A evolução da linguagem dos 2 aos 6 anos

Dezembro 8, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://uptokids.pt/

A evolução da linguagem dos 2 aos 6 anos

Enquanto pais queremos perceber se o nosso filho se encontra dentro do que é expectável na sua faixa etária e como podemos estimulá-lo. São frequentes preocupações como o meu filho troca muitas sílabas/sons nas palavras, as outras pessoas não o conseguem perceber… Pois bem, é certo que cada criança tem o seu ritmo de desenvolvimento que deve ser respeitado, no entanto podemos e devemos estar atentos, conhecer mais sobre o percurso normal de desenvolvimento e saber como estimular da melhor forma em cada etapa.
Se houver dúvidas, fale com o seu médico de família, com o seu pediatra e não deixe de consultar um terapeuta da fala, estes são os profissionais a quem deve recorrer para que sejam efetuados os despistes necessários e para que, em caso de necessidade, a intervenção seja o mais precoce possível.

2 – 3 anos

Características

• Brinca ao faz de conta, por exemplo dar de comer a um boneco.
• “Idade dos porquês”.
• Diz o nome e a idade.
• Canta músicas simples e faz os gestos.
• Grande expansão de vocabulário.
• Nomeia e diz para que servem objetos comuns.
• Identifica imagens de ações.
• Responde a perguntas simples Quem? Onde? O quê?
• Identifica grande, pequeno e muito.
• Produz frases com 4 palavras (ex.: Eu quero um gato!; Hoje vou à escola!; Eu gosto de gelado!) e já começa a produzir frases coordenadas (ex.: “Eu quero um gato e um cão.”).
• Utiliza predominantemente substantivos mas também já utiliza verbos, adjetivos, determinantes, pronomes pessoais, alguns advérbios e preposições.
• Já começa a fazer a variação em género e número.

Atividades

  • Reserve tempo para ouvir a criança e responder-lhe.
    • Expanda os seus enunciados, por exemplo se a criança disser “comer”, diga “Vamos comer a sopa”.
    • Envolva a criança nas atividades do dia-a-dia.
    • Explore os brinquedos e os objetos do dia-a-dia com a criança: nome, características, para que servem.
    • Explore livros.
    • Façam jogos em que cada um joga na sua vez (lotos de imagens, de identificação de sons, de associação de pares, cores…)
    • Se a criança ainda usa o biberão e/ou a chupeta, encoraje-a a deixar de usar!

Sinais de Alerta

  • Só produz palavras simples.
    • Não junta 2 palavras em frases simples (ex.: “dá pão”).
    • Não responde a perguntas fechadas sim/não.
    • Não aponta para partes do corpo a pedido.
    • Não executa uma ordem simples.

3 – 4 Anos

Características

  • Utiliza habitualmente uma linguagem compreensível para desconhecidos.
    • Diz “eu” quando se refere a si.
    • Compreende perguntas com os pronomes Porquê? Quanto? Como?
    • Compreende os locativos: à frente, atrás, dentro, fora.
    • Descreve acontecimentos do dia-a-dia.
    • Conta pequenas histórias com apoio de imagens.

Atividades

  • Converse diariamente com a criança.
    • Deixe-a realizar atividades adequadas à sua idade e que desenvolvam a sua independência.
    • Leia histórias em conjunto, deixe-a ajudar a contar a história e peça no final que conte a história para si.
    Sinais de Alerta
    • Utiliza um discurso ininteligível para estranhos.
    • Utiliza mais os gestos que as palavras.
    • Não executa ordens de duas ideias.
    • Não responde a perguntas: O que é? Onde?
    • Não faz trocas de turnos num diálogo.
    • Fala só sobre um tópico específico.

4 – 5 Anos

Características

  • Exprime-se de forma fluente.
    • Pergunta o significado das palavras.
    • Cumprimenta e pede desculpa.
    • Fala sobre os seus sentimentos.
    • Compreende ordens complexas.
    • Usa frases completas.
    • Começa a produzir frases subordinadas.
    • Fala do passado e do futuro.
    • Articula corretamente quase todos os sons.
    • Identifica sílabas de palavras di e trissilábicas.
    • Faz rimas.

Atividades

  • Estimule a imaginação (ex.: teatro de fantoches).
    • Cante canções.
    • Brinque com a divisão silábica (ex.: dividir as palavras em bocadinhos – sílabas com recurso a palmas).

Sinais de Alerta

  • Não comunica com estranhos.
    • Não faz diálogos.
    • Não descreve acontecimentos do dia-a-dia.
    • Não responde a perguntas: O que é? Porquê? Como?
    • Omite consoantes finais.
    • Troca o /g/ por /d / (ex.: “dato” em vez de “gato”) ou o /k/ por /t/ (ex.: “tão” em vez de “cão”).

5 – 6 Anos

Características

  • Participa em discussões de grupo e espera a sua vez para falar.
    • Percebe críticas e comentários sobre si.
    • Conta histórias complexas.
    • Compreende perguntas complexas.
    • Compreende os opostos.
    • Articula de forma correta praticamente todos os sons da sua língua, pode ter dificuldade em articular palavras com grupos consonânticos.

Atividades

  • Explore rimas, lengalengas, trava-línguas em canções e livros.
    • Pergunte as sílabas inicias das palavras que aparecem durante um jogo.

Sinais de Alerta

  • Não conta histórias nem descreve o seu dia.
    • Utiliza frases mal estruturadas.
    • Exprime-se de forma pouco fluente.
    • Pronuncia mal as palavras.

Não se esqueça que a criança precisa de crescer e aprender e os adultos são o modelo, só através deles aprenderá a usar a linguagem adequadamente.

Por Terapeuta da Fala Rita Costa

 

 

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Quantas palavras dizes num minuto? Problemas com a língua previnem-se no pré-escolar

Dezembro 2, 2017 às 5:08 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Reportagem do https://www.publico.pt/ de 26 de novembro de 2017.

Projecto O Crescente do Ler foi lançado no ano lectivo passado pela Federação de Associações de Pais de Santa Maria da Feira e está a despertar interesse noutros concelhos.

Samuel Silva

“Vamos fazer um jogo de palavras”, propõe Heliana Sá. À sua frente está B., de cinco anos, aluno do Jardim de Infância da Igreja, em Paços de Brandão. O rapaz tem um fato de treino vermelho e o cabelo desgrenhado. Debaixo da pequena mesa em que está sentado, não consegue ter as pernas paradas. “Quero que me digas os nomes todos os animais que conheces”, prossegue a psicóloga. A resposta da criança surge pronta: “Se for um dinossauro também conta?”.

Não conta. E B. começa a enumerar: “Cobra, leão, tigre”… “Elefante.”

“Dinossauro”, acaba por dizer.

Heliana Sá é uma de três pessoas que trabalham na coordenação do projecto “O crescente do ler”, lançado no ano lectivo passado pela Federação de Associações de Pais de Santa Maria da Feira (Fapfeira) para trabalhar a literacia emergente (ver caixa) das crianças do pré-escolar do concelho.
Enquanto B. desfia os nomes dos animais, a psicóloga tem um cronómetro à sua frente. Tenta perceber quantas palavras da mesma família a criança é capaz de dizer num minuto. O jogo serve para aquilatar a sua fluência verbal. É o sexto de oito exercícios que está a fazer com todas as crianças do pré-escolar do concelho de Santa Maria da Feira desde as primeiras semanas do ano lectivo, de modo a fazer uma caracterização do conjunto de crianças.

“Depois voltamos a repetir isto tudo em inícios de Maio, para apanhar o final do ano lectivo e percebermos a evolução”, explica Heliana Sá. “O crescente do ler” começou no ano lectivo passado e não tem ainda resultados finais para mostrar. Ao longo deste ano, os técnicos vão acompanhar um grupo de alunos do 1.º ano, que no ano passado estiveram envolvidos na iniciativa, para perceberem a sua evolução.

No entanto, a intenção é bem clara: identificar precocemente as dificuldades das crianças com a língua e dar-lhes uma resposta diferenciada. Mesmo sem números a que possa recorrer, a educadora no Jardim de Infância da Igreja, em Paços de Brandão Maria José Monteiro não tem dúvidas dos méritos do projecto. “No final do ano, nota-se bem a evolução”, diz. Sobretudo ao nível da rapidez de resposta e da fluidez da linguagem.

Antes de enumerar todos os nomes dos animais de que se lembrava, B. teve também que identificar a primeira sílaba de um conjunto de palavras ou repetir os nomes de cores ou objectos alinhados numa folha de papel. São todos exercícios destinados a caracterizar o se nível de conhecimento linguístico.

Tal como este despiste feito no início do ano lectivo pelos psicólogos da Fapfeira, o trabalho feito ao longo do ano nos jardins-de-infância também se baseia em jogos. “Usamos lenga-lengas, trava-línguas e canções”, conta Maria José Monteiro. As crianças aprendem sem disso se aperceberem.
Estas não são estratégias novas no ensino pré-escolar. A diferença trazida pelo “O crescente do ler” é que o acompanhamento feito ao longo do ano, pelos técnicos da Fapfeira e pelos Serviços de Psicologia e Orientação (SPO) dos agrupamentos de escolas, permite às educadoras saber em que áreas é preciso incidir mais com cada grupo.

O programa é acompanhado por Diana Alves, professora da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP), que faz a formação dos psicólogos e educadores e também consultoria.

A base da intervenção é a metodologia Response to Intervention (RTI), um modelo multinível, que permite ir ajustando as respostas às dificuldades encontradas. A caracterização universal que Heliana Sá aplicou a B. no Jardim de Infância da Igreja foi repetida com as quase 900 crianças envolvidas na iniciativa em todo o concelho de Santa Maria da Feira. Esse trabalho serve para identificar o ponto de partida de cada um dos grupos de crianças, a partir do qual é definido um primeiro nível de intervenção para toda a turma. “Aquilo que nós sabemos é que o grupo não responde da mesma maneira a uma instrução que é igual para todos”, explica Diana Alves.

Por isso, alguns alunos “responderão de forma mais eficaz”, mas outros “necessitarão de mais alguma informação”. Daí que exista um segundo nível de resposta, que permitirá às educadoras trabalhar, com grupos mais pequenos de alunos, de forma mais repetida.
O modelo pressupõe ainda um terceiro nível destinado às crianças para as quais se sinta que, apesar do investimento feito no nível 2, não houve qualquer ganho. Para esses casos, pode ser solicitada a intervenção de um técnico do serviço de psicologia ou de equipas do ensino especial, por exemplo.

A Fapfeira já tinha tentado desenvolver um programa de caracterização dos alunos de cinco anos em 2015/16. Na altura, o trabalho era focado na fase final do ano, tentando ajudar as crianças na transição para o 1.º ciclo. A nova versão, iniciada com a entrada da FPCEUP em 2016/17, é “muito mais promotora e menos remediativa”, valoriza o presidente da federação de associações de pais, Luís Barbosa.

“O crescente do ler” está presente nos nove agrupamentos de escolas públicos do concelho, aos quais, este ano, se juntaram os jardins-de-infância de 11 IPSS. O interesse ultrapassou até as fronteiras do município e, neste momento, há escolas dos concelhos vizinhos Vila Nova de Gaia, Ovar e Espinho interessadas em juntar-se a ele.

É a autarquia que financia a contratação dos técnicos e os aspectos logísticos da iniciativa, “seduzida” pela possibilidade de serem abrangidos todos os jardins-de-infância de Santa Maria da Feira, explica a vereadora da Educação, Cristina Tenreiro.

O município tem características muito particulares. Dos seus 139 mil habitantes (dados do Censo de 2011), apenas 18 mil vivem na cidade que é sede de concelho. Os restantes vivem noutros pólos urbanos dispersos pelo território, onde se incluem outras duas cidades (Fiães e Lourosa) e cinco vilas — além de Paços de Brandão, também Santa Maria de Lamas, S. Paio de Oleiros, Arrifana e Argoncilhe têm esse estatuto.

 

Além disso, a iniciativa faz uma articulação com os agrupamentos, o que tem sido crucial para que, nas escolas, “não haja a sensação de que este é algo que vem de fora e é imposto” prossegue a responsável autárquica.

Essa “dimensão ecológica” é uma das “vantagens do modelo”, acredita Diana Alves. Os especialistas da FPCEUP e os técnicos da Fapfeira trabalham de perto com os educadores e psicólogos. Após a caracterização inicial, os resultados são passados aos SPO das escolas e são estes quem reúne com as educadoras. São também os psicólogos escolares quem faz o acompanhamento mais regular do trabalho nas salas dos jardins-de-infância, identificando as crianças que precisam de uma atenção particular.

O que é a literacia emergente?

O projecto “O crescente do ler” assenta num conceito de literacia emergente. “Em termos práticos, o termo identifica os alicerces da casa da leitura e da escrita”, ilustra Diana Alves.

A partir do momento em que uma criança começa a ouvir falar e a falar, vai sendo invadida por estímulos auditivos. Estas ferramentas vão ser preditores da sua capacidade de leitura e de escrita. A literacia emergente denomina precisamente esses bases da leitura e da escrita. São estes que permitem a alguém ir ao encontro da convenção, transformando desenhos em sons, no caso da leitura. Ou o contrário, para a escrita.

Ou seja, a literacia emergente são todas essas competências associadas ao vocabulário, à consciência fonológica. “Tomar consciência que isto que nós falamos é constituído por diferentes sons e no início e no final das palavras temos sons. É todo o activar da consciência fonológica e, portanto, também do vocabulário”, explica a professora da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto que faz consultoria científica ao projecto lançado pela Federação das Associações de Pais de Santa Maria da Feira.

 

 

 

Viagem pelo desenvolvimento da linguagem

Agosto 1, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do https://www.publico.pt/ de 16 de julho de 2017.

A linguagem é um contínuo, que começa antes das palavras, se estende ao longo de toda a vida e é essencial às futuras aprendizagens da leitura e da escrita.

Ana Rita Gonzalez

No nosso dia-a-dia, como pais e como terapeutas da fala, somos constantemente questionados relativamente aos timings das primeiras palavras e outros aspetos relativos à linguagem, como as primeiras frases e as primeiras conversas.

É importante que, enquanto pai ou mãe, se tenha em mente que antes de surgirem as primeiras palavras, as crianças têm um longo caminho de competências de comunicação a adquirir e dominar: ouvir, estar atento, ser recíproco e, sobretudo, compreender o que lhes é dito. Um bebé, quando nasce, vem, à partida, equipado com tudo o que é necessário para ouvir e falar. Um sistema auditivo para escutar e percecionar sons e um sistema fonador capaz de produzir sons de fala, com níveis de desempenho que se vão aprimorando ao longo do crescimento.

Muito antes de dizer as primeiras palavras, o bebé já descobriu que os sons que faz, sejam risos, choros ou outros, têm um impacto ou provocam alguma reação em quem o rodeia. Descobre o enorme potencial da comunicação!

Dentro da barriga da mãe, o bebé já está exposto a uma imensidão de sons, ruídos do ambiente, conversas e até mesmo a fala dos pais que, ao longo de nove meses, lhe é dirigida de forma intencional. Quando nasce, começa então a identificação do que são ou não sons de fala, e a capacidade de extrair significado das sequências de sons que ouve. É por isso que, com dias de vida, os bebés vão dando progressivamente mais atenção aos estímulos sonoros. Estão a aprimorar a capacidade de discriminação dos sons de fala.

Entre os dois e os quatro meses, os bebés já fazem alguma distinção entre vozes. Não é ao acaso que se acalmam e reconfortam quando ouvem vozes familiares, nomeadamente da mãe e do pai, e se desorganizam na ausência delas.

A capacidade de percecionar sons de fala é um pilar essencial à compreensão da linguagem. O desenvolvimento dos sons (fonologia) tem início com o choro e termina na articulação de sons de fala. Com cerca de 2 meses, no palrar do bebé, identificamos sons gorgolejantes como “arrrrrr” e “ggggg”, seguem-se repetições de sílabas, que se combinam em palavras, entre os nove e os 14 meses.

Com cerca de nove meses, até perto dos 13 meses, a criança já atribui significado às sequências sonoras que ouve, aprende que palavras não são coisas, não são os objetos, são sim representações dos objetos. É o início do desenvolvimento lexical, o vocabulário (semântica), que começa antes da produção das primeiras palavras e se desenvolve ao longo de toda a vida.

Depois dos 18 meses, a criança começa a juntar palavras, surgem os primórdios das frases. Das primeiras palavras às frases complexas há um longo mas rápido caminho, que começa no domínio do padrão de ordem básico das palavras na frase, passa pelos processos de concordância, acordo de género, número e flexão verbal até chegar às combinações de frases (morfossintaxe).

No entanto, não basta dizer palavras bem ditas e frases bem estruturadas para se ser um bom falante, é preciso saber usá-las numa conversa de forma eficaz. O sucesso do desempenho conversacional depende da adequação do que a criança diz, como diz e a quem diz. Desenvolvem-se competências como pedir, negociar, seduzir, mentir, entre outras, que transformam a criança num comunicador exímio. Chama-se “pragmática”, e o seu desenvolvimento tem início antes da produção de qualquer palavra, na troca, na interação e na reciprocidade de sons entre pais e bebé.

A linguagem é um contínuo, que começa antes das palavras, se estende ao longo de toda a vida e é essencial às futuras aprendizagens da leitura e da escrita. Por isso, os pais precisam de informação útil, sistematizada e organizada sobre o que é esperado em cada fase do desenvolvimento e de que forma podem ajudar os seus filhos a atingir de forma plena o domínio das competências necessárias.

Perante dúvidas e preocupações dos pais, procurar a opinião de um terapeuta da fala é sempre a melhor forma de resolver o problema.

Ana Rita Gonzalez, Terapeuta da Fala do CADIn – Neurodesenvolvimento e Inclusão. A autora escreve segundo o Acordo Ortográfico.

A rubrica Estar Bem encontra-se publicada no P2, caderno de domingo do PÚBLICO

 

 

 

Exposição a Ecrãs na Infância. Recomendações da Academia Americana de Pediatria

Julho 8, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do blog http://parafalarsaoprecisos2.blogspot.pt/ de 5 de maio de 2017.

No final da semana mundial sem ecrãs, a Academia Americana de Pediatria relembra que em Outubro de 2016 divulgou um estudo que incluiu 894 crianças entre os seis meses e os dois anos e que foi feito entre 2011 e 2015. Numa altura em que no mundo inteiro proliferam os smartphones, tablets e jogos eletrónicos com ecrãs sensíveis ao tato, há crianças que começam a usar esses dispositivos antes de falar, mas a investigação sugere que essas crianças correm um alto risco de atraso de desenvolvimento da linguagem.

Aos 18 meses, refere o estudo, 20% das crianças usavam dispositivos de ecrã tátil em média 28 minutos por dia, segundo os pais. Com base numa ferramenta para analisar atrasos na linguagem, os investigadores concluíram que quanto mais tempo a criança usa o écrã tátil mais provável é que venha a desenvolver um atraso. Por cada aumento de 30 minutos à frente de um desses aparelhos de écrã tátil o risco de atraso de desenvolvimento da linguagem aumenta em 49%, alertam. Este é o primeiro estudo a relatar uma ligação entre o uso dos aparelhos de ecrã tátil e um aumento de risco de atraso na linguagem expressiva”, disse Catherine Birken, investigadora e pediatra. As recomendações da Sociedade Americana de Pediatria sobre a exposição a ecrãs na infância são atualmente as seguintes:

  • Para as crianças com idade inferior a 18 meses, deverá evitar-se toda e qualquer exposição a ecrãs exceto no caso de vídeo-conferência para comunicar com familiares próximos.
  • Os pais das crianças entre os 18 e os 24 meses que desejem introduzir dispositivos digitais aos seus filhos devem escolher programas de elevado valor educacional e visualizá-lo conjuntamente com as crianças para as ajudar a compreender o que estão a ver;
  • As crianças dos 2-5 anos deverão ter um tempo de exposição a ecrãs limitado a uma hora por dia, e visualizar apenas programas de elevado valor educacional. Os pais deverão ver os programas com as crianças para os ajudar a compreender o que estão a ver e aplicá-lo ao mundo real.
  • As crianças com mais de 6 anos deverão ter limites bem estabelecidos e consistentes sobre o tempo de exposição a ecrãs e os pais devem assegurar-se que esse tempo de exposição não interfere com a atividade física, sono, alimentação, estudo e outras atividades essenciais ao seu bem estar físico e emocional.
  • Devem estabelecer-se momentos de partilha em família em que os ecrãs estão totalmente abolidos, tais como durante as refeições, viagens em família, e designar áreas da casa livres de ecrãs, sobretudo os quartos de dormir.
  • Não permitir a visualização de ecrãs nas duas horas anteriores ao deitar.
  • Comunicação e educação continuadas sobre regras essenciais de cidadania e segurança online. Diálogo frequente sobre a necessidade de manter o respeito e as regras de educação e convivência, quer online quer offline.
  • Explicar desde cedo as diferenças entre “espaço público” e “espaço privado” e deixar bem explícito desde o momento em que a criança tem acesso à internet de que tudo o que se realiza na internet é equivalente ao que se realiza na rua. E que é praticamente impossível apagar fotos ou vídeos uma vez postados.

A Recomendação da APP citada é a seguinte:

American Academy of Pediatrics Announces New Recommendations for Children’s Media Use

 

Formação certificada “Desenvolvimento da Linguagem em Crianças dos 0 aos 6 anos” 25 de março

Março 3, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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sem-nome

mais informações:

paulacorreia@academiabc.pt

Tel: +351 912 024 424

 

 

Calmas a los niños con un celular o Tablet? Entérate del daño que les estás haciendo

Fevereiro 11, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto do site http://centralinformativa.tv/

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Use of Mobile Technology to Calm Upset ChildrenAssociations With Social-Emotional Development

Por Antonio Sánchez Melo

Quienes tienen la fortuna de ser padres, seguramente saben lo complicado y también desesperante que puede llegar a ser el tener que calmar a un niño cuando éste se encuentra enojado, llorando o haciendo berrinche. La mayoría no está seguro de lo que en realidad desean o simplemente no se toman el tiempo de averiguarlo y lo que más fácil se les hace es darles algo para que se entretengan y dejen ese comportamiento desquiciante.

Una golosina e incluso un juguete parecen ser buenas opciones, sin embargo, ¿qué pasa con aquellos padres que optan por prestarles el celular o la Tablet? Para aquellos padres que piensan que el darles un aparato electrónico es la solución, les tengo una simple sugerencia: ¡dejen de hacerlo inmediatamente!

Un grupo de investigadores han hecho un estudio sobre esta acción y han determinado que sin darse cuenta los padres están afectando gravemente el desarrollo de personalidad de sus hijos.

Ser padres nunca será fácil pero sería bueno practicar más la paternidad y estrechar lazos con ellos, no alejarlos con esas acciones que a la larga con su práctica podría causar un daño irreversible en ellos.

Desafortunadamente, cada vez son más los padres que recurren a esta ¨solución¨ cuando ya no saben qué hacer con la actitud de sus hijos. Fácilmente se rinden y no optan por la opción de tratar de tranquilizarlos, hablar con ellos o consolarlos, simplemente se inclinan por la ¨salida fácil¨. Sin embargo ignoran que este acto de rendición sólo traerá consecuencias que no están visualizando hoy.

JAMA Pediatrics reveló un estudio en donde se centraban en este tema, relata que lo más habitual para los papás es relajar/calmar a los pequeños usando el televisor, un celular, computadoras o tablets y todo se deduce a que en realidad tienen muy poco control sobre ellos y no saben de qué manera lidiar con el temperamento energético de éstos.

La doctora de la Universidad de Boston y autora de dicho estudio Jenny Radesky, reveló haber advertido muchas veces a los padres que esta acción está mal, porque además de truncar el desarrollo de la personalidad, también están afectando el desarrollo del lenguaje, ya que el niño pasa más tiempo jugando con aparatos que interactuando con personas.

Hay personas que contrastan esta versión diciendo que el uso de smartphones y tablets ayuda a los niños a hablar y mejorar su vocabulario, sin embargo, Radesky contratacó argumentando lo siguiente: ¨si estos dispositivos se convierten en un método habitual para calmar y distraer a los niños, ¿ellos serán capaces de desarrollar sus propios mecanismos de autorregulación?¨ definitivamente el querer ¨distraer¨ a los niños que se aburren o lloran con un aparato, les impide poder generar su propia forma personal de entretenimiento.

No obstante y pese a contradicciones, la doctora Radesky señaló que el abuso de estos dispositivos durante la infancia, podrían interferir con su desarrollo de la empatía, sus habilidades sociales y de resolver los problemas, que generalmente se obtienen de la exploración, los juegos no estructurados y la interacción con amigos.

Así podemos determinar que el dar un aparato electrónico a nuestros hijos para tranquilizarlos, definitivamente no es la mejor opción, el que se tranquilicen depende de ti y de sus capacidades. La mejor opción es tratar de calmarlos a través de las palabras, escucharlos y atenderlos, ya que estos a su vez mejorarán sus ansiedades y aprenderán a controlarse poco a poco. Tal vez tomará tiempo, pero ningún camino es fácil cuando realmente vale la pena.

Y tú, cómo calmas a tus hijos?

 

Como os irmãos influenciam e moldam aquilo que somos

Janeiro 26, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da http://visao.sapo.pt/ de 17 de janeiro de 2017.

jose-caria

O poder de influência dos nossos irmãos sobre nós próprios é enorme: podem interferir na nossa personalidade, na nossa saúde, no nosso peso e podem, até, ser um pilar para um casamento futuro

Os irmãos são autênticos companheiros de brincadeiras e aventuras, mas com certeza não será preciso muito esforço mental para se lembrar de alguns momentos onde percebeu que não havia alguém com maior capacidade no mundo para o tirar do sério.

Com ou sem exageros, a verdade é que os irmãos partilham connosco um vínculo que vai muito além da ligação de sangue. É com eles que passamos uma grande e importante parte da nossa vida – a infância. Portanto, é natural que tenham um impacto considerável na nossa formação enquanto pessoas. Aqui ficam seis formas através das quais os irmãos influenciam e moldam aquilo que nos tornamos.

1. Podem influenciar o seu peso

Principalmente se for o filho ou um dos filhos mais novos. Um estudo de 2014 publicado no American Journal of Preventive Medicine revelou que, quanto ao risco de obesidade, os irmãos podem ter uma influência maior do que os próprios pais.

Esta descoberta surpreendeu muito os investigadores. “Eu fui para este estudo à espera que, dado o grande papel dos pais nas vidas dos filhos, a obesidade parental tivesse uma associação mais forte do que a obesidade dos irmãos; mas estava errado”, disse Mark Pachucki, um dos autores do estudo, à Harvard Gazette.

Através do estudo de cerca de 2000 pessoas, os investigadores conseguiram perceber que, no caso de famílias com apenas um filho, o facto de um dos pais ser obeso duplicava o risco do filho se tornar obeso. Em famílias de dois filhos, ter um irmão obeso aumentava foi associado a um risco mais de cinco vezes maior de vir a ser obeso, do que foi se o irmão não for obeso. E, se estivermos a falar de irmãos do mesmo sexo, o risco ainda é maior.

2. Moldam o seu caráter

Não sendo consensual, para muitos investigadores a ordem de nascimentos – isto é, se somos o primeiro, o último ou o, ou um dos filhos do meio – tem influência na personalidade: os mais velhos tendem a ser mais inteligentes, os dos meio a ser mais preocupados e os mais novos a correr mais riscos.

No entanto, a personalidade dos nossos irmãos pode ajudar a moldar a nossa própria personalidade, mas talvez não da forma que imagina. Alguns académicos acreditam que a influência se dá através da desidentificação. Através deste processo, “os irmãos desenvolvem atributos distintos e envolvem-se em atividades e comportamentos diferentes, no sentido de estabelecerem identidade únicas dentro da família”, explicam os autores de um estudo de 2007. Desta forma, segundo a teoria, se temos um irmão muito extrovertido e brincalhão, tendemos a ser mais introvertidos e envergonhados.

3. São os primeiros professores que temos

Aqui quem sai a ganhar, normalmente, são os irmãos mais novos. Um estudo de 2014, publicado no Pediatrics Journal, analisou o vocabulário de 385 crianças e dos seus irmãos mais velhos, com proximidade etária.

Os resultados revelaram que, em famílias numerosas, onde a atenção individual por parte dos pais tende a ser menor, os irmãos mais novos beneficiavam, em termos de vocabulário, por terem um irmão mais velho sensível ao ponto de os querer ensinar.

4. Podem ser importantes para o seu casamento

Parece algo estranho ou, pelo menos, curioso. Mas um estudo de 2013, da Universidade de Ohio, descobriu que, por cada irmão que temos, a probabilidade de divórcio diminuía dois por cento.

Os investigadores recolheram informações de cerca de 57 mil americanos, durante um período de 40 anos – entre 1972 e 2012. Esta proteção contra o divórcio foi sentida tanto no início do estudo, como no final.

O estudo não apresentou explicações para este poder protetor, mas um dos autores do estudo, Doug Downey, acredita que os resultados se podem relacionar com a aprendizagem própria da relação entre irmão. “Ao crescer numa família com irmãos, desenvolvem-se um conjunto de capacidades de negociação de interação positivas. Tem de se considerar os pontos de vista do outro, e aprender a falar sobre os problemas. Quantos mais irmãos tem, maior é a probabilidade de ter posto em prática estas capacidades”, referiu o investigador.

5. Aumentam a probabilidade de ter depressão

Nem tudo é bom. Se tem irmãos, sabe que as discussões são algo natural. O problema não são as discussões em si, mas sim o assunto que promove a discussão.

Uma investigação conduzida em 2012, por investigadores da Universidade do Missouri, revelou que, dentro da amostra, os irmãos que discutiam normalmente sobre questões de igualdade e justiça, tinham maior probabilidade de vir a ter sintomas de depressão um ano depois. Se o assunto de discussão tivesse a ver com espaço, os problemas futuros estariam relacionados com ansiedade e baixa autoestima.

6. Tornam-no mais feliz

No entanto, se falarmos de relações próximas, calorosas e com poucas discussões, ter um irmão pode fazer com que se sinta menos só, menos depressivo e com um autoestima mais elevada.

É a esta conclusão que chega o estudo publicado em 2005, pelo Journal of Social and Personal Relationships, através do análise de dados recolhidos de 247 participantes. De acordo com o estudo, o apoio entre irmãos tem um poder significativo, podendo compensar alguma falta de apoio dos pais ou de amigos. Avidan Milevsky, autor do estudo, diz mesmo que esta relação, por todas as suas particularidades, deve ser tida em elevada consideração pelos psicólogos ou terapeutas, principalmente em questões de terapia familiar.

 

Ação de formação “Sinais de Alerta no Desenvolvimento da Linguagem e da Fala em Crianças da Educação Pré Escolar “

Março 31, 2016 às 9:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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NA09 SINAIS de ALERTA no DESENVOLVIMENTO da LINGUAGEM e da FALA em CRIANÇAS da EDUCAÇÃO PRÉ ESCOLAR
PORTO ( local a designar em breve)
DIAS: 9, 16 de abril, hor
ário: 9h30/13h30
Destinatários: Educadores(as) de infância, alunos do Curso de E.Básica, outros interessados.
INSCRIÇÃO:
http://apei.pt/formacao/ficha-inscricao/
Mais inf: http://apei.pt/formacao/plano-formacao/index.php?idf=679
Formadora:Carla Silva
Modalidade
Curso
Nº de Horas
8
Conteúdos
– Componentes da Linguagem e Fala;
– Sinais de alerta;
– Estratégias.
VALOR A PAGAR: Associados: 20€; Não Associados: 28€

 

II Jornadas Comunicação e Desenvolvimento da Linguagem na Universidade do Minho

Fevereiro 28, 2015 às 5:06 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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programa

clicar nas imagens

mais informações:

CIEC – Centro de Investigação em Estudos da Criança

Universidade do Minho, Instituto de Educação

Campus de Gualtar

4710-057 BRAGA, Portugal

T: (00 351) 253.60.12.12

F: (00 351) 253.60.12.69

http://www.ciec-uminho.org/index_pt.html

 

Creche: Quanto mais cedo melhor?

Fevereiro 9, 2015 às 2:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 9 de fevereiro de 2015.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Cuidados não parentais a crianças com idade inferior a três anos: revisão baseada na evidência

Daniel Rocha

Luísa Pinto

Estudo revela que crianças que frequentaram a creche com menos de três anos obtiveram melhores resultados no desenvolvimento cognitivo e linguagem do que aquelas que ficaram até mais tarde em casa, com os pais ou com a mãe.

A ideia surgiu-lhes no âmbito do trabalho diário, enquanto médicos de unidades saúde familiar do distrito de Braga. Vítor Portela Cardoso e Paula Mendes ouviam muitas vezes dos pais perguntas e inquietações sobre qual seria a melhor solução para os filhos: pô-los a frequentar uma creche ou entregá-los a uma ama?

Os dois médicos perceberam que o aumento da idade da reforma tem vindo a tornar cada vez mais díficil aos avós assumirem os papéis tradicionais de coadjuvantes dos pais no que a tomar conta das crianças diz respeito. Vítor Portela Cardoso e Paula Mendes, por considerarem ter “o dever de proteger e assegurar todo o potencial de desenvolvimento das crianças, bem como evitar riscos desnecessários”, foram pesquisar artigos científicos nos últimos 37 anos que trouxessem alguma luz sobre os efeitos dos cuidados não parentais, fora do domicílio, no desenvolvimento cognitivo e da linguagem. Os resultados foram publicados numa das últimas edições da revista Acta Pediátrica Portuguesa e mostram que os cuidados não parentais até aos três anos podem ser benéficos ao nível do desenvolvimento cognitivo e da linguagem, traduzindo-se “possivelmente”, arriscam os autores, “num melhor desempenho escolar”.

O estudo de Vítor Cardoso e Paula Mendes é do tipo “revisão baseada na evidência” e incidiu nas crianças com menos de 3 anos, excluindo as que tinham um contexto sócio-económico desfavorável, as que pertenciam a minorias étnicas ou que estavam em risco de atraso de desenvolvimento (como os prematuros ou com baixo peso à nascença). “Ficámos desde logo surpreendidos pelo reduzido número de resultados obtidos. Apesar de o tema ser comum, verificámos que os estudos sobre os efeitos dos cuidados não parentais eram escassos e de qualidade limitada”, esclarece Vítor Cardoso, que trabalha na Unidade de Saúde Familiar de Gualtar, Braga.

Dos 89 artigos encontrados, apenas três tinham as características de coorte – isto é, eram estudos de observação que se prolongam no tempo. O mais relevante deles é o que foi levado a cabo pelo grupo norte-americano National Institute of Child Health and Human Development (NICHD), no qual foram seguidas 856 crianças desde o nascimento até ao completar três anos de vida. A maioria das crianças acompanhadas iniciou cuidados não parentais por volta dos quatro meses – uma realidade muito próxima da portuguesa, já que a licença de maternidade em Portugal termina aos quatro meses.

O estudo procurou comparar três tipos de cuidados: os das instituições, como as creches; os prestados em domicílios de um não familiar, como a ama; e os que são prestados no próprio domicílio, ou seja, em casa dos pais ou avós. E procurou apreciar o tipo, a qualidade e a quantidade dos cuidados que eram prestados em cada um destes contextos.

Os resultados demostraram, em primeiro lugar, e com pouca surpresa, que a qualidade dos cuidados é muito importante para o desenvolvimento cognitivo e da linguagem das crianças. Mais relevante era talvez a conclusão de que as crianças que frequentaram creches de média a elevada qualidade apresentavam melhores resultados do que aquelas que tiveram cuidados maternos exclusivos, mesmo em idades muito precoces. Os cuidados não parentais fora do domicílio por parte de uma pessoa não familiar, como uma ama, foram os que apresentaram resultados mais fracos. O rendimento familiar, a qualidade do ambiente doméstico, o sexo da criança e o grupo étnico a que pertencia revelaram-se variáveis sem impactos consistentes neste estudo.

É difícil, pelo menos em termos científicos, transpor a validade destes resultados, obtidos no ano 2000 e em famílias de dez estados norte-americanos, para a realidade portuguesa. Vítor Portela Cardoso e Paula Mendes são os primeiros a assumi-lo, admitindo ser difícil formular conclusões definitivas e estabelecer inferências causais. Mas Vítor Cardoso não tem dúvidas em afirmar que o desenvolvimento infantil que encontra nas consultas em idades pré-escolares, com crianças de três e quatro anos, é muito heterogéneo. Acrescenta que tem a impressão de “que as crianças que frequentaram a creche ou infantários demonstram mais aptidões cognitivas e melhor interação social relativamente àquelas que não o fizeram.”

É apenas uma impressão e não é sequer partilhada pela presidente da Sociedade de Pediatria do Neurodesenvolvimento, da Sociedade Portuguesa de Pediatria. Maria Júlia Guimarães observa que, “além dos resultados cognitivos e da aprendizagem da linguagem, temos os aspectos emocionais, que não foram abordados” no estudo de Vítor Portela Cardoso e Paula Mendes “e que são muitíssimo importantes”. Uma das principais traves do neurodesenvolvimento pediátrico é aquela que estabelece a importância da ligação emocional e afectiva entre a criança e o seu cuidador. “A mãe está sempre numa grande ambivalência, e naquela dúvida terrível sobre onde vai deixar o filho, quando tem de voltar ao trabalho, porque não pode prescindir do seu salário. Queixam-se da baixa taxa de natalidade, mas ninguém se lembra que as crianças não nascem com três anos de idade. O Estado demite-se de responsabilidades e deixa tudo nos ombros das famílias. Mas é preciso apoiá-las”,  exorta a pediatra.

Por um lado, são poucas as mães que conseguem fazer uma pausa no emprego e não se apressam a regressar ao trabalho, findos os quatro meses de licença. Por outro, o aumento da idade da reforma tem deixado os avós menos disponíveis para ajudar. E os custos cobrados pela guarda das crianças é excessivo para a maior parte da população.

Segundo a última Carta Social, que inventaria a Rede de Serviços e Equipamentos Sociais, em 2013 existiam em Portugal continental quase 113 mil creches, um número que praticamente duplicou relativamente ao ano 2000.  Quanto às amas registadas pela Segurança Social eram menos de 1200 em finais de 2014. Mas, com a liberalização da actividade, o número de amas deve aumentar exponencialmente.

Psicóloga clínica especializada em bebés, Clementina Almeida defende que a escolha de uma creche ou de uma ama será das decisões mais importantes que algum dia vão ser pedidas a uma mãe. Isto, porque os primeiros dois anos de vida do bebé são cruciais no seu desenvolvimento cognitivo e emocional. “Ao contrário de outros órgãos, não há nada de automático no desenvolvimento cerebral. Quando nasce, o cérebro está completamente dependente das relações e dos estímulos que vai receber. E hoje em dia já há muitos estudos a demonstrar que há conexões entre o primeiro ano de vida de um bebé e o que vai acontecer, em termos de saúde física e mental”, ao mesmo indivíduo adulto, “nomeadamente em termos de patologias como a depressão”, defende.

Clementina Almeida dá exemplos. “Quando o bebé é tratado de forma estritamente funcional – mudar a fralda, dar a papa ou o biberão – e o cuidador não estabelece laços afectivos com ele, aumentam os níveis de cortisol, uma substância que é segregada em situações de perigo e que vai ter sequelas. Vamos encontrar rapazes mais agressivos ou meninas mais ansiosas”, explica.

É por existir esse conhecimento cientifico, o que demonstra a neuroplasticidade e a maneira como se processa a formação do sistema nervoso central, que Maria Júlia Guimarães defende que os primeiros dois anos de vida do bebé devem corresponder ao período em que há maior exigência de qualidade por parte dos que assumem a responsabilidade de guardar as crianças.  “Se é imprescindível haver um estabelecimento de guarda, então que haja a garantia de que ele é o melhor possível”, defende a representante da Sociedade Portuguesa de Pediatria.

E quem deveria dar essas garantias? Vítor Portela Cardoso e Paula Mendes defendem que as creches não podem ser encaradas como meros depósitos de crianças que ficam a aguardar pelo regresso dos pais do trabalho. “Em Portugal as creches não são tuteladas pelo Ministério da Educação, dado que são mais encaradas como prestadores de cuidados de guarda do que propriamente de resposta educativa”, criticam os dois médicos. E defendem que, demonstrados os variados efeitos dos cuidados prestados às crianças em instituições como as creches, mesmo em idades muito precoces, “se deve promover a integração de uma resposta e tutela igualmente educativa”.

 

 

 

 

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