Pós Graduações em Saúde Mental – Promoção da Saúde Mental e do Bem Estar em Contexto Escolar e Educação Sexual – Intervir na Promoção e Bem estar da Saúde Sexual e Reprodutiva na FMH

Fevereiro 1, 2018 às 9:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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http://posgrad.fmh.ulisboa.pt/saude-mental/

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http://posgrad.fmh.ulisboa.pt/educacao-sexual/

Elas perguntam, nós respondemos – Sexualidade

Agosto 7, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://expresso.sapo.pt/ de 9 de julho de 2017.

Falar de sexualidade com as crianças pode não ser fácil, mas não deve ser evitado. E é melhor aguardar pelas interrogações do que as suscitar. Elas só acontecerão se existir espaço para isso — e esse espaço é construído desde o berço

Luciana Leiderfarb  texto

Carlos Esteves  infografia

Há sempre um momento em que a nossa criança formula a pergunta de um milhão. Aquela que sabíamos que viria, mas que não estamos preparados para responder — ou, pior ainda, que achávamos que ela não estava preparada para sequer perguntar. Por mais comunicação que exista entre pais e filhos, abordar o tema da sexualidade pode nem sempre ser fácil ou simples. E atire a primeira pedra quem não tiver desviado o assunto pelo menos uma vez.

“Muitos pais têm medo do que ouvem por parte dos filhos, e podem não responder logo. Podem até dizer: ‘tenho de pensar sobre isso’, de forma a terem tempo para encontrar as palavras certas. Mas não podem não responder”, diz Sofia Nunes da Silva, psicóloga e terapeuta familiar no Hospital de Santa Maria. Nestas coisas, o silêncio não é uma opção. E, se por acaso o tiver sido, não é na adolescência que ele será quebrado. “Essa ideia é irrealista e errada. Quem não tiver criado esse canal de comunicação até à puberdade, não o vai criar a partir daí. O silêncio mostra que este é um tema incómodo. E pode fazer com que a criança não exteriorize as suas dúvidas ou o faça só com os pares — que nem sempre têm informação completa ou estruturada”, complementa Duarte Vilar, diretor executivo da Associação para o Planeamento da Família (APF). “O silêncio é horrível”, continua Sofia Nunes da Silva. “É um sinónimo de indiferença.”

Dito isto, e tendo mesmo que falar, há várias formas de o fazer. E convém mesmo não evitar ou contornar os assuntos. Desde as primeiras perguntas mais ‘básicas’ às mais tardias e elaboradas, a linguagem deve ser “simples e verdadeira”, aconselha o urologista Manuel Mendes Silva, autor do livro “A sexualidade explicada às crianças”. “Aos seis anos, deve-se esperar que seja a criança a colocar as questões. A partir dos oito, já se pode ser mais proativo”, explica o clínico. Quer isto dizer, reformula Sofia Nunes da Silva, que os adultos têm de ouvir mais do que falar, aguardar que seja a criança a trazer as temáticas, tentando não antecipar as suas perguntas. Fazê-lo pode provocar ansiedade, sentimentos de incompreensão, ou aquilo que os pais mais temem: “Suscitar curiosidades deslocadas para a idade dos filhos e levá-los a uma exploração para a qual não estão ainda preparados.”

Se toda a pergunta é sempre um começo atrás do qual se escondem muitas outras, ela representa também o fim e a finalidade de um longo processo. A pergunta acontece porque, desde a nascença, foi criado espaço para tal. “A criança não quer falar do que não lhe interessa, pelo que é preciso esperar que ela ‘puxe’ o assunto. Mas isto só ocorre se ela sentir que os pais estão disponíveis.”, comenta Duarte Vilar. A disponibilidade constrói-se. Para Sofia Nunes da Silva, a chamada ‘educação sexual’ mais não é do que a educação dos afetos, “o modo como a criança se relaciona com os outros”. Por isso mesmo, “começa no berço”: “Inicia-se na relação da criança com os pais e com os irmãos. Com eles, ela aprende os limites e o respeito pelo próprio corpo e o do outro, e adquire as noções fundamentais que, mais tarde, serão a base da sexualidade adolescente.” Desde cedo, defende a psicóloga, espera-se dos pais uma postura recetiva do que as crianças têm para dizer.

E elas não se expressam de qualquer maneira. Duarte Vilar aconselha a que os pais não procurem “ter ‘a’ conversa”. “Resumir tudo numa conversa formal é uma ideia antiquada. Numa família, a comunicação é informal e constrói-se em torno de comentários, de respostas, do que os miúdos ouvem fora de casa, do que passa na televisão. Há muitas formas de conversar”, opina o sociólogo. Por outro lado, as próprias dúvidas que os jovens colocam vão também alterando a configuração. “Não adianta pensar que se já explicamos uma coisa, a criança não precisa de voltar a falar disso. Ela compreende, a cada momento, o que tem a capacidade de compreender. E vai aprofundando os assuntos.”

“Se os jovens têm dúvidas e perguntas é porque são capazes de entender as respostas”, concorda Margarida Gaspar de Matos. E a escola tem igualmente de participar no processo. Porém, por mais legislação que exista, é urgente haver continuidade. “O que falha? O facto de nem sempre se achar que a educação para a saúde é importante. Faz-se um grande investimento e depois interrompe-se o processo.” Coordenadora do projeto Aventura Social, que integra o Health Behavior in School-aged Children, da Organização Mundial da Saúde, a psicóloga relembra algumas das conclusões do estudo de 2014 sobre a vida dos adolescentes — o próximo será divulgado em janeiro de 2018. Entre elas, a ênfase dada nas escolas à prevenção do risco sexual e não tanto à abordagem da sexualidade em termos de “competências pessoais, relações interpessoais, de equidade de género e de direitos humanos”.

O problema surge quando a educação sexual “é dada como matéria” estritamente ligada à saúde, à biologia e às ciências da natureza, dispensando o debate em torno dos comportamentos e das relações afetivas. Em última instância, frisa Gaspar de Matos, é esse lado da aprendizagem que mais tarde irá prevenir situações de abuso ou de violência sexual, ou que irá fixar a noção de consentimento sexual. “A educação sexual na escola trouxe melhorias, como uma diminuição da gravidez adolescente [segundo os últimos dados do INE]. E há escolas a fazer grandes trabalhos. Só que o panorama é muito desigual e o Ministério da Educação deveria garantir que todas as escolas cumpram os mínimos”, diz Margarida Gaspar de Matos, para quem a mera existência de gabinetes de apoio à saúde não garante que estes funcionem eficazmente. Para tal acontecer, é necessário voltar a treinar os professores, pois “não é com um PowerPoint que se esclarecem as dúvidas” dos mais novos.

Para Margarida Gaspar de Matos, cabe à escola dar o que, por vezes, a família não consegue. Por exemplo, a orientação necessária face às tecnologias, onde as crianças obtêm todo o tipo de informações nem sempre fiáveis. “Os pais podem ser ajudados não só a falar com os filhos mas também a orientá-los na procura de informação.” Para Duarte Vilar, “a educação sexual na escola tem de ser consistente e regular, e não resumir-se a uma conversa a cada cinco anos”. Agora, o recém-homologado Referencial de Educação para a Saúde — uma espécie de guia da educação para a saúde em ambiente escolar — pode significar o preenchimento deste hiato e a reativação desse espaço no ensino. E um simples relance pelos seus conteúdos mostra que o lado físico da sexualidade surge a par do relacional. A secção respetiva chama-se “Afetos e Educação para a sexualidade” e foca subtemas como a identidade e género, os valores e os direitos sexuais e reprodutivos.

DESENVOLVIMENTO DA SEXUALIDADE

0-3 anos O bebé torna-se consciente do seu corpo e começa a explorá-lo. Precisa de ser tocado e acarinhado. Aprende se é rapaz ou rapariga.

4-6 anos Surgem a curiosidade sobre a reprodução e a fase dos ‘palavrões’. A exploração do corpo traduz-se em jogos. Nascem as amizades preferenciais.

7-9 anos Aparece o sentimento de pudor. Faz-se menos perguntas sobre sexo. Meninas e meninos juntam-se em grupos à parte.

10-15 anos Iniciam a puberdade e, a seguir, a adolescência. Há mais interesse pela sexualidade. Nas raparigas aparece a menstruação. Nos rapazes, a primeira ejaculação. A masturbação em ambos aumenta. Um novo corpo começa a desenhar-se.

16-18 anos A orientação sexual é agora clara. As experiências sexuais consolidam-se na relação com o outro. Há uma cada vez maior independência dos pais.

Fonte: OMS, Policies for Sexuality Education in the European Union, 2013

 

 

 

Teresa Bombas: “Ainda é um indicador de pobreza do país”

Março 9, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista de Teresa Bombas ao http://www.dn.pt/ no dia 6 de março de 2017.

Teresa Bombas é especialista em ginecologia e obstetrícia

Teresa Bombas é especialista em ginecologia e obstetrícia

Diz que é preciso assumir que a gravidez na adolescência é um indicador de pobreza. Para minimizar ainda mais o problema, é necessário melhorar as condições de vida das famílias.

Teresa Bombas, presidente da Sociedade Portuguesa da Contraceção, considera que a nova geração tem mais informação e mais expectativas, ou, pelo menos, expectativas que não passam por ter filhos em idade precoce.

Como vê a descida do número de mães adolescentes em Portugal nos últimos anos?

Este é um indicador favorável da evolução do país. A gravidez na adolescência, e mais especificamente o número de adolescentes que são mães, é um dos indicadores de pobreza de um país. Basta olhar para o resto do mundo. O diminuir deste número é o resultado de várias condições: a natalidade baixou globalmente, a literacia aumentou, o número de anos da escolaridade obrigatória também, há acesso a uma educação e informação diferentes. Houve um aumento da riqueza das famílias, o que, de alguma maneira, permite que os filhos tenham expectativas diferentes dos pais. Obviamente, houve também maior divulgação e acessibilidade à contraceção.

Um dado positivo é que esta quebra não foi acompanhada de um aumento da interrupção voluntária da gravidez nestas faixas etárias…

O início da atividade sexual acontece em idades mais jovens, o número de gravidezes e partos em adolescentes baixa sem que tenha aumentado o número de interrupções neste grupo etário. Também sabemos que passaram a usar mais contraceção. Digamos que, globalmente, a nova geração está mais bem informada e parece tender a ter mais expectativas ou expectativas individuais diferentes que não passam por serem pais em idades em que ainda devem ser filhos.

Apesar desta quebra, continuamos a ter uma média de seis adolescentes mães por dia. O que está a falhar?

Continuamos a ter um problema social grave. Continua a haver gravidez na adolescência em grupos sociais carenciados, maioritariamente onde a gravidez na adolescência não é um novo acontecimento, mas sim um acontecimento de repetição. O que falha: melhorar as condições de vida da população. Há menos gravidez na adolescência, mas continuam a verificar-se situações sociais muito graves e estas, infelizmente, não diminuíram. É nas famílias mais carenciadas que este acontecimento se continua a verificar. O número de adolescentes institucionalizadas com filhos proporcionalmente não diminui, o número de famílias a receber rendimento de inserção social também não, o número de jovens com situações sob orientação da proteção de menores também não diminui proporcionalmente.

O que é que é preciso fazer para evitar a gravidez na adolescência?

Melhorar a vida da população. É preciso investir na melhoria da exclusão social e assumir definitivamente que este é um indicador de pobreza. Se uma jovem de 15 ou 16 anos, sabendo que existe contraceção, sabendo que se engravidar pode interromper a gravidez e decide (consciente ou inconscientemente) engravidar e continuar a gravidez, assumindo este como o único projeto de vida que tem, alguma coisa está a correr mal… No rendimento da família, que não consegue ter padrões de identificação que permitam aos seus filhos “sonhar diferente” para si.

Como é que isso se altera?

É preciso continuar a trabalhar educação sexual e tornar a contraceção acessível para todos. Temos de melhorar o nível de educação e sobretudo o rendimento das famílias. Não vou dizer que são só os com mais dificuldade e menos literacia que são pais na adolescência, mas sobretudo estes e ainda são muitos…

 

 

Um jogo sexual está a preocupar as autoridades espanholas

Janeiro 21, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Noticia do http://www.dn.pt/ de 9 de janeiro de 2017.

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A não utilização de preservativos agrava os riscos deste comportamento | Arquivo Global Imagens

Médicos alertam para riscos deste comportamento, depois de aumento de casos de doenças sexualmente transmissíveis entre jovens

Um aumento de casos de doenças sexualmente transmissíveis na unidade de adolescentes de um hospital de Madrid e pelo menos quatro casos de gravidezes indesejadas são sinais que estão a preocupar as autoridades de saúde da capital espanhola, que alertam para um jogo sexual perigoso, chamado “roleta sexual” ou “Juego del Muelle”, segundo o jornal El Mundo.

De acordo com o jornal, há um vídeo de quatro minutos que se tornou viral nas redes sociais em Espanha e mostra como se joga: cinco rapazes estão sentados sem roupa interior e três raparigas, nuas da cintura para baixo, sentam-se aos seus colos. A cada 30 segundos, as raparigas mudam para o colo do rapaz ao lado. Perde o jovem que ejacular primeiro.

Todos os jovens que aparecem no vídeo são menores de idade e em cima de uma mesa são visíveis várias garrafas de álcool e cigarros. Um dos jovens contou ao jornal espanhol que faz este jogo regularmente com os amigos, tendo recebido as instruções do jogo por uma mensagem no Whatsapp. O rapaz, que não se quis identificar, contou ainda que não usam preservativo. Os jovens contam também que este começou na Colômbia, onde é conhecido por Carrossel.

Os serviços de saúde espanhóis dizem que pelo menos quatro adolescentes ficaram grávidas em 2016 ao fazer este jogo, mas admitem que é difícil chegar a um número real, pois as jovens não contam como engravidaram. “É algo relativo, impossível de comprovar, pois elas não dizem”, disse uma fonte médica ao El Mundo.

Difícil de contabilizar é também o número de casos de doenças transmitidas neste tipo de jogo. Pilar Lafuente, ginecologista do Hospital La Paz, em Madrid, diz que passou de ver “dois ou três casos [de DST] por ano para atender 10 menores de idade por trimestre”.

“O problema é que se unem a inconsciência e a imaturidade. Com boa educação sexual isto não aconteceria”, explicou a psicóloga e sexóloga Ana Lombardía, citada pelo jornal. A especialista explica alguns dos problemas práticos deste tipo de comportamento: “os rapazes podem ter problemas de ereção e de controlo da ejaculação. Mas é pior para as raparigas. A dor de serem penetradas sem estarem excitadas cria vaginismo: a vagina está contraída e isso cria lacerações e feridas”.

Além disso, mesmo que os rapazes usem preservativo, as raparigas estão “totalmente indefesas”, continua Lombardía. “Elas vão rodando e entram em contacto com as secreções das outras. Logo contraem VIH, hepatite C, sífilis, gonorreia e o HPV”.

“Os adolescentes são cada vez mais precoces e têm acesso ao álcool, drogas e sexo mais cedo. Aborrecem-se rápido e procuram outras formas de se divertirem sexualmente”, explicou a psicóloga e sexóloga.

O estudo internacional Health Behaviour in School-aged Children (HBSC), revelado no ano passado, mostrou que a não utilização de preservativo é um problema grave entre os jovens portugueses: 25% disseram não usar.

 

Educação sexual. Como se faz lá fora e com que resultados?

Janeiro 8, 2017 às 5:58 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Reportagem do http://observador.pt/de 4 de janeiro de 2017.

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Alexandre Homem Cristo

A partir de que idade é que os alunos devem ter Educação Sexual? O que é suposto aprenderem? Quem deve dar as aulas? E este ensino resulta? Alexandre Homem Cristo foi conhecer os melhores exemplos.

O tema é controverso, já se sabe. Desde que foi introduzida nas escolas portuguesas, a Educação Sexual gera reacções diversas na sociedade civil. Uns concordam, outros discordam. Uns gostariam que os conteúdos ensinados fossem mais longe e envolvessem aspectos sociais, outros acham que mesmo a limitação à biologia já é ir longe demais. Uns gostariam que as crianças tivessem Educação Sexual logo no 1.º ciclo, outros acreditam que antes dos 15 anos é demasiado cedo. É, digamos, um debate cristalizado e que, pontualmente, ressuscita – sem novidades ou novos argumentos. Foi o que aconteceu recentemente face às alterações apresentadas pelo governo (áreas da Educação e da Saúde). Nomeadamente, face a uma alteração em concreto: antecipar o contacto dos alunos com o tema do aborto, trazendo-o para o 2.º ciclo (i.e. para alunos entre os 10 e os 12 anos de idade). No debate público, voltou o braço-de-ferro entre apoiantes e críticos.

Esse braço-de-ferro é, sem dúvida, uma parte importante do debate (e a mais visível), onde se discutem visões sobre o papel do Estado na educação para a sexualidade. Mas é, sublinhe-se, apenas uma parte do debate. Sim, é fundamental discutir o papel do Estado na educação sexual e estabelecer os seus limites. Mas, depois, é igualmente fundamental escolher abordagens, definir idades, orientar os conteúdos, formar os professores. E, claro, colocar o tema em perspectiva: não sendo este debate um exclusivo nacional, como é que fizeram os outros países europeus?

É esta a pergunta que aqui se tenta responder. E ‘tentar’ é a expressão adequada. Porque o primeiro problema em lidar com este assunto numa perspectiva comparada é a constatação de que existe pouca informação para comparar entre países, de que esta nem sempre está actualizada e de que há matérias (como o conteúdo das orientações para a educação sexual) onde a comparação se aparenta inviável. Dito isto, há contudo pistas interessantes que a comparação dos dados disponíveis permite realçar. Tomando consciência dos limites, são essas pistas que aqui se exploram.

A partir de que idade é possível ter e com que idade os alunos têm Educação Sexual?

Quando é que é demasiado cedo? E quando é que fica demasiado tarde? Faz sentido exigir ao Estado que tome essa decisão ou deve confiar-se nas escolas? O timing é tudo e os factores em causa são muitos (maturidade, possibilidade de primeiras experiências sexuais, abordagem pedagógica adequada), pelo que a idade em que a Educação Sexual entra na sala de aula é uma das questões mais debatidas – pelos pais, claro, mas também nas próprias escolas.

Como lidam os países europeus com esse dilema? Os dados falam por si (Tabela 1) e realçam uma curiosa tendência: mesmo quando formalmente a Educação Sexual é possível desde muito cedo (por vezes aos 5/6 anos de idade), as escolas tendem a adiar (até cerca dos 11 anos de idade). Mais: se a idade mínima oficial for igual ou superior a 13 anos, nas escolas também se observa uma tendência para antecipar até aos 11/12 anos de idade). Ou seja, o Estado define um ponto de partida mas confia que as escolas saberão decidir quando iniciar a Educação Sexual. E isso é válido independentemente do limite mínimo fixado pelo Estado. Na prática, vai tudo dar ao mesmo ponto: as escolas tendem a introduzir a Educação Sexual, em média, aos alunos que têm 11 ou 12 anos.

Que designação se atribui à Educação Sexual e que orientações existem?

Na maioria dos casos, o Estado fixa orientações gerais ou conteúdos mínimos para a Educação Sexual. Mas calma. Não está em causa um projecto ideológico, não há programas escolares detalhados ou sequer manuais para adquirir e estudar sobre Educação Sexual. Tal como acontece com a idade, a opção acerca das orientações curriculares é quase sempre a mesma: o Estado define orientações gerais e, depois, confia nas escolas e nos professores para as implementar à medida do que consideram mais adequado para os seus alunos.

Dito isto, é a partir daqui que a coisa complica. Afinal, de que forma entra a educação sexual no currículo e nas salas de aula? Existe, geralmente, a percepção de que a Educação Sexual deve ser transversal no currículo, uma vez que aborda questões que estão relacionadas com diferentes áreas disciplinares. No entanto, no contexto europeu, é pouco comum encontrar situações onde essa transversalidade seja alargada a mais de duas disciplinas. A situação mais comum é a de um enfoque especial nas aulas de Biologia e, complementarmente, numa outra disciplina. Por exemplo, isso é muito claro no caso belga, onde as dimensões relacionadas com o corpo humano estão na disciplina de Biologia e onde as dimensões morais estão nas disciplinas de Ética e de Filosofia. Os exemplos multiplicam-se: de país para país, a complementaridade às aulas de Biologia pode surgir em várias disciplinas – na Holanda é através de uma disciplina chamada ‘Sociedade’, na Estónia através da disciplina de ‘Estudos Humanos’.

Há, por isso, em média, maior enfoque nos aspectos biológicos do que nos aspectos sociais e relacionais da sexualidade. Mas isso não significa que, em alguns países, não se tenha optado deliberadamente por ir para além da biologia e discutir os próprios relacionamentos e os afectos. Por exemplo, na Bélgica a educação sexual é intitulada de “Relacionamentos e Educação Sexual” – o que não será alheio aos escândalos sexuais e pedófilos que o país conheceu. Ou, por exemplo, nos países do leste Europeu, onde está culturalmente enraizado o conceito de planeamento familiar, devidamente reflectido nas orientações às escolas. Inevitavelmente, os contextos nacionais (históricos, culturais, religiosos) têm uma grande influência na forma como a sexualidade é encarada na sociedade e ensinada nas escolas. E esse contexto surge espelhado na própria designação oficial da Educação Sexual. Mas há, igualmente, uma crescente consciencialização de que a sexualidade é mais do que biologia e que a dimensão afectiva deve estar presente (Tabela 2).

Quem dá as aulas de Educação Sexual?

No final de contas, (quase) tudo na educação se pode resumir ao que acontece na sala de aula. Como tal, um dos aspectos mais discutidos sobre a Educação Sexual é quem a deve leccionar. Deve ser um professor designado e preparado para esse efeito? Devem ser vários professores? Deve ser um especialista de saúde? Ou, antes, deve ser uma equipa composta por todos estes? Olhando para os dados (Tabela 3), não parece haver uma resposta certa. Mas há pelo menos duas opções dominantes. Primeiro, não existe qualquer caso onde a Educação Sexual chegue aos alunos exclusivamente através de especialistas de saúde – isto é, sem a participação ou coordenação de um professor. Segundo, o cenário mais comum é, em conjunto, um professor designado e um especialista de saúde serem os responsáveis pela Educação Sexual perante os alunos – assim cumprindo o propósito de uma abordagem partilhada entre as áreas da Educação e da Saúde.

Isto leva-nos à questão que faz toda a diferença: estão os professores escolhidos para dar Educação Sexual preparados para o desafio? É difícil de fazer essa avaliação a nível internacional, uma vez que as realidades na formação de professores variam muito (e a informação sobre o tema em concreto escasseia). Mas, em Portugal, é um facto público que há muito que os professores se queixam de falta de formação no âmbito da Educação Sexual. De resto, num estudo de caso (2015) da implementação da Educação Sexual no Algarve, cujo artigo científico foi publicado em 2015 na Revista Portuguesa de Educação, essa situação emergiu com clareza. Inquiridos sobre a sua experiência com a Educação Sexual, os responsáveis queixam-se do pouco apoio do Ministério, da falta de formação e de experiência e, aliás, evidenciam algum pouco à-vontade com a matéria da Educação Sexual face aos constrangimentos sentidos. Ou seja, pelo menos em Portugal, parece haver um consenso à volta da necessidade de dar aos professores mais instrumentos e mais formação sobre Educação Sexual.

Que evidências existem sobre os resultados da educação sexual?

É comum que os debates marcados por algum activismo de ambos os lados, como acontece com a Educação Sexual nas escolas, sejam preenchidos por argumentos de resultados contraditórios entre si. Não é novidade que, se devidamente torturados, os números dizem-nos o que queremos ouvir. E esse parece ser o mote de ambos os lados da trincheira. Quem defende o alargamento da Educação Sexual nas escolas garante ter evidências dos seus efeitos positivos para o comportamento sexual dos alunos (através da acentuada diminuição dos factores de risco). E quem é contra a Educação Sexual assegura que esta formação tem o efeito negativo nos alunos de acelerar a sua iniciação sexual (e, pela imaturidade, aumentar os factores de risco). Sim, há estudos para todos os gostos. Mas há conclusões predominantes, acerca das quais é possível ter maior confiança sobre a sua fiabilidade.

A primeira dessas conclusões é que há uma relação entre ter apenas informação sobre abstinência sexual e uma menor utilização de contraceptivos. Ou seja, os alunos que, em vez de Educação Sexual com informação sobre contracepção, têm apenas informação acerca de abstinência sexual utilizam menos métodos contraceptivos fiáveis (comparativamente aos alunos que tiveram informação sobre contracepção). Dito de forma simples: o método de informar os jovens apenas sobre abstinência sexual não é tão eficaz quanto outros métodos de Educação Sexual, em termos de prevenção de comportamentos de risco.

A segunda das principais conclusões é que há, em média, uma diferença comportamental entre as raparigas adolescentes que tiveram Educação Sexual na escola e as que não tiveram. As que tiveram exibem uma menor probabilidade de engravidar do que as raparigas que não frequentaram aulas de Educação Sexual. Ou seja, utilizam meios mais eficazes de contracepção. Contudo, a significância dessa diferença (se é mais ou se é menos acentuada) varia bastante em função dos estudos.

A terceira das principais conclusões é que, apesar dos referidos efeitos a curto e médio prazo, a longo prazo não parece haver diferenças significativas entre os alunos que tiveram e os que não tiveram Educação Sexual, em termos de benefícios para a sua saúde. Ou seja, não existe associação de longo prazo entre esta formação nas escolas e uma vida mais saudável.

So what? Três pontos para o debate em Portugal

  1. A Educação Sexual está consolidada em quase todos os países europeus e com particular incidência nos jovens a partir dos 11 anos. Independentemente da idade a partir da qual as escolas podem legalmente oferecer Educação Sexual aos alunos, esse parece ser o entendimento das escolas e dos professores sobre o momento adequado para introduzir o tema. Não tendo a Educação Sexual orientações muito rígidas em termos de conteúdo, isso permite aos professores tomar as melhores decisões para os seus alunos em termos de timing, abordagem e conteúdo. Traduzindo: o critério a preservar é o da confiança. Se, enquanto pai, está desconfortável com o tema ou tem dúvidas, nada como levar essas dúvidas aos professores do seu filho. E sem esquecer que é possível falar de temas sensíveis, como o aborto, sem se parecer com a Isabel Moreira ou a Isilda Pegado.
  2. A Educação Sexual tem, como finalidade número um, educar para a saúde, para prevenir comportamentos de risco que exponham os jovens a doenças sexualmente transmissíveis ou a situações de gravidez indesejada. Daí que seja grande a tentação de abordar a Educação Sexual de uma perspectiva meramente biológica, neutra e quase mecânica. Será até, do ponto de vista de um professor, a perspectiva mais confortável. Mas talvez, hoje, isso já seja insuficiente e esse possa ser um debate que vale a pena ter: num tempo de exposição constante da intimidade e do sexo na televisão e internet, o que parece faltar aos jovens não é informação sobre a mecânica biológica do sexo ou sobre a contracepção, mas sim sobre os relacionamentos afectivos e a preservação da intimidade. Há, por isso mesmo, países europeus que já deram o passo de integrar a dimensão afectiva e relacional na Educação Sexual – como evidenciam as múltiplas designações que essa formação tem na Europa.
  3. O professor é o elemento-chave da Educação Sexual. Sendo um tema delicado, a boa preparação de um professor pode fazer a diferença para melhor – por exemplo, para quebrar receios nos alunos de fazer perguntas e de expor as suas dúvidas. Isto serve para lembrar o óbvio: importa, claro, discutir as orientações para a Educação Sexual, mas importa tanto ou mais proporcionar meios para uma adequada formação dos professores. Se os professores não estão à-vontade com o tema e sentem que lhes falta formação para o abordar com os seus alunos, como reconhecem geralmente os professores portugueses, então aí está um problema. E a sua resolução deve ascender a prioridade.

Alexandre Homem Cristo foi Conselheiro Nacional de Educação e, entre 2012 e 2015, foi assessor parlamentar do CDS na Assembleia da República, no âmbito da Comissão de Educação, Ciência e Cultura. É autor do estudo “Escolas para o Século XXI”, publicado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, em 2013.

 

Tabela 1

https://infogr.am/130260fb-b977-4edc-a66e-44b32cd57893

Tabela 2

https://infogr.am/a9a8d95d-ee77-485c-b825-2b9f5e4bc831

Tabela 3

https://infogr.am/c5f15fb7-fd59-4cd1-8a49-be58886ec169

 

Texto final sobre educação sexual será apresentado em Janeiro

Dezembro 30, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 22 de dezembro de 2016.

O novo referencial da Educação para a Saúde está a ser contestado por prever que a Interrupção Voluntária da Gravidez seja abordada no 2.º ciclo de escolaridade, frequentado por crianças entre os 10 e os 12 anos.

Clara Viana

O novo referencial da Educação para a Saúde, que integra domínios como a alimentação, a violência ou a educação sexual, entre muitos outros, só será apresentado em Janeiro, depois de terem sido analisadas as “centenas de contribuições” feitas durante o período de discussão pública que terminou na segunda-feira, Informou o Ministério da Educação (ME) em resposta a questões do PÚBLICO.

Só então se saberá se o ME vai manter no documento a referência à Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG), um dos temas propostos para o 2.º ciclo de escolaridade, ou se cederá à petição, já assinada por cerca de 8300 pessoas, com vista à retirada daquele tópico. “É um verdadeiro absurdo ensinar crianças que é legítimo e justo matar bebés no ventre materno”, proclama-se naquele texto.

“Temos uma sociedade muito contraditória. As pessoas indignam-se por se falar da IVG no 2.º ciclo, mas não se incomodam que o tema da morte venha a ser abordado no pré-escolar, como está previsto no referencial”, comenta a investigadora da Universidade do Minho, Zélia Anastácio, que tem trabalhado com as escolas no âmbito da educação para a sexualidade

No referencial sugere-se que no 2.º ciclo, frequentado por crianças entre os 10 e os 12 anos, os alunos identifiquem métodos contraceptivos e a sua importância na prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e de uma gravidez indesejada, bem como que aprendam a distinguir uma interrupção voluntária da gravidez de uma interrupção involuntária.

Para Zélia Anastácio, está é a altura certa para se iniciar a abordagem de temas como estes, já que é naquelas idades que “os alunos começam a colocar questões sobre o aborto”. “ E se objectivo é também prevenir a gravidez na adolescência, então a abordagem tem de começar antes”, acrescenta.

A investigadora lamenta, contudo, o que chama de “eufemismos”, provavelmente destinados a evitar novos choques com a opinião pública. Por exemplo, aponta, no referencial nunca se refere explicitamente a homossexualidade, em vez disso fala-se de respeito pela “diversidade na sexualidade e orientação sexual”.

Zélia Anastácio tem ainda dois outros reparos ao texto que esteve em discussão pública: defende que a temática do abuso sexual deve ser abordada logo desde o pré-escolar, e não apenas a partir do 2.º ciclo, como previsto; e que pelo contrário o tópico morte seja apresentado mais tarde. No referencial propõe-se que se dê a compreender aos alunos do pré-escolar que “a morte é o fim de um ciclo”. “São muito pequenos para interiorizarem este conceito. Nestas idades precisam é de ter mensagens positivas, de vida, de felicidade e não de morte”, diz.

consultar o Referencial de Educação para a Saúde

 

 

Terrorismo, morte ou sexo. Falar com as crianças, mas sem detalhes

Dezembro 27, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://www.dn.pt/de 21 de dezembro de 2016.

Orlando Almeida / Global Imagens

Orlando Almeida / Global Imagens

 

Joana Capucho

Pais devem abordar os assuntos só quando são questionados pelos filhos e sem pormenores que os deixem ansiosos

Aos 9 anos, Filipa começou a falar sobre a morte. Ficava triste, porque imaginava que o pai ou a mãe podiam morrer. “Percebeu que somos finitos, que não duramos para sempre”. Depois veio a público a foto do corpo de uma criança síria encontrada numa praia turca. Luís e Lúcia, pais de quatro raparigas – Maria, de 16 anos, Daniela, de 15, Filipa, agora com 10 e Ana, de 6 – falaram então sobre refugiados. “Tentamos mostrar a realidade com uma linguagem que entendam”, conta Luís.

Dois meses depois, os atentados em Paris, onde vive uma prima. “Mesmo com as mais novas, tivemos de falar sobre o terrorismo. Queremos que saibam o que se passa, mas há imagens e pormenores que não acrescentam nada ao que têm de saber sobre o assunto, porque só as vai assustar mais”, frisa. Responder às perguntas das crianças sobre sexo ou explicar-lhes temas como o terrorismo ou a morte não são tarefas fáceis para muitos pais. Haverá uma idade indicada para falar sobre cada um? O que dizer? Os especialistas contactados pelo DN recomendam que só sejam abordados a pedido das crianças e sempre de acordo com as idades. Regra geral, primeiro surgem questões sobre a gravidez, a morte e as doenças e só mais tarde sobre o terrorismo ou o aborto.

“Não devemos evitar falar destes assuntos às crianças. Devemos sim é ter contenção sobre o que dizemos e como o dizemos. Contudo, não devem ser os pais a trazer o assunto para a discussão”, sugere Renato Paiva, diretor da Clínica da Educação. A ideia é responder às solicitações das crianças e adequar o discurso à idade. “Não falaremos da morte com uma criança de 4 anos do mesmo modo que falamos com uma de 10. A sua maturidade ainda não compreende conceitos abstratos”.

O pediatra Hugo Rodrigues reforça que “o princípio geral para temas difíceis é que sejam abordados a pedido da criança”. “Sempre que pergunta, deve esclarecer-se de uma forma correta e com linguagem adequada”. No 3.º ano de escolaridade, “já falam sobre o sistema reprodutor, os óvulos, a gestação”, portanto a gravidez é “provavelmente o tema mais fácil, mais visível” e um dos que aparece primeiro. “Até porque muitas crianças têm irmãos.” Aos 6 anos, diz o pediatra, começam a ter medo de morrer e que os pais morram.

Recentemente, as direções-gerais da Educação e da Saúde emitiram um documento com novas sugestões para as aulas de educação sexual, no qual há um tópico que gerou uma enorme polémica: a possibilidade de falar da interrupção voluntária e involuntária da gravidez no 2.º ciclo. Na opinião de Hugo Rodrigues, como rapazes e raparigas não amadurecem da mesma forma, “se calhar não faz muito sentido falar deste tema antes dos 12 anos”. Segundo o pediatra “será um assunto para introduzir mais tarde”. “Não tenho muita pressa em tornar as crianças adultas”. O mesmo é válido para o terrorismo. “Não podem fazer nada para mudar, portanto não deve ser uma preocupação das crianças”.

Para Cátia Teixeira, psicóloga da área infantojuvenil da Oficina de Psicologia, não há uma idade certa para falar sobre cada assunto. “As crianças têm fases de desenvolvimento diferentes e também precisam de respostas diferentes”, justifica, acrescentando que “uma criança de 10 anos pode estar preparada para falar de terrorismo, mas uma de 12 pode não estar”. O caminho, prossegue, é perceber o que é que ela quer saber. “Se pergunta o que é o terrorismo, devemos perguntar o que ela acha que é. É importante perceber o entendimento da criança e só depois dar a resposta. Por vezes, ela não tem as dúvidas que o adulto pensa que tem e não está preparada para certas respostas”. Se os temas não forem abordados de forma correta, “a criança pode ficar ansiosa, preocupada.”

Falar com os miúdos sobre violência pode gerar medo. Renato Paiva diz que importa “dar colo ao falar com as crianças nestes assuntos.” “Abordar temas como terrorismo, morte, aborto, fome, doenças, mexe com as emoções de cada um. São assuntos que tradicionalmente são difíceis para todos, para os pais não é exceção.” Segundo o psicopedagogo, “o concreto funciona melhor, assim como a recorrência a exemplos ajuda”. No entanto, adverte, as explicações não devem ser pormenorizadas. Para a criança fazer uma pergunta “é porque contactou com uma realidade que desconhece”, daí que seja essencial os pais perceberem o porquê das suas questões. Dizem os especialistas em educação que dificilmente uma criança faz perguntas sobre um tema com o qual não contactou. Hélder Ramos, professor do primeiro ciclo na Madeira, revela que “o que as crianças perguntam tem a ver com as suas vivências. Não improvisam perguntas sobre coisas abstratas”. Segundo o professor, “falam de alcoolismo, tabaco ou violência quando vivem essas situações”. Nesses casos, os professores não devem mentir, mas é importante abordar os temas com cautela. Relativamente à questão do aborto, Hélder lembra que, atualmente, há crianças no 2.º ciclo com 16 anos. “Não faz sentido generalizar, porque pode despertar curiosidade e não trará benefícios. Mas pode haver situações em que faz sentido”.

Já Odete Santos, professora numa escola de 1.º ciclo na Charneca da Caparica, diz que as perguntas das crianças aos 8 e 9 anos são sobretudo sobre a reprodução. “É a matéria que os cativa mais”. Também falam sobre a fome em África, os refugiados e, por vezes, sobre a morte. “Mas esse é um tema do qual tendem a fugir”. Já trabalhou em zonas carenciadas e, nesses casos, as crianças também falavam muito sobre droga. “Sabiam coisas muito à frente para a idade”.

Na opinião de Jorge Gravanita, presidente da Sociedade Portuguesa de Psicologia Clínica, “o que precisamos hoje em dia é que os assuntos deixem de estar numa zona obscura e possam ser falados”. É o que faz António Rebelo, de 45 anos, com os cinco filhos. “Não há nada tabu. É tudo explicado consoante as idades”. Com filhos dos cinco aos 21 anos, este pai ressalva, no entanto, que há coisas que fala com os mais velhos e que, naturalmente, a filha mais nova não ouve.

António Rebelo é uma das mais de seis mil pessoas que assinaram a petição para que o aborto não seja abordado no 2,º ciclo. Considera que o filho de 11 anos poderá entender do que se trata, se o assunto for abordado por si, mas teme que lhe seja explicado de uma forma que considera errada. Tal como aconteceu com a educação sexual, razão pela qual retirou os filhos da escola pública. Segundo o psicólogo Jorge Gravanita, poderá fazer sentido o tema da IVG ser falado com alunos do 2.º ciclo. “Não como uma transmissão de conteúdo, mas a partir do questionamento das crianças. A ideia é permitir uma discussão entre colegas e professores.” Luís, pai de quatro raparigas, discorda : “É uma comparação grotesca, mas é quase como colocar o assunto da eutanásia nas mãos de uma criança. O tema merece ser falado, mas não aos 10 anos.”

 

 

Lançamento do jogo “À Descoberta da Sexualidade” 10 dezembro em Lisboa

Dezembro 9, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

http://www.apf.pt/

Educação sexual no pré-escolar e aborto no 5.º ano

Dezembro 6, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 4 de dezembro de 2016.

clicar na imagem

 

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mais informações sobre o Referencial de Educação para a Saúde no link:

http://www.dge.mec.pt/noticias/educacao-saude/referencial-de-educacao-para-saude-prorrogacao-de-periodo-de-consulta

Sexóloga tira dúvidas a adolescentes através do WhatsApp

Outubro 13, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Site ou blogue recomendado | Deixe um comentário
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Texto do http://visao.sapo.pt/ de 27 de setembro de 2016.

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Jovens podem tirar dúvidas relacionadas com a sexualidade através do WhatsApp. Projeto tem o patrocínio de uma marca de preservativos e a colaboração da sexóloga Vânia Beliz.

Se é pelo WhatsApp que os miúdos andam, então vamos falar com eles por aí. Foi isso que pensaram a sexóloga Vânia Beliz e a marca de preservativos Control. E assim nasceu o projeto ControlTalk, destinado a esclarecer de forma gratuita e anónima às dúvidas dos adolescentes relacionadas com a sexualidade.

A receita é simples: um número de telefone (934 059 910) e uma sexóloga com muita experiência a falar com jovens disponível para lhes responder de forma clara e direta.

“O nosso objetivo é responder às perguntas dos miúdos, de forma rápida, eficaz, segura e anónima”, adianta Vânia Beliz, a mentora do projeto. “Os miúdos tendem a sentir alguma dificuldade em aceder ao médico ou á enfermeira e também não falam com os pais sobre questões relacionadas com a sexualidade. Acabam por se aconselhar com os pares”, conta a especialista.

Já há cartazes a anunciar o serviço espalhados pelas escolas do país e agora espera-se que os adolescentes gravem o número e usem sempre que forem assaltados pelas angústias das primeiras experiências sexuais, das modificações do corpo e da turbulência que as hormonas trazem.

Vânia Beliz já tem uma ideia acerca das principais perguntas que irá receber, uma vez que tem uma vasta experiência de sessões em escolas. “Espero das raparigas questões sobre contraceção, gravidez e também sobre o aspeto físico. Dos rapazes, mais sobre a performance sexual – uma primeira vez que não corra bem pode deixar marcas para o resto da vida – ou ainda sobre o uso do preservativo”, nota.

A especialista também prevê que fazer encaminhamento dos jovens para o centro de saúde, nomeadamente para a consulta de planeamento familiar, que é gratuita e muitos nem sabem que existe.

Não está descartada a hipótese de a linha ser usada também pelos pais, com dúvidas relativamente ao momento e à forma de falar destes temas com os filhos. “A sexualidade não é só a relação sexual. São os afetos, a forma como nos relacionamos com os outros. Não pensamos resolver todos os problemas, mas pelo menos encaminhar e desmistificar.”

As perguntas podem ser enviadas durante todo o dia, mas as respostas serão dadas entre as 18:00 e as 20:00.

Vânia Beliz Sexologia

https://www.facebook.com/V%C3%A2nia-Beliz-Sexologia-516302375086802/

 

 

 

 

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