Só um em cada cinco alunos carenciados não chumba até ao 9.o ano

Março 15, 2020 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 3 de março de 2020.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Provas Finais e Exames Nacionais 2019 – Principais Indicadores

Um quinto das crianças em risco de pobreza em 2018

Março 12, 2020 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Açoriano Oriental de 6 de março de 2020.

Mais informações na notícia do Eurostat:

EU children at risk of poverty or social exclusion

Relatório alerta para uso de substâncias psicoativas entre jovens

Março 8, 2020 às 1:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 27 de fevereiro de 2020.

Estudo das Nações Unidas foca em impacto físico, emocional e social das drogas psicoativas sobre pessoas entre 15 e 24 anos; tráfico de cocaína continua sendo um grande desafio para o norte e oeste da África; na América do Sul, problemas relacionados à produção ilícita, venda e uso de drogas continuam a gerar insegurança e violência.

O relatório anual de 2020 do Conselho Internacional para o Controle de Narcóticos, Incb, fez um alerta sobre o uso de substâncias psicoativas entre os jovens. O documento pede uma concentração maior na melhoria dos serviços de prevenção e tratamento do uso de substâncias pela juventude.

O estudo foca no impacto físico, emocional e social que as drogas psicoativas têm sobre os jovens entre 15 e 24 anos de idade.

Canabis

Segundo o relatório, o uso de substâncias e as consequências associadas à saúde são maiores entre os jovens, sendo que a cannabis é a substância mais utilizada.

O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, Unodc, estima que, em 2016, o uso de maconha tenha afetado 5,6% ou 13,8 milhões de jovens de 15 a 16 anos, com taxas variando por região.

Os índices mais altos foram na Europa, com 13,9%. Em seguida, aparecem as Américas, com 11,6%, a Oceania, com 11,4%, a África, com 6,6% e a Ásia, com 2,7%.

Álcool e tabaco

O relatório destaca que o uso de álcool e tabaco por crianças e adolescentes está intimamente ligado ao início da utilização de substâncias psicoativas. Com frequência, o consumo precede o uso de maconha e outros produtos controlados.

O material cita estudos que acompanharam crianças até a idade adulta e revelaram que quanto mais cedo inicia o do uso de álcool, tabaco e maconha durante as idades de 16 a 19 anos, maior a probabilidade do consumo de opiáceos e cocaína na idade adulta.

Vulnerabilidade

A pesquisa mostrou que os jovens são particularmente vulneráveis ​​ao uso regular de drogas, levando a uma revisão dos fatores de risco e proteção. O Incb também afirma que a necessidade de prevenção e tratamento para crianças e adolescentes deve levar em consideração as influências individuais e ambientais sobre os jovens e seu desenvolvimento.

De acordo com as Normas Internacionais do Unodc e da Organização Mundial da Saúde, OMS, sobre Prevenção ao Uso de Drogas, os programas de prevenção baseados em evidências para crianças e adolescentes devem incluir diversos elementos. Entre eles, o incentivo ao envolvimento positivo na vida das crianças e a comunicação eficaz, incluindo a definição de regras e limites.

Informações

Além disso, currículos escolares devem desenvolver habilidades pessoais e sociais para jovens, incluindo tomada de decisões, definição de objetivos e habilidades analíticas. Assim, os jovens são informados corretamente sobre os efeitos de substâncias psicoativas e podem resistir a influências que possam levar ao consumo de drogas.

Também é citada, por exemplo, a necessidade de uma aplicação rigorosa de regulamentos para limitar o acesso a medicamentos psicoativos, ao tabaco, álcool e cannabis para crianças e adolescentes.

Apreensões

O estudo observa que o tráfico de cocaína continua sendo um grande desafio para o norte e oeste da África. Já a África Ocidental relatou apreensões recorde de cocaína originária da América do Sul e Central, destinada para a Europa.

Em 2018, Angola consta entre os países que relataram as principais apreensões de cocaína, 500 kg.

Já Moçambique, aparece na lista de países que relataram apreensões de quantidades de cocaína que variaram de alguns quilogramas a 155 quilogramas. O país também teve apreensões menores de heroína em 2018.

Em Cabo Verde, segundo o relatório, a maior apreensão de cocaína já realizada ocorreu em janeiro de 2019, quando a Polícia Judiciária apreendeu mais de 9,5 toneladas de cocaína em um navio vindo do Panamá. As autoridades do país também apreenderam mais de 2,2 toneladas de cocaína em outro navio em agosto de 2019, durante uma operação conjunta com a Guarda Costeira nacional.

Guiné-Bissau

O estudo cita um relatório especial do secretário-geral, que diz que a situação do tráfico de drogas na Guiné-Bissau começou a apresentar melhorias modestas, embora os desafios permaneçam.

Com base neste relatório, o Conselho de Segurança reiterou sua preocupação com a ameaça à paz e à estabilidade representada pelo narcotráfico e o crime organizado transnacional relacionado na Guiné-Bissau.

O país teve uma apreensão recorde de cocaína em março de 2019, quando autoridades apreenderam 789 kg da droga como parte da Operação Carapau.

Américas

Na região da América Central e Caribe, o relatório indica que o uso de drogas, em particular de maconha, parece estar crescendo em todos os países.

Na América do Norte, a crise dos opioides continua a destruir vidas, famílias e comunidades. Mortes por overdose de drogas são um problema sério de saúde pública.

Nos Estados Unidos, as mortes relacionadas a opioides sintéticos continuaram subindo em 2018.

Brasil

Já na América do Sul, os problemas relacionados à produção ilícita, tráfico e uso de drogas continuaram a gerar insegurança e violência na região.

No Brasil, na Colômbia e na Venezuela, a taxa de homicídios excede a média regional de 22 por 100 mil habitantes.

O relatório cita que em 2019, o governo brasileiro propôs ao Congresso uma nova lei que estabelece medidas aprimoradas contra a corrupção e ao crime organizado. A expectativa é que isso contribua no combate ao tráfico de drogas.

Além disso, o governo estava considerando a criação de uma agência especializada para maximizar a recuperação de receitas ilícitas através da venda de ativos apreendidos.

Recomendações

O relatório pede aos governos que estabeleçam sistemas nacionais de dados epidemiológicos para monitorar as tendências e mudanças no uso de substâncias psicoativas entre os jovens. O Incb acredita que isso pode permitir que a prevenção baseada em evidências seja implementada antes da idade de início do uso desses produtos.

O estudo observa que os governos devem investir no desenvolvimento de conhecimentos profissionais no campo da prevenção e tratamento do uso de substâncias, com foco nas necessidades dos jovens.

INCB Annual Report 2019

Número de crianças obesas no mundo aumentou 11 vezes em quatro décadas

Fevereiro 26, 2020 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 19 de fevereiro de 2020.

Mais de 124 milhões de crianças e adolescentes em todo o mundo eram obesas em 2016, o que significa 11 vezes mais do que há quatro décadas, segundo um relatório nesta  quarta-feira divulgado pelas Nações Unidas e pela revista The Lancet.

O número de crianças e adolescentes obesos aumentou de 11 milhões em todo o mundo em 1975 para 124 milhões em 2016.

A exposição das crianças a anúncios e comerciais sobre comida não saudável (junk food) e bebidas açucaradas está associado a escolhas alimentares inadequadas e ao excesso de peso ou obesidade.

No que respeita ao contributo do marketing para a obesidade infantil, o relatório sugere que nalguns países as crianças vêem cerca de 30 mil anúncios televisivos num único ano.

“A auto-regulação da indústria falhou”, refere Anthony Costello, um dos autores do documento, elaborado pela Organização Mundial da Saúde, pela UNICEF e pela revista científica The Lancet.

Os autores apontam o dedo ao que consideram ser as “práticas exploradoras” do marketing das indústrias que promovem a fast food ou as bebidas açucaradas.

Outra das preocupações expressas do documento é a exposição dos menores a publicidade e marketing sobre o consumo de álcool e de tabaco.

Por exemplo, na Austrália as crianças e adolescentes continuam a ser expostas a mais de 50 milhões de anúncios a bebidas alcoólicas ao longo de um ano durante a transmissão televisiva de desportos como o futebol, o cricket ou o rugby.

Também nos Estados Unidos tem crescido a exposição dos jovens a anúncios sobre cigarros electrónicos ou vaping, um aumento de 250% em dois anos, com a publicidade a chegar a mais de 24 milhões de menores.

Mais informações nos links:

https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(19)32540-1/fulltext

https://www.who.int/news-room/detail/19-02-2020-world-failing-to-provide-children-with-a-healthy-life-and-a-climate-fit-for-their-future-who-unicef-lancet

EU Kids Online 2020: Survey results from 19 countries – Estudo europeu sobre as crianças e a internet

Fevereiro 25, 2020 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto do Facebook da SeguraNet:

No dia em que se assinalou o Dia da Internet Mais Segura, foram divulgados os resultados do estudo europeu EU Kids Online 2020: Survey results from 19 countries.
Entre 2017 e 2019, foram inquiridos 25.101 crianças e jovens, com idades compreendidas entre os 9 e os 16 anos, sobre as suas experiências digitais que incluíram situações de risco como ciberbullying, conteúdos prejudiciais, mau uso de dados pessoais, uso excessivo da Internet, mensagens de sexting e encontros com pessoas conhecidas na Internet.
Em alguns países, como Portugal, o tempo que as crianças e os jovens passam online mais do que duplicou, sendo também um dos países onde mais crianças e jovens revelam confiança em lidar com riscos: mais de dois terços referem saber reagir “sempre” ou “muitas vezes” a comportamentos de que não gostam na Internet. Portugal é também um dos países, onde os inquiridos menos associam situações de risco a danos delas decorrentes.

A participação de Portugal, neste estudo, contou com o apoio da Associação DNS.PT, da Fundação para a Ciência e Tecnologia e da Direção-Geral de Educação.

Descarregar o documento no link:

http://www.lse.ac.uk/media-and-communications/research/research-projects/eu-kids-online/eu-kids-online-2020?fbclid=IwAR0fmTsVgdjSPDqYbH3a87XRuozq2Hw1FM9GKs8MkBVKrHoC6qjGVdxYyik

Unfpa: Sete coisas que você não sabia sobre casamento infantil

Fevereiro 19, 2020 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 12 de fevereiro de 2020.

Fundo de População das Nações Unidas, Unfpa, preparou uma lista de sete pontos sobre a situação de casamentos de meninas e meninos por ocasião do Dia dos Namorados, em 14 de fevereiro, quando a data é marcada no Hemisfério Norte e outros países; agência pede a governos que priorizem fim da prática.

Neste 14 de fevereiro, Dia dos Namorados no Hemisfério Norte, uma agência da ONU quer que governos de todo o mundo priorizem o fim do casamento infantil

A prática, que afeta centenas de milhões de pessoas, é o destaque de uma iniciativa de conscientização do Fundo de População das Nações Unidas, Unfpa.

Pobreza

A agência lembra que mais de 650 milhões de meninas e mulheres atualmente casaram-se antes de completar 18 anos de idade.

Em todo o mundo, 21% das jovens entre 20 e 24 anos foram noivas mirins. Estes casamentos são frequentemente acompanhados de violência, evasão escolar e maternidade prematura.

Às vésperas da passagem do Dia dos Namorados, em 14 de fevereiro, o Unfpa preparou uma lista com sete verdades sobre o casamento infantil, que permanecem desconhecidas de muitas pessoas.

A agência da ONU é clara: o casamento infantil é uma tragédia que aprisiona os indivíduos, a maioria pessoas pobres e meninas marginalizadas. Mas a prática também é ruim para as comunidades e sociedades, como um todo, por aprisionar as meninas e suas famílias num círculo de pobreza que pode persistir por várias gerações.

Produtividade

O Unfpa trabalha para banir o casamento infantil possibilitando as meninas a terminarem a escola, a postergarem a maternidade encontrando trabalho decente e realizando seu potencial. Para a agência, isso pode gerar bilhões de dólares em ganhos e produtividade.

  1. Casamento infantil é comum e acontece em todas as partes do mundo

Mais de 650 milhões de meninas e mulheres, hoje, casaram-se antes de completar 18 anos de idade.  Em todo o mundo, 21% das jovens entre 20 e 24 anos foram noivas mirins. Mesmo que o casamento infantil seja mais prevalente em países de rendas baixa e média, ele também ocorre em nações de renda alta. Casos desta prática danosa podem ser encontrados em todas as partes.

Na Nicáragua, por exemplo, Irayda fugiu de um lar abusivo e se casou com 14 anos. “Antes dos 15, eu já havia engravidado,” contou ao Unfpa.

Como é de praxe, as responsabilidades da vida de casada e a maternidade acabaram forçando a saída da escola, e limitando o futuro dela e da filha. “Eu preferiria ter ficado na escola”, afirmou.

O casamento infantil tem sido combatido por todos os lados, apesar da resistência de muitos. Na Macedônia do Norte, a organização de Nesime Salioska conseguiu impeder o casamento de uma menina de 16 anos com um homem adulto e pai do bebê dela. O caso tornou-se uma dura batalha, na qual muitas autoridades se recusavam a tomar uma medida. “Baseados na noção de que a situação é parte de uma tradição e de que ninguém pode interferir”, ela disse. No final, conseguiu-se evitar o casamento e que “uma vida fosse roubada”.

  1. Existe progresso, mas ainda não é suficiente

As taxas de casamento infantil estão caindo lentamente. Cerca de 2000, uma em três mulheres entre as idades de 20 e 24 anos casaram-se ainda crianças. Em 2017, este número era de uma em cada cinco. O Sul da Ásia, região que lidera nos casos de noivas mirins, conseguiu avanços notáveis. Ali, o risco de uma menina se casar antes dos 18 caiu mais de um terço numa só década, graças a investimentos na educação e bem-estar das meninas.

Mas também existem notícias ruins. A não ser que esses esforços sejam acelerados, as reduções não conseguiram se manter com o crescimento da população. Hoje, alguns dos crescimentos populacionais mais rápidos é registrado em locais onde o casamento infantil continua sendo normal, como o oeste e o centro da África. E em outras partes como América Latina e Caribe, o casamento infantil mantém-se estagnado por décadas. Mas sem ações urgentes, os níveis da prática podem subir

  1. Acabar com casamento infantil é barato

Primeiro a boa notícia: o custo de banir o casamento infantil é baixo. As soluções são simples e acessíveis. Em novembro de 2019, o Unfpa divulgou um estudo conjunto com a Universidade John Hopkins e em colaboração com as Universidades Victoria, Washington e Avenir Health, sobre quanto custaria acabar com o casamento infantil em 68 países, que contabilizam 90% da prática. E terminar com o casamento de crianças até 2030 custaria até US$ 35 bilhões.

Em outras palavras: para evitar que uma criança se torne uma noiva mirim é preciso investir US$ 600, o equivalente a uma diária num hotel de luxo.

O investimento de US$ 35 bilhões em intervenções educativas, iniciativas de empoderamento e programas que possam mudar normas sociais sobre a prática e evitar 58 milhões de casamentos infantis. Além disso, as meninas que escapam da prática também poderão dar uma contribuição mais positiva à família, e a suas comunidades a longo prazo.

  1. Tanto meninos como meninas podem ser vítimas de casamento infantil, mas as meninas estão mais sujeitas à prática

Meninos também são vítimas do casamento infantil. Dados do Unfpa sobre 83 países de baixa e média rendas indicam que 1 em cada 25 meninos ou 3.8% casam-se antes dos 18 anos.

“Eu era uma criança,” disse um jovem do Iêmen ao Unfpa sobre se casar aos 16 anos. A esposa tinha 13. “Eu não era capaz, de naquela idade, tomar minhas próprias decisões”, explicou.  “Meu pai disse que eu tinha que me casar e aí eu me casei”.

O casamento impõe às crianças responsabilidades próprias da vida adulta e para as quais elas não estavam preparadas. Meninas e meninos nessas circunstâncias precárias ficam expostas a abusos e exploração. Estudos revelam que as noivas mirins estão bem mais propensas a violências que seus cônjuges, sogros ou até mesmo suas famílias.

Em Uganda, Abura (nome fictício) de 15 anos não concordou em se casar com o homem escolhido pelo pai dela. O pai e o irmão de Abura a espancaram e trancaram ela e o marido num cômodo, onde o marido a estuprou. Ela conseguiu fugir do local e se escondeu no mato por três semanas até que voltou para casa, onde mais uma vez o irmão a agrediu. No fim, ela conseguiu escapar e foi viver num abrigo para sobreviventes da violência.

As noivas mirins também têm mais chance de engravidar antes que seus corpos estejam preparados aumentando o risco de complicações sérias.

E as meninas têm mais tendência a se casarem quando estão mais jovens. A maioria dos casamentos infantis ocorre entre 16 e 17 anos. Em vários países, as meninas casam-se aos 15 anos ou até antes dessa idade. Já entre os meninos, os casamentos precoces quase não existem. A taxa é de 0,3%.

  1. Casamento infantil é banido quase universalmente

Dois acordos internacionais sobre direitos humanos: a Convenção sobre os Direitos da Criança e a Convenção sobre Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra Mulheres proíbem o casamento infantil. Juntos, esses tratados foram firmados e ratificados por todos os países menos um.

Entretanto, ao redor do mundo, existem leis locais e nacionais que possibilitam interpretações diferentes sobre os princípios acordados. Muitos países permitem o casamento infantil com o consentimento dos pais e sob leis de costumes e religiosas.

Bertha era uma noiva mirim no Malauí. O país africano tem legislações contra o casamento infantil antes de 18 anos, mas por vezes, estas leis entram em conflito com o texto da Constituição permitindo a prática sob autorização dos país. A carta magna sofreu ementas para eliminar a discrepância.

“Eu passei por complicações sérias no parto da minha filha porque meu corpo não está pronto para dar à luz”, Bertha, de 17 anos, contou ao Unfpa. Logo depois, ela se divorciou. “Muitas meninas como eu querem ir à escola e não contraírem matrimônio”, afirmou.

Mesmo em países, onde o casamento infantil é ilegal, o cumprimento da lei pode ser um desafio. Muitos matrimônios de crianças não são registrados devidamente.

  1. Casamento infantil e gravidez na adolescência estão perigosamente associados

O casamento infantil é precursor da gravidez na adolescência. Em países em desenvolvimento, nove de cada 10 partos de adolescentes ocorrem quando as meninas já estão casadas. Estas gravidezes representam sérios riscos a meninas cujos corpos ainda não foram desenvolvidos para a maternidade.

Em todo o mundo, as complicações da gravidez e do parto estão ligadas à principal causa de morte entre as adolescentes.

Ameena, do Iêmen, engravidou logo depois de se casar aos 15 anos. “Eu não tinha ideia do que estava acontecendo comigo na minha primeira gravidez. Eu achava que algo amedrontador estava ocorrendo dentro da minha barriga.  Eu acabei danificando minha espinha por causa da gravidez. Não estava pronta para ter um marido, um filho. Eu não sabia o que era o casamento.”

Algumas vezes, os ferimentos podem ser de natureza emocional, exagerado pela exposição das meninas à violência.  Freshta (nome fictício), 12 anos, do Afeganistão, sofreu com uma doença pós-parto após se casar com um homem de 60 anos. “Eu engravidei e tive o bebê. Ele não me deixou ver a criança, abraçá-la e beijá-la ou alimentá-la”, contou. “Eu só pensava em acabar com a minha vida por causa de toda a tortura.”

A gravidez precoce expõe as meninas ao risco do casamento precoce. Muitas são forçadas a se casarem com o pai da criança – ainda que o mesmo seja um estuprador  – isso apenas para evitar que as famílias sejam associadas com meninas que engravidaram fora do casamento.

No Quênia, Eunice engravidou em 2013 e foi forçada a se casar. Quando o pai do bebê recusou a oferta, o pai dele decidiu se casar com ela.  Eunice tentou fugir, mas acabou sendo capturada. “Eles me bateram. Eu fui espancada como nunca em toda a minha vida. Eu realmente sofri e chorei muito.” A mãe dela acabou a encontrando e registrou o caso na delegacia.

  1. Dar autonomia às meninas é fundamental para acabar com o casamento infantil

Acabar com o casamento infantil requer muitas mudanças incluindo o reforço de legislações contra a prática, é preciso ainda avançar com a igualdade de gênero e assegurar que o compromisso das comunidades com os direitos das meninas.

Mas os jovens também precisam de empoderamento para conhecer e exigir seus direitos. Isto significa que eles precisam receber informações corretas sobre saúde sexual e reprodutiva, oportunidades para educação e habilidades, além de plataformas para educação e participação em comunidades e na vida civil.

Parece simples, mas essas informações e oportunidades podem mudar a vida desses jovens. Quando pessoas nesta faixa etária são equipadas com conhecimento, elas podem se defender e até persuadir suas famílias para cancelar ou atrasar compromissos e noivados.

O Unfpa atua com parceiros e comunidades ao redor do globo para informar e empoderar as meninas, e para aumentar a conscientização em comunidades sobre os perigos do casamento de crianças.

Muitas dessas meninas acabam se tornando ativistas.

Many of these girls have become advocates in their own right.

Kabita, de 16 anos, do Nepal, pertence a um grupo de adolescentes apoiado pelo Unpfa e pelo Unicef para acelerar ação que leve ao fim do casamento infantil.

“Se eu parar de estudar, eu terei que me casar imediatamente. Um futuro melhor começa com educação”, disse.

O programa global está presente em 12 países com alta prevalência de casamentos infantis. Entre 2016 e 2019, cerca de 7,2 milhões de meninas participaram da iniciativa, e mais de 30 milhões de pessoas foram alcançadas com mensagens na mídia, diálogos em comunidades e outros tipos de atividades.

Na Zâmbia, Linda aprendeu sobre os direitos num espaço para meninas apoiado pelo Unfpa. “Agora eu sei que o casamento infantil é um erro”, contou numa entrevista quando tinha apenas 12 anos.

“Eu vi um monte de meninas se casando cedo, e logo depois apareciam grávidas ou infectadas com o HIV. Isso não deveria estar ocorrendo nas nossas comunidades porque as meninas deveriam estar nas escolas estudando para se tornarem médicas, professoras, advogadas ou abraçarem qualquer carreira que elas quisessem.”

Este artigo foi publicado em 1º de fevereiro de 2018. Esta versão foi atualizada para a publicação presente.

Observatório da Violência no Namoro recebeu 74 denuncias em 2019

Fevereiro 14, 2020 às 11:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 14 de fevereiro de 2020.

O Observatório da Violência no Namoro (ObVN) recebeu em 2019 um total de 74 denuncias de situações de violência no namoro vividas diretamente ou testemunhadas por terceiros, o que corresponde a uma média mensal de cerca de 6,2 casos.

Apesar de o número de denúncias ter decrescido relativamente a 2018, o observatório considera que os casos reportados apresentaram maior gravidade. Em 2018 foram recebidas 128 denúncias de vítimas e de testemunhas de violência.

De acordo com a esta plataforma de denuncia informal, 38 denuncias foram efetuadas por ex-vítimas, 28 por testemunhas e oito por atuais vítimas.

Em 77% dos casos os agressores são namorados atuais das vítimas, em 12,2% dos casos as vítimas foram alvo de ameaças de morte, 13,5% das vítimas necessitaram de receber tratamento médico e 1,4% foram hospitalizadas em consequência da vitimação sofrida.

O ciúme (70,3%) foi a principal causa da violência seguida de problemas mentais do agressor (40,5%).

Mas, os dados revelam que os casos de violência surgiram também na sequência de problemas familiares do agressor (25,7%), da conduta da vítima (23%), da influência dos amigos (18,9%), do consumo de álcool ou de outras substâncias por parte do agressor (14,9%) e de dificuldades económicas de quem agrediu (13,5%).

O observatório revela ainda que 71 denúncias foram efetuadas por mulheres e três por homens.

Os crimes ocorreram em 51,4% dos casos no Porto e em 10% das situações nos distritos de Lisboa e Aveiro.

Segundo o estudo, 95,9% das vítimas são do sexo feminino e 91,9% dos agressores são do sexo masculino.

A média de idades das vítimas é de 21 anos e a dos agressores é de 23 anos.

Ainda segundo o observatório, 94,6% das vítimas são de nacionalidade portuguesa, 87,8% são heterossexuais e 66,2% são estudantes.

O local de maior incidência da violência é a casa (62,2%), seguido da rua (48,6%), da escola/faculdade (36,5%) e em 29,7% dos casos a violência foi praticada online.

Abandono escolar precoce atinge “mínimo histórico” em Portugal

Fevereiro 13, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 5 de fevereiro de 2020.

Dados do INE dão conta de que em 2019 10,6% dos jovens abandonaram a escola sem concluírem estudos. Há duas décadas este valor era de 50%.

Clara Viana

A percentagem de jovens entre os 18 e os 24 anos que abandonaram a escola sem concluírem o ensino secundário baixou em 2019 para 10,6%, o valor mais baixo registado em Portugal desde que este indicador começou a ser apurado, o que aconteceu há cerca de duas décadas, informou o Ministério da Educação com base nos dados divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística.

Numa nota enviada à comunicação social, o ME destaca que se alcançou assim “um mínimo histórico” com a taxa de abandono escolar precoce a descer para 10,6% e baixando no continente até 10,1%, ficando assim a rasar a meta europeia estabelecida para 2020. Ter apenas 10% de jovens que abandonem a escola sem concluírem o ensino secundário, que actualmente é o limite da escolaridade obrigatória em Portugal. Segundo os últimos dados conhecidos, que datam de 2018, Dezoito dos 27 países da União Europeia já foram além desta meta.

O ministério destaca que a situação em Portugal é ainda “mais positiva considerando que coincide com um aumento muito considerável do emprego jovem nos últimos anos”, o que poderia constituir “um estímulo para o não prosseguimento de estudos desta franja da população”.

Quando a taxa de abandono escolar precoce começou a ser avaliada segundo uma metodologia comum, o seu calor em Portugal situava-se nos 50%, o que “ultrapassava em cerca de 30% o valor da média europeia”, lembra o ME. Na sua nota o ministério refere ainda que no quadro europeu a tendência tem sido para a “estagnação” deste indicador e que, por isso, “o país poderá ter, pela primeira vez, um valor de abandono escolar precoce igual ou mais baixo do que a média europeia”.

O ME conclui a sua informação com uma saudação às “comunidades educativas por mais este sucesso do sistema de educação e formação”.

mais informações nos links:

https://www.ine.pt/ngt_server/attachfileu.jsp?look_parentBoui=417311478&att_display=n&att_download=y

https://www.portugal.gov.pt/pt/gc22/comunicacao/noticia?i=taxa-de-abandono-escolar-precoce-atinge-valor-mais-baixo-de-sempre

EU Kids Online: Jovens revelam cada vez mais confiança ao lidar com riscos na Internet

Fevereiro 11, 2020 às 2:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do TEK Sapo de 11 de fevereiro de 2020.

Para Cristina Ponte, coordenadora da equipa portuguesa de investigação do EU Kids Online, os resultados do estudo devem ser levados mais além. Em conversa com o SAPO TEK, a responsável indicou que é necessário conversar com os jovens e perceber o que certos comportamentos e situações significam para eles.

No dia da Internet mais Segura, o novo relatório EU Kids Online 2020 vem dar a conhecer a forma como os mais novos lidam com os riscos e com as oportunidades da Internet. Ao todo, entre 2017 e 2019, o estudo inquiriu 25.101 crianças e jovens de 19 países europeus acerca das suas experiências digitais. Entre as situações que incomodam os mais novos incluem-se o cyberbullying, conteúdos prejudiciais, mau uso de dados pessoais, uso excessivo da Internet, mensagens de sexting e encontros com pessoas conhecidas online.

De acordo com dados avançados pela Rede de Investigação EU Kids Online, Portugal é um dos países onde mais crianças e jovens revelam confiança ao lidar com riscos. Mais de dois terços dos inquiridos indicam saber reagir sempre ou muitas vezes a comportamentos de que não gostam na Internet. Os resultados do relatório demonstram que as crianças e jovens portugueses associam cada vez menos as situações de risco aos danos que podem decorrer delas.

O relatório põe em evidência a ideia de que as atividades digitais não podem ser definidas como sendo positivas ou negativas em absoluto. Os encontros face a face com pessoas que se conhecem na Internet, os quais foram referidos por uma minoria, são um exemplo desta situação. Em grande parte dos casos relatados, os encontros foram positivos. Em Portugal, 84% dos inquiridos afirmam ter ficado contentes ao ter contactado com pessoas que conheceram na Internet, sendo que menos de 5% indicam ter ficado bastante incomodados.

Ao SAPO TEK, Cristina Ponte, Professora na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e coordenadora da equipa portuguesa de investigação do EU Kids Online, explicou que “a maior parte dos encontros são com pessoas da sua idade que conheceram através da sua rede de amigos e partilham os mesmos interesses. É preciso contrariar a ideia de que todos os encontros com pessoas que se conhecem na Internet são necessariamente danosos. Pode haver, e há, uma experiência que é gratificante e que decorre do conhecimento de outros jovens da sua idade”.

Como lidam os jovens com os riscos online?

O novo relatório destaca que, perante uma situação online que os incomodou, as crianças e jovens europeus não costumam pedir ajuda aos professores ou profissionais cujo trabalho é ajudar os mais novos, preferindo o contacto com amigos ou até com os pais. Em Portugal, 44% dos inquiridos procuraram aconselhar-se junto de amigos e 37% falaram com os pais de situações que os deixaram incomodados. Apenas 7% das crianças e jovens falaram com professores.

Cerca de 63% dos inquiridos nacionais indicam que são os pais quem mais os ajudam. Seguem-se os amigos (50%) e os professores (31%), sendo que os valores portugueses estão em linha com os restantes países europeus. Em Portugal, 61% dos inquiridos afirmam que os professores são quem mais os incentiva a explorar e a aprender coisas novas na Internet, enquanto 51% refere os seus pais.

À semelhança do ano anterior, os dados avançados pela Rede de Investigação EU Kids Online revelam que os mais novos se mostram críticos em relação à partilha online de conteúdos pessoais sem o seu consentimento, principalmente no que diz respeito ao sharenting: as publicações feitas pelos pais e educadores. A seguir à Bélgica, Portugal é o país onde essa situação é mais referida. Cerca de metade dos inquiridos portugueses indicam que ficaram incomodados com casos do género e pediram aos pais para retirarem os conteúdos publicados. Os dados evidenciam que algumas crianças e jovens indicam ter recebido comentários desagradáveis por causa dessas publicações.

No entanto, apesar de a maioria das crianças e jovens acederem frequentemente à Internet, o relatório aponta que um em cada oito inquiridos refere que nunca ou raramente recebeu conselhos sobre segurança online, uma situação que se verifica também em Portugal.

Cristina Ponte afirma que a privacidade dos dados no mundo online não é uma das maiores preocupações das crianças e jovens europeus. “Deve haver uma consciencialização de que os dados digitais devem ser cuidadosamente geridos e, nesse aspecto, considero que as questões relacionadas com a privacidade e com a exposição da nossa pegada digital é um aspecto que precisa de ser mais claramente trabalhado com os jovens”, indicou a responsável.

Embora os dados postos em evidência pelo relatório EU Kids Online consigam demonstrar um panorama dos usos, competências, riscos e mediações da Internet entre os mais novos, a coordenadora indicou que os resultados devem ser levados mais além. Para Cristina Ponte é necessário perceber as razões por trás dos números, aproveitando as informações obtidas para “para conversar com os jovens” e perceber o que certos comportamentos e situações significam para eles.

Comunicado de imprensa EUKO 2020 relatório europeu

Denunciados quase 700 casos de pornografia infantil em 2019

Fevereiro 11, 2020 às 11:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 11 de fevereiro de 2020.

A Linha Internet Segura recebeu 676 denúncias de pornografia infantil em 2019. A maior parte dos conteúdos “são gerados pelas próprias crianças”, segundo a APAV, que analisou quase 700 links ilegais.

Há quase duas denúncias por dia de pornografia infantil em Portugal, revelam os dados da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), citados pelo Público e pelo Jornal de Notícias esta terça-feira. As autoridades de outros países estão a investigar casos que deram origem a 676 queixas feitas à Linha Internet Segura em 2019. Nenhuma das imagens em causa estava alojada em servidores nacionais, o que limita a atuação das autoridades portuguesas, avança o Público.

A maior parte dos conteúdos “são gerados pelas próprias crianças, através de smartphones webcams, aliciadas muitas vezes por maiores [de idade] e disseminadas em sites de pornografia infantil”, revelou Ricardo Estrela, gestor da linha a cargo da APAV, em declarações ao Jornal de Notícias.

Segundo o mesmo jornal, as vítimas são maioritariamente rapazes entre os 11 e os 17 anos, o que poderá não corresponder completamente à realidade, uma vez que as pessoas não são obrigadas a revelar dados como idade e género.

Com base nas denúncias, segundo o Público, a APAV analisou quase 700 links ilegais que incluíam entre 40 e 200 fotografias cada um. Nenhum destes correspondia a casos nacionais. Este ano, no entanto, surgiu já um caso em Portugal.

Após a verificação do país no qual estas estão alojadas, os conteúdos ilegais são denunciados às autoridades de cada local, sendo posteriormente bloqueados. Caso os servidores estejam em Portugal, o crime é investigado pela Polícia Judiciária.

Os dados serão divulgados esta terça-feira pela APAV, no âmbito do Dia da Internet Mais Segura, uma iniciativa promovida pelo Consórcio do Centro Internet Segura, coordenado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia.

Mais informações na notícia da APAV:

Estatísticas APAV | Linha Internet Segura 2019.

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