Todas as semanas há denúncias de professores agredidos nas escolas

Março 24, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

Notícia do Jornal de Notícias de 23 de fevereiro de 2020.

Mais do que da violência, professores queixam-se da indisciplina na sala de aula – artigo do Educare com declarações de Cláudia Manata do IAC

Março 4, 2020 às 6:00 am | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

Snews

Texto e imagem do Educare de 24 de fevereiro de 2020.

Cresce a atenção social dada aos problemas da violência e indisciplina nas escolas. Mas os conflitos não se resolvem com professores cansados e pais em dificuldades.

Andreia Lobo

Há uma preocupação social crescente com as questões da violência e da indisciplina nas escolas. Pedro Cunha, sociólogo, psicólogo e investigador na área da mediação e gestão de conflitos atribui essa preocupação ao aumento do conhecimento sobre a importância de o indivíduo exprimir adequadamente as emoções. Algo indissociável do conceito de inteligência emocional apresentado por Daniel Goleman nos anos 90.

Essa mudança, ocorrida nas duas últimas décadas, traduz-se na consciencialização da importância da gestão das emoções que, na visão do psicólogo, “faz com que hoje nas escolas haja uma preocupação notória na melhoria das relações interpessoais e no evitar de comportamentos antissociais”.

É neste contexto, analisa o psicólogo, que surgem, “por defeito, nomes como bullying, cyberbullying “. “Fenómenos que nos colocam a todos numa linha de possibilidade de exclusão do outro, de uma forma dramática do ponto de vista emocional, porque há pessoas que não sabem exprimir adequadamente emoções a não ser por via da intimidação do outro.” Explicações que ajudam a entender relatos pessoais e estatísticas.

Violência e indisciplina
Mesmo a designação genérica de “violência na escola” requer algumas especificações. Importa, por exemplo, precisar que violência e indisciplina são conceitos diferentes. De modo geral, a indisciplina divide-se em três grandes grupos.

A indisciplina da sala de aula. Referida como a que perturba mais os professores. Está fracionada com a tentativa de fazer com que os alunos estejam atentos e focados e ouçam aquilo que o professor diz. Essa, garantem os docentes, é a grande batalha, porque os alunos facilmente dispersam e estabelecem conversas paralelas que podem transformar a sala de aula num caos, dependendo da capacidade de controle do professor.

Mais mediaticos são os conflitos entre pares. É neste grupo que se insere o bullying e que a sociedade e os meios de comunicação tendem a chamar de violência. Dizem respeito a situações que sobem de tom, os comportamentos, as ações complicam-se.

Outro tipo de conflitos geram-se entre os professores e os alunos. Estes são, na maioria das vezes, casos que não podem ser resolvidos apenas pelo professor. Ou seja, têm de ser resolvidos pela direção da escola e órgãos intermédios, nomeadamente quando o professor é agredido ou quando é insultado.

De modo consensual, a maioria dos professores reconhece que as situações de indisciplina são mais frequentes nas escolas portuguesas.

Espaço propício a conflitos
“A escola é propícia e propiciadora de conflitos de relação, conflitos de interesses e conflitos de necessidades, passando por conflitos de valores ou crenças, pelo facto de as sociedades serem cada vez mais ‘multi’ (étnico, social, cultural, etc)”, explica o psicólogo Pedro Cunha. Por essa razão, conclui, “não é imaginável que na escola não existam conflitos”.

Sejam conflitos “relacionados com a construção da identidade de cada um, com as relações de poder entre as partes, com as questões de rendimento académico dos alunos, com o que os pais pensam sobre isso, com o relacionamento de todos com todos, desde a direção da escola, aos professores, aos funcionários não docentes até aos próprios alunos”.

Se não se podem evitar, o que fazer com os conflitos? “Geri-los”, responde o psicólogo, lembrando que “os conflitos também têm aspetos construtivos e edificantes da personalidade humana.” Contudo, esta não é a visão que predomina na sociedade portuguesa. “Fomos todos socializados na ideia de que dos conflitos só podem provir aspetos nefastos e destrutivos para o ser humano e isto não é de todo verdade.”

Gerir conflitos implica noções como mediação, negociação. Conceitos que Pedro Cunha explora no livro “Gestão de Conflitos na Escola”, escrito em coautoria com Ana Paula Monteiro. Da experiência em ações de formação de professores e seminários nas escolas, o psicólogo constata a falta de preparação: “Os professores desconhecem como se pratica a negociação, como se faz a mediação escolar, como se faz a conciliação escolar, se é possível arbitrar ou é melhor conciliar o conflito, ou se é melhor ter alunos como mediadores?”

O tratamento de todas estas questões falha não apenas na escola, mas na sociedade em geral, defende Paulo Cunha, contrariamente ao que noutros países já acontece. A solução para gerir os conflitos em ambiente educativo passa precisamente por aqui, assegura.

Claudia Manata é professora há 30 anos e conta mais 10 anos a desenvolver ações de sensibilização nas escolas na área da indisciplina pelo Instituto de Apoio à Criança (IAC). Concorda com a opinião generalizada de que, mais do que as questões da violência contra professores e do bullying, o que mais perturba o funcionamento da escola é a indicisplina na sala de aula.

“A indisciplina na sala de aula é extremamente desgastante e é dessa que os professores mais se queixam. É muito complicado estar com um grupo de alunos que não se concentra, não está atento e não ouve nada.”

De acordo com o último relatório do PISA, 50% dos alunos não ouve o que se passa na aula, ou seja, está desatento. “E a maioria não está propriamente em silêncio”, confirma Cláudia Manata. “Estão a falar uns com os outros, a tentar mexer no telemóvel, a fazer coisas que perturbam a aula, porque obrigam o professor a parar de lecionar e estar constantemente a chamar à atenção.”

O valor da educação
Quais são os fatores na origem deste problema? “Não desresponsabilizando os professores, nota-se que as famílias também não conseguem educar os filhos para que saibam estar.” A resposta de Cláudia Manata surge sem hesitação. 30 anos de profissão chegam e sobram para saber que “são muitas as diferenças entre os miúdos acompanhados por pais que se preocupam e vêm às reuniões e outros em que isso não acontece. Mas infelizmente, esses são a maioria”.

Tal como em muitas outras áreas, também em matéria de convivência escolar, os países do Norte da Europa servem de exemplo. Claúdia Manata vai recolhendo essas vivências de colegas que fazem intercambios. “Distinguem-se da realidade portuguesa pela forma como crianças e famílias encaram a escola. Veem a escola como um investimento para o futuro da criança, um local também de aprendizagem socioeducativa, onde as crianças aprendem a conviver, a estar, a respeitar o outro e os pais respeitam a escola.”

Em Portugal, por mais que a professora lamente, “não é nada assim”. “Aqui, numa turma de 25 alunos, aparecem dez pais nas reuniões com o diretor de turma.” Quem é que está sempre ausente? “Os pais que precisavam mesmo de estar presentes, porque os filhos precisam de mais acompanhamento.”

Problemas de saúde mental
Cláudia Manata acredita que a indicisplina está “claramente” relacionada com o aumento do número de crianças com problemas de saúde mental. “Cada vez há mais alunos que não estão bem psiquicamente, que são emocionalmente instáveis e não há psicólogos suficientes para fazer esse atendimento, nem nos centros de saúde, nem nas escolas onde às vezes há um psicólogo para dois agrupamentos.” Crianças que ficam, por isso, sem o acompanhamento que precisam. Até por parte dos pais.

“Fui tutora de uma menina com esquizofrenia e – porque quis – cheguei a ir com ela às consultas no Hospital Júlio de Matos. Ia para apoiar a mãe que não podia faltar ao trabalho e para a miúda não perder a consulta. Isso não fazia parte das minhas funções”, frisa a professora. “Há muita coisa que os professores fazem e ninguém sabe, só a escola. Por isso, entendo que as famílias têm de ter apoios suficientes e acompanhamento nos centros de saúde para poderem ajudar as suas crianças.”

Professores cansados, pais em dificuldades
Cláudia Manata está segura de que muitas crianças não teriam tantos problemas se tivessem mais acompanhamento das famílias, mas entende as dificuldades por que passam muitos pais presos a uma rotina também ela desgastante. “As famílias também passam a vida entre a casa e o trabalho.” Ora, no centro de Estocolmo, num dia de sol a partir das 16h00, pais e mães passeiam com os seus filhos nos carrinhos e convivem uns com os outros.

O envelhecimento da classe docente, lembra Cláudia Manata, não pode ser excluído do rol de fatores que enquadram a indisciplina nas escolas. “Com 55 anos não se tem, nem é suposto ter, a mesma paciência e a mesma rapidez de resposta e resolução de problemas que se tem aos 30 anos”, atira.

Problemas de indisciplina e violência sempre existiram. É certo, mas muitos professores testemunham um agravamento das situações. Para Cláudia Manata, a justificação implica tanto os pais como os professores. “As famílias não estão bem, têm muitos problemas e dificuldades que fazem com que não tenham muito tempo para os filhos. Nós, professores, estamos mais velhos e também temos menos paciência. E nenhuma destas duas situações ajuda à resolução destes problemas.”

Polícia apreende armas em escola de Lisboa durante acção de sensibilização

Fevereiro 5, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , ,

Notícia do Público de 30 de janeiro de 2020.

Foram registadas 6422 ocorrências no ano lectivo de 2017/2018 — Lisboa é a zona do país com mais problemas. Numa acção de sensibilização contra o uso do tabaco, apreenderam várias armas brancas.

Lusa

Todas as escolas têm problemas, segundo o olhar de equipas da Escola Segura da PSP, que recordam o dia em que uma acção de sensibilização sobre tabaco numa escola de Lisboa se transformou na apreensão de 37 armas. As denúncias de ilícitos em espaço escolar estão a diminuir, mas, mesmo assim, a PSP e a GNR registaram 6422 ocorrências no ano lectivo de 2017/2018. Lisboa é a zona do país com mais problemas: quase 2500 ilícitos chegaram ao conhecimento dos agentes policiais.

As equipas da Escola Segura da 4.º esquadra da PSP estão entre as que têm mais casos, sendo responsáveis por 116 escolas da cidade. A Lusa acompanhou durante um dia duas equipas desta esquadra e constatou que os pedidos de ajuda foram uma constante.

“Há ocorrências que acontecem logo de manhã”, contou à Lusa o chefe João Cunha, coordenador da Escola Segura, a propósito do Dia Internacional da Não Violência e da Paz nas Escolas, que se assinala nesta quinta-feira, lembrando que o trabalho começa às 8h, antes do toque de entrada para as aulas.

À Lusa, o agente Antero Correia desmistificou a ideia de que os problemas acontecem apenas nos estabelecimentos de ensino situados em zonas mais carenciadas: “Todas as escolas têm problemas — umas mais e outras menos — mas, muitas vezes, não passam cá para fora os problemas”.

A ideia é corroborada por João Cunha, que recorda o dia de 2019 em que os agentes foram a uma escola secundária numa zona nobre de Lisboa fazer uma acção de sensibilização junto dos adolescentes para os perigos do tabaco e acabaram por fazer uma grande apreensão de várias armas brancas.

No seguimento desta apreensão, foi realizada uma busca domiciliária a um dos alunos e foram encontradas armas de fogo, entre as quais caçadeiras de canos serrados e revólveres.

No total, desta operação resultou a apreensão de 37 armas.

O chefe João Cunha garante que estas situações “não ocorrem todos os dias” e que o mais grave é perceber “a facilidade de aquisição de armas através de plataformas na Internet”.

Adérito Edengue é um dos alunos daquela escola e garante que o ambiente dentro da escola “é calmo”. O adolescente assume que tem colegas que gostam de fumar canábis, mas considera que isso “não é o problema”.

“No exterior é que é problemático”. Segundo o adolescente de 19 anos, os maiores problemas são provocados pelos estudantes de outra escola do mesmo agrupamento, situada a poucos metros.

“Muitas vezes há conflitos nas escolas e a polícia nunca está presente”, lamenta o jovem, dizendo que já houve casos em que “roubaram e bateram em miúdos do 7.º e 8.º anos”

Escola Segura

Os furtos, ofensas corporais, injúrias e ameaças estão precisamente entre os principais crimes registados na 4.º esquadra, reflectindo um pouco os problemas das escolas de todo o país.

Os oito agentes têm de se desdobrar entre acções de sensibilização e informação nas escolas, que estão previamente agendadas, e os pedidos de ajuda de algumas das 116 escolas que telefonam directamente para os polícias de serviço.

O agente Antero Correia traz no bolso do casaco dois telemóveis sempre ligados: um é da Escola Segura e o outro da Universidade Segura, um projecto-piloto que pretende alargar ao ensino superior o programa que, há 18 anos, começou apenas nas escolas mais problemáticas do país.

Ao longo do dia o telemóvel da Escola Segura de Antero Correia tocou várias vezes: desacatos à porta de uma escola, um furto e um comportamento desadequado por parte de alunos foram algumas das chamadas a que a Lusa assistiu. “Temos de estar preparados para responder às chamadas das escolas, que são constantes”, frisou João Cunha.

O programa Escola Segura abrange mais de oito mil escolas frequentadas por mais de um milhão de alunos.

Entre as missões da PSP estão as acções preventivas junto dos alunos. O dia de Antero Correia e Filipa Gomes começou precisamente numa sala de aula de uma turma do 5.º ano para debater o problema da violência nas escolas.

Durante a acção, cinco alunos acabaram por admitir que já tinham sido vítimas de bullying, outro dos problemas que assola as escolas.

O agente Antero Correia reconhece que houve mudanças na forma de agredir e humilhar: “Em dez anos passou-se do bullying para o cyberbullying”. O que significa que o crime passou a ser mais difícil de detectar, mas, por outro lado, agora há mais provas, porque tudo fica registado.

À Lusa, a delegada de turma Camila Guerra, de dez anos, admitiu que gostaria de ser “uma embaixadora do bullying”, ou seja, alguém sempre disponível para ajudar os colegas.

Para Camila Guerra, as “aulas” com os polícias são muito interessantes e “os temas abordados são sempre importantes”: “Antes falámos do abuso sexual e agora é sobre violência nas escolas”, referiu.

O colega Bruno Fontes Lima diz que já falou sobre estes assuntos com os pais e com a professora, mas admite que quando é a polícia a abordar os temas “parece muito mais sério” e “importante”.

Também a professora e directora de turma Sandra Lourenço acredita nos benefícios da presença da polícia, que tem uma experiência e forma de falar diferentes. Além disso, acrescenta, o facto de os polícias estarem próximos, na sala de aula, é “importante para percebem que os agentes são pessoas que estão do lado deles para os ajudar”.

Apesar de considerar que a escola onde dá aulas não é problemática, Sandra Lourenço reconhece que hoje o ambiente é mais complicado. “Dou aulas há 22 anos e não está nada igual. Está tudo muito diferente”, contou a professora do 2.º ciclo, reconhecendo que “há mais agitação dentro da sala de aula”.

Segundo um inquérito feito às escolas portuguesas pelo professor Alexandre Henriques, especialista em gestão de conflitos, os casos de indisciplina começam a ser visíveis no 2.º ciclo (cerca de 34,2%) mas é no 3.º ciclo que os problemas se agravam: 63,2% dos casos registaram-se entre alunos do 7.º ao 9.º anos.

“A sociedade está extremamente violenta e a escola é um reflexo da sociedade. Os meninos vêm para a escola mais violentos e agressivos”, lamentou a docente Sandra Lourenço.

A violência é um espelho

Novembro 12, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

Artigo de Helder Ferraz publicado no Público de 6 de novembro de 2019.

Os comportamentos das crianças nas escolas reflectem a sociedade que as educa. É preocupante que as crianças desconheçam os limites da sua liberdade quando esta se sobrepõe à liberdade e ao bem-estar dos outros, principalmente no interior do espaço escolar.

O Projeto — Associação de Estudantes é uma iniciativa do qual sou mentor e dinamizador. Nasceu a partir da vontade de uma estudante de sete anos, com o apoio da Associação de Pais e Encarregados de Educação da Escola Básica de Gervide (AP) e do director do Agrupamento de Escolas Escultor António Fernandes de Sá, em Vila Nova de Gaia. Este projecto, constituído por crianças entre os seis e os nove anos, assume a participação cívica e política como pilares estruturantes que se reflectem na promoção do debate, na auscultação da população escolar, na angariação de verbas e na devolução à comunidade escolar do trabalho desenvolvido. É importante frisar o contributo fundamental de mães, pais e avós.

Na última sessão do Projeto — Associação de Estudantes, formámos seis grupos de dois elementos, acompanhados por um adulto, com o objectivo de identificarem duas, três ou quatro regras que deveriam ser cumpridas na escola para que houvesse organização e uma convivência harmoniosa entre todos e todas. Terminado o período de reflexão, voltámos à mesa de reunião e apresentei cada regra para debate. A participação sucedeu-se com opiniões diversas. Verifiquei, no entanto, que existia um assunto transversal a todos os grupos e que aparecia mais do que uma vez: a violência. Não apertar o pescoço dos colegas, não atirar pedras, respeitar as opiniões, não saltar para as costas dos colegas ou bater nos amigos foram alguns dos pontos mais identificados.

A violência nas escolas tem vindo a assumir uma nova roupagem com recurso a um estrangeirismo — bullying — e com esta nova denominação parece ser algo recente. No entanto, a violência não é um fenómeno novo, nem tão pouco geracional como muitas vezes quer fazer-se crer, principalmente nas caixas de comentários em notícias a este respeito nas redes sociais. A violência é um fenómeno cultural profundamente enraizado, em primeiro lugar nos contextos familiares e posteriormente nos contextos escolares.

Todas as gerações têm as suas histórias. Histórias nas quais praticamente todos os membros da família “molhavam a sopa” e os professores recorriam a réguas, canas e palmadas. E, por isso, há uma cultura violenta enraizada na história de cada um de nós. Felizmente, estas práticas têm vindo a ser criminalizadas e verifica-se uma consciência gradual do impacto nefasto que a violência tem no desenvolvimento das crianças, o que vai impedindo, pelo menos publicamente, que a agressão a crianças aconteça com maior frequência. Contudo, as vítimas mortais de violência doméstica que se verificam em Portugal (são já 30 este ano) e as mais de 500 detenções que se verificam anualmente desde 2016 são sintomas de uma cultura violenta que, apesar de restringida em público, continua a manifestar-se em privado, na esfera doméstica, e que as crianças presenciam e experienciam.

Os comportamentos das crianças nas escolas reflectem a sociedade que as educa. É preocupante que as crianças desconheçam os limites da sua liberdade quando esta se sobrepõe à liberdade e ao bem-estar dos outros, principalmente no interior do espaço escolar. E quando tanto os agressores como as vítimas têm dificuldades em compreender quando estão a agredir e quando estão a ser vítimas de agressão, este é um sintoma de que nunca alguém parou para calmamente lhes explicar (e repetir) que há limites que não devem ser ultrapassados porque, quando o são, magoam os outros.

Em primeiro lugar, é necessário desmistificar o argumento de que uma criança agressiva ou violenta não é da responsabilidade de ninguém e que a criança já nasceu assim. Nada de mais errado. Nenhum bebé nasce com a personalidade maturada, da mesma forma que não nasce com todas as capacidades e competências motoras, pelo que tanto de uma perspectiva física como psicológica, emocional ou social, não há nada de mais absurdo do que afirmar que qualquer criança já nasceu “desenvolvida”. Aliás, o único caso que conheço é a personagem cinematográfica Benjamin Button. De qualquer modo, neste ponto em particular, basta conhecermos a história do menino selvagem (também documentado em filme) que foi abandonado na selva e cujo processo de socialização se adequou à comunidade responsável pela sua educação (os lobos, para dissiparmos as dúvidas).

Em segundo lugar, é fundamental perceber que quando se afirma que somos um produto da nossa educação isto é, de facto, verdade. Desde os primeiros educadores à família mais alargada, passando por professores, amigos e todas as pessoas com quem convivemos, ninguém é inocente quanto aos exemplos que interiorizamos. Então, da mesma forma que se uma criança não sabe ler é porque nunca lhe ensinaram, também não sabe a diferença entre estar numa sala de aula e no recreio porque nunca lhe explicaram. Dei dois exemplos redutores para algo que é mais complexo do que isto, mas julgo que compreenderão.

Em terceiro lugar, não é pouco comum vermos exemplos de homicidas violentos que sofreram abusos enquanto crianças, muitas vezes dos próprios cuidadores, o que resulta na associação da protecção e do cuidado com a violência, como podemos ver neste relato. Portanto, todos os exemplos que são presenciados pelas crianças são reproduzidos nas suas atitudes e comportamentos, aliás o que se reflecte na forma como se relacionam com os outros.

Por estes motivos e mais alguns, a violência não deve sob qualquer uma das suas manifestações ser parte integrante da educação de qualquer criança. Cabe a cada um de nós fazer algo para que esta consciencialização seja cada vez maior. O Projeto – Associação de Estudantes continuará a fazer a sua parte.

Declaração de interesses: o Projeto – Associação de Estudantes da Escola Básica de Gervide não tem qualquer financiamento público ou privado, depende das acções desenvolvidas pelos seus membros, do apoio da AP, e das mães, pais e avós, que nos acompanham e participam activamente. Tal como o Projeto, também eu dispenso do meu tempo voluntariamente, sem para isso auferir qualquer rendimento, sendo que o entusiasmo e a criatividade das crianças são a melhor recompensa.

Agressões a professores e ameaças de morte. Relatos de violência nas escolas

Novembro 4, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Notícia e imagem da TSF de 19 de outubro de 2019.

Cátia Carmo

Isabel Vaz e Pedro Nogueira contaram as suas histórias no Fórum TSF desta terça-feira, em que se discutiu se as agressões a professores devem ser um crime público.

A professora Isabel Vaz foi agredida em 2014, enquanto dava aulas numa escola de Ermesinde. O aluno, de 16 anos, deixou-lhe o dedo médio da mão esquerda permanentemente incapacitado. Quando o caso seguiu para tribunal foi condenado a um castigo que não cumpriu.

“Meti um recurso que a senhora juíza fez o favor de esquecer porque não interessava. A família disse que não tinha meios para me ressarcir de nada. Estive 10 meses em casa e foi porque fiz imensos tratamentos de medicina convencional e alternativa. O Estado só me pagou parte desses tratamentos em 2018, passado quatro anos”, explicou Isabel Vaz ao Fórum TSF, conduzido por Manuel Acácio.

Por ser funcionária pública, Isabel Vaz só receberá a indemnização no ato da reforma. Algo que considera extremamente injusto.

“Se até lá não morrermos. Muitas vezes precisamos delas para tratamentos posteriores, como foi o meu caso. Passados dois anos tive de repetir toda a fisioterapia da mão esquerda e aí já não foi considerado acidente de serviço, portanto nem sequer pude meter nas despesas”, contou, indignada, a professora.

O caso chegou a tribunal, mas a docente nem sequer chegou a ser ouvida, apesar de até ter recorrido a um recurso.

“A senhora juíza achou que era um crime menor, que não valia a pena. Tenho uma irmã e uma filha que são advogadas. Metemos um recurso dentro do prazo no Tribunal de Valongo, a juíza nem sequer olhou para o recurso, não lhe interessava, e portanto o assunto morreu na praia. Ao menino nada aconteceu. Passado uns tempos andava a fazer novos disparates”, recordou Isabel Vaz.

“Tive várias ameaças de morte”

Pedro Nogueira é assistente técnico e já foi agredido, em funções numa escola pública, pelo pai de um aluno. O agressor tinha saído da prisão na semana anterior, por um crime de homicídio, e fez várias ameaças de morte ao funcionário da escola.

“Mais de um ano depois não sei do que se passa. O Ministério pura e simplesmente agarrou em mim, depois de vários pedidos, e colocou-me noutro agrupamento que me recebeu algum tempo depois de a junta médica me dar alta parcial. O desacompanhamento é brutal a todos os níveis, somos praticamente ignorados”, afirmou Pedro Nogueira.

A mulher de Pedro Nogueira é professora de ensino especial e também ela já foi agredida por várias crianças.

“Crianças essas que, como é lógico, não têm o discernimento de uma criança normal. As direções, a meu ver, não estão aptas para resolver problemas de conflitos em contexto educativo nem querem saber de políticas educativas problemáticas. Espero que isto mude para bem de todos, não só dos professores”, acrescentou o assistente técnico.

*Manuel Acácio

Alunos que agridem professores e professores que agridem alunos

Outubro 31, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Artigo de opinião de Rute Agulhas publicado no DN Life de 26 de outubro de 2019.

Diversas situações de agressões físicas entre alunos e professores têm sido noticiadas recentemente, dando conta de uma realidade que sabemos que existe e cuja prevalência é muito preocupante. Este é um tema complexo que remete para diversos aspectos, entre eles o papel da família, a representação social da escola e dos professores, bem como a saúde mental de todos os envolvidos.

Mas vamos por partes.

Antes de mais, o papel da família, principal agente de educação e formação das crianças e jovens. A quem cabe educar, não apenas numa perspectiva de satisfação das necessidades (sejam elas físicas, cognitivas ou emocionais), mas também enquanto instructores directos, assumindo um papel mais didáctico numa lógica de resolução de problemas cognitivos ou de interacção social. É na e com a família que as crianças aprendem em primeira instância, porque lá encontram os seus principais modelos, que observam e tendem a imitar. Porque lá percebem que os comportamentos têm consequências, positivas ou negativas. Porque lá aprendem as regras, que podem, ou não, interiorizar. Porque lá percebem a diferença entre o certo e o errado, valores que podem, ou não, interiorizar. Tudo depende da forma como os pais souberem, ou não, desempenhar estes diferentes papeis. O que, por sua vez, se relaciona com variáveis dos próprios pais (como a sua história, aprendizagens passadas, personalidade, crenças), da criança (o temperamento da criança é um factor importante a ter em conta, que também influencia a forma como os pais interagem com ela) e do meio (como, por exemplo, as dinâmicas conjugais, o stresse parental e a rede de suporte social da família). Resumindo, o exercício da parentalidade não é linear e pode ser determinado por um conjunto de factores que, por sua vez, influenciam o desenvolvimento da criança.

E o que temos nós, tantas vezes? Crianças e jovens que crescem com a interiorização de que tudo podem fazer, sem quaisquer consequências negativas. Crianças e jovens autocentrados, sem tolerância à frustração ou capacidade para resolver problemas de forma assertiva. Crianças e jovens com necessidade em sentir controlo e poder, impulsivos, pouco empáticos e desmotivados. Com dificuldade em regular as suas emoções e em antecipar as consequências dos seus actos. Neste contexto, agredir os professores (os seus pares ou qualquer outro adulto) surge como algo natural, a resposta lógica e ajustada, face a um meio que é sentido como injusto e ameaçador.

Se os pais também contribuem para este cenário? Claro que sim.

E, neste contexto de desvalorização, progressiva desautorização e, até, desrespeito, a par da insegurança e imprevisibilidade que os professores sentem, estão criadas as condições para termos adultos desmotivados

Em segundo lugar, falemos da representação social da escola e dos professores. Olhamos para trás e parece que passámos do 8 para o 80. De um contexto e uma classe com muito poder, tantas vezes temida pela autoridade exercida, para um contexto de segunda classe, de menor importância, por vezes até ridicularizada. A quem tudo se pede e tudo se exige, como se a escola tivesse agora de se substituir à família. E, neste contexto de desvalorização, progressiva desautorização e, até, desrespeito, a par da insegurança e imprevisibilidade que os professores sentem, estão criadas as condições para termos adultos desmotivados, cansados e sem recursos para lidar com as exigências crescentes que a infância e adolescência de hoje colocam.

De mãos dadas com tudo isto, a saúde mental, ou a falta dela. Nas crianças e nos jovens, nos pais, nos professores, em toda a comunidade escolar. E aqui não há volta a dar. O sistema educativo precisa de mais psicólogos, num rácio adequado que permita, não apenas desenhar e implementar programas de intervenção, mas também e, acima de tudo, investir na prevenção primária. Em articulação com outros profissionais, destacando-se aqui o papel fundamental dos agentes da escola segura. Sublinhar também que a academia pode e deve ser um precioso aliado das escolas, num esforço de implementação e disseminação de metodologias com base em evidências.

A Psicologia pode ainda ajudar a um outro nível, mais macro, numa lógica de repensar o funcionamento do sistema educativo e as políticas que o orientam. Porque falar de educação é, antes de mais, falar de pessoas que estão numa fase muito sensível do seu desenvolvimento. E estará a escola dos dias de hoje adaptada à infância e juventude dos dias de hoje? Penso que não.

Face a tudo isto, e em jeito de conclusão, dizer apenas que colocar a tónica no castigo e suspender os alunos ou professores agressores não resolve a situação. Digamos que seria como se um médico colocasse um penso rápido para combater uma infecção generalizada.

Behind the numbers: ending school violence and bullying – Novo relatório da Unesco

Agosto 13, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , ,

Texto da DGE:

A publicação “Behind the numbers: ending school violence and bullying”, da responsabilidade da UNESCO, apresenta uma visão abrangente e atualizada não só  da prevalência, mas também das tendências globais e regionais, relacionadas com a violência na escola. Além disso, examina a natureza e o impacto da violência escolar e do bullying.

O relatório refere que quase um aluno, em cada três, foi intimidado pelos colegas, na escola, no último mês. Este estudo, que envolveu 144 países, é a maior investigação feita, até à data, sobre estas problemáticas.

As constatações e conclusões, apresentadas nesta publicação, reforçam as recomendações dos Relatórios de 2016 e 2018 do Secretário-Geral da ONU, endereçadas à Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), no que se refere à proteção de crianças contra o bullying. Essas recomendações incluem, entre outras: a necessidade de desenvolver políticas para prevenir e responder à violência escolar e ao bullying; formar e apoiar os professores na prevenção da violência escolar e do bullying; promover abordagens que envolvam toda a comunidade, incluindo estudantes, professores, assistentes operacionais, pais e autoridades locais; fornecer informações e apoio às crianças.

Este estudo foi desenvolvido com o objetivo de apoiar todos os países na prevenção e combate à violência escolar e ao Bullying, bem como de reforçar a Campanha Safe to Learn que visa acabar com toda a violência nas escolas, até 2024.

Descarregar o relatório no link:

https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000366483

Behind the numbers: ending school violence and bullying – novo relatório da Unesco

Fevereiro 26, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

Descarregar o relatório no link:

https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000366483

 

Unesco: Europa tem de responder à violência nas escolas com base na orientação sexual

Janeiro 10, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , , , , ,

Notícia da ONU News de 21 de dezembro de 2018.

Relatório do Conselho da Europa e Unesco também avalia violência com base na identidade de género e características sexuais; apenas um quarto dos países europeus tem políticas integradas; Portugal implementou série de medidas nos últimos anos.

A violência nas escolas com base na orientação sexual, identidade ou expressão de género ou características sexuais ocorre em toda a Europa e não tem registos fiáveis.

A conclusão é de um relatório da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, em parceria com o Conselho da Europa. O estudo adianta também que as autoridades educativas europeias devem intensificar esforços para resolver o problema.

Só assim será possível criar um ambiente seguro para as crianças e prevenir o impacto negativo na saúde e nos resultados escolares.

Violência

O estudo adianta que a violência baseada na orientação sexual, identidade ou expressão de género ou características sexuais está enraizada em normas culturais e pode ser psicológica, física ou sexual. Ela pode ocorrer dentro ou ao redor das escolas, bem como através da internet.

Segundo a pesquisa, a violência verbal e o bullying são suas formas mais prevalentes.

A chefe da Unidade da Orientação Sexual e Identidade Género do Conselho da Europa, Eleni Tsetsekou, sublinha que “qualquer estudante que não esteja em conformidade com as normas vigentes, seja aparência física, escolha de roupas, boas maneiras ou atração emocional ou física por outros, pode tornar-se uma vítima”.

Esse tipo de violência afeta a saúde mental e física das crianças, levando a problemas como depressão, ansiedade, esforços para ocultar a identidade, automutilação, pensamentos e tentativas de suicídio.

Há também uma maior probabilidade que os estudantes que se tornaram vítimas tenham menos motivação, menos realizações educacionais, não frequentem as aulas ou abandonem a escola. A longo prazo, estes correm o risco de enfrentar dificuldades económicas e de se envolverem em comportamentos antissociais.

Dados

Este tipo de violência na educação ocorre em todo lugar, mas é subnotificada de forma aguda: no Reino Unido, por exemplo, 45% dos estudantes Lgbti que sofrem bullying no ensino médio nunca contam a ninguém.

Por isso, a responsável avisa que “a escala do problema é muito maior do que as estimativas oficiais sugerem. Isso torna ainda mais urgente que as autoridades do setor educação na Europa desenvolvam respostas abrangentes para o problema”.

De acordo com o relatório, estas respostas não se devem limitar a políticas nacionais e escolares para prevenir e abordar este tipo de violência. A sugestão é incluir currículos e materiais didáticos de apoio à diversidade, à formação de professores, apoio a estudantes e parcerias com a sociedade civil.

A importância deste objetivo foi sublinhada pelo oficial sénior de projetos da Unesco, Christophe Cornu, responsável por esta parceria com o Conselho da Europa. O especialista lembra que “o trabalho da Unesco na prevenção e no combate à violência homofóbica e transfóbica em ambientes educacionais é parte de seu mandato para assegurar que os ambientes de aprendizagem sejam seguros e inclusivos para todos”.

Portugal

Até agora, diz o relatório, foram encontradas respostas abrangentes e completas em seis Estados-membros do Conselho da Europa: Bélgica, Irlanda, Holanda, Noruega, Suécia e Reino Unido. Apesar da evolução positiva na última década, as respostas do sector da educação a este tipo de violência continuam a faltar inteiramente em cerca de um quarto de todos os Estados-membros.

O relatório identifica alguns dos passos dados por Portugal. O país é um dos Estados-membros que proibiu, por lei, a descriminação e a violência  com base na orientação sexual e na identidade de género. Para além disso, o relatório menciona a lei introduzida  que protege a declaração da identidade de género de todos os indivíduos.

O relatório oferece recomendações aos Estados europeus sobre como garantir que todas as crianças possam desfrutar de seu direito à educação, num ambiente seguro. As parcerias das escolas com a sociedade civil, a promoção da formação de professores, a criação de centros de apoio â população Lgbi são outras das medidas identificadas.

 

 

Metade dos adolescentes é vítima de violência na escola. UNICEF apresenta medidas contra o “bullying”

Setembro 20, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Notícia do Sapolifestyle de 6 de setembro de 2018.

Quase metade (46%) dos jovens portugueses entre os 13 e os 15 anos afirmam ter sofrido ou ter estado envolvidos em situações de bullying no ano anterior.

Metade dos alunos em todo o mundo com idades entre os 13 e os 15 anos – cerca de 150 milhões de jovens – relatam ter passado por violência entre pares na escola ou nas imediações desta, de acordo com um novo relatório lançado hoje pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

Metade dos alunos em todo o mundo com idades entre os 13 e os 15 anos – cerca de 150 milhões de jovens – relatam ter passado por violência entre pares na escola ou nas imediações desta, de acordo com um novo relatório lançado hoje pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

“Todos os dias, existem alunos que enfrentam vários perigos, entre os quais confrontos físicos, pressão para se juntarem a gangues, bullying – tanto em pessoa, como online -, disciplinação violenta, assédio sexual e violência armada. A curto-prazo, isto tem efeitos na sua aprendizagem e, a longo-prazo, pode levar à depressão, à ansiedade e até mesmo ao suicídio. A violência é uma lição que não se esquece e nenhuma criança deveria ter de a experimentar”, acrescenta.

O relatório enumera as várias formas de violência que os alunos enfrentam no interior e no exterior da sala de aulas. Segundo os últimos dados, pouco mais de um em cada três alunos entre os 13 e os 15 anos sofre bullying e uma proporção sensivelmente igual está envolvida em confrontos físicos.

Três em cada 10 alunos em 39 países na Europa e América do Norte admitem ter praticado bullying contra pares seus. Em 2017, foram documentados ou confirmados 396 ataques contra escolas na República Democrática do Congo, 26 no Sudão do Sul, 67 na Síria e 20 no Iémen.

Perto de 750 milhões de crianças em idade escolar vivem em países onde os castigos corporais na escola não são totalmente proibidos.

Apesar do risco de bullying ser semelhante entre raparigas e rapazes, as primeiras têm mais probabilidades de sofrer bullying psicológico e os rapazes têm maior risco de sofrer agressões e ameaças físicas.

UNICEF apresenta a solução

Em comunicado, o Fundo das Nações Unidas para a Infância informa que vai levar a cabo uma série de “#ENDviolence Youth Talks” em vários locais do mundo nos próximos meses. Esta série de debates moderadas por alunos dará aos jovens uma plataforma de partilha das suas experiências de violência e dará voz à sua necessidade de se sentirem seguros nas escolas e nas imediações desta. Daqui resultarão ainda uma série de recomendações para os líderes mundiais.

Para que se acabe com a violência nas escolas, a UNICEF e os seus parceiros apelam à ação imediata através de implementação de políticas e adoção de legislação necessárias para proteger os alunos da violência nas escolas e reforço das medidas de prevenção e de resposta nas escolas.

A UNICEF apela ainda às comunidades e indivíduos para que se apoiem os jovens quando estes falam sobre a violência de que foram vítimas e para que trabalhem no sentido de uma mudança de cultura nas salas de aula e comunidades.

Aquele organismo das Nações Unidos defende investimentos mais eficazes e direcionados a soluções comprovadas que ajudem os alunos e as escolas a manterem-se em segurança, assim como a melhoria da recolha de dados sobre a violência contra crianças nas escolas e imediações, assim como partilha daquilo que resulta.

O documento citado na notícia é o seguinte:

An Everyday Lesson #END Violence in Schools

 

Página seguinte »


Entries e comentários feeds.