Cada vez mais crianças usam a internet, um “instrumento para adultos”

Dezembro 11, 2017 às 2:33 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , ,

Notícia da http://rr.sapo.pt/ de 11 de dezembro de 2017.

Relatório sobre o mundo digital revela que os mais conectados têm entre 15 e 24 anos. Os jovens africanos são os menos ligados.

“A internet foi projectada para adultos, mas é cada vez mais usada por crianças e jovens”. O alerta chega da UNICEF, no dia em que divulga o relatório “Situação Mundial da Infância 2017: as crianças num mundo digital” (The State of the World’s Children 2017: Children in a digital world).

Segundo o documento, um terço dos utilizadores da internet são crianças, mas muito pouco é feito para as proteger dos perigos do mundo digital.

“Correm alguns perigos, sobretudo quando não têm acompanhamento nem estão sensibilizadas para os perigos que a Internet apresenta”, refere na Renascença Beatriz Imperatori, directora-executiva da UNICEF Portugal.

“Não nos podemos esquecer que a internet, quando foi criada, foi como um instrumento para adultos e foi evoluindo livremente, mas hoje em dia há uma grande fatia – quase 30% – dos utilizadores que são crianças”, destaca.

Nesse sentido, afirma, “há que repensar algumas das interacções que são feitas com crianças, a forma como são feitas, a protecção que é dada e a segurança em que as próprias crianças navegam, estão na internet e lá interagem”.

Onde fica a segurança?

O envolvimento de governos e do sector privado é fundamental para a segurança das crianças no mundo digital.

Por exemplo, “todas as entidades privadas, as principais empresas de tecnologia e os fornecedores de comunicação” devem produzir “instrumentos de protecção para as crianças”, defende Beatriz Imperatori.

O relatório explora os benefícios trazidos às crianças pela tecnologia digital, como mais acesso à informação, desenvolvimento de competências e ligação com outras pessoas, mas também os perigos, como o uso indevido das suas informações pessoais, o acesso a conteúdos prejudiciais e o “cyberbullying”.

Avisa ainda que as redes digitais, como a chamada “Deep Web”, e as criptomoedas, como as “bitcoin”, são facilitadores das piores formas de exploração e abuso, incluindo o tráfico e o abuso sexual infantil “feito sob encomenda online”.

Além de sugerir que todas as crianças tenham acesso a recursos online com qualidade e a um custo acessível, o relatório recomenda a protecção das crianças face aos perigos da internet, a protecção da privacidade e identidade e o ensino sobre literacia digital para as manter informadas, envolvidas e seguras online.

Os jovens entre os 15 e os 24 anos são os mais conectados: estima-se que 71% estejam online em todo o mundo, contra os 48% da população total.

E nos telemóveis?

Beatriz Imperatori lembra que a massificação dos telemóveis também veio acrescentar perigos, pois são aparelhos que permitem a criança aceder a um mundo mais difícil de ser acompanhado e monitorizado pelos pais. “Mais dificilmente podem perceber onde as crianças estão e com quem estão a contactar; que ambiente é que estão a viver”, alerta.

“Aquela cultura do quarto onde os miúdos estão sós com o seu telemóvel, que acedem não sabemos a que conteúdos nem com quem falam, tornam esta relação muito mais distante de todos aqueles de quem dependem e que obviamente têm uma palavra a dizer”, salienta a representante da UNICEF em Portugal, apelando a um maior acompanhamento por parte dos pais. “Não quero dizer controlar no pior sentido”, ressalva.

Desigualdades do mundo digital

No relatório que a UNICEF apresenta como o seu “primeiro olhar abrangente” sobre como a tecnologia digital está a afectar a vida das crianças, as perspectivas de futuro, os perigos e as oportunidades, o organismo da ONU alerta também para a desigualdade que existe no acesso à tecnologia.

“Há outro lado muito importante do estudo que eu acho que vale a pena salientar e que é: ao mesmo tempo que a tecnologia é uma oportunidade pode ser uma ameaça, mas nos países em desenvolvimento, neste momento, o que vemos é que as crianças com menos possibilidades de aprendizagem são também aquelas que têm menos literacia digital. Mais uma vez estão a ficar para trás”, destaca a directora-executiva da UNICEF Portugal.

Um terço dos jovens no mundo (346 milhões) não estão online e os africanos são os que menos estão ligados, com três em cada cinco afastados das novas tecnologias associadas à internet. Em comparação, na Europa apenas estão offline três em cada 75 jovens.

Além disso, perto de 56% de todos os sites têm conteúdos exclusivamente em inglês, o que leva a que muitas crianças não consigam encontrar “conteúdo que entendam ou que lhes seja culturalmente relevante”.

Onde fica a segurança?

Mais de nove em cada 10 endereços electrónicos sobre abuso sexual infantil identificados em todo o mundo estão hospedados em cinco países: Canadá, França, Holanda, Federação Russa e Estados Unidos.

“Cada vez mais vivemos sob uma influência digital e as crianças, que são muito permeáveis, crescem rodeadas de novas oportunidades, mas também de ameaças –ambas cada vez em maior número”, afirma Beatriz Imperatori, directora executiva da UNICEF Portugal, citada no comunicado sobre o relatório.

“Cabe aos governos, aos pais e também à sociedade em geral tornar o meio online mais seguro, para que as gerações futuras tirem o melhor partido possível desta que é parte integrante das nossas vidas – a tecnologia digital”, acrescenta.

Já o director da UNICEF, Anthony Lake, salienta o “duplo desafio” de mitigar os perigos da internet e maximizar os benefícios para as crianças.

“As políticas, as práticas e os produtos digitais devem reflectir melhor as necessidades, as perspectivas e as vozes das crianças”, defende.

Esta segunda-feira, a UNICEF comemora 71 anos. O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, recebe um grupo de crianças, que lhe vão deixar simbolicamente a Convenção sobre os Direitos da Criança, anunciou a organização.

[Notícia actualizada às 10h30]

mais informações no relatório da Unicef:

Situação Mundial da Infância 2017 – As crianças no mundo digital

 

 

Anúncios

Guterres diz que futuro do mundo está nas mãos das crianças e lembra os seus direitos

Novembro 25, 2017 às 5:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

Notícia do http://observador.pt/ de 20 de novembro de 2017.

LUSA

O secretário-geral da ONU disse num discurso para celebrar o Dia Mundial da Criança que é nas mãos destas que está o futuro do mundo e a comunidade global não pode continuar a falhar com as crianças.

O secretário-geral da ONU disse esta segunda-feira num discurso para celebrar o Dia Mundial da Criança que é nas mãos destas que está o futuro do mundo e a comunidade global não pode continuar a falhar com as crianças.

“O futuro do nosso mundo está nas mãos das crianças. Mas não podemos esquecer que o futuro das crianças está nas nossas mãos. Não há responsabilidade maior do que essa, ou trabalho mais importante”, disse António Guterres.

O secretário-geral da ONU falava numa cerimónia organizada pela Unicef para marcar o Dia Mundial da Criança, celebrado a 20 de novembro para marcar o aniversário da adoção da Convenção dos Direitos da Criança.

“Como secretário-geral, faz parte do meu trabalho encontrar-me com algumas das pessoas mais ponderosas e importantes do mundo. Mas nenhuma dessas pessoas é tão importante, ou inspiradora, como as crianças que conheço”, disse o português, acrescentando que queria falar diretamente para as crianças da sala.

“Queridas pessoas jovens, o futuro do nosso planeta, a paz futura do nosso mundo está nas vossas mãos. Tenho pena de dizer que nós, adultos, apesar de tentarmos, estamos a desiludir-vos. Milhões de meninos e meninas estão em perigo, e estamos a falhar para com eles”, disse António Guterres.

O responsável lembrou as crianças que fogem de conflitos em todo o mundo, que passam fome, que não têm acesso a cuidados médicos, que foram separadas dos pais, que vivem em campos de refugiados, que são vitimas de ‘bullying’, que sofrem discriminação devido à cor da sua pele, religião, ou etnia e até aqueles são explorados por adultos.

“Tudo isto é completamente inaceitável. Como comunidade global, não podemos continuar a falhar com as nossas crianças. Por isso, fica aqui o meu compromisso: não vou poupar esforços para garantir que a ONU trabalha todos os dias, todas as horas, todos os minutos, em defesa dos vossos interesses, e a UNICEF estará na linha da frente desse trabalho”, garantiu.

Lembrando que “todas as crianças têm direito a uma infância segura, saudável e em paz para desenvolver o seu potencial”, Guterres disse ainda que quer ouvir as sugestões das próprias crianças.

“Que tipo de mundo desejam? Quero ouvir as vossas ideias e sonhos para o futuro. Sempre que conheço crianças, sobretudo aquelas que vivem nas situações mais pobres e desesperantes, sofrendo dificuldades terríveis, elas nunca deixam de me inspirar com os seus sorrisos, a sua visão e a sua esperança. Num mundo que parece sem esperança tantas vezes, precisamos da esperança das crianças mais do que nunca”, concluiu o secretário-geral.

 

 

Quando ir à escola é um risco, a UNICEF responde com soluções criativas

Novembro 20, 2017 às 4:59 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Estudantes cingalesas a caminho da escola. Pelo caminho, têm de atravesar uma tábua colocada sobre a muralha do Forte de Galle (séc. XVI), na costa sudoeste do Sri Lanka
Vivek Prakash / Reuters

Notícia do http://expresso.sapo.pt/ de 20 de novembro de 2017.

Margarida Mota

Uma ponte partida, um rio revolto, já para não falar em situações de guerra, são obstáculos suficientemente fortes para demover as crianças de irem à escola. No Dia Universal dos Direitos da Criança – a educação é um deles –, que se assinala esta segunda-feira, a UNICEF revela ao Expresso alguns projetos em curso para contornar essas armadilhas.

r à escola é, para milhões de crianças em todo o mundo, um verdadeiro desafio à sobrevivência. Faz-se, muitas vezes, através de pontes esburacadas, de rios com a água pelos joelhos ou por trilhos montanhosos ladeados por escarpas íngremes.

“A UNICEF trabalha com parceiros no terreno para garantir escolas e percursos seguros”, diz ao Expresso Lisa Bender, especialista na área de Educação em Situações de Emergência da UNICEF. “Há cada vez mais soluções inovadoras ao serviço de uma educação de qualidade.”

Em Madagáscar, por exemplo, esta agência das Nações Unidas, que trabalha em defesa dos direitos das crianças, forneceu bicicletas e canoas a adolescentes do sexo feminino que vivem em zonas rurais e para quem a lida da casa é prioritária em relação aos estudos. Para muitas meninas, as horas do dia não chegam para tudo o que têm em mãos. Com um recurso tão simples como uma bicicleta, vão e vêm da escola muito mais rapidamente, deixam de chegar atrasadas a todo o lado e, o mais importante, não abandonam a escola tão facilmente.

Um outro projeto da UNICEF está a ser concretizado no Bangladesh, onde os rios são um problema, sobretudo nos meses das monções, época em que os caudais sobem metros, tudo fica inundado, aldeias ficam isoladas e escolas são forçadas a fechar.

Através de uma ONG local, a Shidhulai Swanirvar Sangstha, a UNICEF apoia a manutenção de uma frota de “navios-escola”, reconstruídos a partir das tradicionais embarcações “noka”. Com telhados à prova de chuvas intensas, estão equipados com painéis solares, o que permite a utilização de computadores nas aulas. Há também barcos-biblioteca, outros para formação de adultos e clínicas flutuantes que se deslocam para zonas remotas.

Combater o Boko Haram… com a rádio

“A UNICEF está também a explorar, cada vez mais, de que forma a tecnologia pode trazer conhecimento a comunidades remotas”, acrescenta Lisa Bender. Até lá, o recurso a velhas tecnologias tem-se revelado eficaz. “A rádio pode desempenhar um papel-chave em tempos de crise. Durante o surto de ébola, na África Ocidental, a UNICEF e parceiros no terreno usaram o rádio para dar aulas a crianças nas áreas afetadas”, diz a especialista da organização da ONU.

“Estes esforços continuam em países como a Nigéria, onde a crise provocada pelo [grupo islamita] Boko Haram está a ter um impacto prejudicial no acesso das crianças à escolaridade.” (“Boko”, em língua hausa, significa algo como educação ocidental secular, ou seja não-islâmica, e “haram”, em árabe, significa “proibido”.)

Muito do trabalho da UNICEF no terreno apoia-se em parceiros locais, conhecedores do meio, das sensibilidades sociais e culturais e das necessidades. “A educação é um direito humano fundamental e um requisito muito importante para o desenvolvimento não só individual das crianças mas das sociedades e economias como um todo”, recorda Lisa Bender. “Temos de encontrar formas de tornar a educação disponível.”

A UNICEF está atenta também às zonas em guerra. Segundo um relatório da organização de setembro passado, em 2015, havia 27 milhões de crianças sem escola em regiões afetadas por conflitos, declarados ou latentes. É o caso do território palestiniano da Cisjordânia, onde a ocupação israelita faz-se (também) através de postos de controlo, o que obriga muitas crianças a cruzarem-se, diariamente, com militares e armas a caminho da escola.

A pensar no stresse provocado por situações do género, a UNICEF apoia um projeto de percursos acompanhados, na zona H2 de Hebron (Cisjordânia) –área sob controlo militar de Israel, onde vivem 500 colonos judeus entre 30 mil palestinianos. Em parceria com o Programa de Acompanhamento Ecuménico na Palestina e pelas Equipas Pacificadoras Cristãs, este programa passa por colocar voluntários internacionais a acompanhar grupos de crianças no seu caminho para a escola. Estes adultos transmitem confiança e segurança às crianças, induzem os militares israelitas a fazerem controlos mais céleres nos checkpoints e dissuadem o assédio e atos de violência por parte dos colonos. A sua presença encoraja as crianças a não abandonarem a escola.

Uma instituição beneficiada por este projeto é a Escola de Cordoba, junto aos colonatos de Beit Hadassah e de Beit Romano. No passado, foi várias vezes vandalizada por colonos, o que levou à colocação de arame farpado em redor de parte da escola.

“A falta de acessos seguros para as crianças irem à escola pode ser um grande obstáculo para que, em especial as meninas, recebam educação”, conclui Lisa Bender. “É por esta razão que escolas comunitárias, como as que temos no Afeganistão, podem verdadeiramente ajudar a derrubar estes obstáculos e dar às crianças a possibilidade de irem à escola num ambiente seguro. Estas escolas comunitárias não só incentivam as meninas a matricularem-se, como contribuem para melhorar resultados e aprendizagem.”

mais fotos no link:

http://expresso.sapo.pt/internacional/2017-11-20-Quando-ir-a-escola-e-um-risco-a-UNICEF-responde-com-solucoes-criativas

 

 

 

 

Guia para Educadores e Professores : Dia Universal dos Direitos da Criança

Novembro 20, 2017 às 2:00 pm | Publicado em Recursos educativos | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

Descarregar o guia no link:

http://www.unicef.pt/docs/pdf/Guia-Educadores-Professores-DUDC.pdf

mais recursos no link:

http://www.unicef.pt/Dia-Universal-Direitos-Crianca/

Dia Universal dos Direitos da Criança – 20 de novembro

Novembro 20, 2017 às 6:00 am | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

mais informações nos links:

http://www.unicef.pt/Dia-Universal-Direitos-Crianca/

http://rbe.mec.pt/np4/np4/?newsId=2027&fileName=direitos_crs.pdf

https://www.unicef.org/world-childrens-day/

Portugal teve mais relatos de casos de ‘bullying’ do que os EUA

Novembro 2, 2017 às 7:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança, Relatório | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , , ,

Notícia do http://24.sapo.pt/ de 1 de novembro de 2017.

Portugal é o 15.ª país com mais relatos de ‘bullying’ na Europa e na América do Norte, ficando à frente dos Estados Unidos, segundo um estudo divulgado hoje pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

O documento “Um Rosto Familiar: A violência nas vidas de crianças e adolescentes” usou dados oficiais de 2015 para mostrar que, no que se refere ao ‘bullying’, entre 31% e 40% dos adolescentes portugueses com idades entre os 11 os 15 anos disseram terem sido intimidados na escola uma vez em menos de dois meses.

O ‘bullying’ são atos de violência física ou psicológica intencionais e repetidos praticados por um jovem ou grupos de jovens sobre outro.

O país teve mais queixas do que os Estados Unidos, onde aconteceram três quartos dos tiroteios em escolas registados no mundo nos últimos 25 anos.

Portugal também é mencionado numa análise sobre a percentagem de mulheres com idade entre os 18 os 29 anos que sofreram pelo menos um episódio de violência sexual perpetrado por um adulto antes dos 15 anos na Europa.

Neste caso, o país apareceu como um dos que menos registou este tipo de queixa, ficando em 23.º lugar entre os 28 países pesquisados, à frente apenas da República Checa, Grécia, Polónia, Croácia e Roménia.

Este estudo da Unicef apresentou uma análise detalhada sobre as mais diversas formas de violência sofridas por raparigas e rapazes em todas as regiões do mundo, como a violência disciplinar, violência doméstica na primeira infância, violência na escola – incluindo ‘bullying’, violência sexual e mortes violentas de crianças e adolescentes.

A Unicef chamou principalmente a atenção para o facto de a cada sete minutos, em algum local do mundo, uma criança ou um adolescente, entre os 10 e os 19 anos, é morto, seja vítima de homicídio ou de alguma forma de conflito armado ou violência coletiva.

“Somente em 2015, a violência vitimou mais de 82 mil rapazes e raparigas nessa faixa etária”, diz o relatório.

Quase metade de todos os homicídios de adolescentes ocorrem na América Latina e Caraíbas, embora vivam na região um pouco menos do que 10% da população mundial nesta faixa etária.

Para fazer esta análise sobre as mortes de adolescentes, a Unicef recolheu dados de mortalidade oficiais fornecidos por 183 países filiados à Organização Mundial da Saúde (OMS) com populações acima de 90 mil pessoas em 2015.

o relatório citado na notícia é o seguinte:

A Familiar Face: Violence in the lives of children and adolescents

7.000 recém-nascidos morrem todos os dias, apesar da redução constante da mortalidade de menores de cinco anos, diz um novo relatório

Outubro 21, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , ,

Comunicado de imprensa da http://www.unicef.pt/ de 19 de outubro de 2017.

7.000 recém-nascidos morrem todos os dias, apesar da redução constante da mortalidade de menores de cinco anos, diz um novo relatório

Mantendo-se as tendências actuais, 30 milhões de recém-nascidos morrerão nos primeiros 28 dias de vida entre 2017 e 2030

NOVA IORQUE/GENEBRA/WASHINGTON DC, 19 de Outubro de 2017 – Todos os dias em 2016, 15.000 crianças morreram antes do seu quinto aniversário, das quais 46% – isto é, 7.000 bebés – morreram nos primeiros 28 dias de vida, segundo um novo relatório das Nações Unidas.

Levels and Trends in Child Mortality (Níveis e tendências na mortalidade infantil 2017) revela que apesar do número de crianças que morrem antes de completar os cinco anos nunca ter sido tão baixo – 5,6 milhões em 2016, comparando com 9.9 milhões em 2000 – a proporção de mortes nos primeiros 28 dias de vida aumentou de 41% para 46% no mesmo espaço de tempo.

“As vidas de 50 milhões de crianças com menos de cinco anos foram salvas desde 2000, o que atesta o sério compromisso feito pelos governos e parceiros para o desenvolvimento, para pôr fim às mortes evitáveis de crianças”, afirmou Stefan Swartling Peterson, chefe de saúde da UNICEF. “Mas se não fizermos mais para impedir que bebés morram no dia em que nascem, ou nos dias posteriores, este progresso permanecerá incompleto. Dispomos do conhecimento e da tecnologia necessários – apenas precisamos de os fazer chegar às regiões onde são mais precisos.”

Mantendo-se as tendências actuais, 60 milhões de crianças morrerão antes do seu quinto aniversário entre 2017 e 2030, metade das quais serão recém-nascidos, segundo o relatório publicado pela UNICEF, a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Banco Mundial e a Divisão de População do Departamento de Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas (UNDESA) – que compõem o Grupo Interinstitucional sobre a Estimativa da Mortalidade em Crianças (Inter-agency Group for Child Mortality Estimation [UG-IME]).

A maioria das mortes de recém-nascidos ocorreram em duas regiões: Ásia meridional (39%) e África subsariana (38%). Cinco países contabilizaram metade de todas as mortes de recém-nascidos: Índia (24%), Paquistão (10%), Nigéria (9%), República Democrática do Congo (4%) e Etiópia (3%).

“Para alcançarmos uma cobertura universal de saúde e garantir que mais recém-nascidos sobrevivam e prosperem, devemos chegar às famílias marginalizadas”, afirma a Dra. Flavia Bustreo, Directora-Geral Adjunta para Saúde da Família, da Mulher e da Criança na OMS. “Para evitar doenças, as famílias precisam de meios financeiros, que as suas vozes sejam ouvidas e de ter acesso a cuidados de qualidade. Melhorar a qualidade dos serviços e a resposta atempada durante e após o nascimento devem ser prioritários.”

De acordo com o relatório, muitas vidas podem ser salvas mediante a redução das desigualdades no mundo. Se todos os países tivessem alcançado a taxa média de mortalidade dos países de elevado rendimento, 87% das mortes de crianças menores de cinco anos poderiam ter sido evitadas e quase 5 milhões de vidas poderiam ter sido salvas em 2016.

“Em 2017, é impensável que a gravidez e o parto continuem a colocar a vida das mulheres em risco e que 7.000 recém-nascidos continuem a morrer todos os dias”, afirma Tim Evans, Director Sénior da Saúde, Nutrição e População no Grupo do Banco Mundial. “A melhor forma de medir o sucesso da cobertura universal de saúde não consiste apenas na facilidade do acesso de todas as mães aos cuidados de saúde, mas também pela qualidade do atendimento e pelo baixo custo dos serviços, para que possam garantir uma vida saudável e produtiva aos seus filhos e à sua família. Estamos empenhados em aumentar o nosso  financiamento para responder às necessidades dos países nesta área, nomeadamente através de projectos inovadores como o Mecanismo de Financiamento Mundial.”

A pneumonia e a diarreia estão no topo da lista de doenças infecciosas que custaram a vida a milhões de crianças com menos de cinco anos em todo o mundo, tendo causado 16% e 8% dessas mortes, respectivamente. As complicações relacionadas com o parto prematuro e as complicações durante o trabalho de parto ou nascimento foram responsáveis por 30% das mortes neonatais em 2016. Além dos 5,6 milhões de mortes de crianças menores de cinco anos, registam-se ainda 2,6 milhões casos de nados-mortos por ano, a maioria dos quais evitável.

Podemos pôr fim às mortes infantis evitáveis mediante a melhoria do acesso a profissionais de saúde qualificados durante a gravidez e no momento do parto; e do acesso a intervenções que salvam vidas, como a vacinação, o aleitamento materno e medicamentos de baixo custo, bem como acesso a água e saneamento, que estão actualmente fora do alcance das comunidades mais pobres do mundo.

Pela primeira vez, foram incluídos no relatório os dados sobre a mortalidade de crianças entre 5 e 14 anos, destacando outras causas de morte, como acidentes e lesões. Quase um milhão de crianças entre 5 e 14 anos morreram em 2016.

“Este novo relatório destaca os notáveis progressos alcançados desde 2000 na redução da taxa de mortalidade dos menores de cinco anos”, disse o Sr. Zhenmin Liu, Secretário-Geral Adjunto da ONU para Assuntos Económicos e Sociais. “Apesar destes progressos, continuam a registar-se grandes desigualdades na sobrevivência infantil entre regiões e países, particularmente na África subsariana. No entanto, intervenções simples e económicas, realizadas antes, durante e imediatamente após o nascimento, são suficientes para evitar muitas das mortes que ocorrem. Reduzir as desigualdades e ajudar os recém-nascidos, as crianças e as mães mais vulneráveis é essencial se quisermos alcançar o Objectivo de Desenvolvimento Sustentável de pôr fim às mortes evitáveis e assegurar que ninguém fica para trás. ”

O relatório também destaca que:

  • Na África subsariana, estima-se que uma em cada 36 crianças morre durante o primeiro mês de vida, enquanto nos países de rendimento elevado o rácio é de 1 em cada 333;
  • A menos que o progresso seja acelerado, mais de 60 países não cumprirão o Objectivo de Desenvolvimento Sustentável de pôr fim às mortes evitáveis de recém-nascidos em 2030, e metade destes não atingirão a meta de 12 mortes por cada 1.000 nascidos vivos até 2050. Mais de 80% das mortes neonatais em 2016 ocorreram nesses países.

***

Acerca do Grupo Interinstitucional sobre a Estimativa da Mortalidade Infantil (Inter-agency Group for Child Mortality Estimation [UG-IME])

O UN-IGME foi criado em 2004 com o objectivo de partilhar dados sobre a mortalidade infantil, uniformizar estimativas dentro do sistema das Nações Unidas, melhorar os métodos para as estimativas de relatórios sobre a mortalidade infantil sobre progressos alcançados em matéria de sobrevivência infantil, e fortalecer as capacidades dos países no que diz respeito à produção de estimativas atempadas e devidamente levantadas sobre mortalidade infantil.

O UN-IGME é liderado pela UNICEF e inclui a Organização Mundial da Saúde, o Grupo do Banco Mundial e a Divisão de População do Departamento de Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas. Para mais informação, por favor visite http://www.childmortality.org

 

 

Ir à escola ou fugir da guerra?

Outubro 4, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

texto do http://p3.publico.pt/ de 19 de setembro de 2017.

“As zonas onde há escolas não devem ser zonas de guerra”. “Hoje, ter de se esconder não devia fazer parte dos trabalhos de casa”. “Evitar as minas terrestres não devia ser uma actividade extracurricular”. Foi com frases como estas estampadas em 27 autocarros escolares que a UNICEF guiou uma campanha pelas ruas de Manhattan, nos Estados Unidos, a 17 de Setembro. Os autocarros circularam vazios, em fila, uma metáfora para os “27 milhões de crianças que vivem em zonas de conflito e que não frequentam a escola”, disse o órgão das Nações Unidas, em comunicado. O objectivo era chamar a atenção para casos como o da menina do Sudão do Sul, neste vídeo, e da principal condutora da campanha — Muzoon Almellehan, de 19 anos, Embaixadora de Boa Vontade da UNICEF, que em plena semana de Assembleia Geral das Nações Unidas pede “aos líderes mundiais que priorizem a educação em situações de emergência”. “A educação nunca pode ser vista como opcional, especialmente em situações de crise. Sem aprender, como podemos esperar que as crianças venham a ser tudo aquilo que têm capacidade para ser? Não podemos desistir, há que continuar até termos um mundo onde todas as crianças vão à escola”, disse a activista que em 2013 foi obrigada a abandonar a escola para fugir da guerra que rebentava na Síria. O Fundo das Nações Unidas para a Infância diz que, no primeiro semestre deste ano, recebeu apenas “12 por cento do financiamento necessário para proporcionar educação às crianças que vivem em situações de crise”.

 

Apenas 15 países no mundo têm três políticas nacionais essenciais para apoiar famílias com crianças pequenas (incluindo Portugal) – relatório da UNICEF

Outubro 4, 2017 às 6:00 am | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , ,

Comunicado de imprensa da Unicef Portugal de 21 de setembro de 2017.

Apenas 15 países no mundo têm três políticas nacionais essenciais para apoiar famílias com crianças pequenas – UNICEF

Novo relatório diz que cerca de 85 milhões de crianças menores de cinco anos vivem em 32 países que não proporcionam às famílias dois anos de ensino pré-primário gratuito; dispensa remunerada para amamentação para as mães durante os seis primeiros meses de vida do bebé; e licença parental adequada e remunerada – três políticas cruciais para apoiar o desenvolvimento cerebral nos primeiros anos de vida

NOVA IORQUE, 21 de Setembro de 2017 – Apenas 15 países no mundo põem em prática três políticas nacionais básicas que ajudam a assegurar o tempo e os recursos de que os pais precisam para apoiar o desenvolvimento cerebral saudável dos seus filhos, afirmou hoje a UNICEF num novo relatório. Um cenário mais sombrio é o que se verifica em 32 países – nos quais vive uma em cada oito crianças do mundo menores de cinco anos – que não adoptam nenhuma dessas políticas.

Segundo o relatório “Early Moments Matter for Every Child” (“Os primeiros momentos contam para todas as crianças”), dois anos de educação pré-primária gratuita, dispensa paga para amamentação durante os seis primeiros meses de vida da criança, e seis meses de licença de maternidade bem como quatro semanas de licença de paternidade remuneradas ajudam a lançar bases que são cruciais para um desenvolvimento adequado na primeira infância. Estas políticas ajudam os pais a proteger melhor os seus filhos e a proporcionar-lhes uma nutrição mais adequada, e permite-lhes brincar e ter experiências de aprendizagem precoce nos primeiros dois anos de vida, que são cruciais na altura em que as ligações neurais se processam a um ritmo que não voltará a repetir-se.

O relatório refere que Cuba, França, Portugal, Rússia e Suécia estão entre os países que garantem estas três políticas. Contudo, 85 milhões de crianças menores de cinco anos estão a crescer em 32 países onde nenhuma destas políticas cruciais é posta em prática. Surpreendentemente, 40 por cento destas crianças vivem em apenas dois países – o Bangladesh e os EUA.

“Qual a coisa mais importante que as crianças têm? A sua capacidade cerebral. Mas não estamos a cuidar do cérebro das crianças como cuidamos do seu físico – sobretudo na primeira infância, uma altura em que a ciência prova que o cérebro e o futuro das crianças estão a ser moldados a um ritmo acelerado,” afirmou Anthony Lake, Director Executivo da UNICEF. “Temos de fazer mais para proporcionar aos pais e cuidadores de crianças pequenas o apoio que precisam durante este período mais crítico do desenvolvimento cerebral.”

O relatório também destaca que milhões de crianças menores de cinco estão a viver os seus anos formativos em ambientes inseguros e não estimulantes:

 

  • Cerca de 75 milhões de crianças menores de cinco anos vivem em zonas afectadas por conflitos, aumentando o risco de stress tóxico, que pode inibir as conexões cerebrais na primeira infância;
  • A nível global, uma nutrição pobre, ambientes insalubres e doenças deixaram 155 milhões de crianças com atrasos de desenvolvimento, o que as impede de desenvolver todo seu potencial físico e cognitivo;
  • Um quarto de todas as crianças com idades entre os 2 e os 4 anos em 64 países não participam em actividades essenciais para o desenvolvimento cerebral, tais como brincar, ler e cantar;
  • Cerca de 300 milhões de crianças no mundo vivem em zonas onde o ar é tóxico, o que, segundo estudos recentes, pode danificar o desenvolvimento cerebral das crianças.

O facto de não se proteger e proporcionar às crianças mais desfavorecidas oportunidades de desenvolvimento precoce afecta o potencial crescimento das sociedades e das economias, alerta o relatório, citando um estudo que mostrou que as crianças de agregados familiares mais pobres que tiveram acesso à aprendizagem na primeira infância viriam a ganhar em média mais 25 por cento em adultos do que as que não tiveram essa possibilidade.

“Se não investirmos agora nas crianças e famílias mais vulneráveis, continuaremos a perpetuar ciclos de desvantagem e desigualdade intergeracionais. Por cada vida, por cada oportunidade perdida, estamos a aumentar o fosso que separa os que têm e os que não têm e a comprometer a nossa força e estabilidade a longo prazo,” afirmou Lake.

Em média, os governos gastam menos de 2 por cento dos seus orçamentos alocados à educação em programas para a primeira infância. Porém, o relatório destaca que os investimentos que forem feitos nos primeiros anos de vida das crianças de hoje se traduzem em ganhos económicos significativos no futuro. Cada dólar americano investido em programas que apoiam ao aleitamento materno gera um retorno de 35 US dólares; e cada US dólar investido em cuidados e educação na primeira infância das crianças mais desfavorecidas pode ter um retorno de 17 US dólares.

O relatório apela aos governos e ao sector privado para que apoiem políticas nacionais básicas em matéria de desenvolvimento na primeira infância, nomeadamente:

  • Investindo e expandindo serviços de desenvolvimento na primeira infância em casa, na escola, nas comunidades e unidades de saúde – que dêem prioridade às crianças mais vulneráveis;
  • Tornando as políticas de apoio às famílias, nomeadamente dois anos de educação pré-primária gratuita, licenças parentais e dispensas para amamentação remuneradas numa prioridade nacional;
  • Proporcionando aos pais que trabalham o tempo e os recursos que precisam para apoiar o desenvolvimento cognitivo dos seus filhos mais pequenos;
  • Reunindo e desagregando dados sobre o desenvolvimento na primeira infância e monitorizando os progressos no que diz respeito ao universo das crianças e famílias mais desfavorecidas.

“As políticas que apoiam o desenvolvimento na primeira infância são um investimento da maior importância para a capacidade cerebral das nossas crianças, e, por consequência, para os cidadãos e para a força de trabalho de amanhã – e literalmente para o futuro do mundo,” conclui Lake.

***

Nota quanto aplicável:

Para esta análise a UNICEF usou variáveis do WORLD Policy Analysis Center da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, EUA. Os dados sobre a população provêm do UNPD (PNUD), 2017. As variáveis incluem: dois anos de educação pré-primária gratuita; dispensa para amamentação paga para as mães durante os primeiros seis meses de vida do bebé; e seis meses de licença de maternidade e quatro semanas de licença de paternidade pagas.

Os países onde estas três políticas são praticadas incluem:

Bielorrússia, Bulgária, Cuba, França, Hungria, Itália, Letónia, Luxemburgo, Portugal, Roménia, Rússia, São Marinho, Suécia, Turquemenistão e Ucrânia.

Países onde nenhuma destas três políticas é posta em prática incluem: Argélia, Austrália, Bangladesh, Barbados, Belize, Butão, Bósnia e Herzegovina, Brunei, Dominica, Gâmbia, Grenada, Quénia, República Popular Democrática da Coreia, Libéria, Malawi, Malásia, Estados Federados da Micronésia, Myanmar, Namíbia, Omã, Serra Leoa, Singapura, África do Sul, São Cristóvão e Neves, Santa Lúcia, Suazilândia, Tonga, Trinidad e Tobago, Uganda, Estados Unidos, Iémen e Zâmbia.

O relatório, apoiado pela H&M Foundation – parceira da UNICEF – será lançado amanha, 21 de Setembro, durante um evento de alto nível, entre as 11:00 e as 12:30 (16:30 – 17:30 hora de Lisboa) no The Every Woman Every Child Hub, nas Nações Unidas em Nova Iorque, durante a 72ª Sessão da Assembleia Geral das Nações.

 

 

Três quartos das crianças e jovens enfrentam abusos, exploração e tráfico nas rotas migratórias do Mediterrâneo – UNICEF, OIM

Setembro 21, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , ,

COMUNICADO DE IMPRENSA CONJUNTO de 12 de setembro de 2017.

Três quartos das crianças e jovens enfrentam abusos, exploração e tráfico nas rotas migratórias do Mediterrâneo – UNICEF, OIM

As crianças da África subsariana são mais visadas do que qualquer outro grupo, o que resulta de discriminação e racismo

Novo relatório apela à Europa para que crie “percursos seguros e regulares” para a migração

NOVA IORQUE/BRUXELAS, 12 de Setembro de 2017 – As crianças e os jovens migrantes e refugiados que tentam chegar à Europa enfrentam níveis chocantes de violação de direitos humanos patentes nos relatos de uma percentagem impressionante de 77% dos que viajam pela rota do Mediterrâneo Central, que dão conta de experiências pessoais de abuso, exploração e práticas que por vezes chegam a tráfico humano – afirmaram hoje a UNICEF e a OIM, a Agência das Nações Unidas para as Migrações, num novo relatório.

Harrowing Journeys (Jornadas Angustiantes) revela que, embora todos os migrantes e refugiados estejam em elevado risco, as crianças e os jovens em movimento têm muito mais probabilidades de serem vítimas de exploração e tráfico do que os adultos com idade igual ou superior a 25 anos: quase o dobro de probabilidade na rota do Mediterrâneo Oriental e 13 por cento mais na do Mediterrâneo Central.

Aimamo, um adolescente de 16 anos não acompanhado, da Gâmbia, entrevistado num abrigo em Itália descreveu ter sido obrigado pelos traficantes a meses de trabalho físico esgotante quando chegou à Líbia. “Se tentas fugir, disparam sobre ti. Se paras de trabalhar, espancam-te. Éramos verdadeiros escravos. No final do dia, trancavam-nos sem que pudéssemos sair.”

O relatório baseia-se nos testemunhos de cerca de 22.000 migrantes e refugiados, incluindo cerca de 11.000 crianças e jovens, entrevistados pela OIM.

“A dura realidade é que actualmente é prática comum as crianças que se deslocam pelo Mediterrâneo serem abusadas, traficadas, espancadas e discriminadas”, afirmou Afshan Khan, Directora Regional da UNICEF e Coordenadora Especial para a Crise de Refugiados e Migrantes na Europa. “Os líderes da UE devem pôr em prática soluções duradouras que incluam vias de migração seguras e legais, a criação de corredores de protecção e alternativas à detenção das crianças migrantes”.

“Para as pessoas que deixam os seus países para escapar à violência, à instabilidade ou à pobreza, os factores que as levam a migrar são muito duros e embarcam em jornadas perigosas sabendo que podem ser obrigadas a pagar com a sua dignidade, bem-estar ou até mesmo com a própria vida”, disse Eugenio Ambrosi, Director Regional da OIM para a UE, Noruega e Suíça.

“Sem o estabelecimento de vias migratórias mais regulares, outras medidas serão relativamente ineficazes. É também essencial reforçar uma abordagem às migrações com base nos direitos humanos, melhorando os mecanismos para identificar e proteger os mais vulneráveis ao longo do processo de migração, independentemente do seu estatuto legal.”

O relatório mostra ainda que, embora todas as crianças em movimento corram um risco elevado, as que são originárias da África subsariana têm muito mais probabilidade de serem vítimas de exploração e tráfico do que as provenientes de outras partes do mundo: 65% comparativamente a 15% na rota do Mediterrâneo Oriental, e 83% comparativamente a 56% na rota do Mediterrâneo Central. O racismo é provavelmente um dos principais factores que estão na origem desta disparidade.

Concluiu-se ainda que as crianças e os jovens que viajam sozinhos ou por longos períodos, assim como os que têm níveis de educação mais baixos, são também altamente vulneráveis à exploração de traficantes e grupos criminosos no decurso das suas jornadas. De acordo com o relatório, a rota do Mediterrâneo Central é particularmente perigosa, dado que a maioria dos migrantes e refugiados passa através da Líbia, que continua dominada pela anarquia, por milícias e criminalidade. Em média, os jovens pagam 1.000 a 5.000 USD pela viagem e muitas vezes chegam à Europa endividados, o que os expõe a novos riscos.

O relatório apela a todas as partes interessadas – países de origem, trânsito e destino, à União Africana, à União Europeia, organizações internacionais e nacionais com o apoio da comunidade de doadores – que dêem prioridade a uma série de medidas.

Estas incluem o estabelecimento de vias seguras e regulares para as crianças em movimento; o reforço dos serviços para proteger as crianças migrantes e refugiadas, seja em países de origem, trânsito ou destino; a criação de alternativas à detenção de crianças em movimento; um trabalho entre os vários países para combater o tráfico e a exploração; e o combate à xenofobia, ao racismo e à discriminação contra todos os migrantes e refugiados.

Nota:

A UNICEF continua a apelar aos governos para que adoptem os seis pontos da sua Agenda para a Acção, a fim de proteger as crianças refugiadas e migrantes e assegurar o seu bem-estar.

  1. Protejam as crianças refugiadas e migrantes da exploração e da violência, em especial as crianças não acompanhadas;
  2. Acabem com a detenção de crianças requerentes do estatuto de refugiada ou migrante;
  3. Mantenham as famílias juntas como a melhor forma de protege crianças e de lhes atribuir um estatuto legal;
  4. Mantenham a aprendizagem de todas as crianças refugiadas e migrantes lhes garantam acesso a serviços de saúde e outros de qualidade;
  5. Pressionem para que sejam tomadas medidas para combater as causas subjacentes aos movimentos de refugiados e migrantes em larga escala;
  6. Promovam medidas para combater a xenofobia, a discriminação e a marginalização em países de trânsito ou de destino.

descarregar o relatório no link:

https://www.unicef.org/publications/index_100621.html

Página seguinte »


Entries e comentários feeds.