Portugal é dos países onde nascem mais bebés com baixo peso

Novembro 22, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.dn.pt/ de 11 de novembro de 2017.

Em 15 anos, número de crianças que nasceram com menos de 2,5 quilos disparou 59%

Portugal está na quinta posição dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) onde nascem mais bebés com menos de 2,5 quilos, avança hoje o Público, que cita o relatório Health at a Glance 2017. Só a Indonésia, Colômbia, Japão e Grécia têm mais crianças a nascer nesse limiar de peso.

Em Portugal, esses nascimentos representam 8,9% do total. Entre 1990 e 2015 o aumento destes casos foi de 59%. Na OCDE, os nascimentos com menos de 2,5 quilos representam 6,5% do total e registaram um aumento de 15%, segundo os dados citados pelo jornal.

O aumento do número de partos prematuros e a idade avançada das mães são fatores que ajudam a explicar estes dados.

O documento citado na notícia é o seguinte:

Health at a Glance 2017

 

 

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Crianças pobres na rica Suíça? Niels é um deles

Novembro 20, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site https://www.swissinfo.ch/por/ de 15 de novembro de 2017.

Por Kathrin Ammann

Claro que ele não passa fome. O pequeno Niels tem um quarto só dele, veste roupas limpas e joga futebol no clube. Mas o salário da mãe dele não é suficiente. Eles necessitam de ajuda. Na Suíça, a precariedade não é evidente à primeira vista, mas costuma deixar marcas nos que a vivem na própria pele.

Recentemente, Niels e sua mãe se permitiram curtir um “dia de luxo”. Graças a ingressos mais baratos, eles foram ao circo. E melhor ainda: “Fomos tomar um café e comer um sanduíche depois”, relata com voz tímida a mãe de Niels, uma mulher de 38 anos. E sorri.

Seu filho tem a alegria estampada no rosto. Ele vai até a cozinha, volta, está eufórico e quer nos mostrar o apartamento onde eles moram há poucos meses. Dá para perceber que Niels se sente bem na casa nova. Ele conta com orgulho que seu quarto tem três portas. Uma porta dá para a cozinha, a outra dá para a sala e uma terceira porta abre-se para a varanda.

“Como ganhar na loteria”

O apartamento fica no segundo andar de um prédio novo, é bem iluminado e faz parte de um complexo residencial ainda em construção. Da varanda vê-se um grande canteiro de obras. “Aqui está nascendo um novo bairro, muito dinâmico e que você pode ajudar a construir”, esta é a frase que aparece na propaganda do projeto. A Fundação Habitat defende alugueis a preços econômicos. Quem ganha mais paga mais do que os inquilinos de baixa renda.

Já durante nosso primeiro contato, por telefone, a mãe do Niels praticamente se desculpou pelo “belo apartamento novo”. Este apartamento não se enquadra na imagem que fazemos quando pensamos em uma mãe solo, ou mãe autônoma, que cria seu filho sozinha e depende do auxílio social para complementar a renda. O medo de serem tachadas de parasitas é muito grande entre as pessoas que estão próximas à linha de pobreza.

“Foi como ganhar na loteria”, relata a mãe de Niels sentada à mesa da cozinha. Durante meses, depois de sair do trabalho e pegar o filho na creche, ela enfrentava a fila de interessados em obter um apartamento. Os apartamentos cujo aluguel cabiam no seu orçamento ficavam ao lado da autoestrada ou tinham banheiro coletivo. Ela preferiu ficar no apartamento antigo e continuar procurando. Até que a Fundação Habitat a procurou.

Entre 800 e 1200 francos suíços por mês

Desde então ela não se sente mais pobre, sente-se bem melhor, relata a mãe de Niels. Formada em Pedagogia do Movimento, ela ganha entre 800 e 1200 francos suíços por mês, o que é muito pouco. Em comparação com a totalidade da população, as mulheres que criam seus filhos sozinhas na Suíça estão mais do que duas vezes mais vulneráveis a ficarem abaixo da linha de pobreza. Este é o resultado de um estudo realizado sob encomenda da Caritas Suíça e conduzido pela Universidade de Berna. 20% das pessoas que recebem o Auxílio Social são mães que criam seus filhos sozinhas. Em 2015, uma a cada seis famílias suíças era de pai ou mãe autônomo. E a tendência é de que esta porcentagem aumente.

Os pais de Niels se separaram quando a sua mãe estava no sexto mês de gravidez. Depois de passar quatro anos na França, ela retornou para a Suíça. Sem ter ninguém mais para contar, ela passou a depender do auxílio social. Seis meses depois do nascimento de Niels ela voltou a trabalhar, mas só conseguiu contratos como horista. Uma tentativa de se tornar autônoma infelizmente fracassou.

Segundo a pesquisa da Caritas, as mães solo de filhos com menos de seis anos de idade trabalham em média 17 horas por semana fora de casa e 54 horas por semana realizando trabalhos domésticos e relacionados à manutenção da família. A taxa de pessoas que trabalham e mesmo assim estão abaixo da linha de pobreza é quatro vezes maior nos casos de mães solo. “Esta situação insana, desgastante e sem perspectiva me deixou muito chocada e com muita raiva. Às vezes o dinheiro mal chegava para comprar fraldas para Niels.”

A mãe de Niels escolhe as palavras com cautela. Seu olhar torna-se cansado. Niels se acalma e presta atenção na conversa. É como se ele percebesse que não é fácil para sua mãe se recordar daquele período de total exaustão.

O auxílio está vinculado ao local de residência

Agora que Niels já está um pouco maior, é mais fácil. Mas mesmo assim não é possível dar uma passada rápida no supermercado para comprar algo que se tenha esquecido. “Tudo tem que ser pensado e planejado. E isso cansa.” Niels e sua mãe atravessam a fronteira para fazer compras na Alemanha. Para comprar um capacete para Niels andar de bicicleta, eles vasculharam os brechós da cidade de Basileia, o que demanda tempo e energia.

Niels anda de bicicleta na passarela em frente ao prédio onde moram. Ele também tem um skate e um kart. “Tudo usado e ganhado”, esclarece a mãe. Niels parece não se importar com este detalhe, e conta entusiasmado que joga futebol no clube. Para isso sua mãe recebe auxílio financeiro do governo. Se Niels morasse em outro cantão, ele possivelmente não poderia treinar futebol e um dia jogar tão bem quanto Ronaldo, como ele mesmo diz. O Auxílio Social na Suíça é decidido a nível cantonal e por isso depende do local de residência.

Outras crianças ameaçadas pela falta de recursos não têm como participar da vida social. Os pais cujos salários estão levemente acima do limite e que, por isso, não recebem auxílio social, não conseguem proporcionar estas coisas a seus filhos. Para eles é difícil participar de atividades sociais. Até mesmo Niels já percebeu essa diferença.

“Você não está no controle de sua vida”

Convidado para a festinha de aniversário de um colega, Niels estava na fila para cumprimentar o aniversariante e entregar-lhe o presente. As outras crianças traziam caixas de Lego em belos pacotes de presente. Niels destoava do grupo com seu presente: um cachorrinho feito de balões.

Mesmo assim, a mãe de Niels tem um único desejo: não precisar mais do auxílio social. Ela tem a sensação de estar vivendo um estado de exceção. “Eu não consigo dizer para mim mesma: ‘Ok, agora recebo auxílio social e tudo bem'”. O mais difícil para ela é o estigma que enfrenta no dia-a-dia. Ela acaba sempre ouvindo alguém lhe dizer que ela “não está no controle da própria vida”. “Você está fazendo o melhor que pode, mas está sempre levando na cabeça”. É muito desgastante. “Seis anos atrás minha autoestima era muito melhor do que é hoje”.

Niels aquieta-se novamente e senta-se no colo da mãe. “Quanto tempo falta para eu fazer aniversário de novo, mamãe?”, ele pergunta pela segunda vez hoje. Niels quer ganhar de presente no seu aniversário – que será um pouco antes do fim do ano – um lanche no McDonalds com sua mãe. E do seu pai, que está na França, ele quer ganhar um “Hoverboard”, um skate elétrico. “Meu pai é rico”, conta ele alegremente e saltitando novamente pela cozinha. “Ele tem uma televisão no carro.”

Pobreza infantil na Suíça

Em 2014, 307.000 crianças foram registradas como estando em situação de pobreza ou ameaçadas de pobreza. Para analisar os dados, o Ministério de Estatística (BfS) utiliza os parâmetros estabelecidos pela Conferência Suíça de Instituições de Ação Social (SKOS).

Comparada internacionalmente, a Suíça investe pouco na família e nas crianças. Nos países da União Europeia, em 2013, foram investidos em média 2,1% do Produto Interno Bruto nas famílias. Enquanto isso na Suíça apenas 1,5% do PIB foi investido nas famílias.

(Fonte: Departamento Federal de Estatísticas (BfS), Famílias na Suíça: Relatório Estatístico)

Adaptação: Fabiana Macchi

Dia 20 de novembro é o Dia Internacional dos Direitos da Criança.

A Convenção sobre os Direitos da Criança foi aprovada na Assembleia Geral das Nações Unidas em 1989. A Suíça aderiu em 1997. Atualmente, a Convenção dos Direitos da Criança das Nações Unidas engloba 193 países. Através da Convenção, a Suíça é obrigada a disponibilizar todos os meios possíveis para os menores que estão em condições de pobreza. (Fonte: humanrights.ch)

 

 

Menos 100 mil alunos nas escolas em 10 anos

Novembro 6, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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texto do https://www.educare.pt/ de 23 de outubro de 2017.

Menos alunos, menos escolas, menos professores, menos abandono. Mais sucesso escolar e mais computadores nas salas de aula. Numa década, entre 2006 e 2016, muita coisa mudou no ensino e registou-se uma redução de 99 425 alunos, segundo uma publicação da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência.

Sara R. Oliveira

Se há menos alunos, há menos escolas abertas, menos professores a ensinar, menos abandono escolar nas estatísticas nacionais. Entre os anos letivos de 2006-2007 e 2015-2016, numa década as escolas receberam menos 99 425 alunos, uma descida de, em média, quase 10 mil alunos por ano. As escolas perderam 22 419 professores, apenas os docentes de Educação Especial e formadores das escolas profissionais aumentaram ligeiramente. Os edifícios escolares do sistema público em funcionamento reduziram-se a cerca de metade, de 10 071 em 2006 para 5781 em 2016. No ensino privado, aconteceu o contrário, abriram mais 130 escolas em 10 anos, num número que já ronda os 2 600 estabelecimentos.

Há vários retratos descritos em muitos números reunidos na publicação Regiões em Números 2015/2016 da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC). Os números revelam também algumas exceções. Na Área Metropolitana de Lisboa e no Algarve registou-se um aumento de estudantes na última década, de 24 183 em Lisboa e de 1308 no Algarve. Mas apenas nessas regiões.

Nas creches e escolas do Ensino Básico há menos 132 478 crianças e os dados mais recentes indicam um total de 1 201 356 alunos em todo o país nestes níveis de ensino. Só o Ensino Secundário escapa a esta descida, com um aumento de 33 053 alunos nesses dez anos, mais precisamente de 336 929 em 2005-2006 para 369 982 em 2015-2016. Neste ano letivo, o 1.º Ciclo é o que tem mais alunos, seguindo-se o Ensino Secundário, o 3.º Ciclo, o Pré-escolar e, em último, o 2.º Ciclo, com 217 423 alunos.

No ano letivo de 2015-2016 havia, em todo o país, 1 571 338 alunos e 145 658 educadores de infância e professores. Numa década, o sistema ficou com menos 22 419 docentes e educadores. Nas escolas profissionais houve um aumento de 6987 formadores em 2005-2006 para 7214 em 2015-2016. Na Educação Especial houve igualmente uma subida de 3887 para 6473 profissionais nesse período de tempo. Nesses dez anos, as quebras são significativas para os restantes níveis de ensino.

No 3.º Ciclo e Secundário, que têm mais docentes, a queda foi de 82 415 professores em 2006 para 69 286 em 2016, ou seja, menos 13 129. No 1.º Ciclo, menos 5170 professores de 31 371 para 26 201, no 2.º Ciclo menos 8835 de 30 597 para 21 762. E no Pré-escolar, menos 1985 educadores de 16 707 para 14 722.

Embora com algumas oscilações, as escolas, ao longo da última década, foram tendo menos professores. No 1.º Ciclo, o número atingiu os 32 286 docentes em 2007-2008, descendo para os 25 471 em 2014-2015 e aumentando para os 26 201 no ano letivo seguinte. No 2.º Ciclo, o número mais alto, de 33 131 professores, foi registado em 2009-2010, e desde então foi sempre a descer até aos 21 762 de 2015-2016. No 3.º Ciclo e Secundário, o ano letivo de 2008-2009 foi o que teve mais docentes nas escolas, 85 863, diminuindo a partir daí até aos 69 286 em 2015-2016. No Pré-escolar, a redução foi igualmente sentida com algumas oscilações, mas a partir de 2011-2012 foi sempre a descer.

As descidas continuam, mas há casos em que é por bons motivos. As taxas de retenção e desistência em todos os níveis de ensino desceram. Há dez anos, um em cada quatro alunos do Ensino Secundário acabava por chumbar ou desistir da escola, agora são 15,5%. No Ensino Básico, as taxas de retenção e desistência também desceram e passaram de 10% para 6,4%. A taxa real de escolarização do Ensino Secundário tem vindo a aumentar, de 60,5% em 2006 para 76% em 2016.

Há números que diminuem e que mostram as repercussões de uma taxa de natalidade baixa, há outros que aumentam, como é o caso do número de computadores nas escolas, fruto da evolução dos tempos. As novas tecnologias não passam ao lado do ensino. Há mais computadores com acesso à Internet nas salas de aula.

Há dez anos um computador tinha de ser partilhado por 11,7 alunos e agora existe um computador com net para cada quatro estudantes. É no Secundário que esta disponibilidade é maior, um computador com net para 3,2 alunos, seguindo-se o 3.º Ciclo com um rácio de 3,5, o 2.º Ciclo com 3,6 e, por último, o 1.º Ciclo com 6,6. Quanto mais sobem no nível de ensino, mais computadores com net têm à disposição.

mais informações no link:

Regiões em Números 2015/2016

 

Há mais homens a optar por ficarem em casa com os filhos

Novembro 4, 2017 às 5:09 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 1 de novembro de 2017.

Clara Viana

Cerca de 30% das crianças nascidas em 2016 tiveram o pai em casa nos seus primeiros meses de vida e isso aconteceu por opção dos progenitores. Em 2005 aquela percentagem foi apenas de 0,4%.

Estes são dados do último relatório sobre o progresso da igualdade entre mulheres e homens no trabalho, que será apresentado na quinta-feira, e que mostram um aumento significativo “da adesão dos pais trabalhadores à partilha de licença parental”, frisa-se naquele documento.

A licença parental inicial tem uma duração entre 120 e 150 dias, sendo este o período que pode ser dividido entre o pai e a mãe ou até gozado em simultâneo, a partir do quarto mês do bebé. A escolha da modalidade é optativa ao contrário do que sucede com as licenças obrigatórias: seis semanas após o parto, no caso da mãe, e 15 dias no primeiro mês de vida da criança, no caso do pai. A estas acrescem ainda mais dois tempos facultativos de 30 dias para a mãe e de outros 10 dias para o pai.

O relatório sobre o progresso da igualdade dá conta de que em todas as vertentes se verificou um aumento de adesão dos homens às licenças parentais. Em percentagem de crianças nascidas e tendo o ano de 2005 como ponto de comparação, esta evolução foi de 39,3% para 67,3%, no caso da licença obrigatória, e de 30,1% para 59,1% na licença facultativa.

No documento elaborado pela Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE), com a colaboração de várias outras entidades públicas, dá-se conta de que, em 2016, 60,2% da população empregada com o ensino superior era do sexo feminino”. Apesar da disparidade salarial entre mulheres e homens se manter estável a favor destes, e ser maior no topo da hierarquia das qualificações profissionais do que na base, o relatório sublinha que “a crescente qualificação das mulheres tem vindo a reflectir-se, paulatinamente, numa relativa melhoria da posição das mulheres no mercado de trabalho”.

Exemplo disto, é o facto de o crescimento do emprego nas profissões altamente qualificadas entre 2015 e 2016 ter sido “mais significativo para as mulheres (mais 4,3%) do que para os homens (2,2%)”.

Fica-se a saber também que a Autoridade para as Condições de Trabalho detectou 340 infracções no âmbito de acções inspectivas de controlo do cumprimento das normas nas matérias de igualdade e não discriminação em função do sexo, que levaram à aplicação de multas no valor de cerca 152 mil euros. As infracções estão, na sua maioria, relacionadas com protecção na parentalidade e com situações de assédio no trabalho.

O documento citado na notícia é o seguinte:

Relatório sobre o Progresso da Igualdade entre Mulheres e Homens no Trabalho, no Emprego e na Formação Profissional – 2016

 

 

Peritos americanos avisam Portugal para consumo juvenil de álcool e droga

Novembro 4, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://expresso.sapo.pt/ de 21 de outubro de 2017.

Vera Lúcia Arreigoso

Estudo indica que os jovens portugueses têm hábitos que aumentam o risco de morte prematura

Portugal juntou-se pela primeira vez ao instituto norte-americano para as Métricas e Avaliação em Saúde (IHME), financiado pela Fundação Bill e Melinda Gates, para saber ao pormenor o que impede a população nacional de ter uma vida saudável. E o primeiro alerta vai para o consumo de álcool e droga entre os jovens — é esse o fator inicial a eliminar para que os portugueses evitem uma morte prematura antes da esperança média de vida com saúde, 72 anos para as mulheres e 68 para os homens. O resultado revela que, na generalidade, está nas mãos de cada um escolher uma vida mais curta ou longa, sendo que os hábitos são determinantes e começam a fazer efeito logo na juventude.

No relatório, a publicar pelo IHME mais perto do fim do ano, os peritos americanos referem à Direção-Geral da Saúde (DGS) que o consumo daquelas duas substâncias aumenta o risco de acidentes no imediato e a longo prazo leva ao aparecimento de doenças cardiovasculares, cancro, cirrose ou outras patologias do fígado, por exemplo. Apesar de a influência negativa do álcool e da droga ter vindo a diminuir, em 2016 ainda eram perdidos 2516 dias de vida por mil habitantes devido ao seu consumo.

“Fala-se muito no envelhecimento mas é preciso também não descurar as doenças dos mais jovens e a chamada de atenção para o álcool e drogas vai nesse sentido”, diz Astrid Vicente, coordenadora do Departamento de Promoção da Saúde e Prevenção de Doenças Não Transmissíveis do Instituto Ricardo Jorge.

O presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, Ricardo Mexia, também concorda com a conclusão dos peritos americanos. “Está na nossa capacidade de decisão mudar porque são fatores sobre os quais temos poder individual. Podemos reduzir a carga global de doença apenas fazendo escolhas adequadas à nossa saúde.”

Na lista de ‘gatilhos’ do IHME, a evitar para que a população não morra antes do que é expectável, surgem logo de seguida a má alimentação, a hipertensão associada ao consumo de sal, o tabaco e o excesso de peso. A análise, entre 1990 e 2016, mostra que o país já conseguiu melhorar o estado da sua saúde, mas tem de fazer mais. “Portugal tinha uma das esperanças de vida mais baixas, mas vinte e seis anos depois é comparável à média do conjunto de países mais desenvolvidos”, sublinha a DGS.

A morte prematura diminuiu 25%, beneficiando de reduções nos anos de vida perdidos devido às doenças que mais matam no país — cerebrovasculares (menos 56%) e isquémicas do coração (decréscimo de 38%) — ou à sinistralidade rodoviária (diminuição de 76%), por exemplo. No entanto, mais portugueses viram a vida terminada precocemente por cancros do pulmão (34,5% no total de anos de vida perdidos), do cólon e reto (31%) e pela doença de Alzheimer (81,8%), neste caso um aumento atribuído à melhoria do diagnóstico e não do número de doentes.

Dor de costas é a maleita mais incapacitante

Além das causas que impedem a população de viver o tempo expectável, o documento analisa as maleitas que incapacitam. Ou seja, ‘o que não mata, mas mói’. E neste caso, as doenças crónicas foram responsáveis por 88,5% do total de anos de vida saudável perdidos.

Tal como em 1990, as dores de costas e de pescoço mantêm-se a maior causa de incapacidade e ganharam mais peso, seguidas pelas doenças do foro mental e comportamental. É ainda referida a diabetes, cuja relevância no conjunto de maleitas que impedem uma vida saudável aumentou 46%, de 2,7% para 3,6%.

“A soma dos anos de vida perdidos prematuramente e do número de portugueses que ficam com incapacidades dá-nos a carga global da doença. Sabemos que quase 90% dos anos saudáveis que os portugueses não viveram foi devido a doenças crónicas — 17% por cerebrocardiovasculares e 18% por cancro, por exemplo, embora existam recuos a cada ano —, portanto há um denominador comum: os estilos de vida, sobretudo a alimentação rica em sal e açúcar, o tabaco e a falta de exercício”, sublinha o diretor-geral da Saúde cessante, Francisco George. A confirmação deste dado só tem uma leitura: “Se mudarmos estes comportamentos, vamos conseguir que mais cinco mil portugueses vivam, pelo menos, até aos 70 anos.”

Nas últimas duas décadas, a sensibilização da população já deu provas. No documento consta uma redução evidente da carga de doença — morte prematura e incapacidade — nas doenças cerebrovasculares (menos 51,35%) e cardíacas (menos 36,3%) e até no cancro do estômago, muito associado à alimentação, mas que, mesmo assim, tem uma mortalidade prematura acima dos outros países desenvolvidos.

Encarregada da Divisão de Estatísticas da Saúde e Monitorização da DGS, Carla Farinha garante que o relatório, o primeiro do IHME sobre Portugal (o 11º país com protocolo), “vai permitir delinear políticas de saúde pública”. Para já, o foco é nacional, mas a responsável revela que o objetivo é avançar depois para análises regionais e locais, permitindo que cada área atue sobre os riscos concretos da sua população.

Os peritos americanos fazem ainda uma comparação com outros países e Portugal soma pontos na doença isquémica do coração e no cancro do pulmão, com um risco de morte prematura inferior ao de quase todos os seus pares. Ao invés, a nota negativa é dada às doenças cerebrovasculares, às infeções respiratórias inferiores (pneumonias) e às neoplasias do cólon e reto.

 mais informações na notícia da DGS:

Carga Global da Doença em Portugal: um novo olhar sobre a saúde dos portugueses

 

 

Portugal teve mais relatos de casos de ‘bullying’ do que os EUA

Novembro 2, 2017 às 7:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança, Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do http://24.sapo.pt/ de 1 de novembro de 2017.

Portugal é o 15.ª país com mais relatos de ‘bullying’ na Europa e na América do Norte, ficando à frente dos Estados Unidos, segundo um estudo divulgado hoje pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

O documento “Um Rosto Familiar: A violência nas vidas de crianças e adolescentes” usou dados oficiais de 2015 para mostrar que, no que se refere ao ‘bullying’, entre 31% e 40% dos adolescentes portugueses com idades entre os 11 os 15 anos disseram terem sido intimidados na escola uma vez em menos de dois meses.

O ‘bullying’ são atos de violência física ou psicológica intencionais e repetidos praticados por um jovem ou grupos de jovens sobre outro.

O país teve mais queixas do que os Estados Unidos, onde aconteceram três quartos dos tiroteios em escolas registados no mundo nos últimos 25 anos.

Portugal também é mencionado numa análise sobre a percentagem de mulheres com idade entre os 18 os 29 anos que sofreram pelo menos um episódio de violência sexual perpetrado por um adulto antes dos 15 anos na Europa.

Neste caso, o país apareceu como um dos que menos registou este tipo de queixa, ficando em 23.º lugar entre os 28 países pesquisados, à frente apenas da República Checa, Grécia, Polónia, Croácia e Roménia.

Este estudo da Unicef apresentou uma análise detalhada sobre as mais diversas formas de violência sofridas por raparigas e rapazes em todas as regiões do mundo, como a violência disciplinar, violência doméstica na primeira infância, violência na escola – incluindo ‘bullying’, violência sexual e mortes violentas de crianças e adolescentes.

A Unicef chamou principalmente a atenção para o facto de a cada sete minutos, em algum local do mundo, uma criança ou um adolescente, entre os 10 e os 19 anos, é morto, seja vítima de homicídio ou de alguma forma de conflito armado ou violência coletiva.

“Somente em 2015, a violência vitimou mais de 82 mil rapazes e raparigas nessa faixa etária”, diz o relatório.

Quase metade de todos os homicídios de adolescentes ocorrem na América Latina e Caraíbas, embora vivam na região um pouco menos do que 10% da população mundial nesta faixa etária.

Para fazer esta análise sobre as mortes de adolescentes, a Unicef recolheu dados de mortalidade oficiais fornecidos por 183 países filiados à Organização Mundial da Saúde (OMS) com populações acima de 90 mil pessoas em 2015.

o relatório citado na notícia é o seguinte:

A Familiar Face: Violence in the lives of children and adolescents

Educação para todos? Há atualmente 264 milhões de crianças e jovens fora da escola

Outubro 26, 2017 às 2:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança, Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do http://24.sapo.pt/ de 24 de outubro de 2017.

Menos de 20% dos países do mundo garantem legalmente 12 anos de educação gratuita e obrigatória, segundo um relatório da UNESCO hoje divulgado, sendo este o período de escolaridade vigente em Portugal.

De acordo com a agência das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), há atualmente 264 milhões de crianças e jovens fora da escola e 100 milhões de jovens que não sabem ler.

Portugal, tal como outros países, surge no relatório associado a indicadores do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), em cuja última edição (2015) os alunos portugueses surgiram com melhores resultados nas três áreas avaliadas (matemática, leitura e ciências), ficando pela primeira vez acima da média da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE).

No relatório agora divulgado, refere-se um aumento do ensino vocacional no sul da Europa desde 2000, que em Itália foi de 15 pontos percentuais e em Portugal de 11 pontos.

O relatório de Monitorização Global da Educação de 2017 – 2018 da UNESCO destaca a responsabilidade dos governos em fornecer educação universal de qualidade e enfatiza que a responsabilização é indispensável para alcançar esse objetivo.

No documento refere-se que Portugal criou a Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3es) e instou as instituições a adotarem sistemas internos de garantia de qualidade, com o apoio da agência, que também faz auditorias.

Quanto aos indicadores relacionados com violência na escola e as suas várias formas, as taxas em que estudantes de 15 anos relataram algum tipo de ‘bullying’ variam entre cerca de 10% na Holanda, Portugal e República da Coreia e 25% na República Dominicana, Hong Kong, China, Letónia e Tunísia.

A UNESCO alerta que problemas educacionais sistémicos podem ter efeitos colaterais negativos, além de ampliarem a desigualdade e prejudicarem a aprendizagem.

No trabalho, defende-se que culpar os professores por absentismo e por resultados insatisfatórios em testes é, de uma forma geral, injusto e não construtivo.

O relatório é lançado hoje em Maputo na presença de vários ministros da Educação de países africanos.

A edição deste ano tem como tema “Responsabilização na educação: cumprir os nossos compromissos”.

mais informações na notícia da Unesco:

Don’t just blame the teacher when the system is at fault, says UNESCO

 

 

7.000 recém-nascidos morrem todos os dias, apesar da redução constante da mortalidade de menores de cinco anos, diz um novo relatório

Outubro 21, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Comunicado de imprensa da http://www.unicef.pt/ de 19 de outubro de 2017.

7.000 recém-nascidos morrem todos os dias, apesar da redução constante da mortalidade de menores de cinco anos, diz um novo relatório

Mantendo-se as tendências actuais, 30 milhões de recém-nascidos morrerão nos primeiros 28 dias de vida entre 2017 e 2030

NOVA IORQUE/GENEBRA/WASHINGTON DC, 19 de Outubro de 2017 – Todos os dias em 2016, 15.000 crianças morreram antes do seu quinto aniversário, das quais 46% – isto é, 7.000 bebés – morreram nos primeiros 28 dias de vida, segundo um novo relatório das Nações Unidas.

Levels and Trends in Child Mortality (Níveis e tendências na mortalidade infantil 2017) revela que apesar do número de crianças que morrem antes de completar os cinco anos nunca ter sido tão baixo – 5,6 milhões em 2016, comparando com 9.9 milhões em 2000 – a proporção de mortes nos primeiros 28 dias de vida aumentou de 41% para 46% no mesmo espaço de tempo.

“As vidas de 50 milhões de crianças com menos de cinco anos foram salvas desde 2000, o que atesta o sério compromisso feito pelos governos e parceiros para o desenvolvimento, para pôr fim às mortes evitáveis de crianças”, afirmou Stefan Swartling Peterson, chefe de saúde da UNICEF. “Mas se não fizermos mais para impedir que bebés morram no dia em que nascem, ou nos dias posteriores, este progresso permanecerá incompleto. Dispomos do conhecimento e da tecnologia necessários – apenas precisamos de os fazer chegar às regiões onde são mais precisos.”

Mantendo-se as tendências actuais, 60 milhões de crianças morrerão antes do seu quinto aniversário entre 2017 e 2030, metade das quais serão recém-nascidos, segundo o relatório publicado pela UNICEF, a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Banco Mundial e a Divisão de População do Departamento de Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas (UNDESA) – que compõem o Grupo Interinstitucional sobre a Estimativa da Mortalidade em Crianças (Inter-agency Group for Child Mortality Estimation [UG-IME]).

A maioria das mortes de recém-nascidos ocorreram em duas regiões: Ásia meridional (39%) e África subsariana (38%). Cinco países contabilizaram metade de todas as mortes de recém-nascidos: Índia (24%), Paquistão (10%), Nigéria (9%), República Democrática do Congo (4%) e Etiópia (3%).

“Para alcançarmos uma cobertura universal de saúde e garantir que mais recém-nascidos sobrevivam e prosperem, devemos chegar às famílias marginalizadas”, afirma a Dra. Flavia Bustreo, Directora-Geral Adjunta para Saúde da Família, da Mulher e da Criança na OMS. “Para evitar doenças, as famílias precisam de meios financeiros, que as suas vozes sejam ouvidas e de ter acesso a cuidados de qualidade. Melhorar a qualidade dos serviços e a resposta atempada durante e após o nascimento devem ser prioritários.”

De acordo com o relatório, muitas vidas podem ser salvas mediante a redução das desigualdades no mundo. Se todos os países tivessem alcançado a taxa média de mortalidade dos países de elevado rendimento, 87% das mortes de crianças menores de cinco anos poderiam ter sido evitadas e quase 5 milhões de vidas poderiam ter sido salvas em 2016.

“Em 2017, é impensável que a gravidez e o parto continuem a colocar a vida das mulheres em risco e que 7.000 recém-nascidos continuem a morrer todos os dias”, afirma Tim Evans, Director Sénior da Saúde, Nutrição e População no Grupo do Banco Mundial. “A melhor forma de medir o sucesso da cobertura universal de saúde não consiste apenas na facilidade do acesso de todas as mães aos cuidados de saúde, mas também pela qualidade do atendimento e pelo baixo custo dos serviços, para que possam garantir uma vida saudável e produtiva aos seus filhos e à sua família. Estamos empenhados em aumentar o nosso  financiamento para responder às necessidades dos países nesta área, nomeadamente através de projectos inovadores como o Mecanismo de Financiamento Mundial.”

A pneumonia e a diarreia estão no topo da lista de doenças infecciosas que custaram a vida a milhões de crianças com menos de cinco anos em todo o mundo, tendo causado 16% e 8% dessas mortes, respectivamente. As complicações relacionadas com o parto prematuro e as complicações durante o trabalho de parto ou nascimento foram responsáveis por 30% das mortes neonatais em 2016. Além dos 5,6 milhões de mortes de crianças menores de cinco anos, registam-se ainda 2,6 milhões casos de nados-mortos por ano, a maioria dos quais evitável.

Podemos pôr fim às mortes infantis evitáveis mediante a melhoria do acesso a profissionais de saúde qualificados durante a gravidez e no momento do parto; e do acesso a intervenções que salvam vidas, como a vacinação, o aleitamento materno e medicamentos de baixo custo, bem como acesso a água e saneamento, que estão actualmente fora do alcance das comunidades mais pobres do mundo.

Pela primeira vez, foram incluídos no relatório os dados sobre a mortalidade de crianças entre 5 e 14 anos, destacando outras causas de morte, como acidentes e lesões. Quase um milhão de crianças entre 5 e 14 anos morreram em 2016.

“Este novo relatório destaca os notáveis progressos alcançados desde 2000 na redução da taxa de mortalidade dos menores de cinco anos”, disse o Sr. Zhenmin Liu, Secretário-Geral Adjunto da ONU para Assuntos Económicos e Sociais. “Apesar destes progressos, continuam a registar-se grandes desigualdades na sobrevivência infantil entre regiões e países, particularmente na África subsariana. No entanto, intervenções simples e económicas, realizadas antes, durante e imediatamente após o nascimento, são suficientes para evitar muitas das mortes que ocorrem. Reduzir as desigualdades e ajudar os recém-nascidos, as crianças e as mães mais vulneráveis é essencial se quisermos alcançar o Objectivo de Desenvolvimento Sustentável de pôr fim às mortes evitáveis e assegurar que ninguém fica para trás. ”

O relatório também destaca que:

  • Na África subsariana, estima-se que uma em cada 36 crianças morre durante o primeiro mês de vida, enquanto nos países de rendimento elevado o rácio é de 1 em cada 333;
  • A menos que o progresso seja acelerado, mais de 60 países não cumprirão o Objectivo de Desenvolvimento Sustentável de pôr fim às mortes evitáveis de recém-nascidos em 2030, e metade destes não atingirão a meta de 12 mortes por cada 1.000 nascidos vivos até 2050. Mais de 80% das mortes neonatais em 2016 ocorreram nesses países.

***

Acerca do Grupo Interinstitucional sobre a Estimativa da Mortalidade Infantil (Inter-agency Group for Child Mortality Estimation [UG-IME])

O UN-IGME foi criado em 2004 com o objectivo de partilhar dados sobre a mortalidade infantil, uniformizar estimativas dentro do sistema das Nações Unidas, melhorar os métodos para as estimativas de relatórios sobre a mortalidade infantil sobre progressos alcançados em matéria de sobrevivência infantil, e fortalecer as capacidades dos países no que diz respeito à produção de estimativas atempadas e devidamente levantadas sobre mortalidade infantil.

O UN-IGME é liderado pela UNICEF e inclui a Organização Mundial da Saúde, o Grupo do Banco Mundial e a Divisão de População do Departamento de Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas. Para mais informação, por favor visite http://www.childmortality.org

 

 

O consumo de álcool moderado dos pais afecta os filhos? Estudo diz que sim

Outubro 20, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança, Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 19 de outubro de 2017.

Segundo um estudo do Institute of Alcohol Studies de Inglaterra, estes comportamentos afectam a forma como os filhos vêem os pais.

Catarina Lamelas Moura

Um estudo publicado esta semana pelo Institute of Alcohol Studies de Inglaterra (IAS) designa o álcool como “açúcar para adultos”. De acordo com os resultados obtidos, os impactos negativos do consumo de álcool por parte dos pais sobre os filhos acontecem também com quantidades menores, consideradas normalmente pelas entidades como comportamentos de baixo risco.

O estudo – centrado nos consumos sem dependência – analisou as respostas de 997 pais e os seus respectivos filhos, em Inglaterra. Foram realizados inquéritos ao público, quatro focus groups e um inquérito online.

O relatório publicado pela IAS alerta que o debate acerca do consumo de álcool se foca demasiado na questão da quantidade de álcool, em detrimento do verdadeiro impacto do mesmo nas crianças. Os resultados demostram que os pais não têm necessariamente de beber grandes quantidades de forma consistente para que os seus filhos notem mudanças no seu comportamento e sofram impactos negativos. As crianças que viram os pais alegres ou mesmo bêbados demonstraram algum tipo de consequência, como sentirem-se menos consoladas ou a perturbação das rotinas nocturnas. Há ainda uma probabilidade menor de não verem nos pais um exemplo positivo.

Os inquéritos conduzidos concluíram que “muitos pais assumem que os seus filhos não reparam naquilo que bebem” e que, por isso, “os impactos negativos são involuntários, em grande parte dos casos”. Esses hábitos acabam por reflectir-se na postura que os filhos tomam em relação ao álcool, indicam ainda os inquéritos online.

De acordo com os dados do IAS, 29% dos pais admitiu que já tinha estado bêbado em frente aos filhos e 51% disse que já tinha estado alegre. Dos pais inquiridos, 29% considera não haver problema em beber em frente aos filhos, desde que não aconteça com regularidade. Das crianças abordadas, 18% já se sentiu envergonhada devido ao consumo alcoólico dos pais.

“É preocupante que a maioria dos pais relate ter estado alegre em frente aos filhos. Todos os pais lutam por fazer o melhor para os seus filhos, mas este relatório realça a preocupante lacuna no seu conhecimento”, comenta Katherine Brown, chefe executiva dos IAS, citada pelo Guardian.

Um local “seguro” para beber

Aquilo que muitos pais consideram uma forma de educar os filhos a terem comportamentos responsáveis relativamente ao consumo de álcool – deixá-los experimentar uma bebida numa ocasião especial, em casa, por exemplo – pode não produzir os efeitos desejados.

“Os pais muitas vezes tentam evitar que o álcool se torne um tabu, contra o qual as crianças se rebelem, e têm tendência a ver a casa como um ambiente seguro para a aprendizagem de comportamentos adequados”, aponta o relatório do IAS. No entanto, aponta ainda, um estudo conduzido por Marie B. H. Yap e outros investigadores concluiu que as crianças cujos pais lhes fornecem bebidas alcoólicas, têm maior probabilidade de começar a beber mais cedo, de ter problemas alcoólicos e de beber em quantidades e frequência maiores.

O relatório citado na notícia é o seguinte:

Like sugar for adults: The effect of non-dependent parental drinking on children & families

 

 

“Crise educativa”. Seis em cada dez crianças não estão a atingir níveis básicos de proficiência

Outubro 14, 2017 às 6:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://expresso.sapo.pt/ de 27 de setembro de 2017.

Joana Azevedo Viana

Relatório da ONU revela resultados “assombrosos de estudo global do Instituto de Estatísticas da UNESCO, que apurou que mais de 600 milhões de crianças em idade escolar não têm conhecimentos básicos de matemática nem de leitura

Seis em cada dez crianças e adolescentes de todo o mundo não estão a conseguir alcançar níveis básicos de proficiência na aprendizagem escolar, aponta a ONU num relatório divulgado esta quarta-feira no qual classifica os resultados do estudo do Instituto de Estatísticas da UNESCO como “assombrosos”, num sinal de que estamos a viver uma “crise de aprendizagem” a nível global. O foco da ajuda humanitária internacional para a Educação tem incidido sobre a falta de acesso a escolas, em particular em países pobres da África subsariana e em zonas de conflito. Mas de acordo com a nova investigação, a ausência de qualidade nas escolas não é exclusiva dessas regiões, havendo neste momento mais de 600 milhões de crianças em idade escolar em todo o mundo que não têm conhecimentos básicos de matemática nem de leitura.

O caso da África subsariana, onde existem mais entraves à educação, é o mais gritante, com 88% das crianças e adolescentes a caminho da idade adulta sem saberem ler convenientemente. No sudeste asiático, o número de crianças sem níveis adequados de literacia ronda os 81%. Na América do Norte e na Europa, que concentram alguns dos países mais desenvolvidos do mundo, apenas 14% de crianças e adolescentes concluem os estudos num nível tão baixo — mas de acordo com a investigação, só 10% do total de crianças em idade escolar de todo o mundo é que vivem nesses países.

“Muitas destas crianças não estão escondidas ou isoladas dos seus governos e das suas comunidades, pelo contrário estão sentadas em salas de aula”, refere Silvia Montoya, diretora do Instituto de Estatísticas da UNESCO. As conclusões do estudo, acrescenta, são “uma chamada de atenção para que haja maior investimento na qualidade da educação”, já que as ambições de progresso social e económico serão asfixiadas por estes níveis de iliteracia.

Este problema de “ir à escola e não aprender” já tinha sido igualmente referido num relatório divulgado esta semana pelo Banco Mundial, no qual a instituição alerta que há milhões de crianças e jovens em países de rendimentos médios e baixos que não estão a receber educação adequada, o que a médio e longo prazo vai remetê-las para empregos mal pagos e insegurança profissional.

Ao apresentar o relatório, o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, não se poupou a críticas, dizendo que estes falhanços educativos representam uma “crise moral e económica” que precisa de respostas urgentes. No documento, os investigadores avisam em particular que, depois de vários na escola, os alunos do Quénia, Tanzânia, Uganda e Nicarágua não sabem fazer simples contas de somar nem ler frases simples.

No Japão há 99% de crianças com níveis básicos de proficiência na escola primária, mas apenas 7% no Mali, o que apesar de tudo denota algumas diferenças na aprendizagem consoante a concentração de riqueza dos países onde crescem. Outro ponto sublinhado é que parece haver um fosso ainda maior entre as crianças de famílias ricas e de famílias pobres — assim demonstra o exemplo dos Camarões, onde apenas 5% das raparigas de famílias mais pobres saem da escola primária preparadas para continuarem os estudos, contra 76% das raparigas oriundas de famílias ricas.

Quais as causas?

Na sua investigação, o Banco Mundial tentou examinar os fatores que contribuem para tão fracas conquistas a nível da aprendizagem escolar e o dinheiro desempenha um papel importante. Nos países mais pobres do mundo, as crianças entram na primeira classe sem condições de aprenderem por causa da má-nutrição e de outros problemas de saúde, a par da pobreza e deprivação de bens básicos. A par disso, a instituição revela-se preocupada com a qualidade do ensino, sublinhando que muitos professores não são, eles próprios, particularmente proficientes. Nalguns países da África subsariana, há ainda um problema endémico de falta de assiduidade dos professores, em grande parte ligado ao facto de não receberem salários regulares pelo seu trabalho.

Para Paul Romer, economista chefe do Banco Mundial, é preciso honestidade ao lidar com o facto de que, apesar de muitas crianças poderem ir à escola, isso não significa que elas estejam a aprender o bê-a-bá. O progresso, referiu ao apresentar o relatório, vai depender de reconhecer que “estes factos sobre a educação revelam uma verdade dolorosa” sobre o estado do ensino a nível global. Entre outros problemas, é apontado no documento que não há escrutínio suficiente dos padrões educativos e que existe ausência de informações básicas sobre as conquistas de cada aluno ao longo do seu percurso académico.

Apesar de nos países ocidentais o debate público estar focado há vários anos no excesso de testes e exames a que as crianças são submetidas, o Banco Mundial refere que, nas nações mais pobres do mundo, há “muito poucos medidores de aprendizagem e não demasiados”. A contrariar a tendência global, surgem casos positivos em que foram alcançados grandes progressos educativos, como na Coreia do Sul e no Vietname.

A apresentação destes relatórios surge uma semana depois de vários Estados-membros da ONU se terem comprometido com um maior investimento na educação global durante a assembleia-geral que esteve a decorrer na semana passada em Nova Iorque. “Decidi transformar a educação na prioridade de topo do desenvolvimento e da política externa de França”, anunciou na altura o Presidente Emmanuel Macron. A par dele, também Gordon Brown, antigo primeiro-ministro britânico que é o atual enviado da ONU para a Educação, anunciou que tem como principal objetivo nesse cargo conseguir que a Parceria Global para a Educação consiga angariar pelo menos dois mil milhões de dólares (cerca de 1,7 mil milhões de euros) até 2020, fundos esses que serão canalizados para projetos educativos em todo o mundo.

A União Europeia, por sua vez, anunciou que vai alocar 8% do seu orçamento de ajuda humanitária para esta área — e que, através da Education Above All Foundation, da UNICEF e de outras organizações de caridade, vai investir 60 milhões de dólares extra (quase 51 milhões de euros) em projetos educativos para as crianças sírias que estão impedidas de ir à escola por causa da guerra civil que estalou no país em março de 2011 e que continua sem fim à vista.

Os documentos citados na notícia são os seguintes;

More Than One-Half of Children and Adolescents Are Not Learning Worldwide

World Development Report 2018: Learning to Realize Education’s Promise

 

 

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