Em Dia Mundial da Criança, ler ainda é a actividade menos preferida dos mais novos

Junho 8, 2020 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 1 de junho de 2020.

A maioria dos inquiridos considerou a leitura como uma ferramenta para “esquecer a pandemia”.

Carla B. Ribeiro

A leitura é a actividade que reúne menos preferência entre as crianças em casa, quer sejam leitores autónomos ou não. Esta é uma das conclusões de um estudo nacional, realizado em parceria entre a Leya Educação e o Clube de Leytura, para “apurar o que mudou nos hábitos de leitura durante o período de confinamento das famílias portuguesas”.

Segundo o inquérito, realizado online ao longo das últimas semanas, durante o período de confinamento, a 2480 encarregados de educação, a maioria dos inquiridos (59%) revelou ter passado a ler mais aos seus filhos não autónomos, com 55% a considerarem que o período de isolamento “libertou mais tempo para que pudessem ler para os seus filhos”.

Semelhante realidade foi observada entre as crianças, com autonomia na leitura: “61% dos inquiridos referem que a leitura passou a ser mais frequente desde que estão em casa, em período de confinamento”. O facto foi explicado por vários encarregados de educação como resultado de “as crianças poderem acordar mais tarde”, já que é ao fim do dia ou antes de dormir que a maioria tem o hábito de ler. Além disso, foi explicado que, com “uma carga lectiva menor”, havia “mais tempo para a leitura”.

Já a função da leitura terá sido terapêutica durante este período, já que uma larga fatia de quem respondeu ao questionário (mais de 80%) considerou que esta serviu também para “esquecer a pandemia”.

Ouvir para depois ler

Mais de 83% dos pais com leitores não autónomos têm o hábito de ler para as crianças — a grande maioria desde o nascimento, 20% a partir dos 4 anos e 8% diz ter começado quando a criança iniciou o processo de escolarização, aos 6 anos. E, isso, conclui este estudo, contribui para fomentar o gosto pela actividade — entre quem respondeu com filhos autónomos, 87% afirmaram ter tido o hábito de ler para os seus filhos em mais pequenos.

E, ao contrário do que poderia ser expectável, a autonomia na leitura fê-los passar a ler mais, atestam 70% dos pais. Apenas o género de leitura muda — enquanto os pais afirmam ter o hábito de ler para os mais pequenos sobretudo livros de fantasia (27,7%) e de actividades (23,9%), as crianças com autonomia na leitura revelam preferência pelos livros de aventuras/suspense (33,3%), ainda que se mantenham fiéis aos de actividades (28,1%).

A regularidade da leitura nas crianças autónomas é consistente, com 74% a referirem que os filhos lêem todos os dias ou entre duas e três vezes por semana, mas quase 85% confessa que “gostaria que o filho lesse mais”. Até porque, 99% dos pais consideram que “a leitura pode melhorar o desempenho escolar”.

As formas de conseguir que os pequenos dediquem mais tempo aos livros são, porém, várias: a começar por terem menos acesso a tecnologia (tablets, jogos, telemóvel, redes sociais) e mais tempo. Outras respostas incluíram “ter mais livros em casa, terem menos trabalhos de casa, os livros serem mais cativantes e sedutores para os leitores e o preço mais acessível”.

O custo dos livros infantis volta a ser referido para justificar os fracos hábitos de compra: 31% dos inquiridos compram livros de três em três meses; 19%, duas vezes por ano; e 12% apenas uma vez ao ano. No entanto, quase 85% dos inquiridos referem que comprariam mais se os livros fossem mais baratos. “O preço é sempre um factor de peso nos hábitos e comportamentos de compra e os livros não são excepção”, conclui o estudo da Leya.

Paralelamente, os encarregados de educação questionados, apesar de não referirem dificuldade na hora de escolher um livro infantil, expressam claramente (71%) que “os seus filhos leriam mais caso especialistas seleccionassem livros adequados”, reconhecendo “a importância de ter alguém com maior conhecimento do mundo literário como forma de reforçar os hábitos de leitura”.

Ler é cumplicidade

Quase 88% dos pais de leitores não autónomos consideram que “a leitura é uma actividade que une a família” e, apesar de reconhecerem nela uma forma para que os filhos “desenvolvam a linguagem, a capacidade de imaginação e a abstracção” (46%) e também “o gosto pela leitura” (26%), há uma fatia (18%) que considera o momento em que lê para os filhos como um de “cumplicidade”, entre adultos e os mais novos.

De acordo com as famílias que têm ao seu encargo leitores não autónomos, os livros podem ser uma realidade quotidiana (43%) ou regular, com a leitura a realizar-se entre três vezes por semana (30%) ou apenas uma (15%).

Mas também quem tem filhos que já não precisam de apoio a ler considera a leitura uma actividade de união familiar (mais de 80%). Além disso, praticamente todos os inquiridos (99,3%) julgam “importante incentivar a leitura dos mais novos” por estar associada à sabedoria e à aprendizagem, mas também “porque vai ajudar profissionalmente” e “alargar horizontes”.

Mais informações na notícia da Leya:

Clube de LeYtura faz hoje 1 ano e revela como (e o que) leram as crianças portuguesas durante o confinamento

Histórias simples, de grandes autores, para crianças que estão a aprender a ler

Junho 4, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 1 de junho de 2020.

Bárbara Wong

A partir desta segunda-feira, todas as semanas há dois vídeos para ajudar aqueles que têm dificuldades na leitura.

Aprender a ler não é natural e nem todas as crianças conseguem desenvolver bem esta capacidade que é fundamental não só para o seu arranque na vida escolar mas também para o seu futuro. Ler com os mais populares autores portugueses para crianças, todas as semanas, a partir desta segunda-feira, é a proposta do projecto Histórias de AaZ, de Teresa e Alexandre Soares dos Santos – Iniciativa Educação (IE).

O projecto destina-se aos alunos dos 1.º e 2.º anos de escolaridade com dificuldades de leitura e pode ser usado como uma “ferramenta adicional” por professores e também pelos pais de crianças com dificuldades de leitura, refere a IE em comunicado. Tratam-se de vídeos com histórias contadas pelos seus autores, como Alice Vieira, Ana Saldanha, Isabel Alçada, ​João Pedro Mésseder, ​José Fanha, Luísa Ducla Soares, entre outros. Enquanto os escritores lêem, as crianças podem acompanhar no ecrã essa leitura, pois as palavras são destacadas à medida que são lidas. Depois, caberá ao leitor repetir fazer a leitura, já que a história repete mas sem a voz do autor.

“Ouvir histórias sempre foi uma das actividades linguísticas mais importantes. Contudo, não contribui directamente para o domínio da técnica da leitura. Por isso, nestas histórias, a leitura é acompanhada da visualização do texto, com destaque individualizado das palavras”, explica o professor João Lopes, coordenador do programa AaZ – Ler Melhor, Saber Mais, no mesmo comunicado.

A primeira história será publicada na segunda-feira, 1 de Junho, Dia Internacional da Criança. E semanalmente serão divulgadas duas histórias, à segunda e à quinta-feira. Os conteúdos foram seleccionados a partir de sugestões do Plano Nacional de Leitura por um grupo de especialistas em literatura infantil e leitura que inclui Gabriela Velasquez, Violante F. Magalhães, Sara de Almeida Leite, Luísa Araújo e Rosária Rodrigues.

O programa AaZ – Ler Melhor, Saber Mais centra-se nos dois primeiros anos do 1.º ciclo do ensino básico, de modo a ajudar a combater as dificuldades dos mais novos no processo de aprendizagem. O A a Z já está presente em cinco agrupamentos, num total de 25 estabelecimentos de ensino em Gondomar, Alentejo (Moura e Amareleja) e nos Açores (São Miguel e Santa Maria).

No entanto, estes vídeos, que podem ser vistos por todos os interessados, foram feitos a pensar nos 97 alunos de 1.º e 2.º ano que o programa acompanha nos cinco agrupamentos. Actualmente, e por causa da pandemia, apenas os meninos alentejanos do 1.º ano ficaram de fora, os restantes continuam a ser acompanhados à distância, informa João Lopes, ao PÚBLICO.

Teresa e Alexandre Soares dos Santos – Iniciativa Educação é um projecto da família Soares dos Santos que pretende apoiar a educação em Portugal. Foi apresentado em Outubro passado e tem como dirigentes uma das filhas do casal, Inês Soares dos Santos Canas, o ex-ministro da Educação Nuno Crato e a ex-jornalista Sara Miranda. Na altura foram anunciados 20 milhões de euros, dos fundos pessoais da família, do casal e dos sete filhos, que se distribuem pelo AaZ — Ler Melhor, Saber Mais e o programa SerPro, pensado para os alunos do secundário e que está a funcionar em oito escolas (Lisboa, Sacavém, Setúbal, Salvaterra de Magos, Sousel, Moura, Lagoa e Seia), abrangendo 11 cursos profissionais e 27 empresas.​

Ler notícias? Só se aparecerem no feed. Para os jovens, são “desinteressantes e repetitivas”

Fevereiro 18, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 20 de novembro de 2019.

Mariana Durães

Lêem o que aparece nas redes sociais, não gostam dos temas nem da linguagem: assim é a relação dos jovens com as notícias. E ainda que confiram credibilidade aos jornalistas, nem sempre sabem distinguir a verdade da mentira. O projecto PSuperior quer contrariar isso, com a oferta de assinaturas digitais a estudantes universitários.

Ana Sofia Mendes e os amigos fizeram uma experiência: ver quantos deles tinham a aplicação de um órgão de comunicação social instalada no telemóvel. Resultado? “Quase ninguém tinha.” O cenário não surpreendeu a jovem de 21 anos, estudante da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa, que diz ter uma perspectiva “crua” no que toca ao consumo de notícias por jovens: “Não lêem, não vêem jornais e nem sequer vêem televisão. Ficam só pelas letras garrafais que lhes vão aparecendo.”

Precisamente por saber que, por vezes, são só “as letras gordas” que contam, o PÚBLICO associou-se a nove empresas para oferecer assinaturas digitais a alunos finalistas ou de mestrado integrado de determinados cursos de universidades públicas e privadas de todo o país, ao abrigo do projecto PSuperior, que é lançado esta quarta-feira, 20 de Novembro. A ideia é alertar os jovens para a desinformação e para as fake news, num momento em que o que “lhes vai aparecendo” são as notícias que caem no feed das redes sociais que utilizam — e que nem sempre são de fonte fidedigna. E incentivar hábitos de leitura de jornais junto dos jovens universitários.

Para Inês Amaral, professora da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, a principal alteração no que toca ao consumo de notícias feito por jovens é na questão do acesso: “Até diria que os jovens consomem mais informação do que consumiam antes, mas o acesso passou a ser feito através do digital, das redes sociais. Agora não vem da procura por informação, mas de um acesso espontâneo”, explica a investigadora, que se tem dedicado a estudar a literacia mediática em Portugal, em entrevista telefónica ao P3.

Sara Pereira, investigadora do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho, corrobora: “Há uma tendência grande para, hoje em dia, o contacto que os jovens têm com as notícias ser feito através das redes sociais. É aí que encontram a informação.” E se, por um lado, as redes sociais podem fazer notícias saltar à vista de quem não as procura, por outro são também terreno fértil para a disseminação de fake news. Ou para a criação de “bolhas” intelectuais: o algoritmo calcula os interesses de cada um de nós, oferecendo constantemente informações coincidentes com os nossos tópicos de eleição, excluindo todos os conteúdos que sabe que, à partida, não nos vão agradar. O que é, para Inês Amaral, “redutor”.

Depois do primeiro contacto com as notícias, feito através das redes sociais, “há aqueles que querem ler na íntegra e os que se ficam apenas pelo título”: as tais “letras garrafais que vão aparecendo” que Ana Sofia acredita ser o único contacto que os jovens têm com as notícias. A estudante de Direito, também presidente da Associação de Estudantes do mesmo curso, diz que “já nem fala” em comprar um jornal: “As pessoas nem têm interesse em ver notícias online.”

As notícias são “repetitivas e desinteressantes”

Mas, afinal, porque é que os jovens não lêem notícias? “Estão altamente desinteressados pelas hard news e pelas questões da actualidade”, atira Inês Amaral. Salvo excepções, como o tema das alterações climáticas, os assuntos que são tratados pelos media tradicionais “são considerados repetitivos e desinteressantes” para o público mais jovem.

Ana Sofia acredita que também contam questões como o hábito e o incentivo à leitura e a procura de informação: “Eu sempre fui instruída a ler notícias. E se formos habituados a isso desde os 14 ou 15 anos, aos 19 e 20 vamos continuar a fazê-lo.” Uma realidade que também é defendida por Sara Pereira, que relembra que a leitura de notícias depende dos “hábitos de consumo” de cada um.

Ao desinteresse acresce a incapacidade de compreender certos tópicos: “Há assuntos que até interessam aos jovens e que lhes podem ser mais próximos — como as questões de economia ou política —, mas que eles dizem não entender. É preciso uma adaptação da linguagem.” Mais ainda, o “consumo imediato”, típico do que é feito nas redes sociais, leva a que os jovens descartem rapidamente as notícias: “Ou está no título e no lead, ou não está.”

A solução para reverter o panorama pode passar “pela ideia de dar voz a assuntos cívicos, que parecem ser os que despertam mais atenção”, defende Inês. A professora refere que “tópicos sensacionalistas, como crime, violência, catástrofes e conflitos, são normalmente referidos como de interesse”. Mas salvaguarda a ideia de que “a informação não pode existir numa lógica de on demand” e que “o jornalismo precisa de cobrir aquilo que é a actualidade.”

Sara Pereira vai mais além: “Acredito que tem de haver mais visibilidade e representação dos jovens, mas se não é na fase de jovens adultos que se interessam pela actualidade, quando é que estamos a formar adultos?” A investigadora acredita também que não é necessário “transformar uma linguagem que já aceitável desde o ensino secundário.”

Mas o que diz uma jovem sobre o assunto? “Pode, de facto, haver um desinteresse pelas temáticas abordadas pelos media, mas o que acho que acontece é que a própria sociedade não dá a devida importância à comunicação social”, atira Ana Sofia.

O que está na Internet é “certamente verdade”

“A questão da literacia mediática é uma urgência há muito tempo, mas, com os consumos em grande velocidade, assumiu uma relevância maior”, refere Inês. “Sobretudo quando temos sites como os Bombeiros 24 a venderem coisas em que as pessoas acreditam e não questionam”, diz a investigadora de Coimbra, referindo-se a uma das páginas portuguesas mais vezes associadas a fake news.

Mas se seria de esperar que, como nativos digitais, os jovens estivessem mais sensíveis às notícias falsas, a verdade é que “são altamente vulneráveis nesse campo”. Até porque o facto de terem “nascido com o digital” faz com que haja uma enorme “credibilidade pelos pares, mesmo que não os conheçam pessoalmente”: “Se alguém partilha algum conteúdo através de uma conta no Twitter que eles já seguem há muito tempo e a quem atribuem credibilidade, não questionam”, explica Inês.

Ana Sofia resume numa frase: “Nós sempre procuramos tudo na Internet.” Por isso, tudo o que lá está é “certamente verdade”. Ainda assim, defende Sara Pereira, “os jovens têm noção de que quando querem informação credível e fidedigna, vão procurar a sítios feitos por profissionais”. “Há um reconhecimento grande do trabalho do jornalismo e de jornalistas.”

O que não quer dizer que seja suficiente para pagar uma assinatura de um jornal: “Ler uma notícia não desperta os mesmos sentimentos que ver uma série”, explica Ana Sofia. Por isso, diz, na hora de escolher, quem ganha a maior parte das vezes é a Netflix.

Unicef: 30% das meninas de famílias mais pobres nunca foram à escola

Janeiro 26, 2020 às 1:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 20 de janeiro de 2020.

Agência da ONU listou investimentos com educação em 42 países; Brasil, única nação de língua portuguesa analisada, aparece no meio da relação; Unicef diz que falta de acesso à educação é falhar com as crianças e perpetuar a pobreza.

Um novo relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, revela que 30% das meninas adolescentes mais pobres do mundo, entre 10 e 19 anos, nunca frequentaram a escola.

Entre os meninos, nessa mesma condição, este índice é de 20%

Relatório

O relatório “Abordando a crise da aprendizagem: uma necessidade urgente de melhorar o financiamento da educação para as crianças mais pobres” destaca grandes disparidades na distribuição dos gastos públicos em educação. O financiamento limitado e distribuído, de forma desigual, resulta em turmas grandes, professores mal treinados, falta de material escolar e infraestrutura precária.

Segundo a agência da ONU, isso tem um impacto adverso na participação das crianças, índice de matrículas e aprendizado.

Obstáculos

O Unicef enfatiza que pobreza, discriminação por gênero, deficiência, etnia e língua de ensino são algumas das causas do problema.  Além disso, distância e infraestrutura precária continuam a impedir que essas crianças tenham acesso à educação.

A agência diz que a exclusão em todas as etapas da educação perpetua a pobreza e é um fator-chave de uma crise global de aprendizado.

Falha

Para a diretora-executiva do Unicef, Henrietta Fore, “os países estão falhando com as crianças mais pobres do mundo e consigo próprios.” Ela disse que “enquanto os gastos com educação pública forem desproporcionalmente direcionados às crianças das famílias mais ricas, as mais pobres terão poucas esperanças de escapar da pobreza, e aprender o necessário para ter sucesso no mundo de hoje e contribuir para as economias de seus países”.

Ao analisar dados disponíveis de 42 países, o estudo conclui que em média, em nações de baixa renda, 46% dos recursos de educação pública foram para 10% dos estudantes com os mais altos níveis de educação. Já nos países de renda média baixa, este índice é de 26%.

Distribuição

Dez países africanos concentram as maiores disparidades nos gastos com educação, com quatro vezes mais recursos destinados às crianças mais ricas do que às mais pobres.

Na Guiné-Conacri e na República Centro-Africana, países com algumas das taxas mais altas de crianças fora da escola, alunos mais ricos se beneficiam de nove e seis vezes mais, respectivamente, da quantidade de fundos públicos que as crianças mais pobres.

Brasil

O Brasil, o único país de língua portuguesa no estudo aparece em 16 º posição em relação à percentagem de recursos públicos em educação destinados a crianças das famílias mais pobres, em comparação com investimentos em menores de famílias mais ricas.

Barbados, Dinamarca, Irlanda, Noruega e Suécia são os únicos países na análise que distribuem o financiamento da educação igualmente sem favorecer pobres ou ricos.

Leitura

O relatório observa que a falta de recursos disponíveis para as crianças mais pobres está agravando uma crise de aprendizado quando as escolas deixam de oferecer educação.

Segundo o Banco Mundial, cerca de 53% das crianças que vivem em países de baixa e média rendas não conseguem ler ou entender uma história simples até o final da escola primária.

Recomendações

Entre as recomendações do Unicef está a alocação de recursos domésticos, que devem ser distribuídos para que as crianças dos 20% das famílias mais pobres se beneficiem de pelo menos 20% do financiamento da educação.

Outra diretriz é a priorização do financiamento público para níveis mais baixos de educação, onde estão a maioria das famílias mais pobres.

O estudo cita ainda a importância de pelo menos um ano de educação pré-primária universal. Para o Unicef, a educação pré-primária é a base sobre a qual cada estágio da escolaridade se baseia.

A agência destaca que as crianças que concluem o pré-primário aprendem melhor, têm maior probabilidade de permanecer na escola e contribuem mais para as economias e sociedades de seus países quando atingem a idade adulta.

O relatório citado na notícia é o seguinte:

Addressing the learning crisis: An urgent need to better finance education for the poorest children

Como desenvolver o hábito da leitura nas crianças?

Janeiro 7, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da Cláudia Abril de 23 de dezembro de 2019.

O conteúdo certo pode despertar o interesse e o hábito que dure a vida toda

Por Stéphanie Habrich

Ouço por aí muitos pais se perguntando o que devem fazer para incentivar os filhos a gostar de ler.

Eu costumo dizer que não existe receita de bolo para que as crianças se interessem pela leitura – e que não importa se o jovem está lendo uma receita de bolo ou um clássico da literatura. O importante é que ele leia algo que o incentive a tomar gosto pela leitura.

Quando se veem diante da tarefa de estimular os filhos a ler, muitos pais pensam automaticamente em munir a criança com livros. Embora eles sejam fundamentais para o desenvolvimento de um indivíduo, as obras literárias não precisam ser a única porta de entrada para o mundo da leitura.

No meu caso, acredito que as revistas infantojuvenis europeias foram, em grande parte, responsáveis por despertar o meu interesse para o hábito de ler. Meu pai, alemão, e minha mãe, francesa, assinavam para mim publicações infantis da França e da Alemanha – bastante comuns na Europa. As publicações traziam curiosidades, histórias e receitas, além de textos que explicavam o que estava acontecendo no mundo de uma forma que as crianças – como eu, na época – conseguiam entender. E eu adorava ficar por dentro de tudo.

Os jovens ouvem pais e outros adultos falando sobre assuntos da atualidade e querem compreender melhor os temas tratados. Ao terem contato com publicações infantojuvenis que tratam sobre essas questões, passam a ver nesses materiais a possibilidade de entenderem melhor o mundo à sua volta – e de não ficarem alheios ao que as pessoas estão falando por aí.

Além da possibilidade de obter informações novas, outra coisa que me encantava nas publicações da minha infância era a sensação de dever cumprido toda vez que eu terminava uma leitura – algo que não vinha de forma tão rápida com livros, onde, naturalmente, os textos são maiores do que as notícias curtas das publicações infantis.

Enfim, ler as publicações vindas da França e Alemanha era agradável, divertido e instrutivo. Toda vez que elas chegavam em casa, eu saía correndo para ler, de tão ansiosa que ficava. É essa mesma sensação que tento proporcionar aos leitores do Joca.

De leitora à empreendedora

Inspirada nas publicações infantis que eu lia quando criança, em 2011 lancei o Joca, o primeiro jornal para crianças e jovens do Brasil. Nele, tratamos dos mais variados assuntos – política, economia, cultura, tecnologia, esportes, entre outros – com uma abordagem específica para essa faixa etária.

Os textos que as crianças encontram no jornal são dinâmicos e objetivos, e costumam vir acompanhados de imagens, infográficos e ilustrações para facilitar a compreensão dos temas.

Além disso, fazemos questão de explicar termos e conceitos complexos e mostrar o contexto por trás de determinado acontecimento. Se vamos tratar sobre um encontro entre Donald Trump e Kim Jong-un, por exemplo, além de falar sobre a reunião em si, explicamos como se deu a relação entre os dois países ao longo da história. Assim, a criança terá mais condições de entender a importância de tal acontecimento para o cenário internacional.

Hoje, oito anos após a criação, o Joca é distribuído por todo o país. Contamos com tiragem de 30.000 exemplares, que chegam a escolas para uso em sala de aula, nas casas de assinantes e em ONGs.

Dentre todas as conquistas que tivemos nos últimos anos, a que me deixa mais feliz é ver como as crianças gostam de ler o jornal. Quando uma nova edição chega, vemos a animação no rosto dos jovens, ansiosos para saber das novidades.

Esse interesse também se comprova por uma pesquisa, realizada pela Planète D’Entrepreneurs, organização francesa que avalia negócios de impacto social pelo mundo, em parceria com a HEC Paris (uma das instituições mais conceituadas no mundo para estudar negócios). Participaram cerca de 1.000 leitores do Joca. O resultado mostrou que mais de 80% dos entrevistados gostam de ler o jornal. Além disso, dois em cada três afirmaram que leem o Joca por diversão – e não apenas para fazer a lição de casa.

Ouvimos sempre que os brasileiros, sobretudo as crianças, não gostam de ler. Mas, ao ver esses números, tenho a certeza de que essas afirmações não passam de mitos. Acredito que, quando as crianças têm acesso a materiais que são atraentes, lúdicos e respeitam a sua inteligência, a vontade de ler aumenta.

Se dermos às crianças os conteúdos certos, que despertem a curiosidade já existente nelas, estou certa de que as chances de desenvolverem o hábito da leitura de maneira natural serão muito maiores.

E, assim, todos agradecem: tanto as crianças como seus pais.

Stéphanie Habrich é fundadora e diretora executiva do jornal Joca, finalista do Prêmio CLAUDIA 2019, na categoria Educação

Um terço dos estudantes só lê quando é obrigado

Dezembro 12, 2019 às 9:30 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 4 de dezembro de 2019.

Alexandra Inácio

Quase um terço dos alunos portugueses de 15 anos (31%) admite que só lê por obrigação; 46% só leem para encontrar uma informação que precisam e, para 22%, ler é uma perda de tempo.

Os resultados são piores nos rapazes. Os resultados do PISA revelam também que Portugal é o único país da OCDE que mantém uma evolução positiva nas três áreas (Leitura, Matemática e Ciências) desde 2000.

Os dados sobre o interesse pela leitura foram ontem revelados nos relatórios PISA (Programa de Avaliação Internacional de Alunos) e do Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) sobre os resultados portugueses da avaliação internacional. Por cá, o desinteresse é mais baixo da que as médias registada nos 79 países avaliados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) – onde, por exemplo, 49% só leem por obrigação -, mas piorou relativamente a 2009.

Por género, a proporção de rapazes que responde que ler é uma obrigação (41%), apenas para procurar uma informação (60,3%) ou uma perda de tempo (31,2%) chega a ser mais do dobro das raparigas (19,9%, 32,5% e 12,1% respetivamente).

Tanto a presidente da Associação de Professores de Português (APP), Filomena Viegas, como a comissária do Plano Nacional de Leitura, Teresa Calçada, alertam que os alunos de 15 anos associam a leitura ao estudo, obrigatório. “Eles leem muito nos tablets e nos telemóveis, mas não têm interesse pela literatura”, assume Filomena Viegas.

A presidente da APP considera que as listas de leitura para as disciplinas de Português devem incluir mais obras e autores. Além de maior liberdade de escolha, defende. “O leque tem de ser alargado para despertar interesse e prazer”, insiste. Teresa Calçada também considera que as bibliotecas das escolas têm de ter mais diversidade e novidades.

Literacia na média

“A mais-valia dos relatórios é que devem despertar o sentido crítico sem serem endeusados”, afirmou, sublinhando que, se as escolas não estivessem a trabalhar bem, os níveis de literacia não evoluiriam. “Não estamos descontentes mas também não estamos contentes. É preciso apostar na leitura em contextos diversos”, considera a comissária.

O PISA 2018 dedicou maior atenção à avaliação da literacia da leitura. Portugal conseguiu um resultado de 492 pontos (ligeiramente abaixo do de 2015) mas que acompanha a média da OCDE (487 pontos) e representa uma subida de dois pontos face a 2009 e 22 pontos em relação a 2000 (anos em que os relatórios também foram dedicados à Leitura). Portugal teve resultados que o colocam ao lado de países como a França, a Alemanha ou a Bélgica.

No retrato feito pelo PISA, os portugueses revelam-se ansiosos mas também mais felizes do que os restantes.

Um terço dos estudantes só lê quando é obrigado

Dezembro 7, 2019 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 4 de dezembro de 2019.

Alexandra Inácio

Quase um terço dos alunos portugueses de 15 anos (31%) admite que só lê por obrigação; 46% só leem para encontrar uma informação que precisam e, para 22%, ler é uma perda de tempo.

Os resultados são piores nos rapazes. Os resultados do PISA revelam também que Portugal é o único país da OCDE que mantém uma evolução positiva nas três áreas (Leitura, Matemática e Ciências) desde 2000.

Os dados sobre o interesse pela leitura foram ontem revelados nos relatórios PISA (Programa de Avaliação Internacional de Alunos) e do Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) sobre os resultados portugueses da avaliação internacional. Por cá, o desinteresse é mais baixo da que as médias registada nos 79 países avaliados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) – onde, por exemplo, 49% só leem por obrigação -, mas piorou relativamente a 2009.

Por género, a proporção de rapazes que responde que ler é uma obrigação (41%), apenas para procurar uma informação (60,3%) ou uma perda de tempo (31,2%) chega a ser mais do dobro das raparigas (19,9%, 32,5% e 12,1% respetivamente).

Tanto a presidente da Associação de Professores de Português (APP), Filomena Viegas, como a comissária do Plano Nacional de Leitura, Teresa Calçada, alertam que os alunos de 15 anos associam a leitura ao estudo, obrigatório. “Eles leem muito nos tablets e nos telemóveis, mas não têm interesse pela literatura”, assume Filomena Viegas.

A presidente da APP considera que as listas de leitura para as disciplinas de Português devem incluir mais obras e autores. Além de maior liberdade de escolha, defende. “O leque tem de ser alargado para despertar interesse e prazer”, insiste. Teresa Calçada também considera que as bibliotecas das escolas têm de ter mais diversidade e novidades.

Literacia na média

“A mais-valia dos relatórios é que devem despertar o sentido crítico sem serem endeusados”, afirmou, sublinhando que, se as escolas não estivessem a trabalhar bem, os níveis de literacia não evoluiriam. “Não estamos descontentes mas também não estamos contentes. É preciso apostar na leitura em contextos diversos”, considera a comissária.

O PISA 2018 dedicou maior atenção à avaliação da literacia da leitura. Portugal conseguiu um resultado de 492 pontos (ligeiramente abaixo do de 2015) mas que acompanha a média da OCDE (487 pontos) e representa uma subida de dois pontos face a 2009 e 22 pontos em relação a 2000 (anos em que os relatórios também foram dedicados à Leitura). Portugal teve resultados que o colocam ao lado de países como a França, a Alemanha ou a Bélgica.

No retrato feito pelo PISA, os portugueses revelam-se ansiosos mas também mais felizes do que os restantes.

Benefícios da leitura: muito além de aumento de vocabulário

Setembro 16, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto e imagem do site Quindim

Que a leitura desenvolve o vocabulário, todos sabem, mas poucos conhecem pesquisas empíricas que comprovem seu potencial no desenvolvimento da memória e na melhora do comportamento.

A memória precisa de exercício, e hoje está comprovado que a melhor forma de exercitá-la não são os “apps de desenvolvimento neuronal” das plataformas mobile, mas sim o velho hábito da leitura. É o que afirma o neurocientista Iván Izquierdo, pesquisador brasileiro que coordena as investigações do Centro de Memória, do Instituto do Cérebro da PUC: “A leitura é o melhor exercício para a memória. Quando o cérebro vê uma palavra, tem que formar um inventário de informações e termos que cada letra lhe traz”. Trata-se de um esforço gigantesco que muitas vezes passa despercebido:

“Se a primeira letra da palavra é R, por exemplo, podemos pensar em Raul, rato, revista… em questão de milissegundos o cérebro forma uma lista das palavras que conhecemos e que começam com essa letra – em todas as línguas que sabemos. É uma atividade intelectual poderosa. (…) Nenhum método se impôs sobre o outro no desenvolvimento da memória, só a leitura se destacou.”

Outro estudo, este realizado pela Universidade de Nova Iorque, em colaboração com o IDados e com o Instituto Alfa e Beto, demonstrou que ler para a criança regularmente aumenta em média 14% no vocabulário e 27% na memória de trabalho, além de 25% no índice de crianças sem problemas de comportamento. O resultado dessa pesquisa, realizada com 1250 responsáveis e 1250 crianças de Roraima, é bastante impressionante ao demonstrar que a leitura desenvolve não apenas aspectos cognitivos, como costumamos associá-la, mas também aspectos comportamentais.

Já dizia o grande professor Antônio Cândido que a literatura é, ou ao menos deveria ser, um direito básico do ser humano, pois a ficção atua no caráter e na formação dos sujeitos. Uma pesquisa demonstrando mudanças significativas em aspectos comportamentais através de uma metodologia empírica amplia essa constatação – tão conhecida pelos que trabalham pela leitura – para outros universos e áreas do conhecimento.

A importância da leitura compartilhada é outra constatação desses estudos. Trata-se de um momento de troca de afeto entre os responsáveis e as crianças, em que não apenas “o pequeno” se desenvolve mas também o adulto que lê para ele, que nessa troca passa a conversar mais com a criança, a conhecê-la (e a se mostrar mais para ela), discutindo questões que não seriam abordadas e refletidas se não fosse aquele livro e aquele momento. Esse hábito precioso oferece uma troca rara e importante que uma rotina diária sem ele dificilmente permitiria. E como consequência prática, aumenta o vocabulário, a memória, a empatia… e segue-se uma lista imensa. Não à toa a Sociedade Brasileira de Pediatria lançou a campanha “Receite um Livro”, com o objetivo de mobilizar os médicos pediatras a estimularem os pais a lerem para as crianças.

Não se engane, porém, ao acreditar que tal desenvolvimento aconteça com uma leitura irregular, uma vez ao mês. Para reverberar, é preciso o hábito, como a pesquisa empírica da Universidade de Nova Iorque considerou: a leitura compartilhada em pelo menos dois dias por semana.

Este desafio, de se criar o hábito, não é difícil de se construir. Ler à noite, antes de dormir, por exemplo, pode se tornar um ritual, um momento de relaxamento e convivência em que se constrói o afeto e todos os outros resultados práticos consequentes. Para isso, não é preciso muito: uma carteirinha de uma biblioteca e, se possível, um clube de assinatura de livros infantis, como o nosso, o Clube de Leitura Quindim, com curadoria de qualidade e livros selecionados por pessoas como Ziraldo, Walcyr Carrasco e Marisa Lajolo. Pois para se ter tantos benefícios, não basta também um livro de ficção banal. É o que diz outra pesquisa empírica, esta da Universidade de Cambridge, feita em uma parceria entre os departamentos de Neurociência, Pedagogia, Psicologia e Letras. Eles constataram o potencial que a literatura de qualidade tem de gerar empatia – a capacidade de se colocar no lugar do outro –, um potencial não encontrado em textos de ficção banais ou em textos de não ficção. Ou seja, para se desenvolver através da leitura, não basta ler: é preciso literatura de qualidade.

Renata Nakano é mestre em Literatura pela PUC-Rio e bacharel em Comunicação pela UAM. Como pesquisadora, foi premiada com bolsa da Biblioteca Internacional da Juventude, em Munique, e convidada a apresentar sua pesquisa sobre livro ilustrado em universidades como Cambridge e em eventos literários pelo Brasil. Como editora, desenvolveu catálogos de literatura infantil para diferentes casas editoriais, tendo conquistado prêmios como FNLIJ, BN e o Prêmio Jabuti.

5 Motivos para Ler

Setembro 7, 2019 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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20 livros infantis para as férias de verão

Agosto 13, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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Texto do Observador de 24 de julho de 2019.

Ana Dias Ferreira

Qual “silly season”. Os livros infantis publicados nos últimos meses falam do mundo em infografias, de mulheres com muita garra (mas pouco conhecidas) e até de democracia.

Eu, Alfonsina

De Joan Negrescolor (Orfeu Negro). 14,50€

A Alfonsina do título é Alfonsina Strada, a primeira mulher ciclista a participar no Giro d’Italia (a conhecida volta à Itália em bicicleta), em 1924. Joan Negrescolor — autor de Há Classes Sociais e A Cidade dos Animais, também publicados na coleção Orfeu Mini — conta a sua história em tons fortes, desde o dia em que recebeu uma bicicleta do pai, aos 10 anos, até vestir a dorsal na famosa prova, aos 33, e os tons fortes rimam com o exemplo de determinação. Numa altura em que o desporto (e muitas outras coisas) estava vedado às mulheres, Alfonsina passou por cima de proibições e de preconceitos e mudou a sua alcunha de “maria-rapaz” para “Rainha do Pedal”. Nunca desistiu, quebrou recordes, desafiou a família, e por isso mesmo o livro é dedicado pelo autor “a todas as mulheres que não se rendem” até chegar à meta.

O Livro dos Ursos

De Katie Viggers (Bizâncio). 14€

Como diz o pós-título, este livro nasceu para ficar “tu cá tu lá com os ursos de todo o mundo”. São negros, são pardos, são polares, são beiçudos, pandas, americanos, malaios ou asiáticos — oito espécies provenientes de diferentes partes do mundo que se juntaram para fazer esta espécie de enciclopédia ilustrada. Cada urso tem direito a um capítulo próprio recheado de curiosidades, com outros temas ainda abordados como a alimentação e a hibernação. Todos são ilustrados pela autora, Katie Viggers, num registo entre o selvagem e o humanizado que os torna simplesmente irresistíveis.

Eu e o Mundo — Uma História Infográfica

Texto de Mireia Trius, ilustrações de Joana Casals (Edicare)

Num formato para lá de original, Eu e o Mundo faz uma história do planeta através de infografias. São 28 ao todo, construídas em torno de uma menina chamada Maria e usadas para apresentar dados mundiais relacionados com os nomes mais comuns, as línguas, a população, as profissões, a religião, os engarrafamentos, as cidades e museus mais visitados e até os tipos de pequenos-almoços. O resultado é graficamente apelativo e para ir descobrindo com tempo e demorar em cada página.

Eleição dos Bichos

De André Rodrigues, Pedro Markum, Paula Desgualdo e Larissa Ribeiro (Nuvem de Letras). 12,50€

Esqueçam o tempo de antena. Uma forma de lutar contra a abstenção é começar a ler este Eleição dos Bichos desde tenra idade. A história chega-nos do Brasil para falar da importância do voto em democracia, e parte de uma revolta anti-monárquica. Tudo porque um dia o leão resolve desviar toda a água do rio para construir uma piscina em frente à toca e os animais da floresta decidem dizer basta “aos mandos e desmandos do rei” e fazer uma eleição para escolher um novo líder. Assim se explica o que é uma campanha, um candidato, um governo, um comício, um debate ou quais as regras de uma eleição — é proibido dar presentes aos eleitores e devorar os adversários, por exemplo. Uma forma divertida e clara de explicar e valorizar o que é a democracia, com direito a um desfecho — neste caso um presidente — decidido pela maioria das crianças que participaram em oficinas com os autores em São Paulo e Florianópolis.

Uma Girafa Reticulada, uma Zebra Bem Riscada e uma Grande Caminhada

Texto de Manuela Castro Neves, ilustrações de Madalena Matoso (Caminho). 10,90€

Como muitas fábulas, a história de Manuela Castro Neves começa com um facto inexplicável caído do céu: uma zebra e uma girafa que aprenderam a ler, “não se sabe bem como”, e que um dia encontram, numa folha de jornal, a notícia de uma selva de betão que cresce a poucos quilómetros do mar. Intrigadas com a flora de que nunca ouviram falar, questionam todos os animais que encontram e começam uma longa caminhada para ver a novidade com os seus próprios olhos. O betão, como seria de esperar, revela-se uma desagradável e cinzenta surpresa. Mas nada que faça desanimar a girafa reticulada e a zebra riscada, cada uma bem letrada e pronta para defender um mundo mais verde.

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20 livros infantis para as férias de verão

 

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