Todas as semanas há denúncias de professores agredidos nas escolas

Março 24, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 23 de fevereiro de 2020.

Ubbu oferece aulas de programação à distância para escolas

Março 23, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 16 de março de 2020.

A iniciativa destina-se a todas as escolas, independentemente de já serem utilizadores da plataforma.

A Ubbu, uma plataforma portuguesa para pôr crianças a programar criada pela Academia de Código, está a disponibilizar o acesso gratuito a escolas nacionais do 1.º ao 6.º ano de escolaridade, forçadas a encerrar devido às medidas para travar a propagação da covid-19. A iniciativa destina-se a todas as escolas, independentemente de já serem utilizadores da plataforma.

“Preparámos esta solução para que os alunos que já estavam a seguir o programa não saiam prejudicadas e para que outros que tenham sido forçados a ficar em casa possam ocupar o seu tempo de forma produtiva,” explicou em comunicado João Magalhães, presidente executivo da Ubbu, no final da semana passada. “As escolas encerradas em Felgueiras já estão a receber apoio em regime remoto e foram o exemplo impulsionador desta acção”, acrescenta.

Para se inscreverem, as escolas interessadas devem preencher o formulário online. O acesso será totalmente gratuito até, pelo menos, ao próximo mês de Junho.

O conteúdo da plataforma varia consoante a idade dos utilizadores: com seis anos, por exemplo, os alunos devem completar sequências de instruções (“virar para a direita”, “recuar dois passos”, “avançar um passo”) para fazer andar carros e robôs no ecrã. Com 12, podem criar pequenos jogos ao programar aquilo que diferentes elementos do jogo devem fazer e como interagem entre si.

Cada aula tem a duração de uma hora – a ideia é que os alunos completem uma por semana. Os temas têm por base as metas de desenvolvimento sustentável da ONU, como a erradicação da pobreza e a igualdade de género.

Em 2019, a União Europeia definiu a programação como “a competência do século XXI”, com vários países. Em Portugal, a Direcção-Geral da Educação incentiva actividades de robótica e programação para os alunos do 1.º ao 9.º anos. Alguns jardins-de-infância já oferecem aulas de programação com robôs interactivos, através do Kids Media Lab, um laboratório móvel criado por uma investigadora da Universidade do Minho. Em muitas escolas, a matéria vem incluída como uma parte da disciplina de Tecnologias de Informação e Comunicação.

Para que o ensino em regime remoto seja facilmente adoptado, a Ubbu criou conteúdos para as escolas, pais e alunos com ferramentas e instruções especialmente dedicadas a esta realidade.

Sessão “Os Direitos da Criança em contexto escolar e familiar” com Paulo Guerra, 18 março em Rio de Mouro

Março 10, 2020 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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No âmbito do Projeto Sintra ES+, realiza-se no dia 18 de março, às 17:30, no auditório da Escola Secundária Leal da Câmara, uma sessão sobre INCLUSÃO/Direitos das crianças em contexto escolar e familiar (Veja aqui o cartaz) dinamizada pelo  Juiz Desembargador Paulo Guerra.
Esta intervenção permitirá uma reflexão e um trabalho de partilha entre os  diferentes agentes da comunidade educativa sobre o tema.
A participação  está sujeita a uma inscrição prévia através do link infra: https://forms.gle/go8T2bSVJwTPiCMEA

Mais do que da violência, professores queixam-se da indisciplina na sala de aula – artigo do Educare com declarações de Cláudia Manata do IAC

Março 4, 2020 às 6:00 am | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Snews

Texto e imagem do Educare de 24 de fevereiro de 2020.

Cresce a atenção social dada aos problemas da violência e indisciplina nas escolas. Mas os conflitos não se resolvem com professores cansados e pais em dificuldades.

Andreia Lobo

Há uma preocupação social crescente com as questões da violência e da indisciplina nas escolas. Pedro Cunha, sociólogo, psicólogo e investigador na área da mediação e gestão de conflitos atribui essa preocupação ao aumento do conhecimento sobre a importância de o indivíduo exprimir adequadamente as emoções. Algo indissociável do conceito de inteligência emocional apresentado por Daniel Goleman nos anos 90.

Essa mudança, ocorrida nas duas últimas décadas, traduz-se na consciencialização da importância da gestão das emoções que, na visão do psicólogo, “faz com que hoje nas escolas haja uma preocupação notória na melhoria das relações interpessoais e no evitar de comportamentos antissociais”.

É neste contexto, analisa o psicólogo, que surgem, “por defeito, nomes como bullying, cyberbullying “. “Fenómenos que nos colocam a todos numa linha de possibilidade de exclusão do outro, de uma forma dramática do ponto de vista emocional, porque há pessoas que não sabem exprimir adequadamente emoções a não ser por via da intimidação do outro.” Explicações que ajudam a entender relatos pessoais e estatísticas.

Violência e indisciplina
Mesmo a designação genérica de “violência na escola” requer algumas especificações. Importa, por exemplo, precisar que violência e indisciplina são conceitos diferentes. De modo geral, a indisciplina divide-se em três grandes grupos.

A indisciplina da sala de aula. Referida como a que perturba mais os professores. Está fracionada com a tentativa de fazer com que os alunos estejam atentos e focados e ouçam aquilo que o professor diz. Essa, garantem os docentes, é a grande batalha, porque os alunos facilmente dispersam e estabelecem conversas paralelas que podem transformar a sala de aula num caos, dependendo da capacidade de controle do professor.

Mais mediaticos são os conflitos entre pares. É neste grupo que se insere o bullying e que a sociedade e os meios de comunicação tendem a chamar de violência. Dizem respeito a situações que sobem de tom, os comportamentos, as ações complicam-se.

Outro tipo de conflitos geram-se entre os professores e os alunos. Estes são, na maioria das vezes, casos que não podem ser resolvidos apenas pelo professor. Ou seja, têm de ser resolvidos pela direção da escola e órgãos intermédios, nomeadamente quando o professor é agredido ou quando é insultado.

De modo consensual, a maioria dos professores reconhece que as situações de indisciplina são mais frequentes nas escolas portuguesas.

Espaço propício a conflitos
“A escola é propícia e propiciadora de conflitos de relação, conflitos de interesses e conflitos de necessidades, passando por conflitos de valores ou crenças, pelo facto de as sociedades serem cada vez mais ‘multi’ (étnico, social, cultural, etc)”, explica o psicólogo Pedro Cunha. Por essa razão, conclui, “não é imaginável que na escola não existam conflitos”.

Sejam conflitos “relacionados com a construção da identidade de cada um, com as relações de poder entre as partes, com as questões de rendimento académico dos alunos, com o que os pais pensam sobre isso, com o relacionamento de todos com todos, desde a direção da escola, aos professores, aos funcionários não docentes até aos próprios alunos”.

Se não se podem evitar, o que fazer com os conflitos? “Geri-los”, responde o psicólogo, lembrando que “os conflitos também têm aspetos construtivos e edificantes da personalidade humana.” Contudo, esta não é a visão que predomina na sociedade portuguesa. “Fomos todos socializados na ideia de que dos conflitos só podem provir aspetos nefastos e destrutivos para o ser humano e isto não é de todo verdade.”

Gerir conflitos implica noções como mediação, negociação. Conceitos que Pedro Cunha explora no livro “Gestão de Conflitos na Escola”, escrito em coautoria com Ana Paula Monteiro. Da experiência em ações de formação de professores e seminários nas escolas, o psicólogo constata a falta de preparação: “Os professores desconhecem como se pratica a negociação, como se faz a mediação escolar, como se faz a conciliação escolar, se é possível arbitrar ou é melhor conciliar o conflito, ou se é melhor ter alunos como mediadores?”

O tratamento de todas estas questões falha não apenas na escola, mas na sociedade em geral, defende Paulo Cunha, contrariamente ao que noutros países já acontece. A solução para gerir os conflitos em ambiente educativo passa precisamente por aqui, assegura.

Claudia Manata é professora há 30 anos e conta mais 10 anos a desenvolver ações de sensibilização nas escolas na área da indisciplina pelo Instituto de Apoio à Criança (IAC). Concorda com a opinião generalizada de que, mais do que as questões da violência contra professores e do bullying, o que mais perturba o funcionamento da escola é a indicisplina na sala de aula.

“A indisciplina na sala de aula é extremamente desgastante e é dessa que os professores mais se queixam. É muito complicado estar com um grupo de alunos que não se concentra, não está atento e não ouve nada.”

De acordo com o último relatório do PISA, 50% dos alunos não ouve o que se passa na aula, ou seja, está desatento. “E a maioria não está propriamente em silêncio”, confirma Cláudia Manata. “Estão a falar uns com os outros, a tentar mexer no telemóvel, a fazer coisas que perturbam a aula, porque obrigam o professor a parar de lecionar e estar constantemente a chamar à atenção.”

O valor da educação
Quais são os fatores na origem deste problema? “Não desresponsabilizando os professores, nota-se que as famílias também não conseguem educar os filhos para que saibam estar.” A resposta de Cláudia Manata surge sem hesitação. 30 anos de profissão chegam e sobram para saber que “são muitas as diferenças entre os miúdos acompanhados por pais que se preocupam e vêm às reuniões e outros em que isso não acontece. Mas infelizmente, esses são a maioria”.

Tal como em muitas outras áreas, também em matéria de convivência escolar, os países do Norte da Europa servem de exemplo. Claúdia Manata vai recolhendo essas vivências de colegas que fazem intercambios. “Distinguem-se da realidade portuguesa pela forma como crianças e famílias encaram a escola. Veem a escola como um investimento para o futuro da criança, um local também de aprendizagem socioeducativa, onde as crianças aprendem a conviver, a estar, a respeitar o outro e os pais respeitam a escola.”

Em Portugal, por mais que a professora lamente, “não é nada assim”. “Aqui, numa turma de 25 alunos, aparecem dez pais nas reuniões com o diretor de turma.” Quem é que está sempre ausente? “Os pais que precisavam mesmo de estar presentes, porque os filhos precisam de mais acompanhamento.”

Problemas de saúde mental
Cláudia Manata acredita que a indicisplina está “claramente” relacionada com o aumento do número de crianças com problemas de saúde mental. “Cada vez há mais alunos que não estão bem psiquicamente, que são emocionalmente instáveis e não há psicólogos suficientes para fazer esse atendimento, nem nos centros de saúde, nem nas escolas onde às vezes há um psicólogo para dois agrupamentos.” Crianças que ficam, por isso, sem o acompanhamento que precisam. Até por parte dos pais.

“Fui tutora de uma menina com esquizofrenia e – porque quis – cheguei a ir com ela às consultas no Hospital Júlio de Matos. Ia para apoiar a mãe que não podia faltar ao trabalho e para a miúda não perder a consulta. Isso não fazia parte das minhas funções”, frisa a professora. “Há muita coisa que os professores fazem e ninguém sabe, só a escola. Por isso, entendo que as famílias têm de ter apoios suficientes e acompanhamento nos centros de saúde para poderem ajudar as suas crianças.”

Professores cansados, pais em dificuldades
Cláudia Manata está segura de que muitas crianças não teriam tantos problemas se tivessem mais acompanhamento das famílias, mas entende as dificuldades por que passam muitos pais presos a uma rotina também ela desgastante. “As famílias também passam a vida entre a casa e o trabalho.” Ora, no centro de Estocolmo, num dia de sol a partir das 16h00, pais e mães passeiam com os seus filhos nos carrinhos e convivem uns com os outros.

O envelhecimento da classe docente, lembra Cláudia Manata, não pode ser excluído do rol de fatores que enquadram a indisciplina nas escolas. “Com 55 anos não se tem, nem é suposto ter, a mesma paciência e a mesma rapidez de resposta e resolução de problemas que se tem aos 30 anos”, atira.

Problemas de indisciplina e violência sempre existiram. É certo, mas muitos professores testemunham um agravamento das situações. Para Cláudia Manata, a justificação implica tanto os pais como os professores. “As famílias não estão bem, têm muitos problemas e dificuldades que fazem com que não tenham muito tempo para os filhos. Nós, professores, estamos mais velhos e também temos menos paciência. E nenhuma destas duas situações ajuda à resolução destes problemas.”

Contar histórias nas paredes da escola

Fevereiro 24, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da Visão de 18 de fevereiro de 2020.

Na Escola Básica Padre Doutor Joaquim Santos, em Cabeceiras de Baixo, as histórias saíram da biblioteca para dar cor às paredes do recreio

É a primeira vez que esta escola em Cabeceiras de Basto, no distrito de Braga, participa na campanha eleitoral pelos livros mais fixes. E como quem quer alcançar o nível dos mais experientes, começaram em grande.

No primeiro dia de campanha, 3 de fevereiro, marcaram uma sessão para toda a comunidade escolar. Pais, professores e colegas: todos ficaram a saber o que é o projeto «Miúdos a Votos», o que se vai passar até maio, e ainda se debateram os livros em campanha. Os miúdos vão andar em alvoroço e, além da campanha eleitoral, que já se mostra pelos corredores, têm um objetivo maior: «fizemos um debate, não só para nos divertirmos mas também para nos tornarmos melhores pessoas e aprendermos a discutir ideias. O mais giro é que são os livros que ganham, não as pessoas». Quem o diz é Inês Rodrigues, 9 anos, que faz campanha pelo livro «O Principezinho», de Antoine de Saint-Exupéry.

Para chamar à atenção de todos, resolveram pintar um grande mural no exterior da escola, com muitos desenhos coloridos que remetem para os livros. Convidaram o artista Mário Teixeira (e assim já envolveram mais uma pessoa de fora) e combinaram que desenhos eram precisos para passar a mensagem. Foi ele que desenhou uma menina com cabelos de mar – que faz uma referência ao livro «A Menina do Mar», de Sophia de Mello Breyner Andressen – uma galinha que põe ovos de todas as cores – apelando ao voto no livro «Os Ovos Misteriosos», de Luísa Ducla Soares – uma enorme flor, que lembra o livro «A maior flor do mundo», de José Saramago e claro, um Principezinho; depois dos contornos, todos os miúdos e miúdas que fazem campanha agarraram no pincel e coloriram as paredes.

Paredes cheias de cor

«O mural vai ajudar a chamar à atenção porque todos vão perguntar o que é – durante os intervalos vai ser uma loucura. Queremos muito que todos leiam mais e larguem os telemóveis», confessa Inês. Ao seu lado está Matilde Gonçalves, também com 9 anos, que faz campanha pelo livro «Gravity Falls», de Alex Hirsch. Escolheu-o porque «é um livro divertido que fala sobre o poder da amizade. Nesta história os monstros são amigos e lutam, juntos, pelo bem». Já Beatriz Barroso, que faz campanha pelo livro «A maior flor do mundo», de José Saramago – e que só o leu por causa da iniciativa – parece não pensar de forma diferente: «gostei deste livro porque a história conta-nos como é possível, ao salvar uma planta, salvar a natureza toda».

Escola, para quando dar mais atenção às emoções?

Fevereiro 11, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Margarida Marrucho Mota Amador publicado no Público de 3 de fevereiro de 2020.

As crianças têm, por definição, ‘bichos carpinteiros’! A necessidade de estar sempre a mexer pés e mãos, falar, ver, observar e experimentar. A curiosidade está latente em tudo o que fazem e são!

É nos primeiros meses de vida que descobrimos o mundo através dos sentidos e das sensações, e que vamos fazendo escolhas — frio, calor, saboroso, entre outras. Quando crescemos são as emoções e a necessidade de bem-estar — pensando sempre que nos movemos para o bem, bom e belo — que norteiam as nossas decisões e fazemos avançar o mundo.

Integrar as emoções e o seu desenvolvimento na tomada de decisão pode ser um processo que se aprende na escola, ao longo do dia de forma natural.

É importante termos a noção de que a inteligência emocional é muito importante e abrange o desenvolvimento do autoconceito e do apreciarmos a dádiva que são os outros na nossa vida. A consciência das emoções que desenvolvemos perante cada situação, o que nos provoca determinados ambientes, a necessidade que temos de preservar ou mudar porque nos sentimos bem ou mal, faz com que tenhamos a capacidade de empreender desafios, participados por muitos, com diferentes competências.

Tudo o que pode espoletar emoções será, certamente, um bom início de aprendizagem. Desde a maçã que nos cai na cabeça, a trovoada que nos amedronta ou enfeitiça, a música que nos eleva, os números que bailam aos nossos olhos, o corpo que se desloca com graciosidade… Tudo deve ser tido como momentos de aprendizagem. A curiosidade faz o resto, criando necessidade de aprendizagem.

Quando suscitamos curiosidade nos nossos alunos, não precisamos de desenvolver a motivação. A curiosidade já traz em si a motivação. Manter o nível de curiosidade pelo mundo não é coisa para gente nova, é assunto sério de desenvolvimento humano ao longo da vida. Perceber que somos curiosos começa em pequeninos quando temos a sorte de brincar ao ar livre, na natureza, com paus a fazer construções imaginárias, com terra, areia, nas poças de água da chuva, a correr pela floresta, a sentir o ar a bater na cara e o cheiro da água e das ervas. Querer saber dos animais que ali vivem, perceber a sua importância e não ter medo deles. Ir à cozinha e meter a mão na massa, sentir os cheiros e os sabores. Fazer coisas com as mãos, como tricô, croché, cozer, colar, entre muitas outras coisas.

Sentimos com os sentidos e decidimos através das emoções que eles nos provocam. Para quando dar mais atenção às emoções? Tomar a consciência da sua importância na tomada de decisão é de extrema importância para serem decisões acertadas. E, já agora, não permitir que nos cortem a curiosidade e a necessidade de aprender, desde pequeninos… para toda a vida!

Uma experiência pedagógica antirracista no 1.º Ciclo

Fevereiro 6, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Snews

Texto e imagem do Educare de 27 de janeiro de 2020.

“Com a mala na mão contra a discriminação” envolveu uma turma de 22 alunos do 4.º ano da Escola Básica do Castelo, em Lisboa. O projeto é um exemplo de como abordar o racismo nas suas múltiplas vertentes. Combater a invisibilidade da discussão sobre o racismo estrutural na sociedade, de uma forma didática e fundamentada no espaço escolar, surge como um dos principais objetivos.

Sara R. Oliveira

Há duas constatações relevantes que, de certa forma, foram o motor do projeto. O racismo raramente é abordado enquanto obstáculo à democratização escolar no debate político e científico nacional. As desigualdades étnico-raciais não têm tido, por variada razões, a mesma centralidade no amplo projeto de uma escola e sociedade democráticas. Ariana Furtado, professora do 1.º Ciclo na Escola do Castelo, em Lisboa, e Cristina Roldão, professora da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal, realçam estes dois aspetos num texto em que partilham e detalham o projeto “Com a mala na mão contra a discriminação”, uma experiência pedagógica antirracista implementada por uma equipa de professores e educadores numa turma de 22 crianças do 4.º ano na Escola Básica do Castelo, em Lisboa, no ano letivo passado. O texto é parte integrante do “Estado da Educação 2018”, publicado pelo Conselho Nacional de Educação.

Na Escola Básica do Castelo estudam alunos com ascendência ou que nasceram em mais de 14 países. O respeito pelo outro é fundamental e o projeto tem vários objetivos, uns mais genéricos, outros mais específicos. Explicar que o racismo viola os Direitos Humanos é uma ideia sempre presente. Combater a invisibilidade da discussão sobre o racismo estrutural na sociedade de forma didática e fundamentada no contexto escolar, compreender a produção e a divulgação da História, as suas singularidades e os seus silenciamentos, para estimular a consciência histórica e enriquecer o protagonismo infantojuvenil, são objetivos mais específicos.

A desconstrução de preconceitos conduz o projeto, pensar e debater a História faz parte da estratégia, perceber as diferenças, as desigualdades e os direitos, permite aprender mais e conhecer melhor. Os alunos começaram por perceber o que é o racismo, como apareceu no mundo, como se manifesta, como cresceu, por que razão é que algumas pessoas são racistas. “A necessidade de garantir uma educação racional, laica e não coerciva, menos teórica e mais prática, torna-se imprescindível para o desenvolvimento do caráter, o incentivo à solidariedade e a valorização do exemplo, da ação, como referência educacional e reflexo da cidadania, dos alunos”.

Construiu-se uma metodologia híbrida voltada para a educação não formal infantil e para a participação plena de todos os alunos. Os exercícios de imaginação, experienciais e de posicionamento, foram fundamentais para estimular o diálogo junto dos alunos, a reflexão sobre questões quotidianas e pontuais, a tomada de decisão em grupo. As ações foram dinamizadas de forma interativa e, em todos os encontros, foram elaborados materiais escritos e artísticos utilizados para ilustrar as discussões teóricas.

“De onde vem a minha História?”
Os alunos percorreram vários caminhos ao longo de sete sessões. A viagem começou com uma mala produzida e utilizada pelas crianças, uma viagem pela História e pelos direitos. Os professores tinham uma caixa de boas práticas com as sessões descritas e organizadas em fichas pedagógicas. “De onde vem a minha História?” foi o título-pergunta da primeira sessão para que os alunos, a partir das suas lembranças, conhecessem e se apropriassem da sua história individual numa viagem à descoberta da sua identidade. Na segunda sessão, andaram à volta de quem escreve a História, se os livros contam histórias certas ou erradas, quais os critérios que selecionam o discurso oficial e popular. Depois disso, os alunos descobriram portugueses com diferentes ascendências e andaram à volta do fenótipo, as características observáveis de uma população, e como ele pode afetar, a todos os níveis, os direitos de um ser humano.

O que sabemos sobre o que não conhecemos? A pergunta foi o mote da quinta sessão com o objetivo de ampliar, diversificar e enriquecer a bagagem cultural dos alunos. Depois de cinco encontros de ensino-aprendizagem, a turma foi responsável pelo desenho e iniciativas capazes de conter os caminhos percorridos pela identidade, História e direitos. Surgiram várias reflexões e o desejo de uma escola que dê voz aos alunos, uma escola que garanta conhecimento.

O projeto mostra caminhos possíveis de abordagem crítica em sala de aula com alunos do 1.º Ciclo. As autoras do texto realçam “o quão iniciativas como esta devem não só fazer parte do espaço de autonomia das escolas, mas também fazer parte de uma estratégia nacional explícita e mais ampla em torno do antirracismo na educação, indo ao encontro dos princípios e objetivos da Década Internacional dos Afrodescendentes 2015-2024 (ONU), que ainda não tem reflexos palpáveis no plano educativo português, da matriz democrática do sistema educativo português e confrontando ativamente formas de populismo exploradoras do racismo e xenofobia que vão ganhando terreno nas esferas política e pública”.

A educação antirracista deve ser uma componente explícita da formação de professores e de formadores. Formação que, sublinham, “deverá entender o racismo enquanto continuidade histórica no presente, enquanto relação de poder que vai para além de uma dimensão moral e individual”. Além disso, é necessário incluir a dimensão antirracista no currículo do ensino Básico e Secundário.

“Neste plano, urgem orientações políticas para que os manuais escolares, sobretudo os de História, mas não só, discutam de forma crítica e não eurocêntrica a história de África e da diáspora africana, da comunidade cigana e do racismo em Portugal e no mundo”, defendem. “Sendo verdade que os manuais escolares são concebidos por entidades privadas, cabe ao Ministério da Educação salvaguardar que estes vão ao encontro dos princípios de igualdade que são os pilares da escola democrática”, acrescentam.

Há muito por fazer e para fazer. Melhorar a política de apoio na aprendizagem do Português para alunos que têm outra língua materna, avançar para estratégias bilingues em que as línguas maternas das minorias étnico-raciais possam ser reconhecidas, valorizadas e desenvolvidas nas escolas, são dois pontos destacados pelas autoras do texto. O levantamento e partilha pública de boas práticas antirracistas em educação, em termos nacionais e internacionais, bem como a criação de mecanismos de auscultação de alunos, famílias, professores e outros profissionais sobre as práticas discriminatórias em contexto escolar, são algumas das sugestões apresentadas. “É fulcral a existência de formas de monitorização do (anti)racismo nas escolas”.

Como o racismo penetra nas escolas
Um dos princípios organizativos da Lei de Bases do Sistema Educativo nacional refere que o sistema está desenhado para “contribuir para a defesa da identidade nacional e para o reforço da fidelidade à matriz histórica de Portugal, através da consciencialização relativamente ao património cultural do povo português, no quadro da tradição universalista europeia e da crescente interdependência e necessária solidariedade entre todos os povos do mundo”, bem como “assegurar o direito à diferença, mercê do respeito pelas personalidades e pelos projetos individuais da existência, bem como da consideração e valorização dos diferentes saberes e culturas”.

A igualdade, a educação intercultural, a diversidade nas escolas, as dificuldades de reconhecer as raízes históricas do racismo ligadas, de certa forma, ao silenciamento do passado. Estas questões importam neste assunto. “O recente debate em torno da recolha de dados étnico-raciais nos Censos 2021, e posterior recusa da mesma pelo Instituto Nacional de Estatística, mostram como, institucionalmente, se tem preferido o não reconhecimento político dessas desigualdades, optando-se por vias indiretas de tratar o tema”. “É frequente ouvir-se, por exemplo, que o racismo é fruto da ignorância. Ora, não só intelectuais de prestígio têm sido abertamente racistas, como não são os grupos mais distantes aqueles que maior discriminação racial cá sofrem, mas exatamente os povos com os quais Portugal tem uma longa história comum”.

“As expetativas que os professores têm sobre os alunos, com base na sua origem étnico-racial, tendem a ser interiorizadas pelos últimos, levando a um ajustamento do seu comportamento à projeção dos docentes. Essa é uma das formas pelas quais o racismo penetra nas escolas. Embora não estejam disponíveis estatísticas oficiais sobre desigualdades étnico-raciais e racismo institucional no sistema educativo, uma pesquisa feita, a partir de dados dos Censos 2011, mostra que a taxa real de acesso ao Ensino Superior, entre os 18 e os 22 anos, dos afrodescendentes foi de 16%, metade da dos restantes jovens no mesmo escalão etário. Esta taxa é cinco vezes inferior nos alunos de origem cabo-verdiana, guineense e santomense. As autoras do texto referem que essas desigualdades serão, em parte, decorrentes de obstáculos diretos no acesso ao Ensino Superior, como propinas, exames nacionais, vagas de cada curso, despesas associadas, mas, comentam, “pesam também aqui processos cumulativos a montante da entrada no Ensino Superior”.

Em Portugal, um dos países da OCDE com as mais altas taxas de retenção, as crianças e jovens com nacionalidade dos PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa) apresentam em qualquer dos níveis de ensino, pelo menos, o dobro da taxa de retenção daqueles com nacionalidade portuguesa, quando não mesmo o triplo. “Pesando como um ‘cadastro’, a reprovação precoce é um marcador social do estatuto depreciado destes alunos nas hierarquias escolares, contribuindo para a sua marginalização progressiva quanto ao tipo de ‘lugares’ para os quais vão sendo canalizados dentro do sistema escolar”.

Docente faz ‘Hospital Ortográfico’ para palavras ‘maltratadas’ por alunos

Fevereiro 4, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Notícias ao Minuto de 23 de janeiro de 2020.

Uma professora teve uma ideia brilhante para tentar terminar com os erros e os ‘maus tratos’ que os seus alunos exerciam sobre a língua espanhola, conta o 20Minutos. Verónica Duque desenvolveu nas suas aulas um ‘Hospital Ortográfico’ para as palavras que os jovens ‘assassinavam’.

Esta criação, revelada no Twitter pelo marido da docente, tornou-se um sucesso entre os alunos.

“A minha mulher preparou coisas novas para o Colégio. Temos aqui um ‘Hospital Ortográfico'”, explica Michael.

“Cada vez que os meninos ‘massacram’ uma palavra, esta vai para o hospital e, dependendo da gravidade do erro, fica lá mais ou menos dias”, acrescenta na publicação inicial, colocada a 18 de janeiro na rede social.

Numa atualização a esta invenção, dois dias depois da publicação original, o marido de Verónica revelou que o ‘Hospital Ortográfico’ abriu as suas portas e “conta já com 15 palavras”, acrescentando que “por sorte, todas elas têm ferimentos ligeiros”.

https://twitter.com/mikemoratinos/status/1219247317380993026?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1219247317380993026&ref_url=https%3A%2F%2Fwww.noticiasaominuto.com%2Fmundo%2F1399943%2Fdocente-faz-hospital-ortografico-para-palavras-maltratadas-por-alunos

 

Crianças levam mantas para escola em Barcelos para enganar o frio

Janeiro 29, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 22 de janeiro de 2020.

Edifícios das escolas têm 40, 50 anos e estão por isso muito degradados. Câmara de Barcelos diz que obras na escola avançarão “logo que exista disponibilidade financeira por parte do município”.

Lusa

A Associação de Pais criticou esta quarta-feira as “degradantes e inacreditáveis” condições da escola do 1.º ciclo e jardim-de-infância da Pousa, em Barcelos, sublinhado que os alunos são obrigados a levar mantas para se protegerem do frio.

Em declarações à Lusa, o presidente da associação, Cristiano Coelho, disse que a escola aguarda há mais de 15 anos por obras que “não há meio” de saírem do papel e que os pais “perderam a paciência”, tendo já agendado uma manifestação para dia 29 deste mês. “Por incrível que possa parecer, as crianças estão a levar mantas para a escola, porque o frio entra por todos os lados”, referiu.

A Escola da Pousa é frequentada por 40 crianças no jardim-de-infância e 80 alunos no 1.º ciclo. Funciona em dois edifícios, um com mais de 50 anos para o 1.º ciclo, e o outro com cerca de 40 anos.

Segundo Cristiano Coelho, a caixilharia, em madeira, está podre, permitindo correntes de ar que “põem em causa a saúde” das crianças. O responsável contou que num dia de Novembro, numa altura de muito frio, 32 alunos ficaram em casa com sintomas de febre e constipação. Disse ainda que houve mesmo uma criança que “quase entrou em hipotermia”.

As críticas são corroboradas por Gilda Fernandes, também da Associação de Pais, que acrescentou que as casas de banho “são do terceiro mundo”, sendo muitas as crianças que se recusam a usá-las. “São casas de banho que metem medo, só vendo é que se acredita”, referiu.

Os pais queixam-se ainda da cobertura em amianto do edifício que acolhe o jardim-de-infância e aos baldes que lá são precisos colocar para “aparar” a chuva, “que entra sem pedir licença”. “É muito, mas mesmo muito, mau”, referiu Gilda Fernandes, vincando que a escola precisa de uma intervenção “de fundo”.

No último fim-de-semana, os pais colocaram faixas negras nas grades da escola, com frases de protesto pelo estado do estabelecimento de ensino. Para dia 29, está marcada uma manifestação frente à escola.

Contactada pela Lusa, a Câmara de Barcelos disse que as obras na escola avançarão “logo que exista disponibilidade financeira por parte do município”. Disse ainda que o projecto para a empreitada de requalificação “está pronto” e tem um valor base de 967 mil euros, acrescido de IVA.

Política na educação ambiental é “inevitável” e o seu foco deve ser a acção

Janeiro 21, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 14 de janeiro de 2020.

Conselho Nacional de Educação propõe mudanças na abordagem que é feita nas escolas à educação ambiental.

Clara Viana

Partindo do pressuposto de que a despolitização da discussão dos problemas ambientais não é só um exercício artificial, como também uma forma de desvalorizar esta problemática enquanto “questão cívica”, o Conselho Nacional de Educação (CNE) exorta a que se admita “a inevitabilidade de uma dimensão política da educação ambiental” que é proposta nas escolas.

Numa recomendação que foi agora divulgada, aquele órgão de consulta do Parlamento e do Governo frisa que na Estratégia Nacional para a Educação Ambiental 2020, lançada pelo Governo em 2017, “a expressão ‘política’ parece apenas referir-se aos decisores e às medidas do lado do Estado, não sugerindo explicitamente a existência de uma dimensão política na capacitação cidadã no campo ambiental”. O que, segundo o CNE, vem confirmar uma tendência existente em Portugal de não reconhecimento dos “desafios democráticos e políticos da educação ambiental e para a sustentabilidade”.

Como esta educação é apontada como uma das vertentes principais da nova área curricular de Cidadania e Desenvolvimento, comum a todos os ciclos de escolaridade, o CNE recomenda que a sua “dimensão política” seja assumida, “reconhecendo as articulações entre os problemas ambientais e as lógicas de crescimento económico (…) e de exploração/desigualdade, bem como a necessidade de afrontar a ligação entre a crise ambiental e a crise demográfica traduzida num excesso populacional, a nível global.”

No mesmo sentido, o CNE propõe também que se coloque “o foco da educação ambiental na capacitação para a transformação social, através do envolvimento democrático dos cidadãos – crianças, jovens e adultos de diferentes idades – em iniciativas individuais e colectivas de resolução dos problemas que afectam a sua vida e as comunidades onde vivem.” Defende ainda o CNE que “este foco na acção permitirá contrariar o sentimento de incapacidade e falta de poder de muitos cidadãos relativamente aos problemas socioambientais”.

O Conselho Nacional de Educação lembra que, ao longo dos anos, já tomou por várias vezes posição a respeito da educação ambiental, mas considera que esta nova recomendação se justifica face aos acontecimentos dos últimos tempos, seja a proclamação da “emergência climática”, como o “questionamento da informação científica disponível” por parte “de significativos decisores políticas nesta matéria” ou ainda a “consciencialização crescente dos jovens, com uma reivindicação continuada de mudanças urgentes”.

No seu documento, o CNE chama também a atenção para o facto de o domínio da educação ambiental ter sofrido, ao longo dos anos, “oscilações e reorganizações sucessivas”. Para o CNE, só existe uma excepção a este panorama, “consubstanciada no movimento Eco-Escolas, que se mantém activo desde 1996 e que envolveu, no ano lectivo 2018/2018, 1724 escolas.”

Este movimento, que em Portugal é patrocinado pela Associação Bandeira Azul da Europa, tem como objectivo “encorajar acções e reconhecer e premiar o trabalho desenvolvido pelas escolas na melhoria do seu desempenho ambiental, gestão do espaço escolar e sensibilização da comunidade”. Refere ainda a organização que “a sua metodologia visa garantir a participação das crianças e jovens na tomada de decisões”.

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