Consumo de álcool entre os jovens de 15 anos desceu para metade em 12 anos

Outubro 16, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 26 de setembro de 2018.

Será que maior controlo do consumo alcoólico decorre do maior investimento dos jovens nas redes sociais e nos jogos online? A interrogação parte da coordenadora do estudo da Organização Mundial de Saúde, no qual participaram 1500 portugueses.

Natália Faria

Em doze anos, o consumo de álcool entre os jovens com 15 anos de idade desceu para metade. A boa notícia é extensível à maioria dos países europeus, Portugal incluído: por cá, o consumo regular desceu dos 16% em 2002 para os 8% registados em 2014, segundo um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgado esta quarta-feira.

No caso português, a descida nos hábitos regulares de consumo de álcool foi mais acentuada entre as raparigas: passaram de 13% para 4%, enquanto nos rapazes o consumo desceu de 19% para 11%. Na média dos 34 países analisados, o consumo regular de álcool entre rapazes e raparigas desceu de 26% para 13%.

Declarando-se “moderadamente optimista” com esta evolução (há excepções, como Israel, onde o consumo regular dos jovens aumentou para os 19,4%), Margarida Gaspar de Matos, que coordenou este estudo em Portugal, começa por lembrar que o consumo de álcool entre os adolescentes portugueses sempre foi “moderado” quando comparado com os outros países incluídos neste estudo que emana do Health Behaviour in School-aged Children – um projecto da OMS que, de quatro em quatro anos, analisa os comportamentos de mais de 200 mil adolescentes em 42 países e regiões da Europa e do Norte da América.

Neste caso, o objectivo era registar as variações no consumo de álcool aos 15 anos de idade, nos 12 anos que separam 2002 e 2014, num total de 36 países e regiões europeias. Do lado português, os cerca de 1500 jovens inquiridos apontam diminuições substanciais no consumo dos diferentes tipos de álcool. Na cerveja, a descida foi de 8% para 5%, no vinho de 3% para 1% e as chamadas espirituosas também decaíram de 11% para 4%.

“Vítimas do gole de champanhe”

Mas é na iniciação alcoólica que os jovens portugueses se saem pior. Quando se lhes perguntou se já tinham experimentado álcool, mesmo que só um gole, e com que idade, 38% responderam que foi antes dos 13 anos de idade (42%, em 2002). Nisto, os portugueses rivalizam com os países de Leste, onde o consumo de álcool está mais disseminado entre os jovens. Mas, num país onde há 50 anos ainda se achava que o vinho alimentava as crianças e as fortalecia, Margarida Gaspar de Matos não descortina aqui grandes razões para preocupação. “Os jovens portugueses ainda são vítimas do gole de champanhe nas festas ou do vinho do Porto nos anos da avó”, contextualiza, preferindo enfatizar a descida nas embriaguezes, de 22% para 17% aos 15 anos, e de 8% para 5% aos 13 anos ou menos de idade.

Esta nota positiva aos jovens portugueses no tocante ao consumo alcoólico repete a avaliação dos inquéritos mais recentes divulgados pelo Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD), o último dos quais, divulgado no ano passado mas com dados relativos a 2015, mostrava ainda assim que aos 13 anos quase um terço (31%) dos alunos das escolas públicas já tinha consumido bebidas alcoólicas.

Mas a investigadora está apenas “moderadamente optimista”. Isto porque, conhecidas as razões que levam os jovens a beber, Margarida Gaspar de Matos não viu que os esforços de restrição do consumo adoptados, fossem “sistematicamente acompanhados de medidas alternativas” capazes de ajudar os jovens a lidar com as situações que eles identificam como associadas ao consumo.

Portugal adoptou a proibição legal de venda de álcool a menores. Em 2013, a lei proibiu a venda de bebidas espirituosas a menores de 18 anos e todas as restantes bebidas alcoólicas a menores de 16. Dois anos depois, a interdição de venda a menores de 18 anos foi alargada a todas as bebidas alcoólicas. Manteve-se a proibição de venda em cantinas e postos de venda automática. E as bombas de gasolina na auto-estrada ou fora das localidades continuaram a ver interditada a venda de álcool entre a meia-noite e as oito da manhã. Ao longo dos últimos anos, os impostos sobre o álcool (logo, os preços) aumentaram e aumentou também o controlo associado à condução de veículos sob efeito do álcool. Com isso, conclui o relatório, conseguiu-se controlar o consumo e reduzir a sinistralidade.

Menos álcool, mais jogo online?

A questão é que os jovens declaram que bebem para se divertir, para explorar os seus limites e as suas potencialidades, para lidar com emoções e sentimentos negativos, para se sentirem socialmente mais competentes. Falta assim “um investimento nas políticas da juventude, nomeadamente no uso diversificado do tempo livre sem álcool”. O desporto pode ajudar, mas, como diz Margarida Gaspar de Matos, “há jovens que não se sentem competentes no desporto”. Logo, há que os ajudar (“na família, na escola, no município, no clube…”) a dispensarem o álcool como coadjuvante na regulação das emoções e a “perceberem-se como socialmente competentes sem álcool”. Em resumo: “Não basta controlar o consumo, é preciso providenciar alternativas.”

A cautela da investigadora assenta ainda no facto de os jovens despenderem cada vez mais tempo em frente a um ecrã de telemóvel ou computador. “Espero que este estado controlado do consumo de álcool não esteja apenas associado a um sobre-investimento nas redes sociais e jogos online”, cogita a coordenadora do estudo, dizendo-se convencida de que “se as políticas públicas não apostarem na consolidação de evoluções positivas como esta, há grandes riscos de as coisas regredirem e de que novas dependências apareçam”.

Este projecto, em que Portugal participa desde 1998 e que procura estudar a adolescência, avaliando hábitos, consumos, comportamentos, com impactos na saúde física e mental, em diferentes fases de crescimento, vêm-se prefigurando alguns destes potenciais novos problemas e dependências: dos jogos e pornografia online à auto-medicação psicotrópica, passando pelo uso de novas drogas.

mais informações no documento:

Adolescent alcohol-related behaviours: trends and inequalities in the WHO European Region, 2002–2014 (2018)

 

Mediação familiar: uma solução bem sucedida em casos de rapto parental

Outubro 15, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

http://missingchildreneurope.eu/mediator/news/categoryid/0/documentid/40

Em Portugal o 116 000 foi atribuído ao SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança. Mais informações aqui 

Metade das pessoas que vivem na pobreza tem menos de 18 anos

Outubro 15, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 20 de setembro de 2018.

Índice  revela que 662 milhões de crianças vivem em situação de pobreza; Timor-Leste, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe são os países lusófonos com maior incidência de pobreza; maioria dos carenciados vive em zonas rurais.

Metade da população que vive em situação de pobreza é menor de idade. A conclusão é do Índice Multidmensional de Pobreza do Programa da ONU para o Desenvolvimento, Pnud, e da Iniciativa de Oxford para a Pobreza e Desenvolvimento Humano, Ophi.

Os dados mostram que nos 104 países de baixa e média rendas analisados, 662 milhões de crianças são pobres. Em cada 35 destes países, metade da população infantil vive em situação de pobreza.

Para além do rendimento, este Índice considera também outras dimensões como a saúde, a educação, a nutrição, o acesso a saneamento e a água potável, para aferir o grau de pobreza. Aqueles que estão privados de três destes critérios são considerados pobres.

No total,  há 1,3 mil milhões de pessoas que vivem em situação de pobreza, sendo que destes 46% vivem mesmo em pobreza extrema.

Para o administrador do Pnud, Achim Steiner, há ainda muito a ser feito mas a evolução tem sido positiva. Na Índia, por exemplo, 271 milhões de pessoas saíram da pobreza 2005/06 e 2015/16.

CUT 1 – Administrador do Pnud, Achim Steiner

Segundo Steiner, “milhões de pessoas escaparam da pobreza devido a políticas e programas deliberadamente concebidos que permitiram que os países fizessem coisas extraordinárias.” Por isso, o Pnud “pretende criar uma rede global de aprendizagem que permita a outros países extrair rapidamente essas lições.”

Lusófonos

Timor-Leste regista a maior percentagem de pessoas em situação de pobreza: 26%, seguido por São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau. Já Angola e Moçambique apresentam uma taxa de 16% e 14%, respetivamente.

Outras regiões

A pobreza em afeta todas as regiões em desenvolvimento do globo mas é mais acentuada na África Subsariana e no sul da Ásia.

Os dados revelam também que a maioria que vive na 1,1 mil milhão vive em zonas rurais, onde a taxa de pobreza é quatro vezes mais alta do que nas cidades.

Mais notícias na notícia:

Half of world’s poor are children

 

A cada cinco segundos morre uma criança no mundo por causas evitáveis

Outubro 11, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Edgard Garrido

Notícia do Público de 18 de setembro de 2018.

Em cada dia de 2017, morreram 15 mil crianças devido a causas evitáveis e doenças tratáveis como a diarreia, a pneumonia ou a malária.

Inês Chaíça

Em 2017 morreram em todo o mundo 6,3 milhões de crianças e adolescentes (dos 0 aos 14 anos) por causas evitáveis — fazendo as contas, é uma morte a cada cinco segundos. Dessas, 5,4 milhões tinham menos de cinco anos e metade dos óbitos (2,5 milhões) ocorreram durante o primeiro mês de vida. Má nutrição, infecções e acidentes lideram a lista das causas de morte, de acordo com um relatório conjunto da UNICEF, Organização Mundial de Saúde (OMS), da divisão de população do Departamento de Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas e do Banco Mundial publicado nesta terça-feira.

Apesar dos “progressos substanciais” das últimas duas décadas em matéria de prevenção da mortalidade infantil, estima-se que 15 mil crianças tenham morrido por dia em 2017 devido a causas evitáveis e doenças tratáveis, como diarreia, pneumonia ou malária. Uma situação “inaceitável”, conforme se lê no relatório.

“Estas mortes são reflexo do acesso limitado das crianças e das comunidades a actos médicos como vacinação e o tratamento de doenças infecciosas, à nutrição adequada, água limpa e ao saneamento”, analisam os autores do documento. “Alcançar metas de sobrevivência infantil ambiciosas requer que haja acesso universal a cuidados efectivos, de alta qualidade e acessíveis para mulheres, crianças e adolescentes”.

De acordo com os dados das Nações Unidas, há disparidades “regionais generalizadas”, que se relacionam com “desigualdades de rendimento”, e que afectam as hipóteses de sobrevivência das crianças. Em termos regionais, os países da África Subsaariana continuam a registar as taxas de mortalidade de crianças com menos de cinco anos de idade mais elevadas do mundo. Metade das mortes nessa faixa etária ocorreu nesta região.

Em 2017, na África Subsaariana, uma em cada 13 crianças morreu antes do quinto aniversário. Por comparação, a Nova Zelândia e a Austrália apresentam as taxas de mortalidade infantil mais baixas do mundo: apenas uma em cada 263 crianças morre antes de chegar aos cinco anos.

Primeiro mês após o parto é o mais perigoso 

Se estas estimativas se mantiverem, entre 2018 e 2030 deverão morrer 56 milhões de crianças com menos de cinco anos de idade — e “metade deles serão recém-nascidos”, lê-se no relatório.

Em termos globais, a maioria dos óbitos regista-se nas faixas etárias mais jovens, sendo que o maior risco de morte se regista no primeiro mês de vida. “Em 2017, a mortalidade neonatal — a probabilidade de morrer nos primeiros 28 dias de vida — estimava-se em 18 mortes por 1000 nados-vivos em termos globais”, lê-se.

Estes números estão associados a factores como a idade das mães (mulheres com menos de 20 anos dão à luz bebés com menor probabilidade de sobrevivência), o nível de escolaridade da progenitora (registou-se um decréscimo na mortalidade dos bebés entre mães com o ensino secundário ou superior) e os níveis de pobreza das famílias e das respectivas comunidades. Nas zonas mais pobres, a probabilidade de se morrer antes dos cinco anos sobe para o dobro.

Entre os bebés, as principais causas de morte incluem as complicações durante o parto, pneumonia, anomalias congénitas, diarreia, sépsis e malária. Mais tarde, as principais causas de morte passam a ser lesões, acidentes rodoviários e afogamento.

Morrem mais crianças na República Centro Africana

De acordo com os dados de 2017, foi na República Centro Africana, mergulhada em conflito desde 2013, que se registou a taxa de mortalidade infantil (de crianças com menos de cinco anos) mais elevada do globo: 88 mortes por cada 1000 nascimentos. Também a mortalidade neonatal foi a mais elevada, com 42 mortes por cada 1000 nados-vivos.

Nos países de língua oficial portuguesa, é em Angola que a taxa de mortalidade infantil é mais elevada: em 2017, morreram 54 crianças com menos de cinco anos por cada 1000 nascimentos. No Brasil, registaram-se 13 mortes por cada 1000 nados vivos. Em Portugal, contaram-se três mortes em cada 1000 nascimentos.

Menos mortes do que em 1990

Analisando um período mais largo de tempo, a mortalidade infantil tem baixado em todo o mundo. Em 1990 morreram 12,6 milhões de crianças com menos de cinco anos; em 2017, 5,4 milhões. O número de óbitos entre os cinco e os 14 anos desceu de 1,7 milhões em 1990 para menos de um milhão em 2017.

“Este novo relatório sublinha o progresso notável desde 1990 na redução da mortalidade infantil”, disse o sub-secretário-geral para os Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas, Liu Zhenmin, citado num comunicado de imprensa. “Reduzir a desigualdade ao dar assistência aos recém-nascidos mais vulneráveis, crianças e mães é essencial para alcançar o objectivo de desenvolvimento sustentável sobre o fim das mortes infantis evitáveis, garantindo que ninguém fica para trás”.

Dos 195 países em análise, 118 já alcançaram os objectivos de desenvolvimento sustentável e 26 estão bem encaminhados, se continuarem com o que já fizeram até agora. Ficam a faltar 51, dos quais dois terços se localizam na África Subsaariana. “Nos restantes países, o progresso terá de ser acelerado, para alcançar os objectivos do desenvolvimento sustentável até 2030”, conclui o relatório.

Se esses países conseguissem atingir esse objectivo, significaria mais dez milhões de crianças com menos de cinco anos salvas, comparado com o cenário actual.

Mais informações na notícia da Unicef:

A child under 15 dies every five seconds around the world – UN report

Portugal é um dos países da OCDE onde as famílias mais pagam pelo pré-escolar

Outubro 3, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 11 de setembro de 2018.

São cada vez mais as crianças que frequentam jardins de infância por um ou mais anos. Mas a despesa do Estado por aluno continua a estar abaixo da média dos países europeus, indica o relatório Education at Glance.

ortugal já atingiu a meta europeia definida para 2020 de ter 95% das crianças de 5 anos inscritas no pré-escolar e as taxas de frequência aos 3 e 4 anos subiram consideravelmente entre 2005 e 2016, colocando-se acima da média da OCDE. Mas uma parte significativa do aumento tem sido suportada pelo esforço das famílias. De acordo com o relatório Education at a Glance 2018, que acaba de ser divulgado pela OCDE, o nível de financiamento assegurado pelos pais portugueses é o “terceiro mais alto de todos os países da organização e está 20 pontos percentuais acima da média”. Acima só o Reino Unido. A Turquia apresenta um valor igual.

Os números mais recentes indicam então que 36% da despesa com educação pré-escolar (dos 3 aos 5 anos) em Portugal vem dos orçamentos familiares, enquanto 64% vem de financiamento público. As médias da OCDE são de 16% e 83%, respetivamente.

São vários os estudos que têm vindo a demonstrar os benefícios decorrentes da frequência do pré-escolar no bem-estar das crianças, na sua capacidade de aprendizagem e desenvolvimento. Por isso, sublinha a nota da OCDE sobre Portugal, tornar acessível este nível de educação é “fundamental para garantir a equidade na participação em sistemas de educação e apoio às crianças” com qualidade e para todos.

Os dados da OCDE também indicam que a despesa média anual por criança do pré-escolar em Portugal (7 mil dólares em poder de paridade de compra) fica abaixo da média da OCDE (8528 dólares) e dos países da União Europeia (8952). No entanto, lembra-se no relatório, a educação pré-escolar em Portugal pode abranger três anos (crianças dos 3 aos 5 anos) e noutros países decorre durante um ano ou dois.

A redução de educadores de infância na última década também fez que com o rácio de crianças por profissional tenha piorado: em 2016, eram 17 por educador, mais três do que a média da OCDE.

Quase metade das crianças no privado

Em Portugal, a frequência do pré-escolar não é obrigatória, mas o Estado tem de garantir oferta para todas as crianças de 4 e 5 anos em regime de gratuitidade. O problema é que, sobretudo em concelhos das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, nem todos os jardins de infância públicos desejados pelos pais e próximos da sua área de residência têm vagas.

A alternativa é optar por uma Instituição Particular de Solidariedade Social, onde acabam por ter de suportar parte dos custos, já que o Estado apenas comparticipa a componente educativa (cinco horas por dia).

Se a decisão for por uma escola privada, as mensalidades ultrapassam facilmente os 400 euros, não existindo qualquer comparticipação do Estado. Em ambos os casos e para a generalidade das famílias, os custos acabam por ser significativos.

Em Portugal, quase metade (47%) das crianças do pré-escolar estão inscritas em estabelecimentos privados, lucrativos ou não. Na Europa essa percentagem fica-se pelos 22%.

No outro extremo do sistema de ensino, quando os alunos chegam à universidade, os últimos dados da OCDE também mostram o maior peso relativo que as famílias portuguesas suportam. Cerca de um quarto do financiamento da frequência de ensino superior vem dos orçamentos das famílias contra uma média na UE 22 de 15% e de 22% em toda a OCDE.

Atrasos e desigualdades persistem

Ao longo de quase 500 páginas, o Education at a Glance tira o retrato aos sistemas educativos de todos os países membros da OCDE e parceiros. Da educação pré-escolar ao superior, dos professores ao financiamento.

Nos destaques que faz em relação a Portugal, sublinha-se ainda o facto de, apesar do enorme progresso nas últimas décadas, o país continuar a ter uma das maiores percentagens de adultos que não concluíram o ensino secundário e também de desigualdades nos rendimentos.

Os números falam por si: em 2017 mais de metade (52%) da população 25-64 anos tinha apenas o ensino básico como habilitação máxima. A média da OCDE fica-se pelos 22%.

Só que há 10 anos, o fosso era ainda maior, mesmo tendo em conta a população mais jovem (25-34 anos). Em 2007, havia 56% sem o 12.º ano, contra 20% na OCDE. Em 2017, a percentagem caiu para os 30%. No entanto, continua a ser o dobro da organização.

Além disso, o país apresenta a maior disparidade entre sexos no que respeita a qualificações: 38% dos homens entre os 25 e os 34 anos não têm o secundário e o mesmo acontece com 23% das mulheres. A diferença média na OCDE fica-se nos 3 pontos percentuais.

No ensino superior, a diferença entre eles e elas é de 26% para 42% de licenciados entre os jovens. “Mas as mulheres continuam a ganhar menos do que os homens, independentemente do nível de educação atingido e esse fosso é maior em média em Portugal do que nos outros países”, lê-se no relatório.

O relatório citado na notícia é o seguinte:

Education at a Glance 2018

 

 

 

Mais de 1 em 3 alunos são vítimas de bullying

Outubro 1, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto e imagem da Unicef Portugal

Depressão.
Ansiedade.
Suicídio.
É este o impacto que a violência sobre crianças e jovens tem a longo-prazo. Um total avassalador de 150 milhões de adolescentes no mundo relata ter sido vítima de violência de pares na escola ou nas imediações desta.
#PôrFIMàViolência#ENDviolence

Mais informações no link da Unicef:

https://www.unicef.pt/global-pages/_/porfimaviolencia-nas-escolas/

Há cinco crianças por dia vítimas de crimes sexuais

Setembro 25, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 12 de setembro de 2018.

Quase metade dos alunos do secundário escolhe um curso profissional

Setembro 24, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do Jornal de Notícias de 11 de setembro de 2018.

Portugal tem como objetivo chegar a 2020 com metade dos jovens do secundário inscritos em cursos profissionais, mas a meta estava ainda longe de ser alcançada, em 2016.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico reconhece que Portugal tem apostado no ensino profissional, como forma de combater o abandono escolar e facilitar o acesso dos jovens ao mercado de trabalho. Um relatório divulgado na manhã desta terça-feira nota que os 41% de inscritos em cursos profissionais deixa o país ainda longe da meta de 50% definida para o ano de 2020.

A maioria dos jovens portugueses escolher estudar uma área dos serviços, ao contrário do que sucede na OCDE, onde preferem a indústria, engenharia e construção.

Todos os anos, a OCDE publica o relatório “Education at a Glance”, onde retrata o estado da educação nos vários países. Ao longo dos anos, a organização tem reconhecido o avanço de Portugal, mas mesmo assim a qualificação da população continua muito abaixo da média dos restantes países.

Ainda hoje, a pesar da sucessão de programas de qualificação de adultos como o Novas Oportunidades, mais de metade dos portugueses ainda não tem o ensino secundário. Com a renovação das gerações, contudo, o cenário vai alterar-se: na década que vai de 2007 a 2017, a percentagem de jovens adultos com a escolaridade mínima obrigatória completa passou de 44% para 70%. “É de longe o maior aumento da OCDE”, apesar de ainda estar abaixo da média de 85%, diz o relatório.

O caminho percorrido no ensino superior é semelhante. No ano passado, 34% dos jovens adultos acabaram um curso – mais do que os 21% de há uma década, mas ainda assim dez pontos percentuais abaixo da média da OCDE. A manter-se esta evolução, a OCDE estima que 40% dos atuais jovens terão um canudo (menos do que os 49% da média da OCDE).

Pré-primária acima da média

A exceção ao panorama das fracas qualificações dos portugueses é o ensino pré-primário, no qual Portugal está bem classificado. Na década entre 2005 e 2016, a taxa de inscrição no sistema de ensino das crianças até aos três anos aumento de 64% to 83% e a dos meninos de quatro anos cresceu 79% to 90% – ambas acima da média dos países da OCDE. É um sinal positivo,

Apesar do aumento do número de crianças na escola, os cortes feitos durante a “Troika” levaram à redução em 9% do número de professores. Diz a OCDE que, em 2016, cada professor do pré-primário tinha a seu cargo 17 crianças, mais três do que a média da organização.

O relatório citado na notícia é o seguinte:

Education at a Glance 2018

Dados de Portugal:

https://read.oecd-ilibrary.org/education/education-at-a-glance-2018/portugal_eag-2018-63-en

 

 

Ensino profissional perde um terço dos seus alunos mais frágeis

Setembro 21, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 14 de agosto de 2018.

Os alunos que no ensino básico foram desviados para outras ofertas educativas, devido ao acumular de chumbos, são também os que menos sucesso alcançam nos cursos profissionais do ensino secundário. Esta é uma das principais constatações de um novo estudo sobre o ensino profissional, divulgado pela Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC).

Seguindo o percurso individual de cada aluno, a DGEEC foi apurar qual era a situação em 2016/2017 dos alunos que, três anos antes, seguiram do 9.º ano para um curso profissional. À semelhança do que também se passa no ensino regular, três anos é o prazo normal (sem retenções) de conclusão dos cursos profissionais do secundário.

E o que a DGEEC descobriu foi o seguinte: 70% dos cerca de 30 mil alunos que chegaram ao profissional vindos do ensino básico geral concluíram o curso em três anos, enquanto só 35,6% dos 7869 estudantes que vieram de outras vias o conseguiram fazer. Mais: a percentagem dos que abandonaram o secundário sem terminar este nível de ensino sobe de 6% entre os primeiros para 30% no segundo grupo.

Para o investigador da Universidade Católica, Joaquim Azevedo, que tem acompanhado de perto a realidade do ensino profissional, os dados agora divulgados vêm confirmar, por um lado, que “as escolas não sabem lidar com as crianças que tiveram percursos muito conturbados durante o ensino básico” e, por outro, que se continua a encarar o ensino profissional como se este servisse “para tudo e para todos”.

Entre os estudantes que se inscreveram no ensino profissional em 2014/2015, estão incluídos 5652 alunos que concluíram o 9.º ano nos Cursos de Educação e Formação (CEF) do ensino básico, 1769 que terminaram o 3.º ciclo do ensino básico nos cursos vocacionais, criados por Nuno Crato, e 448 que frequentaram turmas do básico com Percursos Curriculares Alternativos (PCA). Todas estas ofertas têm em comum o facto de se destinarem a alunos com um historial de retenções, como comprovam aliás as suas idades médias de chegada ao secundário: oscilam entre 16,9 e 17,3 anos, enquanto os que vêm do ensino regular têm em média menos de 16 anos. O que mostra que os primeiros tiveram mais chumbos no seu percurso anterior do que os segundos.

São cursos que, “já em si, constituem soluções de ‘segunda’ e de terceira’”, critica Joaquim Azevedo, para defender que quando os adolescentes, que foram para ali encaminhados, os terminam “deveriam continuar a usufruir de alternativas curriculares adequadas e não ser ‘remetidos’ para o ensino profissional, como se, por não ser ‘ensino geral’, servisse para tudo e para todos!”. O que não é verdade, insiste: “O ensino profissional não é um percurso mais fácil que o do ensino geral. Exige, por exemplo, uma clara orientação e ‘vocação’”.

Ora, acrescenta, “uma boa parte dos alunos que são oriundos daqueles outros cursos do ensino básico não reúnem condições básicas para prosseguirem estudos em ambas estas modalidades [geral e profissional], que são pouco flexíveis e muito rígidas”.

Lisboa com maus resultados

E por isso continuam a ter o fracasso pela frente já que, denuncia ainda Azevedo, continua a existir “uma devoção incompreensível e comum com o modelo curricular único e igual para todos, que arrasta imenso insucesso escolar desnecessário”.

No conjunto, a percentagem de alunos que concluiu o ensino profissional em três anos passou de 53% em 2014/2015 para 60% em 2016/2017. No seu estudo, a DGEEC aponta outras diferenças que apresenta como “muito significativas”.

Por exemplo, em 2016/2017 a taxa de conclusão no tempo normal para um curso profissional na Área Metropolitana de Lisboa (46%) ficou 21 pontos abaixo da atingida no Norte (67%). É uma tendência que se repete. Como é também a do maior sucesso das raparigas, mesmo nos cursos profissionais: 68% concluíram em três anos, quando entre os rapazes este valor foi de 55%. Ou ainda a que aponta para um melhor desempenho das escolas profissionais privadas, onde 67% dos alunos conseguiram concluir no tempo normal. Nas secundárias públicas este feito foi alcançado por 56%.

Só para os mais fracos

As classes mais favorecidas só optam pelo ensino secundário profissional quando os seus filhos mostram grandes dificuldades nos estudos. Esta é uma das conclusões da DGEEC, que analisou as idades de ingresso no ensino profissional e as taxas de conclusão em tempo normal entre os alunos dos escalões A e B da Acção Social Escolar (ASE) e comparou-as com as registadas entre os estudantes que não necessitam destes apoios.

Primeiro resultado que a DGEEC apresenta como sui generis: ao contrário do que sucede no ensino regular, “os indicadores de sucesso no ensino profissional não atingem os seus valores mais elevados entre os alunos que não beneficiam da Acção Social Escolar (ASE), mas sim entre os que estão no escalão B”. Nos primeiros a taxa de conclusão em três anos é de 56%, enquanto nos segundos sobe para 63%. Entre os alunos oriundos dos agregados mais desfavorecidos, que estão no escalão A da ASE, este valor é de 52%, o mais baixo, portanto.

Segundo resultado: “A idade média de ingresso no profissional é mais elevada para os alunos sem ASE (16,1) do que para os estudantes no escalão B (16).” E isso quer dizer, frisa a DGEEC, que os primeiros “têm mais retenções anteriores” do que os segundos, quando em geral os estudantes do básico sem apoios da ASE “têm, em média, indicadores de sucesso escolar francamente superiores” aos dos alunos que beneficiam de apoios.

Somando estas duas realidades, a DGEEC afirma então o seguinte: “Os alunos de estratos socioeconómicos elevados têm que evidenciar dificuldades escolares muito marcadas durante o ensino básico para que os respectivos agregados familiares optem pela sua matrícula no ensino profissional.”

E aqui chegados aplica-se a eles o que se passa também com todos os outros alunos com um histórico de chumbos: como o “sucesso no básico é um dos preditores do sucesso no profissional” e eles não o tiveram, acabam também por soçobrar nos cursos profissionais.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Situação após 3 anos dos alunos que ingressam no ensino profissional

 

“Bullying” e crimes sexuais contra crianças aumentam em Portugal

Setembro 4, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Foto: Daniel Garcia/Unsplash

Notícia da Rádio Renascença de 23 de agosto de 2018.

“Estas situações continuam a acontecer debaixo de uma cultura do silêncio”, alerta APAV, que hoje divulga estatísticas relativas a crianças e jovens vítimas de violência doméstica.

Os pedidos de apoio relativos a crimes sexuais contra crianças e jovens e à violência em meio escolar aumentaram, nos últimos anos, em Portugal. É a conclusão Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), que esta quinta-feira divulga estatísticas relativas aos últimos quatro anos.

Os dados mais significativos dizem respeito aos anos de 2016 e 2017, altura em que aumentaram os casos de violência sexual: entre 30% e 60%.

No que diz respeito ao “bullying”, o aumento abrange o período analisado pela estatística (2013/2017) e tem merecido a preocupação da associação.

“É uma situação que nos continua a preocupar e na qual a APAV tem investido, não só no apoio como na prevenção, trabalhando estas questões junto das escolas, dos alunos, dos professores e do pessoal não docente, numa lógica de cultivar uma cultura da intolerância à violência”, afirma à Renascença Carla Ferreira, da associação.

Outro dado a reter é o facto de 70% dos pedidos de apoio dizerem respeito a atos de violência em ambiente familiar.

“Continuamos a ter aqui uma enorme prevalência de situações que acontecem no contexto doméstico – portanto, mais de 70% destas situações que nos foram reportadas acontecem em contexto doméstico e mais de 60% destas crianças vítimas foram-no vítimas por parte do pai ou da mãe, portanto são filhos ou filhas dos alegados autores”, refere Carla Ferreira.

Os dados indicam também “um decréscimo quer do número de vítimas apoiadas quer do numero de crimes registados” entre 2013 e 2015. Carla Ferreira deixa, contudo, um alerta: “não devemos que isto nos contente muito, porque sabemos que muitas destas situações continuam a acontecer debaixo de uma cultura do silêncio, que tem de ser combatida”.

Os números dos últimos dois anos podem levar-nos a pensar que haverá menos violência, mas “isso não ser necessariamente assim”, frisa.

“Não podemos deixar de estar atentos a estes casos que acontecem com estas vítimas, que são vítimas especialmente vulneráveis, e deixar que as situações possam estar a acontecer e estarmos todos a contribuir para este silêncio”, sublinha.

A estatística revela ainda casos residuais de xenofobia, racismo e discriminação religiosa. “São número muito pequeninos em relação ao global do número de crianças e jovens que apoiamos, mas há uma tendência crescente”, admite a responsável da APAV.

Entre 2013 e 2017, a associação apoiou 4.687 crianças e jovens, vítimas de 8.035 crimes.

O documento citado na notícia é o seguinte:

Crianças e Jovens Vítimas de Crime e de Violência 2013-2017

 

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