Fotos dos filhos no Facebook. Sim ou não?

Fevereiro 16, 2017 às 5:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Hugo Daniel Sousa publicado no https://www.publico.pt/ de 5 de fevereiro de 2017.

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A Maria acabadinha de nascer. O João a dormir como um anjinho. A Sofia com aquele olhar sedutor. O Miguel com um sorriso maroto de quem só tem dois dentes. Os primeiros passos do Pedro. Ou a acrobacia da Mariana no parque. Há poucas coisas mais ternurentas do que uma foto de uma criança. Especialmente se forem as nossas. Por esta razão, e mais algumas, os pais adoram mostrar as fotos dos filhos aos amigos e familiares. E os feeds do Facebook e do Instagram ou a timeline dos blogues enchem-se de fotos de crianças,

A grande questão — que até já chegou aos tribunais — é se os pais têm o direito de publicar fotos dos filhos nas redes sociais, em particular, e na Internet, em geral?

Para não ficar apenas com a minha opinião (e a minha prática), fiz uma rápida sondagem por alguns amigos. “Publicas fotos dos teus filhos no Facebook?” A primeira resposta foi curta e grossa. “Não”. Porquê? “É um assunto da vida privada”. Outra mãe, outra resposta: “Publico algumas, sempre irreconhecível e demos instruções ao resto da família para fazerem o mesmo”. “Porquê? Achas que não tens o direito de publicar ou é só por segurança?”, perguntei. “Ambas”, foi a resposta.

Voltei a fazer a pergunta, desta vez a alguém que está fora do país. “Sim, publico. Porque vivo longe e é uma maneira fácil de os meus amigos e família poderem acompanhar o crescimento deles, já que raramente os vêem”, respondeu-me um dos pais, deixando um par de ressalvas: “Tenho a preocupação de não os mostrar em situações que impliquem desconforto/embaraço (para futuro registo digital) e nunca, mas nunca, os localizo geograficamente.” E juntou uma adenda. “Num futuro próximo, poderei deixar de publicar fotos deles e até as poderei apagar todas, se for esse o desejo deles.”

A última resposta que recebi é muito parecida com a anterior. Os pais só publicam fotos dos filhos às vezes, mas com o cuidado de as limitar aos amigos e não deixar que sejam vistas por conhecidos deles. A razão para publicar fotos é fácil de adivinhar. “Porque sou uma mãe estupidamente babada. E para ir dando noticias nossas à família e amigos espalhados pelos quatro cantos do mundo.”

Esta discussão já começou há alguns anos e promete continuar. Até na justiça. Num caso de um casal divorciado, o tribunal definiu as condições da regulação do poder parental e, entre elas, incluiu o dever de os pais não divulgarem “fotografias ou informações que permitam identificar a filha nas redes sociais”. A mãe recorreu para o Tribunal da Relação de Évora, que foi bem claro na resposta. “Na verdade, os filhos não são coisas ou objectos pertencentes aos pais e de que estes podem dispor a seu belo prazer. São pessoas e consequentemente titulares de direitos”, escreveram os juízes Bernardo Domingos, Silva Rato e Assunção Raimundo num acórdão de Julho de 2015.

Argumentando que há um “perigo sério e real” de a divulgação de fotos de crianças nas redes sociais as deixar mais susceptíveis a predadores sexuais, os juízes concluem que a proibição de publicar fotos que permitam identificar a criança é “adequada e proporcional à salvaguarda do direito à reserva da intimidade da vida privada e da protecção dos dados pessoais e sobretudo da segurança da menor no ciberespaço”.

Confesso que mais do que ser um legalista ou proibicionista, sou fã da lei do bom-senso. E, por isso, o que realmente me choca são os pais que publicam fotos dos filhos sem qualquer pudor ou contenção (e, como viram, não é o caso dos amigos acima citados). Mas há muitos que não respeitam as dicas básicas de segurança, como enumerava um artigo da Notícias Magazine, de Junho de 2014: nunca publicar fotos de crianças no banho ou de fraldas, nem com uniformes escolares; evitar pôr fotos em alta resolução; não fazer post de imagens em que crianças aparecem com objectos de valor ou imagens em que seja fácil identificar o local (a escola, a casa, etc). Também fundamental é ter o cuidado de restringir ao máximo o número de pessoas que podem ter acesso à imagem no Facebook, limitando, por exemplo, a acesso a amigos mais próximos — e, mesmo assim, as definições de privacidade no Facebook são um mundo em constante mutação, sendo fácil cometer erros.

Estes conselhos são todos úteis para quem não resistir à tentação. Eu, porém, prefiro seguir neste caso a regra do menos é mais: zero fotos é igual a zero riscos. E as imagens hão-de chegar, por outros meios (menos fáceis mas mais seguros), aos avós, tios e amigos que vivem longe. É que — como alguém escreveu num texto erradamente atribuído na Internet a José Saramago — um “filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar os nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem”. Na feliz (e assustadora) expressão desse autor desconhecido, os filhos “são apenas um empréstimo”. E, por isso, prefiro que um dia não me cobrem essa dívida: “Pai, como foste capaz de publicar esta foto minha no Facebook?”.

 

Debate: Controvérsias Tech and Touch sobre a disponibilização de dados pessoais de alunos no sítio da Internet dos estabelecimentos de educação e ensino – 26 de janeiro na Fundação Portuguesa das Comunicações.

Janeiro 22, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

http://www.anpri.pt/mod/forum/discuss.php?d=1923

Workshop “Privacidade na Internet | Direitos e Responsabilidades, que Futuro?” Fórum Picoas, LISBOA | 28 de outubro

Outubro 23, 2016 às 7:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

https://www.eventbrite.pt/e/registo-workshop-privacidade-na-internet-direitos-e-responsabilidades-que-futuro-28730215849

Escolas não podem mostrar dados pessoais de alunos na Net

Outubro 12, 2016 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/de 12 de outubro de 2016.

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Mariana Oliveira

Em causa divulgação de informação em sites abertos. Publicação de fotografias e vídeos de alunos em ambiente escolar suscita “as maiores reservas” da Comissão Nacional de Protecção de Dados.

A Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD) condena numa deliberação recente o que considera ser “uma prática generalizada” de divulgar dados pessoais dos alunos nos sites das escolas, como as pautas com as classificações, imagens dos menores e os horários lectivos. E alerta para os riscos que esta publicação traz para essas crianças e jovens, nomeadamente para a sua segurança.

A comissão diz que os dados podem ajudar a produzir “juízos estigmatizantes com elevado potencial discriminatório” ou permitir a um criminoso saber a hora a que uma criança sai da escola.

É esta constatação que leva a comissão a emitir “orientações precisas” às escolas públicas e privadas, desde o pré-escolar até ao ensino secundário, sobre o que podem difundir através da Internet, numa deliberação datada de 6 de Setembro.

A porta-voz da CNPD, Clara Guerra, afirma que esta deliberação foi tomada por iniciativa da própria comissão, na sequência de diversas queixas de pais feitas ao longo dos últimos anos e que não sabe contabilizar. Clara Guerra adianta que alguns destes casos já resultaram na aplicação de coimas às escolas.

Na deliberação, a comissão destaca o papel das escolas na formação e desenvolvimento individual das crianças, realçando que estas instituições têm uma particular obrigação de “proteger activamente os alunos e respeitar os seus direitos fundamentais”.

A CNPD considera compreensível e desejável que as escolas recorram à Internet como um meio expedito e eficaz de divulgar informação, mas sublinha que a exposição pública dos dados dos menores detidos pelas escolas “é altamente violadora da privacidade e tem um impacto muito significativo na vida actual e futura dos alunos”.

A comissão lembra que a Internet “é acessível por qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo”, os dados podem ser copiados e reproduzidos infinitamente, propiciando “a utilização abusiva dessa informação para vários fins, inclusivamente com propósitos criminosos”. E nota que nos sites pode ser divulgada um manancial de informação útil sobre a actividade escolar que não envolve dados pessoais, isto é, “informação relativa a uma pessoa singular, identificada ou identificável”.

Consentimento dos pais

A publicação de fotografias e vídeos de alunos em ambiente escolar suscita “as maiores reservas” da comissão. A comissão diz que a divulgação de imagens e até da voz dos alunos, por iniciativa das escolas, “cria um universo de oportunidade para reproduzir e adulterar os dados, fomentando a sua reutilização para outras finalidades que não são sequer à partida imagináveis”.

A deliberação refere que esta questão não está prevista na lei, mas considera que mesmo o consentimento expresso e livre dos pais pode não ser suficiente. E lembra um acórdão da Relação de Évora, de Junho de 2015, que impôs aos pais o dever de se absterem de divulgar fotografias ou informações que permitissem identificar a filha nas redes sociais.

“Em todo o caso, compreendendo o interesse subjacente à divulgação das actividades da escola, será admissível a divulgação de imagens que não permitam a identificação das crianças e jovens”, lê-se no texto, que aconselha as escolas a privilegiar “a captação de imagens de longe e de ângulos em que as crianças não sejam facilmente identificáveis”. Mesmo nestes casos a CNPD considera ser necessário o consentimento dos pais, já que existe uma certa subjectividade na definição do que é uma imagem identificável.

A comissão não admite sequer remeter estes conteúdos para uma área reservada dos sites, acessível só a utilizadores com palavra-passe, uma solução que a comissão defende no caso das pautas de avaliação e nas listas de alunos matriculados. “Não é possível controlar a forma como cada um dos utilizadores pode vir a fazer do uso das imagens, inclusivamente manipulando-as ou reproduzindo-as em redes sociais e divulgando informação não só sobre si e sobre o seu educando, mas também sobre as restantes crianças”, justifica.

Pautas devem ser retiradas

Relativamente às pautas com as avaliações dos alunos, considera-se que não podem ser publicadas em site de acesso livre e que as que já o foram devem ser retiradas. A comissão admite que essa informação seja publicada em áreas reservadas dos sites, “sujeita a mecanismos rigorosos de autenticação de utilizadores devidamente autorizados”. Mas insiste que cada encarregado de educação só deve ter acesso aos dados do aluno que tutela.

Lembrando que as pautas só são afixadas no interior das escolas “por um curto período de tempo”, sustenta que a regra deve ser igualmente seguida na Internet. “As classificações devem ser eliminadas do sítio com eficácia, isto é, não apenas ‘escondidas’, mas efectivamente apagadas, não podendo nunca exceder o prazo máximo do final do ano lectivo em causa.”

Também as listas dos alunos matriculados apenas podem ser divulgadas em áreas reservadas dos sites e não devem conter “mais informação do que a necessária”. A CNPD alerta ainda para os perigos da informação dispersa, que apesar de não ter o nome dos alunos, pode ser cruzada com outros dados permitindo, por exemplo, perceber qual é o horário de uma determinada criança.

 

 

Internet: até onde deve ir a vigilância dos pais?

Setembro 20, 2016 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do https://www.publico.pt/ de 12 de setembro de 2016.

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Natália Faria

Um pai ou uma mãe devem bisbilhotar emails e caixas de mensagens dos filhos menores nas redes sociais para acautelarem a sua segurança? A solução está na infância. E na confiança, respondem os especialistas.

Um pai ou uma mãe têm o direito de invadir a intimidade dos filhos para garantirem que estes não se expõem a riscos desnecessários na Internet? Devem, porque lhes compete zelar pela segurança dos filhos, aceder a passwords para vasculharem o que andam a fazer e com quem falam os menores no Facebook, WhatsApp, Instagram ou Snapchat? A questão extravasa cada vez mais as fronteiras domésticas e familiares para invadir os consultórios dos psiquiatras, chegando nos casos mais graves até à Polícia Judiciária (PJ), onde são crescentes os pedidos de ajuda de pais cujos filhos foram vítimas de abusos, chantagem ou extorsão na Internet.

“Quando trabalhei na divisão de Sintra da PSP, recordo-me de vários casos de menores assediados via Internet. E os casos chegaram-nos porque houve mães que acederam ao espaço das mensagens privadas das filhas nas redes sociais e descobriram lá mensagens de teor sexual”, relata Hugo Palma, actualmente director do gabinete de comunicação da PSP e responsável pela gestão das páginas oficiais da polícia nas redes sociais.

Uma fonte da PJ confirma que “há um número crescente de queixas e, em dois terços dos casos, são os pais que denunciam a situação, já no limite, depois de os seus filhos terem sido vitimizados”. E aqui é escusado, como alerta Rute Agulhas, psicóloga clínica e forense e perita no Instituto Nacional de Medicina Legal, os pais agarrarem-se a uma “visão cor-de-rosa das coisas” e considerarem que episódios destes só acontecem aos outros.

“Não há muito tempo, chegou-me o caso de uma miúda depois de uma tentativa de suicídio grave porque alguém tinha publicado uma fotomontagem em que ela aparecia com o corpo de uma vaca, fazendo a metáfora com a miúda que vai com todos. Ela andava no 7.º ano de escolaridade e isso tornou-se viral. E lembro-me de outro caso, de uma miúda com 13 ou 14 anos — carente e que ficava muito tempo sozinha em casa —, que acabou por se encontrar presencialmente com alguém que se apresentou na Internet como tendo 17 anos e com quem estabeleceu uma relação virtual. O indivíduo, afinal, tinha 35 anos, mas quando ela o viu e sentiu esse choque já estava criada uma relação afectiva e de confiança e ele lá lhe explicou que tinha mentido por sentir medo de ser rejeitado. Acabou por coagi-la a ter relações sexuais”, relata Rute Agulhas, que é também professora no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa e autora de um jogo para prevenir abusos sexuais em crianças onde decidiu incluir a problemática da Internet depois de ter percebido que “há crianças com seis e sete anos de idade com acesso à Internet”.

Espaço cinzento

Numa altura em que os miúdos se inscrevem nas redes sociais com oito e nove anos de idade, até onde deve chegar a vigilância dos pais? E aos 15 ou 16 anos? Justifica-se que os progenitores sacrifiquem o direito de reserva da vida privada dos filhos para lhes garantir segurança? “Há um espaço cinzento muito complicado e difícil de definir”, hesita Hugo Palma. Para o intendente da PSP, “as mensagens privadas são, em princípio, espaços onde os pais não devem entrar, mas aí coloca-se a questão ética de saber se os pais não têm o dever de fazer esse controlo para salvaguarda da protecção da criança”.

Sem respostas prontas, a investigadora na área do Direito da Informação, Maria Eduarda Gonçalves, posiciona a questão do ponto de vista jurídico: “Aqui joga-se o dever legal e o direito da família a proteger os filhos que ainda não atingiram a maioridade legal face aos riscos potencialmente gravosos que as redes sociais comportam. A questão coloca-se quando esse dever entra em tensão com o direito constitucionalmente garantido de protecção de reserva da vida privada, que todos têm, nomeadamente as crianças. Portanto, trata-se de saber a que ponto se justifica que, face a determinados riscos, os pais interfiram nessa liberdade e autonomia individuais dos filhos, consultando-lhes o email, os espaços de mensagens”, cogita a jurista. E o mais próximo que chega de uma conclusão é isto: “Diria que nenhum direito é absoluto. Em abstracto, não se pode ir muito mais longe do que admitir que há limites a esse direito e que os pais não podem descurar essa questão, desresponsabilizando-se e deixando as crianças menores sozinhas no exercício desse direito à privacidade.”

Na cabeça — e no consultório — de Daniel Sampaio, psiquiatra e terapeuta com mais de 30 anos de experiência com adolescentes e famílias, a equação coloca-se a outros níveis. “Sou contra o conhecimento de passwords e contra a invasão de privacidade por parte dos pais”, introduz. E sustenta: “Não é através de uma vigilância do tipo policial que se resolvem os problemas entre pais e filhos e a quebra da confiança na relação entre uns e outros é um ingrediente decisivo para o conflito.” Porque “o clima entre pais e filhos tem de ser de confiança e partilha e a vigilância policial degrada as relações e leva ao conflito”, o psiquiatra mostra-se também avesso ao recurso às aplicações que permitem vigiar a actividade dos filhos na Internet sem o seu consentimento, a não ser “como medida extrema”. Não se trata de ignorar os riscos. “Em primeiro lugar, é importante que os pais utilizem bem as redes sociais eles próprios e que falem disso com os filhos. Se uma criança perceber o que está certo e errado terá menos possibilidades de errar”, preconiza.

Em casa, não na escola

Imagine-se então uma criança de dez anos que insista em criar uma conta no Facebook. “Os pais devem acompanhar a inscrição e a publicação dos primeiros conteúdos e têm que ter uma dimensão ética, explicando-lhe o que deve e o que não deve fazer. Têm que lhe explicar que não deve comentar as imagens dos outros, que não deve fazer comentários sobre os corpos dos amigos, que pode comunicar e trocar determinadas imagens dos sites que encontra mas que não deve publicar imagens de pessoas”, aconselha Daniel Sampaio. O psiquiatra insiste que a chave está na confiança e que esta se ganha na infância. “É aí que se estabelece a possibilidade de um filho que tem um problema desabafar com os pais. Feito isso, será mais fácil que, perante uma situação de maior risco, os filhos recorram aos pais e desabafem com eles.”

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E não, não compete às escolas fazer esse trabalho de sensibilização. “Os miúdos na escola aprendem os riscos associados às redes sociais no 8.º ano, em que já têm mais de 13 anos e podem legalmente aceder às redes sociais. Mas basta ir a um auditório de uma escola do 1.º ciclo para perceber que 80% dos miúdos com oito ou nove anos já têm contas nas redes sociais”, relata Tito de Morais, fundador do MiudosSegurosNa.Net, um projecto dedicado a promover a utilização segura das novas tecnologias por crianças e jovens.

“A situação em que os pais se encontram perante um filho de oito ou dez anos que queira abrir uma conta numa rede social não é fácil e coloca-lhes um dilema: ou respeitam as regras e recusam abrir a conta porque isso implica mentir — no Facebook, por exemplo, a idade mínima são os 13 anos —, e aí correm o risco de o miúdo abrir a conta sozinho, ou aceitam abrir a conta mas ficam com a password e o username para poderem fazer algum acompanhamento.”

Claro que o que é válido para um miúdo de dez anos dificilmente o é para um de 16. “Aqui, o controlo parental, mesmo que pareça consentido, pode funcionar ao contrário, ou seja, os miúdos vão esconder a verdadeira conta que usam e os pais ficam com acesso a uma conta fictícia onde não publicam nada, porque a tendência nesta idade será para ver a supervisão dos pais como uma intrusão e uma bisbilhotice”, aponta Tito de Morais.

E voltamos aqui à questão da confiança. “Os pais não podem deixar os filhos com rédea solta na Internet mas têm que ter noção que, se eles quiserem esconder a sua actividade na Internet, não lhes faltam formas de o fazer. Por isso é que é tão importante que os pais consigam criar uma relação de confiança com os filhos e mantenham as linhas de comunicação abertas para que estes se sintam à-vontade para pedir ajuda no dia em que fizerem uma asneira ou forem vítimas de uma situação na Internet”, sugere, dizendo-se seguro de que esse dia chegará, mais cedo ou mais tarde: “Não há anjinhos, todos fazemos asneiras. A diferença é que hoje essas asneiras tendem a chegar ao conhecimento de todos e a ficar registadas para a posteridade.”

Quebrar tabus

Ao longo das suas inúmeras incursões pelas escolas, Tito de Morais ouviu muitas histórias. “Cada vez mais os jovens usam estas tecnologias como forma de expressar a sua sexualidade e partilham fotos e vídeos com as pessoas com quem mantêm relações amorosas. Mas as relações tendem a ser menos duradouras que as fotografias e os vídeos. E aquilo que foi partilhado com a intenção de ser visto pelo namorado ou pela namorada acaba muitas vezes disseminado pela Internet.”

Cabe aqui aos pais explicar o risco de registar a intimidade em formato digital. E, no equilíbrio necessário entre o dever de supervisão e o respeito pela privacidade dos filhos, quando estes se mostrem menos receptivos à ingerência parental, Tito de Morais aponta como exemplo o amigo que estabeleceu um pacto com os filhos: “Ele não sabe a password dos filhos mas combinaram mantê-la num envelope fechado que o pai pode abrir caso suspeite de alguma coisa. Mas também conheço pais que não hesitam em sacrificar a privacidade dos filhos e outros que recusam assumir o papel de polícias na vida deles. Tudo depende da postura e dos valores.”

Claro que, como lembra Rute Agulhas, “aos 15 anos ninguém quer os pais a invadir-lhes a privacidade, a entrar no quarto sem bater ou a inspeccionar as mochilas”. Mas, se esse dever de supervisão e os cuidados que é preciso ter forem devidamente explicados desde a infância, já será mais fácil na adolescência equilibrar o controlo parental com o respeito pela privacidade. “Se este trabalho começar na infância — e tenderia a defender que, mais do que bisbilhotar sem os filhos saberem, os pais devem exigir ter conhecimento das passwords até aos 14 ou 15 anos, porque a supervisão faz parte das suas responsabilidades parentais —, o resto surge naturalmente.”

Tudo depende da capacidade — “que muitos pais não têm”, como lembra Rute Agulhas — de quebrar os tabus e começar a falar de sexualidade com os filhos. “Muitos pais ou cuidadores dizem-nos que até querem falar mas que não conseguem arranjar um canal de comunicação. Mas têm mesmo de o fazer. De serem capazes de explicar que uma câmara num computador, mesmo desligada, pode ser accionada remotamente e que o melhor é tapá-la com fita-cola. E têm de ser capazes de o fazer sem provocar alarmismos, com a mesma naturalidade com que alertam os miúdos para os cuidados que estes têm de ter quando atravessam a rua numa passadeira.”

O que é proibido, isso sim, é continuar a confiar na aparente segurança que lhes confere o facto de a criança ou o jovem estarem em casa, sentados no sofá, entretidos com o tablet, o telemóvel ou o computador. E “infelizmente”, conclui Rute Agulhas, “muitos pais continuam a preferir ignorar que os perigos a que os filhos estão expostos na Internet, mesmo as crianças de seis anos que acebem ao YouTube, são muito maiores do que se estivessem na rua a brincar em frente ao prédio”.

 

 

 

 

 

 

Should Parents Post Photos of Their Children on Social Media?

Junho 6, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do The Wall Street Journal de 23 de maio de 2016.

 A parent on average will post almost 1,000 photos of a child online before the child turns 5, a recent survey found. Photo: John Weber for The Wall Street Journal

A parent on average will post almost 1,000 photos of a child online before the child turns 5, a recent survey found. Photo: John Weber for The Wall Street Journal

Those in favor say it’s a great way to help build a community. Others say sharing violates children’s privacy and may have long-term consequences.

It’s a question any social-media user faces after snapping a great photo: Should I post this? Or it going to come back to haunt me?

The questions get doubly complex when they involve people’s children. A parent on average will post almost 1,000 photos of a child online before the child turns 5, according to a recent survey. Many parents don’t ask children’s permission before posting, and many have never checked their privacy settings—even though photos often contain data about where they were taken.

That leads many privacy advocates to urge restraint on parents. The risks of putting your child in danger now, or embarrassing them later, are too big to ignore, these critics say. The best course is to keep their photos off the Internet.

But some parents strongly argue for posting photographs of children. It’s a way to strengthen an online social circle, they say, and connect with people you didn’t know before. What’s more, children are going to end up on social media eventually, they say, and parents can set a good example for them by being careful about what photos they post and asking permission when children are old enough to consent.

Lauren Apfel, a writer and mother of four (including twins) and founder and executive editor of Motherwell magazine, makes the case for sharing photos. Arguing the case against sharing is Morgan G. Ames, a postdoctoral scholar at the Center for Science, Technology, Medicine, and Society and a fellow at the Center for Technology, Society and Policy at the University of California, Berkeley.

YES: In an Isolated Age, It’s a Great Way to Help Build a Community

By Lauren Apfel

Sharing photos of your children online can be a rewarding experience and a way to connect with other parents. But you must be prepared to be responsible about what you post.

The big reason to share is to build community. Raising children is a more isolated endeavor than ever before. I live, for example, thousands of miles from my family. In this atmosphere of modern parenthood, we all struggle to make it through the day, and the Internet has become an incredible source of support. In the early years of mothering twins, one of the things that brought me the most happiness was posting pictures of them on Facebook. Sharing those photos and engaging with an online community was a lifeline.

1Many people fear those pictures will spread further than intended. To me, that’s part of the joy of it. My work as a writer has helped me create a community on social media, and the images I post of my children allow me to engage with a range of “friends” I wouldn’t necessarily include on a tailored list. I delight in seeing their photos, too. You don’t know whom a picture will touch, what connection will be made. Unexpected people have seen my pictures and commented on how much they enjoyed them or could relate to them.

I know there is much concern about the potential dangers in sharing pictures of children: catfishing, identity theft or projected scenarios where our bundles of joy are judged by future employers because of a virtual fingerprint they did not create. But none of this bothers me. My children are my children because of the choices I make about them. They were born to parents who believe that the benefits of sharing photos of them online outweigh the risks—this is their lot, and it has been a constant, familiar part of their upbringing, one with which they seem innately comfortable.

I don’t actively avoid unintended negative consequences, because I don’t fear them per se and certainly not enough to stop posting. If problematic unintended consequences did arise because of a photograph I posted, I would deal with them on an ad hoc basis.

I will not share photos that I think are tasteless or inappropriate, or that I feel mock my children in any way. Nor will I share photos that my older children have expressly asked me not to (and, with my 10-year-old and 8-year-old, I tend to request permission).

2As critics of sharing photographs argue, there might well be much about the effects of the Internet we don’t yet know. There are always unpredictable repercussions when it comes to new technologies—but there are always new solutions. Instead of fearing the unknown, we should be embracing the digital world and all it has to offer by interacting with it in a civilized, dignified way. Parenting (indeed, life!) is hard enough without letting vague and unsubstantiated concerns for the future dictate present-day decisions.

My oldest son will soon be entering the brave new world of social media. The same way our children are the first to grow up immersed in screens, so too are they the first to be raised in the age of online parenting. We should be using our own forays into

the Internet as an opportunity: Parenting is nothing if not setting a good example.

When my son follows the winding trail of my online history, I know what he will find: a mother who prioritizes posting photos of herself and others respectfully, moderately and tactfully. And this is exactly what I will expect from him.

Ms. Apfel is a writer and mother of four (including twins). She is co-founder and executive editor of Motherwell magazine. She can be reached at reports@wsj.com.

NO: They Violate Privacy, and Without a Child Giving Consent

By Morgan G. Ames

Facebook seems to be full of friends’ adorable babies and precocious children. But a healthy proportion of parents—myself included—have decided that sharing photos carries too many risks for their children.

Why do we opt out? And what issues should parents consider when posting pictures of their children online?

My own reasons center on privacy and consent. In the early days of the Web, those few with an online presence often felt that they were protected by security through obscurity. But in today’s world, data mining is big business. Much of our content is hosted on sites where we may not only lack control over what happens to it, but where it is aggressively used in aggregation and profiling.

The pictures parents post may follow children from birth to death as their data profiles are sold and resold to marketers. They can reinforce prejudices and barriers as marketers decide what sort of person someone is, what kinds of content will be marketed to them, and even what kinds of loans they might be worthy of based on their past. And there are likely long-term implications of these data profiles that we don’t yet understand.

It can also be difficult for parents to keep in mind just who their actual audience is. They may be targeting grandparents in their posts, but on many sites, including Facebook, sharing to one’s whole network is the default that many never change, and photos are visible years in the future. It can also be hard to control re-sharing, so that photos that people think are private can eventually take on a life of their own.

These issues are thorny enough when deciding to post pictures of ourselves online—in fact, research shows that adults are sharing less personal content on social-networking sites (much to Facebook’s chagrin!). They may be compounded for children.

3Some people who share photos say they are building an online community. Indeed, there are definitely benefits to creating such support structures of parents. But the benefits to children are less clear, and the risks are high enough that I would encourage parents to think about posting a few paragraphs of text instead of a photograph.

It’s also true, as some people who share argue, that information will end up online eventually. But rather than use that fact as a reason to post photographs of our own, we should take it as a warning to be even more cognizant of the information about us and our children that ends up online.

Finally, there’s the crucial issue of consent. Children are rarely given the opportunity to agree to having pictures of themselves shared online by others, and they may not fully understand what they are consenting to. Children also often don’t have control over how they are portrayed when others are posting. They may not understand how that embarrassingly cute photo of them that parents adore might come back to haunt them years later when bullies or future employers or bitter ex-lovers unearth it.

This isn’t to say youth don’t make missteps when managing their own online identities. But allowing them to create those identities themselves, rather than contending with something their parents have already crafted for them, could be an important part of developing independence while maintaining trust.

Ms. Ames is a postdoctoral scholar at the Center for Science, Technology, Medicine, and Society and a fellow at the Center for Technology, Society and Policy at the University of California, Berkeley. She can be reached at reports@wsj.com.

What Twitter and Facebook Said

We asked readers on social networks if it’s a good idea for parents to post photos of their children on social media. Here’s what we heard.

 

 

 

Cibercrime no Ambiente Escolar – Webinar com Pedro Verdelho, coordenador do Gabinete Cibercrime da Procuradoria-Geral da República

Fevereiro 28, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Facebook. Mãe, pai… precisamos de falar

Fevereiro 6, 2016 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Reportagem do Observador de 21 de janeiro de 2016.

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Hugo Tavares da Silva

Mil jovens portugueses falaram sobre privacidade no Facebook num estudo feito em Portugal. O Observador foi a reboque e ouviu conselhos de 5 adolescentes para os pais. Está na hora de os ouvir.

Nenhuma conversa que tem como ponto de partida um seco “temos de falar” é fácil. Em inglês, o famoso “we need to talk” é bem mais sedutor, mas isto será em bom português. O objetivo? Evitar climas de guerra fria à mesa de jantar, rostos corados ou episódios embaraçosos. Ou seja, é uma espécie de “não me esperes na porta da escola, fica ao fundo da rua” da era digital. Este é um manual de boas maneiras, sobre e para os utilizadores das redes sociais, nomeadamente o Facebook. Estratégia para os pais? Bom, é engolir em seco, pegar num bloco de notas e fazer scroll down

Publicar fotografias dos filhos em pequenos é coisa para haver chatice. Se houver bónus — poses esquisitas, sem roupa, com óculos ou aparelho –, então boa sorte. Comentários de papás babados, a dizer coisas como “ahh, sais mesmo à tua mãe”, publicar artigos que deveriam ser do interesse do filho, ancorados por um “olha, é bom para ti”, também é provável que resulte numa ligeira azia.

A rede social de Mark Zuckerberg tem qualquer coisa como 1500 milhões de utilizadores espalhados pelo mundo. Em outubro de 2015, quase cinco milhões de portugueses tinham conta no Facebook. É, por isso, todo um mundo novo nas ligações entre pais e filhos. Nem tudo é embaraço ou estorvo, pois há também espaço para conselhos, recomendações, hábitos e privacidades. E também, porque não, provas de confiança de parte a parte.

Uma coisa de cada vez. Comecemos pela razão que fez o Observador desencantar cinco jovens para falar sobre a sua experiência nas redes sociais. O Facebook e a MiudosSegurosNa.Net, uma plataforma que visa garantir a segurança de crianças e adolescentes na internet, apresentaram esta quinta-feira uma campanha (“Pensa antes de Partilhar”) sobre os hábitos e desafios que os jovens enfrentam diariamente nessas águas que parecem sem limite — o objetivo passa também por servir de bússola, para orientar pais, filhos e educadores, sobre como melhorar a sua proteção e segurança.

Para tal, foram entrevistados mil jovens com idades entre os 14 e 18 anos. Os autores do estudo destacam o facto de 80% dos inquiridos terem já recorrido às ferramentas de privacidade para bloquear alguém; já 94% censura e acha incorreto que se publiquem fotografias negativas ou embaraçosas. Para casos mais problemáticos, onde o jovem se sente incomodado ou visado, 75% deles admitiu que pediria ajuda. Um dos jovens ouvidos pelo Observador (nomes fictícios) foi vítima de bullying no Facebook e a mãe foi chave nesse processo.

De acordo com o estudo publicado esta quinta-feira, a internet é o meio de comunicação mais natural e recorrente entre os jovens. A quantidade de plataformas, aplicações, redes sociais, ajuda a explicar o fenómeno: as adolescentes inquiridas têm, em média, 3.6 contas em redes sociais, contra 2.9 dos rapazes. Oitenta e cinco por cento usa o telemóvel para o toma lá dá cá, mas também recorrem a computador e tablets. Conclusão: em média, os jovens entre os 14 e 18 anos usam 2.5 dispositivos.

Quanto a privacidade, 80% dos inquiridos admite que já bloqueou alguém, tendência que se confirmou nas conversas entre o Observador e os cinco adolescentes. Apenas metade dos mil entrevistados partilharia a sua password com alguém, sendo que os pais ganhariam no campeonato da confiança (54%), seguidos pelo melhor amigo/a (34%) e pelo namorado/a (34%). Sessenta e um por cento das meninas já pediu que fossem apagadas fotografias ou conteúdos em que estejam inseridas, contra 41% dos rapazes, quem sabe menos preocupados com a imagem.

Em casos de abordagens menos simpáticas, casos realmente incómodos, o que fariam estes jovens? Setenta e cinco por cento deles pediria ajuda. No topo da lista voltam a surgir os pais (54%), seguidos por amigos (26%) e autoridades (24%). Uma coisa é certa para estes garotos: não é correto publicar fotografias más ou embaraçosas (considera 94% dos inquiridos), assim como não é de bom tom publicar sem pedir autorização a quem aparece (69%), mesmo que as fotografias sejam de alto gabarito.

Maria, 17 anos: “Faz-me um bocado confusão aquilo de meterem fotografias de quando somos bebés”

O tom e a articulação das palavras não fazem adivinhar a idade no bilhete de identidade. Do outro lado da linha está Maria, uma rapariga que começou a usar o Facebook aos 11 anos. “Na altura só nos podíamos inscrever com 13 anos, por isso lembro-me de ter metido outra data de nascimento”, recorda. Maria ganha à média do estudo, pois tem contas nas redes sociais Facebook, Instagram, Snapchat e Twitter.

Maria tem os pais no Facebook, que usam apenas um perfil, o da mãe. “No início houve apenas uma conversa sobre não meter fotos vergonhosas ou muitas publicações no meu mural”, conta. “E não meter também comentários nas fotografias como ‘ahh, sais à tua mãe’, ‘é bonita’, aquelas coisas de mães e pais… até dos avós! É quase a família toda com Facebook!”

Há pais que usam também esta ferramenta para deixar recados, o que faz adivinhar algum desconforto alheio. “Quando eu era mais nova, às vezes, a minha mãe deixava [no meu mural] artigos sobre limpar a casa e dizia ‘devias começar a fazer também assim’. Agora já não faz tanto. Publica na mesma, mas não desse género”, conta.

E situações que façam comichão, há? “Faz-me um bocado confusão aquilo de fazerem comentários, de irem comentar fotos de amigos, fazerem publicações mais estranhas ou meterem fotografias de quando somos bebés. Aquelas coisas esquisitas…”, revela, com um fair play e boa disposição assinaláveis. “Adicionar amigos não há problema, desde que não publiquem coisas nos Facebooks deles ou haja conversas e coisas estranhas.” As linhas vermelhas, não há volta a dar, posicionam-se junto às coisas estranhas e esquisitas.

Vamos a conselhos, mães e pais? “Não façam comentários. Não andem a cuscar e quando chega a hora de jantar digam ‘então aquilo que publicaste no Facebook e tal…’, não vale a pena. E não façam comentários nos Facebooks dos amigos”.

Francisca, 15 anos: “Não há conselhos que possa dar, eles usam o Facebook muito mais do que eu”

Esta jovem nem é fã de Facebook, já desativou a conta e voltou a criar outra, porque a dinâmica escolar assim o exigiu. Francisca prefere Twitter, Instagram, Snapchat e Tumblr. “Quando criei a minha primeira conta no Facebook, a minha mãe não concordava muito com isso, porque na altura ela não sabia como funcionava. O meu pai não se importava”, conta. Um vírus levou-a a apagar a conta: “Enviava mensagens automáticas como se fosse eu para muita gente, com o link do vírus. Foi aí que me passei e desativei a conta.” Agora, diz, vai lá apenas para dar um olho às modas: “A cusquice fala mais alto. E, como agora se veem muitos vídeos de experiências sociais, é mais interessante.”

Quanto a publicações e definições de privacidade, admite que já teve o seu momento ‘whaaat?’. “As fotos na minha outra conta não são nada de embaraçoso, mas são daquelas coisas que dão vontade de rir e pensar ‘o que raios tinha eu na cabeça?!’. Sempre fui uma pessoa muito fechada relativamente ao Facebook, portanto tenho a sorte de não ter muita coisa para me arrepender”, admite. Francisca disse ainda ao Observador que não permite ser identificada em publicações que todo o público da rede social tenha acesso, embora admita que deixa “amigos de amigos” verem essas publicações. Ou seja, um universo que ela desconhecerá, naturalmente.

Os pais não a envergonham, nadica de nada, quiçá a lógica seja ao contrário. “Não há conselhos que possa dar, eles usam o Facebook muito mais do que eu, e têm uma ideia maior de como as coisas funcionam por aqueles lados”, diz. E garante: “Era capaz de dar a minha password aos meus pais, confio plenamente neles, mas tenho a certeza que eles não lhe dariam uso algum.”

Miguel, 18 anos: “Parem de usar reticências em tudo o que dizem!”

Com contas no Instagram, Snapchat, Pinterest, este rapaz de 18 anos já usa o Facebook desde 2012. Miguel tem as ideias bem definidas quanto ao que os pais não devem fazer, e os pontapés na gramática será o que mais lhe custa.  “Tenho a minha mãe no Facebook, o meu pai não tem conta nessa rede social. Somos bastantes próximos por isso não houve problema qualquer.” A password da conta partilhá-la-ia com os pais ou com o melhor amigo.

Miguel nunca publicou fotografias embaraçosas, mas já foi objeto e alvo do mesmo. “Foi no gozo, até era bastante engraçado”, admite. “Nunca tive problemas a não ser conversas pessoais desagradáveis no Facebook Messenger. Quando tenho comentários desagradáveis, procuro perceber a razão para tal e remediar, se o caso for muito grave, aí peço ajuda.” E recorda um episódio menos simpático: “Bloqueei uma rapariga que é prima do meu melhor amigo. Ela mandava-me 20 mensagens por dia e era bastante incómodo”.

É que este rapaz prefere o Facebook para acompanhar a vida de algumas pessoas e “ver coisas engraçadas como vines“. “Tenho cuidado com quem aceito como amigo, aceito apenas quem conheço. Defino as minhas publicações apenas para os meus amigos verem. Não tenho problemas em ser marcado nas publicações deles. Se forem ofensivas, aí sim, há problemas.”

Se os pais ainda têm unhas para roer ao terceiro adolescente desta lengalenga, chegou a parte do outro lado da moeda. “Os meus pais não me envergonham, quando muito sou eu que os envergonho!” Bom, isto correu bem. E haverá algum dark side, ao estilo “Guerra das Estrelas”?

“Os pais não têm cuidado algum com a escrita, têm um português mau, não têm cuidado com a pontuação”, arranca. “Conselhos? Corrijam o vosso português, usem a pontuação como deve ser. Não comentem as fotos dos vossos filhos, pode ser embaraçoso para eles. Não sejam viciados nesta rede social. Não partilhem tudo e mais alguma coisa porque a certa altura fica demasiado amontoado. Parem de usar reticências em tudo o que dizem!” Okay

Marta, 17 anos: “Veem-se muitos casos de bullying no Facebook, muitos mesmo”

Tinha 12 anos e o processo foi simples: “Disse à minha mãe que queria uma conta, e ela ajudou-me a criar a conta. Ela disse-me para ter cuidado com quem falava, já tinha havido essa conversa”, conta. Marta tem contas no Facebook, Instagram, Twitter, Tumblr e Snapchat.

Esta adolescente tem os dois pais no Facebook, mas apenas um deles lhe dá dores de cabeça. “O meu pai não faz nada, não mete gostos, não manda mensagens, não faz nada. A minha mãe mete coisas que não sou apaixonada no meu perfil, como publicações de maquilhagem… e eu digo ‘eu não quero saber disso!!’”, diz, com os decibéis mais alterados, talvez para a mãe ouvir.

Os risos e o tom mais leve desapareceram quando referiu o caso de bullying de que foi vítima nesta rede social. “Foi no nono ano. O grupo [no Facebook] era da minha turma, servia para discutir trabalhos. Depois uma rapariga falou mal de mim, atacou-me verbalmente, com asneiras”, lembra. “Disse-lhe que não devia fazer isso, os outros viram e não fizeram nada. A minha mãe acabaria por descobrir, por me ver triste, foi comigo à professora, que falou depois com a rapariga.”

Agora o caso já não a afeta muito, mas diz que essas histórias são recorrentes. “Agora tenho mais cuidado com grupos. Quando vejo alguém a sofrer o mesmo, tento defender. Sei que é mau estar naquela posição. Veem-se muitos casos desses, muitos mesmo. Normalmente é o elo mais fraco, ou porque fala menos, ou porque é quem está mais de parte”, esclarece.

As cautelas de Marta estendem-se às fotografias. “Tenho cuidado em não mostrar certas partes do corpo, em não falar com pessoas que não conheço, tenho de conhecer ao vivo primeiro.” A adolescente admite ainda que já alterou as definições de privacidade, para que apenas amigos possam ver o que publica.

E conselhos para os pais, que se encontram meio enrolados neste tsunami tecnológico? “Não coloquem fotografias de quando os filhos são mais novos. Seja porque fomos mais gordinhos, ou tínhamos aparelho, ou havia algo que não nos sentíamos bem. Os pais podiam perguntar. Já me aconteceu, sim. Tinha ar de criança, usava óculos… não foi muito agradável”, alerta.

Há mais? Ora essa: “Não cusquem os vossos filhos. O meu pai já me perguntou uma vez sobre uma foto com um rapaz: ‘entããããão quem é o rapazinho?…’. Fiquei sem saber o que dizer, porque nem tenho boa ligação com ele. Com a minha mãe diria que ‘é o António ali da esquina’ ou assim, sem problema. Fiquei um bocado nervosa.”

Ato III: “Não se apeguem muito ao Facebook, vivam as coisas, com as pessoas. Vejo isso um bocadinho: os pais chegam a casa, fazem jantar, vão ao computador ver as notificações, jogar o Candy Crush. Podiam passar esse tempo com os filhos, a falar como correu o dia na escola.” Mas isso não é o que acontece normalmente ao contrário? “Sim, também. Acontece muito…”

Ana, 17 anos: “A melhor forma de usarem as redes sociais é confiarem nos filhos”

Com contas no Twitter, Tumblr e Pinterest, Ana usa o Facebook desde o sétimo ano, pois “toda a gente estava a criar”. Esta adolescente também conta com os pais na lista de amigos, algo que é pacífico. “Simplesmente adicionei-os, sinto que não tenho nada a esconder e que não há necessidade para tal coisa”, garante.

E o que fazem eles? “Geralmente mandam-me publicações de animais para ver, mas por mensagens. O resto das publicações ou dão gosto ou ignoram, também não me preocupo com isso e até brinco a dizer ‘aaah, achas bem não meteres like nas fotos das paisagens que tiro?’” Curiosamente, a única coisa que desassossega Ana não é os pais navegarem no mesmo oceano 2.0 que ela, mas sim o facto de eles verem os vídeos do Facebook “muito alto na sala”.

Ana usa pouco o Facebook. “Partilho vídeos que gosto ou ponho fotos que tiro, já que gosto de fotografia. Não costumo falar com muita gente. Quanto a privacidade, tenho aquilo definido só para amigos, e apenas sou marcada em publicações se aprovar.” Apesar de usar pouco a rede social, há sempre aqueles momentos que oferecem pele de galinha: “Quando vejo o que publiquei há uns anos, há coisas que apago porque são bastante embaraçosas.” Ana também opta por denunciar posts que não gosta.

E bullying? “Creio que sim, há muita gente que sofre bullying em qualquer rede social. Quer seja através de comentários de fotos, posts ou por mensagem. Há sempre alguém que gosta de gozar e criar confusão”, admite. E garante: “Nunca bloqueei ninguém, mas já eliminei amizades, pois não gosto de ter no meu feed pessoas com preconceitos, racistas, homofóbicos, ou que sejam apenas estúpidos.”

Para os pais, aqui segue a sabedoria do alto dos seus 17 anos: “Acho que a melhor forma de usarem as redes sociais é confiarem nos filhos e, se virem algo estranho, falar com eles, mas sem pressionar. Também não devem comentar fotos com comentários como ‘estás tão linda filha, beijinhos’, quase em formato de carta. Toda a gente acha isso estranho, especialmente quando vem de familiares. Os pais devem também mostrar aos filhos quando publicam fotos deles, para não ser uma surpresa desagradável.”

visualizar um vídeo inserido na reportagem no link:

http://observador.pt/especiais/facebook-mae-pai-precisamos-falar/

 

 

 

 

Vai dar um telemóvel ao seu filho? Aqui ficam alguns conselhos

Janeiro 29, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Expressso de 16 de janeiro de 2016.

Sean Gallup

Telemóveis e smartphones são uma nova realidade na vida de pais – e de filhos. Qual a idade certa para dar um primeiro telemóvel? Se for o seu caso, deixamos-lhe algumas linhas orientadoras

Katya Delimbeuf

Quantos de nós não conhecemos crianças que têm telemóvel, ou mesmo smartphones, com ligação à internet? Qual será a idade mais acertada para oferecer o primeiro telemóvel ao seu filho? Os especialistas são unânimes: uma prenda destas deve corresponder a uma necessidade efetiva – como por exemplo, se o seu filho passar a andar de transportes públicos sozinho, ou se for para um campo de férias e precisa de estar contactável – e não a um argumento do género “Mas todos os meus amigos têm…”. O pediatra Mário Cordeiro defende que “só se deve ter telemóvel quando há necessidade de comunicar sem ser por outras vias. As necessidades criam-se, a todos os níveis”, lembra. “E é bom saber estar consigo próprio, tentar que a comunicação “olhos nos olhos” substitua o virtual e saber não ser órfão do telemóvel, da televisão ou das redes sociais.”

O que é um facto é que cada vez mais crianças têm telemóveis pessoais – e cada vez mais cedo. Na vizinha Espanha, mais de 25% dos meninos de 10 anos tem um, e aos 15 anos, o valor aumenta para 63%. Para os pais, aqui ficam alguns conselhos de regras a implementar.

  1. Dê o exemplo

Os pais continuam a ser os principais educadores, e a educação faz-se pelo exemplo. Por isso, se não querem que os vossos filhos sejam viciados no aparelho e andem com ele para todo o lado, não sejam vocês próprios escravos do telemóvel. As alturas das refeições, o tempo de estudo, acompanhado ou não, ou o tempo passado no parque ou ao ar livre não devem ser interrompidos por tempo dos pais ao telemóvel. Os mais novos necessitam de sentir a nossa atenção indevida, e há estudos científicos que apontam que a dependência dos adultos relativamente ao telemóvel tem efeitos no desenvolvimento cognitivo e na autoestima dos menores.

  1. Telemóvel com ligação à internet, sim ou não?

A internet faz parte da vida moderna e pode ser útil em muitas ocasiões. Se optar por um telemóvel que o permita aceder à internet, lembre-se que controlar tudo o que o seu filho faz é impossível, e também não será uma forma saudável de cimentar a vossa relação. O diálogo continua a ser a arma mais importante dos pais, e é preciso dar espaço à privacidade dos seus filhos.

  1. Estabeleça regras

Como em tudo na vida, é necessário estipular limites. Faça um “contrato” com o seu filho, com as regras sobre tempo de utilização, “downloads”, redes sociais… Nunca é demais alertar para os “básicos” da segurança na internet: não aceitar pedidos de amizade de estranhos no Facebook, ter atenção às fotos que se publicam, por muito inocentes que pareçam, desativar funcionalidades como a localização, que pode ser usada por pessoas mal-intencionadas. É importante lembrar que aquilo que é colocado na internet tem “rasto”, ou seja, nunca desaparece depois de postado – e isso levanta questões sensíveis. A questão do ‘ciberbullying’ é real para muito mais crianças do que seria desejável, e por isso é fundamental reiterar a importância de valores como o respeito na interação virtual.

  1. Crie um clima de cumplicidade

Confiança e comunicação são fatores-chave na relação entre pais e filhos. No “Guia Parental para manter os filhos seguros na internet”, do Programa Internet Segura da União Europeia, uma das regras consideradas de ouro é “fomentar a confiança mútua, transmitindo aos seus filhos que podem falar sobre os seus erros, de modo a poderem procurar soluções em conjunto”. Os erros fazem parte da aprendizagem. E se os seus filhos sentirem que em vez de os repreender saberá ouvi-los, em caso de aflição, mais facilmente partilharão as suas dúvidas consigo.

  1. Fixe horários

Há coisas que têm de manter-se sagradas, e os locais e horários de utilização dos telemóveis são uma delas. Caso queira que o seu filho leve o telemóvel para a escola, é muito importante que lhe explique que este tem de estar desligado durante o tempo de aulas. Mas é igualmente importante que o telemóvel tenha uma hora certa para ser desligado à noite, de modo a não interferir com os horários de sono dos mais novos. Para que a luz de mensagens a entrar não perturbe o seu tempo de descanso, não devem estar apenas no silêncio – e não há como estarem desligados para não haver a tentação de jogar jogos ou trocar mensagens mais ou menos próprias.

  1. Respeite a privacidade dos seus filhos

Num inquérito nacional de 2016 do Pew Research Center, em Washington, nos EUA, realizado a pais de adolescentes entre os 13 e os 17 anos, quase metade (48%) admitiu saber a password do seu filho da conta de email, e 43% admitia conhecer a ‘password’ dos telemóveis destes. Paulo Gomes, psicólogo e investigador na equipa da Aventura Social, defende que “a privacidade dos mais novos deve ser preservada, e a sua monitorização deve existir num espaço de partilha e entreajuda, e não num espaço de mero controlo”. Lembre-se: os seus filhos estão a crescer, a tornarem-se “adultos” com personalidade própria, e têm direito à sua esfera de privacidade.

  1. Aprenda com os seus filhos

Não é novidade nenhuma que a nova geração domina as novas tecnologias de um modo que os seus pais não. Aproveite isso para aprender como se usam uma série de ferramentas e aplicações. Perguntando-lhes quais as suas aplicações preferidas, saberá quais usam – e no melhor dos cenários, as que lhe podem ser úteis a si.

 

 

Normas para publicar fotos de niños en las redes sociales

Outubro 7, 2015 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do site http://computerhoy.com de 20 de setembro de 2015.

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Juan Antonio Pascual

Es una tendencia natural sentirse orgulloso de tus hijos y querer que todo el mundo vea lo guapos, simpáticos y divertidos que son.

Muchos padres acostumbran a publicar fotos de sus hijos pequeños en las redes sociales, fotos aparentemente inocentes que pueden caer en redes de pornografía infantil o poner a los niños en el blanco de los depredadores sexuales.

Internet no es el lugar más adecuado para mostrar al mundo cuánto quieres a tus hijos, sus bromas o sus ocurrencias. Aún así es perfectamente posible subir fotos de tus hijos u otros conocidos menores de edad, si se hace con responsabilidad, poniendo límites y respetando una serie de normas básicas.

La abogada de la Asociación de Internautas Ofelia Tejerina, experta en el tema, ha publicado nueve normas para descubrir si debes publicar o no fotos y vídeos de tus hijos en Facebook, WhatsApp, Twitter, YouTube, y otras redes sociales.

* Normas para publicar fotos de niños en redes sociales

  • Respeta la intimidad del menor. Ante todo, ten siempre presente que debes respetar la intimidad de los menores y que ellos quizás no quieran (ahora o en el futuro) que otros vean esos momentos que, aunque puedan ser divertidos, sólo interesan al seno de la familia o a círculos de amigos muy cercanos. ¿Querrá el niño ver esas fotos en la Red cuando sea mayor? Recuerda, en Internet todo se queda para siempre.
  • No publiques nunca fotos de los niños desnudos. En ninguna circunstancia: ni en la playa, ni en la piscina ni dentro de casa. Aunque para ti sean momentos muy tiernos, esas imágenes pueden caer en manos de redes de intercambio de pornografía infantil.
  • No compartas diariamente. Cada vez que vayas a publicar una foto de tus hijos, hazte esta pregunta: ¿De verdad esto resulta de interés para la mayoría de mis contactos? De esta forma, seguro que limitas de forma notable las imágenes que subes a Internet.
  • Utiliza el email. Si lo que quieres es compartir fotos con amigos íntimos y familiares, es más aconsejable utilizar el correo electrónico y evitar su publicación en las redes sociales.
  • Limita la difusión. Ajusta la privacidad de los perfiles en los que vas a compartir esas fotos, ya sea en las redes sociales o en programas de mensajería instantánea como WhatsApp. De este modo, acotarás al máximo el público que verá esas imágenes.
  • No des pistas. Nunca detalles en las imágenes datos concretos del lugar o la hora en que se han tomado. Así no difundirás las rutinas de tus hijos, sus horarios habituales ni los sitios en los que pueden encontrarse a una determinada hora del día. De igual modo, procura que en esas fotos no se vea el nombre de tu calle, la entrada del colegio de los niños, la matrícula de tu coche.
  • No etiquetes. En las fotos, no etiquetes a los menores con sus nombres y apellidos. Así evitarás que sean indexadas en los buscadores y que cualquiera pueda asociar las caras de los niños con su identidad real.
  • Pide permiso. Si vas a compartir imágenes en las que el menor sale con otros amigos, siempre debes preguntar a los padres de esos niños si están de acuerdo en subir esas fotos a la Red.
  • Pregunta al outro progenitor. Ambos progenitores tenéis que estar de acuerdo a la hora de subir las fotografías de vuestros hijos.

Son normas sencillas de seguir y recordar, pues se basan en el sentido común. Cúmplelas a rajatabla porque como hemos comentado, una vez subida a Internet una foto no se puede borrar. Aunque la elimines de tu cuenta, se habrá difundido y permanecerá para siempre en la Red.

[FuenteAsociación de Internautas]

 

 

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