Primeiro filho deixa-nos mais infelizes do que o divórcio ou o desemprego? – estudo realizado na Alemanha

Agosto 31, 2015 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da Visão de 13 de agosto de 2015.

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De acordo com o novo estudo realizado na Alemanha e publicado este mês na revista Demography , o efeito de um novo membro na vida de uma pessoa, durante o primeiro ano, é, para a maioria, devastador – pior que o divórcio, desemprego ou, mais impensável ainda, a morte do companheiro.

A investigadora e socióloga Rachel Margolis, da Universidade do Ontario, Canadá, e o investigador Mikko Myrskylä, diretor do Instituto alemão de Investigação Demográfica Max Planck, acompanharam 2.016 alemães que não tinham filhos no início do estudo até pelo menos dois anos após o nascimento do seu primeiro filho.

Aos participantes no estudo, foi pedido que classificassem os seus níveis de felicidade, em resposta à pergunta: “Quão satisfeito está com a sua vida, dadas todas as circunstâncias?”.

A maioria dos casais presentes no estudo começou por se declarar muito feliz com a ideia do primeiro filho. No ano anterior ao nascimento do bebé, os seus níveis de satisfação eram ainda mais marcantes.

Mas a partir do nascimento, as experiências dos pais começaram a divergir: Cerca de 30% dos pais mantiveram o seu nível de felicidade e bem-estar, mas os restantes diminuíram significativamente durante o primeiro e segundo ano após o nascimento.

Os dados mostraram que quanto maior for a perda de bem-estar, menores são as probabilidades de terum segundo filho. Este efeito foi mais significativo nos pais com mais de 30 anos e nível superior de escolaridade.

Para se perceber o nível da quebra nos níveis de felicidade, diga-se que estudos anteriores quantificaram o impacto de outros acontecimentos da vida, usando a mesma escala desta nova investigação, concluindo que o divórcio, por exemplo, equivalia a uma queda de 0.6 de uma “unidade de felicidade”. O desemprego significava uma queda de uma unidade, o mesmo que a morte de um companheiro. Já o ingresso no mundo da paternidade leva a uma queda de 1.4 unidades, considerada “muito severa”.

 

 

 

Cada vez há mais crianças a chegar à Europa sozinhas

Agosto 31, 2015 às 3:30 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 29 de agosto de 2015.

AFP

Maria João Guimarães

Menores que procuram asilo correm mais riscos de serem explorados por traficantes para trabalho forçado, venda de droga ou prostituição, isto depois de sobreviverem a guerras e a viagens perigosas.

Uma das imagens marcantes de refugiados a chegar à Europa pode ser a de um pai sírio que chora ao sair de um barco e pôr os pés na Grécia, segurando firmemente os seus dois filhos, um em cada braço. Uma das histórias pode ser a de um bebé recém-nascido entre vários menores não acompanhados resgatados numa operação dos Médicos Sem Fronteiras no mar da Líbia. São imagens tiradas em apenas um momento de viagens que estão a demorar semanas ou meses, são histórias contadas a traços largos ouvidas quando ainda vão a meio. E cada vez mais, nestas imagens e nestas histórias de quem tenta chegar à Europa para fugir de guerras e perseguições, há crianças.

Vêem-se muitos rostos muito novos: saem dos barcos em Itália ou na Grécia entre os adultos, passam o arame farpado na Hungria, entram na linha de comboio em Calais, estão entre os mortos do camião na Áustria.

Viajaram sozinhos ou com alguém que morreu na viagem. Ou a família desdobrou-se e cada um procurou um país diferente, tentando aumentar as hipóteses de um deles conseguir asilo e os outros poderem apelar à reunificação familiar e juntarem-se todos de novo.

Mas as crianças e os menores são especialmente vulneráveis e ficam ainda mais sujeitos a perigos vários, desde problemas de saude, até morte, por falta de água ou alimentos, à exploração às mãos de redes de crime organizado, que os tentam usar para tráfico de droga ou prostituição.

Os números confirmam a impressão de que há cada vez mais menores, muitos ainda crianças, a fazer viagens perigosas para conseguirem chegar a países europeus sem terem consigo qualquer adulto encarregado por eles: segundo a organização Save the Children, nos primeiros meses do ano entre mais de 80 mil migrantes que chegaram a Itália, 6000 eram menores, dos quais 3830 chegaram sozinhos. Em 2014, o número de chegadas de menores sozinhos foi de 13.030, três vezes mais do que no ano anterior, acrescenta a organização.

Na Grécia, apenas em Junho, chegaram 4720 menores às ilhas em barcos vindos da Turquia. Destes, 86 viajavam sem um adulto responsável por si. Na Hungria, segundo o Alto-Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR), entre os pedidos de asilo feitos na Hungria este ano, 140 mil no total, havia sete mil de menores não acompanhados.

Muitos deles, no entanto, desaparecem dos centros governamentais nestes países de passagem muito rapidamente. Nunca se sabe se seguiram viagem para o destino pretendido, como Alemanha ou Suécia, ou se ficaram nas mãos de traficantes. Entre os menores que foram registados em Itália em 2014, 3707 desapareceram.

Em Dover, Inglaterra, onde querem chegar a maioria dos migrantes e refugiados acampados em Calais, os serviços dizem que o número de menores a chegar da Síria ou Iraque a precisar de protecção chegou a mais de 600, quando no ano anterior era de 238.

O mais novo tinha sete anos

Num centro de dia da organização Praksis, em Atenas, passam muitos migrantes e refugiados todos os dias para usufruir dos serviços: um tecto quente ou fresco conforme seja Inverno ou Verão, lavagem de roupa, cabeleireiro, televisão, computador com Internet. Alguns são crianças. “O mais novo que tivemos a passar por aqui tinha sete anos”, contou Christos Eleftherakos, psicólogo na Praksis, numa visita do Público em Junho. A organização ajuda sem pedir documentos, por isso não há números certos que permitam dizer quantos menores passaram por aqui, mas serão muitos, diz o psicólogo. As razões são diferentes: “podem-se ter perdido da família na viagem, podem-se ter separado intencionalmente para pedir asilo em países diferentes.”

Ainda assim, é muito impressionante pensar em crianças sozinhas em viagens tão perigosas e, depois disso, à deriva em grandes cidades onde tudo é estranho, desde o sistema de transportes à língua.

Por vezes, as crianças estão desorientadas, traumatizadas, e nem sequer sabem onde estão, diz Ahmad al-Roussan, que trabalha com os Médicos Sem Fronteiras na capital italiana. “Vimos muitas raparigas que foram sujeitas a violência sexual quando passaram na Líbia. Muitas viram os seus amigos ou outras pessoas do grupo morrer na viagem, no deserto ou no mar”, conta. “Muitas não sabem onde é geograficamente Roma, não sabem onde estão.”

Muitos dos menores que chegam a Itália são rapazes eritreus – o país exige que os jovens façam um serviço militar que equivale a trabalhos forçados, podendo estar anos a trabalhar sem licença para sair ou compensação.

Apesar da maioria serem rapazes, a preocupação cresce quando se trata de raparigas, que são muitas vezes rapidamente levadas para serem traficadas para prostituição. Muitas nigerianas, diz a Save the Children, são levadas sem pagar a viagem. A cobrança é feita à chegada, com trabalho forçado e exploração sexual.

A janela de oportunidade para salvar estes menores é pequena, diz a organização. “É preciso tentar ter uma relação de confiança, e não se pode fazer tudo logo, porque nessa altura confiam mais nos traficantes do que em nós”, diz a porta-voz Gemma Parkin citada num artigo da agência de notícias Irin, das Nações Unidas.

 

 

 

Seminário Anual da Rede Construir Juntos (RCJ) “A Maioridade de uma Rede – Paradigma do Presente, Perspetivas de Futuro

Agosto 31, 2015 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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seminario

O Seminário Anual da Rede Construir Juntos (RCJ) “A Maioridade de uma Rede – Paradigma do Presente, Perspetivas de Futuro” irá decorrer em Braga, no dia 8 setembro, organizado pela instituição parceira da RCJ, Centro Cultural e Social de Santo Adrião. Lembramos que este ano a Rede completa 18 anos. A ficha de inscrição deverá ser remetida para o nosso email:

iac-fcj@iacrianca.pt

Programa

Ficha de Inscrição

Curso de Direitos Humanos – Parceria Network of Strategic and International Studies (NSIS) – Amnistia Internacional Portugal

Agosto 31, 2015 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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curso

A Associação de Estudos Estratégicos e Internacionais (NSIS – Network of Strategic and International Studies)

e a Amnistia Internacional Portugal promovem um curso de direitos humanos.

 O curso, com a duração de 36 horas terá lugar em horário pós-laboral e ao sábado durante um período de duas semanas.

 Módulos e informações adicionais em anexo.

 Inscrições para este email até 8 de setembro.

mais informações e programa do curso no link:

http://www.nsis.org.pt/1/formacao_848334.html

 

 

Peões sobre rodas – Vídeo da ANSR Guia do Peão EP 04

Agosto 30, 2015 às 1:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Sobredotados na escola: O sossego que os incomoda

Agosto 29, 2015 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do site Educare de 7 de agosto de 2015.

Snews

Duas histórias diferentes, com a mesma personagem principal: a sobredotação.

Andreia Lobo

Filhos sobredotados, trabalhos dobrados. O proverbio não existe. O seu significado, no entanto, é bem conhecido para alguns encarregados de educação. São alunos com uma “extrema necessidade de aprender”, explica Helena Serra, autora do livro Será o meu filho sobredotado? (2015).

A fundadora da Associação Portuguesa de Crianças Sobredotadas, que também dirige um gabinete especializado na realização de testes de avaliação nesta área, tem encontrado muitos casos de crianças mal compreendidas. “Os métodos de ensino-aprendizagem não são concebidos para atender à criança sobredotada.”

No entanto, através dos Despachos Normativos n.º 50/2005, n.º 24A/2012 e n.º 13/2014, a legislação portuguesa prevê algumas medidas para ir ao encontro das “capacidades excecionais” destes alunos, como a realização de planos de desenvolvimento, com atividades de enriquecimento curricular, a possibilidade de a escolar formar grupos temporários de alunos que aprendam de forma mais rápida e, se for caso disso, até avançar de ano – os ingredientes legais quase perfeitos para promover o sucesso dos sobredotados, com a cereja da chamada “diferenciação pedagógica” servida no último despacho.

Ainda assim, a escola falha com eles por não conseguir ensinar com igual voracidade. Envolvem-se profundamente em determinadas tarefas, mas ficam aborrecidos na sala de aula, muitas vezes com o dedo no ar sem que o professor lhes dê a vez para responder, porque sabem sempre quase tudo. O EDUCARE.PT testemunhou os problemas que um QI acima da média coloca ao sistema educativo português.

Marta só queria a companhia dos adultos

Durante a gravidez descobriu que não poderia levar a gestação até ao fim. O cordão umbilical dava duas voltas ao pescoço da filha, que corria risco de asfixia. Ana Freitas já tinha perdido quatro bebés. Marta, hoje com 9 anos, nasceu bem, mas a mãe nunca deixou de temer que “pudesse vir a ter problemas.” Por isso, quando aos 6 anos a menina “deu alguns sinais de ser diferente”, a mãe julgou que teria problemas de saúde mental.

Marta lia e escrevia ainda estava no pré-escolar. A mãe, professora de karaté, “notava que ela memorizava tudo e não lhe passava nada em branco”. Quando entrou para a escola, Marta estava radiante por estar a trabalhar numa sala de aula, como dizia à mãe. Mas a felicidade durou dois meses, recorda Ana Freitas. Depois começou paulatinamente a perder a motivação. “Os colegas gozavam-na por ela ter as melhores notas.”

Marta sofria por ser apontada nas aulas. Apesar das suas “capacidades cognitivas fabulosas”, conta a mãe, a professora começou a queixar-se de que a caligrafia de Marta era “péssima”. Não dava erros ortográficos. Tinha pouca apetência para o desenho das letras. A mãe correu com ela para o oftalmologista. Não precisava de óculos. “Havia um problema, mas eu não sabia qual era. Pensei que fosse alguma deficiência, relacionada com a gravidez de risco, a manifestar-se.”

Ana Freitas estava longe de pensar que Marta seria sobredotada. “As minhas primeiras pesquisas levaram-me a pensar numa depressão. Ela tinha uma tristeza profunda. Não queria brincar com os colegas da sua idade. Só queria a companhia dos adultos.”

Quando teve nas suas mãos a avaliação psicológica da filha, a mãe nem queria acreditar no nível elevado do seu QI. Ficou assustada, mas ao mesmo tempo aliviada. Tinha encontrado o problema. Parte da solução implicava avançar a Marta de ano. A descoberta da sobredotação entre as crianças na escola e o “burburinho” dos pais dificultaram a vida da aluna. Marta fez o 2.º e o 3.º ano num ápice. Marcou presença em todos os quadros de honra e terminou em julho o 4.º ano.

Ainda assim, o último ano do 1.º ciclo não correu como seria de esperar. “Em outubro, a Marta já estava outra vez a entrar em depressão, porque o ritmo das aulas era muito lento para ela.” Em abril, a mãe era forçada a falar de novo com a professora, mas nada havia a fazer, constatou Ana Freitas: “O sistema não permite alunos com negativa, então, como a Marta já sabe tudo, a professora deixa-a “sossegada” e vai dar atenção aos outros.” De janeiro a maio, a aluna foi mantida na sala de aula nesse estado de sossego que só a ela incomoda. Voltaram os problemas.

Sistema barra respostas mais criativas

É na Matemática que Marta gosta de encontrar formas cheias de esquemas para resolver os problemas mais simples. Recebe elogios da professora em privado. Só não pode mostrar aos colegas, para não os baralhar. “Não digas a ninguém”, pede-lhe a professora. Num secretismo que tanto a protege do gozo como a deixa desmotivada. A Português, as composições da Marta estão sempre bem. Por isso, nas correções, a professora deixa-a para último. “Ser sempre a melhor tem destas coisas”, confidencia a mãe, lamentando: “Há falta de diversificação e de respostas para potenciar as capacidades da Marta.”

“O próprio sistema de ensino coloca barreiras aos professores que queiram dar respostas mais criativas na sala de aula”, explica Ana Freitas, dando uma série de exemplos: “O facto de o ensino obedecer a metas curriculares, ser tudo limitado com prazos ridículos, como a realização de exames em maio quando as aulas acabam em junho.” Mais? “As escolas terem de avaliar um mês depois de começar o 3.º período, os quadros de honra, os pontos para isto e para aquilo”, ou seja, “é tudo à base de valores”, resume.

O 5.º ano trará um novo desafio para Marta. A mãe fez tudo para a matricular numa escola que considera “exigente”, com um ensino especializado na área da música, porque a filha estuda piano de cauda e violino. Adivinha-se a sua participação em espetáculos e recitais, promovidos pela escola, com reputação de concorrer a prémios na área da literatura e da poesia.

Manter a Marta ocupada com atividades todos os dias, “exceto ao domingo, quando não tem os escuteiros”, foi a forma que Ana Freitas encontrou de a motivar. Depois da escola, faz os trabalhos das 17h00 às 18h00 na sala de estudo; logo a seguir tem música ou desporto, e nunca se cansa. “Nas férias, às vezes, caio no erro de não a levar às atividades e arrependo-me porque ela fica mais agitada.

” De resto, Marta “é uma miúda fácil”, orgulha-se a mãe. “Gosta muito de cumprir, tem o quarto num caos, a pasta da escola também, mas é muito exigente com ela própria.”, e perspicaz. Quando se viu numa sala de aula com amigas mais velhas, e depois de muitos conflitos, Marta arranjou um sistema para fazer amizades: levar os brinquedos na mochila, a começar pelas Barbies. “Ao levar alguma coisa para a escola, ela percebeu que conseguia atrair sempre o interesse de alguém e nunca ficava a brincar sozinha.”

André nunca teve a oportunidade de fazer amigos

Suspeitou muito cedo que o filho seria sobredotado. As dúvidas foram totalmente dissipadas quando o miúdo se submetia a uma série de testes de avaliação na Associação Portuguesa das Crianças Sobredotadas. Mas a história de André (nome fictício), 11 anos, é feita de reveses que a mãe, sob anonimato, conta com a voz embargada e uma grande revolta. “Como é possível que o Estado Português dê apoios aos alunos com dificuldades de aprendizagem, mas nada faça pelos que têm capacidades acima da média?”

Os problemas começaram no ano letivo de 2013/2014. André frequentava o 5.º ano no ensino articulado de música. A mãe submetia toda a documentação que provava a sua sobredotação. Ainda assim, via rejeitado o pedido para o filho avançar de ano. “A escola duvidou dos elementos que constavam nos relatórios, não conheciam a legislação para estes casos, fui eu que tive de a entregar ao diretor de turma”, recorda a mãe. O processo arrastou-se. “Fui olhada como se quisesse pôr o meu filho num pedestal.” Causou danos emocionais ao miúdo: “Foi discriminado pelos professores. Faziam-lhe testes mais difíceis e de surpresa!”

Até hoje, a mãe não entende o que se passou. Sabe que os professores da escola de música, testemunhas da capacidade do filho, não foram chamados ao Conselho de Turma, que vetou a progressão de ano. Sabe que “até a professora do ensino especial, que nunca tinha feito nenhum teste ao André, disse não”.

Finalmente, o ano passou. André mudou de escola. Todavia viu-se forçado a frequentar o 6.º ano. “Porque lhe tinham cortado as pernas no ano passado”, insurge-se a mãe. Com o problema por resolver, em outubro é feita outra tentativa para permitir ao aluno avançar de ano. Os meses passaram sem que até maio os pais tivessem obtido retorno da parte da direção. Ainda assim, desta vez, tudo corria de forma diferente: mais recetividade da parte dos professores.

A própria escola andou à procura de respostas. Sem êxito, porque a legislação não é clara relativamente ao avanço em anos de fim de ciclo e sujeitos a exames nacionais. “Daí toda a ambiguidade e também receios por parte da escola de estar a fazer algo errado”, constata a mãe que diz compreender a situação.

Não compreende é o ziguezague percorrido a tentar desbloquear a vida escolar de André. Através de cartas, emails e telefonemas para as várias seções, secretarias e direções-gerais do Ministério da Educação e Ciência. Um labirinto de “ora ligue para ali”, “faça uma exposição a este”, “envie uma carta àquele”. Os destinatários – ministro da Educação, secretário de Estado do Ensino Básico – várias vezes repetidos.

E, no entanto, o óbvio: André tira notas muito boas a quase todas as disciplinas. Como acontece com muitos sobredotados, não é excelente em todas as áreas. A Educação Física e a Educação Visual são os seus pontos fracos. Nada que merecesse o “castigo” de ter ficado preso no 6.º ano, um grande contratempo gerador de uma maior frustração. “Este ano letivo já devia estar no 7.º ano”, insiste a mãe. O final do ano letivo assim o ditou, finalmente. Mas a mãe não se conforma com o travão imposto ao filho e assume que, por sua vontade, André frequentaria já o 8.º ano.

Desde que entrou para o 1.º ciclo, André foi um nómada na escola, com périplo por quatro estabelecimentos de ensino. Por essa razão, lamenta a mãe, “nunca teve oportunidade de criar um núcleo de amigos, como muitos dos outros seus colegas”. A vida escolar não tem sido fácil e a mãe não está otimista quanto ao futuro. Vê o filho quase sem amizades, cabisbaixo. “Ele tenta integrar-se, mas com tudo o que passou vai ter sempre tendência para se isolar.”

 

 

Estratégias não farmacológicas no controlo da dor na criança – publicação da Ordem dos Enfermeiros

Agosto 28, 2015 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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guia

descarregar o guia no link:

http://tinyurl.com/pe5z82p

 

Hospital infantil cria sala pirata para tornar exames menos assustadores e até divertidos

Agosto 28, 2015 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do site http://www.pipop.info de 11 de agosto de 2015.

foto

Fonte: New York Daily News

O Hospital Infantil Morgan Stanley, em Nova Iorque, nos Estados Unidos, decorou o seu aparelho de tomografia com ondas do mar, animais divertidos, bandeiras, piratas e muitas aventuras, para tornar as tomografias menos assustadoras e ajudar as crianças a descontraírem num ambiente divertido.

O espaço foi decorado com papel de parede infantil com amigáveis bichinhos estampados na parede. O aparelho faz lembrar um navio pirata, pois a maca parece a proa de um navio, o buraco da máquina de tomografia é o leme e o piso imita a água.

A intenção era deixar os mais pequeninos mais à vontade, para que pudessem associar a experiência a algo positivo.

A ideia surgiu de uma enfermeira, depois de ter tido um pequeno paciente que reclamou porque queria terminar o exame para poder ir brincar.

mais fotografias e informações no link:

http://www.nydailynews.com/new-york/pirate-themed-ct-scanner-helps-new-york-city-kids-find-calm-waters-tests-article-1.1435876

 

 

Como ler para as crianças lhes pode transformar o cérebro (no bom sentido)

Agosto 28, 2015 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do i de 7 de agosto de 2015.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte.

Home Reading Environment and Brain Activation in Preschool Children Listening to Stories

shutterstock

Um estudo recente incentiva os pais a fazerem-no desde que os filhos são bebés e garante que traz resultados a curto e longo prazo.

Os educadores já têm ao longo dos anos incentivado os pais a lerem em voz alta para os seus filhos a partir do momento que nascem, salientando que cada nova palavra e som fortalece a cognição necessária para que venha a ser bom aluno mais tarde. Um novo estudo do Hospital Infantil de Cincinnati, nos Estados Unidos, sugere que ouvir histórias leva a mudanças na actividade cerebral das crianças.

No estudo, as crianças com idades entre os 3 e os 5 anos foram submetidas a uma ressonância magnética funcional enquanto ouviam histórias pré-gravadas. Já os pais responderam a perguntas sobre a regularidade com que liam aos seus filhos. Os investigadores mediram ainda a alfabetização dentro da casa, incluindo a frequência das sessões de leitura entre pais e filhos, a variedade de livros e acesso à literatura.

As análises feitas ao cérebro mostraram então que, ao ouvir as histórias pré-gravadas partes do lado esquerdo do cérebro da criança são activadas – sendo esta uma região associada à compreensão de palavras e conceitos e ao fortalecimento da memória. O responsável pelo estudo, Tzipi Horowitz-Kraus, falou à CNN e explicou que as crianças que tinham casas com maiores níveis de alfabetização tinham consequentemente níveis mais elevados de actividade cerebral, uma conexão que sugere que o rápido desenvolvimento cerebral começa nos primeiros anos de vida das crianças.

“Quanto mais ler para o seu filho automaticamente irá ajudar os neurónios nessa região a crescerem e a conectarem-se de uma maneira que irá beneficiar a criança, no futuro, na leitura,” salientou Horowitz-Kraus, director do programa da leitura e alfabetização no Discovery Center Hospital Infantil de Cincinnati.

Estudos anteriores apoiam o ponto de vista de Hornday, mostrando que as crianças que começam a ler numa idade precoce atingem um maior conhecimento geral, expandem o vocabulário, e tornam-se leitores mais fluentes. A exposição a palavras, imagens e conceitos durante um período de rápido desenvolvimento cerebral como a infância estimula a criação de sinapses (conexão de neurónios) para futuro armazenamento de informações.

Os leitores precoces têm ainda fortes habilidades de linguagem oral, melhor concentração, e melhores habilidades de pesquisa do que as restantes crianças. A alfabetização na infância também promove a independência e reforça a confiança das crianças, enquanto ajuda a alimentar a criatividade e imaginação dessas crianças.

 

 

 

 

E se um livro prometesse pôr o seu filho a dormir em minutos e cumprisse a promessa?

Agosto 27, 2015 às 8:00 pm | Publicado em Livros, Site ou blogue recomendado | Deixe um comentário
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texto do Público de 15 de agosto de 2015.

book

Os coelhos têm já uma longa tradição nas histórias e nas ilustrações dos livros para crianças. Basta pensar em Beatrix Potter e nas séries que criou de Peter Rabbit e Benjamin Bunny; na Miffy de Dick Bruna, no amigo de orelhas longas do Winnie the Pooh de A. A. Milne, no Coelho Branco que Lewis Carol está sempre a meter no caminho de Alice e no menos conhecido Velveteen Rabbit do célebre autor norte-americano Maurice Sendak, o que nos deixou essa obra-prima chamada Onde Vivem os Monstros. Coelhos há muitos, portanto, mas nenhum até agora podia reclamar o super-poder de pôr as crianças a dormir em minutos.

Escrito ainda em 2014, The Rabbit Who Wants to Fall Asleep, do psicólogo sueco Carl-Johan Forssén Ehrlin, da Universidade de Jönköping, ascendeu no Reino Unido ao topo da lista dos best sellers do gigante das livrarias online, a Amazon. Diz o autor que esta história do Coelho Roger (não é a primeira vez que ouvimos falar de um coelho com este nome) foi concebida com base em estratégias, comprovadas cientificamente, que garantem que a criança a quem for contada adormecerá em alguns minutos. Mas para isso, adverte, há que criar uma rotina, um ambiente tranquilo e seguir algumas regras, escreve o jornal britânico The Independent: a leitura deve ser feita devagar, metodicamente, e convém que os pais não se esqueçam de bocejar de vez em quando. Devem serenar ainda mais a voz quando encontram palavras em itálico a meio do texto, precisa Sarah Knapton, editora de Ciência do jornal The Telegraph, e embora o volume em capa mole contenha várias ilustrações, os miúdos são convidados apenas a ouvir. Noutras passagens, quem lê deve enfatizar certos termos ou até imitar alguns comportamentos das personagens.

A atitude ensonada dos pais, que as crianças tendem a imitar, associada a padrões de linguagem muito precisos ao longo das 26 páginas de The Rabbit Who Wants to Fall Asleep levam-nas a adormecer rapidamente, assegura o psicólogo comportamental sueco, que também tem formação em linguística.

Para conceber este livro-soporífero, Carl-Johan Forssén Ehrlin diz ter recorrido a “técnicas sofisticadas da psicologia”, capazes de ajudar a criança a relaxar e a ter um sono muito mais tranquilo. “A história sugere o sono ao inconsciente da criança”, refere no Independent, “é o equivalente verbal a embalar um bebé”, acrescenta no Telegraph.

Uma ideia num guardanapo

Foram precisos três anos e meio para que este autor, que já escreveu livros sobre liderança ou desenvolvimento pessoal, conseguisse chegar a uma história que lhe permitisse aplicar com eficácia uma série de estratégias que conhece bem na indução do sono em crianças. “Tive a ideia que fazer este livro numa longa viagem de carro em que a minha mãe adormeceu”, contou Forssén Ehrlin. “Quando parámos, tomei notas num guardanapo.” Para o psicólogo comportamental, o livro que agora faz sucesso “ajuda as crianças a concentrarem-se e a sentirem que fazem parte da história ao ponto de adormecerem com o coelho”. Uma história em que conhecem personagens como o Tio Bocejo, o Caracol Sonolento e a Coruja de Olhos Pesados (traduções livres).

A sua primeira “cobaia” foi o filho – Forssén Ehrlin fez uma gravação a ler o livro e começou a dar-lha a ouvir quando Leon estava ainda na barriga da mãe. Hoje usa essa mesma gravação na hora de o adormecer.

A acreditar que as estratégias de que fala resultam mesmo – na Internet as opiniões dividem-se entre o que partilham o seu entusiasmo numa versão “cliente satisfeito” e os que dizem que os filhos se aborreceram com a história e até chegaram a perguntar por que razão os pais insistiam em bocejar durante a leitura – The Rabbit Who Wants to Fall Asleep pode vir a ser, para muita gente, uma espécie de passe de mágica.

É natural que haja cépticos e que esses cépticos perguntem, por exemplo, como se garante a eficácia dos padrões de linguagem quando se traduz o original para outros idiomas (há uma edição em português do Brasil, por exemplo), mas Alison Forrestal, da Amazon do Reino Unido, parece não estar entre eles. “Esta é a primeira vez que um autor independente chega ao primeiro lugar da nossa tabela de livros impressos, ultrapassando grandes lançamentos como Go Set a Watchman, de Harper Lee, e de The Girl On The Train, de Paula Hawkins. Como muitas famílias por todo o Reino Unido esperamos que venham aí mais livros.”

Carl-Johan Forssén Ehrlin, que está já a pensar em trabalhar noutro título que ensine as crianças a usar a casa-de-banho também com base em estratégias vindas do universo da psicologia, chegou, assim, ao topo da lista de vendas com aquilo que seria um verdadeiro pesadelo para qualquer autor – um livro que dá sono.

Notícia actualizada às 12h27 para acrescentar que há uma edição disponível em português do Brasil.

 

Pode descarregar o livro em formato epub no site do autor:

http://carl-johan.com/

 

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