Seminário Banda Larga: Igualdade e Direitos Sexuais, 12 de junho no Porto

Junho 6, 2019 às 8:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Seminário Banda Larga: Igualdade e Direitos Sexuais, 22 de maio em Évora

Maio 15, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Inscrição gratuita e obrigatória, através do formulário de inscrição, disponível através do seguinte link :

https://www.facebook.com/events/665593980538668/

Estudo revela que mais de um terço dos jovens não usou preservativo na última relação sexual

Abril 22, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Mais de um terço dos jovens inquiridos num estudo nacional relatou não ter usado preservativo na última relação sexual e 14,5% disse ter tido relações sexuais associadas ao consumo de álcool ou drogas.

“Uma minoria significativa” reportou não ter usado preservativo na última relação sexual (34,1%), sublinha o estudo “Comportamentos sexuais de risco nos adolescentes”, divulgado a propósito do 10.º Congresso Internacional de Psicologia da Criança e do Adolescente, que vai decorrer na quarta e na quinta-feira em Lisboa.

A investigação, a que a agência Lusa teve acesso, concluiu que são os rapazes que mais frequentemente usam preservativo, que têm relações sexuais associadas ao consumo de álcool ou drogas e que não têm a vacina contra o vírus do papiloma humano (HPV).

O estudo realizado em Portugal faz parte do Health Behaviour in School Aged Children (HBSC) 2018, um inquérito realizado de quatro em quatro anos em 48 países, em colaboração com a Organização Mundial de Saúde, que pretende estudar os comportamentos dos adolescentes nos seus contextos de vida e a sua influência na sua saúde/bem-estar.

Segundo os dados recolhidos em Portugal, os jovens mais novos, do 8º ano, são os que mais frequentemente têm relações sexuais associadas ao consumo de álcool ou drogas, realça o estudo, advertindo que estes resultados “podem ter implicações significativas na alteração das políticas de educação e de saúde, direcionando-as para o desenvolvimento de competências pessoais e sociais nas várias estruturas que servem de apoio aos adolescentes portugueses”.

Os autores do estudo apontam como justificações possíveis para estes resultados “o desinvestimento na educação sexual”, a redução do número de campanhas de prevenção e o facto de a infeção se ter passado a considerar uma doença crónica e não uma “sentença de morte”, o que “poderá estar a desvalorizar a importância da proteção.

O estudo “Comportamentos sexuais de risco nos adolescentes” abrangeu 5.695 adolescentes, 53,9% dos quais raparigas, com uma média de idades de 15,46 anos, a frequentarem o 8º ano, o 10º ano ou o 12º ano.

A maioria dos adolescentes inquiridos mencionou já ter tido um relacionamento amoroso, apesar de não ter no momento (48,4%), sobretudo os rapazes (51,8%) e os adolescentes do 8.º ano (50,9%).

Segundo o estudo, a maior parte disse não ter tido relações sexuais (77%). Dos que referiram já ter tido, contaram que a primeira relação sexual foi aos 15 anos.

Os dados indicam também que 85,6% dos inquiridos não realizaram o teste de VIH e 84,7% não têm a vacina contra o HPV.

Segundo os últimos dados estatísticos da UNICEF, cerca de 30 jovens entre os 15 e os 19 anos foram infetados com o VIH/sida, por hora no mundo em 2017, números “particularmente alarmantes se se considerar que nos restantes grupos etários a epidemia estará a diminuir”.

Em Portugal, a situação é também preocupante pois cerca de um terço dos infetados com o VIH/sida tem menos de 30 anos e cerca de 16% tem entre 15 e 24 anos.

O estudo lembra que o melhor meio de evitar a infeção VIH/sida e outras infeções sexualmente transmissíveis continua a ser o preservativo.

HN // JMR

Lusa/fim

 

Alunos querem educação sexual menos vaga e mais interessante

Março 31, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 17 de março de 2019.

Obrigatória nas escolas desde há dez anos, a educação sexual continua a estar refém de tabus e dos meios ao dispor nas escolas. Quando é a sério faz a diferença.

Clara Viana

Renato tem 18 anos, está no ensino secundário e diz que durante todos os anos que já passou na escola só teve uma aula de educação sexual. “Foi com uma enfermeira”, especifica. É por estas e por outras que ele e outros colegas seus da Escola Secundária de Albufeira chegam a esta proposta após uma troca de opiniões na redacção do PÚBLICO: criar uma disciplina de Educação Sexual, com um estatuto igual ao das outras e com presença semanal no horário dos alunos.

Dizem que seria uma forma de se tentar pôr fim ao “faz-de-conta” que ainda muitas vezes marca a abordagem à sexualidade promovida pelas escolas, apesar de a educação sexual ser uma área obrigatória em todos os estabelecimentos escolares desde 2009. O médico de Psiquiatria da Infância e da Adolescência Rui Carvalho, 26 anos, aponta uma razão para que tal aconteça: “Temos uma tradição de punição e repressão da abordagem à sexualidade, que ainda tem grande peso, e que pode estar na base da opção de apresentar os tópicos que devem ser abordados de uma forma muito vaga”.

Por exemplo, no último Referencial da Educação para a Saúde, aprovado em 2017, que inclui os temas a ser abordadas em Educação Sexual, a questão da identidade de género, considerada uma das mais sensíveis, está expressa assim: “Compreender e respeitar a diversidade na sexualidade e na orientação sexual.” Destinatários: os alunos do 1.º ciclo do ensino básico ao secundário.

“A impressão que tenho é que se aborda tudo muito pela rama”, comenta o presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), Jorge Ascenção. O dirigente da Associação de Estudantes da Escola Secundária Camões, em Lisboa, Samuel Oliveira, diz mais: “A educação sexual tem sido útil, mas os temas tabus continuam a não ser falados na escola”. Acrescenta que é o que se passa, por exemplo, com as questões ligadas aos “comportamentos sexuais”.

De volta à proposta dos alunos de Albufeira, a psicóloga Margarida Gaspar de Matos, que fez parte do grupo de trabalho que esteve na origem da lei da educação sexual de 2009, assinala que chegou então a ser equacionada a criação de uma disciplina específica para esta temática. “Seria uma opção muito válida e era até a de mais fácil implementação, mas que corria dois perigos: por um lado “deixar de fora” outras áreas transversais de maior importância, como a educação para a equidade, diversidade ou cidadania; e por outro levar a que os alunos ficassem com uma carga de aulas ainda maior”.

Por essas razões, optou-se antes por “deslocar” estas temáticas para as chamadas Áreas Curriculares Não Disciplinares, como Formação Cívica ou Área de Projecto, que no anterior Governo foram suprimidas do currículo, o que ainda veio baralhar mais as coisas, embora se tivesse mantido em vigor a lei de 2009 em que se estipula que a carga horária dedicada à Educação Sexual não deve ser inferior a seis horas para o 1.º e 2.º ciclos do básico, nem a 12 no que toca ao 3.º ciclo e ao ensino secundário.

“E agora, Rosa?”

Esta lei não foi, entretanto, revogada, apesar da Educação Sexual ter transitado este ano lectivo para a nova disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, que em muitas escolas tem apenas 45 minutos por semana e um longo painel de temas a abordar, que passam entre outros pela igualdade de género, desenvolvimento sustentável, saúde ou literacia financeira.

Em resposta ao PÚBLICO, o Ministério da Educação indicou que esta transferência para a Cidadania e Desenvolvimento “continua a permitir promover uma abordagem transdisciplinar da educação sexual, nomeadamente no ensino secundário”. Ou seja, ser tratada em várias disciplinas.

A última avaliação sobre a aplicação da lei de 2009 diz respeito ao ano lectivo 2015/2016, está actualmente outra em curso, e confirma uma velha tendência: na grande maioria dos casos, é nas disciplinas de Ciências Naturais e de Biologia que se dá conta desta tarefa.

Aires Alexandre é professor destas duas disciplinas. Diz que “tem feito o que é normal fazer nesta matéria”, mas que o problema é o tempo ou melhor a falta dele, “porque há todo um programa que é preciso cumprir”. “Felizmente contamos com a colaboração do centro de saúde, que é muito importante, e com uma equipa de psicólogos escolares, que geralmente tratam dos temas mais delicados, como por exemplo, a identidade sexual”, comenta.

“Os alunos sentem-se mais à vontade para falar connosco do que com os professores e estes também muito frequentemente não se sentem bem a abordar estas temáticas da sexualidade com os seus estudantes e inconscientemente acabam por as enquadrar nas suas próprias ideias de como se deve pensar ou agir”, testemunha Rosa Franco, enfermeira, que há uma década trabalha na área da Saúde Escolar no Centro de Cuidados na Comunidade do Agrupamento de Centros de Saúde de Oeiras. Ela e outra colega sua “respondem” por cerca de dois mil alunos.

Rosa Franco defende que é, por isso, tão importante que os chamados Gabinetes de Informação ao Aluno, previstos na lei de 2009, estejam a funcionar nas escolas, para que os estudantes saibam que estão ali técnicos que os podem ouvir e ajudar: “A nossa função não é estarmos ali para criticar comportamentos, mas sim para apoiar os jovens que muitas vezes precisam de respostas rápidas para resolver situações complicadas em que se encontram”. Que podem passar por serem confrontados com uma gravidez ou por terem contraído infecções sexualmente transmissíveis. Neste tempo todo, tem tentado não falhar quando lhe perguntam: “E agora, Rosa?”. O problema, mais um, é que em muitas escolas estes gabinetes não estão em funcionamento ou se estão os alunos não sabem da sua existência, como se alertou numa outra avaliação feita à aplicação da Educação Sexual.

Quando lhe chegam, muitos destes alunos já andaram num ricochete “do pai para a mãe e da mãe para o pai para tentar ter respostas que muitas vezes não são dadas”. “Acabam por estar muito sozinhos”, constata Rosa Franco. Dos sete alunos de Albufeira com quem o PÚBLICO se encontrou, a três aconteceu o mesmo. E é por isso, por os pais nunca terem falado com ele sobre estas questões, que Eric, de 19 anos, diz que aquilo que aprendeu nas aulas de educação sexual  tem sido “muito útil” na sua vida: “Levei os avisos que fizerem a sério e apliquei os cuidados que me transmitiram. Só quando me viram mais crescido e responsável é que os meus pais tentaram falar comigo, mas então eu já sabia”.

Através de questionários anónimos dirigidos a alunos, o projecto SexEd tem constatado que é a actividade sexual propriamente dita que levanta mais dúvidas aos jovens. A orientação sexual aparece em sexto lugar.

Sempre o mesmo?

“Partimos do princípio que os alunos já vêm com alguns conhecimentos sobre a sexualidade, mas isso não acontece com os mais novos. Muitos pais não abordam estes assuntos e eles também ainda não têm idade para entender o que vão encontrando na Internet”, refere Glória Ramalho, professora de Biologia e responsável pelo Programa de Educação para a Saúde na Escola Básica e Secundária Quinta das Flores, em Coimbra.

Foi por essa razão que, neste ano lectivo, voltaram a centrar-se também nos conteúdos da educação sexual no 7.º ano de escolaridade. “Tínhamos optado por uma abordagem mais ampla, mas constatámos que pura e simplesmente se tinha deixado de falar de educação sexual à entrada do 3.º ciclo por se assumir que já tinha sido abordado no 5.º e 6.º ano”, explicita.

Num estudo realizado em 2014 também para avaliar a aplicação da lei de 2009, em que Margarida Gaspar Matos participou, uma das queixas recorrentes transmitidas pelos alunos era a de os temas “serem apresentados anualmente de forma idêntica e sem progressão”. Os alunos da Secundária de Albufeira corroboram e acrescentam o seguinte: “o problema é também que a escola aborda estas coisas de um modo que não nos desperta suficientemente o interesse. E isto pode resolver-se se fossem apresentando exemplos concretos com os quais nos possamos identificar”, resume Paulo, 17 anos.

Cativar é possível

Margarida Gaspar de Matos refere que, embora com algumas especificidades, os problemas com a Educação Sexual são idênticos ao “problema da escola em geral”. “Programas intermitentes, ministrados por professores desmotivados, stressados, desvalorizados, e pouco formados nestas áreas são desmotivantes e os alunos tendem a achá-los repetitivos, estéreis e pouco ligados a algo que os interesse”.

A professora do ensino básico Anabela Diogo, com investigação na área da educação sexual, considera que os alunos também se queixam de lacunas por entenderem que “conteúdos que abordem a diversidade, o respeito ou questões de género não são entendidos como parte da educação Eexual”. E os manuais em vigor ajudam pouco nesta matéria como comprovou na investigação que fez para o seu doutoramento em 2011. Desde então, adianta, “tem havido alguma evolução, mas muito há ainda a realizar na promoção da igualdade de género e na prevenção da violência a partir dos manuais”.

Guilherme, de 17 anos, do grupo de alunos de Albufeira tem mais uma sugestão a fazer: “Em vez de terem sempre um mesmo papel para segurar nas aulas, seja qual for a turma, os professores podiam primeiro recolher quis são as nossas dúvidas e os temas que nos interessam ou preocupam para depois adaptarem as suas aulas. Isso sim, podia cativar-nos”. É precisamente esta a metodologia seguida pelo projeto SexEd, conta o médico Rui Carvalho. Mais concretamente, têm guiões elaborados com os temas a abordar consoante a faixa etária, mas que vão sendo adaptados às dúvidas colocadas pelos alunos nos questionários que promovem. Com uma condição à partida: os tópicos escolhidos pelo projeto não são negociáveis.

 

 

Já explicou o que são partes íntimas para uma criança?

Março 4, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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II Reunião Interdisciplinar: Cruzadas – «Crescer em Wire(less)» 20 novembro em Guimarães

Novembro 10, 2018 às 4:46 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Inscrições até 16 de novembro

Mais informações:

http://www.hospitaldeguimaraes.min-saude.pt/page3.asp?b=32&fbclid=IwAR1NC_JaRpIF7qGE-06au2r2AIBIXyQa-P_zmeiwVhOAgE-jwReUhEVrVQc#1185

Pós Graduações em Saúde Mental – Promoção da Saúde Mental e do Bem Estar em Contexto Escolar e Educação Sexual – Intervir na Promoção e Bem estar da Saúde Sexual e Reprodutiva na FMH

Fevereiro 1, 2018 às 9:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

http://posgrad.fmh.ulisboa.pt/saude-mental/

mais informações:

http://posgrad.fmh.ulisboa.pt/educacao-sexual/

Elas perguntam, nós respondemos – Sexualidade

Agosto 7, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://expresso.sapo.pt/ de 9 de julho de 2017.

Falar de sexualidade com as crianças pode não ser fácil, mas não deve ser evitado. E é melhor aguardar pelas interrogações do que as suscitar. Elas só acontecerão se existir espaço para isso — e esse espaço é construído desde o berço

Luciana Leiderfarb  texto

Carlos Esteves  infografia

Há sempre um momento em que a nossa criança formula a pergunta de um milhão. Aquela que sabíamos que viria, mas que não estamos preparados para responder — ou, pior ainda, que achávamos que ela não estava preparada para sequer perguntar. Por mais comunicação que exista entre pais e filhos, abordar o tema da sexualidade pode nem sempre ser fácil ou simples. E atire a primeira pedra quem não tiver desviado o assunto pelo menos uma vez.

“Muitos pais têm medo do que ouvem por parte dos filhos, e podem não responder logo. Podem até dizer: ‘tenho de pensar sobre isso’, de forma a terem tempo para encontrar as palavras certas. Mas não podem não responder”, diz Sofia Nunes da Silva, psicóloga e terapeuta familiar no Hospital de Santa Maria. Nestas coisas, o silêncio não é uma opção. E, se por acaso o tiver sido, não é na adolescência que ele será quebrado. “Essa ideia é irrealista e errada. Quem não tiver criado esse canal de comunicação até à puberdade, não o vai criar a partir daí. O silêncio mostra que este é um tema incómodo. E pode fazer com que a criança não exteriorize as suas dúvidas ou o faça só com os pares — que nem sempre têm informação completa ou estruturada”, complementa Duarte Vilar, diretor executivo da Associação para o Planeamento da Família (APF). “O silêncio é horrível”, continua Sofia Nunes da Silva. “É um sinónimo de indiferença.”

Dito isto, e tendo mesmo que falar, há várias formas de o fazer. E convém mesmo não evitar ou contornar os assuntos. Desde as primeiras perguntas mais ‘básicas’ às mais tardias e elaboradas, a linguagem deve ser “simples e verdadeira”, aconselha o urologista Manuel Mendes Silva, autor do livro “A sexualidade explicada às crianças”. “Aos seis anos, deve-se esperar que seja a criança a colocar as questões. A partir dos oito, já se pode ser mais proativo”, explica o clínico. Quer isto dizer, reformula Sofia Nunes da Silva, que os adultos têm de ouvir mais do que falar, aguardar que seja a criança a trazer as temáticas, tentando não antecipar as suas perguntas. Fazê-lo pode provocar ansiedade, sentimentos de incompreensão, ou aquilo que os pais mais temem: “Suscitar curiosidades deslocadas para a idade dos filhos e levá-los a uma exploração para a qual não estão ainda preparados.”

Se toda a pergunta é sempre um começo atrás do qual se escondem muitas outras, ela representa também o fim e a finalidade de um longo processo. A pergunta acontece porque, desde a nascença, foi criado espaço para tal. “A criança não quer falar do que não lhe interessa, pelo que é preciso esperar que ela ‘puxe’ o assunto. Mas isto só ocorre se ela sentir que os pais estão disponíveis.”, comenta Duarte Vilar. A disponibilidade constrói-se. Para Sofia Nunes da Silva, a chamada ‘educação sexual’ mais não é do que a educação dos afetos, “o modo como a criança se relaciona com os outros”. Por isso mesmo, “começa no berço”: “Inicia-se na relação da criança com os pais e com os irmãos. Com eles, ela aprende os limites e o respeito pelo próprio corpo e o do outro, e adquire as noções fundamentais que, mais tarde, serão a base da sexualidade adolescente.” Desde cedo, defende a psicóloga, espera-se dos pais uma postura recetiva do que as crianças têm para dizer.

E elas não se expressam de qualquer maneira. Duarte Vilar aconselha a que os pais não procurem “ter ‘a’ conversa”. “Resumir tudo numa conversa formal é uma ideia antiquada. Numa família, a comunicação é informal e constrói-se em torno de comentários, de respostas, do que os miúdos ouvem fora de casa, do que passa na televisão. Há muitas formas de conversar”, opina o sociólogo. Por outro lado, as próprias dúvidas que os jovens colocam vão também alterando a configuração. “Não adianta pensar que se já explicamos uma coisa, a criança não precisa de voltar a falar disso. Ela compreende, a cada momento, o que tem a capacidade de compreender. E vai aprofundando os assuntos.”

“Se os jovens têm dúvidas e perguntas é porque são capazes de entender as respostas”, concorda Margarida Gaspar de Matos. E a escola tem igualmente de participar no processo. Porém, por mais legislação que exista, é urgente haver continuidade. “O que falha? O facto de nem sempre se achar que a educação para a saúde é importante. Faz-se um grande investimento e depois interrompe-se o processo.” Coordenadora do projeto Aventura Social, que integra o Health Behavior in School-aged Children, da Organização Mundial da Saúde, a psicóloga relembra algumas das conclusões do estudo de 2014 sobre a vida dos adolescentes — o próximo será divulgado em janeiro de 2018. Entre elas, a ênfase dada nas escolas à prevenção do risco sexual e não tanto à abordagem da sexualidade em termos de “competências pessoais, relações interpessoais, de equidade de género e de direitos humanos”.

O problema surge quando a educação sexual “é dada como matéria” estritamente ligada à saúde, à biologia e às ciências da natureza, dispensando o debate em torno dos comportamentos e das relações afetivas. Em última instância, frisa Gaspar de Matos, é esse lado da aprendizagem que mais tarde irá prevenir situações de abuso ou de violência sexual, ou que irá fixar a noção de consentimento sexual. “A educação sexual na escola trouxe melhorias, como uma diminuição da gravidez adolescente [segundo os últimos dados do INE]. E há escolas a fazer grandes trabalhos. Só que o panorama é muito desigual e o Ministério da Educação deveria garantir que todas as escolas cumpram os mínimos”, diz Margarida Gaspar de Matos, para quem a mera existência de gabinetes de apoio à saúde não garante que estes funcionem eficazmente. Para tal acontecer, é necessário voltar a treinar os professores, pois “não é com um PowerPoint que se esclarecem as dúvidas” dos mais novos.

Para Margarida Gaspar de Matos, cabe à escola dar o que, por vezes, a família não consegue. Por exemplo, a orientação necessária face às tecnologias, onde as crianças obtêm todo o tipo de informações nem sempre fiáveis. “Os pais podem ser ajudados não só a falar com os filhos mas também a orientá-los na procura de informação.” Para Duarte Vilar, “a educação sexual na escola tem de ser consistente e regular, e não resumir-se a uma conversa a cada cinco anos”. Agora, o recém-homologado Referencial de Educação para a Saúde — uma espécie de guia da educação para a saúde em ambiente escolar — pode significar o preenchimento deste hiato e a reativação desse espaço no ensino. E um simples relance pelos seus conteúdos mostra que o lado físico da sexualidade surge a par do relacional. A secção respetiva chama-se “Afetos e Educação para a sexualidade” e foca subtemas como a identidade e género, os valores e os direitos sexuais e reprodutivos.

DESENVOLVIMENTO DA SEXUALIDADE

0-3 anos O bebé torna-se consciente do seu corpo e começa a explorá-lo. Precisa de ser tocado e acarinhado. Aprende se é rapaz ou rapariga.

4-6 anos Surgem a curiosidade sobre a reprodução e a fase dos ‘palavrões’. A exploração do corpo traduz-se em jogos. Nascem as amizades preferenciais.

7-9 anos Aparece o sentimento de pudor. Faz-se menos perguntas sobre sexo. Meninas e meninos juntam-se em grupos à parte.

10-15 anos Iniciam a puberdade e, a seguir, a adolescência. Há mais interesse pela sexualidade. Nas raparigas aparece a menstruação. Nos rapazes, a primeira ejaculação. A masturbação em ambos aumenta. Um novo corpo começa a desenhar-se.

16-18 anos A orientação sexual é agora clara. As experiências sexuais consolidam-se na relação com o outro. Há uma cada vez maior independência dos pais.

Fonte: OMS, Policies for Sexuality Education in the European Union, 2013

 

 

 

Teresa Bombas: “Ainda é um indicador de pobreza do país”

Março 9, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista de Teresa Bombas ao http://www.dn.pt/ no dia 6 de março de 2017.

Teresa Bombas é especialista em ginecologia e obstetrícia

Teresa Bombas é especialista em ginecologia e obstetrícia

Diz que é preciso assumir que a gravidez na adolescência é um indicador de pobreza. Para minimizar ainda mais o problema, é necessário melhorar as condições de vida das famílias.

Teresa Bombas, presidente da Sociedade Portuguesa da Contraceção, considera que a nova geração tem mais informação e mais expectativas, ou, pelo menos, expectativas que não passam por ter filhos em idade precoce.

Como vê a descida do número de mães adolescentes em Portugal nos últimos anos?

Este é um indicador favorável da evolução do país. A gravidez na adolescência, e mais especificamente o número de adolescentes que são mães, é um dos indicadores de pobreza de um país. Basta olhar para o resto do mundo. O diminuir deste número é o resultado de várias condições: a natalidade baixou globalmente, a literacia aumentou, o número de anos da escolaridade obrigatória também, há acesso a uma educação e informação diferentes. Houve um aumento da riqueza das famílias, o que, de alguma maneira, permite que os filhos tenham expectativas diferentes dos pais. Obviamente, houve também maior divulgação e acessibilidade à contraceção.

Um dado positivo é que esta quebra não foi acompanhada de um aumento da interrupção voluntária da gravidez nestas faixas etárias…

O início da atividade sexual acontece em idades mais jovens, o número de gravidezes e partos em adolescentes baixa sem que tenha aumentado o número de interrupções neste grupo etário. Também sabemos que passaram a usar mais contraceção. Digamos que, globalmente, a nova geração está mais bem informada e parece tender a ter mais expectativas ou expectativas individuais diferentes que não passam por serem pais em idades em que ainda devem ser filhos.

Apesar desta quebra, continuamos a ter uma média de seis adolescentes mães por dia. O que está a falhar?

Continuamos a ter um problema social grave. Continua a haver gravidez na adolescência em grupos sociais carenciados, maioritariamente onde a gravidez na adolescência não é um novo acontecimento, mas sim um acontecimento de repetição. O que falha: melhorar as condições de vida da população. Há menos gravidez na adolescência, mas continuam a verificar-se situações sociais muito graves e estas, infelizmente, não diminuíram. É nas famílias mais carenciadas que este acontecimento se continua a verificar. O número de adolescentes institucionalizadas com filhos proporcionalmente não diminui, o número de famílias a receber rendimento de inserção social também não, o número de jovens com situações sob orientação da proteção de menores também não diminui proporcionalmente.

O que é que é preciso fazer para evitar a gravidez na adolescência?

Melhorar a vida da população. É preciso investir na melhoria da exclusão social e assumir definitivamente que este é um indicador de pobreza. Se uma jovem de 15 ou 16 anos, sabendo que existe contraceção, sabendo que se engravidar pode interromper a gravidez e decide (consciente ou inconscientemente) engravidar e continuar a gravidez, assumindo este como o único projeto de vida que tem, alguma coisa está a correr mal… No rendimento da família, que não consegue ter padrões de identificação que permitam aos seus filhos “sonhar diferente” para si.

Como é que isso se altera?

É preciso continuar a trabalhar educação sexual e tornar a contraceção acessível para todos. Temos de melhorar o nível de educação e sobretudo o rendimento das famílias. Não vou dizer que são só os com mais dificuldade e menos literacia que são pais na adolescência, mas sobretudo estes e ainda são muitos…

 

 

Um jogo sexual está a preocupar as autoridades espanholas

Janeiro 21, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Noticia do http://www.dn.pt/ de 9 de janeiro de 2017.

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A não utilização de preservativos agrava os riscos deste comportamento | Arquivo Global Imagens

Médicos alertam para riscos deste comportamento, depois de aumento de casos de doenças sexualmente transmissíveis entre jovens

Um aumento de casos de doenças sexualmente transmissíveis na unidade de adolescentes de um hospital de Madrid e pelo menos quatro casos de gravidezes indesejadas são sinais que estão a preocupar as autoridades de saúde da capital espanhola, que alertam para um jogo sexual perigoso, chamado “roleta sexual” ou “Juego del Muelle”, segundo o jornal El Mundo.

De acordo com o jornal, há um vídeo de quatro minutos que se tornou viral nas redes sociais em Espanha e mostra como se joga: cinco rapazes estão sentados sem roupa interior e três raparigas, nuas da cintura para baixo, sentam-se aos seus colos. A cada 30 segundos, as raparigas mudam para o colo do rapaz ao lado. Perde o jovem que ejacular primeiro.

Todos os jovens que aparecem no vídeo são menores de idade e em cima de uma mesa são visíveis várias garrafas de álcool e cigarros. Um dos jovens contou ao jornal espanhol que faz este jogo regularmente com os amigos, tendo recebido as instruções do jogo por uma mensagem no Whatsapp. O rapaz, que não se quis identificar, contou ainda que não usam preservativo. Os jovens contam também que este começou na Colômbia, onde é conhecido por Carrossel.

Os serviços de saúde espanhóis dizem que pelo menos quatro adolescentes ficaram grávidas em 2016 ao fazer este jogo, mas admitem que é difícil chegar a um número real, pois as jovens não contam como engravidaram. “É algo relativo, impossível de comprovar, pois elas não dizem”, disse uma fonte médica ao El Mundo.

Difícil de contabilizar é também o número de casos de doenças transmitidas neste tipo de jogo. Pilar Lafuente, ginecologista do Hospital La Paz, em Madrid, diz que passou de ver “dois ou três casos [de DST] por ano para atender 10 menores de idade por trimestre”.

“O problema é que se unem a inconsciência e a imaturidade. Com boa educação sexual isto não aconteceria”, explicou a psicóloga e sexóloga Ana Lombardía, citada pelo jornal. A especialista explica alguns dos problemas práticos deste tipo de comportamento: “os rapazes podem ter problemas de ereção e de controlo da ejaculação. Mas é pior para as raparigas. A dor de serem penetradas sem estarem excitadas cria vaginismo: a vagina está contraída e isso cria lacerações e feridas”.

Além disso, mesmo que os rapazes usem preservativo, as raparigas estão “totalmente indefesas”, continua Lombardía. “Elas vão rodando e entram em contacto com as secreções das outras. Logo contraem VIH, hepatite C, sífilis, gonorreia e o HPV”.

“Os adolescentes são cada vez mais precoces e têm acesso ao álcool, drogas e sexo mais cedo. Aborrecem-se rápido e procuram outras formas de se divertirem sexualmente”, explicou a psicóloga e sexóloga.

O estudo internacional Health Behaviour in School-aged Children (HBSC), revelado no ano passado, mostrou que a não utilização de preservativo é um problema grave entre os jovens portugueses: 25% disseram não usar.

 

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