Espiar os filhos ou confiar neles?

Março 6, 2015 às 2:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://lifestyle.publico.pt  de 12 de fevereiro de 2015.

Público

Por AFP

Pais norte-americanos têm à mão cada vez mais dispositivos que permitem localizar os mais novos.

Podem não ter os recursos da Agência de Segurança Nacional (NSA) mas os pais norte-americanos usam de todos os meios para vigiar os seus filhos. Sobretudo desde que há cada vez mais tecnologia que os permite fazê-lo.

Há relógios, pulseiras, para não falar dos telemóveis, que permitem a geolocalização, por exemplo, dos adolescentes, para confirmar se estão a dormir (conforme combinado com os pais), se numa festa (a que pediram para ir mas não tiveram autorização). No entanto, a geolocalização não é usada só para este fim. Por exemplo, há pais que têm medo que os seus filhos sejam raptados por isso põem-nos a usar uma pulseira com tecnologia que lhes permite saber sempre onde os miúdos, sobretudo os mais pequenos, se encontram.

No caso dos adolescentes, que já não acham tanta graça ao uso de uma pulseira ou de um relogia, existem dispositivos de monitorização que fazem parte integrante dos telemóveis ou podem ser instalados sem que os jovens o saibam. Estes dispositivos permitem ter acesso às mensagens trocadas, fotos tiradas ou às pesquisas feitas na Internet. Os pais podem ainda receber um alerta nos seus telemóveis sempre que os filhos saem de casa.

“Os pais querem manter o controlo da situação, é uma maneira de se sentirem bem”, justifica o professor de criminologia Sameer Hinduja, co-director do Centro Americano para a Pesquisa sobre o Cyberbullying.

Não é que Sameer Hinduja concorde com o uso destes dispositivos, mas defende que sejam usados quando os pais não têm confiança nos filhos.

Contudo, não há um consenso sobre este tema. Para Robert Lowery, responsável pelo Centro Nacional Americano para as Crianças desaparecidas e maltratadas (NCME), antes da vigilância está a educação dos filhos. “Esse tipo de comportamento [dos pais] é chocante”, diz, recusando a ideia de as crianças e adolescentes andarem com um chip para que os pais saibam sempre onde eles param.

Em vez de usar as novas tecnologias, por muito boas que sejam as intenções, Lowery sugere que os pais eduquem os filhos e os ensinem a ser responsáveis, a andar na rua sempre acompanhados ou a saber o que fazer em caso de perigo. “Como gritar ou evitar que alguém o rapte. Se alguém quiser levar uma criança, não são as novas tecnologias que o vão impedir”, conclui.

 

 

 


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