Da BBC Brasil em Washington

Relatos de mães e pais pedindo ajuda após encontrarem seus filhos à beira da morte após tentativas de suicídio se tornaram comuns em fóruns online e redes sociais nos Estados Unidos.

“Minha filha tomou uma garrafa inteira de Lexapro e meia garrafa de Wellbutrin (ambos antidepressivos). Ela vomitou cinco vezes antes de me contar, quando acordei para trabalhar naquela manhã. Essa é uma visão que nenhum pai deveria ver”, conta Hammer, em um desabafo que deu origem a mais de 15 relatos semelhantes.

Ann diz que não sabe o que fazer para ajudar a filha. “Ela tem 15 anos e tentou se suicidar hoje ingerindo produtos de limpeza. (…) Ela já tinha tentado se matar vários meses atrás com um corte no pulso.”

Claudia fala sobre culpa e vergonha.

“Minha filha, uma criança linda e talentosa, teve uma overdose ontem e eu sinto vergonha por não tê-la ajudado e protegido suficientemente. Sinto culpa, porque meu trabalho é garantir que a vida dela seja boa e segura. Mas no fundo, muito no fundo, também sei que a vida hoje é incrivelmente difícil para as crianças. As cobranças e expectativas parecem se mover muito rápido para que eles acompanhem, e eles sentem que falharam.”

Phyllis fala sobre o filho, um menino de 15 anos. “Encontrei meu filho no meu quarto, em overdose depois de tomar meus remédios. Não consigo parar de pensar no que poderia ter acontecido. Não consigo dormir, não consigo comer, e aquela manhã não sai da minha cabeça. Encontrei-o deitado na minha cama, quase sem respirar.”

As tragédias se refletem nos resultados de dois relatórios divulgados recentemente nos EUA. Eles chamam atenção para um crescimento sem precedentes nas tentativas e mortes consumadas por suicídio entre crianças e adolescentes de todo o país.

As meninas encabeçam o grupo que mais cresce nesse ranking, evidenciando os impactos de problemas geralmente associados a adultos – como depressão, ansiedade, bipolaridade e pressão por padrões de beleza inatingíveis – na saúde mental de quem ainda frequenta a escola.

Recorde

De acordo com dados divulgados na semana passada pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças do governo americano, as mortes de meninas entre 15 e 19 anos por suicídio atingiram um recorde em 40 anos – e dobraram entre 2007 e 2015, com 5,1 casos para cada 100 mil.

O fenômeno atinge também crianças e adolescentes do sexo masculino, cujas mortes ainda acontecem em maior número, mas crescem em ritmo menos acelerado: 30% no mesmo período (são 14,2 casos para cada 100 mil), segundo o órgão oficial.

Em números absolutos, em 2015, foram registrados 524 suicídios de meninas e 1.537 de meninos entre 15 e 19 anos.

Outro relatório apresentado recentemente no Encontro Anual de Sociedades Pediátricas dos EUA aponta que as internações de menores de idade por pensamentos ou tentativas de suicídio dobraram entre 2008 e 2015.

O estudo se focou em crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos e, novamente, apontou que o grupo que mais registrou aumento nas internações é o das meninas – que atualmente respondem por 2 em cada 3 dos casos.

O suicídio é hoje a segunda principal causa de mortes de crianças e jovens em idade escolar (12 a 18 anos) nos EUA, ficando atrás apenas de acidentes.

O volume impressiona: a taxa de suicídios infanto-juvenis, segundo o governo americano, é maior que a soma das mortes por câncer, doenças cardíacas e respiratórias, problemas de nascimento, derrame, pneumonia e febre.

Pressão online

Chefe da ala de saúde comportamental do hospital pediátrico Cook Children’s, no Texas, a psicóloga Lisa Elliott diz que os dados recém-revelados “são absolutamente dolorosos, mas não são uma surpresa”.

“Nós precisamos tirar os estigmas da saúde mental”, diz a PhD, alertando para a incidência dos quadros entre menores de idade, e não só entre adultos. “Problemas de saúde mental têm que ser vistos pelos pais como qualquer doença, da mesma maneira que os problemas de coração são.”

Em coro com outros especialistas, ela afirma que o quadro se agrava pelo uso irresponsável de redes sociais, que pode gerar competitividade e uma busca por padrões de beleza e desempenho.

“As redes podem ter impacto negativo sobre a autoestima das meninas e isso aumenta o isolamento delas”, avalia Elliott. “Quando notam que não têm uma vida tão perfeita ou glamourosa quanto a de outros, elas concluem que ‘algo anormal ou errado está acontecendo comigo’.”

Segundo a psicóloga, a sensação de invisibilidade nas redes impulsiona práticas ligadas ao bullying entre jovens de ambos os sexos.

“O anonimato traz uma desumanização, uma perda de empatia pelos outros, especialmente aqueles diferentes de nós. Assim perdemos a capacidade de respeitar as opiniões diferentes, o que infelizmente resulta em mais bullying e mais isolamento.”

À BBC Brasil, Eileen Kennedy-Moore, psicóloga e autora de diversos livros sobre saúde mental infantil, diz que não faz sentido proibir o acesso a redes sociais (“os celulares e tablets estão aí, não há como lutar contra isso”), mas que os pais precisam colocar “limites sensatos” na relação entre seus filhos e aparelhos eletrônicos.

“Adolescentes e crianças sempre tiveram a sensação de uma audiência imaginária, de que todos estão sempre olhando para eles”, conta a especialista, que vive e trabalha em Nova York.

“Com as redes sociais, a experiência de ser vigiado e julgado o tempo todo aumenta”, avalia.

Segundo Kennedy-Moore, os aparelhos eletrônicos “também precisam ser colocados para dormir, já que nada de bom acontece nesses telefones depois da meia-noite”.

“As relações online podem ser uma fonte de apoio e conforto. Pacientes de câncer, por exemplo, encontram grupos de apoio na internet que são maravilhosos”, diz Moore. “Mas amizades online não podem substituir as amizades cara a cara, e os pais precisam prestar atenção nisso.”

Economia e ‘contágio’

Daniel J. Reidenberg, diretor do Conselho Nacional para Prevenção de Suicídios, alerta para outras raízes associadas ao aumento dos suicídios infanto-juvenis.

“Há uma pressão extrema sobre esse grupo por competição, ambições e preocupações com o futuro”, diz.

“Crises econômicas também têm impacto, uma vez que alguns jovens se sentem um fardo para as famílias. Jogos, vídeos, TV e filmes também influenciam muito as mentes dos jovens. Outra chave para a questão são outros suicídios a que esses jovens expostos. O contágio do suicídio é real, e os jovens são particularmente sensíveis a ele”, diz o especialista à BBC Brasil.

Segundo Lisa Elliott, enquanto meninos que tentam cometer suicídio apelam para métodos mais violentos, como o uso de armas, os casos de meninas são normalmente associados ao excesso de substâncias controladas e drogas ilícitas.

“Adolescentes não entendem completamente as drogas que estão ingerindo e suas potenciais consequências. Isso pode resultar em overdoses acidentais”, alerta.

De acordo com os entrevistados, os pais que buscam ajuda profissional normalmente contam que encontraram menções a suicídio nos telefones ou cadernos dos filhos, ou perceberam mudanças de comportamento, como isolamento e afastamento dos amigos, irritabilidade, problemas de sono e em notas escolares e falta de interesse em atividades que antes agradavam.

“A tentativa mostra muitas vezes que as crianças querem dizer que estão muito bravas ou tristes, mas não sabem como articular isso”, avalia Kennedy-Moore. “E muitas pesquisas mostram que a maioria dos que tentam se suicidar acaba se arrependendo do ato.”

Para Elliott, os dados apontados pelas pesquisas não devem ser ignorados pelos pais – cujo maior erro costuma ser achar que histórias como as que abrem esta reportagem nunca acontecerão com pessoas próximas.

As referências a suicídios no noticiário, segundo a especialista, podem servir como oportunidade para conversas sobre o tema entre pais e filhos.

“Pergunte a eles por que acham que isso está acontecendo e se sentem algo semelhante”, diz. “Assim, você pode descobrir muito sobre o que eles ou seus amigos estão vivendo.”

A presença dos pais nas vidas das crianças e jovens é a estratégia mais eficaz, segundo os entrevistados.

“Muitas vezes, nós enchemos a agenda dos nossos filhos com atividades porque pensamos que é saudável, quando seria melhor ter mais tempo com relações humanas saudáveis e realmente gastar tempo em família com qualidade, sem dispositivos eletrônicos”, afirma Elliott.

 

 

‘Bullying’: Instagram torna-se a pior rede social e destrona o Facebook

Julho 26, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.jornaleconomico.sapo.pt/ de 19 de julho de 2017.

Estudo britânico analisou casos de cyber-bullying, abuso e dependência das redes sociais e concluiu que 42% dos casos acontecem no Instagram, em comparação com 37% no Facebook.

O Facebook deixou de ser a pior rede social no que diz respeito a bullying online. O lugar é agora ocupado pelo Instagram, uma rede de partilha de imagens que conta com mais de 10 mil jovens apenas no Reino Unido, de acordo com um estudo divulgado esta quarta-feira pela organização anti-bullying Ditch The Label (ou Abandonar o Rótulo, em português).

O estudo analisou casos de cyber-bullying, abuso e dependência das redes sociais e concluiu que 42% dos casos acontecem no Instagram, segundo noticia o Mashable. O valor compara com 37% no Facebook e 31% no Snapchat, outra rede social focada na partilha de fotografias e vídeos predominantemente usada por jovens.

Os dados revelam uma migração do Facebook para o Instagram, de acordo com a organização britânica, já que estudos anteriores mostravam que a primeira era a rede social que contabilizava o maior número de casos de bullying. As formas mais comuns de cyber-bullying incluem comentários ofensivos em perfis e fotografias, mensagens indesejadas e denúncias faltas de fotografias como abusivas.

“Sabemos que os comentários ‘postados’ por outras pessoas podem ter um grande impacto e é por isso que recentemente investimos fortemente em novas tecnologias para ajudar a fazer o Instagram um lugar seguro e solidário”, disse em comunicado o responsável pela política do Instagram, Michelle Napchan, citado pelo Mashable.

“Através do uso de tecnologias de aprendizagem, comentários ofensivos no Instagram são agora automaticamente bloqueados para que não aparecem nas contas das pessoas. Nós também damos às pessoas a opção de desativar os comentários ou de fazerem as suas próprias listas de palavras ou emojis proibidos”, acrescentou.

O estudo mencionado na notícia é o Annual Bullying Survey 

mais informações:

https://www.ditchthelabel.org/69-people-done-something-abusive-towards-another-person-online/

 

 

Três vezes mais casos de Baleia Azul nas mãos da justiça

Julho 20, 2017 às 10:36 am | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 20 de julho de 2017.

Três vezes mais casos de Baleia Azul nas mãos da justiça

 

 

Crianças no Facebook? Seja um exemplo para os mais novos

Julho 13, 2017 às 7:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://www.jn.pt/de 30 de junho de 2017.

Há algumas técnicas que o podem ajudar a manter os seus filhos seguros nas redes sociais
Foto: EPA/DIEGO AZUBEL

São os utilizadores mais vulneráveis nas redes sociais e os relatos de crianças aliciadas nestes espaços não param de aumentar.

Empresas que tentam impingir produtos ou utilizadores mais velhos com intenções perversas deixam as autoridades em alerta. Proibir o uso não é a solução, mas há alguns truques que o ajudarão a estar mais descansado:

1- Não mentir na idade: A idade mínima para a criação de uma conta no Facebook é de 13 anos. Mas os vários estudos publicados pela EuroKidsOnline apontam para um elevado número de crianças na rede. O melhor é mesmo respeitar esta regra ou controlar o uso;

2- Evite publicar fotos dos seus filhos: São aos milhares as fotografias de crianças que vão parar à Internet publicadas pelos próprios pais. Essas fotos são facilmente partilhadas por outros utilizadores que até as podem guardar nos computadores pessoais. Esta é uma das regras de ouro que depende só dos pais;

3- Manter o computador num local central da casa: Quando o uso das redes sociais é feito num computador, é possível controlar a utilização. Por isso, o melhor mesmo é deixar o computador num local onde pode facilmente ver o seu filho ou filha.

4- Alerta para os anúncios perigosos: Abre uma janela pop-up com a promessa de um iPad a troco de umas respostas a perguntas simples. Se há adultos que caem nestes truques, as crianças são ainda mais vulneráveis.

5- Seja um exemplo, até nas redes sociais: Se publica tudo o que faz no Facebook, com fotografias pouco aconselháveis, e troca mensagens com desconhecidos, o mais provável é que o seu filho o imite. Sendo prudente nestes espaços, vai dar um bom exemplo aos mais novos.

 

 

 

Oito métodos para uma internet mais segura

Junho 8, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da http://www.paisefilhos.pt/ de 25 de maio de 2017.

Family with laptop in bed. Mother and child with computer at home

As recentes notícias sobre o jogo “Baleia Azul” – cuja consequência mais grave é poder levar os jovens participantes ao suicídio – são apenas o último “susto” que os pais de crianças e jovens têm vindo a experimentar no que diz respeito à forma como os filhos agem online. Há muito que medos relacionados com a exposição a conteúdos pornográficos, ciberbullying ou a atuação de predadores sexuais na internet fazem parte do quotidiano dos adultos. Há por isso que adotar estratégias que, ao mesmo tempo que reconhecem a omnipresença do mundo virtual na vida dos mais novos, promovem uma maior segurança.

Recentemente, a especialista britânica Katharine Hill lançou um livro com o título “Left To Their Own Devices?” (“Deixados à solta?”, em tradução livre), onde não só identifica algumas das situações a que pais, avós e adultos de referência devem estar atentos, como identifica oito métodos para promover o uso da internet de uma forma mais segura em meio familiar.

 1 – Não proibir a tecnologia

“Não é produtivo impedir as crianças de terem acesso à tecnologia. Eventualmente, haverá um amigo ou colega que tem um tablet ou um smartphone e as imagens e conteúdos vão chegar. Trata-se, antes de mais, de aprender a distinguir o certo do errado”.

 2 – Não deixar que os ecrãs dominem o quotidiano

“Enquanto pais ou avós, há que evitar que a vida seja passada à frente dos ecrãs, começando por dar o exemplo. Há que falar sobre o tempo que é gasto e que poderia ser perfeitamente utilizado para outras atividades de lazer. E, se for necessário, estabelecer regras de utilização adaptadas às diferentes idades das crianças e adolescentes”.

 3 – Criar um “acordo familiar tecnológico”

“Uma das coisas mais importantes que os pais podem fazer é usar os valores familiares no uso da tecnologia. Por exemplo, criar um ‘acordo tecnológico’ que estabeleça claramente o que as crianças estão autorizadas a fazer, o que é de evitar e o que não podem mesmo fazer e basear essas escolhas nos princípios que regem a vida da família”.

 4 – Deixar os equipamentos a carregar for a do quarto

“Uma parte importante desse ‘acordo tecnológico’ é estabelecer que os carregamentos dos aparelhos são feitos, durante a noite, fora dos quartos. Isto é o equivalente a impedir o acesso à internet durante essas horas. Mas, atenção: mais uma vez, todos os membros da família devem respeitar essas ‘horas sem net”, tanto crianças como adultos”.

 5 – Usar os sistemas de controlo parental

“No Reino Unido, a idade média em que as crianças têm acesso aos primeiros conteúdos pornográficos é aos 11 anos. Daí ser extremamente importante usar os sistemas de controlo parental nos sites e smartphones. Não se trata de impedir acesso à informação e conteúdos positivos, mas sim gerir e bloquear conteúdos impróprios”.

 6 – Estar envolvido na “vida online” dos mais novos

“No caso dos adolescentes, não há que hesitar: os adultos devem fazer parte das suas redes sociais e segui-los atentamente. Mas nunca de uma forma que pareça controladora, antes mostrando envolvimento positivo. Por exemplo, tirar uma foto de uma atividade em família e postá-la conjuntamente no Instagram”.

 7 – Estar informado e preparado para falar

“Não se pode enterrar a cabeça na areia e evitar falar de assuntos difíceis. Os pais podem pensar algo como ‘o meu filho não vê pornografia’ ou ‘nunca será uma vítima da Baleia Azul’, mas isso está longe de ser uma certeza. Daí ser importante os adultos manterem-se a par dos desenvolvimentos, bons e maus da tecnologia, para que as crianças saibam que podem falar abertamente sobre estes temas e serem compreendidas”.

8 – Limitar o uso adulto dos ecrãs

“Mais uma vez repito que é essencial ensinar pelo exemplo. Os valores transmitem-se, não se impõem. Se nos momentos em família, durante as brincadeiras ou às refeições, os adultos não largam os ecrãs, nada mais natural que as crianças e jovens façam o mesmo. Há que mostrar que o pai e a mãe sabem limitar o uso, em vez de lhes exigir que o façam apenas porque são os mais novos”.

 

 

 

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