Apresentação do livro “O Problema do Jogo : o tratamento da dependência invisível : dos videojogos à mesa do casino” – 28 abril FNAC Colombo

Abril 20, 2016 às 11:00 am | Na categoria Livros | Deixe o seu comentário
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convite

mais informações sobre o livro:

https://www.platanoeditora.pt/?q=C/BOOKSSHOW/o-problema-do-jogo

10 sinais que indicam que está viciado no Facebook

Abril 5, 2016 às 8:00 pm | Na categoria Divulgação | Deixe o seu comentário
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texto do site http://pplware.sapo.pt/ de 22 de março de 2016.

pplware

Marisa Pinto

O Facebook é a rede social mais popular e com o maior número de utilizadores no Mundo, tem sido a principal via de comunicação entre as pessoas, permitindo estarmos mais perto de quem gostamos, conhecer pessoas, receber notícias actualizadas, partilhar conteúdos com os outros, etc.

Mas, como tudo na vida, há que ter moderação e, assim, deixámos aqui 10 sinais que indicam que está viciado no Facebook!

Confira os seguintes comportamentos e verifique se se identifica a si, ou a alguém, com alguns:

1. É a primeira coisa que vê de manhã e a última que vê de noite

Pense lá bem… de manhã, pega no seu smartphone ou tablet e qual é a primeira aplicação em que clica? E antes de dormir? Se a resposta for ‘o Facebook’ é porque se trata de algo significativo e poderá ser um indicador a ter em atenção.

2. Antes de fotografar algo, já está a pensar como a vai colocar no Facebook

Este sentimento é-lhe familiar? Está com amigos, fotografa a refeição, uma selfie em conjunto e pensa logo como a vai colocar, os efeitos que ficam melhor, a descrição que causará mais impacto, etc. Identifica-se?

3. Usa frequentemente expressões como “Vai já para o Facebook”

A palavra “Facebook” passou a estar no nosso vocábulo diário, sobretudo entre os jovens. Decerto que já ouviram alguém utilizar expressões como “Isto vai já para o Facebook” ou “Mete no Face”. Utiliza recorrentemente estas expressões?

4. Fica chateado se alguém não faz ‘like’ ou não comenta as suas coisas ou se o elimina dos amigos

Muitas pessoas colocam conteúdos com a intenção de conseguir likes e comentários, ou seja, traduzindo, como forma de obter algum reconhecimento de terceiros.

Mas há quem chegue ao extremo de ficar chateado quando alguém em específico não lhe dá esse prazer, ou seja, ‘ignora’ a sua publicação e não coloca like nem faz qualquer comentário. O mesmo acontece quando descobre que alguém o eliminou dos amigos (a não ser que se trate de alguém com laços emocionais fortes, pois aí é mesmo caso para preocupação). Já lhe aconteceu?

5. Verifica o Facebook de 5 em 5 minutos e isso acalma-o

Sempre que alguém o vê, está com o smartphone na mão a verificar as actualizações e publicações que os seus amigos fazem no Facebook. Guarda o dispositivo mas, pouco tempo depois, volta a aceder ao Facebook, como se necessitasse de estar sempre ligado a visualizar os conteúdos. Se esse hábito o deixa calmo, o mais provável é que esteja a desenvolver alguma dependência.

6. Fala através do Messenger com pessoas que até estão por perto

Parece bizarro mas sim acontece, mais frequentemente do que se imagina. Alguém está perto de si ou numa outra divisão mas relativamente perto e, em vez de ir ter com a pessoa e comunicar com ela, abre o Facebook Messenger para o efeito, como se essa via substituísse a via ‘natural’.

7. Fica ansioso quando passa algum tempo sem poder aceder ao Facebook

Imagine-se sem poder aceder ao Facebook durante um dia inteiro ou até dois. Nada melhor que fazer esse exercício para verificar como é que o seu corpo reage e se apresenta sintomas de ansiedade como agitação, nervosismo, inquietação. Faça o teste!

8. Nem nas refeições larga o Facebook

Repense o seu comportamento. Costuma estar à mesa, mesmo em família ou com amigos, e o smartphone passa um tempo significativo com o Facebook aberto? Para além de não ser um comportamento educado, é também um sinal de que o Facebook é significativamente importante para si, e pensa primeiro em aceder à rede social, antes de pensar na pragmática que deve ter socialmente.

9. Faz do Facebook um diário

Literalmente tudo vai para o Facebook… desde a hora a que acorda, como está o tempo, o que vai vestir, o que fez para o almoço, em que restaurante se encontra e com quem, questões existenciais, como se está a sentir apenas porque começou a chover, as compras que fez, o que está a pensar ler, que filme vai ver, etc. Já para não falar da ‘lavagem de roupa suja’ em público que muitas vezes é feita.

Tratam-se de comportamentos a ter atenção pois podemos estar a ver o Facebook não só como uma forma fácil de comunicação, mas sobretudo como a principal via de comunicação.

10. Pede opinião sobre coisas supérfluas

No seguimento do comportamento anterior, vem este de pedir opinião aos amigos do Facebook sobre coisas supérfluas tais como “Corto o cabelo?”; “O que faço para o jantar?” ou “Fico bem nesta roupa?”.

Para além de serem questões cujo interesse para a comunidade do Facebook é mínima, também demonstra uma carência e necessidade da opinião de terceiros como forma de dar seguimento e orientação às suas rotinas o que, resumindo, revela fraco poder de tomada de decisão e insegurança em relação a si, características comuns de ansiedade e dependência.

 

 

 

A geração que quer “transformar isto tudo”

Fevereiro 28, 2016 às 4:41 pm | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
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Reportagem do Público de 13 de fevereiro de 2016.

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Catarina Fernandes Martins (texto) e Nuno Ferreira Santos (fotografia)

Conhecidos como nativos digitais, ignoram o que é viver sem Internet. Esta é a geração do 11 de Setembro, do aquecimento global, da crise financeira e da consciência de que o futuro não trará a prosperidade de que os pais gozaram. Vivem colados ao écrã, sim, mas com os pés assentes na terra.

Inês do Canto, 16 anos, diz já ter sentido os efeitos de ter nascido num mundo onde quase tudo se faz com um dedo a deslizar pelo écrã. Sabe que quer ser música e desde cedo que toca saxofone no Hot Club. Mas, numa determinada altura, os progressos na prática do instrumento não se faziam notar. Inês encontrou dificuldades e desistiu. Agora, com a distância analítica de ter aprendido com um erro, pensa ter compreendido o que aconteceu: “Somos uma geração muito rápida, estamos habituados a ter tudo muito rápido, com a Internet. Quando não temos tudo rapidamente, desistimos ou ficamos desmotivados”.

Inês voltou ao saxofone, determinada a apostar numa carreira no mundo da música e consciente de que o jogo que quer jogar se faz no longo prazo. É quase como correr uma maratona — não há gratificações instantâneas, mas um plano estratégico de doseamento de esforço e de intensidade para chegar à meta. “Um dos traços mais vincados da minha maneira de ser é pensar sempre no longo prazo”. E nesse seu plano estratégico, a Internet, utilizada em moderação e com um propósito bem definido, é uma ferramenta valiosa. “Uso as redes sociais para divulgar o meu trabalho. Sei que há muita gente a querer o mesmo que eu, sei que há muita porcaria que é preciso filtrar, tenho algum receio, mas sei que agora, mais do que nunca, é mais fácil ser empreendedora”, diz.

Inês demonstra uma consciência que parece não colar à imagem generalizada que é feita dos jovens e adolescentes da Geração Z, a designação mais utilizada para referir o grupo de crianças, adolescentes e jovens nascidos entre 1994 e 2012, no momento de afirmação e consolidação da Internet. Depois dos Baby Boomers, da Geração X e Y (também conhecida por Milénio), chegou a vez da Geração Z. E em Portugal são praticamente dois milhões.

Facilmente se olha para estes jovens como seres fúteis, vazios e narcisistas, incapazes de pensar além da selfie, da aprovação nas redes sociais. Tememos o aumento do défice de atenção nas crianças pela sua incapacidade de largar o telemóvel, a televisão, os videojogos, o computador — tudo ao mesmo tempo, respondendo a uma velocidade estonteante aos estímulos sociais que chegam de todas as frentes. Lemos relatos de novas formas de pressão dos pares, de humilhações invasivas, disponíveis para o mundo inteiro assistir.

E, tal como aconteceu com as gerações anteriores (cada uma considerada mais narcisista e vazia do que aquelas que a antecederam), os mais velhos receiam que os jovens e as crianças de hoje não estejam à altura de herdar o desafio e acabem por transformar o mundo para pior.

Os miúdos da chamada Geração Z não conhecem outro mundo e outro modelo de sociedade que não aquele que a Internet uniu e moldou. Mais do que isso, esta geração cresceu a explorar a Internet nos dispositivos móveis, gozando de um acesso quase imediato a tudo e a todos.

Mas a velocidade que experimentam todos os dias, essa sensação quase vertiginosa de que tudo está em permanente mudança, não é característica dos grupos de amigos e das esferas privadas da Geração Z. Nestes vinte anos, não foi só a tecnologia que mudou e evoluiu. A economia e a política mundial atravessam transformações profundas, com o 11 de Setembro, que deu início a uma nova ordem mundial marcada pelo terrorismo islâmico, a crise financeira de 2007 e o aquecimento global. Neste espaço de tempo, muitos países do mundo ocidental debateram causas progressistas como o casamento gay e a adopção por casais homossexuais. Recentemente, o feminismo parece estar de novo na moda, com uma roupagem mais moderna e protagonistas que, muitas vezes, já são jovens Z, com uma linguagem e formas de actuação próprias das redes sociais.

Os membros mais velhos da Geração Z serão, provavelmente, novos demais para se lembrarem do “tempo das vacas gordas” e da sensação de “fim da História” que se seguiu ao colapso da URSS e à consequente década de prosperidade dos anos 90, em que o mundo ocidental seguiu a liderança unipolar dos Estados Unidos e se iludiu com a Pax Americana. A geração anterior assistiu, a meio, às mudanças das regras do jogo, foi obrigada a redefinir expectativas, sentiu-se enganada e desiludida.

Pelo contrário, o habitat natural da Geração Z é também o do desemprego e da precariedade. As palavras chave deste período: crise, défice, austeridade. Medo. Os remédios não são milagrosos — porque já ninguém acredita em soluções que durem para sempre — e há que estar preparado para tudo, ser consciente, ter um plano B, C, D. Sonhar com os pés assentes na terra. Pensar no longo prazo, como Inês.

Um relatório da agência de publicidade norte-americana Sparks & Honey concluiu que a Geração z, em comparação com a Milénio, é mais “madura” e tem uma vontade maior de “mudar o mundo”. Segundo a Sparks & Honey, 60% dos jovens Z acredita mesmo que vai deixar uma marca no mundo, por oposição a 39% de Milénios.

Qual é o impacto de todas estas transformações na formação dos jovens da Geração Z? Que responsabilidades acrescidas têm pais e professores na educação de crianças que parecem preferir o mundo virtual ao contacto com os outros? Teremos de pensar num novo conjunto de direitos — digitais — para proteger a privacidade desta geração? Que planos conseguem traçar para o futuro?

Avós no Facebook, jovens em fuga

Alice Magalhães, 12 anos, Mafalda Portugal, 12 anos, Inês Capela, 12 anos e Sarah Lopez, 13 anos, estão ligadas sempre que quiserem. A amizade, cumplicidade e a linguagem “só das quatro” que dizem ter desenvolve-se num espaço privado que não é o da escola, nem o das festas de aniversário ou dos trabalhos de grupo. Esse espaço não obedece a horários, não necessita de um lugar físico e não está dependente da disponibilidade dos pais nem sujeito às suas regras ou à sua linguagem. Esse espaço é o das redes sociais como o Instagram, o WhatsApp, o Twitter, o Snapchat, ou o Facebook, mesmo que, teoricamente, estas redes não admitam membros com menos de 13 anos (no final de 2015, a Comissão Europeia propôs que os menores de 16 anos ficassem interditos de utilizar o Facebook, o Instagram ou o Twitter, caso não tenham autorização parental para o fazer).

É pela naturalidade com que se movimentam nestas redes que a Geração Z recebeu também o nome de Geração Aplicação. À excepção de Sarah, proibida pela mãe de aderir à rede criada por Mark Zuckerberg, todas as outras arranjaram uma forma de contornar a regra. “A minha tia criou por mim e pôs lá a idade dela”, diz Alice, que está no Facebook há dois anos. Inês estreou-se na rede com oito anos, “com a ajuda da irmã”.

Mas o Facebook está a deixar de interessar aos jovens da Geração Z. Em 2013, uma adolescente de 13 anos, Ruby Karp, escreveu um texto no site norte-americano Mashable que se tornou viral por ter explicado aos adultos que os seus amigos e colegas estão a deixar o Facebook, que agora é apenas “o sítio onde os pais estão”. A chegada dos familiares ao Facebook leva alguns destes jovens a migrar para outras redes onde os pais ainda não entraram. “Já vamos na fase em que os avós estão no Facebook”, diz Mafalda Rola, 16 anos, também estudante na Escola Secundária Professor José Augusto Lucas em Linda-a-Velha. “Nós fugimos para o Twitter”, continua.

Uma rede que é cada vez mais popular, sobretudo entre os mais jovens, é o Snapchat, cuja grande característica é permitir enviar uma fotografia que se apaga em dez segundos. “Há pessoas que têm medo que as coisas fiquem permanentes e daquilo que os outros pensam”, diz Mafalda, para começar a explicar por que razão o Snapchat pode ser tão atractivo para os jovens. “Se enviarmos uma foto pelo Snapchat sabemos que ninguém vai mostrar a um amigo e comentar: ‘Está tão ridícula’ ou ‘Está mesmo feia, cheia de borbulhas’”, diz.

Os pais, mesmo aqueles que chegaram ao Facebook, não compreendem totalmente o funcionamento das outras redes, o que levanta todo o tipo de preocupações e suscita diferentes posturas — autorizar, proibir, ignorar — relativamente ao acesso que os filhos fazem destas aplicações.

Telma Miguel, mãe de Alice e de Teresa, de 16 anos, sabe que não consegue estar em cima de tudo o que as filhas fazem online, mas não vê vantagens em transformar as redes sociais no fruto proibido e apetecido. “Se as vamos proibir, elas não sabem conviver com o mundo delas. Não vale a pena obrigá-las a fazer às escondidas porque assim torna-se secreto e deixamos de ter acesso”, diz.

Joana Deus, 12 anos, recebeu o telemóvel no último aniversário, há poucos meses. Foi a última aluna da turma a ter telemóvel e mesmo assim a mãe, Luz Pimentel, continua a acreditar que não precisa dele. Joana não tem qualquer acesso às redes sociais no telemóvel e o Facebook está proibido mesmo no computador lá de casa. Usa a Internet para trabalhos escolares e para ver alguns vídeos de youtubers portugueses, geralmente sobre jogos. Mas sabe o que é o Instagram, o Viber, o Snapchat, o WhatsApp, porque quase todas as colegas usam. Já chegou a aparecer numa conta Instagram de uma amiga, tendo depois pedido que a fotografia fosse retirada porque não tinha dado autorização para a publicação.

Com apenas 12 anos, vive rodeada por todas estas experiências sem ter ainda entrado nesse mundo e diz ter muito receio dos perigos das redes sociais e da Internet. Teme o momento em que irá estrear-se nas redes. “Tenho medo que mude aquilo que eu sou e quero ser”, diz, referindo-se às notícias mais negativas que lhe vão chegando. “Alguns adolescentes ficam muito deprimidos por situações na Internet e não quero que isso aconteça comigo”.

Cristina Ponte, investigadora da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, tem estudado a relação das crianças com os media e a inclusão digital. Diz que os pais, resistindo à tentação de proibir os filhos de utilizar estas redes, devem antes prepará-los para a autonomia. “Os pais devem ensinar os filhos a não terem de responder a tudo o que os amigos pedem para fazer” e a compreenderem que têm o direito “a estar (online) e a não estar”. Cristina Valente, psicóloga e autora do livro Coaching para Pais, pensa que o equilíbrio entre permitir a utilização da Internet e evitar excessos passa por fortalecer a estrutura dos “valores familiares não negociáveis”. Desta forma, diz, permitir que uma criança tenha acesso ao Facebook quando não tem ainda idade para o fazer passa aos jovens uma mensagem moral: “Os pais permitem que isso aconteça sem reflectirem o que isto implica em termos de escolhas morais. Estou a dizer-lhes que posso enganar uma empresa e que posso contornar a lei”.

Por vezes, na equação da responsabilidade, falamos dos educadores e esquecemos uma parcela importante, ainda que aparentemente distante da vida diária das crianças. “A Geração Z não é responsabilidade exclusiva dos pais e dos professores, mas também das indústrias, das empresas, da regulação”, defende Cristina Ponte, que chama a atenção para o facto de a presença das crianças online se traduzir num “negócio brutal para as companhias de consumo”, como as operadoras móveis, por exemplo. Segundo esta investigadora, estima-se que, actualmente, um terço dos utilizadores da Internet tenha menos de 18 anos. A investigadora lembra como “as empresas de telecomunicações proporcionam o consumo dos adolescentes”.

Em Portugal, as três operadoras móveis têm campanhas destinadas à Geração Z e em alguns casos isso traduz-se na oferta da utilização gratuita das aplicações das redes sociais (a utilização do Facebook, WhatsApp, etc não consome dados de Internet). Num dos sites destas operadoras há um apelo ao consumo em forma de provocação e de pressão de grupo. O tarifário que está a ser vendido “não é para quem quer”, pode ler-se, “convém teres smartphone”.O PÚBLICO tentou contactar as três operadoras móveis, não obtendo resposta no caso da MEO e recebendo, por parte da Vodafone e da NOS, a recusa em participar neste trabalho.

Pedro Castro Pinho, criativo na agência de publicidade O Escritório, responsável pela marca do tarifário Moche, da MEO, diz que a estratégia publicitária por detrás das campanhas desta marca dirigida aos jovens sub 25 não leva em conta outras características associadas à Geração Z além da dependência da Internet. De resto, a linguagem utilizada, muitas vezes com um cunho sexual (“Faz-me um like”) ou algo rebelde (a Moche teve um anúncio polémico em que um jovem desligava a máquina que mantinha vivo o avô para poder carregar a bateria do telemóvel) tem o objectivo de “falar aos jovens” e, se calhar “os jovens com 15 anos de há vinte anos também achavam piada a isso”, diz.

Várias organizações da sociedade civil, bancos, associações de direitos das crianças e empresas, juntaram-se à iniciativa iRights, que quer definir os direitos digitais para que crianças abaixo dos 18 anos possam utilizar as tecnologias digitais “de forma criativa, sem medo e com conhecimento”. Estes são: direito a remover toda a informação e dados disponibilizados online; direito a saber quem está a utilizar a informação que foi cedida e quem lucra com essa informação, vendendo-a para fins de publicidade ou outros; direito à segurança e ao apoio em caso de situações de risco criadas online; direito a escolhas informadas e conscientes; direito à literacia digital.

Os pais e educadores têm outros receios relacionados com o uso das tecnologias e das redes sociais, temendo os efeitos destas na aprendizagem, levantando dúvidas sobre as consequências do multitasking na capacidade de concentração e questionando-se sobre a qualidade das relações das crianças.

O psicólogo José Morgado explica ao PÚBLICO que, de uma forma ou de outra, estes receios existem em todas as gerações, mas adequados às realidades específicas de cada período. “Os pais estão sempre preocupados com as ‘más companhias’ dos filhos. Na Internet há um upgrade dessa preocupação — está ligado a quem, a fazer o quê? É normal que os miúdos a partir dos 11 anos comecem à procura dos seus amigos e encontrem as suas tribos. Se um miúdo dessa idade está ligado ao computador, isso é normal na idade dele. Depois há efeitos colaterais — se o excesso de contactos altera os hábitos de sono, por exemplo. Mas aí trata-se de uma questão pedagógica. O erro não é o miúdo estar no computador, o erro é os pais permitirem que ele tenha o computador (ou o telemóvel) no quarto e esteja a usá-lo às 3h da manhã”, diz.

José Morgado utiliza uma fórmula semelhante para desmistificar a ideia de que os jovens da Geração Z não consolidam as aprendizagens apenas porque utilizam o Google em excesso. “Se eu exercitar aquilo que vi no Youtube ou li no Google, fico a saber, aprendo”, diz, em defesa dessas fontes de informação. O problema, acrescenta, está na insuficiência dos filtros que os jovens terão. E isso, mais uma vez, combate-se com educação e pedagogia, e não com a proibição da prática. “Temos de acompanhar a utilização das novas tecnologias com inovações do ponto de vista da forma como ensinamos o aluno a pesquisar. Temos de ensiná-los a filtrar informação e a fazer buscas pertinentes para que não fiquem intoxicados. Ou corremos o risco de criar um gap muito evidente entre a aprendizagem na sala de aula e as que existem lá fora. Há que diminuir esse gap, trazendo essas ferramentas para a escola para que as crianças possam aprender a usá-las de forma regulada”, diz.

Um projecto de vida para tempos incertos

É também de educação e de pedagogia que fala José Morgado quando se refere à dificuldade de os pais ajudarem os seus filhos, herdeiros da crise e da precariedade, a projectarem um futuro.

“Na minha geração estudávamos para ser alguém e vislumbrávamos esse caminho. Muitos jovens têm dificuldade em construir um projecto de vida e aquele discurso de que os licenciados não têm emprego não ajuda”, afirma o psicólogo. “Temos de acreditar — pais e profissionais — que mesmo em tempos de crise é possível construir um projecto de vida”.

Os jovens da Geração Z com quem falámos parecem ter os seus sonhos. Mas, mesmo quando falam de ambições profissionais mais ligadas a um percurso artístico ou mediático, têm um projecto de vida pensado para enfrentar mudanças, crises, alteração das circunstâncias, desilusões e sonhos desfeitos.

Filipe Miranda, 18 anos e um sonho ainda viável: ser jogador de futebol. Filipe vive no Fogueteiro, joga no Cova da Piedade e ambiciona um dia chegar a um grande clube. “O meu plano A é ser jogador de futebol”, diz. Filipe não fala apaixonadamente de ser o próximo Cristiano Ronaldo ou o Luís Figo. Fala de metas e caminhos para lá chegar. E de como a sua prioridade é o futebol e os treinos e um estilo de vida — sem grande espaço para as redes sociais, diz — que permita sustentar esse projecto. Mas fala também do momento em que pode perceber que o sonho não se concretizou — “Quando vir que estou num clube que não me dê futuro”.

A existência de um plano A pressupõe que haja outros caminhos e Filipe decidiu continuar os estudos. Está neste momento a frequentar o primeiro ano de Contabilidade no ISCAL, esperando conseguir transferência para o ISCTE ou o ISEG para estudar Gestão. “Mesmo que consiga o meu sonho A, um dia mais tarde — o futebol acaba cedo — gostava de ter a minha própria empresa”, diz.

Telma Miguel, a mãe de Alice, diz que as filhas pensam no futuro de forma muito diferente da sua geração. “Não têm sonhos tão ambiciosos como eu tinha na idade delas. Eu e os meus amigos pensávamos que se estudássemos e fizéssemos as coisas certas, ia ser tudo a somar. Acho que elas sabem que as coisas não são assim e entendem que há muita gente à procura da mesma coisa, que é cada vez mais escassa. Elas vão decidindo à medida que as coisas acontecem, tomam decisões passo a passo e têm uma grande disponibilidade para mudar”, diz.

O professor na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias Daniel Cardoso confirma a percepção desta mãe. “É uma geração que foi ensinada, para o bem e para o mal, que terá de se adaptar tão depressa quanto possível ao maior número de mudanças possíveis. Eles vão ficar profundamente marcados pela incerteza biográfica”, diz. Por “incerteza biográfica”, Daniel Cardoso entende a perda de “referenciais sobre o que é crescer e ser adulto”. Os jovens que hoje terminam os cursos superiores, explica o investigador, “não sabem se terão emprego ou se o emprego que têm será suficiente para se sustentarem”. Esta “ausência de um percurso de vida minimamente definido” é um dos grandes marcos sociológicos desta época. “À frente destes jovens não há estabilidade ou certeza, mas sim uma espécie de obrigação de construir a sua marca”, diz o investigador.

É esta “individualização”, este foco numa “biografia do it yourself” que adia essa chegada ao mundo dos adultos. “Se eu faço de uma maneira e outro faz de outra, afinal o que é ser adulto? Quais são os marcadores de sucesso?”, pergunta Daniel Cardoso, sublinhando que esta mentalidade pode ter também um lado muito negativo. “Este discurso pode ser mobilizado negativamente para dizer que se a pessoa não for bem sucedida, a culpa é dela. Este tipo de postura pode promover uma atitude de salve-se quem puder”.

Kim Kardashian vs Malala Yousafzai

Pedro Marques, 19 anos, sente pela geração a que pertence uma desilusão tão grande que preferiu virar-lhe as costas. Quando estava no 11º ano desistiu de estudar e não chegou a concluir o ensino secundário. “Não me sentia feliz”, diz. Agora, passa os dias num atelier na Associação de Artes e Ofícios no Barreiro, onde se dedica aos seus quadros e a ensinar crianças a pintar. Pedro diz ser mais feliz assim. “O meu projecto de vida passa por ter comida para o dia a seguir. Mesmo que fique só a pensar acho que isso já é válido”.

Pensar é aquilo que Pedro acha que a sua geração não faz. “Esta geração… Há uma cena horrível que é o valor do entretenimento. As pessoas deixam de pensar. É uma geração que tem muita dificuldade em interessar-se por aquilo que não lhe é imediato ou está distante, como a guerra na Síria”.

Virar as costas também implica tentar ignorar o que está nas redes sociais, que utiliza para, à semelhança de Inês do Canto, promover o seu trabalho artístico. “No outro dia no Twitter, uma miúda escreveu: ‘Quem precisa de Pessoa e Camões quando há [o rapper] Regula’?”, lembra Pedro, irritando-se e ameaçando atirar com o iPad que tem ao seu lado. “Pensa noutra merda”, diz, como se estivesse a falar com a colega.

Ao desafio de imaginar um quadro que represente a sua geração, Pedro responde com a ideia de retratar os colegas dentro de um smartphone a tirar selfies do lado de fora. “Para ver se os punha a pensar que a maior parte delas está trancada lá dentro”.

O quadro de Pedro é o retrato mais negativo da Geração Z, o retrato que mostra jovens que, incapazes de tirar os olhos do écrã, se esquecem do mundo à sua volta, ignorando aquilo que não diz respeito a si próprios, como sugerem as palavras de Pedro. Uma geração liderada pela socialite Kim Kardashian e obcecada em tirar selfies.

Mas a geração que segue o reality show das irmãs Kardashian é também aquela que pode seguir Malala Yousafzai, a activista paquistanesa dos direitos das mulheres e da luta pelos direitos de educação que foi condecorada com o Nobel da Paz em 2014 e é uma jovem de 18 anos. Ou que pode escolher seguir Martha Payne, a menina escocesa que em 2012, com apenas 9 anos, começou a tirar fotografias das refeições escolares e a publicá-las num blog para denunciar a falta de qualidade das mesmas nas cantinas e incentivando crianças de todo o mundo a fazer o mesmo. O sucesso do blog foi tal que Martha conseguiu angariar dinheiro para a iniciativa de caridade Mary’s Meals, que organiza projectos alimentares em comunidades pobres de todo o mundo. Ou que pode admirar a brasileira Isadora Faber, que também em 2012, com 13 anos, e munida de um telemóvel, criou a página de Facebook “Diário de Classe — A Verdade” para retratar as falhas e as deficiências da sua escola e chamar a atenção para o estado das escolas públicas no Brasil. Isadora tem dado palestras por todo o país, chamando a atenção para o problema. Em 2013, o Financial Times escolheu-a como uma das 25 personalidades brasileiras mais influentes no Brasil.

Tito de Morais, que criou o site miudossegurosna.net, um projecto que ajuda famílias e escolas a promover a utilização responsável das tecnologias, utiliza estes exemplos para exprimir o seu optimismo pelo potencial da Geração Z para mudar o mundo. “Estes jovens mostram que têm estas noções e comportamentos de cidadania. O que poderão fazer quando chegarem a posições de poder?”

Tito de Morais lamenta apenas que em Portugal aquilo que a Geração Z vai dando a conhecer são “os aspectos menos desejáveis, os mais espampanantes, os mais fúteis e os mais negativos”. Por que razão não apareceram ainda jovens tão influentes como nos casos a que nos referimos lá fora? Tito de Morais tem uma resposta clara: “Não capacitarmos os jovens para eles se assumirem como os seus próprios porta-vozes”.

Em Portugal há já alguns casos de youtubers populares que ganham dinheiro com os vídeos que colocam nessa rede social, mas poucos são aqueles que tentam passar uma mensagem que vá além do humor e de relatos mais superficiais. Kiko is Hot, ou Francisco Soares, um jovem Z de 21 anos, estreou-se no Youtube em 2011 e hoje conta com 97 mil subscritores.

A popularidade que ganhou na rede já lhe permitiu ter programas na televisão e participar em campanhas publicitárias, sendo hoje um dos rostos da WTF, o tarifário da NOS direccionado à Geração Z. Francisco Soares decidiu utilizar o Youtube para “fazer as pessoas rir”, mas começou a receber muitos e-mails de pessoas que viam nele um exemplo de coragem. Kiko is Hot tem um look andrógino, utiliza o cabelo comprido e maquilhagem e assume-se na comunidade LGBT. Então, Francisco Soares decidiu começar a abordar questões mais activistas, abordando temas como a auto-estima, a ansiedade, o bullying e as dificuldades sentidas pelos jovens em se assumirem como gays ou lésbicas. “Sigo muitos bloggers e youtubers lá fora que discutem estas questões, mas no panorama português do Youtube não havia ninguém que falasse dessas coisas mais sérias e decidi ser o primeiro”, diz.

Sobre a Geração Z, Francisco Soares diz que é “uma geração com pouca produtividade”, que tem dificuldade em “levar um projecto até ao fim”, mas que é, ao mesmo tempo, “muito empreendedora e tem ideias novas, o que se vê nos exemplos de pessoas que pegaram em câmaras e fizeram carreiras disso”, diz. Mas nota também que um dos grandes traços dos jovens Z é o activismo e a luta pelos direitos feministas, LGBT… “Somos uma geração de transição que está a tentar transformar isto. Quando formos mais velhos acho que as coisas já vão estar muito diferentes. É possível que uma pessoa nasça sem ter na cabeça se será aceite ou não — esse é o meu desejo”.

O investigador Daniel Cardoso afirma que a obrigação de estes jovens criarem a sua marca e a sua “biografia do it yourself” abre também espaço “ao debate de temas que estão relacionados com a sexualidade, identidades de género, estruturas relacionais”. É dada grande visibilidade à história de cada um, ao individualismo, a como cada jovem é único. O psicólogo José Morgado não tem certezas na hora de dizer se esta geração vai ser mais tolerante. Isto porque, apesar de estes miúdos serem “mais abertos e mais flexíveis”, as tomadas de posição que têm muitas vezes “não correspondem a mobilizações activas”.

Inês do Canto, pensando sobre o seu próprio exemplo, faz um retrato muito calibrado da Geração Z. Apesar de lamentar a tendência dos jovens para “desistirem” ao primeiro contratempo, elogia a elevada consciência das dificuldades que o futuro reserva e a capacidade para, como no seu caso, “pensar a longo prazo”.

Essa capacidade também se traduz na forte “consciência política” que nota entre amigos e colegas. “Temos mais noção do que outras gerações de que o Donald Trump [candidato nas primárias americanas pelo Partido Republicano] pode ser um próximo Hitler”. Inês diz que esta geração está empenhada em lutar pela igualdade. “Somos contra o sexismo, o racismo, a homofobia. Eu e os meus amigos tentamos assinar petições ou ajudar alguém que não se sinta bem”, afirma, antes de acrescentar que talvez seja uma “activista hipócrita”, sugerindo que existe uma distinção entre tomar posição e mobilizar-se realmente.

Lamenta que em Portugal não haja figuras de referência jovens e adianta que os seus ídolos são “Francisco Louçã e Mariana Mortágua” porque “pensam como a Geração Z”. Quando lhe perguntamos se está mais à esquerda a nível político, diz que não é de esquerda nem de direita e revela que teria votado em Marcelo Rebelo de Sousa nas últimas presidenciais. “A nossa geração não tem rótulos”, afirma.

Parando para pensar nessa rejeição dos rótulos, Inês diz que existe uma certa cacofonia na sua geração, em que cada um tem o desejo de ser único e de afirmar as suas diferenças. Por isso mesmo, pensa numa expressão para descrever o mundo da Geração Z. “Caos… mas caos consciente”, diz. “Cada um de nós é muito convicto das suas opiniões e, ao mesmo tempo, aberto às opiniões dos outros. Lutamos todos pelo mesmo, mas de maneiras tão diferentes que corremos o risco de nos dispersarmos e não fazermos nada com isso”. E acrescenta: “Espero que não fiquemos overwhelmed com os nossos erros”. Respira fundo e como uma adulta cautelosa e ponderada que aprendeu a sustentar os sonhos e a descer à terra, assegura: “Vamos ficar bem”.

visualizar as fotografias da reportagem no link:

https://www.publico.pt/sociedade/noticia/a-geracao-que-quer-transformar-isto-tudo-1723002

 

Seminário “Efeitos da adição à Internet, videojogos e redes sociais online na saúde mental do adolescente”

Fevereiro 24, 2016 às 11:04 am | Na categoria Divulgação | Deixe o seu comentário
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A data limite das inscrições é 28 de Fevereiro de 2016 e estas processam-se por ordem de chegada

 

Inscrições: http://goo.gl/forms/jseKNCLqY3

http://centroruigracio.esjd.pt/

Internet é nova dependência para jovens suíços

Fevereiro 22, 2016 às 12:00 pm | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
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texto do site http://www.swissinfo.ch/por de 9 de fevereiro de 2016.

Álcool, tabaco, droga, jogos de azar e – pela primeira vez – internet. O “Panorama Suíço da Dependência 2016” revela os comportamentos problemáticos e de risco da população suíça nesses setores. A fundação Dependência Suíça publica números e reclama das autoridades políticas suas reponsabilidades na prevenção.

O relatório afirma que 11 mil pessoas morrem todo ano na Suíça devido a dependência, que também custa 10 bilhões de francos poro ano à sociedade. A novidade da edição 2016 na análise anual da Dependência Suíça é o que aparece como o novo desafio para a sociedade: o uso problemático e a dependência da internet. Foi calculado que a situação escapa do controle para cerca de 70 mil pessoas. O fenômeno é preocupante sobretudo para os jovens, como se pode observar no gráfico.

net

Comunicado de imprensa em francês:

http://www.addictionsuisse.ch/fileadmin/user_upload/PANORAMA_ADDICTIONS_2016.pdf

mais informações no link:

http://www.addictionsuisse.ch/actualites/communiques-de-presse/article/panorama-suisse-des-addictions-2016/

 

 

 

 

(des)Ligados – Reportagem da RTP “Linha da Frente” sobre dependência da internet

Fevereiro 9, 2016 às 8:00 am | Na categoria A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe o seu comentário
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Reportagem da RTP “Linha da Frente” de 23 de janeiro de 2016.

Ver a reportagem no link:

http://www.rtp.pt/play/p2231/linha-da-frente

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Estudo confirma uma geração cada vez mais dependente da tecnologia

Fevereiro 7, 2016 às 1:00 pm | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
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Notícia do site https://www.mais-psi.com de 21 de janeiro de 2016.

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Um estudo recente do Instituto de Psicologia Aplicada (ISPA), em que foram inquiridos jovens portugueses até aos 25 anos, mostra que 70% apresentam sinais de dependência do mundo digital, em que 13% são casos graves, podendo implicar isolamento ou comportamentos violentos e que obrigam a um tratamento. Este estudo foi coordenado pela investigadora Ivone Patrão e confirma os sinais de uma geração cada vez mais dependente da tecnologia. Como exemplo, é relatado o caso de um rapaz que afirma que os seus amigos ficariam zangados caso ele não respondesse rapidamente às mensagens mesmo no horário em que deveria estar a dormir. Assim, este fenómeno pode mesmo conduzir a situações limites em que é posto em causa o bem-estar físico da pessoa.

Um outro estudo de 2014, conduzido pelo Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa (CESNOVA), no âmbito do projeto Net Children Go Mobile, mostra que mais de metade das raparigas (55%) referem usar todos os dias o smartphone, contra 44% dos rapazes. Há também uma evidência do uso excessivo no início da adolescência (11-12 anos) decrescendo no grupo intermédio (13-14 anos), para voltar a subir nos adolescentes mais velhos (15-16 anos).

Este estudo compara ainda a utilização do smartphone com outros países europeus. Constata-se que os adolescentes portugueses apresentam um valor de uso excessivo do smartphone (57%) que é superior à média europeia (48%), aparecendo o Reino Unido no topo (65%). A maioria dos adolescentes portugueses sente a necessidade de verificar o telemóvel sem razão aparente e ficam aborrecidos quando não podem usar o telemóvel por ficarem sem bateria ou sem rede. Cerca de um quinto afirmam mesmo estar menos tempo do que deviam com a família, os amigos ou a realizar as tarefas escolares, confirmando a importância do telemóvel em detrimento de outras formas de relacionamentos ou atividades.

E nos outros Países?

Um estudo coordenado por Ana Paula Correia, professora associada na Faculdade de Educação da Universidade Estatal de Iowa, Estados Unidos, publicado em agosto de 2015 na revista “Computers in Human Behavior”. Esse estudo permitiu identificar quatro características da nomofobia, ou seja, da ansiedade de separação do smartphone:

  • Não consegue comunicar. A pessoa sente-se insegura porque não pode ligar ou enviar SMS para a sua família e amigos.
  • Ausência de conectividade. A pessoa sente que está desligada da sua identidade no mundo digital.
  • Não consegue aceder à informação. A pessoa sente-se desconfortável quando não consegue, por exemplo, obter respostas às suas perguntas no Google.
  • Ausência de conveniência. A pessoa fica irritada porque não consegue terminar as suas tarefas, tais como realizar uma compra online.

Estas representam preocupações distintas que contribuem para a angústia geral das pessoas que sofrem de nomofobia.

O nome nomofobia deriva do inglês no-mobile-phone phobia. É um termo que descreve o medo crescente de ficar sem o telemóvel, representando assim uma ansiedade derivada da separação deste dispositivo móvel, e que está a crescer entre os adolescentes.

O uso excessivo do smartphone é de tal modo grave e tomou tal dimensão nalguns países, como a Coreia do Sul, que obrigou o Ministério da Educação deste país a criar um programa de prevenção e identificação precoce de crianças e jovens em risco. No âmbito dessas ações, o governo sul-coreano lançou uma aplicação para dispositivos móveis de modo a monitorar o uso do smartphone e restringir o acesso a jogos online depois da meia-noite.

Mas, será que eu sou viciado no smartphone?

Reconhece certamente o sentimento de ansiedade quando o bolso parece estranhamente mais leve e descobre que separou-se do seu smartphone. E se utiliza este dispositivo móvel para aceder às redes sociais, provavelmente, o seu nível de preocupação ainda é mais intenso. Mas será que é viciado no seu smartphone?

Estes são alguns dos sinais de alerta:

  • Fico ansioso ou inquieto quando fica longe do meu smartphone
  • Verifico constantemente o meu telemóvel
  • Evito a interação social em detrimento da utilização do telemóvel
  • Distraio-me frequentemente com emails, SMS ou outras aplicações móveis
  • Revelo um declínio no meu desempenho profissional ou académico
  • Acordo a meio da noite para verificar o smartphone

Se respondeu afirmativamente a muitos destes pontos, então poderá estar a sofrer de nomofobia.

Está na hora de fazer uma pausa

Ao longo da minha vida tenho evitado a dependência de coisas, e por isso faço regularmente uma introspeção sofre o meu estilo de vida. Procuro proteger-me de determinados vícios que podem ditar ou comprometer o meu comportamento. Isso inclui a utilização da tecnologia. Reconheço o papel dos computadores, telemóveis e outras tecnologias, que permitem-me trabalhar de forma mais fácil e eficiente, mas, porém, o meu princípio é que a tecnologia deve servir o homem, e não o contrário.

Então, o que devo fazer para ter um comportamento mais equilibrado?

  • Coloco o smartphone a pelo menos 5m de mim quando durmo à noite
  • Durante o dia tenho interações cara-a-cara com outras pessoas, sem interrupções derivadas da utilização do smartphone.
  • Certifico-me que durante o dia tenho um momento de reflexão em solidão com o smartphone desligado
  • Deste modo, durante a semana, equilibro o tempo passado com outras pessoas e ao smartphone.
  • Uma vez por mês desligo o smartphone durante todo o dia. É o dia em que me liberto!

Autoria de PsicoAjuda.

 

The Present – Vídeo

Fevereiro 5, 2016 às 8:00 pm | Na categoria Vídeos | Deixe o seu comentário
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Terapia para os viciados em smartphones

Janeiro 13, 2016 às 6:00 am | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
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texto do http://pt.euronews.com  de 5 de janeiro de 2015.

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visualizar a reportagem no link:

http://pt.euronews.com/2016/01/05/terapia-para-os-viciados-em-smartphones/

Há cada vez mais pessoas viciadas em telemóveis e constantemente ligadas à Internet que procuram ajuda para se libertarem do vício.

A desintoxicação digital é um programa terapêutico nascido nos Estados Unidos que existe hoje em vários países. Em Voltigen na Suíça, o programa de desintoxicação dura três dias.

“De manhã, o alarme toca, pego no telefone e ligo-me à Internet ver as aplicações Whatsapp e Facebook, para ver o que se passou durante a noite. Depois, tomo o pequeno-almoço a ouvir música no Spotify. Estou constantemente ligado à Internet em casa e no trabalho”, contou David, um dos participantes.

O vício da Internet não afeta apenas os adultos. Há cada vez mais crianças que adormecem na sala de aula, depois de passarem noites inteiras agarrados aos smartphones. Segundo um estudo do ISCTE, metade dos alunos inquiridos, em Portugal, afirma que manter o telemóvel desligado causa ansiedade.

“Os smartphones e a Internet são fornecedores de felicidade, assemelham-se às máquinas nos casinos que provocam vício. As pessoas ficam à espera de mensagens de amigos, de notificações. Estamos constantemente sob tensão, o que estimula as nossas emoções. No entanto, 90% das vezes o que se está a passar não é realmente importante”, afirma Alexander Steinhart, o coordenador do programa de desintoxicação digital, na Suíça.

Durante a terapia, os participantes são convidados a fazer mais atividades no exterior, sem ligação à Internet. Aprendem a relaxar e a passar bons momentos fora do mundo digital.

 

 

 

Uma geração de filhos despreocupados com pais preocupados

Novembro 17, 2015 às 6:00 am | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
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reportagem do Expresso de 20 de outubro de 2015.

Gonçalo Viana

Já lhes chamaram egocêntricos, fúteis e encostados aos pais. Hoje, os millennials são vistos como ambiciosos, confiantes, progressistas e versáteis. Estar vivo é o contrário de estar offline, dominam a tecnologia e vão dominar o mundo. Vivem de biscates e aprenderam a ganhar dinheiro com hobbies e negócios que criaram na internet – uma facilidade que os pais não percebem. E a política não lhes interessa: “Esta geração não acha que pode mudar o mundo e não confia nos políticos, nem nas instituições”. O que falta em confiança nos políticos sobra em confiança na tecnologia, através da qual partilham tudo. Até demais.

Bernardo Mendonça  Texto e locução Carlos Paes  Vídeos e animação gráfica Sofia Miguel Rosa  Grafismos vídeo

João Santos Duarte  Edição áudio

#BomDia. Acordar estremunhado, alcançar o telemóvel que repousa ao lado da cama e enviar uma foto à namorada através do Snapchat, mas só apenas durante cinco segundos, para ela não se fixar no cabelo despenteado. Manter em paralelo outra conversa com um grupo de amigos no WhatsApp.

Aproveitar o mood e escrever uma frase bem disposta no Twitter porque está sol e o dia convida à praia e a apanhar umas ondas. Adicionar um vídeo no Instagram com a acrobacia que o gato acaba de fazer a tentar alcançar uma mosca. Partilhar a mesma imagem no Facebook, acrescentar um comentário à maneira e passar os olhos pelas notícias ali partilhadas.

De caminho ir ao YouTube, também através do smartphone, ver alguns videoclips, tutoriais e, de repente, ficar fixado nos bastidores das filmagens de uma cena de luta da série “A Guerra dos Tronos” e partilhá-la igualmente nas redes sociais. Esperar likes. Muitos. Mais do que dez, vinte, já quer dizer que valeu a pena, é como uma série de palmadas reconfortantes nas costas, de “estás a ir bem, pá”.

Nos dias em que os likes são mais do que muitos, a adrenalina é bem maior, e sente-se uma sensação de poder perante uma audiência escolhida. No emprego, voltar a repetir algumas destas ações para manter contacto com a comunidade de amigos e conhecidos. Estar vivo é o contrário de estar offline.

Eles são de fácil adaptação à mudança

Esta é uma das características principais da geração millennials, uma definição criada pelos autores norte-americanos William Strauss e Neil Howe e que engloba os jovens entre os 15 e os 35 anos, filhos da Geração X e netos dos baby boomers, considerados a primeira geração de nativos digitais.

O conceito americano desta geração aplica-se em grande parte ao perfil dos jovens portugueses, embora com alguns matizes. O principal traço distintivo que os une e os define como millennials é terem crescido com acesso à internet e a relação íntima que estabeleceram desde cedo com as novas tecnologias.

“Eles são caracterizados por serem fast adopters, velozes na experimentação e integração do digital no quotidiano. E assumem novos valores, mais focados na experiência e menos no lado material”, aponta Inês Freitas, autora do estudo “Os millennials em Portugal”, pela Escola Superior de Comunicação Social. É o seu caso?

Mais exigentes que todas as anteriores gerações?

João Vasconcelos, presidente da Start Up Lisboa, uma incubadora de ideias, fala dos millennials portugueses como a primeira geração do país preparada e com visão global para competir com os melhores do mundo. “São culturalmente evoluídos, viajados, ambiciosos, com ideias e negócios sofisticados, globais, que têm lugar em Silicon Valley”, assegura.

E dá como exemplos a empresa portuguesa Uniplaces, especialista em arrendamento de alojamento para universitários [que acaba de conseguir o financiamento de €5 milhões junto de investidores] e os Talkdesk, especialistas em software na nuvem, que arrecadaram 15 milhões de dólares (€13,2 milhões) junto de investidores americanos. “Estes nossos jovens têm uma maneira de pensar e viver de acordo com os padrões internacionais. Uma grande diferença em relação à minha geração, a X, em que isso não acontecia de todo. E foi claramente a internet a tornar possível esta democratização do negócio e das ideias”, diz o presidente da Start Up Lisboa.

César Gonçalves, partner da PwC Portugal, partilha da mesma opinião e acrescenta: “Os millennials são mais exigentes do que todas as anteriores gerações. Não procuram trabalho, procuram mais oportunidades e projetos que vão ao encontro das suas realizações pessoais. É uma geração formada por indivíduos com várias competências e grande flexibilidade no trabalho”, avança. Considerada a geração mais influente da história americana, a que fez com que Obama subisse ao poder, os millennials são em maior número e estão a ocupar o mercado de trabalho e a mudar o paradigma de vida e de consumo.

Sabem usar as ferramentas digitais como ninguém, fintam os preços altos e encontram as melhores oportunidades online. “Os millennials caracterizam-se por terem gastos médios diários mais baixos, fruto da pesquisa permanente que fazem [69% visitam os sites de venda de retalho]. Quando entram numa loja utilizam o telemóvel para pesquisar determinado produto e encontrar a melhor oferta ou a oportunidade para adquirir esse mesmo produto de forma personalizada e exclusiva. São um tipo de consumidor exigente, informado, a primeira geração verdadeiramente globalizada. E um desafio para as marcas, pois mais de 60% dos millennials acedem às redes sociais todos os dias”, explica César Gonçalves.

De acordo com um estudo da consultora Boston Consulting Group (BCG), de 2012, no que toca ao perfil de consumo, os millennials revelam uma tendência para a gratificação instantânea, querem o ‘agora’ e o ‘já’ e valorizam a velocidade e conveniência no acesso a produtos e serviços. Têm uma lógica menos materialista e vivem valores mais profundos de felicidade, paixão, diversidade, descoberta e partilha.

Partilhar em vez de comprar

Partilhar é de resto o verbo que mais conjugam. Comprar um carro caro? Não. Contrair empréstimo para uma casa? Nem pensar. Comprar roupas e produtos de luxo? Nunca. Os millennials preferem pedir emprestado, alugar, usufruir em vez de ter. A experiência é a mesma. E estão a dar fôlego a uma nova economia de partilha, é o que aponta um recente estudo da Goldman Sachs. O escritor e economista norte-americano Jeremy Rifkin chegou mesmo a vaticinar que daqui a 25 anos “a partilha de carros será a norma e ser proprietário de uma viatura uma anormalidade”.

Por cá, não faltam sinais a apontar nesse sentido. Começam a abrir lavandarias automáticas nas grandes cidades, a dispensar a compra das máquinas e a maçada da secagem, aumentam as empresas de car sharing, o negócio dos Airbnb, abrem negócios de aluguer de roupas de marca e sites de partilha de filmes, séries e músicas.

Uma geração de filhos despreocupados com pais preocupados

Também nos EUA a percentagem de jovens casados e a viver por sua conta caiu mais de 50% desde 1960. E se em 1970 a média de idade para o matrimónio andava pelos 23 anos, em 2010 subiu para os 30 anos. Em 2011, a esmagadora maioria dos jovens (68%) residia com pelo menos um dos pais e apenas 21% tinham constituído a sua própria família.

Segundo o sociólogo Vítor Sérgio Ferreira, a fase adulta chega mais cedo para os millennials anglo-saxónicos do que para os da Europa do Sul – sejam portugueses, espanhóis ou gregos. “Os da Europa do Sul são mais tardios na transição para a idade adulta. A juventude prolonga-se pela conjuntura económica. Não conseguem sair de casa dos pais, mas têm ao mesmo tempo uma grande liberdade e autonomia. As relações entre pais e filhos nas gerações anteriores eram mais autoritárias. Hoje, a margem de negociação é superior e o controlo dos pais é maioritariamente feito à distância. ‘Não desligues o telemóvel’, pedem os pais que estão no trabalho.”

Sem stress, dizem eles. “Esta é uma geração de filhos despreocupados com pais preocupados”, afirma Luís Pereira Santos, CEO da McCan Lisboa. “Os filhos sentem que podem viver com um grau de dependência dos progenitores, que lhes dão segurança, mas os pais estão apreensivos com as suas perspetivas de trabalho. Os jovens já cresceram sem a ilusão da segurança e do emprego para a vida. Vivem de biscates e aprenderam a ganhar dinheiro com hobbies e negócios que criaram na internet. Uma facilidade que os pais não percebem. Dou como exemplo um miúdo com jeito para o design que, num instante, faz uma linha de t-shirts, cria uma marca, vende online e faz dinheiro. Isto acontece muito com as mais variadas ideias. Ou seja, a forma como os jovens gerem as redes sociais e tiram valor disso dá-lhes uma certa segurança que os pais não percebem.”

O corpo já não é um destino, mas um acessório moldável

São a geração multitasking e slash (os faz-tudo), que se formou em áreas de especialidade mas a quem o mercado de trabalho pediu para serem versáteis e generalistas. E eles adaptaram-se. “Hoje um jovem pode ser ao mesmo tempo designer, tatuador, ilustrador, DJ e barman. A sociedade valoriza cada vez mais a experiência diversificada e as competências informais”, retrata o investigador do Instituto de Ciências Sociais Vítor Sérgio Ferreira, que participou no estudo “Emprego, mobilidade, política e lazer”, do Observatório Permanente da Juventude.

Para os millennials, o mundo, como a carreira, não tem fronteiras. Revelam-se empreendedores e ambicionam chegar a cargos de topo. Mais de um terço dos millennials portugueses (31,2%) mostram predisposição para iniciar o seu próprio negócio em caso de desemprego. Associada à geração do novo milénio está a busca das notícias nas redes sociais, principalmente no Facebook, no caso dos americanos. Os jovens portugueses continuam a usar a televisão como meio principal de informação.

São uma geração focada na alimentação saudável, no desporto e no cuidado com o corpo (fumam menos). Os millennials já não veem o corpo como um destino, mas como um acessório moldável, uma construção de identidade. “É a ideia de que se o corpo já não representa o indivíduo, o indivíduo pode fazer algo para que o corpo o represente melhor. Através de tatuagens, piercings, cirurgias estéticas”, diz Vítor Sérgio Ferreira.

O que é também característico desta geração, bem mais do que nas anteriores, é o desinteresse pela política. Parecem mesmo de costas viradas, como se não fosse com eles. Em Portugal mais de metade dos jovens entre os 15 e os 24 anos (57,3%) revelam não ter qualquer interesse pela política e outra grande fatia, a dos 25 aos 34 anos (87%), responde ter pouco ou nenhum interesse. Apenas uma pequena minoria diz ter “cor política”. Dados preocupantes para refletir e que justificam em parte a maior abstenção de sempre nas últimas legislativas (43,07%). É de esperar que a novela da política portuguesa Passos vs Costa, coligação à esquerda, coligação à direita para a formação do novo Governo, ou a corrida à Presidência da República sejam assuntos a passar ao lado destes jovens…

“Esta geração não acha que pode mudar o mundo e não confia nos políticos, nem nas instituições. Não acreditam que os nossos governantes possam fazer algo pelo país. Eles sabem bem que existem instituições internacionais a ditar as regras e, por isso, demitem-se de participar. Parece-me um dado perigoso . Até porque na Europa há um recrudescimento do nacionalismo e da extrema-direita. Outra explicação que arranjo é que esta geração é herdeira de uma falta de cultura cívica e política. Salazar soube domesticar muito bem as pessoas”, afirma o investigador Vitor Sérgio Ferreira. O que falta em confiança nos políticos sobra em confiança na tecnologia, através da qual partilham tudo. Até demais.

A dependência da internet

Atento a este novo paradigma comunicacional da era digital, o psicólogo João Faria, coordenador do núcleo de intervenção às dependências da internet e videojogos do PIN, Centro de Desenvolvimento Infantil, alerta para o facto de esta geração ter um enorme desafio na gestão do espaço público e privado e com menos tolerância à espera e à frustração.

“O mundo tem-se tornado tão rápido, à distância de um clique, mas ao mesmo tempo continuamos a ter de esperar pelos progressos na escola, pelas notas, por ter uma carreira, por ter um bebé. E os jovens entram em choque entre o mundo imediato e a espera a que a vida obriga. Essa é uma das razões para o crescente número de jovens com dependência da internet e dos videojogos. Porque aí conseguem encontrar a eficácia e o feedback imediato que não encontram, por exemplo, na escola e no emprego. E o meu trabalho é ensiná-los, pouco a pouco, a viver também em modo offline”, esclarece João Faria.

#Boanoite. Novo Snapchat ao deitar. E uma selfie para partilhar.

Texto publicado na edição do Expresso de 27 junho 2015

visualizar os vídeos da reportagem no link:

http://expresso.sapo.pt/sociedade/2015-10-20-Uma-geracao-de-filhos-despreocupados-com-pais-preocupados

 

 

 

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