Aumentam as multas por venda de álcool a menores

Maio 15, 2018 às 9:00 am | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Gerardo Santos / Global Imagens

Notícia do Jornal de Notícias de 10 de maio de 2018.

Aumentam as multas por venda de álcool a menores

ASAE cobrou 1,3 milhões de euros em coimas desde 2016

Dependência Contraordenações em 2017 são quase o dobro do ano anterior. Sinalização de jovens diminuiu

Helena Teixeira da Silva

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) cobrou mais de um milhão de euros nos últimos dois anos e meio a estabelecimentos que violaram a lei de venda de bebidas alcoólicas a menores de idade.

Este valor, que tem registado um aumento progressivo, resulta de 1737 processos instaurados por contraordenação desde 2016. “Tendo em consideração os processos concluídos e as decisões proferidas, foi determinada a aplicação de coimas num valor que corresponde a 390 mil euros em 2016, 637 mil euros em 2017 e 291 mil euros relativos a processos decididos já em 2018”, informou fonte da ASAE ao JN.

O valor das contraordenações oscila entre 500 euros e 3740 euros, no caso de o infrator que facilitou a venda e o consumo ser uma pessoa singular. E entre 2500 euros e 30 mil euros, no caso de o infrator ser uma pessoa coletiva. Acresce que, no caso de a infração estar ancorada na ausência de aviso visível dando conta da proibição da venda, a contraordenação pode variar entre 500 e 1500 euros (pessoa singular) ou 1500 e 5500 euros (pessoa coletiva). Desse montante, 60% reverte para o Estado, 25% para a própria ASAE e 15% para a entidade fiscalizadora.

A legislação foi alterada em abril de 2015 (Decreto-Lei nº 106/2015), uniformizando a proibição da venda de todas as bebidas alcoólicas para jovens menores de 18 anos. No âmbito das competências de fiscalização relativamente a essa restrição ao consumo, a ASAE instaurou 167 processos de contraordenação em 2016, número de processos que aumentou em 2017 para 211. Já este ano, foram instaurados 27 processos.

As principais infrações detetadas foram “facultar, vender ou colocar à disposição bebidas alcoólicas em locais públicos, a menores e a falta de afixação de aviso de forma visível com a menção de proibição”.

Menos sinalizados em 2017

Três anos após a alteração à lei do álcool, os dados do Relatório de Avaliação da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos das Crianças (CPCI) são, pela primeira vez, positivos. Em 2017, as situações sinalizadas de jovens em risco desceram de 185 para 164. Contudo, no grupo etário entre os 15 e os 18 anos, que é o mais representativo, houve uma ligeira subida (de 121 para 123). Entre os 11 e os 14 anos, verificou-se uma descida acentuada (de 46 para 30).

Manuel Cardoso, subdiretor-geral do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e Dependências (SICAD), confirma que as metas resultantes da alteração da lei estão a ser atingidas. “Os jovens que dizem que é ‘fácil’ ou ‘muito fácil’ encontrar bebidas alcoólicas reduziu. E a idade de início do consumo aumentou”. O cenário estará estabilizado mas, alerta, “continua fixado em níveis muito elevados, sobretudo entre as raparigas, que são cada vez mais um foco de preocupação”.

O responsável lamenta que a sociedade ignore os malefícios do álcool. “Há uma complacência enorme para o consumo excessivo. E um grande desconhecimento das patologias agudas que provoca, mas sobretudo das doenças crónicas.” Basta pensar, diz, “que hoje encontramos cada vez pessoas mais jovens com cirrose hepática, que não há muito tempo era uma doença diagnosticada apenas em pessoas com mais de 50 anos”.

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Adolescente “mimado” que causou a morte a quatro pessoas sai em liberdade

Abril 6, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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REUTERS/Nick Oxford Ethan Couch foi libertado esta segunda-feira da prisão em Fort Worth, Texas, após cumprir dois anos de pena efectiva

Notícia do https://www.publico.pt/ de 3 de abril de 2018.

Em 2013, o norte-americano Ethan Couch, então com 16 anos, matou quatro pessoas ao conduzir alcoolizado. No entanto, escapou inicialmente a uma pena de prisão efectiva ao alegar ser vítima de um suposto distúrbio de personalidade resultante da riqueza e do “excesso de mimos”.

FILIPA ALMEIDA MENDES

Ethan Couch, o norte-americano responsável por um acidente de automóvel que resultou na morte quatro pessoas em 2013, no Texas, e que ficou conhecido por alegar sofrer de um distúrbio comportamental atribuído à riqueza material da família (mas que não é reconhecido pela Associação Americana de Psiquiatria) para escapar a uma condenação judicial, foi libertado esta segunda-feira da prisão em Fort Worth, após cumprir dois anos de pena efectiva por ter violado os termos da sua liberdade condicional.

O adolescente, que tinha 16 anos à data dos factos, conduzia sob o efeito de álcool (num valor três vezes superior ao limite legal), marijuana e medicação quando perdeu o controlo do seu veículo, matando quatro pessoas e ferindo outras nove que se encontravam na berma de uma estrada em Burleson — a 70 quilómetros de Dallas — a prestar auxílio ao motorista de um outro carro avariado. As autoridades estimam que Couch conduzia a 110 quilómetros por hora numa zona onde o limite máximo era de 60 km/h, como recorda o jornal Guardian.

O caso tinha gerado bastante polémica junto da opinião pública norte-americana depois de, em tribunal, um psicólogo convocado pela defesa do arguido ter argumentado que Couch sofria de um distúrbio comportamental resultante de ter crescido numa família rica e demasiado permissiva — “affluenza“, uma junção das palavras inglesas “influenza” (gripe, em português) e “affluence” (riqueza).

O conceito tinha sido popularizado nos anos 1990, referindo-se a jovens economicamente favorecidos que nunca aprenderam a ser responsáveis nem a medir as consequências dos seus actos. Contudo, a affluenza não é uma patologia reconhecida pela Associação Americana de Psiquiatria, pelo que o diagnóstico não tem qualquer validade clínica.

De acordo com os advogados de defesa de Couch, o facto de os seus pais serem pessoas abastadas e de o jovem ter tido uma educação privilegiada fez com que este fosse demasiado mimado, o que implicou que não soubesse distinguir o bem do mal, e que não tivesse desenvolvido um sentido de responsabilidade. Foi assim que, em 2013, Couch conseguiu de facto evitar uma pena de prisão efectiva, sendo sentenciado a dez anos em regime de liberdade condicional pelo tribunal de menores, bem como a frequentar um centro de reabilitação.

A sentença causou uma enorme indignação por parte das famílias das vítimas e de grupos de combate à condução sob o efeito de álcool.

Em 2016, no entanto, Couch acabou por violar os termos da liberdade condicional e foi condenado a cumprir uma pena de prisão efectiva depois de ter sido publicado um vídeo nas redes sociais onde se via o jovem numa festa em que várias pessoas consumiam álcool

Após o incidente, Couch desapareceu e deixou de contactar o seu agente de liberdade condicional, o que levou à emissão de um mandado de captura. Ethan e a sua mãe, Tonya Couch, fugiram para o México, tendo acabado por ser detidos e deportados para os Estados Unidos por violação da sentença. A mãe, que também escapou a uma pena de prisão efectiva por este incidente, foi na semana passada detida por falhar um teste de drogas ordenado pelo tribunal.

Actualmente com 20 anos, Couch vai cumprir fora da prisão os restantes seis anos da pena em liberdade condicional, segundo afirmaram os seus advogados Scott Brown e Reagan Wynn após a libertação nesta segunda-feira.

“Desde o início, Ethan admitiu o seu comportamento, aceitou a responsabilidade pelos seus actos, e sentiu verdadeiros remorsos pelas terríveis consequências dessas acções”, disse a sua equipa de advogados em comunicado citado pelo Guardian.

A associação “Mães Contra o Álcool ao Volante” (Mothers Against Drunk Driving – Maad, em inglês) emitiu um comunicado, antes da libertação do jovem, a dizer que “dois anos na prisão por matar quatro pessoas é uma grave injustiça para as vítimas e suas famílias que foram, por sua vez, condenadas a uma sentença perpétua”, segundo cita o jornal britânico.

Durante os seis anos em liberdade condicional, Couch será obrigado a usar pulseira electrónica e estará proibido de beber álcool e de conduzir. Será ainda submetido a testes regulares de álcool e drogas, e está obrigado a permanecer em casa entre as 21h da noite e as 6h da madrugada de todos os dias. Caso Couch volte a violar a liberdade condicional já enquanto adulto, poderá vir a ser condenado a uma pena até 40 anos de prisão – dez anos por cada uma das vítimas mortais do acidente.

O caso de Couch tinha motivado um debate sobre a educação de crianças e jovens que crescem em meios privilegiados e sobre os efeitos desse ambiente no desenvolvimento do sentido de responsabilidade. No entanto, tal como salientou ao PÚBLICO, em 2016, o especialista em psicologia de educação José Morgado, não está comprovada a existência de uma relação causa-efeito “entre ter muito dinheiro e ter um determinado tipo de comportamento”, pelo que não existem “mimos a mais, mas sim maus mimos”. Morgado dizia ser antes necessária uma “regulação ao nível dos valores e limites” e uma boa comunicação entre pais e filhos.

Texto editado por Pedro Guerreiro

 

 

GNR lança operação para prevenir comportamentos de risco de jovens em férias

Março 19, 2018 às 3:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.dn.pt/ de 19 de março de 2018.

A GNR inicia hoje uma operação junto de escolas e nas fronteiras terrestres para prevenir comportamentos de risco pelos jovens que se deslocam a Espanha na altura das férias escolares da Páscoa.

Em comunicado, a GNR adianta que a operação “Spring Break” vai realizar-se entre hoje e dia 30 de março em todo o território nacional.

Até dia 30 de março, a GNR vai desenvolver ações de sensibilização junto da comunidade escolar e de fiscalização nas fronteiras terrestres de Vilar Formoso (Guarda), em Caia (Portalegre) e Vila Real de Santo António (Faro).

A operação, que será realizada em três fases, tem por objetivo prevenir a adoção de comportamentos de risco inerentes ao consumo de droga e álcool por parte da população mais jovem, que se desloca nesta altura do ano (Páscoa) para o sul de Espanha e Catalunha em férias escolares.

Na primeira fase da operação, entre hoje e sexta-feira, os “militares dos Núcleos Escola Segura realizam ações de sensibilização junto dos jovens, alertando-os para os comportamentos de risco associados a estas viagens, direcionado para o grupo-alvo de alunos do 9.º ao 12.º ano de escolaridade”.

Numa segunda fase entre sexta-feira e domingo (23 a 25 de março), “os militares dos comandos territoriais, com o apoio da valência de investigação criminal e de binómios cinotécnicos de deteção de droga, em coordenação com a Guardia Civil, realizam ações de fiscalização junto às fronteiras terrestres”.

O objetivo, segundo a GNR, é detetar a prática de ilícitos associados ao consumo de substâncias estupefacientes, bem como garantir as condições de segurança dos veículos que irão transportar os jovens.

Na terceira fase, que vai decorrer entre os dias 26 e 30, os militares dos comandos territoriais, realizam ações de fiscalização em estabelecimentos comerciais no âmbito da venda de álcool e produtos estupefacientes a adolescentes e jovens adultos.

As férias escolares da Páscoa são entre 26 de março e 06 de abril.

mais informações:

http://www.gnr.pt/noticias.aspx?linha=8223

Adolescentes: um carro sem travões com uma vida social online

Março 18, 2018 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 26 de fevereiro de 2018.

A revista Nature dedicou esta semana uma edição especial à ciência da adolescência. Em vários artigos e em várias revistas do grupo, fala-se desta fase crítica de um ser humano onde existem tantas oportunidades como vulnerabilidades.

ANDREA CUNHA FREITAS

Desde o smartphone que não largam da mão até às sinapses e outras mudanças que ocorrem no cérebro, passando pelos riscos que se atrevem a correr e ainda pelo debate actual sobre quando começa e quando acaba esta fase entre a infância e a idade adulta. A edição especial desta semana da revista Nature, que inclui vários artigos científicos e reportagens dispersos por diferentes revistas científicas do grupo editorial, é dedicada à ciência da adolescência. Só para início de conversa fica, desde já, um aviso: há uma mudança em curso e, ao que parece, agora a adolescência pode começar aos dez anos e só acabar aos 24 anos.

Um dos artigos desta edição alerta para um dado importante que pode ajudar a contextualizar os vários trabalhos sobre o mesmo tema: 90% dos adolescentes vivem em países pobres, mas os que são envolvidos nos estudos dos cientistas pertencem à minoritária fatia dos 10% dos países mais desenvolvidos, com acesso a saúde, educação, tecnologias, entre outras experiências que os separam e os afectam em todos os sentidos. E o retrato do adolescente que vive no nosso moderno mundo cheio de oportunidades e tentações pode ter muitas diferenças mas terá, pelo menos, uma coisa em comum: um smartphone na mão.

“Smartphones são maus para alguns adolescentes mas não para todos” é o título de um artigo de opinião que faz parte do “pacote” da ciência da adolescência da Nature. O texto nota que mais do que fazer parte das forças do bem ou do mal, as actividades online dos adolescentes podem é reflectir ou mesmo agravar vulnerabilidades que já existem.

O artigo reforça que a vida social dos adolescentes faz-se sobretudo online e apresenta uma série de dados sobre a saúde mental dos miúdos que se apoiam neste convívio à distância.Uma revisão de 36 estudos publicados entre 2002 e 2017 concluiu que os adolescentes usam a comunicação digital para fortalecer as suas relações, partilhar detalhes íntimos, manifestar afectos e combinar encontros. E isso é mau? Depende. “Os adolescentes que enfrentam mais adversidade offline parecem estar mais vulneráveis aos efeitos negativos do uso dos smartphones”, apontam os investigadores, especificando ainda que um historial de vitimização fora das redes sociais fará com que sejam alvo de bullying e outras agressões também online. Fica ainda um alerta para uma vigilância da actividade online que pode revelar pistas sobre saúde mental, acrescentando-se que cientistas da área da computação já demonstraram que é possível prever um cenário de depressão através da análise dos padrões de envolvimento e das publicações nas redes sociais.

“Sexo, drogas e autocontrolo”

Uma vida social online pode ter os seus perigos, mas há mais perigos na estrada da adolescência. “Sexo, drogas e autocontrolo” é outro dos artigos e, desta vez, o tema é a já muito investigada propensão dos adolescentes para correr riscos. Kerri Smith assina a reportagem na Nature com testemunhos de vários especialistas na matéria. A repórter lembra, por exemplo, que os neurocientistas associaram a imagem do cérebro de um adolescente a um carro com um motor acelerado e falhas nos travões. A propósito de carros, cérebros e riscos, Kerri Smith fala sobre os curiosos resultados de uma experiência em laboratório com adolescentes que relacionou os perigos com a influência dos pares. O teste era uma espécie de jogo de corrida com o objectivo de percorrer um trajecto com 20 semáforos em seis minutos.

Os resultados dispensam qualquer comentário. Quando jogaram sozinhos, os adolescentes correram tantos riscos (passar sinais vermelhos enfrentando o perigo de colidir com outro carro) como um adulto a jogar o mesmo jogo. Quando souberam que os seus amigos os estavam a observar “correram significativamente mais riscos”. E quando sabiam que as mães os estavam a observar “correram menos riscos”. Nas experiências, os cientistas observaram os padrões de actividade cerebral e detectaram, por exemplo, uma activação de áreas associadas à recompensa quando os amigos estavam a observar e uma activação da região do córtex pré-frontal (associada ao controlo cognitivo) quando os observadores eram as progenitoras.

Mas, se a influência dos pares foi negativa neste jogo de corrida, os cientistas também sabem que esta é uma rua com dois sentidos. Os amigos dos adolescentes também podem ser uma influência positiva nas suas vidas. Um aplauso ou simples incentivo para uma boa acção (também houve jogos em laboratórios com donativos e outros exercícios) funciona como um estímulo para mais coisas boas.

Depois há riscos e riscos. O artigo jornalístico lembra, por exemplo, que convidar alguém para sair à noite pode ser encarado como um acto arrojado (um risco social, portanto). Aliás, sublinhe-se, que os cientistas já perceberam também que os circuitos cerebrais usados para correr riscos “negativos”, que ponham em causa a sua integridade física, são os mesmos que ajudam os adolescentes a enfrentar “riscos positivos”. E os receptores de dopamina, um mensageiro químico no cérebro, aumentam em ambos os casos.

Porém, há uma importante ressalva a fazer. Tudo isto são conclusões retiradas de estudos em laboratório, ou seja, adolescentes num ambiente controlado. “Como é que conseguimos imitar num frio laboratório numa quinta-feira à tarde o que se passa num sábado à noite?””, questiona a neurocientista Adriana Galván, da Universidade de Califórnia em Los Angeles (EUA), citada na reportagem.

O que sabemos do que salta da rua, longe dos laboratórios, é que os primeiros lugares na lista de causas de morte entre os dez e os 19 anos são ocupados por comportamentos de riscos. Os rapazes (sobretudo entre os 15 e 19) morrem em acidentes na estrada, por causa de episódios de violência e por ferimentos causados pelos próprios (suicídio). As raparigas entre os 15 e 19 anos morrem da sequência de complicações durante uma gravidez, ferimentos causados por si e acidentes na estrada. Por esta ordem.

Há, no entanto, algumas dicas para prevenir os prováveis desvios. Exemplo? Deixar os adolescentes dormir até mais tarde. “Os adolescentes que não dormem o suficiente são mais propensos a adoptar comportamentos de risco, como fumar e relacionados com a actividade sexual.” Foi baseada em dezenas de estudos publicados sobre este tópico que a Academia Americana de Pediatria divulgou recentemente uma recomendação para que nesta faixa etária as aulas comecem a partir das 8h30 ou mais tarde ainda, se possível.

Adolescência pode durar 14 anos?

A investigação sobre esta parte da viagem para a vida adulta num carro com falhas nos travões tem estado muito apoiada nas tecnologias de imagem que nos permitem ver o cérebro a funcionar. No entanto, e apesar dos muitos avanços nesta área, estas fotografias ou filmes da actividade cerebral ainda têm muito ruído e sinais difíceis de interpretar.

A adolescência é um momento único de sintonização e amadurecimento do cérebro. Hoje, ao contrário do que julgávamos há relativamente pouco tempo, sabemos que o cérebro continua a mudar e a moldar-se durante a adolescência. Neste período, assiste-se, por exemplo, à afinação das sinapses (as ligações entre os neurónios) que se reduzem entre a infância e a idade adulta.

Um comentário assinado por Matthew B. Johnson e Beth Stevens, investigadores no centro de neurobiologia do Hospital de Crianças de Boston e na Escola Médica de Harvard, no Massachusetts, nos EUA relaciona a quebra de sinapses (ou o momento da poda das ligações neuronais, como os neurocientistas lhe chamam) com a probabilidade de sofrer de esquizofrenia. O texto lembra que esta associação foi feita (pela primeira vez) em 1979, mas só foi explorada nos anos mais recentes. As novas tecnologias de imagem, por exemplo, levaram à conclusão de que uma poda excessiva das sinapses aumenta o risco de sofrer deste distúrbio mental. As ferramentas para estudos genéticos permitiram identificar um gene (C4) que não só interfere neste mecanismo cerebral como também apresenta alterações em doentes com esquizofrenia.

Sabia-se que a esquizofrenia tende a manifestar-se no final da adolescência. O que nos leva a outra importante questão: onde é que, afinal, começa e acaba a adolescência? Hoje, baseados na biologia como o aparecimento cada vez mais precoce da menarca e outros sinais de puberdade, muitos cientistas já consideram que a adolescência começa por volta dos dez anos. E se o fim dos teenagers se adivinhava pelos 18 e 19 anos como o próprio estrangeirismo sugere, agora isso está a mudar. Em Janeiro deste ano, foi publicado um estudo na revista Lancet Child & Adolescent que defende que os “teens” podem ir afinal até aos… 24 anos.

Dizem os cientistas que, por um lado, o cérebro continua a desenvolver-se no início dos 20 anos e, por outro lado, que as mudanças sociais mostram que a entrada na vida adulta acontece mais tarde do que no passado. Saem de casa mais tarde, entram no mercado de trabalho mais tarde, casam mais tarde, têm filhos mais tarde.

Na reportagem “Os limites em mudança da adolescência”, a repórter Heidi Ledford mostra que a discussão já chegou a um ponto em que se antevê a necessidade de adaptar a sociedade a estes novos marcos. “Cientistas, médicos e decisores políticos enfrentam um momento em que se debatem com estas fronteiras em mudança”, sublinha o artigo, acrescentando ainda que a comunidade médica e judicial terá de decidir urgentemente quando é que uma pessoa é considerada capaz de tomar decisões adultas. “Uma conceptualização clara da adolescência não é só uma picuinhice semântica”, diz Jay Giedd, neurocientista na Universidade de Califórnia em San Diego. “Tem implicações profundas para os sistemas clínicos, educativos e judiciais.”

Fixar limites é útil para todos, mas a especialista Sarah-Jayne Blakemore avisa, na reportagem, que dificilmente serão os neurocientistas a defini-los. A neurocientista da Universidade College de Londres estuda os adolescentes há vários anos e sabe do que fala. Nota que as diferentes culturas desenham diferentes limites e que a estrutura e funcionamento do cérebro variam tanto de pessoa para pessoa que a tarefa de colocar um ponto final biológico na adolescência parece impossível. “Não existe tal coisa como um adolescente típico.”

A edição especial da Nature explora várias frentes da ciência da adolescência. São uma dúzia de artigos que respondem a algumas questões sobre esta fase entre a infância e a idade adulta, cada vez menos enigmática. Uma altura crítica para prevenir comportamentos ilegais ou criminosos? A adolescência. O momento para “ensinar” as bases de uma sociedade apoiada na igualdade de género? A adolescência. Uma fase em que os media, as redes sociais e outros mecanismos digitais têm um “poder” que pode fazer a diferença entre o bem e o mal? A adolescência. Uma oportunidade para prevenir, tratar, criar problemas ou agravar a saúde mental? A adolescência. O grupo etário com menos acesso à saúde nos países pobres? Os adolescentes.

No pequeno texto que apresenta esta colectânea de trabalhos sobre a adolescência, a Nature fala da sua natureza paradoxal. Um tempo de riscos e vulnerabilidades que coincide com crescimento e oportunidades. E os cientistas parecem finalmente rendidos ao tema. “Não consigo encontrar um período de desenvolvimento mais desafiante”, conclui B.J. Casey, neurocientista da Universidade Yale em New Haven, Connecticut, num dos textos. Porém, acrescenta: “Sempre que dou uma palestra, peço às pessoas que levantem a mão se estivessem dispostos a passar pela adolescência outra vez. E ninguém o faz.”

mais informações no artigo:

Sex and drugs and self-control: how the teen brain navigates risk

 

 

 

 

PSP identificou 74 “menores em risco” durante a madrugada

Janeiro 29, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 28 de janeiro de 2018.

A PSP identificou esta madrugada em Lisboa 74 menores, 45 com menos de 16 anos, que “deambulavam” na rua sem acompanhamento de um adulto, tendo uma jovem sido sinalizada à comissão de protecção de menores, anunciou a polícia.

As crianças e jovens foram identificados durante a “Operação de Fiscalização de menores em risco”, realizada pelo Comando Metropolitano de Lisboa, com a colaboração da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) Lisboa Centro.

A operação visou identificar “menores de 18 anos em zonas referenciadas pelo consumo de álcool e outras drogas, bem como prevenir situações susceptíveis de colocar em perigo a vida e a integridade física das crianças, nomeadamente serem vítimas de diversos crimes ou acidentes de viação”, refere a PSP de Lisboa em comunicado.

Na operação foram identificadas 74 crianças e jovens com idades inferiores a 18 anos, sendo 45 menores de 16 anos de idade, os quais “deambulavam na via pública sem a supervisão parental ou de um adulto responsável”.

Uma jovem com 14 anos foi sinalizada para a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens da sua área de residência por “existirem indicadores de perigo”.

Durante a operação, foram fiscalizados diversos estabelecimentos, tendo sido levantados 26 autos de contra-ordenação, três dos quais relativos a venda de álcool a menores. Foram ainda feitas três detenções por tráfico de estupefacientes, adianta o Comando Metropolitano de Lisboa.

Cápsulas de detergente motivaram 68 intoxicações no ano passado

Janeiro 24, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.jn.pt/ de 19 de janeiro de 2018.

As cápsulas de detergente provocaram no ano passado 68 situações de intoxicação, sobretudo em crianças até aos três anos de idade, de acordo com o Centro de Informação Antivenenos do INEM.

O INEM lançou recentemente uma campanha de sensibilização na rede social Facebook, depois de ser conhecido um desafio que está a circular na internet, que consiste na ingestão destas cápsulas de detergente e publicação do respetivo vídeo.

“Comer cápsulas é estúpido! Come bolachas” é o mote da campanha do INEM.

O Centro de Informação Antivenenos (CIAV) do INEM não tem, até ao momento, conhecimento de casos de intoxicações provocados no decorrer deste desafio.

Também a PSP já publicou um comunicado na mesma rede social, alertando para “um novo desafio viral na Internet que consiste na ingestão destas cápsulas ou na sua colocação na boca, filmando e partilhando nas redes sociais”.

“Estas cápsulas são altamente concentradas e projetadas unicamente para o seu fim. Devem ser armazenadas longe do alcance de crianças, independentemente das circunstâncias”, lê-se no alerta da PSP.

Sem relação com este desafio, o CIAV do INEM atendeu no ano passado 68 casos relacionados com a exposição a detergente em cápsulas. Em 2016, este organismo registou 115 ocorrências e no ano anterior 140.

Dados do INEM a que a Lusa teve acesso revelam que “a maioria das situações ocorrem nos escalões etários mais baixos com particular incidência nas crianças até aos três anos de idade inclusive”.

Em 2017, 14 das situações ocorreram em menores de dois anos, 19 tinham dois anos e 17 eram crianças com três anos.

A via digestiva foi o principal meio de exposição ao detergente em cápsulas (46), seguindo-se a ocular (17) e a cutânea (5).

Segundo o CIAV, “as cápsulas de utilização unitária de detergente para lavagem de roupa ou loiça contêm entre 30 a 50 ml de um detergente concentrado, revestidas por um invólucro solúvel em água”.

“As suas cores brilhantes e chamativas são particularmente atrativas para as crianças que as podem confundir com guloseimas, rebuçados ou doces”, prossegue o organismo.

De acordo com o CIAV, “ainda que a maior parte destas situações seja de gravidade relativa, dependendo de diversos fatores, podem, no entanto, provocar lesões, nomeadamente ao nível ocular, com consequências potencialmente mais graves”.

 

Há um novo desafio a pôr jovens em perigo: ingerir cápsulas de detergente

Janeiro 19, 2018 às 8:30 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt de 18 de janeiro de 2018.

O “Tide Pod Challenge” levou o INEM e a PSP a lançarem alertas para os perigos associados a uma prática que começou nos EUA e se difundiu online.

O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) veio reforçar esta quinta-feira um alerta feito no dia anterior pela Polícia de Segurança Pública (PSP) sobre um novo desafio, com origem nos EUA, que se tornou viral na Internet. Qual? Ingestão de cápsulas de detergente. Em comunicado, o INEM reforça o alerta aos perigos deste desafio, considerando a prática “extremamente perigosa”, “podendo causar lesões graves”.

No “Tide Pod Challenge”, os adolescentes gravam vídeos de si próprios a ingerir cápsulas de detergente, algumas das quais cozinhadas. Com resultados que, segundo o INEM, variam de acordo com o órgão que entrar em contacto directo com o conteúdo das cápsulas: “Pele: eritema (pele vermelha, irritada); olhos: ardor, olho vermelho, edema (inchaço) palpebral ou mesmo uma queimadura química; boca: vómitos, alterações na orofaringe (garganta), ou alterações respiratórias por aspiração do produto”.

O INEM aconselha que, entrando em contacto com este tipo de produto, se proceda de imediato à “lavagem abundante com água corrente, nomeadamente no caso de contacto por via ocular em que a lavagem deve ser feita durante 10 a 15 minutos, afastando as pálpebras”. Outra recomendação: ligar “para o Centro de Informação Antiveneno (CIAV) através do número 808 250 143 ou para o Número Europeu de Emergência – 112”, explica o comunicado.

No alerta feito pela PSP na terça-feira através do Facebook, a Polícia de Segurança Pública alerta para o facto de estas cápsulas serem “altamente concentradas e projectadas unicamente para o seu fim”. A publicação conta com mais de 2500 partilhas.

Alerta PSP

Comunicado INEM

 

Quando a vontade de testar limites e a pressão dos amigos se juntam

Janeiro 19, 2018 às 7:09 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Desafio com cápsulas de detergente pode provocar diarreia, vómitos, problemas respiratórios ou até mesmo a morte

Notícia do https://www.dn.pt/ de 19 de janeiro de 2018.

Joana Capucho

Comer cápsulas de detergente, filmar e partilhar na internet. O novo desafio viral da web já levou a PSP a lançar um alerta. Pais devem estar atentos

Milhares de jovens estão a pôr a vida em risco, um pouco por todo o mundo, para responder aos desafios que circulam na internet. Enrolam-se em fita-cola para depois se libertarem, bebem excessivamente, desaparecem durante 72 horas sem deixar rasto, cedem a ordens que passam por atos de autolesão e terminam o suicídio. Tudo com o intuito de filmar e publicar online. Depois do jogo da Baleia Azul, que resultou em várias mortes, o desafio da moda surgiu nos Estados Unidos e passa pela ingestão de cápsulas de detergente. Tide Pod Challenge é, segundo os especialistas ouvidos pelo DN, mais um jogo que mostra a influência dos pares, a vontade que os mais novos têm de desafiar o perigo, a dificuldade em refletir sobre as consequências e a necessidade de experimentar adrenalina.

“São fenómenos grupais de procura imediata de prazer, próprios da adolescência, que se juntam a canais que garantem visibilidade nas redes”, diz a pedopsiquiatra Ana Vasconcelos. Refere-se, por exemplo, ao prazer de dizer aos outros que fizeram, que participaram. “Nessa fase da vida, os prazeres estão muito misturados. E há também o desafiar o perigo, numa altura em que ainda não existem os canais de prudência que há na idade adulta. Na adolescência, é habitual ir ao limite”, afirma a especialista, acrescentando que há tendência para “imitar, sem pensamento reflexivo da consequência das ações”.

Por vezes, reconhece Ana Vasconcelos, a adesão a estes desafios está relacionada com o facto de os adolescentes se sentirem “muito fracos ou frágeis e, por isso, procurarem situações em que são heróis e desafiam o perigo”. Uma opinião partilhada pela psicóloga Inês Afonso Marques: “A necessidade de experimentar adrenalina ou risco revela alguma vulnerabilidade do ponto de vista emocional.”

Segundo a coordenadora da área infantojuvenil da Oficina da Psicologia, “uma pessoa que se sente estável emocionalmente e com boa inteligência emocional não tem necessidade de experimentar emoções fortes”. Daí que nem todos os adolescentes estejam disponíveis para desafios que aparentam ser disparatados. Contudo, as razões pelas quais o fazem estão relacionadas com a idade. “A zona do cérebro responsável pelo planeamento de comportamentos, tomada de decisões e planeamento inibitório – o que nos faz travar certos comportamentos – só está desenvolvida por volta dos 20 anos”, sublinha Inês Afonso Marques.

Na adolescência, prossegue a psicóloga, “há tendência para a impulsividade, a dificuldade em avaliar consequências e em travar determinado tipo de ações”. E há a influência dos pares. “Na passagem da infância para a adolescência aumenta a importância que os pares têm. Estes desafios surgem muitas vezes nos grupos.” A isto junta-se, muitas vezes, o facto de os pais estarem “menos disponíveis e informarem e acompanharem pouco”.

PSP alerta para fenómeno

No novo desafio que tomou conta das redes sociais os adolescentes filmam-se a cozinhar refeições com cápsulas de detergente ou a pô-las na boca. Um fenómeno bastante perigoso, já que estas são feitas com detergentes altamente concentrados. Nos primeiros 15 dias deste ano foram relatados 39 casos de adolescentes que mastigaram intencionalmente as cápsulas, uma situação que já levou Facebook, Instagram e YouTube a tentar travar a progressão do jogo.

Atenta à nova moda, a PSP lançou um alerta nas redes sociais. Contactada pelo DN, adianta que “até ao momento não foi reportado qualquer caso” em Portugal. Porém, “as autoridades médicas não estão obrigadas a reportar estas situações à polícia, pelo que, caso alguém entre numa urgência por ingestão “inadvertida” de um detergente”, é possível que a PSP não tenha conhecimento. Embora seja orientada para os jovens, a polícia diz que a mensagem “procura também ser um alerta a muitos pais que normalmente não estão tão atentos aos fenómenos virais das redes sociais”.

Segundo os especialistas ouvidos pelo DN, os pais têm um papel fundamental na prevenção destes comportamentos. Sandra Nascimento, presidente da Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI), sugere que os adultos tentem “perceber se os adolescentes têm noção do que podem ser as consequências, pois trata-se de um desafio que pode ser fatal”. “É importante que os pais tenham abertura, percebam o que eles sabem sobre o assunto, as consequências e o que pensam que leva outros jovens a alinhar no desafio”, destaca.

Inês Afonso Marques diz que a tendência dos pais é para ignorar estes temas, “porque acham que falar sobre eles dá ideias”, mas “falar abertamente é uma forma de alertar para tudo o que são riscos”. Ressalvando que desconhece o novo desafio, Jorge Ascensão, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais, diz que a família deve estar “muito atenta e alerta e ser capaz de criar nas gerações futuras a consciência de que têm de ter autodefesas”. Não vale a pena proibir o que faz parte da vida dos adolescentes, frisa, “mas estes têm de perceber o que é tóxico na internet”. Isso consegue-se com “diálogo, orientação, reflexão”.

Alerta da PSP

Adolescentes: chegou a altura de os deixar sair à noite (mas com regras…)

Dezembro 13, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do https://www.noticiasmagazine.pt/ de 2 de novembro de 2017.

Agressões, álcool, drogas, acidentes, sexo, sexo desprotegido… Os medos dos pais com as saídas dos filhos à noite é tão natural como o desejo de autonomia dos mais novos. A solução para os deixar crescer sem estar sempre de coração nas mãos passa por três pilares: diálogo, negociação e regras.

Leia também: Os seus filhos querem sair à noite? 5 conselhos práticos

Guilherme tem 17 anos e começou a sair à noite neste ano, depois de muito desafiado pelos amigos. A irmã, Margarida, com 14, já sai e adorava sair mais. «Ele não gosta de confusão, prefere ir a um bar, conversar com os amigos e jogar snooker», diz a mãe. «Ela é afoita e aventureira. Adora dançar.»

Com o Guilherme, as horas de chegada são negociadas caso a caso – chegou uma vez às seis da manhã, no aniversário da prima. Com a irmã as coisas ainda são diferentes. «Não sai à noite sem o irmão e vamos buscá-la sempre à meia-noite. Ainda não é negociável.

Mas às vezes vai dormir a casa das amigas ou elas vêm dormir cá a casa. Assim eu também as vou conhecendo e às famílias.» A diferença nas regras não se deve ao género. Deve-se, sustenta Joana Miranda, 36 anos, à diferença de idades e respetiva maturidade. Não há pediatra ou psicólogo que não diga o mesmo: sair ou não sair não tem que ver só com a idade, mas com a responsabilidade e a preparação de cada adolescente.

Os filhos reivindicam autonomia, os pais percebem até que ponto eles estão preparados para a ter. Sempre foi assim, sempre será. Uma avaliação que o psicólogo Vítor Rodrigues defende que só é possível «cultivando um relacionamento próximo e de respeito mútuo», no qual é essencial os pais enfrentarem os seus próprios receios e irem dando autonomia aos filhos. O especialista garante que muitos dos medos dos pais nascem do facto de eles se projetarem nos filhos. «Receiam, no fundo, que os filhos façam igual ou pior do eles mesmos fizeram. Isso é normal, mas não deve ser um entrave à autonomia.»

Em casa de Joana Miranda, as experiências dos pais, em vez de serem parte do problema, são parte da solução. Fala-se de tudo abertamente e o tema «saídas» foi sendo preparado ao longo dos anos. Ela e o marido, David Soalhães, contam com frequência as próprias peripécias nas saídas noturnas quando eram mais novos e perguntam aos filhos como reagiriam se fosse com eles.

Muitos dos exemplos que contam e perguntas que fazem estão relacionados com uma regra de ouro: evitar confrontos com pessoas alcoolizadas ou que procuram problemas. «Nunca sabemos quem está do outro lado e não vale a pena armarmo-nos em heróis», diz Joana. «Uma vez, numa noite, quando era adolescente, fui abordada na casa de banho por um grupo de raparigas que queriam arranjar confusão. Fiz por fugir dali o mais rapidamente possível. Perguntei aos meus filhos o que fariam no meu lugar. O Guilherme disse que tentaria fugir ou avisar alguém cá fora. A Margarida disse que não saberia o que fazer.»

A questão das drogas nas bebidas, que também preocupa hoje muitos pais, foi outra das que foram abordadas: o mais velho disse que se devia andar com a bebida sempre atrás, a mais nova não sabia que tal coisa existia. Razões, entre outras, para a mãe perceber que com Joana ainda tem de haver muita prudência, com Guilherme pode estar mais descansada.

Esta aproximação de experiências e pais que definem regras mas não proíbem é uma tendência. «As gerações que têm filhos adolescentes são mais flexíveis do que as anteriores. Intuem mais facilmente que regras e prisão são coisas diferentes», diz o psicoterapeuta Nuno C. Sousa. «É frequente que sejam os próprios pais a começar a levar os filhos a saídas noturnas. É uma aproximação de gerações muito construtiva, desde que não se percam os papéis na relação.» Até porque, como lembra, um objetivo pode ser alcançado por vários caminhos. «Se os pais pretendem incutir responsabilidade, será mais fácil através de uma relação de cumplicidade, porque os filhos sentirão uma verdadeira preocupação e não uma imposição de regras para chatear.»

Joana tem uma relação próxima, aberta e de diálogo, mas não deixa que os filhos se esqueçam quem é a mãe lá em casa. Há várias regras e são para ser cumpridas: o álcool não está permitido, as horas de chegada são bem estabelecidas e eles sabem que os pais devem sempre saber onde estão e com quem. Tem tudo corrido bem, mas talvez Joana Miranda tenha uma coisa a seu favor: a formação em coaching, com especialização em educação parental. Claro que isso não a deixa imune a preocupações, mas mais bem preparada para lidar com elas. E a principal preocupação são os excessos.

«O álcool, as drogas e o facto de saber que os adolescentes, quando em grupo, por vezes gostam de se mostrar. Fico preocupada, mas confio neles.» Aquilo que diz para dentro de si mesma é o mesmo que diz aos pais com quem trabalha: «Não se pode pura e simplesmente proibir só porque se sente medo. Faz parte do desenvolvimento deles e proibir é sempre o caminho mais penoso e o que vai gerar maiores confrontos.» Além da confiança nos filhos, a atenuar as preocupações está também está o facto de conhecer os amigos e os pais dos amigos, uma medida que também recomenda a todos os pais.

As preocupações dos pais não estão só nas cabeças deles. Vários estudos – e o senso comum – estabelecem uma associação entre saídas para sítios de diversão noturna e o consumo de tabaco, álcool e drogas. E é por isso que a maturidade dos adolescentes deve ser avaliada. É a única arma que têm para se defender dos riscos que as saídas à noite podem comportar.

A outra parte da história, da qual os pais falam menos, é o sexo. «É natural que na adolescência a ênfase na sexualidade e o despertar do instinto sexual façam recear que os nossos filhos se precipitem em relacionamentos de risco físico e afetivo», diz o psicólogo Vítor Rodrigues. «Os pais sabem que muito disso lhes escapa ao controlo e temem o que é mais difícil de controlar.»

Apesar de tudo, há uma forma de controlo e um tranquilizador que pais de hoje têm ao dispor: o telemóvel. Agora podem telefonar se estiverem preocupados, em vez de ficarem a agonizar no sofá ou a dar voltas na cama. «Apesar de ser um facilitador, não deve ser uma desculpa para estarem constantemente a pedir relatórios do que andam os filhos a fazer», alerta o psicoterapeuta Nuno C. Sousa.

«O segredo está numa negociação prévia equilibrada, que deve ser cumprida por ambas as partes. Determinadas as regras, é extremamente importante que os filhos sintam que há confiança por parte dos pais.» Que é como quem diz: não é para abusar. Se combinou com o adolescente que ele envia um sms às três da manhã, não vale enviar-lhe dois ou três a pedir novidades antes dessa hora, como também não vale ligar-lhe meia hora antes da hora marcada para estar em casa. As regras são para todos.

Para um adolescente, sair à noite ao fim de semana não se resume ao período entre o momento em que sai de casa e o momento em que entra. São as combinações que começam a meio da semana, em que se discutem os sítios onde ir, os amigos que se vão encontrar, as dezenas de mensagem trocadas para saber se o João ou a Catarina também vão lá estar, escolher a roupa para levar, etc. É um ritual – que não tem só problemas, riscos e perigos, também tem benefícios.

«Durante a adolescência a formação da personalidade está intimamente ligada às relações dos jovens com os pares», diz o psicoterapeuta Nuno C. Sousa. «Através do contacto com pessoas diferentes, em contextos diversos, o adolescente vai ganhando consciência do que gosta de fazer, como e com quem. Nas saídas à noite alarga-se a rede de conhecimentos além dos amigos da escola, num contexto em que o tempo de convívio não está limitado pela campainha dos intervalos.»

E depois, mais do que olhar para a questão pela ótica dos riscos e dos benefícios, há que vê-lo como uma inevitabilidade. «Na adolescência estamos a transitar de crianças para adultos e precisamos de desenvolver a nossa identidade. Para isso, temos de sentir e experimentar, não creio que exista outra via», diz o psicólogo Vítor Rodrigues.

Claro que nem sempre isso acontece sem sobressaltos e a tarefa dos pais não é fácil. Ainda assim, a «ditadura benévola» que resulta nas crianças pode ser uma péssima medida, geradora de muita revolta, na adolescência. «A transição para a democracia no lar costuma ser mais útil. Os adolescentes precisam de sentir que têm direito de voto.»

O psicólogo sabe do que fala: tem uma filha adolescente em casa e aquilo que aconselha na teoria é aquilo que também tem feito na prática, um equilíbrio entre respeito e vigilância: «Estar atento, acompanhá-la, combinar horas e lugares de encontro, ir percebendo quais os problemas que pode estar a atravessar e como posso contribuir para que encontre os materiais de que precisa para se autoesculpir.»

COMO AVALIAR O SENTIDO DE RESPONSABILIDADE DOS FILHOS?

  • Estar atento à maturidade que evidenciam a nível afetivo, social, sexual e intelectual.
  • Verificar se manifestam preferência por dizer a verdade, em vez de optarem pela mentira fácil.
  • Perceber se compreendem os riscos envolvidos nas saídas noturnas e avaliar a capacidade que têm para lidar com eles.
  • Não esquecer que todas estas capacidades dos filhos dependem muito do papel dos pais enquanto educadores.
  • Perceber até que ponto assumem responsabilidade pelos seus atos.
  • Avaliar se se mostram capazes de relativizar afetos e acontecimentos.

FONTE: VÍTOR RODRIGUES, PSICOTERAPEUTA

 

 

 

O mais recente (e perigoso) desafio para jovens no Facebook consiste em estar desaparecido durante 48 horas

Outubro 25, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://observador.pt/ de 24 de outubro de 2017.

Tiago Palma

Quanto mais alertas de desaparecimento o “jogador” tiver no Facebook durante este período mais pontos receberá no final. Facebook garante que “está a investigar e tomará medidas”.

Os desafios que amiúde surgem no Facebook são, no mínimo, disparatados — e cada vez mais perigosos para os “competidores”: desde tentar debulhar uma maçaroca de milho (presa num berbequim a rodar) com os dentes a engolir uma colher de canela de enfiada, passando por colocar um preservativo na cabeça (e rebentá-lo apenas exalando pelo nariz) ou, sendo este o mais perigo de todos, a “Baleia Azul” — tendo resultado o desafio no suicídio de muitos adolescentes um pouco por todo o mundo.

Agora, o desafio “da moda” da rede social não é mortal mas preocupante para pais, familiares e amigos de quem o aceita. Este desafio, o “48 horas”, consiste precisamente em desaparecer de casa durante este período, desligando o telemóvel e perdendo o contacto com quem for próximo. Quanto mais alertas de desaparecimento o “jogador” tiver no Facebook durante este período mais pontos receberá no final.

É certo que o jogo poderá até não ser mortal ou tão perigoso quanto outros mas, em última análise, este “falso alarme” resulta em desnecessárias denúncias e buscas policiais, dispersando as autoridades de casos verdadeiros de pessoas desaparecidas, perdidas ou sequestradas.

Entretanto, o Facebook já reagiu em comunicado ao desafio “48 horas” e pede aos utilizadores que “denunciem” toda e qualquer página na rede social que faça a apologia do mesmo, garantido que “está a investigar e tomará medidas”. E acrescenta: “A segurança dos utilizadores jovens do Facebook é uma responsabilidade que levamos muito a sério. Esperamos reunir os links relevantes para investigar e garantir que possamos tomar medidas rápidas se for necessário”.

 

 

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