Greve climática: “O espaço público passou a incluir os mais jovens que, não podendo votar, têm muito a dizer”

Maio 24, 2019 às 6:00 am | Publicado em Divulgação, Vídeos | Deixe um comentário
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Entrevista do Público e da Rádio Renascença a Alice Gato e Gil Ubaldo no dia 23 de maio d3 2019.

Pedem justiça climática e a atenção dos governantes. Alice Gato e Gil Ubaldo, dois dos organizadores da Greve Climática Estudantil em Portugal, esperam ver os jovens nas ruas de 51 localidades já esta sexta-feira.

Ana Maria Henriques e Eunice Lourenço (Renascença)

Alice Gato e Gil Ubaldo conheceram-se a propósito da Greve Climática Estudantil, que mobilizou protestos de perto de 20 mil jovens portugueses a 15 de Março. A estudante do 12.º ano no Liceu Camões e o aluno de Ciência Política e Relações Internacionais da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade de Lisboa são dois dos organizadores das manifestações estudantis em Portugal. Esta sexta-feira, 24 de Maio, há novo desafio lançado aos jovens: sair à rua para mostrar que a luta pela justiça climática continua. São os convidados da Hora da Verdade, um programa de parceria entre o PÚBLICO e a Renascença, que pode ouvir hoje às 13h.

A 15 de Março, data da primeira greve climática estudantil, estima-se que entre 1,4 a 1,6 milhões de pessoas se tenham manifestado, em todo o mundo, para mostrar que é preciso tomar uma posição quanto às alterações climáticas. Foi apenas o início de uma luta ou a mobilização está mais difícil?
Alice Gato (A.G.) – O 15 de Março foi o início de uma luta e o 24 de Maio é para demonstrar que não nos vamos embora até essa luta ter alguma resposta. A mobilização depende muito também da conjunção política que está a acontecer à nossa volta.

Para esta sexta-feira está marcada nova greve. Esperam uma adesão semelhante?
Gil Ubaldo (G.U.): Nunca podemos saber bem o que esperar. Na última manifestação esperávamos menos de mil pessoas e tivemos quase 10 mil só em Lisboa. Esperamos bater os números de 15 de Março.
A.G. – E até temos mais localidades a manifestarem-se.

Quantas?
A.G. – Penso que são 51.

E como é que vocês se organizam a nível nacional?
A.G. – Há um grupo nacional com o qual as pessoas de todas de regiões têm contacto nas reuniões semanais: falamos com as pessoas das escolas, ficamos com o contacto delas e tentamos que o máximo número de pessoas que queira ajudar o consigam fazer.

Os mais jovens são muitas vezes acusados de algum desinteresse face à vida pública e ao futuro. Mas este movimento internacional, o #SchoolStrike4Climate, tem provado que vocês afinal estão preocupados com o futuro do planeta.
G.U. – Há uma grande dualidade entre pessoas que não querem saber e pessoas que realmente estão empenhadas em ter uma acção directa contra este caminho. Mas o que temos vindo a verificar é que, ao ocupar o espaço público, as pessoas têm ganho interesse. O espaço público passou a incluir os estudantes e os jovens que, mesmo não podendo votar, têm muito a dizer.

Já alguma vez sentiram que não estavam a ser levados a sério por serem demasiado jovens?
A.G. – Depende do público com quem estamos a falar. Muita gente diz que já estamos perdidos, há cépticos das alterações climáticas, como sabemos, mas, no fundo, as pessoas até têm um certo respeito. Quando procuram conhecer o nosso trabalho, acabam por admirar que nós tenhamos esta garra.
G.U. – Também há quem diga: “Uau, incrível, estes jovens têm garra.” Mas olham para isso de uma maneira quase paternalista e vêem-nos como os putos que estão na idade de serem rebeldes e agir contra o sistema.
A.G. – Ou então como os mandriões que não querem fazer nada…
G.U. – Para sermos rebeldes e agirmos contra o sistema, temos de começar na juventude. Temos reivindicações sérias e vamos sair à rua para mostrar isso até ao fim.

“Ninguém é demasiado pequeno para fazer a diferença.” Acreditam nas palavras de Greta Thunberg, que dão título ao livro que a sueca editou recentemente?
A.G. – Nós até temos crianças da primária a irem às nossas manifestações. E há um grande envolvimento dos professores e dos pais, com o Teachers for Future e o Parents for Future.

A greve também é vista só como uma desculpa para faltar às aulas. Sentem esse discurso?
G.U. – É um dos argumentos que nos atiram à cara diariamente.

E quem é que o faz? Os professores, os pais, os outros colegas?
A.G. – Mais pessoas que não têm nada para fazer e querem ter visibilidade só por criticar.
G.U. – Sim, é verdade, nós faltamos às aulas. A greve estimula muita gente a ter uma acção diária. Faltar às aulas é o menor do nosso problema. Não vale a pena estarmos a ir a uma aula, quando o nosso sistema de ensino não nos incentiva a agir por aquilo que nós acreditamos. É um confronto directo que tem de se fazer.

As faltas vão ser injustificadas.
G.U. – É greve.
A.G. – Há quem diga que não tem faltas para dar, mas só houve mais uma greve e essas pessoas andaram a faltar durante o ano inteiro. Faltem por uma causa maior. Usamos o termo greve de forma simbólica, é greve por extensão: o que é esta falta comparada com o nosso futuro? Relativamente a testes, os alunos devem pedir aos professores que não os marquem nesses dias e alertá-los para o facto de isto não ser só um problema nosso. Isto também os afecta.

Tiveram o apoio dos professores, na greve anterior e nesta?
A.G. – Depende de professor para professor. Falei disso em todas as minhas disciplinas, os meus colegas já não me podem ouvir falar mais sobre isto.

O ministro do Ambiente já disse que a declaração de emergência climática seria apenas um “gesto simbólico”, sem efeitos práticos. O que é que vocês têm para lhe responder?
A.G. – A verdade é que a emergência climática só foi declarada, recentemente, pelo Reino Unido e pela Irlanda. Em Portugal isso nunca aconteceu e não faz muito sentido dizer: “Eles já declararam emergência climática, mas não aconteceu nada.” Isto não é de um dia para o outro. Estamos a reconhecer que, de facto, vivemos perante uma emergência, que são precisas acções e soluções eficientes e drásticas para este problema.

E que acções drásticas devem ser essas?
G.U. – Termos 100% de energias renováveis até 2030 — e não até 2050 —, a proibição da exploração de energias fósseis em Portugal e o cancelamento de todas as concessões existentes, o encerramento das centrais termoeléctricas de Sines e do Pego, que ainda são movidas a carvão.
A.G. – E uma requalificação das pessoas que lá trabalham para empregos pró-clima, sustentáveis.
G.U. – A nossa luta é transversal e, enquanto lutamos pelo clima, não podemos deixar para trás a luta laboral. Além disso, reivindicamos o melhoramento eficaz da rede de transportes públicos, de modo a reduzir o uso do transporte particular.

Recentemente tiveram a declaração de apoio de 32 organizações da sociedade civil. Continuam a ser um movimento apartidário?
A.G.  Continuamos a ser apartidários. É óbvio que há partidos que se identificam mais com os nossos objectivos do que outros, mas não somos nós que os vamos excluir à partida. Quem não se identifica com o nosso movimento exclui-se a si próprio. Queremos que toda a gente perceba que isto é um problema que vai além de questões partidárias. É como a Greta diz: “Nós não conseguimos mudar o clima sem mudar o sistema.”

E já receberam propostas de apoios financeiros de alguma organização ou entidade?
A.G. – Que eu saiba, não. Onde é que elas estão?

Então como é que vocês se financiam?
G.U. – Por nós próprios.
A.G. – Compramos algumas coisas, pedimos aos nossos avós. Há organizações que já têm os seus materiais e nos emprestam. Pedimos uma carrinha aos Precários Inflexíveis e megafones ao Climáximo, por exemplo.
G.U. – O resto é muito orgânico.

Vídeo da entrevista no link:

https://rr.sapo.pt/video/206663/depois-da-greve-estudantil-ha-greve-geral-pelo-clima-a-27-de-setembro?jwsource=cl

Unicef avisa que eventos climáticos extremos colocam crianças em risco

Outubro 3, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 31 de agosto de 2018.

Agência da ONU acredita que recordes de temperatura, cheias e secas oferecem visão austera do mundo que espera as gerações futuras; América Central e Caribe já se preparam para temporada de furacões.

O grande número de eventos climáticos extremos, como cheias na Índia, incêndios florestais nos Estados Unidos e ondas de calor, em todo o Hemisfério Norte, colocam as crianças em risco iminente e arriscam os seus futuros. O alerta é do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef.

O diretor de programas da agência, Ted Chaiban, disse que “as crianças estão entre as mais vulneráveis em qualquer crise e os eventos climáticos extremos não são exceção. ”

Crises

Segundo Chaiban, “nos últimos meses, tem se visto uma visão austera do mundo que está a ser criado para as gerações futuras.”

O especialista acredita que “estes eventos aumentam o número de emergências e crises humanitárias e serão as crianças a pagar o preço mais alto.”

Os meses de junho e julho registraram recorde de temperaturas em grande parte do Hemisfério Norte. A Organização Mundial de Meteorologia, OMM, afirmou que os primeiros seis meses do ano foram os mais quentes desse o início dos registros de temperatura.

Grandes partes do globo sofreram ondas de calor, secas, incêndios florestais, inundações e deslizamentos de terra, resultando em ferimentos e perda de vidas, danos ambientais e perdas econômicas.

Neste momento, os países da América Central e do Caribe preparam-se para a temporada de furacões, enquanto se recuperam da época do ano passado, que provocou um recorde de prejuízos.

Desafios

O Unicef explica que, embora estes eventos não possam ser especificamente atribuídos à mudança climática, estão de acordo com as previsões de como as atividades humanas afetam o clima em todo o mundo.

A agência diz que estes desastres causam morte e devastação, mas também fazem aumentar problemas que matam muitas crianças, como desnutrição, malária e diarreia.

Chiaban afirma que “é vital que os governos e a comunidade internacional tomem passos concretos para proteger o futuro das crianças e os seus direitos”. Segundo ele, “os piores efeitos da mudança climática não são inevitáveis, mas o tempo para agir é agora.”

Consequências

Em relação à temperatura, o Unicef explica que as crianças com menos de 12 meses são mais vulneráveis. Bebés e crianças pequenas não têm capacidade de controlar a sua temperatura corporal ou o ambiente à sua volta. Temperaturas altas também aumentam a necessidade de água potável, e em muitos casos torna esse recurso mais escasso devido à evaporação.

Quanto às cheias, além dos riscos de ferimentos e afogamento, afetam o fornecimento de água e as condições sanitárias, aumentando o risco de diarreia e outras doenças, e dificultando o acesso das crianças à escola.

Por fim, as secas têm vários efeitos nas famílias e comunidades mais pobres. As colheitas falham e o gado morre, causando insegurança alimentar e um aumento do preço dos alimentos em todo o mundo.

Segundo o Unicef, estes problemas aumentam a desordem social e as migrações, e as crianças estão entre as mais vulneráveis aos seus efeitos.

 

The Challenges of Climate Change: Children on the front line – Novo Relatório da Unicef

Agosto 1, 2014 às 8:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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descarregar o relatório aqui

Children and young people represent 30 per cent of the world’s population. Not only do they represent the largest group of people currently affected by climate change, but they are also more vulnerable than adults to its harmful effects. Children and young people also constitute the generation that will be required to deal with the future impacts of climate change and that will have to deliver the very deep cuts in greenhouse gas emissions that will be essential in the coming decades. This book is an attempt to redress the balance. It brings together the knowledge and opinions of 40 contributors – scientists, development workers, and experts in health, nutrition and children’s rights – in an attempt to build up a clear picture of what climate change means for the children of today and tomorrow.

According to some measurements, climate disasters affect 175 million children a year, and in Africa and South Asia alone, an estimated 250,000 children die each year due to climate change. Children’s right to a sustainable future has been internationally recognized in the CRC, and with this report we’re bringing attention to the crisis of climate change.

Crianças serão principais vítimas de mudança climáticas, previstas 250 mil mortes/ano

Agosto 1, 2014 às 7:30 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://diariodigital.sapo.pt de 1 de agosto de 2014.

O documento citado na notícia é o seguinte:

The Challenges of Climate Change: Children on the front line

 As crianças constituem o grupo mais afectado pelas mudanças climáticas, mas continuam a ser «ignoradas» durante as negociações de alto nível sobre o tema, afirma a UNICEF, o Fundo da ONU para a Infância, num relatório inédito onde discute os direitos das crianças nas políticas sobre o clima. Na próxima década, os desastres naturais podem causar a morte de 250 mil menores por ano.

Na próxima década, 175 milhões de crianças do sul da Ásia e de África serão afetadas por desastres relacionados com o clima, o que poderá levar à morte de 250 mil menores todos os anos, afirma o director da UNICEF, sublinhando que os efeitos das mudanças climáticas estão cada vez mais visíveis e extremos e a afectar as vidas de crianças e adolescentes em todo o mundo.

Anthony Lake sublinha que 80% das mortes atribuídas a eventos do clima têm como vítimas os menores e a maioria das fatalidades ocorre nos países em desenvolvimento.

O relatório inclui artigos de 40 especialistas em saúde, nutrição, direitos das crianças e cientistas. O documento descreve as ameaças e a urgência em melhorar esforços de adaptação às mudanças climáticas, desde que as crianças sejam incluídas nas acções.

As mortes relacionadas com o clima podem ocorrer devido a desastres naturais ou doenças causadas pela insegurança alimentar, falta de acesso à água limpa e saneamento.

Para o director da UNICEF, o desafio imposto pelas mudanças climáticas é imenso e requer uma resposta urgente de todas as gerações. Lake lembra que serão as crianças a herdar o planeta e, por isso, deveriam de ser as últimas a serem excluídas das negociações.

 

XIX Jornadas Pedagógicas de Educação Ambiental da ASPEA – Aprender fora de portas: percursos de aprendizagem

Janeiro 26, 2012 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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II Congresso Internacional Escolar “Recursos Naturais, Sustentabilidade e Humanidade”

Abril 11, 2010 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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O II Congresso Internacional Escolar “Recursos Naturais, Sustentabilidade e Humanidade”, irá decorrer em Braga, de 5 a 8 de Maio de 2010. Mais informações Aqui


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