(des)Ligados – Reportagem da RTP “Linha da Frente” sobre dependência da internet

Fevereiro 9, 2016 às 8:00 am | Na categoria A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe o seu comentário
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Reportagem da RTP “Linha da Frente” de 23 de janeiro de 2016.

Ver a reportagem no link:

http://www.rtp.pt/play/p2231/linha-da-frente

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Estudo confirma uma geração cada vez mais dependente da tecnologia

Fevereiro 7, 2016 às 1:00 pm | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
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Notícia do site https://www.mais-psi.com de 21 de janeiro de 2016.

maispsi

Um estudo recente do Instituto de Psicologia Aplicada (ISPA), em que foram inquiridos jovens portugueses até aos 25 anos, mostra que 70% apresentam sinais de dependência do mundo digital, em que 13% são casos graves, podendo implicar isolamento ou comportamentos violentos e que obrigam a um tratamento. Este estudo foi coordenado pela investigadora Ivone Patrão e confirma os sinais de uma geração cada vez mais dependente da tecnologia. Como exemplo, é relatado o caso de um rapaz que afirma que os seus amigos ficariam zangados caso ele não respondesse rapidamente às mensagens mesmo no horário em que deveria estar a dormir. Assim, este fenómeno pode mesmo conduzir a situações limites em que é posto em causa o bem-estar físico da pessoa.

Um outro estudo de 2014, conduzido pelo Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa (CESNOVA), no âmbito do projeto Net Children Go Mobile, mostra que mais de metade das raparigas (55%) referem usar todos os dias o smartphone, contra 44% dos rapazes. Há também uma evidência do uso excessivo no início da adolescência (11-12 anos) decrescendo no grupo intermédio (13-14 anos), para voltar a subir nos adolescentes mais velhos (15-16 anos).

Este estudo compara ainda a utilização do smartphone com outros países europeus. Constata-se que os adolescentes portugueses apresentam um valor de uso excessivo do smartphone (57%) que é superior à média europeia (48%), aparecendo o Reino Unido no topo (65%). A maioria dos adolescentes portugueses sente a necessidade de verificar o telemóvel sem razão aparente e ficam aborrecidos quando não podem usar o telemóvel por ficarem sem bateria ou sem rede. Cerca de um quinto afirmam mesmo estar menos tempo do que deviam com a família, os amigos ou a realizar as tarefas escolares, confirmando a importância do telemóvel em detrimento de outras formas de relacionamentos ou atividades.

E nos outros Países?

Um estudo coordenado por Ana Paula Correia, professora associada na Faculdade de Educação da Universidade Estatal de Iowa, Estados Unidos, publicado em agosto de 2015 na revista “Computers in Human Behavior”. Esse estudo permitiu identificar quatro características da nomofobia, ou seja, da ansiedade de separação do smartphone:

  • Não consegue comunicar. A pessoa sente-se insegura porque não pode ligar ou enviar SMS para a sua família e amigos.
  • Ausência de conectividade. A pessoa sente que está desligada da sua identidade no mundo digital.
  • Não consegue aceder à informação. A pessoa sente-se desconfortável quando não consegue, por exemplo, obter respostas às suas perguntas no Google.
  • Ausência de conveniência. A pessoa fica irritada porque não consegue terminar as suas tarefas, tais como realizar uma compra online.

Estas representam preocupações distintas que contribuem para a angústia geral das pessoas que sofrem de nomofobia.

O nome nomofobia deriva do inglês no-mobile-phone phobia. É um termo que descreve o medo crescente de ficar sem o telemóvel, representando assim uma ansiedade derivada da separação deste dispositivo móvel, e que está a crescer entre os adolescentes.

O uso excessivo do smartphone é de tal modo grave e tomou tal dimensão nalguns países, como a Coreia do Sul, que obrigou o Ministério da Educação deste país a criar um programa de prevenção e identificação precoce de crianças e jovens em risco. No âmbito dessas ações, o governo sul-coreano lançou uma aplicação para dispositivos móveis de modo a monitorar o uso do smartphone e restringir o acesso a jogos online depois da meia-noite.

Mas, será que eu sou viciado no smartphone?

Reconhece certamente o sentimento de ansiedade quando o bolso parece estranhamente mais leve e descobre que separou-se do seu smartphone. E se utiliza este dispositivo móvel para aceder às redes sociais, provavelmente, o seu nível de preocupação ainda é mais intenso. Mas será que é viciado no seu smartphone?

Estes são alguns dos sinais de alerta:

  • Fico ansioso ou inquieto quando fica longe do meu smartphone
  • Verifico constantemente o meu telemóvel
  • Evito a interação social em detrimento da utilização do telemóvel
  • Distraio-me frequentemente com emails, SMS ou outras aplicações móveis
  • Revelo um declínio no meu desempenho profissional ou académico
  • Acordo a meio da noite para verificar o smartphone

Se respondeu afirmativamente a muitos destes pontos, então poderá estar a sofrer de nomofobia.

Está na hora de fazer uma pausa

Ao longo da minha vida tenho evitado a dependência de coisas, e por isso faço regularmente uma introspeção sofre o meu estilo de vida. Procuro proteger-me de determinados vícios que podem ditar ou comprometer o meu comportamento. Isso inclui a utilização da tecnologia. Reconheço o papel dos computadores, telemóveis e outras tecnologias, que permitem-me trabalhar de forma mais fácil e eficiente, mas, porém, o meu princípio é que a tecnologia deve servir o homem, e não o contrário.

Então, o que devo fazer para ter um comportamento mais equilibrado?

  • Coloco o smartphone a pelo menos 5m de mim quando durmo à noite
  • Durante o dia tenho interações cara-a-cara com outras pessoas, sem interrupções derivadas da utilização do smartphone.
  • Certifico-me que durante o dia tenho um momento de reflexão em solidão com o smartphone desligado
  • Deste modo, durante a semana, equilibro o tempo passado com outras pessoas e ao smartphone.
  • Uma vez por mês desligo o smartphone durante todo o dia. É o dia em que me liberto!

Autoria de PsicoAjuda.

 

The Present – Vídeo

Fevereiro 5, 2016 às 8:00 pm | Na categoria Vídeos | Deixe o seu comentário
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Terapia para os viciados em smartphones

Janeiro 13, 2016 às 6:00 am | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
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texto do http://pt.euronews.com  de 5 de janeiro de 2015.

euro

visualizar a reportagem no link:

http://pt.euronews.com/2016/01/05/terapia-para-os-viciados-em-smartphones/

Há cada vez mais pessoas viciadas em telemóveis e constantemente ligadas à Internet que procuram ajuda para se libertarem do vício.

A desintoxicação digital é um programa terapêutico nascido nos Estados Unidos que existe hoje em vários países. Em Voltigen na Suíça, o programa de desintoxicação dura três dias.

“De manhã, o alarme toca, pego no telefone e ligo-me à Internet ver as aplicações Whatsapp e Facebook, para ver o que se passou durante a noite. Depois, tomo o pequeno-almoço a ouvir música no Spotify. Estou constantemente ligado à Internet em casa e no trabalho”, contou David, um dos participantes.

O vício da Internet não afeta apenas os adultos. Há cada vez mais crianças que adormecem na sala de aula, depois de passarem noites inteiras agarrados aos smartphones. Segundo um estudo do ISCTE, metade dos alunos inquiridos, em Portugal, afirma que manter o telemóvel desligado causa ansiedade.

“Os smartphones e a Internet são fornecedores de felicidade, assemelham-se às máquinas nos casinos que provocam vício. As pessoas ficam à espera de mensagens de amigos, de notificações. Estamos constantemente sob tensão, o que estimula as nossas emoções. No entanto, 90% das vezes o que se está a passar não é realmente importante”, afirma Alexander Steinhart, o coordenador do programa de desintoxicação digital, na Suíça.

Durante a terapia, os participantes são convidados a fazer mais atividades no exterior, sem ligação à Internet. Aprendem a relaxar e a passar bons momentos fora do mundo digital.

 

 

 

Uma geração de filhos despreocupados com pais preocupados

Novembro 17, 2015 às 6:00 am | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
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reportagem do Expresso de 20 de outubro de 2015.

Gonçalo Viana

Já lhes chamaram egocêntricos, fúteis e encostados aos pais. Hoje, os millennials são vistos como ambiciosos, confiantes, progressistas e versáteis. Estar vivo é o contrário de estar offline, dominam a tecnologia e vão dominar o mundo. Vivem de biscates e aprenderam a ganhar dinheiro com hobbies e negócios que criaram na internet – uma facilidade que os pais não percebem. E a política não lhes interessa: “Esta geração não acha que pode mudar o mundo e não confia nos políticos, nem nas instituições”. O que falta em confiança nos políticos sobra em confiança na tecnologia, através da qual partilham tudo. Até demais.

Bernardo Mendonça  Texto e locução Carlos Paes  Vídeos e animação gráfica Sofia Miguel Rosa  Grafismos vídeo

João Santos Duarte  Edição áudio

#BomDia. Acordar estremunhado, alcançar o telemóvel que repousa ao lado da cama e enviar uma foto à namorada através do Snapchat, mas só apenas durante cinco segundos, para ela não se fixar no cabelo despenteado. Manter em paralelo outra conversa com um grupo de amigos no WhatsApp.

Aproveitar o mood e escrever uma frase bem disposta no Twitter porque está sol e o dia convida à praia e a apanhar umas ondas. Adicionar um vídeo no Instagram com a acrobacia que o gato acaba de fazer a tentar alcançar uma mosca. Partilhar a mesma imagem no Facebook, acrescentar um comentário à maneira e passar os olhos pelas notícias ali partilhadas.

De caminho ir ao YouTube, também através do smartphone, ver alguns videoclips, tutoriais e, de repente, ficar fixado nos bastidores das filmagens de uma cena de luta da série “A Guerra dos Tronos” e partilhá-la igualmente nas redes sociais. Esperar likes. Muitos. Mais do que dez, vinte, já quer dizer que valeu a pena, é como uma série de palmadas reconfortantes nas costas, de “estás a ir bem, pá”.

Nos dias em que os likes são mais do que muitos, a adrenalina é bem maior, e sente-se uma sensação de poder perante uma audiência escolhida. No emprego, voltar a repetir algumas destas ações para manter contacto com a comunidade de amigos e conhecidos. Estar vivo é o contrário de estar offline.

Eles são de fácil adaptação à mudança

Esta é uma das características principais da geração millennials, uma definição criada pelos autores norte-americanos William Strauss e Neil Howe e que engloba os jovens entre os 15 e os 35 anos, filhos da Geração X e netos dos baby boomers, considerados a primeira geração de nativos digitais.

O conceito americano desta geração aplica-se em grande parte ao perfil dos jovens portugueses, embora com alguns matizes. O principal traço distintivo que os une e os define como millennials é terem crescido com acesso à internet e a relação íntima que estabeleceram desde cedo com as novas tecnologias.

“Eles são caracterizados por serem fast adopters, velozes na experimentação e integração do digital no quotidiano. E assumem novos valores, mais focados na experiência e menos no lado material”, aponta Inês Freitas, autora do estudo “Os millennials em Portugal”, pela Escola Superior de Comunicação Social. É o seu caso?

Mais exigentes que todas as anteriores gerações?

João Vasconcelos, presidente da Start Up Lisboa, uma incubadora de ideias, fala dos millennials portugueses como a primeira geração do país preparada e com visão global para competir com os melhores do mundo. “São culturalmente evoluídos, viajados, ambiciosos, com ideias e negócios sofisticados, globais, que têm lugar em Silicon Valley”, assegura.

E dá como exemplos a empresa portuguesa Uniplaces, especialista em arrendamento de alojamento para universitários [que acaba de conseguir o financiamento de €5 milhões junto de investidores] e os Talkdesk, especialistas em software na nuvem, que arrecadaram 15 milhões de dólares (€13,2 milhões) junto de investidores americanos. “Estes nossos jovens têm uma maneira de pensar e viver de acordo com os padrões internacionais. Uma grande diferença em relação à minha geração, a X, em que isso não acontecia de todo. E foi claramente a internet a tornar possível esta democratização do negócio e das ideias”, diz o presidente da Start Up Lisboa.

César Gonçalves, partner da PwC Portugal, partilha da mesma opinião e acrescenta: “Os millennials são mais exigentes do que todas as anteriores gerações. Não procuram trabalho, procuram mais oportunidades e projetos que vão ao encontro das suas realizações pessoais. É uma geração formada por indivíduos com várias competências e grande flexibilidade no trabalho”, avança. Considerada a geração mais influente da história americana, a que fez com que Obama subisse ao poder, os millennials são em maior número e estão a ocupar o mercado de trabalho e a mudar o paradigma de vida e de consumo.

Sabem usar as ferramentas digitais como ninguém, fintam os preços altos e encontram as melhores oportunidades online. “Os millennials caracterizam-se por terem gastos médios diários mais baixos, fruto da pesquisa permanente que fazem [69% visitam os sites de venda de retalho]. Quando entram numa loja utilizam o telemóvel para pesquisar determinado produto e encontrar a melhor oferta ou a oportunidade para adquirir esse mesmo produto de forma personalizada e exclusiva. São um tipo de consumidor exigente, informado, a primeira geração verdadeiramente globalizada. E um desafio para as marcas, pois mais de 60% dos millennials acedem às redes sociais todos os dias”, explica César Gonçalves.

De acordo com um estudo da consultora Boston Consulting Group (BCG), de 2012, no que toca ao perfil de consumo, os millennials revelam uma tendência para a gratificação instantânea, querem o ‘agora’ e o ‘já’ e valorizam a velocidade e conveniência no acesso a produtos e serviços. Têm uma lógica menos materialista e vivem valores mais profundos de felicidade, paixão, diversidade, descoberta e partilha.

Partilhar em vez de comprar

Partilhar é de resto o verbo que mais conjugam. Comprar um carro caro? Não. Contrair empréstimo para uma casa? Nem pensar. Comprar roupas e produtos de luxo? Nunca. Os millennials preferem pedir emprestado, alugar, usufruir em vez de ter. A experiência é a mesma. E estão a dar fôlego a uma nova economia de partilha, é o que aponta um recente estudo da Goldman Sachs. O escritor e economista norte-americano Jeremy Rifkin chegou mesmo a vaticinar que daqui a 25 anos “a partilha de carros será a norma e ser proprietário de uma viatura uma anormalidade”.

Por cá, não faltam sinais a apontar nesse sentido. Começam a abrir lavandarias automáticas nas grandes cidades, a dispensar a compra das máquinas e a maçada da secagem, aumentam as empresas de car sharing, o negócio dos Airbnb, abrem negócios de aluguer de roupas de marca e sites de partilha de filmes, séries e músicas.

Uma geração de filhos despreocupados com pais preocupados

Também nos EUA a percentagem de jovens casados e a viver por sua conta caiu mais de 50% desde 1960. E se em 1970 a média de idade para o matrimónio andava pelos 23 anos, em 2010 subiu para os 30 anos. Em 2011, a esmagadora maioria dos jovens (68%) residia com pelo menos um dos pais e apenas 21% tinham constituído a sua própria família.

Segundo o sociólogo Vítor Sérgio Ferreira, a fase adulta chega mais cedo para os millennials anglo-saxónicos do que para os da Europa do Sul – sejam portugueses, espanhóis ou gregos. “Os da Europa do Sul são mais tardios na transição para a idade adulta. A juventude prolonga-se pela conjuntura económica. Não conseguem sair de casa dos pais, mas têm ao mesmo tempo uma grande liberdade e autonomia. As relações entre pais e filhos nas gerações anteriores eram mais autoritárias. Hoje, a margem de negociação é superior e o controlo dos pais é maioritariamente feito à distância. ‘Não desligues o telemóvel’, pedem os pais que estão no trabalho.”

Sem stress, dizem eles. “Esta é uma geração de filhos despreocupados com pais preocupados”, afirma Luís Pereira Santos, CEO da McCan Lisboa. “Os filhos sentem que podem viver com um grau de dependência dos progenitores, que lhes dão segurança, mas os pais estão apreensivos com as suas perspetivas de trabalho. Os jovens já cresceram sem a ilusão da segurança e do emprego para a vida. Vivem de biscates e aprenderam a ganhar dinheiro com hobbies e negócios que criaram na internet. Uma facilidade que os pais não percebem. Dou como exemplo um miúdo com jeito para o design que, num instante, faz uma linha de t-shirts, cria uma marca, vende online e faz dinheiro. Isto acontece muito com as mais variadas ideias. Ou seja, a forma como os jovens gerem as redes sociais e tiram valor disso dá-lhes uma certa segurança que os pais não percebem.”

O corpo já não é um destino, mas um acessório moldável

São a geração multitasking e slash (os faz-tudo), que se formou em áreas de especialidade mas a quem o mercado de trabalho pediu para serem versáteis e generalistas. E eles adaptaram-se. “Hoje um jovem pode ser ao mesmo tempo designer, tatuador, ilustrador, DJ e barman. A sociedade valoriza cada vez mais a experiência diversificada e as competências informais”, retrata o investigador do Instituto de Ciências Sociais Vítor Sérgio Ferreira, que participou no estudo “Emprego, mobilidade, política e lazer”, do Observatório Permanente da Juventude.

Para os millennials, o mundo, como a carreira, não tem fronteiras. Revelam-se empreendedores e ambicionam chegar a cargos de topo. Mais de um terço dos millennials portugueses (31,2%) mostram predisposição para iniciar o seu próprio negócio em caso de desemprego. Associada à geração do novo milénio está a busca das notícias nas redes sociais, principalmente no Facebook, no caso dos americanos. Os jovens portugueses continuam a usar a televisão como meio principal de informação.

São uma geração focada na alimentação saudável, no desporto e no cuidado com o corpo (fumam menos). Os millennials já não veem o corpo como um destino, mas como um acessório moldável, uma construção de identidade. “É a ideia de que se o corpo já não representa o indivíduo, o indivíduo pode fazer algo para que o corpo o represente melhor. Através de tatuagens, piercings, cirurgias estéticas”, diz Vítor Sérgio Ferreira.

O que é também característico desta geração, bem mais do que nas anteriores, é o desinteresse pela política. Parecem mesmo de costas viradas, como se não fosse com eles. Em Portugal mais de metade dos jovens entre os 15 e os 24 anos (57,3%) revelam não ter qualquer interesse pela política e outra grande fatia, a dos 25 aos 34 anos (87%), responde ter pouco ou nenhum interesse. Apenas uma pequena minoria diz ter “cor política”. Dados preocupantes para refletir e que justificam em parte a maior abstenção de sempre nas últimas legislativas (43,07%). É de esperar que a novela da política portuguesa Passos vs Costa, coligação à esquerda, coligação à direita para a formação do novo Governo, ou a corrida à Presidência da República sejam assuntos a passar ao lado destes jovens…

“Esta geração não acha que pode mudar o mundo e não confia nos políticos, nem nas instituições. Não acreditam que os nossos governantes possam fazer algo pelo país. Eles sabem bem que existem instituições internacionais a ditar as regras e, por isso, demitem-se de participar. Parece-me um dado perigoso . Até porque na Europa há um recrudescimento do nacionalismo e da extrema-direita. Outra explicação que arranjo é que esta geração é herdeira de uma falta de cultura cívica e política. Salazar soube domesticar muito bem as pessoas”, afirma o investigador Vitor Sérgio Ferreira. O que falta em confiança nos políticos sobra em confiança na tecnologia, através da qual partilham tudo. Até demais.

A dependência da internet

Atento a este novo paradigma comunicacional da era digital, o psicólogo João Faria, coordenador do núcleo de intervenção às dependências da internet e videojogos do PIN, Centro de Desenvolvimento Infantil, alerta para o facto de esta geração ter um enorme desafio na gestão do espaço público e privado e com menos tolerância à espera e à frustração.

“O mundo tem-se tornado tão rápido, à distância de um clique, mas ao mesmo tempo continuamos a ter de esperar pelos progressos na escola, pelas notas, por ter uma carreira, por ter um bebé. E os jovens entram em choque entre o mundo imediato e a espera a que a vida obriga. Essa é uma das razões para o crescente número de jovens com dependência da internet e dos videojogos. Porque aí conseguem encontrar a eficácia e o feedback imediato que não encontram, por exemplo, na escola e no emprego. E o meu trabalho é ensiná-los, pouco a pouco, a viver também em modo offline”, esclarece João Faria.

#Boanoite. Novo Snapchat ao deitar. E uma selfie para partilhar.

Texto publicado na edição do Expresso de 27 junho 2015

visualizar os vídeos da reportagem no link:

http://expresso.sapo.pt/sociedade/2015-10-20-Uma-geracao-de-filhos-despreocupados-com-pais-preocupados

 

 

 

Seminário “On/Off Digital – Benefícios e Ameaças das Tecnologias para a infância e adolescência”

Novembro 7, 2015 às 11:00 am | Na categoria Divulgação | Deixe o seu comentário
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vasco

mais informações no link:

http://www.colegiovascodagama.pt/noticias.php?Y=2015&m=10&dd=32

Concurso 7 dias, 7 dicas sobre os media – edição 2015/2016

Novembro 5, 2015 às 6:00 am | Na categoria Divulgação | Deixe o seu comentário
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texto da Rede de Bibliotecas Escolares (RBE)

Lançamos a 4.ª edição do concurso 7 Dias, 7 Dicas sobre os Media em colaboração com a Direção-Geral da Educação, a Fundação para a Ciência e Tecnologia, e um novo parceiro, a Comissão Nacional da Unesco.

Trata-se de uma iniciativa na área da educação para os media que as escolas têm desenvolvido no âmbito de diferentes disciplinas, das atividades de enriquecimento curricular, das televisões e das bibliotecas escolares, entre outros.​

É aberta a escolas públicas​,​ privadas​ ou cooperativas​. Cada escola ​pode apresentar um trabalho por tema e por categoria  (1.º e 2.º ciclos do ensino básico; 3.º ciclo do ensino básico e secundário)​.

​​A participação no concurso é feita através do envio dos trabalhos para o endereço indicado no regulamento até ao dia​ 8 de abril de 2016.​  Qualquer esclarecimento pode ser solicitado ​para o endereço <7dicas@mail-rbe.org>.

Os autores do trabalho vencedor de cada categoria serão distinguidos individualmente com um tablet ou um cartão oferta de valor equivalente.

mais informações:

http://www.rbe.mec.pt/np4/1605.html

1.º Workshop “Entre Margens – Gaming, Drinking e Cenas”

Novembro 4, 2015 às 11:11 am | Na categoria Divulgação | Deixe o seu comentário
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entre

Inscrições: São gratuitas, mas obrigatórias

 

mais informações:

http://www.arslvt.min-saude.pt/frontoffice/pages/3?event_id=180

 

I Encontro da Desabituação do Norte “Uma Casa com muitas Janelas”

Novembro 2, 2015 às 7:00 am | Na categoria Divulgação | Deixe o seu comentário
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casa

As inscrições deverão ser formalizadas até ao dia 6 de Novembro/2015, para o seguinte endereço eletrónico: mferreira@arsnorte.min-saude.pt

A inscrição é GRATUITA.

 

mais informações:

http://portal.arsnorte.min-saude.pt/portal/page/portal/ARSNorte/Conte%C3%BAdos/Not%C3%ADcias/I%20Encontro%20da%20Unidade%20de%20Desabitua%C3%A7%C3%A3o%20do%20Norte

E se os tablets estiverem a ser usados como chuchas?

Outubro 12, 2015 às 12:00 pm | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
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Entrevista do Público a Ivone Patrão no dia 12 de outubro de 2015.

Patricia Martins

Catarina Gomes

Investigadora Ivone Patrão diz que há estudos internacionais que dão conta de baixo controlo parental sobre dispositivos móveis em crianças pequenas. Há pais que substituem a sua presença pela entrega de um smartphone ou de um tablet para conseguir fazer outras tarefas.

A psicóloga clínica Ivone Patrão coordenou recentemente um estudo onde encontrou quase três quartos de adolescentes e jovens dos 14 aos 25 anos com sinais de dependência da Internet. Coordenadora da linha de investigação sobre comportamentos online no ISPA-Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida, em Lisboa, onde é professora, lança-se agora numa investigação que vai estudar o uso de dispositivos móveis em crianças dos três aos cinco anos. A motivação veio do que observa no consultório e à sua volta, em que vê tablets e smartphones a serem usados para acalmar, como uma chucha, mas com muitos mais riscos associados.

Por que decidiu começar a investigar o uso de dispositivos móveis dos três aos cinco anos?

[A decisão] Decorre dos resultados que tivemos na investigação com adolescentes e pré-adolescentes nas áreas das dependências online e também porque, na minha clínica diária, encontro pais com dificuldades em controlar o uso de smartphones, tablets nestas idades. As crianças com cinco ou seis anos já lhes conseguem mexer, são muito fáceis, são touch. Eles têm uma memória visual fantástica e rapidamente estão a jogar um jogo, estão a aceder à Internet, conseguem aprender caminhos de pesquisa sem saberem muito bem o que estão a fazer.

Não sabendo sequer ler.

Apercebi-me de miúdos de quatro e cinco anos que sabem imensas palavras em inglês por causa dos jogos. Vão associando, o start, o open, o okay. O problema é que estamos a estimular a memória visual muitas vezes em detrimento de outro tipo de concentração e atenção para outras tarefas que, por exemplo, a leitura vai requerer, a interpretação de um texto. Se lhes damos estímulos rápidos, em que percebem rapidamente como se faz, depois, quando quisermos que se concentrem para aprender a escrever e a ler, eles já não vão estar tão motivados. A satisfação não é tão imediata como estar a jogar um jogo.

O que pretendem com o vosso estudo nestas idades?

Estamos a fazer questionários para pais para avaliar como fazem a gestão dos smartphones e dos tablets em casa. Numa fase posterior acompanharemos os miúdos ao longo do tempo, na escola, na socialização, entre os seis e os 10 anos, já no 1º ciclo.

O que diz a investigação já existente sobre o uso destes dispositivos nestas idades?

Está-se no início da investigação. Mas os estudos que existem dão conta de baixo controlo parental sobre estes dispositivos nestas idades, e também que há pais que substituem a sua presença, e eu diria o seu afecto, com um smartphone ou de um tablet, às refeições e nas horas livres que eles têm para brincadeiras.

Que problemas isso coloca?

Eu pergunto: que tempo é que eles têm para passar com os pais? Uma das perguntas que vamos fazer é se lhes contam uma história ao final do dia. Estou um pouco chocada porque já tenho metade desta amostra a dizer que não o fazem e que a hora de deitar é problemática.

É problemática por causa do uso deste tipo de dispositivos?

[As crianças] Estão numa excitação a olhar para um dispositivo que emana uma luz tão intensa, sobre a qual alguns estudos dizem que as crianças a esta proximidade não são capazes de fazer a destrinça entre a luz de um ecrã e a luz do dia. Há estudos que nos dizem que, se não fazemos o corte, estamos a emitir informação para um cérebro de uma criança de três, quatro e cinco anos que pensa que ainda é de dia. E depois, passados dois minutos, dizemos-lhe “vamos deitar”.

Mas isso também era verdade para a televisão.

A televisão está a uma distância diferente. Na televisão eles têm tendência a focar às vezes o olhar num ponto, mas vêem brinquedos à frente e vêem o mano, e chega alguém e eles vêem. Os dispositivos são uma coisa de interacção deles com a máquina a uma distância muito próxima, sem outro campo de visão. Estão tão focados ali que o cérebro não percebe o que está à volta. Com a televisão apercebem-se do meio envolvente, [e percebem] que ficou noite.

Isso tem repercussões no sono?

Temos aqui um grande risco porque isto altera-lhes o ritmo do sono. Outros estudos dizem-nos que as crianças que dormem menos horas têm um comportamento mais irritável na sala de aula. Neste caso, com três, quatro ou cinco anos – as ditas idades das birras – provavelmente os educadores e os pais terão mais dificuldade em relacionar-se com eles e isto começa a ser uma pescadinha de rabo na boca – então se faz birras “toma lá e cala-te”. Estamos a reforçar positivamente uma acção, o estar online, com imensas consequências do ponto de vista físico, do desenvolvimento e psicológico, porque eles, naquele momento, não estão em interacção, estão em interacção com eles próprios e com uma máquina.

Quis avançar com este estudo por causa dos casos que lhe chegam ao consultório…

Às vezes, na própria consulta, se estou mais dirigida para os pais e a criança está ali, e ainda que na consulta haja espaços de brincadeira e de jogos, há puzzles, desenhos, há uma mala lúdica, a criança tem também a tendência a querer falar e há uma entrega, às vezes quase automática, da mãe ou do pai – “olha, toma lá, cala-te um bocadinho que eu estou aqui a falar com a doutora”. E eu tento desviar este comportamento e propôr aos pais e à criança “então e um desenho? E ali o puzzle? Depois podes vir-nos mostrar o desenho”. Mas, claro, não posso desautorizar os pais. E obviamente, as crianças aceitam o telemóvel .

Por que é que os miúdos preferem automaticamente uma coisa à outra?

É muito mais estimulante, tem muito mais animação, e tem gratificação imediata: eles rapidamente conseguem subir de nível, e nos mais pequeninos, às vezes, o jogo até bate palmas e há uma voz que diz “uau, ganhaste”. Isso tem uma gratificação muito mais imediata do que fazer um puzzle ou um desenho.

Porque são mais difíceis?

Podem ser mais desafiantes. O puzzle e o jogo provavelmente estimulam as mesmas áreas, que têm a ver com o raciocínio, mas o puzzle não interage, não dá gratificação. Na consulta, eles vão ter que esperar que eu, ou os pais, digam “ai que giro, conseguiste fazer”, “ai o desenho está tão bonito”. Aquilo é mais automático. Eles têm a certeza que vão ter gratificação e nem sempre os adultos, perante uma coisa que a criança faça, dão gratificação.

O jogo também desenvolve o raciocínio. Que vantagens trouxeram estes dispositivos?

Claro, não podemos ver isto numa perspectiva de 8 ou 80. Existem estudos que, pelo contrário, nos dizem que o uso de tecnologia é muito importante para a estimulação do desenvolvimento de competências e capacidades nos jovens. Existem aplicações online para o desenvolvimento da linguagem para crianças autistas, ou ao nível motor.

Refere-se a vantagens apenas para crianças com dificuldades?

Uma criança sem dificuldades também pode usufruir se houver controlo parental, se houver horas específicas de controlo que não ultrapassem outras actividades, que não sejam uma substituição de actividades de socialização e de actividades físicas essenciais para o bem-estar da criança e para o seu desenvolvimento. Também vai estimular o seu raciocínio lógico, a linguagem, a aprendizagem de outra língua, percebem que existem outras palavras para dizer as mesmas coisas do que em português.

Com que idade é que um miúdo deve começar a manusear um tablet? Na televisão fala-se dos dois anos.

As recomendações apontam para que seja partir dos dois anos para a televisão e também para o uso de todos estes dispositivos com luz, rápidos na imagem.

Porquê essa idade?

Tem a ver com o desenvolvimento cognitivo, mas também da visão, da compreensão. Se reparar, uma criança com menos de dois anos, tem muita tendência, numa televisão, a fixar-se num ponto e alhear-se. E, até aos dois anos, têm muitas coisas para se desenvolver. Se estiver um período largo do seu dia em frente a um televisor não vai estar a experimentar o andar, o cair, a interacção com os outros, não vai estar a experimentar palavras porque vai estar ali centrada só naquela estimulação.

Vê muitas crianças com menos de dois anos com estes dispositivos na mão?

Acho que vemos todos. Basta estar em qualquer sítio público para vermos carrinhos de bebés com crianças de telemóvel na mão, como se fosse um novo brinquedo que é dos adultos mas que também passou a ser para as crianças.

Por que é que os pais agem assim. Porque estão cansados?

Do ponto de vista clínico apercebemo-nos de que os pais têm sempre estes dispositivos com eles. Já saíram do trabalho ou ainda estão a ir para o trabalho de manhã mas já estão a responder aos emails ou a mandar mensagens e os miúdos também se apercebem disso. Estes pais têm isto na mão, facilmente o entregam. Percebem que têm aplicações e formas de entreter as crianças se começar uma birra. Com um brinquedo, geralmente é necessário haver interacção. Com os dispositivos móveis basta explicar uma vez. A interacção é entre o telemóvel e a criança, não é preciso o adulto estar presente.

É uma forma de os entreter em momentos de espera?

Há uma impaciência que precisa logo de ser acalmada. Nos estudos com adolescentes temos um dado que é um contra-senso: encontramos níveis de stress, ansiedade e depressão moderados a elevados mas com níveis elevados no bem-estar geral. Eles isolam-se, têm menos contacto social, estão mais tristes ou ansiosos mas, ao mesmo tempo, sentem-se bem quando estão a jogar. São geralmente miúdos com índices de dependência da Internet graves que nos dizem “mas eu não preciso de ajuda”, porque se continuarem a jogar sentem-se sempre bem. Pela idade, os mais pequeninos têm muito menos auto-controlo e, se lhes vamos dando isso, não treinamos a sua resistência à frustração, a paciência, a espera, a ideia que às vezes as coisas não acontecem como nós queremos. Damos-lhes alguma coisa que lhes dá sempre bem-estar. Vamos estar a criar uma dependência de estarmos sempre a sentir-nos bem e não podermos nunca sentir-nos frustrados, tristes.

Com que idades começaram a usar a Internet miúdos que agora têm dependências online?

Com uma amostra dos 12 aos 25 anos vemos que os universitários, na faixa dos 20, começaram a usar a Internet nos 12, 13 anos. Os de 12, 13 anos já começaram a usar a Internet aos oito anos.

Quanto tempo passam os mais novos no uso destes dispositivos?

Usam-nos ao pequeno-almoço e depois de virem da escola, [em momentos] intercalados com banhos e a hora da refeição. Se formos quantificar dá umas três horas por dia, em média, o que para uma criança destas idades é muito. E a questão não é apenas o ser muito, é o ser sem interacção dos pais. É para ver se vai cumprindo todas as tarefas que tem que cumprir com aquilo agarrado. Lembro-me de uma mãe que me dizia que “às vezes ele vai da cozinha para o quarto agarrado àquilo a dizer ‘é só mais um bocadinho’”. A questão que coloco é quais são os momentos da conversa?

Às vezes o castigo surge precisamente com a privação do dispositivo. “Fizeste isto ficas sem o tablet…”

A Kimberly Young, uma autora americana que foi das primeiras a fazer investigação nesta área, diz que é preciso negociar os usos com a criança, desde pequena: quais são as horas mais adequadas, o tempo, o que vamos lá fazer, quais podem ser as excepções e planear os castigos. Entre os três aos cinco anos é muito importante o time out. Em vez de dizer “agora não mexes mais nisto”, é mais importante dizer “agora sentas-te um bocadinho no sofá e pensas no que fizeste”. Se lhes retiramos a chucha eles não pensam em mais nada. O que se quer com o castigo é que pensem no comportamento menos adequado e indiquem soluções, mais do que dizer “não mexes mais nisto”.

Quer dizer que os dispositivos estão de alguma forma a ser usados como uma chucha?

Penso que sim. Estes dispositivos acabam por ser a forma de eles também se acalmarem só que é uma forma com muito mais riscos do que uma simples chucha.

 

 

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