Quando os pais contratam professores particulares de Fortnite: uns sonham com milhões, outros querem fugir do embaraço na escola

Setembro 2, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do Expresso de 9 de agosto de 2019.

O preço das aulas particulares podem oscilar entre 10 e 25 euros por hora. “Existe uma grande pressão para não só jogar como para ser realmente bom. Não fazem ideia do duro que foi para eles na escola”

A vida de Jordan desenrola-se no quarto da sua casa em Sudbury, Massachusetts. É ali que passa oito, 10 (e às vezes 14) horas do dia. Recebe a sabedoria da escola longe da escola: as lições chegam-lhe via Internet, depois de o pai retirá-lo do liceu. Querem ambos que ele seja um dos grandes no gaming. Na verdade, conta esta reportagem do “Boston Globe”, já é. Começou a jogar numa consola com três anos. Aos sete, era craque no “Halo”. Aos 12, ganhou o primeiro torneio de gaming, metendo no bolso quase 1800 euros (em acessórios para jogar). O pai de Jordan, antes de as coisas começarem a traduzir-se em dinheiro, investiu 27 mil euros em tecnologia de ponta para Jordan brilhar. As férias e jogatanas de ténis ficaram suspensas. O foco é treinar e ser um dos melhores no jogo Fortnite. Perante as vozes que censuram este jeito de viver, o pai diz que se fosse outra área, como piano ou representação, as reações seriam diferentes.

A cenourinha, que é como quem diz o objetivo, passa por viver numa casa com uma equipa, onde comem, dormem e treinam juntos. Não seria “Eight days a week”, como cantavam os Beatles, mas quase. “Eu só quero fazer dinheiro suficiente para não ter de trabalhar durante a minha vida”, disse àquele jornal norte-americano. Até julho, o rapaz de 16 anos somou, pelo menos, 99 mil euros. Jordan Herzog, conhecido por “Crimz”, qualificou-se para o Campeonato do Mundo de Fortnite, que, somente pela participação, lhe valeu quase 45 mil euros.

Esta história demonstra uma franja do impacto que tem tido pelo mundo fora. De acordo com o site “Portugal Gamers”, todos os meses este jogo angaria qualquer coisa como 268 milhões de euros nas compras e vendas de itens e skins. O fenómeno atrai também ações ilicitas, como o Expresso contou neste artigo de dezembro: na altura, a BBC denunciava que existem hackers que roubam contas privadas e que as vendem, variando o valor consoante a qualidade ou raridade da personagem ou acessórios.

E, agora, conhece-se ainda outra variante: pais que contratam professores de Fortnite para os filhos, uma realidade que está em crescendo nos Estados Unidos, até porque há universidades daquele país que têm desenvolvido as suas equipas de eSports, como acontece com os atletas de basquetebol ou outros desportos, culminando assim em bolsas e ajudas no ensino superior.

Esta história, publicada esta sexta-feira no “El Mundo”, revela que os professores/treinadores/explicadores deste jogo são tão fáceis de encontrar como os que ensinam disciplinas tradicionais. Há sites especializados na temática e os professores são avaliados pelos alunos – a informação é pública. Aquele periódico espanhol dá conta de uma página na Internet em que há 100 pessoas disponíveis para o trabalho. O custo oscila entre 10 e 25 euros por hora.

O “Wall Street Journal”, a base da história publicada pelo “El Mundo”, tentou descobrir por que razão os pais escolhem pagar a alguém para afinar a capacidade para jogar do filho… e o entretenimento tem pouco a ver com esta conversa. As conclusões, à boleia das explicações dos pais, falam em pressão social e aspirações económicas. Não é diferente do que se vê em equipas de desporto na infância e adolescência, por exemplo. A forma como se é visto por outros (até longe do gaming, na escola também), o estatuto entre pares. Mais: teme-se que a falta de perícia no Fortnite conduza a casos de bullying ou brincadeiras de mau gosto.

“Existe uma grande pressão para não só jogar como para ser realmente bom. Não fazem ideia do duro que foi para eles na escola”, desabafou uma mãe àquele jornal norte-americano.

O Fortine é um jogo de guerra online em que o objetivo da personagem controlada pelo jogador é ser o último a cair. No fundo, é correr pela sobrevivência, escapar ao destino fatal, eliminar zombies, encontrar armas e construir fortes para proteger preciosidades. É assim que ganha forma uma das sensações do mundo dos videojogos na atualidade. Espalhados pelo mundo, estão mais de 200 milhões de jogadores.

“Eu sei onde estás e quero explicações” — para alguns jovens, a violência no namoro é vivida online

Abril 6, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 25 de março de 2019.

Nuno Rafael Gomes (texto) e Miguel Cabral (ilustração)

Os jovens denunciam mais, mas ainda lhes é difícil sair de relações abusivas. Quando os telemóveis e as redes sociais entram nas relações, descodificam-se as desconfianças através de partilhas de passwords. É preciso “falar destes assuntos na escola”, avisam especialistas.

Bárbara (nome fictício) chegou a Portugal há pouco mais de meio ano. Saiu do Brasil para estudar e trabalhar no Porto, onde o seu namorado de há quatro anos — também ele brasileiro — se tinha estabelecido “poucos meses antes” da sua chegada. Ela tem 23 anos; ele, 40. Descreve-o como “uma pessoa descontrolada”. Já Maria terminou uma relação depois de o então namorado lhe esconder o telemóvel “para ler as mensagens”. “Também queria controlar o que eu vestia e isolou-me dos meus amigos.” Para Carla (nome fictício), alguns dias do Verão de 2017 foram “bastante complicados”. Depois de “acabar” com o namorado, recebeu a mensagem: “Não te esqueças que sei onde trabalhas.” Deixou de colocar a localização nos seus posts.

Estes são apenas três casos que reflectem algumas conclusões apontadas por dois estudos apresentados em Fevereiro: o da associação Plano i, Violência no Namoro em Contexto Universitário: Crenças e Práticas, e o da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), Violência no Namoro 2019. Há um aumento na taxa de violência psicológica entre os jovens, que cada vez mais adoptam “crenças conservadoras”. Também há uma maior sensibilização para o tema. A ameaça via telemóvel (com mensagens como “eu sei onde estás e quero explicações”) ou nas redes sociais preocupa não só as duas organizações, como também a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV).

Mas vamos por partes. Para Bárbara, “a violência verbal sempre existiu”. “Já existiu violência física e ele já me prendeu num ‘mata-leão’ [golpe de estrangulamento das artes marciais japonesas] até eu desmaiar”, conta. Isso foi no Brasil. Numa viagem a Paris, agrediu-a na rua. “Chutou-me e eu estava jogada no chão. Ninguém fez nada.” Prefere o anonimato porque tem medo que se descubra. Ainda vivem juntos. “Não tenho para onde ir. Não tenho como pagar renda sozinha, tenho de pagar propinas também.” Para Bárbara, a solução seria “morar noutra cidade ou arranjar um emprego longe” para fugir ao companheiro “controlador” que não gosta que ela tenha “uma educação, uma profissão, amigos”. “A situação está mais tranquila porque estou poucas vezes em casa, por causa do trabalho e da faculdade”, acrescenta. Ainda assim, já foi ameaçada pelo companheiro por recusar ter relações sexuais.

Situações como a de Bárbara não são desconhecidas de organizações portuguesas que lidam com a violência doméstica — e não só. “Estes processos são difíceis e não são imediatos, mas têm solução”, garante Daniel Cotrim. O assessor técnico da direcção da APAV, responsável pelas áreas da violência doméstica e de género e da igualdade, ressalva que é importante dizer que não se consegue interromper “o ciclo da violência” rapidamente.

“O essencial é pedir ajuda à APAV no sentido de podermos informar e apoiar as vítimas”, sublinha. O número de denúncias por jovens vítimas de violência no namoro “tem aumentado”. Não quer dizer “que tenha havido um aumento generalizado de situações ou que há um fenómeno”. Mas “as pessoas estão mais informadas e sensibilizadas, tendo um maior conhecimento sobre isto”.

Opinião semelhante tem Mafalda Ferreira, criminóloga e coordenadora executiva do programa UNi+, da associação Plano i, vocacionado para a prevenção da violência no namoro em contexto universitário: “Até os casos recentes podem dar a sensação de que há mais casos; o que se passa é que o problema é mais visível.” E o mesmo observa a ILGA — Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual, Trans e Intersexo: “Em termos proporcionais, é igual. Tem mais que ver com quem denuncia”, adianta Sara Malcato, coordenadora de serviços e psicóloga clínica da associação.

“Desligava a Internet só para não falar com ele”

Dos 2683 universitários auscultados na investigação da Plano i, mais de metade confessaram ter sofrido “pelo menos um acto de violência no namoro”: 54,5% das mulheres e 55,3% dos homens inquiridos disseram ter sido vítimas de algum tipo de violência — e 34,5% assumiram ter praticado pelo menos um acto de violência.

No estudo da UMAR deste ano lê-se que a “principal forma de violência no namoro” é a psicológica. Em quase cinco mil inquiridos, 34% apontam esta como a tipologia de violência mais presente nas suas relações — e isto representa um aumento de 19% face aos dados de 2018. No mesmo estudo lê-se que “58% dos jovens que namoram ou namoraram dizem já ter sofrido uma qualquer forma de violência por parte do companheiro e 67% acham isso natural”.

“Há formas de violência que são mais facilmente identificáveis do que outras. A violência verbal e emocional que é perpetrada online tende a ser minimizada e até desconhecida”, conta Mafalda Ferreira. Foi o que aconteceu com Carla, estudante de 21 anos de Viana do Castelo, numa relação que manteve durante quase dois anos. Conheceu o ex-namorado “no ano de caloira”, aos 18 anos. “Cheguei ao Porto e não conhecia ninguém do curso. Ele é de lá e também do meu curso. Foi um dos primeiros amigos que tive e fez-me sentir acolhida”, recorda. Rapidamente começaram a namorar. “Nos primeiros meses fui muito feliz. Depois, começou a ficar estranho.” Se Carla não lhe respondesse às mensagens, “é porque estava com outros”. E mais mensagens (e desconfianças) chegavam.

“Às vezes desligava a Internet só para não falar com ele. No dia a seguir, as minhas amigas lá lhe diziam que não lhe respondia porque tinha adormecido”, explica. “Ou então deixava de ‘postar’ fotos com a minha localização no Instagram para não receber perguntas dele.” Recebia-o em casa e discutiam, deixou de estar tanto com os amigos e, a certa altura, começou a acreditar no que ele lhe ia dizendo: “Ninguém gosta de ti para além de mim.” Quando Carla tentou acabar a relação, sentiu-se emocionalmente chantageada e repensou a decisão: “Dizia-me que, se acabasse com ele, desistia da universidade.” Mais tarde, terminaria “de vez”. “Aí ele disse: ‘Não te esqueças que eu sei onde trabalhas. Um dia apareço lá.’” Nunca apareceu no bar onde trabalha no Verão, “felizmente”. Mas Carla ainda receia represálias, daí não assumir a sua identidade real.

No caso de Maria Figueiredo, copywriter de 26 anos de Vila Nova de Gaia, o telemóvel também teve o seu peso no controlo por parte do ex-namorado. “Tinha 18 anos na altura. Lembro-me que acabei a relação depois do Paredes de Coura de 2012.” Durante o festival, o então namorado roubou-lhe o telemóvel “para ver as mensagens”. Foi a gota de água.

Mas havia muito que sentia que tudo o que fazia era “diminuído” e “desvalorizado”. Sentia-se “quase perseguida”. E chegou a dar-lhe a “password do Facebook”. “Insistiu que devia ter e eu dei”, conta.

Mafalda Ferreira, da Plano i, adverte: “A partilha das passwords, que surge como algo romantizado, não passa de uma prova de desconfiança.” O entendimento deste pedido como “acto de amor” dificulta, na sua opinião, “o facto de a vítima reconhecer a sua relação como violenta”. Daniel Cotrim acredita que há soluções — para adolescentes e pré-adolescentes. “É importante falar destes assuntos nas escolas sem os culpabilizar”, defende, apontando ainda que, “nos casais em que isto acontece, este controlo e falta de privacidade são vistos quase como naturais”.

Falando pela associação, realça: “A APAV defende que se deve reduzir [nas horas de ensino de] Matemática e Português para trabalhar a questão da igualdade de género, cidadania e inteligência emocional.” Isto porque os adolescentes “estão na fase de identificação de grupos de pares e há o medo de ficarem sozinhos”; assim, “estes rapazes e raparigas demoram muito tempo a denunciar porque não querem sair daquele grupo”. Quanto às redes sociais e aos telemóveis, Mafalda Ferreira esclarece que, de acordo com o estudo, “neste tipo de violência” é comum haver ao mesmo tempo “duas vítimas e dois agressores”: cada elemento do casal pode assumir ambos os papéis em momentos diferentes.

O problema da “masculinidade tóxica”

No estudo da Plano i, há percentagens significativas que apontam para crenças “bastante conservadoras”. “As respostas que obtivemos reflectem o que a pessoa pensa, sofre ou pratica, analisamos crenças e práticas”, começa por explicar Mafalda Ferreira. “Assim, 12,7% das mulheres e 27,9% dos homens concordam que algumas situações são provocadas pelas mulheres.” Mas há mais: a mesma percentagem de inquiridos acredita que “meninos e meninas devem ser educados de forma diferente” ou que “homens e mulheres devem ter deveres e direitos diferentes”. Muitas vezes, tanto o agressor como a vítima concordam com estas ideias. Daniel Cotrim corrobora: “Há uma herança transgeracional. Os pais já viviam questões de violência, por exemplo.”

A coordenadora executiva do UNi+ e o assessor técnico da APAV indicam que, quando o rapaz é o agressor, as tipologias dominantes de violência são “a sexual e a física”. No caso das raparigas, “é mais psicológica e verbal”. “Para os rapazes, não é normal serem vítimas de raparigas. Tem a ver com as raízes das questões da masculinidade”, diz Daniel Cotrim.

Os rapazes têm dificuldade em assumir que são vítimas de violência no namoro — sejam eles hetero ou homossexuais. “Por um lado, tem que ver com a dita masculinidade, de existir um papel de género que levanta sentimentos de vergonha”, explica o psicólogo e técnico da APAV. “Depois, há a questão dos pares. O pânico de o grupo saber.” Para além disso, de acordo com um estudo de 2017 da Universidade do Minho, a maioria dos homens vítimas de violência doméstica acha que é inútil apresentar queixa. “Ainda há um pensamento associado à forma com que as instituições como a polícia, os tribunais e organizações como a APAV os vão ver”, explica. “É preciso dizer que as organizações estão preparadas para trabalhar com eles”, ressalva.

A questão da “masculinidade tóxica” também se observa quando se fala de violência no namoro em relações homossexuais, principalmente “em casais de homens”, afirma Sara Malcato. “A comunidade não está fechada numa redoma. Também há pessoas LGBTI transfóbicas e homofóbicas.” Isso tem que ver “com um grande dilema entre aquilo que a pessoa crê e o que sente”. E “há um aumento crescente” de crenças mais conservadoras devido “à própria internalização da homofobia”.

Em 2018, segundo dados enviados pela ILGA ao P3, foram atendidas 409 pessoas no serviço de apoio à vítima da associação — o grupo dos “homens cis gay” (pessoas cujo género é o mesmo que o designado no nascimento que têm sexo com outros homens) foi o que mais recorreu a esta ajuda (75 utentes). A maior parte das queixas refere-se a casos de violência familiar, mas 38 pessoas queixaram-se de terem sido vítimas de assédio ou de violência na intimidade.

Daniel Cotrim diz que não existem muitas campanhas em redor da violência em casais LGBTI. Contudo, há casos a chegar à APAV. Apesar de “não existirem grandes diferenças em relação à violência heteronormativa”, há situações concretas e específicas: “A questão da ameaça de outing”, de expor a orientação sexual ainda não publicamente assumida de alguém, é uma delas.

Maria diz faltarem “campanhas com maior impacto”, mas ressalva: “Já se faz alguma coisa.” Exemplo disso é a campanha #NamorarMemeASério, lançada pela secretaria de Estado para a Cidadania e a Igualdade que contou com a participação de algumas figuras públicas. Ou então a revista GQ que na capa da edição de Março ordenou: “Se agride uma mulher, não compre a GQ.” Já no Porto foi aprovado recentemente, tal como já existe noutros locais, o Plano Municipal de Prevenção e Combate à Violência Doméstica e de Género

“A violência isola” — e “com mais prevalência nos casais do mesmo sexo”, realça Sara Malcato. A rejeição pode vir “dos pais, da família e dos amigos”. Quando não isola, esconde-se atrás de publicações nas redes sociais, seja qual for a orientação sexual. “Para os meus amigos, estava tudo bem”, diz Carla. Hoje, tem uma “relação saudável” com um rapaz que lhe dá espaço. “Agora falo disto tranquilamente. Na altura, foi muito complicado. Só a minha mãe sabia de tudo”, recorda.

Do caso de Bárbara, pouca gente sabe: “Contei a uma colega e à minha psicóloga.” Continua a publicar piadas e selfies no Instagram — para quem a vê pelas redes sociais está tudo bem. Não apresentou queixa, tal como as restantes entrevistadas. “Pensei sempre: ‘Logo, logo me livro dessa situação.’”. Às vítimas de violência no namoro e/ou doméstica, aconselha o “amor-próprio” que tem vindo a reconquistar. E a procurarem ajuda — mas Bárbara ainda não o fez.

 

 

Já está disponível para download o InfoCEDI n.º 72 sobre Segurança Infantil na Internet

Outubro 27, 2017 às 1:30 pm | Publicado em CEDI | Deixe um comentário
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Já está disponível para consulta e download o nosso InfoCEDI n.º 72. Esta é uma compilação abrangente e atualizada de dissertações, estudos, citações e endereços de sites sobre Segurança Infantil na Internet.

Todos os documentos apresentados estão disponíveis on-line. Pode aceder a esta publicação AQUI.

Partilhar fotos íntimas ou insultar? Normal

Fevereiro 14, 2017 às 1:30 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.dn.pt/de 13 de fevereiro de 2017.

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DN/Lusa

Um em cada quatro jovens acha normal partilhar fotos íntimas ou insultar nas redes sociais

Um em cada quatro jovens considera normal partilhar fotografias íntimas ou insultar alguém através das redes sociais, de acordo com um estudo da UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta, a ser divulgado na terça-feira.

O estudo sobre violência no namoro “apresenta dados preocupantes”, dos quais a UMAR, num comunicado hoje divulgado, destaca que 24% dos jovens inquiridos “considera normal partilhar fotos íntimas ou insultar através das redes sociais” e 14% “legitima a violência psicológica”.

Dos cerca de 5.500 jovens inquiridos no estudo, 19% “já foi vítima de violência psicológica”.

O mais recente estudo da UMAR sobre Violência no Namoro é apresentado na terça-feira, Dia dos Namorados, em Lisboa, numa conferência de imprensa que contará com a presença da secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Catarina Marcelino.

 

 

 

Seminário “Contra o Discurso de Ódio Online: uma Campanha em Movimento”

Outubro 19, 2015 às 8:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Seminário «Contra o Discurso de Ódio Online: uma Campanha em Movimento»
Realiza-se, no próximo dia 23 de outubro, o Seminário «Contra o Discurso de Ódio Online: uma Campanha em Movimento», que terá lugar nas instalações do Centro de Juventude de Lisboa do IPDJ, entre as 9h30m e as 17h30.
Este seminário, promovido pelo IPDJ em colaboração com os membros do Comité, decorre no âmbito das ações da Campanha Movimento Contra o Discurso de Ódio – Jovens pelos Direitos Humanos Online e nele será feita uma avaliação da 1.ª fase da Campanha, bem como lançadas novas ideias e perspetivas para a continuação da mesma até final de 2017.
As inscrições são gratuitas, e devem ser feitas para o e-mail
| comunicacao@ipdj.pt

Para mais informações sobre o programa, consulta este link:
https://www.facebook.com/campanhaodionao.

 

Há postais do Dia da Mãe que não vai querer receber. Este é um deles – Vídeo

Abril 1, 2015 às 8:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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texto do site http://www.respectzone.org

L’Initiative de Prévention de la Haine, association sans but lucratif créatrice du label Respect Zone, lance le clip vidéo « La Carte », une minute de silence en images contre la cyberviolence et proposant l’usage du label Respect Zone.

Ce film, dont la date de sortie coïncide avec celle de la Journée de l’Internet Sans Crainte le 10 février 2015, porte la triple ambition de sensibiliser les parents à la violence des échanges de leurs pré-ados et ados sur les réseaux sociaux tout en faisant prendre conscience aux enfants que l’expression sur ces mêmes réseaux sociaux peut heurter et en proposant une solution simple, pratique et ouverte à tous.

Ce projet a pu voir le jour grâce à la mobilisation conjointe de Control Films (production du film), de plusieurs entités du groupe WPP dont l’agence de communication JWT qui a offert le clip et Hill+Knowlton Strategies (promotion auprès des médias et de la sphère digitale) avec l’aide de Kantar Media.

Aujourd’hui, les insultes et la violence verbale sont monnaie courante sur le Net dès l’entrée en classe de 6ème. JWT a choisi un angle créatif et original pour débanaliser cette violence. Le clip « La Carte » a été développé pour sensibiliser les parents sur l’urgence pour eux à aborder, avec leurs adolescents, la portée de leur comportement en ligne. La campagne vidéo interpelle les parents sur le fait que leur enfant agit en harceleur potentiel dès l’entrée au Collège. Avec cette campagne, on s’intéresse – à l’opposé de ce qui est fait habituellement – à la prévention du geste de harcèlement. L’originalité de ce clip est de provoquer une prise de conscience des parents qui craignent naturellement que leur enfant soit harcelé, mais pas qu’il soit dans la position de harceleur.

Ler todo o texto no link:

http://www.respectzone.org/fr/blog/actualites/view/20

 

Cyber Safety for Kids, 20 Most Useful Recommendations

Janeiro 12, 2015 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do site http://nobullying.com  de 4 de junho de 2014.

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What can one do about Cyber Safety for Kids? While the Internet may arguably be one of the most wonderful things invented by human beings, it is nevertheless also one of the most complicated, far-reaching, and potentially dangerous environments on earth.

Is it any wonder, therefore, that several whole new industries (social media networking, e-commerce, e-publications, etc.) have arisen expressly because of the Internet? Just as assembly-line manufacturing created millions of jobs in the early 1900s, the Internet has created as many jobs globally.

This economic well-being, however, has come with its own headaches and tribulations.

Cyber-crime, Anyone?

The Internet has, incredibly, also brought in a whole new market of criminal activity. In fact, Cyber-crime is changing many of the strategies and objectives of the law enforcement community.

“Virtual crimes,” as these illegal activities are sometimes called, however, are anything but “virtual,” especially when they refer to the abuse, mistreatment and physical harm of some of society’s most vulnerable citizens: children.

Cyber Safety for Kids: “Would You Let Your Children Drive Your Car?”

Many parents/guardians who would never let their children drive a car often let their children use the Internet without any kind of meaningful preparation or supervision. This is a huge mistake!

In general, children do not have the maturity, personal skills, or knowledge to safely navigate the Internet on their own. This does not mean that you have to keep them away from the Internet altogether or that you have to constantly supervise them but it does mean that you have to help them develop the skills they will need to stay safe.

Before you allow your child to use the Internet, give them a thorough introduction into what they can and cannot do while on the Internet. This means not assuming that your child knows what you know or that they are intelligent enough to figure it out on their own.

Cyber Safety for Kids also means setting boundaries, giving them strict rules to abide by (with negative consequences, such as loss of computer privileges, if they refuse to abide by your rules), and using every tool available (direct supervision, screening software, permission to use only approved sites, etc.) to make sure your child stays safe.

Cyber Safety for Kids: What Are the Consequences of Not Preparing Your Child for the Internet?

Children will be approached by predators posing as someone else while on the Internet. This is a fact you need to accept with Cyber Safety for Kids. In fact, children need to understand that the Internet is not like school, a local park, or a local movie theater. The person emailing, texting or blogging with them may not be who they say they are—in fact, they can be someone much older and with intentions to seriously harm them.

More on Cyber Safety for Kids

Children have been sexually abused, kidnapped, or, in the worst cases, murdered by someone they met on the Internet. Internet abusers, unfortunately, are fully familiar with all the vulnerabilities children succumb to, including:

Natural curiosity—a desire to learn more, as quickly as possible, especially about “adult” things.

Sexual development issues—especially for older kids, there is an intense desire for them to explore their sexuality. This is one big reason for blocking out pornographic sites from your home computers. These pornographic sites are easily accessed, poorly protected from minors and are often used by child predators to find victims.

A desire to please/obey adults. Unfortunately, the same respect a parent depends on to keep a child safe is the same tool some predators will use to lure children into compromising situations. A child will easily listen to another “child” writing to them but they may also listen to someone identifying him/herself as an adult but who has bad intentions, especially if the person identifies him/herself as a friend of the family.

Fear of punishment if they tell parents/guardians. Children, assuming they ever realize the danger they are in, may withhold important information from a parent/guardian because they fear they will be punished. Child predators count on that fear and may even remind children not to tell anyone, otherwise they will face punishment.

Cyber Safety for Kids: What Can Parents Do?

Fortunately, there are many resources on the Internet for parents/guardians who want to keep their children safe. You need to fully familiarize yourself with these resources. Also, connect with organizations and law enforcement agencies, perhaps finding out how you can help make the Internet safer.

The good news with Cyber Safety for Kids is that many individuals and organizations are working frantically to make the Internet safer and to keep children from harm. You as a parent/guardian can achieve Cyber Safety for Kids and do your part by considering/adhering to the following proactive steps:

Purchase and install into all the computers (including Internet-accessing mobile devices: tablets, laptops, smart phones, etc.) your kids can get access to in your home parental limiting and Internet screening programs. They can block access to certain sites, help monitor your children’s Internet activities, and, as an added bonus, actually help protect your computers from viruses, spam ware, and other things that pose dangers to you personally.

Make sure you computers are in high-traffic, easily visible areas—this discourages the use thereof for inappropriate purposes.

Spend some time using the Internet with your children; ask them to take you where they like to go. Show them what you like to do while online. The idea is to establish “virtual” relationships with your kids and to keep open the channels of communication with them. You don’t need to keep them from the Internet but, rather, to help them use it more intelligently/warily.

Keep tabs on who your children are communicating with online—this is not spying but being responsible/caring parents/guardians. Your children may unknowingly be communicating with a serial killer or a child molester. You would be able to tell what is suspicious—most children, however, lack the skills to tell what is suspicious and what is “normal” communication.

Openly discuss anatomy with your children. Let them know it’s not normal for anyone to address such a subject over the Internet.

Let you children know that you would be happy to see them make new friends over the Internet. The only rule (and you must explain to them why having such a rule is so important) is that you must meet this “new friend” before they can meet with them. Offer to take them to the public place that’s been pre-arranged. Telling your children, instead, that they cannot go meet anyone on the Internet may only make them rebel and seek out their own means of transportation for a meeting. It’s better to accommodate your children’s desires than to simply pretend they will blindly obey your demands.

Don’t automatically punish children if they do something dumb while online. You may unwittingly encourage them to just not tell you anything next time. You want to encourage your kids to openly discuss things with you and to trust that you will listen to them instead of taking rash, anger-focused action.

Pay attention to signs that your child has become more inclined to turn to a new friend online. If your child is withdrawn or naturally introverted, for example, he/she may more likely reach out to someone who appears to want to “talk” to them. Unfortunately, children may find comfort in the anonymity of the Internet. Sharing special, hidden feelings with an understanding, good-listening-skills new friend may be just what the child needed.

Don’t ignore anything suspicious or troubling you find on your child’s computer or their communication online. If you, for example, see a name on an email you don’t recognize, ask the child about it. Don’t be afraid to do your own investigating. You can either respect your child’s privacy or you can make sure they are safe and secure—which is more important to you?

Be wary of any gifts, mail/email, packages, or texting from total strangers for your child; if the child refuses to say who the person is or makes it a point to keep the material hidden, this is a “flag” you simply cannot ignore.

Use tools other than the Internet to spot trouble. If you, for example, see strange phone numbers in your phone bill, letters addressed to your child, or other “signs,” investigate them thoroughly.

Make sure you save all communication from potential child predators. Some parents, out of anger, will erase emails or clean out their children’s computer, hoping that by doing so, the problem will go away. This will only, though, erase potential evidence/tracing material the authorities may find useful.

Don’t be afraid to contact law enforcement with questions, complaints or a request for an investigation. Fortunately, law enforcement agencies today take internet safety for kids (including cyber bullying, bullying in general, potential predators, etc.) very seriously. Accordingly, they have departments and personnel who now concentrate exclusively on this ever-expanding, still-mostly-unresolved area of crime.

Keep handy contact information useful for reporting incidents and getting more information (e.g., the CyberTipLine, 1-800-THE-LOST or www.cybertipline.com). You never know when you may need it.

Promptly report/take legal action when an incident occurs. Waiting may impair the opportunity to prosecute someone; you may also unwittingly give predators the opportunity to erase/get rid of valuable evidence.

Use what are being called “Internet Safety Pledges”—in essence, these are agreements between you and your children that they will abide by certain specific rules and principles.

Encourage your kids to report any instance of bullying or cyber bullying. Some children may have to be told what this is and why they don’t have to put up with it. Make sure your own child is not guilty of bullying or cyber bullying.

Find interactive games and activities on the Internet that will help teach your children about what to do and not do while online. These can help educate you and the kids, while at the same time letting you have some fun. One excellent example is the “Webonaut Internet Academy.” It allows participants to watch cartoon figures as they casually talk about things that might otherwise be boring to listen to. Kids may not realize that they are being educated but, when it comes to young people, you need to keep it as entertaining as it is educational.

Explain to your kids what some typical Internet crimes are, including stalking. Kids that are not sheltered from the bad things in the world are better able to defend themselves against it.

Let your children know what a responsible Cyber citizen is. There are rules in Cyber space and, by following them, children can stay safe and secure.

Cyber Safety for Kids: Conclusion

When it comes to cyber safety for kids, you need to stay on your toes and be proactive. Yes, you can trust children to some extent and give them some freedom—you can even respect their privacy.

On the other hand, if you want to protect them from bullying, cyber bullying, and other crimes, you have to take aggressive action, which may include looking at their emails. This is your responsibility as a parent or a guardian—are your children worth the extra effort? Do you need to implement Cyber Safety for Kids?

 

 

CONNECTED DOT COM: Young People’s Navigation of Online Risks

Março 10, 2014 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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This study explores young people’s use of social media, the dangers faced online, and the ways in which young people negotiate their own safety online. It was conducted through focus groups in 93 schools across SA in tandem with the 2012 National School Violence Study. Download the publication [PDF]

Maria, a tocadora de harpa

Agosto 30, 2013 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo do Público de 23 de Agosto de 2013.

Maria, a tocadora de harpa

O artigo contém o seguinte texto de Andreia Sanches:

Cyberbullying como funcionam os recreios virtuais : “Ela é um lixo. É gorda, feia, horrível. Gozem com ela no Ask dela”

 

 

Ask.fm. O site perigoso em que os miúdos se insultam mortalmente

Agosto 22, 2013 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do i de 22 de Agosto de 2013.

Por Marta F. Reis

O suicídio de uma adolescente levou empresa a mudar regras, mas só a partir de Setembro. Na comunidade portuguesa as ofensas são comuns

Não é uma tradução. É uma pergunta recebida na segunda-feira por uma adolescente portuguesa de 13 anos na rede social Ask.fm: “Eras capaz de te matar?” Ana (nome fictício) respondeu: “Eras capaz de dizer quem és?” Não é preciso navegar muito pelo site para chegar a perfis de miúdos mais novos, com conteúdos ofensivos e até “perversos”, para usar o adjectivo com que o primeiro-ministro britânico David Cameron classificou o site após o suicídio de uma adolescente de 14 anos, que terá sido vítima de bullying online nesta plataforma.

A empresa que gere o Ask.fm anunciou esta semana que pretende tornar o site mais seguro, com informação para pais e botões mais visíveis para denunciar agressões. As intenções são conhecidas menos de um mês depois da morte de Hannah Smith, a quinta associada a bullying nesta rede social, mas as alterações só entrarão em vigor em Setembro.

Apesar da polémica, as perguntas inofensivas e até filosóficas na rede social, como “achas que o dinheiro pode comprar o amor?” continuam a coexistir com insultos e exposições de privacidade, mesmo por quem nem tem idade para ter conta no Ask.fm, só para maiores de 13 anos.

A comunidade portuguesa na rede não é excepção. Uma rapariga de 11 anos, do Norte do país, publica diariamente vídeos de resposta a desafios como “mostra os lábios pintados” ou “como estás vestida”. Dois gémeos de 16 anos fazem o mesmo. “Puta é quem te fez as orelhas”, responde outra adolescente às críticas de um anónimo que dá a entender ser uma ex-amiga a quem roubou o namorado.

Na parte institucional dedicada à segurança, e enquanto não mudam as regras, há notas de preocupação: recomenda-se a denúncia de conteúdos ofensivos e que se fale com adultos se forem alvo de agressões. Por outro lado, é possível alterar as configurações para só receber perguntas identificadas. Mas alguém o faz numa rede social em que o objectivo é perguntar e responder e o anonimato – na gíria da rede social “anon” – faz parte do desfile de perguntas, elogios e críticas em que assenta a dinâmica da rede. Esta solução não passou pela cabeça de Pedro (nome fictício). Tem 15 anos e é um dos adolescentes que contactámos através da rede social. Aderiu em 2012 e já foi ofendido por anónimos: “Chatearam-me por ter acabado com a minha namorada e no dia seguinte terem–me visto com outra rapariga”, conta. Chamaram-lhe “player”, insulto para quem anda sempre a trocar de companhia. “Não fiquei abalado, tenho uma maneira de ver simples: quem critica em anónimo desce a um nível baixo e não me afecta muito.” Se no seu caso a distinção basta, já teve de aconselhar a melhor amiga a desactivar a conta por causa dos insultos. “Os pais não têm noção do que se diz, muitos nem têm conhecimento de que a rede existe e não podem ajudar os filhos”, diz.

O ask.fm pode ser seguro? A pergunta foi feita pelo “The Guardian” após a morte de Hannah Smith, de 14 anos. Em Inglaterra, além do apelo de Cameron ao boicote deste tipo de sites, o Partido Trabalhista quer uma comissão parlamentar para propor medidas, a começar por mais informação nas escolas. Mas como evitar que um site com atmosfera de recreio, como descreveu o jornal britânico, não seja perigoso? E que isso, se acontece nesta rede social, não aconteça noutras? Tânia Paias, psicóloga especialista em ciberbullying, diz ao i que mais que haver um espaço online de perguntas e respostas, adultos e educadores devem ter uma função mediadora das discussões, o que implica ter noção de que existem. “Eles falam de temas de forma aberta, mas apresentam muitas vezes as questões sem filtro e são muito permeáveis”, avisa. Os pais devem fazer um esforço por estar a par, mesmo que não gostem de tecnologias.

A capacidade de prevenir situações prejudiciais vai depender da relação de confiança com os filhos, sendo o ideal fomentá-la desde cedo, recomenda a psicóloga. Nas páginas no Ask.fm, e apesar da linguagem com bolinha, à pergunta sobre em quem mais confiam, muitos dos adolescentes portugueses respondem “os pais”. “Mesmo que mais tarde haja um afastamento, deve aproveitar-se a maior abertura no início da adolescência para criar laços de confiança.” Para os dissuadir e proteger de comportamentos abusivos, explica Paias, mais que proibir, é preferível uma sensibilização construtiva: apesar da interacção anónima, é possível chegar ao IP do utilizador. “Esse argumento pode servir para os dissuadir de se vingar de um colega só porque estão anónimos.” Outra sugestão é explicar que estão a deixar uma marca. “Houve uma campanha em que um vidente adivinhava gostos e experiências dos jovens. Quando se desmontava o esquema, percebia-se que usava o que tinham escrito nas redes sociais. Eles são sensíveis a este tipo de imagens.”

Para Tito de Morais, fundador do projecto de sensibilização MiudosSegurosna.Net, a facilidade com que os conteúdos partilhados nesta rede saem do controlo do jovens é dos maiores riscos. As novas regras, entre as quais passar a dar resposta a denúncias em 24 horas, pecam por tardias, diz o especialista, considerando que este é o caso típico de uma rede que cresceu sem investir em segurança e moderação. Tito de Morais lembra o vídeo que circulou nas redes sociais, em que uma jovem portuguesa dizia, no Ask.fm, “adorar pila”. A jovem mantém a conta e ainda recebe provocações. “És puta”, lia-se ontem. “Vadia. Puta é a tua mãe e nng abre boca”, respondeu. Apesar de haver um botão para denunciar o conteúdo como “spam”, “discurso de ódio”, “violência” ou “conteúdo pornográfico”, clicar nestas opções não tem efeito imediato.

E se só o caso de Hannah Smith parece ter feito a empresa alterar as regras do jogo, já há outras aplicações a fazer soar o alarme lá fora, avisa o especialista, que entende que não se deve “demonizar” sites de pergunta e resposta como o Ask.fm, mas antes estar atento a ambientes que podem ter uso indevido por parte dos jovens. É o caso do snapchat, serviço de troca de mensagens fotográficas que por vezes os adolescentes usam para trocar fotografias mais íntimas com amigos e que acabam a circular na net. Outra aplicação que pode tornar-se preocupante se começar a ser usada pelos internautas mais jovens, avisa, chama-se Bang with Friend. Visa o encontro de parceiros para relações sexuais entre os amigos do Facebook e tem mais de 50 mil utilizadores.

 

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