Imigrantes de segunda geração saem-se melhor na leitura do que portugueses

Abril 24, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança, Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 27 de março de 2018.

Diferença de 12 pontos no PISA não é significativa, mas não deixa de reflectir o empenho dos pais destes jovens na aprendizagem da língua, defende investigador.

JOANA GORJÃO HENRIQUES

Os filhos de pais estrangeiros não estão condenados a ter maus resultados. Já ter nascido em Portugal e falar português em casa pode fazer a diferença. Um estudo divulgado há dias, pela Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Económico (OCDE), mostra que nos últimos testes do Programme for International Student Assessment (PISA), que avaliam as competências de leitura dos jovens aos 15 anos, os chamados imigrantes de segunda geração em Portugal até se saíram melhor do que os portugueses.

Estes alunos obtiveram mais 12 pontos na Leitura do que os portugueses, analisa o especialista em estatística João Marôco. Em 2015, pela primeira vez, Portugal ficou acima da média da OCDE com 498 pontos (a média foi de 493).

A análise foi feita a partir de um relatório da OCDE, que saiu a 19 de Março, The Resilience of Students with an Immigrant Background. O especialista do ISPA — Instituto Universitário e coordenador do PISA de 2015 em Portugal lembra que o peso dos imigrantes na amostra nacional é reduzido: 3% no caso de segunda geração e de 4% na primeira.

Embora a diferença de 12 pontos não seja especialmente significativa, o facto de ela existir pode explicar-se pelo empenho dos pais na aprendizagem da língua como factor de integração, refere. Na literacia em Ciências e Matemática os números são aproximados entre portugueses e imigrantes de segunda geração.

As maiores distâncias de performance verificam-se entre portugueses e imigrantes de primeira geração, algo que é explicado pelo menor estatuto socioeconómico e cultural destes últimos, refere.

Outro dado: em geral, os alunos que falam português em casa têm desempenhos significativamente superiores a de quem não fala.

Na base de dados da OCDE não é possível diferenciar o país de origem dos alunos. O investigador admite que imigrantes de diferentes países apresentariam resultados diferentes.

No relatório, a OCDE diz que em Portugal as diferenças de performance no PISA entre alunos nativos e imigrantes não são explicados por diferenças socioeconómicas e culturais dos dois grupos. Mas o analista discorda: em Portugal os imigrantes de segunda geração têm um estatuto socioeconómico e cultural que é duas vezes superior ao dos portugueses. Já os imigrantes de primeira geração são mais desfavorecidos. Isto significa que “é evidente a inclusão bem-sucedida” dos imigrantes da segunda geração na sociedade portuguesa.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

The Resilience of Students with an Immigrant Background

 

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Jornadas literárias ’10 de Letra’ 19 abril na SPA, com Eduardo Sá, Luísa Ducla Soares, José Jorge Letria

Abril 18, 2018 às 1:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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mais informações no link:

https://escritores.online/10-de-letra/

Não sobrecarregue os seus filhos de atividades (os nossos especialistas explicam porquê)

Fevereiro 24, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Livros | Deixe um comentário
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Sérgio Condeço

Texto do https://www.noticiasmagazine.pt/ de 10 de janeiro de 2018.

Da escola para o futebol, o piano, o inglês e muitas outras atividades, as crianças ficam demasiado ocupadas e sem tempo para terem liberdade, para desenvolverem a criatividade, para fazerem as suas próprias escolhas ou para brincarem. E brincar é oxigénio para os mais pequenos.

Texto Cláudia Pinto | Ilustração Sérgio Condeço/WHO

O tema é debatido recorrentemente e suscita dúvidas. As crianças estão demasiado ocupadas? Têm o tempo todo preenchido e sem alternativa para o que realmente importa para o seu desenvolvimento? Os especialistas acham que sim.

Como noutras áreas de comportamento, não existem fórmulas universais nem regras estanques. Maria José Araújo é professora da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto (IPP) e investiga esta área do brincar e do tempo livre há muitos anos.

«As crianças têm de ter oportunidade para brincar e divertir­‑se, visando os propósitos da sua educação e do seu bem­‑estar», explica. E se na teoria isto é algo que se percebe, na prática, com a logística diária, vidas atarefadas, pais à beira de um ataque de nervos entre os afazeres familiares e profissionais diários, tudo se torna mais complexo. «As crianças dependem dos adultos, dos pais, dos educadores, não decidem sozinhas e ficam à espera que alguém lhes dê essa possibilidade», sublinha.

Na maioria das vezes, só querem brincar. É a atividade que melhor conhecem desde tenra idade. Mas, no dia­‑a­‑dia, passam demasiado tempo na escola, chegando a ocupar os finais de tarde com atividades desportivas ou de complemento ao estudo. Resta pouca margem para dar largas à criatividade, tão importante no crescimento. «É fundamental que se perceba que brincar é como respirar para as crianças. Estas só aprendem porque brincam», explica a professora.

Mas o que são afinal os tempos livres? Será que as atividades em que as crianças estão inscritas são consideradas como tal? Afinal, a sigla ATL sugere isso mesmo. «Esta designação deve ser entendida como o tempo em que a criança pode dedicar a atividades não estruturadas.

As estruturadas (inglês, guitarra, ginástica, etc.) são fundamentais para a aprendizagem, em termos intelectuais, sociais, físicos, mas nessas a criança não tem liberdade. Os tempos livres são essenciais para que aprenda a lidar com a frustração», explica Catarina Mexia, psicóloga e terapeuta do casal no Centro de Estudos da Família e Psicoterapia.

Na incessante tentativa de ocuparmos os miúdos, nem sempre recuperamos hábitos mais simples que podem proporcionar verdadeiro tempo de qualidade em família, como fazer um bolo nas tardes frias de domingo. Sem complicar muito. Ou, pura e simplesmente, não fazer nada.

«As crianças não estão habituadas a parar. Não fazer nada é fazer alguma coisa. Para­‑se, respira­‑se, ou pura e simplesmente descansa­‑se», sublinha a psicóloga. Não é incomum ouvi‑las comentar que não têm nada para fazer. Mas, afinal, «o tédio é fundamental para a criança descobrir coisas diferentes para fazer», salienta a médica pediatra do Hospital dos Lusíadas Joana Appleton Figueira.

Além da importância de as crianças terem os seus tempos livres e de não estarem demasiado ocupadas, não é menos relevante deixá­‑las escolher em vez de serem os pais a fazê­‑lo.

«Estamos muito preocupados com a escola, temos uma sociedade hiperescolarizada, e isto não é errado. A escola é fundamental, mas no tempo curricular que está previsto na lei. Nas restantes horas, as crianças, que gostam de fazer muitas coisas, deveriam ter a oportunidade de escolher algumas das suas atividades», defende Maria José Araújo, que, já em 2009, publicava um livro a alertar para esta realidade, intitulado Crianças Ocupadas, editado pela Prime Books (ver caixa).

Nas aulas que leciona, no IPP, dedica uma unidade curricular a esta questão e uma outra relacionada com a motricidade e o bem­‑estar, de forma a alertar os alunos de hoje, educadores de amanhã, para a valorização do tempo livre como algo essencial para a vida das crianças. O objetivo é formar futuros professores sobre a questão do brincar e da ocupação das crianças após o horário letivo.

Quando as atividades nem sempre correspondem ao que a criança deseja, acaba por ser frequente a desistência. É esse, aliás, um dos motivos que levam mais os pais a recorrer às consultas de Catarina Mexia. «A preocupação que aparece mais em consulta é o que se passa com os filhos, porque é que não persistem e desistem facilmente. A questão é que os pais não estão a ouvir os filhos», alerta.

Estarão os pais e as escolas a programar o tempo das crianças de forma rígida e exagerada?

«As atividades organizadas são habitualmente propostas pelas instituições e escolhidas pelos pais. Os estudos provam que quando as crianças escolhem o que fazer, e os pais respeitam essa escolha, as crianças não se cansam tanto e usufruem em pleno», explica Maria José Araújo.

Brincar implica correr, estar ao ar livre, interagir com os amigos e outras crianças. Isto nem sempre é possível em algumas escolas tradicionais. Algumas delas têm espaços condicionados, o que torna também o tempo de recreio mais limitativo.

«A música, a ginástica, o inglês e todas as atividades são realizadas em espaços fechados. As crianças passam de um espaço fechado para outro. No entanto, há muitas escolas e muitas instituições que têm muito cuidado e que fazem um espaço notável ao proporcionarem recreio ao ar livre, idas ao parque, organizam passeios, caminhadas, brincadeiras e jogos no exterior», adianta a professora.

Por vezes, e porque os pais estão a trabalhar e não têm quem vá buscar os filhos à escola ao final do tempo de aulas, a brincadeira é substituída por «salas com poucas funcionárias para o número de crianças e com uma televisão para os manter quietos. Ou então, em ATL que são prolongamentos da escola, com salas semelhantes e onde se fazem trabalhos de casa», sublinha Joana Appleton Figueira.

Na sociedade atual existe ainda uma enorme pressão com os resultados escolares, daí que se incentive o estudo. A típica frase: «Tens de ter boas notas para seres alguém na vida» é claramente identificada por cada um de nós. «As crianças já são “alguém” no momento em que nascem. São pessoas de pleno direito. As preocupações dos pais são legítimas e levam‑nos a organizar as atividades que consideram que poderão vir a proporcionar mais oportunidades e um trabalho aos filhos no futuro. Queremos muito que as crianças sejam responsáveis, mas não desenvolvemos a sua responsabilidade e autonomia. Porque isso pressupõe que brinquem e o façam com os outros», explica Maria José Araújo.

E se lhe disséssemos que a criança está a aprender enquanto o faz? «Brincar é a única forma que a criança tem de aprender quando é pequena, mesmo dentro de uma sala de aula», acrescenta. Percebe­‑se então a quantidade de vezes em que os miúdos reforçam que querem brincar «só mais um bocadinho» e a insistência para que os adultos partilhem o momento.

Não existem receitas milagrosas nem números mágicos. O que pode ser o ideal para uma família, não tem de ser necessariamente para outra. «Para algumas crianças, principalmente as mais velhas, pode não haver muito tempo livre todos os dias, desde que, durante a semana, existam horas disponíveis para ler, conversar com a família e com os amigos. O tempo livre pode ser passado a ajudar os pais com o jantar sem tecnologias ligadas, enquanto conversam, e deve ser proporcionado diariamente às crianças mais novas, sem ecrãs, com poucos brinquedos acessíveis de cada vez (num quarto cheio, a criança nem consegue decidir com o que brincar)», sugere Joana Appleton Figueira.

Mais do que a quantidade de atividades, o tempo deve ser passado com qualidade e, se possível, partilhado com os pais. Com alguma organização mas sem exageros. «Por vezes, é mais útil não programar tanto ao fim de semana e deixar acontecer», conclui Catarina Mexia.

Leituras que ajudam

Numa sociedade contemporânea em que as pessoas estão cada vez mais ocupadas, sobra pouco tempo para se refletir sobre as melhores decisões que se podem (ou devem) tomar no dia­‑a­‑dia. No livro Crianças Ocupadas, a autora procura facultar aos pais um instrumento que lhes permita decidir o que é melhor para os seus filhos.

Crianças Ocupadas, de Maria José Araújo, Prime Books, setembro de 2009, 10,82 euros

 

 

 

 

 

 

 

O quê?… Os adultos não sabem? é um livro que resulta de um trabalho incluído num projeto de educação criativa desenvolvido ao longo de três anos com crianças do 1.º ciclo do ensino básico da escola EBl/JI do Cerco do Porto (Agrupamento de Escolas do Cerco). As crianças tentam explicar, à sua maneira, que precisam que as deixem brincar.

O quê? Os adultos não sabem?, de Maria José Araújo, ilustrações de Catarina Mendes, Prime Books, maio de 2010, 6,90 euros

 

Alunos do 4.º ano têm dificuldades na leitura – e os rapazes estão piores

Janeiro 3, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Snews

Texto do https://www.educare.pt/ de 20 de dezembro de 2017.

Estudo internacional mostra que os alunos portugueses do 4.º ano pioraram nas competências de leitura. Uma análise, também internacional, revela que as raparigas estão melhores do que os rapazes. E um projeto nacional garante que promover a leitura no pré-escolar tem resultados positivos.

Sara R. Oliveira

Os alunos portugueses do 4.º ano estão piores nas competências de leitura, que abrangem os principais processos de compreensão nesta área, como localizar e retirar informação explícita, fazer interferências diretas, interpretar e integrar ideias e informação, analisar e avaliar o conteúdo e outros elementos textuais. E, nesta área, os rapazes estão piores do que as raparigas. Entre 2011 e 2016, Portugal caiu 11 lugares, passando do 19.º lugar para o 30.º, na lista dos 50 países que participam nos testes PIRLS – Progress in International Reading Literacy Study. Numa escala de mil pontos, Portugal atinge 528. A Rússia, Singapura e Hong Kong ocupam os três primeiros lugares.

Esta queda na leitura acaba por não ser assim tão surpreendente até porque os diretores escolares do 1.º Ciclo já vinham a alertar para uma pouca preocupação com os processos que envolvem a leitura, bem como para uma atenção excessiva para os resultados. Antecipar as provas de aferição, para não esperar pelo 4.º ano para perceber em que nível estão os alunos, é uma possibilidade em análise pela tutela. As metas curriculares não deverão ser alteradas.

Nesta avaliação internacional sobre a compreensão da Leitura dos alunos do 4.º ano de escolaridade, desenvolvida por uma associação internacional independente, constituída por instituições de investigação educacional e por agências governamentais de investigação dedicadas à melhoria da educação, só o Irão desceu mais do que Portugal, caindo 29 pontos. Curiosamente, os alunos portugueses são os que referem que mais gostam de ler, mas os resultados não encaixam nesse gosto.

O estudo internacional sobre alfabetização em leitura mostra que há uma diferença substancial no desempenho de meninos e meninas do 4.º ano. Os rapazes estão mais atrasados do que as raparigas na leitura. Nesse estudo da UNESCO e da Associação Internacional para a Avaliação de Desempenho Educacional (IEA), neste domínio da compreensão da leitura, há boas notícias quanto à evolução nesta área, mas, ao mesmo tempo, revela dados preocupantes em termos de género: as alunas superam os alunos em 48 países, em 18 pontos, liderando em áreas como leitura literária e leitura informativa. No nosso país, as raparigas continuam melhores do que os rapazes, embora essa diferença esteja a ser esbatida desde 2011.

A qualificação dos professores também tem peso na leitura dos alunos. A percentagem de docentes que tem pedagogia de leitura, métodos de ensino específicos para a instrução de leitura, anda pelos 20% em termos internacionais. O estudo concluiu que o desenvolvimento profissional dos professores não aborda adequadamente as habilidades especializadas necessárias para garantir a realização de leitura a todas as crianças. O que significa que os professores podem não estar devidamente preparados para assegurar uma aprendizagem de qualidade inclusiva e equitativa.

Há boas notícias neste assunto. Uma é que os pais estão mais envolvidos neste processo de alfabetização dos seus filhos e mais empenhados em criar o gosto pela leitura. E outra é que há mais alunos a frequentarem o pré-escolar e que, na sua maioria, têm um melhor desempenho médio na leitura quando estão no primeiro nível de ensino.

Atividades estruturadas
Há um projeto português que se debruça precisamente sobre essa vertente e que conclui que a promoção de leitura no jardim de infância reduz dificuldades no 1.º ano de escolaridade. O projeto, que envolveu cerca de mil crianças de quatro agrupamentos escolares, deteta que as atividades de leitura no jardim de infância diminuem em 50% o risco de dificuldades de aprendizagem no primeiro ano da escola.

Este projeto, coordenado pelo Politécnico do Porto, avaliou a linguagem e a consciência cronológica de crianças que frequentavam o pré-escolar e o 1.º ano de quatro agrupamentos de escolas do município do Porto, envolvendo-as de seguida na intervenção CiiL (Centro de Investigação e Intervenção na Leitura).

O projeto, iniciado em 2015 e atualmente em vigor, tem como objetivo prevenir “percursos de insucesso precoce na aprendizagem da leitura e da escrita”, para diminuir dificuldades que as crianças possam transportar para o 1.º ano, segundo adiantou Ana Sucena, coordenadora do projeto e professora do Politécnico do Porto, em declarações à Lusa. Para a responsável, é fundamental sensibilizar os educadores de infância para a promoção da linguagem, através de atividades estruturadas e sistematizadas.

No 1.º ano, é importante promover a consciência fonémica, um trabalho que pode ser iniciado no pré-escolar. “Enquanto não houver um patamar mínimo de desenvolvimento para esta competência, dificilmente a criança avança na leitura e na escrita, ou não avança de todo”, avisa Ana Sucena.

O estudo demonstra que uma “grande percentagem “das crianças, “que tinham tudo para ter um percurso de insucesso”, acabam por ter um percurso inserido “naquilo que é o esperado”. Sinal de que a leitura pode começar a fazer parte do dia a dia dos mais pequenos fora de casa.

Interpretar e integrar ideias
A literacia da leitura avaliada pelo PIRLS baseia-se numa noção abrangente do que é saber ler, que inclui a capacidade de refletir e de utilizar o que se lê para alcançar objetivos individuais e sociais. Por isso, o estudo internacional contempla a leitura como experiência literária e a leitura como meio para adquirir e utilizar informação. Na análise do desempenho, estas áreas são cruzadas com os principais processos de compreensão da leitura, nomeadamente localizar e retirar informação explícita, interpretar e integrar ideias.

A prova é constituída por um conjunto de cadernos, cada aluno responde a um caderno da prova, e os itens não são públicos de forma a permitir a comparação de resultados dos alunos ao longo das várias edições do estudo e identificar tendências nos resultados. Ao mesmo tempo, aplicam-se questionários para retirar informação do contexto social dos alunos e outros fatores que podem influenciar o desempenho na literacia da leitura.

O estudo internacional é realizado de cinco em cinco anos em vários países, o que permite comparações e abre perspetivas de se aprender com as experiências dos outros participantes. E é realizado com alunos do 4.º ano, com 9 ou 10 anos, por ser o momento em que as crianças já aprenderam a ler e passam a ler para aprender. No nosso país, cerca de 150 escolas e aproximadamente 4000 alunos participaram no PIRLS de 2011.

O estudo citado no texto é o seguinte:

PIRLS 2016 : International Results in Reading

mais informações no link:

http://timssandpirls.bc.edu/pirls2016/international-results/pirls/summary/

 

Alunos portugueses acima da média da UE na leitura e ciência, piores no abandono

Novembro 26, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.dn.pt/ de 10 de novembro de 2017.

Pedro Sousa Tavares

Relatório da UE confirma indicadores dos testes PISA de 2015 mas também evidencia caminho a percorrer em várias áreas

O bom desempenho dos alunos portugueses de quinze anos nos testes PISA 2015, da OCDE, reflete-se no relatório Monitor da Educação e Formação 2017, da União Europeia. Com base nesses resultados, os estudantes nacionais são colocados acima da média comunitária na Leitura (17,2% de resultados fracos contra 19,7%) e na Ciência (17,4% contra 20,6%), com a Matemática a destoar (23,8% face a 22,2%).

Mas este bom indicador – que na realidade já era conhecido deste que foram revelados os resultados do PISA 2015 – convive com vários outros que, apesar de regra geral indicarem melhorias entre 2013 e 2016, evidenciam também a distância que ainda separa o país dos parceiros comunitários e das metas propostas.

Nos principais indicadores, nomeadamente aqueles que fazem parte dos compromissos assumidos para 2020 em termos de qualificações pelos países da União Europeia, Portugal progrediu mais rapidamente do que os parceiros. Mas continua abaixo da média.

No abandono escolar precoce (alunos dos 18 aos 24 anos que não concluíram o secundário nem estão a estudar), o total baixou dos 18,9% para os 14% e este é um dos “progressos” elogiados ao país no relatório. Por comparação, a média comunitária progrediu dos 11,9% para os 10,7%.

Mas estes números continuam a evidenciar que mais jovens portugueses abandonam a escola prematuramente do que nos restantes países europeus. Entre as medidas “em curso” para contrariar essa realidade, o relatório destaca a implementação do Plano nacional de Promoção do Sucesso Escolar, lembrando que “o número de escolas participantes excedeu as expectativas” iniciais do Ministério da Educação.

Igualmente significativos o crescimento da percentagem dos portugueses, entre os 30 e os 34 anos, que concluíram cursos superiores. A média cresceu dos 30% para os 34,6%. Ainda assim, os autores do relatório consideram que, apesar da melhoria, “será um desafio atingir a ambiciosa meta nacional para 2020”. O objetivo, recorde-se, é chegar aos 40% de diplomados nestas faixas etárias dentro de pouco mais de dois anos.

A cobertura de creches e pré-escolar é uma das áreas em que, de acordo com o relatório, o país regrediu entre 2013 e 2016, passando dos 95% para os 93,6%. Com isso, o país deixa também de ter uma cobertura superior à média comunitária, que evoluiu no mesmo período dos 93,9% para os 94,8%. Contudo, é recordado o compromisso do governo de assegurar a universalidade da cobertura de pré-escolar, dos três aos cinco anos, até ao final da legislatura, em 2019.

A Educação de adultos também teve uma quebra, ainda que residual (9,7% para os 9,6%), com os peritos da União Europeia a lembrarem que esta tem “um papel central” nas atuais políticas.

Descarregar o relatório Education and Training Monitor 2017 no link:

https://ec.europa.eu/education/policy/strategic-framework/et-monitor_pt

 

 

 

 

Crianças preferem livros ao YouTube na Alemanha

Agosto 26, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://exame.abril.com.br/ de 13 de agosto de 2017.

Mais de 60% das crianças entre 6 e 13 anos alemãs têm a leitura como forma de entretenimento principal no país europeu

Por Daniela Barbosa

São Paulo – Avessas às novas tecnologias, as crianças na Alemanha gostam de passar o tempo lendo livros, revistas e histórias em quadrinhos. Pelo menos foi isso que apontou uma pesquisa publicada recentemente e realizada pelas editoras Panini, Gruner + Jahr, Egmont Ehapa Media, Spiegel e Zeit.

De acordo com o estudo, que ouviu cerca de 2000 famílias, mais de 60% das crianças entre 6 e 13 anos preferem a leitura como forma de entretenimento principal no país europeu. Isso não significa, no entanto, que elas não acessem a internet; mas quando acessam somente 30% delas assistem vídeos no YouTube e outros 28% gostam de jogos online.

Para os pais ouvidos na pesquisa, o gosto pela leitura está relacionado principalmente ao incentivo que as crianças costumam receber em casa e na escola. Eles costumam mostrar que o hábito tem o poder da ativar a criatividade.

Outros dados

A leitura só não aparece como passatempo preferido entre as crianças de 4 e 5 anos que participaram do levantamento. Nesta faixa etária, a televisão acabou sendo o melhor mecanismo de entretenimento dos pequenos, que muitas vezes estão ainda em processo de alfabetização – o que justificaria tal porcentagem.

Já tecnologias que estão caindo em desuso, como o DVD, são apreciadas apenas por 15% das crianças.

Outro dado que chamou atenção foi o uso de celulares entre as crianças por lá. Menos de 40% delas possuem um aparelho na faixa etária entre 6 e 9 anos. Já 84% das crianças maiores, entre 10 e 13 anos, têm celular no país.

 

 

Livros para as férias de Verão dos meninos mais crescidos

Julho 21, 2017 às 6:00 am | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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texto do http://www.dn.pt/ de 7 de julho de 2017.

Maria João Caetano

Na praia, na rede, no jardim, no fresquinho da casa, nada como estes dois meses de férias para descobrir o prazer de ler. Aqui ficam algumas sugestões para crianças e adolescentes.

Começamos por um clássico: Tom Sawyer é aquele rapaz descalço e brincalhão, amigo de Huck Finn, que muitos de nós descobriram na série de animação da década de 1980. O livro que lhe deu origem é As Aventuras de Tom Sawyer, de Mark Twain. Retrato da vida (e das contradições) numa pequena cidade junto ao Mississípi, no século XIX, este é um livro de aventuras sobre a liberdade, os medos e os desejos de dois rapazes. Para ler com o olhar crítico de hoje.

As férias são também tempo para viajar – no país ou no estrangeiro. E os mais pequenos podem ajudar a planear as viagens com os guias da coleção A Minha Cidade. Depois de Beja por Susa Monteiro e Edimburgo por Markus Oakley, há agora mais dois guias: Madrid por Manuel Marsol e Viseu por Ana Seixas. Na sua cidade natal, a ilustradora Ana Seixas propõe, por exemplo, uma ida ao Teatro Viriato, um passeio no Parque do Fontelo e um petisco na Casa Bóquinhas, uma taberna da Rua Escura. São 12 os sítios ilustrados e descritos por quem melhor os conhece.

O Estranhão é uma das coleções juvenis de maior sucesso neste momento. O mais recente volume, Viagem no Tempo em Cuecas, põe Fred, o miúdo de 11 anos, QI acima da média e uma imaginação prodigiosa, a viajar até ao tempo das cavernas, ao tempo dos romanos, ao tempo dos castelos e a muitos outros tempos. Os livros de Álvaro Magalhães são acompanhados pelas muitas e divertidas ilustrações de Carlos J. Campos que são uma grande ajuda para aqueles meninos que ainda “têm medo” dos livros com muitas letras e poucos bonecos.

Mary Poppins é mais uma daquelas personagens que conhecemos sobretudo dos ecrãs: o filme de 1964, realizado por Robert Stevenson, tinha como protagonista Julie Andrews – que recebeu um dos cinco Óscares atribuídos a esta produção. Mas antes de estar no cinema, esta ama com poderes mágicos surgiu nos livros da australiana Pamela Lyndon Travers. Dos oito livros, originalmente publicados entre 1934 e 1986, a Relógio D”Água já editou os dois primeiros volumes.

Este O Regresso de Mary Poppins, com ilustrações de Susana Oliveira, traz a ama de volta à Rua das Cerejeiras para um chá “de pernas para o ar”, um circo no céu e o nascimento de Annabel, o quinto e último bebé da família Banks (que fica completa com cinco crianças).

O ideal seria mesmo ler a coleção toda antes da estreia de Mary Poppins Returns, o filme realizado por Rob Marshall que tem data de estreia marcada para 25 de dezembro de 2018, tendo como protagonista a atriz Emily Blunt e contando ainda com participações de Lin-Manuel Miranda (no papel de Jack, o homem que acende candeeiros na rua), Colin Firth (o banqueiro Weatherall) e Angela Lansbury (a senhora dos balões).

A coleção Caderno de Memórias de Difícil Acesso nasceu este ano pelas mãos de Raquel Palermo e João Lacerda Matos. No primeiro volume ficamos a conhecer Santiago Castelo. Este é o seu diário, por isso o livro é escrito com a linguagem de um rapaz de 11 anos que vive em Portugal em 2017, que implica com a irmã mais velha, que desespera com as regras que os pais lhe impõe, que odeia os alarmes que o acordam de manhã e que conta aqui as suas aventuras – nem sempre bem comportadas – com os amigos e os colegas da escola, nos treinos de futebol ou nas férias de verão.

Por último, uma sugestão para aqueles que estão agora a começar a ler livros maiores. Jatakas – Seis Contos Budistas é mais um livro delicioso da Pequena Fragmenta, com texto de Marta Millà e ilustrações de Rebeca Luciani. Jatakas são os ensinamentos de Buda, “contos, metáforas e lições que foram passando de mestres a discípulos através dos tempos”. Muitos dos protagonistas das jatakas são animais. “Não pretendem dar lições, apenas inspirar uma conduta consciente ética”, explica a autora. Os contos que aqui estão são versões livres de algumas jatakas e há um, A Avó Pirilampo, que é original.

 

 

Os chumbos devem ser uma oportunidade ou um problema?

Junho 26, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto do http://www.educare.pt  de 9 de junho de 2017.

Estudo conclui que o défice de competências na leitura é a principal causa dos chumbos no 2.º ano do 1.º Ciclo do Ensino Básico. A maioria dos professores inquiridos refere que as repetências têm vantagens na consolidação das aprendizagens. A desmotivação dos alunos é o maior problema.

 Sara R. Oliveira

O défice de competências na área da leitura é a primeira causa de repetência precoce no 2.º ano do 1.º Ciclo do Ensino Básico. Os alunos, que podem ter 6 ou 7 anos de idade, reprovam no 2.º ano por não lerem bem, por não atingirem os objetivos do programa em relação à leitura e à escrita, quer no domínio técnico de identificação e descodificação dos sinais, quer na compreensão da leitura ou do domínio do vocabulário. É a primeira causa assinalada com 44%, seguida das dificuldades de concentração com 15% e de dificuldades de aprendizagem com 10%. Abaixo dos dois dígitos estão a imaturidade, a falta de pré-requisitos, a falta de estudo ou de interesse e ainda a indisciplina e a falta de acompanhamento familiar. Estes dados e conclusões fazem parte do estudo “Aprender a Ler e a Escrever em Portugal”, projeto coordenado pela ex-ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues, juntamente com Isabel Alçada, também ex-ministra da Educação, e ainda Teresa Calçada e João Mata. O estudo resulta de uma parceria entre a EPIS – Empresários pela Inclusão Social e o Fórum das Políticas Públicas.

“O que explica o fenómeno da repetência precoce é, em primeiro lugar, as dificuldades de aprendizagem da leitura, é o facto de algumas crianças não aprenderem a ler nos tempos previstos nos programas de ensino. Em segundo lugar, a naturalização destas dificuldades, ou seja, a convicção partilhada nas escolas do insucesso de que ‘as crianças são diferentes, e sempre haverá crianças que não aprendem ou que aprendem mais lentamente’”. “É o distanciamento e o processo de transformação do problema de ensino e aprendizagem, no interior da escola, num problema de gestão pedagógica de alunos repetentes que cria cortinas de opacidade e impede que o problema seja ‘visto’. Não sendo visto, não é resolvido”, lê-se no estudo.

De 541 escolas consideradas de insucesso escolar, o estudo incidiu numa amostra de 127 e nos dois primeiros níveis de ensino. A grande maioria dos professores, ou seja, 80% dos docentes das turmas visitadas, refere que não é possível eliminar totalmente o insucesso no 1.º Ciclo e 87% afirmam que a repetência tem vantagens – 57% dos coordenadores partilham dessa opinião. A aquisição e consolidação das aprendizagens é a principal vantagem da repetência referida por 71% dos professores e por 60% dos coordenadores. A recuperação de dificuldades é indicada por 12%, a maturidade por 10%, mais tempo para a aprendizagem por 4% e o reforço das aprendizagens por 3%. Nas desvantagens das repetições, são indicados vários fatores como o desinteresse e a desmotivação, a perda do grupo, a autoestima, o desfasamento da faixa etária, o estigma, a perda de conteúdos adquiridos, a perda de tempo. “A repetência é vista como uma oportunidade e não como um problema.” Esta é outra conclusão deste projeto depois do contacto com as escolas.

Um “mal menor”

“Repetir é uma alternativa melhor do que passar sem saber. Para os professores entrevistados a repetência é a alternativa correta, a única alternativa. No seu leque de opções não são encaradas outras alternativas, não são referidas outras soluções”, adianta-se no estudo. Entre as razões referidas para não ser possível eliminar totalmente o insucesso, o contexto familiar surge com 23%, as dificuldades de aprendizagem com 12%, o meio socioeconómico desfavorecido com 9%. A organização do sistema de ensino surge com 5% e as capacidades dos alunos com 3%.

Professores e dirigentes escolares indicam que os contextos familiares dos alunos – famílias que não valorizam nem acompanham a vida escolar dos filhos – e as razões socioeconómicas e culturais são fatores que explicam as dificuldades de aprendizagem da leitura. Quando o método não funciona, os professores pensam no que podem fazer. Diversificar estratégias é a primeira ideia com 27% e alterar os métodos aparece em segundo lugar com 25%. O apoio individualizado é referido por 4% dos docentes e a diferenciação pedagógica por 7%.

“No final, os esforços empreendidos pelos professores não têm impacto significativo. No final do ano, os que recuperaram progridem, os que não recuperaram repetem. Para ser diferente seriam necessárias, na opinião dos professores, outras medidas”, sublinha-se. Nessas medidas para recuperar alunos mais fracos, os professores referem que é importante o acompanhamento familiar e a valorização da escola, o apoio individualizado do professor titular, e ainda a redução de alunos por turma.

“Não sendo tais soluções acessíveis aos professores, a repetência apresenta-se realmente como a única alternativa, passando a ser encarada como um mal menor ou como um ‘não problema’. Os professores consideram que algumas crianças precisam de mais tempo para aprender. Em muitos casos consideram que aos seis anos muitas crianças revelam imaturidade, e que deviam entrar mais tarde na escola. E nesse sentido, a repetência é em si uma boa solução”. Do lado dos dirigentes escolares, 64% realçam que a aquisição e consolidação de competências é a principal vantagem dos chumbos, 24% colocam a desmotivação no topo da lista das desvantagens.

Segregar alunos difíceis

A dimensão das turmas é apontada como uma situação crítica e a redução só é permitida em situações específicas. Muitos alunos na sala, mais dificuldades em cumprir com o que se pretende. E as turmas mistas que as escolas vão constituindo são, segundo se afirma neste projeto, “uma solução de recurso”. Misturam-se alunos repetentes de vários anos de escolaridade. “Trata-se de uma forma de segregação dos alunos mais difíceis, em turmas separadas, cujos princípios pedagógicos de organização não obedecem nem ao critério da idade, nem ao do nível ou grau de ensino. Também não é aplicado o princípio da continuidade pedagógica (39 professores de turmas mistas (em 65) afirmaram não ter sido professores dos seus alunos no ano anterior)”.

Os autores do estudo fazem algumas recomendações. Desde logo, afirmam que é fundamental reconhecer que há um problema no ensino da leitura, que tem uma expressão preocupante nos primeiros anos de escolaridade e que os seus efeitos negativos se prolongam nos percursos escolares e no desempenho dos alunos. A palavra de ordem é prevenir, ou seja, identificar os problemas de aprendizagem, diagnosticar, conhecer para intervir precocemente.

Há várias ferramentas à disposição de quem ensina como a rede de bibliotecas e o Plano Nacional de Leitura, que podem ajudar em dinâmicas de apoio às escolas e aos professores nas atividades relacionadas com a leitura. Por outro lado, sugere-se no estudo que é importante desenvolver instrumentos de diagnóstico e de intervenção precoce com base em experiências e projetos que já existam nas escolas, bem como acompanhar, de forma continuada, os agrupamentos com elevados níveis de insucesso nos primeiros anos de aprendizagem, incentivando a definição de estratégias e de planos de ação para resolver problemas. Debater a questão das repetências em vários setores da sociedade também é importante.

Uma intervenção estratégica por parte das direções dos agrupamentos com escolas de insucesso é considerada fundamental e deve incluir vários aspetos, como defendem os autores do estudo. Os professores devem ter acesso a informações, a metodologias de diagnóstico e de intervenção precoce, e ter condições para a diversificação de estratégias pedagógicas de ensino e de intervenção individualizada. Quem gere as escolas deve estimular o trabalho colaborativo dos professores, criar espaços de reflexão, de debate e de planificação de ações conjuntas para tentar solucionar problemas de aprendizagem. As escolas devem ter dados e informações sobre o insucesso no 1.º Ciclo e identificar quais os recursos necessários para reduzir esse insucesso.

Mais retenções a sul e no interior

O insucesso escolar precoce tem uma expressão particularmente dramática no 2.º ano de escolaridade. “Durante décadas, todos os anos, uma percentagem sempre superior a 10% de alunos, no 2.º ano de escolaridade, com sete anos de idade, iniciava um percurso escolar marcado pela repetência e pelo insucesso, do qual é difícil recuperar”. De 2001 a 2009, registou-se uma descida nas repetências, chegando a baixar para os 6,5%. Mas nos últimos anos, a situação mudou e o número de alunos retidos no 2.º ano aumentou de novo e voltou à casa dos 10%. O que leva a questionar o efeito de algumas medidas, nomeadamente a generalização do pré-escolar, a integração das escolas do 1.º Ciclo nos agrupamentos, a extensão da rede de bibliotecas.

Este projeto da EPIS surge para aprofundar o conhecimento sobre o insucesso escolar nos primeiros anos de escolaridade, matéria em que Portugal se destaca pelos piores motivos. É o país da OCDE com a maior percentagem de alunos que chumbaram pelo menos duas vezes nos primeiros seis anos de escolaridade. Os números indicam que os alunos portugueses que aos 15 anos já reprovaram pelo menos duas vezes são o dobro, em percentagem, dos jovens chilenos que ocupam o segundo lugar desta classificação – 5,4% para Portugal e 2,5% para o Chile. E são quase sete vezes mais, em percentagem, do que a média da OCDE. Portugal é ainda o segundo país com reprovações mais precoces, a seguir à Bélgica. Dezassete por cento dos alunos que participaram no PISA, programa internacional de avaliação, repetiram pelo menos uma vez no 1.º Ciclo do Ensino Básico.

Grande parte dos estudos referem que a repetência e a passagem administrativa não são soluções para melhorar o sucesso escolar, as aprendizagens, os comportamentos e atitudes dos alunos. Por isso, é preciso aprofundar conhecimentos e perceber o impacto dos chumbos no desempenho dos alunos. “No debate público sobre o insucesso escolar, a questão da repetência é uma questão crítica em aberto, a propósito da qual são esgrimidos argumentos opostos. Os que defendem esta prática pedagógica invocam a necessidade de rigor, os críticos da repetência apontam a sua ineficácia na recuperação das aprendizagens, bem como os seus efeitos negativos nos desempenhos escolares futuros”, lê-se no estudo.

Das 3 866 escolas públicas do 1.º Ciclo do Ensino Básico, 541 têm níveis de repetência superiores à média nacional em todos os anos de escolaridade. São consideradas as escolas do insucesso. Em mais de 900 escolas do 1.º Ciclo não há o fenómeno da repetência e quatro em 10 concelhos, ou seja, 38,5%, não têm escolas com elevado insucesso escolar. Com estas contas, conclui-se então que o insucesso escolar acontece em 61,5% dos concelhos de Portugal continental.

Os dados em análise neste estudo reportam-se ao ano letivo 2013/2014. Apertando mais a amostra, verifica-se que quase dois terços das escolas com elevada retenção e desistência estão em 14,4% do país. E foi possível encontrar três padrões. Mais retenções nos concelhos do sul, menos no norte. Lisboa tem, por exemplo, 39 escolas de insucesso que representam 42% do total das escolas do seu território, enquanto o Porto tem 10 escolas de insucesso que são 20% das que existem na sua área. Mais retenções nos concelhos do interior e de reduzida dimensão, do norte ao sul do país. Mais retenções em alguns concelhos da periferia da cidade de Lisboa, com Loures, Amadora, Almada, Setúbal no topo da lista.

No mapa do país, o insucesso escolar nos primeiros anos de ensino surge em determinados locais. “Não está disseminado por todo o território. Ele é tributário de desigualdades territoriais que as escolas não conseguem contrariar. São escolas expostas e vulneráveis às desigualdades dos contextos territorial e social em que se inserem”, realça o estudo.

 

Aprender a ler mais cedo: a pressão do sucesso começa no pré-escolar

Fevereiro 5, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto  do site http://uptokids.pt/ de 24 de janeiro de 2017.

O artigo da The Atlantic citado no texto é o seguinte:

The New Preschool Is Crushing Kids

uptokids

Com que idade deve a criança aprender a ler?

A propósito de um artigo partilhado recentemente sobre a alfabetização precoce e a pressão que os pais, educadores e muitas escolas exercem sobre as crianças, partilhamos este artigo publicado no DN on-line, em dez. 2015, que reforça a necessidade de respeitar o ritmo de cada uma, adequando o ensino das competências de acordo com a idade e maturidade de cada criança.

«Pediatras defendem que não se deve forçar o desenvolvimento das crianças. Educadores dizem que seguem o ritmo de cada um. Sair do pré-escolar a ler não é uma meta, asseguram, mas estudo americano indica o contrário

Tal como brincar, pintar ou cantar, a leitura tem um papel cada vez mais importante no pré-escolar. De acordo com um estudo feito pela Universidade de Virgínia, nos EUA, que comparou as mudanças entre 1998 e 2010, a percentagem de educadores que esperam que os alunos que vão para o primeiro ciclo saibam ler subiu de 30% para 80%. A mesma pesquisa diz que gastam cada vez mais tempo com fichas de exercícios e cada vez menos com música e arte. Por cá, os três pediatras ouvidos pelo DN dizem que também há uma tendência para a sobrecarga das crianças no pré-escolar, quer por pressão da escola quer dos pais, o que não tem qualquer benefício para os mais novos.

De acordo com o estudo “O jardim-de-infância é o novo primeiro ano?“, citado pela revista The Atlantic, aquilo que se esperava das crianças de 6 anos é hoje pedido às mais jovens. Tal como nos EUA, em Portugal o pré-escolar também mudou, tornando-se mais exigente. Para tal, explica o pediatra Mário Cordeiro, contribuiu “a ciência pediátrica, educativa e psicológica, e também a neurofisiologia”, mas também existem razões “menos boas” para a mudança. Segundo o pediatra, “é querer fazer das crianças “cavalos de corrida” a partir de idades muito precoces, “querendo forçar conceitos abstratos e simbólicos cedo de mais e a aquisição de competências que não são adequadas à maioria dessa idade“. Com base nisso está “a pressão dos pais e um certo show off das escolas (que prometem aulas de inglês aos 2 anos ou mandarim aos 3, por exemplo), impedindo muitas crianças de… serem crianças“.

Essa é também a opinião da pediatra Júlia Guimarães. “Isto também acontece em Portugal, sobretudo no ensino particular. E é uma tendência perfeitamente errada.” Antes do ingresso no 1º. ciclo, “não se deve academizar”. Os educadores “devem estimular as crianças, através da arte, da música, das brincadeiras e atividades orientadas“, mas o início da leitura e da escrita “deve ficar para o 1º ano“. Na opinião do pediatra Hugo Rodrigues, “é notório que, cada vez mais, o pré-escolar tenta investir na escolarização das crianças, o que é um disparate“. Se o 1º ciclo tem início aos 6 anos, “é porque é nessa idade que é suposto começaram a aprender a ler“. Mas, além da pressão da sociedade, “há demasiada competitividade entre os pais e as próprias escolas“. Claro que, ressalva, “se a criança tem vontade de ir mais além, deve corresponder-se, mas sem impor“.

Embora as crianças possam corresponder do ponto de vista cognitivo, Hugo Rodrigues lembra que “não têm maturidade para lidar com as diferenças relativamente aos outros meninos, nem com as diferenças nos métodos de ensino“. Mário Cordeiro explica que “quando as exigências são disparatadas ou desfasadas relativamente ao que é capaz de dar, ou quando é intensivo e faz gastar tempo que poderia estar a ser usado noutras coisas, a criança vive ainda mais em stress, é menos feliz, sente-se pressionada e, mesmo que aprenda muitas coisas, terá mais hipóteses de se desinteressar“.

Antes de receber o telefonema do DN, Mariana Miranda, educadora de infância há 34 anos, tinha estado a falar com a mãe de uma criança de 5 anos que já lê algumas palavras. Não é um caso único. “Quando chegam já trazem imensos saberes. Nós fazemos diagnóstico e conduzimos, introduzindo coisas novas”, explica a coordenadora do pré-escolar do Agrupamento de Escolas Dr. Costa Matos, em Gaia. No entanto, “não existe pressão para que adquiram essas competências“. Trabalham, sim, “para que desenvolvam o gosto pela leitura e pela escrita“. Cristina Madureira, do jardim-de-infância do Centro Escolar de Cinfães, reforça que “não se espera que as crianças saiam do pré-escolar a ler ou a escrever“. Cada uma tem o seu ritmo “e é com base nele que se trabalha“. No 1º. ciclo “chegam facilmente à leitura e à escrita“.» – DN, dez ’15

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imagemCapa@Kalendar2017.ru imagens@revistacrescer

 

 

Menina de quatro anos já leu mais de mil livros

Janeiro 25, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.jn.pt/ de 14 de janeiro de 2017.

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Uma menina de 4 anos que leu mais de mil livros foi convidada para ser bibliotecária por um dia, na Biblioteca do Congresso norte-americano.

Daliyah Marie Arana tinha 2 anos e 11 meses quando leu o primeiro livro de forma independente.

Haleema Arana, a mãe, contou ao jornal “The Washington Post” que quando estava grávida de Daliyah lia, diariamente, para outras crianças e que quando a filha era bebé ouvia o irmão mais velho a ler capítulos de livros em voz alta pela casa, em Gainesville, na Geórgia, nos Estados Unidos da América.

“Ela queria ler sozinha”, afirmou a mãe ao jornal. “Quanto mais palavras aprendia mais vontade tinha de ler”, explicou.

Agora, com 4 anos, a menina já leu mais de mil livros e alguns textos do ensino superior.

A mãe contactou a Biblioteca do Congresso e perguntou se era possível usufruir de uma experiência no local com a filha. Na última quarta-feira, Daliyah concretizou o sonho de ser bibliotecária por um dia.

A menina visitou a secção de crianças da Biblioteca, leu livros para Carla Hayden, 14ª bibliotecária do Congresso norte-americano, e conheceu alguns funcionários da instituição.

No entanto, quando a equipa lhe pediu algumas recomendações, a criança sugeriu que instalassem quadros brancos nos corredores da biblioteca para que as crianças, como ela, pudessem praticar a escrita.

Carla Hayden ficou impressionada com a paixão da menina pela leitura e pela literatura e publicou algumas fotografias da visita no Twitter.

Haleema Arana revelou ao “The Washington Post” que a filha estava sempre a dizer que a Biblioteca do Congresso era a sua preferida em todo o mundo.

Daliyah tem um cartão de leitor e frequenta a biblioteca local, em Gainesville, com bastante regularidade. “Eu gosto de verificar os livros todos os dias”, revelou a menina. “Eu quero ensinar outras crianças a ler cedo também”, disse a criança ao jornal “Gainesville Times”.

A mãe teve a ideia de começar a contar o número de livros que a filha lia, através do programa “1000 livros antes do jardim-de-infância”. De acordo com Haleema, a menina, aos 3 anos, já devia ter lido mil obras.

Os pais nunca testaram o nível de leitura da filha. Contudo, a mãe, para atender ao amor da menina por livros, lançou-lhe um desafio e deu-lhe o discurso “The Pleasure of Books” (O Prazer dos Livros), de William L Phelps, considerado de grau universitário, para ler. Acontece que Daliyah leu tão bem o texto e pronunciou tão bem as palavras que a mãe publicou um vídeo da leitura no YouTube.

Daliyah pretende atingir a meta de 1500 livros até entrar, no próximo outono, no infantário e espera ajudar o professor a ensinar outras crianças a ler.

 

 

 

 

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