SOS: Dicas para sobreviver aos exames

Julho 7, 2020 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Texto do Sapo Lifestyle de 3 de julho de 2020.

Aproxima-se uma data fundamental para ti enquanto estudante. Os exames nacionais refletem o culminar de vários anos de esforço, dedicação e empenho na tua vida académica, ao mesmo tempo que te abrem portas para o futuro que idealizas.

Nesta reta final, a sensação de que algo extremamente importante se avizinha, faz-se acompanhar da antecipação de vários cenários. A pressão é cada vez maior e alguns pensamentos, que facilmente captam a tua atenção, parecem “falar mais alto”.

Podem estar relacionados com a possibilidade de insucesso e consequências futuras, com as dúvidas acerca da tua competência e de capacidade de preparação (“não consigo, vou ter má nota”; “vai sair a matéria que não sei…”; “E se não tiver média suficiente?”).

Estes pensamentos tornam-se tão intensos ao ponto do teu corpo começar a reagir. O coração palpita fortemente, os músculos ficam tensos, surgem tremores, suores frios, a respiração acelera, fica difícil adormecer, perdes o apetite … Neste momento, pareces enfrentar uma missão impossível.

Por um lado, sentes a necessidade de estudar e de te preparar, por outro lado isso torna-se uma tarefa árdua, à luz da inquietação que não te permite concentrar e envolver eficazmente no estudo, bloqueando as tuas respostas e recursos.

Estes pensamentos e sensações que vão “escoltando” o teu dia-a-dia culminam na designada ansiedade.

Mas afinal, o que é ansiedade (desempenho)? É uma defesa do nosso organismo que ajuda a preparar e a antecipar algo que é importante e no qual queremos ser bem-sucedidos. Ao lutares neste momento pela tua satisfação e realização pessoal e profissional, é natural que a mente te acompanhe neste caminho, desempenhando a sua função que é alertar para os possíveis “perigos” e “ameaças” aos teus objetivos.

A intenção é boa… mas pode tornar-se difícil não te apegares demasiado a esta vozinha que te confronta com a ameaça de um cenário adverso e indesejável.

Por isso, para estes dias que antecedem os exames deixamos-te algumas notas importantes:

  1. A ansiedade não é um inimigo.É uma mensagem que tem a intenção de te ajudar a preparar para este período importante, estimulando e motivando-te para a ação responsabilizada. O que será que acontecia se não sentisses ansiedade? Provavelmente seria muito mais difícil conseguires mobilizar-te para o estudo e para seres bem-sucedido.

É possível que a tua atenção, concentração, capacidade de planeamento e organização não estivessem “no seu melhor”. Neste sentido, pode ser útil identificares os pensamentos e sensações corporais que se manifestam quando estás ansioso, recordando-te que esse estado pode ser um aliado ao teu desempenho.

Parece contraintuitivo. Habitualmente a vontade é “expulsá-la”, mas já reparaste que eliminar toda a ansiedade pode ser um desafio desgastante e interminável? Tarefa que até pode ter o efeito contrário, ampliando/aumentando-a, ao ponto de interferir negativamente com o desempenho?

A alternativa consiste em estares disponível para sentir algum desconforto, deixando que “coexista” contigo enquanto parte do teu percurso académico. No dia-a-dia, podes ir notando onde sentes esse desconforto (sensação/pensamento) no teu corpo e tirar uns minutos (o tempo que decidires) para lhe dares atenção (“sentir o desconforto” sem o evitar ou fazer algo para que desapareça). Para isso, poderá ajudar escolheres um ambiente confortável e fechares os olhos enquanto notas essas sensações.

  1. Não estás sozinho.A época de exames é transversal aos estudantes. A maioria também se depara com pensamentos desafiantes e sensações desconfortáveis, que dificultam esta fase. É uma reação natural a este marco da trajetória académica. Pode ser útil encontrares algum reconforto ao partilhares as tuas preocupações e inquietações.
  2. Os pensamentos não são factos.Já reparaste que a maioria dos teus pensamentos se reportam ou ao passado (relembrar experiências/memórias) ou ao futuro (antecipação de momentos/previsões)? A mente tem esta habilidade de navegar rapidamente pela linha do tempo.

Os pensamentos acerca do futuro ou do passado levam-te a sentir esses episódios tal como se estivessem a acontecer no “aqui e agora”. Já reparaste? Por exemplo, quando a tua mente bombardeia a possibilidade de não seres bem-sucedido no exame, o teu corpo reage como se efetivamente isso estivesse a acontecer agora ou fosse acontecer sem sombra de dúvidas. Ficas nervoso, agitado, inquieto… por vezes até triste e desiludido. Nesses momentos é importante recordares-te que os pensamentos não são factos, nem verdades absolutas.

A mente não é perita no futuro, as previsões são apenas o reflexo de receios e não determinam o que vai acontecer. A alternativa é “descolares” dos pensamentos, não ficando apegado a eles. Para isso, o primeiro passo é conseguires identificá-los para que te posiciones como “observador” (p.e., “a minha cabeça está a dizer que…”).

Pode ser útil olhares para os pensamentos como carros que passam numa autoestrada. Cada um tem a sua direção e propósito (p.e., proteger-te e alertar-te para possíveis ameaças). Aparecem, seguem o seu caminho e desaparecem. Uns mais velozes que outros. Tal como alguns pensamentos, que persistem mais no tempo.

  1. O filme do passado.Uma das armadilhas da mente é trazer para o momento pensamentos “não autorizados” de experiências anteriores de insucesso, querendo “fazer-te ver como é possível que desta vez também possa não correr tão bem”.

Nestas situações, pode ser útil alargar essa visão, relembrando que efetivamente os exames nacionais simbolizam a tua superação ao longo destes anos. Essa é a razão de teres chegado até aqui.

  1. Ancorar.Não encarrilar no “filme que a mente conta” é o ideal, mas nem sempre é tarefa fácil. Por vezes, quando dás por ti já estás demasiado ativado pelas suas “provocações”. Nesse momento, pode ser útil recorreres a exercícios que te ajudam a centrar no presente.

Um desses exercícios pode ser focares a tua atenção na respiração, ou utilizares os sentidos para notares 5 coisas que estão a acontecer à tua volta.

  1. Prazos a encurtar, o tempo a passar e a matéria por estudar.Podem haver momentos em que te sentes frustrado, irritado ou culpado por “não estares a cumprir o que era suposto ou porque devias estar a fazer mais e melhor”. Às vezes é duro estar na própria pele porque a vozinha crítica e exigente é constante e repetitiva.

Por isso, é bom relembrar que estás a fazer o melhor que podes e consegues. Os dias parecem montanhas russas e lidar com o turbilhão de pensamentos e sentimentos também é um desafio diário. Compreendemos muitas vezes o que os outros sentem, mas parece mais difícil fazê-lo connosco.

O que dirias a um amigo que partilhasse uma fase exigente? Pode ser útil dirigires-te a ti com a mesma gentileza, encorajamento e empatia como a alguém que estivesse a passar por um momento semelhante.

  1. E tu?.Embora atravesses um momento significativo é importante recordares-te que não te resumes a ele. É benéfico disponibilizares algum tempo para tarefas prazerosas e relaxantes (p.e., exercício físico), sem que a culpa te consuma, bem como manteres rotinas de sono e de alimentação. Afinal, estes momentos são fonte de reorganização e recuperação de energia.
  2. Quando é extremamente difícil.Se este momento está de facto a ser demasiado exigente de gerir, pode ser benéfico e útil recorreres a ajuda especializada. É preciso coragem para pedir ajuda. Não é sinal de fraqueza, demonstra que te preocupas e queres cuidar de ti.

E durante o exame?

Após toda a dedicação, páginas lidas e relidas, matéria decorada e compreendida, é provável que chegado o grande momento a tua cabeça comece a “falar” e questione o que és capaz de fazer.

Deixando-te cada vez mais inquieto, com o coração a palpitar, as mãos a suar, o nó na garganta… E, o que mais querias era poder concentrar-te, estares calmo e “despejar” tudo o que sabes.

Para te ajudar nesse momento deixamos-te algumas dicas:

Recorda-te que a ansiedade é um aliado que possibilita um estado alerta de concentração e atenção, potenciando os teus recursos. Ao quereres afastá-la assim que a “avistas”, pode tornar-se mais intensa, o que não é o ideal.

Mantêm-te no momento presente. Antes do exame ou quando te deparas com uma pergunta mais difícil, à qual não tens a resposta imediata, a tua mente pode começar a voar para o planeta do futuro (p.e., “vou ter má nota”; “não vou saber responder a isto”) ou do passado (p.e., “vai-me acontecer o mesmo que da outra vez”), por isso o objetivo é trazê-la para o planeta do presente para poderes responder no teu melhor.

Há pequenos e simples exercícios que podes fazer, alguns são tão discretos que ninguém vai notar. Experimenta aqueles com que te sentires mais confortável.

– Presta atenção à tua respiração. Inspira e expira várias vezes de forma intencional, sentindo o ar frio a entrar e o ar quente a sair…

– Concentra-te nos sons à tua volta (observa os mais intensos, os mais altos, os mais distantes).

– Sente a cadeira a dar suporte ao teu corpo, os pés suportados pelo chão…

Assim que te sentires preparado, inicia ou “regressa” ao exame, lendo cada pergunta calmamente. Estes exercícios podem tornar-se mais eficazes se os experienciares ao longo dos dias que antecedem os exames. Uma boa estratégia para ires ganhando confiança pode ser começar por perguntas mais simples.

Agora, que estás mais preparado para acolher a tua ansiedade… vai em frente. És capaz, boa sorte!

De facto, para os estudantes a ansiedade aos testes e aos exames é inevitável, uma constante na vivência académica. Certos níveis de ansiedade são desejáveis, mas para alguns torna-se demasiado excessivo e intenso, interferindo negativamente com o desempenho.

Reconhecê-la é o ponto de partida… a ansiedade acompanha momentos importantes, por isso aprender a geri-la será um recurso vital ao longo da vida.

Texto: Rita Nogueira, Psicóloga Clínica

Investigadores estimam que 20 crianças de uma turma contactam com mais de 800 pessoas em dois dias

Junho 26, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 17 de junho de 2020.

Equipa de investigadores da Universidade de Granada concluiu que uma turma de 20 crianças do ensino pré-escolar ou primário terá contacto com mais de 800 pessoas em apenas dois dias e alerta para problemas do regresso às escolas em Espanha.

Filipa Almeida Mendes

Uma equipa de investigadores da Universidade de Granada realizou uma análise que concluiu que uma turma de 20 crianças do ensino pré-escolar ou primário terá contacto com mais de 800 pessoas em apenas dois dias, o que levou os especialistas a alertarem para os riscos da falta de “rigor” no planeamento do regresso às escolas em Setembro em Espanha, depois de terem sido encerradas devido à pandemia de covid-19.

A análise teve por base as previsões do Governo espanhol e das comunidades autónomas sobre o regresso das crianças às escolas, tendo analisado os requisitos técnicos dos modelos traçados.A 10 de Junho, a ministra da Educação espanhola, Isabel Celaá, anunciou que o Governo não considera necessário o uso de máscara nem o cumprimento do distanciamento social para as crianças dos primeiros quatro anos do ensino primário, por considerar tratar-se de grupos que se podem comparar a famílias ou coabitantes. Isabel Celaá sugeriu então que as crianças desses anos escolares “podem circular com tranquilidade, sem necessidade de manter uma distância de 1,5 metros”. Porém, os investigadores da Universidade de Granada analisaram o número de relações que cada turma poderá manter, com base nestes termos, e chegaram à conclusão que os cálculos contradizem a teoria de que se pode encarar uma turma de 20 crianças como um pequeno agregado familiar.

Assumindo que cada família é formada, em média, por dois adultos e 1,5 filhos menores (de acordo com a média em Espanha e supondo, por exemplo, que numa turma há dez estudantes com um irmão e outros dez que são filhos únicos), cada uma das 20 crianças de uma turma estaria exposta a um grupo de 74 pessoas no primeiro dia de aulas — isto se assumirmos que a criança não entrará em contacto com ninguém externo à própria turma ou ao seu agregado familiar. No segundo dia, o número de interacções das 20 crianças de uma determinada turma poderá “alcançar as 808 pessoas, considerando exclusivamente os relacionamentos [permitidos] sem distanciamento nem máscara da própria turma e das turmas dos irmãos e irmãs”, explica Alberto Aragón, professor catedrático da Universidade de Granada e coordenador do projecto. As estimativas prevêem ainda que, em três dias, poder-se-ão alcançar os 15 mil contactos.

“Se o número de alunos na turma subir para 25, como muitas concelhias sugeriram para que coincida com o rácio habitual, o número de pessoas envolvidas aumentaria para 91 pessoas no primeiro dia e 1228 pessoas no segundo dia”, acrescentam os investigadores num comunicado publicado no site da universidade.

Os especialistas alertam que um sistema “como aquele que propõem o Governo e as comunidades autónomas só poderá ter uma eficácia limitada para controlar o risco de contágio [do novo coronavírus], sendo especialmente ineficaz quando o número de alunos no seu núcleo é tão elevado”.

No Outono, escolas podem voltar a encerrar

Os investigadores notam que se houver uma pessoa infectada nesse grupo ou turma há um risco automático para todo o grupo, pelo que qualquer situação semelhante poderá resultar no encerramento da própria escola. Por isso, explicam que é necessário ter em conta possíveis cenários de contágio numa escola, assim como a possibilidade de leccionar aulas ao ar livre.

Os especialistas alertam ainda para problemas existentes de planificação do regresso às escolas, “uma vez que até ao momento trata-se maioritariamente de declarações bem-intencionadas, mas que carecem do detalhe necessário para se converterem numa planificação útil”, explicam em comunicado, acrescentando que o principal problema está no facto de as previsões se centrarem no regresso às aulas presenciais sem terem em conta os recursos necessários para garantir a manutenção das aulas. Neste sentido, os investigadores prevêem que, no Outono, voltem a encerrar muitas escolas em Espanha e apelam às autoridades educativas que preparem um plano alternativo caso isso aconteça e que programem um sistema de aulas presenciais com mais rigor, sem pôr de parte a possibilidade do ensino à distância e online, caso venha a ser necessário.

Os autores referem ainda que os especialistas em educação consultados recomendam que as escolas definam um horário para as aulas online, que devem replicar parcialmente as aulas presenciais — embora sublinhem que deve haver uma base comum que sustente as estratégias de ensino dos vários estabelecimentos de ensino do país.

Quanto ao ensino superior, o Ministério das Universidades espanhol propôs um modelo distinto do apresentado pelo Ministério da Educação para o regresso às aulas em Setembro, cujo “sistema de turnos rotativos seria provavelmente mais viável nas escolas e institutos do que nas aulas universitárias”, assinalam.

Os especialistas da Universidade de Granada calcularam ainda o número de estudantes que poderiam participar numa aula universitária, caso se respeitem as distâncias previstas nas normas do Ministério da Educação. “Por exemplo, uma sala de aula com 92 lugares com mesas fixas permitiria acolher apenas entre 16 e 24 estudantes para garantir a distância de segurança de 1,5 metros. Com um número tão reduzido de estudantes na sala de aula, a sugestão do Ministério de gravar a aula em directo para os alunos que não estão presentes parece tecnologicamente mais complicada, e menos eficaz, do que uma gravação de maior qualidade e personalizada num cenário online”, defendem.

Segundo dados do Ministério da Educação espanhol citados pelo diário El País, a reabertura das escolas implicará o regresso de 1,7 milhões de alunos ao ensino pré-escolar, 2,9 milhões às escolas primárias, dois milhões ao ensino secundário obrigatório e cerca de 600 mil ao Bachillerato (a partir dos 16 anos). Ao mesmo jornal, Alberto Aragón sublinha que o Governo espanhol e as comunidades autónomas devem delinear “planos mais rigorosos” e decidir “se se vão contratar mais docentes, que espaços alternativos se poderão utilizar ou, por exemplo, se se vão disponibilizar computadores aos estudantes”.

Os investigadores da Universidade de Granada analisaram também os planos de reabertura das escolas em países como a Dinamarca e Israel. Alberto Aragón sublinha que, no caso da Dinamarca, as turmas têm agora apenas dez alunos, podendo dirigir-se ao recreio apenas em grupos de cinco e com uma organização temporal e espacial que minimiza o contacto (e o risco de contágio) entre as crianças, com o especialista a destacar “uma boa planificação e recursos suficientes” para a colocar em prática. Por outro lado, no caso de Israel, que adoptou um plano de regresso às escolas semelhante ao previsto para Espanha, “nos primeiros dois ou três dias tiveram que encerrar cem escolas”.

Unicef pede que escolas recebam crianças no Verão para diminuir desigualdades

Junho 8, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 1 de junho de 2020.

LUSA

Beatriz Imperatori, directora executiva da Unicef Portugal, alerta para a dificuldade que o ensino à distância representa para algumas crianças. A solução sugerida é preparar as “crianças mais vulneráveis” durante o Verão.

A directora da Unicef Portugal defende que as escolas deviam acolher, durante o Verão, as crianças que tiveram dificuldades de aprendizagem através no ensino à distância imposto pela pandemia para tentar diminuir as desigualdades.

Desde meados de Março que os alunos desde o 1.º ao 10.º ano estão fechados em casa em ensino à distância e assim vão permanecer até ao final do ano lectivo. Os finalistas do secundário regressaram às aulas presenciais.

Em declarações à Lusa, a directora executiva do Fundo das Nações Unidas para a Infância — Unicef Portugal, Beatriz Imperatori, alerta que nem todos estão a conseguir aprender através deste novo modelo de ensino, que o próprio ministro da Educação já reconheceu não ser ideal, mas ser a solução possível durante o período de pandemia de covid-19.

Muitas das crianças e jovens contactadas pela Unicef Portugal revelaram que o ensino à distância “é giro mas não se aprende o mesmo”, continua Beatriz Imperatori. “O desafio que lançamos é que a escola, antes de abrir, possa chamar as crianças mais vulneráveis e possa trabalhar com elas durante o Verão, de forma formal e não formal para que estejam mais bem preparadas no regresso às aulas”, defende.

Para que as diferenças estejam minimizadas, em Setembro, quando a escola reabrir, as crianças podem frequentar actividades extra-escolares durante o Verão, podem andar em Actividades de Tempos Livres ou oficinas criativas, o que lhes permite adquirir novos conhecimentos mas também voltar a ter um ambiente escolar.

A representante lembra que o papel da escola é o de garantir que todos têm as mesmas oportunidades e que nas escolas os professores sabem quem são os que parecem estar a ficar para trás. Nos últimos meses, docentes, directores e até partidos políticos têm alertado para o facto de a pandemia fazer aumentar as desigualdades.

Entre as famílias carenciadas, mais de 50 mil alunos não tinham acesso à Internet ou estavam sem computador quando começou o ensino à distância, um problema que foi sendo gradualmente resolvido com a ajuda das comunidades escolares, autarquias, empresas e até de voluntários que ofereceram ou emprestaram equipamentos.

No entanto, refere Beatriz Imperatori, “algumas destas crianças não tinham proximidade a estes meios e por isso foi difícil conseguirem tirar o melhor partido”. A representante da Unicef considera que não basta entregar um computador a uma criança e esperar que ela consiga tirar o máximo partido do equipamento, assistir às aulas e fazer os trabalhos que lhe pedem.

Em casa, muitas crianças não têm quem lhes possa tirar as dúvidas e mesmo os pais com mais formação académica estão sem grande disponibilidade para acompanhar os filhos, porque estão em teletrabalho. Mas a preocupação da directora da Unicef prende-se também com os que estão com dificuldades em lidar com os efeitos da pandemia que, de um dia para o outro, os forçou a estar confinados, longe da família e amigos.

A ameaça de morte pela doença, diariamente transmitida pelas notícias, foi outro dos problemas apontados pela representante da Unicef: “É preciso voltar a dar uma perspectiva diferente às crianças. Houve muitas que ficaram temerosas, porque a comunicação social andou muito em torno do eixo vida e morte.”

Também aqui a escola poderá ajudar a dar uma perspectiva diferente às crianças, tentando explicar as medidas tomadas e os seus efeitos, uma vez que as crianças não têm ainda maturidade para poder perceber o problema como um todo.

Regresso às aulas presenciais – regras de segurança (Covid-19) Vídeo DGE

Maio 22, 2020 às 8:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Não, não está tudo bem na escola: com fome ou com medo, ninguém aprende

Maio 13, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião publicado no Público de 2 de maio de 2020.

Fingir que nada disto se passa é fazer da escola uma máquina, insensível aos tempos e afetos. Não sejamos a orquestra do Titanic que afundou sem nunca parar de tocar.

Assumir que o ano letivo pode continuar como se a única mudança fosse não estarmos fisicamente na escola, que o contexto de cada família e pessoa não se radicalizou, é fingir que tudo está bem. Março fechou com mais 28 mil desempregados registados no IEFP do que fevereiro, num total de 344 mil, e 642 mil trabalhadores em lay-off: é quase 1/5 da população ativa portuguesa. As 700 escolas de acolhimento, em média, servem 18 mil refeições diárias a alunos do escalão A e B do SASE. Os alunos são familiares das mais de 20 mil pessoas infetadas no país e das mais de 900 mortas pela covid-19. Fingir que nada disto se passa é fazer da escola uma máquina, insensível aos tempos e afetos. Não sejamos a orquestra do Titanic que afundou sem nunca parar de tocar.

1. Deixados para trás. Nas primeiras semanas de encerramento das escolas do ensino básico e secundário, professores e alunos, independentemente das suas condições, tiveram de improvisar o ensino a distância. Agora, as orientações são para avançar no programa, já com a “telescola” e outras plataformas. Tudo isto num dos países europeus mais pobres (em 2018, 6.ª taxa de risco de pobreza mais elevada, 21,6%) e onde as desigualdades sociais entre alunos são mais marcadas(PISA, 2018). No ensino básico, 200 mil alunos não tem internet ou computador em casa; 7% daqueles com 15 anos não tem secretária e computador com acesso à internet; 34% das casas tem apenas um computador, colidindo o teletrabalho dos pais com o ensino a distância dos filhos (PISA, 2018). Verão, provavelmente, as aulas na TV, mas continuarão sem ligação à turma e à escolaque, agora, são virtuais.

Os alunos de contextos mais desfavorecidos são quem mais depende da relação de proximidade com os professores, das bibliotecas, salas de informática e dos colegas para se orientarem no sistema e desenvolverem as suas aprendizagens. Quantos alunos com medidas de apoio à aprendizagem, dos TEIP, zonas empobrecidas, comunidades afrodescendentes, ciganas e imigrantes, dos PCA, cursos profissionais, CEF e outros – quantos dos nossos alunos – estão a ser deixados para trás?

2. As mãos invisíveis do particular e do privado. Se no mais das vezes são subfinanciadas, precárias e invisíveis, há associações locais que têm sido fulcrais, fazendo o vai-e-vem das impressões, entregas e devoluções das tarefas escolares e lançando campanhas para equipamento informático. Mas deverão, por princípio, ser o garante de direito à igualdade na educação? Ao mesmo tempo, as grandes editoras entram em ação vendo a oportunidade de criar a necessidade de novos “produtos” de ensino a distância, dando-se mais um passo na mercantilização e desigualdade na educação.

3. Forçar, controlar e domesticar o trabalho.O modelo seguido, prolífero nas formas de controlo do trabalho e assente no pressuposto de um elevado domínio de competências TIC, revela-se contraproducente numa escola em que 47,8% dos professores revela sinais no mínimo preocupantes de exaustão emocional(INCVTE, 2018). Todos sentimos o quão o trabalho se desregulou em tempo, carga, invasão do espaço doméstico e até como o direito à educação passou a depender dos recursos domésticos dos professores.

4. Vamos ter chumbos, faltas e exames?A não decisão do ME cria oportunidade para tiques autoritários de ameaça através das faltas, CPCJ ou da PSP (Escola Segura). Destoa-se dos vários países europeus que cancelaram os exames; das recomendações da OCDE que, em 2018, já defendia o fim dos exames de acesso ao ensino superior; do discurso passado desta mesma equipa ministerial sobre o fim das reprovações e exames. Sobretudo, passou-se por cima da vontade de diretores e alunos de suprimir os exames este ano (petição das Associações de Estudantes das Escolas Secundárias de Camões, Maria Amália Vaz de Carvalho e da Ramada), aqueles que se pretende que continuem e prestem contas do que aprenderam, quando o que estão a aprender não vem no programa e não lhes será perguntado.

5. Valores “mais altos” se levantam. Enquanto a DGS resguarda aqueles que a idade faz mais vulneráveis, o Governo manda abrir o secundário em maio, pondo em contacto direto turmas de dezenas de alunos e docentes com a mesma idade dos avós destes jovens (41% dos professores tem mais de 50 anos e a percentagem aumenta drasticamente no secundário). Porquê este refrear da prevenção? Por que não montar um modelo de acesso ao ensino superior aberto a todos/as, que não assente na seleção (reprodutora das desigualdades)?

Também nas creches, onde é quotidiano o contacto físico, se refreia a prevenção contra a vontade de muitos/as (petição “Não Abertura de Creches, Pré-escolar e ATL’s pelo menos até setembro”). São convocadas a reabrir por razões economicistas que desvalorizam o risco de contágio: para que a força de trabalho de mães e pais possa estar disponível; para cortar as despesas do Estado com os apoios aos que tiveram de ficar em casa a cuidar dos filhos; e para estancar os efeitos da enorme contradição que é as creches e muito do pré-escolar não serem públicos, gratuitos e universais. Com a redução dos rendimentos, muitos/as deixaram de ter meios para pagar as creches. Também as creches e Jardins de Infância, muitas delas IPSS, se confrontam agora com problemas financeiros.

6. Para lá do online há tanto em falta. Comparativamente com ciclos anteriores, as desigualdades serão menores no ensino a distância do superior, pelo caráter seletivo deste nível de ensino e maior autonomia dos estudantes. Não nos esqueçamos, no entanto, que nem todos têm as condições tecnológicas, das residências universitárias com sinal de internet débil, quartos partilhados e ausência de privacidade. Que muitos são trabalhadores-estudantes, terão perdido os seus empregos, e têm tarefas familiares de cuidado em simultâneo. Que muitas/os se verão “à rasca” para pagar propinas.

Faltou da parte do MCTES a decisão de “suspensão imediata” do pagamento de propinas e o reforço da ação social. Por outro lado, a “flexibilização” que agora propõe, que pretende conjugar aulas presenciais e a distância, introduzirá uma nova rotura e representará uma sobrecarga de trabalho para os docentes, já exaustos.

7. Para tempos de exceção, soluções excecionais.A passagem administrativa e o serviço cívico estudantil (1975) são experiências a partir das quais deveríamos pensar soluções imediatas no quadro da covid-19, mas também a escola do futuro. Honrar abril, também é isso. Pelo menos no básico e no secundário, a passagem administrativa permitiria não reforçar desigualdades nem discricionariedades na avaliação desta educação de emergência a distância. O uso das notas do 2.º período não resolve o problema, pois é exatamente no 2.º período que os resultados dos alunos tendem a baixar, recuperando frequentemente no 3.º. Por isso, todos os alunos sem exceção deveriam transitar administrativamente (sem nota) este ano letivo. A “Cidadania e Desenvolvimento” deveria ser o centro mobilizador das escolas e comunidades educativas, porque seria uma aprendizagem contextualizada num momento histórico de grandes desafios. Se não conseguimos que a cidadania seja uma prioridade num momento como este, quando o será? Ao invés desta simulação estéril e desgastante, as escolas, professores e alunos deveriam ter sido convocados para, a partir dos seus contextos específicos, compreenderem e construírem respostas coletivas a esta crise, alargando horizontes e laços nas suas comunidades educativas.

Clara Amaro, Educadora de Infância
Cristina Roldão, Professora do Ensino Superior Politécnico
Filipa Fidalgo, Professora do 3.º Ciclo e Secundário, CEF, Profissionais, Vocacionais
Isabel Louçã, Professora do 2.º Ciclo
Marco Ferreira, Professor do 1.º Ciclo
Miguel Bento, Professor do 3.º Ciclo e Secundário

Os autores escrevem segundo o novo acordo ortográfico

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Abril 27, 2020 às 8:55 am | Publicado em Recursos educativos | Deixe um comentário
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Covid-19: quase dois terços dos alunos já manifestaram vontade de regressar à escola

Abril 8, 2020 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 3 de abril de 2020.

Inquérito do Observatório de Políticas de Educação e Formação mostra que a generalidade dos estudantes não tem saído de casa desde o fecho dos estabelecimentos de ensino. Há mais ansiedade e mais agitação nas crianças e jovens. 

Samuel Silva 

Três semanas depois da suspensão das aulas presenciais, a maioria dos alunos diz querer voltar à escola o mais rapidamente possível. É isso que mostra um inquérito do Observatório de Políticas de Educação e Formação, cujos primeiros resultados são divulgados este sábado. Os dados mostram também que a generalidade das famílias está a cumprir as ordens de confinamento: mais de três quartos dos alunos não tem mesmo saído de casa. 

De acordo com o estudo do Observatório, quase dois terços (64,7%) dos encarregados de educação afirmam que o seu filho já “manifestou expressamente desejo de voltar à escola”, desde que o Governo ordenou o fim das actividades presenciais nos estabelecimentos de ensino, uma das primeiras medidas de contenção do novo coronavírus. “A escola tem um valor extraordinário do ponto de vista da socialização. Mesmo os alunos que não gostam das aulas, gostam do convívio com os outros”, contextualiza a investigadora Ana Benavente, que é uma das coordenadoras deste trabalho. 

inquérito online destina-se a medir o impacto da covid-19 no sistema de ensino português. A iniciativa é do Observatório de Políticas de Educação e Formação, que é coordenado pelo Centro de Estudos Interdisciplinares em Educação e Desenvolvimento da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias e pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. 

Os resultados preliminares agora conhecidos mostram também que a generalidade das famílias que têm filhos em idade escolar está efectivamente a cumprir a recomendação de permanecer em casa. Mais de três quartos (76,1%) dos estudantes não tem saído de casa nas últimas três semanas – um terço não sai por completo da habitação, enquanto 40% sai apenas até ao quintal, jardim ou parque de estacionamento da casa. De acordo com os dados do Observatório de Políticas de Educação e Formação, só 5,2% dos alunos continua a sair à rua “todos os dias para espairecer”. 

Há também algumas pistas sobre o impacto do confinamento no comportamento dos alunos. “Sobretudo em meio urbano, nem toda a gente tem casa com espaço”, explica Ana Benavente. E, ainda que mais de metade dos pais (53,8) não tenha notado alterações de comportamento dos seus filhos em relação ao que ocorria antes do isolamento, quase 40% dizem tê-lo sentido: 19,9% dos encarregados de educação detectam maiores níveis de ansiedade nos alunos e outros 18,9% encontram-nos mais agitados. “Há um problema de energia na vida quotidiana que se sente”, prossegue a investigadora. Outros 6,9% dos alunos têm mostrado maior apatia nas últimas três semanas. 

Os primeiros resultados do inquérito do Observatório de Políticas de Educação e Formação têm por base uma amostra de 1200 respostas, que corresponde à primeira semana de aplicação do questionário, de 23 a 28 de Março. O estudo vai continuar a ser feito, através de inquérito online, enquanto durar a pandemia de covid-19. Os investigadores prevêem divulgar resultados e análises dos dados recolhidos semanalmente. A partir da próxima semana o questionário vai ser revisto para reflectir as mudanças que venham a ser implementadas pelo Governo nas escolas. 

Esta amostra é maioritariamente constituída (72,5%) por pais e/ou encarregados de educação – há também estudantes a responder directamente, sobretudo no ensino superior. Quase 60% dos encarregados de educação respondentes têm mais que um filho a frequentar o sistema de ensino e cerca de 80% frequenta a escola pública. 

Todas as semanas há denúncias de professores agredidos nas escolas

Março 24, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 23 de fevereiro de 2020.

Ubbu oferece aulas de programação à distância para escolas

Março 23, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 16 de março de 2020.

A iniciativa destina-se a todas as escolas, independentemente de já serem utilizadores da plataforma.

A Ubbu, uma plataforma portuguesa para pôr crianças a programar criada pela Academia de Código, está a disponibilizar o acesso gratuito a escolas nacionais do 1.º ao 6.º ano de escolaridade, forçadas a encerrar devido às medidas para travar a propagação da covid-19. A iniciativa destina-se a todas as escolas, independentemente de já serem utilizadores da plataforma.

“Preparámos esta solução para que os alunos que já estavam a seguir o programa não saiam prejudicadas e para que outros que tenham sido forçados a ficar em casa possam ocupar o seu tempo de forma produtiva,” explicou em comunicado João Magalhães, presidente executivo da Ubbu, no final da semana passada. “As escolas encerradas em Felgueiras já estão a receber apoio em regime remoto e foram o exemplo impulsionador desta acção”, acrescenta.

Para se inscreverem, as escolas interessadas devem preencher o formulário online. O acesso será totalmente gratuito até, pelo menos, ao próximo mês de Junho.

O conteúdo da plataforma varia consoante a idade dos utilizadores: com seis anos, por exemplo, os alunos devem completar sequências de instruções (“virar para a direita”, “recuar dois passos”, “avançar um passo”) para fazer andar carros e robôs no ecrã. Com 12, podem criar pequenos jogos ao programar aquilo que diferentes elementos do jogo devem fazer e como interagem entre si.

Cada aula tem a duração de uma hora – a ideia é que os alunos completem uma por semana. Os temas têm por base as metas de desenvolvimento sustentável da ONU, como a erradicação da pobreza e a igualdade de género.

Em 2019, a União Europeia definiu a programação como “a competência do século XXI”, com vários países. Em Portugal, a Direcção-Geral da Educação incentiva actividades de robótica e programação para os alunos do 1.º ao 9.º anos. Alguns jardins-de-infância já oferecem aulas de programação com robôs interactivos, através do Kids Media Lab, um laboratório móvel criado por uma investigadora da Universidade do Minho. Em muitas escolas, a matéria vem incluída como uma parte da disciplina de Tecnologias de Informação e Comunicação.

Para que o ensino em regime remoto seja facilmente adoptado, a Ubbu criou conteúdos para as escolas, pais e alunos com ferramentas e instruções especialmente dedicadas a esta realidade.

Sessão “Os Direitos da Criança em contexto escolar e familiar” com Paulo Guerra, 18 março em Rio de Mouro

Março 10, 2020 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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No âmbito do Projeto Sintra ES+, realiza-se no dia 18 de março, às 17:30, no auditório da Escola Secundária Leal da Câmara, uma sessão sobre INCLUSÃO/Direitos das crianças em contexto escolar e familiar (Veja aqui o cartaz) dinamizada pelo  Juiz Desembargador Paulo Guerra.
Esta intervenção permitirá uma reflexão e um trabalho de partilha entre os  diferentes agentes da comunidade educativa sobre o tema.
A participação  está sujeita a uma inscrição prévia através do link infra: https://forms.gle/go8T2bSVJwTPiCMEA

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