Qual deve ser o tempo máximo em frente a um ecrã de telemóvel?

Dezembro 13, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 27 de novembro de 2018.

Rita Costa

As recomendações do oftalmologista pediátrico Filipe Martins Braz no TSF Pais e Filhos.

“Existe uma série de estudos que aponta para que o uso das novas tecnologias com monitores tende a agravar os problemas oftalmológicos, nomeadamente a miopia”, avisa o oftalmologista pediátrico Filipe Martins Braz.

O médico refere que na Ásia, onde a utilização das novas tecnologias ainda é maior, a miopia está a aumentar exponencialmente. “Não havendo ainda linhas de orientação rígidas e cientificamente comprovadas. O que recomendamos é o bom senso, períodos de 20 minutos em frente ao monitor e depois fazer uma pausa”, revela o oftalmologista.

Filipe Martins Braz sugere que se peça à criança que olhe para o longe, indo com ela à rua passear um pouco. No fundo deve evitar-se fazer períodos de tempo excessivos em frente aos monitores dos telemóveis ou dos tablets.

Declarações de Filipe Martins Braz no link:

https://www.tsf.pt/sociedade/educacao/interior/qual-deve-ser-o-tempo-maximo-em-frente-a-um-ecra-de-telemovel-10241202.html?fbclid=IwAR2cWcNzuMgwXhzpRsRsMqx84iq8-JwohWPDD3eCif7Pj8_vwos_evrB_PE

O tablet não é uma ama digital no mundo das crianças

Dezembro 7, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site dn_insider de 21 de novembro de 2018.

Cátia Rocha

A partir de que idade é que as crianças devem ter acesso a telemóveis, tablets e computadores? Os especialistas respondem à pergunta, numa era em que a tecnologia já é usada para acalmar birras ou apenas para distrair os mais pequenos.

Nativos digitais e imigrantes digitais são dois conceitos sociológicos nos quais não se pensa no dia-a-dia. No primeiro grupo estão as pessoas que já cresceram com tecnologia – normalmente está associado a quem nasceu depois de 1980, os millennials; já os imigrantes digitais são pessoas que tiveram de fazer a transição e o processo de habituação a um admirável mundo novo – o da tecnologia.

Um dado relevante: os nativos digitais são, na sua maioria, os pais das crianças de hoje. E por que razão é que isto é importante? Porque estas crianças vão bem além do conceito dos nativos digitais, vivendo uma experiência ainda mais imersiva do que a dos pais.

E é precisamente a consciência tecnológica destes últimos que os leva a questionar: a partir de que idade é recomendável uma presença tech na vida dos mais pequenos?

A verdade é que a tecnologia está cada vez mais presente na vida das crianças, com acesso a smartphones, dispositivos de realidade virtual e tablets – talvez o gadget que mais vezes é citado como um motivo de birras ou simplesmente de distração.

“Não deve haver pressa no uso do ecrã”, adverte o especialista, defendendo que a recomendação passa por evitar os meios digitais nos primeiros anos de vida. “Até aos 2 anos, o pensamento simbólico é muito imaturo, aquilo que a criança vê no tablet não consegue aplicar na sua vida normal, no dia-a-dia, exceto se for complementado por um adulto.” E, mesmo a partir dessa idade, há limites: “Um tablet não consegue perceber se uma criança está a ficar frustrada com a brincadeira, não há ainda uma inteligência artificial para conseguir lidar com a frustração.”

O pedopsiquiatra Pedro Strecht, que publicou recentemente o livro Pais sem Pressa, concorda com a visão de que, até aos dois anos, a tecnologia não deve ser um ponto central da vida. “Nessas idades, as crianças estão em fase de desenvolvimento de outras formas de comunicação e de relação; não podemos esquecer que é a partir dos 12 meses que a maioria começa a andar e a correr, descobrindo assim o mundo em seu redor. É a partir dessa idade que a aquisição e a expansão da linguagem adquirem um aspeto verdadeiramente central no desenvolvimento cognitivo e emocional dos mais novos.”

Pedro Strecht reconhece naturalmente um “mundo tecnológico que está presente no dia-a-dia e que, de verdade, as crianças já nascem por dentro dele”. Critica, porém, pais que “usam as tecnologias como forma de preencher espaços ou lacunas na relação direta com os filhos, mesmo com os de baixa idade”. Exemplo disso é o uso de tablets durante a refeição “para que não existam birras ou o tempo da alimentação seja mais rápido”.

Para a especialista em sono infantil Filipa Sommerfeldt Fernandes “vedar o acesso das crianças à tecnologia é tolice”, embora acredite na lógica do “bom senso e no equilíbrio”, para que se possa “retirar o melhor da tecnologia”.

São três especialistas com uma opinião transversal a todos: a tecnologia não é superior ao contacto humano no processo de desenvolvimento infantil. Ter um adulto em interação com a criança continua a ser o melhor caminho – e há estudos que o comprovam.

Pequenos nas lojas de apps

Um estudo do departamento de pediatria da Universidade de Medicina de Nova Iorque mostrou a influência que os meios eletrónicos têm na vida de crianças com menos de 2 anos. Os resultados revelaram, em 2010, que crianças mais expostas a conteúdos como filmes, DVD, televisão ou vídeos eram menos desenvolvidas em comparação com crianças com menor tempo de exposição a estes meios.

Recentemente, o estudo “Happy Kids: Aplicações Seguras e Benéficas para Crianças”, do Católica Research Centre for Psychological, Family and Social Wellbeing (CRC-W), da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, mostrou que as crianças mais novas – até aos 2 anos – são quem mais recorre às aplicações em dispositivos móveis.

O estudo foi feito através da plataforma Pumpkin e contou com as respostas de 1968 pais em Portugal, de filhos com idades até aos 8 anos. Além de mostrar que as crianças fazem um uso quase independente da tecnologia, o estudo coloca a questão: em que circunstância é que há maior permissão para os miúdos terem acesso à tecnologia?

No topo da lista surgem situações sociais: em restaurantes, 587 dos inquiridos dizem dar acesso a aplicações. Depois, os pais (490) cedem quando precisam de trabalhar ou de cumprir tarefas domésticas. Por fim, 99 apontaram para um uso em situações de stress – quando é preciso acalmar as birras dos filhos.

O processo de imitação

O número a que Pedro Strecht chegou dá que pensar: os pais passam 37 minutos por dia em interação exclusiva com os filhos.

Paulo Oom destaca o papel dos pais em todo o processo de educação, que deve ter em conta a moderação. “Entre os 2 e os 4 anos a criança pode ter ecrãs durante uma hora, mas com a presença de um adulto para orientar.” E não é apenas nesse ponto que pais e educadores têm importância. Muita da aprendizagem é feita através de imitação. “É fundamental os pais evitarem os ecrãs, porque às vezes dão um mau exemplo.”

Mas ainda há mais a ter em conta, principalmente nas ocasiões em que a palavra de ordem é brincar. “Não deve haver ecrãs nos momentos de brincadeira”, diz o pediatra. Filipa Sommerfeldt Fernandes aponta na mesma direção, referindo inclusive que a presença dos ecrãs na vida dos adultos também é excessiva.

“Os ecrãs em demasia impedem que haja momentos de conexão entre pais e filhos e são mais um fator para as birras dos pequenos – que passam a querer ver vídeos a toda a hora e que não gostam que estes lhes sejam retirados. Na hora de deitar podem ser mais um motivo de zanga. Além de que, embora estejam ‘quietos’ na cama, na realidade estão com o cérebro estimulado de uma forma que não ajuda ao sono”, garante a especialista.

Para dormir melhor

Quantas vezes é que não se ouve um pai ou uma mãe dizer que o filho não dorme bem? Cada criança tem uma rotina de sono muito particular, é certo, mas vale sempre a pena olhar para o ecrã do smartphone ou do tablet e perceber se não estará ali um contribuinte para o caso.

Os gadgets emitem luz azul. Embora os estudos nesta área sejam recentes, é referido sempre que esta tem influência no sono. “A forma como a luz é emitida pelos ecrãs afeta o relógio biológico, pois inibe a secreção de melatonina, a hormona do sono, desregulando os ritmos circadianos”, explica Filipa. E isto é válido tanto para adultos como para crianças. “Além de que a utilização de tablets antes de dormir atrasa a hora de deitar, e pode haver outros efeitos bem mais graves para a saúde física e mental” das crianças.
Paulo Oom refere que os pais devem aplicar a regra de não haver ecrãs uma hora antes de deitar. “A criança precisa de produzir melatonina antes de dormir.”

“Com a ativação e a excitação de certas zonas cerebrais, desencadeadas pelo uso excessivo de tecnologias (muitas delas mantêm-se ligadas durante a noite), é natural que as implicações negativas sejam diversas, como por exemplo no comportamento ou no aproveitamento escolar”, segundo o pedopsiquiatra. Mas também há que desdramatizar e perceber que a tecnologia no mundo infantil precisa de estar alicerçada no bom senso, no equilíbrio e numa forte orientação dos pais.

Paulo Oom acredita que o uso consciente da tecnologia nos momentos de interação “não se trata de uma cruzada contra os momentos de media – é sim uma cruzada contra não haver momentos de brincar na rua”.

*Este artigo foi originalmente publicado na Insider de outubro de 2018.

 

40 maneiras de usar o telemóvel na escola

Dezembro 6, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Imagem retirada daqui

 

Crianças até 2 anos de idade são das que mais usam aplicações

Novembro 4, 2018 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 16 de outubro de 2018.

Ana Cristina Marques

Um novo estudo refere que 51% das crianças com menos de 8 anos usa aplicações. Inquérito feito a quase 2.000 pais mostra que tecnologia serve de ama nos lares portugueses.

As crianças que mais usam aplicações têm até 2 anos de idade e são os pais os primeiros a dar aos filhos o acesso a dispositivos eletrónicos. A isto soma-se outra realidade: a grande maioria das casas portuguesas (90%) tem ligação à internet, “smartphones, computadores portáteis ou tablets”. Estas são as principais conclusões do estudo “Happy Kids: Aplicações Seguras e Benéficas para Crianças”, do Católica Research Centre for Psychological, Family and Social Wellbeing (CRC-W), da Universidade Católica Portuguesa, avançado pelo Jornal Público.

O estudo que é apresentado em Lisboa esta terça-feira resulta de um inquérito feito através da plataforma Pumpkin sobre a utilização de tecnologia por crianças entre os 0 e os 8 anos. Ao inquérito responderam 2.677 pais, mas apenas 1.986 respostas foram consideradas válidas e utilizadas para efeitos deste estudo — refira-se que a maior parte dos inquiridos vive na capital (1.232), é licenciado e é mãe.

Quase 600 pais  — 587 dos mil inquiridos que responderam que os filhos usam aplicações — admitem permitir a utilização de apps nos restaurantes; 490 fá-lo em casa, quando precisam de trabalhar ou de fazer tarefas domésticas; e 99 dos pais garante que as apps são usadas quando precisam de acalmar os filhos na sequência de uma birra.

Apesar de a maioria dos pais reconhecer que as apps trazem consequências negativas no respeita à atividade física (854), ao sono (702) e à sociabilidade (616), 427 dos inquiridos dizem que os dispositivos servem para fazer “atividades educativas”. Os pais admitem ainda acreditar que o seu uso permite aos filhos adquirir determinadas competências, sobretudo em ambiente escolar, nas quais se incluem áreas como a matemática e a leitura.

O que mais desagrada os pais, tendo em conta as apps, é o facto de não ser apropriadas para as crianças (544), de serem viciantes (424), violentas (422), de permitirem a diversão das crianças sem que estas aprendam alguma coisa (400) e de as deixarem mais aceleradas e excitadas (337). Segundo os pais, as crianças preferem aplicações de ação e aventura, vídeos e quebra-cabeças. Refira-se ainda que, por norma, são os pais que instalam as apps, a maior parte delas gratuitas.

Apesar de os pais dizerem que os filhos não publicam conteúdos nas redes sociais — não estando, assim, expostos a perigos como cyberbullying –, entre as apps preferidas dos mais novos, também de acordo com os pais, estão o Messenger, WhatsApp, Instagram, SnapChat e Facebook.

 

 

Pedro Strecht: “Uma criança passa menos tempo ao ar livre do que um recluso”

Novembro 3, 2018 às 1:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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Entrevista de Pedro Strech ao Observador no dia 20 de outubro de 2018.

Ana Cristina Marques

Crianças agarradas aos ecrãs, fechadas em salas, com agendas preenchidas e pouco tempo para estar com os pais. No seu novo livro, Pedro Strecht faz uma análise aos desafios desta geração.

Em média, uma criança até aos 10 anos passa diariamente 8 horas na escola, enquanto o tempo de interação exclusiva entre pais e filhos, também num registo diário, resume-se a 37 minutos. Os ecrãs ocupam mais de duas horas e meia por dia e os reclusos passam mais tempo ao livre do que uma criança em idade escolar. Estas são algumas das conclusões assinaladas na nova obra do pedopsiquiatra Pedro Strecht, que acaba de lançar o livro Pais Sem Pressa, da editora Contraponto, numa tentativa de convencer os pais a abrandar.

Em entrevista ao Observador, Pedro Strecht, autor de diversos livros e com um percurso profissional intenso, fala em pais exigentes e perfecionistas, demasiado preocupados com o rendimento escolar dos filhos, e discursa sobre aulas muito longas, com poucos intervalos, TPC em excesso e recreios fisicamente diminutos. A tecnologia é também tema de conversa, com o pedopsiquiatra a acusar pais de usar tablets e suas aplicações para “para colmatar pequenas coisas, muitas delas tarefas diárias do nosso dia a dia que dão trabalho, confronto e insucesso”. Porque a tecnologia não pode servir de am

“É entre o primeiro e o segundo ano de idade que os miúdos começam a andar, a correr e a explorar o mundo; o tablet é para se estar quieto. E é a partir do segundo ano, e também no terceiro, que há uma expansão enorme da linguagem também enquanto modelo de ligação. Ou seja, quando é que os miúdos desenvolvem mais a linguagem? É nessa idade. É imaginá-los quietos em vez de estarem a explorar o mundo e é imaginá-los a não falar porque a linguagem e o som que vem de uma série ou de algo que estejam a ver num tablet não pede reciprocidade.”

O livro chama-se Pais sem Pressa, mas aborda precisamente o contrário. Quem são estes pais sem tempo?
Estes pais sem tempo somos, no fundo, quase todos nós. Há muitos fatores à nossa volta que não controlamos — muitos deles têm que ver com a forma como as sociedades estão a evoluir em vários campos, no profissional, económico e relacional. O livro surge um pouco como um apelo à necessidade de ficarmos mais conscientes disto. Acho cada vez mais importante destacar a necessidade de criarmos um balanço diferente entre trabalho e lazer, ocupação profissional e tempo livre. Vivemos socialmente em estruturas que nos pedem cada vez mais, do ponto de vista do trabalho e do ponto de vista económico. É engraçado, a maior parte da linguagem que hoje caracteriza muitas coisas é quase exclusivamente economicista ou tecnológica. É muito menos humanista ou muito menos relacional. Por outro lado, cada vez mais vemos em crianças e em adultos situações que têm que ver com perturbações de ansiedade ou perturbações na linha depressiva que, em muitos casos, não são mais do que situações de burnout, de esgotamento, de excesso de tensão, de incapacidade de parar e respirar.

Os pais sem tempo estão conscientes destas limitações?
Há muitos pais que dizem que não têm tempo para fazer determinadas coisas. Por vezes, apercebem-se disso, mas dão como dado adquirido a incapacidade de lutar mais ativamente contra isto. É algo que se verifica nas sociedades mais desenvolvidas. É uma coisa muito transversal. Vivemos no tempo que nos é imposto de fora, sem que as pessoas sintam que têm capacidade de o gerir mais autonomamente, quando na realidade têm. Não é preciso fazer grandes ruturas, mas podem fazer-se pequenos movimentos de equilíbrio sem cortes radicais.

No livro encontramos as seguintes expressões: “ritmo diário extremamente exigente” e “elevados níveis de tensão emocional”. Estamos perante um problema geracional?
Sim. Acho que é muito geracional. Costumo dizer aos meus filhos que tive o meu primeiro telemóvel aos 26 anos. Em Portugal, os telemóveis com internet têm menos de 10 anos… Estamos a falar de diferenças geracionais não só muito fortes, como também cada vez mais rápidas — e isto acontece em quase todas as áreas. Agora, as mudanças acontecem de uma forma muito mais surpreendente e num ritmo muito mais intenso. Acho sempre que a evolução das sociedades, com todas as oscilações que há em cada momento, têm acontecido num sentido positivo. O que vai havendo são realidades diferentes — todos os miúdos que nasceram neste século já nasceram completamente mergulhados em determinadas vivências que nós próprios, os pais, não vivemos e não temos. Este é um desafio diferente para os dias de hoje. É uma questão adaptativa.

“Muitas crianças passam uma média de 8 horas na escola”

De que forma é que isto afeta a parentalidade?
Desde há muitos anos que temos tido um decréscimo significativo em termos de natalidade. A média de natalidade hoje em dia em Portugal é 1,1. Portanto, a maioria dos casais tem um filho. Três filhos já corresponde a uma família numerosa. Em Portugal, quando se pergunta aos casais porque é que não têm mais filhos, as duas respostas mais frequentes são fatores económicos e falta de tempo, de disponibilidade concreta. A vida dos adultos mudou bastante. Hoje, o normal é pai e mãe trabalharem, é homem e mulher serem ambos pessoas ativas do ponto de vista profissional. Muitas vezes, em algumas áreas, há mulheres que querem cumprir a sua função materna e que são frequentemente prejudicadas na sua atividade profissional. Já falei com mães que trabalham em áreas bancárias em que ter um filho é um desafio de confrontação com a entidade empregadora. O que sentimos é que, por um lado, os pais sabem mais e querem participar mais, por outro, acabam por ter menos disponibilidade concreta para o fazer e, quando ela existe, tendem a não ser capazes de se descentrar de algumas coisas que podiam ser mais secundárias e não tão essenciais.

Como por exemplo?
Pais e filhos podem ter tempo livre, mas há pais extremamente preocupados com o rendimento escolar dos filhos. Há pais que sobrecarregam as crianças com mais atividades letivas — “Ao sábado, vou pô-lo na explicação”, “Se conseguir trabalhar mais horas, posso ter mais isto e aquilo”. É uma questão de prioridades. São situações deste género que cada vez acontecem mais. Depois, há outras situações que são externas e que se veem muito na medida em que as sociedades se organizam: o tempo das deslocações, o tempo dos horários profissionais… Muitas crianças passam, hoje em dia, uma média de 8 horas na escola.

De acordo com o livro, são, em média, 8 horas diárias na escola e, também em média, 37 minutos diários de interação exclusiva entre pais e filhos…
Este rácio é completamente desproporcional. Há miúdos que estão na escola às 08h e que chegam a casa já são 19h30, 20h… são 12 horas fora de casa para uma criança. Hoje em dia, há crianças que passam muito mais tempo em interação direta com um professor de uma escola primária do que com uma mãe ou um pai. Vemos noutros países da Europa, como os países nórdicos, situações em que o tempo de permanência na escola é menor e nem por isso os miúdos têm menos capacidades escolares e cognitivas.

Como profissional, defenderia menos tempo passado na escola ou horários de aulas mais curtos? Qual é a alternativa?
Passaria por horários escolares francamente mais intervalados, até porque estamos a dar aos miúdos estímulos de pergunta-resposta com grande rapidez e na escola pedimos exatamente o inverso, que fiquem quietos durante uma hora e meia. Aulas mais curtas e com mais tempo de intervalo favorecem os mais novos. Esta geração passa muito mais tempo na escola e faz muito mais na escola do que qualquer pessoa da minha geração. Conheço alguns pais que me dizem “Ah, mas ele está a estudar pouco, vou metê-lo em explicações”… Às vezes recordo aos pais que, na nossa geração, começávamos as aulas em outubro e não em setembro, tínhamos aulas de 50 minutos e não de uma hora e meia. Há vivências temporais completamente distintas só de uma geração para a outra.

Devia existir algum incremento de atividades, que até podem decorrer no espaço da escola, mas que não têm de ser necessariamente letivas: os miúdos podem ter desporto, música e/ou ateliers de várias coisas. Também defendo que há imensas escolas que pedem um excesso de trabalho de casa. E muitas escolas esquecem-se ou não investem nos espaços de recreio — pensam na sua função centradas naquilo que acontece dentro da sala de aula e depois, no recreio, não têm vigilantes ou, então, os recreios são muito pequenos, em termos de tempo e/ou de espaço. Há escolas em Lisboa cujo espaço físico é mínimo para o número de alunos.

É por isso que escreve que um prisioneiro tem mais tempo ao ar livre do que uma criança?
É um pequeno filme que está no Youtube. É norte-americano, mas também corresponde à realidade portuguesa. Nesse filme mostra-se que uma criança norte-americana, tal como muitas portuguesas, passa menos tempo por dia ao ar livre do que um recluso. É verdade. Nas grandes cidades já não é tão frequente vermos crianças pela rua. A cultura de bairro também se perdeu. Onde estão os miúdos? Estão nas escolas, estão em casa ou estão em trânsito no transporte escola-casa. Até mesmo o espaço de brincadeira, para muitas das nossas crianças e adolescentes, acontece no quarto, em casa, e é à base de tecnologias — Playstation, internet… Brincam no espaço de quarto, embora ligados a outros, mas não propriamente num espaço livre, de expansão, de risco, de procura.

“Estamos a pedir às crianças que cresçam demasiado depressa”

No livro também escreve que, além dos horários aplicados nas escolas e dos TPC, há uma tendência para que os pais transformarem as atividades lúdicas preferidas dos filhos numa espécie de obrigação…
Sim. E numa espécie de preocupação com imensa antecipação. Os pais  projetam nos filhos um peso enorme em termos do desempenho escolar, como se os miúdos — às vezes de 9 ou 10 anos — tivessem de pensar no curso que vão tirar, na média que vão ter, no ordenado que vão ter ou não com aquele curso. Há uma projeção demasiado pesada e até negativa sobre a perspetiva de futuro, muito centrada na questão da rentabilidade — acho que isso começou de uma maneira muito mais nítida nos anos de crise. Nos últimos 5 anos comecei a ver uma coisa que não via há bastante tempo: os pais a induzirem, de uma forma ainda mais ativa, as escolhas das áreas de estudos no final do nono ano. Isto já foi uma coisa muito mais livre. Agora, ouvem-se frases como “Ah, mas não vás para isso, nisso não há emprego”, “Assim não tens ordenado nenhum”, “Artes? Artes é para o desemprego”…

Esse discurso começa cada vez mais cedo?
Sim. Cada vez mais cedo e, sobretudo, naquela fase do nono ano, em que os miúdos têm de fazer opções.

Os pais de agora são muito exigentes?
Há uma ideia errada de perfeição, parece que todos temos de ser perfeitos em tudo: no corpo, no trabalho, na educação, na escola, etc. O ótimo é inimigo do bom: as pessoas precisam de ser boas em algumas áreas e de perceber que também têm limites e que, às vezes, as coisas correm mal. É preciso que os pais deixem de ser tão exigentes consigo próprios e até para com os filhos — nesse ritmo, por muito bem que as coisas possam estar a correr, há sempre um sentimento de insatisfação recorrente. Parece que o copo nunca está cheio. Por isso é que falo do conceito “pais suficientemente bons”, que reporta para a ideia de que os adultos também têm falhas e não precisam de ser os melhores pais do mundo para serem bons pais.

Tendo em conta agendas muito preenchidas, é possível que o tempo passado entre pais e filhos comece a ser, de alguma forma, encarado como uma espécie de “obrigação”? Estamos a perder o foco do que é estar em família?
Sim, sobretudo o foco do que é estar em família de uma maneira até mais espontânea e livre. Porque cada vez mais as pessoas tendem a programar muito os dias, mesmo sem notarem. Depois, parece que a vivência do espaço livre, do espaço sem um rumo predefinido assusta e inquieta. Às vezes é bom a pessoa entregar-se a isso. Os miúdos precisam de estar no quarto, sem estar a fazer nada de especial, a brincar ou olhar para o teto. Não há uma agenda. Há cada vez mais pais que referem que os filhos, em diferentes etapas de crescimento, quando acabam uma tarefa perguntam o que podem fazer a seguir. Em casos extremos, há muitos adultos que trabalham imenso durante a semana e que, quando chegam à véspera do fim de semana, têm uma espécie de angústia porque não estão naquele ritmo de adrenalina e de tensão.

Estamos a pedir às crianças que cresçam demasiado depressa?
Sim. Estamos a atirá-las demasiado para a frente. O engraçado é que, mesmo que por vezes não notem, há cada vez mais adultos a quererem andar demasiado para trás — vivências eternamente adolescentes porque, talvez, não tenham vivido tudo como deve de ser na infância. Os mais novos são projetados muito para a frente e os mais velhos querem voltar atrás. Os adultos quererem escapar à passagem do tempo. Há frases muito engraçadas como “Agora os 40 são os novos 30”.

“Há pais que usam a tecnologia como se fosse uma ama”

Esta semana foi apresentado um estudo, com base num inquérito feito a quase 2.000 pais, que mostrou que as crianças até aos 2 anos são das que mais usam aplicações. Como comenta isto?
Crianças até aos 2 anos que são levadas a usar aplicações, porque elas não as usam autonomamente, não têm capacidade para isso, os pais metem-nas nas mãos ou à frente delas. E põem cada vez mais — e isto é mesmo uma crítica séria — para colmatar pequenas coisas, muitas delas tarefas diárias do nosso dia a dia que dão trabalho, confronto e insucesso. Um exemplo concreto? Os miúdos nem sempre comem bem e fazem birras, mas, hoje em dia, somos capazes de passar por um restaurante e vemos uma criança pequena sentada à mesa com os pais e com o tablet à frente, a ver as imagens quando, distraidamente, lhe dão a comida. Ainda neste caso dos tablets até aos dois anos, ocorre-me o seguinte: é entre o primeiro e o segundo ano de idade que os miúdos começam a andar, a correr e a explorar o mundo; o tablet é para se estar quieto. E é a partir do segundo ano, e também no terceiro, que há uma expansão enorme da linguagem também enquanto modelo de ligação. Ou seja, quando é que os miúdos desenvolvem mais a linguagem? É nessa idade. É imaginá-los quietos em vez de estarem a explorar o mundo e é imaginá-los a não falar porque a linguagem e o som que vem de uma série ou de algo que estejam a ver num tablet não pede reciprocidade.

As tecnologias, neste caso as aplicações, podem realmente interferir no desenvolvimento das crianças?
Podem, nesse aspeto podem. E o mesmo em relação a algumas áreas cognitivas e de relação social. Se um menino de 8 anos brinca no tablet ou se um de 12 anos joga na playstation, diria que isso é normal e não vejo mal nisso — só aconselho os pais a darem os jogos apropriados à idade dos filhos; mas se ele só brincar com o tablet ou com a playstation… Há crianças que crescem quase só com experiências de relação e de estímulo centradas no ecrã. Há pessoas que acham que tenho uma visão muito crítica em relação às tecnologias… As tecnologias têm coisas ótimas que podem facilitar ganhos de tempo, simplesmente acho que, nos dias de hoje, elas próprias se tornam tão opressivas no chamado tempo tecnológico que também bloqueiam a nossa vivência, o nosso tempo biológico e emocional.

A tecnologia começa a ser encarada como uma ama?
Exatamente. E isso é um risco em imensas circunstâncias. Não tem mal os miúdos verem os seus desenhos animados, não tem mal usarem as tecnologias, mas isso precisa de ser enquadrado em muitas outras coisas que fazem parte de um plano muito mais vasto de estimulação e de relação.

O livro também fala na importância de estabelecer rotinas, algo que parece estar associado à diminuição de ansiedade. Como é a criança que cresce sem rotinas?
A criança que cresce sem rotinas, sem regras ou limites, é uma criança que vai correr o risco de ficar progressivamente desregulada em relação a ela própria e na relação com os outros. As rotinas dão muita segurança e são uma maneira de se poupar tempo — a criança já sabe que, em princípio, é para tomar banho todos os dias antes do jantar… As rotinas dão uma certa pervisiblidade ao que vai acontecer. Não precisam de funcionar ao minuto, mas os miúdos agradecem estas regulações de tempo. Falando no sono, por exemplo, somos dos países da União Europeia que tem piores dados sobre o sono na infância, na adolescência e no estado adulto: dormimos pouco e dormimos mal. Telemóveis ligados durante a noite, que vão tocando, ou jogar na playstation imediatamente antes ir de para a cama… Assim não se consegue adormecer por causa do nível de excitação e de ativação cerebral. As rotinas facilitam muitas áreas do crescimento infantil e adolescente.

Qual a diferença entre a criação de rotinas e as agendas preenchidas de que há pouco falámos?
As rotinas implicam que algumas coisas básicas do dia, quer das crianças quer da relação das crianças com os adultos, possam decorrer de uma forma mais ou menos semelhante. É o acordar, por exemplo, às 07h durante a semana porque há aulas; é o jantar todos juntos à mesa sem os telemóveis por perto… Isto é diferente do excessivo preenchimento da agenda do tempo dos miúdos.

E como é uma criança que cresce sem contacto com a natureza?
É uma criança que em muitas áreas pode ser bastante mais inábil e, tendo conta áreas da estimulação cognitiva e emocional, pode ter dificuldades acrescidas. A natureza reporta-nos para determinados ritmos naturais que existem, aos quais não podemos fugir. O próprio contacto de adultos com a natureza é relaxante — baixa o ritmo cardíaco e dá-nos muito mais espaço para refletir sobre as nossas coisas.

Somos pais cada vez mais tarde. De que forma é que isso pode afetar a parentalidade?
Por um lado é bom porque, durante muito tempo, fomos recordistas de gravidez adolescente. Agora, acho que há pais que adiam muito a questão da natalidade porque fogem um pouco à responsabilidade que isso implica ou, então, têm aquela perspetiva da perfeição: primeiro querem um bom emprego, depois um bom ordenado, uma casa maior… Portanto, vão adiando, como se adia a saída de casa dos pais ou a autonomia económica. Estamos com vontade em não crescer e, sobretudo, com muito pouca vontade em assumir responsabilidades. Recordo-me de um estudo que dizia que, em algumas cidades, já há mais cães do que crianças. É mais fácil ter um cão, não vai à escola e tem um tempo de vida mais curtinho, obedece quase sempre. Crescer não é propriamente perder coisas, é somar coisas ao que já adquirimos.

Seria essencial trazer o conceito de mindfulness para a parentalidade?
Sim, eu acho que sim. No fundo, é orientar o nosso espaço mental para aquilo que é mesmo importante, no aqui e agora, connosco próprios e com aqueles que temos à nossa frente, as pessoas de quem gostamos.

 

 

O seu filho está viciado em jogos e televisão?

Outubro 18, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site Sapo Lifestyle

As crianças regem-se pelo prazer, não lidam bem com a frustração e inspiram-se no comportamento dos pais. Você pode e deve ajudá-las. Saiba como!

Sim, confirmamos. As crianças também podem estar viciadas em fontes de prazer que vão descobrindo à medida que crescem. Mais, o facto de se estarem a desenvolver e o exemplo dado pelos pais contribuem de forma decisiva para o problema. «Os vícios são comportamentos repetitivos que podemos considerar compulsões. Por um lado, o ser humano é, por natureza, muito repetitivo, por outro, guiamo-nos por duas leis, a da promoção do prazer e a do evitamento do desprazer», explica Alcina Rosa, psicóloga.

O que podemos, então, fazer para evitar este comportamento? «Usar o autocontrolo, o nosso comportamento consciente», responde a especialista que alerta para um fator determinante no caso dos mais pequenos. «Na infância, este regulador ainda não está muito desenvolvido. As crianças regem-se pelo que gostam ou não e cabe aos pais ajudá-las a desenvolver essa capacidade», refere ainda a especialista. Vamos a isso!

Televisão e videojogos

O seu filho evita sair de casa, tem um rendimento escolar fraco, dificuldades na socialização, isola-se, revela falta de interesse por outras atividades. Estes são sinais de alarme. A televisão e as consolas são frequentemente usadas pelos progenitores como amas porque, enquanto a criança está a jogar ou em frente ao televisor, está quieta. «Também o próprio comportamento dos pais, que passam horas a ver TV, se torna um exemplo», alerta Alcina Rosa.

Instituir a regra «primeiro, o trabalho, depois, o lazer» e fixar uma hora para deitar são duas prioridades que os pais devem ter. «Se a criança quiser passar todo o seu tempo de lazer em frente à TV, os pais têm de competir com outras atividades, como jogos sociais, leitura de livros, conversas. Pode custar um bocadinho descolá-lo da televisão mas, se a atividade que propomos lhe agradar, depressa se esquece da TV e se envolve», afirma Alcina Rosa.

Internet e redes sociais

A criança demonstra falta de atenção, cansaço, isola-se, tem comportamentos pouco sociáveis e uma fraca rede de amizades. Os próprios pais podem estar a passar muito tempo ao computador e nas redes sociais, comportamento que pode ser apreendido pelos mais pequenos. Este também pode constituir um problema. O que é que se deve fazer nestes casos? «Restringir totalmente o acesso não é uma solução, pois fazem parte da sua realidade», sublinha Alcina Rosa.

«Mas evitar que o computador esteja no quarto é um bom princípio», alerta a especialista. Dessa forma, é mais fácil controlar o tempo de utilização e o uso que faz dele. «Deve saber que programas utilizam e se são adequados à idade», refere Mafalda Navarro, psicóloga clínica. «A mais-valia será saber do que falam, que programas utilizam e se estão a despender o tempo apropriado à idade». Atividades em família que promovam o contacto social são fundamentais.

Telemóvel

Também aqui existem sinais de alarme, nomeadamente «perder a noção do tempo, negligenciar tarefas básicas, ansiedade e sintomas de abstinência, necessidade crescente de melhor equipamento, isolamento e baixo rendimentos», descreve Mafalda Navarro. «É contraproducente insistirmos com a criança para que desligue o telemóvel se os pais têm os seus sempre ligados», refere ainda. «Quantas vezes vemos pais darem um telemóvel à criança para ficarem sossegadas?», reforça Alcina Rosa.

Alterar esta situação exige algum acompanhamento. «Proibir não funciona. O essencial é ensinar, desde cedo, a controlar-se, a corrigir comportamentos de forma consciente ou, mal os pais virem costas, fará aquilo que não é suposto», alerta Alcina Rosa. «Quanto mais tarde receberem um telemóvel, melhor», aconselha ainda.

Veja na página seguinte: Quando as crianças são viciadas em doces e em fast food

Doces e fast food

«Este tipo de alimentação constante causa uma dependência igual a substâncias como o álcool ou drogas», alerta Mafalda Navarro, psicóloga. Um dos principais erros a evitar é «usar doces ou uma ida a uma cadeia de fast food como prémio por algo que os mais novos fizeram bem. Dessa forma, a criança associa algo que lhe é prejudicial a um comportamento correto», diz Alcina Rosa.

«A melhor maneira de evitar que coma esse tipo de alimentos é não tê-los no seu campo de visão. Não ter em prateleiras acessíveis e, principalmente, o próprio adulto não consumir à sua frente», aconselha Mafalda Navarro, acrescentando que «também é importante que os pais expliquem aos filhos que são alimentos nocivos que devem ser consumidos esporadicamente e que se não os dão todos os dias é porque estão a cuidar deles e a zelar pela sua saúde».

Texto: Paula Barroso com Alcina Rosa (psicóloga clínica) e Mafalda Navarro (psicóloga clínica)

 

 

Keep it Cool! Campanha de Verão da Linha Internet Segura “Dificulta o acesso aos conteúdos do teu smartphone com mecanismos de bloqueio”

Agosto 30, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Imagem retirada do Facebook da Internet Segura.

Bebês & Tecnologias – Vídeo do NUFABE da Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Agosto 24, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Crianças não devem passar mais de duas horas em frente aos ecrãs

Agosto 24, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da Sábado de 13 de agosto de 2018.

Novo estudo revela que as crianças entre os 8 e 18 anos estão a passar mais de sete horas por dia em frente a ecrãs.

As crianças não devem usar computadores e smartphones mais do que duas horas por dia, revela um estudo publicado pela Associação American Heart.

Hoje em dia, revela a investigação, crianças entre os 8 e 18 anos passam mais de sete horas por dia em frente a ecrãs, contribuindo para uma “vida sedentária” que aumenta riscos de obesidade e problemas cardiovasculares.

A associação recomenda os pais a proibirem o uso de ecrãs durante refeições e antes de ir dormir. “Apesar de ainda não ser clara a correlação entre a obesidade e o tempo que se passa em frente a ecrãs, há uma preocupação crescente que os ecrãs tenham influência nos hábitos alimentares e sono”, diz Tracie Barnett, que liderou a investigação.

A organização recomenda brincadeiras “mais saudáveis”, ao ar livre.

Mais informações nas notícias:

New tools, old rules: Limit screen-based recreational media at home

Limit screen time among kids, experts caution

 

Associação alemã apela: “Larguem os telemóveis e vigiem as crianças na água”

Agosto 20, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 15 de agosto de 2018.

Desde o início do ano houve 300 afogamentos na Alemanha, dos quais 20 envolveram crianças, e a Associação Alemã de Salva-Vidas (DLRG) diz que é urgente mudar hábitos para travar o aumento dos números. Aquela que é a maior organização do género a nível mundial estabelece mesmo uma ligação direta entre o número de crianças em risco na água e a distração dos pais com os telemóveis.

O caso mais recente aconteceu na semana passada, quando um menino de sete anos se afogou numa piscina da Baviera.

De acordo com o The Guardian, A DLRG lembra que as piscinas não são parques ou jardins-de-infância e aconselha os pais e avós a largarem os telemóveis e a reforçarem a vigilância.

O representante da organização, que conta com 40 mil salva-vidas voluntários em praias, piscinas e lagos da Alemanha, lamenta ainda a forma negligente como alguns adultos se comportam com as crianças hoje em dia.

Os nadadores salvadores culpam ainda o sistema escolar por não ter aulas de natação obrigatórias para os mais pequenos e lembram que os horários das famílias nem sempre são compatíveis com as aulas de natação dos filhos, o que aumenta o problema.

 

 

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