Duas dezenas de escolas suspeitas de subir notas

Dezembro 31, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 21 de dezembro de 2019.

Inspeção-Geral da Educação abriu mais dois processos disciplinares no Externato Ribadouro e tem cerca de duas dezenas de averiguações em curso. Inflação de notas subverte acesso ao ensino superior.

O inquérito ao estranho caso das turmas de 10º ano do Externato Ribadouro, no Porto, em que 95% dos alunos tiveram 19 e 20 valores a Educação Física e a classificação mais baixa foi de 18, está concluído e aquele que é um dos maiores colégios do país vai enfrentar mais dois processos disciplinares: um sobre a administração e outro sobre a diretora pedagógica.

A responsável enfrenta um segundo processo, noticiado pelo Expresso em novembro, e que decorreu também da averiguação da Inspeção-Geral da Educação e Ciência (IGEC) sobre as classificações dadas pelos professores. Neste caso, foi a atribuição de um “número significativo de classificações elevadas em disciplinas do 12º ano não sujeitas a exame nacional” que gerou a suspeita. Além desta investigação, o Ministério da Educação (ME) indica que “estão cerca de duas dezenas de processos em curso”, relacionados com a mesma prática.

No caso das cadeiras sujeitas a exame, o controlo sobre a inflação de notas é mais fácil. De acordo com os dados do ME, o que se verifica é que há escolas em que sistematicamente as notas internas dos alunos afastam-se de forma significativa das dos restantes colegas do país que têm as mesmas avaliações nos exames nacionais. Ou seja, no mínimo pode dizer-se que estão a usar critérios de avaliação mais generosos. Há 18 secundárias que nos últimos cinco anos letivos estiveram sempre nesta lista. A maioria (15) são privadas e nenhuma fica a sul de Coimbra.

“Nenhuma das 30 escolas privadas de Lisboa entra nesta lista da inflação repetida e no distrito do Porto 10 em 28 estão lá. Era importante que houvesse uma intervenção do ME”, defende Cristina Santos, docente da Faculdade de Medicina do Porto e autora de um estudo sobre o desempenho dos alunos nesta escola e a secundária que frequentaram. Nele constatou que os jovens que vinham de estabelecimentos onde a inflação de notas era prática acabavam por se sair pior do que os outros. Ou seja, tendo tido notas mais generosas podem ter ultrapassado injustamente outros estudantes no acesso à universidade que, eventualmente, trabalharam tanto ou mais do que eles, mas não conseguiram as décimas adicionais para entrar em cursos tão disputados como Medicina, alerta.

Quanto à concentração a Norte, acredita tratar-se de uma questão de contágio e competição pelos alunos. A IGEC tem realizado várias ações junto destas escolas e está agora a olhar para as notas nas disciplinas não sujeitas a exame.

“Futoko”. Cada vez mais crianças japonesas abandonam a escola

Dezembro 31, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 23 de dezembro de 2019.

Regras muito rígidas e dificuldades de socialização estão entre as razões apontadas para que mais de 160 mil crianças, só no ano passado, tenham desistido das aulas no Japão.

Dificuldades de comunicação, regras rígidas – como a obrigação de pintar o cabelo de preto -, problemas financeiros e familiares. Estas são algumas das razões que levam cada vez mais crianças japonesas a recusarem ir à escola. O ano passado foi batido um recorde no país, quando mais de 160 mil alunos faltaram às aulas por mais de um mês. A alternativa para estas crianças são as “escolas livres”, mas as habilitações conseguidas com este modelo escolar não é reconhecido.

O absentismo das crianças japonesas é um fenómeno que até já recebeu um nome: “futoko“. Mas a atitude japonesa em relação ao abandono escolar, escreve a BBC, foi sofrendo alterações ao longo dos anos.

Até 1992, a recusa em participar nas atividades escolares – então chamada tokokyoshi (resistência) – era considerada um tipo de doença mental. Em 1997 a terminologia mudou para “futoko”, um termo mais neutro e que significa “ausência”.

Em outubro, o governo japonês anunciou que o absentismo entre os alunos do primeiro e segundo ciclos atingiu um recorde, com 164.528 crianças ausentes por 30 dias ou mais em 2018, por comparação com as 144.031 em 2017.

A alternativa ao ensino regular para estas crianças são as chamadas “escolas alternativas” ou “escolas livres”, um movimento que teve início no Japão nos anos 80, em resposta ao número crescente de “futoko“.

Há escolas que impõe a cor da roupa interior dos alunos

São escolas que assentam em princípios de liberdade e individualidade, mas não dão às crianças uma qualificação reconhecida. O número de estudantes que frequenta escolas alternativas em vez de escolas regulares aumentou ao longo dos anos, de 7.424 em 1992 para 20.346 em 2017.

Além do abandono escolar, cresce ainda um outro fenómeno entre os alunos das escolas japonesas e muito mais perturbador: em 2018, o número de suicídios de estudantes foi o mais elevado em 30 anos, com 332 casos.

O que leva uma criança a recusar ir à escola, no Japão, pode envolver problemas familiares, dificuldades de socialização, divergências com amigos ou bullying, apontou um estudo realizado pelo Ministério da Educação japonês.

Os alunos que desistiram da escola dizem que o fizeram porque não se davam bem com outros alunos ou, às vezes, com os professores. Há muitos jovens que não se sentem confortáveis com as regras rígidas impostas nas escolas do Japão que muitas vezes obrigam os alunos a pintar o cabelo de preto, ou que não permitem que os estudantes usem calças justas ou casacos, mesmo em dias frios. Há casos em que até a cor da roupa interior é imposta pela escola.

Uma orquestra cheia de afetos

Dezembro 31, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da Fundação Calouste Gulbenkian de 16 de dezembro de 2019.

Um projeto PARTIS usa a música para mitigar relações conflituosas e a agressividade com que crianças dos 3 aos 6 anos convivem diariamente.

A sessão começa com a canção do Bom Dia. À volta de um círculo, cada um diz o seu nome e faz um gesto a seu gosto, que os outros imitam. Muitos ainda se apresentam em surdina, com as mãos enfiadas no meio das pernas, mas já há quem o faça alto e bom som, com braços no ar ou uma careta, prova de que simples brincadeiras são capazes de levar crianças dos três aos seis anos a vencer o desconforto da exposição. E se permitem isto, o que mais não haveriam de permitir?

Vânia Moreira, violoncelista, senta-se no meio deste grupo do Jardim de Infância Amélia Vieira Luís, em Carnaxide, para dirigir esta sessão da Orquestra de Afectos como uma verdadeira maestrina, dando espaço à expressão de cada um, mas pondo-os a todos a trabalhar na mesma direção. Distribui ovos musicais que são passados de mão em mão, orienta o ritmo, incentiva os miúdos a juntarem as suas vozes à sua, fala, ouve-os com atenção, teatraliza. E sugere ainda dinâmicas como a do condutor que ora está contente ora faz voz mais grossa, ou a da condutora mais tímida e daqueloutro mais… “Zangado!”, grita-se da roda. Vânia aproveita a deixa: “E a vocês, o que vos deixa zangados?”, pergunta ao grupo, inserido num território escolar onde a agressividade é um dado reconhecido.

“Quando queremos ver televisão e a mãe não deixa”, ouve-se. “Quando batem nas pessoas.” “O meu mano às vezes abusa.” A monitora cavalga a onda: “E o que podemos fazer para que fiquem menos zangados?” Sem respostas, Vânia engancha: “O que me ajuda a mim quando estou zangada é um abraço.” A resposta contenta o grupo, mas para a próxima, tentará abrir novos caminhos, apresentar soluções, ferramentas para as crianças saberem lidar com situações de zanga e agressividade, como lhe sugere, no fim da sessão, Daniela Leal, a psicóloga que acompanha o projeto.

Afinal, a Orquestra de Afectos candidatou-se à Iniciativa PARTIS – Práticas Artísticas para a Inclusão Social, financiada pela Fundação Gulbenkian, com esse propósito: “trabalhar a comunicação afetiva no jardim de infância através da música, como forma de mitigar relações conflituosas que resultam, em muito, numa transferência dos problemas dos bairros circundantes para a escola”, refere a candidatura. A música é, como na Orquestra Geração (a “irmã mais velha” da Orquestra de Afectos), a ferramenta para promover competências pessoais (afetividade, criatividade, comunicação, pensamento divergente) e sociais (relação afetiva aberta e diversa, baseada na calma e amabilidade) que lhes servirão para as suas vidas e para as dos que os rodeiam.

Porque se os miúdos são os beneficiários mais diretos das sessões, o projeto pretende envolver e desenvolver outras relações: das educadoras e auxiliares com os alunos, dos pais com a escola… A ideia é chegar ao maior número de pessoas, para que a dinâmica se estenda à comunidade educativa e sobreviva ao projeto.

O texto vai longo. Já se teatralizou a canção do girassol e a gambiarra de luz ténue que “traz calor”, conforto, passou por todos. Lá fora decorre uma rixa entre alunos mais velhos que passa despercebida. A sessão chega ao fim e despedimo-nos melodicamente: Está na hora do adeus / Para a sala vou voltar / Ao meu amigo do lado / Um abraço vou dar.

A música, como elo de ligação

Há dias em que alunas seniores da Orquestra Geração (OG) se juntam, com os seus instrumentos, às monitoras. O projeto Orquestra de Afectos nasceu quando Helena Lima, coordenadora artística do projeto, concluiu, através de atividades da Orquestra Geração nas escolas, que alguma da “agressividade observada tem origem numa idade prévia à entrada na OG e que a sua prevenção depende de uma abordagem que começa no jardim de infância”.

A realidade onde se insere o projeto não é desconhecida das alunas da OG. A sua presença é, pois, vista como uma grande mais-valia – “há uma proximidade etária e de contexto com a população que se pretende tocar”, explica Helena Lima. Em contrapartida, as alunas retiram da experiência valências importantes para a sua vida futura. Todos ficam a ganhar.

Viatura de animação comunitária reforça Instituto de Apoio à Criança

Dezembro 30, 2019 às 8:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da Câmara Municipal de Lisboa de 19 de dezembro de 2019.

Nova unidade móvel reforça intervenção do “Projeto Rua”. O programa é apoiado pela Câmara de Lisboa, que, em abril, cedeu ao Instituto de Apoio à Criança (IAC) o edifício da nova sede, por um período de 25 anos.

A viatura de animação comunitária do “Projeto Rua” foi entregue hoje, 19 de dezembro, e vai permitir desenvolver novas atividades lúdico-pedagógicas com as crianças.

O projeto, sob o lema da inclusão, vai ao encontro de jovens em zonas de maior carência social, através de deslocações pela cidade, com recurso a uma ‘unidade móvel lúdico-pedagógica’.

A nova viatura, com o apoio da autarquia, foi apresentada no Bairro Alfredo Bensaúde, nos Olivais, e contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, da presidente do IAC, Dulce Rocha, e Manuela Eanes, presidente honorária da instituição.

Gravidez: o que contribui para o aparecimento da obesidade na criança?

Dezembro 30, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Sapo Lifestyle

Alguns fatores presentes na gravidez estão relacionados com o aparecimento do excesso de peso e da obesidade durante a infância:

  • Obesidade da mãe
  • Ganho de peso excessivo da mãe
  • Fumo do tabaco
  • Diabetes não controlada

Quais são as principais medidas a tomar durante a gravidez para prevenir a obesidade infantil?

Não se sabe ao certo como agem alguns fatores, como o fumo do tabaco, o ganho de peso excessivo da mãe, a obesidade da mãe e a diabetes não controlada durante a gravidez, para aumentar a tendência do bebé para ter excesso de peso na infância.

Mas existe uma série de explicações possíveis para isso. Com base nestes fatores, podemos sugerir algumas medidas que certamente contribuem para uma gravidez mais saudável e que são capazes de contribuir para a prevenção da obesidade no bebé:

  • Engravidar com um peso saudável
  • Ter bons hábitos de alimentação e atividade física durante a gravidez
  • Ter um ganho de peso adequado durante a gravidez
  • Não fumar
  • Diagnosticar e controlar a diabetes

É importante ter em conta que o aparecimento ou não da obesidade na criança não depende somente daquilo que acontece durante a gravidez. Após o nascimento e durante a vida da criança, os seus hábitos alimentares, de atividade física e de sono vão ser determinantes para o aparecimento ou não da obesidade. Ainda neste sentido a gravidez pode contribuir de forma significativa para a prevenção da obesidade na criança. Em primeiro lugar, dentro da barriga da mãe o bebé começa a ter contacto com os paladares da alimentação da mãe. Estudos indicam que a alimentação da mãe durante a gravidez pode influenciar as preferências alimentares do bebé. Assim, ter uma alimentação saudável durante a gravidez pode contribuir para a formação de bons hábitos de alimentação na criança.

Por outro lado, os hábitos alimentares e de atividade física dos próprios pais estão entre as mais fortes influências nos hábitos das crianças. A criança copia tudo aquilo que vê nas pessoas mais importantes que estão a sua volta.

A gravidez pode ser o motivo que falta para que a família siga hábitos mais saudáveis de alimentação, atividade física e descanso. Assim, será muito mais fácil e natural conseguir que a criança tenha também hábitos saudáveis de alimentação, atividade física e sono. Sabia que os hábitos de pequenino vão influenciar os hábitos e a saúde do seu filho para o resto da vida?

Como posso colocar em prática estas medidas de prevenção da obesidade infantil?

Se está a pensar em engravidar, comece por marcar uma consulta de planeamento familiar. Nesta consulta poderá esclarecer as suas dúvidas e vai receber as orientações necessárias para que a gravidez inicie da melhor forma para si e para o bebé.

Se já está grávida e ainda não marcou uma consulta de Saúde Materna, faça-o o quanto antes. Mantenha o acompanhamento durante toda a gravidez pois isso é fundamental para levar uma gravidez saudável e tranquila.

Como também pode verificar nesta secção, o melhor que pode fazer para si e para o seu bebé é procurar ter uma vida cada vez mais saudável, com bons hábitos de alimentação, atividade física e descanso. Para além dos benefícios que terão durante a gravidez, estará a construir um ambiente familiar mais saudável para a chegada do bebé. Se é fumadora, deve procurar ajuda para deixar de fumar, de preferência ainda antes de engravidar.

O pai e outros membros da família podem e devem aderir às mudanças no sentido de uma vida mais saudável. Assim estarão a ajudar a si próprios, à mãe e ao bebé. Será um início de vida promissor para o vosso filho e uma excelente oportunidade para toda família.

Muitas dúvidas vão surgir e o Papa Bem está aqui para ajudá-los neste sentido. Queremos alertá-los acerca da importância de uma “família saudável” para o bom desenvolvimento e para a saúde do vosso bebé e orientá-los para o alcance deste objetivo. Para isso, preparámos uma série de materiais com informações e sugestões para tornar as escolhas saudáveis mais atraentes e fáceis de se colocar em prática.

Para mais informações consulte www.papabem.pt

Viagem pelo corpo humano – Teatro musical infantil no Tivoli em janeiro e fevereiro

Dezembro 30, 2019 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Mais informações no link:

https://www.plano6.pt/detalhe.asp?n=66

Atividades extracurriculares ou trabalho infantil: descubra as diferenças

Dezembro 29, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Sapo Lifestyle de 18 de dezembro de 2019.

É importante pensarmos na diferença entre permitirmos que os nossos filhos frequentem atividades extracurriculares, acompanhando-os no incentivo e nas boleias ou fomentarmos uma carreira e uma atividade laboral em crianças de oito anos de idade.

Há alguns anos, as minhas filhas frequentavam aulas de ballet na escola. Eu tinha tido aulas em criança, com uma professora “à antiga”: dura, rígida, daquelas nas quais um silêncio significava que estava muito bem uma vez que nunca lhes sairia um elogio. Os comentários que ouvia por parte das minhas filhas não eram muito abonatórios: que a professora só ligava a duas ou três, que era pouco simpática e ainda menos paciente. Quando a conheci, a primeira coisa que me disse foi que uma das minhas filhas tinha mais jeito do que a outra. Naquele momento a decisão que já se estava a formar de as tirar do ballet foi tomada.

Não é isto que se espera de uma professora de crianças de seis anos que lecciona uma atividade extracurricular. Não me parece aceitável que professores de crianças pequenas se foquem mais “no jeito”, no desempenho ou que tenham uma postura mais de olheiros à procura do talento do que pedagogos. Não estão no sítio certo. De um professor de crianças de qualquer atividade espera-se que ensine a componente técnica e que ensine a aprender, a evoluir, a lidar com a frustração, a aceitar falhar e perder e, (não negociável) a aprender o amor próprio e respeito incondicional por nós mesmos e pelos outros, independentemente dos resultados.

Se este é um problema com professores ou treinadores, ainda se pode tornar mais grave quando vemos pais que têm também eles esta postura, os “pais manager”: encontraram um talento nos filhos e dedicam-se a desenvolvê-lo. Não raras vezes e não por coincidência, o talento é numa atividade que lhes interessa e para a qual “não tiveram as condições” que agora proporcionam aos filhos. E aqui é importante pensarmos na diferença entre permitirmos que os nossos filhos frequentem atividades extracurriculares, acompanhando-os no incentivo e nas boleias ou fomentarmos uma carreira e uma atividade laboral em crianças de oito anos de idade. É que num enquadramento diferente estaríamos a falar de trabalho infantil.

Mas quais são as diferenças?

– O facto de a atividade ser prioridade na vida da criança e da família. Os jogos ou torneios ao fim de semana condicionam em certo grau a vida familiar, mas uma coisa é haver alguns fins de semana em redor da atividade, outra são os planos da família dependerem da atividade da criança.

– Quando a atividade é vista pelos adultos como central nos projetos de futuro da criança. Os próprios pais instigam o filho a encarar esta atividade como uma carreira e vivem as angústias do falhanço e a euforia do sucesso como se disso se tratasse. Já deixando de lado a hipótese de uma lesão poder deitar sonhos por terra, o bom senso diz-nos que ninguém deveria ter de escolher o que vai ser quando for grande aos sete anos. Este tipo de visão partilhada acaba por estreitar as áreas de competência em que a criança se sente à vontade. O seu valor fica demasiado dependente de “ser bom” na atividade que pratica o que pode comprometer o seu desenvolvimento socioemocional.

– A existência de um investimento emocional, financeiro e ocupacional dos pais. Quando os próprios pais tomam esta atividade dos filhos como central na sua vida, sacrificando-se a diferentes níveis para que estes a possam praticar. Esta escolha dos progenitores ainda pode criar mais peso para a criança, ao perceber que o seu desempenho é central para a realização dos pais. Por outro lado, vai fazer com que as conversas familiares girem demasiado em redor deste tema, tirando espaço a outros interesses.

– A pressão para resultados e para a excelência no desempenho. É na atividade, no empenho e no esforço que a tónica deverá estar. Quem vive dos resultados são os adeptos, aos pais cabe apoiar e mostrar que estão lá quer corra bem quer corra mal. O cúmulo desta atitude será ouvir progenitores que falam no plural sobre os resultados dos filhos: “perdemos”, “ganhámos”…etc.

– A criança não ter poder de escolha para continuar, desistir ou dedicar-se menos à prática da atividade. Por vezes a própria criança já não quer continuar, mas não sente o direito de o dizer ou de o fazer. Aparecem as dores de barriga, os enjoos e outras razões plausíveis para não irem treinar. É crucial que a criança saiba que pode parar, desistir, e que não foi tempo perdido. Foi uma atividade que o ajudou a superar dificuldades, a ganhar hábitos de treino, a lidar com os colegas e adversários, a conhecer-se melhor.

Na infância, os adultos são vistos como os detentores da verdade, não apenas acerca da área que ensinam mas, também, é com eles que aprendemos como somos. Por isso, a ausência de elogios, de incentivo, a humilhação perante os erros, a rejeição das falhas, ser preterido, ser bem ou mal tratado dependendo dos resultados tem um impacto no amor próprio da criança e do adulto em que se vai tornar. Daí o privilégio e a responsabilidade que temos como educadores.

Mas, e se houver mudanças no modo como os pais e professores olham para as atividades extracurriculates dos filhos? O mundo vai ter piores atletas ou artistas? Provavelmente sim. No entanto, parece-me que o mundo precisa mais de pessoas completas e compassivas do que de pessoas perfecionistas, individualistas e competitivas, numa dependência incessante de resultados para atingir momentos de bem estar.

Ana Moniz – Psicóloga, Psicoterapeuta, Executive Coach e autora do livro: “Este livro não é para fracos: Como agir com coragem está ao alcance de todos”

Inimigos da atividade física na infância: sugestões e conselhos

Dezembro 28, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Sapo Lifestyle de 28 de outubro de 2019.

A atividade física é essencial para o crescimento saudável e para o desenvolvimento da criança. Durante a infância, brincar é a melhor forma de fazer atividade física.

As crianças são naturalmente ativas logo desde a barriga da mãe. Contudo, nas sociedades atuais, a atividade física tem de disputar o seu espaço nos dias das crianças.

A televisão, os computadores e os videojogos estão entre as atividades que mais competem pela atenção das crianças e acabam por torná-las mais inativas. Mas a atividade física enfrenta também outros inimigos durante a infância. Saiba quais são os mais comuns e como combatê-los para que o seu filho tenha uma vida mais ativa e

As atividades que envolvem ecrãs são, regra geral, inimigas da atividade física. Ver televisão, usar o computador, jogar videojogos ou até mesmo usar um telemóvel são atividades que afastam as crianças de outros tipos de brincadeiras e mantêm a criança sentada ou parada durante longos períodos de tempo. Isto significa que a criança reduz a quantidade de tempo que passa em atividades mais movimentadas e, por isso, reduz também o seu gasto de energia, o que pode contribuir para a obesidade.

Além disso, as atividades que envolvem ecrãs podem ter outras consequências negativas para o desenvolvimento e a saúde da criança. Por exemplo, tem sido demonstrado que ver televisão antes dos 2 anos de idade pode afetar o desenvolvimento da linguagem e também reduzir a capacidade de atenção da criança no futuro.

Sugestões para combater o inimigo número 1:o ecrã

O tempo que a criança passa em atividades que envolvem ecrãs é um hábito que se aprende desde muito cedo. Na correria do dia-a-dia, é fácil que os adultos caiam na tentação de utilizar a televisão para entreter as crianças enquanto estão ocupados com outras tarefas.

Para conseguir que a sua criança tenha uma vida mais ativa e saudável, procure seguir as últimas recomendações dos especialistas sobre atividades com ecrãs para crianças até aos 5 anos de idade:

– Crianças com menos de dois anos de idade não devem ver televisão ou participar em atividades que envolvam ecrãs.

– Crianças com dois a cinco anos de idade devem ter um limite de uma hora para o tempo passado em atividades que envolvam ecrãs, como ver televisão.

– Crianças não devem ter televisão no quarto de dormir.

Não é só o tempo que a criança passa em atividades com ecrãs que importa. É necessário ter em atenção os tipos de programas que a criança assiste e os jogos ou outras atividades às quais a criança tem acesso. São de evitar histórias ou jogos violentos ou muito agitados, que envolvam movimentos rápidos e muitas luzes. Os programas educativos são os mais indicados. Por outro lado, para manter a tendência natural da sua criança para ser ativa, não basta reduzir o tempo de ecrã, é preciso colocar à sua disposição atividades divertidas e dar condições para que ela se movimente.

O seu exemplo também é fundamental. Evite passar muito tempo em frente aos ecrãs e participe em algumas dessas atividades demonstrando o quanto é agradável e divertido.

Sabia que… Passar muito tempo a ver televisão antes dos dois anos de idade pode causar atrasos no desenvolvimento da fala no seu bebé? Além disso, alguns estudos indicam que crianças que vêm muita televisão até aos 3 anos de idade podem ter dificuldades de atenção mais tarde, ao entrar para escola.

Outros inimigos da atividade física e sugestões para combatê-los

Para além de competir com as atividades com ecrãs, a atividade física enfrenta outros inimigos, como a disponibilidade de tempo, de espaços, ou de segurança.

Disponibilidade de tempo: Os horários de trabalho preenchidos dos pais e as longas deslocações entre o trabalho e a casa reduzem o tempo que os pais têm disponível para levar a criança a espaços onde possa movimentar-se livremente.

Sugestões para combater este inimigo: Para enfrentar este desafio é necessário incluir a atividade física na rotina da família e garantir-lhe um tempo diariamente. Por exemplo, reserve um ou dois dias por semana para irem ao parque, envolva a criança em tarefas domésticas, usem as escadas, vão a pé para a escola ou à mercearia do bairro, ou proponha à criança atividades que podem ser realizadas dentro de casa, como dançar.

Disponibilidade de espaço: A falta de espaço em casa ou na vizinhança para a criança se movimentar livremente ou a falta de segurança dos espaços públicos são também dificuldades importantes que os pais podem encontrar para que a criança tenha uma vida ativa.

Sugestões para combater este inimigo: Mais uma vez o truque é ser criativo! Em casa, a solução é procurar espaços onde possa, por exemplo, afastar uma mesa de apoio por alguns minutos ou até por alguns dias. Jogar jogos tradicionais que não exijam espaços muito alargados, como o “Macaquinho do Chinês”, pode ser uma solução para conseguirem brincar ao ar livre. Por fim, reservar um tempo nos fins-de-semana para um passeio mais longo em família também é uma boa medida. Assim, podem encontrar lugares agradáveis e seguros para juntos fazerem atividades que envolvam movimento.

Tempo passado em espaços ou equipamentos que limitam os movimentos: Atualmente existe uma grande disponibilidade de equipamentos atraentes para transportar ou alimentar a criança ou apenas mantê-la entretida e em segurança. Os parques, carrinhos de passeio, cadeiras de comer ou espreguiçadeiras são alguns exemplos desse tipo de equipamentos. São um bom aliado dos pais porque garantem a segurança da criança mesmo quando os pais não têm a possibilidade de estar junto dela todo o tempo. Mas podem transformar-se num inimigo quando utilizados por longos períodos ou várias vezes durante o dia.

Sugestões para combater este inimigo: O truque é garantir que a criança não passa muito tempo seguido com os seus movimentos limitados. Procure alternar o tempo que a sua criança passa nesses equipamentos com o tempo que passa com os movimentos livres. Pode colocá-la sobre uma manta ou, simplesmente, deixá-la no chão a gatinhar, caminhar, brincar, enfim, a explorar o mundo a sua volta. Sempre debaixo dos seus olhos e em segurança, é claro!

Não se esqueça: as crianças são naturalmente ativas. Mas para usarem essa tendência natural têm de ter oportunidades e têm de aprender que é divertido. Reserve tempo, espaço e divertimento diariamente para a atividade física da sua criança.

Para mais informações consulte www.papabem.pt

Curso Coaching Parental: uma nova abordagem no trabalho com pais (32 horas) – janeiro e fevereiro

Dezembro 27, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Mais informações no link:

http://www.red-apple.pt/cursos-redapple/item/123-coaching_parental

Casos de gripe estão a aumentar. Crianças e jovens mais afectados

Dezembro 27, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 19 de dezembro de 2019.

Noutros países europeus, o subtipo de vírus predominante faz prever um maior impacto entre os mais velhos. O centro Europeu para Controlo de Doenças já alertou para um previsível aumento da mortalidade.

Alexandra Campos

A epidemia de gripe continua em fase crescente em Portugal e as previsões da Direcção-Geral da Saúde (DGS), que há uma semana perspectivou que o pico da epidemia ocorrerá numa fase mais precoce, em pleno fim deste ano e início do próximo, deverão confirmar-se. Para já, as crianças e jovens estão a ser os grupos mais afectados, ao contrário do que está a acontecer noutros países da Europa, onde o tipo de vírus predominante é diferente do que está a circular com maior frequência em Portugal.

O último boletim de vigilância epidemiológica de síndrome gripal divulgado nesta quinta-feira pelo Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (Insa) e referente ao período entre os dias 9 e 15 deste mês (semana 50) confirma que o “padrão temporal” da epidemia de gripe é “mais precoce” este ano do que o habitual e que o número de consultas manteve tendência crescente, em especial no grupo etário dos seis aos 18 anos.

A boa notícia para Portugal é a de que, por enquanto, o subtipo de vírus predominante é o B e não o A (H3N2), como está a acontecer noutros países da Europa, situação que já levou o Centro Europeu para Controlo de Doenças e Prevenção (ECDC, siglas em inglês), em conjunto com a delegação para a Europa da Organização Mundial de Saúde, a alertar para o problema de este tipo de vírus da gripe habitualmente estar associado a uma mortalidade elevada nos idosos e, por isso, ter um grande impacto nos sistemas de saúde.

Há uma semana, a DGS antecipou que o pico da epidemia de gripe será atingido entre a última semana deste ano e a primeira de 2020 e os dados mais recentes indicam que, apesar de continuar a apresentar “baixa intensidade”, a tendência é crescente.

“Na semana 50/2019, o número de consultas por síndrome gripal registadas em cuidados de saúde primários regista uma tendência crescente. O grupo etário dos 6 aos 18 anos é aquele que apresenta maior intensidade do número de consultas por síndrome gripal, seguido dos grupos etários 19-64 anos e 0-5 anos”, explicita o Insa.

Dois doentes tiveram que ser internados em unidades de cuidados intensivos, e, dos três internados em enfermarias, todos eram crianças e nenhuma das duas que tinham recomendação para vacinação estava vacinada, frisa o Insa.

Nesta fase da epidemia, a situação noutros países europeus, onde o subtipo de vírus predominante tem sido o A(H3N2), motivou o alerta efectuado na quarta-feira pelo ECDC e a delegação regional da OMS. “Recomendamos de forma intensa aos países que continuem a focar os esforços de vacinação nos mais velhos e outros grupos populacionais, como indivíduos com problemas cardíacos e respiratórios”, sublinhou Pasi Penttinem, responsável pelo programa da vigilância da epidemia de gripe e outros vírus respiratórios no ECDC. “Ainda é cedo para prever a forma como a epidemia irá evoluir em termos de pico, severidade e duração”, acentuou. “No entanto, tudo indica que em alguns países o pico irá ocorrer no meio das férias de Natal e ano novo, quando a resposta dos serviços de saúde é mais reduzida”, acrescentou.

Segundo o último relatório do ECDC, na semana anterior a esta, dos 46 países que enviaram dados, 34 reportaram já actividade gripal de baixa intensidade e dois de média intensidade. Por enquanto, a mortalidade por todas as causas continua com valores de acordo com o esperado para esta época do ano.

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