Os adolescentes e o álcool

Outubro 25, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Alexandra Duarte publicado no i de 24 de setembro de 2018.

Como explicar a um adolescente os efeitos do álcool no seu desenvolvimento?

As histórias repetem-se, mesmo ao nosso lado, contadas pelos filhos, pelos amigos dos nossos filhos, por pessoas que conhecemos, ou até presenciadas por pais que acabam por estar no sítio certo, à hora errada. Rapazes e raparigas que acabam a noite a serem assistidos por equipas médicas, depois de terem consumido quantidades exageradas de bebidas alcoólicas. Até já têm um nome para esta prática: “binge drinking”. Escrito assim, até parece um desafio com “pinta” e, na verdade, é assim que os adolescentes adotam esta forma de comportamento. Ingerem uma quantidade excessiva de álcool, num curto espaço de tempo e consecutivamente. De um momento para o outro, bebem vários copos sem parar, negando ao corpo o tempo necessário para assimilar e processar a quantidade de álcool ingerida e, posteriormente, manifestar as consequências do impacto deste excesso. Quando, finalmente, o corpo processa esta ingestão acelerada e abusiva de álcool, ocorrem os sintomas indesejados, chegando, nos casos mais graves, ao coma alcoólico.

A definição de “binge drinking” remete-nos para um consumo ocasional excessivo, algo que acontece, por exemplo, quando os adolescentes saem à noite. Partindo do princípio que estamos perante uma média de uma saída noturna mensal, ou mesmo quinzenal, em rapazes e raparigas abaixo dos 18 anos e acima dos 14 anos, o cenário é preocupante e é nosso dever, enquanto pais e cidadãos, refletir sobre as medidas que possam impedir que estes adolescentes, imaturos e desconhecedores dos efeitos nocivos do álcool sobre o seu comportamento e desenvolvimento, continuem a reincidir numa prática que lhes é prejudicial.

O problema é que, como muitos pais devem ter conhecimento, a média das saídas noturnas, pelo menos nos grandes centros urbanos, não é a acima descrita, nem tão pouco é possível dizer que não há crianças com menos de 14 anos a frequentar bares e a consumir bebidas alcoólicas, compradas por interpostos amigos, em estabelecimentos que só estão autorizados a vender estas bebidas a indivíduos maiores de 18 anos. Mas o cenário agrava-se quando – e não vale a pena fingir que isto não se passa! – encontramos grupos de adolescentes, durante a tarde, concentrados na rua, em frente a certos estabelecimentos de venda de bebidas alcoólicas, com copos na mão e, mesmo de passagem, conseguimos perceber que já não se encontram no seu melhor estado, avançando para um estado de embriaguez.

Os números não mentem e são indicadores dos riscos que esta geração incorre. O consumo de álcool aumentou nos últimos anos, bem como diminuiu a média da idade em que se consumiu pela primeira vez – 17 anos! (O que significa que muitos houve que nem sequer 17 anos tinham! Há registos de internamentos com intoxicações ou comas alcoólicos de crianças que ainda não completaram os 13 anos.)

Além dos riscos imediatos a que se sujeitam, segundo um estudo da Universidade de Boston, um adolescente que inicie precocemente o consumo de bebidas alcoólicas tem 50% de probabilidades de vir a ficar dependente deste tipo de consumo, mais tarde.

O problema não se centra somente nos consumidores precoces, mas também nas suas famílias que, derivado da nossa cultura e hábitos, muitas consideram normal que os filhos consumam álcool quando começam a sair à noite ou ocasionalmente. Puro desconhecimento dos efeitos de uma bebida alcoólica no cérebro de um adolescente que ainda não completou os 18 anos e que se encontra em pleno desenvolvimento físico e cognitivo.

A revista científica “The Lancet” publicou recentemente um estudo, realizado em indivíduos com idades compreendidas entre os 15 e os 95 anos, e no qual se conclui que não existe um nível seguro para o consumo de álcool. As implicações são vastas, mas no caso dos adolescentes são muito concretas e a falta de uma avaliação correta dos riscos que correm é um dos fatores do consumo excessivo. Tomariam a mesma decisão caso soubessem que o álcool atinge o sistema nervoso central, potenciando comportamentos que colocam as suas vidas em risco, como a agressividade, a depressão e até mesmo a automutilação?

Perdem a noção dos seus comportamentos e as suas emoções são alteradas pelo efeito do álcool, levando a condutas que no dia seguinte, eles próprios têm dificuldade em se identificar, quando confrontados com as publicações nas redes sociais, registos de momentos dos quais não têm memória, mas que ficaram no “Instagram”, no “Facebook” para consulta futura.

Beber aos 18 anos não é o mesmo que beber antes desta idade. O desempenho escolar é diretamente afetado, consequência dos défices cognitivos e de memória, conduzindo a limitações ao nível da aprendizagem. Tudo isto provocado pelo facto de o cérebro ainda não estar totalmente desenvolvido e, por essa razão, ser mais permeável ao álcool. O consumo de bebidas alcoólicas está associado à diminuição da massa cinzenta em determinadas áreas do cérebro e é responsável por impedir o desenvolvimento da matéria branca, refletindo-se nos níveis de atenção, na velocidade do processamento, na memória e no controlo da impulsividade.

Nas escolas não se fala deste problema. Logo, se não se fala, é porque ainda não é considerado um problema. Em 2015, procedeu-se à alteração da lei para fixar a idade mínima para consumo de álcool nos 18 anos, o que também não veio modificar nada neste cenário que se agrava de ano para ano. As famílias não têm a informação suficiente para compreender as consequências graves que os seus filhos podem vir a ter, somente por beberem um copo quando vão sair à noite, não tendo ainda 18 anos. Eu começaria por enfatizar que há uma diferença primordial entre um jovem com mais de 18 anos que consome bebidas alcoólicas e entre os mais novos que sofrem de uma forma mais permanente os estragos que o álcool provoca no seu desenvolvimento.

Dizem que beber um copo não faz mal, mas os nossos jovens não bebem só um e, infelizmente, os números são preocupantes. Afinal, são os nossos filhos, os amigos dos nossos filhos, aqueles jovens que com a voracidade própria de desfrutarem os dias e as noites, muitas vezes se esquecem do que é melhor para eles.

Escreve quinzenalmente

 

 

“Binge drinking” prejudica a memória e deixa sequelas no cérebro para sempre

Outubro 24, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Sapo LifeStyle de 9 de outubro de 2018.

A memória é a primeira vítima da ingestão compulsiva de grandes quantidades de álcool, o chamado binge drinking, geralmente protagonizada por adolescentes em curtos espaços de tempo, alertam investigadores chilenos que estudaram as consequências de uma prática tolerada por ser considerada um hábito ocasional.

A compulsão etílica, ou “binge drinking” em inglês, consiste em beber muito álcool em pouco tempo. E se for associada ao tabaco, ao consumo de canábis ou a narcóticos, o efeito sobre a saúde pode ter consequências ainda mais graves.

Novos estudos demonstram que embora sejam hábitos restritos, em geral, a finais de semana e festas ocasionais, essa compulsão etílica “pode gerar muitos problemas” no cérebro que se perpetuam, além de aumentar a propensão para vícios de longo prazo, declara Rodrigo Quintanilla, um dos investigadores da Universidade Autónoma do Chile que estudou as consequências dessas práticas altamente toleradas.

Embora os jovens tenham facilidade em recuperar relativamente rápido das “bebedeiras”, o consumo de álcool produz “variações e mudanças no hipocampo, que tem a ver com a memória”, explica à AFP o cientista.

É isto que o álcool em excesso provoca no cérebro 

Particularmente, “afetam o equilíbrio inflamatório e o redox glial, deteriora a plasticidade sináptica, a memória e o metabolismo periférico mediante um mecanismo dependente do sistema de melanocortinas”, um dos principais atores na consolidação dos vícios durante a adolescência e a idade adulta, segundo o estudo apresentado em revistas científicas e na Associação Americana para a Investigação do Alcoolismo.

Os jovens, recorda Quintanilla, costumam acreditar que são “invencíveis” e “não equacionam os danos em que incorrem”, mas existem “mecanismos e vias bioquímicas dentro do hipocampo que serão afetados com o tempo”.

A adolescência é um período da vida crucial para o desenvolvimento dos circuitos cerebrais responsáveis pela emoção e cognição, que supõe mudanças no volume cortical, no crescimento axonal, na expressão génica e na definição das conexões corticais mediante um processo conhecido como “poda sináptica”.

3,3 milhões de mortes por ano

Neste estudo, os investigadores também tentam descobrir o que pode levar o consumo moderado passar à ingestão descontrolada e à dependência

“Quando se torna adulto, o cérebro terá mais sensibilidade a certos estímulos stressantes ou da própria vida cotidiana”, como o stress no trabalho, ou a combinação com o consumo de outras drogas, diz Quintanilla. “São respostas que ficam em aberto porque nos dedicamos a analisar e esmiuçar uma parte do elo” no estudo com animais, que não pode ser feito com pessoas.

“Não podemos pegar em adolescentes e observar os seus cérebros”, exclama. Para prosseguir o estudo, a partir de agora deverão “levantar informações sobre o consumo de álcool e os hábitos de consumo, assim como aplicar ano a ano um teste cognitivo para saber a progressão dos danos”, acrescentou.

Com 3,3 milhões de mortes anuais, o alcoolismo é a terceira causa de morte no mundo, atrás do tabaco e da hipertensão. No caso dos jovens entre 10 e 24 anos, 7,4% das mortes e deficiências são atribuídas ao álcool.

Binge drinking leva a consumo de doses “potencialmente fatais” de álcool

Fevereiro 26, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do https://www.publico.pt/ a Ana Feijão no dia 8 de fevereiro de 2018.

Ana Feijão, coordenadora da Unidade de Alcoologia do Centro, acredita que a crise dos últimos anos ainda está a ter impacto no comportamento dos portugueses.

Margarida David Cardoso

A coordenadora da Unidade de Alcoologia do Centro, Ana Feijão, diz que aumento do consumo excessivo em faixas etárias mais velhas, a partir dos 45 anos, revelado nesta quarta-feira, pode ainda ser resultado dos anos de crise socioeconómica.

Há uma relação entre um maior número mortes por intoxicação alcoólica com o aumento da frequência do binge drinking (consumo de várias doses de bebida numa única ocasião com o objectivo de ficar embriagado)?

Sim. Em geral, quando as pessoas bebem com alguma dilatação no tempo, acabam por ficar inconscientes ou tão limitadas do ponto de vista motor que não conseguem continuar a beber. Mas em situações de binge drinking conseguem continuar conscientes antes de todo o álcool estar em circulação. Por isso, é possível que se atinjam concentrações potencialmente fatais. Acontece com pessoas jovens, que não têm experiência de consumo e consomem muito de uma só vez. Mas também podem ser pessoas de qualquer idade que consumam muito de repente. Estou a pensar em apostas como “quem consegue beber uma garrafa de bagaço inteira de seguida” – isto constitui um risco de morte mesmo.

Na prática, de que quantidade de álcool estamos a falar?
Normalmente, com uma concentração de 4 gramas de álcool por litro de sangue já se está em coma. Sabemos que pessoas muito habituadas a beber, e que quase permanentemente têm grandes quantidades de álcool no sangue, acabam por adquirir alguma tolerância. A questão é que a partir de determinada concentração, cerca de 4,5/5 g/l, o risco de paragem respiratória e de paragem cardiovascular é muito grande.

Como é que se pode intervir para diminuir estes comportamentos de risco?
Os jovens são particularmente vulneráveis a estes novos padrões de consumo e correm grandes riscos quando juntam a inexperiência do consumo de álcool à inexperiência, por exemplo, na condução. É uma área em que temos que intervir. Mas tem que ser uma intervenção transversal a toda a sociedade, que tem que passar pela formação dos jovens, por uma política de preços, publicidade e fiscalização até à formação das pessoas que trabalham na indústria do divertimento e da noite. E até aos políticos. Tem que haver alguém que pense nestas questões, daí a nossa defesa do regresso de um organismo nacional para estas dependências.

O SICAD notou ainda um aumento do consumo excessivo de álcool nas mulheres e nas pessoas com mais de 45 anos. O que pode explicar este fenómeno?
Na ausência de grandes estudos sobre estes últimos anos, a noção que temos é que a mudança de estilo de vida das mulheres – que se tornaram mais activas, têm novas profissões e estão mais tempo fora de casa – as aproximou do estilo de vida dos homens.

 

Em relação às pessoas com mais de 45 anos, penso que nestes últimos anos, e especificamente em Portugal, isto pode relacionar-se com os anos de crise. Este país passou alguns anos em que a sociedade ficou deprimida. Nós tínhamos, não só as consequências directas da crise mas, em termos sociais, uma série de pensamentos depressivos, de dificuldade, de falta de esperança. E isso fez com que aumentasse o consumo. E ainda não recuperámos. Embora o clima já seja diferente, acho que esta crise e o espírito com que a vivemos têm efeitos sociológicos muito mais longos do que seria de pensar à partida. Até os próprios profissionais estão ainda debaixo do efeito de uma série de anos em que parecia que nada ia funciona e que tudo eram dificuldades. E ainda não conseguimos recuperar o entusiasmo.

Ainda no que diz respeito ao álcool, houve um aumento das pessoas em tratamento, mas uma diminuição dos internamentos em unidades de alcoologia. Como se explica?

Há duas questões. Primeiro, as unidades de tratamento locais do ex-IDT [Instituto da Droga e da Toxicodependência] passaram a fazer acompanhamento de alcoólicos. É um tratamento de maior proximidade, uma vez que as unidades de alcoologia estão concentradas em Lisboa, Porto e Coimbra. Com isto, é natural que o número de pessoas em tratamento tenha aumentado porque há mais serviços disponibilizados para as tratar.

Já o facto do número de internamentos ter diminuído tem a ver com as dificuldades dos serviços. O facto de as equipas não se renovarem e não haver números de profissionais adequados fez com que as unidades de Lisboa e do Porto tivessem que reduzir o número de camas disponíveis. Por outro lado, há novas perspectivas em termos de tratamento: sempre que possível fazermos tratamentos em ambulatório

 

“Há jovens que já bebem uma garrafa de destilados por dia”

Novembro 13, 2017 às 2:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do http://expresso.sapo.pt/ a Francisco Henriques de 11 de novembro de 2017.

Joana Pereira Bastos

Texto

Marcos Borga

Fotos

A Unidade de Alcoologia de Lisboa, o primeiro centro de tratamento do alcoolismo a abrir em Portugal, completa 50 anos na próxima semana. E, ao contrário do que acontece com a toxicodependência, o problema não está a diminuir. O consumo está a aumentar entre as mulheres e há uma perigosa mudança de padrão entre os jovens, alerta Francisco Henriques, diretor da consulta.

O que mudou na relação dos portugueses com o álcool nestes 50 anos?
Nessa época, muitos começavam a beber ainda em criança. Isso melhorou. Há uma maior consciencialização, e a idade média de início do consumo está agora nos 16 anos.

Ainda assim, o consumo está a aumentar.
É verdade, sobretudo entre as mulheres, o que é preocupante, já que o risco de ficarem dependentes é maior. O seu metabolismo é mais vulnerável.

A toxicodependência está a baixar. Por que razão não acontece o mesmo com o álcool?
Há uma mudança de padrão. As pessoas estão a deixar de usar tanto as drogas ilícitas e voltam-se mais para o álcool. É mais barato e mais bem aceite.

O número de portugueses em tratamento por dependência do álcool é o mais elevado de sempre. Como se explica?
Estamos a detetar o problema mais cedo. Mas, embora haja muita gente em tratamento, há um número muito elevado que nunca chega a tratar-se, porque não tem consciência do problema. A dependência começa muito devagarinho.

Como?
Com a experimentação na adolescência, as pessoas descobrem que ficam mais bem-dispostas ou sentem-se mais tranquilas com álcool, e a tendência é repetir. Há pessoas que têm uma espécie de marcador que as faz parar, sem esforço, ao fim de um ou dois copos, porque não lhes apetece mais ou não ficam tão bem-dispostas. Essas não vão ter um problema de dependência. Quem o pode ter são as pessoas que não têm esse travão biológico e vão aumentando a tolerância. Ao fim de um tempo, um copo já não faz efeito, são precisos dois, e a tolerância vai subindo até haver consequências.

Estima-se que 300 mil portugueses têm consumos de risco. Em que é que isso se traduz?
A Organização Mundial da Saúde estabelece como limite uma unidade de álcool por dia no caso das mulheres e duas no caso dos homens. Nesse sentido, se uma mulher bebe, em média, três ou quatro copos, já está numa situação de abuso, o mesmo acontecendo no caso dos homens com cinco ou seis.

Tanto faz ser cerveja ou uísque, por exemplo?
Sim. A cerveja tem 4,5 graus de álcool, mas são 33 centilitros, enquanto o uísque tem 40 ou 45 graus, mas são quatro centilitros. Ou seja, o uísque é dez vezes mais forte, mas uma garrafa de cerveja tem dez vezes mais volume, portanto equivalem-se. Mas as pessoas acham que só bebem vinho bom ou só bebem cerveja, e por isso está tudo bem. Não está.

O que mudou no padrão de consumo dos jovens?
Durante muitos anos, o álcool era a forma de afirmação dos rapazes quando começavam a conviver com os homens, no café ou na taberna. Beber intensivamente nas discotecas é agora a nova forma de iniciação. É o chamado binge drinking, que passa por uma intoxicação alcoólica aguda e muito rápida.

É um padrão mais perigoso?
Penso que sim. Beber ao longo do dia, ao almoço e ao jantar, é um padrão do Sul da Europa. Mas estamos a desenvolver cada vez mais um padrão de consumo intensivo, concentrado à noite ou ao fim de semana. Durante a semana, portam-se bem, mas embriagam-se à sexta e ao sábado. Como só bebem ao fim de semana, acham que não têm nenhum problema.

E têm?
Podem ter. A questão não tem que ver com o calendário dos consumos. Tem que ver com o facto de, quando começa a beber, a pessoa não conseguir parar. E de beber apesar das consequências. Apesar de a mulher pedir para não beber, de os filhos se queixarem, de no trabalho se começar a notar, etc.

O alcoolismo pode aumentar?
É possível que haja um agravamento dos consumos. Há uma parte da população que pode desenvolver um grave problema de dependência numa idade precoce, jovens que aos 20 e poucos anos têm um consumo médio de uma garrafa de destilados por dia. Já temos casos na unidade.

 

 

 

Geração i. Eles têm menos problemas com as drogas que os pais

Abril 27, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do https://ionline.sapo.pt/ de 13 de abril de 2017.

Têm hábitos de consumo de drogas diferentes dos pais e dos avós. A Geração i dedica esta edição à troca de experiências inebriantes entre gerações.

Eles gostam da noite, gostam das conversas até às tantas, gostam de dançar sem parar e gostam de experimentar coisas novas, tal como os jovens de todas as outras gerações. As drogas não são novidade para a geração dos millennials, mas quem viveu os tempos mais negros do uso de substâncias ilícitas foram as geração anteriores à que teimamos chamar Geração i.

Em Portugal sabe-se que foi com a Revolução dos Cravos que as ondas de substâncias psicoativas começaram a inundar uma sociedade mal habituada no que à liberdade dizia respeito.

“O consumo de substâncias ilícitas em Portugal ganhou expressão depois do 25 de Abril e a grande diferença para com outros países europeus foi que muitos dos consumidores de então vieram a ter um uso problemático. Subitamente, as pessoas experimentavam e, quando davam por elas, estavam dependentes”, explica João Goulão, diretor-geral do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD), que garante que o consumo de droga tem hoje um menor impacto na saúde individual e coletiva do que no passado.

No livro “LX 70”, de Joana Stichini Vilela, lê-se: “A novidade está na democratização. Se, antes do 25 de Abril, as drogas eram de acesso quase exclusivo a estrangeiros ou gente viajada, logo em 1975. o responsável da secção de narcóticos da Polícia Judiciária afirma que ‘o consumo tem aumentado assustadoramente’. Multiplicam-se os desvios das unidades de saúde e, a partir de meados de 1977, tornam-se vulgares os assaltos a farmácias.” Já na altura, os mais jovens tinham especial adoração pelas drogas sintéticas: “A juventude adora speeds, drogas legais consumidas de forma criativa.”

Orgia de sensações

“Naquele tempo vivíamos uma orgia de sensações, era impossível resistir, todos os dias chegavam novidades a Lisboa”, conta ao i Alverga, de 55 anos, agora emigrada, que experimentou do haxixe à erva, da coca à heroína, do LSD aos speeds:“Para nós era espetacular, proporcionava-se uma onda de experimentações, era o início da era dos concertos, era a camaradagem. O regime tinha acabado e nós fomos levando aquilo numa corrente de vontade de sermos iguais ao resto do mundo.”

Alverga explica que nunca houve falta de informação – não havia internet, mas sabia-se o que se estava a experimentar. A grande diferença entre gerações, na sua opinião, é que a dos pais dos jovens da sua geração não faziam ideia em que é que os filhos estavam metidos, não havendo noção de que se começavam a perder: “Estou a falar da minha visão, de alguém que sobreviveu a tudo isto e está a contar porque está viva, mas tive amigos meus que morreram de overdoses, de danos colaterais como a sida, pessoal que se meteu na prostituição, que se suicidou, que foi preso, que ficou louco. Agora, como tudo na vida, ao fazermos as experiências, há quem consiga passar pelas coisas de forma experimental, sem se deixar levar pela degradação, e a minha geração teve, penso eu, as duas partes. Era tudo perfeitamente consciente, só que os nossos pais nunca o tinham feito. Por isso, não conseguiam perceber os sintomas e o que andávamos a fazer. Os pais de hoje sabem porque muitos experimentaram; então, podem guiá-los.”

João Goulão, especialista no cenário português, confirma: “É verdade que há muito consumo hoje em dia, mas os impactos na saúde pública são muito menores do que noutras alturas. É uma geração mais aberta, o que é uma das grandes diferenças, também ocasionada pelo facto de o consumo ter deixado de ser considerado um crime. Há uma maior abertura para discutir o assunto em muitos contextos, desde o familiar ao laboral e às escolas. As pessoas falam mais abertamente e pedem ajuda com muito mais facilidade. A evolução continua a ser globalmente positiva.”

Goulão elucida que “hoje em dia há muito consumo que não conduz necessariamente à dependência. É uma geração muito informada, os problemas ocasionados por drogas são percentualmente muito inferiores aos que ocorriam há 20 anos”.

O álcool também é droga

Entre todas as gerações, “a canábis sempre foi, de longe, a substância ilícita mais consumida, a seguir ao álcool, que é lícito”, conclui. José Henrique dos Santos, psicólogo clínico e um dos autores do Plano Nacional de Prevenção de Suicídio, descreve a alteração de consumos: “A grande mudança é que, nas duas gerações mais recentes (millennials e geração Z) há um consumo muito de grandes volumes e quantidades de álcool num tempo muito reduzido, o conhecido binge drinking. Hoje em dia utiliza-se muito este padrão e é por isso que existem os shots, que são autênticos tiros na cabeça. Em relação às gerações anteriores, o padrão de consumo era diferente. Era um padrão que normalmente assentava em quantidades diárias, com um consumo mais regular, mas mais contido. Mesmo com o tabaco vê-se este padrão: não fumam, mas ao fim de semana desforram-se, comportamentos típicos das culturas do norte da Europa.”

As estatísticas comprovam

De acordo com o Instituto Nacional sobre o Abuso de Drogas (NIDA), nos Estados Unidos da América, os millennials realmente usam menos drogas e menos álcool do que os seus pais. O uso de drogas entre adolescentes diminuiu mais de 34% entre 1993 e 2013, um período de tempo crucial que abrangia a adolescência de quase todos os pertencentes à geração millennial.

Em Portugal, os dados também confirmam essa realidade e ainda apontam para que a tendência se mantenha para as próximas gerações. As conclusões constam do European School Survey Project on Alcohol and other Drugs (ESPAD), feito entre 2011 e 2015 junto de alunos que completaram 16 anos no ano da recolha de dados.

Relativamente às drogas, a percentagem de alunos que até aos 16 anos já tinham experimentado está a estabilizar: 16% em Portugal (18% média europeia), sendo a canábis a mais experimentada, e a mais consumida no último ano e no último mês.

As novas substâncias psicoativas são mais consumidas em alguns países do que “outras drogas”, sendo a média europeia de experimentação de 4% e, em Portugal, apenas 1%.

Também o consumo de álcool e tabaco entre jovens até aos 16 anos tem vindo a diminuir na Europa, com Portugal a situar-se abaixo da média europeia, mas ainda assim com consumos elevados de bebidas alcoólicas.

 

 

 

Álcool: Beber muito e rápido é a nova tendência entre os jovens

Março 2, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.jornaleconomico.sapo.pt/ de 13 de fevereiro de 2017.

O documento citado na notícia é o seguinte:

Relatório Anual 2015 – A Situação do País em Matéria de Álcool

Andreia Martins Costa

Inquérito a jovens de 18 anos revela que o binge drinking é a nova tendência que acompanha o consumo regular.

O relatório de 2015 do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) sobre a situação de Portugal em matéria de álcool revela que cerca de 9% de um total de mais 117 mil jovens com 18 anos assume ter consumido diariamente, ou com uma grande frequência (20 dias num mês) bebidas alcoólicas.

O diretor-geral do SICAD, João Goulão, afirmou ao Expresso que os números “são obviamente elevados e estão muito em linha com a enorme aceitação do uso de álcool na sociedade portuguesa”, tendo sido apurados em inquérito no Dia da Defesa Nacional.

O binge drinking (consumo intensivo de bebidas alcoólicas em determinadas ocasiões, por exemplo festas) é uma realidade crescente, registando-se uma maior incidência desse tipo de consumo no Algarve e Alentejo, sendo a Madeira a região onde é menos comum.

Os dados apresentam consumos nocivos nos jovens, sendo que, no ano passado, 63% dos jovens tiveram episódios de embriaguez ligeira, 30% embriaguez severa e 47% tiveram consumos binge.

“No sul da Europa temos vindo a assistir a uma aproximação dos padrões de consumo àquilo que era tradicionalmente os do norte da Europa” revela o diretor ao Expresso.

Os dados são “preocupantes”, de acordo com relatos de uma psicóloga de Alcoologia de Lisboa contactada pelo jornal Expresso, que salienta que a idade para permissão de consumo deveria aumentar de 18 anos para os 21 anos, já que os jovens estão em fase de desenvolvimento até aos 25 e assim “está mais próximo do final do desenvolvimento”.

Pelo contrário, aos 16 anos regista-se uma ligeira diminuição do consumo, de acordo com o European School Survey Project on Alcohol and other Drugs 2015.

Verifica-se um certo nível de insuficiência na lei que proíbe a venda de bebidas alcoólicas a menores, já que o inquérito do SICAD apurou que 83% dos jovens de 18 anos tinham bebido álcool no ano anterior logo, antes da idade permitida.

Para travar o problema, a fiscalização de estabelecimentos tem aumentado significativamente. Mais 114% dos estabelecimentos foram fiscalizados em 2015 do que no ano anterior, um total de 15,678 estabelecimentos comerciais.

 

Jovens em centros educativos tendem a consumir

Fevereiro 13, 2017 às 10:00 am | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do http://lifestyle.sapo.pt/ de 8 de fevereiro de 2017.

O documento citado na notícia é o seguinte:

Relatório Anual 2015 – A Situação do País em Matéria de Álcool

pixabay

Nuno Noronha Com Lusa

Os jovens internados em centros educativos apresentavam, em 2015, uma prevalência de consumo de bebidas alcoólicas e padrões de consumo nocivo superiores às de outras populações juvenis.

“A situação do país em matéria de álcool” foi elaborado pelo Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) e apresenta, pela primeira vez, dados do Inquérito sobre comportamentos aditivos em jovens internados em Centros Educativos.

O documento indica que estes jovens apresentavam, antes do internamento, uma “prevalência de consumo de bebidas alcoólicas, e sobretudo padrões de consumo nocivo, superiores às de outras populações juvenis”.

Os dados apontam para cerca de 93% de inquiridos que já tinham consumido bebidas alcoólicas, sendo que 82% e 72% fizeram-no nos últimos 12 meses e últimos 30 dias antes do internamento, respetivamente.

As bebidas alcoólicas mais prevalentes nos 12 meses antes do internamento foram as espirituosas e a cerveja.

O relatório sublinha a “significativa diminuição destes consumos com o início do internamento (32% e 23% nos últimos 12 meses e últimos 30 dias) e ainda mais quando se restringe ao Centro Educativo (10% e 7%).

Sobre os padrões de consumo de risco acrescido, nos 30 dias antes do internamento, 45% dos jovens tinham tido consumos binge (intensivos), 53% bebido até ficarem alegres e 29% atingido um estado de embriaguez severa. “Com o início do internamento constata-se uma redução drástica destas práticas, com 10%, 14% e 5% dos jovens a declararem ter tido consumos binge, ou ficado alegres, ou em estado de embriaguez severa, nos últimos 30 dias do internamento”.

A maioria dos inquiridos (61%) e 67% dos consumidores declararam que habitualmente consumiam, numa mesma ocasião, álcool com pelo menos outra substância psicoativa.

artigo do parceiro:

Nuno Noronha

 

No Alentejo bebe-se e fuma-se mais, no Algarve os jovens preferem a cannabis

Junho 14, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da Público de 2 de junho de 2016.fernando Veludo

Natália Faria

Inquérito feito a mais de 70 mil jovens que completaram 18 anos em 2015 espelha variações regionais nos consumos aditivos.

Os jovens do Alentejo consomem mais álcool e tabaco, enquanto os residentes no Algarve recorrem mais a substâncias como a cannabis e os dos Açores aos tranquilizantes e sedativos sem prescrição médica.

Estas variações regionais estão espelhadas no estudo Comportamentos Aditivos aos 18 Anos, que é apresentado nesta quinta-feira pelo Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD).

O inquérito a 70.646 jovens que completaram 18 anos em 2015 apontou a embriaguez ligeira como o comportamento de maior nocividade mais declarado nos 12 meses anteriores ao dia do inquérito, que coincidiu com o Dia da Defesa Nacional: 63% declararam ter-se embriagado ligeiramente, 47% assumiram o comportamento binge (consumo esporádico excessivo) e 30% declararam ter-se embriagado severamente.

O álcool surgiu como a substância mais consumida entre os jovens. Seguiram-se o tabaco, as drogas ilícitas e os tranquilizantes ou sedativos sem prescrição médica; em linha, de resto, com as conclusões dos estudos mais recentes sobre consumos entre jovens.

O último destes estudos, apresentado em Março também pelo SICAD, e elaborado a partir dos inquéritos a 18 mil alunos entre os 13 e os 18 anos, mostrava que os consumos de álcool, tabaco e drogas estavam em queda, comparativamente a 2011. Em todos os grupos etários, à excepção dos 18 anos.

A crise foi então aventada como possível explicação, mas, como admitiu na altura a responsável pela análise, Fernanda Feijão, “se fosse só a crise, os de 18 anos também estariam a beber menos”.

As dificuldades levantadas pela lei do álcool (que, em 2013, interditou a venda de bebidas espirituosas a menores de 18 anos e de cerveja e vinho a menores de 16 anos, e que, entretanto, foi alterada no sentido de alargar a interdição de venda de todos os tipos de álcool a menores) foram outra das hipóteses admitidas como explicação para a diminuição dos consumos.

Metade fuma

Como os jovens de 18 anos ficaram de fora desta tendência (e também porque a amostra deste estudo abarca jovens que já deixaram a escola e começaram a trabalhar, dispondo, por isso, de mais dinheiro), os consumos atingem neste estudo percentagens mais elevadas. Nos 30 dias anteriores ao inquérito, 65% dos jovens declararam ter consumido álcool, 43% tabaco, 15% substâncias ilícitas e 3% tranquilizantes ou sedativos.

Entre as drogas ilícitas, a cannabis é, de longe, a substância mais consumida (15%), o que confirma as conclusões do Relatório Europeu sobre Drogas apresentado na terça-feira e que aponta para um aumento no consumo desta substância na generalidade dos 28 países da União Europeia. O tabaco é, porém, de todas as substâncias psicoactivas analisadas, aquela de consumo mais frequente: perto de metade (47%) dos consumidores tem um consumo tabágico diário ou quase diário. O álcool, ao contrário, destaca-se como a substância com menor percentagem de consumo diário ou quase diário (14%).

Quando a pergunta era se alguma vez tinha experimentado qualquer uma daquelas substâncias, 88% dos jovens responderam “sim” para o álcool, 62% para o tabaco, 31% para as substâncias ilícitas e 7% para os tranquilizantes ou sedativos.

Curiosamente, apenas uma minoria declarou ter tido problemas no ano anterior ao inquérito decorrentes daqueles consumos. Entre os que reportaram algum tipo de problema, o consumo do álcool apareceu mais associado a questões relacionadas com a condução sob embriaguez, a actos de violência ou conduta desordeira e a relações sexuais desprotegidas. Já o consumo de drogas ilícitas surgiu mais associado a problemas financeiros, condutas em casa ou a quebras no rendimento na escola ou no trabalho.

mais informações no link:

http://www.sicad.pt/pt/Paginas/detalhe.aspx?itemId=105&lista=SICAD_NOVIDADES&bkUrl=/BK

 

Seminário “Velhos e Novos Consumos de Álcool e Boas Práticas de Intervenção” IPDJ de Viseu 18 de fevereiro

Fevereiro 15, 2016 às 12:30 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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viseu

A inscrição é gratuita, mas obrigatória e é limitada aos lugares existentes.

mais informações:

http://www.apdes.pt/index/snvc.html

Neknominate, a nova moda «mortal» na internet

Fevereiro 15, 2014 às 1:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da TVI 24 de 5 de Fevereiro de 2014.

Jovens são desafiados a beber álcool e a fazer «proezas». Dois rapazes irlandeses já morreram

Por: Redacção / PP

Já ouviu falar em «Neknominate»? É a nova «moda» na Internet e já foi responsável pela morte de dois jovens irlandeses. Chamam-lhe «um jogo» e consiste em beber álcool, de preferência grandes quantidades, enquanto se realiza alguma tarefa ou proeza física. No final, desafia-se outros a bater o «feito» dizendo os seus nomes. Tudo é filmado e divulgado nas redes sociais.

O fenómeno nasceu na Austrália mas, em pouco tempo, espalhou-se por outros países. Nova Zelândia, África do Sul e, finalmente, a Europa. O jogo chegou através da Irlanda, país onde já morreram dois jovens devido ao «jogo».

Dia 1 de Fevereiro, sábado, Jonny Bryne, de 19 anos, foi desafiado por um amigo para uma Neknominate. Depois de beber cerveja, saltou para o rio que passa ao lado da cidade onde vivia, Leighlinbridge. O seu corpo só foi encontrado domingo, muitas horas depois do jogo mortal. As autoridades suspeitam que a proeza foi gravada por telemóveis, mas até ao momento ninguém confessou ter as imagens.

A família de Jonny Bryne, em especial o seu irmão, já iniciou uma campanha na Irlanda a apelar aos jovens que não adiram ao Neknominate. Espera que o que aconteceu ao seu irmão possa, pelo menos, salvar outros jovens de destinos trágicos.

Mas também no mesmo dia que Bryne saltou para a morte, Ross Cummins, um DJ de 22 anos, foi encontrado inconsciente em casa, depois de beber uma elevada quantidade de álcool, após um desafio. Ainda foi levado para o hospital, mas acabou por morrer.

As autoridades e os políticos irlandeses apontam o dedo às redes sociais, em especial ao Facebook, por promover este «jogo». Mas a rede defende-se e alega que os vídeos publicados, em diversas páginas alusivas ao fenómeno, não violam as regras, já que não usam «violência», nem são «casos de bullying».

O tipo de proezas divulgadas nos vídeos de Neknominate parecem não ter fim. Por exemplo, uma jovem britânica, Rachel Carey, recebeu ameaças de morte depois de publicar um vídeo onde coloca um peixinho dentro da sua bebida e engole o animal durante uma Neknominate. O desafio aconteceu durante uma viagem à Austrália. As imagens foram entretanto apagadas.

Há também o caso de uma jovem que entrou, montada a cavalo, num supermercado Tesco, no Reino Unido, ingeriu uma lata de bebida, desafiou as amigas e saiu. A jovem garantiu a um jornal britânico que bebeu uma Pepsi, porque não bebe álcool.

 


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