EU Kids Online 2020: Survey results from 19 countries – Estudo europeu sobre as crianças e a internet

Fevereiro 25, 2020 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto do Facebook da SeguraNet:

No dia em que se assinalou o Dia da Internet Mais Segura, foram divulgados os resultados do estudo europeu EU Kids Online 2020: Survey results from 19 countries.
Entre 2017 e 2019, foram inquiridos 25.101 crianças e jovens, com idades compreendidas entre os 9 e os 16 anos, sobre as suas experiências digitais que incluíram situações de risco como ciberbullying, conteúdos prejudiciais, mau uso de dados pessoais, uso excessivo da Internet, mensagens de sexting e encontros com pessoas conhecidas na Internet.
Em alguns países, como Portugal, o tempo que as crianças e os jovens passam online mais do que duplicou, sendo também um dos países onde mais crianças e jovens revelam confiança em lidar com riscos: mais de dois terços referem saber reagir “sempre” ou “muitas vezes” a comportamentos de que não gostam na Internet. Portugal é também um dos países, onde os inquiridos menos associam situações de risco a danos delas decorrentes.

A participação de Portugal, neste estudo, contou com o apoio da Associação DNS.PT, da Fundação para a Ciência e Tecnologia e da Direção-Geral de Educação.

Descarregar o documento no link:

http://www.lse.ac.uk/media-and-communications/research/research-projects/eu-kids-online/eu-kids-online-2020?fbclid=IwAR0fmTsVgdjSPDqYbH3a87XRuozq2Hw1FM9GKs8MkBVKrHoC6qjGVdxYyik

Jogo, internet e outros comportamentos aditivos : dossier temático

Fevereiro 20, 2020 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Visualizar o documento no link:

http://www.sicad.pt/PT/EstatisticaInvestigacao/EstudosConcluidos/Paginas/detalhe.aspx?itemId=201&lista=SICAD_ESTUDOS&bkUrl=/BK/EstatisticaInvestigacao/EstudosConcluidos&fbclid=IwAR2O_jSlScaY2MfI-_rsd7vUvTakOu8Z20j4A8qN1LAHxPeLzUlBZWnO-CE

Telemóveis à mesa? O alerta “oportuno” do Papa

Fevereiro 17, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Snews

Notícia e imagem do Educare de 5 de fevereiro de 2020.

Sara R. Oliveira

O mundo já não vive sem tecnologia e os dispositivos móveis fazem parte do cérebro dos nativos digitais. Há, porém, momentos de convívio que não merecem ser perturbados. As refeições em família são tempos de comunicação por excelência. O que fazer? Como usar esse objeto que tanto aproxima como afasta?

No último domingo de 2019, dia da Sagrada Família, o Papa Francisco saiu ligeiramente do seu discurso durante a habitual missa no Vaticano, em Roma, Itália, para lançar uma pergunta incómoda na era da globalização e do mundo tecnológico e digital. “Na tua família, sabes comunicar ou és como aqueles jovens que estão à mesa com o telemóvel, a conversar no chat?”, perguntou para avisar que a comunicação em família é fundamental e não pode ser negligenciada. Este alerta do Papa volta a centrar as atenções num tema pertinente e atual. Os telemóveis não devem fazer parte das refeições. “Devemos reanimar a comunicação na família”, pediu.

“Do Telemóvel para o Mundo. Pais e Adolescentes no Tempo da Internet” é o título do mais recente livro de Daniel Sampaio, psiquiatra e professor catedrático. “O apelo do Papa é oportuno, mas não se deve criticar o uso dos telemóveis, que são muito importantes para comunicar com o mundo”, refere ao EDUCARE.PT. E, como sustenta no seu livro, “ninguém deve ter telemóveis à mesa (filhos e pais)”. “Os telemóveis devem ser desligados antes da hora de dormir”, acrescenta.

Nesse livro, Daniel Sampaio recupera a expressão “galáxia internet”, termo do sociólogo espanhol Manuel Castells, para sublinhar e reafirmar que hoje é impossível viver sem internet e que o número de utilizadores aumenta todos os dias. “Os jovens são os habitantes mais ativos desta nova galáxia e por vezes até a glorificam em excesso. A realidade é que os adolescentes não são capazes de viver sem internet e é bom que pais e professores se convençam disso”.

O telemóvel já faz parte do cérebro e do corpo dos jovens. Não há volta a dar, não adianta afirmar o contrário. Esta é uma das mensagens principais do livro de Daniel Sampaio que explica que a constatação não tem necessariamente de ser uma coisa má. Esse objeto permite contactar muita gente, marcar uma viagem, um jantar, um encontro, uma festa. Um pequeno objeto que cabe na palma de uma mão e que é uma porta aberta para o mundo. Não há distâncias, não há barreiras. “Tudo isto deve ser aproveitado. Estamos num mundo novo e é fundamental que pais e filhos se encontrem nesse mundo e que o telemóvel não seja apenas um motivo de conflito”, escreve Daniel Sampaio.

Tito de Morais, fundador do projeto MiudosSegurosNa.Net, que ajuda famílias, escolas e comunidade a promover a segurança online, considera a declaração do Papa sobre os telemóveis “extremamente oportuna”. “A utilização de dispositivos móveis durante as horas das refeições está a destruir a comunicação familiar e o próprio tempo de refeição”, refere ao EDUCARE.PT. E, a propósito, lembra um episódio contado por uma amiga pediatra que ao explicar a uma mãe que às refeições não deveria haver intromissão de aparelhos tecnológicos, essa mãe perguntou o que era isso de refeições, contando que, em sua casa, cada um se servia do tacho na cozinha. Ela ia para a sala ver televisão enquanto comia e o filho para o quarto comer enquanto jogava.

Entrar num restaurante fundamenta a preocupação do Papa, segundo Tito de Morais. “Rara será a mesa com crianças em que estas não estejam hipnotizadas pelo telemóvel ou pelo tablet. Os pais estarão também provavelmente grudados à televisão”. O problema é os pais não terem noção de que se estão a retirar de um tempo único, cada vez mais raro, de convívio e diálogo com os filhos. “Quando se aperceberem do erro que cometeram e procurarem repor esse tempo, já irão tarde demais e dificilmente o conseguirão fazer, por duas razões: o tempo que se perdeu, está perdido, não volta para trás, e já desenvolveram nos filhos, ao longo de anos, um hábito e uma rotina e, como sabemos, hábitos e comportamentos são das coisas mais difíceis de alterar”.

Nem smartphones, tablets ou televisões ligadas nos momentos das refeições. Esses momentos devem ser espaços de interação pessoal, para falar, ouvir, conversar. Tito de Morais refere que o papel da escola e dos educadores deve centrar-se na educação parental, “mostrando, com exemplos, a importância da preservação do tempo da refeição como um tempo de diálogo familiar e dos benefícios que daí se tiram ao nível do acompanhamento parental da vida dos nossos filhos”. “Pais, famílias, escolas, professores e educadores devem promover o ensino da gestão do tempo e das prioridades como uma competência essencial para os dias de hoje e para o futuro”, defende o autor do MiudosSegurosNa.Net.

“Os filhos perdem-se em casa”
Os telemóveis e as novas tecnologias constituem um enorme desafio para as comunidades e um constrangimento para as famílias em todo o mundo. São realidades demasiado evidentes. Para Luís Fernandes, psicólogo, mestre em Observação e Análise da Relação Educativa, o alerta do Papa Francisco “faz todo o sentido” e, vindo de quem vem, alcança mais gente, em diversos contextos, e fá-lo com um grande impacto social. Em seu entender, é preciso analisar vários fatores e olhar para o mundo digital como um aliado, não como um inimigo.

A geração “always on”, sempre ligada, vive agarrada à tecnologia. Os nativos digitais não conhecem outro mundo, e os seus pais, mais velhos, tiveram de entrar nessa realidade, sentem também que têm e devem estar sempre ligados, onde estiverem, a que horas for, seja por motivos pessoais, seja por razões profissionais. “Damos a tecnologia muito cedo aos miúdos e isso acaba por afetar a comunicação”, comenta. E, muitas vezes, os telemóveis nas mãos dos mais novos tornam-se momentos de descanso para os mais velhos.

“Os filhos perdem-se em casa pelas navegações que fazem”, refere Luís Fernandes. A frase exemplifica o que acontece quando se vive constantemente ligado às novas tecnologias e o tempo de brincar na rua já se encontra em vias de extinção. “Na adolescência, os jovens afastam-se um bocadinho, não comunicam tanto com os pais, e as novas tecnologias amplificam a falta de comunicação”, comenta o psicólogo. É preciso impor algumas restrições e se não há telemóveis à mesa, não há para todos, filhos e pais, pais e filhos. “Os miúdos não podem ver isso como algo injusto, eles não podem, mas os pais podem. Tem de ser algo negociado. Para todas as partes, os mesmos deveres”. Há famílias que, sobretudo ao fim de semana, estabelecem um horário sem telemóveis para passear, fazer jogos, brincar. Pais e filhos, juntos, sem toques e interferências por perto.

A tecnologia também mudou a forma de ensinar, a forma de preparar e dar aulas. Há novas ferramentas que prendem a atenção dos alunos. “Temos de ver como usar essas ferramentas a nosso favor e isso passa muito por dialogar e envolver esses dispositivos na aprendizagem”, refere. Dar aulas de outras maneiras, explorar abordagens mais atrativas. “Não faz sentido querer que a tecnologia não faça parte da vida dos nativos digitais”, avisa Luís Fernandes. O melhor caminho é limitar e consciencializar os mais novos. Proibir não ajuda, nem resulta.

“Desencontros comunicacionais”
Sónia Seixas, psicóloga e professora universitária, licenciada em Antropologia Social e em Psicologia Educacional, doutorada em Psicologia Pedagógica, abre e fecha parênteses antes de abordar diretamente o assunto. O facto de alguém de uma geração anterior comentar ou avaliar comportamentos da geração seguinte, mais nova, nomeadamente quanto à introdução de elementos de inovação que interferem na vivência quotidiana das duas gerações (a anterior e a seguinte), é complexo, difícil, e possivelmente tendencioso. É com esta ressalva que fala do assunto e comenta a declaração do Papa Francisco, sobretudo enquanto mãe e membro de uma sociedade em acelerada transformação.

“É inevitável que esta nova geração se habitue, desde cedo, a contactar, interagir e comunicar à distância, através dos ecrãs, utilizando habilmente todos os dispositivos e aplicações que se encontram disponíveis e acessíveis à sua exploração e utilização”, afirma. Mas, sublinha, estas novas maneiras de comunicação “não se substituem às formas presenciais de interação que a geração dos seus pais avós não só prefere, como utiliza de sobremaneira”. Por causa destas preferências que não coincidem instalam-se, por vezes, “desencontros comunicacionais” que, em seu entender, “não deveriam ser obrigatoriamente entendidos nem como opostos nem como obstáculos”, apesar da tecnologia sempre presente, desde o acordar ao deitar, poder dificultar a partilha de alguns momentos em família, como a refeição quando é feita em conjunto.

“Nos dias de hoje, em que vivemos o nosso dia a dia de forma acelerada, apressados para conseguirmos responder simultaneamente a todas as demandas profissionais, pessoais e familiares, torna-se difícil garantir momentos em família, onde a comunicação tenha um espaço devidamente assegurado. É por isso fundamental criar oportunidades em que todos os elementos da família possam comunicar presencialmente, olharem-se nos olhos, ler e interpretar emoções e estados de espírito através da linguagem não verbal (corporal e facial), escutar, expressar-se verbalmente, sem a mediação de ecrãs”, refere Sónia Seixas.

A utilização das tecnologias é muito atrativa e isso é inquestionável. Há, no entanto, outros fatores a ter em consideração. “Em momentos que temos a família reunida, nomeadamente à volta da mesa de refeição, deveríamos encontrar mecanismos para que a familiaridade, a intimidade, a cumplicidade, a partilha, o auto e hetero conhecimento, se pudessem desenvolver e aprofundar”. Pais e filhos distantes, por momentos, dos alertas de mensagens, do email, daquela necessidade de consultar, de mil informações que passam pelo ecrã.

A família em primeiro lugar. “Havendo um papel a atribuir, seria à família e não à escola, uma vez que esses momentos familiares, a serem ‘regulamentados’ ou negociados, devem sê-lo nesse contexto, com esses interlocutores e tendo como referência a sua própria rotina e dinâmica relacional”. Em seu entender, não é que a comunicação necessite de ser “reestabelecida ou retomada” na família, mas antes que “tenha de haver um esforço consciente e voluntário, para que se mantenha nos termos daquilo que possamos considerar como menos digital e mais presencial, menos online e mais offline”.

IV Congresso Internacional CADIn “Tecnologia e Inclusão: e-moção, e-ducação, e-volução” 19-21 março em Lisboa

Fevereiro 1, 2020 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Mais informações no link:

https://www.congressointernacional2020.cadin.net/pt

Dar um smartphone a seu filho é “como lhe dar drogas”, diz especialista em vícios

Janeiro 19, 2020 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do site A Grande Arte de 14 de novembro de 2020.

Adaptação do site Family Life Goals

Metade dos adolescentes no mundo são viciados em smartphones, e 84% desses adolescentes disseram que não podem passar um dia sem checar seus telefones.

As crianças são mais maleáveis ​​que os adultos, estando nessa fase da vida em que seus cérebros ainda estão se desenvolvendo rapidamente. Maus hábitos podem facilmente se tornar características neste momento. Hoje, milhões de pessoas no mundo são viciadas em smartphones. Se você calcular a quantidade de tempo gasto checando seus sites favoritos e contas de mídia social, ficará em choque.

O vício em smartphones não é uma farsa psicológica. É real e quase tão ruim quanto o vício em drogas. Embora possa não ter riscos imediatos para a saúde (excluindo problemas oculares da visualização excessiva da tela), é mais difícil superar, porque os smartphones não são considerados perigosos. Todo viciado em drogas sabe que está prejudicando seus corpos e mentes. Poucos teriam essas substâncias nas mãos ou nas mesas 24 horas por dia. Os smartphones, por outro lado, nunca saem do nosso lado e, por servirem a muitos propósitos em nossas atividades diárias, os efeitos colaterais geralmente são subestimados.

Você não está ajudando seus filhos com esses smartphones
Se os adultos podem ser seriamente afetados pelo uso excessivo de smartphones, é assustador imaginar o efeito que eles têm sobre as crianças. Um terapeuta do Reino Unido comparou essa técnica de distração a dar medicamentos ao seu filho. De qualquer maneira, eles se tornarão viciados e, se você tentar cortar o suprimento deles, eles entrarão em uma retirada agitada. O especialista em clínica de reabilitação, Mandy Saligari, apresentou essa teoria. Ela explica que os pais estão cometendo erros graves, ignorando o vício em smartphones para se concentrar apenas em drogas e álcool. Biologicamente, todos esses itens funcionam nos mesmos impulsos cerebrais.

“Eu sempre digo às pessoas que, quando você dá a seu filho um tablet ou telefone, está realmente dando uma garrafa de vinho ou um grama de cocaína” , disse ela ao Independent. “Você realmente vai deixá-los bater neles por conta própria a portas fechadas?”

Salgari dirige a Clínica Harley Street Charter, em Londres, e disse que dois terços de seus pacientes são jovens entre 16 e 20 anos que estão sendo tratados por uso excessivo de smartphones. Uma de suas pesquisas concluiu que um terço das crianças britânicas entre 12 e 15 anos de idade admitiu não ter um bom equilíbrio entre o tempo de exibição e outras atividades. Eles gastam muito tempo em seus telefones para se envolver em outras coisas, como esportes, música e jogos de tabuleiro.

Por que os pais dão smartphones aos filhos?

Geralmente é uma técnica de distração, mas em alguns casos, os pais estão convencidos de que o uso precoce de smartphones tornará seus filhos mais inteligentes . Quando crianças entre dois e cinco anos recebem smartphones para controlar suas birras e mantê-las distraídas, elas certamente se acostumarão com esses dispositivos e se tornarão dependentes deles por diversão. Retirar seus tablets ou telefones pode causar sintomas semelhantes à retirada de narcóticos.

Um estudo realizado pela Universidade Estadual de San Diego descobriu que os smartphones afetam a saúde mental e o bem-estar emocional de crianças entre dois e 17 anos. Eles passam tanto tempo jogando, assistindo a vídeos, acessando conteúdo inapropriado para a idade e enviando mensagens de texto incessantemente. que eles se tornem conectados a viver em um mundo virtual. As crianças que são viciadas em tecnologia digital geralmente têm dificuldade em controlar suas emoções ou se comportar no mundo real.

Além disso, os pais fazem parte do ciclo de influência negativa. As crianças tendem naturalmente a copiar os pais e a fazer exatamente o que vêem os adultos fazerem. É por isso que os pais são aconselhados a restringir o que seus filhos estão assistindo na televisão. Usar o smartphone a maior parte do dia na frente do seu filho faria com que ele aceitasse esse hábito como perfeitamente normal. Como seus pais estão fazendo isso, deve ser o caminho certo para viver a vida.

Como esse vício afeta seus filhos?
Fisiologicamente, o vício em smartphones pode ter sérias conseqüências no cérebro. Esses sintomas podem não se manifestar fisicamente, mas geralmente afetam o bem-estar psicológico de uma pessoa. Um estudo de 2012 realizado pela Academia Chinesa de Ciências descobriu que as pessoas diagnosticadas com transtorno de dependência da Internet têm anormalidades físicas no cérebro. Eles tinham anormalidades na integridade da substância branca em certas regiões do cérebro que controlam a tomada de decisões, o controle emocional e a atenção. É por isso que as pessoas que são viciadas em seus telefones geralmente apresentam um desempenho ruim nessas áreas.

Esse vício faz com que as crianças se tornem anti-sociais. Imagine uma festa de aniversário para crianças de cinco anos, onde todos estão ocupados jogando videogame em seus telefones. O vício em smartphones também leva a um fraco desempenho acadêmico. Obviamente, as crianças que passam tanto tempo em seus telefones não encontrarão tempo para seus estudos. Eles também desempenham mal em esportes, teatro e outras atividades extracurriculares.

Essas crianças geralmente enfrentam depressão, frustração, exaustão, solidão e, em casos extremos, alucinações. Alguns dos jogos e conteúdos que eles acessam podem conter tanta violência, palavrões e nudez que a mente jovem de seu filho não consegue lidar. Eles podem ficar violentos, doentes e agitados se os dispositivos forem levados com força,

Não vamos esquecer a visão deles. Algumas crianças usam muita luz durante o tempo de tela e isso pode ofuscar ativamente a visão e causar graves dores de cabeça, e “ nenhum protetor de tela fará qualquer diferença real ” , de acordo com o oftalmologista, Dr. Christopher Starr.

Como ajudar seu filho a superar esse vício

  1. Vá à velha escola

As crianças raramente se reúnem no quintal da frente para brincar de esconde-esconde, amarelinha, cantar músicas ou até teatro. Todo mundo está ocupado jogando Legos em seus tablets em vez de usar blocos físicos. Por que brincar de queimada quando há Temple Run? Por que jogar xadrez com seus colegas de classe quando você pode jogar contra o computador? Todo mundo ficou digital.

Lentamente, introduza esses equipamentos de jogos “antigos” em sua casa. Colabore com outros pais para que seus filhos possam se reunir para experimentá-los. Jogar cartas com seus filhos é uma ótima maneira de tirá-los dos dispositivos, porque eles adorariam passar um tempo com você. Lenta e constantemente, você os desmarca usando esses dispositivos excessivamente. As crianças pequenas não devem nem mesmo usar o smartphone, embora possam usar os tablets para crianças em horários definidos do dia.

  1. Fale com eles

Não tenha medo de perturbá-los ou aterrorizá-los. Eles descobrirão de uma maneira ou de outra que esses dispositivos são prejudiciais. Gentilmente, sente com seu filho e diga-lhe como o vício em smartphones pode torná-lo incapaz de se relacionar com as pessoas na vida real. Incentive-os a sair com outras crianças e jogar jogos físicos.

  1. Lidere pelo exemplo

Como pai, você também deve restringir o uso de celulares. Seu filho não deve organizar Legos ou jogar scrabble enquanto você assiste vídeos altos no Instagram. Tente limitar o tempo da tela porque você não está isento do dano mental que ele causa. Ensine seu filho fazendo a mesma coisa.

  1. Horários da tela

Deve haver horários para o uso de smartphones e gadgets digitais em sua casa. As crianças pequenas devem ter permissão para acessar algumas horas por dia em seus tablets ou videogames. As crianças mais velhas devem ter cerca de três horas em seus smartphones. Seja o pai, entre em contato com esses dispositivos e libere-os apenas em horários determinados.

Depois de algum tempo, você começará a observar que seu filho entrou em uma rotina diferente e muito mais saudável, podendo ficar sentado tranquilamente ao lado de um celular por horas tocá-lo. Mudar o hábito é vantajoso para as duas partes, pais e filhos!

Madrid proíbe uso de telemóvel nas salas de aulas já no próximo ano letivo

Janeiro 3, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 26 de dezembro de 2019.

A medida vai afetar cerca de 800 mil estudantes do ensino não universitário de 1700 escolas da Comunidade de Madrid, que segue o exemplo dos governos regionais de Galiza e Castela-Mancha.

A partir do próximo ano letivo é proibido o uso de telemóveis nas salas de aula de 1700 escolas públicas da Comunidade de Madrid. Cerca de 800 mil estudantes do ensino não universitário vão ser afetados, escreve o El Mundo. A medida vai ser obrigatória nos “períodos escolares”, exceto quando os telemóveis são utilizados com fins educativos ou em casos de alunos que precisam do aparelho “por razões de saúde ou incapacidade”.

“Esta é uma medida que visa melhorar os resultados académicos dos estudantes, especialmente aqueles que têm grandes problemas com o estudo, e está também focada no combate ao cyberbullying e bullying, justifica um porta-voz do Ministério da Educação, citado pelo jornal.Se os alunos não cumprirem com a medida estipulada pelo governo regional de Madrid, cabe ao professor ou à direção decidir qual a ação corretiva a aplicar, que pode contemplar a apreensão temporária do telemóvel.

Até agora, as escolas publicas em Madrid tinham autonomia para decidir sobre o uso de telemóveis nas salas de aula.

Depois de Galiza e Castela-Mancha, Madrid passa a ser o terceiro governo regional espanhol a proibir o uso de telemóvel nas salas de aulas.

As escolas, acrescenta o El Mundo, podem limitar adicionalmente o uso dos aparelhos em outros espaços da escola, como no recreio.

França já proíbe

Em França, a medida já está a ser colocada em prática desde o ano passado. A “interdição efetiva” foi aprovada a 7 de junho de 2018 na Assembleia Nacional e abrange o ensino básico e secundário. De acordo com o Ministério da Educação francês, trata-se de “medida de desintoxicação” para combater a distração nas salas de aulas e o bullying.

A lei que entrou em vigor no ano letivo 2018-2019 permite que as escolas públicas francesas tomem a decisão sobre como querem aplicar a proibição, podendo numa versão mais simples implicar que os telemóveis são colocados em bolsas específicas dentro das mochilas para permitir o acesso em caso de emergência ou para uso pedagógico, nas aulas. Mas há também a versão mais extrema, de os proibir totalmente na escola, sob pena de sanções.

E em Portugal? “A escola não o pode proibir”

E se as crianças portugueses fossem proibidas de levar telemóveis para as salas de aulas? Professores, pais e psicólogos, ouvidos pelo DN, consideram completamente desajustado proibir o uso dos aparelhos nas escolas.

“As escolas não podem viver de costas voltadas para a sociedade. Se a sociedade permite o uso do telemóvel, a escola não o pode proibir, pode, sim, limitá-lo”, afirma Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas. “Se os alunos usam o telemóvel na rua e a escola vai proibi-lo, a escola vai ser ainda mais desmotivadora ou então não tão motivadora.”

Eduarda Ferreira, investigadora da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas e psicóloga educacional também se mostrou contra a medida. “Temos de pôr a escola dentro do telemóvel e não tirar o telemóvel da escola”, afirmou. “Banir é que não. O uso do telemóvel na sala de aula, por exemplo, pode motivar os jovens para aprender”, defendeu.

Já Jorge Ascensão, presidente da Confederação de Pais (Confap) entende que há um trabalho a fazer, mas ao contrário: “É preciso trabalhar o sistema educativo e as relações sociais, incutir valores, ensinar os jovens que têm que respeitar os outros. E essa é uma responsabilidade partilhada dos pais e da escola.”

Vício do telemóvel afasta as famílias dentro da própria casa

Janeiro 1, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site Up to Kids

Vício do telemóvel afasta as famílias dentro da própria casa

Os telemóveis foram e são, sem dúvida, umas das melhores invenções de sempre.  Permitem-nos que possamos estar em constante contacto com pessoas que estão a milhares de quilómetros de distância. As redes sociais vieram ainda “aproximar-nos” de amigos com quem não conseguimos estar no dia-a-dia. Mas será esta aproximação real? Ou quanto mais nos aproximamos dos nossos amigos, mas nos estamos a afastar da nossa família?

Há vários fatores a ter em conta, mas como em tudo, as redes sociais têm muito de positivo, mas também um lado negativo.

Se por um lado as novas tecnologias e as redes sociais nos permitem estar a par de tudo o que se passa no Mundo em tempo real,  o facto de passarmos tanto tempo a olhar para o telemóvel, faz-nos perder muito do que se passa à nossa volta, incluindo o que se passa em nossa casa.

O fotógrafo Al Lapkovsy partilhou uma série de imagens que, apesar de serem um pouco chocantes, retratam exactamente o que se passa em casas em todo o Mundo.

Desde pais que deixam de dar atenção aos filhos por estarem a olhar para o telemóvel, a crianças que acabam por não ter com quem brincar pois todas as outras estão agarradas aos telemóveis, ou até mesmo casais que deixam de aproveitar a sua intimidade para estarem nas redes sociais.

Muitas são as famílias que, apesar de viverem na mesma casa, se afastam cada vez mais, e tudo graças a este vício silencioso.

Com isto não digo que se deva deixar de usar as novas tecnologias e as redes sociais. Mas cabe-nos a nós, adultos e pais, controlar o uso para que não se torne exagerado prejudicando o equilibrio familiar. O vicio do telemóvel não pode existir.

Nada é mais importante do que a nossa família, por isso temos de garantir que a aproveitamos ao máximo, antes que seja tarde demais!

Façamos uma reflexão sobre se estamos realmente a valorizar e priorizar a família.

Estas imagens fazem parte da coleção Desconectar Conectar do artista AL LAPKOVSKY

Era uma vez umas roupas que um dia já tinham sido uma pessoa, iluminadas pela luz azulada 

De acordo com vários estudos, algumas crianças passam em média 7,5 horas na frente das telas por dia. Isso mesmo 7,5 horas. É o tempo que a maioria dos adultos passa no trabalho diarimante. Os adolescentes passam até nove horas por dia nos meios sociais. Surpreendentemente, uma pessoa comum gasta quase duas horas (aproximadamente 116 minutos) nas redes sociais todos os dias, o que significa um total de 5 anos e 4 meses ao longo da vida. Atualmente, o tempo total gasto nas meios sociais supera o tempo gasto a comer e beber, a socializar ou organizar.

Para percebermos o tempo excessivo que uma pessoa passa realmente nos meios sociais, façamos a comparação com o número de horas (cinco anos e quatro meses) que passa ao longo da vida a sociabilizar com amigos e familiares na vida real (um ano e três meses ).

Estamos a desaparecer, deixamos de existir, perecemos.

Não podemos imaginar as nossas vidas sem os ecrãs azuis. Somos bombardeados com notícias, atualizações e status. Temos milhares de amigos e ainda estamos sozinhos. Somos semi-transparentes, perdidos na luz azul de informações inúteis e num falso sentimento de pertença.

O principal objetivo deste projeto é ilustrar como continuamos a desconectar-nos da realidade que nos rodeia a qualquer momento e nos envolvendo em algo que talvez seja real, mas não tão importante e relevante no momento. Como, apenas pela natureza do hábito, escolhemos com mais frequência olhar para o ecrã do que olhar à volta. Enviar uma mensagem para alguém em vez de conversar com uma pessoa sentada à nossa frente. Como a nossa mente se torna global no sentido de que podemos conversar com pessoas que mal conhecemos e, ao mesmo tempo, ignorar alguém muito próximo e real.

Quando estamos com os nossos filhos, estamos realmente presentes? Ou estamos no vício do telemóvel?

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=2615106911858866&set=pb.100000787473822.-2207520000..&type=3&theater

É frequente os nossos filhos alhearem-se dos irmãos e dos pais?

Enquanto casal: quantas vezes já esteve em situações idênticas às retratadas?

Casos de miopia aumentam em menores devido a uso excessivo do telemóvel

Dezembro 25, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do MAGG de 18 de dezembro de 2019.

Ana Luísa Bernardino

5,1% das crianças até aos 8 anos passa entre 2 a 4 horas por dia em frente a um ecrã, 10% está a olhar para o telemóvel enquanto come e 5,3% das crianças olha para um ecrã na cama.

Cerca de 30% crianças de oito anos usa o telemóvel todos os dias, o que faz com que a graduação em miopia tenha aumentado em 1,75 dioptrias nos últimos cinco anos em pessoas com idades entre os 17 e os 27 anos, diz um estudo realizado pelo Colegio Oficial de Ópticos y Optometristas de Cataluña (COOOC), divulgado esta quarta-feira, 18 de dezembro.

De acordo com o espanhol “El Mundo“, a investigação envolveu os dados de 1105 crianças de toda a Espanha, e revela que uma em cada três usa o telemóvel ou tablet diariamente. Afons Bielsa, presidente do COOOC, citado pelo mesmo jornal, disse ainda que 19% dos miúdos usa estes ecrãs durante cerca de uma ou duas horas por dia, valor que é duas vezes superior ao que é recomendado pela Organização Mundial de Saúde.

O problema tende a agravar: segundo Bielsa, quando alguém jovem se torna míope, aumenta a probabilidade de ter mais dioptrias no futuro.

“Quando alguém atinge cinco dioptrias, o risco de sofrer um descolamento de retina aumenta até vinte vezes e a probabilidade de sofrer maculopatias [condição que afeta a mácula, uma parte da retina] aumenta até cinquenta vezes”, disse Bielsa. O investigador não tem dúvidas: “As crianças devem ser impedidas de passar tantas horas na frente de um ecrã. “

Mais dados preocupante: 5,1% das crianças até aos 8 anos, ao usar os aparelhos dos pais, passa entre duas a quatro horas por dia em frente a um ecrã; 10% está a olhar para o telemóvel enquanto come e 9,7% tem o telemóvel sempre junto de si em restaurantes. Na cama, 5,3% das crianças olha para um ecrã — sendo que 2,5% fá-lo com frequência.

Tudo isto aumenta a probabilidade de desenvolver miopia, fazendo aumentar as dioptrias. “Estar tão perto dos ecrãs não é bom para ninguém, mas para uma criança ainda menos, porque ela está a desenvolver-se e o ser humano é sábio e adapta sua visão à miopia para poder ver melhor de perto”, diz, citada pelo mesmo jornal, Mireia Pacheco, vice-reitora da Facultad de Optometria de Terrassa.

A vice-reitora destaca também que crianças com idades até aos 2 anos nunca devem contactar com ecrãs e que aqueles que têm entre dois e cinco anos devem estar, no máximo, até uma hora por dia junto destas tecnologias. Miúdos com idades entre os cinco e os 12 anos podem estar até duas horas junto de telemóveis, tablets ou computadores.

Os especialistas envolvidos no estudo do COOOC concordam: “Há evidências de que a luz natural é um inibidor para o o desenvolvimento da miopia.” Ou seja, o melhor é que os pais deem passeios com os filhos ao ar livre e apostem em atividades no exterior, recomendam.

Nestas 5 escolas portuguesas o telemóvel é proibido (ou limitado). E os miúdos voltaram a brincar

Novembro 3, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Gaelle Marcel

Notícia e imagem do MAGG de 23 de outubro de 2019.

Ana Luísa Bernardino

Há limitação de horas, proibição total, restrição em sala de aula e ainda locais específicos para os guardar. Falámos com 5 pais e a opinião é unânime: os filhos ficam a ganhar.

A Escola Secundária Rainha D. Leonor, em Alvalade, Lisboa, está no centro de uma polémica depois de um professor ter alegadamente agredido violentamente um aluno do 8.º ano na sequência de este estar a mexer no telemóvel na aula da apresentação.

Em qualquer estabelecimento de ensino, os princípios mais básicos ditam que a utilização do telemóvel em ambiente de aula é proibido, tal como acontece com outros objetos que potenciem as distrações e prejudiquem o aproveitamento do aluno. Mas nem sempre a regra é suficiente para impedir as crianças e adolescentes de cederem à tentação — com o telemóvel na mochila ou nos bolsos, às vezes a curiosidade (ou vício) é mais forte.

O estabelecimento de ensino em que o incidente ocorreu não prevê, até ao momento, regras oficiais que controlem a utilização dos smartphones na escola. No entanto, há outras que começam a adaptar-se ao fenómeno recente das tecnologias nas mãos dos jovens.

Cinco encarregados de educação explicam isso mesmo à MAGG. Há escolas que proíbem terminantemente o uso dos telemóveis dentro da escola em todos os anos, outras que apenas aplicam estas regras a alunos de anos mais vulneráveis ao vício dos ecrãs. Há locais que cingem a sua utilização aos recreios, outros que impõem horários específicos para o seu uso. Alguns estabelecimentos de ensino até têm zonas específicas onde os smartphones devem ser guardados, enquanto outros preferem que estes se mantenham desligados dentro da mochila, no cacifo ou em casa.

Sejam quais forem as diferenças no modus operandi da proibição, a opinião dos pais é unânime: concordam com as regras que limitam o uso dos aparelhos e garantem que os telemóveis não fazem falta aos miúdos no decorrer do tempo de aulas. Além de um aproveitamento melhor dentro das salas, os alunos fazem aquilo que se fazia nos tempos pré-touch: correm, saltam, jogam à bola, conversar, interagem. E dão-nos pormenores sobre como tudo funciona.

Nesta escola, nem nas aulas nem nos recreios

Nos Salesianos de Manique, um colégio privado em Alcabideche, os alunos de 5.º 6.º ano estão autorizados a levar o telemóvel, mas não podem ser vistos com eles na mão. Caso sejam apanhados a utilizá-lo, “o [aparelho] é-lhes retirado, entregue à direção da escola e devolvido no final do período escolar”, explica à MAGG Bárbara Chef, 33 anos, mãe de um aluno que frequenta o 5.º ano.

Foi numa reunião no início do período letivo — que juntou num auditório os pais dos alunos do segundo ciclo — , que os encarregados de educação tomaram conhecimento da posição deste colégio em relação aos smartphones. “Nos recreios, os miúdos já não socializavam”, conta Bárbara. “Ponderaram e decidiram que, pelo menos para os alunos de 5.º e 6.º ano, não seria permitida a utilização dos telefones, de forma a que nos intervalos os alunos interagissem mais uns com os outros.”

É também assim no Colégio de Santa Doroteia, em Lisboa, explica Sofia Mourão, mãe e encarregada de educação de um aluno de 8.º ano. Mas aqui há uma nuance, que se traduz numa implementação de horários: “Eles não podem ter os telemóveis à mão, nem ligados, nem desligados, no período de aulas, que decorre 8h30 e as 16h30 — incluindo a hora de almoço. Se  forem apanhados, mesmo com o telefone desligado, os professores e auxiliares podem retirá-los.” Já aconteceu ao seu filho de 13 anos: “Já lhe tiraram duas vezes o telemóvel, que foi depois entregue aos pais.”

“Eles notaram que havia miúdos nos intervalos que estavam agarrados aos telefones, que se isolavam e que não se integravam”

Maria Cabanas, diretora pedagógica deste colégio, corrobora a informação dada pela encarregada de educação, explicando que “os professores e vigilantes estão avisados de que devem retirar os equipamentos e entregá-los aos responsáveis de turma, que só os devolverão após conversa com os pais.”

“Eles [o colégio] não são contra os telemóveis”, ressalva Sofia. Mais uma vez, em causa estará a socialização e integração das crianças, especialmente relevante para os alunos que entram no 5.º ano, que, como vêm de outras escolas, estão menos ambientados ao novo estabelecimento de ensino. “Eles notaram que havia miúdos nos intervalos que estavam agarrados aos telefones, que se isolavam e que não se integravam”, conta. “Julgo que tenha resultado.”

Maria Cabanas, que adianta que os telemóveis podem ser utilizados como ferramentas de apoio às matérias, quando os docentes assim o entendem, confirma: “Após uma reflexão pedagógica ponderada sobre a utilização que os nossos alunos fazem das novas tecnologias da informação e comunicação no colégio, constatámos que, maioritariamente, não fazem um uso responsável e adequado, potenciando situações de isolamento e de dependência desfavoráveis e condicionadoras do seu processo educativo e formativo“, diz. “Desejamos que os nossos alunos possam adquirir, futuramente, a capacidade de saber fazer escolhas seguras e adequadas na utilização destes novos equipamentos.”

A regra funciona assim para os alunos até ao 9.º ano. A partir do ensino secundário, os miúdos já têm autorização para mexer nos smartphones, nos intervalos e durante a hora de almoço. Durante as aulas, explica a diretora pedagógica, colocam os equipamentos na sala, num local próprio.

Mas nem sempre as normas no colégio do Campo Grande funcionaram nestes moldes. A fórmula tem vindo a ser adaptada àquelas que são, de acordo com a escola, as necessidades dos alunos. Há quatro anos, a regra da proibição destas tecnologias era apenas aplicada ao 5.º e 6.º ano, tendo sido depois alargada para o 7.º e 8.º e, por fim, ao 9.º. 

“No final do primeiro ano em que esta medida foi adotada, apenas para o 5.º e 6.º anos, constatou-se, pela avaliação feita por todos os envolvidos, nomeadamente pelos alunos, que deveria ser alargada aos alunos do 3.º ciclo, uma vez que lhes permitiu um maior conhecimento e uma relação mais próxima com os colegas nos recreios”, explica Maria Cabanas.

Nem em contexto de visita de estudo a regra é levantada. “Os miúdos não olhavam para os caminhos, não viam nada, estavam sempre agarrados aos telefones. Passou a ser proibido”, conta Sofia Mourão. A diretora pedagógica adiciona mais locais em que os telefones são proibidos: na capela do colégio, no refeitório ou ainda na biblioteca.

Para esta mãe, só há aspetos positivos no modelo adotado. “É muito bom. Eles não precisam do telemóvel para nada”, garante, referindo que, desta forma, as crianças brincam e interagem mais. “Se for preciso entrar em contacto com os pais, a secretaria faz isso, como explicaram agora na reunião de pais de início de ano.”

No Colégio do Vale, na Charneca da Caparica, os telemóveis são quase um não-assunto. “Sempre foram proibidos”, conta Rita Cardoso, mãe de dois gémeos de 12 anos, que frequentam este estabelecimento desde a pré-primária.

“Deixámos de os ter nos corredores agarrados às fichas por causa dos carregadores. Voltaram a ir para a rua”

Mas o tema foi ganhando especial relevância. “Antes, no início do ano, não era obrigatório falar nisto, mas agora isto é comunicado em todas as reuniões de início do ano. A proibição do uso do telemóvel, para todos os anos, está nas regras do colégio.”

“Os telefones foram formalmente proibidos há três anos, está no regulamento do aluno”, explica Magda Gonçalves, diretora geral do Colégio do Vale. “O que notámos foi que os alunos voltaram a brincar, a praticar desporto, a ocupar os recreios. Deixámos de os ter nos corredores agarrados às fichas por causa dos carregadores. Voltaram a ir para a rua.”

Como acontece nas outras escolas referidas, também aqui o telefone pode ser utilizado como ferramenta nas aulas. Quando assim é, o professor comunica aos pais que em dado dia o aparelho será utilizado e que, por isso, os alunos os podem trazer consigo.

Mas há muitas crianças que, apesar de terem um telefone, preferem não os levar consigo. É o que acontece com os filhos de Rita Cardoso: ao invés de levarem os seus, preferem pedir emprestado ao colega para fazer o trabalho que o professor solicita. É assim que funciona, por exemplo, com as crianças que ainda não têm smartphone.

“Eles partilham e safam-se”, diz a mãe. “[A regra] é ótima, porque não há se dão aquelas situações de exclusão, porque uns têm e outros não. Os miúdos brincam, jogam à bola, jogam matrecos, conversam.”

Como todos os outros encarregados de educação do Colégio Nuno Álvares Pereira, da Casa Pia, Patrícia Dinis, 38 anos, teve de assinar um documento que mostrava que tinha tomado conhecimento das normas relativas a este tópico: os telemóveis naquela escola são proibidos e são confiscados aos alunos que, dentro ou fora das salas de aulas, sejam vistos a mexer neles. O secretariado deste estabelecimento confirmou a informação à MAGG.

Em causa, mais uma vez, está a interação dos miúdos nos recreios. “No ano passado verificou-se muito que os miúdos estavam constantemente agarrados ao telefone, muitas vezes a conversar por WhatsApp, em vez de estarem a comunicar uns com os outros diretamente. Isto foi discutido em reuniões, até porque no ano passado caíram no erro de ter rede wi-fi aberta em toda a escola, o que fazia com que os miúdos não largassem os telefones”, conta Patrícia, que é mãe de uma aluna de 15 anos, a frequentar o 9.º ano. “Os próprios professores viam-nos nos corredores e resolveram tomar esta medida este ano.”

“É necessário que os miúdos estejam atentos à aulas e respeitem as regras. E é necessário que no recreio possam conviver para que não estejam só em grupo a enviar mensagens uns aos outros e a jogar. O recreio deve servir para eles saltarem, jogarem à bola e fazerem outros jogos mais didáticos”, termina.

As colmeias da Escola Secundária Pedro Nunes

Na Escola Secundária Pedro Nunes, em Lisboa, a restrição aos telemóveis é aplicada a todos os estudantes, apenas dentro das salas de aula, como nos explica Ana Câmara Pereira, 42 anos, mãe de dois alunos a frequentar este  estabelecimento no 7.º e o 12.º ano.

“Eles têm uma coisa que se chama colmeia. Quando entram na sala de aula, deixam lá o telemóvel e só usam se for necessário fazer uma pesquisa, autorizada pelo professor”, conta. “Não fui à reunião da escola, mas avisaram-me. Ninguém [encarregado de educação] estranhou a regra.

“Sentimos que [o telemóvel] é prejudicial tanto para a saúde física como psíquica, mas ainda não conseguimos vislumbrar nenhuma medida equilibrada e eficaz”

Carlos Grosso, subdiretor desta instituição de ensino público, confirma à MAGG a regra descrita pela encarregada de educação: “Sim, confirmamos que desde há dois anos que adotamos essa medida de melhoria, uma vez que havia alguma incidência de faltas disciplinares associadas à utilização indevida do telemóvel nas aulas”, explica.

“A direção da escola desenhou uma protótipo de estante apropriada para a colocação de 30 telemóveis, a que costumamos chamar ‘colmeias’ — investimos na respetiva produção e colocámos, aparafusada à parede, na entrada de cada sala de aula, do lado de dentro, naturalmente.”

De acordo com este responsável, o registo de faltas disciplinares associadas à utilização indevida do telemóvel “diminuiu drasticamente” com a aplicação desta regra. No entanto, não deixa de lamentar o facto de muitos alunos preferirem dedicar o tempo de recreio ao telemóvel, em vez de estarem a brincar com os colegas. “Sentimos que é prejudicial tanto para a saúde física como psíquica, mas ainda não conseguimos vislumbrar nenhuma medida equilibrada e eficaz.”

A regra da proibição total não é aqui aplicada por uma questão de logística, considerada “fundamental”. Segundo Carlos Grosso, o Pedro Nunes não tem “condições para assegurar a guarda dos telemóveis durante o recreio, até porque em algumas horas as turmas têm que mudar de sala e outras turmas utilizam as salas vagas — quando vão ter Educação Física ou aulas em laboratórios”. Além disso, a escola também não quer que os alunos “fiquem, durante todo o dia escolar, proibidos de efetuar comunicações privadas.”

O método adotado pelo Agrupamento de Escolas António Sérgio, no Cacém, é semelhante ao da Escola Secundária Pedro Nunes, explica Ana Dias, 38 anos, mãe de um aluno de 5.º ano.

Há colegas do meu filho que estão a jogar ao telemóvel o tempo todo”

“Os alunos podem levar telemóvel para o recinto escolar, podem usá-lo no recreio, mas quando entram na sala têm de o ter desligado. Caso contrário, se o professor vir e reparar que o aluno está a infringir a regra, fica com ele [o smartphone], entregando-o à direção, para só ser devolvido aos encarregados de educação no final do ano letivo. Isto está no Estatuto do Aluno”, explica, ressalvando que o filho não leva a tecnologia para a escola, utilizando-a apenas na presença dos pais.

Na opinião desta mãe, a realidade descrita por Carlos Grosso, aquela que levou outras escolas a proibirem o uso de telemóveis nos recreios, faz sentido: “Há colegas do meu filho que estão a jogar ao telemóvel o tempo todo.”

A regra, na opinião das duas encarregadas de educação, é fundamental não só para um bom aproveitamento escolar, mas também para o desenvolvimento de uma consciência sobre o respeito pelas regras. “Eu concordo com a proibição dentro da sala de aula. Tem de haver limites e regras. Eles vão ter regras para o resto da vida”, considera Ana Câmara Pereira.

A MAGG contactou também os Salesianos de Manique e o Agrupamento de Escolas António Sérgio, mas não obteve resposta em tempo útil para a publicação do artigo.

Leia esta entrevista sobre cyberbullying: “A arma das agressões é o telemóvel”

Outubro 24, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista de Luís Fernandes ao Expresso de 20 de maio de 2017.

Carolina Reis

A divulgação de um vídeo sobre um alegado abuso sexual a uma jovem perante a passividade e incentivo dos colegas durante a Queima das Fitas no Porto, abriu de novo a reflexão sobre o cyberbullying. Luís Fernandes, psicólogo habituado a fazer intervenção nas escolas, lembra que atualmente tudo pode ir parar à internet. E que todos os intervenientes nestas situações vão sofrer agressões.

Estamos perante um caso de cyberbullying?
Penso que sim. Uma das características que distinguem o bullying do cyberbullying é a repetição. E para isso basta ser gravado. Esta foi uma situação pontual, mas ao ser gravada enquadra-se. E a arma das agressões acaba por ser o telemóvel.

No vídeo, é possível ver que alguns jovens incentivam e filmam, sem que alguém impeça ou diga para parar. Como se classifica esta atitude coletiva?
É o efeito manada, os miúdos agem sem pensar, de uma forma automática. Normalmente, há um que lidera — e que não tem de ser quem protagoniza — e os outros vão atrás. Na maior parte das vezes, não têm a verdadeira noção do impacto das ações. No trabalho que faço, encontro jovens que confessam que nunca pensaram que ganhasse outras dimensões. Acaba por ser uma coisa quase entre eles, só que nas redes sociais há sempre alguém que partilha.

Estes jovens são nativos digitais. Não deviam ter noção de como funciona a internet?
Com a idade que têm [aparentam ser estudantes universitários] já deviam ter alguma maturidade para não ter este tipo de comportamento. O que nós vemos — e isto é outra característica do cyberbullying — é que ultrapassam os limites porque não têm um feedback em tempo real que os faça travar. Se não existir alguém no grupo que faça alguma coisa, que diga que já estão a exagerar, ou que aquilo não faz sentido, há um efeito escalada. É um efeito de bola de neve, cada vez se vai tornando mais interessante, não tendo a noção até onde pode ir. Isso deixa-nos pasmados quando acontece nesta faixa etária.

Quem partilha o vídeo também está a contribuir para as agressões?
Sem dúvida. Enquanto que no bullying, as pessoas devem intervir, fazer algo, ter uma atitude proativa, no cyberbullying o ideal é não fazer nada. Cada vez que nós estamos a partilhar é mais uma agressão que está a acontecer. É mais um caminho em termos de redes sociais que vai ficar. O que é colocado na internet fica lá para sempre, nós perdemos o controlo. Há servidores diferentes, há pessoas que entretanto gravaram o vídeo e o podem colocar vezes sem conta.

Quais serão as consequências para estes jovens?
Este vídeo vai estar sempre presente na vida desta rapariga. É um rótulo que fica para sempre. Tanto para a vítima, como para os outros jovens. O perfil deles nas redes sociais começa a ser procurado, e eles a serem alvos de ameaças e agressões.

Ninguém está protegido na internet?
É assustador, mesmo para quem não tem perfis em redes sociais e pensa que está mais protegido. Há um acontecimento qualquer, como um jantar entre colegas, alguém tira uma foto e partilha-a numa rede social. A pessoa — mesmo sem querer — vai ver o seu nome numa rede social em que pode ser vítima de alguma agressão.

Como se previnem estes comportamentos?
Quando começamos a trabalhar estas questões, o que acontece por volta dos 14 anos, já vamos atrás dos prejuízos. Tem de existir uma prevenção o mais precoce possível. Se estes jovens tivessem sido alvo de algum tipo de formação, estariam mais atentos e sensíveis. E, se calhar, isto não tinha acontecido. Ou tinha e algum deles que tinha tido o discernimento de travar esta situação. É preciso um plano nacional de prevenção.

Muitas pessoas discutem agora se o ato foi ou não consentido. Como vê esta atitude?
Descentram-se do essencial para comentar o acessório. O essencial é que aquilo aconteceu. Mesmo que a rapariga soubesse que estava a ser filmada, nunca era situação para ser divulgada. Devia ter havido outro filtro que também não houve. Aquelas pessoas – sejam agressores ou vítimas – também estão a ser expostas na praça pública.

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