Ensaio Geral Solidário a favor do IAC – Poderá fazer o seu donativo até 3 de fevereiro!

Janeiro 31, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação, Vídeos | Deixe um comentário
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O Instituto de Apoio à Criança convida-o a assistir ao Ensaio Geral Solidário do Programa Reportório / SERENADE / GROSSE FUGE / HERMAN SCHMERMAN / 5 TANGOS, pela Companhia Nacional de Bailado, no próximo dia 04 de Fevereiro, pelas 21H00, no Teatro Camões – Parque da Nações, Lisboa (junto ao Oceanário).

Ao contribuir com um donativo a partir de 12 euros, o Instituto de Apoio à Criança oferece-lhe um convite para assistir ao Programa de Reportório que reúne alguns dos coreógrafos que mais marcaram a História da Dança.

Até ao próximo dia 03 de Fevereiro poderá fazer o donativo através de:

  • Transferência bancária – NIB: 0035 0150 00050589030 90, envio do comprovativo para iac-sede@iacrianca.pt indicando os dados para emissão do respetivo recibo (nome, morada e NIF)
  • Através de cheque à ordem de Instituto de Apoio à Criança
  • Presencialmente, na sede do Instituto de Apoio à Criança – Largo da Memória, nº 14, 1349-045 Lisboa (perto da Igreja da Memória)

Os convites podem ser levantados na sede do Instituto, (Largo da Memória, nº 14, 1349-045 Lisboa, perto da Igreja da Memória), ou enviados por email, sendo imprescindível a sua apresentação no dia do Bailado.

O Instituto de Apoio à Criança é uma Instituição de Solidariedade Social, sem fins lucrativos, com o NIF 501 377 662, a quem foi reconhecido o estatuto de superior interesse social (Despacho conjunto nº823/98, de 9 de Novembro, publicado no Diário da República, II Série, de 27 de Novembro. Os donativos concedidos ao IAC enquadram-se nos Artigos 62º e 63º do Estatuto dos Benefícios Fiscais.

Para mais informações contacte o IAC através de Tel: 21 361 7880 / 913 247 970 ou iac-sede@iacrianca.pt.

Pela Defesa dos Direitos da Criança

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Mais de dois terços dos jovens em centros educativos têm processos de protecção

Janeiro 31, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt de 27 de janeiro de 2016.

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Ana Dias Cordeiro

Dos 186 jovens, 105 têm processo de promoção e protecção e 39 vêm de instituições de acolhimento. Relatório da Comissão de Acompanhamento e Fiscalização dos Centros Educativos já foi entregue na Assembleia da República.

São na grande maioria rapazes, mas também há raparigas nos seis centros educativos do país – 24 num total de 186. Uma das raparigas tem com ela um filho, bebé. Contas feitas, os jovens a cumprir medidas têm uma idade média de 17 anos. E para quase todos, o percurso delinquente iniciado surge depois de uma situação de perigo sinalizada no sistema de protecção. O tema não é novo: académicos, magistrados e responsáveis ou profissionais do sector, várias vezes, têm alertado para essa ligação entre as situações de perigo em criança e a delinquência juvenil.

Agora, os números do relatório deste ano da Comissão de Acompanhamento e Fiscalização dos Centros Educativos confirmam-no: dos 186 jovens que, em Fevereiro de 2015, cumpriam medidas tutelares educativas, decididas por um juiz, 144 estavam sinalizados por processos de promoção e protecção (em 105 casos) ou estavam acolhidos em instituições (em 39 casos).

“Este número tão elevado de jovens sinalizados revela claramente a predominância de contextos de risco nas suas vidas e também da necessária articulação entre estes dois sectores da administração”, lê-se no relatório consultado pelo PÚBLICO. Na secção relativa às “Relações com a Segurança Social”, o documento aponta falhas à “intervenção preventiva” que “deveria ter ocorrido” – no casos das crianças sinalizadas – e que “aparentemente” não conseguiu atingir esses objectivos “já que o percurso de vida destes jovens acabou por vir a impor medidas de internamento em centro educativo”.

Também sobre o número de jovens vindos de instituições de acolhimento, a comissão considera que o modelo de acolhimento “não foi competente para travar trajectórias de risco e desviantes” e qualifica de “urgente” a necessidade de reflectir e rever os actuais modelos de acolhimento das crianças em risco, mas também do “projecto educativo proporcionado a estas crianças”. Considera a comissão que a estas crianças e jovens devem ser oferecidas “uma alternativa educativa” e “uma proposta que contrarie rotas de vida desviantes”. E isso não está a acontecer.

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Preocupante, para a comissão, é também o facto de muitos dos jovens em centro educativo apresentarem “patologias psicológicas ou psiquiátricas”: são 82 casos no total de 186. Sobre esse ponto, o relatório recomenda a definição de uma estratégia que passe por “promover, em todos os centros, um sistema integrado e continuado de apoio psicológico aos jovens” – o que apenas acontece no centro educativo do Porto.  

A Comissão de Acompanhamento e Fiscalização dos Centros Educativos existe desde que a Lei Tutelar Educativa entrou em vigor em 1999 e o seu mais recente relatório datava de 2012. É composta por magistrados e profissionais de organizações não governamentais (ONG) da área da protecção de crianças, deputadas, uma do PS e uma do PSD, e um representante do Governo, designado pelo titular da pasta da Justiça, e coordenada pela procuradora-geral adjunta do Tribunal da Relação de Lisboa, Maria do Carmo Peralta.

O relatório, agora concluído, de 2015, foi entregue na Assembleia da República na semana passada e deverá ser apresentado na Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias. Descreve a situação encontrada nas várias visitas realizadas, em 2014 e nos primeiros dois meses de 2015, aos seis centros educativos em funcionamento: Bela Vista e Navarro de Paiva (em Lisboa), Padre António Oliveira (em Caxias), Mondego (na Guarda), Santo António (no Porto) e Olivais (em Coimbra). Dois centros foram encerrados: o da Madeira, em 2013, e o de Vila do Conde em 2014.  

Números “impressionantes”
“Estes miúdos vêm de meios sociais muito desfavorecidos. São vítimas da negligência, do abandono e da pobreza”, diz Maria do Carmo Peralta. “Isto começou a ser de tal maneira impressionante, que optámos por ir verificar os números. E quando verificámos os números, vimos que a proporção [dos jovens que vêm de situações de perigo] é muito grande.”

Os jovens em centro educativo têm em comum o facto de terem praticado um acto qualificado de crime quando tinham entre 12 e 16 anos. Abaixo da idade de responsabilização criminal dos 16 anos, cumprem medidas e não penas; vão para centros educativos e não prisões. Mas porque, nalguns casos, os processos demoram, quando chegam aos centros já têm mais de 16 anos. Podem ser-lhes aplicadas medidas em regime aberto, semiaberto ou fechado. E isso depende da idade do jovem e da gravidade do acto.

A medida de internamento em regime fechado só pode ser aplicada a jovens com mais de 14 anos, que tenham cometido um acto qualificado como crime a que corresponderia uma pena máxima acima dos cinco anos – podem ser, por exemplo, ofensas corporais graves, homicídio ou roubo. Em regime semiaberto, ficarão os jovens que cometeram factos qualificados como crime a que corresponda uma pena máxima não superior a três anos.

Clima pacífico e incumprimento
No documento de mais de 100 páginas, que inclui fotografias das instalações dos centros educativos, a comissão reconhece melhorias e “um esforço” para “humanizar” e “adequar os espaços aos programas desenvolvidos”. Também descreve “um clima geral pacífico” nos centros onde os jovens estão vestidos de forma adequada, bem alimentados e em boas condições de saúde. Mas o relatório também acusa o Estado de “não estar a cumprir a responsabilidade muito clara” de “acomodar estes jovens” havendo “muitas instalações a necessitar de intervenções físicas” de modo a poderem cumprir “os objectivos da Lei Tutelar Educativa” e respeitar “os direitos humanos”.

“Têm de existir espaços que façam com que estes miúdos os sintam como seus. E muitos destes espaços são frios”, do ponto de vista humano, diz Maria do Carmo Peralta. “Não chegámos a um ponto do que consideramos serem estas as estruturas necessárias para uma educação para o direito”, explica.

Já no relatório de 2012, e relativamente à avaliação do funcionamento dos centros educativos e da sua acção junto dos jovens, a comissão concluía que não era conhecida “a percentagem de sucesso que a educação para o direito, ministrada nos centros educativos, alcança”. Nesse ponto, o desconhecimento mantém-se.

“A educação para o direito é ensinar estes miúdos a viver em sociedade, a não fazerem asneiras sem caminhos de regresso. É fazer com que consigam, na sua igualdade ou na sua diferença, viver de acordo com a lei e com a ética”, conclui Maria do Carmo Peralta. E apesar de reconhecer “o trabalho positivo nesse sentido” feito por responsáveis e equipas dos centros, a magistrada não está absolutamente segura dos resultados: “Se me perguntam se poderia ser melhor? Podia.”

 

 

 

 

 

 

“Alimentação digna” de casal com dois filhos avaliada em 766 euros por mês

Janeiro 31, 2016 às 10:06 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 26 de janeiro de 2016.

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Romana Borja-Santos

Portugal surge como o 10.º país europeu com um valor mais elevado nesta estimativa. Valor tem em consideração a quantidade de alimentos, mas também a qualidade dos mesmos e algumas actividades sociais.

“Alimentação digna.” Este é o conceito que está na base das contas feitas pelo projecto Rendimento Adequado em Portugal, com o objectivo de chegar ao valor médio mensal para um casal e dois filhos viverem sem dificuldades e darem resposta às necessidades alimentares numa cidade como Lisboa. Para estas contas não entram, por isso, apenas os produtos básicos.

O cálculo tem em consideração a quantidade de alimentos, mas também a qualidade dos mesmos e outros factores, como algumas refeições esporádicas fora de casa e receber amigos. No total, um homem e uma mulher com cerca de 40 anos, uma filha de 14 anos e um filho de 10 anos precisariam de cerca de 766 euros mensais — um valor que aproxima Portugal dos países mais caros.

Os dados foram apresentados ontem por José António Pereirinha, professor do Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade de Lisboa, no âmbito de uma conferência, da organização não governamental Oikos, dedicada à integração de políticas públicas na área da segurança alimentar e apoiada pela Direcção-Geral da Saúde e pelo Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa. O investigador explicou que há dois projectos sobre este tema a decorrer, um de âmbito nacional, mais baseado na percepção de um grupo de mais de 2000 pessoas, e outro integrado com mais países europeus, sobretudo para efeitos de comparação, e que tem como base alguns estudos científicos, contando com a percepção de menos pessoas.

Os valores apresentados fazem parte do trabalho europeu, que olha para o rendimento que os cidadãos precisam de destinar a uma determinada área como aquela que “permite uma participação adequada na sociedade”. Ou seja, explicou José António Pereirinha, os montantes abarcam “tudo o que é necessário para uma pessoa ser saudável, sentir-se segura, relacionar-se com os outros e sentir-se respeitada na sociedade. Deve permitir escolhas livres e informadas”.

O processo para chegar a estes valores é complexo. Por exemplo, no campo da alimentação, antes de ouvir as pessoas, os investigadores determinam as necessidades energéticas, as proporções de macronutrientes e respectivas quantidades e, entre outras coisas, criam planos diários de alimentação que sirvam de modelo.

Solteira? 202 euros…
Além da família com dois filhos, são apresentados valores para um mulher de 40 anos que viva sozinha. Em Lisboa, para uma “alimentação digna” precisaria de 202 euros. Para um homem da mesma idade, o valor seria de 206 euros e para um casal ficaria nos 386 euros. Já uma mulher que viva sozinha com os dois filhos menores gastaria 583 euros e o homem 587. O valor mais elevado, de 766 euros, corresponde ao casal com dois filhos e é o mais frequentemente utilizado nas comparações internacionais. Neste caso da estimativa familiar, só na Dinamarca, Finlândia, Grécia, Luxemburgo, Suécia, Eslovénia, Chipre, Malta e Letónia foram registados valores mais elevados. Pelo contrário, a “alimentação digna” regista os valores mais baixos na Hungria, República Checa, Polónia, Estónia, Letónia e Roménia.

Além do trabalho de José António Pereirinha, a conferência da Oikos discutiu estudos relacionados com a pobreza e a insegurança alimentar em Portugal — uma situação que se agravou após a crise, segundo os dados apresentados por Pedro Graça, director do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável. Números corroborados por Mónica Truninger, investigadora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e coordenadora de um inquérito nacional sobre a insegurança alimentar, que demonstrou que os últimos anos privaram mais famílias de alimentos, com a classe média a mostrar ter tido mais dificuldades em adaptar-se, até por desconhecer os circuitos de apoios sociais.

A Oikos aproveitou o momento para deixar algumas recomendações para os decisores políticos, nomeadamente propondo que se defina um rendimento adequado para que as famílias portuguesas possam escolher uma alimentação saudável. Uma das ideias considera que “uma via possível é a criação de um meio de pagamento electrónico (ex: cartão pré-pago) parcialmente condicionado à satisfação de necessidades alimentares e higiene, privilegiando a compra na agricultura e comércio de proximidade”. De acordo com as propostas da organização, as cantinas sociais e todas as instituições de apoio deveriam ter um papel mais activo nestas mudanças que passariam sempre pela criação de uma Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional que “transponha para o ordenamento jurídico nacional o Direito Humano à Alimentação Adequada a que Portugal já se obrigou internacionalmente”.

 

 

 

Acupuntura reduz dor crónica em crianças

Janeiro 31, 2016 às 8:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Noticia do site http://www.pipop.info de 18 de janeiro de 2016.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

The Use of Acupuncture for Pain Management in Pediatric Patients: A Single-Arm Feasibility Study

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Fonte: Medical News Today
Um grupo de pesquisadores norte-americanos acredita que a acupuntura pode ser usada como um tratamento complementar eficaz e seguro para ajudar a reduzir a dor crónica nas crianças.

As conclusões surgem de uma pesquisa que avaliou os efeitos desta terapia no tratamento da dor crónica em 55 crianças e adolescentes, que tinham entre 7 e 20 anos de idade. Cada criança e/ou adolescente realizou oito sessões de acupuntura, cada uma com uma duração de 30 minutos.

Os cientistas da Universidade Rush, liderados pelo oncologista pediátrico Paul Kent, reforçam que todos os doentes pediátricos relataram uma redução significativa e progressiva da dor no decorrer do tratamento, bem como apresentaram menor incidência de problemas de saúde a vários níveis: emocional, social e educacional.

Num artigo publicado na revista Alternative and Complementary Therapies, a equipa indicou ainda que os efeitos relatados pelas crianças e pelos próprios pais eram mais significativos no início do tratamento e durante as sessões.

Paul Kent sublinha que “a acupuntura oferece uma alternativa importante para o tratamento da dor crónica” e reforça que os efeitos são particularmente relevantes no caso de “pacientes que podem ter de lidar com a dor na maior parte da sua vida, incluindo aqueles que têm anemia falciforme e sequelas de cancro. Além disso, a acupuntura ajuda no combate à ansiedade e depressão”.

 

 

Ensaio Geral Solidário a favor do IAC – Poderá fazer o seu donativo até 3 de fevereiro!

Janeiro 30, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação, Vídeos | Deixe um comentário
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O Instituto de Apoio à Criança convida-o a assistir ao Ensaio Geral Solidário do Programa Reportório / SERENADE / GROSSE FUGE / HERMAN SCHMERMAN / 5 TANGOS, pela Companhia Nacional de Bailado, no próximo dia 04 de Fevereiro, pelas 21H00, no Teatro Camões – Parque da Nações, Lisboa (junto ao Oceanário).

Ao contribuir com um donativo a partir de 12 euros, o Instituto de Apoio à Criança oferece-lhe um convite para assistir ao Programa de Reportório que reúne alguns dos coreógrafos que mais marcaram a História da Dança.

Até ao próximo dia 03 de Fevereiro poderá fazer o donativo através de:

  • Transferência bancária – NIB: 0035 0150 00050589030 90, envio do comprovativo para iac-sede@iacrianca.pt indicando os dados para emissão do respetivo recibo (nome, morada e NIF)
  • Através de cheque à ordem de Instituto de Apoio à Criança
  • Presencialmente, na sede do Instituto de Apoio à Criança – Largo da Memória, nº 14, 1349-045 Lisboa (perto da Igreja da Memória)

Os convites podem ser levantados na sede do Instituto, (Largo da Memória, nº 14, 1349-045 Lisboa, perto da Igreja da Memória), ou enviados por email, sendo imprescindível a sua apresentação no dia do Bailado.

O Instituto de Apoio à Criança é uma Instituição de Solidariedade Social, sem fins lucrativos, com o NIF 501 377 662, a quem foi reconhecido o estatuto de superior interesse social (Despacho conjunto nº823/98, de 9 de Novembro, publicado no Diário da República, II Série, de 27 de Novembro. Os donativos concedidos ao IAC enquadram-se nos Artigos 62º e 63º do Estatuto dos Benefícios Fiscais.

Para mais informações contacte o IAC através de Tel: 21 361 7880 / 913 247 970 ou iac-sede@iacrianca.pt.

Pela Defesa dos Direitos da Criança

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Eduardo Sá: “Os bons filhos são aqueles que nos trazem problemas”

Janeiro 30, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do Observador a Eduardo Sá no dia 25 de janeiro de 2016.

afp getty images

No novo livro, o psicólogo Eduardo Sá faz uma crítica às escolas e aos pais. Avisa que “errar é aprender” e que as crianças não devem ser educadas para se tornarem “modelos normalizados”.

Ana Cristina Marques

“Hoje não vou à escola!”, quantas vezes já ouviu o seu filho dizer isto, logo pela manhã, acabado de sair da cama? No início de mais um ano letivo, o psicólogo clínico e psicanalista Eduardo Sá lança um livro cujo título toma emprestado o protesto infantil. A ideia é explicar que as crianças saudáveis são afoitas, curiosas e que, às vezes, não têm vontade de ir às aulas. “Hoje não vou à escola!“, da editora Lua de Papel, chega esta quinta-feira às livrarias.

Porque “a família é mais importante do que a escola e brincar é, pelo menos, tão importante como aprender”, Eduardo Sá fala dos excessos cometidos no ato de educar uma criança e aponta o dedo tanto a pais como a professores. Defende que, depois de um longo dia de trabalho, é obrigatório que a criança brinque (em vez de se lançar aos trabalhos de casa ditos “XXL”). E, antes de um pai exigir boas notas, deve ensinar ao filho valores como honestidade e humildade.

A crítica às escolas é clara, ao Ministério da Educação também: “Os diversos governos, desde há vários anos — e com todo o respeito — têm gozado com os pais. Fala-se de uma educação para todos e os jardins-de-infância conseguem ser mais caros do que as universidades privadas”. Mas também destaca os longos períodos de aulas e a pouca importância que é dada a disciplinas como educação física e musical. A solução passa, pois, por criar, em conjunto, um sistema educativo onde as crianças fujam para a escola em vez de fugir dela.

Mas o também professor da Universidade de Coimbra e do ISPA, além de autor de livros virados para a saúde familiar e educação parental, deixa ficar ainda o aviso: os pais não devem viver em função da agenda social dos filhos. A consequência pode resvalar para um divórcio a prestações, até porque o mais importante na vida, diz, são as relações pessoais. “Pais mal-amados, por melhores pessoas que sejam, são sempre piores pais”.

A escola é, como diz no livro, “o mundo secreto onde os nossos filhos habitam”. O que quer dizer com isso?

Eu tenho medo que estejamos a fazer das crianças uma super produção dos pais, mais do que propriamente dar espaço para elas possam crescer. Preocupa-me, em primeiro lugar, que não tenhamos uma ideia precisa da mais-valia que representa o jardim de infância. Que os pais imaginem que se trata de uma espécie de atelier de tempos livres, das 9 às 17h, e não o vejam como instrumento indispensável a todo o crescimento: tem mais-valias a nível do corpo, da sensibilidade, da expressão… Um bom jardim-de-infância é meio caminho andado para uma escolaridade tranquila. Depois, as crianças não precisam de estar tanto tempo na escola para aprenderem. Mais tempo de escola não é, obrigatoriamente, melhor tempo. Pelo contrário, as crianças precisam de muito mais tempo de recreio. Crianças mais empanturradas em conhecimento são crianças que pensam menos. Temos de perceber o que queremos, efetivamente, da escola. Se queremos, ou não, uma linha de jovens tecnocratas de sucesso. Acho ótimo que possamos ir por aí, mas jovens assim não são pessoas singulares, são produtos normalizados. E era muito bom que as pessoas percebessem que aquilo que se fala aí pomposamente como mercado vai escolher as pessoas singulares, criativas.

Trata-se de conhecimento em detrimento do pensamento?

Continuamos a favorecer um sistema educativo que premeia fundamentalmente os miúdos que repetem aos que recriam. É um bocado esquizofrénico, quase, porque nós castigamos os que copiam e premiamos os que repetem como se as duas coisas não fossem faces de uma mesma moeda. Temos de pensar muito bem que tipo de estratégia queremos para que as crianças, ao mesmo tempo que aprendem, sejam capazes de ser afirmativas e sensíveis. Depois, é fundamental que se perceba que a família é mais importante do que a escola e que brincar é, pelo menos, tão importante como aprender.

Que equilíbrio sugere entre brincar e trabalhar?

A partir do momento em que as crianças chegam a casa, estão obrigadas a brincar. Brincar faz bem à saúde e é obrigatório brincar todos os dias. É natural que, se as crianças chegam tarde a casa, os pais queiram despachar os trabalhos e utilizem a fórmula “primeiro fazes os trabalhos de casa, depois brincas”. Devia ser ao contrário, porque assim descontraem.

Qual o papel do pai na aprendizagem de um filho?

Os pais deviam ser a verdadeira entidade reguladora das escolas. Há pais que se anulam perante algumas atitudes muito pouco sensatas de professores, seja em relação aos trabalhos de casa, a comentários ou até estratégias pedagógicas. Não gosto de pais que se intrometem de forma abusiva na vida da escola, mas também parece grave que haja aqueles que se anulem. É importante que nós assumamos que a escola tem um tempo que deve ser gerido, no essencial, pelos professores e deve ter nos pais uma entidade reguladora fantástica. Depois, é preciso fazer o resto: porque à parte de todos aqueles tempos, para além do razoável, muitas vezes as crianças chegam a casa e ainda têm não sei quantas atividades extracurriculares; muitas têm trabalhos de casa em formato XXL.

É uma crítica tanto ao professor como ao pai?

Também. Trabalhos de casa em formato XXL, que se fazem entre o banho e o jantar, já com as crianças muito cansadas…pergunto-me qual será a mais-valia ou o objetivo deles. A maior parte dos trabalhos de casa são uma forma rápida para que as crianças passem a ter um ódio de estimação pela escola. Não sou radicalmente contra os trabalhos de casa, mas era bom que o trabalho fosse ir ao supermercado com a mãe, ou com o pai, e fazer os trocos (e outras coisas do género). Ou seja, trazermos a escola da vida para dentro da escola. Acha que as crianças vão aprender com os trabalhos de casa aquilo que não aprenderam na escola?

Nestas circunstâncias, o que pode um pai exigir de um filho?

O pai deve começar por exigir que o filho seja honesto e humilde, algo que, muitas vezes, não o faz. A humildade é uma coisa que faz muito bem à saúde, porque ajuda-nos a aprender com os erros. Tenho medo que estejamos a criar um mundo francamente batoteiro, que torna as crianças debilitadas em relação à frustração. Nós, às vezes, somos poucos tolerantes para com os erros das crianças e esquecemo-nos que errar é aprender. Depois de as crianças serem honestas e humildes, acho importante que elas sejam afoitas, mas que, ainda assim, estejam autorizadas a errar. Uma criança que não erra não é um bom aluno, é uma criança que se vai fragilizando à conta de boas notas.

O que seria, então, uma escola ideal?

Não é preciso ser uma escola ideal. Uma escola onde as crianças tivessem, sobretudo, aulas de manhã, seria uma boa escola (somos animais com ritmos biológicos muito precisos e aprendemos em função deles; somos mais inteligentes de manhã do que a seguir à hora de almoço). Uma escola que tivesse, inevitavelmente, recreios maiores e onde a parte da tarde fosse preenchida com atividades que ajudem as crianças a serem expressivas, como educação física ou expressão dramática. Se as crianças não forem expressivas, não sabem pensar. É muito bom que as pessoas tenham noção disso, que vivemos num mundo estranho onde o número é mais credível do que a palavra; a nossa saúde mental depende do bom uso que fazemos da palavra.

Eu adoraria que nós fossemos capazes de, em conjunto, organizar um sistema educativo onde as crianças fugissem para a escola. Os diversos governos, desde há vários anos — e com todo o respeito — têm gozado com os pais. Fala-se de uma educação para todos e os jardins-de-infância conseguem ser mais caros do que as universidades privadas. E os livros, os livros, custarem aquilo que custam… Só governos que andam absolutamente distraídos face à realidade e que não têm noção do que é ter filhos entre os zero e os dez anos.

Por que razão escreve que os bons filhos não são os que tiram melhores notas?

As crianças saudáveis não têm 5 a tudo. Ao contrário do que os pais pensam, as crianças saudáveis são acutilantes, curiosas, têm a vista na ponta dos dedos e perguntam “porquê”. É tão estranho que as crianças, até entrarem nas escolas, estejam constantemente na idade dos “porquê” e, assim que entram, parecem sair precipitadamente dela — a escola devia ser quem mais incentiva o “porquê”. Os pais devem, no fundo, ter a noção de que as crianças saudáveis podem não perceber de uma matéria, gostar dela ou até não gostar de um professor. Eles não podem aceitar a ideia de que crianças saudáveis são as que têm sempre um comportamento irrepreensível. Isso não é razoável, nada na vida é assim. Os bons filhos são aqueles que nos trazem problemas, porque nós aprendemos à medida que os resolvemos. Às vezes, os pais parecem criar os filhos na expetativa que estes não lhes deem problemas — crianças que não o fazem são, invariavelmente, adultos infelizes. Não tenho nada contra os alunos que tiram boas notas, mas gostava que os pais fossem igualmente exigentes. Isto é, que quisessem muito que os filhos tivessem boas notas na escola, como filhos, como colegas, irmãos, netos…

Costumo dizer, tentando ser provocatório, que tornamo-nos pais com o segundo filho. Com o primeiro mistura-se tudo: a infância que tivemos e a que queríamos ter tido. Os filhos mais velhos passam sempre muito, porque, às vezes, os pais colocam expetativas exorbitantes sobre eles — mais parecem viver confinados a um guião. Se calhar não é por acaso que os filhos mais velhos são os “certinhos oficiais” de uma família e os mais novos são os rebeldes. Preocupa-me que não se dê espaço para ser-se filho e ser-se criança. É inquietante e estúpido. Crescer é uma receita razoavelmente simples: dar o mais possível de colo, um q.b de autoridade e o mais possível de autonomia.

As crianças estão cada vez menos autónomas?

Sim, estão. E as crianças autónomas são expeditas, afoitas, sentem, pensam e fazem. Passividade e paixão não casam.

Os pais sofrem por antecipação pelo facto de os filhos irem para a escola?

Sofrem, porque eles dão mais importância à escola do que esta merece. A escola é fantástica, mas os pais têm de perceber que é fantástica por vários motivos: pelo que se aprende nas aulas, no recreio e no caminho para a escola. Há pais que, cada vez mais, preferem que os filhos entrem na escolaridade obrigatória aos sete anos para que os meninos tenham mais um ano para serem crianças; acham que a infância acaba quando os filhos entram na escola, o que diz tudo. Portanto, as crianças saudáveis são aquelas que, às vezes, se levantam e dizem “hoje não vou à escola”.

Qual a importância da vida social para uma criança?

Acho uma delícia quando os pais recomendam aos filhos (mais velhos) para ter cuidado com os namoros. Primeiro está o namoro e, depois, a escola. A vida ocupa espaço. Namorar é das coisas que ocupa mais tempo, bem como as relações de amizade; aquilo que é importante na vida são as relações pessoais. É ótimo que os pais deem importância à vida social dos filhos, mas que não se intrometam nela. É grave quando os pais, à custa da vida social dos filhos, não tenham fins de semana. Mais importante são as relações amorosas dos pais. A agenda social dos filhos ajuda a que, muitas vezes, estes se divorciem. E pais mal-amados, por melhores pessoas que sejam, são sempre piores pais.

Há pais que se anulam neste processo?

Há. Claro que a fatura vem logo a seguir. Isto é como na política, nunca há almoços grátis. Há pais que prescindem de uma vida para serem unicamente pais. É um divórcio a prestações.

Voltando à sala de aula, o que é uma criança hiperativa?

Acho que a Direção-Geral de Saúde devia fazer uma campanha pública porque parece existir uma epidemia atípica. Acho importante que constatemos as dificuldades das crianças, mas que não nos ponhamos a medicar com mão leve como se elas tivessem de ser irrepreensíveis.  Uma criança com várias horas de aulas, poucas de recreio e pouca atividade física é seguramente mais distraída. Isso significa que ela tenha algum defeito ou que, na sua ingenuidade, os pais e os professores, pela má gestão que fazem, vão contribuindo para essa dificuldade? Preocupa-me muito que, em Portugal, as crianças tenham cada vez menos atividade física e preocupa-me ainda mais que haja ministros da Educação e ministérios que achem que a educação física seja uma disciplina de classe B, quando comparada com a matemática ou o português — não me choca nada que se possa reprovar o ano com negativa a educação musical e a educação física. Acho que estas pessoas não deviam ser ministros da Educação. O Ministério da Educação, nestas circunstâncias, devia fechar para balanço. As crianças que têm mais atividade física pensam melhor e são mais atentas. Há turmas em colégios de Lisboa em que se contam pelos dedos das mãos as crianças que não estão medicadas, como se isto não tivesse efeitos secundários.

Que tipo de consequências estamos a falar?

Aquilo que parece uma mais-valia, a longo prazo é uma limitação.

 

 

 

Obesidade infantil: onde os pais erram

Janeiro 30, 2016 às 10:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto da http://www.deco.proteste.pt de 25 de janeiro de 2016.

obesidade-infantil-onde-os-pais-erram

Um inquérito a 637 portugueses com filhos com menos de 10 anos revela que muitos controlam demasiado o consumo de alimentos menos saudáveis, forçam a comer e premeiam com comida. Atitudes como estas podem dificultar o controlo do peso.

Pensa que o seu filho come pouco e insiste para que limpe o prato, como metade dos inquiridos? Este comportamento pode levar a criança a criar o hábito de não deixar comida, seja qual for a quantidade, e, assim, ter problemas de peso no futuro. Muitos dos comportamentos que adotamos no dia-a-dia de forma não consciente podem contribuir para que os nossos filhos interiorizem ideias que dificultam o controlo do peso, tanto no presente como no futuro.

Usar a comida sistematicamente como prémio ou castigo (“se não fizeres birra, dou-te um chocolate” ou “se não comeres tudo, não tens sobremesa”) e proibir com rigidez os alimentos que mais agradam às crianças são atitudes a evitar. Estas contribuem para uma relação pouco saudável com a comida e para o excesso de peso. “As crianças frequentemente recompensadas com comida aprendem a vê-la como gratificação, podendo mais tarde utilizá-la como mecanismo compensatório”, explica André Ferreira, psicólogo clínico no hospital de Évora. O mesmo se aplica aos casos em que os alimentos são utilizados para regular as emoções, como tristeza e ansiedade.

O estudo mostra que os pais demasiado restritivos, que controlam ao pormenor a alimentação das crianças, impedindo a ingestão de alimentos menos saudáveis, como batatas fritas e guloseimas, são também os que têm filhos mais gordinhos. Segundo André Ferreira, “o comportamento restritivo por parte dos pais poderá tornar as crianças mais suscetíveis à ingestão dos alimentos hipercalóricos alvo da restrição”. O psicólogo indica ainda que, “quanto maior for restrição e maior a apetência das crianças pelos alimentos restringidos, mais dificuldade estas terão em regular o seu comportamento alimentar” na ausência dos pais. O segredo está no equilíbrio.

Os mais pequenos aprendem sobretudo com o exemplo dos mais velhos. De nada vale explicar que não se podem comer bolachas antes do jantar, se vai petiscando enquanto prepara a refeição ou devora um chocolate quando está mais ansioso.

Prevenir de pequenino

O controlo do peso das crianças começa na gravidez, através da alimentação variada e equilibrada da mãe. Depois, o leite materno, além de outras virtudes, também ajuda neste aspeto. Seis em cada 10 inquiridos afirmam que os filhos foram amamentados durante, pelo menos, seis meses, como recomenda a Organização Mundial de Saúde. Os inquiridos que referem que os seus bebés não beberam leite da mãe (13%), tendencialmente, têm filhos mais pesados.

Após os 2 anos, a maioria faz 4 ou 5 refeições por dia (em geral, recomendam-se 5). No entanto, cerca de 17% dos inquiridos afirmam que os filhos não fazem as 3 refeições principais todos os dias. As falhas mais frequentemente referidas são os almoços (14 por cento). A sopa, parte essencial para equilibrar as refeições, faz parte do menu, pelo menos, 5 dias por semana, dizem 79% dos pais que nos responderam. Uma boa prática, a manter para a vida.

Mais de metade dos pais afirma que os filhos comem uma grande variedade de alimentos, mas 23% confessam ter dificuldade em fazê-los provar algo que nunca tenham comido; sensivelmente a mesma percentagem afirma que os pequenos decidem que não gostam sem provar. A bem da educação alimentar, é importante expor as crianças a variados sabores e texturas desde cedo. Por vezes, os pais têm de ser “mais diretivos”, diz André Ferreira, mas “a forma como os alimentos são apresentados às crianças também pode influenciar a sua vontade de comer, pelo que mais do que forçá-las a ingerir os alimentos, pode ser necessário repensar a apresentação dos mesmos”, acrescenta. Veja algumas ideias no nosso projeto Fica na Linha.

Os hábitos alimentares (bons e maus) adquirem-se nos primeiros anos de vida, com a ajuda e o exemplo dos pais. Eis algumas dicas:

  • enquanto são bebés, não lhes dê leite e papa em excesso;
  • durante a infância e a adolescência, não insista para que ingiram grandes porções;
  • não salte refeições e explique aos seus filhos que não devem fazê-lo.;
  • reserve tempo suficiente para comer com calma;
  • crie o hábito de consumir fruta e legumes;
  • durante as aulas incentive as crianças a comer na cantina. As suas ementas são preferíveis a uma refeição rápida na bar.

Inquietação por comer pouco

A grande maioria dos inquiridos afirma não haver problemas alimentares entre a sua prole. Quem revela dificuldades neste domínio (15%) indica sobretudo que as crianças comem pouco. Contudo, quando se lhes pergunta se os filhos têm peso a mais, 37% respondem afirmativamente.

Comer a menos na ausência dos pais preocupa mais inquiridos do que comer de mais, embora um terço dos inquiridos tenha receio de que os filhos se tornem obesos quando crescerem. Os distúrbios alimentares, como anorexia e bulimia, e as doenças relacionadas com a alimentação, como diabetes e problemas cardiovasculares, também inquietam mais de 30% dos pais.

Com maior ou menor preocupação dos progenitores, as crianças passam uma média de duas horas em frente ao ecrã da televisão ou dos videojogos. Além de eventuais problemas para os olhos, esta (in)atividade é uma conhecida causa dos quilos em excesso. Mais: um terço dos pais indica que os filhos não praticam exercício físico fora da escola. Talvez os inquiridos não se tenham lembrado de que correr ou jogar à bola no parque também é atividade física, mas o número merece reflexão.

 

 

Que Histórias Ler em Cada Idade

Janeiro 30, 2016 às 8:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://www.fabulasecontos.com

historias

 

Uma das grandes preocupações de pais,a avós e educadores e selecionar contos de fadas e fábulas que sejam adequados à idade de cada criança.

Deixamos aqui algumas dicas encontradas no maravilhoso blog da Terapeuta Ocupacional Infantil Johanna Cordeiro Melo Franco, onde poderá também encontrar imensas atividades para os mais pequenos!

Entre um ano e meio e três anos

Nas crianças menores,entre os brinquedos livros de papelão, plástico ou pano, contendo gravuras que permitirão a criança explorar o ambiente pelo tato e nomear os objetos.

Até os 3 anos

O enredo deve ser curto, contendo humor e mistério, com repetição dos elementos para a manutenção de sua atenção.As crianças assimila melhor enredos com crianças, bichinhos, brinquedos ou animais com características humanas, ou seja, que falam e têm sentimentos.

Dos 3 aos 6 anos

As histórias devem abusar da fantasia com reviravoltas no enredo e também de crianças ou animais como personagens. Os contos de fada são imbatíveis.

Aos 7 anos

Leia aventuras em ambientes conhecidos, como a escola, o bairro, a família. As fábulas continuam em alta. Revistas em quadrinhos.

Aos 8 anos

As fantasias mais elaboradas (Mágico de Oz, Alice no País das Maravilhas, Harry Potter) são ideais.

A partir dos 9 anos

Histórias de explorações, viagens, as invenções, os enredos humorísticos prendem a atenção, assim como os contos de mitos e lendas.

Fonte: http://johannaterapeutaocupacional.blogspot.com.br

 

Falta de mimo causa “cérebros mais pequenos” nas crianças

Janeiro 29, 2016 às 10:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da TVI24 de 29 de janeiro de 2016.

visualizar o vídeo da notícia no link:

http://www.tvi24.iol.pt/videos/sociedade/falta-de-mimo-causa-cerebros-mais-pequenos-nas-criancas/56aa19970cf21a5b7b001f19

tvi

Crianças que são institucionalizadas antes dos dois anos perdem ligações cerebrais. O mesmo pode acontecer com as crianças vítimas de maus-tratos. Falta de afeto prejudica a arquitetura cerebral de forma irreversível. Conclusões de uma conferência que reuniu especialistas do desenvolvimento da criança.

 

Crescer. As crianças portuguesas são das que têm menos liberdade no dia-a-dia

Janeiro 29, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do i de 12 de setembro de 2015.

Filipe Casaca

Não vão sozinhas para a escola e são quase sempre os pais que as levam de carro. Não saem de casa à noite. Não vão brincar para o parque. Que adultos serão no futuro?

Há 30 anos as crianças portuguesas começavam a ir para a escola sozinhas com oito ou nove anos. Agora, só aos 12 é que os pais lhes dão carta branca, mas a maioria vai mesmo de carro, embora vivam quase sempre a menos de meia hora da escola. Poucos são os que saem de casa à noite e, ao fim-de-semana, dominam as idas às compras e as visitas a familiares mais do que as idas ao parque com adultos ou amigos da mesma idade.

Podia ser apenas um sinal dos tempos, mas um estudo coordenado pelo think tank Policy Studies Institute (PSI) concluiu recentemente que as crianças portuguesas são das que têm menos liberdade no dia-a-dia. Em 16 países analisados, Portugal surge em 14.o lugar a par da Itália e só atrás da África do Sul. Quem trabalha com crianças não estranha, mas não hesita em apontar consequências que os pais devem ter em conta na hora de tentar controlar tudo: crianças pouco autónomas são menos despachadas, mais inseguras, menos tolerantes e até podem chegar a adultos com défices ao nível motor e emocional. 

A análise do PSI, que em Portugal contou com a colaboração de uma equipa de investigadores da Faculdade de Motricidade Humana, foi divulgada este Verão. Em altura de regresso às aulas, um dos autores do trabalho, Carlos Neto, defende ao i que os resultados devem dar que pensar e apela a uma mudança por parte dos pais portugueses. Segundo o especialista, há receios exagerados que depois passam inseguranças aos filhos e os acompanham pela idade adulta, ainda que o efeito se note logo em pequenos.

“As crianças que não são confrontadas com o risco são as que estão mais propensas a ele”, diz o investigador numa entrevista que pode ler nas páginas que se seguem.
O investigador tem uma expressão para a sociedade de medo em que pais e crianças passaram a mover-se: o terrorismo do não. E avisa que as consequências a longo prazo podem ser significativas, já que crianças que não arriscaram e nunca lidaram com desafios na idade certa terão mais dificuldades em ser adultos empreendedores no futuro.

O tesouro dos pais Rita Jonet, psicóloga educacional no externato “O Nosso Jardim”, em Lisboa, admite que não estava à espera de uma posição tão na cauda na comparação internacional sobre autonomia das crianças, mas diz que os sinais são visíveis há muito.“Os pais estão cada vez mais protectores em relação às crianças”, diz a especialista.

Quanto às raízes deste problema, a psicóloga admite que estarão mesmo na crise de natalidade que o país vai atravessando. “Os pais focam-se no único filho que têm, é o tesouro deles e não arriscam.” E isso leva a outro problema que poderá explicar por que motivo as crianças em Portugal têm pouca liberdade nas idades mais novas: “O filho deles é a coisa mais preciosa mas não se importam muito com as outras crianças. Existe uma baixa cultura de considerar as crianças como pessoas como acontece nos países mais desenvolvidos, nomeadamente nos países nórdicos”, diz Jonet.

É precisamente a Finlândia que lidera o ranking dos países em que as crianças têm maior autonomia em termos de mobilidade, seguida da Alemanha. E curiosamente é nestes dois países que os pais concordam menos com a ideia de que outros jovens e adultos nas redondezas são motivos para recear que as crianças brinquem na rua sozinhas. Em Portugal, quase 50% dos pais inquiridos tem esta preocupação e nesses países só dois em cada dez a expressaram no estudo do Policy Studies Institute. 

Mas além da ausência de um sentido de comunidade, o próprio meio urbano pode fazer parte da equação. Carlos Neto diz que as cidades são pouco amigas das crianças, com poucos espaços de lazer. O pediatra Mário Cordeiro tem a mesma opinião. E acredita que mais do que a probabilidade rara de as crianças serem atraídas por predadores, que leva a algum excesso de zelo por parte dos pais, há efectivamente problemas no espaço urbano: “Os prédios não têm espaços livres comuns (pátios, jardins, logradouros) e a rua pode ser perigosa por causa do trânsito”, diz. Para o especialista, isto e o conforto do “não” são razões evidentes para aquilo que chama sedentarismo claustrofóbico. “Estar em casa, sobretudo com uma consola ou um computador nas mãos, é meio caminho andado para não darem maçadas e estarem tranquilos e sossegados, sem fazerem birras nem precisarem de investimento dos pais”, diz.

Vencer o medo Segundo o estudo do Policy Studies Institute, o maior receio por parte dos pais é que os filhos sejam atropelados. Já as crianças têm receio do que lhes poderão fazer os “estranhos” mas também de se perderem ou serem vítimas de bullying. 

Mário Cordeiro defende que os medos devem ser contrariados, mas não há receitas fáceis. A autonomia e liberdade dependerá da criança, temperamento, maturidade e grau de responsabilização. Aos poucos, e conhecendo os filhos, os pais poderão ir introduzindo as várias experiências de autonomia, recomenda. “Seja o caminho de e para a escola, ir comprar coisas ao lado de casa, brincar com amigos que morem ao pé”, exemplifica.

Para Carlos Neto, tornar as escolas, nomeadamente os recreios, um espaço de maior experimentação é outra frente de ataque. Para o especialista, uma escola que reconhecesse mais a necessidade do risco para se aprender e crescer teria melhores resultados de que uma cultura de hipervigilância que se tende a instituir para dar resposta às inquietudes dos pais e evitar chatices nos recreios.

Rita Jonet sente esse braço de ferro entre o que lhe sugere a pedagogia e os receios dos pais, mas acredita que há forma de dar a volta mostrando bons resultados às famílias. No externato onde trabalha, começaram há uns anos a fazer uma experiência com os alunos da terceira classe, portanto aos oito anos. Têm uma actividade que consiste em dar recados a este alunos para fazerem na rua, por exemplo comprar maçãs. “Vão em pequenos grupos, acompanhados por alunos do 4.o ano”, explica. “A ideia é que conheçam o bairro e se desenvencilhem.” 

Segundo a psicóloga, se ao início os pais eram cépticos, hoje a maioria autoriza a aventura. Para Rita Jonet, só este tipo de intervenções permitirá que as crianças não cresçam só “grandes cabeças” com dificuldades sociais. “São crianças que vivem num mundo tão pequeno que por vezes, quando vamos a uma visita de estudo, sinto que se vêem alguém mais diferente têm uma reacção pouco natural, olham mais de lado”, diz a psicóloga, alertando para  um contraconsenso de que por vezes os pais não se apercebem. “Dizem não a experiências que os podem fazer crescer mas para jogos, gadjets e horas de ir dormir muitas vezes não existem tantas limitações.”

Se o sedentarismo e a consequente epidemia da obesidade são perigos conhecidos, Mário Cordeiro chama também atenção para o lado humano.“A ecrã-dependência, o sedentarismo, o isolamento, a transformação das relações sociais em páginas de Facebook são uma pena não apenas pela parte física mas pela desumanização das crianças e pelo aumentar do hiato entre o ser humano e a Natureza e o exterior”, diz. 

Mas se as razões espirituais não chegarem, que os pais pensem em coisas práticas. “Brincar no exterior ajuda muito a ter menos infecções, a ganhar defesas imunológicas e autonomia psicológica. Ajuda a crescer em todos os sentidos, enquanto estar sempre em casa, bloqueado num bunker, estiola e faz regredir, inclusivamente do ponto de vista intelectual.”

 

 

 

 

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