Escola é onde as crianças mais brincam Rua é o sítio onde menos brincam – Entrevista de Ana Lourenço do IAC na TVI

Maio 2, 2019 às 12:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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A Drª Ana Lourenço do Sector da Actividade Lúdica do Instituto de Apoio à Criança, foi entrevistada hoje na TVI – Diário da Manhã.

Crianças de escola de Famalicão estudam de manhã e brincam à tarde

Abril 23, 2019 às 6:00 am | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Notícia da Sábado de 14 de março de 2019.

Componente letiva inicia-se pelas 08:30 e termina pelas 13:30, “para deixar espaço para a brincadeira”, explica o município.

As crianças da escola do 1.º ciclo de Requião, em Vila Nova de Famalicão, trabalham de manhã e brincam à tarde, num projeto educativo implementado este ano letivo e cujo balanço “é positivo”, anunciou esta quinta-feira o município.

Em comunicado, o município refere que componente letiva se inicia pelas 08:30 e termina pelas 13:30, “para deixar espaço para a brincadeira”.

“A tarde fica reservada para as atividades de enriquecimento curricular (AEC) e para a sala de estudo ministrada pelas professoras, com salvaguarda do inglês para os 3.º e 4.º anos que, sendo de tarde, integra a componente letiva”, acrescenta.

Segundo o município, a alteração do horário foi implementada este ano letivo depois de comunidade educativa, direção da escola, junta de freguesia e associação de pais, com o apoio da Câmara, terem sentido a necessidade de criar um “projeto diferenciador” naquele contexto específico, proporcionando às crianças novos estímulos.

“Para já o balanço é positivo, com as crianças mais motivadas, professores e encarregados de educação satisfeitos e com a comunidade mais interligada com o processo educativo”, refere ainda o comunicado.

Assim, as manhãs na escola de Requião são de estudo e as tardes “de muita brincadeira”, com atividades geridas pelos pais.

As atividades selecionadas são a dança, o teatro, o andebol, as artes e o inglês para os 1.º e 2.º anos.

“Os parceiros e as atividades extracurriculares são escolhidos pela comunidade, procurando garantir variedade e qualidade no processo”, lê-se no comunicado.

O projeto educativo da Escola de Requião vai receber esta sexta-feira a visita do presidente da Câmara de Famalicão, Paulo Cunha, no âmbito do roteiro da inovação.

Estudo da UTAD lança fortes críticas à qualidade dos recintos escolares

Outubro 9, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.utad.pt de 25 de setembro de 2017.

“O jardim-escola já não é jardim e os recreios das escolas têm sido transformados em pátios inertes e acéticos, qual presídio”, alerta um investigador da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), no âmbito de um estudo desta universidade muito crítico da orgânica e qualidade dos recintos escolares em Portugal.

Frederico Meireles, arquiteto paisagista e diretor do mestrado em Arquitetura Paisagista da UTAD, considera que “os recintos escolares não são providos de espaço suficiente, nem tão pouco de diversidade de elementos”, para além de que “os ambientes de brincadeira e de estudo estão mais próximos e contidos do que nunca e a variedade de estímulos no ambiente natural está a ser substituída por outros, de natureza digital, limitando as oportunidades para a atividade física”.

O estudo da UTAD sobre planeamento do recreio escolar, que teve a colaboração do Instituto da Criança, concluiu que as escolas apresentam índices baixos de espaços verdes por criança, têm uma elevada exposição solar durante o período quente e uma quase total inexistência de elementos que promovam o conforto bioclimático no recreio. Concluiu também que “os elementos construídos são insatisfatórios quanto ao desempenho no desenvolvimento das capacidades e competências da criança, revelando insuficiências notórias, quer quanto ao número de equipamentos, quer face às necessidades dos utilizadores, o que, no final, se traduz numa baixa capacidade de fomentar o desenvolvimento de novas atividades e brincadeiras”.

Lembrando a recente decisão do governo em aumentar os tempos de intervalo no primeiro ciclo, Frederico Meireles assinala também o paradoxo de “os programas escolares negligenciarem repetidamente as atividades letivas no exterior, preferindo um controlo sobre a criatividade”. Aliás, observa o investigador, “os próprios projetos de requalificação das escolas vêm descurando a importância do espaço exterior na educação social, estética e ecológica”. Num estudo anterior da UTAD, uma avaliação aos espaços exteriores de 20 escolas secundárias intervencionadas pelo Programa Parque Escolar, concluiu que “a área total de recreio nas escolas secundárias nacionais é muito reduzida, apresentando um deficit de cerca de 80% inferior ao cenário ideal”.

Para mais informação contatar:

Rosa Rebelo | Assessoria de Comunicação | UTAD

Telm: 932 148 809 | rorebelo@utad.pt

 

 

“Crianças que brincam mais no recreio também aprendem mais na sala de aula” entrevista a Carlos Neto

Julho 18, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.tvi24.iol.pt/ de 5 de julho de 2017.

Patrícia Pires

Esta é uma excelente notícia por parte do Ministério da Éducação”. É desta forma que Carlos Neto, investigador Faculdade de Motricidade Humana, reage à notícia de que os alunos do 1.º Ciclo vão ter menos duas horas e meia de aulas por semana, ou seja, mais tempo para brincar no recreio.

Este investigador, que há muito defende a importância de brincar para as crianças, considera que este tempo pode permitir “mais atividade física e socialização, num recreio mais desafiante, mas também para terem mais prazer de estar na escola”. Até porque, lembrou durante a entrevista que deu na TVI24, “no 1º ciclo os currículos são extensos e intensos e as crianças estão muitas horas nas salas de aulas”.

Apesar desta novidade implicar uma “reorganização do horário diário”, Carlos Neto acredita que “isso não é uma dificuldade na maior parte dos casos”.

Mas o investigador lembra agora que “é preciso saber como se vai usar esse tempo”. “Um recreio tem de ser desafiante, as crianças têm de ter coisas interessantes para fazer”.

E há coisas essenciais. Apostar no que elas gostam:

“O jogo social, a atividade física, o jogo do faz de conta”. Ou seja, “necessitamos de ter recreios com mais qualidade de estimulação.”

E é por isso que Carlos Neto defende “um modelo de requalificação de espaços de recreio” e, na sua opinião, a tarefa “podia ficar a cargo das Câmaras Municipais”.

Dar tempo para brincar, mas “um tempo de qualidade, que tenha materiais, que tenha espaços adequados, que tenha risco, autonomia suficiente… para que elas possam fazer brincadeiras que tenham a ver com o seu nível de desenvolvimento”.

E para que não fiquem dúvidas quanto ao real valor da brincadeira, Carlos Neto ressalva:

“As crianças que mais brincam no recreio e que mais socialização fazem, também aprendem mais na sala de aula. Ou seja, este tempo maior no recreio pode ter uma contribuição fundamental nas aprendizagens escolares.”

O investigador vai longe e diz que “a dicotomia sala de aula/recreio devia acabar. As escolas deviam assumir que o recreio faz parte da sala de aulas e do processo de aprendizagem”.

Mas não só. O brincar é ainda mais e pode determinar como seremos no futuro. Carlos Neto lembra que “nos últimos 20 anos desapareceram dos recreios quatro ações fundamentais para o desenvolvimento das crianças: pendurar, balançar o corpo, trepar e saltar”.

“Tiraram as árvores – normalizaram os espaços -, tiraram o material solto, não há hortas, não há areia, não há terra”, explica o investigador. “Falta o risco”, lamenta. Em seguida, lembra que este tempo extra pode ter mais aspetos positivos como, por exemplo, “combater o sedentarismo e uma certa iliteracia físico-motora”.

Considerando que estamos numa época de férias escolares, que nem sempre coincidem com as férias familiares, Carlos Neto defende que esta é “uma boa altura para fazer experiencias diferentes, coisas malucas, pouco habituais. Por exemplo, andar de bicicleta, subir montanhas, nadar no rio, ir para a praia”.

Ou seja, coisas diferentes da rotina habitual e como “o tempo de férias ficam para sempre na memória”, o investigador diz que é preciso ter isso em mente quando se escolhem Atividades de Tempos Livres para ocupar os mais novos ou colónias de férias. “O contato com a natureza é essencial”.

visualizar a entrevista a Carlos Neto no link:

http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/escola/criancas-que-brincam-mais-no-recreio-tambem-aprendem-mais-na-sala-de-aula

 

Brincar é a forma mais natural de aprender

Agosto 5, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do http://www.educare.pt/ de 8 de julho de 2016.

educare

As crianças passam pouco tempo no recreio da escola. Brincar é um momento que perde fôlego à medida que os anos avançam no sistema de ensino. Mas as brincadeiras são importantes. Testam limites, confirmam capacidades, desenvolvem a autoconfiança e a autoestima. E ajudam a combater o insucesso escolar.

Sara R. Oliveira

Brincar. Brincar. Brincar. Dentro e fora da sala? Apenas nos primeiros níveis de ensino? Brincar para aprender? Brincar na escola? Brincar em casa? Brincar para conhecer os outros? Brincar para perceber-se a si? Brincar tem prazo de validade? Brincar tem tempo contado? Aida Figueiredo, investigadora do Departamento de Educação da Universidade de Aveiro, autora do primeiro estudo nacional sobre a interação das crianças com os espaços exteriores das creches e jardins de infância, analisou atentamente o assunto e concluiu que os mais pequenos passam 10,8% do tempo no recreio. E pouco desse tempo é dedicado ao jogo livre. “Quando falamos com educadores, professores e pais, eles afirmam e reiteram a importância do brincar como estratégia de aprendizagem e desenvolvimento das crianças. Contudo, as suas práticas, na maioria das situações, não vão ao encontro destes testemunhos”, adianta ao EDUCARE.PT.

Há, portanto, um longo caminho a percorrer. À medida que os anos passam, brincar perde estatuto no sistema de ensino. “As pressões para o sucesso académico, independentemente da faixa etária, são de mais evidentes. Nas idades mais precoces, pré-escolar e até mesmo na creche, há uma tendência para a escolarização, sendo frequente a manifestação de intenções para a aprendizagem precoce de conteúdos académicos e alguma ansiedade por parte dos pais para uma entrada precoce na escola, tendo por base a ideia ‘quanto mais cedo melhor’”, observa a investigadora. Depois do pré-escolar, os programas extensos e o ensino expositivo, sublinha, “não facilitam a integração do brincar como estratégia de aprendizagem e desenvolvimento, sendo este remetido para o espaço/tempo de recreio com características muito limitadas, ou seja, espaços estéreis e duração de aproximadamente 30 minutos”.

Brincar implica interação da criança com o espaço e com o tempo. E permissão de um adulto que pode dizer sim ou não. Aida Figueiredo defende que o tempo dedicado ao brincar e o espaço e a atitude do adulto devem promover diferentes oportunidades como correr, saltar, trepar, escorregar, balancear. A possibilidade de explorar, de construir e reconstruir o espaço mediante os interesses da criança, “de brincar ao faz-de-conta, de ter espaços de intimidade e de poder escolher com quem brincar, sozinho ou em grupo, são igualmente importantes”. Até porque brincar é um alicerce essencial da cultura humana. É dar liberdade à criança para exprimir o que lhe vai na alma. É testar limites, confirmar capacidades, desenvolver a autoconfiança e a autoestima. “Contudo, atualmente, a ocupação do tempo livre da criança é, na maioria das vezes, regulada por atividades organizadas (não livres) e estruturadas pelo adulto, claramente com finalidades pedagógicas e de desenvolvimento de competências académicas”. “Os responsáveis pela ocupação do tempo/espaço da criança esquecem-se que o brincar é a melhor forma, e a mais natural, de as crianças aprenderem”, afirma.

Brincar traz benefícios imediatos em diferentes domínios. “Considerando o aspeto socioemocional, a criança quando brinca expressa sentimentos e emoções como afeto, medo e agressividade e, em muitas situações, aprende a lidar com a frustração. Quando brinca com os pares, a partilha, a negociação, o estar em grupo, a liderança e a resolução de conflitos são uma realidade constante”. No domínio cognitivo, os benefícios são igualmente diversificados na autonomia, livre iniciativa, criatividade, imaginação e resolução de problemas. “Já no domínio motor e na saúde, o brincar pode promover o aumento da mobilidade, do movimento e da atividade física, contrariando a tendência para a obesidade e outras doenças associadas”, refere a investigadora, que acrescenta que o brincar permite “o desenvolvimento holístico das crianças com níveis elevados de bem-estar emocional”.

Brincar também é desafio e risco. É experimentar novas emoções. É aprender para a vida. “Estas vivências experienciadas durante o brincar permitem, ao longo da vida, uma maior flexibilidade para lidar com situações mais complexas e desafiantes, ficando menos vulneráveis a problemas de ansiedade.” Quando o assunto é brincar, Aida Figueiredo avisa que é preciso parar para pensar. Pensar no que se pretende para os mais novos. “Temos de permitir que as crianças sejam crianças. Penso que é inevitável um questionamento, individual e coletivo, por parte dos agentes educativos – pais, educadores, professores, escolas superiores de educação, universidades e responsáveis políticos pela educação -, sobre que cidadão se pretende para o futuro – reprodutor ou crítico e empreendedor – e se o que estamos a fazer atualmente permite alcançar o que desejamos”.

“O recreio é um direito”

Há uma frase que se perpetua. Que entra na cabeça e que não sai. “A sala de aula não é para brincadeiras.” Brincar é no recreio. “No entanto, a atividade lúdica como metodologia de trabalho, em sala de aula, é muito valorizada. Não são os professores que não entendem”, refere ao EDUCARE.PT Maria José Araújo, doutorada em Ciências da Educação, professora na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto. E não é por estar ou não na escola que os mais pequenos precisam de tempo para brincar. “A criança precisa de tempo para brincar porque é criança.” Há tempo para tudo. Tempo para estudar. Tempo para atividades escolares. Tempo livre. Tempo para brincar. E todos os tempos devem ser respeitados.

“Os adultos só têm que respeitar os direitos das crianças e criar condições para que elas possam exercer esse direito.” “Aliás, é obrigatório criar condições para que a criança vá à escola e é igualmente obrigatório criar condições para que as crianças brinquem. Está bem explícito na Declaração dos Direitos da Criança”, lembra. A questão é que as crianças passam muito tempo na escola e quando acabam as aulas ficam a fazer atividades ou a estudar. Ficam no mesmo ambiente, quase sempre espaços fechados. “De uma maneira geral, fazem atividades que são, maioritariamente, programadas numa lógica escolar: mesma metodologia, mesma intenção, mesmo objetivo, não deixando muito espaço de intervenção e exploração para a criança.”

É essencial respeitar as brincadeiras no recreio da escola. Há professores que castigam as crianças que não fazem os deveres, impedem-nas de ir ao recreio porque sabem que elas valorizam esse momento. Castigam para obrigar a fazer os trabalhos de casa. “Mas, na verdade, isso é perverso e é um erro, pois é castigar as crianças com o conhecimento que elas deviam valorizar. E é injusto porque são quase sempre os mesmos a serem castigados”, afirma Maria José Araújo. Um castigo contraproducente, na sua opinião, que merecia um estudo aprofundado.

“É importante que se explique que o recreio é um direito e é uma necessidade. É um espaço de sociabilidade fundamental para as crianças e os jovens.” Os adultos sabem o significado de um intervalo para café. Sabem que não é só para descansar. “Para as crianças e jovens é fundamental porque, de uma maneira geral, é no recreio da escola que eles conversam, brincam e criam novas brincadeiras e amizades. Cantam, fazem jogos, dançam, trocam informações, aprendem a cooperar e a estar uns com os outros, etc. Esta forma de se divertirem no recreio é fundamental para consolidar e recriar as suas culturas. É ainda fundamental para desenvolver a criatividade.” Não se trata de ir ao recreio recuperar energia. É mais do que isso. “É fundamental para cooperar com o seu grupo de pares, estabelecer redes e contactos, brincar e criar novos jogos e assim aprender. Na verdade, as crianças, enquanto atores sociais, sabem bem o significado do recreio e das brincadeiras de recreio. Basta perguntar-lhes.”

As crianças querem brincar, mas são os adultos que gerem os tempos. “A intensa atividade que se esconde por detrás do brincar não é percetível para muitos adultos. E como são os adultos que organizam a vida das crianças, fazem-no em função das suas lógicas de adulto.” O que fazer? Cumprir os direitos da criança. Acabar com as desculpas. Criar condições de prazer e de bem-estar. Maria José Araújo garante que brincar é fundamental para aprender a cooperar, a concentrar, e é o primeiro passo para combater o insucesso escolar. “As crianças que brincam têm mais sucesso escolar e está comprovado cientificamente.”

Amizade e tolerância
Para Adelina Pereira, professora reformada, distinguida com o Prémio de Mérito Liderança do Ministério da Educação em 2011, o pré-escolar valoriza e incentiva a brincadeira através de atividades que despertam para o quotidiano e desenvolvem a imaginação. “No 1.º ciclo, o ensino não privilegia o brincar nas aulas, mas há uma preocupação que a aprendizagem dos conteúdos seja realizada de uma forma mais lúdica, sendo mais atrativa para os alunos com o apoio de jogos relacionados com as diferentes temáticas, bem como a utilização de computadores e quadros interativos na execução das várias tarefas”, refere.

O tempo de brincar é importante. As brincadeiras despertam descobertas, a escola promove a socialização, facilita o encontro e a descoberta do outro. Brincar é um caminho para a partilha de valores. “Brincar deve ser um estímulo à criatividade e à imaginação com o uso de novas linguagens que ajudam as crianças a pensar. Uma vez que o mundo infantil está, de certa forma, entre a fantasia e a realidade, as brincadeiras permitem-lhes ‘fantasiar a realidade’ de uma forma criativa. É a brincar e a jogar que a criança aprende a comunicar, a relacionar-se com os outros e a adquirir um sentimento de pertença em relação ao grupo de amigos”, diz. O brincar deve ser, sempre que possível, em grupo, na sala ou no recreio, com atividades de lazer. E a escola pode oferecer equipamentos que ajudem a realizar tarefas divertidas.

“O brincar deve promover relações de convívio, de amizade e de tolerância. Deve incentivar a aceitação do outro como um ser diferente mas igual na sua realização pessoal.” Os atores educativos sabem que brincar é importante. No pré-escolar, há tempo para isso. Depois, o cenário altera-se. É preciso cumprir programas, ter bons resultados, a vertente lúdica acaba por ficar em último plano. “Os pais, atentos, querem que os seus filhos sejam os melhores e numa perspetiva de lhes dar uma educação mais abrangente, arranjam-lhes atividades que lhes ocupam o pouco tempo que lhes resta da escola e dos trabalhos de casa. Assim, os alunos do 1.º ciclo e seguintes aproveitam, por vezes, a sala de aula para brincar, demonstrando alguma dificuldade em se concentrarem nas temáticas propostas”, repara.

Adelina Pereira defende que a brincadeira deve ser estimulada dentro e fora da sala no pré-escolar. Atividades ao ar livre, em contacto com a natureza, deixar que os mais pequenos criem as suas próprias brincadeiras. “Passado este nível de descoberta, de adaptação, de socialização e de muita brincadeira, as crianças deviam entrar no 1.º ano com alguma maturidade para poderem compreender o mecanismo da escrita, da leitura e da matemática. Para isso, era necessário que as nossas crianças entrassem neste nível de ensino com 7 anos. Assim, a transição seria mais serena e haveria, sem dúvida, tempo para uma aprendizagem mais lúdica e aprazível”. “Uma criança com 6 anos e, às vezes, 5 a fazer 6, dali a três meses, não está ainda preparada para perceber os conceitos abstratos da leitura e da matemática. Começa aí o insucesso e o desinteresse pela escola e esta não vai largar a criança, dando-lhe mais aulas de recuperação, mais trabalhos de casa e lá se vai o tempo da brincadeira”, conclui.

 

 

Crianças presas em espaços fechados não aprendem nem crescem

Julho 7, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo do Observador publicado no dia 21 de junho de 2016.

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OBS Lab

Quanto mais protegemos as crianças mais as aprisionamos. De tal maneira que muitas acabam por passar menos tempo ao ar livre do que os detidos em estabelecimentos prisionais. A mudança é urgente.

E se lhe dissessem que 70% das crianças portuguesas passam menos tempo ao ar livre por dia do que os 60 minutos recomendados para os detidos em prisões? Provavelmente não acreditaria, mas é verdade. A conclusão é de um estudo levado a cabo pela marca Skip no nosso país e vem reforçar as convicções de vários especialistas, segundo os quais é necessário fazer algo para mudar a situação com urgência. Preocupada com o desenvolvimento infantil a marca publicou nas últimas semanas um vídeo online que alerta justamente para esta questão.

Uma das vozes que mais se tem feito ouvir nesta matéria é a de Carlos Neto, professor catedrático e investigador da Faculdade de Motricidade Humana (FMH). Nas suas palavras, esta tendência de manter as crianças em espaços fechados “retira-lhes a possibilidade de poderem viver uma infância feliz, por não experienciarem situações corporais que são próprias da idade e fundamentais na formação da sua personalidade e identidade”.

O Professor revela que “são crianças muito protegidas e aprisionadas corporalmente quanto a possibilidades de confronto com o espaço físico exterior”, lembrando ainda que esta não é uma situação exclusiva de Portugal: “Verifica-se de forma generalizada por todo o mundo e tem vindo a assumir dimensões muito preocupantes na perspetiva dos direitos e da saúde das crianças.”

Pandemia do controlo

Mas como é que se chegou a este ponto? Carlos Neto não hesita em apontar o dedo àquilo que designa por “pandemia do controlo adulto das experiências de movimento na infância” ou “terrorismo do não”. As consequências são as que se adivinham e o professor, a trabalhar com crianças há mais de quatro décadas, enumera-as: “Promove uma pobreza de cultura motora, criando condições para que se instale uma iliteracia física, prejudicial ao desenvolvimento de estilos de vida saudável nestas idades e ao longo da vida.”

alteraçõesEmbora admita a importância do estabelecimento de regras na educação dos mais novos, realça que “os pais atuais têm uma preocupação excessiva, e por vezes obsessiva, em não permitir que os filhos corram riscos em situações de movimento ou de atividade física”. O problema é que, ao impedirem o confronto com o risco físico, estão a “contribuir para um aumento do sedentarismo e analfabetismo motor na infância”. Sublinha ainda que “aprender a mover o corpo em liberdade e sem constrangimentos é uma necessidade crucial para o desenvolvimento motor, cognitivo, emocional e social da criança”.

Desaparecimento da rua

Questionado sobre o contexto que levou pais e educadores a aprisionarem as suas próprias crianças, o professor elenca diversos motivos. Entre eles, o “desaparecimento da rua enquanto local de jogo”, muito por via da crescente urbanização das cidades, aumento do tráfego automóvel e ausência de políticas públicas dirigidas ao bem-estar na infância. Ao mesmo tempo, assiste-se ao “excessivo alarmismo dos órgãos de comunicação social sobre os perigos a que as crianças estão sujeitas”, levando à redução da permissão dada pelos pais para que se desloquem sozinhas.

O que os pais não sabem – ou facilmente esquecem – é que esta via da proteção excessiva está longe de ser benéfica para os filhos: “Brincar é ganhar confiança em si próprio e é também o melhor caminho para evitar o acidente, ou seja, quanto mais risco mais segurança.”

Ainda assim, o fundador e antigo presidente da Sociedade Internacional para Estudos da Criança não tem dúvidas em afirmar que “hoje temos melhores pais, melhores famílias, melhores crianças e melhor sociedade do que há anos atrás. O que está em causa é o aparecimento de novos problemas associados à educação das crianças do nosso tempo que podem estar a colocar em perigo a sua identidade, autonomia e necessidades básicas de desenvolvimento biológico e cultural”, alerta.

Mudanças precisam-se

Para inverter a situação são necessárias mudanças urgentes. Entre elas, Carlos Neto destaca “mais políticas públicas dirigidas à infância” e também “mais coragem política” na adoção de modelos que permitam conciliar melhor o trabalho dos pais com a escola e a família.

Na sua perspetiva, “a angústia da gestão do tempo dos filhos instalou-se na vida quotidiana dos pais, tornando-se um dos fenómenos mais intrigantes do nosso século”. Como resultado, os mais novos estão a ser vítimas daquilo que designa como um “inconsistente modelo de organização da vida social”. Pais cansados e em stress por excesso de horas de trabalho, por um lado, e crianças com agendas excessivas de tempo escolar e extraescolar, por outro, não permitem pensar na existência de tempo disponível para uma relação equilibrada e saudável do tempo para brincar entre pais e filhos”, afirma. E acrescenta mesmo que “de forma paradoxal, no nosso tempo passeiam-se mais os cães do que as crianças”.

Defende que “as cidades devem ser amigas das crianças e desenvolver projetos adequados às suas necessidades de desenvolvimento”. Para tal, considera que é necessária uma “nova cultura governamental das cidades e do seu planeamento”, contribuindo para a qualidade de vida das populações. Algo que já está “em grande desenvolvimento em muitas cidades do mundo”, nomeadamente nos países escandinavos, sublinha.

5Mais presos, menos atentos

Comparar o tempo de recreio dos detidos em estabelecimentos prisionais com o tempo de recreio escolar é, para Carlos Neto, uma “forma inteligente de demonstrar o que está a acontecer na infância atual”. Apoiado em diversos estudos sobre o assunto, lembra que está demonstrado que “crianças ativas no recreio são aquelas que aprendem melhor dentro da sala de aula”, revelando mais capacidade de atenção e concentração. Por esse motivo, entende que “necessitamos de valorizar o tempo de intervalo escolar no projeto educativo das escolas públicas e privadas” e os “recreios devem ser estruturados de forma a ser aliciantes para as crianças”.

Lamenta que o tempo de recreio escolar seja uma espécie de “terra de ninguém”, acabando por ser “pouco valorizado pelos adultos”. “É caso para dizer que as crianças aprendem muito no recreio e deveriam brincar mais dentro da sala de aula”, sintetiza, explicando que “cerca de 90% dos reclusos presos por homicídio foram privados de brincadeira na sua infância”.

Este artigo foi desenvolvido ao abrigo da parceria entre o Observador e a SKIP.

 

 

Crianças ativas no recreio aprendem mais

Março 17, 2016 às 2:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Em entrevista exclusiva à Gazeta do Povo, o professor Carlos Neto fala sobre como o recreio pode ser um meio para melhorar os resultados dos alunos.

A importância de uma boa experiência no intervalo das aulas – seja em escolas públicas ou privadas – ainda é subestimada, diz o professor catedrático da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa, o português Carlos Neto. Nesse caso, a realidade portuguesa equivale à brasileira, onde o recreio, espremido em parcos 20 minutos, serviria apenas a interesses disciplinares ou de horários de professores, sem dar conta da necessidade da criança de realizar jogos físicos e de socializar. “O intervalo torna-se uma terra de ninguém, algo pouco valorizado por adultos por ser visto como atividade improdutiva”, diz.
Em entrevista exclusiva à Gazeta do Povo, o professor fala sobre como deveriam ser os recreios e como as aulas podem ser mais estimulantes e atingir melhores resultados.

GP: Como os alunos enxergam hoje o recreio?
Carlos Neto: Para muitos ele é o último reduto de brincadeiras livres. Porém, ele deveria ser valorizado e estruturado de forma a ser envolvente quer quanto às qualidades de estimulação dos espaços físicos (superfícies, espaços naturais, equipamentos lúdicos, brinquedos) quer quanto ao seu tempo de duração.

GP: Qual a importância desse intervalo para as crianças?
Carlos Neto: Crianças ativas no recreio aprendem melhor em sala de aula. Quem apresenta um jogo de atividade física moderada e mais socialização no intervalo têm mais capacidade de atenção e concentração nas aprendizagens escolares consideradas úteis. Muitos estudos demonstram uma forte relação entre atividade física e lúdica e rendimento escolar. Crianças fisicamente ativas têm cérebros mais ativos e aprendem com mais sucesso as linguagens abstratas. Isso implica revisão e mudança no modelo organizativo do cotidiano da vida das crianças em sala.

GP: E como ele deveria ser?
Carlos Neto: Deveria ser desafiante, permitindo brincadeiras livres sem supervisão exagerada dos adultos (proibição da margem de risco e de atividades de exploração dos espaços existentes), permitindo que as crianças realizem atividades próprias da idade: jogos de corrida, luta e perseguição, ações de trepar, de equilíbrio e vertigem, jogos com bola, jogos tradicionais e simbólicos e de dramatização, e relação com elementos naturais (água, areia, terra, plantas). Estas atividades deveriam enquadrar-se de forma coerente com o projeto educativo da escola.

GP: A agenda das crianças está cheia?
Carlos Neto: As crianças têm hoje uma agenda completamente estruturada em atividades organizadas e na maior parte com caraterísticas sedentárias. Os currículos escolares são cada vez mais extensos e intensos e as crianças passam a maior parte do tempo sentadas. Muitas ficam até 8 horas por dia na escola e ainda frequentam escolas paralelas com atividades extracurriculares. O tempo cotidiano de vida infantil é, deste modo, todo organizado, estruturado e formatado. Este é um problema sério para o normal desenvolvimento das crianças do nosso tempo.

GP: Porque isto ocorre?
Carlos Neto: Os pais são obrigados a “depositar” os filhos na escola durante muitas horas por dia para que esse tempo seja compatível com os seus horários de trabalho. São urgentes políticas públicas e harmonização entre o tempo de trabalho, o tempo escolar e o tempo em família. Muitos países do centro e norte da Europa elaboraram mudanças políticas para fornecer mais qualidade de vida às famílias e mais tempo para os pais brincarem com os seus filhos.

GP: Como seria a aula “ideal” para crianças ativas?
Carlos Neto: Diversas escolas de todo o mundo tentam mudar o paradigma clássico de pedagogia para modelos mais dinâmicos de ensino-aprendizagem, que permitam que as crianças sejam mais ativas dentro de sala. Muitas evidências científicas demonstram que a alternância regular entre estar sentado e ativo melhora a capacidade de aprendizagem e rendimento escolar.

GP: Como isso se daria na prática?
Carlos Neto: A valorização do corpo em movimento dentro da sala de aula passa pela introdução de pausas para atividades de escuta (meditação e respiração) e exercícios de mobilização do corpo (jogo de atividade física). Elas não precisam estar sempre sentadas (inativas) durante a aula e mudar mesas e cadeiras pode fazer com que os saberes possam ser trabalhados e assimilados com mais prazer, mais motivação intrínseca e mais participação em grupo.

GP: Quais os benefícios de aprender com o corpo em ação na sala de aula?
Carlos Neto: Isso permite encontrar várias soluções pedagógicas que serão muito mais gratificantes na infância e permitirão mais sucesso acadêmico. Será necessária uma redefinição dos modelos de uma pedagogia ativa e centrada nas necessidades das crianças e uma nova postura dos professores quanto à definição do projeto educativo da sua escola.

Crianças ativas no recreio aprendem melhor em sala de aula. Quem apresenta um jogo de atividade física moderada e mais socialização no intervalo têm mais capacidade de atenção e concentração nas aprendizagens escolares consideradas úteis.
O recreio deveria ser desafiante, permitindo brincadeiras livres sem supervisão exagerada dos adultos (proibição da margem de risco e de atividades de exploração dos espaços existentes), permitindo que as crianças realizem atividades próprias da idade: jogos de corrida, luta e perseguição, ações de trepar, de equilíbrio e vertigem, jogos com bola, jogos tradicionais e simbólicos e de dramatização, e relação com elementos naturais (água, areia, terra, plantas).
A valorização do corpo em movimento dentro da sala de aula passa pela introdução de pausas para atividades de escuta (meditação e respiração) e exercícios de mobilização do corpo (jogo de atividade física). Elas não precisam estar sempre sentadas.

Gazeta do Povo, 19 de Fevereiro de 2016

Jornadas – À Roda da Brincadeira

Dezembro 12, 2011 às 9:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Mais informações Aqui

V Encontro do CIED – Escola e Comunidade

Novembro 11, 2011 às 9:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A Drª Maria João Malho (Técnica do CEDI do IAC – Centro de estudos, Documentação e Informação Sobre a Criança do Instituto de Apoio à Criança) irá apresentar a comunicação “RECREIO: o espaço eleito para brincar” na sala 302 no dia 19 de Novembro entre as 10h45 e as 12h15.  O Fórum sobre os Direitos das Crianças e dos Jovens de que o Instituto de Apoio à Criança é uma das instituições criadoras vai apresentar o poster “Fórum sobre os Direitos das Crianças : uma possibilidade de cidadania activa”  no dia 18 de novembro de 2011 entre as 19h00-20h00.

Apresentação

A quinta edição do Encontro do Centro Interdisciplinar de Estudos Educacionais – CIED pretende debater a educação no sentido amplo, como forma de intervenção social e comunitária, em múltiplos contextos, com diversas expressões e actores.

A partir de uma análise reflexiva e prospectiva, pretende-se aprofundar o debate em torno de questões fundamentais da educação.

O Encontro destina-se a professores, educadores, técnicos de intervenção social e comunitária, dirigentes associativos, estudantes de pós-graduação e cidadãos interessados nos desafios da educação.

O programa do Encontro desenvolve-se em 2 sessões plenárias, cujos debates serão suscitados pelas intervenções de oradores/as convidados/as, e por sessões abertas à apresentação de comunicações.
 

Objectivos:

– Promover apresentação de trabalhos científicos no âmbito educativo, estimulando o debate sobre as questões actuais que afectam os múltiplos contextos de educação;

– Estimular a formação de parcerias científicas entre Investigadores e Educadores;

– Promover o debate sobre práticas suportadas em evidências empíricas.

 Áreas temáticas:

1. Intervenção em Contextos de Risco

2.Inovação e colaboração em Contextos Sociais e Educativos

3.Educação dos 0 aos 12 anos

4.Educação para a Cidadania 

Mais informações Aqui

 

Encontro de Técnicos de GAAF subordinado ao tema “Janela Lúdica: Estratégias de intervenção em contexto pátio”

Maio 2, 2011 às 2:09 pm | Publicado em Divulgação, O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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No dia 3 de Maio de 2011, realiza-se a 2ª sessão do Encontro de Técnicos de GAAF, na Escola EB 2,3 Dr. Armando Lizardo e na Escola Secundária de Coruche, das10h00 às 17h00 (6 horas). Este Encontro insere-se no Projecto TEIP: “RUMOS DE MUDANÇA” – Acção n.º 11 – Mediação Escolar / GAAF do Agrupamento de Escolas de Coruche e é organizado em articulação com o SOS-Criança / Mediação Escolar do IAC (Instituto de Apoio à Criança) e a Câmara Municipal de Coruche (CMC). Com o tema Janela Lúdica: Estratégias de intervenção em contexto pátio, o Encontro é dirigido a todos os Coordenadores e Técnicos de Gabinetes de Apoio ao Aluno e à Família – GAAF e outros responsáveis e técnicos de estruturas similares.

PROGRAMA

FICHA DE INSCRIÇÂO


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