5 livros sobre refugiados para crianças e jovens

Junho 20, 2020 às 6:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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Texto do Sapo Lifestyle

Susana Krauss

A propósito do Dia Mundial do Refugiado e numa altura em que protestos anti-racistas emergem no mundo, é importante educar os mais novos sobre desigualdades sociais. E estes livros podem ser uma boa ajuda.

No próximo sábado, 20 de junho, assinala-se o Dia Mundial do Refugiado, instituído em 2001 pela Assembleia-Geral das Nações Unidas.

Numa altura em que a pandemia causada pela Covid-19 e os recentes protestos anti-racistas vieram pôr em evidência as desigualdades sociais, o tema da campanha deste ano é «Cada ação conta», relembrando que todos podemos ter um papel na criação de um mundo mais justo, inclusivo e igualitário.

A este propósito, sugerimos cinco livros para crianças e jovens, adequados a diferentes faixas etárias, que abordam o tema dos refugiados através da ficção e também inspirados em casos reais.

Todos os livros estão já disponíveis nas livrarias.

Pode também ler as primeiras páginas de cada um deles:

“O Rapaz Escondido”

“O Rapaz Que Contava Histórias”

“O Rapaz ao Fundo da Sala”

“A Viagem”

“Eu e o Meu Medo”

Dia Mundial do Refugiado – 20 de junho

Junho 20, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Crédito da Imagem freepik

No Dia Mundial do Refugiado homenageamos a coragem e a resiliência de todos aqueles que, por circunstâncias várias, são forçados a deixar os seus países.
Ao reclamar uma atenção especial para as crianças, o Instituto de Apoio à Criança reforça a importância da salvaguarda do Superior Interesse da Criança num processo de acolhimento que se deseja humanizado, célere e protetor, garantindo uma cidadania plena e a integração numa sociedade mais justa e inclusiva.
O IAC garante o funcionamento do número europeu 116000, para o qual se podem reportar denúncias sobre situações de menores não acompanhados.

Mais informações sobre o Dia Mundial do Refugiado no link:

Dia Mundial do Refugiado 2020

“É muito pior do que eu pensava. Há menores desacompanhados e à mercê de todo o tipo de violência. Temos de tirá-los de lá imediatamente”

Março 18, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 9 de março de 2020.

Crise dos refugiados e migrantes: organização humanitária Mission Lifeline quer fretar um avião para levar crianças e mulheres da Grécia diretamente para Berlim. Em causa está o impasse em que milhares de pessoas refugiadas e migrantes se encontram depois de a Turquia ter aberto as suas fronteiras e a Grécia estar a lidar com o caso como uma “invasão”, termo usado pelo próprio Governo de Atenas. Por sua vez, a União Europeia responde assim: “Espero que cheguemos a um acordo para que os migrantes asilados na Turquia não acreditem que a fronteira com a UE está aberta e que não tentem transpô-la exercendo uma pressão maciça” .

“Estamos à espera da autorização do governo alemão mas queremos liderar um esforço mais rápido, menos burocrático, que possa realmente ter impacto real nas vidas das mulheres e crianças em Lesbos que mais precisam de ajuda”, diz ao Expresso Alex Steier, diretor da Mission Lifeline, uma organização não-governamental alemã que está a tentar, em parceria com a congénere austríaca, fretar um avião para trazer as pessoas mais vulneráveis de Lesbos diretamente para a Alemanha.

Uma equipa de investigação constituída por vários voluntários da Mission Lifeline esteve em Lesbos (Grécia) na sexta-feira e o líder dessa equipa no local, David Pichler, considera que as vias para salvar estas pessoas são, neste momento, insuficientes: “É muito pior do que eu pensava. Há menores desacompanhados, muitos à mercê de todo o tipo de violência. Temos de trazer as pessoas imediatamente, não podemos esperar pela UE porque vai demorar demasiado tempo”, diz ao Expresso, por telefone, o coordenador da Mission Lifeline na Áustria. A conversa decorreu enquanto embarcava de volta da Grécia para o seu país.

A Mission Lifeline está em contacto com organizações locais que estão neste momento a organizar uma lista com os nomes de pessoas particularmente vulneráveis – crianças, jovens e mulheres na sua maioria -, lista que depois será entregue ao Ministério do Interior. “Enviámos uma equipa que nos disse que não há nada a fazer além de tentar evacuar Lesbos aos poucos. Com essa informação pedimos então a lista das pessoas que devem ser resgatadas com urgência, enquanto ao mesmo tempo tentamos reunir os 50 mil euros de que precisamos para mandar um voo com 20 médicos e psicólogos para trazer as pessoas”, explica Alex Steier.

O problema é garantir a autorização das autoridades. “Não, não é fácil, claro, mas acreditamos no poder na sociedade civil e estamos a fazer o trabalho de entender as cidades que estão dispostas a receber pessoas. Se houver várias localidades a aceitar isto, os governos não podem dizer que não. O mesmo se pode passar em outros países europeus.” Esta pode ser uma visão demasiado otimista se confrontada com as palavras do chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, que ainda esta segunda-feira voltou a tentar contrariar a ideia transmitida pela Turquia de que as fronteiras da Europa estão abertas para receber refugiados: “Espero que cheguemos a um acordo para que os migrantes asilados na Turquia não acreditem que a fronteira com a UE está aberta e que não tentem transpô-la exercendo uma pressão maciça”, declarou o Alto Representante da UE para a Política Externa, durante uma conferência de imprensa em Bruxelas.

David Pichler contrapõe. “Há mais de mil crianças em Lesbos sem local onde dormir, dormem à beira do rio, debaixo de árvores, isto não é apenas por causa da violência a que estão sujeitas estas crianças, é também para tentar ajudar aqueles que, mesmo que não tenham sofrido violência física, vivem completamente desprotegidos, sem casas de banho, sem roupa, sem aquecimento. É uma vergonha a Europa deixar-se ficar, eu senti-me envergonhado a caminhar por lá.”

A Mission Lifeline está em contacto com o governo alemão e quer redistribuir as pessoas ou por zonas que se mostrem disponíveis previamente para as receber ou através do chamado método de Königstein, que desde 1949 serve para distribuir refugiados segundo o qual as províncias com melhores indicadores económicos e mais recolha de impostos recebem proporcionalmente mais gente do que outras zonas mais pobres. Do lado de Berlin parecem ter já luz verde. O presidente da Câmara, Michael Müller, quer ajudar: “A situação humanitária nas ilhas gregas do mar Egeu e na fronteira externa da União Europeia são intoleráveis numa UE guiada pelo respeito aos Direitos Humanos. Independentemente de considerações políticas, é hora de agir. Pelo menos crianças e outros jovens refugiados desacompanhados têm de ser salvos desta situação difícil”, disse ao jornal “Berlin Spectator”. Mas o parlamento alemão pode impedir esta iniciativa. Na quarta-feira, uma moção dos Verdes alemães sobre a aceitação de 5.000 refugiados das ilhas gregas foi rejeitada pelo Bundestag de Berlim. Os grandes partidos da coligação no governo, os sociais-democratas (SPD) e os da União Democrata-Cristã (CDU), votaram contra.

Alex Steier quer principalmente que quem manda sinta a pressão. “Será muito difícil à Alemanha não permitir a evacuação porque estamos a falar de legitimidade do Estado. Este tipo de luta é do conhecimento coletivo, por exemplo, entre alemães de leste que também saíram das suas terras por um vida melhor, dentro do seu próprio país.” Como exemplo, Steier fala de um resgate de 20 pessoas que o navio da Mission Lifeline fez em agosto do ano passado, no Mediterrâneo Central, e explica que só em setembro é que as conseguiu levar de Itália para a Alemanha. “Sem a pressão da sociedade, essas pessoas tinham entrado num sistema de requisição de asilo muito mais lento e é essa pressão que estamos a tentar fazer. A situação é tão tenebrosa lá que vai ser muito difícil ao Estado explicar porque é que não ajuda quando há cidades dispostas a receber as pessoas.”

“Conto só uma história pequena para terminar: há tanto plástico no rio que os miúdos, que brincam entre o lixo em Lesbos, chamam-lhe ‘o rio que não se mexe’”, completa David Pichler.

Unicef: 60% dos deslocados na Líbia são crianças

Janeiro 24, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 17 de janeiro de 2020.

Agência disse esperar um entendimento abrangente e durável; comunicado alerta que combates estão minando esforços humanitários; estima-se que 60 mil menores refugiados e migrantes estejam em situação vulnerável em centros urbanos.

Às vésperas da conferência deste domingo sobre a Líbia em Berlim, na Alemanha, o Fundo das Nações Unidas para a Infância fez um apelo às partes em conflito e em prol das crianças do país. A agência quer urgência na busca de um acordo de paz “abrangente e durável”.

O secretário-geral da ONU estará entre os líderes que devem participar da cúpula, que segundo agências de notícias juntará as delegações do governo de Trípoli, com reconhecimento internacional, e das forças do general Khalifa Haftar.

Caos

O Unicef destaca que tanto as crianças líbias como as que vivem no país como refugiadas e migrantes sofrem com a violência e “o caos da guerra civil”.

A onda de confrontos que começou em abril, em Trípoli e no oeste da Líbia, piorou as condições de milhares de crianças e civis. Ataques a áreas povoadas causaram centenas de mortes e crianças mutiladas ou recrutadas para combater, destaca a agência.

Cerca de 60% dos 150 mil deslocados internos são crianças que sofrem o impacto dos danos causados à infraestrutura, que afetam cerca de 30 unidades de saúde. Os combates obrigaram a fechar 13 instalações médicas.

Quase 200 mil crianças estão sem aulas por causa da violência. Os ataques não pouparam sistemas de água e para tratar resíduos, aumentando o risco de espalhar doenças transmitidas pela água, incluindo cólera.

Refugiados e Migrantes  

Cerca de 60 mil crianças refugiadas e migrantes vivem em áreas urbanas e também em situação de fragilidade. Um quarto delas não está acompanhado por adultos em centros de detenção que estão expostos a um maior risco com a piora do conflito.

A agência atua com parceiros na ajuda a esses menores e famílias afetadas para terem acesso a serviços como saúde, nutrição, proteção, educação, água e saneamento. O Unicef também presta assistência a crianças refugiadas e migrantes em centros de detenção.

A nota destaca que ataques contra a população civil e infraestrutura, bem como contra profissionais humanitários e de saúde, estão minando os esforços humanitários.

Infraestrutura

A agência considera “terrível e insustentável” a situação infantil na Líbia e destaca que o resto do mundo deve considerar esse cenário inaceitável. O apelo a todas as partes do conflito e com influência “é que protejam as crianças, acabem com o recrutamento e uso de crianças bem como ataques à infraestrutura civil”.

O Unicef pede ainda que o acesso humanitário seja “seguro e desimpedido”  para crianças e outros necessitados. O apelo às autoridades líbias é que substituam a  detenção de crianças migrantes e refugiadas por alternativas seguras e dignas.

Mais informações na declaração da Unicef:

Libya: Tens of thousands of children at risk amidst violence and chaos of unrelenting conflict

Grécia recusa cuidados de saúde a crianças refugiadas doentes em Lesbos

Janeiro 23, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 23 de janeiro de 2020.

Por Cátia Carmo*

Médicos Sem Fronteiras apelam o Governo do país para que as crianças sejam transferidas com urgência para a Grécia continental e para outros Estados-membros da União Europeia.

A Médicos Sem Fronteiras (MSF) emitiu, esta quinta-feira, um comunicado a denunciar que o Governo grego está a recusar cuidados de saúde a pelo menos 140 crianças refugiadas gravemente doentes em Moria, o maior campo de refugiados da Europa, na ilha de Lesbos. A organização internacional apela a que o Executivo grego transfira todas as crianças doentes para o continente grego ou para outros Estados-membros da União Europeia onde possam receber cuidados médicos.

“Vemos muitas crianças que sofrem de doenças como diabetes, asma e doenças cardíacas que são forçadas a viver em tendas, em condições anti-higiénicas, sem acesso aos cuidados médicos especializados e medicação de que precisam”, explicou Hilde Vochten, médico coordenador da MSF na Grécia.

Já no verão do último ano, o Governo grego revogou o acesso aos cuidados de saúde às pessoas sem documentos e requerentes de asilo que chegaram à Grécia, deixando mais de 55 mil pessoas sem assistência médica.

“A MSF está em negociações com as autoridades gregas com o objetivo de transferir as crianças para o continente, para receberem cuidados médicos urgentes. Apesar de algumas crianças já terem sido rastreadas, ainda nenhuma foi transferida”, afirmou o mesmo representante da Médicos Sem Fronteiras na Grécia.

Há centenas de crianças com doenças complexas e crónicas – problemas cardíacos, epilepsia e diabetes, por exemplo – que exigem tratamentos especializados que nem a organização não-governamental nem o hospital público local conseguem fazer, por falta de equipamentos.

“A minha filha Zahra tem autismo e vivemos num pequeno espaço quase sem eletricidade. Muitas vezes, a meio da noite, ela tem convulsões e não está lá ninguém para nos ajudar. Só quero estar num espaço onde a minha filha possa brincar com outras crianças e ser tratada por um bom médico”, acrescentou Shamseyeh, oriunda do Afeganistão e atualmente a viver no campo de refugiados de Moria.

*com Cristina Lai Men

Mais informações no comunicado dos Médecins Sans Frontières:

Greece denies healthcare to seriously ill refugee children on Lesbos

Migrantes e refugiados apelam à denúncia de casos de bullying

Janeiro 10, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 30 de dezembro de 2019.

“Ouvi crianças com sete e oito anos a dizer que queriam morrer. Nunca pensei que algum dia fosse ouvir tal coisa”

Dezembro 23, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 18 de dezembro de 2019.

No campo de Moria, na ilha de Lesbos, na Grécia, a urgência da saúde mental está a começar a fazer-se notar. Uma pequena reportagem da BBC mostra o trabalho de uma psicóloga italiana dos Médicos Sem Fronteiras e os casos desesperados que ela ouve mas não pode resolver. As condições de vida naquele que é o maior campo de refugiados da Europa pioram todos os dias. Começou o inverno e com ele o frio, a chuva, e milhares de novos habitantes que fizeram a viagem antes que o tempo se torne mesmo, mesmo inclemente

A BBC gravou um vídeo na ilha de Lesbos, na Grécia, onde uma psicóloga se torna protagonista – pelas piores razões. É Angela Modarelli, dos Médicos Sem Fronteiras, que conta para as câmaras o que as crianças que ali vivem lhe contam nas consultas, e é quase impossível imaginarmos tal sofrimento nas nossas crianças, nos filhos dos nossos amigos, nos nossos sobrinhos, nos miúdos que vemos a sair dos portões das nossas escolas.

Moria é o maior campo de refugiados na Europa, ocupam-no principalmente sírios. Foi construído em 2015 e tem capacidade para pouco mais de 2000 pessoas, mas neste momento tem perto de 18 mil. Os últimos três meses foram particularmente difíceis no campo porque o fluxo de migrantes voltou a crescer imenso – as pessoas querem chegar antes que se abata sobre o Mediterrâneo o inverno a sério.

A especialista em problemas psicológicos infanto-juvenis não tem equipa suficiente para a ajudar, tem voluntários e professores que acabam por também contribuir, nomeadamente através de atividades artísticas, para retirar estas crianças, nem que seja por alguns momentos, do mundo onde vivem. Mas alguns caem por entre os buracos largos desta rede de magra ajuda. “Cheguei aqui e comecei a ouvir crianças com sete e oito anos a dizer que queriam morrer. Não pensei que fosse algum dia fosse ouvir tal coisa”, diz na reportagem.

As imagens mostram várias crianças a caminhar pelo campo enlameado, com alguma comida em sacos, sandálias em vez de botas quentes. Vêem-se mulheres com os filhos ao colo e também elas estão praticamente descalças. A certo ponto, os Médicos Sem Fronteiras são chamados à Clínica Pediátrica e Modarelli conta à BBC que o caso mais sério, naquele dia, era o de um adolescente que tinha “começado a magoar-se a si próprio” e que “diz que lhe apetece repetir esse ato porque o faz sentir-se melhor”.

As regras vão apertar para os requerentes de asilo na Grécia. O Governo da Nova Democracia, o partido grego de centro-direita que venceu as eleições este ano, quer deslocar as pessoas dos campos para alojamento temporário em hotéis na parte continental da Grécia e esse processo já está em curso. Até que isso aconteça, e dependendo se mais tarde estas crianças conseguem ter acesso a cuidados de saúde mental ou não, muitos vão continuar a nutrir os seus dramas internos sem ninguém que os ajude a resolvê-los. “As crianças em idade pré-escolar batem com a cabeça na parede consecutivamente ou então arrancam os cabelos, os que têm entre 12 e 17 anos fazem mal a eles mesmos, automutilam-se, e começam a falar do seu desejo de morrer”.

O caminho, explica a psicóloga, é duro mas é o único possível: “Enquanto elas aqui estão tentamos reconstruir as suas memórias de estabilidade e segurança, tentamos fortalecer a parte da sua personalidade que ainda está lá, que ainda subsiste”.

mais informações na notícia da Human Rights Watch:

Greece: Unaccompanied Children at Risk

Número de crianças sozinhas em condições degradantes está a aumentar

Dezembro 22, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Sapo24 de 18 de dezembro de 2019.

Centenas de crianças refugiadas vivem desacompanhadas na ilha grega de Lesbos, onde estão expostas a condições de vida desumanas e degradantes e o número está a aumentar, alertou hoje a organização humanitária Human Rights Watch.

As crianças, incapazes de garantir um lugar nos sobrelotados centros de acolhimento de refugiados da Grécia, enfrentam condições insalubres e inseguras, dormindo muitas vezes ao relento, refere a organização em comunicado hoje divulgado.

“Centenas de crianças são deixadas por sua própria conta em Lesbos, dormindo em colchões e caixas de papelão, expostas ao mau tempo que se vai sentido cada vez mais”, explica a responsável da Human Rights Watch na Grécia, Eva Cossé, na informação hoje divulgada.

“As autoridades gregas têm de garantir urgentemente que estas crianças recebem segurança e cuidados”, sublinhou.

Numa visita a Lesbos, entre 15 e 23 de outubro, a Human Rights Watch entrevistou 22 crianças desacompanhadas que moram no campo de acolhimento mais ocupado da ilha, o centro de Moria, onde, em outubro, viviam quase 14 mil pessoas.

Nesse campo, crianças com apenas 14 anos descreveram ter pouco ou nenhum acesso a cuidados, proteção ou serviços especializados.

Devido à sobrelotação das secções do campo de Moria reservadas às crianças desacompanhadas, a maioria dos menores entrevistados admitiu que estava a viver nas áreas gerais do campo, misturados com a população em geral, ou num local adjacente conhecido como “Olive Grove”, uma encosta rochosa da ilha onde as pessoas montam as suas próprias tendas para se abrigarem, mas não têm qualquer apoio.

“Tudo é perigoso aqui: o frio, o lugar onde eu durmo, as lutas. Não me sinto seguro”, disse Rachid R., um menino afegão desacompanhado, de 14 anos, que chegou a Moria no final de agosto.

“Somos cerca de 50 a dormir na grande tenda. Cheira muito mal, há ratos, e, às vezes, as pessoas morrem dentro da tenda”, descreveu.

A maioria das crianças entrevistadas relatou ter problemas psicológicos, incluindo ansiedade, depressão, dores de cabeça e insónia.

Já em setembro, a organização Médicos Sem Fronteiras tinha alertado para um aumento “alarmante” do número de crianças refugiadas em Lesbos que se tentavam suicidar ou que se mutilavam.

A organização médica pediu na altura à Grécia para retirar “com urgência” as pessoas mais vulneráveis dos campos sobrelotados e encaminhá-las para o continente ou para outros Estados-membros da União Europeia.

Quando a Human Rights Watch visitou Moria, em outubro, estavam registadas no campo 1.061 crianças desacompanhadas, das quais 587 residiam numa grande tenda (Rubb Hall) projetada para acomodar temporariamente os recém-chegados até passarem pelo processo de identificação.

No início de novembro, o número de crianças na Rubb Hall tinha aumentado para 600 e dezenas de outras viviam em campo aberto, sem abrigo e a dormir no chão ou partilhavam as tendas de adultos que desconheciam.

A situação nas ilhas gregas tornou-se mais aguda devido a um aumento das chegadas de refugiados a partir de julho.

No final de novembro, os registos apontavam a existência de 1.746 crianças desacompanhadas alojadas nos centros de acolhimento das ilhas de Lesbos, Samos, Chios, Kos e Leros.

As autoridades gregas anunciaram, no mês passado, quererem realojar 20.000 refugiados no continente até ao início de 2020, transformando os centros de identificação atualmente existentes nas ilhas em centros de detenção.

O primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, anunciou um plano para proteger crianças desacompanhadas, chamado “No Child Alone”, e o Governo enviou uma carta a todos os outros Estados da União Europeia a pedir para partilharem responsabilidades, recebendo voluntariamente 2.500 crianças desacompanhadas.

Até novembro, apenas um país respondeu ao apelo, segundo avançou a Grécia na comissão de Liberdades Civis do Parlamento Europeu.

mais informações na notícia da Human Rights Watch:

Greece: Unaccompanied Children at Risk

Centro de acolhimento para crianças refugiadas em Portugal está sobrelotado e não há alternativas

Outubro 11, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 3 de outubro de 2019.

A denúncia é feita pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, que alerta ainda para mais casos nos aeroportos nacionais que apontam para possíveis situações de tráfico de menores: crianças acompanhadas por adultos que dizem ser pais ou terem relação de parentesco, mas não apresentam documentação que o comprove.

O centro de acolhimento para crianças refugiadas está sobrelotado e não existem respostas alternativas para as crianças não acompanhadas, o que atrasa a entrada imediata em Portugal, denunciou esta quinta-feira o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.

Num colóquio, em Lisboa, sobre se “Portugal cumpre os direitos das crianças”, uma responsável do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) denunciou a atual “situação de sobrelotação” em que se encontra o centro de acolhimento para crianças refugiadas, gerido pelo Centro Português para os Refugiados (CPR), e para a inexistência de respostas alternativas.

“Gostaria que este assunto fosse repensado porque o SEF nem que queira agendar entrada imediata para o menor tem de esperar que haja disponibilidade de acolhimento deste menor”, apontou Maria Emília Lisboa, inspetora coordenadora superior e assessora técnica na Direção Nacional do SEF.

De acordo com a responsável, o centro de acolhimento até uma certa altura teve essa capacidade, mas “atualmente e pontualmente vai tendo dificuldades”.

“E aí (…) temos dificuldade em conseguir arranjar um alojamento alternativo e adequado para estas crianças que não falam a língua e precisam de um tratamento diferenciado”, adiantou, ressalvando que a exceção é no caso das crianças em que se suspeita serem vítimas de tráfico e para as quais há imediatamente uma resposta de acolhimento.

Maria Emília Lisboa apontou que têm sido detetadas nos aeroportos nacionais mais casos que apontam para possíveis situações de tráfico de menores, em que aparecem crianças acompanhadas por adultos que dizem ser pais ou terem relação de parentesco, mas não apresentam documentação que o comprove.

Nestes casos, as crianças são sinalizadas como potenciais vítimas de tráficos, separadas do adulto e encaminhadas para centros de acolhimento especializado, normalmente uma instituição de acolhimento indicada pela segurança Social, já que precisam de uma proteção acrescida.

Posteriormente é feita participação ao Ministério Público relativamente ao adulto pelos indícios de tráfico, cabendo depois aos tribunais determinar e avaliar se o adulto é de facto ou não o progenitor da criança.

“Estas situações têm-nos preocupado muito nos últimos anos porque é uma realidade que não era comum apresentar-se em Portugal. Às vezes apareciam indocumentados, mas isso devia-se às circunstâncias em que saiam do país”, apontou, acrescentando que o SEF se tem deparado com circunstâncias, como a destruição propositada de documentos, que indiciam que há o objetivo de induzir as autoridades em erro e utilizar indevidamente a sistema de asilo.

Maria Emília Lisboa referiu ainda que o SEF está “particularmente atento e preocupado” com as crianças não acompanhadas com idade até aos 16 anos porque o centro de acolhimento do CPR, para onde são encaminhadas, é um centro aberto e elas muitas vezes abandonam as instalações, dirigindo-se “possivelmente para outros países da União Europeia”.

103 crianças estão a bordo de um navio humanitário isolado no Mediterrâneo

Agosto 16, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 15 de agosto de 2019.

Apenas 11 desses menores estão acompanhados na embarcação Ocean Viking; Unicef considera inconcebível que a política esteja sendo priorizada em relação ao  salvamento dessas vidas.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, anunciou que cerca de 130 crianças no total estão atualmente nas embarcações Viking Ocean e Open Arms, que aguardam para desembarcar na Europa após resgate no mar Mediterrâneo.

A agência destaca relatos de que apenas 11 das 103 crianças a bordo do navio humanitário Ocean Viking estão acompanhadas por um dos pais ou adulto responsável.

Sobreviventes

Depois de resgate ocorrido há vários dias, a Itália e Malta não aceitaram receber os ocupantes e as ONGs que fretaram as embarcações disseram que não devolveriam os sobreviventes à Líbia por falta de segurança nos portos do país.

Para a diretora regional do Unicef para a Europa e Ásia Central, Afshan Khan, é inconcebível que mais uma vez a política seja priorizada em relação ao  salvamento de vidas das crianças presas no mar Mediterrâneo.

A também coordenadora especial do Unicef para a Resposta a Refugiados e Migrantes na Europa disse que muitos destes menores fugiram da pobreza, do conflito e das atrocidades impensáveis e têm o direito de estar em segurança e ser protegidas.

O pedido da agência é que seja imediatamente providenciado um porto com segurança para que essas crianças, juntamente com todas as outras a bordo dos dois navios, possam desembarcar com segurança.

Para Khan, a trágica perda de vidas no Mediterrâneo Central neste verão ressalta a necessidade imediata de mais esforços de busca e resgate que, no caso de crianças, mulheres e homens vulneráveis, “não deve ser um crime”.

Abrigo Seguro

A representante quer ainda que as instalações de acolhimento e identificação de menores refugiados e migrantes garantam um abrigo seguro e adequado, assim como um acesso rápido aos cuidados de saúde, apoio psicossocial e procedimentos de asilo.

Entre os requisitos urgentes apontados pela representante estão “mais compromissos de reinstalação, que priorizem as crianças e acelerem os processos de reagrupamento familiar dos Estados-membros da União Europeia.”

No comunicado, o Unicef elogia os progressos recentes para se criar um plano para uma maior solidariedade e compartilhamento de responsabilidades entre os governos europeus.

A nota destaca que as crianças não devem ficar presas no mar nem se afogar nas áreas costeiras do continente europeu.  Khan pediu que discussões políticas passem agora  para ações regionais que salvem vidas e acabem com mais sofrimento.

http://www.youtube.com/watch?v=EK5W7B1KYdQ

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