PJ pede aos pais que controlem acesso de menores à internet

Novembro 25, 2019 às 6:00 am | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da SIC Notícias de 18 de novembro de 2019.

Visualizar o vídeo da reportagem no link:

https://sicnoticias.pt/pais/2019-11-18-PJ-pede-aos-pais-que-controlem-acesso-de-menores-a-internet?fbclid=IwAR0OrpP3OvahMo36qi-zuj_lLBT_Dml7Mkv8Xss-6G3387PkjQSygJoHC_c

Afogamento em idade pediátrica: verão após verão a tragédia repete-se

Setembro 18, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site Educare de 16 de agosto de 2019.

Estamos no verão! A pior época do ano no que respeita aos afogamentos.

Afogamento, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), define-se por um processo que condiciona insuficiência respiratória em resultado da imersão (pelo menos da face e da abertura da via aérea) ou submersão (todo o corpo) em água/outro líquido, independentemente da sobrevida ou não. Desde o nascimento que o contacto com água torna-se rotineiro e, para a maioria das crianças a água é uma diversão atrativa. Contudo, esta interação acarreta risco e a vulnerabilidade das crianças varia de acordo com a idade, género e estádio de desenvolvimento.

O afogamento é um acontecimento trágico, muito rápido (segundos são suficientes), silencioso (a criança não faz barulho e não pede ajuda) e que pode ocorrer em pequenas quantidades de água (menos de um palmo de água).

Apesar das campanhas anuais de prevenção da morbi-mortalidade por afogamento, as situações fatais ou com consequências devastadoras permanecem.

Em Portugal, o afogamento é a segunda causa de morte acidental nas crianças (depois dos acidentes de viação) e a grande maioria poderia ser prevenida. De acordo com o último relatório da Associação para a Promoção e Segurança Infantil (APSI), nos últimos 16 anos ocorreram 247 afogamentos com desfecho fatal e 586 internamentos na sequência de afogamento e, desde há 7 anos que estes números têm vindo a diminuir. Nas crianças hospitalizadas, o prognóstico é geralmente reservado, e as que sobrevivem podem apresentar sequelas neurológicas permanentes. No entanto, estes números não devem subestimar este problema de saúde pública. A maioria das crianças e jovens com necessidade de internamento ocorre dos 0 aos 4 anos e a maioria das mortes por afogamento dos 15 aos 19 anos. O género masculino associa-se à maioria dos afogamentos (66%). Quanto aos locais, as piscinas são os planos de água com maior registo de afogamentos, sobretudo na primeira década de vida, seguido das praias e dos rios/ribeiras/lagoas com crianças e jovens mais velhos. Em todos os meses do ano há registo de afogamento, no entanto Junho, Julho e Agosto são os meses onde se verificam mais casos.

É importante conhecer os riscos:
– Vulnerabilidade da idade;
– Género (sobretudo masculino);
– Acessibilidade a planos de água (piscina, praia, rios/ribeiras/lagoas e poços) e ausência de barreiras físicas que impossibilitem o acesso livre à água ou dispositivos de flutuação adequados (braçadeiras e/ou coletes salva-vidas essenciais em ambientes aquáticos). De alertar que as boias e os colchões são falsamente seguros, uma vez que facilmente são deslocados quer pelo vento quer pela ondulação.
– Ausência ou inadequada vigilância (mesmo na banheira): devendo evitar-se qualquer elemento distrativo como exemplo o uso do telemóvel;
– Consumo de álcool e drogas e exposição simultânea a banhos;
– Incumprimento das regras de segurança do local;
– Patologias de base como por exemplo epilepsia.

É fundamental criar ambientes seguros, minimizando os acidentes:

1.  Vigilância ativa: o cuidador deve vigiar as crianças na água ou na sua proximidade, sem distrações (como por exemplo o telemóvel) e de forma atenta e permanente para que possa intervir de imediato sempre que necessário. Com ressalva de que o cuidador deverá saber nadar de forma a evitar colocar a sua vida e das crianças em risco.
2.  Nas férias, vigilância redobrada, com reconhecimento do local e dos planos de água.
3.  Quando em ambiente de festa, com muita gente, estabelecer um sistema rotativo de vigilância, havendo sempre um adulto responsável pelo ambiente aquático.
4.  Esvaziar baldes, alguidares e banheiras, logo após a sua utilização. Não deixar a criança sozinha no banho, sem supervisão e esconder a tampa da banheira para evitar que a criança a encha sozinha.
5.  Colocar barreiras físicas que impossibilitem o acesso à água (piscinas, poços, fossas e tanques). O uso de barreiras não deve substituir a supervisão do cuidador. Outros sistemas de proteção para a piscina existentes no mercado não mostraram benefício. Não deixar brinquedos atrativos perto e/ou na piscina.
6.  Optar por praias e piscinas vigiadas, localizar o nadador salvador e cumprir as regras de segurança e sinalização do local.
7.  Equipamento de flutuação (braçadeiras/coletes salva-vidas ajustados ao corpo) devem ser sempre colocados nas crianças junto aos ambientes aquáticos. No entanto, esta medida não substitui as supramencionadas.
8.  Formação em suporte básico de vida, sobretudo para quem tem piscina no domicílio.
9.  Iniciar aulas de natação e promover comportamentos seguros o mais precocemente possível.
10.  Fortalecer a consciencialização pública e advertir para a vulnerabilidade das crianças.
11.  Alertar para os riscos de mergulhar em zonas com profundidade da água desconhecida ou onde existam rochas submersas ou desníveis.
12.  Incentivar as crianças a permanecerem perto das margens e a nunca entrarem na água sem vigilância.

Prevenir o afogamento está nas nossas mãos!

Ana Ribeiro, com a colaboração de Clara Machado, Pediatra do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga.

Como sou visto pelos meus filhos?

Setembro 12, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site Sapo Lifestyle de 30 de julho de 2019.

Perceber os dois lados para um desenvolvimento familiar saudável

Como é visto pelos seus filhos? Será essa perceção a que gostaria que eles retivessem? Enquanto psicoterapeuta, muitas vezes, oiço em consulta o lado dos pais sobre como veem os filhos. Mas, depois, também oiço o lado contrário, os filhos, cuja compreensão, tantas vezes, contrasta com a opinião dos próprios pais. Pelo que observo, as duas visões são importantes para o desenvolvimento familiar saudável, estimulando a comunicação entre os seus elementos.

Grande parte das questões familiares que nos chegam a consulta envolvem dificuldades na comunicação e interação entre os seus membros, tornando-se interessante ver os dois lados de uma mesma moeda, que é o seio familiar.

No que toca às dinâmicas familiares, existe uma ampla investigação sobre a importância das mesmas para o desenvolvimento das crianças. Contudo, geralmente essas investigações centram-se no ponto de vista dos pais e no tipo de atitudes que os mesmos poderão ter no sentido do desenvolvimento e bem-estar dos seus filhos.

Mais recentemente, as pesquisas voltaram o foco para a perspetiva dos filhos, quanto aos estilos parentais adotados pelos seus pais, percebendo qual é o mais valorizado pelos filhos, bem como o mais benéfico para o seu desenvolvimento.

Os quatro estilos parentais

Vários autores da área indicaram que é importante ter em conta três aspetos principais no crescimento dos seus filhos:

  1. A socialização;
  2. As práticas parentais utilizadas para que os filhos atinjam os objetivos;
  3. O clima emocional no qual a socialização acontece entre ambos.

No relacionamento com os seus filhos, e com o objetivo de influenciar o clima emocional, cada educador pode adotar diversas atitudes e comportamentos, ou práticas parentais. Com base nisso, podemos identificar quatro estilos parentais. São eles: o permissivo, o autoritário, o autoritativo/democrático e o negligente. De modo a perceber cada um deles, iremos recorrer a duas dimensões: a responsividade (apoio prestado e sentido) e a exigência (que os pais colocam na aplicação de regras e limites).

Que estilo parental é o mais indicado?

Sabemos e compreendemos que não existe uma receita mágica para educar um filho saudavelmente. E reconhecemos que, atualmente, muitos pais deixaram de ter tempo para intervir ativamente na educação dos seus filhos, adotando, assim, um estilo mais negligente, não servindo de referência para o crescimento deles.

Tendo em conta a anterior tabela, bem como os resultados apurados em diversas investigações, podemos concluir que o estilo parental autoritativo é o mais adequado. Este estilo permite que os pais se envolvam, respondendo às necessidades da criança ou jovem (atenção, incentivo, auxílio, diálogo, diversão), bem como acompanha os comportamentos do filho (exigindo a obediência de regras, limites e cumprimento dos seus deveres), favorecendo o respeito pelos pais, mas também estimulando a autonomia e autoafirmação dos filhos.

Aqui, há a salientar que a comunicação é essencial. Só assim os pais conseguem perceber quais as perceções dos seus filhos face ao seus comportamentos e atitudes. Porque, mesmo que um pai/mãe pense que é responsivo e exigente, é importante saber qual a opinião dos seus filhos, pois pode diferir da sua.

É um desafio fácil? Não é. É uma tarefa exigente para qualquer pai/mãe, mas estará a contribuir, assim, para o crescimento emocional dos seus filhos, de modo que se tornem adultos saudáveis.

Margarida Rogeiro / Psicóloga e Psicoterapeuta

Parentalidade. “Quando as crianças estão agitadas ficam cegas e surdas”

Agosto 25, 2019 às 1:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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Entrevista do Observador a Hedvig Montgomery no dia 28 de julho de 2019.

Ana Kotowicz

Terapeuta norueguesa explica que o estado de agitação tem efeitos sobre o cérebro das crianças que ficam, literalmente, cegas e surdas. Não é teimosia — simplesmente perdem a capacidade de nos ouvir

Dizem que é a bíblia dos pais do século XXI e que é este livro — “A Magia da Parentalidade” — que vai, finalmente, transformá-los naquilo que sempre quiseram ser. Quem tem filhos sabe que essa é uma ambição comum, até porque a parentalidade é uma tarefa muito mais fácil e romântica quando as crianças não passam de pequenos seres imaginários e adoráveis. O problema é quando se tornam reais e mães e pais fazem tudo aquilo que juraram nunca fazer. A privação do sono, a que nenhum pais ou mãe escapa nos primeiros meses (ou anos) de vida do filho, ou as birras que se seguem em catadupa antes do pequeno-almoço são momentos habituais do dia a dia de uma família, mas são capazes de transformar até o pai mais zen num Bruce Banner prestes a virar Hulk.

Mas há soluções para manter as pulsações em baixa, mesmo quando o seu filho de cinco anos demora 10 minutos a calçar uma meia. Pelo menos, é isso que promete Hedvig Montgomery em “A Magia da Parentalidade”, o primeiro de uma série de livros assinados pela norueguesa. Considerada uma guru no seu país, especialista em terapia familiar, Montgomery trabalha há mais de 20 anos com pais, ajudando-os a criar filhos mais felizes e saudáveis.

Com 51 anos e três filhos — de 9, 12 e 25 anos —, a terapeuta conta ao Observador, numa conversa por email, que o seu forte como mãe é a capacidade de compreensão e que, se mudasse alguma coisa na relação com os filhos, seria o tempo que dedica ao trabalho. Não rejeita a ideia de que ser mãe ou pai é um dos trabalhos mais duros da nossa vida de adultos, mas garante que, se olharmos bem, vamos sempre encontrar pedaços de magia no meio do caos. Defende que os pais deviam conhecer melhor as fases de desenvolvimento das crianças, já que isso iria ajudá-los a saber o que esperar, tornando a parentalidade bastante mais fácil. E deixa um alerta: atenção aos momentos em que perdem a paciência, porque há linhas vermelhas que não podem nunca ser ultrapassadas.

Confessa que a maioria dos pais está cheio de conselhos inúteis e que só devemos confiar nas opiniões que fazem sentido para nós e ignorar as outras, mesmo quando chegam de conceituados especialistas. Com o tempo, promete, todos melhoramos as nossas capacidades parentais e seremos sempre mais capazes de educar o segundo ou o terceiro filho. O importante, com todos os nossos defeitos, é que as crianças percebam que são amadas e que a sua família é um sítio seguro.

Esse é, aliás, o grande truque: “As crianças aprendem quando se sentem seguras, é nesses momentos que apanham uma série de coisas complicadas.” Nos outros, na altura do caos, o melhor é reencontrar o equilíbrio e deixar as lições de vida para mais tarde. O estado de agitação tem efeitos sobre o seu cérebro, ao ponto de ficarem, de certa forma, cegas e surdas. Não é teimosia, simplesmente perdem a capacidade de nos ouvir. “O que devemos fazer é apostar mais no que elas aprendem quando podem e tentar acalmar situações que deram para o torto, muito mais do que seguir a via do castigo”, aconselha. “Os castigos nunca são úteis para a criança, por isso não há necessidade de usá-los.”

“A Magia da Parentalidade” é o nome do livro em português. Mas para muitas mães, depois de lidarem com 20 birras, ou quando estão a passar pela privação do sono, nem sempre é fácil ver onde está a magia, não concorda?
Bem sei que ser mãe ou pai é um trabalho muito duro. Mas, no meio de tudo isso que diz, de repente, olha e vê o seu lindo filho ou filha a brincar, a dizer algo fantástico ou apenas satisfeito e sente uma onda de amor. Esse momento é pura magia, e eu tento dar aos pais ferramentas para criar e reconhecer esses momentos com mais frequência.

Mas a magia existe, de facto, na sua opinião?
Sim, existe em todas as famílias. Podemos aumentar a quantidade de magia na família, mas a vida não vai ser sempre mágica. Se assim fosse, os nossos filhos não aprenderiam a lidar com a vida real ou com todas as dificuldades que têm de enfrentar. E nós nem saberíamos que existe magia. Para ver os momentos mágicos, temos também de experimentar o outro lado.

Se a parentalidade fosse fácil, não seriam precisos tantos livros sobre o tema. Ser mãe é das tarefas mais difíceis da nossa vida e no seu livro diz que todos os pais com quem falou em algum momento erraram. Não há famílias perfeitas? É importante percebermos isso?
Ser humano é difícil, criar um filho é ainda mais difícil. Quando vivemos em conjunto com alguém, essa proximidade faz com que o atrito aconteça, seja qual for o relacionamento. Mas, enquanto pais, somos responsáveis pelos nossos filhos. Nós podemos resolver os problemas, eles não. Saber que as armadilhas existem torna mais fácil sermos responsáveis e ajuda-nos a lidar com os nossos próprios erros.

Como foi consigo e com os seus três filhos — 9, 12 e 25 anos — de gerações tão diferentes? Sentiu a influência da década enquanto educadora? Há coisas que as nossas avós faziam e que nós não arriscamos repetir. Cada geração melhora o tipo de pais que tem?
Penso que cada geração comete os seus próprios erros, tem os seus ângulos mortos e tenta corrigir a educação das suas crianças. Nos anos 1950, os pais eram demasiadamente rígidos e as suas interações com as crianças eram pobres. A distância entre pais e filhos era enorme e os castigos físicos e psicológicos eram comuns. O resultado disto foram crianças inseguras com pouco contacto com os seus próprios sentimentos. Nos anos 1970, era dada mais permissão às crianças para brincarem e para serem elas mesmas, mas muitos pais esqueciam-se de tomar conta dos seus filhos da forma apropriada. Estavam ocupados a criar uma nova sociedade e a encontrar o seu próprio espaço dentro dela. O resultado? Crianças que se sentiam à parte e que tinham de lutar para criar ligações. Nos anos 1990, apercebemos-nos da importância de proteger as crianças de acidentes e começámos a tornar os parques infantis mais seguros e começámos a preocupar-nos mais. As crianças não eram autorizadas a tentar e a falhar e isto resultou em crianças com medo de cair e de falhar. As crianças superprotegidas sentem que não podem fazer nada, e isso faz com que o seu mundo se torne mais pequeno. Hoje em dia, penso que vemos pais muito ocupados que querem fazer tudo bem, então acabam a fazer muitas coisas pelos seus filhos. Não deixam que as crianças tentem por si próprias porque não há tempo para isso. Por isso, acho que os pais de hoje são fantásticos, melhores do que nunca. Mas ainda temos de procurar os nossos próprios ângulos mortos. Acredito sinceramente que todas as gerações deviam tentar fazer melhor. E não, a avó nem sempre está certa. Mas faça-lhe perguntas na mesma, ela sabe sempre algo útil sobre a vida.

E enquanto pessoas, vamos ficando melhores pais? Ou seja, somos melhores pais do segundo filho do que do primeiro? Isso faz com que as mães de famílias numerosas estejam num patamar muito diferente das mães de filhos únicos?
Penso que a maioria de nós faz as coisas mais bem feitas da segunda ou da terceira vez. Lembro-me de que quando dei à luz o meu terceiro filho, pensei: “Uau, agora é que realmente sei como fazer isso!” Os pais em geral tendem a ser muito rígidos com o primeiro filho. Só com o filho número dois, ou três, é que aprendemos a deixar-nos ir, é com eles que aprendemos que todas as fases difíceis têm fim.

Escreve no livro que aqueles pais que dizem que na sua família é tudo maravilhoso já se esqueceram dos problemas. Esqueceram-se mesmo ou estão apenas a mentir?
Um facto divertido: quando me perguntam como era o sono do meu filho mais velho em bebé, costumo responder que foi o mais fácil dos três e que dormia sem problemas. Realmente é isso que eu sinto, e é isso que penso que é verdade. Mas quando encontrei os meus diários daquela altura, caramba, ele estava sempre acordado. Hoje em dia, ele é um jovem brilhante e para mim é quase impossível pensar nele daquela maneira. Por isso, penso que não mentimos, o que acontece é que aquele facto deixou de ser importante. E agarramo-nos aos momentos felizes — e isso é uma coisa boa.

Há falta de solidariedade entre os pais? Quando se fala de educar uma criança, todos vestem a pele do crítico e avós, cunhadas e amigas, todas têm a solução perfeita para o nosso problema.
Todos nós queremos falar sobre as nossas próprias soluções brilhantes e a nossa própria criança fofa. Os outros pais não veem necessariamente a situação em que estamos. Devemos tentar tratar melhor os outros pais e os seus filhos e perceber a situação deles antes de começarmos a falar da nossa.

Os outros pais estão cheios de conselhos inúteis?
Algumas vezes, sim. Todos nós estamos. O melhor que temos a fazer é só aceitar conselhos de pais e especialistas que façam sentido para nós.

Enquanto educadores cometemos a nossa dose de erros e não é fácil lidar com isso. No livro, diz que um mau pai é aquele que, depois de castigar o filho, pensa para si próprio: “Ele mereceu.” Esta é a pior justificação que podemos encontrar para o nosso erro? As crianças nunca merecem um castigo?
As crianças merecem que as tratemos bem, que as ajudemos e que lhes demos conselhos. Os castigos nunca são úteis para a criança, por isso não há necessidade de usá-los.

Então, até que ponto é que nos podemos zangar com os nossos filhos?
Todos nós nos zangamos de tempos a tempos, é apenas humano. Mas existe uma linha de que devemos estar conscientes e que nunca devemos ultrapassar. Gritar tão alto que a criança fique com medo de nós, agarrar o seu braço com tanta força que a magoe — essa linha é quando passamos de estar zangados para estarmos a magoar o nosso filho. Aí somos uma ameaça e somos potencialmente perigosos. A criança não terá respeito, terá medo dos pais. E ter medo é um sentimento solitário.

Diz que os castigos não funcionam e que são inúteis. Certo, mas o que funciona? A lógica de recompensa/punição está ultrapassada? Castigamos de mais as crianças?
Devemos dizer às crianças o que queremos que elas façam ou não façam, e não dizer-lhes o que é incorreto. Devemos ajudá-las quando estão aflitas, não mandá-las embora. Quando as coisas estão difíceis, devemos voltar a entrar em contacto com as crianças, não afastá-las ainda mais. Se procurarmos alternativas para a punição, vai valer a pena.

O medo é o pior inimigo dos pais?
Sim, o medo torna as pessoas solitárias em qualquer idade.

Defende no livro que não se educa quando as coisas correm mal, educa-se quando correm bem. Como é que isto se faz na prática?
As crianças aprendem quando se sentem seguras, nesses momentos apanham uma série de coisas complicadas. Elas vêm o que fazes, ouvem o que dizes. Quando as crianças estão agitadas, de certa forma ficam cegas e surdas. O que devemos fazer é apostar mais no que elas aprendem quando podem e tentar acalmar situações que deram para o torto, muito mais do que seguir a via do castigo.

Somos mais exigentes com as crianças do que somos com alguns adultos?
Definitivamente. Somos mais exigentes com as crianças do que com alguns adultos e elas ainda nem sequer têm os cérebros completamente desenvolvidos.

No livro, relata um momento em que um pai lhe perguntou se tem de ser sempre o adulto a adaptar-se à criança. É isso que acontece ou é isso que sentimos?
É apenas o que sentimos, as crianças adaptam-se imenso, muito mais do que conseguimos perceber. Viver em conjunto é adaptarmo-nos uns aos outros. Como pais, somos a parte responsável em criar um lar que seja bom para toda a família. Estamos no comando e isso, por vezes, é muito difícil.

Porque é que as crianças não cooperam mais com os adultos? Seria bastante mais fácil para nós se, de tempos a tempos, elas fizessem o que nós pedimos…
As crianças cooperam quando podem. Quando não o fazem há sempre uma razão. Talvez não sejam capazes de fazer o que pedimos porque é muito difícil, talvez tenham uma ideia diferente em relação à situação e não estejam a ser capazes de nos dizer o que estão a planear, talvez tenham sentimentos muito fortes sobre o assunto e não sejam ainda capazes de lidar com eles. Ou talvez estejam apenas com fome ou com sono, que na verdade são os dois principais motivos que levam as crianças a não cooperar. Só temos de tentar perceber o que se passa. Mas, ao mesmo tempo, não podemos esquecer que elas querem cooperar, que elas querem fazer o que é certo e querem ser amadas.

Ao longo do livro fala do desenvolvimento cerebral das crianças, da inteligência, da forma como elas aprendem a lidar com as suas emoções de uma forma muito lenta, e de como em muitas das vezes em que nos desafiam, em que são teimosas, simplesmente não conseguem agir de outra forma. Os pais deviam aprender mais sobre estes aspetos do desenvolvimento infantil?
Sim, porque quando sabemos o que esperar acabamos por perceber melhor o comportamento das crianças..

Passamos 20 anos da nossa vida a educar os nossos filhos e somos testados diariamente. Quão importante é impor limites?
Estamos sempre a impor limites para manter a criança segura. Aonde ir (e não ir), quando ir para a cama, quando ir para a escola, etc. As crianças precisam disto, e precisam que os pais encontrem os limites apropriados para elas e para as suas idades — do princípio até ao fim.

Quando perdemos a paciência devemos pedir desculpa aos nossos filhos?
Sim. Pedir desculpa aos nossos filhos vai ensinar-lhes o que é errado e o que é certo, vai ensinar-lhes que são pessoas importantes para nós e vai ensinar-lhes o significado correto da palavra ‘desculpa’. E vai dar-nos a nós próprios a oportunidade de melhorar.

Escreve que vamos acabar a repetir os padrões de parentalidade que experimentámos com os nossos pais. Há alguma forma de quebrar o ciclo ou, inevitavelmente, vamos tornar-nos nas nossas mães, perpetuando os mesmos erros?
Sim, há uma maneira de nos tornarmos melhores mães — um dos passos no livro é “Melhore os seus próprios padrões”. E funciona, posso garantir-lhe que funciona, depois de trabalhar com pais há mais de 20 anos.

Há alguma forma de resumir os segredos para educar uma criança saudável e feliz?
Bom, tentar criar uma família, um lar onde todos se sintam bem. E saudar os nossos filhos com alegria todos os dias. Uma vez por dia, deixar que as crianças percebam pela forma como olhamos para elas, sorrimos para elas, que são pessoas fantásticas na nossa vida. Sentir-se bem-vindo todos os dias faz uma grande diferença.

A Maria Montessori [pedagoga italiana, 1870-1952, inventora do método Montessori] dizia que quando fazemos algo por uma criança que ela pode fazer sozinha estamos a desrespeitá-las. Concorda?
Maria Montessori era uma mulher muito sábia e está certa também nessa ideia. Temos de dar espaço e tempo às crianças para crescerem, para fazer o seu melhor. Aí, e apenas aí, elas irão revelar-se.

Que tipo de motivos levam as famílias até ao seu consultório nos dias de hoje? São as mesmas de quando começou a trabalhar?
É uma pergunta difícil. Diria que a resposta, de uma forma global, é que são os mesmos motivos. Mas eu vejo mais crianças stressadas, mais crianças com medo de não serem boas o suficiente. E são-no, absolutamente.

Que tipo de mãe é? Mudava alguma coisa?
Penso que a minha força é a minha compreensão. Põe-me numa posição de ser capaz de ajudar quando a vida está a ser difícil para os meus filhos. Para todas as crianças, a vida será difícil de tempos a tempos. O que faz a diferença é existir alguém que está lá com eles, para os compreender e lhes dar conselhos. Sou boa nessas situações. Desejava passar menos tempo a trabalhar.

Caso Team Strada. E agora, como é que lido com os meus filhos? Experimente começar com uma conversa

Agosto 21, 2019 às 6:00 am | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site Sapo24 de 29 de julho de 2019.

Margarida Alpuim

As notícias da semana passada sobre a Team Strada e o fascínio pelo mundo dos youtubers e influencers voltou a chamar a atenção para os riscos dos comportamentos online desregrados. Numa sociedade em que nascemos “com o nariz colado ao ecrã”, duas psicólogas sugerem estratégias para que os pais possam ajudar os filhos a fazer uma utilização segura da Internet. As conversas sem julgamento de valor criam espaço para fazer perguntas, partilhar angústias e promover o juízo crítico — mas nem sempre é fácil saber por onde começar.

“Uso das tecnologias? Sim. Desde pequenos? Sim.” Só que com regras. Quem o diz são duas psicólogas que trabalham com jovens, uma na área da ciberpsicologia e outra na promoção de comportamentos saudáveis.

As especialistas falaram ao SAPO24 a propósito da polémica com a Team Strada: o caso mediático de um projeto de jovens youtubers coordenados por um adulto, Hugo Strada, que tem sido alvo de crítica pela proximidade física considerada excessiva que estabelece com os membros mais novos do grupo, alguns deles menores de idade. O Ministério Público já confirmou a abertura de um inquérito relativo à ação deste homem de 36 anos.

Ivone Patrão, docente no ISPA – Instituto Superior de Psicologia Aplicada e investigadora na área dos comportamentos e dependências online, e Margarida Gaspar de Matos, professora universitária e colaboradora numa rede da Organização Mundial de Saúde que estuda os comportamentos dos adolescentes, dão voz a uma visão que tem vindo a ficar cada vez mais clara nos últimos anos: a Internet tem aspetos positivos para o desenvolvimento infantil e juvenil, informa, entretém, “só que não é baby-sitter”, e precisa de ser utilizada com supervisão.

A afirmação parece óbvia e simples, mas, quando chega a hora de definir limites e de encontrar estratégias para ajudar os mais novos a fazerem um uso saudável das tecnologias, muitas vezes os adultos não sabem por onde começar.

“Os pais estão receosos destas conversas, não sabem como as fazer. Mas, se não começarem a experimentar, também nunca as fazem”, afirma Ivone Patrão. A especialista encoraja os responsáveis a não terem medo: “A conversa não é nada de transcendente. Até porque há coisas que os pais vão certamente logo perceber”.

O que fazer, então?

Antes de mais: Conversar com “serenidade” e evitar os diálogos extremados

“Quando os pais ficam aflitos e começam a proibir [a utilização da Internet] e a dizer que é um horror, não criam bom impacto”, explica desde logo Margarida Gaspar de Matos. Reações como esta, acredita a psicóloga, levam os filhos a dizerem: “O meu pai não percebe nada disto”. “E riscam os pais da lista” de pessoas a quem recorrer em caso de dúvida.

A ideia não é os pais “impedirem os filhos de acederem aos vídeos ou à Internet. Isso é uma política muito catastrófica, que só faz com que cada um fique radicado na sua certeza”, continua.

Ivone Patrão concorda. As conversas sobre os limites e disciplina no uso da Internet devem acontecer sem que haja “um juízo de valor à partida”. Não traz bons resultados dizer: “Isto não presta, isto não vale nada, não vejas isto”. Isso afasta os mais novos, considera a psicóloga.

Quando os adultos reagem de forma radical sem entrarem em diálogo com os filhos e “sempre com o sermão no cantinho do seu cérebro”, Margarida Gaspar de Matos diz que o resultado acaba por ser as crianças ou os jovens deixarem de falar com os pais e  ficarem “sozinhos, sem saber o que hão de fazer”.

A alternativa, defende, é ter uma “conversa que não seja assustadora, que seja serena”. “Uma atitude de serenidade; de disciplina, mas de diálogo”, sublinha. Desta forma, “se os filhos por algum motivo ficarem aflitos, vão perguntar aos pais”.

Ivone Patrão, que é também terapeuta familiar, reforça a ideia: as crianças e os jovens “têm de estar à vontade para dizerem aos pais ‘Vi isto’ ou ‘Apareceu aquilo’”, referindo-se ao facto de por vezes aparecerem imagens com conteúdos inapropriados para os mais novos — como homens e mulheres nuas. Em vez de o responsável a dizer “Apareceu isto? Então, nunca mais vês”, a psicóloga sugere que a conversa seja ao contrário e que se entre em diálogo: “Quando isso aparecer, o que é que achas que deves fazer?”. Assim, diz, “começamos a imprimir juízo crítico, a imprimir as questões da valorização, do respeito, de como se comunica”, continua.

A ideia é “pô-los a pensar” a partir dos conteúdos que lhes chegam: “O que te pareceu o comportamento deste youtuber? E esta linguagem?”. Ivone Patrão dá um exemplo: usar algumas expressões “em determinado contexto e para fazer humor é uma coisa, passar o dia a dizer asneiras é outra”. “Temos de ter espaço para falar disto. E não me parece que as famílias tenham este espaço”, considera.

Estratégias construtivas para criar disciplina

Uma forma de criar espaços de conversa é jogar com os filhos e ver alguns vídeos com eles. Sabendo que os pais não podem “estar a supervisionar a todo o segundo”, refere Ivone Patrão, “é muito importante que se estabeleçam bem as regras quanto ao número de horas que [os filhos] estão online e quanto ao tipo de conteúdos que são visualizados. E que se dê espaço para falar sobre como está a correr o cumprimento” das regras estabelecidas: “Mostra lá o que tens estado a ver?”, “Em que é que estás mais interessado agora?”. “Senão, os pais perdem o fio à meada” e não se instala o hábito de ir conversando sobre o tema.

É precisamente por isso que as duas especialistas concordam com a ideia de que seja criada disciplina desde cedo.

Margarida Gaspar de Matos põe o relógio da utilização da Internet a contar logo a partir dos três anos — para as crianças com dois anos ou menos é mesmo desaconselhável, acrescenta. A ideia é limitar o tempo que as crianças estão online. “Não é preciso grandes explicações. É só dizer que, tal como não podem comer ou dormir o dia todo, também não podem estar ao computador todo o dia. Só podem estar meia hora depois do lanche”, exemplifica.

“Se a criança se habituar que a vida é assim — com uma disciplina à volta da utilização dos ecrãs —, vai considerar isso normal”, completa.

“O que também se tem de fazer desde os três, quatro anos é dar alternativas a estar com o nariz no ecrã. Sugerir outras coisas para fazer. Pode ser ler, ajudar nas tarefas da casa, fazer legos, praticar um desporto. E atividades em família”, salienta Margarida Gaspar de Matos. A psicóloga lembra até que os momentos passados em família proporcionam um espaço para conversas informais, sem ser “aquela hora da conversa de que os adolescentes não gostam nada”. Naturalmente, “à medida que se vai fazendo uma caminhada ou se vai fazendo um bolo, as pessoas estão na conversa e os temas surgem”.

Ivone Patrão adverte para que, nos dias de hoje, nas conversas que têm com os filhos, não basta aos pais perguntar: “O que está a acontecer na escola? E cá em casa? E com os avós?”. “Não. Então e online? O que é que está a acontecer online? Também temos de olhar para isso”, exclama. Até porque às vezes “podem andar a acontecer coisas online que influenciam o estado de humor daquela criança ou daquele jovem e os pais não sabem”, alerta.

A polémica que se gerou na última semana sobre a Team Strada e as mensagens que têm circulado nas redes sociais — por exemplo, “nunca esperei isso do Hugo Strada, realmente ele magoou muitos”, “eu gostava tanto da Team Strada” ou “cansei de estar calada e como medo. Isto é abuso psicológico” — revelam que há muitos jovens a sentirem-se afetados pela situação de alguma maneira.

Caso Team Strada: “Quem visualiza está em risco, mas quem está dentro pode estar em perigo”

Na sexta-feira, dia 26 de julho, a Procuradoria-Geral da República confirmou a “instauração de um inquérito” em relação à atuação de Hugo Strada, o adulto mentor do grupo. Em causa estão imagens da interação entre ele e os jovens que têm gerado controvérsia.

Toda a polémica e o possível fim do grupo pode ter um impacto real quer nos participantes da Team Strada, quer nos fãs, acredita Ivone Patrão.

“Quem visualiza [os vídeos da Team Strada] está em risco, mas quem está dentro deste enredo pode estar em perigo”, avança a investigadora, advertindo que nesta fase apenas é possível comentar em termos hipotéticos, uma vez que não há informação oficial sobre as dinâmicas no interior do grupo.

Caso os atuais membros da equipa estejam “a ser alvo de algum tipo de abuso psicológico ou até sexual”, eles estão em perigo. A psicóloga não tem dúvidas: Dadas as circunstâncias, “tinha de  ser aberto inquérito” para averiguar os comportamentos em questão.

Por outro lado, se para os membros do grupo a Team Strada era, possivelmente, além de um projeto de vida, um espaço de “carinho”, há uma perda a considerar.

“Se isto era uma forma de eles receberem afeto, isso agora vai-lhes ser retirado”, explica. Se a equipa funcionava como um “grupo de pertença”, estes jovens sentiam-se integrados num grupo de pessoas “com quem se identificavam, com quem faziam todas as atividades, riam, choravam”. Caso tenha de acabar, “não deixa de ser uma perda”, esclarece a psicóloga.

Dependendo da gravidade das situações, estes jovens “podem vir a desenvolver sintomatologia negativa — revolta, tristeza, ansiedade”. “É importante que haja suporte. Da família, dos amigos. Pode haver até alguns casos de jovens que necessitem de acompanhamento psicológico”, adianta a especialista, deixando a ressalva de que “não gosta de psicologizar tudo” e que as respostas devem ser dadas consoante a reação de cada um.

Ao mesmo tempo, os jovens que veem ou viam os vídeos da Team Strada também “estão em risco”, por estarem expostos todos os dias a conteúdos desadequados, podendo começar a “achá-los normais” e a perder “o juízo crítico”.

Aquilo que os pais podem fazer para ajudar os filhos a gerirem as emoções e a fazerem uma leitura saudável do caso passa primeiro por “dar espaço para eles falarem. Muito. Ouvir. Dar espaço para colocarem cá para fora todas as suas angústias, ansiedades. O que acham, o que pensam”, sugere Ivone Patrão. E depois tranquilizá-los — “Agora podes visualizar outras coisas”, “Os projetos têm princípio, meio e fim” — e perceber se o discurso está “fora da realidade e a inundar a liberdade de alguém”. Nesses casos, os pais podem ajudar os filhos a recentrarem-se e recordar os valores que querem alimentar na família.

Para as situações mais extremas, caso os jovens se sintam “sozinhos, amedrontados, isolados, sem ninguém com quem falar”, Margarida Gaspar de Matos lembra que existem linhas de apoio para onde as crianças e os jovens podem telefonar e que são atendidos por alguém que os ajuda primeiro a baixar os níveis de ansiedade, e depois a encontrar formas de apoio para lidarem com o momento que estão a viver. Um exemplo desses serviços, gratuitos, é a Linha SOS Criança (número: 116 111).

Para que não se chegue a estes pontos de rutura, a docente da Universidade de Lisboa insiste no papel fundamental da prevenção e na importância de que os filhos recebam afeto de forma a que se sintam “enraizados” e “contentes com a vida”, evitando assim que, por estarem fragilizados, se vejam envolvidos em situações de vulnerabilidade.

A Team Strada é um projeto criado em abril de 2018 com o objetivo de juntar jovens youtubers. Num livro publicado em outubro do ano passado, a Team Strada apresenta os seus membros como estando “prontos para fazer as melhores pranks [partidas], causar o pânico e aventurar-se em grandes desafios”.

O criador e mentor da equipa é Hugo Strada, de 36 anos, também ele youtuber, e que se identifica como gestor de artistas e influencers e produtor de eventos.

O projeto conta também com uma casa, onde os jovens se juntam para criar conteúdos “que são publicados no YouTube, a principal plataforma da Team [o canal está neste momento inacessível]”, pode ler-se no livro.

Sabemos onde andam os nossos filhos?

Agosto 10, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto de opinião de Rute Agulhas publicado no DN Life de 28 de julho de 2019.

Esta semana os adultos passaram a conhecer a chamada “Team Strada”. Sim, os adultos, porque as crianças e jovens portugueses há muito que conhecem este adulto que terá 36 anos, angariador de miúdos que desejam ser youtubers (nome chique) e influencers. Que é como quem diz, alguém famoso que ganha dinheiro a fazer vídeos parvos e tem uma legião de seguidores.

Que os miúdos de hoje já não aspiram a serem astronautas, pilotos de automóveis ou futebolistas, isso já sabíamos. Vários estudos recentes têm comprovado isso mesmo. À célebre pergunta “o que queres ser quando fores grande?”, cerca de metade das crianças a partir da idade escolar responde youtuber. E é vê-los chatearem os pais para tirarem cursos de youtuber (sim, existem), gastarem rios de dinheiro em câmaras de filmar, luzes e todo um conjunto de parafernálias necessárias para conseguirem um vídeo perfeito.

Após diversas queixas, a Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Protecção de Crianças e Jovens (CNPDPCJ) expôs a situação ao Ministério Público, pedindo uma investigação para aquilo que considera poder configurar uma situação de perigo para as crianças e jovens envolvidos. Ao vermos os vídeos em questão, deparamo-nos com um tipo de proximidade física aparentemente muito intrusiva, com toques e comportamentos que parecem exceder aquilo que será adequado. É bem-vinda esta investigação.

No entanto, esta polémica deve fazer-nos reflectir a outro nível.

Em primeiro lugar, onde estão os pais ou cuidadores destas crianças e jovens que se deixam enredar nestes meandros, sedentos de fama? Ao ponto de poderem fazer qualquer coisa, aceitar qualquer coisa, calar qualquer coisa? Ou querem os pais, mais ainda do que os filhos, esta mesma fama fácil a troco do que tiver de ser?

Em segundo lugar, sabemos a influência gigante que os youtubers têm nas crianças e jovens. E sabemos nós, pai e cuidadores, a que vídeos assistem os nossos filhos? Que influencers influenciam a sua vida? Que comportamentos tentam eles imitar? Que fotos postam eles, na ânsia de receberem mais likes? Que conversas têm nos milhentos grupos de WhatsApp a que pertencem? Quais os conteúdos dos seus jogos preferidos?

Pois é. Às vezes pensamos que sabemos, mas não sabemos. Os maiores perigos há muito que deixaram de ser as más companhias e as drogas na rua. O maior perigo pode estar mesmo aí ao seu lado, aqui ao meu lado, em nossa casa. Debaixo dos nossos olhos. E este perigo é maior ainda porque é silencioso e não incomoda muito. Os miúdos até estão sossegados e entretidos entre quatro paredes, e acreditamos (ou queremos acreditar) que isso é o bastante para os proteger. Mas não é.

Numa era digital, as competências parentais têm de ser transpostas para o mundo online. O que equivale a dizer que é necessário comunicar abertamente com os filhos e conhecer as actividades digitais em que eles se envolvem, protegendo-os dos perigos que a Internet pode representar.

Dá trabalho? Dá.

Eles refilam porque detestam sentir-se controlados? Refilam.

Mas a supervisão é o único caminho seguro.

 

[Entretanto, o YouTube terá encerrado o canal do Team Strada, depois da abertura de um inquérito por parte do Ministério Público, na sequência das queixas que chegaram à CNPDPCJ.]

Falha em aplicação do Facebook permite que estranhos comuniquem com crianças

Agosto 9, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 23 de julho de 2019.

A aplicação Messenger Kids foi desenhada para que as crianças só comunicassem com quem os pais permitissem, mas um erro possibilitou a comunicação entre menores e estranhos no chat.

“Safe Kids Chat App” ou “Aplicação de Chat segura para crianças”. Assim se define a ferramenta Messenger Kids, lançada em 2017 como a versão júnior do chat do Facebook. A ferramenta permite que os pais decidam quem pode ou não contactar os filhos. Mas uma falha na construção desta ferramenta possibilita utilizadores não autorizados de comunicarem com as crianças, de acordo com o BBC. O erro foi confirmado pela própria empresa.

A aplicação nasceu com uma única promessa: dar o máximo controlo possível aos pais de crianças menores de 13 anos, garantindo que só comunicam com quem os progenitores permitam. Mas falhou na sua principal missão. “Recentemente, notificámos alguns pais sobre um erro técnico que detetámos e que afetou um pequeno número de conversas de grupo”, confirmou a empresa esta segunda-feira.

O Facebook garante que desativou imediatamente os chats afetados e promete que irá fornecer “recursos adicionais no Messenger Kids e na segurança online” para os pais e para as crianças. Em declarações à BBC, um porta-voz da empresa disse que não chegou nenhuma reclamação sobre o problema nem verificou nenhum comportamento inadequado por parte dos intervenientes na conversa.

A organização norte-americana Common Sense Media, que promove campanhas de sensibilização pela segurança online das crianças, garante que este erro veio confirmar as suas suspeitas face à aplicação.

“O Messenger Kids é apenas o exemplo mais recente de um produto do Facebook que representa riscos desconhecidos de privacidade para pais e utilizadores”, disse o fundador e diretor executivo da organização, James Steyer. “Estas preocupações com a privacidade, combinadas com sérias reservas de especialistas sobre o impacto das redes sociais para os adolescentes, levantam a questão: porque precisamos de um produto projetado para atrair as crianças?”, sublinhou.

As questões de privacidade não têm sido um tema alheio ao Facebook. Ainda este mês, a Comissão Federal do Comércio dos EUA condenou a empresa a pagar uma multa de cinco mil milhões de dólares (4,4 mil milhões de euros) devido à exposição de dados de utilizadores, no seguimento do escândalo Cambridge Analytica. Já em outubro do ano passado, tinha sido multada no Reino Unido no valor de 560 milhões de euros pelo mesmo motivo.

À procura de likes, menores expõem intimidade nas redes sociais

Junho 28, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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DN Life

Notícia e imagem do DN Life de 7 de junho de 2019.

Numa sociedade altamente sexualizada, crianças e adolescentes partilham fotos de momentos íntimos para gerar mais interação nas redes sociais.

Texto de Joana Capucho

Mais de 110 menores foram identificados recentemente em Espanha pela partilha de conteúdos com teor sexual nas redes sociais. Em causa estão vídeos de momentos de intimidade publicados em plataformas como Instagram, Twitter ou YouTube. Segundo a Polícia espanhola, há casos em que as imagens de crianças nuas ou seminuas foram partilhadas pela família, mas existem outros em que foram os próprios menores a publicar as imagens. O objetivo, diz o comunicado das autoridades, era “conseguir novos seguidores para os seus canais do Youtube ou mais likes nas suas publicações”.

Tito Morais, fundador do MiudosSegurosNa.Net, confessa que ficou “surpreendido” quando leu a notícia, mas, após alguma análise, considera que “faz sentido” tendo em conta a sociedade em que vivemos. “Vários estudos indicam que cada vez mais as redes sociais são um mecanismo de afirmação social perante os pares, sendo conhecidos vários efeitos negativos das mesmas ao nível da saúde mental”, diz à DN Life.

Na opinião do promotor do projeto de segurança online, estas plataformas “promovem cada vez mais a superficialidade em detrimento da profundidade”. O que vale atualmente é sobretudo “o parecer”, o que se “traduz na procura do like”.

Por cá, não são conhecidos casos de crianças ou adolescentes que partilhem conteúdo sexual com o objetivo de gerar mais interação nas redes sociais. “De forma deliberada, para ter mais likes ou seguidores, não tenho noção que aconteça”, diz a psicóloga Vânia Beliz, que tem participado em várias sessões sobre os perigos da internet nas escolas. Na opinião da sexóloga, estes são “comportamentos típicos da adolescência, de pisar o risco, mas que nesta altura têm consequências mais graves”.

O facto de as crianças e adolescentes viverem “num ambiente altamente sexualizado e de saberem que o sexo e a transgressão atraem” pode ajudar a explicar o fenómeno. “Os miúdos fazem o que veem fazer. Os videoclips são altamente erotizados, assistem a filmes que não são adequados para a idade”, explica a psicóloga. Ao mesmo tempo, “estão num processo de experimentação, de transgressão, de testar os limites”. O grande problema, frisa, “é que se colocam num cenário perigoso, porque a internet tem uma capacidade de divulgação dos conteúdos brutal”.

A necessidade de reconhecimento e de dar nas vistas sempre existiu, lembra a sexóloga, “mas agora surge de uma forma mais perigosa”, porque acontece no meio digital. “Há necessidade de ser aceite, de fazer alguma coisa que suscite a atenção dos outros. Estão numa altura em que é importante ter aprovação”, refere a psicóloga, destacando que “o sexo vende, chama a atenção”.

Daniel Cardoso, professor na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias e membro do projeto EU Kids Online, também não tem conhecimento de casos como aqueles que foram relatados em Espanha. “Mas, do que tenho visto, os jovens e as jovens, como quaisquer outras pessoas com vida sexual, sexualidade, interesses íntimos e que vivem numa sociedade que sobrevaloriza a sexualidade e a experiência sexual, acabam por mobilizar as suas próprias representações, às vezes por questões motivadas pela sua própria vontade, outras vezes para fins mais instrumentais, como parece ser o caso”, refere o investigador.

A serem reais, destaca Daniel Cardoso, “este tipo de ações têm de ser lidas no contexto de uma sociedade e cultura que sobrevaloriza a questão da nudez, da sexualidade e da sexualização dos corpos”. Como estão em causa menores, o docente universitário diz que se levanta outra problemática: “Tecnicamente, o que produzem pode ser considerado pornografia infantil, o que mostra o quão pouco adaptadas à realidade as nossas leis estão”. Há um caso, recorda, de uma adolescente americana que foi detida por posse e distribuição de pornografia infantil, depois de ter enviado uma foto sua ao namorado. Em causa, frisa, estão também “questões relacionadas com a autonomia sexual”.

“Vivemos numa sociedade que hiperssexualiza os jovens e, quando estes começam a testar os seus limites, achamos que é problemático, mas não problematizamos o contexto”, diz Daniel Cardoso, que prefere colocar a questão de uma outra forma. “Que sociedade é esta que faz com que este tipo de ações faça sentido? Se fazem isto, é porque têm resultados. Que cultura é esta que incentiva e mobiliza este tipo de práticas?”.

Nem a GNR nem a PSP têm registo de casos de menores que publicam fotos ou vídeos nus. Nas escolas, conta Vânia Beliz, o mais frequente é ler testemunhos de crianças e adolescentes “que já partilharam conteúdo erótico ou íntimo, que se filmaram ou que receberam ameaças” relacionadas com o sexting. Segundo a psicóloga, os promotores das ações de sensibilização leem “coisas horríveis” quando pedem relatos escritos, como casos em que as raparigas tinham enviados nudes aos namorados que os mostraram aos amigos ou que tinham ido a festas, consumido bebidas alcoólicas e filmado situações íntimas.

Tito de Morais, que há vários anos tem vindo a alertar para esta problemática, diz que, em Portugal, o que se sabe é que “há jovens que praticam sexting e que são coagidos a fazê-lo por namorados ou namoradas”. Daí “resulta muitas vezes sextortion (para extorsão de dinheiro ou favores sexuais)” e, em alguns casos, revenge porn, ou seja, publicação de vídeos ou imagens de cariz sexual sem o consentimento do outro.

Conselhos:

  • Nunca partilhar imagens ou vídeos de cariz íntimo na internet pois, quando disponibilizados na web, perde o controlo sobre a sua utilização e partilha.
  • Acompanhar a atividade das crianças na internet e a utilização das redes sociais.
  • Informar-se de forma a aumentar a literacia digital.
  • Só permitir o acesso ao telemóvel às crianças que mostrem maturidade para trabalhar com o dispositivo.
  • Se necessário, investir em programas de supervisão para controlar a atividade dos menores online.
  • Liderar pelo exemplo: não fazer uma utilização excessiva dos smartphones e das redes sociais.
  • Criar zonas livres da utilização de dispositivos eletrónicos, nomeadamente o local da refeição e os quartos.
  • É aconselhável ter um perfil nas redes sociais onde os menores estão inscritos, mas resista à tentação de fazer comentários sem o seu consentimento.
  • Não adicionar desconhecidos.
  • Incluir os menores no processo de definição de regras, uma vez que a imposição tende a não funcionar.
  • Ter atenção a comportamentos das crianças relacionados com o isolamento, nervosismo, falta de auto estima, insegurança, absentismo escolar, perda de apetite ou apresentação de lesões físicas.

 

 

Tem filhos viciados em videojogos? 5 dicas para lidar com o problema

Maio 20, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Observador de 7 de maio de 2019.

Há cada vez mais crianças a trocar o hábito de brincar ao vivo por longas sessões de videojogos. Cabe aos pais impor regras simples para evitar comportamentos de risco.

O novo bicho papão para os pais de crianças a partir, sensivelmente, dos oito anos chama-se Fortnite Battle Royale. Não, não é o nome de um novo vírus incurável ou de uma qualquer estranha substância psicotrópica. É, apenas e só, um videojogo que tem atraído milhões e milhões de crianças e adolescentes no mundo inteiro. A premissa é muito simples: cada jogador — ou equipa — é lançado numa ilha e tem de lutar pela sua sobrevivência, eliminando os outros jogadores — ou equipas — que têm o mesmo objetivo. O jogo é gratuito, intuitivo e, sobretudo, viciante. Pais e professores denunciam, com frequência, alterações de comportamento em crianças que jogam Fortnite Battle Royale diariamente. Muitas ficam mais agressivas e desinteressadas de outras actividades. Mas as dicas que se seguem podem ajudar a lidar com o vício neste e noutros videojogos.

1. Mostre-se interessado/a, jogue com as crianças

A melhor maneira de entender o fenómeno Fortnite Battle Royale ou outros não é submeter as crianças a interrogatórios nem pesquisar na Internet. A melhor maneira é estar por dentro, jogar. De preferência com elas. Por isso, nada como mostrar interesse na actividade e procurar jogar com a criança. Podem fazer disso, por exemplo, uma actividade em família. Sendo que este jogo, especificamente, nem sequer é particularmente violento — os gráficos fazem lembrar banda desenhada.

2. Imponha limites, use o controlo parental

À semelhança do que já aconselhámos num artigo anterior, relacionado com a navegação na Internet, também neste caso é importante usar as ferramentas de controlo ao dispor. Todas as consolas, telemóveis, computadores ou tablets possuem opções que permitem aos pais gerir e controlar a sua utilização por parte dos filhos. Não só o tempo, mas também as compras online — e é muito importante ter atenção a essa parte —, os jogos que estão autorizados a jogar e com quem. Além das ferramentas deste género que cada aparelho traz por defeito há software especializado que aumenta o leque de opções e protecção. Uma vez estabelecidos esses limites, seja firme, não abra exceções.

3. Conversem sobre o assunto

Mas atenção: conversar não é discutir. É mais provável que a criança responda honestamente sobre o que a atrai em determinado jogo, os seus hábitos, com quem joga e de que forma se isso surgir numa conversa amigável com os pais do que se sentir ameaçada ou interrogada de forma agressiva. Pior do que o jogo em si são, muitas vezes, os comportamentos agressivos e/ou de bullying que a ele estão associados. Procure perceber com quem é que a criança joga, e de que fala enquanto joga. É possível desligar a opção de chat, caso entenda necessário.

4. Traga as crianças para fora do ecrã

O problema não são os videojogos per se mas sim o tempo que as crianças passam em frente ao(s) ecrã(s) nos dias de hoje. Pode não ser fácil trazê-las de volta à vida real, já que muitas tendem a achar tudo desinteressante em comparação com o YouTube ou os videojogos. Mas há que fazer um esforço. Se as crianças já têm por hábito jogar Fortnite Battle Royale (ou outros jogos) com os amigos da escola, pode tentar envolvê-los — e aos respectivos pais — nesta missão, planeando saídas em conjunto ou formando uma equipa de um qualquer desporto, por exemplo.

5. Em caso de necessidade, procure ajuda profissional

Se perceber que o vício nos videojogos está a afectar gravemente o rendimento escolar da criança, a forma como se comporta — mais agressiva e irritável — e as suas relações interpessoais, e nenhum dos passos anteriores pareceu resultar, não será descabido procurar ajuda profissional. Os psicólogos e pedopsiquiatras estão cada vez mais equipados para lidar com este tipo de problemas, também eles cada vez mais recorrentes: não é por acaso que a Organização Mundial de Saúde incluiu, há cerca de um ano, o “distúrbio de jogo” na lista de doenças classificadas como perturbações do foro mental.

 

Serviços de streaming: será que há demasiados programas para crianças?

Abril 27, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 12 de abril de 2019.

Com a chegada de novas plataformas de streaming, como a Disney+ e a Apple TV+, há cada vez mais programação infantil disponível neste formato. Os especialistas afirmam que não há motivos para alerta, desde que os pais imponham limites.

Reuters

Independentemente de preferirem a Elsa, o SpongeBob ou a heroína russa Masha, as crianças têm hoje motivos infinitas​ para implorar mais tempo de ecrã. No entanto, quase ninguém acha que exista demasiados programas para os mais novos.

As empresas de media têm investido fortemente em conteúdo infantil, à medida que criam novos negócios digitais para persuadir directamente os consumidores. Na quinta-feira, a Walt Disney anunciou detalhes sobre o Disney+, um serviço de streaming que se estreia nos Estados Unidos em Novembro, por 6,99 dólares por mês (6,20 euros). Será lançado gradualmente na Europa a partir do início de 2020, sendo que não existem datas concretas para a chegada Portugal.

O benefício para a Disney, Netflix, Viacom e outras empresas de media é claro: prender os telespectadores enquanto ainda são jovens, com conteúdo que geralmente tem merchandising e está ligado a parques temáticos. O modelo de streaming, em particular, faz sentido: as crianças são, por natureza, binge-watchers (quem vê de seguida muitos episódios de uma série), com um apetite infinito para repetições.

No entanto, os especialistas que estudam o consumo de media pelas crianças não estão preocupados com a explosão da oferta, desde que os pais imponham limites, afirma Shelley Pasnik, directora da organização sem fins lucrativos Center for Children and Technology. “A parentalidade já não implica confiar na limitação imposta pelos produtores audiovisuais. Em vez disso, cabe aos pais e às regras que existem em casa tornar [o conteúdo] limitado e ajudar as crianças a entender quando devem parar”, defende Pasnik.

Ao considerar as suas regras sobre o tempo de ecrã, os pais que querem proteger os filhos dos anúncios provavelmente reconhecem o valor de serviços sem anúncios, como Disney+ e Apple TV+, a próxima aposta da Apple Inc. Mas esse formato poderá dar um falso conforto: quando se trata de vender produtos, o conteúdo pode ter o mesmo efeito que os anúncios. “Mesmo que não haja anúncios a interromper a narrativa, a pessoa pode não estar ciente de que o seu filho ou filha esteja a desenvolver uma grande afinidade com uma personagem e torna-se uma loucura no momento de ir às compras”, diz Pasnik.

O controlo parental — que pode ser difícil de encontrar — não é uma solução fácil. Em vez disso, os especialistas dizem que os pais devem ajudar seus filhos a fazer escolhas em torno da programação; que vejam [o conteúdo] com eles, se possível; e que falem sobre o que viram, ajudando a estabelecer a ligação com os valores da família. “Os pais precisam comunicar por que razão um programa pode ser visto e ajudar os filhos a processar as mensagens subjacentes naquilo que acabaram de assistir”, aponta Jill Murphy, vice-presidente do Center for Children and Technology.

 

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