Solidão na era digital: nunca estivemos tão conectados e tão sós

Novembro 19, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Texto do http://observador.pt/ de 5 de novembro de 2017.

Ana Cristina Marques

O que veio primeiro, a internet ou o isolamento social? Numa era em que estamos cada vez mais conectáveis há quem, no final do dia, se sinta sozinho e conte os “gostos” que vêm do ecrã.

A partir desta segunda-feira estão 60 mil pessoas em Lisboa para falar de tecnologia mas, o mais provável, é que nunca tenhamos estado tão sozinhos como agora. Às portas da Web Summit, a maior conferência de empreendedorismo, tecnologia e inovação da Europa, questionamo-nos se o futuro da solidão não será online.

Filipa Jardim da Silva e João Faria já receberam casos de “solidão digital” nos respetivos consultórios, em Lisboa. Apesar de ambos os psicólogos trabalharem muito com adolescentes, esta não é uma questão com balizas etárias, antes uma espécie de “epidemia” dos tempos modernos. A chegada e a expansão da internet trouxeram consigo a promessa do contacto e do fim da solidão, mas o ritmo de vida e as novas formas de falar uns com os outros vieram impactar o dia a dia. Se um individuo se consegue sentir sozinho no coração de uma multidão, o que garante que isso não aconteça à frente de um computador ou de smarpthone na mão?

Um estudo recente mostrou que passar mais de duas horas por dia em redes como Facebook, Twitter ou Snapchat duplica a probabilidade de alguém se sentir isolado. “Não sabemos o que veio antes, se o uso de redes sociais ou a sensação de isolamento social”, chegou a dizer Elizabeth Miller, professora de Pediatria da Universidade de Pittsburgh, à BBC. Para a coautora do estudo, que envolveu 2 mil adultos com idades compreendidas entre os 19 e os 32 anos, talvez seja o uso cada vez mais intenso das redes sociais o responsável por um crescente isolamento face ao mundo real.

A preocupação não é propriamente recente, mas está na ordem do dia. A título de exemplo, a revista The Atlantic lembrou-se de perguntar, em maio de 2012, se o Facebook nos estava a deixar solitários e, três anos depois, o The Guardian tentou descobrir se era possível encontrar intimidade em identidades online cada vez mais mutáveis e num ambiente de permanente vigilância. Em Portugal, as mais recentes investigações orientadas por Ivone Patrão, psicóloga na consulta de comportamentos e dependências online da Clínica ISPA (Instituto Superior de Psicologia Aplicada), mostram que 25% dos jovens portugueses, entre os 12 e os 30 anos, estão viciados em tecnologia e 14% são dependentes dos smartphones.

“Desligava o telefone e chorava muito”

Em abril deste ano, a psicóloga Rosário Carmona e Costa alertava para o facto de as redes sociais estarem não só a mudar o que fazemos, mas também quem somos. Para fazer crescer o ponto de vista, Carmona e Costa cita no seu livro, “iAgora? Liberte os seus Filhos da Dependência dos Ecrãs”, a apresentação “The Innovation of Loneliness” de Shimi Cohen: “Usamos a tecnologia para nos definir, compartilhando pensamentos e sentimentos à medida que eles acontecem, e chegamos a criar experiências para termos o que partilhar, como se acreditássemos que estar sempre ligados nos fará sentir menos sós”.

Nem mais. Segundo diz Filipa Jardim da Silva ao Observador, a “solidão na era digital é uma forma de solidão acompanhada”. Em causa está uma mesma premissa, isto é, a insatisfação pessoal com o tipo de suporte que se tem a nível social, mas também as interações superficiais que mantemos diariamente, ainda que estejamos rodeados de pessoas (física ou virtualmente falando). Mas há mais. As identidades mutáveis fazem parte da equação: nas redes sociais é fácil mostrarmos apenas o que queremos, uma versão otimizada de quem somos, o que, em última análise, impossibilita a criação de relações autênticas. “Uma relação social só é verdadeira se acedermos à pessoa num todo”, continua a psicóloga, referindo que, atualmente, corremos o risco de viver a vida em permanente modo personagem. “No fundo, sou aquilo que as pessoas à minha volta querem que eu seja. No final do dia há uma sensação de vazio. Há solidão.”

Vânia Duarte que o diga. Ultrapassada a barreira dos 30 passou por uma fase em que esteve dependente dos elogios virtuais e dos “gostos” que ia recebendo na conta de Instagram, como se estes funcionassem como uma espécie de aprovação social. Era importante mostrar a barriga inexistente e os abdominais definidos, conseguidos à custa de uma dieta rigorosa e restrita — peixe, batata doce, frango, bróculos e omeletes de claras –, mas também de muitas horas dedicadas ao ginásio. Para isso, chegava a tirar mais de 20 fotografias até encontrar aquela que, depois de muitos filtros, corresponderia ao seu ideal de beleza.

A designer digital chegou a acreditar que assim combateria os complexos corporais de que há muito era vítima. “Recebia muitos elogios, muitos likes, mas nunca me sentia assim, como eles me viam. Desligava o telefone e chorava muito. Não me identificava. Sentia-me muito incompleta, apesar de as pessoas me elogiarem muito”, conta ao Observador. Vânia sentia-se sozinha e foi preciso ir parar à cama de hospital com uma anemia severa para perceber que, neste caso, as redes sociais eram suas inimigas ao possibilitarem comparações constantes e irrealistas. “Estamos constantemente sujeitos a estímulos, a acharmos que o outro é melhor, sobretudo na área de fitness. Há cada vez pessoas mais infelizes.”

Curiosamente, um inquérito realizado recentemente pela britânica Royal Society for Public Health, feito a 1.500 adolescentes e jovens adultos, mostrou que o Instagram é a “pior rede social considerando saúde mental e bem-estar”. Apesar de somar pontos por promover a expressão individual e a identidade em si, a plataforma de fotografia está a associada a elevados níveis de ansiedade, depressão, bullying e até FOMO — sigla inglesa para “fear of missing out”. Mas é importante não diabolizar as redes sociais, que tantas barreiras da comunicação já destronaram, até porque também há estudos que sugerem que o Instagram é muito utilizado para partilhar histórias sobre depressão e inseguranças pessoais.

Considerando o culto da imagem descrito, quase parece que vivemos uma adolescência tardia, no sentido em que queremos constantemente agradar o outro. Filipa Jardim da Silva concorda: “Quando o número de gostos começa a ser sinónimo de aceitação é quando começamos a perder o chão. É uma armadilha que não é assim tão óbvia quanto isso”.

Ao relato de Vânia, que atualmente vai contando a sua história no blogue Lolly Taste, junta-se o de Constança Portugal, hoje com 21 anos, que tentou como muitas pessoas, antes e depois dela, criar um blogue de sucesso. A pressão para ter milhares de seguidores era tanta — e tão cobiçada por marcas que assim mediam o sucesso de uma determinada página — que a estudante de gestão começou a prestar demasiada atenção ao Instagram. “Senti que tinha de criar uma imagem de Instagram muito cuidada e cheguei ao ponto em que transmitia uma falsa felicidade muito grande”, conta. Certo dia, e para contrariar a tendência, decidiu fotografar-se mal acordou: descabelada, com unhas por arranjar e maquilhagem por aplicar. “Ao contrário do que poderia pensar, tive uma receção muito positiva e recebi muitas mensagens.” A experiência de Constança, que garante existirem vários casos semelhantes ao seu no mundo da blogosfera, trouxe-lhe um ensinamento: “Sentimo-nos muito mais sozinhos quando transmitimos essa falsa felicidade”.

Comunicação, ansiedade e hostilidade online

Em 1995, Sherry Turkle, professora na área dos estudos sociais sobre ciência e tecnologia no MIT, publicava um livro que a colocaria na capa da revista Wire: “Life on Screen” era um retrato positivo do impacto do digital nas nossas vidas. Mais de 15 anos depois, Turkle mudou de opinião e a Wire virou-lhe as costas, quando em 2011 o livro “Alone Together: Why We Expect More from Technology and Less from Each Other” chegou ao mercado. Na obra a autora escreve que, hoje em dia, o facto de sermos inseguros nas nossas relações e ansiosos perante o conceito de intimidade faz com que procuremos na tecnologia formas de estar em relações e, ao mesmo tempo, formas de nos proteger dessas mesmas relações. O problema da intimidade digital, garante, é que ela é incompleta: “Os laços que formamos através da Internet não são, no final, os laços que nos unem”.

“Estou a pensar no sistema do iPhone, naquela nuvem que aparece quando alguém está a responder a uma mensagem”, diz João Faria ao Observador. “Só esse mecanismo, que permite ver se a outra pessoa está a escrever, se demora ou não, desencadeia mecanismos negativos nas pessoas.” A imagem criada permite ao psicólogo especializado em perturbações da ansiedade associadas à utilização da internet, que trabalha no Centro para as Perturbações do Desenvolvimento (PIN), traçar uma comparação com o passado, numa altura em que um telefonema simplesmente não era atendido. O assunto ficava arrumado.

João Faria considera que os jovens vivem uma ansiedade muitas vezes potenciada pelas novas formas de comunicar, eles que chegam a trocar “milhares de mensagens por dia”. É o caso de um paciente seu que, aos 15 anos, tem uma “fortíssima dificuldade” em se desligar das redes sociais. Por ser particularmente insatisfeito com a sua versão offline, procura no universo online uma espécie de consolo e bem-estar. O maior receio, por mais ilógico que possa parecer, é perder o quer que seja de todas as vezes que não está conectado — voltamos ao FOMO. “Nestes casos, a ansiedade torna-se quase patológica”.

Um artigo publicado no The Guardian em abril de 2015 explorava a ideia de que a solidão no futuro possa estar precisamente na forma como hoje estabelecemos e mantemos relações. Uma pessoa sozinha sente necessidade de ser “vista, aceite e desejada”, ao mesmo tempo que se torna extremamente cautelosa com a exposição pessoal. O mesmo artigo citava uma investigação da Universidade de Chicago, que mostra que o sentimento de solidão é capaz de desencadear a “hipervigilancia do tecido social”. Quer isto dizer que uma pessoa nestas circunstâncias fica muito alerta à rejeição e suscetível de entender as interações sociais de uma forma hostil.

“A ansiedade pode, de facto, ser gerada pela ideia da avaliação permanente”, reitera Filipa Jardim da Silva. A psicóloga clínica não tem dúvidas de que a internet fomenta fenómenos de ampliação, ao mesmo tempo que garante que as partilhas online são “o novo cadastro vitalício”. João Faria partilha da mesma opinião, quando diz que a Internet aumenta exponencialmente as experiências negativas que um indivíduo possa ter e que, por isso, é mais fácil encontrar círculos de rejeição. Nem de propósito, a Linha Internet Segura, que funciona de forma gratuita desde 2011, existe para entrar e sair do universo online de forma segura (800 21 90 90).

A “hostilidade online” é uma realidade cada vez mais presente, tanto que até existe uma campanha do Conselho da Europa nesse sentido. A “No Hate Speech”, cujo nome também funciona como um slogan, não deixa grande margem para dúvidas: a ideia é combater o discurso de ódio na internet. “Os comentários negativos são os que proliferam mais. Nós somos particularmente atentos à crítica, ao rebaixar. É também uma questão cultural”, argumenta João Faria.

Ao ritmo (louco) da solidão

Algures na imprensa internacional encontramos a frase “a solidão tornou-se na ‘doença’ mais comum do mundo moderno”, uma ideia que o psicólogo João Faria não só entende, como aceita — embora não considere a solidão uma doença, antes um sintoma de condições tão graves como a depressão. “As pessoas estão mais sozinhas do que nunca e, ao mesmo tempo, têm muita facilidade em comunicar umas com as outras”, diz como se ainda lhe custasse a acreditar. Para ele, o sentimento de solidão é exacerbado pelo mundo cada vez mais rápido em que vivemos, no qual não há tempo para sentir saudades ou para nos encontrarmos cara a cara. A isso alia-se o facto de estarmos a perder a capacidade de esperar.

Ao telefone com o Observador, João Faria conta um exercício que fez numa sala de aula com miúdos a chegar aos 5 anos de idade. O psicólogo pediu aos alunos que levantassem a mão quando estivessem aborrecidos, enquanto João ligava um antigo jogo de computador, da sua infância. “O jogo demora 4 minutos a carregar. Os miúdos meteram a mão no ar ao fim de um minuto. Estavam aborrecidos.

A vida cada vez mais imediata está a roubar-nos a capacidade de gerirmos as nossas emoções, bem como a tolerância em lidar com o que sentimos, e ao consultório de João Faria chegam cada vez mais pessoas que se sentem sozinhas, embora não saibam reconhecer essa mesma solidão. “O marcador de quem não sabe que está a sentir-se sozinho é, por exemplo, o facto de procurar incessantemente conexão virtual.”

Ivone Patrão, coordenadora de estudos sobre dependências tecnológicas com o cunho do ISPA, tem um discurso semelhante. Considerando a investigação que a permitiu perceber que 14% dos jovens, entre os 12 e os 30 anos, estão dependentes do smartphone, a psicóloga garante que as pessoas mais dependentes da internet sentem-se isoladas socialmente, mas não emocionalmente. “Nestes casos, se lhes retirarmos a internet, estas pessoas deixam de ter apoio emocional, ficam sem nada”, explica ao Observador, ao mesmo tempo que deixa ficar a seguinte ideia: apesar de se sentirem acompanhadas, são pessoas que não se apercebem que dependem de uma ferramenta para comunicar e que há um interesse mútuo por detrás dos likes no Facebook e dos jogos online.

Há quatro meses, Mark Zuckerberg escrevia na rede social que criou que a comunidade do Facebook contava oficialmente com 2 mil milhões de pessoas mensalmente. Em setembro de 2017, o site Techcrunch escrevia que o Instagram alcançara os 800 milhões de utilizadores mensais e os 500 milhões de utilizadores diários. E quantas aplicações existem para conhecer pessoas em contextos mais e menos românticos?

“Recebo sobretudo crianças e jovens”, conta João Faria. “Mas garantidamente que a situação não se esgota nesta faixa etária. É expetável que se alastre até aos idosos. De qualquer maneira, as crianças de hoje serão os adultos e os idosos de amanhã. Não sou nada otimista nisto, para ser sincero.”

 

 

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Quatro inquietações sobre a utilização das tecnologias

Novembro 16, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 5 de novembro de 2017.

Cátia Sacadura e Rosário Carmona e Costa

Antes, os nossos filhos só sabiam fazer uma coisa melhor do que nós – aproveitar o momento. Agora, sabem mais uma: utilizar de forma hábil cada uma das tecnologias que têm ao seu dispor. Cabe aos pais definir o quanto, o quando e o como.

Chegou a era do contacto diário e constante com ecrãs, a era do interativo, a era do imediato, a era do tudo-à-distância-de-um-click. Antes, os nossos filhos só sabiam fazer uma coisa melhor do que nós – aproveitar o momento – e, agora, sabem mais uma: utilizar de forma hábil cada uma das tecnologias que têm ao seu dispor. Desde a televisão (não lhe chamemos nova tecnologia para não pareceremos jurássicos) até à última consola ou smartphone que chegou ao mercado.

Como pais, o importante é podermos tirar o maior proveito de tudo o que a tecnologia pode trazer de bom.

Veja, ou reveja-se, nas quatro inquietações que compilámos acerca da utilização de novas tecnologias pelas crianças e jovens:

1. O meu filho ficará viciado se permitir que ele tenha acesso aos ecrãs.
É muito frequente os pais chegarem à consulta com a crença de que o filho tem um problema com os ecrãs. “Ele é viciado naquilo” ou “Ele está mesmo dependente” são frases que ouvimos de pais que estão a ter dificuldade em gerir o tempo que os filhos passam no computador e nos telemóveis bem como em conseguir que cumpram um conjunto de tarefas que definem como prioritárias.

Ora, não se trata do acesso aos ecrãs mas, sim, dos limites que necessariamente precisam de ser impostos. Crianças que utilizam novas tecnologias, que têm acesso à Internet, ao computador e a um conjunto de aplicações que vão ao encontro dos seus interesses poderão beneficiar de tudo o que estas acrescentam ao seu desenvolvimento desde que os pais definam as regras – e tempo – da sua utilização e, em segundo lugar, promovam em paralelo um leque variado de interesses e atividades.

2. Prefiro que o meu filho não utilize a Internet porque está exposto a demasiados perigos.
Não há como negar que também a vida online e virtual apresenta perigos às crianças (e a todos nós). No entanto, é um mito que os privemos de ter contacto com esta vertente do dia-a-dia como atitude protetora. Ao fazê-lo, não estamos a ajudá-los a desenvolver estratégias para lidar com os perigos e dificuldades online, não estamos a aproveitar a oportunidade para conversar sobre o mundo virtual e sermos bons modelos de utilização, nem tão pouco estamos a torná-los peritos numa utilização cuidada e protegida. E é melhor que se desengane: se ele não utilizar em casa, irá fazê-lo nos telemóveis dos amigos ou nos computadores da escola nas restantes 8 horas do dia que passa longe de si.

3. É o fim da leitura.
Não. As estatísticas parecem indicar que nunca se leu tanto. Muitas vezes, não é o tipo de leitura que pretendemos quando falamos de literacia, mas pode ser um início. Nunca foi tão acessível partilhar literatura infantil com os nossos filhos, e oferecer-lhes a possibilidade de, desde cedo, se poderem sentir autónomos a ler um livro, por exemplo através de audiolivros. Os livros eletrónicos parecem ser um excelente formato aumentando a motivação e permitindo a combinação com outros meios e conteúdos (áudio, dicionário incorporado, diferentes fontes e tamanhos de letra) que podem apoiar a leitura, nomeadamente perante uma dificuldade.

Filhos que veem os seus pais a ler sentem-se mais motivados para ler. Os hábitos de leitura cultivam-se desde cedo através de livros adequados à idade da criança e uma leitura envolvente. Tal é bastante mais importante que o formato em que o fazemos. O conteúdo de qualidade, esse vem com o gosto pela atividade.

4. Se um jogo é interativo é provavelmente educacional. 
É verdade que vários jogos nos chegam como revolucionários para o desenvolvimento cognitivo e das aprendizagens. Os pais ficam descansados, os professores sentem que estão a utilizar algo motivante. Muitos jogos são estritamente operacionais – selecionar a resposta correta para ganhar. Serão estes jogos verdadeiramente educacionais? São definitivamente oportunidades de prática, mais motivantes que uma ficha de trabalho tradicional, no entanto não utilizam a potencialidade da tecnologia. Seja exigente com os jogos que procura quando quer que sejam educacionais: Procure saber se vai ao encontro da competência que pretende desenvolver; se permite que o jogador seja criativo ou tome decisões; se motiva o jogador a pensar no processo ou, pelo contrário, só tem que selecionar um resultado. O ideal é que todos os jogos educativos sejam acompanhados pelo diálogo sobre o processo e o que o envolve. Não desvalorize o seu papel enquanto educador.

As autoras seguem o Acordo Ortográfico. A rubrica encontra-se publicada no P2. caderno de Domingo do PÚBLICO e é da responsabilidade do CADin

Crees que tu hijo comparte contenido sexual en el móvil?

Outubro 30, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação, Vídeos | Deixe um comentário
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Texto do blogue https://rincondelbibliotecario.blogspot.pt/ de 12 de outubro de 2017.

El diálogo abierto en el entorno familiar y la concienciación son claves para prevenir el uso inadecuado de las tecnologías por parte de los menores.

Aunque el intercambio de material sexual a través de redes sociales y servicios de mensajería instantánea (sexting) no es algo exclusivo de los menores de edad, sí que es importante estar vigilantes en los colegios y en el entorno familiar para concienciar y minimizar así las posibles consecuencias que pueda acarrear esta práctica.

En muchas ocasiones, las exparejas comparten fotos y vídeos íntimos como venganza

Cuando alguien decide enviar contenido íntimo debe saber que éste deja de estar bajo su control. En ese momento, es la otra persona quien pasa a tener el control de ese material y, en muchas ocasiones, puede utilizarlo a modo de chantaje o como venganza. En el caso de los adolescentes, muchas veces son las exparejas las responsables de subir a Internet o compartir por mensajería instantánea las fotos o videos de contenido sexual por despecho o por venganza, según advierte la Oficina de Seguridad del Internauta, un servicio puesto en marcha por el Ministerio de Energía, Turismo y Agenda Digital en colaboración con el Instituto Nacional de Ciberseguridad (INCIBE).

Pero, ¿cómo debemos actuar en casa y en el colegio? El Observatorio de la Seguridad de la Información (OSI) en la Guía sobre adolescencia y sexting: qué es y cómo prevenirlo, ofrece una serie de pautas.

Pautas para prevenir el sexting

* 1. Informarse de forma conjunta:

Existen diversas organizaciones y empresas que ofrecen información sobre las situaciones en las que pueden encontrarse los menores en internet. Es importante hacerlo para fomentar un clima de confianza y descubrir de forma conjunta los riesgos. Por ejemplo, desde el propio INCIBE se ha puesto en marcha un teléfono de atención para que tanto menores como padres y docentes expongan sus dudas.

Por su parte, Orange ha lanzado la iniciativa Por un uso Love de la tecnología, que pretende mostrar a las familias las consecuencias del mal uso de las redes sociales y los dispositivos móviles. La compañía quiere convertirse así en fuente de información y de reflexión para las familias y lograr un uso responsable de la tecnología.

Así se habla del sexting en familia

  1. Hablar de privacidad:

Es importante insistir en la prevención y, para ello, los menores tienen que ser conscientes de los riesgos que corren al exponer sus datos personales y sus fotos más íntimas públicamente.

Hay que exponer los riesgos posibles y poner ejemplos de casos de actualidad. Debe hacerse en un ambiente de confianza que facilite que el menor exponga sus ideas y problemas y así reflexione sobre las posibles consecuencias. Es importante que los padres, madres y educadores sean capaces de trasladar a los menores la confianza suficiente como para que, ante una incidencia en la Red, recurran a la opinión experta de un adulto. Orange, dentro de la iniciativa, ha potenciado ese diálogo dentro de las familias para que los menores puedan explicar a sus padres en qué consiste el sexting y expongan sus impresiones sobre esta práctica.

* 3. La factura bajo control

El Observatorio para la Seguridad en Internet afirma que, según varios estudios, el porcentaje de menores que practican sexting se quintuplica entre los que pagan totalmente sus propias facturasde teléfono frente a los que no lo hacen o solamente pagan una parte. Pagar sus propias facturas puede generar en el menor una sensación de autonomía y madurez (incluso anonimato) que le lleve a sobrevalorar sus razonamientos y percepciones de seguridad.

* 4. El ordenador, en las zonas comunes

El sexting no es una práctica que sólo se lleve a cabo a través de los smartphones, sino que los ordenadores también juegan un papel clave. Por eso, es importante colocar el ordenador en un lugar común de la casa, algo que evitará situaciones de sexting. Si el equipo se encuentra en la habitación del menor, será más fácil encontrar momentos de intimidad para realizar contenidos sexuales, mientras que si está en una zona común a la vista del resto de miembros de la familia, se reduce.

* 5. Instalar sistemas de control parental

También existen sistemas de control parental que pueden limitar e informar sobre el uso que el menor hace del ordenador.

Fuente bibliográfica

¿Crees que tu hijo comparte contenido sexual en el móvil? [en línea], [sin fecha]. [Consulta: 13 octubre 2017]. Disponible en: http://www.elmundo.es/promociones/native/2017/10/09/index.html.

 

Como afastar as crianças dos ecrãs e levá-las a desfrutar dos livros

Outubro 9, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do https://www.publico.pt/ de 14 de setembro de 2017.

É verdade, aqueles ecrãs são muito tentadores, mas sejam fortes e preparem-se para as falinhas mansas, gestão de tempo e alguma criatividade, especialmente no que toca a definir o que significa ler um livro.

Culto e Rita Pimenta

No Verão há imensas desculpas: colónias de férias, piscina, praia, dias de preguiça quando não parecia muito mau os filhos ainda estarem de pijama e talvez a ver televisão ou a barincar no iPad. Era tempo de férias, certo? Eles liam quando a escola recomeçasse. Será que pressioná-los não iria criar resistência à leitura?

Agora voltaram para a escola e defrontam-se com algo talvez ainda mais assustador: os trabalhos de casa. (Mais os treinos de futebol, as aulas de piano, os encontros com os amigos e tantas outras coisas.)

Como é que se consegue tempo para ler neste horário já incrivelmente preenchido? E mais importante: como ajudar as crianças a ver a leitura como algo separado da escola, dos testes, do trabalho? Como promover a leitura por prazer?

A resposta simples é lerem – com e para os vossos filhos – sempre que possam. Façam dos livros parte das vossas rotinas, da decoração da casa, das conversas. É verdade, aqueles ecrãs são muito tentadores, mas sejam fortes e preparem-se para as falinhas mansas, gestão de tempo e alguma criatividade, especialmente no que toca a definir o que significa ler um livro.

Aqui ficam algumas dicas de bibliotecários e especialistas em educação:

— Leiam os vossos próprios livros. Quando foi a última vez que se sentaram na sala (ali mesmo no meio dos brinquedos, do caos, da confusão e das crianças) e leram um livro para vosso próprio prazer? Se estão a revirar os olhos neste preciso momento, não são os únicos. Mas ponham de lado o vosso cepticismo e tentem.

“Normalmente, as crianças são extremamente curiosas e ansiosas por ler se tiverem motivação suficiente”, diz Erika Christakis, educadora de infância e autora do livro The Importance of Being Little. “Está nas mãos dos adultos criar ambientes na escola e em casa que os levem a querer ler.” Em parte, significa terem de ler também e terem de largar os vossos ecrãs. “O que é que irá motivar as crianças se sempre que tiram os olhos de um livro vêem os pais agarrados ao telemóvel?”, pergunta Christakis.

Conclusão: se as crianças vos virem a ler por prazer, é mais provável que o façam também. Além disso, vocês acabam por também ler um livro!

— Leiam em voz alta. “Lembrem-se, uma criança nunca é demasiado velha para que lhe seja lida uma história. E vocês nunca estão demasiado ocupados para ouvir uma história lida por uma criança”, diz John Schumacher, também conhecido como Sr. Schu, embaixador das bibliotecas escolares da Scholastic Book Fairs. James Trelease, autor do venerado Read-Aloud Handbook, diz que quando lêem em voz alta para crianças não estão só a informá-los, mas a criar laços e a entretê-los. E estão também a “fazer publicidade aos prazeres da leitura”. Trelease, que leu para os seus filhos até estes estarem no 9.º ano, acrescenta que ouvir um livro aumenta a capacidade de compreensão e o vocabulário. “Se nunca ouviram uma palavra, nunca vão aprender a dizê-la ou a escrevê-la e nunca a vão ler.”

— Façam de visitas a bibliotecas parte da rotina das crianças. De acordo com o mais recente Scholastic Kids & Reading Report [Relatório sobre Crianças e Leitura feito pela Scholastic], os bibliotecários e os professores são a melhor fonte de factos divertidos sobre livros. Mesmo que as crianças sejam demasiado tímidas para pedir ajuda, quem sabe os títulos que eles podem descobrir nas prateleiras? (Se estão preocupados sobre se os livros são adequados, perguntem ao bibliotecário ou consultem o site Common Sense Media.)

— Deixem as crianças escolher os próprios livros à vontade. “Estudos mostram que, quando as crianças escolhem os livros que querem ler, lêem mais”, diz Karen MacPherson, coordenadora da secção de crianças e adolescentes da biblioteca Takoma Park Maryland. De acordo com um dos estudos mais citados, cerca de 80% das crianças envolvidas no estudo disseram que o livro de que mais gostavam era o que eles mesmos tinham escolhido.

— Encorajem as crianças a reler livros. “Os leitores jovens não deveriam ser forçados a experimentar coisas novas em casa”, diz Christakis. “Uma das melhores leitoras que conheço passou a infância dela a ler e a reler, do princípio ao fim, a colecção completa de Little House. Deve ter terminado a colecção dez ou 15 vezes, fazendo ocasionalmente um intervalo para ler a colecção de Harry Potter. Há formas muito piores de passarmos a infância.”

— Deixem as crianças ler ao nível deles e não aquele de que se gabam aos vossos amigos. “Os adultos tendem a impingir algumas das suas ansiedades de leitura aos filhos, o que é contraproducente”, diz Christakis. “Os pais de leitores precoces frequentemente fazem os filhos ler textos que são simplesmente demasiado difíceis para eles. Mesmo lendo um livro com 95% de exactidão, saltando ou não reconhecendo 5% das palavras, é surpreendentemente distractivo e desmoralizante”, diz. “As famílias deviam encorajar as crianças a escolher livros que sejam ‘confortáveis’ para eles e que não lhes causem ansiedade ou lhes dê a sensação de que é demasiado trabalhoso.”

— Livros não são só contos de fadas. Os livros de culinária também são livros, indica MacPherson. Tal como livros de banda desenhada e de factos interessantes como o Livro Guinness dos Recordes e o Ripley’s Acredite se Quiser — Ver Para Crer. Até folhear uma revista, um almanaque, uma enciclopédia ou um dicionário (que também tem o benefício de os ensinar a alfabetizar) pode ser uma forma divertida de explorar livros.

— Comecem a ouvir audiolivros. Quer estejam numa longa viagem de carro ou simplesmente a descansar em casa, ouçam um audiolivro e preencham qualquer tempo vazio com histórias. Trelease diz que ouvir este tipo de livros traz os mesmos benefícios que ler em voz alta, enriquece o vocabulário e aumenta a capacidade de concentração.

— Criem uma refeição de “leitura”. Escolham uma refeição (ou duas) em que toda a família possa trazer um livro para a mesa e possam ler enquanto comem, sugere MacPherson. Pode-se tornar uma refeição bastante silenciosa ou num aceso debate. De qualquer forma, a leitura dá origem a uma ocasião especial.

— Formem um clube de leitura no bairro. Ler não é necessariamente uma actividade solitária. Um clube de leitura com leitores de níveis semelhantes pode ser uma excelente forma de as crianças verem o que os seus colegas andam a ler e torna a leitura um evento social.

— Deixem os vossos filhos ouvir podcasts. As crianças podem escolher podcasts de histórias, como StoryNory ou Eleanor Amplified, ou um mais informativo, como Wow in the wold. Ouvir estes podcasts pode oferecer muitos dos mesmos benefícios que ouvir audiolivros.

“Há um ditado que diz: ‘Se não gostam de ler, é porque o estão a fazer mal’”, lembra Deborah Taylor, coordenadora da secção de escola e alunos da Enoch Pratt Free Library, em Baltimore. “Acho que significa que a pessoa ainda não estabeleceu uma relação com o livro certo”, acrescenta, dizendo que é “implacável” com os jovens leitores. “Se me dizem que não gostam de ler, digo-lhes que não vou desistir enquanto não encontrar o livro certo para eles, aquele que vai fazer deles leitores.”

As sugestões de Rita Pimenta

Porque preferimos que sejam as crianças a escolher, propomos uma lista com links que lhes permitem ver e escutar alguns dos títulos, mas não substituem a leitura em papel. Também privilegiámos autores portugueses. Porque sim.

O escalonamento por idades é apenas um indicativo (quase sempre falível…).

Dos 4 aos 8 anos

Eu Quero a Minha Cabeça! Texto e ilustração: António Jorge Gonçalves Edição: Pato Lógico

Histórias às Cores Texto: António Mota Ilustração: Paulo Galindro Edição: Gailivro

A Surpresa de Handa Texto e ilustração: Eileen Browne Tradução: José Oliveira Edição: Editorial Caminho

Dos 9 aos 12 anos

A Charada da Bicharada (Prémio Nacional de Ilustração 2008) Texto: Alice Vieira Ilustração: Madalena Matoso Edição: Texto Editores

O Estranhão (colecção) Texto: Álvaro Magalhães Ilustração Carlos J. Campos Edição: Porto Editora

O Incrível Rapaz Que Comia Livros (Prémio de Melhor Livro Infantil 2007, atribuído pelo Irish Book Awards) Texto e ilustração: Oliver Jeffers Tradução: Rui Lopes Edição: Orfeu Negro

A partir dos 12 anos

De Umas Coisas Nascem Outras (Prémio Autores 2017 na categoria Melhor Livro Infanto-Juvenil) Texto: João Pedro Mésseder Ilustração: Rachel Caiano Edição: Caminho

Lá Fora (Melhor livro na categoria Primeira Obra, Opera Prima, da Feira do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha 2015) Texto: Maria Dias e Inês Rosário Ilustração: Bernardo P. Carvalho Edição: Planeta Tangerina

Eu Espero Texto: Davide Cali Ilustração: Serge Bloch Edição: Bruaá

Mais sugestões de livros no blogue Letra pequena.

 

 

 

Ter televisão no quarto não faz bem à saúde das crianças, diz estudo

Outubro 3, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 27 de setembro de 2017.

Investigação da Universidade Estadual do Iowa revela que as crianças com televisão ou jogos no quarto têm menor desempenho académico.

As crianças que têm no quarto uma televisão ou jogos de computador dormem menos, assim como lêem menos. As consequências são fáceis de prever: menor desempenho escolar, maior risco de obesidade e de ser dependente das novas tecnologias, diz um estudo da Universidade Estadual do Iowa, citado pelo Quartz.

Mas há outros riscos associados: podem assistir a programas inadequados para a idade, assim como participar em jogos violentos, o que aumenta os níveis de agressão física, refere Douglas Gentile, professor de psicologia e autor principal do estudo de Psicologia do Desenvolvimento que foi feito nos EUA e na Ásia.

Os responsáveis pelo estudo acompanharam crianças durante um período de 13 e 24 meses e concluíram que aquelas que tinham equipamentos electrónicos no quarto viam mais televisão, o que afectou indirectamente os seus resultados académicos. Pois se viam televisão, não liam.

“Quando a maioria das crianças liga a televisão no seu quarto, provavelmente não assiste a programas educacionais, nem joga jogos educacionais”, continua o especialista, referindo ainda que os pais não fazem uma monitorização nem controlam o que vêem ou fazem os miúdos nos seus quartos. Com os smartphones e tablets o risco é ainda maior, continua Gentile. Não há controlo se as crianças e jovens usam esses meios, por exemplo, durante a noite.

Portanto, os investigadores também conseguiram relacionar o tempo à frente do ecrã com o aumento do índice de massa corporal, assim como com a agressividade e sintomas de dependência.

Por isso, a recomendação é para que os pais tenham coragem e lutem por manter todos os equipamentos fora do quarto. É uma batalha a curto prazo, mas os filhos saírão beneficiados com essa decisão, acredita Gentile. “Para os pais, é muito mais fácil não pôr uma televisão no quarto do que tirá-la”, reconhece.

 

Memória a curto prazo – José Luís Peixoto

Setembro 1, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto de José Luís Peixoto publicado no site http://www.joseluispeixoto.net de 20 de agosto de 2016.

Perdemos a capacidade de explicar às gerações mais novas como era antes. Podemos iniciar essa tentativa mas, ao fim de minutos, ou nos confundimos e começamos a divergir, ou eles se desinteressam e começam a escutar música de elevador dentro da cabeça, ou talvez escutem aquele ruído estático de quando os canais de televisão não emitiam programas durante vinte e quatro horas por dia, aquela imagem de grão cinzento que quase esquecemos também.

É normal que os mais jovens deixem de nos prestar atenção, é sempre assim quando alguém começa a falar uma língua que não entendemos. Raramente nos sentimos tão sozinhos como num jantar de polacos. Também é normal que nos falte coerência e articulação, fomos soterrados pelo tempo.

Parecia controlável, era incontrolável.

Hoje, os telemóveis são pequenas extensões do mundo ou, com mais probabilidade, de nós próprios. Há realidades e paisagens que apenas existem na internet, mergulhamos nelas. Com o telemóvel na mão, de repente, deixamos de ser um corpo com vontade e propósito, passamos a ser um objecto que está ali, um obstáculo com volume e textura, mas cuja existência está noutro lugar qualquer. Há muito que deixou de ser notícia a imagem de toda a gente nos transportes públicos a ver o telemóvel, toda a gente na sala de espera a ver o telemóvel.

Num esforço da memória, admiramo-nos com o tamanho dos primeiros aparelhos, com o gesto que tínhamos de fazer para puxar a antena quando recebíamos uma chamada, com aquele toque irritante da Nokia. Estas lembranças impressionam-nos, sobrepomo-las a tudo o que sabemos agora. Levamos no telemóvel a internet: a possibilidade de contactar todos com quem já nos cruzámos, um escritório inteiro e distrações para todos os gostos, para todos os likes.

Agora, a esta distância, olho com uma certa ternura para aqueles que, nos anos noventa, juravam que nunca iriam ter telemóvel. Insurgiam-se contra a obrigação de estarem sempre contactáveis, achavam (com razão) que perdiam liberdade. Hoje, essa ideia desapareceu. Agora, ninguém quer estar incontactável. Preocupamo-nos de morte quando sabemos que algum amigo nosso está incontactável. Sem pensarmos muito nisso, sem debate, damos por garantido que os telemóveis salvam vidas. Hoje, se alguém garante que ficou sem rede ou sem bateria, pensamos: mentiroso, adúltero.

Aqueles que juravam que nunca iam ter telemóvel são como os romanos que permaneceram na Península Ibérica depois da chegada dos árabes, são como os árabes que se deixaram ficar após a chamada “reconquista cristã”. Ou, com mais precisão, são como os cristãos-novos, os judeus que, no século XV, foram obrigados a converter-se ao cristianismo.

De nada vale dizer-lhes: eu bem te avisei. Com mais certeza, se não tiverem esquecido completamente quem eram, serão eles a dizer-nos essa mesma frase.

Ao contrário do que se costuma afirmar, a internet não é para sempre. Em poucos lugares os assuntos envelhecem tão depressa. Ao fim de algumas semanas, já ninguém quer ver a sex-tape da estrela do maior reality show do momento; ao fim de alguns meses, já ninguém sabe quem essa pessoa é.

Seguramente que a memória não ficará salvaguardada nas redes sociais. As redes sociais são feitas de presente. Nelas, o passado desaparece da forma mais absoluta de todas: perde significado.

Os adolescentes passam as reuniões de família a olhar para o telemóvel. Um dia, estes adolescentes serão pais em reuniões de família. Para onde irão olhar os adolescentes do futuro?

José Luís Peixoto, in GQ, Maio de 2016

 

 

Crianças preferem livros ao YouTube na Alemanha

Agosto 26, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://exame.abril.com.br/ de 13 de agosto de 2017.

Mais de 60% das crianças entre 6 e 13 anos alemãs têm a leitura como forma de entretenimento principal no país europeu

Por Daniela Barbosa

São Paulo – Avessas às novas tecnologias, as crianças na Alemanha gostam de passar o tempo lendo livros, revistas e histórias em quadrinhos. Pelo menos foi isso que apontou uma pesquisa publicada recentemente e realizada pelas editoras Panini, Gruner + Jahr, Egmont Ehapa Media, Spiegel e Zeit.

De acordo com o estudo, que ouviu cerca de 2000 famílias, mais de 60% das crianças entre 6 e 13 anos preferem a leitura como forma de entretenimento principal no país europeu. Isso não significa, no entanto, que elas não acessem a internet; mas quando acessam somente 30% delas assistem vídeos no YouTube e outros 28% gostam de jogos online.

Para os pais ouvidos na pesquisa, o gosto pela leitura está relacionado principalmente ao incentivo que as crianças costumam receber em casa e na escola. Eles costumam mostrar que o hábito tem o poder da ativar a criatividade.

Outros dados

A leitura só não aparece como passatempo preferido entre as crianças de 4 e 5 anos que participaram do levantamento. Nesta faixa etária, a televisão acabou sendo o melhor mecanismo de entretenimento dos pequenos, que muitas vezes estão ainda em processo de alfabetização – o que justificaria tal porcentagem.

Já tecnologias que estão caindo em desuso, como o DVD, são apreciadas apenas por 15% das crianças.

Outro dado que chamou atenção foi o uso de celulares entre as crianças por lá. Menos de 40% delas possuem um aparelho na faixa etária entre 6 e 9 anos. Já 84% das crianças maiores, entre 10 e 13 anos, têm celular no país.

 

 

Há entre os jovens uma “explosão de frustração”

Agosto 24, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do https://www.publico.pt/ a Augusto Cury no dia 3 de junho de 2017.

Bárbara Wong

Augusto Cury é psiquiatra e autor de dezenas de livros. Muitos são de auto-ajuda, outros são aquilo a que o próprio chama “romance psiquiátrico”, ou seja, ao longo da trama o autor vai introduzindo informação técnica e científica, de uma forma pedagógica. Os seus livros vendem milhões e alguns já chegaram à televisão.

O brasileiro veio a Portugal para o lançamento de O Homem mais Inteligente da História (editado pela Pergaminho) em que revela como se converteu ao cristianismo ao estudar a “mente fascinante de Jesus”, mas sobretudo confessa uma enorme preocupação com a educação das novas gerações e com as doenças mentais.

Critica os pais que compram os filhos com bens materiais…

Em todo o mundo há pais que transferem dinheiro, carros, casas, mas não conseguem falar das suas lágrimas para que os filhos venham a ser capazes de chorar as deles. É preciso educação socioemocional. Os pais não se apercebem de que quando elevam o tom de voz, quando criticam ou comparam, tornam-se predadores da emoção dos seus filhos. Os pais pioram os seus filhos porque não conhecem o funcionamento da mente. O mesmo fazem os professores.

Mas também vemos pais que mostram desinteresse. Por exemplo quando um filho está a chamar a atenção e o pai dá-lhe um smartphone

Há um problema sério no mundo. Já sabemos que os ecrãs não acalmam nem aliviam a ansiedade, mas sufocam o tédio, dando a falsa noção de que as crianças e jovens estão calmos. E os pais utilizam essa ferramenta porque não conseguem brincar, dialogar, ajudar os filhos a reflectir porque eles também estão stressados. Eles também são vítimas da síndroma do pensamento acelerado. Uma criança de sete anos tem mais informação do que tinha um imperador no auge de Roma.

E isso tem consequências?

Isso gera agitação mental e sintomas como dores de cabeça, musculares, cansaço, sofrimento por antecipação, baixo limiar para a frustração, dificulta a memória. Sintomas que pais e crianças sentem. Os pais eximem-se da sua responsabilidade de criar alternativas para educar de uma maneira inteligente. Por isso é que as crianças e adolescentes estão cada vez mais agitados.

E são diagnosticados como hiperactivos?

Está a confundir-se a síndroma do pensamento acelerado com hiperactividade e há erros de diagnóstico no mundo todo. Digo isso no livro: estão a ser prescritas drogas de obediência para um problema que nós criámos.

Há um problema maior de saúde mental do que há dez ou 20 anos?

Hoje é gravíssimo! Estamos assustados porque antigamente uma pequena quantidade de pessoas poderia ter um problema de saúde mental, hoje sabemos que uma em cada duas tem ou vai desenvolver um transtorno emocional. Metade da população! Destes quantos procuram tratamento? Talvez nem 1%. Por isso, o melhor é a prevenção. É mais inteligente e democrático. Neste livro falo de ferramentas preventivas.

Tais como, por exemplo?

Costumo dizer que não devemos apenas fazer higiene oral, mas mental. Isso é prevenção. A cada 40 segundos suicida-se uma pessoa e a cada quatro segundos uma pensa em suicídio.

Falou de automutilação, de suicídio, como é que olha para o fenómeno da Baleia Azul?

Há 20 anos que estamos numa epidemia de suicídio. E é um paradoxo porque estamos perante uma poderosa indústria do lazer, capitaneada pelo cinema, o desporto, os smartphones. Mas temos a geração mais triste e com a mais baixa capacidade de contemplar o que é belo, de elaborar experiências, de fazer muito do pouco. O índice de suicídio entre os dez e os 15 anos aumentou 40%. Esse jogo é apenas a ponta do icebergue.

Quem são os jovens que pensam no suicídio? São os que estudam mas não têm perspectivas para o futuro?

No Brasil, o maior estrago da corrupção não foi nas finanças do país, mas no inconsciente colectivo de toda uma geração de jovens que viram a sua esperança ser esmagada. A falta de perspectiva, a competitividade atroz na sociedade capitalista, a dificuldade de acesso à universidade são elementos stressantes, mas não explicam a explosão de frustração. A dificuldade está em gerir as emoções. A humanidade não estava preparada para a avalanche de estímulos. Por isso, defendemos que as pessoas seleccionem a informação. Nas escolas deveriam ensiná-los a ler jornais e revistas, para que não sejam manipulados por políticos autoritários com soluções mágicas, radicais e inclusive fascistas que seduzem milhões de jovens. Estou muito preocupado com isso.

Mas há esperança!…

A esperança está na educação. Sem uma educação socioemocional e de gestão da emoção a nossa espécie é quase inviável porque os instintos de sobrevivência prevalecem sobre a cooperação, generosidade e altruísmo.

Mas neste livro [O Homem mais Inteligente da História] há uma forte crítica ao actual sistema de ensino e à forma como as crianças são educadas naquilo a que chama a “era da informação”…

Exactamente. Temos de mudar da “era da informação” para a “era do eu como gestor da mente humana”. Sem isso não vamos produzir mentes brilhantes, com consciência crítica.

O que é preciso mudar nas escolas?

Se pegarmos nos alunos do pré-escolar até ao doutoramento, verificamos que não damos ferramentas para que se tornem autores da sua própria história, para terem consciência crítica, capacidade de escolha. Não desenvolvem capacidades para colocar-se no lugar do outro, serem resilientes, tolerantes à frustração, generosos. Estes jovens estão preparados para os desafios profissionais, sociais, para as preocupações com a segurança alimentar e aquecimento global, mas não passarão de “meninos” com um diploma nas mãos. Portanto, a educação mundial tem de contemplar a gestão da emoção.

E como é que isso se faz?

No Brasil estamos a aplicar o Programa Escola da Inteligência, que é um projecto de gestão de emoção, inserido no currículo. Temos 250 mil alunos do pré-escolar ao secundário a quem, uma vez por semana, ensinamos a desenvolver capacidades para protegerem a emoção. Para isso, é preciso entregarmo-nos sem esperar nada em troca. Segundo, entender que atrás de uma pessoa que fere está uma pessoa ferida. Terceiro, não ser agiota da emoção. Os que elevam o tom de voz, apenas apontam falhas, não brincam, não transformam as crises em oportunidades de [as crianças] se reinventarem são pais e professores implacáveis.

Existem outras regras?

Sim, a quarta é a vingança que nos alivia um minuto, enquanto o perdão inteligente alivia uma vida. Vivemos numa era de autopunição e é preciso ensinar as crianças e os adolescentes a perdoarem os outros e a si mesmos. E há outras. O importante é perceber que não adianta fazermos seguros de vida se não protegermos o maior de todos os bens, que é a emoção.

 

 

 

 

 

Vamos descobrir Lisboa e a sua história! App para Android “Roteiro dos Descobrimentos”

Agosto 8, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação, Recursos educativos | Deixe um comentário
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texto do http://www.ie.ulisboa.pt/

Vamos descobrir Lisboa e a sua história! Já conheces a novíssima App para androide “Roteiro dos Descobrimentos”?

É uma criação do IEULisboa, em parceria com a FCULisboa, dedicada à exploração da cidade de Lisboa com base na temática dos Descobrimentos Portugueses.

São 8 itinerários possíveis, que decorrem em diferentes locais, monumentos e museus da cidade (Museu do Oriente, Aquário Vasco da Gama, Planetário Calouste Gulbenkian) e que abordam questões relacionadas com a cidade no período dos Descobrimentos, o encontro de culturas, a navegação pelas estrelas e a biodiversidade dos oceanos.

Esta App, quepode ser descarregada de forma gratuita através da Google Play store, é direcionada a crianças do 1º e do 2º ciclo e pode ser explorada em contexto escolar ou familiar.

App para androide “Roteiro dos Descobrimentos”

 

Infográfico: O que diz a UNESCO sobre o uso de tecnologias móveis em sala de aula

Julho 14, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Texto do site http://info.geekie.com.br/ de 28 de junho de 2017.

 

Marcela Lorenzoni

A UNESCO mapeou 12 benefícios do uso de tecnologias móveis na Educação – você sabe quais são? Acesse o infográfico gratuito ou leia as pesquisas na íntegra!

A lista de tecnologias móveis possíveis dentro da escola cresce conforme a criatividade, inovação e intencionalidade pedagógica do educador – desde os smartphones pessoais dos estudantes, até tablets ou games, cada device oferece certas vantagens na hora de ampliar a aprendizagem. Aqui no InfoGeekie, já contamos o caso do professor que usou o Facebook para trabalhar eventos históricos, do Twitter que virou ferramenta de debate em sala de aula e mesmo de jogos como o Minecraft e o Pokémon Go aplicados à sala de aula. Essas experiências viraram um ebook que você pode baixar aqui: as 8 ferramentas digitais mais populares em sala de aula.

Hoje, a UNESCO define como tecnologias móveis quaisquer dispositivos móveis, digitais, facilmente portáteis, com acesso à internet e recursos multimídia. Ela ainda aponta que o uso dessas tecnologias móveis está superando barreiras de acesso – como a conectividade, por exemplo, que caminha para se tornar universal – e finalmente atingindo um debate mais maduro quanto aos caminhos para enriquecer o processo educativo. A organização citou 12 benefícios do uso de tecnologias móveis na Educação, que você confere no infográfico abaixo:

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