Encontro “As Emoções vão à Escola?” A saúde mental na escola de hoje – 4 julho na Escola Secundária Frei Gonçalo de Azevedo (S. Domingos de Rana)

Junho 23, 2019 às 6:49 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Mais informações no link:

https://www.jf-sdrana.pt/comunicacao/noticias/Autarquia-organiza-encontro-As-Emocoes-vao-a-Escola-15-Anos-de-Psicologia-Clinica-na-Escola/1652/

Escolas preparam alunos para um “mundo que já não existe”

Junho 21, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 4 de junho de 2019.

Deixa de importar aquilo que sabemos e passa a importar o que “fazemos com a informação que temos”. O conhecimento está “à distância de um telemóvel” e a escola tem de adaptar-se à nova realidade.

O futuro das crianças que se iniciam agora na escola é uma incógnita mas, mesmo assim, continuam a ser ensinadas através de “um programa curricular pensado há muitos anos”, criticou Rod Allen, mentor e co-autor de uma profunda reforma curricular no Canadá, que esta terça-feira esteve no Encontro Nacional de Autonomia e Flexibilidade Curricular, a decorrer na Figueira da Foz.

A mudança no Canadá surgiu quando se aperceberam que estavam “a preparar os alunos para um mundo que já não existia”, recordou o ex-vice-ministro adjunto da província canadiana da Colúmbia Britânica.

“Hoje, se queremos saber alguma coisa temos os telemóveis que sabem muito mais do que nós”, ironizou, explicando que do outro lado do Atlântico decidiram mudar o enfoque: “Já não é importante o que sabemos, mas sim o que fazemos com o que sabemos”.

Deixou de fazer sentido a ideia de que a escola servia para debitar informação que era memorizada até ao dia do exame e rapidamente esquecida para decorar outra matéria. O foco transferiu-se do “saber” para o “perceber”.

“Não estamos formatados para aprender em fábricas”, defendeu Rod Allen, explicando que quando um professor ensina apontando para a média da sala de aula acaba por “perder metade da turma”.

A diversidade de estudantes obriga a um ensino que permita aos alunos “explorar paixões e vontades” numa escola onde a relação entre professores e estudantes mudou, afirmou.

“Temos professores excelentes que fazem magia na sala de aula”, disse o especialista, explicando que na sua província já não há hierarquia entre docentes e alunos: “São todos iguais, são todos aprendizes, só que uns são mais velhos do que outros”.

Para o sucesso do novo programa, envolveram os alunos e deixaram que participassem na sua própria aprendizagem, à semelhança do que aconteceu este ano em Portugal.

A escola passou a preocupar-se em ensinar a trabalhar em equipa, dar ferramentas para que os alunos tivessem capacidade de resistência ou conseguirem resolver um problema, exemplificou Rod Allen.

A aparência da escola também mudou. Houve quem tirasse as secretárias das salas de aula, quem permitisse aos alunos aprender em todos os espaços da escola ou optasse por sair para fora dos muros do recinto escolar para aprender.

“Pode parecer o caos, mas é desafiante”, explicou, acrescentando que também os manuais escolares deixaram de ser a peça chave da sala de aula.

A ideia é “alterar as escolas para que deixem de ser fábricas, mas sim sítios de aprendizagem”, lembrou o especialista que acredita que “todos os alunos podem aprender” e “ninguém é deixado para trás”.

Esta ideia também foi defendida pela secretária de estado adjunta e da Educação, Alexandra Leitão, que hoje apontou o programa de autonomia e flexibilidade curricular como uma das medidas do Governo que veio permitir uma “escola mais inclusiva”, mas também “mais exigente”.

O programa de flexibilidade garante que a “escola não deixa ninguém para trás”, acrescentou Alexandra Leitão, sublinhando a confiança nas escolas e a “capacidade e motivação dos professores” que tornaram realidade o primeiro ano de aplicação do programa de autonomia e flexibilidade curricular em todas as escolas.

Quando o novo programa curricular foi posto em prática no Canadá “houve muita gente preocupada”, mas “os resultados dos alunos melhoraram”, garantiu Rod Allen.

Por cá, também há quem se mostre receoso em relação às aprendizagens, mas o grupo de alunos que hoje esteve na conferência na Figueira da Foz garante que aprende mais agora e diz preferir esta “nova escola”, com mais liberdade, mas também mais responsabilidade.

 

Capacitar os jovens, eliminar o bullying – Recursos para alunos, professores, pais

Junho 20, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Recursos educativos | Deixe um comentário
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https://www.seguranet.pt/pt/noticias/atividades-de-prevencao-de-bullying-e-de-ciberbullying-manual-enable?fbclid=IwAR0pq_uxxs3xF2PEpsNZIlE0ePChOuQhvcnFc6vSUuM7jGh2RmA4ThCFVFQ

 

Carlos Neto: “A brincadeira pode ser a resposta para a maioria dos males”

Junho 6, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do site Delas de 25 de fevereiro de 2018.

Carlos Neto, Investigador da Faculdade de Motricidade Humana, em Lisboa, explica por que razão é brincar é a melhor prescrição para um desenvolvimento saudável das crianças. Até porque não queremos adultos infantis, doentes e com falta de iniciativa.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) já considera a obesidade infantil uma epidemia e um problema de saúde pública. Segundo dados desta entidade do ano passado, existem no mundo cerca de 200 milhões de crianças com excesso de peso e a Diabetes tipo 2 afeta faixas etárias cada vez mais jovens.

As principais causas? A má alimentação e a falta de exercício. 90% das crianças portuguesas consome fast food e 57% das que moram perto da escola deslocam-se de carro. Aliás, em 2014, Portugal era dos países da Europa que tinha mais crianças obesas (5%), logo atrás da Grécia (6,5%), Macedónia (5,8%), Eslovénia (5,5%) e Croácia (5,1%) de acordo com a OMS. Por outro lado, há cada vez mais petizes diagnosticados o síndrome de Défice de Atenção e Hiperatividade.

O que estará a acontecer? São os miúdos sedentários ou elétricos ao ponto de quem os rodeia entrar em parafuso Pode ser só falta de brincadeira e de uma alimentação mais equilibrada. Quem o afirma é Carlos Neto, Professor da Faculdade de Motricidade da Universidade de Lisboa, que trabalha com os mais jovens há cerca de cinco décadas: “Estamos a criar uma geração de crianças doentes, afastadas da sua fisicalidade, da realidade e que dificilmente serão adultos empreendedores”.

O Delas.pt falou com o especialista e procurou saber que medidas podem e devem os pais e a sociedade tomar para tornar as nossas crianças mais saudáveis, expeditas, interventivas, ativas e equilibradas, pelo menos no que diz respeito aos tempos livres. A escola, como veremos, terá um papel fundamental. Porque para Carlos Neto, de entre todos os segredos pedagógicos, “a brincadeira e o tempo a ela consagrado é fundamental. Pode ser a resposta para a maioria dos males”.

Há uma frase sua que li há algum tempo e me marcou: “Passeamos mais os cães do que as crianças…”

(Risos) Não será tanto assim, mas de facto neste país quem tem um cão leva-o a passear e a brincar pelo menos duas vezes por dia, faça chuva ou sol. O mesmo já não acontece com as crianças. Basta estar um pouco mais frio que coitadinhas, correm o risco de apanhar uma constipação! Ficam em casa agarradas às consolas – não é que tenha algo contra as novas tecnologias – e não se mexem durante horas, não interagem, não brincam uns com outros e nem desenvolvem competências sociais…

Brincar parece uma palavra um pouco perdida no léxico contemporâneo.

Sim, a partir do momento em que vão para a escola, as crianças perdem o tempo que tinham para brincar. Os intervalos são curtos, por vezes de apenas 15 minutos para quase 5 horas de estudo na sala de aula, quando nem um adulto trabalha tanto tempo seguido. E todos os estudos apontam para que as crianças ativas tenham mais capacidade de aprendizagem de concentração, além de, a longo prazo, maior probabilidade de terem sucesso.

Então é altura de rever a importância da brincadeira e da duração e qualidade dos intervalos escolares?

Claro. Brincar permite adquirir instrumentos fundamentais para a resolução de problemas, tomada de decisões e permite também e desenvolvimento de uma capacidade percetiva em relação ao espaço físico e em relação aos outros. Além de que muitos estudos evidenciam que, quanto mais tempo a criança tem de atividade lúdica e física no recreio, maior capacidade de concentração tem na sala de aula. Já para não dizer que manter o corpo ativo é uma forma de combater o flagelo dos nossos tempos que é o sedentarismo.

Que contribui para doenças tão graves como a obesidade e até a Diabetes tipo 2?

Para não falar nas questões psicológicas. Há uns tempos eu defendia que as crianças saudáveis eram aquelas que tinham os joelhos esfolados. Hoje penso que elas têm é a cabeça esfolada.

Porquê?

Porque brincar não é só manipular brinquedos, é estar em confronto com a natureza, com o risco, com o imprevisível e com a aventura. E uma criança que não o faz, dificilmente no futuro assumirá riscos, enfrentará adversidades com segurança…

A falta da brincadeira não as torna menos sensíveis aos riscos? Recordo-me que quando era pequena não nos atirávamos a um poço, muito menos se não soubéssemos nadar. Tínhamos noção do risco…

Exato. As crianças aprendem através de situações inesperadas. Ainda há pouco num jardim assisti a duas situações distintas: um pai lia o jornal descansado enquanto o filho trepava uma árvore, descia, subia e às vezes caía. O outro estava sempre a controlar o pequeno e a dizer-lhe “não faças isto, cuidado com aquilo…”. Ora o miúdo nem conseguiu descer…

O que se vai refletir no futuro.

Estamos a criar totós, dependentes, inseguros e sem qualquer cultura motora. Vemos crianças de 3 anos que, ao fim de dez minutos de brincadeira dizem que estão cansadas, outras de 5 e 6 anos que não sabem saltar ao pé-coxinho. Já as de 7 não sabem saltar à corda e algumas de 8 anos não conseguem atar os sapatos. É o que chamo de iliteracia motora.

Estamos a falar de sedentarismo, ileteracia motora, mas então porque se discute tanto a hiperatividade?

Na realidade, os currículos hoje estão a ser demasiado exigentes quanto ao número de horas em que as crianças têm de estar sentadas. Devemos ter um plano para tornar a sala de aula mais ativa. Já estamos a preparar, com o Ministério da Educação, programas alternativos que passam, por exemplo, pela colocação distinta das mesas escolares de forma a tornar a aula mais ativa. É inaceitável que 220 mil crianças estejam medicadas em Portugal. Temos crianças de 8 anos que não sabem atar os sapatos…

Esta super proteção não será consequência da baixa de natalidade? Se só temos um filho há que o preservar… Já os nossos avós tinham 5, 7 ou mais…

Talvez. Mas é sobretudo cultural. Sabemos que famílias com poucas crianças são mais protetoras, mas de forma geral todas as crianças têm poucas oportunidades para desenvolver a sua identidade territorial. Instalaram-se medos nas cabeças dos adultos. Medos das crianças serem autónomas. Há uma relação muito direta entre risco e segurança. Quanto mais risco, mais segurança e quanto mais risco, menos acidentes.

Devemos, então, ser pais mais duros?

Sim e não. Todos os estudos têm vindo a demonstrar que na infância, até aos 10/12 anos de idade, é absolutamente essencial brincar para desenvolver a capacidade adaptativa. E hoje não é isso que estamos a fazer. Estamos a dar tudo pronto, tudo feito, e não a confrontar as crianças com problemas que elas têm de resolver. Sejam eles com a natureza; sejam eles com os outros. Os pais necessitam desenvolver empatia com os filhos, mostrar autoridade, mas fazê-las sentirem-se seguras.

O risco tem de ser um ritual de passagem, então?

Claro. A ciência demonstra que, no ciclo da vida humana, o pico maior, onde há mais dispêndio de energia, é entre os cinco e os oito anos. Temos de ter muito respeito por isso. Não podemos confundir tudo e achar que essas energias são anormais. São naturais e por isso temos de olhar para elas como naturais e não patológicas e medicá-las.

Então qual deverá deverá ser o papel dos pais?

Na verdade, existe muito pouca harmonização do tempo de família. E é preciso perceber que as crianças não devem brincar apenas entre elas; precisam de tempo para experimentar e brincar com os pais também. Assim sentem-se mais seguras.

Mas os pais podem pensar: o meu filho anda no ténis, e no futebol e na natação, pratica muito desporto…

Isso não resolve nada. Uma boa alimentação e o exercício físico apenas resolvem o problema da iliteracia motora ou o excesso de gordura.

Os nossos horários não facilitam. Em algumas empresas o último a sair é o primeiro a ser promovido.

Pois, tem que haver coragem política para mudar este estado de coisas. Em países como a Holanda ou a Austrália entra-se no trabalho às 8h e sai-se às 16. Os pais vão buscar os miúdos de bicicleta e depois brincam no parque ou em casa.

Cá encaminham-se os pequenos para os ATL ou similares…

É por isso que digo que a escola tem de ajudar, proporcionar a brincadeira enquanto a sociedade como um todo não mudar. Neste momento, com a rua em vias de extinção, os recreios são a única alternativa que as crianças têm. E os ATL não têm que ser necessariamente negativos. Só não se pode pedir que essas horas sejam passadas a fazer os trabalhos de casa. E então os jogos, o teatro, a dança, a música?

Não será outro tipo de sobrecarga, tantas atividades extracurriculares?

Não, desde que sejam encaradas de forma lúdica e não como complemento à formação escolar, do género “o meu filho vai ser o melhor violinista, a minha filha a melhor bailarina…” Há que reorganizar as escolas, os recreios e as atividades extracurriculares.

Além de brincar, não é importante o espaço para a contemplação? Ver as nuvens a passar, os rios a correr, os pingos da chuva a cair?

Olhe nunca tinha pensado nisso, mas as palavras são como as cerejas. E, pensando, bem, é a dinâmica da sobrevivência. Tão importante quanto a ação. O tempo para refletir e usufruir, estarmos connosco e com o mundo…

Sara Raquel Silva

 

 

28% dos alunos frequentaram escolas públicas que usaram notas como critério de admissão

Maio 30, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 15 de maio de 2019.

O número de alunos em escolas privadas onde os directores admitem usar este critério dispara para 82%. Relatório da OCDE com dados do PISA 2015 é lançado nesta quarta-feira.

Rita Marques Costa

Os directores de escolas onde estavam inscritos 31% dos alunos portugueses em 2015 dizem que a performance académica dos estudantes é sempre tida em conta no momento da admissão dos alunos. A proporção é muito maior nos estabelecimentos de ensino privados (82%), mas os públicos também o fazem (28%). Os números são do relatório Balancing School Choice and Equity, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), produzido com base nos dados do PISA (Programme for International Student Assessment).

A questão foi assim colocada aos directores de 246 estabelecimentos de ensino (222 públicos e 24 privados) incluídos na amostra portuguesa do PISA 2015: “Com que frequência considera os seguintes factores no momento da admissão de alunos na sua escola?” Além do historial da performance académica, a OCDE aceitava outras hipóteses de resposta, como a recomendação vinda de outras escolas, a área de residência do estudante, a preferência dada a novos alunos que já têm outros familiares ali inscritos, por exemplo. Os directores podiam responder “nunca”, “às vezes”, ou “sempre”.

Não é só em Portugal que esta situação acontece. Em 2015, os países e economias da OCDE que participaram no PISA “tinham uma média de 40% dos estudantes inscritos em escolas em que os directores reportavam que o historial de performance académica (incluindo testes de admissão) era sempre tido em conta”, aponta a organização. Honk Kong (94%), Japão (93%), Tailândia (90%) e Hungria (89%) são os casos mais flagrantes.

O relatório da OCDE também avalia a evolução desta tendência recorrendo às edições do PISA de 2000 e 2009. Portugal é um dos 15 países onde a proporção de estudantes em “escolas selectivas aumentou significativamente” neste período.

“É um critério melhor do que a morada”

O presidente do Conselho de Escolas e director da Escola Secundária Eça de Queirós, José Eduardo Lemos, lembra que no período a que o documento se refere os critérios eram mais flexíveis. “Nessa altura era possível [considerar o desempenho escolar dos estudantes] no ensino secundário, uma vez que se permitia que a escola definisse os critérios. Além dos alunos com necessidades educativas especiais, todos os outros parâmetros podiam ser estabelecidos pela escola. As regras não eram tão rígidas como agora”, detalha ao PÚBLICO.

O professor defende que o desempenho escolar “é um critério melhor do que o da morada”, e admite que na sua escola, à entrada para o 10.º ano, este factor “valia mais” do que a área de residência.

Na verdade, a única coisa que mudou foi a posição em que o critério de desempate em que as notas podem ser consideradas surge. Actualmente, há uma série de outros critérios (nove) que têm de ser tidos em conta antes de quaisquer outros no momento de admitir os alunos na escola pública. A lista actualizada foi publicada em 2018. Há referências às necessidades educativas especiais das crianças, ao número de irmãos na escola, à área de residência e até ao facto de ser beneficiário de Acção Social Escolar. O desempenho escolar não aparece descrito no despacho, mas sabemos agora que é incluído nos regulamentos internos e que os directores de várias escolas admitiram que as notas foram factor de desempate.

Contactado pelo PÚBLICO durante o período de embargo do relatório e, por isso, antes de ter acesso ao documento, o presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas, Filinto Lima, sublinha que “todas as escolas são obrigadas a cumprir os critérios da lei”. Admite, porém, que “para eventuais vagas que possam sobejar após a aplicação de todos os critérios ou até como critério de desempate, [o recurso à performance académica] é possível”. Com uma condição: “Tem de ser aprovado em conselho geral. O director pode propor esse critério, mas só pode ser usado depois de todos os critérios legais serem esgotados.”

Mais estudantes fora da área de residência

Da análise dos resultados do PISA, a OCDE também conclui que, em 2015, os alunos eram “menos frequentemente alocados às escolas de acordo com regras baseadas na área de residência do que 15 anos antes”. E equaciona a hipótese de isso “intensificar a competição entre as escolas”, podendo resultar “numa maior triagem por capacidade [académica]”.

Em Portugal também terá sido esse o caso. Para o período em análise, o relatório mostra que cerca de 60% dos alunos estavam, em 2015, em escolas que usavam sempre o critério de residência. Em 2000, eram 75%.

Eduardo Lemos contextualiza a mudança: “No anterior Governo, a morada deixou de ser um factor decisivo.”

No documento, a OCDE diz-se preocupada com os efeitos da liberdade de escolha da escola. Algo que, por si só, “não garante nem prejudica a qualidade da educação”, mas que “pode levar a uma maior segregação por estatuto socioeconómico”.

Então como é que os estabelecimentos de ensino podem combinar a flexibilidade com a promoção de equidade no meio escolar, incentivando as escolas a “puxar” por todos os alunos? A OCDE deixa várias recomendações, como os “incentivos às escolas com alunos desfavorecidos, por exemplo, ponderando os fundos recebidos em relação ao perfil socioeconómico da população estudantil” e o “apoio direccionado às famílias desfavorecidas, não apenas oferecendo assistência financeira mas também promovendo a mobilidade através de transporte público adequado”.

O relatório citado na notícia é o seguinte:

Balancing School Choice and Equity : An International Perspective Based on Pisa

 

Portugal a Brincar : Relatório do brincar de crianças portuguesas até aos 10 anos – 2018

Maio 30, 2019 às 8:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Descarregar o relatório no link:

https://estrelaseouricos.sapo.pt/backoffice/files/file_20677_1_1556883880.pdf

Reportagem sobre a 1ª Conferência Estrelas & Ouriços : As crianças portuguesas brincam pouco

Maio 30, 2019 às 8:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do site Estrelas & Ouriços

O encontro estava marcado para as 9.30h, em Cascais, para debater um tema essencial e transversal ao desenvolvimento – como brincam hoje as crianças portuguesas e em que adultos se tornarão amanhã. O painel de oradores foi de luxo, pelo domínio do tema, pela entrega e pelo sentimento comum da urgência de brincar por uma sociedade mais bem sucedida. As conclusões são preocupantes: as crianças brincam em média (apenas) 2 a 3 horas por dia, a maior parte do tempo na escola, pouco ao ar livre e ainda menos com os pais.

“Esta primeira conferência da Estrelas & Ouriços é uma homenagem a todas as crianças”. Assim abriu o evento – que reuniu pais, professores, profissionais de serviços educativos, psicólogos e especialistas das diferentes áreas ligadas ao universo da família e da criança – na Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais, pelo diretor-geral executivo da revista, Francisco Camacho. Estava dado o pontapé de saída para um “jogo” cheio de lances fortes e de propostas com potencial vencedor.

Foi o caso de Frederico Manuel Pinho de Almeida – vereador da Câmara Municipal de Cascais com os pelouros da Habitação e Desenvolvimento Social, Promoção de Saúde e Educação – que, depois de se congratular com o facto de a conferência ter aberto o Mês do Brincar em Cascais, partilhou as práticas que a Câmara Municipal de Cascais tem vindo a implementar neste âmbito, nomeadamente o Programa “Crescer a Tempo Inteiro” bem como o alargamento da rede de Ludobibliotecas e Ludotecas (16 e 5 equipamentos respetivamente).

Da prática ao estudo, Rui Mendes, coordenador do “Portugal a Brincar: Relatório do brincar de crianças portuguesas até aos 10 anos – 2018” apresentou este estudo que serviu de ponto de partida para a conferência. O professor da Escola Superior de Educação de Coimbra partilhou o palco com Ana Lourenço, psicóloga do setor de atividade lúdica do Instituto de Apoio à Criança, Madalena Nunes Diogo, diretora geral da Estrelas & Ouriços e Dulce Garcia – a jornalista, autora, editora e mãe brindou o público com uma moderação de debates que oscilou entre provocações saudáveis e interpelações pertinentes para passar a palavra aos oradores.

Brincar: quando, onde, com quem?

Quanto tempo brincam as crianças portuguesas? Onde brincam? Com quem brincam? Como brincam as crianças na Escola? Qual o papel dos brinquedos? Brincar e as tecnologias. Brincadeiras e jogos tradicionais. Estas são as bases do referido estudo – realizado numa parceria entre a Escola Superior de Educação de Coimbra, o Instituto de Apoio à Criança e a Estrelas & Ouriços – que procura não só dar a conhecer quais as tendências relacionadas com o brincar em Portugal, mas também sensibilizar a população para a importância do brincar e da promoção de hábitos de brincar.

Já em 2011 o Parlamento Europeu havia proposto algumas estratégias para que o brincar seja mais valorizado e para que, tanto as crianças como os adultos, possam usufruir ao máximo dos seus benefícios. Assim, esta organização sugere que se promova não só a consciência sobre a importância do brincar, mas que haja também uma mudança de atitudes face a esta atividade. Propõe-se a melhoria nos tempos e espaços que possam promover a brincadeira e a criação de condições para que as crianças arrisquem de forma segura e desenvolvam a sua resiliência.

Com base em inquéritos a cerca de 1.500 pessoas, com 39 anos de média de idades e maioritariamente do sexo feminino (92,6%), o estudo retirou algumas conclusões preocupantes, duas das quais: as crianças brincam pouco – a média é de 2 a 3 horas (25%) por dia – nomeadamente ao ar livre, em contacto com a Natureza, concentrando-se o maior tempo de brincadeira na escola.

Foi neste ponto que Ana Lourenço, do Instituto de Apoio à Criança reforçou a necessidade que sente de voltar ao brincar da infância dos que hoje são pais – o sucesso para uma criança é estar com o outro, brincando. E assim se trabalha a empatia, tão cara à nossa Sociedade.

“A brincadeira não é só necessária como vital”, lembrou Madalena Nunes Diogo, referindo a forma como os parceiros têm acompanhando esta necessidade, indo ao encontro das famílias, com atividades tão diversas que vão da robótica à pintura, e que respeitam disponibilidades físicas, mentais e económicas destas mesmas famílias, a quem a Estrelas & Ouriços há 10 anos serve e facilita a vida, divulgando diferentes tipologias de atividades.

Aquando da reestruturação da revista, em outubro de 2019, a Estrelas & Ouriços teve inclusive a preocupação de dar mais visibilidade à sua secção “Parques e Ar Livre”, depois de auscultar os pareceres, os gostos e as necessidades do público para quem trabalha.

Dos grandes aos pequenos oradores, Beatriz, de 9 anos, João, de 7, e Madalena, de 6, foram unânimes a responder à questão da preferência de brincar ao ar livre. Brincar às escondidas, jogar à bola e brincar com bonecas foram algumas das brincadeiras apontadas pelas crianças presentes na sala.

Famílias, escolas e cidades portuguesas pouco ativas

Carlos Neto foi das primeiras vozes a chamar a atenção dos portugueses para a extrema importância do brincar e para os seus efeitos benéficos no desenvolvimento das crianças. Professor Catedrático na Faculdade de Motricidade Humana (FMH) da Universidade de Lisboa, continua, algumas décadas depois desses primeiros alertas, a ser a figura de referência em Portugal quando se fala de brincar.

Foi da sua boca que ouvimos que tanto as famílias como as escolas e as cidades portuguesas não são ativas, o que contribui diretamente para que as crianças sejam pouco ativas e mais destinadas ao insucesso.

A maioria dos pais, segundo o especialista, não valoriza a parte física do brincar, referindo mesmo que “para os pais, o que entra na escola é só a cabeça e não o corpo todo”. São estes mesmos pais que trabalham demasiadas horas e que não têm tempo para os filhos, embora o desejem – 37 minutos é o tempo diário que lhes sobra; são estes pais que têm medo que as crianças se confrontem com o risco; pais cansados, que dificilmente conseguirão educar crianças saudáveis e felizes, “situação deveras preocupante”.

O que fazer? Apelar ao papel do Estado central e do Estado local para que possa dar maior liberdade aos pais, fomentar uma relação de maior amor entre pais e filhos, fomentar a importância de brincar na rua (nos países nórdicos, independentemente do clima, as crianças brincam 7 a 8 horas lá fora) e evitar “encharcar” as crianças de brinquedos, nomeadamente para colmatar a falta de tempo com presentes.

Em suma, para Carlos Neto, brincar mais significa desenvolver no futuro: maior sentido crítico e uma maior capacidade de resolver problemas, de trabalhar em equipa e de comunicar; melhores competências espirituais e melhores dinâmicas de agir.

É preciso, na opinião do professor e investigador: viver mais devagar, ter tempo para não fazer nada, trabalhar a introspeção, a consciência de si próprio e da Natureza, a dinâmica de superação de forma a que a saúde mental dos adultos possa passar para as crianças a quem deve ser dado todo o tempo e espaço para brincar, “dinâmica biológica” que estamos a encaminhar para uma crise.

Quando a tecnologia se senta à mesa

A abrir a segunda mesa redonda, Rosário Carmona e Costa não perdeu tempo a detetar sintomas e doenças associadas. “Quando os miúdos começam a falhar nas competências humanas, percebemos que podem estar demasiado ligados”, defendeu a psicóloga clínica.

Com alguma tensão (saudável) com a oradora anterior, Jorge Vieira, da Nintendo, afiançou que “antes de falar das novas tecnologias, é preciso falar do nosso papel enquanto pais”. O também pai relembrou a importância que pode ter em matéria de diversão, a família jogar em conjunto.

Onde também se pretende que a família se junte é na cozinha, como sugeriu Ana Leonor Perdigão, responsável pela Unidade de Nutrition, Health and Wellness da Nestlé Portugal. Associar emoções positivas aos alimentos é fundamental, mas também perceber de onde vêm e confecioná-lo. Esta é uma forma de as crianças se familiarizarem com os alimentos ainda antes de lhes chegarem ao prato.

“As crianças que são envolvidas na confeção dos alimentos são mais disponíveis para comer e experimentar coisas diferentes”, defende a nutricionista. Levá-las ao supermercado – onde acontecem “explosões de sabores e aromas” – pode ser também uma hipótese de criar um momento lúdico, ao mesmo tempo que se vai ao encontro da logística lá de casa.

Dicas muito interessantes a reter sem o mínimo objetivo de causar angústia nos pais. Foi Domingos Amaral quem trouxe a palavra para cima da mesa para referir que, hoje em dia, e é algo que observa no exercício do seu cargo de presidente da direção da Escola Avé Maria, os pais vivem cada vez mais angustiados com o que de mal possa acontecer aos seus filhos. Mas o que fazer? «Deixá-los brincar. A vida é risco, não há outra maneira de o fazer!».

Depois de um momento de intervenções do público, Lina Varela – da Direção-Geral da Educação fechou a 1ª Conferência Estrelas & Ouriços afirmando que “deve haver complementaridade entre brincar e aprender”.

E assim soou a despedida da Estrelas & Ouriços: “Brinquem sempre!”.

Obs.: A 1ª Conferência Estrelas & Ouriços contou com o apoio de vários parceiros – Maria do Mar, Nesquik, MEO, Associação Mutualista Montepio, RTP, Antena 1 e Casa das Histórias Paula Rego.

 

II Simpósio – Família, Criança e Escola – 3 maio em Santo Tirso

Abril 26, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

https://www.facebook.com/events/581009245733596/

Escola espanhola retira “Capuchinho Vermelho” e outros contos por considerar histórias sexistas

Abril 25, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 11 de abril de 2019.

Ao todo, a escola Táber decidiu retirar 200 livros da sua biblioteca para crianças até aos seis anos por considerar que eram sexistas. Há outras escolas espanholas a seguirem o mesmo caminho.

A escola Táber, em Barcelona, decidiu fazer uma revisão ao catálogo de livros que fazem parte da sua biblioteca infantil e mandou retirar 200 obras — cerca de 30% de todos os livros — que considera “tóxicas” e “sexistas” para crianças até aos seis anos. Entre elas estão histórias como a “Bela Adormecida”, o “Capuchinho Vermelho” e a Lenda de Sant Jordi, o santo padroeiro da Catalunha, noticia o El País.

Anna Tutzó, uma das mães que constituem o comité que avaliou o catálogo, não referiu os títulos dos livros que foram retirados, mas assegura que os livros tradicionais foram “uma minoria” entre os livros afastados. Para a responsável, o problema está no facto de estes contos associarem determinadas características ao género, como a masculinidade a valores como a coragem e a competitividade. “Também em situações de violência, mesmo que sejam pequenas brincadeiras, é o menino que o faz contra a menina. Isto transmite uma mensagem de quem pode exercer a violência e contra quem o pode fazer”, acrescento Anna Tutzó.

“Na primeira infância, as crianças são esponjas e absorvem tudo à sua volta, pelo que acabam por assumir como normais os padrões sexistas. Por outro lado, na escola primária os alunos já têm mais capacidade crítica e os livros podem ser uma oportunidade para aprender, para que eles próprios tomem consciência dos elementos sexistas”, disse ainda Anna Tutzó.”

Mas não é só nesta escola que têm surgido preocupações com o tipo de histórias presentes nas prateleiras das bibliotecas. Na escola de Montseny, em Barcelona, já se iniciou uma revisão do catálogo e também esta instituição anunciou que vai retirar todos os livros que considerar serem sexistas. “O tipo de livros que as crianças leem é muito importante. Os livros tradicionais reproduzem os estereótipos de género e é bom ter livros disponíveis que rompam com eles”, explicou Estel Crusellas, presidente da AMPA da escola Fort Pienc.

II Colóquio Brincar e modos de ser Criança – 25 maio, Coimbra

Abril 4, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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O Instituto de Apoio à Criança (IAC) tem por objetivo principal contribuir para o desenvolvimento integral da Criança, na Defesa e Promoção dos seus Direitos, sendo a criança encarada na sua globalidade como sujeito de direitos na família, na escola, na saúde, na segurança social e justiça.

É convicção do IAC que a promoção do “Direito de Brincar” consagrado no artigo 31º da Convenção sobre os Direitos da Criança, conduz a um crescimento equilibrado e feliz, já que através do Brincar a Criança atribui significados, comunica, compreende os outros, aprende a respeitar regras, inventa, constrói vezes sem fim, numa reconstrução permanente.

Neste sentido, o IAC-FCJ divulga o II Colóquio Brincar e os modos de ser Criança, a decorrer no dia 25 de maio, na Escola Superior de Educação, em Coimbra.

Este evento tem como principal objetivo refletir sobre o BRINCAR como direito das crianças, como expressão do seu modo de ser e estar, e como estratégia cientificamente fundamentada de educação e de integração social. Iremos procurar despertar o interesse de todos os participantes para a importância da atividade lúdica, dando ao mesmo tempo a conhecer investigações e iniciativas já realizadas, na medida em que elas possam ser inspiradoras para novas ações, por ventura da iniciativa dos próprios formandos.

Programa II Colóquio Brincar e modos de ser Criança 2019

Inscrições através do link: https://goo.gl/forms/mBXIo0X5bCkgVnGv1

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