Crianças de Rua. “Hoje são menos mas o perigo é muito maior” notícia com declarações de Matilde Sirgado do IAC

Novembro 15, 2019 às 12:30 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

Notícia do Expresso de 13 de novembro de 2019.

Estão mais vulneráveis ao crime organizado, às redes de tráfico de pessoas, à prostituição. As crianças que se encontram nas ruas já não o fazem exclusivamente por motivos financeiros. Fogem para dizer basta e, de certa forma, “vão à procura de um sonho” mas a realidade que encontram é muito diferente, explica ao Expresso o Instituto de Apoio à Criança, que em 2018 acompanhou 52 casos no distrito de Lisboa.

Era fácil reconhecê-las, “não só pelos locais onde estavam na cidade, mas também pelo seu aspeto”. As roupas estavam rotas, notavam-se os escassos cuidados de higiene. Hoje não é assim, embora crianças e jovens continuem a estar nas ruas. “Existem algumas situações de exclusão extremas, quase como encruzilhadas sociais”, diz ao Expresso Matilde Sirgado, coordenadora do Projeto Rua, que funciona como observatório social e é desenvolvido pelo Instituto de Apoio à Criança (IAC). “É uma realidade que persiste em países da União Europeia, não é um problema de terceiro mundo.” Estão mais escondidos e quase todos fugiram de casa ou da instituição, como “não têm sítio onde ficar, acabam por se abrigar no sítio onde os sem-abrigo costumam ficar”.

“Hoje há menos crianças e jovens sem-abrigo, mas o perigo é muito maior. Estão mais vulneráveis ao crime organizado, ao tráfico de pessoas, à angariação de jovens, à prostituição”, diz Matilde Sirgado. “Há uma maior prevalência na faixa etária entre os 13 e 18 anos, mas o grande pico de idades é entre os 14 e 16 anos.”

Em 1989, o Projeto Rua acompanhou 162 crianças e jovens e nos anos seguintes o número oscilou, nunca passando para lá das centenas de casos: 610 em 1994, 300 em 1995. Com o novo século, dispararam para 758 e, em 2009, chegaram aos 1385. Foi em 2010 que o número cresceu como nunca antes: foram acompanhadas 1836 crianças e jovens. Há cinco anos, as estatísticas voltavam a valores próximos do século passado (471) e, em 2018, o IAC acompanhou ainda 52 processos (16 novos casos e 36 que transitam de anos anteriores).

Abrigam-se em locais mais protegidos, procuram esconder-se das autoridades e recorrem a balneários públicos e aos serviços das instituições e associações de intervenção, refere o relatório do IAC. Não ficam longos períodos de tempo na rua e rapidamente são detectados.

“Estamos a falar de jovens que têm as mesmas necessidades de todos os outros jovens destas idades. Muitas vezes vêm de contextos familiares carentes, muitos fogem de casa com o obvjetivo de dizerem basta. Vão à procura de um sonho, de uma realidade diferente e encontram um contexto muito diferente e muito mais complicado do que tinham imaginado”, explica Matilde Sirgado. “Os que fogem das instituições, diz-nos a experiência, não tem que ver com os lugares ou com os funcionários. Tem mais que ver com as medidas e as políticas sociais em vigor.”

Olhando para os 52 casos acompanhados em 2018, a maioria dos jovens é do sexo feminino (38) e tem 17 anos, embora o IAC note que esteja a crescer o número de fugas em idades mais jovens. “Hoje em dia, os fatores de risco de desestruturação psíquica são mais fortes. A fuga é, assim, um apelo desesperado, uma expressão possível de um grito de socorro perante tempestades emocionais que sucessivamente os abalaram”, pode ler-se no relatório. Todos têm nacionalidade portuguesa.

Adolescência: a idade de ruptura

Por criança de rua entende-se “todo o menor que entrou em rutura com a rede familiar ou comunitária, por abandono ou por escolha própria, de forma mais ou menos radical, passando, assim, a viver sob a sua própria responsabilidade”. Por vezes, descreve o IAC, sobrevive “através de atos mais ou menos ilícitos, pernoitando em locais destinados a sem-abrigo e com condutas antissociais progressivamente mais graves”, sendo considerada uma criança em “situação de marginalidade”.

A motivação dos jovens também mudou ao longo dos anos, hoje já não se foge ou se dorme na rua exclusivamente por razões económicas, aponta Matilde Sirgado. “Antes era sobretudo um problema de natureza económica. As crianças que estavam na rua mendigavam, eram forçadas a prostituírem-se. Atualmente é também por falta de acompanhamento, do contexto social, da rapidez com que a sociedade vive, da nossa sociedade toda ligada, das redes sociais. Saem da malha e alguns deles vêm das classes mais protegidas”, diz. “Por trás de uma fuga há uma série de problemas que ao mesmo tempo facilitam a fácil entrada no mundo do crime”, alerta ainda.

Entre os casos do ano passado (52), a maioria esteve em determinado momento da vida exposto a “modelos de comportamento desviante” (29). Pelo menos 16 não frequentavam a escola, oito consumiam droga e quatro estavam em situação de sem-abrigo. Há ainda registo de casos esporádicos como roubo (3), mendicidade (3), consumo de álcool (2), prostituição (2) e tráfico de estupefacientes (2).

“Cada vez mais cedo iniciam a experimentação de substâncias psicoativas, procurando um aumento de bem-estar e também enquanto desejo de provocação, de desafio e aceitação no plano social, no limite ao ilícito. É devido à desestruturação da sua vida, à falta de competências sociais, à reduzida capacidade de autocontrolo emocional e à falta de hábitos de planificação, que estes adolescentes e jovens procuram soluções imediatas, que na maioria dos casos não se apresentam como respostas saudáveis”, acrescenta o relatório.

O Projecto Rua do IAC tem como objetivo principal a intervenção no distrito de Lisboa em situações de emergência face a crianças, adolescentes e jovens desaparecidos e/ou explorados sexualmente com especial incidência sobre os que se encontram em fuga (casa ou instituição). É a equipa que vai até aos jovens, que os procura e tenta tirá-los da rua, com o objetivo de os ajudar a terminar com a fuga e a reintegrarem-se.

Inauguração da Unidade Móvel Lúdico Pedagógica do IAC Projecto Rua

Novembro 5, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

Voluntários da AD&C ajudam a recuperar Centro de Desenvolvimento e Inclusão Juvenil do Instituto de Apoio à Criança

Outubro 9, 2019 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

No âmbito da Semana do Voluntariado (iniciativa prevista no Plano de Responsabilidade Social e Ambiental da AD&C 2019/2020) a Agência para o Desenvolvimento e Coesão lança o desafio a todos os colaboradores/as de recuperar o espaço exterior do Centro de Desenvolvimento e Inclusão Juvenil – Zona Centro, do Instituto de Apoio à Criança. Esta acção vai realizar-se na semana de 14 a 18 de Outubro e organiza-se em duas fases ao longo da semana com uma equipa de limpeza e jardinagem e uma equipa de pintura e decoração.

28ª Ação de Formação para Animadores, promovida pelo IAC, decorre entre 10 e 12 de outubro

Setembro 17, 2019 às 2:19 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: ,

28ª Ação de Formação para Animadores

O Instituto de Apoio à Criança – Projecto Rua vai promover entre os dias 10 e 12 de outubro de 2019 mais uma ação de formação para interventores sociais.

Este evento irá decorrer na Quinta das Águas Férreas em Caneças, em regime residencial.

À semelhança dos anos anteriores, será uma formação intensa onde se pretende contribuir para um enriquecimento do interventor social e para uma maior eficácia da sua intervenção.

Pretendemos partilhar, numa aprendizagem experiencial, princípios metodológicos, onde aliamos a técnica, o lúdico e a afetividade.

Esta formação pretende, ainda repensar as formas de intervir com as crianças, jovens e famílias vulneráveis, aplicando ao contexto da intervenção social, abordagens colaborativas (centradas nas soluções e nas competências) e estratégias que tornam os interventores excecionais no seu trabalho com as crianças, utilizando a educação vivencial como metodologia para promover o desenvolvimento das equipas e as competências pessoais e sociais das crianças e jovens.

 

Veja aqui o Programa com link para o formulário de inscrição.

 

O valor da inscrição é de 50 Euros, estando incluído o alojamento e refeições.

O envio do comprovativo de pagamento deverá ser enviado para iac-prua@iacrianca.pt

 

Contamos com a vossa participação!!

Projeto Da Rua para a Inclusão, do Instituto de Apoio à Criança, premiado pelo Prémio BPI Solidário 2018

Agosto 19, 2019 às 11:50 am | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

28ªAção de Formação “Técnicos(as) Trapezistas” Novas Abordagens junto de Crianças, Jovens e Famílias Vulneráveis – 10 e 12 outubro em Caneças

Agosto 14, 2019 às 1:30 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Açao formaçao PR

“Ainda há crianças na rua, mas agora são adolescentes em fuga” Entrevista de Matilde Sirgado do IAC ao Público

Agosto 13, 2019 às 2:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

Daniel Rocha

Ainda há crianças na rua mas agora são adolescentes em fuga

Entrevista da Dra. Matilde Sirgado, Coordenadora do setor IAC- Projecto Rua, Tesoureira e Membro da Direção do Instituto de Apoio à Criança ao Público de 13 de agosto de 2019.

Ação de Formação “Técnicos(as) Trapezistas” Novas Abordagens junto de Crianças, Jovens e Famílias Vulneráveis

Agosto 1, 2019 às 11:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Açao formaçao PR

Entrevista de Dulce Rocha Presidente do IAC

Maio 27, 2019 às 4:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

Entrevista da Dra. Dulce Rocha, Presidente do IAC à Revista VIP no dia 25 de maio de 2019.

Projeto Rua ministra várias ações de formação em Cabo Verde

Dezembro 19, 2018 às 3:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , ,

No âmbito da Campanha ” Basta de Violência contra Crianças” promovida pela Rede Nacional de Prevenção e Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças para fins Comerciais e Turísticos, Matilde Sirgado e Isabel Duarte deslocaram-se a Cabo Verde, mais precisamente às Ilhas do Sal e de Santiago no período de 3 a 10 de dezembro para ministrarem duas acções de formação. Com o objetivo de desenvolver competências profissionais e capacitar os interventores sociais para intervir na prevenção da violência sexual contra crianças, adolescentes e jovens, estas acções visaram igualmente promover a reflexão acerca das necessidades das crianças versus as responsabilidades parentais, numa perspectiva de prevenção dos maus tratos infantis. As acções de formação contaram com a participação de técnicos de diferentes organismos e forças de segurança que enfatizaram a importância dos conteúdos e o reforço da necessidade de uma intervenção, que se quer cada vez mais integrada e proactiva na salvaguarda dos direitos da criança. O IAC representado por Ana Carichas e Isabel Duarte, esteve ainda em Cabo Verde no mês de outubro, a convite do ICCA – Instituto Caboverdiano da Crianças e do Adolescente, para a realização de uma ação de formação sobre a metodologia de intervenção do Projecto Rua integrada no Encontro Nacional dos Técnicos do ICCA.

Veja aqui os vídeos da notícia divulgada na Rádio Televisão de Cabo Verde:

http://www.tcv.cv/index.php?paginas=47&id_cod=73637

http://www.tcv.cv/index.php?paginas=47&id_cod=73739

 

Página seguinte »


Entries e comentários feeds.