Crianças e menores desaparecidos: Alguns procedimentos a adotar – Polícia Judiciária

Maio 25, 2020 às 9:04 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Alerta ao cidadão – Crianças e menores desaparecidos: Alguns procedimentos a adotar

A Polícia Judiciária sublinha alguns procedimentos, cujo cumprimento é fundamental, para assegurar o início rápido e eficaz de uma investigação de desaparecimento:
1. As pessoas mais próximas devem estar atentas a alterações de comportamento e quebra de rotinas;
2. A comunicação do desaparecimento às autoridades deve ser feito imediatamente após se terem frustrado as tentativas de localização baseadas nas rotinas pessoais, quer de locais frequentados quer de horários habituais;
3. Entregar, quando da comunicação do desaparecimento, uma fotografia do desaparecido, tão actualizada quanto possível e destacar na participação todo e qualquer sinal particular o mais detalhadamente possível, nomeadamente
a) Amigos próximos;
b) Prováveis causas do desaparecimento;
c) Locais de repouso ou distracção favoritos;
d) Passatempos preferidos;
e) Interesses pessoais;
f) Eventual surgimento anterior de algumas das alterações elencadas no item 1;
g) Roupa que provavelmente vestia e outra que tenha também desaparecido;
h) Meios de transporte preferencialmente utilizados.
4. No decurso da investigação deve ser comunicado de imediato à Polícia toda e qualquer informação superveniente que chegue ao conhecimento do participante, independentemente do grau de relevância que este lhe atribua.
Convirá, ainda, ter em conta que:
– Um “desaparecimento” não constitui um crime, pelo que, sempre que exista uma fundada suspeita de que tal situação seja consequência da prática de um acto criminoso, o caso concreto é classificado de acordo com o crime presumivelmente cometido e em tal âmbito investigado;
– Não sendo o desaparecimento um crime, não se encontra obviamente sujeito aos prazos de prescrição de procedimento criminal, pelo que até que seja resolvida definitivamente, qualquer investigação de desaparecimento pode ser trabalhada, independentemente do tempo decorrido desde o evento, sendo correcta a afirmação de que “um desaparecimento nunca se arquiva”.
Finalmente:
Apela-se a todos os comunicantes de casos de desaparecimento que, sendo o desaparecido encontrado por instituição ou pessoa diversa desta Polícia Judiciária, tal acontecimento nos seja comunicado no mais curto espaço de tempo permitindo-se, desse modo, alocar sem delongas, meios humanos e materiais até aí empenhados na resolução desse caso, a outros ainda por concluir.

“Há algumas famílias que se sentem muito aliviadas com a situação presente”

Maio 14, 2020 às 8:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Texto do Público de 3 de maio de 2020.

Ao fim de quase dois meses de confinamento, há famílias que olham para este período com cansaço. Porém, há também quem descreva estes tempos como uma oportunidade — e não esteja ansioso pelo desconfinamento.

Carla B. Ribeiro

O isolamento deixou alguns sozinhos, mas também fez que outros ficassem mais acompanhados do que nunca: sempre pelas mesmas pessoas, num mesmo espaço, onde todos se desdobram em múltiplas personagens.

“O mais parecido que tivemos com isto foram as férias quando os miúdos eram mais pequenos — e é sempre uma situação diferente”, recorda Luís Castelo. “Antes, passávamos o dia todo sem nos vermos; cruzávamo-nos ou não ao pequeno-almoço, mas cada qual tinha a sua própria rotina. À noite, sim, jantávamos juntos.” A maior dificuldade deste intenso convívio, com os miúdos com as aulas à distância e a mulher em teletrabalho de forma contínua, é “lidar com o facto de que qualquer questão pode ser amplificada e a tensão precisa de mais tempo para se dissipar”.

A tensão alimentada por “um medo difícil de identificar” tornou-se, como descreve a psicóloga e terapeuta familiar Sofia Nunes da Silva, “um elemento novo e invisível no seio de muitas famílias”, considerando que para o combater “a receita, às vezes, não é falar mais, mas optar por actividades prazenteiras que não obriguem ao diálogo”, evitando, assim, a escalada de um conflito que noutra altura não o seria. Quando se atinge um clímax, Sofia Nunes da Silva diz que se pode recorrer aos serviços da Sociedade Portuguesa de Terapia Familiar que, desde 6 de Abril, tem uma linha de apoio (+351 213 555 193), onde diariamente têm chegado alguns pedidos de ajuda.

Porém, explica, o que é essencial para não se chegar a esse ponto é “definir fronteiras; respeitar espaços e tempos individuais, deixando o encontro para, por exemplo, o tempo da refeição”.

regra dos encontros à refeição, explica Luís Castelo, é o que tem ajudado a que o quotidiano corra de feição: “Definir uma hora de almoço e uma de jantar deu-nos uma disciplina importante”, diz, acrescentando que assumiu as tarefas do dia-a-dia por ter mais disponibilidade (o espaço onde trabalha está encerrado; estando a leccionar algumas aulas à distância). “Excepto lavar a loiça; tenho sempre a boa desculpa de já ter feito a refeição!”

“Não estamos mal em casa juntos, mas também sabemos que saudável não é.” No entanto, refere, sente que têm sorte por ter acontecido agora: “Os nossos filhos já são adultos [de 20 e 22 anos]; quem tem crianças ou jovens deverá ter mais dificuldades.”

Gerir os tempos em família

Maria (nome fictício), casada e com uma menina de 7 e um menino de 2 anos, reforça a teoria de Luís Castelo. “É positivo estar mais tempo com os filhos, mas há dias em que não os posso ver nem pintados de ouro”, gargalha, ao mesmo tempo que relata já ter tido reuniões com os dois “literalmente em cima” de si.

“Quem está em teletrabalho de uma forma mais intensa terá mais dificuldade em gerir os tempos em família”, sintetiza a terapeuta familiar Sofia Nunes da Silva. E é esse o caso de Maria.

Estando, desde o início do primeiro estado de emergência, em teletrabalho na área da saúde e segurança ocupacional — o que significa que tem tido mais que fazer do que noutras alturas —, tenta conciliar as responsabilidades laborais com os dois filhos. Tem-lhe valido, refere, o facto de o marido ter sido dispensado de se apresentar ao serviço e de este apoiar ambas as crianças.

No entanto, mesmo que confesse as saudades “do silêncio dos tempos de condução, de ir ao café, dos almoços em casa dos pais”, encara estes dias como “uma oportunidade para a família crescer em conjunto”, com pontos negativos e outros que compensam. É que, se, por um lado, sente falta da ajuda preciosa que era ter uma empregada doméstica uma vez por semana, por outro, envolve hoje a filha mais velha em tarefas domésticas que nunca tinha tentado antes.

Nem tudo são rosas: nota que a criança manifesta muitas saudades da escola e dos amigos, e até alguma irritação — “odeia a telescola”, conta. Um estado de espírito presente em muitos dos mais pequenos com que Sofia Nunes da Silva tem falado. “De uma forma geral, têm saudades do convívio”, ainda que ressalve que a maioria não manifesta vontade de sair de casa, não tanto pelo medo, mas pelo sentimento de conforto. A psicóloga reforça, no entanto, a ideia de que também os pais têm de dar espaço aos filhos, que também não estavam habituados de estarem permanentemente sob o controlo parental: “Não podem achar, por exemplo, que passaram a ser também os professores.”

Ao sabor dos filhos

A forma como se tem lidado com o tempo de confinamento não depende apenas de se estar em teletrabalho ou da idade das crianças da casa. O temperamento dos filhos também acaba por marcar o passo. “Pais com filhos mais rebeldes vêem-se em situações difíceis”, explica a psicóloga. E o mesmo se passa quando os pais passam o tempo a adaptar a sua abordagem a cada criança.

Em teletrabalho tal como a mulher, Paulo Dinis tem o seu dia dividido entre estar atento ao trabalho e em simultâneo lidar com a preocupação da mais velha, de 8 anos, com a reguilice da do meio (“com 5, não leva nada a sério”) e com a “capacidade de inventar” do mais novo, com 2 anos. Tem ajudado a manutenção de regras: “Mantêm os mesmos horários de irem para a cama, de almoçar, jantar.”

“Não está a ser fácil, mas também tem sido uma oportunidade para fazermos coisas que não faríamos noutra situação, como voltar aos jogos de tabuleiro.” Por outro lado, sente que este tempo o ajudou a ser capaz de se lembrar de si próprio quando tinha as idades das suas crianças — e a ser mais tolerante.

Isabel também tem a casa cheia — até mais do que antes. A si, ao marido, aos três filhos (de 13, 16 e 18 anos), aos três cães e aos dois gatos juntaram-se a cunhada e a cadela desta. “Vivemos numa casa dividida por andares, o que ajuda” e, com os três miúdos com aulas e todos os adultos em teletrabalho, “às vezes só nos encontramos ao fim do dia ou às refeições”.

A primeira fase foi mais complicada, mas os próprios miúdos acabaram por ajudar à organização e, numa operação digna de qualquer programa televisivo, criaram um quarto a partir de um escritório, conseguindo cada qual o seu próprio espaço.

Também a gestão das tarefas da casa mudou. Antes, havia uma pessoa que assegurava as limpezas maiores, ficando para si a manutenção. Agora, sem essa colaboradora (“ficou como nós: a trabalhar em casa”, brinca) todos cooperam: “Ao sábado, cada um ocupa-se de diferentes áreas e tarefas.”

Mesmo assim, e apesar de considerar que está tudo a correr bem, há dias mais complicados: “Não sou à prova de bala”, desabafa. E já aconteceu meter “um dia de folga” — e a família respeitou.

O quebrar da rede

Do que Isabel sente mais falta é do jantar semanal com a família completa. “Tínhamos uma rotina que implicava que, todas as quartas-feiras, os avós iam buscar os três à escola e traziam-nos para casa para jantarmos todos.”

A rede de apoio com que contava, dos pais e dos sogros, também é uma das coisas que Catarina Coutinho mais sente falta, não vendo a hora de regressar ao ritmo que tinha antes. “Uma coisa é estar em casa por opção, outra é estar por obrigação.”

Professora e a dar aulas numa escola a cinco minutos da residência, o que implicava não sofrer com o trânsito e até às vezes poder ir almoçar a casa, explica que o facto de a sua vida entre a casa e o trabalho ser relativamente fácil faz com que sinta tanta falta do antes.

Além disso, com um rapaz de 7 anos, tinha toda a semana programada num esquema em que contava com o apoio dos avós: “O meu filho está tão bem comigo como com os meus pais ou sogros.” Isso permitia-lhe “não andar a correr” e, algumas vezes, ter momentos sociais de ir jantar fora, ir a um concerto, enquanto, relata, o rapaz contava com todo o mimo dos avós e as brincadeiras com os primos.

O mais complicado, nas duas primeiras semanas, foi gerir a casa, sem a empregada de limpeza que ia uma vez por semana e com todas as refeições — “e com um miúdo de 7 anos não dá para ser qualquer coisa ao almoço”. Depois, ao longo do dia, multiplica-se entre ser professora do filho, professora dos seus alunos, mãe, etc. Por tudo isto, e apesar de sublinhar estar grata por estarem bem e por gerirem o dia-a-dia em casal sem nenhuma dificuldade, está desejosa de voltar ao normal.

Esse antes é, pelo contrário, o lugar onde Ana Conceição não quer voltar. “Quase me sinto culpada por dizer isto e sei que há muita gente a sofrer, mas nunca vi isto [de ficar em casa fechada em família] como uma coisa má.”

A terapeuta Sofia Nunes Silva explica que, enquanto as pessoas que estavam mais apoiadas terão maior vontade de regressar ao estado anterior, “há algumas famílias que se sentem muito aliviadas com a situação presente”.

É o caso de Ana Conceição, mãe de duas meninas em idade pré-escolar, cujo dia-a-dia implicava muito tempo no trânsito e demasiadas horas fora de casa. E, apesar de se ter mantido em teletrabalho, tal como o marido, e de afirmar que tem sido “muito cansativo”, não lhe passa pela cabeça queixar-se: “Eu pedi isto muitas vezes: ter tempo para ver as minhas filhas a crescer.” Já o tempo que passava no trânsito, passou a dedicá-lo ao seu hobby: o desenho.

Para conseguir aproveitar, porém, teve de prescindir da ideia de ter sempre a casa imaculada, ainda que a divisão das tarefas em casa seja natural e feita de forma equilibrada e, por isso, não tenha sido um factor de stress.

Sente falta de algumas coisas, como das pausas no trabalho: “Em casa, as pausas do teletrabalho representam outro trabalho.” Mas aquilo de que tem mesmo saudades é do silêncio. “De vez em quando, compro-o, dando acesso às pequenas ao telemóvel, que não costumam ter”, confessa, num tom de voz em que se percebe o sorriso de quem encontrou ferramentas para atingir o equilíbrio.

Covid-19: IAC- Instituto de Apoio à Criança reinventa-se

Abril 8, 2020 às 8:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social, Uncategorized, Vídeos | Deixe um comentário
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Reportagem com declarações de Vera Abecasis do Sector da Humanização do Instituto de Apoio à Criança.

Notícia do canal Saúde+ de 2 de abril de 2020.

Defensor dos direitos da criança, junto das diferentes entidades, instituições e comunidade em geral, o Instituto de Apoio à Criança, reinventou-se para fazer face à crise da Covid-19. O apoio é agora feito à distância, por chamadas, videochamadas e via WhatsApp. 

A sociedade vive atualmente num contexto totalmente atípico, as pessoas e as instituições reinventam-se e adaptam-se a esta nova realidade que todos esperam que seja temporária. 

Neste abril incomum, dedicado à prevenção primária dos maus tratos infantis, Vera Abecasis, explicou ao Canal S+ como é que o Instituto de Apoio à Criança garante a continuação do apoio a crianças, jovens, famílias e instituições parceiras, nos diferentes eixos da sua intervenção. 

Com o isolamento social em ambiente de risco, o número de apelos na linha SOS CRIANÇA aumentou, garante a psicóloga Vera Abecasis. 

Instituto de Apoio à Criança 

Linha SOS CRIANÇA: 116111 

Visualizar os vídeos das reportagens no link:

https://saudemais.tv/noticia/10885-covid-19-iac-instituto-de-apoio-a-crianca-reinventa-se?fbclid=IwAR0w-C-yuxMNSzCIq3WuTSzt-TA-eDvo6Z4kTmVVmp0ymyYwrE0ptgj2ECQ

Oficina para crianças “A Sereia e os Gigantes” vídeos do CCB

Abril 6, 2020 às 2:06 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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A partir da leitura do livro A Sereia e os Gigantes, de Catarina Sobral, damos a descobrir dois mundos muito diferentes: o Mar, das ondas, dos peixes e dos navios; e a Montanha, das árvores, das casas e das pessoas. E entre estes dois gigantes, o que será que vamos encontrar?

Com materiais que facilmente temos em casa, desafiamos as famílias a explorar, com as suas crianças, os objetos que fazem parte destes universos, recriando uma praia dentro de um espaço fechado. As crianças podem arregaçar as mangas e brincar aos construtores de paisagens, descobrir e categorizar o que é típico do mar e o que é típico da terra e interagir com esse novo lugar, que não é terra nem mar, mas sim uma nova linha de costa.

Linha SOS Criança : “Não há boas maneiras para se dar más notícias. Nem às crianças” Entrevista de Manuel Coutinho do IAC

Abril 3, 2020 às 9:46 am | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

Ezra Shaw/Getty Images/AFP

Entrevista do Dr.° Manuel Coutinho, Secretário-Geral do IAC ao Sapo24 de 2 de abril de 2020.

Quando as famílias estão fechadas entre quatro paredes a violência doméstica tende a aumentar. Foi a pensar nas crianças em perigo que foi criada a SOS Criança, uma linha de emergência que pode salvar vidas.

Cerca de três mil crianças sofreram abusos sexuais nos últimos quatro anos e, de acordo com dados do Ministério da Justiça, mais de 5 mil processos por abuso de menores deram entrada na Polícia Judiciária.

Esta é uma realidade avassaladora, mais ainda se pensarmos que as marcas são irreversíveis no desenvolvimento da criança e que perto de 90% dos crimes são praticados no seio da família ou por alguém com quem a criança contacta habitualmente.

Numa altura em que as famílias estão confinadas ao espaço das suas casas, os maus-tratos têm tendência para aumentar e a violência doméstica é um assunto a que todos devem estar atentos, sobretudo no caso das crianças, que são as mais suscetíveis.

Há 32 anos o Instituto de Apoio à Criança criou a linha SOS Criança, grátis e confidencial, para ser utilizada por crianças e jovens, mas também por adultos, seja apenas para conversar, para esclarecer dúvidas ou para denunciar casos suspeitos de risco.

O SAPO24 falou com o psicólogo clínico responsável pela SOS Criança, Manuel Coutinho, que é também secretário-geral do Instituto de Apoio à Criança, para saber como funciona o 116 111, a linha de atendimento que pode salvar vidas.

Esta é uma altura particularmente difícil para as famílias, sobretudo as mais desestruturadas. Fechadas em casa, como é possível mitigar a violência doméstica, principalmente quando as vítimas são crianças?

A situação que todos estamos a passar, o estado de emergência que todos estamos a viver e que está a obrigar as famílias a estarem todas juntas em casa, confinadas por um período de tempo que ainda por cima é indeterminado, é por si só muito ansiongénica, principalmente para os adultos. E são os adultos que não conseguem normalmente filtrar toda esta ansiedade, que transmitem para as crianças, muitas vezes de forma desajustada. Porque os adultos nunca viveram um período desta natureza e estão tensos. Por outro lado, também é verdade que as famílias não estão muito habituadas a estar tanto tempo confinadas no mesmo local, com todos os membros a conviverem uns com os outros. E sabemos, ninguém pode escamotear, que existem muitas situações particulares: casais que não se dão bem, tensões familiares, às vezes elementos da família que não se dão bem entre si, não têm uma relação saudável, pessoas que consomem álcool – e, infelizmente, há muitas – pessoas que consomem drogas.

Os agregados familiares de que fala, e que têm todos esses problemas, têm, na sua grande maioria, crianças.

Sim, quase sempre existem crianças no seio destas famílias. E as crianças, como sabemos, são os seres mais frágeis e aqueles que precisam de maior proteção em todas as situações, quer sejam de tensão de violência doméstica, quer sejam de violência doméstica propriamente dita. Por isso urge estar atento e urge prevenir.

Como?

É neste sentido que o Instituto de Apoio à Criança disponibiliza a linha 116 111, e também o WhatsApp 913 069 404, para as crianças poderem conversar, poderem falar sobre os seus medos, sobre as suas angústias, sobre os seus receios. Mas também para as famílias que estão em casa e que estão um pouco perdidas, que também estão tensas e podem estar a passar um período conturbado, poderem falar, poderem conversar um pouco. As famílias ou a comunidade que souber da existência de crianças em perigo ou a passar por situações de risco. Ou até crianças que estão em casa, cansadas, e decidem fugir – porque também há situações de fuga. Estas crianças têm de ser apoiadas, porque por vezes o ecossistema de suporte, que é a família, não consegue conter a ansiedade.

As crianças estão no olho do furacão e são aquelas que, muitas vezes, por estarem na situação em que estão, não sabem ou não conseguem reagir.

Tem razão, até porque as crianças mais pequeninas, mesmo as maltratadas, não têm muitas vezes a noção de que são maltratadas. Algumas, ao serem questionadas sobre um mau trato, ainda respondem na sua ingenuidade: “Bateram-me porque eu merecia”. Por isso é que é importante que a família, a família alargada, os vizinhos, os professores que vão tendo conhecimento das situações, as denunciem. Isto tem de ser uma coisa quase por capilaridade, de maneira a que possamos ir ouvindo daqui e dacolá e ir fazendo a nossa análise. Muitas vezes tem de ser cada um de nós a voz daquela criança. Porque, infelizmente, é dentro das suas próprias famílias que as crianças correm mais perigo, é dentro das famílias que as crianças são, na sua maioria, abusadas sexualmente, é dentro das famílias que as crianças são batidas, é dentro das famílias que as crianças são humilhadas. Por isso é que dentro das quatro paredes tudo isto é mais complexo. E é por isso que quem tem a perceção de que determinada família deve estar a passar por um mau bocado, deve chegar-se à frente e mostrar essa preocupação, mesmo que anonimamente.

Fala no papel da comunidade. A que sinais devemos estar atentos?

As instruções que temos no Instituto de Apoia à Criança, e são estas as linhas que seguimos como forma de atuação, são para averiguar sempre a veracidade das situações. Ninguém parte para tratar uma situação sem primeiro avaliar se ela é ou não verdadeira. Mas, na dúvida, quem tem conhecimento de uma situação potencial deve apresentá-la, porque é melhor agirmos e não ser nada do que ficarmos comodamente à espera e a informação vir a confirmar-se, às vezes tarde de mais. Os sinais podem ser vários, desde um vizinho ou vizinha que anda muito descontrolado e que se ouve no prédio inteiro, a uma conversa nas redes sociais entre o nosso filho e um amigo que diz que o pai e a mãe ralham muito ou batem muito, estão descontrolados… Porque acontece que estas informações acabam sempre por chegar aos ouvidos de alguém, e é por isso que muitas vezes ouvimos a frase do “eu já sabia”, aparecem os sábios todos, aqueles que já sabiam tudo, só que não fizeram nada. E quem sabe e não faz nada, acaba por ser julgado no tribunal da sua consciência. Para evitar que possamos todos vir a ser julgados no tribunal da nossa consciência, sempre que pensamos que uma situação está a acontecer, falamos.

Há quase sempre alguém que assiste e não denuncia?

Muitas vezes, nos casais, a relação conjugal é tensa, mas quando falamos na relação conjugal temos de nos lembrar que há casas em que além do casal vivem as sogras, vivem cunhados, vivem tios. Nem toda a gente vive em espaços muito aprazíveis. E quando se está num espaço que não é aprazível com pessoas que não são aprazíveis, tudo confinado e por um período de tempo indeterminado, muitas vezes com álcool, com drogas, com perturbações psiquiátricas, é preciso pedir auxílio e apoio à comunidade.

Falei com uma pessoa que está em Itália, onde o isolamento já dura há um mês, e que me dizia que já tinham passado da fase quase glamorosa das palmas à janela para a violência. Como se previne isto?

Passaram, entre aspas, a fase da lua-de-mel. Cada ser humano, cada um de nós individualmente tem de perceber que está a passar por uma fase difícil, uma fase de ansiedade e de preocupação. Esta fase, só por si, já aumenta a tensão e baixa, gradualmente, a pouca resistência à frustração. Então, temos de nos respeitar o mais possível e temos de respeitar o mais possível o outro. As famílias devem manter as suas rotinas o mais parecidas possível com o que eram quando estavam em plena atividade: tentar levantar-se a horas certas, fazer as refeições a horas certas, fazer a sua higiene e arranjar-se, tomar o seu pequeno-almoço, tudo como antes, para que não haja também aqui muitas alterações, nomeadamente ao nível do sono e vigília. E cada um deve ter tempo e espaço para si próprio: se quando estava no trabalho, fora de casa, tinha espaço que era só seu, agora em casa tem de ter a possibilidade de fazer uma tarefa sem os outros interferirem. Depois, em momentos de maior tensão, em vez de descarregar logo a agressividade em cima de outra pessoa, é necessário conseguir dizer: “Dá-me um tempo, agora não estou bem e preciso de refletir, se falar agora vou dizer coisas de que me posso arrepender”. E afasto-me um bocadinho até as coisas acalmarem. Se não for assim, a tal fase de lua-de-mel vai transformar-se num campo de batalha. Quando chegamos à passagem de ano, comemos uma passa de uva e dizemos: “Este ano quero dedicar um pouco mais de tempo à minha família”. Este ano a fada-madrinha deu-nos o tempo todo [ri], comemos a passinha de uva e agora estamos à prova, vamos ter de saber gerir isto. E, tenho de dizer, neste momento estamos todos a aprender, isto também é um laboratório para os “psis”, psiquiatras e psicólogos, e para os sociólogos, para todos nós.

Nesta altura, em que caminhamos para as duas semanas de confinamento, a linha SOS Criança está a receber mais ou menos chamadas do que o habitual?

Está a receber mais chamadas. Não queria falar em números, porque também foi preciso fazer alterações, as colegas estão todas a trabalhar em casa… O que gostava que soubessem é que há neste serviço psicólogos que estão lá graciosamente, e que a chamada também é gratuita e é anónima, todos podem telefonar. Às vezes, basta uma mãe ou um pai mais tensos ligar para a linha e falar com uma psicólogo, cinco minutos ou uma hora, o tempo e as vezes for preciso, para fazer aquilo a que a brincar eu chamo a limpeza da chaminé. Conversamos um pouco e é o suficiente para baixar o nível de tensão e, certamente, o nível de agressividade. É para isso que serve a linha. E, no caso da comunidade, sempre que se apercebe de uma situação que está a começar a descarrilar, deve telefonar para se poder chegar antes que a situação de perigo aconteça.

Porque, apesar do nome, SOS Criança, esta linha não é para ser utilizada apenas por crianças ou só para crianças maltratadas.

O SOS Criança é muito um serviço específico para problemas inespecíficos. O nome da linha é SOS Criança, mas esta não é uma linha só para crianças maltratadas – aliás, no início a linha SOS Criança era uma linha para conversar e para ouvir a criança e os seus problemas. Ainda há dois ou três dias estivemos reunidos para fazer um calendário de vacinação, porque com esta coisa do Covid-19 as pessoas deixaram de ir com as crianças ao centros de saúde para levar vacinas. Da mesma maneira, numa primeira fase, na tal fase de bater palmas à janela, como os italianos, as pessoas ligavam para conversar um pouco ou para colocar questões até de natureza jurídica, porque há dúvidas sobre os dinheiros, o pagamento de salários, os impostos, os lay-offs, mas estamos à espera que, aos poucos, com o confinamento ilimitado ou sem data marcada, a tensão dentro das famílias vá aumentando. Por isso vai começar a haver denúncias.

Já se fala no aumento do desemprego, mais um factor de stress. Que papel pode ter o Estado para prevenir situações que podem redundar em fome e mais violência?

Em vez de usar o termo desemprego, prefiro falar em pessoas desempregadas. Nesta situação, e para assegurar o mínimo de condições junto das pessoas mais vulneráveis, deve garantir a todos um subsídio de desemprego, para que possam continuar a assegurar a sua existência.

E qual é o procedimento? Depois do telefonema, como é que as coisas acontecem?

Quando existe uma suspeita, a pessoa telefona, expõe o caso com o maior número de dados possível, e, de acordo com a situação, vemos a quem temos de pedir ajuda: se à escola — porque as escolas, mesmo fechadas, podem ajudar —, se ao centro de saúde, se às CPCJ (Comissões de Proteção de Crianças e Jovens), se à PSP ou à Polícia Judiciária, como acontece tantas vezes no caso das fugas e das crianças desaparecidas. Trabalhamos com estes parceiros todos no sentido de encontrar a resposta válida para o problema daquela criança em particular, que pode até ser uma criança com escassez de alimentos em casa ou sem Internet para participar nas aulas online.

Falo nas vacinas e nas idas ao centro de saúde, que eram também uma forma de detetar sinais: nervoso, nódoas negras, tristeza, euforia…

Acontece muito. E temos a indicação de as crianças devem continuar a ir aos centros de saúde, têm corredores diferentes, espaços separados. Tal como as grávidas de termo, que têm de fazer a vacina. As pessoas têm de estar esclarecidas. Costumo dizer que somos o outro do outro e, nesta dinâmica, os olhos de cada um têm de ver o que se passa com o outro, que também está a ver o que se passa connosco. E é nesse sentido que se pede às pessoas para, de forma tranquila e serena, estarem atentas ao pulsar da sociedade, ao que se passa perto de si. Para ajudar. E ajudar não é só fazer as compras para o vizinho velhote – isso é muito bom e tiro o chapéu a quem o faz – é também perceber o que pode acontecer com as crianças, principalmente as mais novas, quando existem tensões familiares.

Há pouco falou nas redes sociais; os adolescentes também devem estar atentos a esta realidade ou é um peso que devemos tirar-lhes de cima?

Os adolescentes são muito críticos por natureza. Como costumo dizer a brincar: sempre que não souberes algo, pergunta a um adolescente que ele sabe tudo. E, nesse sentido, podemos usar os adolescentes. Nas consultas que dou, aparecem vezes adolescentes com pequenos consumos, ou coisas do género, eu digo: Mas não devias nem tu nem os teus amigos, tenta lá sensibilizá-los para isso. E na segunda consulta alguns já me vêm contar: “Consegui convencer um”, “consegui convencer outro”, “agora já somos um grupo dos que não fazemos”. Os adolescentes são bons nas missões, temos é de acreditar neles. Se lhes dissermos para estar atento a este tipo de situações ou a alguma criança ou a um amigo, podemos contar com eles. Os adolescentes são super-solidários – nem sempre com os pais, mas isso faz parte da crise da adolescência, quem não a tem (ou quem não a teve) é doente [ri].

Deve explicar-se esta mudança de estilo de vida aos mais pequenos? Como?

Deve. As crianças percebem todas as mudanças e precisam, eventualmente, de alguma explicação. Perguntar e ouvir as crianças, porque as crianças ouvem-se de uma forma diferente, é importante. Quando uma criança nos pergunta: “É verdade que anda um vírus mau aí à solta?” Eu, em vez de lhe explicar muito bem o que é o Covid-19 ou SARS-CoV-2, vou perguntar: “Porque é que me estás a perguntar se anda um vírus aí à solta?” E então o miúdo vai dizer, vai explicar e falar daquilo que o aflige. Como dizia o Principezinho: “O essencial é invisível aos olhos”. E é através disso que vamos falando, dialogando com a criança, ao nível dela, com perguntas ao nível dela. E a criança vai pondo cá para fora as suas preocupações, e nós, serenamente, e sublinho o serenamente, vamos explicar que estamos a passar por esta situação, que as pandemias já existiam no passado, mas que acabam sempre por se ir embora, como mais ou menos dificuldade vencemo-las sempre. Uma mensagem positiva.

E o luto? Porque há pessoas a morrer, há pessoas nos hospitais. De que forma se ajuda a lidar com a perda?

É verdade. A ideia da morte, no sentido em que nós a conhecemos, só existe na criança a partir dos oito ou nove anos. Até então, a morte de um ser humano, mesmo próximo a nós, é sempre uma situação reversível, é como se a pessoa saísse um bocadinho da vida para voltar depois, como acontece nos desenhos animados. A partir dos oito, nove ou dez anos, a criança começa a perceber que a morte é uma situação irreversível. Aí temos de falar às crianças da morte com a tranquilidade com que falamos de todas as outras situações da vida, temos de a explicar claramente, não devemos construir histórias, como a de que o avô partiu e foi para o céu e agora é uma estrelinha. Devemos até falar de outros seres vivos que também morrem, como as plantas ou um cãozinho, para eles compreenderem que a vida é assim e que a morte é uma fase da vida. Embora devamos dizer que compreendemos que esteja triste, que chore e que tem em nós um abraço, um ombro amigo para ajudar no que soubermos e pudermos. Mas não se deve dourar a pílula, não há boas maneiras para se dar más notícias. Nem às crianças.

 

O rapaz que tinha zero a matemática (adaptação) de Luísa Ducla Soares

Abril 1, 2020 às 8:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Participe no estudo sobre impacto do isolamento social no bem-estar de crianças e jovens

Março 31, 2020 às 2:48 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

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Aceder ao estudo no link:

https://ucpcienciashumanas.eu.qualtrics.com/jfe/form/SV_4GYvud1O32ozp2t?fbclid=IwAR3cNMcdrDvPczqON_q-weyxyRfoOPwas8gm5nfGCjFNnEbNCnsb_b5UqUQw,

Como se comporta o vírus da Covid-19 em crianças?

Março 30, 2020 às 12:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

Notícia da RTP de 20 de março de 2020.

por Mariana Ribeiro Soares

A infeção pelo Covid-19 parece ser mais ligeira nas crianças do que nos adultos. Estudos sobre o comportamento do novo coronavírus na camada mais jovem da população demonstram que as crianças são igualmente vulneráveis e podem transmitir a doença aos adultos, mas apresentam sintomas mais ligeiros, dificultando o seu diagnóstico.

Apesar de ainda existirem poucos dados sobre o comportamento do novo coronavírus nas crianças, todas as investigações concluem que a camada mais jovem da população infetada pelo Covid-19 apresenta sintomas mais leves.

Estudos demonstram que as crianças são igualmente vulneráveis ao novo coronavírus, mas a doença Covid-19 parece ser menos grave do que nos adultos. Para esta observação, os cientistas ainda não encontraram uma justificação.

Um estudo realizado por investigadores chineses publicado na revista Naturena passada sexta-feira, investigou dez crianças infetadas entre os dois e os 15 anos. Concluiu que uma das crianças infetadas não apresentou nenhum sintoma e as restantes nove tiveram apenas sintomas leves.

Cinco das crianças apresentavam alguma tosse, quatro dor de garganta, três inflamação intestinal e duas congestão nasal, sintomas que os investigadores explicam que podem ser confundidos com outras doenças e, por isso, dificultar o diagnóstico.

“Apresentações leves e atípicas da infeção em crianças podem dificultar a deteção”
, lê-se no estudo conduzido pelo Dr Yi Xu, do Centro Médicos da Mulher e da Criança de Guangzhou.

O relatório de fevereiro da Organização Mundial de Saúde (OMS) também chegou à conclusão de que a manifestação do Covid-19 nas crianças “parece ser relativamente rara e ligeira”. O relatório demonstra que apenas 2,4 por cento dos infetados na China tinham idade igual ou inferior a 19 anos. Desses, uma percentagem muito baixa desenvolveu doença grave (2,5 por cento) ou crítica (0,2 por cento).

“Indivíduos com maior risco de doença grave e morte incluem pessoas com mais de 60 anos e com problemas de saúde prévios, como hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares, doenças respiratórias crónicas e cancro”, sublinha o relatório da OMS.
Risco mais elevado nos bebés
Um outro estudo publicado na Revista Pedriatics de 16 de março concluiu, igualmente, que as crianças apresentam sintomas mais leves ou mesmo nenhuns. “Mais de 90 por cento dos pacientes eram assintomáticos ou casos leves e moderados”, lê-se no estudo.

No entanto, a investigação acrescentou um outro dado relevante: os bebés são os mais vulneráveis neste grupo etário, expondo sintomas mais preocupantes e graves em comparação com crianças mais velhas.

“Os resultados sugerem que as crianças mais jovens, particularmente bebés, são vulneráveis à infeção por Covid-19”, conclui o estudo.
“Não é uma doença só dos idosos”
Apesar de apresentarem sintomas mais leves, as crianças estão igualmente vulneráveis à infeção pelo novo coronavírus e têm a mesma capacidade de transmissão. Por esta razão, a OMS alertou na quarta-feira que apesar de a taxa de mortalidade afetar, maioritariamente, a faixa etária acima dos 60 anos, as medidas de prevenção devem ser seguidas por toda a população.

“Sabemos que as crianças tendem a ter uma infeção mais ligeira, mas vimos pelo menos uma criança a morrer dessa infeção”, asseverou Maria Van Kerkhove, responsável técnica do Covid-19 na OMS, numa entrevista. “Não podemos dizer de uma forma generalizada que é uma doença leve nas crianças, por isso é importante que as protejamos como uma população vulnerável”, sublinhou.

Não é uma doença só dos idosos. Pessoas mais jovens apresentam uma doença menos severa, mas temos que estar atentos a todos, até os casos mais ligeiros. Todo o caso suspeito deve ser testado. Se mostrar sintomas, deve ser testado”, acrescentou o diretor executivo da OMS, Michael Ryan.

Casos de violência envolvendo crianças e jovens estão a aumentar

Fevereiro 14, 2020 às 8:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Notícia do Mirante de 9 de fevereiro de 2020.

O Núcleo Hospitalar de Apoio à Criança e Jovens em Risco do Centro Hospitalar do Médio Tejo sinalizou mais de cem casos no ano passado.

O Núcleo Hospitalar de Apoio à Criança e Jovens em Risco do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT) sinalizou, em 2019, mais de cem casos de crianças em risco na sua área de abrangência. O concelho de Tomar, com 32 casos, destaca-se dos restantes, seguindo-se Abrantes com 23 e Entroncamento e Torres Novas, ambos com 13. Seguem-se os concelhos de Vila Nova da Barquinha com oito casos, Alcanena (5); Chamusca, Mação e Ourém com quatro; Ferreira do Zêzere e Sardoal com três; Constância e Golegã com um cada. No total são 114 casos.

A informação foi dada por Anabela Cadete, membro do Núcleo Hospitalar de Apoio à Criança e Jovens em Risco, durante o quinto encontro promovido por essa estrutura, que este ano teve como tema “Violência na Família” e decorreu no dia 24 de Janeiro, no auditório do Hospital de Tomar. O objectivo deste núcleo é detectar situações de crianças e jovens em risco e actuar em conjunto com as Comissões de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ).

O maior risco a que as crianças estão expostas é o de negligência, com 56 casos registados. Há também 24 casos em que a criança/jovem assume comportamentos que afectam o seu bem-estar e desenvolvimento sem que os pais se oponham e 12 casos de exposição à violência doméstica.

Crimes envolvendo menores também estão a subir

A comissário Mariana Morgado, comandante da esquadra de Santarém da Polícia de Segurança Pública (PSP), participou no último painel e também deixou números sobre criminalidade e violência no seio familiar envolvendo, directa ou indirectamente, crianças e jovens. Em 2019 os números aumentaram para 173 registos, dos quais 80 com crianças até aos 11 anos e 93 com menores entre os 12 e 16 anos. Em relação a estes números, sete crianças ou jovens são vítimas de dois ou mais crimes. A comandante da PSP refere ainda que os principais crimes onde crianças e jovens são vítimas são os crimes contra a integridade física; propriedade; liberdade pessoal e contra a liberdade e auto-determinação sexual.

Em 2018 a PSP tinha registado no distrito de Santarém 147 crimes contra a integridade física, onde estão incluídos crimes de maus tratos a menores, ofensa à integridade física e violência doméstica onde a criança é vítima indirecta. Destes, houve 54 casos que envolveram crianças até aos 11 anos e 93 envolveram jovens entre os 12 e os 16 anos.

Também existem crimes em que crianças e jovens são os suspeitos. Nestes casos, os crimes mais cometidos pelos jovens são contra a integridade física; contra a propriedade e contra a liberdade pessoal. Em 2018 foram registados 33 casos e em 2019 registaram-se 22 situações. Em 2018 Abrantes e Santarém foram as áreas onde ocorreram mais casos. Em 2018 e 2019 também houve registos no Entroncamento e em 2019 houve uma descida destes números em Abrantes e Santarém. “Dos 13 casos registados em Abrantes cinco foram cometidos pelo mesmo jovem e nos três casos registados em Ourém também aconteceu a mesma situação”, explica a comissário Mariana Morgado, realçando que nem todos os crimes são denunciados e que os dados são baseados nas queixas apresentadas pelas vítimas.

Dia Internacional Contra o Uso de Crianças Soldado – 12 de fevereiro

Fevereiro 12, 2020 às 11:30 am | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Mais informações nos links:

https://www.redhandday.org/index.php?id=4&L=0

https://childrenandarmedconflict.un.org/tools-for-action/opac/

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