Jovens viciados em jogos de computador são cada vez mais novos

Setembro 14, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da RTP Notícias de 19 de agosto de 2019.

Há cada vez mais jovens dependentes de jogos de computador. Para muitos o problema já só se resolve com o internamento.

É um tratamento quase inexistente nos hospitais públicos portugueses. E no sector privado um tratamento destes pode custar três mil euros por mês.

Em Portugal, na área da saúde mental, não há estudos epidemiológicos. Não há números sobre este assunto que seriam fundamentais para organizar uma estratégia de prevenção.

Visualizar a reportagem no link:

https://www.rtp.pt/noticias/pais/jovens-viciados-em-jogos-de-computador-sao-cada-vez-mais-novos_v1167363

Agarrados ao YouTube

Setembro 9, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Gonçalo Delgado

Notícia do Notícias Magazine de 14 de agosto de 2019.

Estudos, psicólogos e pais constatam tendência crescente. Influenciadores seduzem com o discurso simples, muitas vezes “proibido”, e com a ilusão da fama e de uma vida faustosa. Mas o que tem de divertido e didático também pode ter de pernicioso – e o caso da “Team Strada” é só o mais recente exemplo disso. Um manual de instruções para lidar com o projeto de estrela que tem lá em casa.

Por Ana Tulha

Beijos na boca a menores, toques ostensivos no peito e nas pernas de jovens raparigas e até uma entrada repentina e prolongada pela casa de banho onde uma adolescente clama por privacidade. Tudo registado em vídeo e amplamente exposto na Internet. Estas e outras imagens arrastaram, no final da semana passada, o canal do YouTube “Team Strada” (gerido por Hugo Strada, youtuber de 36 anos) para o olho do furacão.

Depois de várias denúncias no Twitter e de uma queixa do grupo VOST Portugal – Voluntários Digitais para Situações de Emergência – à Comissão Nacional de Proteção de Crianças e Jovens, foi o próprio YouTube a fechar o canal “Team Strada”. O caso está agora nas mãos do Ministério Público, a quem competirá decidir da legalidade das práticas seguidas pelo projeto. Mas a polémica teve já o condão de despertar a atenção e a preocupação de muitos pais em relação a esta rede social.

Afinal, o que andam os nossos filhos a ver e que impacto é que isso pode ter na postura e no desenvolvimento deles? Há riscos? O que fazer quando não largam os tablets (ou os computadores ou os telemóveis) para não perderem pitada dos conteúdos divulgados pelos youtubers que gostavam de ser? Estas e outras questões andam, por estes dias, na mente de muitos pais, zelosos pelo bem-estar e são crescimento dos filhos.

E essa necessidade de saber mais só pode ser uma boa notícia. É Tito de Morais, responsável pela associação “Miúdos Seguros Na .Net”, quem o garante: “Isto serve-nos de alerta, porque andávamos todos distraídos. Para mim, o interessante [neste caso] é o alerta que fica sobre a forma como este tipo de youtubers e personalidades podem fazer grooming [aliciamento] sexual através da Internet. A ideia de que uma figura externa poder ser aquela que vai realizar os nossos sonhos é perigosa, pelo ascendente que exerce. Os miúdos têm de ter noção de que aquilo que mais desejam pode ser a maior vulnerabilidade.”

O totó, o gay, a jovem abonada

Com conta aberta desde abril de 2018, o projeto “Team Strada” foi criado por Hugo Strada, youtuber de 36 anos (também autointitulado gestor de artistas e produtor de eventos), com o objetivo de juntar jovens youtubers e criar conteúdo colaborativo. O projeto incluía uma casa partilhada, cenário de muitos dos vídeos divulgados no canal que, antes de ser encerrado, andava já perto dos 200 mil seguidores. Entre o conteúdo dos vídeos, havia partidas, desafios e atividades radicais.

E à boleia da fama cibernética, a “Team Strada” tinha já dado o salto para outros palcos, com a participação em vários eventos públicos e até parcerias com artistas e marcas. João Leal, professor de 38 anos, natural de Montemor-o-Velho, pai de duas crianças, de 11 e 6 anos, esteve recentemente num desses eventos, que decorreu no princípio de julho, na Figueira da Foz.

“Arrastado” pela filha mais velha, seguidora do grupo, João assegura ter saído de lá profundamente dececionado – e preocupado – com o que tinha acabado de ver. “Foi um espetáculo deprimente. Andavam para lá aos saltos, a tentar cantar em play-back algumas covers, e notava-se que muitos deles não estavam no seu estado normal. Pelos movimentos que faziam, pelas caras com que estavam, dava todo o ar de estarem alcoolizados ou sob o efeito de estupefacientes”, relata à Notícias Magazine, dando conta de um grupo pensado na fidelização de um público o mais abrangente possível.

“Era evidente que havia ali vários miúdos, de todos os estratos e grupos sociais. Desde o betinho ao miúdo que é mais totó, passando pelo gay, pela menina afro, pela miúda com um peito enorme, exposto de forma quase gratuita. Percebia-se que aquela organização foi pensada para que houvesse o máximo de população possível a segui-los.” João lamenta ainda que, além de apelarem aos fãs para lhes levarem uma variedade de produtos (“Coca-Colas, bolachas e outras coisas”), os elementos da “Team Strada” tenham decidido à última que não iam ficar para autógrafos, desiludindo os fãs presentes. “Tudo aquilo levou-me logo a alertar a minha filha para os comportamentos daquele grupo”, recorda João.

Pouco tempo depois, estalava a polémica: primeiro foi o humorista Pedro Teixeira da Mota a partilhar no Twitter o vídeo de um excerto da participação do grupo no programa Curto Circuito de 22 de julho, em que é possível ver Hugo Strada a beijar na boca um dos elementos do grupo (menor de idade), depois foi o youtuber João Sousa a publicar, também no Twitter, uma compilação de imagens duvidosas dos vídeos da “Team Strada” – entre as quais, as tais cenas envolvendo toques ostensivos e entradas inapropriadas em casas de banho ocupadas.

Pelo meio, até ex-elementos do grupo recorreram às redes para lançar queixas e acusações. Daí até o caso ganhar dimensão generalizada, com intervenções do Ministério Público e do próprio YouTube, foi um pequeno passo. A tudo isto, Hugo Strada respondeu com uma curta mensagem divulgada no Instagram, em que garante estar a ser alvo de comentários difamatórios e de manipulação de imagens, prometendo “encaminhar o assunto para que sejam tomadas medidas legais para repor a verdade”. A NM tentou, através do contacto telefónico que está disponível na página da “Team Strada” no Facebook, obter mais algum comentário ao caso, mas não recebeu qualquer resposta.

O sonho de ser famoso

Entretanto, as reações, dos psicólogos aos académicos, multiplicaram-se. “Acho que [o que se vê nos vídeos] é perigoso e faz com que as pessoas fiquem desconfiadas de todos os conteúdos”, admite Bárbara Romão, especialista em pedopsiquiatria desde 2008 e coordenadora de um estudo sobre o uso das redes sociais pela comunidade juvenil em São Miguel, nos Açores.

Entre as conclusões do estudo, baseado numa amostra de 547 estudantes, destaque para o facto de 51% dos inquiridos ter começado a utilizar a Internet a partir dos três anos de idade e de o YouTube ser já a rede social mais utilizada pelos jovens ouvidos neste inquérito – no seguimento de outros estudos internacionais recentes, que também têm apontado essa tendência. Habituada a ter no consultório muitas crianças e jovens que não passam sem esta rede social, Bárbara Romão, também ela mãe de um jovem de 12 anos, ajuda a explicar o fascínio exercido pelos youtubers junto dos seguidores, sobretudo entre os mais novos.

“O facto de estes youtubers serem, regra geral, jovens adultos que por um lado têm uma vida aparentemente independente, sem adultos a controlar, e por outro já aparentam ter uma vida que muitos desejam, até exibindo casas com boas condições, é algo que atrai muito os jovens”, justifica a pedopsiquiatra, que arrisca traçar um perfil-tipo dos youtubers mais conhecidos: “São carismáticos, bons comunicadores, têm o poder de conseguir que as pessoas lhes prestem atenção e utilizam muito o humor.” Como? Através de vídeos que vão desde os relatos do quotidiano às paródias, passando por críticas e dicas das mais diversas áreas.

Tito de Morais acrescenta outras explicações para o encantamento. “O facto de comungarem do mesmo tipo de interesses também é relevante. Até porque muitas vezes estes youtubers também são gamers, que jogam os mesmos jogos que eles. E depois também é o efeito manada. O desejo de pertença a um grupo que partilha do mesmo tipo de interesses faz com que os miúdos não se sintam excluídos.” E ainda há o chamariz de parte destes influenciadores exibirem vidas faustosas, que despertam em muitas crianças e jovens o sonho de se tornarem, eles próprios, youtubers.

Tito de Morais, habituado a receber contactos das mais variadas proveniências, através da página “Miúdos Seguros Na .Net”, conta que, recentemente, teve duas professoras do primeiro ciclo a partilharem a estupefação por perguntarem aos alunos o que queriam ser e três em cada quatro responderem que querem ser youtubers. E um estudo recente da Harris Poll, a mais antiga empresa de estudos de mercado dos Estados Unidos, aponta no mesmo sentido. De um inquérito preenchido por pais e crianças entre os oito e os 12 anos, dos EUA, China e Reino Unido, resultou que 29% destes jovens sonhavam, antes de mais nada, ser youtubers.

Os riscos começam aí, na ilusão de que esse “estatuto” garante uma vida desafogada – e de que é fácil chegar lá. “Há dez anos, para se ser famoso, regra geral, tinha de se passar pela televisão. Hoje em dia não. Está-se a criar o mito da fama. Há a sensação de que ao ser youtuber se pode conseguir ter uma boa vida, que dificilmente se consegue com um part-time, por exemplo. E isto do querer ser famoso pode tornar-se uma grande vulnerabilidade, possivelmente aproveitada por pessoas com más intenções”, alerta Ana Jorge, professora de Comunicação na Universidade Católica de Lisboa e autora de uma tese de doutoramento relacionada com a cultura das celebridades e os adolescentes.

A investigadora ajuda a compreender os primórdios do fenómeno. “Inicialmente, o YouTube surgiu muito como um repositório de vídeos, que já tinham circulado noutros meios. Aos poucos, foi-se tornando mais um lugar propício para alojar este lado dos produtores de conteúdo original, até pela possibilidade de monetização.” É neste contexto que, no início da década, surgem em Portugal os primeiros vloggers – bloggers que produzem conteúdos vídeo. De vloggers passaram a youtubers (e a influenciadores), associaram-se a populares campanhas de telemóveis e até se juntaram em mansões luxuosas. Tudo sementes de um fenómeno de popularidade hoje incontestável, capaz de fazer sonhar os mais jovens com o estrelato.

Sónia Sousa, mãe do youtuber João Sousa, de 18 anos (e de uma menina de nove anos que já é vidrada no YouTube), reconhece que as coisas nem sempre são assim tão simples. “Confesso que no início achei mais piada do que o que acho agora. Quando eles começam, há menos responsabilidade. Não há agentes, não há nada. É só uma distração. Depois, quando são agenciados, têm de cumprir contratos, torna-se quase uma profissão”, admite.

Sónia conta que com 10, 11 anos, o filho (que tem um canal no YouTube desde os oito) andava convencido que ia ganhar muito dinheiro à conta desta rede social, mas que agora, também com a ajuda dos pais, que sempre lhe tentaram incutir isso, “já tem outra consciência”, tanto que está a pensar avançar para uma licenciatura na área da Comunicação Social. Ainda em relação ao YouTube, o melhor para Sónia Sousa, 45 anos, é mesmo “ver o carinho dos miúdos – e mesmo dos adultos – pelo filho”.

Tomar banho para quê?

Para os mais novos, os influenciadores depressa se tornam “role-models”. Nalguns casos, a influência exercida pelos youtubers junto dos seguidores é de tal ordem que estes chegam a imitar posturas, comportamentos e expressões dos ídolos. Por vezes, até a própria língua. Quem acompanha de perto o fenómeno garante que há cada vez mais crianças e adolescentes a falarem frequentemente com sotaque brasileiro, por influência dos youtubers daquele país (bem mais populares e numerosos do que os portugueses).

“Já tive uma menina numa consulta que simplesmente se recusava a falar português sem sotaque brasileiro”, partilha a pedopsiquiatra Bárbara Romão. A replicação de comportamentos, que dependerá sempre da idade e da personalidade do jovem em causa, pode ser tanto mais preocupante quanto mais duvidosas forem a postura e a mensagem passadas por estes influenciadores. Luísa Agante, investigadora na área do marketing infantil e autora da página Agante & Kids, aponta um exemplo concreto.

“A quantidade de tempo que os miúdos passam no YouTube e a quantidade de coisas a que têm acesso é enorme e condiciona-os completamente. Por exemplo, há um youtuber brasileiro, o Lucas Neto, que costuma dizer: ‘Eu quero ser rico e ter uma casa de oiro.’ Os miúdos replicam isso. Há uns tempos, fez um vídeo em que dizia que só precisava de tomar banho uma vez por semana.

Entre os youtubers portugueses também já houve polémicas deste género. Wuant, por exemplo, foi alvo de duras críticas quando, num vídeo intitulado “soluções para os problemas”, aconselhou os jovens a mandarem as mães “para o cara…” quando os acordassem para ir para a escola. De resto, nos vídeos partilhados por este youtuber, é comum ouvirem-se palavrões aqui e ali. O registo não agrada aos pais, mas, por vezes, funciona como chamariz para os mais novos.

“Eu costumo ir às escolas fazer ações de sensibilização e já tive miúdos que me estão a falar dos youtubers que veem e depois acrescentam: ‘Mas não vá ver, que ele diz muitas asneiras.’ Ou: ‘Mas não vai contar nada disto ao meu pai, pois não?’ É uma espécie de segredo que fica entre a criança e o youtuber”, frisa Tito de Morais.

Os riscos não se esgotam na replicação de postura e palavreado menos corretos. “O maior perigo é o isolamento que se cria. O YouTube pode tornar-se algo aditivo, viciante. E há outras coisas associadas a isso. Com a exposição a um ecrã que, por vezes, em termos de conhecimento é muito pobre, os jovens acabam por perder espírito crítico e a possibilidade de ver coisas construtivas. Pode haver também um bloqueio da criatividade e um baixo tempo de permanência em tarefa. Aborrecem-se facilmente. Além de que é um elemento perturbador das dinâmicas familiares. Às vezes, só o facto de terem de ir para a mesa é uma seca porque têm de desligar as máquinas. Então, vão aborrecidos e mortinhos para voltar para o computador”, destaca a pedopsiquiatra Bárbara Romão, que refere ainda uma “crise de autoridade dos pais, que têm dificuldade em traçar limites e acham que tudo tem de ser decidido pelos filhos”.

O que fazer. E as boas notícias

Um sinal dos tempos? “O principal risco é olhar para isto como algo inócuo. Na verdade, tem tudo a ver com o tipo de vida que temos. Numa altura em que vivemos com muita pressa e com muito stress, quando os pais chegam a casa é confortável ter os miúdos distraídos com o YouTube. E, depois, os vídeos têm que ser todos tão estimulantes que acho que os nossos filhos estão a perder a capacidade de ficarem aborrecidos”, acrescenta Luís Pereira, que estuda a área da literacia digital.

O investigador, que pertence ao departamento de desenvolvimento académico da Coventry University, no Reino Unido, deixa por isso um alerta: “É importante que os pais percebam quanto tempo os filhos passam a ver estes programas. E que deem uma vista de olhos no histórico, para perceber, por exemplo, se andam a ver algum vídeo que não deviam. Há que impor limites, em termos de tempos e o dos vídeos que são vistos. E há que promover uma certa diversidade de conteúdos.”

Acompanhar é, por isso, a regra de ouro. Saber de que vídeos os filhos gostam, que canais seguem, quem são os ídolos. Sob pena de se criar uma barreira intransponível entre pais e filhos. No caso dos mais novos, cingir o acesso ao “YouTube Kids”, com conteúdos muito mais restritos, ou mesmo recorrer a software de controlo parental (ver caixa) são também soluções a ter em conta.

A investigadora Luísa Agante chama ainda a atenção para a necessidade de haver outros intervenientes no processo: “É preciso muita intermediação parental, mas professores e educadores também deviam intervir mais neste processo. Para isso, é preciso instruí-los para falarem sobre estes temas.”

Até porque também há que ter em conta o elevado potencial didático e construtivo do YouTube. “É uma fonte de conhecimento como nunca existiu na vida. Pode ser uma atividade altamente enriquecedora”, enfatiza o investigador Luís Pereira. Tito de Morais acrescenta que “uma criança que comece a produzir os seus vídeos vai ganhar conhecimentos de edição e desenvolver a criatividade, ao pensar conteúdos”.

“É preciso transformar isso num projeto familiar, para que se possa tornar educativo e para que permita desenvolver interesses pela música ou pelo desporto, por exemplo.” SirKazzio, youtuber português com mais de cinco milhões de subscritores, garante que tenta “ao máximo passar uma imagem alegre, divertida, mas respeitosa”, tentando também fazer ver aos mais jovens que, além dos vídeos, “há mais coisas que os podem entreter, como os livros ou a música”.

“Embora nem todos o façam, acho que a maioria dos youtubers tenta fazer entender às crianças que primeiro devem estudar, que não devem ser agressivos, que não devem tentar imitar alguns vídeos, entre muitas outras coisas.” Sobre o caso “Team Strada”, não teceu comentários.

A esse propósito, Ana Jorge, investigadora na Universidade Católica de Lisboa, deixa uma questão, que vai além dos utilizadores: “Como é que estes conteúdos circulam tanto tempo sem que ninguém se aperceba? As pessoas que veem este tipo de coisas devem denunciar. E o YouTube deve verificar, até porque é quem mais beneficia economicamente”.

Seminário “A diferença que faz a diferença” 6 setembro em Águeda

Setembro 1, 2019 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Inscrições gratuitas e obrigatórias até 3 de setembro

mais informações no link:

https://www.facebook.com/aguedacpcj/

El perfil es el de un joven de entre 15 a 25 años que realiza 50 llamadas telefónicas y envía más de 400 WhatsApp diariamente

Agosto 11, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do Salamanca24horas de 14 de julho de 2019.

Un adicto al teléfono móvil puede estar enganchado casi un día entero

El perfil es el de un joven de entre 15 a 25 años que realiza 50 llamadas telefónicas y envía más de 400 WhatsApp diariamente. Cuando el nivel de dependencia es total las consecuencias físicas y mentales de deterioro en el enfermo son evidentes.

El Centro Específico para el Tratamiento y Rehabilitación de Adicciones Sociales (CETRAS) de Valladolid, que trabaja en toda Castilla y León, ha hecho a través de su Grupo Mixto una evaluación de la actual situación de la adicción a la tecnología y, en concreto, se ha centrado en el teléfono móvil.

El actual perfil de adicto es un joven de entre 15 a 25 años que puede llegar a estar conectado entre 15 y 22 horas en un solo día, que tiene una relación permanente de contacto con el móvil.  Diariamente realiza más de 50 llamadas telefónicas, envía más de 400 mensajes de WhatsApp día y recibe más de 800.

Son personas que sacrifican sus intereses personales como dormir, comer, relacionarse en beneficio del interés del móvil -batería, saldo, cobertura, ofertas-. Algunos de los pacientes han llegado a tener hasta trece móviles a la vez.

Las consecuencias de esta adicción son evidentes cuando el nivel de dependencia es máximo. Además de un empobrecimiento económico, se producen alteraciones de su humor y carácter, volviéndose taciturnos, irritables, desconsiderados, mentirosos y cínicos. Físicamente también se dan cambios como inapetencia, insomnio, exclusión de las comidas y cefaleas.

“Hay casos en los que se ha gastado más de 6.000 euros en el último año -nuevos terminales, recargas de dinero, pago de facturas, abuso de datos- “apunta el fundador y director técnico de CETRAS, Blas Bombín.

Según Bombín, cada vez que un joven está “enganchado” a su teléfono crecen sus niveles de dopamina y de ácido gamma-aminobutírico (GABA), un neurotransmisor cuyo aumento es lo que provoca la fijación al gusto por el subidón producido, por ejemplo, por la heroína o la cocaína.

Al Grupo Mixto de Cetras llegan después de casi dos años de adicción en una situación muy precaria “debido a que el uso del teléfono móvil con el tiempo va generando una pérdida de la libertad y consecuencias clínicas importantes” señala el fundador y director técnico de CETRAS.

En la actualidad este tipo de conductas adictivas sin sustancia, al igual que la ludopatía, son agrupadas en el concepto de trastornos por déficit de control de los impulsos. No se contemplan en el Manual de Diagnóstico y Estadístico de los Trastornos Mentales ni en la Clasificación Internacional de Enfermedades de la OMS.

Evolución y fasese

En esta adicción existen dos etapas evolutivas bien diferenciadas. Una primera -egosintónica – en la que el individuo se siente identificado confortablemente con su conducta adictiva, “de la que sólo percibe el beneficio y en la que se acomoda sin que tener intención de tratamiento” comenta Blas Bombín.

Y una segunda -egodistónica- en la que por el avance evolutivo de la adicción y la consiguiente aparición de consecuencias clínicas, el sujeto comienza a percibir el perjuicio a que le conduce la práctica adictiva. “Esta situación induce a la persona a hacerse propósitos de autocorrección de la conducta adictiva y a admitir las sugerencias o presiones del entorno familiar para someterse a un tratamiento de rehabilitación” subraya el fundador y director técnico de CETRAS.

En cuanto a la conducta adictiva propiamente dicha es fácil distinguir dos fases, una apetitiva, inmediatamente previa a la acción, “en la que los adictos mantienen el móvil  a punto -batería, cobertura y saldo-, así como cuentan con la última tecnología en modelos, y a la red de compañeros de comunicación, que ansían ampliar de forma insaciable” apunta Blas Bombín.

La otra fase es la ejecutiva, que representa la acción adictiva propiamente dicha y produce gran sensación de placer, pero aísla socialmente a la persona. Incluso para conseguir un mayor grado de privacidad se colocan auriculares.

Redes sociales, compras online y videojuegos

Hoy el teléfono móvil se ha convertido en un instrumento de uso corriente, poseído y manejado por todos, tanto para la vida de relación como para el ámbito del trabajo.

Según un informe de la consultora de estrategia digital Ditrendia sobre los hábitos de consumo de móvil en España en 2018, el móvil es el dispositivo más utilizado para acceder a internet, usado ya por el 97% de los españoles. España se encuentra en el sexto lugar del ranking mundial, encabezado por Corea del Sur.

Uno de cada tres españoles es ‘solo móvil’. En España ya hay más usuarios móviles que de escritorio: 127%. El uso descontrolado de los móviles ha llevado a que uno de cada cuatro jóvenes revise las notificaciones de sus redes sociales en mitad de la noche, aunque el 41% de los españoles toma medidas para limitar su uso del “Smartphone”.

Prevención

La situación actual exige implantar unas medidas de prevención que competen a las Administraciones y también a la sociedad, destinadas a todas las franjas de edades “aunque el perfil de adicto es una persona joven, también estamos recibiendo a niños y personas de edad más adulta en nuestro centro que necesitan tratamiento”, apunta Bombín.

Por tanto, las políticas de prevención han de fomentar la conciencia social sobre el riesgo de adicción que conllevan las tecnologías de consumo.

Asimismo hay que controlar la publicidad que incide sobre la población, y en especial sobre los jóvenes, incentivando el ansia por las novedades tecnológicas.

Habilitar vías legales para la autoprohibición de la misma forma que se hace con el juego de azar, facultando a los padres en caso de minoría de edad para solicitar a las compañías operadoras, con el apoyo de las asociaciones de consumidores y usuarios.

Otra recomendación, utilizar el móvil sólo por razones de necesidad profesional, escolar, familiar o social; siendo los padres, en caso de minoría de edad, los que deben establecer las normas al respecto, velar por su adecuado cumplimiento

Y sobre todo, impulsar la comunicación interpersonal directa como alternativa natural y ventajosa de la comunicación tecnológica o virtual.

Grupo Mixto

El Grupo Mixto (Conductas adictivas, Grupo de Fobias y Grupo de Tabaco) de CETRAS agrupa diversas adicciones tales como: dependencia emocional, cleptomanía, adicción al teléfono móvil y a los videojuegos, compras, impulsos o sexo.

Desde su puesto en marcha, hace 26 años, ha tratado a un total de 663 casos, destacando la adicción a las compras con un 17 por ciento del total y la dependencia emocional, con un 14 por ciento del total. El dato que más ha aumentado en el balance total es la adicción al teléfono móvil, que en la actualidad registra el siete por ciento del total.

“Diante de um ecrã a criança transforma-se numa espécie de porta USB ou numa impressora”

Julho 26, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista de Catherine L’Ecuyer ao Observador de 13 de julho de 2019.

Tânia Pereirinha

Ou seja, transforma-se num ser amorfo, que em vez de agir, reage — ou nem isso. Quem o diz é Catherine L’Ecuyer, doutorada em Educação e Psicologia e autora do bestseller “Educar na Curiosidade”.

Canadiana a viver em Barcelona, tem um currículo que impressiona, desde os artigos académicos mais famosos à coluna de opinião no El País, passando pelos livros feitos bestsellers internacionais ou pelo doutoramento acabado de concluir em Educação e Psicologia. Ainda assim, não é por “Educar na Curiosidade” ter sido traduzido em oito línguas, incluindo português, e ir já na 25ª edição em Espanha, que Catherine L’Ecuyer é uma sumidade na matéria.

Só por isso, seria considerada “especialista”. Sobe para o degrau acima porque, além de estudar a fundo o tema, é também mãe, de quatro filhos, de 14, 13, 11 e 8 anos. E, garante ao Observador, é uma mãe que pratica em casa aquilo que advoga na vida profissional.

Quando o assunto são as novas tecnologias é peremptória: antes dos 2 anos nenhuma criança deve ser exposta a qualquer tipo de ecrã e o uso de telemóveis deve ser atrasado ao máximo, sendo que o máximo pode muito bem ser a chegada à idade adulta.

Fácil falar, difícil fazer? Assegura que não e revela que na sua própria casa não há tablets, videojogos, ou smartphones: “Temos um telemóvel familiar — que só dá para fazer chamadas, não tem Internet –, que [os meus filhos] utilizam quando necessitam”.

Explica que não é uma questão apenas educativa, mas também pediátrica: o uso das novas tecnologias por bebés, crianças e adolescentes pode ter efeitos críticos nas diferentes fases do desenvolvimento, para além de ainda poder potenciar outro tipo de consequências. “Atrás de um ecrã as crianças e os jovens desinibem-se e dizem coisas que não diriam cara a cara, mostram partes do corpo que na vida real nunca mostrariam”, exemplifica.

Nos Estados Unidos, cientes disto mesmo, são cada vez mais os pais a atrasar deliberadamente a idade com que dão smartphones aos filhos, existindo até movimentos organizados nesse sentido, como o “Wait Until 8th” (Espera até ao 8º), uma espécie de juramento que os pais podem fazer online em nome dos filhos, numa lógica de a união faz a força — já para não dizer que também diminui a pressão social. Outros pais americanos, admitindo a sua incapacidade para educarem sem tecnologia, estão por seu turno a esgotar as agendas dos “consultores de tempo de ecrã”, os mais novos especialistas na matéria, acabados de chegar, aproveitando o nicho de mercado.

Em Portugal recentemente, para dar uma conferência sobre a forma como as novas tecnologias estão a influenciar a capacidade de atenção das crianças, Catherine L’Ecuyer respondeu às perguntas do Observador sobre o tema e deixou pistas para pais e educadores.

Acha que aquelas imagens caleidoscópicas dos canais para bebés fazem maravilhas a acalmar o seu filho de meses? Tem a certeza de que tablets e televisões são coisas completamente diferentes? Acredita que o seu filho tem uma inteligência acima da média porque nenhuma criança da mesma idade poderá algum dia ser capaz de mexer tão bem num smartphone? Esta entrevista é para si.

Falemos de tecnologia, mas vamos por idades. Basta sair para jantar para ver bebés de meses que só comem diante de um ecrã. Outros, assim que conseguem sentar-se ou até antes disso, são deixados em frente à televisão. Que efeitos pode ter a exposição precoce a este tipo de estímulos visuais no cérebro e no comportamento dos bebés?
A Academia Americana de Pediatria e a Sociedade Canadiana de Pediatria recomendam que as crianças até aos 2 anos não vejam qualquer tipo de ecrãs, devido ao risco que acarretam nesse período crítico de desenvolvimento. Não é uma recomendação educativa, mas sim pediátrica. Os estudos associam a exposição a ecrãs nessa idade com a desatenção, a impulsividade, a redução do vocabulário, o défice de aprendizagem, etc. O cérebro habitua-se a um ritmo que não existe no  mundo real, logo a criança não está adaptada à realidade, que é lenta.

O que se passa a partir dessa idade, biológica e emocionalmente, para que essa exposição passe a ser “permitida”?
Estas mesmas associações pediátricas recomendam que as crianças entre os 2 e os 5 anos vejam menos de uma hora por dia, por que nessas idades o cérebro continua a estar num período crítico de desenvolvimento. Entre os 2 e os 5 há menos riscos, mas não convém estar a criar este tipo de necessidade. Como diz a Associação Canadiana de Pediatria, “não há provas de que os ecrãs sejam benéficos”.

Mas uma televisão não é o mesmo que um tablet, pois não? Um é preferível ao outro? Quais são as diferenças de efeitos entre o uso passivo e ativo das tecnologias em cérebros tão jovens?
A investigação é cara e morosa. Por isso mesmo, tem sempre um atraso em relação às inovações tecnológicas, que rapidamente se tornam obsoletas e dão lugar a produtos diferentes a cada ano. Em 2014, Dimitri Christakis (o especialista internacional nos efeitos dos ecrãs nas crianças) publicou um artigo em que questionava a comunidade científica sobre se o tablet seria diferente da televisão, precisamente por causa da sua natureza interativa. O artigo não dava respostas, fazia perguntas. Há estudos desse ano que demonstram que o tablet não é menos prejudicial do que a televisão; até é mais viciante porque é interativo. O tipo de interação que o tablet promove não é como a interação humana, que requer um processo ativo. Diante do ecrã, a criança anda a reboque de estímulos frequentes e intermitentes. Transforma-se numa espécie de porta USB ou numa impressora. A criança ainda não desenvolveu as suas capacidades de inibição e atenção, o seu locus de controlo é externo.

O  que significa isso?
O locus de controlo é o lugar a partir do qual uma pessoa acredita que as suas ações são controladas. Se é externo, a pessoa acredita que a sua ação é condicionada pelo ambiente, pela sociedade, pelos outros. Se é interno, a pessoa sente que tem controlo (capacidade de inibir, moderar, tomar a iniciativa, planear, etc) sobre as suas ações, pelo que age em consciência e de forma responsável.

Existe a ideia de que os cérebros das crianças devem ser estimulados e “trabalhados” desde cedo, sob pena de se fechar a “janela de oportunidade”. É especialmente crítica desta teoria. Porquê?
Não é uma opinião. A ideia de que é preciso enriquecer o ambiente durante os primeiros anos de vida para não perder a oportunidade de aprendizagem é um neuromito. Um neuromito é uma má interpretação da literatura em neurociência. Há períodos críticos (janelas de oportunidade irrepetíveis) para o desenvolvimento, mas não para a aprendizagem. Mais nem sempre é sinónimo de melhor. A aprendizagem é um processo lento que deve acontecer ao ritmo da criança. Estudos sobre apego indicam que as crianças não precisam de um bombardeamento sensorial, mas sim de interação de qualidade com o seu cuidador principal.

Outro conceito que não lhe é propriamente caro é o que se refere a esta geração como “nativa digital”. Acredita que existe um “plano” por trás disto? Que as empresas tecnológicas, por um lado, constroem os produtos de forma a serem facilmente utilizados pelas crianças; e por outro plantam na mente dos pais a ideia de que a capacidade de manusear a tecnologia é não só uma prova de inteligência dos filhos mas também uma ferramenta capaz de aumentar ainda mais essa inteligência?
O nativo digital é definido como aquele que, nascendo na era digital, está habituado a receber e a processar informações de uma forma que alguém que nasceu antes dessa época (o chamado Imigrante Digital) não consegue. De acordo com essa “hipótese”, os nativos digitais terão vantagens cognitivas que afetarão positivamente a sua aprendizagem, em relação à da geração que os precede, como por exemplo no que diz respeito à multitarefa tecnológica. Apesar da popularidade desta ideia, os estudos dizem que o conceito de nativo digital é sobrevalorizado. Embora demonstrem grande familiaridade e agilidade técnica com a tecnologia, os jovens também dependem demasiado dos motores de busca e não têm competências críticas e analíticas para perceberem o valor e a originalidade da informação que existe na rede. Concluindo: os estudos dizem que a chamada “Geração do Google” não tem o nível de alfabetização digital que lhe tem sido atribuído e que ao próprio conceito falta uma base científica. A crença de que uma pessoa nascida na era tecnológica tem mais habilidades cognitivas para o uso da tecnologia é um mito. E a multitarefa tecnológica também. Se o teu filho aprende a usar um smartphone em minutos não é porque é um génio, mas porque o engenheiro que o desenhou é muito inteligente.

O que é isso da multitarefa tecnológica?
É o ato de fazer muitas coisas que requerem o processamento de informação no âmbito tecnológico ao mesmo tempo. É um mito, a neurociência garante que não podemos realizar em simultâneo várias tarefas que requeiram o processamento de informação. Quando tentamos fazê-lo, o que acontece é que desempenhamos essas tarefas em paralelo e vamos oscilando entre todas elas.

Existem ou não diferenças cerebrais entre as crianças de hoje, que têm toda a informação do mundo à distância de um clique, e os dos seus pais, que quando queriam saber alguma coisa tinham de se dedicar e procurar em livros ou enciclopédias?  
As crianças de hoje aprendem da mesma forma que as de antigamente. Há permanências antropológicas. As previsões alarmistas de que a tecnologia estaria a reestruturar os nossos cérebros (“rewiring our brains”, em inglês) também não têm fundamento científico. Ainda assim, tal como avisa o Conselho Inter-Americano para o Desenvolvimento Integral, a plasticidade tem os seus limites, pelo que a tensão a que uma pessoa está sujeita só é possível dentro de alguns limites, para além dos quais os estímulos podem provocar alterações capazes de comprometer a sua integridade e, consequentemente, a sua aprendizagem. Isto é confirmado pelas evidências que relacionam a multitarefa tecnológica com a diminuição das funções executivas (atenção, capacidade para inibir estímulos externos, etc.). E também pelas evidências que relacionam hiper-estimulação e desatenção. Nas crianças estes efeitos são mais agudos, porque estão num período crítico de desenvolvimento.

Centremo-nos nas crianças entre os 6 e os 12. Há boa e má tecnologia? Que regras ou limites aconselharia nestas idades?
A tecnologia tem de adaptar-se ao ritmo interno da criança, não pode substituir as relações interpessoais reais e não deve veicular conteúdos violentos ou inadequados. A criança tem de desenvolver os seus sentidos de intimidade, privacidade, força, moderação e relevância e a sua capacidade de inibição antes de entrar no mundo virtual. Não é possível desenvolver a noção de intimidade nas redes, por exemplo. A melhor preparação para o mundo online é o mundo offline.

Bem sei que o ideal seria que os consumos fossem sempre acompanhados ou pelo menos supervisionados pelos pais, mas com as vidas atuais isso é praticamente impossível. Que estratégias aconselha a pais e educadores?
Os ecrãs são as amas do século XXI. Temos de oferecer alternativas de qualidade aos nossos filhos: música, desporto, amizades, brincadeiras, natureza, etc. Acreditamos mesmo que estes dispositivos lhes melhoram a qualidade de vida? Nunca houve tantas adições tecnológicas, tanto consumo de pornografia na infância. Tudo na sua medida e no seu devido tempo. Quando atrasamos o uso do smartphone, damos-lhes o luxo das interações pessoais e a oportunidade de fortalecerem qualidades que mais tarde lhes permitirão utilizar estes dispositivos de forma responsável. Um smartphone é um luxo. Por que motivo havemos de lhes comprar luxos?

Caso já tenham comprado esse “luxo”, como podem os pais limitar ou supervisionar o seu uso?  
Não há problema nenhum em atrasar a idade de uso. Eles vão dizer que toda a gente tem e que vão ficar de fora de tudo. Primeiro, é preciso ajudá-los a perceber as estatísticas, nem sempre é garantido que todos têm mesmo. Depois, mesmo que muitos tenham de facto, isso não é um argumento educativo. Muitas crianças consomem pornografia e embebedam-se e isso não é uma justificação para permitir que os seus filhos o façam.

Tem quatro filhos. É essa a estratégia que usa com eles, em casa?
Não sou uma mãe perfeita, pelo que aquilo que fazemos não é “a” solução. Cada família é um mundo e cada pai e mãe é no limite responsável pelas suas decisões. Em nossa casa há uma televisão que só serve para ver filmes selecionados. Temos dois computadores que são usados em espaços de passagem, para o meu trabalho e para o do meu marido. Os nossos filhos não têm videojogos, nem tablets, e só temos um telemóvel familiar — que só dá para fazer chamadas, não tem Internet –, que utilizam quando necessitam. Mas damos-lhes mil alternativas aos ecrãs: passeios, pesca, desporto, música, viagens, natureza, conversas, leitura, etc. Não podemos proibir só por proibir. Temos de dar-lhes alternativas de qualidade.

Há cada vez mais escolas a apostar no uso das tecnologias para ensinar. Paradoxalmente, diz que Steve Jobs, tal como a maioria dos executivos de Silicon Valley, põem os filhos em escolas tradicionais. É mesmo assim? Por que acha que isto acontece?
Os CEOs das empresas tecnológicas de Silicon Valley vendem tablets às escolas públicas da zona, mas têm os filhos em colégios privados que não os utilizam. Eles sabem que não existem estudos que apoiem o uso da tecnologia em sala de aula. Aliás, sabem que o que há são estudos que dizem o contrário. O tablet é parte de uma estratégia de marketing educativo. A novidade é um conceito essencialmente comercial, não educativo.

O que dizem exatamente esses estudos que vão contra o uso de tablets na escola?
Essa pergunta é demasiado complexa para ser respondida assim. Aquilo que posso afirmar é que não existe atualmente um conjunto de estudos que apoiem o uso de tablets na sala de aula. Não há um conjunto de estudos que estabeleça um benefício entre o uso de tablets e uma melhoria no desempenho académico e nas oportunidades de emprego.

Tempos de atenção cada vez mais curtos, dificuldades de concentração, incapacidade de desenvolvimento de pensamento lógico. Diria que estas expressões descrevem de algum modo a geração adolescente atual? Que papel desempenham as novas tecnologias neste quadro?
Como diz [a romancista americana] Meg Wolitzer, esta é a geração que tem manteiga mas não tem pão. A quem falta o contexto que dá sentido às aprendizagens. O contexto não se encontra na Internet, mas no mundo real. O professor é fundamental, precisamente porque dá esse contexto, torna a aprendizagem “significativa”. Por mais sofisticados que sejam os algoritmos, a educação será sempre uma questão profundamente humana e não tecnológica.

Fala-se muito em dependência e adição às novas tecnologias. Há idades mais permeáveis a isto, no que respeita às fases de desenvolvimento cerebral ou comportamental? A que sinais de alerta devem os pais estar atentos?
Muitas dessas tecnologias estão desenhadas para criarem adição. Quem trabalha nas empresas que as fabricam admite isso mesmo. Não existem estratégias para mitigar esses efeitos em mentes imaturas. Se nos custa a nós, que somos adultos, como é que não vai custar-lhes a eles? Quando uma criança mente para poder consumir tecnologia, está viciada. Mas quando isso acontece, já é um pouco tarde para fazer marcha-atrás. Eu defendo a prevenção: atrasar a idade de uso.

Cada vez mais jovens e dependentes

Julho 6, 2019 às 6:15 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Correio da Manhã de 26 de maio de 2019.

Vanessa Fidalgo

Os telemóveis são o novo melhor amigo, mas, em excesso, causam transtornos.

Os telemóveis vieram para ficar na vida das famílias portuguesas e o estar constantemente ligado é uma realidade à qual já nem os mais pequenos escapam. O aparelhinho de uso pessoal com mil e uma utilizações divide opiniões mas, sobretudo, tem tendência para fugir ao controlo paternal e às recomendações dos pediatras.

Segundo um estudo da Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC), uma em cada cinco crianças portuguesas entre os três e os oito anos têm telemóvel e metade são smartphones. Mas subindo um pouco a fasquia da idade, o telemóvel mostra-se incontornável. Segundo o Barómetro de Telecomunicações da Marktest, no primeiro trimestre de 2018 83% das crianças portuguesas entre os 10 e os 12 anos tinham telemóvel, número que passa para os 97% se considerarmos os jovens entre os 13 e os 17 anos.

De acordo com o estudo ‘Happy Kids: Aplicações Seguras e Benéficas para Crianças’, publicado pela Universidade Católica Portuguesa no ano passado, os pais são os primeiros a passar os dispositivos eletrónicos para as mãos dos filhos, tornando-os uma espécie de babysitter eletrónica para quando é preciso ‘trabalhar em casa’ ou manter ‘os miúdos calmos no restaurante’ – foram as principais razões apontadas. E os que mais usam aplicações são os que têm entre zero e os dois anos.

Berta Pinto Ferreira, pedopsiquiatra, lembra que a Sociedade Portuguesa de Pediatria não recomenda o uso de telemóveis por crianças com menos de 2 a 3 anos, mas o que lhe chega ao consultório é bem diferente. “Começam mais cedo e passam cada vez tempo a mais a brincar com eles nessa ou em idades mais avançadas, segundo nos dizem as consultas e os estudos mais recentes”. Por um lado porque as próprios pais “estão agarrados ao telemóvel”, por outro pela própria “necessidade de os manterem mais sossegados porque estão cansados, porque têm de trabalhar, fazer coisas, etc”.

Mas as consequências não se fazem demorar e manifestam a vários níveis. “Há estudos que apontam para trasos no desenvolvimento da linguagem, que se desenvolve em contacto com o outro e os telemóveis, obviamente, não nos respondem. Depois tem impacto na empatia (que também se desenvolve com o outro), no sono, na obesidade porque é uma atividade sedentária e, por último, a consequência final é a dependência”, avisa. A

Mas os telemóveis são “muito mais apelativos que um livro, atrativos e, se forem usados de forma acompanhada, como ferramenta de aprendizagem, recorrendo a alguns jogos educativos, até podem desenvolver algumas capacidades cognitivas e contribuir para a aprendizagem”, reconhece. E até mesmo em termos de socialização também têm as suas vantagens: “muitos miúdos levam-nos para a escola para ouvir a mesma música juntos. Isso é bom”.

O problema é o tempo que se passa a interagir só com eles. Segundo um estudo exploratório feito pelo Centro da Criança e do Adolescente do Hospital CUF Descobertas publicado em Março deste ano pela revista ‘Acta Médica Portuguesa’: 3,9% das crianças inquiridas revelaram comportamentos típicos de dependência e um terço (33,3%) foram consideradas em risco.

“Chegam-nos adolescentes com sinais claros de dependência, que muitas vezes estão até às duas ou três da manhã no telemóvel, com claro impacto psicológico: além de cansaço, trazem perturbações de ansiedade e depressivas. Por outro lado, atualmente, ninguém desliga os telemóveis, estamos disponíveis 24 horas por dia não vá alguém querem falar connosco a qualquer hora, e isso também cria stress. E há situações de dependência que têm de ser tratadas como tal”, frisa Berta Pinto Ferreira que apela “à sensibilidade dos pais” e ao “devido acompanhamento”.

João, de nove anos, e Afonso, de oito, usam o tablete desde o primeiro ano de vida, para ver vídeos, desenhos animados e jogar. Mas o telemóvel chegou lá a casa causado por outras vicissitudes. “Quando eu e o pai nos separámos, há um ano, demos-lhes os telemóveis para podermos falar com eles quando estivessem na casa do outro. No início serviu para isso, para trocar aquela mensagem de despedida, antes de deitar. Agora eles usam-no mais para os vídeos e para falar no grupo dos colegas de turma do WhatsApp”, afirma Tânia Parreiras, a mãe, de 36 anos. Mas, por vezes, também se esquecem dele desligado ou sem bateria “durante dias e dias a fio” e preferem ir fazer outras coisas, concretamente, jogar futebol. Tânia, reconhece, no entanto, que há muito que o pediam: “Talvez desde os cinco, seis anos, sobretudo o João”.

A mãe controla o que veem no You Tube através do histórico, pois os garotos usam a conta de Tânia para aceder. “Redes sociais ainda não têm e não sei muito bem como vou reagir quando acontecer. Uma coisa é certa: vou controlar”, garante. O mesmo acontece em alturas de testes e trabalhos de casa. “Os aparelhos ficam longe”, frisa. Mas vão em alturas de férias e passeio:” talvez porque nós, os pais, quando estamos mais cansados ou precisamos de fazer tarefas. Quando eles eram pequenos levavam sempre o tablet para ir a um restaurante”.

Luísa Januário, 42 anos e três filhas. Ana Carolina, de 10 anos, Catarina, de 17 e Alexandra de 19. Tiveram o seu primeiro telemóvel por volta dos dez anos. A mãe reconhece no entanto, que “entre a mais velha e a mais nova, houve diferenças geracionais”.

O de Ana Carolina chegou há poucos meses, comprado com o seu próprio dinheiro, amealhado das mesadas e prendas de aniversário. “Desde pequena, dos quatro ou cinco anos, que quer mexer no meu ou no das irmãs”. Usa-o essencialmente para “jogar, ver vídeos e conversar no Whatsapp com os colegas de turma, onde já quase todos têm também telemóvel. “Também tem Instagram, foram as irmãs que lhe criaram, mas sou eu que tenho a password”, diz a mãe.

Na escola primária, onde frequenta o 4º ano, os telemóveis só saem da mochila à hora do recreio. O que não a deixa propriamente feliz: “antes brincávamos mais, agora parece que o recreio perdeu a piada porque está tudo sentado nos telemóveis!”, lamenta Ana Carolina.

Para a mãe, são um mal necessário: “Sobretudo em relação às mais velhas, para saber onde e como estão. Mas acho que não devemos proibir porque o fruto proibido é sempre o mais apetecido”. Por isso, há regras bem definidas, até porque Ana Carolina, além da escola, tem outros deveres: estuda no conservatório nacional de música e toca percussão numa banda filarmónica. “Durante a semana, não há telemóvel. E aí sim, está um bocadinho de manhã, depois mais um bocadinho à tarde. Mas tem tempo para tudo: trabalhos de casa, música, brincar e telemóvel”, diz Luísa, que reconhece que muitas vezes os pais facilitam, “nem tanto por pressão dos miúdos mas porque o tempo é pouco e é preciso entretê-los com qualquer coisa”. Luísa já usou o argumento de tirar o telemóvel como castigo: “por não estarem a fazer o que deviam”. E resultou.

Lá em casa, é Catarina, de 17 anos, que passa mais tempo agarrada ao aparelho. Tanto que às vezes se sente farta. “É verdade que ás vezes deixo os trabalhos de casa e outras coisa para depois para estar no telemóvel e fico horas a mais do que devia. Mas às vezes também fico farta e até sinto que preciso de fazer um ‘detoux’.

Os crimes do teclado
Tito de Morais, fundador do projeto MiudosSegurosNa.Net, alerta para o facto destes dispositivos promoverem a “constante busca por atenção e estímulo da superficialidade através a comparação social em detrimento da   profundidade”.

Ao parecer ‘versus’ ser juntam-se os riscos físicos: “o cyberbullying e os outros riscos potenciais, resultantes da
exposição potencial a conteúdos impróprios, contactos e comunicação com terceiros – conhecidos ou desconhecidos – riscos associados a práticas comerciais e publicitárias não-éticas e, sobretudo, à datificação das crianças”. Ou seja, a divulgação de dados pessoais que possam por a sua integridade em risco.

Aos pais cabe uma tarefa com nome feio: controlar. “O que é mais difícil por ser um dispositivo privado, móvel, e de bolso. No entanto, os principais sistemas operativos disponibilizem ferramentas de controlo parental e existem no mercado ferramentas especializadas neste tipo de tarefas que podem facilitar a vida aos pais”, explica o especialista em segurança na internet Tito de Morais.

O recreio já é digital
Às escolas, os telemóveis também já vieram para ficar. O recreio, por natureza, é uma altura livre, que os alunos ocupam da forma que pretenderem, durante a qual – segundo o Estatuto do Aluno – o uso de telemóveis e outros dispositivos tecnológicos dentro do recinto escolar só é permitido com autorização da direção da escola ou do   professor. “Os limites estão portanto definidos. A questão é da vontade em os fazer ou não fazer cumprir. Pessoalmente, não me parece que a proibição seja a solução. Alias veja-se a situação presentemente. Se as crianças passam os intervalos ocupadas a olhar para os ecrãs, a culpa é nossa, porque como adultos não lhes arranjarmos alternativas mais interessantes para ocuparem o seu tempo. Às tantas, são animadores desportivos, artísticos e culturais nos intervalos. Às tantas, o que falta não é ser mais rígidos e impor limites, às tantas o que falta é ensinar as crianças a brincar”, sugere Tito de Morais.

Mas é também na escola que os professores mais sentem os efeitos dos telemóveis. Judite Esteves, professora na EB 2,3 Cardoso Lopes, na Amadora, nunca teve conhecimento na sua escola de um crime de cyberbullying mas já presenciou autênticos dramas quando há um aparelho “apreendido, perdido ou roubado”.

“Sente-se nos jovens o desgosto de ficar incomunicável aliado ao medo da reação dos encarregados de educação. É principalmente nestas situações que constatamos o nível exagerado de dependência”, constata. Na Cardoso Lopes, as regras estão bem definidas: É obrigatório todos os alunos depositarem o aparelho, devidamente desligado, em bolsas numeradas que existem à entrada de todas as salas de aula.

Mas aos intervalos, pelos ecrãs que os seus olhos espreitam e somam de soslaio, não deverá andar “muito longe da verdadeira percentagem” se considerasse que cerca de 90 por cento dos alunos têm telemóvel e alguns têm mais do que um…

“Tanto é usado para comunicar como para jogar. Sem dados concretos, a sensação que tenho é que as raparigas o utilizam mais para comunicar nas redes sociais e os rapazes para jogar”, calcula.

Mas o que mais constatam os professores é o nível de dependência. “O telemóvel tornou-se um objeto de extrema importância na vida da maioria das pessoas. Dificilmente poderia ser diferente a relação com um utensílio que reúne tecnologias que permitem telefonar, enviar mensagens, aceder a sites, redes sociais, vídeos, jogar, pesquisar, fotografar e certamente muito mais… Possivelmente qualquer um dos meus alunos poderia juntar ainda outras funções que desconheço. Quando uma criança tem acesso a um instrumento desta dimensão e aprende a manuseá-lo o caminho para a dependência está aberto. Uns utilizam-no de forma moderada e saudável, outros servem-se dele para ações que poderão ser consideradas prejudiciais, não só para si mas muitas vezes para os outros. Causando muitas vezes situações de indisciplina que são alvo de sanções”.

Por isso, equilíbrio e bons exemplos são precisos, avisa a professora: “O bom senso é geralmente o melhor caminho. Mas uma coisa é certa, não só os encarregados de educação, mas também a escola têm que aceitar, acompanhar os avanços tecnológicos e usufruir e deixar usufruir de tudo que há de positivo nestes avanços”.

Seis sintomas que ajudam a detetar o vício dos videojogos

Junho 17, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da Exame Informática de 28 de maio de 2019.

Francisco Garcia

Um problema que só recentemente foi considerado doença e que tem vindo a tornar-se cada vez mais comum na nossa sociedade, que é cada vez mais dependente das novas tecnologias.

Este sábado, a Organização Mundial de Saúde (OMS) passou a considerar o comportamento obsessivo para com os videojogos uma doença mental. Conheça aqui alguns dos sintomas que, segundo a American Addiction Centers, são comuns em pessoas que sofrem deste distúrbio:

Estilo de vida sedentário – Passar horas em frente a um ecrã pode ter efeitos perigosos no corpo e mente de um jovem. Este cenário pode agravar-se quando a pessoa em causa não pratica desporto, podendo aumentar desmedidamente o peso e acentuar uma má postura, ou em casos mais graves, desenvolver doenças como Diabetes tipo 2.

Ausência de interação social – Embora nalguns videojogos os jogadores interajam uns com os outros, os jogos não devem substituir outras formas de socialização (não virtuais) na vida das crianças. A aprendizagem de ferramentas de comunicação em contextos reais é fundamental no desenvolvimento dos mais jovens e não deve ser substituída por experiências de gaming.

Problemas de concentração – A ação e movimentos rápidos nalguns videojogos é considerada, por alguns especialistas na área, como uma das causas para falta de concentração nalguns jogadores. Associam ainda o tempo investido em videojogos à falta de interesse na leitura, que requer uma atenção prolongada.

Evitar tarefas associadas ao desenvolvimento – Este sintoma pode surgir na adolescência, quando os jovens utilizam os videojogos como um escape para os problemas da sua vida, evitando situações que os obriguem a crescer emocionalmente.

Comportamentos violentos – Algumas crianças e adolescentes que passam muito tempo a jogar videojogos de combate ou violentos, podem estar mais propensos a apresentar alguns sinais de agressividade do que outros que não jogam. A American Addiction Centers aconselha os pais a terem um mecanismo de vigilância semelhante ao que usam para impedir as crianças de ver filmes violentos.

Convulsões e lesões de stress – De acordo com um artigo publicado no British Medical Journal, os videojogos podem aumentar os riscos em jogadores com epilepsia, devido à intensidade das luzes, cores e gráficos. Um comportamento compulsivo com videojogos pode ainda levar a pequenas lesões relacionadas com o stress, nomeadamente nas mãos e pulsos.

 

 

 

Investigadores criam teste psicológico para avaliar transtorno do videojogo

Junho 11, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Unsplash

Notícia e imagem do Público de 28 de maio de 2019.

Teste foi testado numa amostra de 550 estudantes do Reino Unido e da China e teve resultados “muito satisfatórios”.

Investigadores desenvolveram o primeiro teste psicológico mundial para avaliar o transtorno do videojogo e a severidade dos seus sintomas, através de critérios clínicos estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

O teste é um instrumento psicométrico que foi testado numa amostra de 550 estudantes do Reino Unido e da China e que apresentou resultados “muito satisfatórios”, disse à agência Lusa o investigador e psicólogo português Halley Pontes, da Universidade da Tasmânia (Austrália).

“O que se verificou é que através de um conjunto simples de quatro perguntas podemos proceder a um diagnóstico e avaliar a severidade dos sintomas” dos jogadores, adiantou Halley Pontes, que liderou a equipa de investigadores que criou esta ferramenta e desenvolveu o estudo com a amostra de estudantes, a publicar no International Journal of Mental Health and Addictions.

Halley Pontes explicou que o “trabalho resulta do consenso a que Organização Mundial da Saúde chegou no passado fim-de-semana sobre o estatuto oficial do transtorno do videojogo” como uma perturbação psiquiátrica relacionada com “o uso excessivo e patológico dos videojogos”. De acordo com a definição da OMS, este padrão de comportamento deve ter sido evidente por um período mínimo de 12 meses e ter resultado num comprometimento significativo na vida familiar, do trabalho e da educação.

Questionários online a decorrer

Para a realização do estudo, foram criadas duas plataformas online, uma na Alemanha e outra no Reino Unido que permitem às pessoas que joguem activamente no computador, telemóvel ou consola responder a algumas questões e de imediato receber uma resposta sobre “o modo como se envolvem com os videojogos”, se é um envolvimento patológico ou normal.

O questionário online é baseado em critérios da OMS e regista as actividades de jogo dos últimos 12 meses numa escala de um (nunca joga) a cinco (muito frequentemente). As conclusões principais do estudo indicam que “o novo enquadramento clínico da OMS que define o transtorno dos videojogos é robusto e pode ser verificado em termos empíricos com os dados recolhidos”, sublinhou Halley Pontes.

Os dados revelam que, em média, os alunos inquiridos jogam 12 horas por semana, gastando quase metade deste tempo (46%) aos fins-de-semana sozinhos na frente de um computador ou com outros dispositivos móveis. Houve ainda 36 participantes (6,4%) que relataram grandes problemas no dia-a-dia devido ao seu comportamento. Halley Pontes explicou que o transtorno de videojogos é “uma incapacidade” de os jogadores controlarem o seu comportamento obsessivo, que é reflectido também no “aumento exponencial da prioridade que a pessoa dá ao jogo ao ponto de abafar outros interesses e actividades diárias” e continuar a jogar mesmo sabendo que “existem áreas da sua vida que estão a ser afectadas negativamente”.

O próximo passo dos investigadores das universidades da Tasmânia, de Birkbeck (Londres), de Pequim e de Ulm (Alemanha) é a realização do “maior estudo” sobre o transtorno do jogo, tendo para isso criado uma parceria com a empresa de eSports ESL, com laços estreitos com a comunidade de jogos, “um público potencialmente em risco”.

O novo estudo visa compreender de que forma o jogo está a tornar-se um problema de saúde e quais factores que contribuem para isso, incluindo variáveis sociodemográficas, de personalidade e motivações. Para Halley Pontes, a decisão da OMS vai “ajudar estas pessoas que sofrem a encontrarem validação para o seu sofrimento psicológico e, potencialmente, servirá também para desenvolver políticas que as ajudem a obter tratamento no sistema nacional de saúde”.

 

 

Tem filhos viciados em videojogos? 5 dicas para lidar com o problema

Maio 20, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Observador de 7 de maio de 2019.

Há cada vez mais crianças a trocar o hábito de brincar ao vivo por longas sessões de videojogos. Cabe aos pais impor regras simples para evitar comportamentos de risco.

O novo bicho papão para os pais de crianças a partir, sensivelmente, dos oito anos chama-se Fortnite Battle Royale. Não, não é o nome de um novo vírus incurável ou de uma qualquer estranha substância psicotrópica. É, apenas e só, um videojogo que tem atraído milhões e milhões de crianças e adolescentes no mundo inteiro. A premissa é muito simples: cada jogador — ou equipa — é lançado numa ilha e tem de lutar pela sua sobrevivência, eliminando os outros jogadores — ou equipas — que têm o mesmo objetivo. O jogo é gratuito, intuitivo e, sobretudo, viciante. Pais e professores denunciam, com frequência, alterações de comportamento em crianças que jogam Fortnite Battle Royale diariamente. Muitas ficam mais agressivas e desinteressadas de outras actividades. Mas as dicas que se seguem podem ajudar a lidar com o vício neste e noutros videojogos.

1. Mostre-se interessado/a, jogue com as crianças

A melhor maneira de entender o fenómeno Fortnite Battle Royale ou outros não é submeter as crianças a interrogatórios nem pesquisar na Internet. A melhor maneira é estar por dentro, jogar. De preferência com elas. Por isso, nada como mostrar interesse na actividade e procurar jogar com a criança. Podem fazer disso, por exemplo, uma actividade em família. Sendo que este jogo, especificamente, nem sequer é particularmente violento — os gráficos fazem lembrar banda desenhada.

2. Imponha limites, use o controlo parental

À semelhança do que já aconselhámos num artigo anterior, relacionado com a navegação na Internet, também neste caso é importante usar as ferramentas de controlo ao dispor. Todas as consolas, telemóveis, computadores ou tablets possuem opções que permitem aos pais gerir e controlar a sua utilização por parte dos filhos. Não só o tempo, mas também as compras online — e é muito importante ter atenção a essa parte —, os jogos que estão autorizados a jogar e com quem. Além das ferramentas deste género que cada aparelho traz por defeito há software especializado que aumenta o leque de opções e protecção. Uma vez estabelecidos esses limites, seja firme, não abra exceções.

3. Conversem sobre o assunto

Mas atenção: conversar não é discutir. É mais provável que a criança responda honestamente sobre o que a atrai em determinado jogo, os seus hábitos, com quem joga e de que forma se isso surgir numa conversa amigável com os pais do que se sentir ameaçada ou interrogada de forma agressiva. Pior do que o jogo em si são, muitas vezes, os comportamentos agressivos e/ou de bullying que a ele estão associados. Procure perceber com quem é que a criança joga, e de que fala enquanto joga. É possível desligar a opção de chat, caso entenda necessário.

4. Traga as crianças para fora do ecrã

O problema não são os videojogos per se mas sim o tempo que as crianças passam em frente ao(s) ecrã(s) nos dias de hoje. Pode não ser fácil trazê-las de volta à vida real, já que muitas tendem a achar tudo desinteressante em comparação com o YouTube ou os videojogos. Mas há que fazer um esforço. Se as crianças já têm por hábito jogar Fortnite Battle Royale (ou outros jogos) com os amigos da escola, pode tentar envolvê-los — e aos respectivos pais — nesta missão, planeando saídas em conjunto ou formando uma equipa de um qualquer desporto, por exemplo.

5. Em caso de necessidade, procure ajuda profissional

Se perceber que o vício nos videojogos está a afectar gravemente o rendimento escolar da criança, a forma como se comporta — mais agressiva e irritável — e as suas relações interpessoais, e nenhum dos passos anteriores pareceu resultar, não será descabido procurar ajuda profissional. Os psicólogos e pedopsiquiatras estão cada vez mais equipados para lidar com este tipo de problemas, também eles cada vez mais recorrentes: não é por acaso que a Organização Mundial de Saúde incluiu, há cerca de um ano, o “distúrbio de jogo” na lista de doenças classificadas como perturbações do foro mental.

 

Workshop Gaming, Gambling e Cenas – Como intervir nos comportamentos aditivos SEM substâncias? 24 maio em Viana do Castelo

Maio 13, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

https://www.gaf.pt/pt/jornadas/XXV/workshop-gaming-gambling-cenas

 

 

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