Dar um smartphone a seu filho é “como lhe dar drogas”, diz especialista em vícios

Janeiro 19, 2020 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do site A Grande Arte de 14 de novembro de 2020.

Adaptação do site Family Life Goals

Metade dos adolescentes no mundo são viciados em smartphones, e 84% desses adolescentes disseram que não podem passar um dia sem checar seus telefones.

As crianças são mais maleáveis ​​que os adultos, estando nessa fase da vida em que seus cérebros ainda estão se desenvolvendo rapidamente. Maus hábitos podem facilmente se tornar características neste momento. Hoje, milhões de pessoas no mundo são viciadas em smartphones. Se você calcular a quantidade de tempo gasto checando seus sites favoritos e contas de mídia social, ficará em choque.

O vício em smartphones não é uma farsa psicológica. É real e quase tão ruim quanto o vício em drogas. Embora possa não ter riscos imediatos para a saúde (excluindo problemas oculares da visualização excessiva da tela), é mais difícil superar, porque os smartphones não são considerados perigosos. Todo viciado em drogas sabe que está prejudicando seus corpos e mentes. Poucos teriam essas substâncias nas mãos ou nas mesas 24 horas por dia. Os smartphones, por outro lado, nunca saem do nosso lado e, por servirem a muitos propósitos em nossas atividades diárias, os efeitos colaterais geralmente são subestimados.

Você não está ajudando seus filhos com esses smartphones
Se os adultos podem ser seriamente afetados pelo uso excessivo de smartphones, é assustador imaginar o efeito que eles têm sobre as crianças. Um terapeuta do Reino Unido comparou essa técnica de distração a dar medicamentos ao seu filho. De qualquer maneira, eles se tornarão viciados e, se você tentar cortar o suprimento deles, eles entrarão em uma retirada agitada. O especialista em clínica de reabilitação, Mandy Saligari, apresentou essa teoria. Ela explica que os pais estão cometendo erros graves, ignorando o vício em smartphones para se concentrar apenas em drogas e álcool. Biologicamente, todos esses itens funcionam nos mesmos impulsos cerebrais.

“Eu sempre digo às pessoas que, quando você dá a seu filho um tablet ou telefone, está realmente dando uma garrafa de vinho ou um grama de cocaína” , disse ela ao Independent. “Você realmente vai deixá-los bater neles por conta própria a portas fechadas?”

Salgari dirige a Clínica Harley Street Charter, em Londres, e disse que dois terços de seus pacientes são jovens entre 16 e 20 anos que estão sendo tratados por uso excessivo de smartphones. Uma de suas pesquisas concluiu que um terço das crianças britânicas entre 12 e 15 anos de idade admitiu não ter um bom equilíbrio entre o tempo de exibição e outras atividades. Eles gastam muito tempo em seus telefones para se envolver em outras coisas, como esportes, música e jogos de tabuleiro.

Por que os pais dão smartphones aos filhos?

Geralmente é uma técnica de distração, mas em alguns casos, os pais estão convencidos de que o uso precoce de smartphones tornará seus filhos mais inteligentes . Quando crianças entre dois e cinco anos recebem smartphones para controlar suas birras e mantê-las distraídas, elas certamente se acostumarão com esses dispositivos e se tornarão dependentes deles por diversão. Retirar seus tablets ou telefones pode causar sintomas semelhantes à retirada de narcóticos.

Um estudo realizado pela Universidade Estadual de San Diego descobriu que os smartphones afetam a saúde mental e o bem-estar emocional de crianças entre dois e 17 anos. Eles passam tanto tempo jogando, assistindo a vídeos, acessando conteúdo inapropriado para a idade e enviando mensagens de texto incessantemente. que eles se tornem conectados a viver em um mundo virtual. As crianças que são viciadas em tecnologia digital geralmente têm dificuldade em controlar suas emoções ou se comportar no mundo real.

Além disso, os pais fazem parte do ciclo de influência negativa. As crianças tendem naturalmente a copiar os pais e a fazer exatamente o que vêem os adultos fazerem. É por isso que os pais são aconselhados a restringir o que seus filhos estão assistindo na televisão. Usar o smartphone a maior parte do dia na frente do seu filho faria com que ele aceitasse esse hábito como perfeitamente normal. Como seus pais estão fazendo isso, deve ser o caminho certo para viver a vida.

Como esse vício afeta seus filhos?
Fisiologicamente, o vício em smartphones pode ter sérias conseqüências no cérebro. Esses sintomas podem não se manifestar fisicamente, mas geralmente afetam o bem-estar psicológico de uma pessoa. Um estudo de 2012 realizado pela Academia Chinesa de Ciências descobriu que as pessoas diagnosticadas com transtorno de dependência da Internet têm anormalidades físicas no cérebro. Eles tinham anormalidades na integridade da substância branca em certas regiões do cérebro que controlam a tomada de decisões, o controle emocional e a atenção. É por isso que as pessoas que são viciadas em seus telefones geralmente apresentam um desempenho ruim nessas áreas.

Esse vício faz com que as crianças se tornem anti-sociais. Imagine uma festa de aniversário para crianças de cinco anos, onde todos estão ocupados jogando videogame em seus telefones. O vício em smartphones também leva a um fraco desempenho acadêmico. Obviamente, as crianças que passam tanto tempo em seus telefones não encontrarão tempo para seus estudos. Eles também desempenham mal em esportes, teatro e outras atividades extracurriculares.

Essas crianças geralmente enfrentam depressão, frustração, exaustão, solidão e, em casos extremos, alucinações. Alguns dos jogos e conteúdos que eles acessam podem conter tanta violência, palavrões e nudez que a mente jovem de seu filho não consegue lidar. Eles podem ficar violentos, doentes e agitados se os dispositivos forem levados com força,

Não vamos esquecer a visão deles. Algumas crianças usam muita luz durante o tempo de tela e isso pode ofuscar ativamente a visão e causar graves dores de cabeça, e “ nenhum protetor de tela fará qualquer diferença real ” , de acordo com o oftalmologista, Dr. Christopher Starr.

Como ajudar seu filho a superar esse vício

  1. Vá à velha escola

As crianças raramente se reúnem no quintal da frente para brincar de esconde-esconde, amarelinha, cantar músicas ou até teatro. Todo mundo está ocupado jogando Legos em seus tablets em vez de usar blocos físicos. Por que brincar de queimada quando há Temple Run? Por que jogar xadrez com seus colegas de classe quando você pode jogar contra o computador? Todo mundo ficou digital.

Lentamente, introduza esses equipamentos de jogos “antigos” em sua casa. Colabore com outros pais para que seus filhos possam se reunir para experimentá-los. Jogar cartas com seus filhos é uma ótima maneira de tirá-los dos dispositivos, porque eles adorariam passar um tempo com você. Lenta e constantemente, você os desmarca usando esses dispositivos excessivamente. As crianças pequenas não devem nem mesmo usar o smartphone, embora possam usar os tablets para crianças em horários definidos do dia.

  1. Fale com eles

Não tenha medo de perturbá-los ou aterrorizá-los. Eles descobrirão de uma maneira ou de outra que esses dispositivos são prejudiciais. Gentilmente, sente com seu filho e diga-lhe como o vício em smartphones pode torná-lo incapaz de se relacionar com as pessoas na vida real. Incentive-os a sair com outras crianças e jogar jogos físicos.

  1. Lidere pelo exemplo

Como pai, você também deve restringir o uso de celulares. Seu filho não deve organizar Legos ou jogar scrabble enquanto você assiste vídeos altos no Instagram. Tente limitar o tempo da tela porque você não está isento do dano mental que ele causa. Ensine seu filho fazendo a mesma coisa.

  1. Horários da tela

Deve haver horários para o uso de smartphones e gadgets digitais em sua casa. As crianças pequenas devem ter permissão para acessar algumas horas por dia em seus tablets ou videogames. As crianças mais velhas devem ter cerca de três horas em seus smartphones. Seja o pai, entre em contato com esses dispositivos e libere-os apenas em horários determinados.

Depois de algum tempo, você começará a observar que seu filho entrou em uma rotina diferente e muito mais saudável, podendo ficar sentado tranquilamente ao lado de um celular por horas tocá-lo. Mudar o hábito é vantajoso para as duas partes, pais e filhos!

Madrid proíbe uso de telemóvel nas salas de aulas já no próximo ano letivo

Janeiro 3, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 26 de dezembro de 2019.

A medida vai afetar cerca de 800 mil estudantes do ensino não universitário de 1700 escolas da Comunidade de Madrid, que segue o exemplo dos governos regionais de Galiza e Castela-Mancha.

A partir do próximo ano letivo é proibido o uso de telemóveis nas salas de aula de 1700 escolas públicas da Comunidade de Madrid. Cerca de 800 mil estudantes do ensino não universitário vão ser afetados, escreve o El Mundo. A medida vai ser obrigatória nos “períodos escolares”, exceto quando os telemóveis são utilizados com fins educativos ou em casos de alunos que precisam do aparelho “por razões de saúde ou incapacidade”.

“Esta é uma medida que visa melhorar os resultados académicos dos estudantes, especialmente aqueles que têm grandes problemas com o estudo, e está também focada no combate ao cyberbullying e bullying, justifica um porta-voz do Ministério da Educação, citado pelo jornal.Se os alunos não cumprirem com a medida estipulada pelo governo regional de Madrid, cabe ao professor ou à direção decidir qual a ação corretiva a aplicar, que pode contemplar a apreensão temporária do telemóvel.

Até agora, as escolas publicas em Madrid tinham autonomia para decidir sobre o uso de telemóveis nas salas de aula.

Depois de Galiza e Castela-Mancha, Madrid passa a ser o terceiro governo regional espanhol a proibir o uso de telemóvel nas salas de aulas.

As escolas, acrescenta o El Mundo, podem limitar adicionalmente o uso dos aparelhos em outros espaços da escola, como no recreio.

França já proíbe

Em França, a medida já está a ser colocada em prática desde o ano passado. A “interdição efetiva” foi aprovada a 7 de junho de 2018 na Assembleia Nacional e abrange o ensino básico e secundário. De acordo com o Ministério da Educação francês, trata-se de “medida de desintoxicação” para combater a distração nas salas de aulas e o bullying.

A lei que entrou em vigor no ano letivo 2018-2019 permite que as escolas públicas francesas tomem a decisão sobre como querem aplicar a proibição, podendo numa versão mais simples implicar que os telemóveis são colocados em bolsas específicas dentro das mochilas para permitir o acesso em caso de emergência ou para uso pedagógico, nas aulas. Mas há também a versão mais extrema, de os proibir totalmente na escola, sob pena de sanções.

E em Portugal? “A escola não o pode proibir”

E se as crianças portugueses fossem proibidas de levar telemóveis para as salas de aulas? Professores, pais e psicólogos, ouvidos pelo DN, consideram completamente desajustado proibir o uso dos aparelhos nas escolas.

“As escolas não podem viver de costas voltadas para a sociedade. Se a sociedade permite o uso do telemóvel, a escola não o pode proibir, pode, sim, limitá-lo”, afirma Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas. “Se os alunos usam o telemóvel na rua e a escola vai proibi-lo, a escola vai ser ainda mais desmotivadora ou então não tão motivadora.”

Eduarda Ferreira, investigadora da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas e psicóloga educacional também se mostrou contra a medida. “Temos de pôr a escola dentro do telemóvel e não tirar o telemóvel da escola”, afirmou. “Banir é que não. O uso do telemóvel na sala de aula, por exemplo, pode motivar os jovens para aprender”, defendeu.

Já Jorge Ascensão, presidente da Confederação de Pais (Confap) entende que há um trabalho a fazer, mas ao contrário: “É preciso trabalhar o sistema educativo e as relações sociais, incutir valores, ensinar os jovens que têm que respeitar os outros. E essa é uma responsabilidade partilhada dos pais e da escola.”

Vício do telemóvel afasta as famílias dentro da própria casa

Janeiro 1, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site Up to Kids

Vício do telemóvel afasta as famílias dentro da própria casa

Os telemóveis foram e são, sem dúvida, umas das melhores invenções de sempre.  Permitem-nos que possamos estar em constante contacto com pessoas que estão a milhares de quilómetros de distância. As redes sociais vieram ainda “aproximar-nos” de amigos com quem não conseguimos estar no dia-a-dia. Mas será esta aproximação real? Ou quanto mais nos aproximamos dos nossos amigos, mas nos estamos a afastar da nossa família?

Há vários fatores a ter em conta, mas como em tudo, as redes sociais têm muito de positivo, mas também um lado negativo.

Se por um lado as novas tecnologias e as redes sociais nos permitem estar a par de tudo o que se passa no Mundo em tempo real,  o facto de passarmos tanto tempo a olhar para o telemóvel, faz-nos perder muito do que se passa à nossa volta, incluindo o que se passa em nossa casa.

O fotógrafo Al Lapkovsy partilhou uma série de imagens que, apesar de serem um pouco chocantes, retratam exactamente o que se passa em casas em todo o Mundo.

Desde pais que deixam de dar atenção aos filhos por estarem a olhar para o telemóvel, a crianças que acabam por não ter com quem brincar pois todas as outras estão agarradas aos telemóveis, ou até mesmo casais que deixam de aproveitar a sua intimidade para estarem nas redes sociais.

Muitas são as famílias que, apesar de viverem na mesma casa, se afastam cada vez mais, e tudo graças a este vício silencioso.

Com isto não digo que se deva deixar de usar as novas tecnologias e as redes sociais. Mas cabe-nos a nós, adultos e pais, controlar o uso para que não se torne exagerado prejudicando o equilibrio familiar. O vicio do telemóvel não pode existir.

Nada é mais importante do que a nossa família, por isso temos de garantir que a aproveitamos ao máximo, antes que seja tarde demais!

Façamos uma reflexão sobre se estamos realmente a valorizar e priorizar a família.

Estas imagens fazem parte da coleção Desconectar Conectar do artista AL LAPKOVSKY

Era uma vez umas roupas que um dia já tinham sido uma pessoa, iluminadas pela luz azulada 

De acordo com vários estudos, algumas crianças passam em média 7,5 horas na frente das telas por dia. Isso mesmo 7,5 horas. É o tempo que a maioria dos adultos passa no trabalho diarimante. Os adolescentes passam até nove horas por dia nos meios sociais. Surpreendentemente, uma pessoa comum gasta quase duas horas (aproximadamente 116 minutos) nas redes sociais todos os dias, o que significa um total de 5 anos e 4 meses ao longo da vida. Atualmente, o tempo total gasto nas meios sociais supera o tempo gasto a comer e beber, a socializar ou organizar.

Para percebermos o tempo excessivo que uma pessoa passa realmente nos meios sociais, façamos a comparação com o número de horas (cinco anos e quatro meses) que passa ao longo da vida a sociabilizar com amigos e familiares na vida real (um ano e três meses ).

Estamos a desaparecer, deixamos de existir, perecemos.

Não podemos imaginar as nossas vidas sem os ecrãs azuis. Somos bombardeados com notícias, atualizações e status. Temos milhares de amigos e ainda estamos sozinhos. Somos semi-transparentes, perdidos na luz azul de informações inúteis e num falso sentimento de pertença.

O principal objetivo deste projeto é ilustrar como continuamos a desconectar-nos da realidade que nos rodeia a qualquer momento e nos envolvendo em algo que talvez seja real, mas não tão importante e relevante no momento. Como, apenas pela natureza do hábito, escolhemos com mais frequência olhar para o ecrã do que olhar à volta. Enviar uma mensagem para alguém em vez de conversar com uma pessoa sentada à nossa frente. Como a nossa mente se torna global no sentido de que podemos conversar com pessoas que mal conhecemos e, ao mesmo tempo, ignorar alguém muito próximo e real.

Quando estamos com os nossos filhos, estamos realmente presentes? Ou estamos no vício do telemóvel?

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É frequente os nossos filhos alhearem-se dos irmãos e dos pais?

Enquanto casal: quantas vezes já esteve em situações idênticas às retratadas?

Casos de miopia aumentam em menores devido a uso excessivo do telemóvel

Dezembro 25, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do MAGG de 18 de dezembro de 2019.

Ana Luísa Bernardino

5,1% das crianças até aos 8 anos passa entre 2 a 4 horas por dia em frente a um ecrã, 10% está a olhar para o telemóvel enquanto come e 5,3% das crianças olha para um ecrã na cama.

Cerca de 30% crianças de oito anos usa o telemóvel todos os dias, o que faz com que a graduação em miopia tenha aumentado em 1,75 dioptrias nos últimos cinco anos em pessoas com idades entre os 17 e os 27 anos, diz um estudo realizado pelo Colegio Oficial de Ópticos y Optometristas de Cataluña (COOOC), divulgado esta quarta-feira, 18 de dezembro.

De acordo com o espanhol “El Mundo“, a investigação envolveu os dados de 1105 crianças de toda a Espanha, e revela que uma em cada três usa o telemóvel ou tablet diariamente. Afons Bielsa, presidente do COOOC, citado pelo mesmo jornal, disse ainda que 19% dos miúdos usa estes ecrãs durante cerca de uma ou duas horas por dia, valor que é duas vezes superior ao que é recomendado pela Organização Mundial de Saúde.

O problema tende a agravar: segundo Bielsa, quando alguém jovem se torna míope, aumenta a probabilidade de ter mais dioptrias no futuro.

“Quando alguém atinge cinco dioptrias, o risco de sofrer um descolamento de retina aumenta até vinte vezes e a probabilidade de sofrer maculopatias [condição que afeta a mácula, uma parte da retina] aumenta até cinquenta vezes”, disse Bielsa. O investigador não tem dúvidas: “As crianças devem ser impedidas de passar tantas horas na frente de um ecrã. “

Mais dados preocupante: 5,1% das crianças até aos 8 anos, ao usar os aparelhos dos pais, passa entre duas a quatro horas por dia em frente a um ecrã; 10% está a olhar para o telemóvel enquanto come e 9,7% tem o telemóvel sempre junto de si em restaurantes. Na cama, 5,3% das crianças olha para um ecrã — sendo que 2,5% fá-lo com frequência.

Tudo isto aumenta a probabilidade de desenvolver miopia, fazendo aumentar as dioptrias. “Estar tão perto dos ecrãs não é bom para ninguém, mas para uma criança ainda menos, porque ela está a desenvolver-se e o ser humano é sábio e adapta sua visão à miopia para poder ver melhor de perto”, diz, citada pelo mesmo jornal, Mireia Pacheco, vice-reitora da Facultad de Optometria de Terrassa.

A vice-reitora destaca também que crianças com idades até aos 2 anos nunca devem contactar com ecrãs e que aqueles que têm entre dois e cinco anos devem estar, no máximo, até uma hora por dia junto destas tecnologias. Miúdos com idades entre os cinco e os 12 anos podem estar até duas horas junto de telemóveis, tablets ou computadores.

Os especialistas envolvidos no estudo do COOOC concordam: “Há evidências de que a luz natural é um inibidor para o o desenvolvimento da miopia.” Ou seja, o melhor é que os pais deem passeios com os filhos ao ar livre e apostem em atividades no exterior, recomendam.

Nestas 5 escolas portuguesas o telemóvel é proibido (ou limitado). E os miúdos voltaram a brincar

Novembro 3, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Gaelle Marcel

Notícia e imagem do MAGG de 23 de outubro de 2019.

Ana Luísa Bernardino

Há limitação de horas, proibição total, restrição em sala de aula e ainda locais específicos para os guardar. Falámos com 5 pais e a opinião é unânime: os filhos ficam a ganhar.

A Escola Secundária Rainha D. Leonor, em Alvalade, Lisboa, está no centro de uma polémica depois de um professor ter alegadamente agredido violentamente um aluno do 8.º ano na sequência de este estar a mexer no telemóvel na aula da apresentação.

Em qualquer estabelecimento de ensino, os princípios mais básicos ditam que a utilização do telemóvel em ambiente de aula é proibido, tal como acontece com outros objetos que potenciem as distrações e prejudiquem o aproveitamento do aluno. Mas nem sempre a regra é suficiente para impedir as crianças e adolescentes de cederem à tentação — com o telemóvel na mochila ou nos bolsos, às vezes a curiosidade (ou vício) é mais forte.

O estabelecimento de ensino em que o incidente ocorreu não prevê, até ao momento, regras oficiais que controlem a utilização dos smartphones na escola. No entanto, há outras que começam a adaptar-se ao fenómeno recente das tecnologias nas mãos dos jovens.

Cinco encarregados de educação explicam isso mesmo à MAGG. Há escolas que proíbem terminantemente o uso dos telemóveis dentro da escola em todos os anos, outras que apenas aplicam estas regras a alunos de anos mais vulneráveis ao vício dos ecrãs. Há locais que cingem a sua utilização aos recreios, outros que impõem horários específicos para o seu uso. Alguns estabelecimentos de ensino até têm zonas específicas onde os smartphones devem ser guardados, enquanto outros preferem que estes se mantenham desligados dentro da mochila, no cacifo ou em casa.

Sejam quais forem as diferenças no modus operandi da proibição, a opinião dos pais é unânime: concordam com as regras que limitam o uso dos aparelhos e garantem que os telemóveis não fazem falta aos miúdos no decorrer do tempo de aulas. Além de um aproveitamento melhor dentro das salas, os alunos fazem aquilo que se fazia nos tempos pré-touch: correm, saltam, jogam à bola, conversar, interagem. E dão-nos pormenores sobre como tudo funciona.

Nesta escola, nem nas aulas nem nos recreios

Nos Salesianos de Manique, um colégio privado em Alcabideche, os alunos de 5.º 6.º ano estão autorizados a levar o telemóvel, mas não podem ser vistos com eles na mão. Caso sejam apanhados a utilizá-lo, “o [aparelho] é-lhes retirado, entregue à direção da escola e devolvido no final do período escolar”, explica à MAGG Bárbara Chef, 33 anos, mãe de um aluno que frequenta o 5.º ano.

Foi numa reunião no início do período letivo — que juntou num auditório os pais dos alunos do segundo ciclo — , que os encarregados de educação tomaram conhecimento da posição deste colégio em relação aos smartphones. “Nos recreios, os miúdos já não socializavam”, conta Bárbara. “Ponderaram e decidiram que, pelo menos para os alunos de 5.º e 6.º ano, não seria permitida a utilização dos telefones, de forma a que nos intervalos os alunos interagissem mais uns com os outros.”

É também assim no Colégio de Santa Doroteia, em Lisboa, explica Sofia Mourão, mãe e encarregada de educação de um aluno de 8.º ano. Mas aqui há uma nuance, que se traduz numa implementação de horários: “Eles não podem ter os telemóveis à mão, nem ligados, nem desligados, no período de aulas, que decorre 8h30 e as 16h30 — incluindo a hora de almoço. Se  forem apanhados, mesmo com o telefone desligado, os professores e auxiliares podem retirá-los.” Já aconteceu ao seu filho de 13 anos: “Já lhe tiraram duas vezes o telemóvel, que foi depois entregue aos pais.”

“Eles notaram que havia miúdos nos intervalos que estavam agarrados aos telefones, que se isolavam e que não se integravam”

Maria Cabanas, diretora pedagógica deste colégio, corrobora a informação dada pela encarregada de educação, explicando que “os professores e vigilantes estão avisados de que devem retirar os equipamentos e entregá-los aos responsáveis de turma, que só os devolverão após conversa com os pais.”

“Eles [o colégio] não são contra os telemóveis”, ressalva Sofia. Mais uma vez, em causa estará a socialização e integração das crianças, especialmente relevante para os alunos que entram no 5.º ano, que, como vêm de outras escolas, estão menos ambientados ao novo estabelecimento de ensino. “Eles notaram que havia miúdos nos intervalos que estavam agarrados aos telefones, que se isolavam e que não se integravam”, conta. “Julgo que tenha resultado.”

Maria Cabanas, que adianta que os telemóveis podem ser utilizados como ferramentas de apoio às matérias, quando os docentes assim o entendem, confirma: “Após uma reflexão pedagógica ponderada sobre a utilização que os nossos alunos fazem das novas tecnologias da informação e comunicação no colégio, constatámos que, maioritariamente, não fazem um uso responsável e adequado, potenciando situações de isolamento e de dependência desfavoráveis e condicionadoras do seu processo educativo e formativo“, diz. “Desejamos que os nossos alunos possam adquirir, futuramente, a capacidade de saber fazer escolhas seguras e adequadas na utilização destes novos equipamentos.”

A regra funciona assim para os alunos até ao 9.º ano. A partir do ensino secundário, os miúdos já têm autorização para mexer nos smartphones, nos intervalos e durante a hora de almoço. Durante as aulas, explica a diretora pedagógica, colocam os equipamentos na sala, num local próprio.

Mas nem sempre as normas no colégio do Campo Grande funcionaram nestes moldes. A fórmula tem vindo a ser adaptada àquelas que são, de acordo com a escola, as necessidades dos alunos. Há quatro anos, a regra da proibição destas tecnologias era apenas aplicada ao 5.º e 6.º ano, tendo sido depois alargada para o 7.º e 8.º e, por fim, ao 9.º. 

“No final do primeiro ano em que esta medida foi adotada, apenas para o 5.º e 6.º anos, constatou-se, pela avaliação feita por todos os envolvidos, nomeadamente pelos alunos, que deveria ser alargada aos alunos do 3.º ciclo, uma vez que lhes permitiu um maior conhecimento e uma relação mais próxima com os colegas nos recreios”, explica Maria Cabanas.

Nem em contexto de visita de estudo a regra é levantada. “Os miúdos não olhavam para os caminhos, não viam nada, estavam sempre agarrados aos telefones. Passou a ser proibido”, conta Sofia Mourão. A diretora pedagógica adiciona mais locais em que os telefones são proibidos: na capela do colégio, no refeitório ou ainda na biblioteca.

Para esta mãe, só há aspetos positivos no modelo adotado. “É muito bom. Eles não precisam do telemóvel para nada”, garante, referindo que, desta forma, as crianças brincam e interagem mais. “Se for preciso entrar em contacto com os pais, a secretaria faz isso, como explicaram agora na reunião de pais de início de ano.”

No Colégio do Vale, na Charneca da Caparica, os telemóveis são quase um não-assunto. “Sempre foram proibidos”, conta Rita Cardoso, mãe de dois gémeos de 12 anos, que frequentam este estabelecimento desde a pré-primária.

“Deixámos de os ter nos corredores agarrados às fichas por causa dos carregadores. Voltaram a ir para a rua”

Mas o tema foi ganhando especial relevância. “Antes, no início do ano, não era obrigatório falar nisto, mas agora isto é comunicado em todas as reuniões de início do ano. A proibição do uso do telemóvel, para todos os anos, está nas regras do colégio.”

“Os telefones foram formalmente proibidos há três anos, está no regulamento do aluno”, explica Magda Gonçalves, diretora geral do Colégio do Vale. “O que notámos foi que os alunos voltaram a brincar, a praticar desporto, a ocupar os recreios. Deixámos de os ter nos corredores agarrados às fichas por causa dos carregadores. Voltaram a ir para a rua.”

Como acontece nas outras escolas referidas, também aqui o telefone pode ser utilizado como ferramenta nas aulas. Quando assim é, o professor comunica aos pais que em dado dia o aparelho será utilizado e que, por isso, os alunos os podem trazer consigo.

Mas há muitas crianças que, apesar de terem um telefone, preferem não os levar consigo. É o que acontece com os filhos de Rita Cardoso: ao invés de levarem os seus, preferem pedir emprestado ao colega para fazer o trabalho que o professor solicita. É assim que funciona, por exemplo, com as crianças que ainda não têm smartphone.

“Eles partilham e safam-se”, diz a mãe. “[A regra] é ótima, porque não há se dão aquelas situações de exclusão, porque uns têm e outros não. Os miúdos brincam, jogam à bola, jogam matrecos, conversam.”

Como todos os outros encarregados de educação do Colégio Nuno Álvares Pereira, da Casa Pia, Patrícia Dinis, 38 anos, teve de assinar um documento que mostrava que tinha tomado conhecimento das normas relativas a este tópico: os telemóveis naquela escola são proibidos e são confiscados aos alunos que, dentro ou fora das salas de aulas, sejam vistos a mexer neles. O secretariado deste estabelecimento confirmou a informação à MAGG.

Em causa, mais uma vez, está a interação dos miúdos nos recreios. “No ano passado verificou-se muito que os miúdos estavam constantemente agarrados ao telefone, muitas vezes a conversar por WhatsApp, em vez de estarem a comunicar uns com os outros diretamente. Isto foi discutido em reuniões, até porque no ano passado caíram no erro de ter rede wi-fi aberta em toda a escola, o que fazia com que os miúdos não largassem os telefones”, conta Patrícia, que é mãe de uma aluna de 15 anos, a frequentar o 9.º ano. “Os próprios professores viam-nos nos corredores e resolveram tomar esta medida este ano.”

“É necessário que os miúdos estejam atentos à aulas e respeitem as regras. E é necessário que no recreio possam conviver para que não estejam só em grupo a enviar mensagens uns aos outros e a jogar. O recreio deve servir para eles saltarem, jogarem à bola e fazerem outros jogos mais didáticos”, termina.

As colmeias da Escola Secundária Pedro Nunes

Na Escola Secundária Pedro Nunes, em Lisboa, a restrição aos telemóveis é aplicada a todos os estudantes, apenas dentro das salas de aula, como nos explica Ana Câmara Pereira, 42 anos, mãe de dois alunos a frequentar este  estabelecimento no 7.º e o 12.º ano.

“Eles têm uma coisa que se chama colmeia. Quando entram na sala de aula, deixam lá o telemóvel e só usam se for necessário fazer uma pesquisa, autorizada pelo professor”, conta. “Não fui à reunião da escola, mas avisaram-me. Ninguém [encarregado de educação] estranhou a regra.

“Sentimos que [o telemóvel] é prejudicial tanto para a saúde física como psíquica, mas ainda não conseguimos vislumbrar nenhuma medida equilibrada e eficaz”

Carlos Grosso, subdiretor desta instituição de ensino público, confirma à MAGG a regra descrita pela encarregada de educação: “Sim, confirmamos que desde há dois anos que adotamos essa medida de melhoria, uma vez que havia alguma incidência de faltas disciplinares associadas à utilização indevida do telemóvel nas aulas”, explica.

“A direção da escola desenhou uma protótipo de estante apropriada para a colocação de 30 telemóveis, a que costumamos chamar ‘colmeias’ — investimos na respetiva produção e colocámos, aparafusada à parede, na entrada de cada sala de aula, do lado de dentro, naturalmente.”

De acordo com este responsável, o registo de faltas disciplinares associadas à utilização indevida do telemóvel “diminuiu drasticamente” com a aplicação desta regra. No entanto, não deixa de lamentar o facto de muitos alunos preferirem dedicar o tempo de recreio ao telemóvel, em vez de estarem a brincar com os colegas. “Sentimos que é prejudicial tanto para a saúde física como psíquica, mas ainda não conseguimos vislumbrar nenhuma medida equilibrada e eficaz.”

A regra da proibição total não é aqui aplicada por uma questão de logística, considerada “fundamental”. Segundo Carlos Grosso, o Pedro Nunes não tem “condições para assegurar a guarda dos telemóveis durante o recreio, até porque em algumas horas as turmas têm que mudar de sala e outras turmas utilizam as salas vagas — quando vão ter Educação Física ou aulas em laboratórios”. Além disso, a escola também não quer que os alunos “fiquem, durante todo o dia escolar, proibidos de efetuar comunicações privadas.”

O método adotado pelo Agrupamento de Escolas António Sérgio, no Cacém, é semelhante ao da Escola Secundária Pedro Nunes, explica Ana Dias, 38 anos, mãe de um aluno de 5.º ano.

Há colegas do meu filho que estão a jogar ao telemóvel o tempo todo”

“Os alunos podem levar telemóvel para o recinto escolar, podem usá-lo no recreio, mas quando entram na sala têm de o ter desligado. Caso contrário, se o professor vir e reparar que o aluno está a infringir a regra, fica com ele [o smartphone], entregando-o à direção, para só ser devolvido aos encarregados de educação no final do ano letivo. Isto está no Estatuto do Aluno”, explica, ressalvando que o filho não leva a tecnologia para a escola, utilizando-a apenas na presença dos pais.

Na opinião desta mãe, a realidade descrita por Carlos Grosso, aquela que levou outras escolas a proibirem o uso de telemóveis nos recreios, faz sentido: “Há colegas do meu filho que estão a jogar ao telemóvel o tempo todo.”

A regra, na opinião das duas encarregadas de educação, é fundamental não só para um bom aproveitamento escolar, mas também para o desenvolvimento de uma consciência sobre o respeito pelas regras. “Eu concordo com a proibição dentro da sala de aula. Tem de haver limites e regras. Eles vão ter regras para o resto da vida”, considera Ana Câmara Pereira.

A MAGG contactou também os Salesianos de Manique e o Agrupamento de Escolas António Sérgio, mas não obteve resposta em tempo útil para a publicação do artigo.

Leia esta entrevista sobre cyberbullying: “A arma das agressões é o telemóvel”

Outubro 24, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista de Luís Fernandes ao Expresso de 20 de maio de 2017.

Carolina Reis

A divulgação de um vídeo sobre um alegado abuso sexual a uma jovem perante a passividade e incentivo dos colegas durante a Queima das Fitas no Porto, abriu de novo a reflexão sobre o cyberbullying. Luís Fernandes, psicólogo habituado a fazer intervenção nas escolas, lembra que atualmente tudo pode ir parar à internet. E que todos os intervenientes nestas situações vão sofrer agressões.

Estamos perante um caso de cyberbullying?
Penso que sim. Uma das características que distinguem o bullying do cyberbullying é a repetição. E para isso basta ser gravado. Esta foi uma situação pontual, mas ao ser gravada enquadra-se. E a arma das agressões acaba por ser o telemóvel.

No vídeo, é possível ver que alguns jovens incentivam e filmam, sem que alguém impeça ou diga para parar. Como se classifica esta atitude coletiva?
É o efeito manada, os miúdos agem sem pensar, de uma forma automática. Normalmente, há um que lidera — e que não tem de ser quem protagoniza — e os outros vão atrás. Na maior parte das vezes, não têm a verdadeira noção do impacto das ações. No trabalho que faço, encontro jovens que confessam que nunca pensaram que ganhasse outras dimensões. Acaba por ser uma coisa quase entre eles, só que nas redes sociais há sempre alguém que partilha.

Estes jovens são nativos digitais. Não deviam ter noção de como funciona a internet?
Com a idade que têm [aparentam ser estudantes universitários] já deviam ter alguma maturidade para não ter este tipo de comportamento. O que nós vemos — e isto é outra característica do cyberbullying — é que ultrapassam os limites porque não têm um feedback em tempo real que os faça travar. Se não existir alguém no grupo que faça alguma coisa, que diga que já estão a exagerar, ou que aquilo não faz sentido, há um efeito escalada. É um efeito de bola de neve, cada vez se vai tornando mais interessante, não tendo a noção até onde pode ir. Isso deixa-nos pasmados quando acontece nesta faixa etária.

Quem partilha o vídeo também está a contribuir para as agressões?
Sem dúvida. Enquanto que no bullying, as pessoas devem intervir, fazer algo, ter uma atitude proativa, no cyberbullying o ideal é não fazer nada. Cada vez que nós estamos a partilhar é mais uma agressão que está a acontecer. É mais um caminho em termos de redes sociais que vai ficar. O que é colocado na internet fica lá para sempre, nós perdemos o controlo. Há servidores diferentes, há pessoas que entretanto gravaram o vídeo e o podem colocar vezes sem conta.

Quais serão as consequências para estes jovens?
Este vídeo vai estar sempre presente na vida desta rapariga. É um rótulo que fica para sempre. Tanto para a vítima, como para os outros jovens. O perfil deles nas redes sociais começa a ser procurado, e eles a serem alvos de ameaças e agressões.

Ninguém está protegido na internet?
É assustador, mesmo para quem não tem perfis em redes sociais e pensa que está mais protegido. Há um acontecimento qualquer, como um jantar entre colegas, alguém tira uma foto e partilha-a numa rede social. A pessoa — mesmo sem querer — vai ver o seu nome numa rede social em que pode ser vítima de alguma agressão.

Como se previnem estes comportamentos?
Quando começamos a trabalhar estas questões, o que acontece por volta dos 14 anos, já vamos atrás dos prejuízos. Tem de existir uma prevenção o mais precoce possível. Se estes jovens tivessem sido alvo de algum tipo de formação, estariam mais atentos e sensíveis. E, se calhar, isto não tinha acontecido. Ou tinha e algum deles que tinha tido o discernimento de travar esta situação. É preciso um plano nacional de prevenção.

Muitas pessoas discutem agora se o ato foi ou não consentido. Como vê esta atitude?
Descentram-se do essencial para comentar o acessório. O essencial é que aquilo aconteceu. Mesmo que a rapariga soubesse que estava a ser filmada, nunca era situação para ser divulgada. Devia ter havido outro filtro que também não houve. Aquelas pessoas – sejam agressores ou vítimas – também estão a ser expostas na praça pública.

A geração de filhos que se sentem trocados pelo telemóvel

Agosto 12, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto e imagem do site Up to Kids

Telemóvel: Quando os pais o colocam à frente dos filhos

Só um segundo, filho! A mãe está só a acabar esta story e já falo contigo!”

Esta frase, que podia ser tirada de um cartoon, serve perfeitamente como alegoria a uma questão extremamente contemporânea que tem vindo a contaminar as relações entre pais e filhos. Cerca de 42% das crianças com idades entre 8 e 13 anos sentem-se trocadas pelo telemóvel dos pais. Esta é uma constatação do estudo Digital Diaries, realizado em junho por uma das maiores empresas globais de tecnologia de segurança.

Ficou surpreendido com os dados? Então leia o resto, porque não melhora.

O que diz o estudo?

Para este estudo a AVG entrevistou 6.117 pessoas de países como Austrália, Brasil, República Checa, França, Alemanha, Nova Zelândia, Reino Unido e Estados Unidos. Ou seja, o estudo reflete a realidade de pais e filhos de diferentes nacionalidades e culturas. Isto reforça o argumento de que o problema não é apenas reflexo do comportamento de um grupo específico de pessoas..

O estudo concluiu ainda que 54% das crianças reclamaram da frequência com que os seus pais olham para o telemóvel, especialmente enquanto conversam com elas.  Outra conclusão relevante: o sentimento de desprezo (32%) pela falta de concentração no diálogo, segundo informações do R7.

“Os meus pais estão sempre no telemóvel. Odeio o telefone e queria que nunca tivesse sido inventado”. Esta foi a declaração de uma criança após responder à simples pergunta da professora americana, Jen Adams: “Que invenção gostavas que nunca tivesse sido criada?”.

“Se eu tivesse que dizer qual a invenção que não gosto, diria que não gosto do telemóvel. Porque os meus pais estão sempre agarrados a ele. O telemóvel às vezes é um hábito muito mau. Eu odeio o telemóvel da minha mãe e gostava que não existisse. Essa é a invenção que eu não gosto”, respondeu um aluno do 2º ano de um colégio no estado de Louisiana, segundo a Crescer.

As idades e o desenvolvimento da criança

Donald W. Winnicott e Henri Paul H. Wallon, dois dos principais teóricos da aprendizagem, apontaram a relação mãe-bebé como um fator-chave para o sucesso do bom desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças nos seus primeiros meses e anos de vida. O período que vai dos 0 aos 5 anos, para teóricos como Sigmund Freud, M. Klein, Lev Vygotsky, Jean Piaget, constitui uma fase crucial para esse desenvolvimento.

Não se trata apenas do desenvolvimento motor e cognitivo mas também do desenvolvimento emocional. Quanto mais segura afetivamente a criança se sente, melhor se torna a sua capacidade de superar adversidades e de encarar a vida. Para se desenvolver a criança absorve as referências que a rodeiam. Os pais são a sua maior referência. É com base no comportamento dos pais que a criança constrói a sua ideia de mundo, especialmente de relacionamentos.

A autoimagem da criança, isto é, a forma como se vê, também é reflexo da forma como os seus pais a tratam e se tratam mutuamente.

A falta de segurança e de referências na vida das crianças na geração atual tem produzido uma geração emocionalmente vulnerável, carente, insegura e ansiosa.

Crianças de 7, 10, 11 anos (período compatível com a evolução da internet) estão, cada vez mais, a apresentar problemas de ordem afetiva associados à falta de atenção dos pais. Isto afeta também a (falta de) disciplina.

Esta é a geração que nos últimos anos tem apresentado maiores índices de psicopatologias, suicídio, automutilação, depressão e “rebeldias”. Não é só a falta de referência dos pais, mas a substituição dela por outra qualquer, literalmente, já que diante da ausência da família, a criança procura encontrar-se no que o mundo lhe oferece de forma fácil e rápida.

E qual seria a solução?

É preciso que os pais e mães dediquem parte das suas vidas ao momento mais crucial da vida dos filhos. Falamos do período em que a personalidade se forma e as primeiras habilidades sociais se desenvolvem. Esta fase vai dos 0 aos 5 anos, sendo esse um período crítico, mas que se consolida até os 10/12 anos.

A partir da adolescência, já no início da puberdade (11/12 em diante), a lógica começa a inverter-se. Os filhos querem tornar-se mais independentes dos pais. É nessa fase que começam a “trocar” os pais pelos amigos. Isso é natural e necessário. É uma preparação para o mundo e algo contrário a isso não é um bom sinal.

Será nessa fase da adolescência que os seus filhos colocarão à prova toda a herança recebida durante a infância. Os que tiverem tido referências de segurança dificilmente deixarão para trás os conselhos dos pais. Aliás, antes pelo contrário, vão utilizá-los ao longo da vida. O bom vínculo parental construído até os primeiros 10/12 anos de relação servirá de âncora para toda a juventude.

Resumindo, vale a pena investir na atenção ao seu filho sem a presença da tecnologia. Até porque podemos estar no Facebook enquanto a criança dorme ou está distraída a ver bonecos animados. Porque ninguém é de ferro, certo?

Redação CONTI outra. Com informações do texto de Will R. Filho, em Opinião Crítica, adaptado por Up To Kids®

mais informações na notícia:

Kids Competing with Mobile Phones for Parents’ Attention

E se os telemóveis fossem proibidos nas escolas?

Julho 19, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Westend61Getty Images

Notícia da Visão de 28 de junho de 2019.

O ano passado, França proibiu o telemóvel nas escolas públicas. Agora, o estado de Victoria, na Austrália, decidiu fazer o mesmo. Em Portugal, várias instituições de ensino já adotaram regras semelhantes, mas também há escolas onde é utilizado para auxiliar a aprendizagem. Afinal, qual é a melhor opção?

Os estudantes de escolas públicas básicas e secundárias do estado australiano de Victoria vão ser proibidos de usar o telemóvel dentro dos estabelecimentos de ensino a partir de 2020. A medida foi implementada pelo ministro da educação James Merlino, numa tentativa de melhorar os resultados escolares, reduzindo as distrações e o ciberbullying.

Durante o período escolar, os estudantes devem desligar os telemóveis e colocá-los num cacifo, onde permanecerão até à hora de saída. Em caso de emergência, os pais devem passar a contactar a escola diretamente.

As únicas exceções à regra vão dar-se no caso de alunos que precisem do smartphone para monitorizar algum aspeto da sua saúde, ou quando algum professor quiser fazer uma atividade que requeira o uso do dispositivo.

A medida surgiu graças aos resultados observados na McKinnon Secondary College, que foi a primeira escola pública do estado a banir o uso de telemóvel e a reportar uma melhoria da concentração em sala de aula e da comunicação no recreio, por parte dos alunos. O parlamento francês já havia tomado a mesma decisão, em julho do ano passado.

Um estudo realizado pela Universidade de Chicago concluiu que a simples presença do telemóvel, mesmo quando não o estamos a utilizar, reduz a nossa capacidade de concentração. Os smartphones incentivam a conexão constante com outros, com entretenimento ou informação, pelo que é muito difícil “desligar”.

Essa é uma das razões pelas quais várias escolas proibiram a sua utilização. É o caso da Escola Básica António Alves Amorim, em Santa Maria da Feira, onde os telemóveis são recolhidos pelo professor, logo de manhã, e devolvidos no final do dia.

Contudo, os telemóveis não são completamente proibidos em contexto de sala de aula. Tal como acontecerá no estado australiano de Victoria, um professor pode decidir permitir o uso dos telemóveis para fins pedagógicos.

Jorge Ascenção, presidente da Confederação Nacional de Associações de Pais (CONFAP), concorda que os dispositivos de comunicação possam ser autorizados “dentro da sala para auxiliar as aprendizagens”.

No entanto, é fundamental que “haja liderança, para eles poderem ser utilizados com regras”. Na escola de Lourosa, antes da proibição, os alunos filmavam as aulas ou uns aos outros nos balneários. Esses vídeos eram depois publicados nas redes sociais, originando casos de ciberbullying e problemas disciplinares.

Para Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos Escolas Públicas, a melhor solução para o ciberbullying é educar os alunos para o problema, porque “não é só nas escolas, é um fenómeno global”. Na sua opinião, “a escola pública faz isso bastante bem”, convidando a Escola Segura para dar formação aos alunos sobre o tema. “A escola pública está muito preocupada com esse fenómeno e faz o seu trabalho”, afirma.

Existe ainda o problema da falta de socialização entre as crianças, que passam muito tempo no telemóvel durante o intervalo em vez de brincarem ou conviverem, atividades fundamentais para o seu desenvolvimento. Nesse caso, “faz sentido limitar o uso do telemóvel no recreio”, afirma o presidente da CONFAP. No entanto, “é preciso explorar isso de forma pedagógica”, “explicando [às crianças] as razões e as vantagens que eles próprios terão”. Até porque, recorda Filinto Lima, os problemas de socialização também acontecem em contexto familiar.

“Dar um celular para uma criança de 5 anos é um crime”

Julho 18, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do Época Negócios de 31 de agosto de 2018.

Sharon Thomas, psicóloga especializada em educação, defende que pais e escolas têm o dever de estabelecer limites aos filhos no uso da tecnologia.

Saber escolher a idade e o momento para dar um celular ao filho envolve analisar duas questões. É preciso, previamente, saber qual função o aparelho desempenhará na vida da criança. Em paralelo, exige analisar o comportamento do filho e seu entendimento sobre limitações e privações.

Este é o conselho de Sharon Thomas, psicóloga especializada em educação com formação na Georgetown University, na Universidade de Londres e no Hunter College. Nascida no Brasil, mas vivendo nos Estados Unidos desde os 11 anos, Sharon fundou em Nova York o Centro de Educação e Recursos MAIA. Seu trabalho é orientar pais, escolas e professores sobre desenvolvimento acadêmico, déficits de aprendizado e, entre outros fatores, analisar a efetividade da tecnologia dentro e fora da sala da aula.

“Hoje, o celular virou um bem que as pessoas acham que devem ter porque todo mundo tem”, afirma Sharon em entrevista à Época NEGÓCIOS. “Muitos pais me falam: ‘Minha filha tem 5 anos, a amiguinha tem um celular já e ela quer também’, mas eu acho um crime dar um celular para uma criança de 5 anos. Nesta idade, ela não desenvolveu as habilidades básicas.”

As habilidades às quais Sharon refere-se são denominadas nos Estados Unidos como function executives. “Parece papo de CEO, mas a metodologia das escolas americanas é estruturada com base em funções desenvolvidas no lobo dos cérebros e são essenciais para tudo que fazemos em nossas vidas”, afirma. Entre essas funções executivas, estão a capacidade de planejamento, estabelecimento de metas no longo prazo, iniciativa para tomada de decisões e flexibilidade comportamental.

“Nos EUA, as escolas tentam entender como a tecnologia está afetando ou beneficiando o desenvolvimento dessas funções executivas. Às vezes, uma nova tecnologia entrega um aprendizado tão rápido, que dificulta que as pessoas foquem, absorvam e se aprofundarem no conhecimento. Parece que virou tudo bullet point”, diz.

As funções executivas, segundo Sharon, demoram de 25 a 32 anos para serem desenvolvidas por completo – por esta razão, diz a especialista, “seria irrealístico esperar que crianças e jovens consigam se automonitorar e impor os limites sobre o uso da tecnologia”. No caso da criança de cinco anos, um celular não teria a função prática (“uma criança nesta idade não fica sem supervisão”) e poderia expô-la a situações inseguras (“com quem ela vai começar a conversar?”). “A idade certa para dar um celular varia de pessoa para pessoa, mas é preciso entender o motivo dele ser necessário. Eu não daria para um adolescente só ‘porque todo mundo tem’. A função dos pais também é saber dizer não”, diz.

Sharon defende que é preciso celebrar os benefícios que a tecnologia proporciona, em termos de conhecimento e comunicação, mas é preciso monitorá-la para não criar vícios, desânimo e até comprometer o desenvolvimento dos filhos. “Muitos pais me procuram dizendo que seus filhos estão desanimados e indo mal na escola. Vamos analisar a rotina deles e vemos que eles passam grande parte do dia no quarto conectados, socializando com várias pessoas e, depois de várias horas, ficam exausto e ‘sem tempo'”.

Sharon recomenda que os pais mostrem aos filhos os benefícios da internet e as limitações do mundo virtual. “A vida online só aponta para tudo que é maravilhoso em geral. E, no caso de uma adolescente que está lutando para criar uma identidade diferente das dos pais, seu uso excessivo pode se tornar uma pressão e virar até bullying”, diz.

Um outro aspecto a trabalhar nesta relação, segundo Sharon, é dar o exemplo. “Uma das coisas ruins que a tecnologia trouxe para os adultos foi esse fácil acesso a todos o tempo todo. Eles se sentem impelidos a responder rapidamente a todos. E aí ocorre que ficamos o tempo todo online. Mas precisamos criar limites para nós mesmos. Do contrário, os filhos vão falar: você não quer que eu use o iPad, mas olha você conectado o tempo todo”, diz.

Do lado das escolas, Sharon diz que as instituições possuem a responsabilidade de entender se a tecnologia levada para a sala de aula está, de fato, ajudando no desenvolvimento dos alunos. E fazer intervenções, para garantir que não está desenvolvendo um aprendizado mais profundo e eficaz. É uma missão difícil, diz, porque o que vende hoje no mundo da educação é “tecnologia” e qualquer escola nova irá ser construída em torno de alguma novidade de mercado. “Vemos muitas escolas enchendo salas de iPads e novas ferramentas tecnológicas, mas sabemos que o nosso aprendizado não depende apenas de conseguirmos uma informação. Mas, de como sabemos usar essa informação de forma relevante.”

Na Austrália também vão começar a ser proibidos os telemóveis nas escolas

Julho 10, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 25 de junho de 2019.

Estado australiano de Victoria vai aplicar a medida já em 2020. Objetivo é o de combater a distração e o ciberbullying nas escolas.

O ministro da Educação do estado de Victoria, James Merlino, anunciou esta segunda-feira que os telemóveis passarão a ser proibidos em todas as escolas públicas básicas e secundárias já no próximo ano letivo.

O objetivo é aumentar a concentração dos alunos e combater o cyberbullying no interior da comunidade escolar. Embora reconheça que a medida possa não ser bem recebida pelos estudantes e encarregados de educação, o governante insistiu que será vital também para aumentar o sucesso escolar.

“Os telemóveis dos alunos estarão proibidos desde o primeiro toque da campainha para entrar nas aulas até ao toque de saída”, afirmou James Merlino em conferência de imprensa.

Antes de começaram as aulas, os estudantes do ensino público de Victoria deverão assim guardar os seus telemóveis nos seus cacifos da escola, não estando autorizados a ir buscá-los nos intervalos ou na hora de almoço. Em casos de emergência, os pais e/ou encarregados de Educação deverão contactar a escola para entrarem em contacto com os estudantes.

As únicas exceções dizem respeito aos alunos que utilizam os telemóveis para controlarem problemas de saúde, ou quando os professores solicitam excecionalmente a utilização numa aula para uma atividade curricular.

O ministro da Educação de Victoria garantiu ainda que as escolas públicas do estado continuarão a apostar na literacia digital, através da utilização de outras tecnologias nas aulas. Apesar de a medida dizer respeito apenas ao ensino público, algumas escolas privadas daquele estado australiano já se manifestaram disponíveis também para aplicar a restrição.

No ano passado, o governo francês anunciou também a proibição dos telemóveis nas escolas públicas do ensino básico e secundário a partir do atual ano letivo (2018/2019). A medida foi aprovada a 7 de junho na Assembleia Nacional.

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