Entre o encantamento e o pânico dos pais: crianças e jovens passam cada vez mais tempo “agarrados” a ecrãs

Fevereiro 16, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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texto do site http://tek.sapo.pt/ de 7 de fevereiro de 2017.

tek

Do televisor aos telemóveis, passando pelos tablets e computadores portáteis, as crianças e jovens portugueses passam cada vez mais tempo “agarrados” a ecrãs e meios eletrónicos. Estes são muitas vezes usados como baby-sitter ou para acalmar e distrair as crianças durante a refeição.

Em casa, mas também na escola e noutros espaços, é frequente vermos as crianças com a atenção dominada por um qualquer ecrã, que funciona quase como um íman que atrai a vista e capta o tempo dos mais novos. Encantamento de um lado, preocupação e até pânico do outro, ou seja, dos pais e educadores.

Entre televisão, internet e jogos, resta muitas vezes pouco tempo para outras atividades, principalmente o estudo e os desportos ou brincadeiras de socialização, um problema que já foi apontado múltiplas vezes por vários especialistas e pedopsiquiatras, e que se estende para a adolescência e a idade adulta. Mas nem tudo é negativo.

Um estudo realizado no ano passado pela Faculdade de Ciências Socias e Humanas para a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) traça um retrato fidedigno do ambiente de ecrãs em que vivem as crianças e jovens entre os 3 e os 8 anos de idade, o modo de acesso aos equipamentos e a forma como os pais orientam essa utilização.

O estudo “Crescendo entre Ecrãs: Usos de meios eletrónicos por crianças (3-8 anos)”, que deverá ser publicado em breve e ao qual o TeK teve acesso, partiu de um inquérito nacional realizado face a face em 656 lares, com questionários para pais e crianças, e ainda entrevistas e observação em casa de 20 famílias de diferentes perfis e com crianças utilizadoras da internet.

Em termos gerais, as conclusões não diferem da realidade com que nos deparamos habitualmente: todas as crianças veem televisão, metade joga jogos digitais e 38% usam a internet, uma contabilização que os autores do estudo usam para contrariar a imagem de ‘nativos digitais’ como condição atual de ser criança. “A utilização dos equipamentos é muitas vezes meramente instrumental e falta a componente social, com a gestão da comunicação e das frustrações”, explica ao TeK Cristina Ponte, uma das investigadoras da FCSH que liderou o estudo.

Novos cenários e enquadramento

Nos últimos dez anos muito mudou em termos de cenário tecnológico e de uso dos equipamentos e por isso a investigadora explica que era importante atualizar os números e a análise do uso de equipamentos eletrónicos por parte dos mais novos. “Mudou a paisagem de aparelhos eletrónicos que usamos. Hoje dominam os smartphones e os tablets, mas também mudaram as tecnologias e mercados, as redes sociais e todos os conteúdos que são mais visuais”, justifica.

Segundo o estudo, o telemóvel e o televisor são os ecrãs mais presentes nos lares, seguidos de tablets e portáteis, e cerca de metade das crianças que acede à internet tem o seu próprio tablet, concluindo-se que as que estão integradas em famílias com estatuto socioeconómico alto são as que acedem mais e usam mais a internet. Esta utilização é sobretudo lúdica, com domínio dos desenhos animados e filmes, jogos e músicas.

Os dados indicam que dois terços das crianças entre os 6 e 8 anos acedem à internet, o dobro do número registado no grupo dos 3 aos 5 anos.

Apesar da televisão ser mais dominante entre os ecrãs que captam a atenção dos mais novos, os pais mostram maiores preocupações em relação ao uso da internet, enquanto as questões com o consumo televisivo estão mais relacionadas com interdição de conteúdos violentes do que sobre o tempo gasto em frente ao televisor.

Das entrevistas e observação realizadas pela equipa em casa de 20 famílias, a ideia mantém-se: o contacto das crianças com a televisão é frequente e intenso, em espaços comuns e em televisores partilhados que muitas vezes monopolizam. A televisão está presente em ‘pano de fundo’ enquanto as crianças se ocupam com outras coisas e como baby-sitter. Este ecrã também é usado para distrair a criança, quando está a ser vestida ou alimentada, ou para ajudar a adormecer ou a acordar.

Também os tablets e smartphones são usados como “pacificadores” para acalmar ou distrair as crianças no momento da refeição, ou como moeda de troca por bom comportamento ou desempenho escolar. O estudo mostra que a maioria das crianças usa a internet numa base diária, sobretudo através de ecrãs portáteis e individualizados, com preferência pelo tablet.

E o que devem as famílias fazer? O estudo aponta ainda algumas recomendações dirigidas às famílias, mas também às escolas, empresas e comunidade, referindo que as famílias estão a aprender a lidar com uma tecnologia desafiante e que as estratégias devem ser sobretudo flexíveis, ajustando-se à idade, interesse e necessidade das crianças. “Estratégias restritivas resultam numa limitação do acesso a oportunidades, pelo que a mediação deve privilegiar a capacitação para a resolução de problemas e a resiliência”, refere-se.

 

 

Calmas a los niños con un celular o Tablet? Entérate del daño que les estás haciendo

Fevereiro 11, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto do site http://centralinformativa.tv/

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Use of Mobile Technology to Calm Upset ChildrenAssociations With Social-Emotional Development

Por Antonio Sánchez Melo

Quienes tienen la fortuna de ser padres, seguramente saben lo complicado y también desesperante que puede llegar a ser el tener que calmar a un niño cuando éste se encuentra enojado, llorando o haciendo berrinche. La mayoría no está seguro de lo que en realidad desean o simplemente no se toman el tiempo de averiguarlo y lo que más fácil se les hace es darles algo para que se entretengan y dejen ese comportamiento desquiciante.

Una golosina e incluso un juguete parecen ser buenas opciones, sin embargo, ¿qué pasa con aquellos padres que optan por prestarles el celular o la Tablet? Para aquellos padres que piensan que el darles un aparato electrónico es la solución, les tengo una simple sugerencia: ¡dejen de hacerlo inmediatamente!

Un grupo de investigadores han hecho un estudio sobre esta acción y han determinado que sin darse cuenta los padres están afectando gravemente el desarrollo de personalidad de sus hijos.

Ser padres nunca será fácil pero sería bueno practicar más la paternidad y estrechar lazos con ellos, no alejarlos con esas acciones que a la larga con su práctica podría causar un daño irreversible en ellos.

Desafortunadamente, cada vez son más los padres que recurren a esta ¨solución¨ cuando ya no saben qué hacer con la actitud de sus hijos. Fácilmente se rinden y no optan por la opción de tratar de tranquilizarlos, hablar con ellos o consolarlos, simplemente se inclinan por la ¨salida fácil¨. Sin embargo ignoran que este acto de rendición sólo traerá consecuencias que no están visualizando hoy.

JAMA Pediatrics reveló un estudio en donde se centraban en este tema, relata que lo más habitual para los papás es relajar/calmar a los pequeños usando el televisor, un celular, computadoras o tablets y todo se deduce a que en realidad tienen muy poco control sobre ellos y no saben de qué manera lidiar con el temperamento energético de éstos.

La doctora de la Universidad de Boston y autora de dicho estudio Jenny Radesky, reveló haber advertido muchas veces a los padres que esta acción está mal, porque además de truncar el desarrollo de la personalidad, también están afectando el desarrollo del lenguaje, ya que el niño pasa más tiempo jugando con aparatos que interactuando con personas.

Hay personas que contrastan esta versión diciendo que el uso de smartphones y tablets ayuda a los niños a hablar y mejorar su vocabulario, sin embargo, Radesky contratacó argumentando lo siguiente: ¨si estos dispositivos se convierten en un método habitual para calmar y distraer a los niños, ¿ellos serán capaces de desarrollar sus propios mecanismos de autorregulación?¨ definitivamente el querer ¨distraer¨ a los niños que se aburren o lloran con un aparato, les impide poder generar su propia forma personal de entretenimiento.

No obstante y pese a contradicciones, la doctora Radesky señaló que el abuso de estos dispositivos durante la infancia, podrían interferir con su desarrollo de la empatía, sus habilidades sociales y de resolver los problemas, que generalmente se obtienen de la exploración, los juegos no estructurados y la interacción con amigos.

Así podemos determinar que el dar un aparato electrónico a nuestros hijos para tranquilizarlos, definitivamente no es la mejor opción, el que se tranquilicen depende de ti y de sus capacidades. La mejor opción es tratar de calmarlos a través de las palabras, escucharlos y atenderlos, ya que estos a su vez mejorarán sus ansiedades y aprenderán a controlarse poco a poco. Tal vez tomará tiempo, pero ningún camino es fácil cuando realmente vale la pena.

Y tú, cómo calmas a tus hijos?

 

Menores de Edad y Conectividad Móvil en España: Tablets y Smartphones

Janeiro 13, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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menores

descarregar o estudo no link:

http://www.diainternetsegura.es/descargar_estudio.php

 

Qual é a idade certa para o seu filho ter telemóvel?

Dezembro 23, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da http://www.sabado.pt/ de 18 de dezembro de 2016.

sabado

Rita faz 9 anos em Dezembro e já há meses que pede aos pais um smartphone. É para jogar ao CatHotel (para cuidar de animais), ao Minecraft (de aventura e construção) ou para brincar com aplicações de música. Na turma tem dois colegas que já têm telemóvel, mas vai ter de esperar até ao décimo aniversário. “É para estar mais contactável”, justifica a mãe, Paula Santos, 44 anos. Regras: não vai ter Facebook, nem Instagram, e terá um número limitado de contactos. Em Portugal, 65 por cento das crianças têm o primeiro telemóvel entre os 10 e os 12 anos, concluiu em 2015 um estudo do FAQtos, projecto do Instituto Superior Técnico e do INOV Inesc (Instituto de Novas Tecnologias). Não existe a idade ideal, sublinha o pediatra Mário Cordeiro: “Depende da maturidade, necessidade, responsabilidade.”

ENTRE OS 9 E OS 12 ANOS

Regras do jogo

Durante os três meses de Verão, Gonçalo, de 8 anos (quase 9) ficou com o smartphone antigo da mãe – mas sem cartão SIM. Utilizava-o para jogar e ver vídeos do YouTube. Logo surgiram problemas: “Criou um perfil de Facebook. Soubemos por amigos nossos”, lembra a mãe, Célia Freitas, de 45 anos. Terá sido com a ajuda do irmão mais velho, de 16 anos, que o miúdo criou a conta que os pais cancelaram: “Contei-lhe histórias de adultos que se fingem de crianças e que podem fazer-lhe mal.” Depois, eram os jogos que viciavam: “Jogava durante duas e três horas. E ficava muito chateado e agressivo se era contrariado.”

Com o recomeçar das aulas, os pais guardaram o telemóvel e a excepção é o fim-de-semana, com vigilância. “No YouTube gosta de ver vídeos do Feromonas e outros que não são apropriados.” Célia mantém-no debaixo de olho e lembra-lhe que pode ver no histórico o que ele andou a fazer.

O pediatra Mário Cordeiro aconselha que adie este tipo de prenda: “Não se pode ter tudo já e as crianças têm de aprender isso.” Mas se for uma necessidade urgente, lembre-se de “limitar o saldo e barrar a Internet, para lá de limitar os contactos”.

ENTRE OS 12 E OS 15 ANOS

Atenção à Sangrenta

Se a primária estava a uns metros de distância, agora, no ciclo, João Pedro, de 12 anos, fica a cinco quilómetros de casa. Foi o que levou a mãe, Zélia Paciência, 48 anos, a dar um telemóvel ao filho no ano passado. O rapaz não utiliza muito chats, nem navega na internet, mas os jogos (como o Minecraft) começam a causar adição. “Na noite passada fui ao quarto dele e estava escondido debaixo dos lençóis, a jogar”, conta a mãe. O telemóvel passa a ficar fora do quarto. É uma boa estratégia, reforça a psicóloga de adolescentes Bárbara Ramos Dias – assim como proibir os aparelhos às refeições. Entretanto, é importante que os pais dêem descanso aos seus smartphones e mostrem como ler, jogar às damas ou cartas pode ser igualmente divertido.

E mais: cuidado com os grupos de mensagens entre os mais novos, continua a psicóloga. Há o chamado bullying virtual, mas não só: “Anda aí o vídeo da Maria Sangrenta, em que eles têm de enviar a mensagem 20 vezes ‘se não a tua mãe morre’. Os miúdos sentem-se completamente amedrontados.”

ENTRE OS 15 E OS 18 ANOS

Diálogo aberto

Muitos adolescentes chegam ao consultório de Bárbara Ramos Dias exaustos das maratonas ao telemóvel, a enviar mensagens e postar fotografias. “Ficam até às 2h, 3h, 4h da manhã”, conta. No caso de Ana Sofia, filha mais velha de Zélia Paciência, desde os 15 anos que passa os dias nisto: “Quando falamos com ela responde, mas é sempre com os dedinhos a mexer no telemóvel.” Instagram, WhatsApp, Snapchat, Facebook – as redes sociais e os grupos de partilha – ocupam-lhes o tempo, ficando os jogos para segundo plano. Com quem conversam e que informações partilham (dados pessoais, fotos) tornam-se as grandes preocupações. Evite bisbilhotar, “não invada a privacidade deles”, aconselha Bárbara Ramos Dias. E mantenha o diálogo aberto: “Se os pais acharem importante ver o que eles dizem nos chats, peçam para eles mostrarem.” Mário Cordeiro continua: “Não é controlar, no sentido ‘pidesco’ do termo, mas gerir a autonomia e ter uma palavra no percurso de vida dos filhos. Isso não é controlar, é amar.”

Artigo originalmente publicado na edição n.º650, de 13 de Outubro de 2016.

António Luís Valente Alerta pais e educadores para as virtudes e defeitos das novas tecnologias

Dezembro 5, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do site http://www.educare.pt/ a António Luís Valente no dia 21 de novembro de 2016.

educare

Em entrevista ao EDUCARE.PT, António Luís Valente alerta pais e educadores para as virtudes e defeitos das novas tecnologias. E confessa que se não tivesse sido professor teria sido engenheiro. “Tive sempre uma pré-disposição para pegar nas máquinas e usá-las para potenciar as minhas competências e obrigações profissionais.”

Andreia Lobo

Integrou as equipas de vários projetos europeus ligados à “sociedade da informação”, como o ZAP, eSchola, ValNet, CONET e SeguraNet. António Luís Valente é, desde 1997, investigador no Centro de Competência TIC, da Universidade do Minho. A entidade que liderou a primeira sondagem feita em Portugal sobre comportamentos seguros na Internet. Foi professor do 1.º ciclo e não esquece a surpresa que causou ao levar “tecnologia” para a sala de aula. “Comecei a usar computador – o meu próprio computador – com os alunos em 1990 e era visto como um ser extraterrestre. Foi isso que me levou a procurar sempre mais formação nesta área.” Fez pós-graduações, mestrado e doutoramento, sempre ligados às Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC).
Em entrevista ao EDUCARE.PT, António Luís Valente alerta pais e educadores para as virtudes e defeitos das novas tecnologias. E confessa que se não tivesse sido professor teria sido engenheiro. “Tive sempre uma pré-disposição para pegar nas máquinas e usá-las para potenciar as minhas competências e obrigações profissionais.”

EDUCARE.PT (E): O que ainda precisamos de mudar na forma como utilizamos a Internet?

As pessoas têm medo do que é estranho. Mas não conhecendo nada sobre Internet não têm receios, nem cautelas. É preciso perceber que a Internet não é diferente do resto da sociedade. Não é um mundo à parte. E, por ser menos conhecido, não é mais protegido. Há a sensação que somos todos peritos na Internet. E assim se negligenciam aspetos básicos de segurança.

A Internet é uma vertente do mundo em que nós vivemos. As virtudes e os defeitos são rigorosamente os mesmos e, em alguns casos, são ampliados pelo facto de as pessoas pensarem que estão a coberto do anonimato.

Mas não é fácil as pessoas perceberem que não sendo capazes de colocar o seu nome completo na porta da casa, colocam todos os dados na Internet. As pessoas têm de ter na Internet todos os cuidados que têm fora dela. Claro que há alguns cuidados acrescidos. Até porque existem muitas coisas na Internet que não existem na vida real, nomeadamente a rapidez.

E: É isso que temos de ensinar às crianças?
ALV:
Os adultos ensinam às crianças defesas pessoais preventivas. Por exemplo, a não falarem com estranhos, a não aceitarem gratuitamente qualquer coisa. Se sobre a Internet não ensinamos nada, eles acabam por investigar – a curiosidade é boa e deve ser incentivada – mas é preciso dar-lhes algumas pistas sobre o que pode ser arriscado ou não. Ensinar a criança a andar na Internet é como ensiná-la a andar na rua.

Há pais que não deixam os adolescentes saírem à noite. Ou se deixam marcam hora para o regresso a casa. Impõem regras porque consideram que andar na rua depois de uma determinada hora é perigoso. Mas na Internet não colocam esse tipo de balizas. Não ensinamos as crianças a distinguir os amigos dos conhecidos. No entanto, em nossa casa dizemos este é amigo, aquele é vizinho…

Muitas vezes, os pais argumentam que os filhos aprendem por si próprios e, por isso, não há problema. Mas se a criança chegar a casa com a cara esmurrada, vão ver o que aconteceu. Se a criança for agredida de qualquer forma num site, ou levada para sites que não são próprios para a sua idade, não há evidência visível que leve os educadores a aproximarem-se dela.

E: E aos adultos?
ALV: Há coisas que todos nós fazemos quando utilizamos a Internet que são uma completa negligência em termos de segurança pessoal. Subscrevemos serviços gratuitos e colocamos lá informação pessoal, com a maior das facilidades em troca de podermos ter uma caixa de correio eletrónica. Depois, colocamos lá toda a nossa informação, fotografias, vídeos pessoais, familiares e damos outros contactos para o caso de perdermos a password
e precisarmos de a recuperar. Expomo-nos na Internet como não fazemos na vida real. Hoje em dia quem é que preencheria um formulário completo, num hipermercado, com morada e contactos e gostos pessoais, com fotografia sua e da família?

As pessoas colocam a informação online com a maior das confianças e pior, muitas vezes, não sabendo onde ela está armazenada. Ou então pensam que sabem, dizem está “na nuvem”. Não saber onde alguma coisa está, do ponto de vista físico, é preocupante. Se nos esquecemos do local onde estacionamos o carro, mesmo tendo connosco a chave ficamos em pânico. No entanto, colocamos na “nuvem” documentos pessoais, trabalhos, teses.

Há dias uma pessoa contou-me que ia pondo automaticamente tudo na Internet e as passwords estavam gravadas no computador que avariou. A pessoa não sabia as passwords. É uma noção falsa de segurança pensar no computador como o fiel depositário das nossas informações. O conhecimento de como funciona a tecnologia, de quais são os riscos e como nos podemos precaver é fundamental.

Brinca com o telemóvel!

E: Qual é o problema de os pais colocarem, desde cedo, tablets e smartphones nas mãos das crianças?
ALV:
Há imensos trabalhos de investigação acerca dos efeitos da utilização de superfícies tácteis sobre o desenvolvimento neuronal. Ou seja, aquilo que nos permite perceber que uma fotografia não é um objeto, mas sim uma representação de um objeto. O mecanismo neuronal que produz essa identificação parece que é afetado pela utilização precoce de superfícies tácteis porque as crianças acham que estão a mexer num objeto tridimensional e não estão.

Por outro lado, os dispositivos eletrónicos não estão suficientemente testados, em alguns casos nada testados, do ponto de vista ergonómico e sobre as influências que terão. Sabe-se que a luz dos ecrãs tem influência sobre as pessoas epiléticas. Mas a aproximação à realidade do táctil e à eficácia do movimento não está estudada. O mesmo se aplica ao efeito das radiações: todos os
tablets ou telemóveis hoje em dia têm wi-fi, a maioria também tem bluetooth
.

Estamos apenas a falar da parte física que pode melhorar muito e rapidamente. Mas há outra parte do problema, que não se melhora assim tão rapidamente e diz respeito aos conteúdos. Ou seja, à utilização educativa ou para a aprendizagem do que está dentro desses dispositivos. Muitas vezes os conteúdos são de pouca ou nenhuma qualidade, resultam apenas da transposição do analógico para o digital, pura e simples.

E: O uso de tecnologias garante a aquisição das tão “proclamadas” competências digitais?
ALV:
A sociedade confunde as competências para o século XXI – para a era digital – com competências digitais. As competências do século XXI continuam a ser as do século anterior apenas se acrescentou a digital, que consiste na capacidade de vivermos, entendermos e comunicarmos neste mundo utilizando as tecnologias digitais. Mas para viver e comunicar neste mundo, precisamos antes de mais de saber comunicar e isso não tem a ver com as tecnologias.

Há estudos sobre níveis de literacia absolutamente denegridores. As competências sociais são importantes. A questão de saber como funcionam as amizades, como criamos amigos e nos defendemos dos falsos amigos. A competência de procurar emprego continua a ser necessária. Posso ser um informático com capacidade para usar qualquer dispositivo e ser uma pessoa inapta em termos de comunicação face a face.

E: Então, é errado pensar que ao dar tablets e smartphones às crianças estamos a ajudá-las a desenvolver essas competências?
ALV: Pensar que a exposição é equivalente ao desenvolvimento de competência digital é errado. Não é pelo facto de andar muitas vezes de carro que eu aprendo a conduzir. Claro, há um conjunto de familiaridades e de aprendizagens, ligadas à interação com as interfaces, que quanto mais cedo forem adquiridas mais se desenvolvem. Mas não passa disso. Se pensarmos que isso é suficiente ou essencial é errado, até pelo facto de essas interações mudarem. Recorde-se que no surgimento dos teclados algumas pessoas que sabiam datilografia não conseguiam teclar…

E: Ou seja, o que as crianças estão a aprender agora pode mudar?
ALV:
Muda de certeza absoluta. Hoje as interfaces são quase todas parecidas, independentemente dos sistemas operativos que utilizam. Mas as crianças estão a usar interfaces que vão mudar muito no futuro. Imagine que mudam fisicamente os ecrãs? Estamos habituados a ecrãs rígidos, mas se eles se tornarem enroláveis – tecnicamente já existe – há de haver alguma coisa diferente. Estou convencido que vamos ter ecrãs em materiais diferentes e isto vai implicar a alteração das interfaces. Dar a uma criança na primeira infância uma interface com o objetivo de ela se familiarizar é uma perda de tempo. E um desperdiçar de outras aprendizagens, como a de riscar, sentir as texturas, que ela precisava agora. No ecrã a textura é toda igual.

E: Há pais que caem no extremo de impedir que os filhos utilizem as tecnologias…
ALV: Os pais e os educadores precisam de estar informados e de refletir mais sobre estas questões. De uma maneira geral – e coloco-me neste plural – somos tentados pelas soluções mais rápidas. É mais fácil dar o telemóvel à criança e pô-la a ver o Ruca do que pegar nos blocos de construção e brincar um bocadinho. Os bebés e as crianças gostam dos objetos analógicos. Mas se nós não lhes dermos como é que os vão apreciar? Com os computadores e as tecnologias, damos pouca oportunidade aos objetos manipuláveis. Mas há muitos jogos com objetos físicos tridimensionais reais que os miúdos gostam de fazer. É preferível dar-lhes um boneco desmontável do que pôr-lhes um tablet
à frente.

Tecnologias e aprendizagem

E: Como se ensina melhor as crianças? Através do multimédia ou de um registo mais tradicional?
ALV:
A maioria dos professores de 1.º ciclo não utiliza quase nada de multimédia nas aulas. Mas entre os que utilizam, ainda não consegui ver nada que fosse redondamente convincente que os tornasse melhores professores do que os outros. O fundamental é um equilíbrio entre a competência profissional e os recursos à disposição. Se o aluno não se entusiasmar ou se não se interessar, não vai ter vontade de aprender. Se a vontade estiver apenas em quem quer ensinar não há hipótese de aprendizagem.

Conheço bem a realidade dos professores portugueses no 1.º ciclo. Têm bons resultados e continuam a ter uma utilização residual das tecnologias. Porquê? Por não estarem à vontade com as tecnologias e, muitas vezes, por não terem esses recursos. Por isso, valorizam os outros. Se tivessem algum acompanhamento para utilizar tecnologicamente os recursos disponíveis na sociedade, seriam ainda melhores professores. Garanto que sim! Aliás, é essa a minha luta.

E: Mas ao usar a tecnologia na sala de aula, o entusiasmo é garantido…
ALV:
Claro que, se lhes dermos essa hipótese, as crianças em idade escolar – sejam do 1.º ciclo ou mais tarde um bocado – vão escolher usar as tecnologias. Mas se pensarmos bem, o livro também é uma tecnologia!

Em termos de utilização pedagógica, no sentido de valorizar ou melhorar a aprendizagem, não sou exclusivamente defensor das novas tecnologias. As novas tecnologias utilizadas por um professor competente na sua utilização são mais eficazes que as outras tecnologias. Se o meu objetivo é desinquietar o aluno e motivá-lo, tenho muitos mais pontos por onde o “atacar” usando essas novas tecnologias. Se o professor for incompetente com as tecnologias mais vale estar quieto. Vejo professores a fazerem aulas com PowerPoint e passagens de vídeos e não vale a pena. É perder tempo.

E: Porquê?
ALV: É perder tempo porque se gera o efeito contrário. Os alunos podem desmotivar e criar um sentimento de aversão à tecnologia. Na Universidade, ouvimos muitas vezes os alunos perguntarem com fastio assim que nos veem ligar o computador: “Vai passar um PowerPoint?” Porque estão fartos. A nossa capacidade de ser críticos perante o que utilizamos como recurso educativo é muito importante. Se não for competente do ponto de vista tecnológico não vou conseguir ser crítico com as tecnologias que vou usar. De uma maneira geral, os professores precisam de conhecer melhor as suas potencialidades e fragilidades. Precisam de ter consciência que as tecnologias não facilitam a vida do professor, antes a complicam.

 

Jovens usam bastante os media, mas faltam-lhes competências mediáticas

Novembro 30, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.educare.pt/ de 14 de novembro de 2016.

Mais informações no estudo:

Níveis de literacia mediática: Estudo exploratório com jovens do 12º ano

educare

Andreia Lobo

Os jovens estão cada vez mais “conectados” aos media. Têm acesso à televisão, ao computador com Internet, ao telemóvel ou smartphone e estão “sempre” ou “muitas vezes” online. Mas são pouco críticos quanto à informação que lhes chega através dos media.

O mais recente estudo sobre literacia mediática, organizado pela Universidade do Minho, o Gabinete para os Meios de Comunicação Social e a Rede de Bibliotecas Escolares, pode preocupar pais e professores. “Há um conjunto de competências que os jovens precisam para o seu dia a dia que não estão desenvolvidas”, explica ao EDUCARE Sara Pereira, investigadora do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade e uma das autoras do estudo. Chama-se “Competências de Literacia Mediática”, e vem ao encontro de uma diretiva da Comissão Europeia de 2012 que alerta os Estados-membros para a necessidade de avaliar os níveis de conhecimento dos media dos cidadãos.

Em Portugal, a avaliação foi feita entre jovens do 12.º ano, com idades entre os 17 e os 18 anos, a frequentarem o ensino público no ano letivo de 2013/2014. Participaram 679 estudantes, de 46 escolas em todo o território nacional. Os dados foram recolhidos através de um questionário aplicado online com perguntas sob a forma de exercícios destinados a simular a tomada de decisões, bem como a aplicação de saberes. O objetivo: identificar o acesso e os usos dos media pelos jovens, os seus conhecimentos sobre este campo, mas também as capacidades de análise, interpretação e produção mediática.

“Sempre” conectados  Seria de esperar, “os jovens inquiridos demostram ser um grupo conectado aos media”, lê-se no estudo, já que 99% têm acesso a televisão, 98% têm acesso a um computador com Internet, a telemóveis e a smartphones. Outras percentagens relativamente elevadas surgem no acesso a rádio (73%) e a consola de jogos (63%). Os números mostram uma geração que raramente está “offline”. Apenas 6% dizem usar o computador de secretária ou portátil, sem ligação à Internet. Ou seja, a esmagadora maioria acede com frequência e facilidade ao mundo virtual. E também usa bastante as redes sociais, sobretudo para se manter em contacto: 93% dos inquiridos dizem usar “sempre” ou “muitas vezes” a Internet, 75% dizem que usam as redes sociais para conversar com o amigos e família “sempre” ou “muitas vezes”.

Em casa abundam os equipamentos eletrónicos. Cada estudante tem em média acesso a três televisores e a dois aparelhos de rádio, a dois telemóveis, dois smartphones e dois portáteis com Internet. Relativamente aos serviços de televisão contratualizados pelas famílias, 83% dos inquiridos têm em casa canais pagos. Quanto à Internet, 92% tem acesso sem fios em casa.

Questionados sobre a frequência com que utilizam os media, recebem mais as respostas “sempre” ou “muitas vezes” o computador (90%), a Internet (83%), a televisão (77%) e o smartphone (63%). No extremo do uso, “raramente” ou “nunca” estão essencialmente os media tradicionais, como é o caso dos jornais (57%), das revistas (49%), da rádio (46%) e do cinema (41%). As consolas estão também em desuso, 56% dos inquiridos usam-nas raramente, ou simplesmente não usam.

Estes números trazem boas notícias. “Atendendo aos índices de acesso e de uso dos media, à agilidade e ao à-vontade com que parecem usar as tecnologias disponíveis e os softwares adjacentes, podemos inferir bons níveis de literacia funcional”, escrevem Sara Pereira, Manuel Pinto e Pedro Moura, autores do estudo.

No entanto, ter mais acesso às tecnologias ou fazer mais uso delas não é sinónimo de ter mais competências nesta matéria. Por essa razão, os jovens estão a falhar naquilo que os investigadores designam por “literacia crítica”. Dito de outro modo, os inquiridos não são capazes de fazer uma análise ou uma compreensão crítica do que veem e leem na Internet.

Mas vamos por partes. No inquérito online, os investigadores perguntaram aos alunos se estavam familiarizados com o conceito de “publirreportagem”, um texto publicitário, portanto pago por uma marca ou entidade, publicado em forma de uma reportagem nos órgãos de comunicação. A resposta foi das mais erradas entre os estudantes com melhores pontuações no questionário.

Muito difícil foi também conseguir identificar a fonte de uma notícia. Pelo contrário, os jovens conseguiram facilmente sugerir quais os meios a usar, por exemplo, para divulgar uma campanha para a associação de estudantes.

Menos conhecedores das práticas do jornalismo, mais atentos à publicidade. Haverá alguma explicação? “A familiaridade pode ser uma boa pista para ler estes resultados”, argumentam os investigadores, pois “no segundo caso há um contacto próximo com a situação apresentada”.

Reconhecer um artigo de opinião ou um motor de busca não foi problema. Pior foi o momento em que os estudantes tiveram de expor as razões para a escolha de determinadas fontes bibliográficas, em detrimento de outras: 85% dos jovens não apresentam nenhuma justificação válida.

“O envolvimento dos alunos na produção e participação através dos meios não revelou grande sofisticação ou recorrência”, lê-se no estudo. O que andam os inquiridos a fazer na Internet? Coisas simples. Por exemplo, 43% disseram aos investigadores terem partilhado ou recomendado uma marca numa rede social ou comentado uma notícia, no último ano.

Nas “lojas” virtuais surgem cada vez mais ferramentas para criar podcast e vídeos, mas apenas 8% e 19% dos jovens se dedicam a este tipo de produção. No entanto, relativamente à criação de vídeos, “a complexidade técnica da produção apurada não foi particularmente elevada”, escrevem os investigadores. Apenas 37 alunos conseguiram detalhar quatro ou mais momentos da produção.

“A Internet é sobretudo usada como meio de comunicação e de interação com os outros”, constatam os investigadores. Ouvir música, conversar com os amigos e ver videoclipes, são as atividades que 86% e 85% dos jovens realizam na Internet “sempre” ou “muitas vezes”. Com a mesma frequência, 83% dos inquiridos fazem pesquisas, 64% downloads, 52% enviam emails, 31% jogam online.

Centremo-nos agora na televisão e nos programas preferidos dos jovens. Os filmes e as séries são os géneros mais vistos, por 78% e 77% dos inquiridos. Em segundo lugar aparece a informação: 61% dos jovens referem assistir “sempre” ou “muitas vezes” a programas deste género. Do outro lado da escala, na categoria vejo “raramente” ou “nunca” surgem os programas de entretenimento, como os talk shows (54%) e os reality shows (51%). Os programas de sociedade ocupam o terceiro lugar entre os menos vistos (47%). As telenovelas são vistas com pouca frequência por 48% dos inquiridos, ainda assim, 33% dizem ver “sempre” ou “muitas vezes”. O consumo deste género de programas está muito ligado ao “hábito familiar”, nota Sara Pereira, admitindo que o abandono “talvez esteja relacionado com um maior desenvolvimento crítico de gostar deste tipo de programas”.

De modo geral, as raparigas veem mais séries e filmes, telenovelas, concursos, reality shows, programas de música, de sociedade e de moda e de culinária do que os rapazes. Já os rapazes veem mais programas de desporto, de História e ciência do que as raparigas. Quanto aos canais que veem com mais frequência, a FOX, um canal por cabo de séries, e a TVI, um canal generalista de sinal aberto, ocupam as duas primeiras posições, com 41% e 37% das audiências entre os inquiridos.

Os canais públicos RTP1 e RTP2 são opção para apenas 11% e 5% dos inquiridos. No que concerne à imprensa, nomeadamente à leitura de jornais, “sobressai de imediato o pouco interesse que este meio suscita nos jovens”, escrevem os autores do estudo. Os jornais desportivos são os mais lidos, com 19% dos inquiridos a responderem que os leem “sempre” ou “muitas vezes”. Apenas 4% dizem ler “sempre” e 10% “muitas vezes” jornais diários.

O panorama da leitura de revistas é ligeiramente melhor, embora não muito diferente: 23% dos inquiridos leem “sempre” ou “muitas vezes” revistas femininas, 22% preferem as de moda e 22% leem as de informação ou atualidade.

mas pouco literados

Há muitas definições para o conceito de “literacia mediática”, mas é precisamente o que o estudo pretende medir. A Comissão Europeia (CE), atenta ao modo como os cidadãos utilizam os ambientes digitais, define-a como “a capacidade de aceder aos media, de compreender e avaliar de modo crítico os diferentes aspetos dos media e dos seus conteúdos e de criar comunicação em diversos contextos.” O objetivo da literacia mediática “é aumentar os conhecimentos das pessoas acerca das muitas formas de mensagens dos media que encontram no seu dia a dia”, lê-se na “Recomendação sobre Literacia Mediática” publicada pela CE em 2009.

Para traçar a radiografia das competências mediáticas, os investigadores construíram uma escala de 0 a 100 pontos, em que se avaliavam a preparação e o conhecimento dos jovens ao nível do acesso, análise, compreensão, avaliação e produção de meios e conteúdos mediáticos. Assumindo a classificação de 49,50% como o patamar mínimo para a positiva, os investigadores dividiram os estudantes em três grupos: nível 1, os que ficaram abaixo da média; nível 2, os que pontuaram entre a média e a positiva; e nível 3, os que alcançaram valores positivos. Segundo a escala elaborada para avaliar os níveis de literacia mediática, 52% dos inquiridos situam-se no nível 1 (baixo), 43% no nível 2 (intermédio), e 5% no nível 3 (bom).

As conclusões foram pouco animadoras. A média de literacia mediática de todos os inquiridos não foi além dos 29,01 valores. “É um resultado que não é de todo satisfatório. Tivemos pouquíssimos alunos com média positiva”, lamenta Sara Pereira, investigadora do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho. Dos 32 alunos com níveis positivos de literacia mediática, seis estudavam na Escola Secundária do Marco de Canaveses. Dado curioso que a equipa de investigadores gostaria de compreender melhor: “Perceber se na escola existe algum projeto ou algum tipo de clube que esteja a fazer a diferença…”

Voltando aos fracos resultados gerais, Sara Pereira esclarece que “têm a ver com a questão muito discutida de que não basta o acesso”. Entenda-se: “Os jovens usam, no seu quotidiano, de uma forma regular e frequente vários meios, mas tal não significa que tenham competências de uso, análise, compreensão e produção, que são as dimensões da literacia mediática.” Na Internet, os alunos portugueses mostram-se também mais consumidores do que produtores. O cenário inverte-se, garante a investigadora, “mas é preciso passar do acesso, para o desenvolvimento das competências que a grande maioria demonstra não ter.”

 

Neuropsicólogo Álvaro Bilbao: “Todas as crianças têm direito a ter pais imperfeitos”

Novembro 13, 2016 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do http://observador.pt/ a Álvaro Bilbao no dia 22 de outubro de 2016.

observador

Se quer controlar a birra dos seus filhos não perca a calma e lembre-se que a birra é um problema dele, não seu. Esta e mais umas quantas dicas do pai e neuropsicólogo Álvaro Bilbao.

Muitos pais, ainda antes dos filhos nascerem, já se preocuparam com a escola que os pequenos vão frequentar, com a alimentação que vão escolher para eles, com os limites e as cedências, com as birras e os castigos, mas Álvaro Bilbao tem um conselho muito simples para aliviar todas estas preocupações: desfrutem. Tirar partido do prazer de ser mãe ou pai, aceitar que não vai conseguir fazer tudo na perfeição (e ainda bem), manter o equilíbrio e evitar a tensão, são alguns dos conselhos para iniciar a jornada.

“Na minha perspetiva, educar é apenas apoiar a criança no seu desenvolvimento cerebral, para que algum dia esse cérebro lhe permita ser autónoma, atingir as suas metas e sentir-se bem consigo própria”, escreveu o neuropsicólogo num livro que pretende servir de guia aos pais para que ajudem os filhos a desenvolver o potencial intelectual e emocional.

Álvaro Bilbao tem feito trabalhos de investigação na área da psicologia e neurociência, tendo-se especializado em plasticidade cerebral, mas admite que, embora estude o cérebro há muitos anos, foram os três filhos que deram sentido a esse conhecimento e que o ajudaram a perceber melhor o cérebro das crianças. É este conhecimento acumulado que procura partilhar no livro “O cérebro da criança explicado aos pais”, editado em Portugal pela Planeta.

piramde

Os pais procuram fórmulas mágicas, querem soluções prontas a usar. Se um pai o abordasse com a pergunta: “O que é que eu tenho de fazer?”, que resposta lhe poderia dar?

Para ser um bom pai?

Sim.

Gostar muito dos seus filhos, demonstrar-lhes muito amor, jogar muito com eles, impor-lhes limites, dizer-lhes quando fizeram as coisas bem e, por último, ajudá-los a serem pacientes e a saberem esperar. Estas são as cinco coisas mais importantes. Se fizerem isto, já estão muito bem.

A pergunta agora é: como se faz isso?

Para isso temos cinco ferramentas muito importantes. A ferramenta da comunicação: ter uma comunicação positiva com os nossos filhos, uma comunicação que os ajude a colaborar – porque há comunicações que os ajudam a colaborar e outras que ajudam a que a criança não obedeça. A empatia, isto é, entender como se sente a criança, colocarmo-nos no seu lugar e dar palavras aos seus sentimentos. Muito importante é dar reforços [positivos] quando a criança está a fazer as coisas bem – não muito, mas com bastante frequência -, quando a criança faz as coisas melhor, quando supera uma dificuldade. Em quarto lugar: impor limites para que a criança não faça coisas que não queiramos que faça. E em quinto lugar: fazer com que a criança corrija as dificuldades e isto consegue-se sobretudo com normas, normas que a criança entenda que quando faz algo errado terá de retificar ou terá uma consequência. E se conseguirmos fazer tudo isto como um jogo, a criança vai entendê-lo muito melhor.

Com jogos?

Sim. Por exemplo, quando os meus filhos não querem tomar banho imponho-lhes um limite: eles sabem que vão acabar na banheira porque esse é o limite que eu coloco, mas posso levá-los para a banheira zangados ou posso levá-los com um jogo. Com um jogo muitas vezes aprendem melhor, têm menos tensão.

Os limites são uma das maiores dificuldades dos pais, porque as crianças estão sempre a testá-los. Qual a melhor forma para os pais fazerem valer esses limites? Com os jogos como estava a dizer? Primeiro é não ter medo das emoções das crianças. Não ter medo que a criança fique triste, não ter medo que fique zangado, não ter medo que faça uma birra. Em segundo lugar é preciso fazê-lo de uma forma tranquila, com confiança e explicando à criança que tem de fazer as coisas. E saber dizer que não.

Há muitos pais que têm medo de enfrentar os filhos, mas há que pensar que o pai ou a mãe têm trinta e tal anos, têm uma inteligência, têm uma altura e um peso, e a criança pesa 10 quilos, portanto temos de ter confiança. Se não tivermos confiança vai ser mais difícil. Às vezes podemos jogar, outras vezes podemos ficar sérios, outras vezes podemos simplesmente dizer que não, outras vezes podemos obrigar – obrigar com carinho, sem puxar a orelha. No final, isto implica que a criança não faça aquilo que não queremos e que faça aquilo que pedimos, que nos obedeça.

Todas essas soluções vão depender sempre dos pais e das crianças. Ou existe uma solução certa para cada situação?

Não. Não existe uma fórmula mágica como dizia, depende sim da habilidades dos pais, da intuição, da empatia – a capacidade de entender os filhos – e da habilidade que tenham para usar a empatia, a comunicação, o reforço, os limites e as alternativas aos castigos ou as normas.

Muitos pais dizem: “O meu filho não me ouve”. Mas quando falam com eles estão a olhar para o telemóvel e do alto. O importante é que os pais saibam que para falarem com os seus filhos se têm de baixar, têm de os olhar nos olhos e, preferencialmente, tocar-lhes – para terem a sua atenção. A criança tem de saber que estamos a falar a sério. Se peço à criança que se vista, mas estou na cozinha e ele está no quarto, e o digo de forma tranquila, ela pode não entender. Mas se vou ao quarto e digo: “Olha, vais vestir isto”, a criança vai entender melhor.

Não há uma fórmula mágica, mas muitas pequenas fórmulas mágicas que ajudam a que tudo seja mais fácil.

E podemos dizer “Não”?

É preciso dizer “Não” muitas vezes, desde que são bebés. Os pais têm muito medo da frustração das crianças. Os pais dos bebés acham que estes nunca podem ficar frustrados, mas é o contrário. A criança precisa de abraços e beijos, mas também é importante que em alguns momentos a criança saiba esperar, entenda que a mãe tem de ir tomar banho, entenda que não pode gatinhar em alguns sítios porque tem vidros ou porque está sujo, saiba que tem de ficar quieto quando a mãe lhe troca a fralda. E isto é importante, são os primeiros limites, e a partir daí vão aparecendo muitos outros limites na vida de criança e na vida de adulto.

O que pensa Álvaro Bilbao sobre…

 

Quando as crianças não respeitam os limites os pais ou lhes batem ou os colocam de castigo, mas sei que tem algumas propostas de alternativas aos castigos. Que alternativas são essas?

Em primeiro lugar, é reforçar [positivamente] a criança quando se porta bem. Uma criança que desobedece quando vai tomar banho, possivelmente é uma criança cujos pais nunca lhe disseram que estavam muito contentes quando foi para o banho. Em segundo lugar, é preciso reforçar também quando a criança faz as coisas um pouco melhor. Se todos os dias a criança se irrita muito para ir para o banho e um dia fica menos irritada, os pais podem dizer-lhe: “Hoje chateaste-te menos, assim está bem”.

Isso custa-nos muito entender, mas nunca devemos deixar de reforçar a uma criança que está a melhorar o seu comportamento. Sobretudo com as crianças mais difíceis o que funciona é reforçar os progressos. Uma criança que berra, que não está atenta nas aulas, nunca vai ter um comportamento perfeito de um dia para o outro, mas se o reforçarmos vai mudando.

Temos de arranjar uma forma de impor limites e de motivar a conduta da criança. E se mesmo assim a criança não obedece, temos de ver se o reforçamos pelo que fez de melhor ou se lhe aplicamos alguma consequência – mas que seja feita em forma de norma. A consequência mais natural é a reparação do que fez mal: se partiu um copo tem de apanhar os cacos, se uma criança bate noutra tem de pedir desculpas, e isto é mínimo. Quando fazemos isto, as crianças aprendem que os copos não se atiram para o chão e aprendem que não se bate às outras crianças. Mas se nos zangamos muito, se o castigamos e a criança não pede desculpa ou se pede desculpas só porque foi castigado, então a criança não aprende bem.

Uma das alturas difíceis e em que as crianças testam os limites é na hora de ir dormir. Existe uma hora certa para ir dormir? Como é que os pais podem pôr uma criança a dormir quando ela não quer?

Não creio que seja tão importante uma hora concreta no relógio como uma rotina: jantar, lavar os dentes, ler um conto, estar na cama, dar um beijo e dizer adeus. E então apagar a luz e acabou-se.

Mas às vezes é preciso ser muito compreensivo. Há alturas em que as crianças precisam dos pais, por exemplo, por volta dos cinco ou seis anos aparecem os terrores e os medos noturnos, como o medo do escuro ou dos monstros, nesses momentos pode ser importante estar com a criança. Noutros momentos as crianças só querem brincar e brincar e temos de dizer-lhes que não. Portanto é importante saber quando é ‘Sim’ e quando é ‘Não’, mas sempre com empatia, para que se sinta querido, mas conseguindo respeitar certos limites.

Se uma criança diz: “Mamã, tenho medo porque acho que está um monstro no armário” e se respondemos: “Cala-te e dorme”, não estamos a ser empáticos. Agora, se ele quer brincar, aí podemos pará-lo e dizer-lhe: “Não. Agora é hora de ir dormir”. Eu utilizo três regras muito simples: apagar a luz, não se pode falar e não se pode sair. Temos de ficar no quarto e se eles acenderem a luz apagamo-la, e se eles falarem dizemos: “Ssshhh! Calados”, e se se levantam da cama, voltamos a deitá-los.

Já falou muitas vezes da empatia. Como é que os pais podem ter um comportamento mais empático quando a criança está a fazer uma birra por causa de um chupa-chupa, por exemplo?

Quando uma criança faz uma birra é porque está a expressar uma frustração de um desejo e a criança não se consegue acalmar sozinha, o seu cérebro não tem a capacidade para se acalmar sozinha. Então podemos fazer coisas que não ajudam, como ficarmos zangados com a criança ou fazê-los sentir vergonha – dizendo que as pessoas estão a olhar ou que o irmão não faz as mesmas birras que ele -, mas isto só faz com que a birra seja cada vez maior.

As coisas que podemos fazer para ajudar: em primeiro lugar, usar a empatia, porque isso ajuda a acalmar o cérebro, a parte emocional; em segundo lugar, podemos ajudá-lo a ser flexível, pensar noutras coisas de que também gosta e coisas que pode fazer quando chegar a casa, e noutro dia pode escolher um prémio distinto se se portar bem; e em último lugar, se a criança quiser e estiver um pouco mais calma, podemos abraçá-lo.

Mas uma coisa que pode ajudar a muitos pais é que eles não têm de acalmar as birras dos seus filhos – é uma coisa tão natural como fazer xixi na fralda quando têm seis meses ou não conseguir falar quando têm um ano. Portanto, é normal. Podemos ajudar um pouco. Não ralharia com o meu filho se fizesse xixi na fralda com seis meses de vida – porque não tem sentido -, portanto também não vou ralhar com a criança que fica irritada. Mais, uma criança que faz uma birra está a passar por uma fase de falta de controlo e se também perdermos o controlo, não lhes vamos ensinar nada que lhes seja útil.

Falou em abraçar depois de uma birra. É bom para as crianças que os pais lhes deem abraços e colo depois de uma birra? Às vezes os pais também estão muito zangados.

Sim, porque quando a criança está com os pais e os abraça produz oxitocina, que faz com que a criança se sinta mais tranquila, que se sinta mais unida, mas também ajudamos a que a criança se acalme – quando está mais tranquilo tem a recompensa do abraço que o ajuda a sentir bem. Nesse sentido acho que é bom.

Não seria bom abraçá-lo quando está zangado, nem tão pouco comprar-lhe o que quer para que não fique assim, porque estaríamos a reforçar o estado zangado. Quando estiver calmo, estaremos a reforçar a calma.

Há uma situação que pode levar as crianças a terem comportamentos diferentes, como quando os pais estão separados ou quando passam muito tempo com os avós. As crianças lidam bem com isto, conseguem aprender facilmente os comportamentos que devem ter com cada um?

Sim. Aprendemos muito em função das pessoas e dos lugares. É mais fácil para uma criança aprender que em casa dos avós, com os avós, pode comer bolachas sempre que queira, e que na sua casa não é assim, do que entender que o pai um dia deixa comer e no outro dia não – isso é mais difícil de entender para as crianças. É muito bom que as crianças vivam diferentes realidades, conheçam pessoas diferentes, porque os faz adaptar melhor a situações distintas. As crianças que têm de se adaptar à casa dos avós, à casa do pai e à casa da mãe, adaptam-se melhor – é uma competência que se desenvolve por necessidade.

Além das birras, atualmente há outro problema que preocupa os pais, como o défice de atenção, mas no livro refere que existe um sobrediagnóstico dos problemas cognitivos das crianças.

Na nossa sociedade, 10% das crianças tomam medicação para o défice de atenção, mas somente 4%, no máximo, terão na realidade esse problema. Isto acontece porque os pais têm menos paciência com as crianças que não se portam bem, as escolas têm menos paciência com as crianças que não se portam bem, as crianças aprendem com os pais e com os professores a serem menos pacientes e, portanto, têm mais problemas de atenção. As escolas não querem crianças com tantos problemas e por isso pedem aos pais e professores que resolvam o problema e, com tudo isto, diagnostica-se mais e se dá-se mais medicação – o que não é bom.

E isto acontece em todos os países ocidentais. Em todos os que há estudos aparece esta tendência de diagnosticar mais do que o necessário. Estamos a medicar crianças que não precisam e isso não é bom para o cérebro.

Para não encher as crianças de medicamentos é importante que estas tenham bons hábitos de sono, que tenham uma alimentação saudável – sem corantes, conservantes e aditivos -, também é importante que façam exercício, que vão para a rua brincar depois da escola, em vez de irem para as atividades extracurriculares e que os ajudemos a ter paciência e autocontrolo. E, por último, que passem menos tempo com os telemóveis na mão.

Um capítulo dedicado às melhores aplicações para crianças antes dos seis anos que se resume a uma citação de Bill Gates e a uma nota de rodapé do autor: "Não encontrei nenhuma que seja útil"

Um capítulo dedicado às melhores aplicações para crianças antes dos seis anos que se resume a uma citação de Bill Gates e a uma nota de rodapé do autor: “Não encontrei nenhuma que seja útil”

Há pais que não têm tempo e que optam pelas tecnologias para entreter os filhos, mas há pais que ficam muito obcecados com todos os pormenores da educação da criança. Que conselhos daria a estes pais?

Todas as crianças têm direito a ter pais imperfeitos e a viver uma vida sem stress. Porque se um pai é perfeito e se faz tudo bem, então a criança vai sofrer de hiperexigência. Não há pais perfeitos. O melhor pai é o pai normal, que ensina ao filho as coisas boas, mas que também demonstra os seus defeitos, e que tenta ajudar o seu filho. Não podemos controlar tudo, e muito menos no que diz respeito aos filhos. Cada um fará o melhor que pode.

Texto de Vera Novais, fotografia de Hugo Amaral.

 

Os perigos do jogo Pokémon Go

Agosto 18, 2016 às 6:00 am | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Texto do http://pt.euronews.com de 21 de julho de 2016.

visualizar o vídeo da reportagem no link:

http://pt.euronews.com/2016/07/21/os-perigos-do-jogo-pokemon-go

go

 

O jogo Pokémon Go tornou-se num fenómeno de popularidade no mundo inteiro, mas, tem sido alvo de críticas por ser perigoso. Baseado na tecnologia do Google Maps, o jogo de realidade aumentada usa o sistema de geolocalização e a câmara do smartphone do utilizador. A missão do jogador é explorar o mundo real para apanhar os Pokémon. Mas, jogar com um smartphone na rua pode ser perigoso, como admitem os próprios jogadores.

“Estamos sempre a olhar para o smartphone, é preciso ter muito cuidado a atravessar a rua. Aconteceu-me uma ou duas vezes atravessar a rua sem ver”, explicou Deniz Petzold, jogador de Pokémon Go.

“Ficamos parados no meio da rua, devo admitir que é muito perigoso. Andamos na rua sempre a olhar para o smartphone, vemos os Pokemons a aparecer no mapa e queremos apanhá-los”, confessou Fabio Backhaus, outro jovem jogador de Pokémon Go.

Os jogos na Internet têm sido alvo de vários estudos. O psicólogo Dimitrios Tsivrikos afirma que há diferenças entre a realidade virtual e a realidade aumentada. Em cada uma delas, o jogador pode criar identidades distintas, o que pode ser problemático.

“Com a realidade aumentada, a pessoa está face a face com outros jogadores, e é levada a assumir uma personalidade diferente da que tem nas redes sociais. Ou seja, este jogo pode ser um problema para as pessoas que já tinham criado outra personalidade nas redes sociais”, disse o investigador do University College London.

Além das questões de identidade, o jogo já causou outros problemas. Nos Estados Unidos, um grupo de adolescentes assaltou vários jogadores de Pokémon Go. A estratégia passava por atrair os jogadores para locais isolados.

 

Sacar do telemóvel durante uma conversa, é como erguer uma parede entre duas pessoas

Julho 14, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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texto do site http://uptokids.pt/ de 27 de julho de 2016.

O estudo mencionado no texto é o seguinte:

The Social Origins of Sustained Attention in One-Year-Old Human Infants

uptokids

De acordo com um estudo realizado por psicólogos da Universidade de Indiana, EUA, crianças cujos pais passam muito tempo a olhar para o telemóvel, têm tendência a não desenvolver a sua atenção, tornando-se ao logo do tempo reduzida.

A pesquisa mostra que a atenção é totalmente afetada pela interação social. “Quando os pais/educadores estão constantemente distraídos, ou cujos olhos não olham para os filhos enquanto brincam, traduz-se um impacto negativo enorme na atenção dos bebés num estágio-chave do desenvolvimento”, disse o líder do estudo, Chen Yu.  “Os bebés e crianças aprendem através da observação:  como ter uma conversa, como ler expressões faciais de outras pessoas, etc. Não havendo contacto visual, as crianças perdem marcos importantes de desenvolvimento.”

Além disso, estudos mostram que as crianças se estão a tornar obcecadas  por tecnologia, devido aos exemplos das mães e pais, e isso está a começar a afetar a saúde mental e o desempenho escolar em geral.

“Há uma tendência alarmante para os pais ignorarem os filhos de todas as idades, dando mais atenção a seus telefones e tablets do que à componente social e comunicativa.”

Consequentemente, as crianças podem sentir que não estão a receber a atenção que precisam. “As crianças têm necessidade de atenção, de capacidade de resposta dos seus pais quando estão furiosos, tristes, frustradas ou felizes, e sentem que têm de competir pela atenção,  quase como se se tratasse de uma rivalidade entre irmãos. Só que o rival é um novo dispositivo eletrónico. Esta tendência, se não for controlada, pode levar a problemas psicológicos.

Uma campanha de sensibilização lançada pelo Center for Psychological Research, em Shenyang, pretende alertar sobre os efeitos e as causas do uso da tecnologia quando se está com os filhos. “Sacar do telemóvel durante uma conversa, é como erguer uma parede entre duas pessoas

uptokids2

Esta campanha foi amplamente direcionada para famílias com crianças pequenas, pois as crianças são quem mais se ressentirá a curto e longo prazo:

TEXTO RELACIONADO COM AS NOVAS TECNOLOGIAS, ONDE FICA O CONVÍVIO SOCIAL?

Competências Sociais

As crianças precisam de conversar diariamente com os seus pais e/ou família, para desenvolverem competências sociais. Aliás, as crianças precisam de ver os seus pais, irmãos, avós, etc, a comunicar. A conversar sobre o seu dia, sobre as questões da casa, a discutir uma noticia do jornal ou simplesmente a fazer brincadeiras e charadas. Tudo isto faz parte do processo social e dos hábitos que a criança irá herdar sobre interação social.

Auto-estima

As crianças que têm a atenção dos pais têm auto-estima mais elevada. Se respondermos com entusiasmo às suas tentativas de aprender e descobrir coisas novas, garantimos que vão continuar a tentar. As crianças precisam de ver aprovação nos nossos olhos. Precisam de ver pais felizes e orgulhosos pelos seus feitos. Porque quando agem mal parece que os pais têm cem olhos e que não perdem nada…

Segurança emocional

Dar às crianças a atenção positiva também fortalece a sua segurança emocional. Quando as crianças sabem que os pais lhes dão atenção, sentem-se mais seguras para tentar e falhar, porque sabem que têm o conforto e apoio que precisam. Sentem-se sempre acompanhadas para o que for preciso. Sabem que todas as “quedas” ou falhas serão aparadas pelos pais.

Desenvolvimento

Há uma relação direta entre o desenvolvimento do bebé e a quantidade de estímulos recebidos. Os estímulos, como olhar e conversar com um bebé, são fundamentais para um desenvolvimento saudável. Afinal os bebés aprendem a falar, a mover-se e deslocar-se, aprendem a estar, observando o comportamento e interagindo com os pais.

Prioridades

Não podemos cair no erro de trocar prioridades. Apesar de caber o mundo inteiro no telemóvel, a nossa vida é o nosso filho, à nossa frente. E ele precisa de saber que está SEMPRE primeiro que a tecnologia.

 

Metade dos adolescentes é viciada em smartphones

Maio 17, 2016 às 9:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança, Vídeos | Deixe um comentário
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texto do Observador de 3 de maio de 2016.

50% dos adolescentes são viciados nos smartphones e quase 60% dos pais confessam que os filhos são demasiado agarrados à tecnologia, segundo um estudo da Common Sense Media.

Metade dos adolescentes é viciada nos smartphones e quase 60% dos pais confessam que os filhos são demasiados agarrados à tecnologia, segundo um estudo da Common Sense Media. O estudo foi feito com base em mais de 1.200 pais e jovens para tentar perceber o nível de dependência dos telemóveis numa família e como os aparelhos influenciam as relações entre pais e filhos.

Cerca de dois terços dos pais consideram que os filhos gastam demasiado tempo com os telemóveis, e mais de metade dos filhos concorda com esse dado, enquanto 56% dos pais confessaram usar o telemóvel enquanto conduzem. O trabalho indica que 72% dos jovens sentem necessidade de responder imediatamente a mensagens ou a notificações vindas de um smartphone.

No que toca às relações familiares, 85% dos pais sente que o uso dos telefones não influenciou as relações que têm com os filhos, sendo que 89% dos filhos sentem o mesmo.

 

 

 

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