BOOM DIGITAL? Crianças (3-8 anos) e ecrãs

Fevereiro 21, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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descarregar o e-book no link:

http://www.erc.pt/documentos/Boomdigital/mobile/index.html#p=1

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Há cada vez mais crianças com menos de 13 anos a usarem as redes sociais

Fevereiro 11, 2018 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança, Relatório | Deixe um comentário
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Notícia da http://sicnoticias.sapo.pt/ de 25 de janeiro de 2018.

visualizar o vídeo da reportagem no link:

http://sicnoticias.sapo.pt/pais/2018-01-25-Ha-cada-vez-mais-criancas-com-menos-de-13-anos-a-usarem-as-redes-sociais

Apesar de ser necessário ter no mínimo 13 anos para fazer o registo em plataformas online, um estudo britânico demonstra que a grande maioria das crianças entre os 8 e os 12 anos utiliza as redes sociais regularmente. Muitas dependem já da aceitação em redes como o Facebook ou o Instagram.

estudo levado a cabo pela comissária para as crianças de Inglaterra alerta os pais e deixa recomendações às escolas e empresas que gerem redes sociais.

Quase 40% das crianças dos três aos oito anos acedem à Internet

Fevereiro 6, 2018 às 5:25 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.jornaleconomico.sapo.pt/ de 6 de fevereiro de 2018.

Mariana Bandeira

A 6 de janeiro comemora-se o Dia da Internet Mais Segura. A propósito desta data, a Entidade Reguladora para a Comunicação Social publicou o e-book “Boom Digital? Crianças (3-8 anos) e Ecrãs”.

À medida que as crianças crescem acedem cada vez mais à Internet: 38% das crianças dos três aos oito anos navegam na web, 22% das crianças do três aos cinco anos e também, bem como mais de metade (62%) das crianças entre os seis e os oito anos.

A conclusão é do inquérito promovido pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) e publicado no e-book “Boom Digital? Crianças (3-8 anos) e Ecrãs”, que inclui um inquérito ligado ao projeto “Públicos e Consumos de Media”. O artigo científico foi divulgado esta terça-feira para assinalar o Dia da Internet Mais Segura, que se comemora neste 6 de janeiro.

O estudo, desenvolvido em parceria com a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, revelou ainda que os(as) filhos(as) de famílias com estatuto socioeconómico mais alto são aquelas que mais utilizam a rede. Quanto aos motivos pelos quais os mais pequenos são cibernautas, trata-se de razões lúdicas: ver desenhos animados e filmes, jogar e ouvir músicas.

“Este estudo sobre os usos da televisão e das redes digitais pelas crianças, além de constituir um relevante contributo para as orientações da ERC, representa também uma proposta de reflexão que disponibilizamos às famílias e aos educadores”, explica o vice-presidente da ERC, Mário Mesquita.

“Na televisão os pais têm a sensação que controlam. Nos outros meios digitais sentem uma fragilidade nas suas competências de observação e controlo. Daí a importância de as competências digitais (…) fazerem parte de uma agenda de formação e informação parental e das próprias crianças”, destaca Cristina Ponte, responsável pela coordenação científica do estudo.

 

Os mitos educativos que estão a deixar as crianças viciadas em tecnologia

Janeiro 28, 2018 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança, Vídeos | Deixe um comentário
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Texto do http://observador.pt/ de 16 de janeiro de 2018.

Ana Cristina Marques

Há mitos na educação que a ciência rejeita e que ajudam a propagar o vício precoce nas tecnologias digitais. Não, a criança não precisa de smartphones para estimular a sua “inteligência ilimitada”.

Dois dos maiores investidores da Apple enviaram, esta semana, uma carta aberta à empresa com um pedido explícito e desconcertante: combater o crescente vício das crianças face ao uso do iPhone e da internet (redes sociais incluídas). A Jana Partners e o California State Teachers’ Retirement System — que, juntos, controlam 2 mil milhões de dólares de ações da Apple — pediram a criação de ferramentas adequadas. Em resposta, um responsável de comunicação da gigante de tecnologia disse que a empresa “sempre se preocupou com as crianças e trabalha arduamente para criar produtos que inspirem, entretenham e eduquem as crianças“.

Nos últimos anos tem proliferado a ideia de que as aplicações e os dispositivos chamados “inteligentes” podem potenciar a inteligência das crianças — ideia” porque, ao contrário do que se possa pensar, são muitas as teorias sem real base científica. Catherine L’Ecuyer, investigadora na área da educação e autora do novo livro Educar na Realidade, defende que as empresas que distribuem ferramentas digitais fazem-no sob a premissa de que estas promovem a estimulação precoce das crianças. “Dizem-nos que os nossos filhos têm um potencial ilimitado, que devemos aproveitar ao máximo a ‘janela de oportunidade’ dos três primeiros anos. Dizem-nos que estas aplicações se adaptam ao estilo de aprendizagem dos nossos filhos e ajudam a desenvolver cada um dos hemisférios cerebrais”, escreve L’Ecuyer na nova obra.

As afirmações acima descritas — que a cultura popular ajudou a propagar — não passam de neuromitos, verdades infundadas, teorias com as quais a ciência não se identifica. Segundo a autora, grande parte da população não sabe que estes e outros argumentos de venda, que ajudaram a garantir o sucesso comercial de produtos tecnológicos, “carecem de fundamento educativo-científico”.

“A criança tem uma inteligência ilimitada”. Esses e outros neuromitos

Os neuromitos são aquilo que a OCDE descreve como “más interpretações geradas por um mau entendimento, uma leitura equivocada e, em alguns casos, uma deformação deliberada dos factos científicos com o objetivo de usar a investigação neurocientífica na educação e noutros contextos”. São interpretações que ocorrem na literatura popular e que acabam por criar premissas falsas sobre as quais se constroem métodos educativos, diz a autora citada.

“A criança tem uma inteligência ilimitada” e “A criança só usa 10% do seu cérebro” são dois exemplos de neuromitos apresentados pela autora, que assegura que a sua rápida difusão resulta da “vaidade e da dificuldade em reconhecer as limitações humanas”. L’Ecuyer cita o professor de neurociência cognitiva Barry Gordon, investigador na Universidade do Hospital Johns Hopkins, que assegura que “usamos, virtualmente, cada parte do cérebro” e que “quase todo o cérebro está ativo quase sempre”. O neuromito apresentado difundiu-se a grande velocidade e prova disso é o estudo da Nature, de 2014, que mostrou que 48% dos professores ingleses (46% na Holanda, 50% na Turquia, 43% na Grécia e 59% na China) acreditavam nele.

O mito de que utilizamos apenas 10% do cérebro, em particular, tem persistido ao longo dos anos. Em 2014 estreava nas salas de cinema o filme Lucy, interpretado por uma Scarlett Johansson cuja capacidade evolutiva do cérebro está no centro da história. “Estima-se que a maioria dos seres humanos use apenas 10% da capacidade cerebral. Imagine se conseguíssemos ter acesso a 100%. Aconteceriam coisas interessantes”, é uma das falas no filme, uma deixa do professor Norman, interpretado por Morgan Freeman.

“Talvez o mito seja perpetuado porque as funções de que temos consciência – memória, capacidade cognitiva, visão ou linguagem – estão em regiões bem demarcadas no cérebro. Mas há muitas atividades comandadas pelo nosso cérebro que não são conscientes, como o equilíbrio ou o ritmo cardíaco”, disse João Relvas, neurocientista no Instituto de Biologia Molecular e Celular, ao Observador em 2014. “Além disso, há muitas funções que não são exclusivas de uma única parte do cérebro.”

José Ramón Gamo, neuropsicólogo infantil, e Carme Trindade, professora na Universidade Autónoma de Barcelona, são coatuores do livro Neuromitos en Educación. Citados pelo El País, escrevem que a “neurociência demonstrou que, na realização de tarefas, utilizamos 100% do nosso cérebro” e que “tecnologias como a ressonância magnética ajudaram a conhecer melhor os níveis de atividade cerebral e provaram que somente em casos de danos graves provocados por uma lesão cerebral é que se observam áreas inativas no cérebro”.

Outro neuromito listado pela OCDE é aquele que defende que cada hemisfério é responsável por um estilo de aprendizagem diferente. Segundo a teoria da dominância cerebral, que carece de base científica, “as pessoas que usam mais o hemisfério direito são mais criativas e artísticas, enquanto as que usam mais o esquerdo são mais lógicas e analíticas”. Escreve L’Ecuyer que são vários os estudos que descredibilizam esta teoria, ainda que haja atividades adjudicadas a mais um hemisfério do que a outro (como é o caso da linguagem face ao hemisfério esquerdo). Não só os estudos observam que o cérebro trabalha como um todo, como a autora assegura não existirem provas de dominância cerebral nas pessoas, “o que, supostamente, teria repercussões no estilo de aprendizagem”.

A autora dá como exemplo um estudo de 2013, realizado a 1.000 pessoas dos 7 aos 29 anos, que não encontrou prova de dominância cerebral. O diretor do estudo e professor de neurorradiologia na Universidade do Utah, Jeff Anderson, disse: “A comunidade neurocientífica nunca aceitou a ideia de tipos de personalidade com dominância cerebral direita ou esquerda. Os estudos de lesões cerebrais não sustentam essa teoria, e a verdade é que seria altamente ineficaz se uma parte do cérebro fosse, sistematicamente, mais ativa do que outra”.

Nem de propósito, em março do ano passado 30 académicos dos universos da neurociência, educação e psicologia assinaram uma carta publicada no britânico The Guardiam onde expressavam preocupação tendo em conta a popularidade do método de aprendizagem em causa. De acordo com o artigo, os cientistas apelavam para que os professores abandonassem este neuromito, já que ensinar as crianças de acordo com o “estilo de aprendizagem individual” não obtém melhores resultados e deve ser, por isso, posto de lado em detrimento de práticas baseadas em evidências científicas.

Na mesma lógica, também se qualificam como neurotimos as seguintes premissas: “Um ambiente enriquecido aumenta a capacidade do cérebro para aprender” e “Os três primeiros anos são críticos para a aprendizagem, portanto, são decisivos para o desenvolvimento posterior”. No livro, L’Ecuyer cita um artigo da Nature Review Neuroscience, de 2006, onde se lê:

“O mito do ‘período crítico’ sugere que o cérebro da criança não funcionará adequadamente se não receber a quantidade adequada de estímulos no momento correto. O ensino de algumas habilidades deve ocorrer durante esse período crítico, caso contrário a janela de oportunidade de educar estará perdida. O mito da sinaptogénese (processo de formação das sinpases no cérebro) promove a ideia de que se pode aprender mais se o ensino coincidir com os períodos deste processo. (…) É preciso eliminar estes mitos.”

O principal argumento que suporta esta ideia falsa, escreve a autora, é a plasticidade do cérebro. “Isto é um facto, mas hoje sabemos que isto ocorre durante toda a vida e não apenas nos primeiros anos”. No entanto, o verdadeiro problema, para L’Ecuyer, surge quando a sociedade dá mais importância ao ganho de conhecimento durante este período, feito sobretudo através do ecrã, em vez da dimensão afetiva. É importante relembrar que o bom desenvolvimento de uma criança não está diretamente relacionado com a quantidade de informação que recebe, mas sim com o modelo de vinculação que tem com o seu cuidador.

“Durante os primeiros anos de desenvolvimento, os padrões de interação entre a criança e o cuidador são mais importantes do que um excesso de estimulação sensorial. A investigação sobre a vinculação sugere que a interação interpessoal colaborativa, e não a estimulação sensorial excessiva, é a chave para um desenvolvimento saudável”, diz Daniel Siegel, psiquiatra, biólogo, professor e membro executivo do Centro para a Cultura, o Cérebro e o Desenvolvimento da UCLA, citado no livro Educar na Realidade.

As consequências da adição ao ecrã na primeira infância

Já antes Catherine L’Ecuyer falou com o Observador, quando disse em entrevista que as crianças “estão a viver como pequenos executivos stressados”, a propósito do livro Educar na Curiosidade. Nesta obra, que chegou no início de 2017 a Portugal, a autora defende que o excesso de estímulos associados às novas tecnologias inibem a curiosidade natural das crianças — em situações mais extremas pode dar-se o caso de as crianças passarem a depender de estímulos externos, sendo que o próximo passo é a adição e a perda da curiosidade que, por sua vez, dificulta o processo da aprendizagem.

Serve isto para explicar que na sua mais recente obra, L’Ecuyer explica que as crianças precisam, sobretudo, de estabelecer relações saudáveis com os seus cuidadores e que os ecrãs são, por vezes e de certa forma, um obstáculo à criação de laços vinculativos, sobretudo quando falamos da primeira infância. “O principal cuidador da criança é o intermediário entre a realidade e ela. Dá sentido às aprendizagens. Um ecrã não pode assumir esse papel porque não faz a calibragem da informação à criança.”

Para salientar a importância desta problemática, L’Ecuyer apresenta um estudo realizado no Reino Unido em 2012, que mostra que 27% das crianças dos 0 aos 4 anos usam computador e 23% usam a internet. A autora dá ainda conta de investigações que demonstra que “as crianças pequenas não aprendem palavras ou outros idiomas com os DVD, por muito ‘educativos’ que possam ser”, e fala de estudos que estabelecem uma “relação entre o consumo dos DVD prentensamente educativos e uma diminuição no vocabulários dos bebés e no seu desenvolvimeno cognitivo”. Não é por acaso que a Academia Americana de Pediatria recomenda que as crianças evitem o consumo de ecrãs até aos dois anos — para as crianças com mais de dois anos, a Academia recomenda limitar o consumo a menos de duas horas por dia.

Como estas investigações há outras. Aliás, os dois investidores da Apple que escreveram a já referida carta, publicada no início da semana em defesa das crianças, apoiaram-se em três estudos diferentes para o efeito, tal como escreve a Business Insider:

  1. um estudo de 2014, que envolveu 100 pré-adolescentes, permitiu perceber que a metade que ficou sem acesso a tecnologia durante cinco dias teve ganhos significativos de empatia;
  2. outro estudo, de 2017, teve por base um inquérito a 1.800 jovens adultos e encontrou uma relação linear entre a quantidade de redes sociais usadas e a fraca qualidade da saúde mental;
  3. a última investigação citada determinou que 86% dos americanos admite verificar “constantemente” os dispositivos digitais, o que aumenta, na maior parte dos casos, o stress (o inquérito online foi feito a mais 3.500 pessoas com mais de 18 anos); e mais de metade dos pais questionados disse ter preocupações tendo em conta a influência das redes sociais na saúde física e mental dos filhos.

O tema da adição e das consequências associadas ao uso das novas tecnologias na primeira infância está na ordem do dia muito por causa da carta aberta dirigida à gigante Apple, que já fez diferentes meios de comunicação questionarem-se sobre o assunto. A CNN, por exemplo, dá voz a Michael Bociurkiw, escritor regular naquele meio, que passa a batata quente para as mãos da Apple, empresa que precisa de “garantir que as crianças deixem de se viciar nos smartphones. No artigo de opinão, Bociurkwi faz referência a mais estudos que mostram que as crianças de dois anos que usam tablets estão a ter problemas de concentração, dificuldades em mostrar empatia e até em ler expressões faciais. Em cima da mesa estão também consequências como a depressão e os diabetes, derivadas da imersão em ecrãs — os cenários descritos tendem a ser mais gravosos em famílias com menos posses.

Curiosamente, o britânico The Guardian recorda esta semana a entrevista que Steve Jobs deu em 2010 ao The New York Times, quando disse que os seus filhos não usavam o iPad. “Nós limitamos a quantidade de tecnologia que os nossos filhos usam em casa”. À semelhança de Jobs, também o co-fundador do Twitter e o ex-editor da revista Wired limitam o tempo que os filhos passam de volta do ecrã. “É como Adam Alter escreve no seu livro Irresistible: ‘Parece que as pessoas que criam produtos tecnológicos seguem a regra cardinal do tráfico de drogas — nunca consumir o próprio produto’”, lê-se no The Guardian.

Quem também não deixa os filhos usar as redes sociais é Chamath Palihapitiya, ex-vice-presidente do Facebook para a área de expansão de utilizadores, que numa conferência na Stanford Graduate School of Business, em dezembro último, afirmou que as redes sociais, consideradas uma máquina que “explora vulnerabilidades na psique humana”, estão “destruir as bases da sociedade”.

Numa situação sem precedentes, o relatório anual “Situação Mundial da Infância” da UNICEF, divulgado em dezembro de 2017, foi todo ele dedicado ao impacto da tecnologia digital nas crianças. Entre as principais conclusões encontram-se as seguintes ideias:

  • um em cada três utilizadores de internet no mundo é uma criança;
  • os jovens pertencem ao grupo mais conectado;
  • muitas crianças têm uma pegada digital ainda antes de conseguirem falar ou andar;
  • “A tecnologia digital pode ser uma mais-valia para crianças desfavorecidas, ao proporcionar-lhes novas oportunidades para aprender, socializar e até para se fazerem ouvir — ou pode ser mais uma linha divisória. Milhões de crianças são deixadas de fora de um mundo cada vez mais conectado”.

Se em abril de 2013 a publicação The Atlantic falava numa geração “touch-screen”, tendo em conta crianças pequenas, hoje em dia há quem fale numa “geração cordão”, referindo-se a crianças e adolescentes que não se conseguem desligar. Sem diabolizar as novas tecnologias, duas psicólogas portuguesas — Ivone Patrão e Rosário Carmona e Costa, autoras dos livros #Geraçãocordão – A geração que não desliga! e iAgora? Liberte os seus Filhos da Dependência dos Ecrãs, respetivamente — chegaram a conversar com o Observador sobre a problemática do uso excessivo das novas tecnologias e a sua influência em diversos aspetos da vida dos mais novos — desde as relações sociais e familiares às novas formas de estudo.

À data, Ivone Patrão referiu um estudo do ISPA – Instituto Universitário, por ela orientado, que determinou que 25% dos adolescentes portugueses (tendo em conta uma mostra de três mil inquiridos) são viciados em tecnologia.

O problema da multitarefa

“Gostaríamos de acreditar que a nossa atenção é infinita, mas não é. Multitasking é um mito persistente. O que realmente fazemos é mudar rapidamente a nossa atenção de tarefa em tarefa”, escreveu Maria Konnikova, autora do livro Mastermid: How to Think Like Sherlock Holmes, num artigo de opinião no The New York Times, datado de 2012. O estrangeirismo é utilizado para descrever a capacidade de fazer mais do que uma tarefa ao mesmo tempo e, se em tempos teve em voga, agora perde terreno para o monotasking, já considerado o termo do século XXI para prestar atenção.

Catherine L’Ecuyer concorda: no livro já citado, diz que a multitarefa é tida como uma crença popular que ganhou terreno na nossa sociedade, muito embora não passe de um mito — as crianças até podem ser nativas digitais mas, ao contrário do que os pais possam pensar, isso não faz delas forçosamente melhores na multitarefa do que os adultos. “Também eles [os nativos digitais] oscilam entre as diferentes atividades tecnológicas que realizam, e essa oscilação tem o mesmo custo que tem para os adultos”, assegura L’Ecuyer.

E que custos são esses? De acordo com um estudo publicado em 2014, no Journal of Experimental Psychology, interrupções de apenas dois ou três segundos são o suficiente para os participantes duplicarem os erros cometidos durante determinada tarefa. A isso acrescentam-se a investigação da Universidade da Califórnia — que mostrou que trocamos de tarefas cerca de 400 vezes por dia, daí estarmos tão cansados à noite — e o estudo da Universidade de Stanford, que concluiu que os alunos “que fazem multitarefa tecnológica obtiveram piores resultados em todos os parâmetros”.

A última palavra fica a cargo de Catherine L’Ecuyer: “Um estudo que compara vários parâmetros cognitivos conclui que, hoje, uma criança de 11 anos tem um rendimento ao nível de uma criança de 8 ou 9 anos de há… 30 anos! É preciso ver que papel podem ter tido os neuromitos, os ecrãs e a multitarefa nessa mudança”.

 

 

 

Quando for grande quero ser youtuber

Janeiro 26, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do https://www.publico.pt/ de 16 de janeiro de 2018.

Esqueçam os jogadores de futebol, os cantores ou os apresentadores de televisão. A nova geração, quando crescer, quer ser youtuber, quer fazer vídeos que publica no canal YouTube, quer ter muitas visualizações e ganhar muito dinheiro. Impossível? Não. As crianças e os adolescentes vêem que já há quem, pouco mais velho do que elas, tenha casas e carros melhores do que os dos seus pais. Com um trabalho que parece ser divertido. E esse começa a ser o seu ideal de vida, revelam alguns pais, preocupados.

A realidade é que há youtubers portugueses com muito sucesso entre os que têm dos dez aos 15 anos de idade, que participam em eventos e são tratados como “estrelas internacionais”, conta Miguel Raposo, agente de “todos os youtubersque estão no top 10 do YouTube”, diz ao PÚBLICO. “Os youtubers são grandes influenciadores de uma camada mais jovem que segue e admira o seu trabalho”, define Sofia Monteiro, editora da Manuscrito, uma chancela da Presença.

“São novos, ricos, têm carros… A ideia que se passa é um apelo ao material. Há uma venda de valores que pode ser perigosa: ‘Tu podes ser famoso sem dominar a língua portuguesa’”, resume Ana Galvão, radialista que trocou recentemente a Antena 3 pela Rádio Renascença, ao PÚBLICO. Num post no Facebook publicado no início da semana passada, Ana Galvão denuncia “uma legião de jovens youtubers que estão a ensinar barbaridades aos nossos filhos”.

Sobre essas “barbaridades” já Nuno Markl, com quem a radialista tem um filho em comum, tinha escrito, no Facebook. Em causa um vídeo que o filho de oito anos vira em que um youtuber recomendava que, quando a mãe o acordasse para ir para a escola, a mandasse para o c… Markl ainda argumenta que aquele vídeo pode não ser para crianças de oito anos: “Então é para miúdos de quê? Catorze? Dezoito? Há uma idade em que a dica ‘manda a tua mãe para o c…’ já é aceitável?”, e conclui que lá em casa “acabaram-se os youtubers”.

Os posts de Ana Galvão e Nuno Markl, com milhares de reacções, abrem as portas a um universo que sobretudo os pais das crianças e dos adolescentes conhecem, o dos youtubers. Jovens que gravam vídeos e os colocam no YouTube à espera de milhares ou milhões de visualizações. Jovens que influenciam quem os vê. Alguns dos portugueses que actualmente estão no top 10 vivem juntos numa moradia de luxo com piscina em Alcochete. Alguns vieram do mundo dos videojogos, ou seja, antes eram conhecidos por estarem horas a jogar em directo para a Internet.

“Inicialmente, os youtubers estavam muito ligados aos videojogos, hoje em dia são entertainers. Falam de tudo”, explica Miguel Raposo, representante dos jovens da “Casa dos YouTubers”, mas também de músicos como Piruka, outro fenómeno do YouTube. O também autor do livro Torna-te Um Guru das Redes Sociais acrescenta: “Além dos temas e brincadeiras, eles partilham muito da vida pessoal e isso aproxima o público.”

Desvalorização dos meios tradicionais

As “brincadeiras” de que Raposo fala podem ser, segundo viu o PÚBLICO no YouTube, partidas que pregam, com gritos e palavões à mistura. O PÚBLICO tentou falar com vários youtubers, da casa e não só, mas apenas dois, que não fazem parte do top 10, aceitaram responder a algumas questões. Miguel Raposo justificou a recusa dos da “Casa dos YouTubers”: “O público deles não está na televisão ou nos jornais, e eles desvalorizam mesmo muito estes ‘meios’.”

No YouTube, num vídeo, Tiagovski, um dos youtubers com quem o PÚBLICO tentou falar, publicou um vídeo de 35 minutos em que tenta desconstruir a opinião de Ana Galvão e declara: “Desde há quase três meses, quase ninguém diz palavrões [entre] os maiores influenciadores, porque nós tentamos fazer um conteúdo family friendly.” Para logo a seguir quebrar o recorde: “Agora vou ser um bocadinho agressivo, mas para todos os pais que nos estão a ver, vocês não pensem que os vossos filhos não sabem o que é p…”, e dá início a uma lista de palavrões usados para designar os órgãos genitais masculinos e femininos. Se os meninos dizem asneiras ou desrespeitam os pais, “a culpa é dos pais. Os pais é que têm de educar nesse aspecto”, atira no vídeo com cerca de 83 mil visualizações.

Sobre o facto de os youtubers não saberem falar bem português, uma das acusações de Ana Galvão, Tiagovski contesta. “Duvido muito”, diz o jovem de 24 anos que revela manifesta dificuldade em ler o post da radialista; que diz “podamos” em vez de “possamos”; que por vezes não conjuga os verbos, por exemplo ao dizer “é os youtubers”, em vez de “são os youtubers”. Contudo, ressalva que não cabe aos youtubers ensinarem língua portuguesa.

O youtuber repete que é um influenciador, que o seu trabalho tem mais visualizações do que a rádio ou a televisão e que há “empresas, empresas, empresas e empresas” atrás deles por causa do alcance que têm, enumerando algumas do desporto e da tecnologia. Mais: paga Segurança Social e não foge ao fisco, sublinha. Miguel Raposo prefere não comentar os ganhos dos youtuber, mas conta que criou a BeInfluence só para os representar, os dos jogos, do entretenimento e, mais recentemente, da música.

Loucura, fanatismo e PSP

Os números do YouTube atestam o êxito que estes jovens têm. Mas se dúvidas houvesse, os eventos ao vivo confirmam-no. Esses “acabam por demonstrar a loucura e o fanatismo que os fãs sentem pelos youtubers”, declara Raposo, dando o exemplo do lançamento do livro de Wuant – autor do vídeo com o qual Galvão e Markl se insurgiram e que é o número 1 entre os youtubers – em Lisboa, há precisamente um ano. “A fila saía fora da Fnac e do próprio centro comercial. Fechámos a fila cinco minutos depois de começar a sessão”, conta, acrescentando que há outros casos como aquele no Porto em que foi preciso chamar a PSP para o mesmo youtuber conseguir sair. Este tem 2,6 milhões de subscritores.

Os youtubers influenciam quem os vê, mas nem sempre têm consciência disso. Pelo menos é o que diz Nurb, que começou há oito anos, cresceu com o seu público, fez carreira na televisão e na publicidade, e, hoje, não está entre os mais vistos. “Quando alguém me diz ‘na minha turma todos usávamos aquela expressão’, então penso que tinha influência”, recorda ao PÚBLICO. Mas, então, não tinha essa percepção. Fazia os seus vídeos – “tinha uma coisa para dizer e dizia” – sem pensar em quem os via. Hoje sente uma maior responsabilidade. “Mesmo que não queira, acabo por ter, porque se disser alguma coisa muito edge [no limite] posso ser mal interpretado.”

Por seu lado, Sea3PO é uma youtuber que se preocupa com o público, a que chama Seafam; e tem noção de que o influencia e de que isso “é uma responsabilidade gigante”. “Por isso mesmo, faço um esforço por ser positiva”, diz, acrescentando que pensa muito nos conteúdos, “exactamente pela influência que têm”. “Se sentir que um tema não é adequado ou não faz sentido, prefiro não o explorar.”

Beatriz e Hugo Rechena são pais de um menino de dez anos cujo sonho é ser youtuber, “como todos os amigos”, conta a mãe. “Há muitos youtubers na escola, são uma comunidade, partilham e divulgam o que fazem entre si, ajudam-se uns aos outros”, conta o pai. A família chegou a ir a um evento onde estavam os youtubers famosos, mas, perante as filas, desistiram. Um dia, viram um deles e Beatriz explicou ao menino que não iam incomodar o jovem porque estava a jantar. “São heróis”, resumem os pais. Ana Galvão concorda: “São corajosos, divertidos, têm uma vida que todos gostavam de ter.” Sea3PO prefere ver-se como “uma inspiração”.

Com todos os cuidados, Hugo Rechena, engenheiro informático, e a mulher, que trabalha na área da comunicação, deixaram o filho abrir um canal de YouTube. O menino – que não quer ser identificado nem neste artigo nem na Internet, onde aparece com uma máscara de Iron Man – assumiu o nome de Iron pt Vlog, e tem quase 90 subscritores. Naquele espaço-conversa, constrói coisas, faz truques de cartas ou de magia e até já fez um vídeo sobre um hotel onde passou um fim-de-semana em família. “E não foi patrocinado!”, brinca o pai. “Ele é muito criativo e não copia as temáticas dos youtubers que admira”, conta a mãe, que reconhece que a criança tímida se transforma por detrás da máscara, revelando desenvoltura, criatividade e sentido de humor.

O rapaz sabe que há uma linha que não pode atravessar, a da falta de educação. Todos os vídeos são vistos pelos pais antes de irem para o canal. “Existe uma pegada que deixamos na Internet e convém que, no futuro, ele olhe e não se envergonhe. Convém que o seu legado não o comprometa”, diz o pai. E também sabe que, se as notas baixarem, a sua carreira pode terminar. Entretanto, tem o apoio dos pais e fez um curso numa escola de programação.

Pais têm gap tecnológico

O interesse das crianças e dos adolescentes é crescente e não são só as grandes marcas, mas também as editoras, que o perceberam. “Os livros de youtubers são uma tendência editorial e ocupam os primeiros lugares dos tops infanto-juvenis”, responde Sofia Monteiro, da Marcador, que publicou os livros de Wuant (na 9.ª edição), Miguel Luz (7.ª edição), Inês Rochinha (4.ª edição) e vai publicar o da Sea3PO. “Como estamos ligados ao contexto escolar, não queremos editar algo cujos valores não são aqueles que defendemos. Preferimos livros mais educacionais”, responde Susana Baptista, da Porto Editora, que em Fevereiro vai publicar Quero Ser Uma YouTuber, da brasileira de 12 anos Júlia Silva, que começou aos seis anos e tem três milhões de subscritores no YouTube. Trata-se de um livro para crianças com conselhos sobre como criar um canal, que cuidados ter, como lidar com a fama; mas também para os pais. Estes “não conseguem estar em todo o lado, por isso é importante saberem como as coisas funcionam”, avalia Susana Baptista.

Sempre que o filho de Beatriz e Hugo Rechena está no YouTube, eles estão atentos, dizem. Por exemplo, nunca se vê nada com auscultadores postos, mas com o som audível. Mas isso não quer dizer que não possa ver coisas que os pais preferissem que não visse, sabem. Também Ana Galvão diz que o filho é “bastante controlado”, mas tal não significa que não veja com os amigos. “Não sou pela proibição de conteúdos, mas os pais têm de estar mais em cima disto”, defende a voz do programa da tarde da Renascença. Por exemplo, Ana e Beatriz descobriram, através dos filhos, que o YouTube também se pode ver pela televisão. “Temos um tremendo gap tecnológico em relação aos nossos filhos”, admite Ana Galvão.

No YouTube existem “filtros parentais”, assim como há a possibilidade de denunciar um vídeo. “O YouTube é um espaço para utilizadores com 13 ou mais anos”, informa Rui Carvalho, porta-voz da empresa em Portugal, acrescentando que existe a opção “modo restrito” que “permite às famílias filtrar mais os conteúdos”. Esta tem sido uma preocupação da empresa, que está a “investir significativamente na moderação de conteúdos”. A empresa não responde à pergunta se há denúncias a vídeos de youtubers portugueses.

“Temos de ter cuidado com o conteúdo e ver o que os nossos filhos estão a ‘ver’. É como deixar um filho andar na rua sozinho, temos de ter cuidado”, aconselha Miguel Raposo, o agente dos youtubers. “O controlo parental pode estar no nosso aparelho, mas não estar no de outro pai ou dos amigos”, observa Hugo Rechena. “Há pais que não sabem o que os filhos vêem ou que têm canais onde publicam vídeos”, acrescenta a mulher. O marido lembra as potencialidades que tem um smartphone, que os pais desconhecem. “Não devemos restringir, mas educar”, propõe. “E acompanhar”, complementa Beatriz Rechena.

 

 

Investidores da Apple pedem medidas contra o vício das crianças no iPhone

Janeiro 22, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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ACF

Notícia do http://observador.pt/ de 9 de janeiro de 2018.

Dois dos maiores investidores da Apple escreveram uma carta aberta à empresa. No documento, pedem um verdadeiro combate ao vício das crianças no iPhone e nas redes sociais. Apple já respondeu.

Dois dos maiores investidores da Apple estão a pedir à empresa que combata o crescente vício das crianças no iPhone e na internet. Numa carta aberta, a Jana Partners e o California State Teachers’ Retirement System demonstraram uma grande preocupação com os efeitos da tecnologia e das redes sociais no desenvolvimento dos mais novos.

Os investidores, que juntos controlam 2 mil milhões de dólares de ações da Apple, afirmam que “existe um consenso crescente em todo o mundo, incluindo Silicon Valley, de que as potenciais consequências a longo termo das novas tecnologias precisam de ser ponderadas logo no início, e nenhuma empresa pode delegar essa responsabilidade”.

Em resposta aos investidores, como reporta a Bloomberguma responsável de comunicação da Apple afirmou que a empresa “sempre se preocupou com as crianças e trabalha arduamente para criar produtos que inspirem, entretenham e educam as crianças enquanto, ao mesmo tempo, ajudam os pais a protegê-las online. A empresa divulgou ainda que “novas funcionalidades” no controlo parental estão a ser preparadas para melhorar as ferramentas já existentes nos sistemas da Apple.

Os dois grupos pediram à Apple para criar ferramentas que ajudem as crianças a evitar a adição e garantir mais opções aos pais, para que consigam proteger a saúde dos seus filhos através do controlo do tempo passado à frente de um ecrã de telemóvel. Ainda que o atual sistema iOS já inclua algumas medidas de controlo parental, os investidores pedem mais: a possibilidade de personalizar a idade do utilizador do iPhone, a implementação de um limite de tempo em que o ecrã pode funcionar, horas do dia em que o telemóvel pode ser usado e bloqueio de algumas redes sociais.

A carta aberta cita estudos e investigações que atribuem ao uso exagerado de telemóveis vários efeitos negativos no desenvolvimento de uma criança. Desde os mais comuns, como falta de atenção na sala de aula e problemas de concentração, até questões mais graves como riscos mais altos de suicídio e depressão. Os dois grupos de investidores propõem ainda a criação de um comité de especialistas em desenvolvimento infantil que todos os anos produza um relatório para a Apple.

*Atualizado às 17h00 com resposta da Apple

 

 

Crianças estão mal preparadas para riscos emocionais – Redes Sociais

Janeiro 11, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto do https://www.publico.pt/ de 4 de janeiro de 2018.

Responsável inglesa pelos direitos das crianças identifica uma idade crítica para o surgimento de riscos da utilização das redes. Quando a guerra de “gostos” e a partilha de fotografias substitui os jogos é o momento em que as brincadeiras podem dar lugar à ansiedade e a problemas de auto-imagem.

Sofia Robert

Um relatório da comissária inglesa para os direitos das crianças, Anne Longfield, alerta para o facto de os menores estarem mal preparados para lidar com as redes sociais num período-chave do seu desenvolvimento – a transição da escola primária para o ciclo seguinte, a partir dos 10 anos – expondo-as a riscos para o seu bem-estar emocional.

Apesar de serem ensinadas sobre segurança online ao longo da escola primária, as crianças não são adequadamente preparadas para outro tipo de desafios que surgem com a utilização das redes sociais, como problemas de auto-imagem que podem ser acompanhados por crises de ansiedade ou depressão.

Enquanto as crianças com idades entre os oito e os dez anos tendem a usar as redes sociais de uma forma lúdica, utilizando-as para disputar jogos entre si, nos anos seguintes começam a fazer uma utilização mais social de redes como o Instagram e o Snapchat, procurando “gostos” e comentários positivos nas suas publicações, cita o jornal britânico Guardian. E começam a ficar mais preocupadas e embaraçadas com o que o relatório designa como sharenting: o fenómeno da partilha de imagens pelos pais, sem a autorização das crianças e adolescentes.

“Estou preocupada que várias crianças comecem o ensino básico mal preparadas para lidar com as redes sociais. É também evidente que as empresas que detêm as redes sociais continuam sem fazer o suficiente para que as crianças menores de 13 anos parem de usar as suas plataformas”, afirma a comissária britânica, instando pais e professores a investirem mais na preparação dos seus filhos e alunos, sugerindo aulas obrigatórias de literacia digital.

“Tem de haver um papel mais activo das escolas em certificar-se de que as crianças estão a ser preparadas emocionalmente para os desafios das redes sociais. E as empresas das redes sociais têm de ter mais responsabilidade. Senão haverá um risco de deixar uma geração de crianças a crescer em busca de ‘gostos’ para se sentirem felizes, preocupadas com a sua aparência e imagem como resultado de uma percepção irrealista do que vêem nas redes sociais”, referiu Longfield.

A responsabilidade dos pais e das escolas

Também em Portugal têm sido realizados estudos sobre o impacto das redes sociais nas crianças, adolescentes e jovens adultos. Em 2017, o Instituto Superior de Psicologia concluiu que 70% dos jovens portugueses com menos de 25 anos apresentam sinais de dependência em que 6% admite ter ficado “sem comer ou sem dormir por causa da Internet”.

No mesmo ano, o médico psiquiatra Diogo Telles Correia alertava que as redes sociais expõem “os adolescentes a um contínuo fluxo de informação, que os estimula constantemente e alimenta uma personalidade hiperactiva e que pode conduzir, não raramente, a situações de ansiedade”, comentando dados então divulgados pela Marktest que identificavam um crescimento da utilização das redes, entre 2008 e 2015, entre todas as faixas etárias, de 17,1% para 54,8%.

Ainda sobre esses dados, a psicóloga Rosário Carmona defendia que é na escola que tem de ser feita a prevenção dos problemas associados ao uso das redes sociais e que a mesma “está muitíssimo desvalorizada”. Por seu turno, o médico psiquiatra Daniel Sampaio responsabiliza os pais: “Devem acompanhar a inscrição e a publicação dos primeiros conteúdos e têm que ter uma dimensão ética, explicando-lhes o que devem e o que não devem fazer. Têm que lhes explicar que não devem comentar as imagens dos outros, que não devem fazer comentários sobre os corpos dos amigos, que podem comunicar e trocar determinadas imagens dos sites que encontram mas que não devem publicar imagens de pessoas”.

Também em 2017, um estudo por uma dupla de investigadoras da Universidade Católica Portuguesa e da Universidade do Minho que acompanhou um grupo de oito crianças portuguesas ao longo de dois anos (dos seis aos oito) identificava uma idade crítica relativamente à utilização das redes sociais, concluindo que é aos oito anos que se vê o maior salto na sua autonomia online e que é também nessa altura que começam os riscos dessa exposição.

Texto editado por Pedro Guerreiro

 

 

 

São cadas vez mais novas as crianças cuja felicidade depende do número de “gostos” nas redes sociais

Janeiro 5, 2018 às 2:30 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://visao.sapo.pt/ de 4 de janeiro de 2017.

Cátia Leitão

Novo estudo realizado no Reino Unido sugere que as crianças entre os 8 e os 12 anos estão a tornar-se viciadas nas redes sociais e que os ‘gostos’ no Facebook e Instagram funcionam como uma validação social para elas

Entre outubro e novembro, Anne Longfield, comissária das crianças em Inglaterra, desenvolveu uma pesquisa com o objetivo de perceber o impacto que as redes sociais têm atualmente no bem-estar de uma criança entre os 8 e os 12 anos, especialmente no que diz respeito à autoestima. Esta investigação analisou 8 grupos com 32 crianças e concluíu que apesar da idade mínima para um indivíduo se registar numa rede social ser de 13 anos, há um número cada vez maior de crianças com menos de 12 anos que já têm uma conta própria e que procuram aprovação social através dos ‘gostos’.

Esta investigação foi realizada com base em entrevistas feitas às crianças. Para que estas se sentissem à vontade e mais disponíveis para responder às perguntas colocadas, os investigadores juntaram todas as crianças em pares com alguém que estas já conhecessem, como por exemplo um amigo ou colega de escola. Mas antes disso, tanto as crianças como os respetivos pais teriam de completar um conjunto de tarefas para que os autores ficassem a saber mais sobre o estilo de vida, comportamento e relação de cada família com as redes sociais.

Os investigadores chegaram à conclusão que existiam vantagens e desvantagens no uso das redes sociais por parte das crianças. Por um lado, “percebeu-se que as redes sociais têm um efeito positivo no bem-estar das crianças e permite-lhes fazer coisas que elas gostam como de se manter em contacto com os amigos e estar ocupado”, segundo o estudo. Mas, por outro lado, “tem um efeito negativo porque leva as crianças a preocuparem-se com coisas sobre as quais não têm qualquer controlo” como explica Anne Longfield ao dizer que “as redes sociais providenciam grandes benefícios, no entanto, também expõem as crianças a riscos emocionais muito significantes”.

3 em cada 4 crianças com menos de 12 anos tem uma conta própria numa rede social apesar de a idade mínima de registo seja de 13 anos. O estudo descobriu também que as redes sociais mais utilizadas por esta faixa etária são o Snapchat, Instagram e Whatsapp. As crianças entre os 8 e os 10 anos ainda estão a descobrir como funcionam as redes sociais e por isso mesmo ainda não desenvolveram o hábito de verificar estas aplicações frequentemente. Nestas idades, os mais novos ainda acedem à internet a partir dos dispositivos móveis e das contas dos pais e admitem ter um tempo limite para usar as mesmas. Mas, os mais pequenos revelam que usam a internet para jogar com os amigos, explorar as surpresas das redes sociais – como os filtros – e ver vídeos para descobrir coisas para fazer.

Na faixa etária entre os 10 e os 12 anos o caso muda completamente de figura. Nestas idades as crianças já têm mais noção de como usar as redes sociais e começam a fazê-lo a partir dos seus próprios dispositivos móveis. Enquanto os mais novos apenas usam a internet depois da escola, neste grupo as crianças passam a usá-la quando querem mesmo durante o período escolar. É nesta idade que começam a sentir pressão social para usar as redes sociais com o objetivo de se tornarem populares e passam a dar mais importância aos ‘gostos’ e à aprovação social que estes trazem.

A comissária Longfield avisa os pais que “lá porque as crianças aprenderam algumas coisas sobre segurança na escola primária não significa que estejam preparadas para os desafios que as redes sociais apresentam” e acrescenta ainda que as escolas têm de se “certificar que as crianças estão preparadas para as exigências emocionais das redes sociais. O que significa que as companhias das redes sociais também têm de assumir uma maior responsabilidade”. Anne Longfield acredita que se os pais, as escolas e as companhias não tomarem medidas, existe um grande risco de “deixar crescer uma geração de crianças que persegue ‘gostos’ para se sentir feliz e apenas se preocupa com a aparência e imagem devido ao estilo de vida irrealista que vê nas plataformas como o Instagram e Snapchat”. Além disso Anne alerta ainda que isto tudo pode aumentar significativamente os estados de ansiedade nas crianças caso estas não consigam responder às exigências das redes.

O estudo inclui ainda frases das crianças inquiridas com o objetivo de alertar os pais para os pensamentos dos filhos. Harry tem 11 anos e diz que “se não usarmos coisas caras e de designer as pessoas gozam” mas “quando chegamos aos 50 ‘gostos’ começamos a sentir-nos bem porque isso significa que as pessoas acham que ficámos bem naquela fotografia”. Bridie, também com 11 anos, admite que usa as redes sociais cerca de 18 horas por dia e acrescenta ainda que “vi uma rapariga muito bonita e quero tudo o que ela tem, quem me dera ser como ela. Quero as coisas dela, a casa dela e a maquilhagem da MAC que ela tem. Vê-la faz me sentir aconchegada”.

As redes sociais fazem com que as crianças criem uma ideia de um mundo irreal onde podem ter tudo aquilo que desejam. Para chegar a esse ponto, acreditam que têm de ser aceites no mundo social da internet e que os ‘gostos’ são o meio para ter a validação que tanto procuram. Para evitar este tipo de ilusões nas crianças, a investigação sugere algumas medidas para os pais como falar com as crianças sobre os aspetos positivos e negativos das redes sociais e fazê-las entender as diferenças entre a aparência e a realidade para tentar combater a pressão que as crianças colocam nelas próprias.

Esta pesquisa integra o relatório “Life in Likes” publicado hoje por Anne Longfield, comissária das crianças de Inglaterra – um cargo independente do Governo com o objetivo de ajudar a melhorar a vida das crianças a longo prazo, principalmente das mais vulneráveis.

 

 

Metade das fotos dos sites de pedofilia são tiradas das redes sociais dos pais

Dezembro 29, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do site https://bebemamae.com/

Por: Bruna Romanini

São imagens das crianças fazendo atividades cotidianas que são retiradas do Facebook, Instagram e outras redes sociais

Metade do material encontrado em sites de pedofilia são imagens inocentes de crianças realizando atividades do dia a dia. E pior, estas imagens foram postadas por seus próprios pais em suas contas nas redes sociais, como Facebook e Instagram! Foi o que descobriu uma investigação feita pela Comissão Australiana de Seguranças das Crianças na Web.

Muitas das fotos inocentes estavam em pastas com nomes como “crianças na praia”, “ginástica artística”, entre outras. “Diversos dos pedófilos deixaram claro que obtiveram as imagens vasculhando as redes sociais de pais. As imagens vinham quase sempre acompanhadas de comentários explícitos e perturbadores”, alerta Alastair MacGibbon, um dos responsáveis pela investigação. Esta ação conseguiu remover mais de 25 mil imagens de crianças que eram utilizadas em sites de pedofilia.

A seguir, confira maneiras simples de evitar que criminosos acessem suas fotos e vida pessoal:

  • Ajuste as configurações de privacidade das suas redes sociais. Saiba que tanto o Facebook quanto o Instagram possuem configurações que só permitem que algumas pessoas, seus amigos ou seguidores, vejam as imagens que você posta;
  • Tenha apenas pessoas próximas e confiáveis como amigos ou seguidores nas redes sociais;
  • Converse com seus amigos e familiares sobre os cuidados importantes na hora de postar fotos do seu filho ou de outras crianças;
  • Não publique endereços de moradia, trabalho, creche ou outros nas redes sociais;
  • Caso tenha um blog ou algo parecido, evite publicar fotos do seu filho.

mais informações na notícia:

MEDIA WATCH: Pedophiles recycle millions of photos from social networ

Resultados de novo estudo podem ajudar a explicar discussões acesas nas redes sociais

Dezembro 25, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Kacper Pempel/ Reuters

Notícia da http://visao.sapo.pt/ de 13 de dezembro de 2017.

Repostas furiosas, ânimos exaltados,muito pouca ponderação. O cenário é conhecido de todos os que andam pelo mundo das redes sociais e uma nova investigação dá uma pista para o explicar

A voz de uma pessoa é mais persuasiva do que a palavra escrita e isso é relevante sobretudo quando em causa estão ideias diferentes das nossas.

Num estudo publicado recentemente no Psychological Science, uma equipa de investigadores das universidades da Califórnia e de Chicago, conduzida por Juliana Schroeder, levou a cabo várias experiências em que um grupo de voluntários era expostos a várias ideias: umas com as quais concordavam e as outras não.

Um dos exercícios consistia em fazer 300 participantes ver, ouvir ou ler argumentos sobre a guerra, o aborto ou a música, neste caso específico country ou rap, que são dois estilos que normalmente polarizam as opiniões. Depois, era pedido aos voluntários que avaliassem a pessoa que tinha exposto o argumento. Quando os participantes não concordavam, a tendência era a de “desumanizar” o interlocutor, ou atribuir-lhe uma menor capacidade para pensar ou sentir. Mas quando o mesmo argumento era ouvido, fosse em vídeo ou só mesmo através de um ficheiro de áudio, os participantes não se mostraram tão críticos.

Convicções transmitidas oralmente fazem o comunicador parecer mais razoável e até mais humano, explica ao The Washington Post Juliana Schroeder, enquanto as mesmas crenças perdem “os elementos humanizadores” quando são comunicadas por escrito.

A investigação começou com um artigo de jornal. Um dos cientistas leu uma citação no jornal de um discurso de um político com o qual discordava acentuadamente. Num email enviado ao Washington Post, Schroeder explica que o mesmo investigador ouviu, na semana seguinte, exatamente a mesma parte do discurso a passar na rádio e ficou “chocado” com a diferença da sua própria reação: Quando leu, o político pareceu-lhe imbecil, mas quando o ouviu, o mesmo político pareceu-lhe razoável.

Agora, já com o resultado do estudo na mão, Schroeder acredita que estas conclusões podem ajudar a explicar o efeito tão acentuado das redes sociais no aumento da polarização das opiniões políticas.

“De certa forma, a tecnologia está a tornar as nossas interações mais baseadas em texto. Muitas pessoas recebem a maioria das suas notícias através das redes sociais. Isto pode ser desumanizador e pode aumentar a polarização”, reflete.

 

 

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