Aprendizagem, TIC e Redes Digitais

Fevereiro 19, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Recursos educativos | Deixe um comentário
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http://www.cnedu.pt/content/edicoes/seminarios_e_coloquios/LIVRO_TIC_RedesDigitais.pdf

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A SuperNanny mostrou aquilo que os professores há muito dizem

Fevereiro 9, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://www.comregras.com/ de 23 de janeiro de 2018.

Por Alexandre Henriques

Já lá vamos à forma, mas para já o conteúdo.

O programa SuperNanny expõe claramente a falência da família. Há anos que os professores se queixam da incapacidade de alguns pais em educar os seus filhos, da sua negligência, da sua cegueira em constatar o óbvio, o óbvio que são pais incompetentes,  mal preparados para a paternidade e que precisam de ajuda.

Ser pai e mãe, não é uma capacidade inata como muitos dizem, é preciso aprender a parentalidade e alguns não têm perfil para aprender, nunca tiveram e não é por serem pais que passaram a ter.

Quando assisto a pais que acusam os professores de incompetência, que os seus filhos são os titulares absolutos da verdade, quando recusam os conselhos dos professores/psicólogos, chegando ao ponto de prejudicarem o sucesso educativo dos seus filhos, estamos perante uma derrota educativa dos filhos, mas também dos pais…

A SIC tem o mérito de ter exposto o que há muito é conhecido pelos professores, mas infelizmente as suas queixas nunca foram ouvidas, verdadeiramente ouvidas. É preciso trabalhar as famílias, a indisciplina que reina nas escolas é uma manifestação evidente da dificuldade dos pais em educar os seus filhos, uma educação que se baseia em muitos direitos e poucos deveres, em poucos nãos e muitos sins, uma educação que é comprada pelos objetos e escasseia em responsabilidade e autonomia.

Faltam meios no terreno para ajudar os pais, falta uma responsabilização efetiva dos pais, falta uma educação parental a tempo e horas, antes do mal se tornar maior e impossível de alterar.

Quanto à forma que a SIC escolheu para “ajudar” os pais, bem…

Será que os responsáveis da SIC aceitariam que entrassem 5 a 10 pessoas casa adentro, filmando os seus filhos, as discussões que têm com estes, as suas lágrimas em grandes planos, expondo-os a milhões de espectadores?

Será que os responsáveis da SIC aceitariam fazê-lo gratuitamente ou vendiam esses momentos privados por cerca de 1000 €? As discussões têm preço? A privacidade tem preço? Quando valem as lágrimas de uma criança???

Que acompanhamento é que a SIC e a sua SuperNanny irá dar às crianças/jovens que foram violadas na sua privacidade, atiradas aos olhares e comentários de colegas em idade perfeita para fenómenos como o bullying, a exclusão social e afins, durante as próximas semanas/meses?

Que acompanhamento é que a SIC e a sua SuperNanny vão dar, às milhares de crianças que vão tentar reproduzir aquilo que viram na televisão, pois como apareceu na televisão é fixe, é válido, é importante?

O que a SIC fez e o que os pais que já eram incompetentes provaram mais uma vez que o são, foi vender um produto, foi ganhar dinheiro com um produto, um produto que é uma criança/jovem que não tem voto na matéria e que também ela foi comprada pelos seus 15 minutos de fama.

Os danos foram feitos, as marcas vão ficar e apesar das estratégias de sucesso que são transmitidas aos pais terem valor, nada, NADA pode ultrapassar o direito à privacidade e o dever dos pais em protegerem os seus filhos. Onde estarão as SuperNannys e os pais quando o Zé, a Maria, o Manel, gozarem com as novas “estrelas” televisivas? Onde estarão quando estes forem vítimas da inveja de terceiros, da arrogância própria de quem de repente passou a ser famoso e que por isso julga-se mais importante que os outros?

Hoje em dia os professores não podem tirar uma fotografia aos alunos…

Hoje em dia os professores não podem filmar os alunos por motivos pedagógicos (correções de gestos técnicos por exemplo), mesmo que os pais autorizem, existem orientações das “Europas” que o impedem…

Hoje em dia questionamos se as notas devem ser afixadas…

Hoje em dia não é permitido passar uma simples circular com o nome dos alunos castigados para servirem de exemplo aos restantes, tudo em nome da privacidade dos prevaricadores…

Mas em pleno horário nobre, tudo é esquecido, tudo vale e damos de caras com este belo espetáculo mediático, ignorando todos os princípios éticos e de elementar bom senso.

E para todos aqueles que apontam o dedo à exposição mediática das crianças, quantos de vós é que não publicam fotografias e vídeos dos vossos filhos, dia sim dia sim nas redes sociais?

Vivemos numa sociedade com duas faces e com muitos telhados de vidro…

Alexandre Henriques

 

Pós Graduações em Saúde Mental – Promoção da Saúde Mental e do Bem Estar em Contexto Escolar e Educação Sexual – Intervir na Promoção e Bem estar da Saúde Sexual e Reprodutiva na FMH

Fevereiro 1, 2018 às 9:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

http://posgrad.fmh.ulisboa.pt/saude-mental/

mais informações:

http://posgrad.fmh.ulisboa.pt/educacao-sexual/

“Escolas não têm condições para saber se as pessoas entram armadas”

Janeiro 31, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Secundária esteve encerrada ontem. Alunos regressam hoje às aulas | RICARDO GRAÇA/GLOBAL IMAGENS

Notícia do https://www.dn.pt/ de 30 de janeiro de 2018.

Ana Bela Ferreira

Rixa matou homem em escola. Um “caso isolado” diz representante de diretores

Um homem com cerca de 40 anos desentendeu-se com outro de 67, o que acabou por resultar na morte do mais velho. O palco da discussão foi o pátio da Escola Básica e Secundária Amadeu Gaudêncio na Nazaré, onde, ontem de manhã no momento da rixa, estavam reunidos os alunos. A homem que acabou por morrer será avô de um dos alunos e o presumível autor dos ferimentos fatais (provocados por uma arma branca e uma arma de fogo) o pai desse aluno. Ou seja, sogro e genro sem qualquer ligação (profissional) com a escola.

O caso levou ao encerramento da escola durante o dia de ontem e ao acompanhamento psicológico dos alunos, tal como referiu ao DN o Ministério da Educação (ME). Para Filinto Lima, presidente da Associação de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), “foi um caso triste e isolado”. No entanto, o responsável também reconhece que “as escolas não têm condições para saber se as pessoas entram armadas, mas quem diz uma escola, diz um colégio ou uma repartição das finanças”.

O que não significa que devam ser alteradas as normas de segurança no acesso às escolas. Neste momento, não há revistas à entrada, mas quem entra numa escola tem de apresentar identificação. “O que este caso mostra é que é possível entrar numa escola com uma arma, mas quero acreditar que foi um ato isolado”, refere Filinto Lima, acrescentando que neste caso “foi um assunto de casa que acabou mal na escola”.

O ME esclarece apenas que se tratou de um crime e que por isso foram chamadas as autoridades competentes. Por isso, não está em causa a abertura de de nenhum inquérito pelos órgãos da tutela.

Os alunos que presenciaram a discussão entraram em pânico e começaram a telefonar aos pais. A Lusa confirmou com o vereador da Educação da Câmara da Nazaré que “a escola foi encerrada”.

O Agrupamento de Escolas da Nazaré publicou um comunicado na página do Facebook em que explicou que “a situação está devidamente resolvida com a colaboração das autoridades, não tendo havido alunos, professores e funcionários envolvidos nos acontecimentos lamentáveis”.

O suposto autor dos ferimentos “foi controlado e detido pelos elementos da Escola Segura” e entregue à guarda da PSP. A arma foi apreendida e a investigação está agora a cargo da Polícia Judiciária. O homem que acabou por morrer ainda foi transportado para o hospital de Santo André, em Leiria. Acabou por não resistir às lesões provocadas por arma de fogo e arma branca. Com Lusa

 

 

Escola investigada por suspeita de discriminar alunos de etnia cigana

Janeiro 28, 2018 às 8:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 26 de janeiro de 2018.

IDÁLIO REVEZ

A Escola Básica Major David Neto, em Portimão, está sob investigação por suspeita de práticas de discriminação racial e maus tratos a alunos, numa das 20 turmas deste estabelecimento de ensino. A situação tornou-se pública, há cerca de duas semanas, depois da mãe de uma estudante do 4º ano ter apresentado queixa na escola e noutras entidades por alegados “maus tratos” à filha. Queixa-se de ter sido empurrada por uma funcionária no refeitório do estabelecimento. Porém, as queixas relativas a actos discriminatórios a crianças de etnia cigana já se verificam há três meses.

A presidente da câmara de Portimão, Isilda Gomes, afirmou ao PÚBLICO que proferiu um despacho com “carácter de urgência, para seja aberto um processo de averiguações para apurar toda a verdade”, no que diz respeito à funcionária da autarquia visada nas acusações de “maus tratos” no refeitório. Também a Direcção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (Dgeste) –  através da direcção de serviços regionais do Algarve – está a averiguar as alegadas práticas discriminatórias. Na próxima segunda-feira, a direcção do Agrupamento de Escolas Manuel Teixeira Gomes, a que a escola em causa pertence, vai decidir o âmbito do “processo de inquérito interno” para apurar responsabilidades ao nível do estabelecimento de ensino.

De acordo com as denúncias dos pais, veiculadas numa comunicado da associação SOS Racismo, a escola “tem uma turma onde colocou todas as crianças de etnia cigana, crianças com deficiências e crianças de raça negra, e crianças de raça branca que são transferidas de outras escolas”, situação que classificam como sendo de “maior absurdo, porque a mistura racial e cultural enriquece a todos”.

Directora nega discriminação

A directora do agrupamento, Maria Goreti Martins, garantiu ao PÚBLICO que a turma em questão “não é a única que tem alunos de etnia cigana” e que “há outras em que os alunos de outras etnias, vindas de outros países, estão em maior número do que nesta”. No entanto, recusou-se a dar qualquer informação sobre as queixas, alegando que estão a “decorrer averiguações” a diferentes níveis. A Provedoria de Justiça e o Ministério da Educação também receberam a queixa da mãe e já pediram esclarecimentos.

Ao PÚBLICO, o ministério confirmou as diligências em curso na escola, dando conta de que a Dgeste está a averiguar o caso “tendo já decorrido uma reunião destes serviços com a direcção do agrupamento a que pertence a escola e com a autarquia, responsável pela gestão do refeitório bem como por todos os funcionários desta escola”. Também a Inspecção-geral da Educação e Ciência está a realizar averiguações sobre este caso. De acordo com a tutela, “a direcção do agrupamento manifestou disponibilidade para averiguar eventuais responsabilidades da coordenação do estabelecimento através da abertura de um processo de inquérito interno”.

O caso chegou ainda ao Alto Comissariado para as Migrações (ACM) e à Secretaria de Estado para a Cidadania e Igualdade, que “estão em estreita articulação com o município de Portimão, acompanhando as diligências (…) com vista à rápida eliminação do problema”, diz o ACM.

“Além disso, a Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial confirma a recepção de uma denúncia” e que “estão a ser encetadas as diligências adequadas e necessárias à tramitação do procedimento decorrente da queixa”, acrescenta o ACM.

Segundo a informação dos pais, veiculada pela SOS Racismo, “as crianças de etnia cigana comem de pé, alguns deles colocados estrategicamente ao pé do caixote do lixo”. “São agredidos fisicamente e verbalmente, existem palavrões fortíssimos dentro do refeitório da parte dos funcionários do mesmo”, lê-se no comunicado da associação. Isilda Gomes esclareceu que a funcionária que zela pela disciplina na cantina, onde comem além dos alunos das 20 turmas do ensino Básico mais os de três turmas do pré-escolar, está no quadro do município há mais de 12 anos e “nunca foi alvo de qualquer queixa”.

Denúncia de insuficiência de comida

Numa reunião realizada no início desta semana, em que participaram os funcionários da escola, dirigentes e um representante do município, foi analisado o pedido de imediata suspensão da funcionária exigido pelos encarregados de educação. “A suspensão da actividade só terá lugar se o inquérito concluir que há matéria que justifique um processo disciplinar”, adiantou a autarca, acrescentando: “Os meus dois filhos frequentaram aquela escola e só tenho elogios a fazer.” Sobre as acusações de “discriminação”, enfatizou que “não cabe à câmara pronunciar-se sobre essa matéria”.

As primeiras queixas dos pais, no mês de Novembro, referiam-se ao facto dos alunos da referida turma serem os últimos a terem direito a ir almoçar, a partir das 13h30. Maria Goreti Martins, assim que tomou posse, no passado dia 11, introduziu um sistema de rotatividade entre as diferentes turmas.

A mãe da aluna que apresentou queixa comunicou entretanto à Câmara de Portimão que se afastava do movimento de pais que continua a denunciar “atitudes discriminatórias”. Os pais denunciaram ainda situações de insuficiência de comida, dando como exemplo “a divisão ao meio de um filete” de peixe por outras crianças.

 

 

 

 

Há alunos que nos chegam à alma…

Janeiro 25, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto de Carla Machado publicado na http://visao.sapo.pt/ de 7 de janeiro de 2018.

O T. tem um caderno pequenino tipo Moleskine de capa dura que usa para todas as disciplinas do 11º ano num curso de Ciências. A J. descreve-se como preta e alta e no dia do seu aniversário teve um bolo de aniversário. E afirmou, num português hesitante: a professora fez mim feliz

O T. tem dezasseis anos e quer mudar o mundo. Já mo disse várias vezes e insiste que tem um plano meticulosamente delineado para esse efeito. Quando lhe propus que se candidatasse ao prémio do concurso lançado pelo Centro Nacional de Cultura “Vamos mudar o Mundo” (com o apoio da Revista EGOíSTA e da Organização das Nações Unidas e o Alto Patrocínio de Sua Excelência o Presidente da República de Portugal), respondeu-me, hesitante, que ia pensar. E pensou e pensou e pensou (o T. pensa muito). Este concurso pretende isso mesmo: levar os portugueses – sem restrições de idade – a refletir, na tentativa de ser encontrada uma ideia original para tornar este mundo melhor. Quando, dias mais tarde, lhe perguntei se já tinha começado a escrever a sua proposta para mudar o mundo (as regras impõem um texto até 5.000 carateres cujo prazo de entrega termina dia 21 de Janeiro de 2018), o T. fitou-me com ar sério e penetrante. Não, stora. Não sei se vou conseguir fazer isso. Claro que vais! – respondi-lhe. E podes mesmo ganhar uma viagem a Nova Iorque para entregares a tua ideia de como mudar o mundo no Gabinete do Secretário Geral das Nações Unidas. O meu plano para mudar o mundo é individual – disse-me convicto. Como? Individual? Mas se não o partilhares, como vais conseguir que as tuas ideias se espalhem? – insisti. Não, a stora não me compreende. Só eu é que sei como posso mudar o mundo. Tenho já várias ideias escritas (nisto mostra-me um caderno repleto de apontamentos nesse sentido). Mas a mudança do mundo parte de dentro de mim e só depois se poderá espalhar aos outros…

O T. não gosta de cadernos diários e não tira apontamentos nas aulas. De facto, não precisa assim tanto deles pois consegue melhores resultados sem caderno do que outros alunos com vários, um para cada disciplina. O T. tem um caderno pequenino tipo Moleskine de capa dura que usa para todas as disciplinas do 11º ano num curso de Ciências. Pedi-lhe, numa das últimas aulas do primeiro período, se mo deixava ver. Deixou. Fiquei alguns minutos parada e perdida num mundo de gatafunhos e desenhos e setas e poucas, muito poucas palavras. Diria mesmo que apenas as que ele considera essenciais para mudar o mundo. Ao longo das aulas, olha-me atenta e fixamente, presenteando-me sempre nas suas intervenções com uma ideia, pergunta ou resposta que me fazem parar. E pensar. Na última aula do primeiro período, pedi ao T. para fazer a sua autoavaliação. Respondeu-me apenas, imperturbável: – Mereço um vinte. E se calhar merece. Mas a escola pública não está preparada para lho dar.

A J. veio da Serra Leoa e com apenas dezassete anos já viu o seu mundo mudar várias vezes. Fugiu. Do ébola. Da circuncisão. Da dor. Da morte. Passou pela Guiné e pelo Senegal, primeiro. Chegou a Portugal e a Lisboa, depois. Tem saudades de Freetown mas diz que Lisboa é uma boa cidade e que em Portugal se come muitas vezes e há muita comida. E frequenta uma escola pública T.E.I.P. (território educativo de intervenção prioritária) que a recebeu mesmo sem ela falar português. A J. perdeu os pais e toda a família. Chegou até nós através de um Centro de Refugiados e mesmo sem falarmos a mesma língua, comunicamos como se nos conhecêssemos desde sempre. Contou-me da sua vida de antes. A vida difícil que os pais levavam. O esforço que fizeram para que ela frequentasse a escola diariamente. O almoço que era sempre o mesmo e que consistia em pão com manteiga. O desaparecimento dos pais que saíram para trabalhar e nunca mais voltaram. A fuga à circuncisão que lhe era imposta. E contou-me da sua vida de agora: as pequenas compras que faz no supermercado, o seu prato favorito de arroz com feijão e folha de mandioca que cozinha para si própria, as longas extensões com caracóis que ambiciona poder comprar. A J. descreve-se como preta e alta e no dia do seu aniversário teve um bolo de aniversário. E afirmou, num português hesitante: a professora fez mim feliz. Na última aula que tivemos, a J. confessou-me, com os seus olhos negros penetrantes: Portugal mudou minha vida.

E se calhar mudou. A escola pública, afinal, vai ainda conseguindo mudar vidas…

Carmo Miranda Machado é formadora profissional na área comportamental e professora de Português no ensino público há vinte e sete anos, tendo trabalhado com alunos do 7º ao 12º anos de escolaridade. Possui um Mestrado em Ciências da Educação (Orientação das Aprendizagens) pela Universidade Católica Portuguesa e tem como formação base uma Licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas pela Universidade Nova de Lisboa. Tem dedicado a sua vida às suas três grandes paixões: o ensino, a escrita e as viagens pelo mundo. Colabora na Revista Mais Alentejo desde Fevereiro de 2010 como autora da crónica Ruas do Mundo, tendo ganho o Prémio Mais Literatura atribuído por esta revista nesse mesmo ano. Publicou até ao momento, os seguintes títulos pela editora Colibri: Entre Dois Mundos, Entre Duas Línguas (2007); Eu Mulher de Mim (2009); O Homem das Violetas Roxas (2011) e Rios de Paixão (2015).

 

 

Professores aprendem a lidar com pais difíceis

Janeiro 12, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Por Isobel Leybold-Johnson

Às vezes, não são os alunos que causam dores de cabeça nos professores, mas sim seus pais exigentes. A Federação Suíça de Professoras e Professores (LCH) elaborou um guia com orientações para tratar do que está se tornando um problema crescente.

No passado, os pais apoiavam incondicionalmente, na maioria das vezes, as decisões tomadas por professores e escolas – escreve Beat W. Zemp, presidente da federação, no prefácio do guia.

Contudo, trabalhar com os pais se tornou “bem mais complexo e sofisticado”, podendo vir à tona conflitos muito estressantes que duram anos. “A mídia é dominada por casos envolvendo ‘pais helicópteros’ que trazem consigo os seus advogados para a reunião solicitada pela escola ou quando a divergência ocorre por razões religiosas”, diz Zemp.

As comparações internacionais, como a realizada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) sugerem que o problema não é tão agudo quanto em países de língua inglesa, por exemplo.

Porém, a questão é bastante preocupante para levar a federação a publicar um guia sobre a cooperação entre as escolas e os pais, cujo conteúdo foi destacado pelo jornal SonntagsBlick no mês passado.

A pressão dos pais, embora ainda vinda de uma minoria, é conhecida por ser um fator catalisador da síndrome de burnout em professores ou do abandono de suas profissões, ponto destacado pela instituição.

O guia de 52 páginas, que atualiza o original de 2004, apresenta exemplos de casos bem como os seus aspectos educacionais e legais, listando pontos-chave para os professores sobre como amenizar conflitos e que tipo de suporte eles podem esperar.

Entre os casos apresentados estão os de pais que se queixaram que a lição de casa da filha era exorbitante e de um conselho parental escolar que chegou a exigir que as tarefas de casa fossem abolidas por causarem “muita tensão” em casa.

Exemplos de pressão parental

“Muitos pais pensam que têm o direito de opinar sobre tudo o que acontece na escola”, disse Sarah Knüsel, Presidente da Associação dos Diretores de Escola do Cantão de Zurique, para o jornal SonntagsBlick.

“Mesmo as pequenas coisas são questionadas”, concordou Georges Raemy, membro da mesma associação no cantão de Zug. “Alguns pais não concordam com um passeio de um dia na floresta; outros sentem que um aniversário não foi comemorado suficientemente bem”.

“Os professores estão sendo frequentemente chamados para se explicar. A comunicação tem se tornado fundamental”, disse ele no artigo. Para Raemy, a comunicação deveria desempenhar um papel mais proeminente na formação dos professores.

Caminha-se sobre um campo minado quando uma criança não consegue as notas suficientes para entrar na escola secundária suíça, que necessariamente deve ser alcançada para o acesso à universidade. Esta situação pode resultar em ações legais que, no entanto, em sua maioria não passam de ameaças. Todavia, os setores jurídicos das Secretarias Estaduais de Educação – cada cantão é responsável pelo seu sistema educacional – reportam um crescente número de queixas envolvendo escolas e pais de alunos.

Marion Völger, diretora da Secretaria de Educação do cantão de Zurique, relatou ao SonntagsBlick que recebe anualmente cerca de 3.000 reclamações, das quais 400 são provenientes de pais.

Christian Hugi, Presidente da Associação dos Professores de Escola de Zurique, aponta que o aumento do problema se refere à falta de credibilidade nas instituições do estado. Os próprios pais também estão sob pressão pela globalização, digitalização e o mercado de trabalho competitivo. “Eles querem garantir que seus filhos possam sobreviver neste mundo”, explica Hugi.

Comparação internacional

A pressão parental é um fenômeno que afeta principalmente os países industrializados. Realizado pela OCDE, o relatório divulgado em 2012 pelo Programa Internacional de Avaliação do Aluno (PISA) – uma pesquisa do desempenho escolar dos alunos de 15 anos de idade em países desenvolvidos – avaliou a pressão recebida pelos diretores de escolas vindas dos pais em relação ao alto nível de desempenho acadêmico.

O resultado encontrado, considerando todos os países pertencentes à OCDE naquele ano, foi que 21% dos alunos estavam em escolas cujos diretores relataram sofrer muita pressão parental e 46% dos estudantes pertenciam a escolas cuja pressão vinha de uma minoria dos pais.

Singapura, Reino Unido, Estados Unidos e Austrália estavam entre os países onde pelo menos um em cada três estudantes sofria demasiada pressão dos pais. Em Singapura, o índice foi de 60% dos alunos.

A Suíça se encontra entre os países com menos de 10% dos alunos pertencentes a escolas onde existem demasiada pressão parental, juntamente com Alemanha, Áustria e a tradicionalmente bem pontuada na avaliação do PISA – embora com ligeira queda recente – Finlândia.

Beat A. Schwendimann, membro do conselho da Federação dos Professores Suíços, ressaltou que os dados do PISA sugerem que não há correlação clara entre a pressão exercida pelos pais sobre as escolas e o bom desempenho acadêmico. Essa observação é corroborada pelos resultados consistentes da Suíça e da Finlândia no PISA e o baixo índice de pressão parental escolar nestes países.

“O baixo número de relatos sobre a pressão parental oriundos dos nossos diretores escolares pode estar associado ao elevado nível de confiança que os pais depositam no sistema escolar e ao alto padrão profissional dos professores. A pressão por parte dos pais sobre os diretores, incluindo ação legal, é rara e está principalmente relacionada às notas finais dos exames para alcançar as escolas de níveis superiores. As escolas suíças se esforçam em estabelecer e manter uma parceria ativa e produtiva com os pais”, disse Schwendimann para swissinfo.ch.

“O objetivo é que a comunicação seja baseada na cooperação produtiva e confiança, ao invés da pressão”.

Adaptação: Renata Bitar

 

A cultura da escola vai mudar “porque a economia está a pedir coisas diferentes”

Janeiro 3, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Nuno Ferreira Santos

Entrevista do https://www.publico.pt/ a Maria Emília Brederode Santos no dia 27 de dezembro de 2017.

Maria Emília Brederode Santos mostra-se satisfeita com as medidas já adoptadas pelo actual ministro da Educação e quer saber mais sobre as escolas que têm conseguido superar as expectativas que existiam sobre elas devido ao meio de origem de grande parte dos seus alunos.

Clara Viana

Aos 75 anos, a pedagoga Maria Emília Brederode Santos substituiu, em Outubro, o ex-ministro David Justino no cargo de presidente do Conselho Nacional de Educação — um órgão independente, com funções consultivas, constituído por académicos e especialistas, cujo presidente é eleito pela Assembleia da República.

Refere-se aos alunos por “meninos” e defende que tanto por razões de “justiça individual”, como de “justiça social”, se deve apostar num currículo mais amplo, que dê espaço às expressões artísticas, à educação para a cidadania, mas também às novas competências que hoje são pedidas pela economia e que, segundo ela, acabarão por levar a uma mudança da actual cultura escolar.

Porque é que aceitou este desafio nesta altura?
Quando estava relativamente sossegada? Primeiro porque não o estava. Desde que me reformei tenho continuado a trabalhar mais ou menos tanto quanto antes. A diferença é que tenho que trabalhar sobre algumas coisas que normalmente não trabalharia. Mas isso também é bom. Obriga-nos a não ir só por aquilo que já conhecemos e em que estamos interessados.

Mas pensa que tem algum contributo a dar a este sector tendo em conta a sua experiência?
Sim. Não gosto de me levar muito a sério. Mas penso que tenho uma visão humanista e com algumas preocupações que poderão interessar a um organismo como o Conselho Nacional de Educação (CNE). Primeiro porque penso que sou muito democrática e o CNE é um órgão muito democrático. O principal interesse do CNE é o de ter tantos parceiros da educação aqui representados e com interesses muitas vezes contraditórios. E eu gosto do contraditório. Aliás, um dos primeiros livros que escrevi tinha em epígrafe uma frase, que já não sei de quem era, mas de que gosto muito, que é a seguinte: o adversário é o principal amigo do investigador. Podia dizer-se também do decisor. Uma das minhas intenções é reforçar muito as comissões especializadas, que é onde há mais debate, para se construir senão consensos, pelo menos compromissos e ir mais longe, melhorar as decisões.

No prefácio ao relatório Estado da Educação 2016 que assinou defende que se deve levar às escolas o debate sobre “questões fracturantes”. Considera que a sociedade está disposta a aceitá-lo? Pergunto isto tendo na memória a onda de protestos que suscitou a possibilidade levantada pelo Ministério da Educação de se abordar a Interrupção Voluntária da Gravidez no 2.º ciclo de escolaridade, propósito que foi depois deixado cair. 
Esse é um assunto particularmente delicado, mas penso que há outros temas que interessam aos jovens ou que se pode levá-los a interessar-se e que são menos fracturantes. Por exemplo, a questão das fake news. Sempre defendi a necessidade de uma educação para os media, mas quando eu defendia isso era mais a televisão, os jornais. Hoje é global. Agora toda a gente diz que as fake news sempre existiram. É verdade, mas não desta maneira, como uma prática quase aceite em que até se inventam eufemismos para a palavra “mentira”. Penso que é uma questão de sobrevivência democrática haver uma formação mediática que permita às pessoas saberem defender-se e com o que estão a lidar.

E essa formação continua a estar ausente das escolas?
Depende muito dos professores. O que seria interessante era adoptar como perspectiva que as escolas deveriam tratar algumas questões transversais, aquilo que os franceses agora chamam questões vivas, os grandes problemas da actualidade, e sobre as quais os jovens ouvem falar e se poderão interessar mais. A sua abordagem obriga à transversalidade e ao trabalho de colaboração. Podem desenvolver-se mais estas competências dos jovens e criar também uma outra dinâmica nas escolas.

Em princípio esse é um dos objectivos do novo projecto da flexibilidade curricular que este ano lectivo está a ser desenvolvido em 235 escolas. Como é que vê esse projecto?
Ainda não vejo nada porque não conheço. Mas gostava muito que no CNE o acompanhássemos. Gostava de ver como é que as escolas estão a pegar na possibilidade de organizarem o currículo e de terem mais autonomia.

E como é que o CNE poderia fazer isso? No mesmo prefácio ao Estado da Educação defende que o CNE deve ir mais para o terreno, entrar na escola, nas salas de aula…
É uma questão de organizar e de fazer essas idas. Não estou a dizer que se façam investigações de fundo com a preocupação de uma grande representatividade. É mais a aposta de tentar identificar os caminhos que estão a ser seguidos e os problemas que surgem a tempo de serem corrigidos.

Muitas vezes as escolas não são muito receptivas a olhares que vêm de fora.
Nunca tive esse problema enquanto estive Instituto de Inovação Educacional [foi presidente entre 1997 e 2002] onde fazíamos muito esse acompanhamento de escolas. Desde que não haja um olhar fiscalizador, avaliador, penso que não existem problemas. E aqui o objectivo seria ir às escolas para aprender com elas e tentar melhorar em conjunto.

Também nesta perspectiva de proximidade, uma outra actividade em que o CNE se deve envolver é com as escolas que ultrapassam as expectativas. Tentar perceber quais são os caminhos que podem permitir que as escolas tragam de facto um valor acrescentado aos meninos

Os resultados do último PISA [testes internacionais que visam avaliar a literacia dos alunos com 15 anos] mostram que em Portugal o número destas escolas tem vindo a subir.
É curioso porque ao mesmo tempo também somos dos países, na Europa, onde há uma maior correlação entre o peso do meio social de onde se vem e os resultados escolares.

É como se estivéssemos ao mesmo tempo a viver em dois mundos. O que leva aquelas escolas, chamadas “resilientes”, a fazerem a diferença?
Não sei. Mas vou ver. É fantástico para as pessoas da educação que a escola possa fazer a diferença. Por um lado é uma grande responsabilidade, mas por outro lado uma grande motivação.

No seu seu texto defende o “reforço da intencionalidade educativa junto das crianças dos 0 aos três anos”. Quer isso dizer que deve existir um currículo para crianças tão pequenas?
Tudo isto são assuntos a analisar. Claro que não pode ser confundido com a ideia de um currículo escolar, mas a intencionalidade educativa já existe porque todas as creches têm de ter uma educadora de infância. É mais uma questão de se tomar consciência da importância disso. Porque há muito a tendência de se pensar que dos 0 aos 3 anos o que é preciso é que as crianças estejam bem alimentadas, estejam seguras, bem cuidadas. Mas também é importante conversar com elas, brincar com elas, contar-lhes histórias, ler-lhes poesias e é chamar a atenção para isso sem que se caia no excesso de estimulação.

Em Portugal há o compromisso de se universalizar o pré-escolar aos três anos de idade até 2020, mas o último Estado da Educação aponta para uma redução da proporção de crianças a frequentar este nível. Tem algumas pistas para explicar o sucedido?  
Não, mas penso que devíamos ir ver, analisar, porque só constatar não chega. O Estado da Educação é um retrato, assim como alerta o Ministério da Educação e a Assembleia da República para determinados problemas, também nos deve alertar a nós próprios para tentar, sempre que possível, perceber o que as coisas significam.

Falando do estado da educação, como é que define hoje a escola em Portugal?
Como uma escola que fez uns avanços extraordinários, pelo menos no que é medido pelos testes internacionais e em certas disciplinas, mas receio que também esteja um pouco cristalizada e tenho pena de que tenha perdido a riqueza curricular. As pessoas, os meninos, são tão diferentes e há quem possa dar o melhor de si de outra maneira que não só na matemática e na língua materna.

Era importante que houvesse uma muito maior variedade de actividades e de aprendizagens. Por [uma questão de] justiça individual, já que toda a gente merece desenvolver-se em vários aspectos, mas também por justiça social, porque enquanto existem meninos cujas famílias valorizam a música e o teatro e os levam a essas actividades, há outros que não têm essa possibilidade. E, já que a escola é a única rede que chega a toda a gente, deveria proporcionar a todos essas aprendizagens e esse contacto com outras realidades.

Considera então que nas escolas existe pouco espaço dado ao conjunto das expressões?
Sim. Há pouco espaço dado às expressões artísticas, à educação para a cidadania, às tais questões transversais de que já falei.

Mas isso não aconteceu sempre?
Não, começou a acontecer quando os testes internacionais começaram a realizar-se. Estes testes foram e são importantes para nos ajudarem a situar e para ver que progredimos mas, como se situam só em certas áreas, também tiveram esse efeito redutor.

Que também foi potenciado pela generalização dos exames?
Penso que sim. Considero que de vez em quando é importante haver exames, mas quando se introduz esta avaliação tem de se ter consciência dos efeitos perversos que por vezes esta tem, como o de valorizar só determinadas áreas que são mais facilmente examinadas.

A função dos exames e da avaliação pode ser múltipla. Mas como pessoa da educação estou mais interessada nas informações que me podem dar para melhorar. Se um menino mostra dificuldades na resolução de um teste o que me interessa é tentar identificar quais são essas dificuldades, e porque é que existem, para poder intervir imediatamente para melhorar.

É então uma adepta das provas de aferição introduzidas pela actual tutela?
Sim, embora as provas de aferição sejam mais para aferir o sistema. E acho que até para os meninos é bom que haja provas, não sei se lhes chamaria de aferição ou outra coisa qualquer. Uma das coisas que a OCDE também recomenda é a intervenção ao primeiro sinal de dificuldade. Como é nós sabemos quando esse sinal acontece? Tem de ser através de um acompanhamento muito próximo do aluno ou através de qualquer manifestação. Não estou nada contra as provas mas depende da atitude com que são encaradas. Para que é que elas servem?

Intervir ao primeiro sinal de dificuldade não deveria ser o papel do professor, que é quem está mais próximo do aluno? Face aos fracos desempenhos dos alunos também evidenciados pelas provas de aferição pensa que este trabalho está a ser bem feito pelos professores? Têm essa formação?
Sempre que se fala em formação, os professores sentem isso como uma acusação, portanto não queria ir por aí. Mas há uma determinada cultura escolar que ainda perdura, do século XIX, século XX, que é dar a matéria. Isso antes fazia-se para grupos de alunos relativamente homogéneos, mas entretanto a população mudou, já não é uniforme. Terá de haver um repensar da escola no seu todo para fazer evoluir esta cultura da escola para uma cultura algo diferente e penso que isso vai acontecer. Porque a economia está a pedir coisas diferentes.

O que a economia hoje pede são competências diferentes daquelas que este modelo de escola desenvolve. Para além das competências digitais e do inglês língua estrangeira, requer-se hoje os chamados “soft skills”, ser capaz de colaborar, ter espírito de iniciativa. Sem querer que a escola ande a reboque da economia, penso que isso vai condicionar a escola. O que eu gostava é que a escola, para além de desenvolver estas novas competências, também formasse pessoas capazes de decidir o seu destino e de escolher em que tipo de sociedade pretendem viver.

Qual a avaliação que faz do mandato do ministro da Educação? 
Acho que nestes dois anos muita coisa já foi feita no sentido que gostaria, do tal alargamento do currículo, da maior autonomia das escolas, da vontade de valorizar a aprendizagem e não tanto os resultados. Tem ido nesse sentido, o que eu aprecio.

 

Mais de 76% das crianças do 1.º ciclo vão para a escola de carro

Janeiro 1, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://sicnoticias.sapo.pt/ de 20 de dezembro de 2017.

Mais de 76% das crianças portuguesas do 1.º ciclo vão para a escola de carro. Menos de 18% deslocam-se a pé ou de bicicleta, com a maioria dos pais a considerar o trajeto inseguro.

O sistema de vigilância que analisa o estado nutricional infantil divulga hoje os seus resultados relativos a 2016, integrando também uma avaliação sobre a atividade física e sobre os comportamentos sedentários por parte das crianças. A percentagem de crianças que se deslocam de automóvel para a escola cresceu significativamente de 2008 para 2016, passando de 57% para mais de 76%.

No último ano analisado, mais de 64% dos encarregados de educação consideraram que o caminho de ida e regresso da escola não era seguro, sendo as regiões Centro, da Madeira e dos Açores as que têm maior percentagem de pais a considerarem os trajetos inseguros para as crianças se deslocarem a pé ou de bicicleta.

Além de questionarem as famílias, os investigadores do estudo coordenado pelo Instituto Doutor Ricardo Jorge perguntaram também às escolas como avaliam os acessos aos recintos escolares.

Pouco mais de metade (51,4%) das escolas considerou a acesso à escola seguro, sendo novamente na Madeira e nos Açores que se detetou uma maior percentagem de escolas a considerar o caminho de casa para a escola como inseguro.

Para o estudo Childhood Obesity Surveillance Initiative (COSI) foram avaliadas 6.745 crianças de 230 escolas portuguesas do 1.º ciclo do ensino básico (dos 6 aos 8 anos de idade).

Lusa

O relatório mencionado na notícia é o seguinte:

Childhood Obesity Surveillance Initiative: COSI Portugal 2016

 

A filosofia ajuda as crianças a pensar e a ser argumentativas

Dezembro 9, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 16 de novembro de 2017.

No Dia Internacional da Filosofia o PÚBLICO foi saber como evoluiram as aulas de Filosofia para Crianças.

Bárbara Wong

A aula começa com uma história que a professora Joana Marques conta. É assim que os meninos do Colégio do Sagrado Coração de Maria, em Lisboa, começam as suas aulas de Filosofia para Crianças do 1.º ao 4.º ano. A partir dali conversam durante 45 minutos sobre a verdade, a mentira, a liberdade ou até a morte.

O projecto começou há nove anos e os primeiros alunos já chegaram ao secundário, onde a Filosofia é disciplina obrigatória. A docente tem a certeza de que estes estudantes têm mais ferramentas para pensar e argumentar do que os que não andaram no 1.º ciclo a debater o porquê das coisas. Esta quinta-feira é o Dia Internacional da Filosofia.

A Filosofia para Crianças e Jovens (FPCJ), do pré-escolar ao 3.º ciclo, começou timidamente – o Colégio Internacional de Vilamoura (CIV) faz parte dos pioneiros e dá a oportunidade aos seus alunos de filosofar desde 1997, logo a partir dos quatro anos. “Hoje, já com 20 anos de prática, continuamos a apostar nesta área, articulando-a com a arte, as ciências e a literatura, por exemplo”, revela Cidália Ferreira Bicho, directora do CIV.

Actualmente, esta é uma actividade que chegou ao ensino público através de projectos, de actividades de enriquecimento curricular (AEC) ou como disciplina de oferta de escola. Os estabelecimentos de ensino ganharam autonomia e Eugénio Oliveira, presidente da Associação Portuguesa de Ética e Filosofia Prática, responsável pela formação de professores e educadores de infância, refere que existirão cerca de 100 agrupamentos de escolas com esta alternativa.

Os dados do Ministério da Educação referem apenas 11 agrupamentos com a Filosofia em AEC, mas o professor-formador contesta-os: “Se for uma oferta complementar, o ministério não consegue contabilizar.”

“Fazer as coisas de outra maneira”

E por que é importante a filosofia desde cedo? Cidália Ferreira Bicho, directora do CIV, responde que numa escola com meninos de várias nacionalidades é importante “ver o mundo com os olhos dos outros”. “As crianças ouvem melhor, argumentam, sabem falar sem recorrer a um papel. Isto são competências transversais que se adquirem e que ajudam nas outras disciplinas”, acrescenta Eugénio Oliveira. “Os jovens que chegam ao secundário e passaram pela FPCJ são mais activos, menos reservados, mais participativos na sociedade, organizam-se, criam projectos”, avalia Jorge Humberto Dias, professor universitário. Joana Marques sublinha: “Não é só o aluno que se sabe expressar bem, mas que quer dizer ao mundo o que pensa e que defende que se podem fazer as coisas de outra maneira.”

A FPCJ vem também ajudar ao diálogo entre pais e filhos, acredita Joana Marques. No início, os encarregados de educação achavam estranha esta oferta da escola, mas depois “a reacção foi animadora”. Os pais contam que os filhos levam perguntas para a casa, para debater e “isso é entusiasmante”, considera a professora.

“Há interesse dos pais que os filhos sejam mais autónomos e a FPCJ dá-lhes instrumentos cognitivos e reflexivos, potenciando a criança a pensar”, complementa Jorge Humberto Dias.

Eugénio Oliveira não esconde que a FPCJ veio também ajudar a combater o desemprego dos professores desta disciplina. No entanto, salvaguarda, chegam à formação educadores de infância e professores de 1.º ciclo. Isabel Bernardino, vice-presidente da Associação de Professores de Filosofia, considera que não é preciso ser da área para trabalhar com os mais novos. “Eventualmente uma pessoa que não é da filosofia pode ter mais dificuldade nos conceitos filosóficos, mas se aprender e desenvolver as competências, o espírito crítico e o argumentativo, qualquer pessoa poderá fazê-lo”, conclui.

 

 

 

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