Uma criança que lê será um adulto que pensa

Junho 30, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto e imagem do site Up to Kids

Uma criança que lê será um adulto que pensa, porque não há um domínio mais amplo de conhecimento do que aquele que os livros nos oferecem.

Uma criança que lê será um adulto que pensa

Fomentar a leitura em qualquer idade é sempre sinónimo de enriquecimento, mas incentivar este hábito entre os mais jovens da sociedade é uma garantia total de um futuro melhor. Uma criança que lê será um adulto com ideias próprias e mentalidade firme. Será capaz de questionar e de compreender mais facilmente o seu lugar no mundo.

Uma criança que lê será um adulto que pensa, porque não há um domínio mais amplo de conhecimento do que aquele que os livros nos oferecem. Quando lemos estimulamos o raciocínio e desenvolvemos a imaginação. Somos mais receptivos a tudo: as crianças, por não terem preconceitos, são capazes de depositar toda a criatividade na leitura.

Uma criança que lê será livre para sempre

Ler ajuda-nos a pensar. Pensar liberta-nos. Assim, se o seu filho gosta de passar tempo a ler, é um ótimo sinal. Na verdade, essa será a forma mais eficaz que terá para explorar sozinho o desconhecido, opiniões e condutas que a vida oferece. Isto ajudará a formar a tolerância da criança, a empatia, o respeito e a solidariedade.

Muitas vezes os adultos surpreendem-se ou sentem-se incomodados quando se deparam com opiniões diferentes das suas. Estes “conflitos” advêm sobretudo, por acreditarem que somente as suas ideias são válidas. Felizmente, este tipo de pensamento deriva sobretudo da ignorância.

Ler é como viajar

Ler é como viajar, em todos os sentidos. Ajuda-nos a abrir a mente. Uma criança que lê descobrirá outras culturas, outros modos de vida, outros costumes e saberá que existem outras coisas além do que conhece no seu dia-a-dia. Ter esta consciência fará com que se torne num adulto que não fará juízos de valor gratuitos. Um adulto mais tolerante, compreensivo e bem resolvido.

O refúgio contra as misérias da vida

Por sorte ou azar, o mundo dá vida plena aos que acreditam ser loucos. Já dizia Dom Quixote: lia e lia até que encontrou a forma de viver baseado nas suas crenças e ilusões. Isto permitia-lhe ser feliz, enquanto que à sua volta continuava preso a uma realidade convencional que julgava a sua maneira de viver.

Os “loucos” que leem são capazes de encontrar refúgio das misérias da vida. Os restantes vivem-nas sem sequer terem consciência disso. É preciso deixar uma criança chorar e rir ao ler um livro. Permitir que se apaixone por uma história e apoiá-la se decidir “ir com tudo” no campo da imaginação que está ao seu alcance..

Unamuno empregou as palavras corretas ao pedir que as crianças cresçam a ler porque assim serão adultos menos vulneráveis, menos indefesos e mais humanos.

Leitura é a fábrica da imaginação

Existem diversas actividades que ajudam a desenvolver e melhorar a imaginação independentemente da idade que tenhamos. A leitura é uma fábrica inteira onde é forjada e recolhida toda criatividade dos seres humanos.

Uma criança que lê será uma criança que pensa, afirmou algum pensador genial, e não estava enganado. Ler é brincar, é entretenimento, é construir sonhos, é refletir, é um estado de ânimo, é isolamento e companhia, é prazer. Ler é brindar às lembranças do que já fizemos um dia e ao que ainda queremos fazer. Move as incertezas mais internas para depois nos aproximarmos delas.

Uma crianças que lê, é uma criança feliz.

“Ler é como pensar, como rezar, como conversar com um amigo, como apresentar ideias, como ouvir as ideias dos outros, como ouvir música, como contemplar uma paisagem, como dar um passeio no praia” -Roberto Bolaño

Publicado em La mente es maravilhosa, adaptado por Up To Kids®

 

 

Apresentação do livro “Fátima Campos Ferreira Entrevista Manuela Eanes” 28 junho no El Corte Inglés em Lisboa

Junho 26, 2019 às 2:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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Mais informações sobre o livro no link:

https://paulus.pt/fatima-campos-ferreira-entrevista-manuela-eanes

Leitores de berço: um guia nada definitivo de como ler para bebês

Junho 7, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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iStock/Arte Lunetas Bebês experimentam o mundo com as mãos, a boca e o corpo todo. O objeto livro faz parte daquilo que ele vai ler.

Texto do site Lunetas de 26 de fevereiro de 2019.

por Renata Penzani

Ler é sempre um ato de poder“. A afirmação é do escritor argentino Alberto Manguel. Quando imaginamos um leitor adulto, fica fácil compreender o que ela significa: a potência do conhecimento para ampliar repertórios e transformar a noção de si mesmo e do ambiente; o poder, aqui, aparece no sentido de potência, de possibilidade para questionar e subverter o mundo como ele se apresenta.

Mas e quanto às crianças? E os bebês? O que a leitura representa na primeiríssima infância? No período que vai do zero até os três anos, quais experiências um livro pode oferecer?

O que ler para bebês e por que ler para bebês são assuntos que aparecem com frequência aqui no Lunetas. Mas, afinal, como ler para bebês? Como ganhar sua atenção com livros, dentre tantos estímulos que o mundo oferece? Mas e se o bebê morder, babar e estragar o livro? Considerando que estas são perguntas que chegam com frequência dos nossos leitores, e a pedido deles, convidamos especialistas no assunto leitura e primeiríssima infância para refletir sobre o assunto.

Conversamos com Pierre André Ruprecht, diretor executivo da SP Leituras – Associação Paulista de Bibliotecas e Leitura, que gerencia a Biblioteca Villa-Lobos e a Biblioteca de São Paulo.

Entrevistamos também a pesquisadora e professora Cássia Bittens, psicóloga especialista em psicanálise, autora do projeto Literatura de Berço, que desenvolve conteúdos, vivências e formações relacionadas ao universo literário na primeira infância.

A ideia, aqui, não é esgotar o assunto nem apontar receitas prontas, e sim assumir a sua complexidade, pensar junto sobre as questões que o tema contempla, e sugerir caminhos de como começar a trilhar um caminho de livros desde o berço.

O que é ler para bebês?

Essa pergunta talvez seja o único ponto de partida possível. Antes de pensar sobre a importância da leitura para qualquer público, e sobretudo para os bebês, é bem-vindo pensar primeiro no que é ler, afinal.

Quando falamos em leitura, ultrapassamos a ideia de apreender códigos e interpretar uma linguagem. Ler é também ler o mundo, as pessoas, o círculo social onde vivemos e a sociedade como um todo. Ou seja, leitura também se refere ao entendimento de um código social, cultural e histórico. Partindo desse princípio, chegamos à importância da leitura na primeira infância.

“Existe o código escrito e sua apreensão, mas também outras leituras. Por exemplo, a leitura de imagens. A criança muito pequena está atenta ao mundo e já consegue ler imagens. A primeira imagem que ela lê são os olhos da mãe, depois o rosto, e vai ampliando o escopo de percepção”, defende Cássia.

Por que ler para os bebês, se eles não estão alfabetizados e não podem ainda interpretar palavras e imagens? Essa é uma pergunta que muitos adultos costumam se fazer. Por que, então, estimular o contato com a literatura neste primeiro período da vida?

Essa questão realmente é a chamada pergunta de 1 milhão de dólares. A constatação da qual a gente parte é que crianças que, na primeira infância, são colocadas em contato com narrativas, músicas, sons estimulantes e não redundantes, tendem a ser crianças mais curiosas, interessadas e felizes”, diz Pierre.

Além disso, vale a pena considerar também que bebês são pesquisadores e, até os dois anos principalmente, experimentam o mundo com os cinco sentidos. Por isso, eles leem com o corpo todo – as mãos, a boca, o nariz e os ouvidos. Os livros serão, então, parte desse processo de investigação do mundo. Para a pesquisadora Denise Guilherme, do nosso parceiro A Taba, os primeiros livros dos bebês são o corpo, o rosto e a voz de seus pais – leia mais sobre isso.

Outra questão diretamente relacionada ao porquê da leitura para bebês e crianças é o envolvimento dos pais em torno das suas próprias histórias que transmitem, criando um momento de qualidade dentro das famílias que certamente determinam um convívio mais feliz com as crianças.

Então, podemos pensar que a literatura na infância é mais a construção de uma relação afetiva entre a criança e quem lê com ela do que aprendizado ou apreensão de linguagens do livro? De acordo com os especialistas em desenvolvimento infantil, sim.

A leitura como vínculo

Desde 2016, a Biblioteca Villa-Lobos oferece todos os finais de semana um momento de mediação de leitura com bebês. É o Lê no Ninho. O objetivo do projeto é oferecer a oportunidade de adultos e crianças se encontrarem a partir da leitura, sem o intuito de ensinar a ler, e sim de estimular o encanto pela potência da leitura como construtora de vínculos. “Não existe um pressuposto no Lê no Ninho de que a gente vá ensinar coisas, e sim oferecer oportunidades de contato”, explica o diretor.

O programa foi criado com a proposta de estimular o gosto pela leitura entre crianças de seis meses a quatro anos, e se baseia em quatro pilares principais: cultura leitora, vínculos afetivos, conteúdo adequado e atitudes inspiradoras.

“O que não nos interessa quando se fala em ler para bebês? Antecipar a alfabetização, fixação de códigos. Acreditamos que há um momento para isso. Ler para bebês para nós é uma oportunidade de criar um momento de qualidade entre cuidadores e crianças em torno das histórias da comunidade, da cultura e da linguagem”, explica Pierre.

“Crianças de seis meses e de quatro anos também se relacionam com o legado cultural. Por isso, não nos centramos somente na leitura literária. A criança não faz essa distinção, mas ela percebe e se relaciona com a cultura da sociedade”, diz Ruprecht.

Lê no Ninho
Famílias e bebês leem juntos no projeto Lê no Ninho, realizado na Biblioteca Villa-Lobos.

Assista ao vídeo do Lê no Ninho:

Literatura como arte afetiva

Lendo para bebês, favorecemos um processo poético. É o que Cássia Bittens defende e pratica em seu trabalho. Além da clínica em consultório, ela atua como pesquisadora na área de leitura e infância no curso de mestrado em Literatura e Crítica Literária na PUC de São Paulo.

É desse cuidado com o que significa apresentar os códigos – escritos e falados, mas também gesticulados, ouvidos e sentidos – de uma cultura que vem uma defesa constante do valor da literatura como arte.

“Antes de a gente aprender a falar, aprendemos (e apreendemos) o som das palavras. E isso a poesia traz, que a é palavra de forma sonora. A música da palavra. E o bebê primeiro apreende essa música, para depois atribuir um significado”, explica.

Cássia reforça também o lugar da leitura como espaço de segurança emocional para o bebê. Quando leem com e para o bebê, os pais e cuidadores transmitem uma mensagem de disponibilidade e afeto que ultrapassa – e muito – os limites do livro, defende a pesquisadora.

“A música da palavra traz conforto, psiquicamente falando. Além de ter os braços, que aninham e representam o ‘holding materno’, segundo Whinnicot”, explica Cássia, referindo aos estudos de Donald Woods Winnicott, pediatra e psicanalista inglês que pesquisou a relação entre a função materna e o desenvolvimento do bebê.

De acordo com a Psicanálise, a função materna é aquela que aninha e dá colo, preparando as bases emocionais da criança. Já a função paterna representa a ampliação de mundo da criança, que passa do colo para o ambiente externo, expondo-se a riscos e novas experiências. Essas não precisam ser necessariamente funções fechadas em uma única figura – pai, mãe, avó, avô ou qualquer outro cuidador podem exercê-las.

Considerando quais são os receios e inseguranças mais comuns dos adultos quando se trata de leitura e bebês, levamos algumas perguntas frequentes dos leitores para os dois pesquisadores.

Qual a diferença entre contar uma história e ler um livro?

Pierre André Ruprecht: “Aí tem várias nuances. Estamos falando de contar histórias e de como o livro entra nisso. Aqui no Lê no Ninho, descobrimos que ele entra como objeto cultural, que é algo extremamente interessante. Trabalhar livros-imagem com crianças, por exemplo, é fascinante.

Gostamos muito de uma ideia nutrida pela Geneviève Patte, uma bibliotecária francesa que trabalhou a vida toda com crianças e leitura, que algo que deve acontecer em um projeto como esse é simplesmente oferecer livros silenciosamente, e deixar que as crianças os explorem da maneira como elas podem explorar. E aí, claro, se vamos oferecer, é claro que deve ser algo de extrema qualidade.

E ‘qualidade’ significa aí oferecer possibilidades para que as crianças possam se relacionar e criar; não tem nada a ver com didatismo, e nem ensinar comportamentos.”

Cássia Bittens: “Essa é uma questão muito preciosa. Meus estudos vêm se pautando nela. Porque existe, sim, uma diferenciação – penso que até fundante – entre ler histórias e ler livros.

Quando contamos uma história, há todo um universo emocional e cultural em torno da contação da história, porque estamos contando do seu jeito. Transmissão cultural não necessariamente está ligada à capacidade de compreensão do bebê. Pelo contrário: muito possivelmente, ela está ligada à vinculação com o bebê. Não só vinculação amorosa, mas de vida mesmo, em que o bebê fica curioso pela vida. Ele quer ouvir mais, sentir mais. O bebê está na cultura; quer ser humano e fazer parte dela. A contação de história está muito ligada à transmissão da cultura.

Por um lado, temos livros para bebês, que têm narrativas mais curtas, com rimas, repetições, cores sólidas, textos mais simples (no sentido de ter menos camadas). São textos importantíssimos porque trazem autonomia pensante para o bebê. Se o bebê só ouve o que o adulto quer, ele perde capacidade de escolha. Mas, se ele consegue ter autonomia de abrir e fechar, e entender como o livro funciona é importantíssimo pra desenvolver o processo do pensamento.

E se o bebê estragar o livro?

Pierre André Ruprecht: Para nós, essa não é uma questão. Achamos que alguns livros têm que ser lambidos. Pelo próprio cuidado que se tem com o livro no programa, a criança vai percebendo a importância daquele objeto e vai aprendendo a se relacionar com ele. Deixamos isso acontecer de modo muito natural.

Quando falamos de qualidade, ela vai até aí. Qualidade de conteúdo, de forma e também do ponto de vista do uso que vai ser dado. Então, faz parte do processo, não é um desvio e nem pode ser um obstáculo. Isso faz com que o bebê consiga no futuro desenvolver sua capacidade de interpretação autônoma.

Cássia Bittens: Se um livro estimula o leitor a ser ativo naquela leitura, ele provavelmente vai ser mais resistente, porque o design faz parte da narrativa. Quando estamos na outra parte da linha, que é a contação de histórias, são capas menos resistentes, materiais mais finos, etc, o que realmente deixa os adultos preocupados. Então, se for um livro muito precioso para os pais, não é para estar no acesso da criança, que com o tempo vai entender o significado do livro, e que livro não é brinquedo. Agora, existem os livros próprios para bebês aos quais eles podem ter acesso dia e noite.

Qual o maior desafio de ler para um bebê?

 

Pierre Ruprecht: Ficamos muito ansiosos com a atenção do bebê, mas não é necessário que ele esteja prestando atenção a todo momento. A atenção do bebê é a escolha que ele faz a partir do que é oferecido a ele. Por isso, a gente insiste muito nisso: a oferta tem que ter muita qualidade. E deve ser uma oferta calma, no sentido de que não se deve construir um ambiente excessivamente estimulante, com muito ruído, por exemplo.

Estamos ali para oferecer experiências e as condições para que elas aconteçam de um jeito tranquilo, saboroso e surpreendente. Tanto é que, no final da mediação, as famílias que participam levam para casa um kit de leitura, com livros, fantoches e brinquedos para que a experiência possa ser reproduzida em casa.

Temos como missão alcançar não só a criança, mas os pais. Queremos mostrar aos adultos que ler, se envolver com jogos de palavras, histórias, parlendas e afins é uma experiência rica que traz muita felicidade, boas possibilidades para o futuro e que pode ser reproduzida todos os dias. O kit existe para isso.

Cássia Bittens: “Eu penso que o maior desafio é ser respeitoso com o bebê. Muitos parecem que não estão focados, mas estão ali e aqui ao mesmo tempo. Então, é preciso estar entregue ao bebê no momento da leitura. Tem algumas dicas: rimas e repetições sempre funcionam. Quando contamos uma história, o literário é apreendido pelo bebê por meio do corpo. Se o livro provoca pela sonoridade, ele vai se transformar naquele personagem, esse é o principio da alteridade.”

Quer montar a primeira biblioteca do bebê? Inspire-se:

Resumo

“Como ler para bebês, se eles não ainda interpretam letras e imagens?”. Conversamos com especialistas em leitura e primeira infância para pensar a leitura como ampliação de repertório e construção de vínculos emocionais seguros.

 

 

 

Campanha de Angariação de livros para Crianças em Timor-Leste “Um Livro, Um Sorriso Livru Ida, Hamnasa Ida” maio e junho na Universidade do Minho

Maio 22, 2019 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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https://www.ie.uminho.pt/pt/sociedade/CRCD

El impacto de leer 15 minutos al día en los niños

Março 21, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Photo by Josh Applegate on Unsplash

Texto do blog El Bosque de las Fantasías de 14 de novembro de 2018.

Publicado por Jesús Falcón

Un niño de preescolar que lee solo 15 minutos al día en casa o en el colegio, escucha nada más y nada menos que una cantidad de 2 millones de palabras por año. Eso quiere decir que habrán leído un total de 900 horas cuando lleguen a sexto curso y lo más probable es que sus notas sean mejores que las de otros alumnos que no lo hayan hecho.

Pero si esto no es suficiente para motivar a tu hijo hacia el camino de la lectura, te damos otras 5 razones para conseguirlo:

Ayuda al desarrollo del lenguaje

Leer a nuestros hijos desde el momento en que nacen en voz alta, puede influir de manera muy positiva en ellos. El cerebro podrá ir haciendo conexiones entre las palabras escritas y las palabras que escucha, ampliando así su vocabulario sin que el niño/a se dé cuenta. Además, mejorará enormemente su ortografía y su manera de expresarse.

Mejora el desarrollo del cerebro

Muchos profesores y profesionales de la educación están de acuerdo en que la gente que lee es más inteligente. Un estudio realizado por la Academia Americana de Pediatría, concluye que los niños que encuentran un hueco para dedicar a la lectura, activan la parte de su cerebro encargada de comprender y relacionar conceptos para almacenarlos posteriormente en la memoria.

Ayuda a comprender un mundo fuera del nuestro

Leer ayuda a comprender a grandes pensadores de la historia, mediante reflexiones o palabras que fueron inspiradas por experiencias personales. Esto hace que los niños puedan entender el mundo de una manera distinta, ampliando su realidad y abriendo su mente para reflexionar.

Estrecha los lazos familiares y la comunicación

Todos estamos de acuerdo en que leer estrecha los lazos familiares. Podemos empezar leyendo con ellos en su habitación o en el salón, eligiendo al principio libros que tengan muchas ilustraciones ya que de esa forma les costará menos. Poco a poco podremos ir eligiendo otros materiales con menos ilustración para fomentar la imaginación de los niños.

Muchas posibilidades para elegir

No hay excusa para no leer. Siempre es recomendable hacerlo mediante libros físicos, pero podemos optar por otras opciones que están muy de moda, como los libros digitales. Además, podemos encontrar geniales apps de cuentos aptos para niños en plataformas móviles de Android o IOS. Cualquier opción es buena para empezar a fomentar el hábito de la lectura en ellos.

 

 

 

Prefere ler em papel ou no ecrã? A ciência responde: há uma “superioridade do papel”

Março 11, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Adriano Miranda

Notícia do Público de 26 de fevereiro de 2019.

Ler em papel é mais eficaz do que ler em formato digital, sobretudo quando se tem o tempo contado. Estudo em que foram analisadas as respostas de mais de 170 mil pessoas alerta que é preciso pensar este problema no contexto de sala de aulas. Nos livros de ficção, a diferença é quase nula.

Claudia Carvalho Silva

Há quem prefira ler em papel, mesmo não sabendo bem porquê. Agora, um estudo da Universidade de Valência, em Espanha, pode ajudar a justificar: os investigadores chegaram à conclusão de que existe uma “superioridade do papel” – quando se lê em papel, a compreensão do que é lido é maior, ao contrário do que acontece quando o mesmo conteúdo informativo é lido em ecrãs. E, para surpresa dos cientistas, isto é sobretudo flagrante em crianças, o que exige uma reflexão política sobre os métodos de ensino que devem ser utilizados nas salas de aulas.

O resultado nestas camadas jovens surpreendeu os cientistas: “Não é por as crianças e jovens estarem mais habituadas aos ecrãs que a compreensão é maior — é precisamente o contrário”, alerta o investigador Ladislao Salmerón, um dos autores do estudo. Ao PÚBLICO, ​Salmerón explica que uma das hipóteses para justificar que a compreensão digital seja menor em crianças é a “associação destes dispositivos a interacções curtas e recompensas imediatas”. Isto, por sua vez, torna difícil que os jovens se consigam concentrar na leitura, por não se “desligarem” daquilo que esperam quando estão diante de um ecrã. “Precisamos de estar calmos, concentrados. É altamente incompatível com o uso actual que fazemos da tecnologia”, diz.

Para chegar a estes resultados, foram analisadas as respostas de mais de 171 mil participantes, “uma amostra generalizada e com uma grande variedade de idades, das crianças aos idosos”. Cada participante leu individualmente, em silêncio, na língua que usa no dia-a-dia. Na análise foram só usados estudos que tinham por base textos simples e lineares, tanto no papel como na parte digital (evitando links ou animações que privilegiariam este formato).

Como a amostra não incluiu estudos em Portugal – “pode haver, mas restringimos a nossa pesquisa a estudos publicados em inglês” –, o investigador ressalva que os resultados podem variar no caso português. Para Espanha, foi somente analisado um estudo feito com alunos em que se analisava a compreensão textual em artigos lidos em papel ou em tablets – os investigadores aperceberam-se de que havia um “ligeiro efeito negativo associado ao uso de tablets”.

O grande número de participantes foi conseguido porque este estudo, intitulado “Não se livrem dos livros impressos”, é uma meta-análise (ou seja, combina os dados e conclusões de outros 54 estudos, feitos entre 2000 e 2017). “É mais poderoso do que um só estudo”, esclarece o investigador espanhol, reconhecendo que só não é vantajoso por estarem restringidos por aquilo que os outros investigadores fizeram. Além de Salmerón, o estudo foi levado a cabo por três outros cientistas da Universidade de Valência e uma investigadora do Technion — Instituto de Tecnologia de Israel.

Como se lê no estudo, as pessoas adoptam um “estilo de processamento mais superficial” quando estão a ler num formato digital, podendo também estar envolvida uma falha na qualidade e na capacidade de atenção. Seguindo esta hipótese, “quanto mais as pessoas utilizarem os meios digitais para estas interacções superficiais, mais difícil será usá-los para tarefas desafiantes”, daí que os cientistas recomendem cautela com a utilização de dispositivos electrónicos para leitura na sala de aulas.

Outro dos factores a ter em conta para uma compreensão eficaz é o tempo disponível para a leitura – o que é um “condicionamento clássico”, em salas de aulas. Quanto menos tempo for dado, mais eficaz é a leitura em papel. O investigador espanhol esclarece que isto está relacionado com “a forma como o nosso cérebro gere recursos no processo de leitura”: “Podemos pensar nisto como se fosse uma corrida. Se tivermos de correr 100 metros sem que o tempo conte, podemos ir ao ritmo que quisermos e consegue-se fazê-lo; se só tivermos um minuto, é diferente.” E acautela: “É por isso verdadeiramente importante que os estudantes estejam a gerir recursos de forma eficaz. É por isso que nestas situações se torna crítico que o dispositivo não nos perturbe, ou que nos faça pensar que estamos a ler e a interpretar quando na verdade não estamos.”

O investigador admite que também ele prefere ler em papel, mas por questões profissionais acaba por ler muitos textos no ecrã. “De outra forma, não conseguiria conciliar todos os pequenos relatórios e textos que tenho para ler”, diz.

Quando se trata de textos narrativos (romances, poesia), pouco importa se se lê em papel ou em suporte digital, porque a linguagem é menos técnica e mais próxima daquela que é utilizada no dia-a-dia, com mais diálogos, explica Ladisla​ ​Salmerón. “Trata-se mais de quão desafiante é o texto, e as narrativas tendem a ser menos. Os textos informativos são mais desafiantes para a nossa estrutura mental, precisamos de analisar vocabulário mais complexo, mais técnico”, adianta. No estudo, os cientistas alertam que há terrenos incertos e que ainda é precisa mais investigação para aprimorar técnicas.

A equipa também considerou importante investigar a diferença que existe entre a leitura digital feita em computadores e aquela que é feita em telemóveis, em e-readers (leitores de texto, como o Kindle) ou em tablets. “Na maior parte dos estudos, o digital refere-se a ecrãs de computador. Os tablets e ebooks são muito mais recentes, talvez daqui a cinco anos tenhamos algo diferente”, diz. Os investigadores reiteram que há poucos estudos e meta-análises sobre a influência da natureza do meio nos resultados de leitura.

E soluções?

Voltando à forma como a leitura em formatos digitais afecta a interpretação, sobretudo nos mais novos, Ladisla​ ​Salmerón diz que não é preciso vilipendiar a tecnologia, mas encontrar soluções. “Não quero acreditar nem defender que é a tecnologia em si a causadora disto – mas é o uso que fazemos dela. As redes sociais, as conversas superficiais, as recompensas imediatas… não está a fazer nada de bom”, lamenta.

O estudo, publicado em Novembro de 2018 e feito no âmbito de um projecto europeu, mostra “de forma inequívoca que há uma inferioridade dos ecrãs, com resultados de menor eficácia de compreensão de leitura nos textos digitais quando comparados com os textos em papel”. Essa desvantagem é ainda maior em textos em que é preciso fazer scroll.

A leitura digital acaba por ser uma parte inevitável nas escolas. “O facto de não podermos impedir a tecnologia de chegar às escolas não significa que não possamos ser mais selectivos”, observa Ladislao Salmerón. “Isto é real. Não é um problema científico, é um verdadeiro problema que as crianças estão a enfrentar. Precisamos de mais intervenção do lado pedagógico, é preciso perguntar ‘o que podemos fazer para melhorar a interpretação textual através da tecnologia?’

 

 

O que leem (e como leem) os adolescentes?

Fevereiro 8, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Notícias Magazine de 6 de janeiro de 2019.

 

Estudo demonstra que ter uma grande biblioteca em casa tem um efeito positivo na vida adulta

Dezembro 20, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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thumbs.web.sapo.io

Notícia do Life Style Sapo de 16 de novembro de 2018.

Quem gosta de ler, gosta de colecionar livros e por isso vai ficar contente por saber que ter uma grande biblioteca em casa poderá trazer benefícios às crianças na vida adulta.

A socióloga Joanna Sikora da Universidade Nacional da Austrália publicou recentemente o estudo “Scholarly culture: How books in adolescence enhance adult literacy, numeracy and technology skills in 31 societies” (Cultura Académica: como os livros na adolescência melhoram a literária, numeraria e capacidades tecnológicas na vida adulta em 31 sociedades).

Neste estudo a Dra. Joanna Sikora analisou as respostas de 160.000 adultos de 31 países diferentes, com idades entre os 25 e os 65 anos, a perguntas sobre a sua educação, especificamente sobre a quantidade de livros que tinham em sua casa aos 16 anos.

Supondo que um metro de estante tem capacidade para uns 40 livros, a resposta média foi de 115 livros. Com estes dados, a socióloga concluiu que os adolescentes com menos de 80 livros em casa tinham níveis de alfabetização e aritmética abaixo da média, na idade adulta.

Mais surpreendente ainda foi a conclusão de que adolescentes sem um título universitário mas com uma grande biblioteca em casa normalmente têm tanto conhecimento, capacidade matemática e aptidão tecnológica na idade adulta como aqueles que efetivamente concluíram o ensino universitário mas cresceram rodeados de poucos livros.

Sikora destaca assim a importância de ter materiais de leitura em casa e a influência que a exposição a esse ambiente pode ter nos primeiros anos de vida, orientando as crianças na direção do sucesso escolar, bem como da realização profissional e construção da carreira enquanto adultos.

Precisava de uma boa desculpa para comprar mais livros? Aqui a tem. E da próxima vez que ficar aborrecido pela trabalheira que dá limpar as estantes de livros lá de casa, lembre-se deste artigo.

 

 

Que livros para bebés dos 6 meses aos 2 anos?

Dezembro 8, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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DAT

Texto e imagem do site DAT de 15 de junho de 2018.

É frequente encontrar pais e professores a perguntar que livros são apropriados para o seu filho/aluno de determinada idade.

By João Manuel Ribeiro

Infelizmente não existe uma fórmula mágica, para esta pergunta. Quem nos dera! Damo-nos conta amiúde de que mesmo entre crianças da mesma idade há diferenças assinaláveis em termos de interesses, capacidades e experiências de leitura que se (co)relacionam com a personalidade, os gostos, o contexto (familiar e não só) e ainda com outros fatores. Se a isto juntarmos a constatação de que existem muitos e variados livros, resta-nos concluir que à resposta inicial só podemos responder, oferecendo considerações gerais e sugestões. São as crianças e os adultos que com eles privam quem melhor pode determinar as leituras adequadas para si.

O ideal seria ter, em termos de leitura, uma alimentação equilibrada e variada. Como uma dieta de leitura, com dois ingredientes que devem evitar-se: linguagem excessivamente difícil, narrativas excessivamente longas ou demasiado complexas.

Ler, folhear os livros que vamos oferecer/ler, saber se nos agradam a nós, pode ser a “receita” certa para nos ajudar na tarefa de escolher livros.

Assim, sem nos substituirmos aos leitores e acreditando no seu sentido crítico, deixamos algumas sugestões para bebés de 6 meses a 2 anos.

1 – Nesta fase da vida do bebé, é importante que o livro se faça presente como um objeto familiar, porque, para eles, os livros funcionam como uma presença física, um brinquedo para morder, apertar, chupar, mexer, passar as páginas. Juntamente com as rimas e as cantilenas, as histórias contadas no regaço, constituem o primeiro contacto afetivo e efetivo com a literatura.

  • Livros (não tóxicos) de cartão, plástico ou pano, de encadernação resistente e arredondado nas pontas.
  • Livros que o bebé possa levar à boca, manipular e/ou até usar no banho.

2 – Mais tarde virão os livros para reconhecer objetos familiares; quando o bebé identifica com o seu dedito o animal que está na ilustração do livro e o chama pelo nome, está a fazer a transição do físico ao mental. Nos livros mais complexos, os objetos familiares relacionam-se uns com os outros através das páginas.

  • Livros de imagens que retratem objetos e personagens próximas ao mundo do bebé, como os livros sobre brinquedos, alimentos ou animais.

3 – Depois da etapa de identificação podem introduzir-se os livros com alguma trama: o animal é agora o protagonista de uma história simples com princípio, meio e fim.

  • Livros ilustrados que incluam as primeiras histórias de forma ágil, muito breve e simples.
  • Rimas infantis e cantilenas breves, narrativas simples para ler ao colo ou no regaço

 

 

Pedro Strecht: “Uma criança passa menos tempo ao ar livre do que um recluso”

Novembro 3, 2018 às 1:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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Entrevista de Pedro Strech ao Observador no dia 20 de outubro de 2018.

Ana Cristina Marques

Crianças agarradas aos ecrãs, fechadas em salas, com agendas preenchidas e pouco tempo para estar com os pais. No seu novo livro, Pedro Strecht faz uma análise aos desafios desta geração.

Em média, uma criança até aos 10 anos passa diariamente 8 horas na escola, enquanto o tempo de interação exclusiva entre pais e filhos, também num registo diário, resume-se a 37 minutos. Os ecrãs ocupam mais de duas horas e meia por dia e os reclusos passam mais tempo ao livre do que uma criança em idade escolar. Estas são algumas das conclusões assinaladas na nova obra do pedopsiquiatra Pedro Strecht, que acaba de lançar o livro Pais Sem Pressa, da editora Contraponto, numa tentativa de convencer os pais a abrandar.

Em entrevista ao Observador, Pedro Strecht, autor de diversos livros e com um percurso profissional intenso, fala em pais exigentes e perfecionistas, demasiado preocupados com o rendimento escolar dos filhos, e discursa sobre aulas muito longas, com poucos intervalos, TPC em excesso e recreios fisicamente diminutos. A tecnologia é também tema de conversa, com o pedopsiquiatra a acusar pais de usar tablets e suas aplicações para “para colmatar pequenas coisas, muitas delas tarefas diárias do nosso dia a dia que dão trabalho, confronto e insucesso”. Porque a tecnologia não pode servir de am

“É entre o primeiro e o segundo ano de idade que os miúdos começam a andar, a correr e a explorar o mundo; o tablet é para se estar quieto. E é a partir do segundo ano, e também no terceiro, que há uma expansão enorme da linguagem também enquanto modelo de ligação. Ou seja, quando é que os miúdos desenvolvem mais a linguagem? É nessa idade. É imaginá-los quietos em vez de estarem a explorar o mundo e é imaginá-los a não falar porque a linguagem e o som que vem de uma série ou de algo que estejam a ver num tablet não pede reciprocidade.”

O livro chama-se Pais sem Pressa, mas aborda precisamente o contrário. Quem são estes pais sem tempo?
Estes pais sem tempo somos, no fundo, quase todos nós. Há muitos fatores à nossa volta que não controlamos — muitos deles têm que ver com a forma como as sociedades estão a evoluir em vários campos, no profissional, económico e relacional. O livro surge um pouco como um apelo à necessidade de ficarmos mais conscientes disto. Acho cada vez mais importante destacar a necessidade de criarmos um balanço diferente entre trabalho e lazer, ocupação profissional e tempo livre. Vivemos socialmente em estruturas que nos pedem cada vez mais, do ponto de vista do trabalho e do ponto de vista económico. É engraçado, a maior parte da linguagem que hoje caracteriza muitas coisas é quase exclusivamente economicista ou tecnológica. É muito menos humanista ou muito menos relacional. Por outro lado, cada vez mais vemos em crianças e em adultos situações que têm que ver com perturbações de ansiedade ou perturbações na linha depressiva que, em muitos casos, não são mais do que situações de burnout, de esgotamento, de excesso de tensão, de incapacidade de parar e respirar.

Os pais sem tempo estão conscientes destas limitações?
Há muitos pais que dizem que não têm tempo para fazer determinadas coisas. Por vezes, apercebem-se disso, mas dão como dado adquirido a incapacidade de lutar mais ativamente contra isto. É algo que se verifica nas sociedades mais desenvolvidas. É uma coisa muito transversal. Vivemos no tempo que nos é imposto de fora, sem que as pessoas sintam que têm capacidade de o gerir mais autonomamente, quando na realidade têm. Não é preciso fazer grandes ruturas, mas podem fazer-se pequenos movimentos de equilíbrio sem cortes radicais.

No livro encontramos as seguintes expressões: “ritmo diário extremamente exigente” e “elevados níveis de tensão emocional”. Estamos perante um problema geracional?
Sim. Acho que é muito geracional. Costumo dizer aos meus filhos que tive o meu primeiro telemóvel aos 26 anos. Em Portugal, os telemóveis com internet têm menos de 10 anos… Estamos a falar de diferenças geracionais não só muito fortes, como também cada vez mais rápidas — e isto acontece em quase todas as áreas. Agora, as mudanças acontecem de uma forma muito mais surpreendente e num ritmo muito mais intenso. Acho sempre que a evolução das sociedades, com todas as oscilações que há em cada momento, têm acontecido num sentido positivo. O que vai havendo são realidades diferentes — todos os miúdos que nasceram neste século já nasceram completamente mergulhados em determinadas vivências que nós próprios, os pais, não vivemos e não temos. Este é um desafio diferente para os dias de hoje. É uma questão adaptativa.

“Muitas crianças passam uma média de 8 horas na escola”

De que forma é que isto afeta a parentalidade?
Desde há muitos anos que temos tido um decréscimo significativo em termos de natalidade. A média de natalidade hoje em dia em Portugal é 1,1. Portanto, a maioria dos casais tem um filho. Três filhos já corresponde a uma família numerosa. Em Portugal, quando se pergunta aos casais porque é que não têm mais filhos, as duas respostas mais frequentes são fatores económicos e falta de tempo, de disponibilidade concreta. A vida dos adultos mudou bastante. Hoje, o normal é pai e mãe trabalharem, é homem e mulher serem ambos pessoas ativas do ponto de vista profissional. Muitas vezes, em algumas áreas, há mulheres que querem cumprir a sua função materna e que são frequentemente prejudicadas na sua atividade profissional. Já falei com mães que trabalham em áreas bancárias em que ter um filho é um desafio de confrontação com a entidade empregadora. O que sentimos é que, por um lado, os pais sabem mais e querem participar mais, por outro, acabam por ter menos disponibilidade concreta para o fazer e, quando ela existe, tendem a não ser capazes de se descentrar de algumas coisas que podiam ser mais secundárias e não tão essenciais.

Como por exemplo?
Pais e filhos podem ter tempo livre, mas há pais extremamente preocupados com o rendimento escolar dos filhos. Há pais que sobrecarregam as crianças com mais atividades letivas — “Ao sábado, vou pô-lo na explicação”, “Se conseguir trabalhar mais horas, posso ter mais isto e aquilo”. É uma questão de prioridades. São situações deste género que cada vez acontecem mais. Depois, há outras situações que são externas e que se veem muito na medida em que as sociedades se organizam: o tempo das deslocações, o tempo dos horários profissionais… Muitas crianças passam, hoje em dia, uma média de 8 horas na escola.

De acordo com o livro, são, em média, 8 horas diárias na escola e, também em média, 37 minutos diários de interação exclusiva entre pais e filhos…
Este rácio é completamente desproporcional. Há miúdos que estão na escola às 08h e que chegam a casa já são 19h30, 20h… são 12 horas fora de casa para uma criança. Hoje em dia, há crianças que passam muito mais tempo em interação direta com um professor de uma escola primária do que com uma mãe ou um pai. Vemos noutros países da Europa, como os países nórdicos, situações em que o tempo de permanência na escola é menor e nem por isso os miúdos têm menos capacidades escolares e cognitivas.

Como profissional, defenderia menos tempo passado na escola ou horários de aulas mais curtos? Qual é a alternativa?
Passaria por horários escolares francamente mais intervalados, até porque estamos a dar aos miúdos estímulos de pergunta-resposta com grande rapidez e na escola pedimos exatamente o inverso, que fiquem quietos durante uma hora e meia. Aulas mais curtas e com mais tempo de intervalo favorecem os mais novos. Esta geração passa muito mais tempo na escola e faz muito mais na escola do que qualquer pessoa da minha geração. Conheço alguns pais que me dizem “Ah, mas ele está a estudar pouco, vou metê-lo em explicações”… Às vezes recordo aos pais que, na nossa geração, começávamos as aulas em outubro e não em setembro, tínhamos aulas de 50 minutos e não de uma hora e meia. Há vivências temporais completamente distintas só de uma geração para a outra.

Devia existir algum incremento de atividades, que até podem decorrer no espaço da escola, mas que não têm de ser necessariamente letivas: os miúdos podem ter desporto, música e/ou ateliers de várias coisas. Também defendo que há imensas escolas que pedem um excesso de trabalho de casa. E muitas escolas esquecem-se ou não investem nos espaços de recreio — pensam na sua função centradas naquilo que acontece dentro da sala de aula e depois, no recreio, não têm vigilantes ou, então, os recreios são muito pequenos, em termos de tempo e/ou de espaço. Há escolas em Lisboa cujo espaço físico é mínimo para o número de alunos.

É por isso que escreve que um prisioneiro tem mais tempo ao ar livre do que uma criança?
É um pequeno filme que está no Youtube. É norte-americano, mas também corresponde à realidade portuguesa. Nesse filme mostra-se que uma criança norte-americana, tal como muitas portuguesas, passa menos tempo por dia ao ar livre do que um recluso. É verdade. Nas grandes cidades já não é tão frequente vermos crianças pela rua. A cultura de bairro também se perdeu. Onde estão os miúdos? Estão nas escolas, estão em casa ou estão em trânsito no transporte escola-casa. Até mesmo o espaço de brincadeira, para muitas das nossas crianças e adolescentes, acontece no quarto, em casa, e é à base de tecnologias — Playstation, internet… Brincam no espaço de quarto, embora ligados a outros, mas não propriamente num espaço livre, de expansão, de risco, de procura.

“Estamos a pedir às crianças que cresçam demasiado depressa”

No livro também escreve que, além dos horários aplicados nas escolas e dos TPC, há uma tendência para que os pais transformarem as atividades lúdicas preferidas dos filhos numa espécie de obrigação…
Sim. E numa espécie de preocupação com imensa antecipação. Os pais  projetam nos filhos um peso enorme em termos do desempenho escolar, como se os miúdos — às vezes de 9 ou 10 anos — tivessem de pensar no curso que vão tirar, na média que vão ter, no ordenado que vão ter ou não com aquele curso. Há uma projeção demasiado pesada e até negativa sobre a perspetiva de futuro, muito centrada na questão da rentabilidade — acho que isso começou de uma maneira muito mais nítida nos anos de crise. Nos últimos 5 anos comecei a ver uma coisa que não via há bastante tempo: os pais a induzirem, de uma forma ainda mais ativa, as escolhas das áreas de estudos no final do nono ano. Isto já foi uma coisa muito mais livre. Agora, ouvem-se frases como “Ah, mas não vás para isso, nisso não há emprego”, “Assim não tens ordenado nenhum”, “Artes? Artes é para o desemprego”…

Esse discurso começa cada vez mais cedo?
Sim. Cada vez mais cedo e, sobretudo, naquela fase do nono ano, em que os miúdos têm de fazer opções.

Os pais de agora são muito exigentes?
Há uma ideia errada de perfeição, parece que todos temos de ser perfeitos em tudo: no corpo, no trabalho, na educação, na escola, etc. O ótimo é inimigo do bom: as pessoas precisam de ser boas em algumas áreas e de perceber que também têm limites e que, às vezes, as coisas correm mal. É preciso que os pais deixem de ser tão exigentes consigo próprios e até para com os filhos — nesse ritmo, por muito bem que as coisas possam estar a correr, há sempre um sentimento de insatisfação recorrente. Parece que o copo nunca está cheio. Por isso é que falo do conceito “pais suficientemente bons”, que reporta para a ideia de que os adultos também têm falhas e não precisam de ser os melhores pais do mundo para serem bons pais.

Tendo em conta agendas muito preenchidas, é possível que o tempo passado entre pais e filhos comece a ser, de alguma forma, encarado como uma espécie de “obrigação”? Estamos a perder o foco do que é estar em família?
Sim, sobretudo o foco do que é estar em família de uma maneira até mais espontânea e livre. Porque cada vez mais as pessoas tendem a programar muito os dias, mesmo sem notarem. Depois, parece que a vivência do espaço livre, do espaço sem um rumo predefinido assusta e inquieta. Às vezes é bom a pessoa entregar-se a isso. Os miúdos precisam de estar no quarto, sem estar a fazer nada de especial, a brincar ou olhar para o teto. Não há uma agenda. Há cada vez mais pais que referem que os filhos, em diferentes etapas de crescimento, quando acabam uma tarefa perguntam o que podem fazer a seguir. Em casos extremos, há muitos adultos que trabalham imenso durante a semana e que, quando chegam à véspera do fim de semana, têm uma espécie de angústia porque não estão naquele ritmo de adrenalina e de tensão.

Estamos a pedir às crianças que cresçam demasiado depressa?
Sim. Estamos a atirá-las demasiado para a frente. O engraçado é que, mesmo que por vezes não notem, há cada vez mais adultos a quererem andar demasiado para trás — vivências eternamente adolescentes porque, talvez, não tenham vivido tudo como deve de ser na infância. Os mais novos são projetados muito para a frente e os mais velhos querem voltar atrás. Os adultos quererem escapar à passagem do tempo. Há frases muito engraçadas como “Agora os 40 são os novos 30”.

“Há pais que usam a tecnologia como se fosse uma ama”

Esta semana foi apresentado um estudo, com base num inquérito feito a quase 2.000 pais, que mostrou que as crianças até aos 2 anos são das que mais usam aplicações. Como comenta isto?
Crianças até aos 2 anos que são levadas a usar aplicações, porque elas não as usam autonomamente, não têm capacidade para isso, os pais metem-nas nas mãos ou à frente delas. E põem cada vez mais — e isto é mesmo uma crítica séria — para colmatar pequenas coisas, muitas delas tarefas diárias do nosso dia a dia que dão trabalho, confronto e insucesso. Um exemplo concreto? Os miúdos nem sempre comem bem e fazem birras, mas, hoje em dia, somos capazes de passar por um restaurante e vemos uma criança pequena sentada à mesa com os pais e com o tablet à frente, a ver as imagens quando, distraidamente, lhe dão a comida. Ainda neste caso dos tablets até aos dois anos, ocorre-me o seguinte: é entre o primeiro e o segundo ano de idade que os miúdos começam a andar, a correr e a explorar o mundo; o tablet é para se estar quieto. E é a partir do segundo ano, e também no terceiro, que há uma expansão enorme da linguagem também enquanto modelo de ligação. Ou seja, quando é que os miúdos desenvolvem mais a linguagem? É nessa idade. É imaginá-los quietos em vez de estarem a explorar o mundo e é imaginá-los a não falar porque a linguagem e o som que vem de uma série ou de algo que estejam a ver num tablet não pede reciprocidade.

As tecnologias, neste caso as aplicações, podem realmente interferir no desenvolvimento das crianças?
Podem, nesse aspeto podem. E o mesmo em relação a algumas áreas cognitivas e de relação social. Se um menino de 8 anos brinca no tablet ou se um de 12 anos joga na playstation, diria que isso é normal e não vejo mal nisso — só aconselho os pais a darem os jogos apropriados à idade dos filhos; mas se ele só brincar com o tablet ou com a playstation… Há crianças que crescem quase só com experiências de relação e de estímulo centradas no ecrã. Há pessoas que acham que tenho uma visão muito crítica em relação às tecnologias… As tecnologias têm coisas ótimas que podem facilitar ganhos de tempo, simplesmente acho que, nos dias de hoje, elas próprias se tornam tão opressivas no chamado tempo tecnológico que também bloqueiam a nossa vivência, o nosso tempo biológico e emocional.

A tecnologia começa a ser encarada como uma ama?
Exatamente. E isso é um risco em imensas circunstâncias. Não tem mal os miúdos verem os seus desenhos animados, não tem mal usarem as tecnologias, mas isso precisa de ser enquadrado em muitas outras coisas que fazem parte de um plano muito mais vasto de estimulação e de relação.

O livro também fala na importância de estabelecer rotinas, algo que parece estar associado à diminuição de ansiedade. Como é a criança que cresce sem rotinas?
A criança que cresce sem rotinas, sem regras ou limites, é uma criança que vai correr o risco de ficar progressivamente desregulada em relação a ela própria e na relação com os outros. As rotinas dão muita segurança e são uma maneira de se poupar tempo — a criança já sabe que, em princípio, é para tomar banho todos os dias antes do jantar… As rotinas dão uma certa pervisiblidade ao que vai acontecer. Não precisam de funcionar ao minuto, mas os miúdos agradecem estas regulações de tempo. Falando no sono, por exemplo, somos dos países da União Europeia que tem piores dados sobre o sono na infância, na adolescência e no estado adulto: dormimos pouco e dormimos mal. Telemóveis ligados durante a noite, que vão tocando, ou jogar na playstation imediatamente antes ir de para a cama… Assim não se consegue adormecer por causa do nível de excitação e de ativação cerebral. As rotinas facilitam muitas áreas do crescimento infantil e adolescente.

Qual a diferença entre a criação de rotinas e as agendas preenchidas de que há pouco falámos?
As rotinas implicam que algumas coisas básicas do dia, quer das crianças quer da relação das crianças com os adultos, possam decorrer de uma forma mais ou menos semelhante. É o acordar, por exemplo, às 07h durante a semana porque há aulas; é o jantar todos juntos à mesa sem os telemóveis por perto… Isto é diferente do excessivo preenchimento da agenda do tempo dos miúdos.

E como é uma criança que cresce sem contacto com a natureza?
É uma criança que em muitas áreas pode ser bastante mais inábil e, tendo conta áreas da estimulação cognitiva e emocional, pode ter dificuldades acrescidas. A natureza reporta-nos para determinados ritmos naturais que existem, aos quais não podemos fugir. O próprio contacto de adultos com a natureza é relaxante — baixa o ritmo cardíaco e dá-nos muito mais espaço para refletir sobre as nossas coisas.

Somos pais cada vez mais tarde. De que forma é que isso pode afetar a parentalidade?
Por um lado é bom porque, durante muito tempo, fomos recordistas de gravidez adolescente. Agora, acho que há pais que adiam muito a questão da natalidade porque fogem um pouco à responsabilidade que isso implica ou, então, têm aquela perspetiva da perfeição: primeiro querem um bom emprego, depois um bom ordenado, uma casa maior… Portanto, vão adiando, como se adia a saída de casa dos pais ou a autonomia económica. Estamos com vontade em não crescer e, sobretudo, com muito pouca vontade em assumir responsabilidades. Recordo-me de um estudo que dizia que, em algumas cidades, já há mais cães do que crianças. É mais fácil ter um cão, não vai à escola e tem um tempo de vida mais curtinho, obedece quase sempre. Crescer não é propriamente perder coisas, é somar coisas ao que já adquirimos.

Seria essencial trazer o conceito de mindfulness para a parentalidade?
Sim, eu acho que sim. No fundo, é orientar o nosso espaço mental para aquilo que é mesmo importante, no aqui e agora, connosco próprios e com aqueles que temos à nossa frente, as pessoas de quem gostamos.

 

 

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