Crianças são as mais afetadas pela pobreza em Portugal e há cerca de 330 mil em risco

Outubro 17, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do Sapo Lifestyle de 17 de outubro de 2019.

Cerca de 330 mil crianças estão em risco de pobreza em Portugal, sendo que o grupo etário até aos 18 anos é o mais afetado, o que significa que há mais crianças pobres do que adultos ou idosos.

Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), relativos a 2017, mostram que o risco de pobreza entre as crianças e jovens até aos 18 anos era de 19%, o que, num universo de mais de 1.729.675 menores, representa perto de 330 mil crianças.

Em declarações à agência Lusa, o investigador e docente da Universidade do Minho, especialista em sociologia da infância, Manuel Sarmento confirmou que o setor da população entre os zero e os 18 anos é o grupo mais afetado pela pobreza em termos percentuais.

“O que significa que há mais crianças pobres do que adultos pobres ou idosos pobres”, apontou.

Uma constatação confirmada com as estatísticas do INE, que revelam que a taxa de risco de pobreza no grupo etário entre os 18 e os 64 anos era de 16,7%, enquanto na população com mais de 65 anos chegava aos 17,7%.

“As crianças continuam a ser efetivamente o grupo populacional mais afetado pela pobreza, designadamente o que se chama pobreza monetária, ou seja, que vivem em agregados familiares cujo rendimento ‘per capita’ é inferior a 60% da mediana do rendimento nacional ‘per capita’”, explicou Manuel Sarmento.

Já a professora do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), da Universidade de Lisboa, e investigadora na área da pobreza infantil, Amélia Bastos salientou que, apesar de ter havido algumas melhorias nos últimos anos, as crianças continuam a ser um grupo “particularmente exposto à pobreza”.

“As famílias com crianças, apesar do desagravamento, são aquelas que apresentam maior risco de pobreza relativamente àquelas que não têm crianças”, referiu, acrescentando que nos últimos anos “houve uma melhoria generalizada no nível de vida, mas as crianças continuam a ser o grupo com maior incidência de pobreza monetária”.

Por outro lado, a vice-presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN) Portugal destacou, com base na análise feita pelo Observatório Nacional de Luta Contra a Pobreza aos dados do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento, que a população jovem entre os 15 e os 24 anos “é dos grupos mais vulneráveis às questões da pobreza e da exclusão social”.

“Para este grupo etário a vulnerabilidade à pobreza assume proporções muito superiores à média nacional. O risco de pobreza e de exclusão é de 30,3% na população entre os 15 e os 19 anos, e de 25,8% na população dos 18 aos 24 anos”, sublinhou Sandra Araújo.

A responsável da EAPN alertou que Portugal continua a ser dos países mais desiguais da Europa e chamou a atenção para as consequências ao longo do ciclo de vida destas crianças e jovens que depois serão muito mais difíceis de resolver.

“Se não houver políticas direcionadas para a primeira infância, há tendência para perpetuar ciclos geracionais de pobreza a todos os níveis”, avisou.

O professor Manuel Sarmento defendeu que “é absolutamente fundamental” uma política integrada para a infância, para todas as crianças e não só as mais pobres, notando que ainda existe uma “excessiva compartimentação do que são as políticas públicas”.

“Talvez o novo Governo pudesse criar uma estrutura interministerial, eventualmente dependente do primeiro-ministro, para articular as políticas públicas e desenvolver e promover a estratégia [nacional para os direitos da criança] que venha a ser aprovada”, sugeriu.

O investigador sublinhou, no entanto, que nunca será possível combater a pobreza nas crianças se não se combater a pobreza dos pais das crianças e defendeu uma intervenção mais articulada consoante as necessidades dos mais novos.

Apesar de concordar, a docente e investigadora Amélia Bastos entende que a solução não passa por simplesmente aumentar os rendimentos das famílias e alertou que há famílias que podem ter um rendimento médio elevado e as crianças viverem em condições de pobreza.

Por isso, recomenda que as crianças passem a contar como uma unidade estatística nas estatísticas nacionais para serem observadas as suas reais condições de vida — e não só as do agregado familiar -, perceber o que é importante para elas e o que está em falta, nomeadamente em termos de educação, saúde, alimentação e habitação.

Hoje assinala-se o Dia Internacional contra a Erradicação da Pobreza.

Dia da Família – INE

Maio 16, 2019 às 5:17 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Dia da Mãe – INE

Maio 6, 2019 às 1:30 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Imagem retirada daqui

 

Infografia Dia da Criança 1 de junho – INE

Julho 3, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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descarregar o PDF da infografia no link:

https://www.ine.pt/xurl/doc/294859809

 

 

Há 300 mil jovens “nem-nem” — não estudam, nem têm trabalho

Novembro 26, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto do http://p3.publico.pt/ de 10 de novembro de 2016.

O documento citado na notícia é o seguinte:

Estatísticas do Emprego 3.º trimestre de 2016 9 de novembro de 2016

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Número de jovens desempregados ou inactivos baixou face a 2015, mas aumentou na comparação entre trimestres este ano

Texto de Pedro Crisóstomo

O número de jovens que não estão empregados nem a estudar aumentou no terceiro trimestre deste ano em relação aos três meses anteriores, em contraciclo com a redução global do desemprego no mesmo período. Há 301,7 mil jovens “nem-nem”, pessoas da faixa etária dos 15 aos 34 anos que estão desempregados ou contabilizados nas estatísticas como inactivos.

O aumento entre o segundo e o terceiro trimestre tem acontecido nos últimos anos e voltou a repetir-se em 2016, com um aumento de 11.700 mil pessoas, de 290 mil para 301,7 mil. É preciso ter em conta que os valores do INE não são ajustados de sazonalidade, estando em causa a comparação em cadeia entre o período que vai de Abril a Junho com os meses de Julho a Setembro, isto é, coincide com o período em que terminam os ciclos lectivos. Já quando se compara o número de jovens nesta situação com os valores de 2015, há uma descida, com menos 16.800 “nem-nem” do que no terceiro trimestre do ano passado.

O número de “nem-nem” aumentou nos jovens que completaram, no máximo, o 9.º ano (são 133 mil) ou o ensino secundário ou um curso de especialização tecnológica (109 mil). Já entre os jovens que acabaram o ensino superior, o número de “nem-nem” diminui (passando para 58,8 mil). Aliás, o maior aumento, detalha o INE, aconteceu entre os mais jovens, dos 15 aos 19 anos. Aqui, a taxa mais do que duplicou, “passando de 2,7% no segundo trimestre de 2016 para 5,9% no terceiro trimestre do mesmo ano”. O contrário aconteceu entre os jovens adultos dos 25 aos 34 anos que não tinham um emprego, nem estavam a estudar ou em formação. Aqui houve uma diminuição de 11,8 mil do segundo para o terceiro trimestre.

Os “nem-nem” representam 13,3% dos 2,2 milhões de jovens dos 15 aos 34 anos. Estatisticamente, são referidos pelo INE como os “jovens não empregados que não estão em educação ou formação” e referem-se às pessoas que em determinado período “não estavam empregados (isto é, estavam desempregados ou eram inactivos), nem frequentavam qualquer actividade de educação ou formação ao longo de um período específico (na semana de referência ou nas três semanas anteriores)”.

“Atendendo à importância” dos jovens nesta situação, o INE, ao divulgar os dados do desemprego do terceiro trimestre, deu a conhecer alguns números sobre esta realidade. O grupo de jovens “nem-nem” é composto “principalmente, por mulheres (52,6%; 158,6 mil), pessoas dos 25 aos 34 anos (58,8%; 177,3 mil), com um nível de escolaridade completo correspondente, no máximo, ao 3.º ciclo do ensino básico (44,1%; 133,1 mil) e desempregados (54,8%; 165,3 mil)”.

Mais 59 mil pessoas empregadas

Quanto aos dados globais do desemprego, os números do INE mostram uma redução da taxa trimestral para os 10,5%, depois de o desemprego ter descido para 10,8% nos meses de Abril a Junho. Do total de pessoas que se encontravam desempregadas entre Abril e Junho, “39,6% saíram dessa situação no terceiro trimestre de 2016: 22,9% tornaram-se empregados e 16,7% transitaram para a inactividade”.

O desemprego de longa duração também diminui, mas ainda há 347.200 cidadãos fora do mercado de trabalho há 12 meses ou mais tempo. Relativamente ao emprego, onde também se registou um aumento, o acréscimo em cadeia foi de 59 mil pessoas. E tanto aumentou o número de trabalhadores a tempo completo (são 4,1 milhões) como o de pessoas a trabalhar a tempo parcial (são 555.500).

As estatísticas do INE permitem ainda ver que, entre estes, há 213,1 mil subdesempregados. Este é o universo de cidadãos que, no inquérito do INE, declararam querer trabalhar mais horas e se mostraram disponíveis para isso no período de referência do inquérito ou nas duas semanas seguintes.

O subemprego de trabalhadores a tempo parcial diminuiu 3,1% em relação ao trimestre homólogo, o equivalente a 7000 indivíduos; em relação ao trimestre anterior diminuiu 5,3%, em 12.100 pessoas. Agora, “corresponde a 4,6% da população empregada total e a 38,4% da população empregada a tempo parcial (note-se que o número de trabalhadores a tempo parcial, no mesmo período, correspondia a 11,9% da população empregada total)”.

O INE explica que o aumento do emprego se deveu “tanto ao fluxo líquido positivo do emprego com a inactividade (o número de pessoas que transitaram do emprego para a inactividade foi inferior, em 20,3 mil, ao de pessoas que transitaram da inactividade para o emprego), como – e sobretudo – ao fluxo líquido positivo do emprego com o desemprego (38,7 mil)”.

 

 

 

Mais de metade dos bebés nasceram “fora do casamento” em 2015

Maio 12, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Até 2015 a maioria dos nascimentos ocorria dentro do casamento. Há sete anos que em Portugal há mais mortes que nascimentos

As Estatísticas Vitais do Instituto Nacional de Estatística (INE), hoje divulgadas, referem que, em 2015, a proporção de nascimentos “fora do casamento” aumentou para 50,7% (49,3% em 2014 e 41,3% em 2010).

Segundo o INE, este aumento tem sido “particularmente influenciado pelo aumento da proporção de nascimentos fora do casamento sem coabitação dos pais”.

Os dados apontam que dos 50,7% dos nascimentos ocorridos fora do casamento (de pais não casados), em 16,3% dos casos os pais não viviam juntos (15,8% em 2014 e 9,2% em 2010).

O ano de 2015 também marcou uma interrupção nas baixas consecutivas no número de nascimentos que se verificavam desde 2010.

As estatísticas do INE referem que, no ano passado, nasceram 85.500 nados-vivos de mães residentes em Portugal, um aumento de 3,8% face a 2014 (82.367).

Comparando com 2010, ano em que nasceram 101.381 bebés, registou uma quebra de 18,5% no número de nascimentos.

Entre 2010 e 2015, o mês de setembro é aquele em que se observa o maior número de nascimentos de crianças com vida (exceção em 2011 em que o mês com maior número de nascimentos foi julho).

Por outro lado, o mês com menor número de nascimentos tem sido o mês de fevereiro (exceção também em 2011 em que o mês com menor número de nascimentos foi abril).

No ano passado, nasceram mais meninos do que meninas, 43.685 e 41.815, respetivamente, indicam os dados que têm origem na informação registada nas Conservatórias do Registo Civil até março de 2016.

Relativamente à idade das mães, verificou-se uma diminuição de 1,3 pontos percentuais, entre 2010 e 2015, na proporção de nascimentos cujas mães tinham menos de 20 anos e uma diminuição de 6,4 p.p. nas mães entre os 20 e os 34 anos.

Em contrapartida, verificou-se um aumento de 7,7 p.p. nas mães que tiveram bebé com 35 ou mais anos.

De acordo com o INE, Portugal mantém um saldo natural negativo pelo sétimo ano consecutivo. Em 2015, o saldo natural situou-se em -23 011 (-22 423, em 2014).

 

Diário de Notícias em 28 de abril de 2016

Álcool: Um terço dos portugueses com mais de 15 anos bebe todos os dias

Novembro 23, 2015 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Sol de 11 de novembro de 2015.

O inquérito do INE citado na notícia é o seguinte:

Mais de metade da população com 18 ou mais anos tinha excesso de peso – 2014

os dados sobre álcool podem ser consultados na pág. 13,14

 

Mais de um terço (35%) dos portugueses maiores de 15 anos consumiam diariamente no ano passado bebidas alcoólicas, segundo o Inquérito Nacional de Estatística 2014 divulgado hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

De acordo com o inquérito realizado pelo INE, em colaboração com o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, 70% da população com 15 ou mais anos referiu ter consumido bebidas alcoólicas pelo menos uma vez nos 12 meses anteriores à entrevista.

“As proporções de consumo de álcool eram mais elevadas para as pessoas com 25 a 54 anos (superiores a 75%)”, refere o inquérito, que tem como objetivo caracterizar a população residente com 15 ou mais anos em três “grandes domínios”: estado de saúde, cuidados de saúde e determinantes de saúde relacionadas com estilos de vida.

Os dados observam que foram sobretudo os jovens, com idades entre os 15 e os 24 anos, e os idosos que disseram nunca ter bebido álcool (28,4% e 25,3%, respetivamente) no último ano.

Considerando apenas a população que consumiu álcool no ano anterior, o estudo verificou que a frequência diária de consumo aumentava com a idade: 10,1% para as pessoas de 25 a 34 anos, 40,1% para o grupo de 45 a 54 anos e 61,1% para a população idosa.

Ao contrário, a frequência dos consumos esporádicos de álcool era mais elevada nos jovens: 70,1% das pessoas entre 15 e 24 anos referiu ter bebido com uma frequência mensal ou ocasional durante o ano anterior, face a 38,2% para a população em geral.

Já o “consumo arriscado de álcool” (seis ou mais unidades de 10 gramas de álcool numa única ocasião), pelo menos uma vez no ano anterior, foi referido por 33,2% da população, destes 56,2%, disserem fazê-lo com frequência ocasional.

Relativamente ao consumo de tabaco, o INE refere que a proporção de fumadores se manteve estável na última década, situando-se nos 20%. Observou-se, contudo, uma redução dos fumadores regulares (que fumam diariamente) de quase dois pontos percentuais (p.p.), situando-se nos 16,8% em 2014.

Os homens fumam mais do que as mulheres (27,8% e 13,2%, respetivamente). Ao contrário, as mulheres que referiram nunca ter fumado registavam uma proporção bastante superior à dos homens (73,9% face a 40,3%, respetivamente).

A diferença entre homens e mulheres reflete-se também no número médio de cigarros consumidos diariamente: 51,5% dos homens fumava entre 11 e 20 cigarros, contra 35,4% das mulheres.

O consumo médio diário inferior a 11 cigarros era de 60,2% para as mulheres e de 36,5% para os homens.

Comparando com os resultados do último Inquérito Nacional de Saúde, o número de ex-fumadores aumentou quase 6 p.p. (21,7% em 2014 e 16% em 2005/2006) e diminuiu a percentagem da população que nunca fumou (de 62,9% em 2005/2006 para 58,2% em 2014).

O inquérito adianta que 92,1% das pessoas que deixaram de fumar fizeram-no sem qualquer apoio, enquanto 3,6% recorreram a apoio médico e/ou de medicamentos.

Houve ainda 8,6% dos portugueses que disseram estar expostos a fumo passivo diariamente, principalmente em locais de lazer (38,3%), em casa (31%) e no local de trabalho (20,5%).

Lusa/SOL

 

 

 

Famílias nos censos 2011 : diversidade e mudança – livro digital

Setembro 3, 2015 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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descarregar o livro  no link:

https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes&PUBLICACOESpub_boui=217114128&PUBLICACOESmodo=2

O risco de pobreza continuou a aumentar em 2013

Fevereiro 2, 2015 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Destaque do INE de 30 de janeiro de 2015.

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descarregar o destaque do INE aqui

Resumo
O Inquérito às Condições de Vida e Rendimento, realizado em 2014 sobre rendimentos do ano anterior, indica que 19,5% das pessoas estavam em risco de pobreza em 2013 (face a 18,7% em 2012), apesar do aumento do contributo das transferências sociais, relacionadas com a doença e incapacidade, família, desemprego e inclusão social para a redução do risco de pobreza (7,3 p.p. em 2013 face a 6,8 p.p. em 2012).
O aumento do risco de pobreza abrangeu todos os grupos etários, tendo sido mais elevado no caso das/os menores de 18 anos, relativamente aos quais passou de 24,4% em 2012 para 25,6% em 2013. A presença das crianças num agregado familiar está associada ao aumento do risco de pobreza, sendo de 23,0% para as famílias com crianças dependentes e de 15,8% para as famílias sem crianças dependentes.
Mantem-se o aumento significativo da insuficiência de recursos da população em risco de pobreza (30,3%), com um novo agravamento do défice de recursos: 2,9 p.p. entre 2012 e 2013.

 

 

Quase um terço das crianças em risco de pobreza ou exclusão social

Outubro 17, 2014 às 1:05 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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notícia do Observador de 17 de outubro de 2014.

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Marlene Carriço

Em 2012, 31,6% das crianças com menos de 18 anos estavam em risco de pobreza ou exclusão social. Esse risco para o conjunto da população rondava os 27,4%.

As crianças têm sido as mais afetadas pelo aumento da pobreza ou da exclusão social em Portugal nos últimos anos. De acordo com os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a propósito do Dia Internacional da Erradicação da Pobreza, que se celebra esta sexta-feira, quase um terço das crianças (31,6%) entre os zero e os 17 anos estavam, em 2012, o ano mais duro da crise, em risco de pobreza ou a viver em agregados familiares com intensidade laboral muito reduzida ou em situação de privação de material severa.

Além de ser o grupo mais afetado pela pobreza, a população infantil registou o maior aumento do risco de pobreza ou exclusão, tendo passado de uma taxa de 27,8%, em 2011, para 31,6%, em 2012. Olhando para o universo da população portuguesa, o risco era de 27,4%, em 2012, sendo que os mais idosos são os menos penalizados (20,3%).

O INE recupera dados que já tinha publicado em março, sobre a taxa de risco de pobreza que, em 2012, rondava os 18,7% do total de portugueses, acima da média da União Europeia (UE). Também neste indicador, a população infantil está em desvantagem, com uma taxa de 24,4%. Porém, esta pintura não é exclusiva para Portugal. Lê-se no destaque do INE que “a tendência para o risco de pobreza na população infantil ser superior ao da restante população é comum ao observado para a média da UE”, com a diferença de que no conjunto dos países-membros da UE o efeitos das transferências sociais fazia cair em cerca de 14,3 pontos percentuais a taxa de risco das crianças. Já em Portugal o efeito dessas transferências ficava-se apenas por uma redução do risco de 7,3 pontos percentuais.

Numa comparação com 27 estados-membros, Portugal pontua pior também no indicador do risco de pobreza das famílias com crianças dependentes que, em Portugal, é “superior à média da UE”.

Estudar mais afasta famílias da pobreza

O discurso de que estudar compensar não é novo, mas neste dia pode ser empregue com outro sentido. De acordo com os dados do INE, estudar mais reduz a probabilidade de uma pessoa cair em risco de pobreza. O risco de pobreza para uma pessoa com o 12º ano ou uma licenciatura (10,7%), em 2012, ficava-se pela metade do risco de pobreza que enfrentava uma pessoa que só tinha frequentado o ensino até ao 9º ano de escolaridade (21,2%).

E este ganho reflete-se naturalmente na população infantil. O INE conclui que o risco de pobreza para os mais novos diminui com o nível de escolaridade dos pais. E a diferença é muito significativa. Segundo o documento que foi publicado esta quinta-feira, com algumas novidades face ao de Março deste ano, o risco de pobreza para uma criança entre os 0 e os 18 anos cujos pais só tenham o ensino básico era, em 2012, de 37,5%, uma percentagem que cai drasticamente, para os 4,1%, no caso das crianças cujos pais têm, pelo menos, uma licenciatura.

 

 

 

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