Pai inventa app que obriga crianças a retribuir chamada

Janeiro 22, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do MAGG de 8 de janeiro de 2019.

por  Marta Gonçalves Miranda

Um britânico estava farto de ser ignorado pelo filho quando descobriu a forma perfeita de acabar com o problema.

Quando o filho de Nick Herbert entrou para a escola, o pai ofereceu-lhe um telefone. Era uma forma prática de estarem sempre em contacto — pensava ele. A verdade é que Ben rapidamente descobriu o maravilhoso mundo dos jogos e vídeos, e a funcionalidade da chamada era frequentemente ignorada. Tanto que o adolescente chegava a pôr o telemóvel em silêncio para que o pai não soubesse o que é que ele andava a fazer.

Para acabar com a tortura do ghosting, o britânico criou a aplicação ReplyASAP. De uma forma muito simples, a app bloqueia o telemóvel até que o utilizador responda à mensagem enviada para a aplicação. Mais: a ReplyASAP também faz (muito) barulho até que haja uma resposta, mesmo que o telemóvel esteja em silêncio.

“Esta aplicação nasceu das minhas próprias frustrações pessoais com as aplicações de mensagens que existem atualmente”, contou Nick Herbert no site. Durante o desenvolvimento da app o britânico fez questão de incluir o filho, que até acabou por gostar da ideia. “Ele também me pode mandar mensagens — portanto, há um entendimento mútuo de que a ReplyASAP só é usada para coisas realmente importantes, e não porque precisa de pilhas para o comando da Xbox”.

Para já a app só está disponível para Android, mas a versão para iOS já está em desenvolvimento. Quanto aos preços, há quatro pacotes disponíveis: Bronze (1,10€); Prata (2,77€); Ouro (7,77€); e Platina (14,45€). A grande diferença é o número de pessoas que é possível incluir no sistema de troca de mensagens. A aplicação está disponível para download em Portugal, e em português.

 

 

Tecnológica chinesa vai limitar tempo passado a jogar dos menores

Setembro 21, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do site Notícias ao Minuto de 11 de setembro de 2018.

Por Miguel Patinha Dias

A Tencent vai exigir que os jogadores chineses introduzam os seus nomes reais para jogarem ao imensamente popular ‘Arena of Valor’.

Tencent anunciou através da sua app de mensagens, a WeChat, que limitará o tempo que crianças passam a jogar o seu imensamente popular jogo online ‘Arena of Valor’. Para tal, todos os jogadores terão de se registar no jogo com os seus nomes verdadeiros, os quais serão ligados à base de dados da polícia para identificar quem é menor de idade e deve ter o seu tempo limitado a apenas algumas horas por dia.

Esta limitação será diferente de acordo com a idade. Diz a Reuters que as crianças com 12 anos ou menos terão direito a apenas uma hora no jogo. Já dos 13 aos 18 anos, só será possível jogar até duas horas. Estas limitações impostas pela Tencent surgem por via do próprio Ministério da Educação da China, que apontou como motivo desta limitação o desejo de combater a falta de vista nas crianças.

Porém, a ideia do governo chinês pode ser também ‘quebrar’ o vício de videojogos que parece alastrar por toda a China. Entre os adolescentes, 18% diz jogar pelo menos quatro horas por dia, algo que já levou à criação de instalações especiais para impedir que seja criada esta tendência.

 

 

 

App do YouTube só para crianças chega esta quarta-feira a Portugal

Setembro 12, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 12 de setembro de 2018.

Manuel Pestana Machado

A app do YouTube focada nos mais novos chega esta quarta-feira a Portugal. A aposta em filtros parentais especiais e uma interface simples é a aposta da Google para as crianças.

O YouTube Kids chega esta quarta-feira a Portugal. A aplicação móvel da famosa plataforma de vídeo da Google direcionada a crianças “até aos 12 anos” foi lançada inicialmente em 2016 nos Estados Unidos da América, tem “11 milhões de utilizadores ativos” semanais e vai estar disponível no mercado português nos sistemas operativos Android e iOS, explicou ao Observador fonte da empresa.

A pensar no público português, a Google anunciou parcerias com programas infantis como o Pocoyo, a Porquinha Pepa, o Ruca e o Avô Cantigas. Para garantir que os mais novos não acedem avídeos que não são apropriados para a sua idade, por terem “linguagem e conteúdo impróprio”, a app tem um sistema de inteligência artificial que seleciona apenas vídeos direcionados ao público infantil.

Os pais que queiram instalar esta app num smartphone ou tablet terão de fazê-lo com uma conta Google. Podem criar até oito perfis, o que pode ser útil para quem tem muitos filhos. A app permite ainda que os pais escolham se querem manter ativo o sistema de pesquisa de vídeos, como acontece no tradicional YouTube. Na plataforma só para crianças, os pais podem optar por não incorporar a função de pesquisa, disponibilizando apenas os vídeos que querem que os filhos vejam. Quem quiser manter o motor de busca, pode fazê-lo, para que os mais novos pesquisem o que querem ver escrevendo ou falando em português para a aplicação.

O controlo parental da aplicação vai mais longe e o responsável pela criança até pode escolher os canais e vídeos específicos que quer que o menor veja.

Como explica a economia, “não há almoços grátis” e o YouTube Kids tem publicidade direcionada aos mais novos, em alguns vídeos, e “até 60 segundos”. A empresa promete que, em Portugal, a app não vai transmitir anúncios de comida e que a publicidade se fará mais com “brinquedos” e outros produtos que cativam as crianças. Em matéria de proteção de dados, a empresa assume que cumpre com a legislação em viigor e que, apesar de recolher dados da plataforma, não chega a saber a identidade do menor que a utiliza, sem consentimento dos pais.

Em abril, o The Guardian noticiava que a Google recolhia dados de menores. “A informação que recolhemos é o primeiro nome, mês e ano de nascimento do perfil que os pais inserem na aplicação”, justifica a empresa. De acordo com o teste que o Observador fez à versão portuguesa da app, é possível criar um perfil sem incluir dados de um menor.

Além destas configurações de segurança, o YouTube Kids apresenta “conteúdos centrados na família” através de quatro categorias: “Programas, Música, Aprender e Explorar”. Nos próximos meses, a Google espera ter mais parceiros de conteúdos a pensar nos mais novos através desta aplicação.

 

 

As armadilhas dos falsos desenhos animados que as crianças veem na Internet

Julho 13, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia e imagens da Visão de 7 de julho de 2018.

Rui Antunes

Vídeos com conteúdos impróprios, como o homem-aranha a urinar na banheira da protagonista de Frozen ou um cão da Patrulha Pata a ser abalroado por um comboio, estão à distância de alguns cliques. E um estudo recente em Portugal indica que apenas um em cada dez pais monitoriza o que os filhos pequenos visualizam no telemóvel e no tablet

Um cão da Partulha Pata a ser brutalmente atropelado por um comboio e outro a atirar-se do telhado de um arranha-céus. A Porquinha Peppa a beber lixívia. Personagens de As Aventuras de Labybug a dançar no varão. O homem-aranha a urinar na banheira de Elsa, protagonista do filme de animação Frozen. O Mickey estendido numa poça de sangue após ser abalroado por um carro ou a Minnie presa pela cintura num alçapão de uma escada rolante.

Se não quer que o seu filho veja este tipo de conteúdos na Internet, o melhor é começar a prestar mais atenção aos vídeos a que ele acede a partir do telemóvel ou tablet. Disfarçados em desenhos animados que fazem as delícias dos mais pequenos, estes comportamentos violentos e impróprios proliferam na web, ao alcance de meros cliques. Obviamente, não são vídeos das séries originais, mas nenhuma criança o sabe. Se surgem na lista de recomendações, por semelhança de conteúdo, é para elas irresistível assistir a mais um episódio com as suas personagens preferidas.

“A exposição reiterada a cenas violentas, mesmo que virtualmente, gera o efeito de banalização e legitimação da violência e aumenta a probabilidade dos impactos negativos sobre o desenvolvimento cognitivo, emocional e espiritual da criança”, alerta a psicóloga Joana Garcia Fonseca. “Quando os heróis das crianças resolvem tudo por métodos violentos, elas não aprendem outra maneira de resolver os conflitos, pelo que estarão mais predispostas a reproduzir atitudes violentas no seu comportamento”, acrescenta a coordenadora da equipa técnica de Lisboa, Santarém e Setúbal da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens.

Esta consequência é expectável, sobretudo, em crianças que vivem em contextos familiares de agressividade e violência. “As crianças que vivem em ambientes caracterizados pelo diálogo e compreensão mútua, mesmo que também vejam programas violentos, tenderão a desenvolver um sentido crítico”, esclarece Joana Garcia Fonseca.

Quase um quarto das crianças em idade pré-escolar usa a Internet

Um estudo divulgado já este ano pela ERC (Entidade Reguladora da Comunicação Social) concluiu que 22% das crianças portuguesas em idade pré-escolar já utiliza a Internet. Até aos oito anos, a percentagem sobe para os 62%. E os desenhos animados estão entre os conteúdos mais procurados. A maior parte é inofensiva – ou pelo menos não atinge a gravidade dos exemplos citados, que chegam a ter milhões de visualizações antes de serem removidos ou etiquetados como conteúdo para adultos -, mas outros nem tanto. Por essa razão, diz Joana Fonseca, “é importante que os pais se preocupem com os programas que os seus filhos veem, da mesma maneira que se preocupam com a alimentação, o sono, a roupa, a higiene ou o cuidado com que atravessam a rua”.

Segundo o estudo da ERC, com o sugestivo título “Boom Digital? Crianças e ecrãs”, apenas um em cada dez pais monitorizam as páginas a que os filhos acedem, o que, perante estas (e outras) armadilhas pode ser visto como negligência. Na verdade, nem aplicações destinadas aos mais novos, em idade pré-escolar ou no primeiro ciclo, como o Youtube Kids, estão a salvo de recomendar conteúdos impróprios para crianças. Confiar apenas no filtro dos algoritmos é um erro crasso.

“Os pais devem conhecer os conteúdos do que dão a visualizar aos seus filhos. Se tiverem dúvidas, devem visualizar conjuntamente, a fim de poder explicar e ajudar a selecionar”, aconselha a psicóloga da comissão que zela pelas crianças, sugerindo aos pais o recurso à linha Internet segura para o esclarecimento de dúvidas relacionadas com o uso que os filhos dela fazem. Mais do que restringir o acesso, sustenta Joana Garcia Fonseca, importa “ajudá-los a saber pensar e a tomar decisões”, sendo fundamental que aprendam a distinguir o bom do mau. “Conversar com os filhos é essencial para compreenderem o que é real e o que é fantasia.” Na escola, a mensagem deve ser a mesma, de modo a reforçar o sentido crítico das crianças quando navegam no mundo virtual.

Outro ponto chave é não fazer dos ecrãs uma espécie de ama para todas as ocasiões, faça chuva ou faça sol. “Muitas vezes, os pais utilizam a televisão ou os programas disponibilizados na Internet, nomeadamente no Youtube, como babysitter. Escasseiam as alternativas de interação real da criança com o meio ambiente e com os outros. Passear, ouvir uma história, jogar um puzzle, fazer um piquenique ou, simplesmente, brincar. Quantas vezes os pais oferecem estas oportunidades de socialização e relação aos seus filhos atualmente?”, questiona a psicóloga.

 

 

 

 

Crianças superprotegidas têm mais dificuldade em lidar com a frustração

Junho 26, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 19 de junho de 2018.

As crianças cujos pais são excessivamente controladores – já baptizados como “pais-helicóptero” por andarem sempre a “sobrevoar” os filhos – tornam-se menos capazes de controlar as suas emoções e os seus impulsos à medida que vão crescendo, podendo mesmo vir a sofrer dificuldades acrescidas nas aprendizagens feitas na escola.

A conclusão resulta de um estudo que juntou investigadores norte-americanos, ingleses e suíços e que, segundo o jornal britânico The Guardian, implicou a observação de 422 crianças e respectivas mães durante oito anos. “Os pais que são excessivamente controladores são quase sempre bem-intencionados e estão a tentar apoiar os seus filhos”, introduz Nicole Perry, uma investigadora universitária do Minnesota, nos EUA, para recomendar: “Contudo, para promover o desenvolvimento das competências emocionais e comportamentais das crianças, os pais devem permitir que estas experimentem uma variedade de emoções e dar-lhes espaço para as gerir de forma autónoma. E só depois, quando a tarefa se revela demasiada para as crianças, devem ajudá-las e orientá-las”.

Num artigo publicado na revista Developmental Psychology, da Associação Americana de Psicologia, os investigadores explicaram que as 422 crianças foram chamadas a um laboratório quando tinham dois anos de idade para os investigadores verem como brincavam com as respectivas mães. Durante quatro minutos e postas diante de uma variedade de brinquedos, as mães sabiam que estavam a ser observadas. Depois, eram deixadas sozinhas com os filhos durante mais dois minutos, sem saberem que continuavam a ser gravadas e observadas.

Aquilo que os investigadores procuravam apurar era até que ponto as mães tentavam assumir as tarefas e orientar a brincadeira dos filhos.

Anos depois, quando as crianças tinham cinco anos de idade, os investigadores voltaram a observá-las para perceber que comportamentos assumiam perante uma distribuição não equitativa de doces e quando convidadas a completar um puzzle sob pressão.

Numa fase posterior do mesmo estudo, quando as crianças tinham dez anos, os investigadores questionaram os respectivos professores sobre a existência de problemas como depressão, ansiedade e solidão entre estas crianças, bem como sobre os respectivos desempenhos escolares e aptidões sociais. Nesta altura, as crianças foram também questionadas sobre as suas atitudes em relação à escola e aos professores.

As conclusões a que os investigadores chegaram são claras q.b. Sopesadas as diferenças etárias e de contextos sócio-económicos, os filhos de mães mais controladoras revelaram, aos cinco anos, ter menos controlo sobre as suas emoções e sobre os seus impulsos. E, mais do que isso, as crianças que aos cinco anos revelavam problemas de auto-controlo das emoções revelaram, cinco anos depois, ter menos aptidões sociais e um desempenho académico mais fraco.

Apenas seis minutos de observação

Os investigadores limitaram-se a observar uma única vez a interacção entre os bebés e as respectivas mães e não consideraram mudanças na família ou na saúde das crianças. Conforme ressalva Dieter Wolke, da Universidade de Warwick, no Reino Unido, os investigadores não averiguaram sobre a existência de distúrbios de ansiedade entre as mães. Mas o investigador não deixou, por isso, de enfatizar o facto de as conclusões convergirem com as de outros estudos que demonstraram que a falta de auto-controlo na infância gera problemas em idades mais avançadas.

“A questão é que se alguém não aprende a auto-regular-se na infância como é que se vai auto-regular quando sai de casa ou quando vai para a universidade?”, reflecte, para considerar que impedir as crianças de fazerem essa aprendizagem configura uma “certa forma de abuso”.

A questão estará assim em perceber onde está a fronteira, isto é, “quando é que o controlo se torna excessivo” e de que modo se enquadra no contexto em que a criança está inserida.

“Embora o estudo estabeleça uma ligação entre o excessivo controlo parental e problemas futuros não é possível concluir que uma coisa provoca a outra”, sublinha outra investigadora, Janet Goodall, da Universidade de Bath, na Inglaterra, para lembrar que a interacção das crianças com as mães durou apenas seis minutos. De resto, segundo a investigadora, os pais não devem sentir-se culpados: “O que realmente importa é que os pais se preocupem com as suas crianças e sobre o que estas fazem e aprendem.”

mais informações na notícia :

Helicopter Parenting May Negatively Affect Children’s Emotional Well-Being, Behavior

 

 

Com que idade as crianças devem acessar redes sociais?

Maio 11, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto e foto da Folha de São Paulo de 25 de abril de 2018.

Para especialistas, é importante respeitar regras das próprias plataformas

Flávia Mantovani

São Paulo

Está nas regras do Facebook, Instagram, YouTube e outras redes sociais: só pode criar conta quem tem ao menos 13 anos de idade. Mas todo mundo sabe que, na prática, não é o que acontece.

Segundo pesquisa de 2017, 86% dos brasileiros de 9 a 17 anos que acessam a internet têm perfil em redes sociais. Entre aqueles de 9 a 10 anos, o índice é de 62% e, de 11 a 12 anos, 76%. WhatsApp e Facebook são as redes mais acessadas nessa faixa etária, ainda segundo o estudo, do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br).

“Vemos as crianças entrando nas redes sociais cada vez mais cedo e usando por cada vez mais tempo”, diz o psicólogo Rodrigo Nejm, diretor de educação da associação Safernet. “A internet é a maior praça pública do planeta. Você tem que se perguntar: meu filho já tem maturidade para ter autonomia plena nesse lugar público?”, questiona.

Autora do livro recém-lançado “Como Criar Filhos na Era Digital” (ed. Fontanar, 220 pág.), a psicóloga britânica Elizabeth Kilbey diz que atende cada vez mais pais preocupados com o excesso de uso dos filhos. “Trabalho com crianças com quadros de ansiedade e tristeza porque acreditam que não são tão populares, bonitas ou magras quanto seus amigos nas redes sociais.”
Para a filósofa e escritora Tânia Zagury, os pais dessa geração, que convivem com a tecnologia há bastante tempo, acham que não há problema em deixar o filho entrar nas redes sociais precocemente.
“As crianças só têm acesso porque os pais possibilitam. Eles tendem a achar que seu filho é mais maduro do que realmente é”, diz ela, que lançou em 2017 o livro “Os novos perigos que rondam nossos filhos” (Rocco, 192 págs.).

Segundo os especialistas, a solução não é proibir ou demonizar as redes. É orientar as crianças para que saibam navegar de forma saudável e segura nesse ambiente. E, uma vez que elas tiverem um perfil, monitorar seu uso.

“Supervisionamos nossos filhos muito mais no mundo real do que no virtual”, escreve Kilbey. “A maioria dos pais nem sonharia em dar um pote de biscoito ao filho todos os dias, tampouco deixar que comessem todos os biscoitos que quisessem, como quisessem. Mas muitos pais não pensam duas vezes em dar aos filhos acesso irrestrito a um aparelho digital”, compara.

A recomendação é estabelecer um diálogo transparente com as crianças. “Não é diferente da orientação que se dava antes da internet, de não conversar com estranhos, não divulgar seu endereço”, diz Maluh Duprat, do Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática da PUC-SP. “A internet é o mundo deles, não adianta querer que fiquem fora.”

Veja a seguir orientações dos especialistas para seis dúvidas sobre o tema.

Com que idade devo deixar meu filho criar um perfil nas redes sociais?

Os especialistas não recomendam desrespeitar a norma das próprias redes —quase sempre, a idade mínima é 13 anos. Antes disso a criança pode não ter maturidade para navegar ali.

Mesmo quando ela chegar à idade permitida, vale analisar cada caso. “Posso ver que meu filho de 13 ou 15 anos é imaturo, influenciável, não tem boa autoestima. E por isso achar que não vai fazer bem a ele”, diz Nejm.

Deixar a criança mentir a idade para criar um perfil é, para Zagury, uma “lição de falta de ética”. “Quem age assim ensina aos filhos que, sob certas circunstâncias, é válido fraudar regras”, afirma.

A criança não vai se sentir excluída se não entrar em uma rede social?

O argumento “todos meus amigos têm” pode ser desconstruído facilmente, afirma Rodrigo Nejm. “Os pais explicam que cada família é diferente e que na casa deles, por acharem que aquilo é o melhor, a regra é essa. Isso vale para para tudo.”

Zagury garante que a criança não ficará traumatizada se não usar as redes sociais até os 13 anos: “A pressão social sempre vai existir. Cabe ao adulto ser adulto e decidir o que é melhor para ela”.

Devo ter a senha das contas do meu filho?

Se os pais acham que o filho tem maturidade para criar um perfil, não deveria ser necessário compartilhar a senha —o que não significa deixá-los sem monitoramento. O importante é acompanhar o que eles postam e até, de vez em quando, entrar no perfil junto com eles, e não escondido. “Se você acha que seu filho não deve ter privacidade naquele ambiente, ele não deveria ter rede social ainda”, diz Nejm.

Para crianças mais novas, caso os pais optem por deixá-las usar as redes, podem criar a conta junto com elas e avisar que também têm a senha. Mesmo assim, o melhor é acessar o perfil só com o filho ao lado.

Qual é o problema de as crianças entrarem cedo demais nas redes?

Além de serem mais vulneráveis a desconhecidos que cometem crimes pela internet, elas precisarão lidar com problemas típicos da adolescência sem ter a maturidade para isso. Ficam expostas a um tipo de bullying com alcance ampliado e podem divulgar informações que comprometem a privacidade da família.

Elizabeth Kilbey ressalta que crianças têm mais risco de se tornarem dependentes. “Elas se tornam facilmente hiperfocadas nas redes e deixam de lado outras atividades importantes””, alerta.

Segundo estudos, o excesso de tempo de tela pode atrapalhar o desenvolvimento motor, social e emocional, causar dores e piorar a concentração e o rendimento escolar.

Como saber se tem algo errado acontecendo com meu filho nas redes?

Crianças e jovens que passam por dificuldades como bullying ou abuso na internet costumam mudar o comportamento. Ansiedade, tristeza, variações bruscas de humor, mudanças no sono e na alimentação são alguns sinais. “Eles dificilmente não transparecem quando algo está errado. Se isolam no quarto, não querem mais ir à escola, o rendimento cai”, diz Maluh Duprat.

Se eu uso muito as redes sociais, meu filho fará o mesmo?

Os pais são a primeira referência da criança para tudo. Pais que jantam olhando o celular e checam o Facebook enquanto conversam com os filhos devem esperar o mesmo deles. “É mais comum eu ter que dizer para os pais largarem seus celulares do que para as crianças e adolescentes com os quais trabalho”, diz Elizabeth Kilbey.

O ideal é que regras como não comer com o celular na mesa valham não só para os pequenos, mas para toda a família.

 

Daniel Sampaio. “Sou contra a invasão ao telemóvel de um filho”

Maio 3, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista da http://rr.sapo.pt/ a Daniel Sampaio no dia 11 de abril de 2018.

Não espiar o telemóvel dos filhos, criar regras para que saibam distinguir os momentos em que podem ou não usá-lo, colocar o telemóvel longe na hora de deitar. Em entrevista à Renascença, Daniel Sampaio deixa conselhos aos pais para que lidem melhor com a relação dos filhos com a tecnologia e a internet. O psiquiatra acaba de lançar o livro “Do Telemóvel para o Mundo”, em que aborda muitos destes temas. E confessa ter “errado”, ao longo da sua carreira, ao tratar a adolescência como um “caso clínico”.

ouvir a entrevista no link:

http://rr.sapo.pt/noticia/110480/daniel-sampaio-sou-contra-a-invasao-ao-telemovel-de-um-filho

 

Crescendo entre ecrãs: competências digitais de crianças de três a oito anos

Abril 22, 2018 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Artigo publicado na Revista do Centro de Estudos de  Comunicação e Sociedade (CECS) Universidade do Minho

As crianças portuguesas de três-oito anos estão a crescer em lares apetre­chados com dispositivos móveis, individualizados, de pequeno porte e ecrãs tácteis, com aplicações diversificadas. Apesar desta ecologia digital, o pri­meiro inquérito nacional sobre como as crianças estão a crescer entre ecrãs (N= 656), realizado para a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), em 2016, contraria pressuposições de um boom tecnológico. Apenas 38% dos pais reportam que as crianças usam a internet e prevalece uma mediação centrada no controlo e na restrição. Este texto apresenta e discu­te resultados desse inquérito e do estudo qualitativo em 20 famílias cujas crianças acedem a meios digitais, centrando-se nas competências digitais. Estas incluem competências tradicionais (ler, escrever e contar), e outras re­lacionadas com acesso e uso das tecnologias digitais (Sefton-Green, Marsh, Erstad & Flewitt, 2016)

Castro, T. S.; Ponte, C.; Jorge, A. & Batista, S. (2017). Crescendo entre ecrãs: competências digitais de crianças de três a oito anos. In S. Pereira & M. Pinto (Eds.), Literacia, Media e Cidadania – Livro de Atas do 4.º Congresso (pp. 144-157). Braga: CECS.

visualizar / descarregar o artigo no link:

http://www.lasics.uminho.pt/ojs/index.php/cecs_ebooks/article/view/2671/2579

Quando as crianças e jovens acreditam mais nos youtubers do que nos pais

Abril 1, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da https://www.tsf.pt/ de 14 de março de 2018.

No TSF-Pais e Filhos de hoje, conversamos com Filipe Custódio, especialista em cibersegurança, sobre a influência dos youtubers nas crianças e como lidar com a situação.

Seguem-nos com toda a atenção, são ídolos para eles porque por alguma razão conseguiram captar-lhes a atenção, mas muitas vezes o que preconizam vai contra os princípios que os pais defendem e há ideias perigosas.

Filipe Custódio, especialista em cibersegurança, alerta para esta realidade. “Atenção que por vezes há outros educadores que estão em nossa casa, nos telemóveis deles que dizem exatamente o contrário do que nós estamos a dizer”, conta. Perante isto, este especialista em cibersegurança defende que só há uma solução: “o debate franco e aberto com os nossos filhos”.

Para Filipe Custódio não basta dizer que o que determinado youtuber está a dizer é mentira, é preciso argumentar e mostrar outras outras fontes. Por outro lado, Filipe Custódio defende que os pais não devem condicionar a ideias políticas dos filhos ainda que essas ideias possam não ser iguais às dos pais. “Expô-los a várias realidades, é o máximo que podemos fazer”, defende.

ouvir as declarações de Filipe Custódio no link:

https://www.tsf.pt/sociedade/interior/quando-as-criancas-e-jovens-acreditam-mais-nos-youtubers-do-que-nos-pais-9183207.html

 

Quando for grande quero ser youtuber

Janeiro 26, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do https://www.publico.pt/ de 16 de janeiro de 2018.

Esqueçam os jogadores de futebol, os cantores ou os apresentadores de televisão. A nova geração, quando crescer, quer ser youtuber, quer fazer vídeos que publica no canal YouTube, quer ter muitas visualizações e ganhar muito dinheiro. Impossível? Não. As crianças e os adolescentes vêem que já há quem, pouco mais velho do que elas, tenha casas e carros melhores do que os dos seus pais. Com um trabalho que parece ser divertido. E esse começa a ser o seu ideal de vida, revelam alguns pais, preocupados.

A realidade é que há youtubers portugueses com muito sucesso entre os que têm dos dez aos 15 anos de idade, que participam em eventos e são tratados como “estrelas internacionais”, conta Miguel Raposo, agente de “todos os youtubersque estão no top 10 do YouTube”, diz ao PÚBLICO. “Os youtubers são grandes influenciadores de uma camada mais jovem que segue e admira o seu trabalho”, define Sofia Monteiro, editora da Manuscrito, uma chancela da Presença.

“São novos, ricos, têm carros… A ideia que se passa é um apelo ao material. Há uma venda de valores que pode ser perigosa: ‘Tu podes ser famoso sem dominar a língua portuguesa’”, resume Ana Galvão, radialista que trocou recentemente a Antena 3 pela Rádio Renascença, ao PÚBLICO. Num post no Facebook publicado no início da semana passada, Ana Galvão denuncia “uma legião de jovens youtubers que estão a ensinar barbaridades aos nossos filhos”.

Sobre essas “barbaridades” já Nuno Markl, com quem a radialista tem um filho em comum, tinha escrito, no Facebook. Em causa um vídeo que o filho de oito anos vira em que um youtuber recomendava que, quando a mãe o acordasse para ir para a escola, a mandasse para o c… Markl ainda argumenta que aquele vídeo pode não ser para crianças de oito anos: “Então é para miúdos de quê? Catorze? Dezoito? Há uma idade em que a dica ‘manda a tua mãe para o c…’ já é aceitável?”, e conclui que lá em casa “acabaram-se os youtubers”.

Os posts de Ana Galvão e Nuno Markl, com milhares de reacções, abrem as portas a um universo que sobretudo os pais das crianças e dos adolescentes conhecem, o dos youtubers. Jovens que gravam vídeos e os colocam no YouTube à espera de milhares ou milhões de visualizações. Jovens que influenciam quem os vê. Alguns dos portugueses que actualmente estão no top 10 vivem juntos numa moradia de luxo com piscina em Alcochete. Alguns vieram do mundo dos videojogos, ou seja, antes eram conhecidos por estarem horas a jogar em directo para a Internet.

“Inicialmente, os youtubers estavam muito ligados aos videojogos, hoje em dia são entertainers. Falam de tudo”, explica Miguel Raposo, representante dos jovens da “Casa dos YouTubers”, mas também de músicos como Piruka, outro fenómeno do YouTube. O também autor do livro Torna-te Um Guru das Redes Sociais acrescenta: “Além dos temas e brincadeiras, eles partilham muito da vida pessoal e isso aproxima o público.”

Desvalorização dos meios tradicionais

As “brincadeiras” de que Raposo fala podem ser, segundo viu o PÚBLICO no YouTube, partidas que pregam, com gritos e palavões à mistura. O PÚBLICO tentou falar com vários youtubers, da casa e não só, mas apenas dois, que não fazem parte do top 10, aceitaram responder a algumas questões. Miguel Raposo justificou a recusa dos da “Casa dos YouTubers”: “O público deles não está na televisão ou nos jornais, e eles desvalorizam mesmo muito estes ‘meios’.”

No YouTube, num vídeo, Tiagovski, um dos youtubers com quem o PÚBLICO tentou falar, publicou um vídeo de 35 minutos em que tenta desconstruir a opinião de Ana Galvão e declara: “Desde há quase três meses, quase ninguém diz palavrões [entre] os maiores influenciadores, porque nós tentamos fazer um conteúdo family friendly.” Para logo a seguir quebrar o recorde: “Agora vou ser um bocadinho agressivo, mas para todos os pais que nos estão a ver, vocês não pensem que os vossos filhos não sabem o que é p…”, e dá início a uma lista de palavrões usados para designar os órgãos genitais masculinos e femininos. Se os meninos dizem asneiras ou desrespeitam os pais, “a culpa é dos pais. Os pais é que têm de educar nesse aspecto”, atira no vídeo com cerca de 83 mil visualizações.

Sobre o facto de os youtubers não saberem falar bem português, uma das acusações de Ana Galvão, Tiagovski contesta. “Duvido muito”, diz o jovem de 24 anos que revela manifesta dificuldade em ler o post da radialista; que diz “podamos” em vez de “possamos”; que por vezes não conjuga os verbos, por exemplo ao dizer “é os youtubers”, em vez de “são os youtubers”. Contudo, ressalva que não cabe aos youtubers ensinarem língua portuguesa.

O youtuber repete que é um influenciador, que o seu trabalho tem mais visualizações do que a rádio ou a televisão e que há “empresas, empresas, empresas e empresas” atrás deles por causa do alcance que têm, enumerando algumas do desporto e da tecnologia. Mais: paga Segurança Social e não foge ao fisco, sublinha. Miguel Raposo prefere não comentar os ganhos dos youtuber, mas conta que criou a BeInfluence só para os representar, os dos jogos, do entretenimento e, mais recentemente, da música.

Loucura, fanatismo e PSP

Os números do YouTube atestam o êxito que estes jovens têm. Mas se dúvidas houvesse, os eventos ao vivo confirmam-no. Esses “acabam por demonstrar a loucura e o fanatismo que os fãs sentem pelos youtubers”, declara Raposo, dando o exemplo do lançamento do livro de Wuant – autor do vídeo com o qual Galvão e Markl se insurgiram e que é o número 1 entre os youtubers – em Lisboa, há precisamente um ano. “A fila saía fora da Fnac e do próprio centro comercial. Fechámos a fila cinco minutos depois de começar a sessão”, conta, acrescentando que há outros casos como aquele no Porto em que foi preciso chamar a PSP para o mesmo youtuber conseguir sair. Este tem 2,6 milhões de subscritores.

Os youtubers influenciam quem os vê, mas nem sempre têm consciência disso. Pelo menos é o que diz Nurb, que começou há oito anos, cresceu com o seu público, fez carreira na televisão e na publicidade, e, hoje, não está entre os mais vistos. “Quando alguém me diz ‘na minha turma todos usávamos aquela expressão’, então penso que tinha influência”, recorda ao PÚBLICO. Mas, então, não tinha essa percepção. Fazia os seus vídeos – “tinha uma coisa para dizer e dizia” – sem pensar em quem os via. Hoje sente uma maior responsabilidade. “Mesmo que não queira, acabo por ter, porque se disser alguma coisa muito edge [no limite] posso ser mal interpretado.”

Por seu lado, Sea3PO é uma youtuber que se preocupa com o público, a que chama Seafam; e tem noção de que o influencia e de que isso “é uma responsabilidade gigante”. “Por isso mesmo, faço um esforço por ser positiva”, diz, acrescentando que pensa muito nos conteúdos, “exactamente pela influência que têm”. “Se sentir que um tema não é adequado ou não faz sentido, prefiro não o explorar.”

Beatriz e Hugo Rechena são pais de um menino de dez anos cujo sonho é ser youtuber, “como todos os amigos”, conta a mãe. “Há muitos youtubers na escola, são uma comunidade, partilham e divulgam o que fazem entre si, ajudam-se uns aos outros”, conta o pai. A família chegou a ir a um evento onde estavam os youtubers famosos, mas, perante as filas, desistiram. Um dia, viram um deles e Beatriz explicou ao menino que não iam incomodar o jovem porque estava a jantar. “São heróis”, resumem os pais. Ana Galvão concorda: “São corajosos, divertidos, têm uma vida que todos gostavam de ter.” Sea3PO prefere ver-se como “uma inspiração”.

Com todos os cuidados, Hugo Rechena, engenheiro informático, e a mulher, que trabalha na área da comunicação, deixaram o filho abrir um canal de YouTube. O menino – que não quer ser identificado nem neste artigo nem na Internet, onde aparece com uma máscara de Iron Man – assumiu o nome de Iron pt Vlog, e tem quase 90 subscritores. Naquele espaço-conversa, constrói coisas, faz truques de cartas ou de magia e até já fez um vídeo sobre um hotel onde passou um fim-de-semana em família. “E não foi patrocinado!”, brinca o pai. “Ele é muito criativo e não copia as temáticas dos youtubers que admira”, conta a mãe, que reconhece que a criança tímida se transforma por detrás da máscara, revelando desenvoltura, criatividade e sentido de humor.

O rapaz sabe que há uma linha que não pode atravessar, a da falta de educação. Todos os vídeos são vistos pelos pais antes de irem para o canal. “Existe uma pegada que deixamos na Internet e convém que, no futuro, ele olhe e não se envergonhe. Convém que o seu legado não o comprometa”, diz o pai. E também sabe que, se as notas baixarem, a sua carreira pode terminar. Entretanto, tem o apoio dos pais e fez um curso numa escola de programação.

Pais têm gap tecnológico

O interesse das crianças e dos adolescentes é crescente e não são só as grandes marcas, mas também as editoras, que o perceberam. “Os livros de youtubers são uma tendência editorial e ocupam os primeiros lugares dos tops infanto-juvenis”, responde Sofia Monteiro, da Marcador, que publicou os livros de Wuant (na 9.ª edição), Miguel Luz (7.ª edição), Inês Rochinha (4.ª edição) e vai publicar o da Sea3PO. “Como estamos ligados ao contexto escolar, não queremos editar algo cujos valores não são aqueles que defendemos. Preferimos livros mais educacionais”, responde Susana Baptista, da Porto Editora, que em Fevereiro vai publicar Quero Ser Uma YouTuber, da brasileira de 12 anos Júlia Silva, que começou aos seis anos e tem três milhões de subscritores no YouTube. Trata-se de um livro para crianças com conselhos sobre como criar um canal, que cuidados ter, como lidar com a fama; mas também para os pais. Estes “não conseguem estar em todo o lado, por isso é importante saberem como as coisas funcionam”, avalia Susana Baptista.

Sempre que o filho de Beatriz e Hugo Rechena está no YouTube, eles estão atentos, dizem. Por exemplo, nunca se vê nada com auscultadores postos, mas com o som audível. Mas isso não quer dizer que não possa ver coisas que os pais preferissem que não visse, sabem. Também Ana Galvão diz que o filho é “bastante controlado”, mas tal não significa que não veja com os amigos. “Não sou pela proibição de conteúdos, mas os pais têm de estar mais em cima disto”, defende a voz do programa da tarde da Renascença. Por exemplo, Ana e Beatriz descobriram, através dos filhos, que o YouTube também se pode ver pela televisão. “Temos um tremendo gap tecnológico em relação aos nossos filhos”, admite Ana Galvão.

No YouTube existem “filtros parentais”, assim como há a possibilidade de denunciar um vídeo. “O YouTube é um espaço para utilizadores com 13 ou mais anos”, informa Rui Carvalho, porta-voz da empresa em Portugal, acrescentando que existe a opção “modo restrito” que “permite às famílias filtrar mais os conteúdos”. Esta tem sido uma preocupação da empresa, que está a “investir significativamente na moderação de conteúdos”. A empresa não responde à pergunta se há denúncias a vídeos de youtubers portugueses.

“Temos de ter cuidado com o conteúdo e ver o que os nossos filhos estão a ‘ver’. É como deixar um filho andar na rua sozinho, temos de ter cuidado”, aconselha Miguel Raposo, o agente dos youtubers. “O controlo parental pode estar no nosso aparelho, mas não estar no de outro pai ou dos amigos”, observa Hugo Rechena. “Há pais que não sabem o que os filhos vêem ou que têm canais onde publicam vídeos”, acrescenta a mulher. O marido lembra as potencialidades que tem um smartphone, que os pais desconhecem. “Não devemos restringir, mas educar”, propõe. “E acompanhar”, complementa Beatriz Rechena.

 

 

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