Madrid proíbe uso de telemóvel nas salas de aulas já no próximo ano letivo

Janeiro 3, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 26 de dezembro de 2019.

A medida vai afetar cerca de 800 mil estudantes do ensino não universitário de 1700 escolas da Comunidade de Madrid, que segue o exemplo dos governos regionais de Galiza e Castela-Mancha.

A partir do próximo ano letivo é proibido o uso de telemóveis nas salas de aula de 1700 escolas públicas da Comunidade de Madrid. Cerca de 800 mil estudantes do ensino não universitário vão ser afetados, escreve o El Mundo. A medida vai ser obrigatória nos “períodos escolares”, exceto quando os telemóveis são utilizados com fins educativos ou em casos de alunos que precisam do aparelho “por razões de saúde ou incapacidade”.

“Esta é uma medida que visa melhorar os resultados académicos dos estudantes, especialmente aqueles que têm grandes problemas com o estudo, e está também focada no combate ao cyberbullying e bullying, justifica um porta-voz do Ministério da Educação, citado pelo jornal.Se os alunos não cumprirem com a medida estipulada pelo governo regional de Madrid, cabe ao professor ou à direção decidir qual a ação corretiva a aplicar, que pode contemplar a apreensão temporária do telemóvel.

Até agora, as escolas publicas em Madrid tinham autonomia para decidir sobre o uso de telemóveis nas salas de aula.

Depois de Galiza e Castela-Mancha, Madrid passa a ser o terceiro governo regional espanhol a proibir o uso de telemóvel nas salas de aulas.

As escolas, acrescenta o El Mundo, podem limitar adicionalmente o uso dos aparelhos em outros espaços da escola, como no recreio.

França já proíbe

Em França, a medida já está a ser colocada em prática desde o ano passado. A “interdição efetiva” foi aprovada a 7 de junho de 2018 na Assembleia Nacional e abrange o ensino básico e secundário. De acordo com o Ministério da Educação francês, trata-se de “medida de desintoxicação” para combater a distração nas salas de aulas e o bullying.

A lei que entrou em vigor no ano letivo 2018-2019 permite que as escolas públicas francesas tomem a decisão sobre como querem aplicar a proibição, podendo numa versão mais simples implicar que os telemóveis são colocados em bolsas específicas dentro das mochilas para permitir o acesso em caso de emergência ou para uso pedagógico, nas aulas. Mas há também a versão mais extrema, de os proibir totalmente na escola, sob pena de sanções.

E em Portugal? “A escola não o pode proibir”

E se as crianças portugueses fossem proibidas de levar telemóveis para as salas de aulas? Professores, pais e psicólogos, ouvidos pelo DN, consideram completamente desajustado proibir o uso dos aparelhos nas escolas.

“As escolas não podem viver de costas voltadas para a sociedade. Se a sociedade permite o uso do telemóvel, a escola não o pode proibir, pode, sim, limitá-lo”, afirma Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas. “Se os alunos usam o telemóvel na rua e a escola vai proibi-lo, a escola vai ser ainda mais desmotivadora ou então não tão motivadora.”

Eduarda Ferreira, investigadora da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas e psicóloga educacional também se mostrou contra a medida. “Temos de pôr a escola dentro do telemóvel e não tirar o telemóvel da escola”, afirmou. “Banir é que não. O uso do telemóvel na sala de aula, por exemplo, pode motivar os jovens para aprender”, defendeu.

Já Jorge Ascensão, presidente da Confederação de Pais (Confap) entende que há um trabalho a fazer, mas ao contrário: “É preciso trabalhar o sistema educativo e as relações sociais, incutir valores, ensinar os jovens que têm que respeitar os outros. E essa é uma responsabilidade partilhada dos pais e da escola.”

Programa Já Sei Ler

Dezembro 26, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Recursos educativos | Deixe um comentário
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O Programa Já Sei Ler, relançado em 2018 pelo Plano Nacional de Leitura: 2017-2027 (PNL2027), pretende consolidar e enriquecer práticas de leitura regular no 1.º ciclo do Ensino Básico, convidando professores e famílias a ler diariamente 10 minutos com as crianças.

Recursos educativos e mais informações no link:

http://pnl2027.gov.pt/np4/jaseiler.html

Professor cria método para ajudar aluno a aprender a estudar

Dezembro 9, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do El Pais Brasil de 5 de março de 2018.

Modelo de aprendizagem ativa é alternativa a aulas expositivas tradicionais

Em 2009, o filme Entre os Muros da Escola, dirigido por Laurent Cantet, expôs ao mundo as dificuldades de um professor para lecionar a língua francesa em uma escola de ensino médio na periferia de Paris. No final do filme, ele pergunta aos alunos o que eles aprenderam no ano letivo. Para a surpresa do professor, entre depoimentos sobre terem aprendido as proporções da matemática, sobre vulcões e até mesmo expressões em espanhol, uma aluna diz que não aprendeu nada. Segundo ela, o material oferecido pela escola era inútil, mas ela havia lido livros interessantes por conta própria, como a República, de Platão. O professor parece aliviado, mas quando a aula acaba, outra jovem se aproxima dele e revela: “Comparado aos meus colegas, eu realmente não aprendi nada (…) não entendo o que fazemos aqui.”

ssa situação não é muito distante da realidade de um professor brasileiro nos dias de hoje. “O professor prepara a aula, ensina o conteúdo, passa exercício, prova, recuperação e percebe que o aluno aprendeu o básico do básico, às vezes, nem isso”, conta o professor Fábio Ribeiro Mendes, formado em Filosofia e Direito, e especialista em desenvolvimento da autonomia no aprendizado, que desenvolveu um método de aprendizagem ativa, baseado em Oficinas de Estudo.

Há dez anos, Fábio empreende uma cruzada contra o ensino chato, a desmotivação dos alunos e a frustração e cansaço dos professores na prática na sala de aula. Segundo ele, o diagnóstico compartilhado por profissionais de educação mundo afora é que o modelo de aula expositiva tradicional está falido, pois ensina pouco, e não desenvolve as habilidades necessárias para o século XXI. “Os alunos em geral não sabem estudar. Passamos doze anos na educacao básica e não temos uma aula de como estudar. E somos cobrados por uma tarefa que não aprendemos a fazer”, conta o professor.

Com base em sua experiência como aluno, Fábio desenvolveu o Método de Estudo das Quatro Etapas, que norteia as oficinas. “Mesmo sendo um aluno que tirava notas boas no colégio, eu sabia que não era em função do estudo em casa. Eu achava chato estudar. Mas quando fiz o segundo vestibular para Direito e fui rever o conteúdo do ensino médio, notei que já não achava mais tão chato, pois tinha aprendido a estudar sozinho.”

O método se baseia em quatro etapas: 1ª leitura panorâmica (rápida e superficial) do material de estudo; 2ª seleção e marcação dos trechos mais relevantes no texto; 3ª anotações das informações mais importantes; 4ª exercícios (formulados pelo professor ou mesmo com base nas dúvidas dos estudantes), que vão testar o conteúdo aprendido e ajudar os estudantes a levantar dúvidas. A vantagem do método, afirma Fábio, é que por meio de um roteiro de oficina de estudos os alunos acompanham as etapas de ensino, e sabem se estão avançando ou não.

Em seu livro A Nova Sala de Aula, Fábio demonstra como funciona o método na prática. Primeiramente, o professor apresenta aos alunos o material que servirá de base para o estudo, e em seguida, traz as ferramentas (método de estudo), explicando passo a passo cada uma das etapas a serem seguidas. O professor acompanha a prática dos alunos, orientando-os no percurso, porém, é o aluno, em seu próprio ritmo que toma as rédeas de seu aprendizado, lendo e relendo o conteúdo, e mesmo avançando se já o tiver compreendido, até chegar à fase de produção de anotações e elaboração de exercícios. “Estudar não é aquilo que fazemos no colégio, aquilo é receber conteúdo. Estudar é aprender por conta própria com conteúdo inédito. É um mito de que sem um professor não se consegue aprender”, diz Fábio.

A principal mudança em relação ao método tradicional, é que as Oficinas de Estudo são centradas no aluno e não no professor. Fábio, no entanto, é enfático em afirmar que seu método não tem como objetivo acabar com a função da escola ou do professor. Ele explica que, enquanto o ensino tradicional é pensado de forma unidirecional, com alguém que sabe o conteúdo passando para alguém que quer aprender, o que ele propõe é trabalhar com um método que possa ser aplicado dentro das instituições de ensino como elas estão estruturadas, com custo praticamente zero, início imediato e protagonismo dos estudantes nas aprendizagem.

Fábio admite que é recebido com ceticismo nas escolas em que tem implementado o método. “Chego para fazer formação dos professores e encontro profissionais acuados, que escutam que terão de dar aula diferente do que estão acostumados. É tanto peso que o professor carrega, que eles pensam que terão mais uma carga em seus ombros. Eu mostro que estou ciente com as dificuldades e que trabalhar com as Oficinas de Estudos é um método menos desgastante e com mais resultados“, explica.

A principal dúvida dos docentes (e dos pais) é por que o método de aula expositiva tradicional, que educou várias gerações, deixou de funcionar? Fábio explica que alguns anos atrás, antes da massificação da informação, a escola era o único local onde as pessoas tinham a chance de aprender alguma coisa. “Agora com YouTube, Google, Wikipedia, o aluno tem acesso à informação quando quiser. A diferença é que ele não tem ainda a habilidade de saber qual informação é relevante. E é aqui que entra o professor como orientador no percurso de transformar informação em conhecimento.”

Resultados

O método criado pelo professor Fábio vem apresentando bons resultados. Entre abril e maio de 2015, a Secretaria de Estado da Educação do Estado de São Paulo testou as Oficinas de Estudo em dez escolas da Diretoria de Ensino Região Centro-Oeste, da cidade de São Paulo, com a participação de 1.102 alunos de diferentes etapas de ensino e 97 professores. O projeto, batizado de Aprendizado ativo no cotidiano escolar – Capacitação de Professores em Oficinas de Estudo, mostra que 89,8% dos alunos avaliaram positivamente as oficinas, superando a meta de 75% de avaliações positivas esperadas. Do total, 97,2% constataram aprendizado sem orientação do professor. E apenas 0,6% dos alunos tiveram uma avaliação negativa do método.

Em relação aos professores, 93,8% avaliaram positivamente a formação. Quanto à capacidade da didática ser replicada pelos professores, os dados mostram que, após uma formação de apenas 3 horas/aula, os professores formados alcançaram resultados similares (86,7% de aprovação, 95,9% de percepção de aprendizado e 2,5% de rejeição) aos do professor-instrutor.

Em 2016, outro estudo foi realizado no Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul), com 138 alunos regulares do curso de Filosofia. “Apliquei questionários anônimos na primeira aula ministrada como Oficina de Estudo e também no final do semestre”, explica Fábio. O resultado das avaliações positivas (bom ou excelente) caíram levemente (de 95,7% para 93,7%) entre o começo e o fim do curso, com rejeição nula na primeira aplicação e de apenas 0,2% ao final do semestre. “Além disso, após um semestre e aplicações das Oficinas de Estudo intercaladas com debates ou outras atividades, 93% dos alunos afirmaram terem aprendido a estudar melhor por conta própria e 69% afirmaram usar o método das 4 etapas para estudar outras disciplinas”.

Depoimento de quem testou o método na sala de aula

“Meu nome é Sandra Hoffmann e sou professora de Matemática em Santa Cruz do Sul (RS), e sou formada pela Universidade de Santa Cruz do Sul. Em 2013 assisti a uma palestra do professor Fábio Mendes e fiquei encantada com a proposta de trabalhar com Oficinas de Estudo. Li o livro A nova sala de aula do autor e decidi aplicar a metodologia em duas turmas de 7º ano da Escola Estadual de Ensino Fundamental Petituba.

Para isto, fiz pequenas adaptações em relação a proposta do livro. O primeiro passo foi a preparação do material para alunos do 7º ano. Organizei cópias de um livro didático sobre equações do 1º grau e distribui aos alunos. Com a minha orientação, eles realizaram as etapas de leitura panorâmica e marcações.

Na matemática é muito importante ter conhecimento prévio de determinados assuntos. Pensando nisso, propus aos alunos a criação de um glossário matemático. Por isso, levei para a aula outros livros didáticos e dicionários, para que os alunos elaborassem o glossário com as definições dos termos que eles desconheciam. Após a elaboração do glossário, foi proposto que os alunos fizessem suas anotações, seja na forma de um esquema, resumo ou tabela, sem se preocupar com certo ou errado.

Com todas as anotações reunidas realizamos um momento de debate. Foi muito enriquecedor, pois fomos além dos conteúdos propostos inicialmente. Por exemplo, foi debatido sobre a diferença entre as dimensões 2D, 3D e 4D, o que provavelmente não teria acontecido se tivesse adotado uma aula tradicional. Não foi necessário que eu explicasse o conteúdo para os alunos, mas apenas esclarecer alguns pontos do material e auxiliá-los a fazer as ligações necessárias entre os conteúdos e o material produzido.

Depois disso, os alunos realizaram exercícios diferenciados usando como consulta as suas anotações. Foi muito interessante acompanhar os alunos fazendo as relações das questões com as suas anotações. Muitos quando tinham dúvidas formularam perguntas melhores do que as levantadas nas aulas tradicionais. Ou até mesmo quando faziam a pergunta já percebiam a relação com o conteúdo trabalhado nas anotações, chegando muitas vezes ao raciocínio da resolução sem o meu auxílio direto.

Uma semana após as aulas, eu me reuni com os alunos para avaliar o método. Eles gostaram e pediram que as oficinas fossem realizadas novamente.”

Felizes, ansiosos, competitivos e anti-bullying: o retrato dos alunos portugueses

Dezembro 9, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 3 de dezembro de 2019.

Como é o ambiente das escolas portuguesas, qual o nível de violência, como é que os alunos se sentem em relação às suas vidas e o que veem nos professores são parte do retrato que o PISA 2018 permite fazer, comparando Portugal com os restantes países da OCDE.

A maioria dos estudantes diz estar feliz e satisfeita com a sua vida, mas quase um em cada cinco alunos também confessa viver sempre com medo. Muitos conseguem fazer amigos facilmente na escola, mas 10% sentem-se sozinhos, mostram os dados sobre o ambiente escolar do PISA 2018, a maior avaliação internacional em matéria da educação, conduzida de três em três anos pela OCDE e divulgada esta terça-feira.

Quando olham para os professores, os alunos veem entusiasmo na forma como ensinam – mais ainda quando andam num colégio. E a grande maioria admite que os docentes lhes dão uma ajuda extra sempre que é necessária. Do lado dos diretores das escolas tem aumentado a preocupação quanto ao impacto que a falta de formação dos professores para dar aulas tem no desempenho dos alunos. E mais de metade dos estudantes (59%) frequenta estabelecimentos de ensino onde os diretores reconhecem que os professores têm resistência à mudança.

Já os pais dizem que os horários das atividades nas escolas e os seus empregos são os dois maiores entraves para acompanharem melhor os filhos. Quando chega a hora de escolher a escola, a segurança, o ambiente e a reputação das escolas são os critérios a que atribuem mais peso.

5% dos alunos são alvo frequente de bullying

O bullying é uma realidade transversal a todos os países da OCDE: cerca de um em cada quatro alunos (23%) diz ser alvo de bullying algumas vezes por mês. Em Portugal, essa percentagem é mais baixa, rondando os 14%. Os casos mais graves, quando os estudantes admitem ser alvos frequentes de bullying, chegam aos 5% em Portugal, também abaixo da média da OCDE de 8%.

Maioria sem problemas em fazer amigos na escola

Os alunos portugueses tendem a sentir-se bem na escola. A esmagadora maioria (90%) sente-se acompanhado na escola e consegue fazer amigos facilmente (75%). Ainda assim, um em cada dez estudantes (10%) diz sentir-se sozinho, uma percentagem que é menor do que a média da OCDE (16%). Quase todos os alunos portugueses (80%) sentem que pertencem à escola e que acham que os outros colegas gostam deles (89%). Mas, ainda que sejam uma minoria, há alunos que confessam sentir-se estranhos (13%) ou esquisitos (21%) na escola.

É de acrescentar ainda que, em Portugal, 58% dos alunos dizem que os colegas se entreajudam (ligeiramente menos do que os 62% da OCDE) mas 57% também admite que há competitividade entre os alunos (acima da média de 50%).

Metade dos alunos a chegarem atrasados às aulas

Nas duas semanas anteriores à elaboração deste inquérito, 28% dos alunos portugueses faltaram um dia à escola e 50% chegaram atrasados. Portugal está entre os países da OCDE onde mais aumentou a percentagem de alunos a faltar entre 2015 e 2018, a par da Grécia, Áustria, Peru, Qatar ou Tailândia. Pelo contrário, registaram-se melhorias na Finlândia, Estónia ou Reino Unido. “Os países e as economias onde menos estudantes faltaram um dia inteiro à escola são também os que têm melhor desempenho na leitura”, como em cidades chineses, na Estónia, Finlândia, Hong Kong (China), Japão, Coreia do Sul, Singapura ou Suécia.

Cerca de 28% dos estudantes portugueses admitem que em muitas ou quase todas as aulas de português o professor tem de esperar muito tempo até que os alunos se acalmem. E o relatório conclui que estes alunos tendem a ter um pior desempenho na leitura.

Mais entusiasmo dos professores no privado

A grande maioria dos alunos portugueses (83%) vê entusiasmo na forma como os seus professores os ensinam e até são mais do que a média da OCDE (74%). Esse dado positivo em relação aos docentes tem efeitos no desempenho dos estudantes na leitura, mostra o PISA, concluindo que quanto mais interesse os estudantes veem nos seus professores melhor é o seu desempenho na leitura.

Mas os alunos do ensino privado tendem a ver mais entusiasmo nos seus professores do que os do público. E Portugal é um dos países com a maior diferença nessa perceção entre colégios e escolas públicas. Ainda assim, a OCDE mostra que a grande maioria dos alunos portugueses (86%) dizem que os professores dão uma ajuda extra sempre que é necessário.

Felizes, mas ansiosos

Na generalidade dos países, os alunos estão felizes. E em Portugal são mesmo quase todos (96%): apenas 3% admitem estar sempre tristes. Só que os números também mostram que quase uma em cada cinco crianças (19%) admite ter medo (sem dizer do quê) e isso coloca Portugal entre os países com as maiores percentagens, perto do Japão, Coreia do Sul e Reino Unido (todos acima de 15%).

Em quase todos os países envolvidos no inquérito, o nível de satisfação dos alunos com as suas vidas diminuiu e Portugal é um deles. Ainda assim, os estudantes portugueses estão mais satisfeitos (69%) do que os dos restantes países (67%). E há mesmo 29% que dizem estar muito satisfeitos com a vida.

Trabalho impede um terço dos pais de ir à escola

Um em cada três encarregados de educação (34%) não consegue envolver-se nas atividades da escola dos filhos por estar a trabalhar. Também cerca de um terço dos pais (30%) se queixa de não poder participar devido aos horários escolhidos pelos estabelecimentos de ensino para essas atividades.

Cerca de 60% dos pais discutem as notas dos filhos apenas quando os professores os chamam para esse efeito. Já 54% fazem-no por iniciativa própria, o que até é uma percentagem superior à média da OCDE (41%) Segundo o relatório, os encarregados de educação com um contexto socioeconómico mais favorável tendem a ter mais iniciativa do que os que vivem em condições mais difíceis.

Quando chega a hora de escolher uma escola para os filhos, em toda a OCDE, os pais portugueses são dos que mais se preocupam com a oferta de línguas estrangeiras que o estabelecimento de ensino tenha. Mas para a esmagadora maioria dos casos o mais importante é a escola ser segura (97%), ter um ambiente saudável (93%) e boa reputação (92%).

Falta preparação dos docentes para dar aulas

Portugal é um dos países onde aumentou a preocupação dos diretores das escolas com a incapacidade de os professores darem resposta às necessidades dos alunos e com a sua falta de preparação para dar aulas.

Um em cada cinco alunos portugueses está numa escola onde o diretor acha que os professores não estão bem preparados para dar aulas ~(20%) e mais de metade dos estudantes (69%) encontra-se num estabelecimento de ensino onde se aponta alguma resistência do corpo docente à mudança.

Agressões a professores e ameaças de morte. Relatos de violência nas escolas

Novembro 4, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia e imagem da TSF de 19 de outubro de 2019.

Cátia Carmo

Isabel Vaz e Pedro Nogueira contaram as suas histórias no Fórum TSF desta terça-feira, em que se discutiu se as agressões a professores devem ser um crime público.

A professora Isabel Vaz foi agredida em 2014, enquanto dava aulas numa escola de Ermesinde. O aluno, de 16 anos, deixou-lhe o dedo médio da mão esquerda permanentemente incapacitado. Quando o caso seguiu para tribunal foi condenado a um castigo que não cumpriu.

“Meti um recurso que a senhora juíza fez o favor de esquecer porque não interessava. A família disse que não tinha meios para me ressarcir de nada. Estive 10 meses em casa e foi porque fiz imensos tratamentos de medicina convencional e alternativa. O Estado só me pagou parte desses tratamentos em 2018, passado quatro anos”, explicou Isabel Vaz ao Fórum TSF, conduzido por Manuel Acácio.

Por ser funcionária pública, Isabel Vaz só receberá a indemnização no ato da reforma. Algo que considera extremamente injusto.

“Se até lá não morrermos. Muitas vezes precisamos delas para tratamentos posteriores, como foi o meu caso. Passados dois anos tive de repetir toda a fisioterapia da mão esquerda e aí já não foi considerado acidente de serviço, portanto nem sequer pude meter nas despesas”, contou, indignada, a professora.

O caso chegou a tribunal, mas a docente nem sequer chegou a ser ouvida, apesar de até ter recorrido a um recurso.

“A senhora juíza achou que era um crime menor, que não valia a pena. Tenho uma irmã e uma filha que são advogadas. Metemos um recurso dentro do prazo no Tribunal de Valongo, a juíza nem sequer olhou para o recurso, não lhe interessava, e portanto o assunto morreu na praia. Ao menino nada aconteceu. Passado uns tempos andava a fazer novos disparates”, recordou Isabel Vaz.

“Tive várias ameaças de morte”

Pedro Nogueira é assistente técnico e já foi agredido, em funções numa escola pública, pelo pai de um aluno. O agressor tinha saído da prisão na semana anterior, por um crime de homicídio, e fez várias ameaças de morte ao funcionário da escola.

“Mais de um ano depois não sei do que se passa. O Ministério pura e simplesmente agarrou em mim, depois de vários pedidos, e colocou-me noutro agrupamento que me recebeu algum tempo depois de a junta médica me dar alta parcial. O desacompanhamento é brutal a todos os níveis, somos praticamente ignorados”, afirmou Pedro Nogueira.

A mulher de Pedro Nogueira é professora de ensino especial e também ela já foi agredida por várias crianças.

“Crianças essas que, como é lógico, não têm o discernimento de uma criança normal. As direções, a meu ver, não estão aptas para resolver problemas de conflitos em contexto educativo nem querem saber de políticas educativas problemáticas. Espero que isto mude para bem de todos, não só dos professores”, acrescentou o assistente técnico.

*Manuel Acácio

Professores a bater nos alunos: como a violência deixou de ser uma forma de educação – notícia da Visão com declarações de Dulce Rocha Presidente do IAC

Outubro 28, 2019 às 12:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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A notícia contém declarações da Dra. Dulce Rocha, Presidente do IAC.

Notícia da Visão de 25 de outubro de 2019.

O caso do professor de TIC (Tecnologias de Informação e Comunicação) que terá agredido um aluno na Escola Secundária Rainha Dona Leonor, em Lisboa, veio levantar a polémica: há justificação para um adulto bater numa criança?

Longe vão os tempos em que umas valentes reguadas marcavam não só as mãos das crianças, como também determinavam a quem pertencia a autoridade na escola: o professor.

Agora que um docente de TIC (Tecnologias de Informação e Comunicação) foi acusado de ter agredido um aluno na Escola Secundária Rainha Dona Leonor, em Lisboa, alegadamente com alguma violência (terá agarrado o aluno pelo pescoço e batido com a cabeça deste numa mesa, segundo contaram alguns colegas de turma, gesto motivado pelo facto de o aluno estar a mexer no telemóvel), coloca-se a questão: há justificação para um adulto bater numa criança?

O professor (que estava a dar a sua primeira aula), foi de imediato suspenso e o caso seguiu para as autoridades. Mas a polémica permanece. Até porque impor o respeito e abuso de autoridade confundiram-se muitas vezes dentro da sala de aula e durante várias gerações.

Águeda Tavares, 74 anos, ainda se lembra muito bem das reprimendas na infância só por ser canhota. À conta de tantas reguadas que a professora primária insistiu em lhe dar, escreveu a vida toda com as duas mãos. Décadas mais tarde, já nos anos 1980, também Alexandra Mendes, 43 anos, era castigada com a régua pelo simples facto de ter feito um buraco numa folha ao apagar uma palavra com a borracha. Comportamentos e ações consideradas normais para uma sociedade até há pouco tempo a viver em regime de ditadura.

Até à década de 1960, o direito português, incluindo a jurisprudência dos tribunais superiores, era especialmente “benévolo” com os maus-tratos a crianças, que eram configurados como exercício de um direito de correção exercido por pais e educadores. Antes do 25 de abril de 1974 era possível bater numa criança ou numa mulher, porque se entendia que havia um “poder corretivo”, uma norma de exceção que legitimava um comportamento agressivo.

“Havia um Estado desculpante desde que houvesse intenção de corrigir”, lembra Dulce Rocha, presidente do Instituto de Apoio à Criança. Em termos legislativos, a situação foi invertida pela Constituição de 1976 e, mais precisamente, pelo Código Penal de 1982 (Eduardo Correia), que tipificou o crime de maus-tratos (artigo 152.º), que se manteve no Código de 1995 (Figueiredo Dias). Não havia qualquer permissão para um estranho bater numa criança, não havia reguada, nem vara, nem bofetada, nem nada.

Em 1991, quando Dulce Rocha chega para trabalhar no Tribunal de Menores, lembra-se de já haver uma certa consciencialização da sociedade para o tal “poder corretivo”. Para trás ficava o Ano Internacional da Criança, proclamado pelas Nações Unidas em 1979, que juntamente com movimentos como o da Escola Moderna ou o Grito, no Porto, contra a prisão de crianças, tiveram grande influência na tomada de posição das famílias face à violência contra os mais pequenos. Tudo isso fez de tal forma sentido que, em 1989, Portugal é um dos primeiros países a ratificar a Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança.

Em 1996/1997, num projeto de revisão do Código Penal, Rui Pereira, jurista e professor universitário, propôs a transformação do crime de maus-tratos em crime público, por forma a dispensar a necessidade de queixa em todos os casos. Mas só em 2000 se reuniu o consenso necessário, na Assembleia da República, para essa transformação. Mais tarde, na Reforma Penal de 2007, autonomizou-se o crime de violência doméstica (artigo 152.º) em relação aos maus-tratos (artigo 152.º A).

Presentemente, há dois crimes paralelos, um intrafamiliar (abrangendo os conceitos de família, união de facto em sentido amplo e relações já terminadas) e outro extrafamiliar (aplicável a infantários, escolas e lares, designadamente). Ambos os crimes são públicos e abrangem, após a revisão de 2007, “maus-tratos físicos ou psíquicos, incluindo castigos corporais, privações da liberdade e ofensas da liberdade e ofensas sexuais”, que não sejam punidos mais severamente por outras incriminações. A referência aos castigos corporais afasta qualquer ideia de agressão a crianças “justificada pelo direito de correção”. “Atualmente, defendo que as penas, que vão até cinco anos, devem ser agravadas, para um máximo de oito anos, porque há situações cuja gravidade e reiteração justifica uma punição mais severa”, explica o penalista à VISÃO.

Crianças: de menos para iguais

Para Maria do Rosário Carneiro uma palmada é um poder desproporcionado sobre o outro. “Quando um adulto bate numa criança perdeu a capacidade de se relacionar com ela. A força é uma demonstração primitiva de incapacidade de relação”, diz a antiga assessora dos secretários de Estado da Investigação Cientifica, Ensino Superior e Família no período entre 1979 a 1983. E continua: “A educação faz-se sobretudo através de atos de imitação, uma criança que é batida aprende a bater. Além do exercício de poder desproporcionado de um adulto sobre uma criança, que é o que representa a punição física, em termos educativos o que faz é transmitir que bater é possível.”

Maria do Rosário Carneiro foi professora universitária durante 42 anos e hoje faz parte da comissão de acompanhamento e fiscalização do funcionamento dos centros educativos para garantir que os direitos das crianças são respeitados. “Há crianças nestes centros que cometeram atos de bullying muito violentos. Têm entre os 12 e os 16 anos e são inimputáveis criminalmente, mas são responsabilizadas pelos atos praticados”, explica. São crianças que cometeram delitos, mas têm de continuar a ser tratadas como crianças e o objetivo é que tenham uma educação completa e que se integrem na sociedade como cidadãos de plenos direitos.

Para a antiga docente, licenciada em Ciências Sociais e Políticas, “o mundo ocidental no século XX desenvolveu um conjunto vastíssimo de conhecimentos, que permitiram às crianças passar de uma situação de menos para iguais.” “Sociedades mais evoluídas são sociedades menos violentas, em princípio. As pessoas contêm aquele instinto de agredir para impor a sua vontade. É difícil de entender que, mesmo à luz de outras civilizações, um ato de violência física sobre alguém seja um ato educativo. É um ato de imposição de poder.”

Já Dulce Rocha não tem dúvidas: “Devia haver sempre uma condenação pública por parte dos governantes contra a violência e, por vezes, não se verifica de imediato. Tal como se condena a violência no Desporto, deviam também condenar a violência na Escola.”

Para o pediatra Hugo Rodrigues, os castigos físicos são mais prejudiciais do que benéficos. “Se existir, o benefício será a curto prazo, porque a médio e a longo prazo não ensina nada, não será isso que vai fazer com que as crianças consolidem comportamentos ou atitudes diferentes. Os castigos físicos são humilhantes para as crianças, prejudicam e pode interferir com a sua auto-estima e, acima de tudo, pode ser um perpetuar de violência. A forma como as crianças aprendem a resolver os problemas é a forma como veem os adultos resolver. Os modelos são os adultos de referência e, se em casa são os pais e os avós, na escola são os professores.

Para o médico faz mais sentido elogiar, premiar e recompensar os comportamentos positivos do que punir os maus. Mas, “os professores têm de ter autoridade nas escolas. Nas situações do dia-a-dia os pais não têm de se meter nos assuntos escolares, como também acho que se a criança se porta mal na escola, se não for algo muito grave, se já foi castigada na escola, não deve ser castigada em casa outra vez. Não é justo castigar duas vezes o mesmo erro. Os pais ao castigarem por cima estão a retirar autoridade aos professores.” Na terceira classe, Hugo Rodrigues também apanhou reguadas por duas vezes, na terceira classe, situações que não lhe causaram trauma, mas que o ajudaram a perceber o sentido de justiça e de injustiça.

O que fazer com as crianças difíceis?

Setembro 26, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Embora a maioria dos alunos do jardim de infância se comporte bem, os relatórios apontam para um aumento do número de crianças perturbadoras na sala de aula (© Keystone / Christian Beutler)

Texto do site Swissinfo de 25 de agosto de 2019.

Por Isobel Leybold-Johnson

Professores na Suíça estão lidando com um aumento de alunos de comportamento difícil e, segundo relatos, os problemas começam já no jardim de infância. As opiniões sobre o que pode ser feito continuam divididas.

No modelo suíço de escola integrativa, ou inclusiva, introduzido há cerca de uma década, crianças com problemas comportamentais classificadas como tendo “necessidades emocionais e sociais especiais ” frequentam escolas normais, em vez de serem agrupadas em turmas ou escolas específicas para crianças com necessidades especiais como antes.

Reportagens veiculadas recentemente na mídia com histórias de professores tendo que lidar com alunos que perturbam na sala de aula, jogam móveis ou são violentos têm colocado em questão se o sistema está realmente funcionando.

Debate reaceso

O debate sobre a escola integrativa foi reaceso por um artigo no jornal SonntagsZeitungLink externo, que citou um estudo em Zurique e na cidade vizinha de Winterthur. O artigo mostrou que um em cada cinco alunos foi classificado por docentes e por pessoal administrativo de escolas como tendo problemas de comportamento (950, ou 22% dos alunos nas escolas inquiridas). O estudo envolveu 450 funcionários da escola, incluindo 250 professores, e 60% dos professores disseram que os alunos indisciplinados eram o seu maior problema.

O responsável pelo estudo, Reto LuderLink externo, professor de necessidades educativas especiais na Zurich University of Teacher EducationLink externo, disse que os resultados, originalmente publicados em 2018, não eram representativos da situação na Suíça, porque o estudo se limitava principalmente às escolas de Zurique e Winterthur.

“No entanto, os resultados são compatíveis com os resultados internacionais de outros estudos, bem como com o conhecimento atual sobre comportamentos disruptivos nas escolas”, disse ele à swissinfo.ch.

Crianças desordeiras no jardim de infância

Segundo o SonntagsZeitung, outros cantões também estão relatando problemas já a partir do jardim de infância. O SonntagsZeitung citou números ainda não publicados da secretaria de educação do cantão de Genebra indicando existirem mais problemas de comportamento entre crianças de quatro anos de idade do que entre jovens de 13 e 14 anos. Outros cantões, como a cidade de Basileia, também relataram problemas entre os alunos mais jovens.

“Hoje, já cerca de um quinto dos alunos do jardim de infância e do ensino primário são muito difíceis de ensinar”, disse Jean-Michel Héritier, da associação de professores da cidade de BasileiaLink externo, no artigo. Ele atribuiu o aumento à eliminação progressiva de turmas especiais para alunos com dificuldades, mas também a famílias onde as crianças passavam muito tempo à frente de telas e não com outras crianças. Isso resulta em baixos limites de frustração e concentração, disse ele.

As regiões francófonas recuperam o atraso

Embora o problema dos alunos indisciplinados tenha sido reconhecido desde há alguns anos na Suíça germanófona, somente agora a parte francófona começa a recuperar o atraso.

Uma reportagem do jornal Le Matin DimancheLink externo, publicada em paralelo com o artigo do SonntagsZeitung, assinalou que o cantão de Friburgo acabou de iniciar uma classe de apoio especial para estes alunos. O cantão de Vaud, por exemplo, pretende liberar gradualmente 12 milhões de francos suíços (US$ 12 milhões) para apoiar pais, professores e serviços socioeducativos.

O que pode ser feito

Beat Zemp, presidente da Federação de Professores Suíços de Língua Alemã (LCHLink externo), acredita que o sistema integrativo esteja ameaçado. Uma pesquisaLink externo recente publicada pela LCH e sua contraparte de língua francesa descobriu que para 90% dos professores, alunos perturbadores eram o seu principal problema. A pesquisa mostrou que os professores e o sistema de ensino regular eram “levados até seus limites”.

“Precisamos de mais professores para alunos com necessidades especiais, de mais assistentes sociais e de aliviar o fardo dos professores para que haja tempo suficiente para a escolarização integrativa”, disse Zemp ao SonntagsZeitung num artigo subsequente em Maio. Ela descartou um retorno geral às classes de alunos com necessidades especiais, mas sentiu que poderiam ser feitas exceções em alguns casos, após uma “avaliação cuidadosa”.

Os defensores da escola integrativa argumentam que nenhuma criança deve ter que sofrer o estigma de classes com necessidades especiais. A inclusão é muitas vezes o melhor para estas crianças, acrescentam eles, uma vez que estes alunos seriam mais capazes de se integrar mais tarde na vida profissional.

O estudo de Zurique e de Winterthur também indicou lições que podem ser aprendidas. “O estudo mostrou que o comportamento disruptivo é um grande desafio para muitos professores, mas pode ser abordado com sucesso através de intervenções baseadas em dados empíricos num contexto escolar inclusivo”, disse Luder. Estas intervenções podem ir desde programas escolares que abordam comportamentos disruptivos até medidas individuais.

Estes tipos de intervenções, argumenta o estudo, podem levar a uma melhor compreensão da situação, a novos cursos de ação e a melhores relações entre professores e alunos.

Adaptação: DvSperling

Educação especial

Na Suíça, a educação para crianças com necessidades especiais está inscrita na lei e, como qualquer outra questão educacional, desde 2008 é de alçada dos cantões. Como cada cantão elaborou o seu próprio plano, existem diferenças na forma como a educação especial é implementada. A educação especial abrange crianças com diversas deficiências e dificuldades de aprendizagem. Ela inclui também ajuda para os alunos superdotados e para aqueles que não falam uma língua local.

+ sobre necessidades especiais no nosso “Guia da Suíça”

Estudo de caso: “Philipp”

Philipp (este não é o seu nome verdadeiro) tinha quatro anos e costumava ignorar ou desafiar os pedidos da sua professora num jardim de infância num distrito periférico de Zurique. Ele também provocava outros alunos e destruia seus trabalhos manuais, disse sua antiga professora ao SonntagsZeitung. As coisas se agravaram depois que ele se enfureceu, bateu em outros alunos e destruiu brinquedos. A professora recusou-se a tê-lo no segundo ano do jardim de infância e Philipp foi então colocado num jardim de infância menor, onde poderia receber apoio mais intensivo.

Escolas perderam mais de 400.000 alunos e de 30.000 professores em menos de 10 anos

Setembro 17, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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thumbs.web.sapo.io

Notícia e imagem do Sapo24 de 1 de agosto de 2019.

As escolas portuguesas perderam em menos de 10 anos mais de 400.000 alunos e mais de 30.000 professores, quase metade dos quais do 3.º ciclo e ensino secundário, segundo dados oficiais hoje divulgados.

O relatório “Educação em Números – Portugal 2019”, da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), mostra que entre os anos letivos 2008/09 e 2017/18 as escolas perderam 427.163 alunos, passando de 2.056.148 para 1.628.985 estudantes.

A quebra de educadores de infância e professores dos 1.º, 2.º, 3.º ciclos e do ensino secundário foi de 31.147, com o valor mais exuberante a registar-se nos professores do 3.ºciclo e ensino secundário, que no ano letivo 2008/09 eram 91.325 e em 2017/18 se fixavam em 76.722.

Nos restantes níveis de ensino, os dados do relatório indicam que em 2008/09 havia 18.242 docentes no pré-escolar, 34.361 no 1.ºciclo de ensino (do 1.º ao 4.º ano), 34.069 no 2.ºciclo (5.º e 6.º ano) e 91.325 no 3.ºciclo (7.º, 8.º e 9.º ano) e ensino secundário (10.º, 11.º e 12.º).

Quanto aos estabelecimentos de ensino, o documento mostra que em 2017/18 havia menos 3.878 escolas públicas e privadas em Portugal do que em 2007/08 (eram 12.347), porque o número de escolas públicas caiu de 9.764 para 5.836, enquanto as privadas aumentaram de 2.583 para 2.633.

SO // SB

Lusa/fim

Educação em Números : Portugal 2019

Escolas perderam mais de 400 mil alunos em menos de 10 anos

Setembro 13, 2019 às 6:00 am | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Nuno Veiga / LUSA

Notícia da Rádio Renascença de 1 de agosto de 2019.

Relatório “Educação em Números” mostra que também se registou uma quebra de 30 mil professores.

As escolas portuguesas perderam em menos de 10 anos mais de 400 mil alunos e mais de 30 mil professores, quase metade dos quais do 3.º ciclo e ensino secundário, segundo dados oficiais.

O relatório “Educação em Números – Portugal 2019”, da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), mostra que entre os anos letivos 2008/09 e 2017/18 as escolas perderam 427.163 alunos, passando de 2.056.148 para 1.628.985 estudantes.

A quebra de educadores de infância e professores dos 1.º, 2.º, 3.º ciclos e do ensino secundário foi de 31.147, com o valor mais exuberante a registar-se nos professores do 3.ºciclo e ensino secundário, que no ano letivo 2008/09 eram 91.325 e em 2017/18 se fixavam em 76.722.

Nos restantes níveis de ensino, os dados do relatório indicam que em 2008/09 havia 18.242 docentes no pré-escolar, 34.361 no 1.ºciclo de ensino (do 1.º ao 4.º ano), 34.069 no 2.ºciclo (5.º e 6.º ano) e 91.325 no 3.ºciclo (7.º, 8.º e 9.º ano) e ensino secundário (10.º, 11.º e 12.º).

Quanto aos estabelecimentos de ensino, o documento mostra que em 2017/18 havia menos 3.878 escolas públicas e privadas em Portugal do que em 2007/08 (eram 12.347), porque o número de escolas públicas caiu de 9.764 para 5.836, enquanto as privadas aumentaram de 2.583 para 2.633.

O relatório citado na notícia é o seguinte:

Educação em números : Portugal 2019

O mais importante num professor é a relação com os alunos

Setembro 10, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto de opinião de João André Costa publicado no Público de 2 de julho de 2019. Imagem do Público.

João André Costa

É professor e criou o blogue Dar aulas em Inglaterra, onde vive há 11 anos.

Eu lembro-me dos professores que se lembravam de mim. Eu lembro-me da professora Margarida. A professora Margarida deixou uma marca.

De que professores se lembram? Que professores deixaram uma marca? Eu lembro-me dos professores que se lembravam de mim. Eu lembro-me da professora Margarida. A professora Margarida deixou uma marca.

A professora Margarida foi a nossa professora de Matemática do 7.º ao 9.º ano, três anos por inteiro, e se nunca fui um ás a Matemática (não sou, a minha mãe é professora de matemática e em casa de ferreiro…), passei a ver a Matemática como um desafio onde quem tivesse a nota mais alta do teste recebia um chocolate da professora, estando outro chocolate reservado para quem resolvesse o problema-mistério no fim de cada prova.

Se me perguntarem que imagem tenho da professora Margarida, vem-me logo à memória o seu sorriso, grande, aberto, feliz, um sorriso que ria com os olhos apenas por rir, um sorriso de quem está em paz com o mundo, sem expectativas, numa alegria simples de viver.

E talvez tenha sido isso, o sorriso, a conquistar-nos logo de início, ainda no 7.º ano, verdes e ao vento, ainda receosos do chão pisado agora na escola secundária. A professora Margarida acolheu-nos, e nós encolhemo-nos no seu regaço, no seu cuidado. E o tempo, a professora Margarida tinha sempre tempo, tinha a porta sempre aberta e a vontade e o carinho, escutando os nossos anseios, confortando-nos e dando conselhos, de igual modo ajudando os que, por medo ou inocência, não sabiam pedir ajuda.

Em cada Natal e no fim do ano, a professora Margarida escrevia um cartão para cada um dos seus alunos, ainda guardo os meus, principalmente o do 8.º ano, quando os meus pais se separaram e as suas palavras disseram tudo. Não sei onde está a professora Margarida. Já não está na escola, a última vez que a vi passou por mim a sorrir na Faculdade de Ciências, por acaso e de repente, e entretanto já passaram 20 anos.

No final do 9.º ano despedimo-nos da professora Margarida, ainda em choque, incrédulos, dependentes e, outra vez, receosos dos nossos passos, prestes a entrar para o 10.º ano onde cada um seguiria a sua estrada, uns para Desporto, eu para Ciências mais meia dúzia de colegas, outros para Humanidades. Acho que não nos despedimos como deveria ser, não nos queríamos despedir, eu não queria, e a euforia do fim do ano e das férias esbarrou na tristeza de uma turma inteira.

Nunca mais nos esquecemos de si. E aqui ficou o verdadeiro legado da professora, da nossa professora, a relação, a marca, a saudade que nos faz voltar, que nos torna melhores, a querer vencer e andar em frente, todos os dias, porque um dia recebemos amor e hoje queremos dar de volta todo o amor, mas a dobrar.

Gostava de lhe poder agradecer, por tudo, pela ajuda, pelo tempo, as conversas, as palavras amigas, o apoio sempre que precisámos, pela amizade.

Ah, e graças à Matemática, desenvolvi uma memória para números e uma capacidade de análise estatística preponderantes no emprego que hoje tenho. Não, nunca fui um ás a Matemática, mas agora sei para que é que serve.

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