Palestra “Livros infantis sensíveis e apurados: os contos de Sophia e as suas ilustrações” 15 outubro em Guimarães

Outubro 14, 2019 às 3:07 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

Mais informações no link:

https://ciecum.wordpress.com/2019/10/11/livros-infantis-sensiveis-e-apurados-os-contos-de-sophia-e-as-suas-ilustracoes/?fbclid=IwAR2Chb1Fw2c_yzadhpvVTFMJxK9RWEyKM75YQQbpXxqQHmqT0tGUkFhE11s

Famílias em Construção – Ed. Fábula

Outubro 9, 2019 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Clara encontra-se numa encruzilhada: a sua vida será, a partir daquele momento, repartida entre a casa da mãe e a casa do pai, com a sua nova mulher e o filho dela, Miguel, que não pretende tornar a vida de Clara fácil. Também para ele não é uma mudança desejada. O Bernardo vê a sua família em turbilhão e o Pedro vai ter de se adaptar a um novo país, porque a sua família vai emigrar. Aos poucos, todos eles vão descobrir que as suas vidas estão constantemente em construção e que há muito de bom para aproveitar!

mais informações sobre o livro no link:

https://fabula.pt/livros/familias-em-construcao

Descobertos desenhos de “O Principezinho” guardados numa casa na Suíça

Setembro 16, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

Notícia do Sapo24 de 16 de agosto de 2019. Imagem retirada daqui

Desenhos de “O Principezinho”, criados pelo escritor francês Antoine de Saint-Exupéry para o seu livro, foram descobertos numa casa antiga no norte da Suíça, guardados por um magnata do imobiliário, entre milhares de obras de arte.

Adquiridos há mais de 30 anos num leilão, os desenhos estavam guardados numa pasta de cartão “em bom estado”, revelou à agência France Presse Elisabeth Grossmann, conservadora da Fundação para a Arte, Cultura e História de Winterthour, no cantão de Zurique.

Dentro da pasta encontravam-se três desenhos ligados ao livro – o bêbado no seu planeta, a jiboia que digere o elefante, acompanhada de anotações manuscritas, e o Principezinho e a raposa – e ainda um poema ilustrado com um pequeno desenho, mais uma carta de amor dirigida a Consuelo Suncín, mulher de Saint-Exupéry.

Os desenhos, cuja descoberta foi revelada pelo jornal diário Landbote, de Winterthur, não estão datados e foram realizados em tinta da China e aguarela.

O colecionador suíço Bruno Stefanini, que morreu em dezembro de 2018, com 94 anos, tinha comprado os desenhos em 1986, num leilão em Bevaix, no oeste da Suíça.

Proprietário de uma das maiores coleções de arte da Suíça, criou, em 1980, uma fundação em Winterthur para gerir o seu património.

“O Principezinho” foi escrito em Nova Iorque, nos Estados Unidos, por Antoine de Saint-Exupéry durante a Segunda Guerra Mundial, e ilustrado com as suas próprias aguarelas, tendo sido publicado em 1943 naquele país, e em 1946, em França, depois do desaparecimento do escritor e aviador, em 31 de julho de 1944, ao largo de Marselha, durante uma missão aérea para os Aliados.

O escritor viveu dois anos na Suíça, de 1915 a 1917, num internato religioso, em Friburgo.

As ilustrações originais do livro estão conservadas na Morgan Library, em Nova Iorque.

AG // MAG

Lusa/Fim

Mais informações na notícia:

Trois nouveaux dessins du Petit Prince découverts en Suisse

Pequenos livros sobre Grandes pessoas : Nelson Mandela

Setembro 4, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

Mais informações no link:

https://www.fabula.pt/livros/pequenos-livros-sobre-grandes-pessoas-6-nelson-mandela

“Engenharia é só para os rapazes, mãe”. Komal Singh escreveu um livro para quebrar o mito

Setembro 4, 2019 às 6:00 am | Publicado em Livros | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , ,

Notícia e imagem do DN Insider de 13 de agosto de 2019.

Cátia Rocha

Komal Singh trabalha na Google e lançou recentemente um livro chamado “Ara, a Engenheira das Estrelas”, para mostrar aos mais jovens (e também aos pais) que o mundo da tecnologia tem espaço para todas e todos. 

Komal Singh cresceu na Índia, numa família ligada à engenharia. Estudou ciências da computação e, há alguns anos, mudou-se para o Canadá, onde diz ter encontrado o “seu emprego de sonho”: trabalha na Google. Mãe de uma menina de cinco anos e de um rapaz de cerca de dois anos, foi a própria filha que fez um retrato diferente daquele que Komal pensava ser a realidade. “Só os rapazes é que podem ser engenheiros, mãe”, explicou-lhe a filha, com a naturalidade das crianças.

“Passei por muitas emoções: senti-me zangada, depois desapontada, triste… E, finalmente, a palavra que uso muitas vezes é chateada, fiquei mesmo aborrecida. Mas acho que, quando processei todas as emoções, percebi que, aos olhos de uma criança, é assim que o mundo é”, explica Singh. “As crianças são muito inteligentes a detetar padrões e gostam de encontrá-los. E se a minha filha consegue vê-los, muitas crianças conseguem”.
Komal Singh percebeu que não tinha sentido ter o seu emprego de sonho e não fazer mais com isso. “Percebi que não fazia sentido trabalhar numa das melhores empresas do mundo, fazer coisas fantásticas, se vivo num mundo em que as raparigas não acreditam que têm a habilidade para fazer este tipo de coisas”.

Começava assim a nascer a ideia deste livro, que já foi publicado em vários países, também com o apoio da Google. Depois do choque da afirmação da filha, Komal Singh escolheu trabalhar nesta ideia do livro como um “projeto 20%”: qualquer trabalhador da Google pode usar parte do seu tempo de trabalho para dedicar-se a um projeto apaixonante, que não precisa necessariamente de estar ligado à sua área de trabalho.

“Este livro começou como o meu projeto 20% e evoluiu ao ponto de haver colegas a querer ajudar, da melhor forma que conseguissem. Alguns ajudaram com edição técnica, há um grupo na Google que trabalha em realidade virtual e eles deram uma ajuda nas experiências de realidade virtual para o livro… Há outro grupo que criou o site, outro que fez o vídeo onde é explicada a ideia do livro, por exemplo”, recorda a autora do livro. “As pessoas decidiram ajudar da melhor forma que conseguissem e foi muito interessante ver o poder da comunidade a entrar em ação”, reconhece.

Não é só neste aspeto que houve participação comunitária. O livro retrata a aventura de Ara, uma menina de seis anos que pretende desenvolver um algoritmo para poder contar todas as estrelas no céu. A tarefa não é fácil e, pelo meio, contará com a ajuda de várias mulheres ligadas ao mundo da ciência, matemática, engenharia e tecnologia, que têm correspondência com o mundo real. Afinal, foram inspiradas em trabalhadoras da Google, que vêem agora a sua profissão ser retratada em livro e traduzida para vários idiomas.

A própria Komal explica que a filha ainda não percebe bem o trabalho envolvido no livro, mas que a pequena já tem novas ambições de profissão: autora e engenheira. “Não percebe que é difícil publicar um livro, acha que isto é só um trabalho de artes manuais que fiz para ela, mas já a levei a algumas apresentações do livro, levo-a a escolas e vê as crianças a ouvir a história do livro. E isso já tem impacto nela, porque percebe que um livro pode ter influência e mudar as ideias de muitas crianças”.

A autora explica que já recebeu desenhos de crianças inspirados no livro ou até criações de “algoritmos para alimentar um gato ou ir à escola, com todas as ações detalhadas”, diz, com um sorriso. “É bom ver que as crianças olham para o livro não só como algo de entretenimento mas também de aprendizagem”, reconhece. Mas o livro não é só para os mais pequenos, já percebeu.

“Ao início, achava que este livro era só para crianças, mas depois percebi que não, que também era para os pais. Aliás, tenho recebido muito feedback de pais, de muitas mães referem que passaram a estar mais expostas à área da programação e ao mundo tecnológico, porque leram o livro e sentiram-se inspiradas. Viram o livro e o tema como algo acessível, algo que toda a gente pode fazer, que não são precisos super-poderes para programar”.

No entanto, Komal Singh reconhece que, apesar de ser importante despertar a curiosidade para o mundo da tecnologia e engenharia, ainda há muito trabalho a fazer. “Mostrar este mundo não é suficiente, é preciso fazer muito mais, claro, mas a parte de mostrar este mundo às raparigas, despertar-lhes a curiosidade e imaginação já é um princípio. Acho que nenhum rapaz ou nenhuma rapariga deve ser pressionado a fazer aquilo que não quer, mas acho que esta é uma forma de gerar curiosidade e talvez acordar a inclinação natural para uma carreira ou área”.

Komal Singh explica ainda que gostaria de lançar mais livros – também já a pedido de outros pais. “Quero muito lançar mais livros, para explicar questões do panorama tecnológico, abordando também as pioneiras que trabalham nessas áreas”, indicando que a inteligência artificial tem sido um dos assuntos mais pedidos, tanto por miúdos como graúdos.

https://www.arastarengineer.com/pt

Caixa da raiva: o melhor recurso contra a raiva e a ira das crianças

Agosto 27, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

Texto e imagem do site CriandocomApego de 6 de agosto de 2017.

A caixa da raiva surgiu de uma ideia da psicóloga espanhola Marina Martín para ensinar as crianças a controlar a raiva e a ira. Essa ferramenta tem sido recebida como um dos melhores recursos para ajudarmos nossos filhos a autocontrolar suas emoções e sentimentos.

Segundo a psicóloga, a ideia da caixa da raiva nasceu da leitura do conto “Vaya Rabieta” (“Que birra”), de Mireille d´Allancé.

O conto Vaya Rabieta

Na narrativa, Roberto é o protagonista. Ele vive um mau dia: os país zangaram com ele, não gostava da comida e desobedeceu a seus país. Logo, você pode imaginar que tudo acabou com o menino cheio de raiva. No conto, a raiva é ilustrada como um grande monstro que sai do pequeno corpo de Roberto. Esse monstro domina o menino e pode fazer o que quiser com ele, sem qualquer controle.

É por isso que o grande monstro destroi tudo o que encontra: desfez a cama, jogou longe o abajour, os livros, os brinquedos. Depois de se dar conta do que aconteceu, o menino tenta reparar tudo o que a raiva havia destruído. Enquanto tratava de arrumar o quarto e colocar cada coisa em seu lugar, a raiva foi se tornando cada vez menor. Ficou tão pequena que coube em uma caixa.

A caixa da raiva

É da ideia de dito conto que a psicóloga sugere trabalhar com o menor a ideia de que cada vez que sinta raiva ou ira, pode desenhar em um papel tudo o que está sentido. Essa é a maneira de mandar pra fora tudo o que lhe está fazendo mal.

Certamente, os desenhos trarão traços fortes, marcados pela impulsividade e pelo desequilíbrio vivenciado quando essas emoções dominam o ser. Pouco a pouco os traços vão se tornando mais claros. É aí quando a criança se dá conta de que está se acalmando.

Após terminar o desenho, explique à criança que deve amassá-lo e coloca-lo em uma caixa fechada, para que sua raiva não possa sair.

A caixa da raiva pode ter várias formas. Construa uma junto com seu filho. Uma dica útil é usar essa ferramenta no cantinho da calma. Conjugar esses dois recursos pode ser muito eficiente para ensinar a criança a identificar e regular as emoções.

Nós adoramos o recurso e, em seu tempo, o utilizaremos com nossa filha. Já mostraremos a nossa pronta. E você, se anima a fazer uma para seu filho? Depois compartilhe conosco sua experiência.

Dicas de leitura

Na nossa seção Dicas de leitura, você encontra muitas dicas incríveis histórias, fábulas, poemas, livros e vídeos infantis. Além disso, confere dicas de atividades e jogos de leitura, de contação de histórias e formas de organização da biblioteca infantil em casa. Visite:

Educação Emocional

Na seção Educação Emocional aprendemos como ajudar nossos filhos a reconhecer e identificar as emoções corretamente. A partir do desenvolvimento da inteligência emocional, a criança está preparada para vivenciar situações várias de uma maneira equilibrada. Descubra mais:

 

20 livros infantis para as férias de verão

Agosto 13, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Texto do Observador de 24 de julho de 2019.

Ana Dias Ferreira

Qual “silly season”. Os livros infantis publicados nos últimos meses falam do mundo em infografias, de mulheres com muita garra (mas pouco conhecidas) e até de democracia.

Eu, Alfonsina

De Joan Negrescolor (Orfeu Negro). 14,50€

A Alfonsina do título é Alfonsina Strada, a primeira mulher ciclista a participar no Giro d’Italia (a conhecida volta à Itália em bicicleta), em 1924. Joan Negrescolor — autor de Há Classes Sociais e A Cidade dos Animais, também publicados na coleção Orfeu Mini — conta a sua história em tons fortes, desde o dia em que recebeu uma bicicleta do pai, aos 10 anos, até vestir a dorsal na famosa prova, aos 33, e os tons fortes rimam com o exemplo de determinação. Numa altura em que o desporto (e muitas outras coisas) estava vedado às mulheres, Alfonsina passou por cima de proibições e de preconceitos e mudou a sua alcunha de “maria-rapaz” para “Rainha do Pedal”. Nunca desistiu, quebrou recordes, desafiou a família, e por isso mesmo o livro é dedicado pelo autor “a todas as mulheres que não se rendem” até chegar à meta.

O Livro dos Ursos

De Katie Viggers (Bizâncio). 14€

Como diz o pós-título, este livro nasceu para ficar “tu cá tu lá com os ursos de todo o mundo”. São negros, são pardos, são polares, são beiçudos, pandas, americanos, malaios ou asiáticos — oito espécies provenientes de diferentes partes do mundo que se juntaram para fazer esta espécie de enciclopédia ilustrada. Cada urso tem direito a um capítulo próprio recheado de curiosidades, com outros temas ainda abordados como a alimentação e a hibernação. Todos são ilustrados pela autora, Katie Viggers, num registo entre o selvagem e o humanizado que os torna simplesmente irresistíveis.

Eu e o Mundo — Uma História Infográfica

Texto de Mireia Trius, ilustrações de Joana Casals (Edicare)

Num formato para lá de original, Eu e o Mundo faz uma história do planeta através de infografias. São 28 ao todo, construídas em torno de uma menina chamada Maria e usadas para apresentar dados mundiais relacionados com os nomes mais comuns, as línguas, a população, as profissões, a religião, os engarrafamentos, as cidades e museus mais visitados e até os tipos de pequenos-almoços. O resultado é graficamente apelativo e para ir descobrindo com tempo e demorar em cada página.

Eleição dos Bichos

De André Rodrigues, Pedro Markum, Paula Desgualdo e Larissa Ribeiro (Nuvem de Letras). 12,50€

Esqueçam o tempo de antena. Uma forma de lutar contra a abstenção é começar a ler este Eleição dos Bichos desde tenra idade. A história chega-nos do Brasil para falar da importância do voto em democracia, e parte de uma revolta anti-monárquica. Tudo porque um dia o leão resolve desviar toda a água do rio para construir uma piscina em frente à toca e os animais da floresta decidem dizer basta “aos mandos e desmandos do rei” e fazer uma eleição para escolher um novo líder. Assim se explica o que é uma campanha, um candidato, um governo, um comício, um debate ou quais as regras de uma eleição — é proibido dar presentes aos eleitores e devorar os adversários, por exemplo. Uma forma divertida e clara de explicar e valorizar o que é a democracia, com direito a um desfecho — neste caso um presidente — decidido pela maioria das crianças que participaram em oficinas com os autores em São Paulo e Florianópolis.

Uma Girafa Reticulada, uma Zebra Bem Riscada e uma Grande Caminhada

Texto de Manuela Castro Neves, ilustrações de Madalena Matoso (Caminho). 10,90€

Como muitas fábulas, a história de Manuela Castro Neves começa com um facto inexplicável caído do céu: uma zebra e uma girafa que aprenderam a ler, “não se sabe bem como”, e que um dia encontram, numa folha de jornal, a notícia de uma selva de betão que cresce a poucos quilómetros do mar. Intrigadas com a flora de que nunca ouviram falar, questionam todos os animais que encontram e começam uma longa caminhada para ver a novidade com os seus próprios olhos. O betão, como seria de esperar, revela-se uma desagradável e cinzenta surpresa. Mas nada que faça desanimar a girafa reticulada e a zebra riscada, cada uma bem letrada e pronta para defender um mundo mais verde.

Continuar a ler o artigo no link:

20 livros infantis para as férias de verão

 

Ahahahahahaha! Livros infantis com sentido de humor

Julho 21, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

Texto do Observador de 22 de junho de 2019.

Ana Dias Ferreira

Não contam piadas mas fazem rir, e o que lhes falta em princesas sobra-lhes em lata. Sete livros infantis (mais uma trilogia) que no último ano trocaram as lições de moral pelo humor certeiro.

1. Banana!

De Bernardo P. Carvalho (Planeta Tangerina). 12,50€

A Nuvem, o Sol, o Mar, o Iceberg, o Vento, o Vulcão, a Floresta, o Arco-Íris e o Reflexo. As nove personagens do novo livro de Bernardo Carvalho compõem uma panorâmica idílica, e sabem disso. O ilustrador deu caras sorridentes a colagens em papel colorido e pôs de pé esta história original onde a natureza se esmera para ficar bem nas fotografias e nas selfies dos turistas. Um dia o Vulcão acorda com má cara, “a chocar alguma”, e para além de uma erupção inesperada – “deve ter sido daquelas pedras que comi há 2500 anos” – há um sem-fim de brincadeiras com os elementos. Como diz a breve sinopse de uma linha, “um show daqueles”.

2. Trilogia das Formas

Texto de Mac Barnett, ilustrações de Jon Klassen (Orfeu Negro). 14€ cada

Jon Klassen é o Buster Keaton da ilustração infantil: bastam-lhe poucos traços e expressões impassíveis para nos fazer rir. De entre a sua já vasta obra, o melhor exemplo deste talento é mesmo a trilogia dedicada às formas geométricas, onde um triângulo, um quadrado e um círculo ganham vida com um simples par de pernas ou de olhos. A história de cada livro, escrita por Mac Barnett, é igualmente minimal e parte sempre de uma premissa quase nonsense: no primeiro volume, é o Triângulo que quer pregar “uma valente partida” ao Quadrado. No segundo, é o Quadrado que quer impressionar a Círculo com uma escultura. Resta esperar pela edição portuguesa do terceiro (no verão deste ano) e ver o que preparou a mais perfeita das formas.

3. Então, Morde?

De Jean Gourounas (Editorial Bizâncio). 11,90€

Um pinguim está parado no gelo, com um ar aborrecido, a pescar. A neve cai, o peixe não morde. Um a um, vão aparecendo outros animais do Ártico. A morsa pergunta “o que se passa aqui?”, a foca acrescenta “o peixe morde?” Mas nada acontece. A neve continua a cair, o pinguim continua no mesmo sítio com o mesmo ar aborrecido, o mesmo buraco no gelo e a mesma cana de pesca estática. Um mistério polar, explorado no sentido mais cómico pelas ilustrações do francês Jean Gourounas e o ritmo de animação lenta. Então, morde?, pergunta o título. O suspense permanece quase até ao fim.

4. Um Capuchinho Vermelho

De Marjolaine Leray (Orfeu Negro). 9,90€

Pequenino mas cheio de lata. Os dois adjetivos aplicam-se tanto a este livrinho como ao seu protagonista. Apenas com gatafunhos em três cores – branco, vermelho e preto –, a francesa Marjolaine Leray transforma o velho conto do Capuchinho Vermelho numa história inesperada e cheia de humor. Nesta versão, o dito Capuchinho não tem nada de ingénuo e é antes uma menina destemida, que não só não tem medo dos dentes afiados do lobo mau como ainda o acusa de ter mau hálito.

5. Lisboa Divertida — Livro de Atividades

Texto de Andreia Ribeiro, ilustrações de Alberto Faria (Caminho das Palavras). 9,90€

É apresentado como “uma passagem secreta para uma Lisboa diferente” e é, de facto, um livro especial. O divertido do título também não está lá por acaso, com uma série de atividades que desafiam os mais pequenos a atravessar um labirinto para ajudar Camões a encontrar o olho que perdeu em África, por exemplo, a contar os pombos em cima da estátua do cauteleiro ou a desenhar um teto para o Convento do Carmo. Uma visita guiada original que passa por outras paragens emblemáticas da capital, como a ponte 25 de Abril, o Oceanário, o Cristo-Rei ou o Museu dos Coches. Com mais um extra cómico: um marcador Martim Moniz, assim entalado no livro (e não na porta do Castelo dos Mouros).

6. Eléctrico 28

Texto de Davide Cali, ilustrações de Magali Le Huche (Nuvem de Letras). 14,90€

Davide Cali é conhecido pelos seus livros cheios de ritmo e sentido de humor. Em 2018, o autor suíço deu-nos este bombom com as suas melhores qualidades, passado num cenário familiar: o lisboeta elétrico 28. Na história ilustrada pela francesa Magalie Le Huche, não há enchentes de turistas (nem carteiristas), antes
um enredo imaginativo em que o condutor do elétrico, Amadeo, gosta de fazer de Cupido e dar uma mãozinha aos apaixonados tímidos que apanha entre o Martim Moniz e Campo de Ourique. Uma história de amor sobre carris, com direito a manobras, travagens bruscas e pastel de nata.

7. As Palavras que Fugiram do Dicionário

Texto de Sandro William Junqueira, ilustrações de Richard Câmara (Caminho). 14,90€

Quantas palavras existem num dicionário? O escritor Sandro William Junqueira, que as conhece bem, conseguiu inventar mais 23, num livro imaginativo e com sentido de humor. Três exemplos: alfabelo (“a pessoa que organiza alfabeticamente a beleza, para que seja mais fácil encontrá-la no meio das coisas feias”), esquecedor (“aparelho que aquece as pessoas esquecidas”) e orelheiras (“manifestação física de uma pessoa que está muito exausta de ouvir”). É fazer uma nova edição revista do dicionário de língua portuguesa e começar a usá-las.

8. Supõe…

Texto de Alastair Reid, ilustrações de Joohee Yoon (Bruaá). 16€

Todas as páginas começam pela palavra “supõe” e têm em comum um enorme sentido de humor. Às vezes são suposições muito curtas – “supõe que ensinava o meu cão a ler” –, outras muito longas e escritas de um fôlego, como os miúdos quando estão a contar coisas, demasiado entusiasmados para usar sinais de pontuação: “Supõe que construía o meu foguetão e ia até à lua mas não gostava muito e voltava para casa sem dizer nada a ninguém e me ria sozinho quando as outras pessoas falavam sobre isso.” Alastair Reid não precisa de supor: escreveu de facto um livro divertido, cheio de ideias estapafúrdias, nenhuma delas óbvia.

Pela Estrada Fascinante” 1º Encontro Internacional de Literatura, Ilustração e Edição para a Infância do Município de Aveiro – 6 de julho

Junho 30, 2019 às 5:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

Mais informações no link:

https://www.cm-aveiro.pt/visitantes/agenda-aveiro/evento/pela-estrada-fascinante

Leitores de berço: um guia nada definitivo de como ler para bebês

Junho 7, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

iStock/Arte Lunetas Bebês experimentam o mundo com as mãos, a boca e o corpo todo. O objeto livro faz parte daquilo que ele vai ler.

Texto do site Lunetas de 26 de fevereiro de 2019.

por Renata Penzani

Ler é sempre um ato de poder“. A afirmação é do escritor argentino Alberto Manguel. Quando imaginamos um leitor adulto, fica fácil compreender o que ela significa: a potência do conhecimento para ampliar repertórios e transformar a noção de si mesmo e do ambiente; o poder, aqui, aparece no sentido de potência, de possibilidade para questionar e subverter o mundo como ele se apresenta.

Mas e quanto às crianças? E os bebês? O que a leitura representa na primeiríssima infância? No período que vai do zero até os três anos, quais experiências um livro pode oferecer?

O que ler para bebês e por que ler para bebês são assuntos que aparecem com frequência aqui no Lunetas. Mas, afinal, como ler para bebês? Como ganhar sua atenção com livros, dentre tantos estímulos que o mundo oferece? Mas e se o bebê morder, babar e estragar o livro? Considerando que estas são perguntas que chegam com frequência dos nossos leitores, e a pedido deles, convidamos especialistas no assunto leitura e primeiríssima infância para refletir sobre o assunto.

Conversamos com Pierre André Ruprecht, diretor executivo da SP Leituras – Associação Paulista de Bibliotecas e Leitura, que gerencia a Biblioteca Villa-Lobos e a Biblioteca de São Paulo.

Entrevistamos também a pesquisadora e professora Cássia Bittens, psicóloga especialista em psicanálise, autora do projeto Literatura de Berço, que desenvolve conteúdos, vivências e formações relacionadas ao universo literário na primeira infância.

A ideia, aqui, não é esgotar o assunto nem apontar receitas prontas, e sim assumir a sua complexidade, pensar junto sobre as questões que o tema contempla, e sugerir caminhos de como começar a trilhar um caminho de livros desde o berço.

O que é ler para bebês?

Essa pergunta talvez seja o único ponto de partida possível. Antes de pensar sobre a importância da leitura para qualquer público, e sobretudo para os bebês, é bem-vindo pensar primeiro no que é ler, afinal.

Quando falamos em leitura, ultrapassamos a ideia de apreender códigos e interpretar uma linguagem. Ler é também ler o mundo, as pessoas, o círculo social onde vivemos e a sociedade como um todo. Ou seja, leitura também se refere ao entendimento de um código social, cultural e histórico. Partindo desse princípio, chegamos à importância da leitura na primeira infância.

“Existe o código escrito e sua apreensão, mas também outras leituras. Por exemplo, a leitura de imagens. A criança muito pequena está atenta ao mundo e já consegue ler imagens. A primeira imagem que ela lê são os olhos da mãe, depois o rosto, e vai ampliando o escopo de percepção”, defende Cássia.

Por que ler para os bebês, se eles não estão alfabetizados e não podem ainda interpretar palavras e imagens? Essa é uma pergunta que muitos adultos costumam se fazer. Por que, então, estimular o contato com a literatura neste primeiro período da vida?

Essa questão realmente é a chamada pergunta de 1 milhão de dólares. A constatação da qual a gente parte é que crianças que, na primeira infância, são colocadas em contato com narrativas, músicas, sons estimulantes e não redundantes, tendem a ser crianças mais curiosas, interessadas e felizes”, diz Pierre.

Além disso, vale a pena considerar também que bebês são pesquisadores e, até os dois anos principalmente, experimentam o mundo com os cinco sentidos. Por isso, eles leem com o corpo todo – as mãos, a boca, o nariz e os ouvidos. Os livros serão, então, parte desse processo de investigação do mundo. Para a pesquisadora Denise Guilherme, do nosso parceiro A Taba, os primeiros livros dos bebês são o corpo, o rosto e a voz de seus pais – leia mais sobre isso.

Outra questão diretamente relacionada ao porquê da leitura para bebês e crianças é o envolvimento dos pais em torno das suas próprias histórias que transmitem, criando um momento de qualidade dentro das famílias que certamente determinam um convívio mais feliz com as crianças.

Então, podemos pensar que a literatura na infância é mais a construção de uma relação afetiva entre a criança e quem lê com ela do que aprendizado ou apreensão de linguagens do livro? De acordo com os especialistas em desenvolvimento infantil, sim.

A leitura como vínculo

Desde 2016, a Biblioteca Villa-Lobos oferece todos os finais de semana um momento de mediação de leitura com bebês. É o Lê no Ninho. O objetivo do projeto é oferecer a oportunidade de adultos e crianças se encontrarem a partir da leitura, sem o intuito de ensinar a ler, e sim de estimular o encanto pela potência da leitura como construtora de vínculos. “Não existe um pressuposto no Lê no Ninho de que a gente vá ensinar coisas, e sim oferecer oportunidades de contato”, explica o diretor.

O programa foi criado com a proposta de estimular o gosto pela leitura entre crianças de seis meses a quatro anos, e se baseia em quatro pilares principais: cultura leitora, vínculos afetivos, conteúdo adequado e atitudes inspiradoras.

“O que não nos interessa quando se fala em ler para bebês? Antecipar a alfabetização, fixação de códigos. Acreditamos que há um momento para isso. Ler para bebês para nós é uma oportunidade de criar um momento de qualidade entre cuidadores e crianças em torno das histórias da comunidade, da cultura e da linguagem”, explica Pierre.

“Crianças de seis meses e de quatro anos também se relacionam com o legado cultural. Por isso, não nos centramos somente na leitura literária. A criança não faz essa distinção, mas ela percebe e se relaciona com a cultura da sociedade”, diz Ruprecht.

Lê no Ninho
Famílias e bebês leem juntos no projeto Lê no Ninho, realizado na Biblioteca Villa-Lobos.

Assista ao vídeo do Lê no Ninho:

Literatura como arte afetiva

Lendo para bebês, favorecemos um processo poético. É o que Cássia Bittens defende e pratica em seu trabalho. Além da clínica em consultório, ela atua como pesquisadora na área de leitura e infância no curso de mestrado em Literatura e Crítica Literária na PUC de São Paulo.

É desse cuidado com o que significa apresentar os códigos – escritos e falados, mas também gesticulados, ouvidos e sentidos – de uma cultura que vem uma defesa constante do valor da literatura como arte.

“Antes de a gente aprender a falar, aprendemos (e apreendemos) o som das palavras. E isso a poesia traz, que a é palavra de forma sonora. A música da palavra. E o bebê primeiro apreende essa música, para depois atribuir um significado”, explica.

Cássia reforça também o lugar da leitura como espaço de segurança emocional para o bebê. Quando leem com e para o bebê, os pais e cuidadores transmitem uma mensagem de disponibilidade e afeto que ultrapassa – e muito – os limites do livro, defende a pesquisadora.

“A música da palavra traz conforto, psiquicamente falando. Além de ter os braços, que aninham e representam o ‘holding materno’, segundo Whinnicot”, explica Cássia, referindo aos estudos de Donald Woods Winnicott, pediatra e psicanalista inglês que pesquisou a relação entre a função materna e o desenvolvimento do bebê.

De acordo com a Psicanálise, a função materna é aquela que aninha e dá colo, preparando as bases emocionais da criança. Já a função paterna representa a ampliação de mundo da criança, que passa do colo para o ambiente externo, expondo-se a riscos e novas experiências. Essas não precisam ser necessariamente funções fechadas em uma única figura – pai, mãe, avó, avô ou qualquer outro cuidador podem exercê-las.

Considerando quais são os receios e inseguranças mais comuns dos adultos quando se trata de leitura e bebês, levamos algumas perguntas frequentes dos leitores para os dois pesquisadores.

Qual a diferença entre contar uma história e ler um livro?

Pierre André Ruprecht: “Aí tem várias nuances. Estamos falando de contar histórias e de como o livro entra nisso. Aqui no Lê no Ninho, descobrimos que ele entra como objeto cultural, que é algo extremamente interessante. Trabalhar livros-imagem com crianças, por exemplo, é fascinante.

Gostamos muito de uma ideia nutrida pela Geneviève Patte, uma bibliotecária francesa que trabalhou a vida toda com crianças e leitura, que algo que deve acontecer em um projeto como esse é simplesmente oferecer livros silenciosamente, e deixar que as crianças os explorem da maneira como elas podem explorar. E aí, claro, se vamos oferecer, é claro que deve ser algo de extrema qualidade.

E ‘qualidade’ significa aí oferecer possibilidades para que as crianças possam se relacionar e criar; não tem nada a ver com didatismo, e nem ensinar comportamentos.”

Cássia Bittens: “Essa é uma questão muito preciosa. Meus estudos vêm se pautando nela. Porque existe, sim, uma diferenciação – penso que até fundante – entre ler histórias e ler livros.

Quando contamos uma história, há todo um universo emocional e cultural em torno da contação da história, porque estamos contando do seu jeito. Transmissão cultural não necessariamente está ligada à capacidade de compreensão do bebê. Pelo contrário: muito possivelmente, ela está ligada à vinculação com o bebê. Não só vinculação amorosa, mas de vida mesmo, em que o bebê fica curioso pela vida. Ele quer ouvir mais, sentir mais. O bebê está na cultura; quer ser humano e fazer parte dela. A contação de história está muito ligada à transmissão da cultura.

Por um lado, temos livros para bebês, que têm narrativas mais curtas, com rimas, repetições, cores sólidas, textos mais simples (no sentido de ter menos camadas). São textos importantíssimos porque trazem autonomia pensante para o bebê. Se o bebê só ouve o que o adulto quer, ele perde capacidade de escolha. Mas, se ele consegue ter autonomia de abrir e fechar, e entender como o livro funciona é importantíssimo pra desenvolver o processo do pensamento.

E se o bebê estragar o livro?

Pierre André Ruprecht: Para nós, essa não é uma questão. Achamos que alguns livros têm que ser lambidos. Pelo próprio cuidado que se tem com o livro no programa, a criança vai percebendo a importância daquele objeto e vai aprendendo a se relacionar com ele. Deixamos isso acontecer de modo muito natural.

Quando falamos de qualidade, ela vai até aí. Qualidade de conteúdo, de forma e também do ponto de vista do uso que vai ser dado. Então, faz parte do processo, não é um desvio e nem pode ser um obstáculo. Isso faz com que o bebê consiga no futuro desenvolver sua capacidade de interpretação autônoma.

Cássia Bittens: Se um livro estimula o leitor a ser ativo naquela leitura, ele provavelmente vai ser mais resistente, porque o design faz parte da narrativa. Quando estamos na outra parte da linha, que é a contação de histórias, são capas menos resistentes, materiais mais finos, etc, o que realmente deixa os adultos preocupados. Então, se for um livro muito precioso para os pais, não é para estar no acesso da criança, que com o tempo vai entender o significado do livro, e que livro não é brinquedo. Agora, existem os livros próprios para bebês aos quais eles podem ter acesso dia e noite.

Qual o maior desafio de ler para um bebê?

 

Pierre Ruprecht: Ficamos muito ansiosos com a atenção do bebê, mas não é necessário que ele esteja prestando atenção a todo momento. A atenção do bebê é a escolha que ele faz a partir do que é oferecido a ele. Por isso, a gente insiste muito nisso: a oferta tem que ter muita qualidade. E deve ser uma oferta calma, no sentido de que não se deve construir um ambiente excessivamente estimulante, com muito ruído, por exemplo.

Estamos ali para oferecer experiências e as condições para que elas aconteçam de um jeito tranquilo, saboroso e surpreendente. Tanto é que, no final da mediação, as famílias que participam levam para casa um kit de leitura, com livros, fantoches e brinquedos para que a experiência possa ser reproduzida em casa.

Temos como missão alcançar não só a criança, mas os pais. Queremos mostrar aos adultos que ler, se envolver com jogos de palavras, histórias, parlendas e afins é uma experiência rica que traz muita felicidade, boas possibilidades para o futuro e que pode ser reproduzida todos os dias. O kit existe para isso.

Cássia Bittens: “Eu penso que o maior desafio é ser respeitoso com o bebê. Muitos parecem que não estão focados, mas estão ali e aqui ao mesmo tempo. Então, é preciso estar entregue ao bebê no momento da leitura. Tem algumas dicas: rimas e repetições sempre funcionam. Quando contamos uma história, o literário é apreendido pelo bebê por meio do corpo. Se o livro provoca pela sonoridade, ele vai se transformar naquele personagem, esse é o principio da alteridade.”

Quer montar a primeira biblioteca do bebê? Inspire-se:

Resumo

“Como ler para bebês, se eles não ainda interpretam letras e imagens?”. Conversamos com especialistas em leitura e primeira infância para pensar a leitura como ampliação de repertório e construção de vínculos emocionais seguros.

 

 

 

Página seguinte »


Entries e comentários feeds.