Efeitos do consumo de álcool e tabaco podem começar logo aos 17 anos

Setembro 18, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 29 de agosto de 2018.

Consumo de álcool e tabaco a partir dos 17 anos cria problemas precoces, como o bloqueio de artérias. Mas abrandar o consumo pode reverter a situação a tempo de problemas maiores.

Os adolescentes que começam cedo a beber álcool e a fumar podem ter problemas nas artérias logo a partir dos 17 anos, revela um estudo publicado no European Heart Journal. Entre 2004 e 2008, os investigadores acompanharam 1.266 jovens da área Bristol, no Reino Unido, procurando saber quantos cigarros tinham fumado e com que idade tinham começado a beber álcool.

Os resultados mostraram que aqueles que já tinham fumado mais de 100 cigarros ou que bebiam mais regularmente apresentavam uma maior rigidez das artérias — algo que aumenta o risco de ataque cardíaco ou derrame — do que aqueles que tinham fumado menos do que 20 cigarros ou que consumiam menos do que duas bebidas alcoólicas por dia. Estes problemas podem começar logo aos 17 anos e pioram nos casos dos jovens que acumulam os dois hábitos.

Apesar de tudo, é possível reverter estes efeitos, explicou um dos autores do relatório: “Se os adolescentes pararem de fumar e beber durante a adolescência, as artérias voltam ao normal — o que mostra que há oportunidade de preservar a saúde das artérias desde cedo”.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Early vascular damage from smoking and alcohol in teenage years: the ALSPAC study

 

ASAE identifica 63 menores a consumir álcool em festivais de verão

Setembro 3, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Comunicado de imprensa da ASAE de 22 de agosto de 2018.

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) durante os meses de junho, julho e agosto, realizou operações de fiscalização nos festivais de verão que decorreram nos distritos de Viana do Castelo, Porto, Lisboa, Setúbal, Castelo Branco e Beja, no âmbito das suas competências nas áreas de segurança alimentar e saúde pública, bem como de práticas comerciais.

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22-08-2018

 

Perguntas (e ingenuidades) de verão – Mário Cordeiro

Agosto 15, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Mário Cordeiro publicado no i de 14 de agosto de 2018.

Aconselho-te a comer refeições leves, ao longo do dia, e cerca de 30 minutos antes de começares a jogar a sério comeres, por exemplo, iogurte ou leite, juntamente com bolachas, pão com doce, cereais ou algo equivalente e, quando terminar o jogo, beberes bastante água.

“Gostava de saber se é bom ou mau comer antes de jogar futebol na praia – é que todos os dias jogamos e é mesmo ‘a partir’.” – João, 15 anos, a passar férias no Algarve.

João: Não se pode pôr as coisas assim tão linearmente, tipo “bom” ou “mau” – depende do que vais comendo nesse dia, da hora do dia, etc. O que te posso dizer é que, se vais ter atividade muscular intensa, vais precisar de consumir mais energia (essencialmente o “açúcar” do teu sangue) e oxigénio. Por outro lado, como os teus músculos, articulações, coração e pulmões vão trabalhar mais, vão precisar de mais sangue. Se não comeres nada antes de praticar desporto, provavelmente vais gastar o teu açúcar e, a meio do jogo, começar a ter quebras de rendimento e sintomas de hipoglicemia (irritabilidade, falta de concentração, falhanços na performance, dores de cabeça, tonturas), e a sentires-te mal, sobretudo se estiver calor, como é de esperar nesta altura do ano. Por outro lado, se comeres demais, o teu aparelho digestivo vai precisar de sangue para realizar a função de digerir e metabolizar o que comeu, pelo que o sangue pode faltar nos tais territórios importantes durante a prática desportiva.

Assim, aconselho-te a comer refeições leves, ao longo do dia, e cerca de 30 minutos antes de começares a jogar a sério comeres, por exemplo, iogurte ou leite, juntamente com bolachas, pão com doce, cereais ou algo equivalente e, quando terminar o jogo, beberes bastante água (e também durante o jogo, se estiver muito calor, mas não em grandes quantidades – pouco e muitas vezes é melhor). Só deverás comer uma refeição mais abundante algum tempo depois.

“É verdade que as abelhas picam com maior probabilidade as pessoas que são doces?” – Vera, 16 anos, a passar uns belos dias de vento e nevoeiro no Baleal.

O que é uma pessoa doce? Um diabético sem controlo? Muitas vezes usa-se este argumento para consolar uma criança que foi picada, no sentido de dizer que foi uma privilegiada… duvido que este argumento te convença, Vera. Todavia, há algum fundo nesta ideia, mas que diz respeito ao odor adocicado, e não ao sabor doce. Alguns desodorizantes, perfumes ou até o cheiro natural adocicado de algumas pessoas pode atrair abelhas, vespas e zângãos. Por outro lado, as cores brilhantes atraem-nos também, pelo que usar uma camisa às flores, tipo Havai, é um risco! Claro que se andares com um gelado na mão, em plena praia, este transforma-se num alvo dos insetos e depois do gelado quem irá ser picada és tu.

“Li num romance que o protagonista, um homem violento, ficava sempre mais violento em dias de sol. Isso tem alguma explicação? Não deveria até sentir–se mais bem-disposto por estar bom tempo?” – Maria, 16 anos, diretamente de Esposende.

Tens alguma razão, Maria. Há muitos estudos que reportam um pico de violência quando o tempo está bom, ou melhor dizendo, no verão. Pode haver diversas razões para tal: por um lado, a baixa de serotonina cerebral que se faz sentir nesses períodos (e não o aumento da testosterona, ao contrário do que muita gente crê) – a serotonina cerebral está, aliás, mais baixa nos soldados mais agressivos, nos agressores e assaltantes e nos suicidas; depois, porque as condições externas são mais propícias: as mulheres, por exemplo, andam mais na rua, mostram mais o corpo, coisas que para um agressor sexual são fatores de encorajamento (atenção: não quer isto dizer que devam ser atenuantes e que andar de minissaia seja um convite para se ser violada! Chega de culpar as vítimas!). Por outro lado, há mais hipóteses de assalto (mais carros estacionados com objetos dentro, mais vivendas ou casas com janelas abertas) e alguns dos assaltos podem correr mal. De igual modo, a possibilidade de fuga é maior no verão do que com chuva ou com pouca gente na rua com a qual o assaltante se possa misturar.

“Devemos respeitar mesmo um intervalo de três horas entre as refeições e a entrada no mar ou na piscina? Mesmo depois do pequeno-almoço ou do lanche? Eu nunca percebi porquê e tenho dificuldades em explicar as razões dessa ideia aos meus filhos.” – Margarida, com três crianças e muito pouco tempo para aproveitar as férias na Costa Alentejana.

Compreendo a sua perplexidade, Margarida. Claro que o que vai ler não deve interferir com as crenças nem convicções. Se a pessoa não se sente confortável em tomar banho antes da “digestão” (está entre aspas, note), não o deve fazer. Mas, sucintamente, é o seguinte: quando comemos, obrigamos o tubo digestivo a trabalhar mais e, por isso, há uma chamada maior de sangue a esse território. As temperaturas extremas – água muito fria, água muito quente (só na banheira!), estar ao sol “a cozer” – causam perturbações na distribuição do sangue, sobretudo ao nível da pele, desviando sangue, o que pode causar a chamada “paragem de digestão”. Mas atenção: é preciso comer mesmo muito (e beber bebidas alcoólicas, também…), o que as crianças não fazem, e entrar na água fria de repente, depois de ter estado deitado ao sol. É um padrão de adulto, e não de criança.

Se comerem pouco (o normal de um pequeno almoço, almoço de praia ou lanche), se não estiverem a “grelhar” ao sol (estão sempre a mexer-se e nunca param quietas) e se a temperatura da água for dentro do normal, não há qualquer problema.

Há um bom indicador para perceber se comemos ou bebemos demais, o que deverá obrigar a esperar – é sentirmo–nos pesados, com vontade de dormir a sesta, sonolentos, com a cabeça “a andar à roda”, a bocejar, sem capacidade de fazer esforços físicos ou de aguentar conversas muito “elaboradas”. Mostra que o nosso aparelho digestivo “roubou” sangue a todos os outros órgãos, designadamente ao cérebro, e que há que esperar.

Todavia, obrigar as crianças a respeitar as três ou quatro horas (há pessoas que controlam pelo relógio!) quando petiscaram coisas poucas e não beberam álcool… é capaz de ser um bocadinho excessivo e até ligeiramente “sádico”…

“O meu bebé tem seis meses. Acha que o posso deixar comer areia?” – Manuel, pai-galinha em férias na praia fluvial de Constância.

A areia não tem, em si, qualquer problema – é terra! Desde que não esteja contaminada, não tenha partículas duras que possam magoar (restos de conchas partidas, etc.), algas ou outras coisas do género, não faz qualquer mal aos bebés comer areia. Na idade em que está, até o pode ajudar a “rilhar” as gengivas e no processo de dentição. A areia que comerá… sairá…

No entanto, há que ter cuidado com uma coisa: as beatas que muitos fumadores (e fumadoras) enterram na areia, sem pensarem um segundo que seja que uma beata, mastigada por uma criança da idade do seu filho, a pode matar. Uma basta. É uma ideia que não está muito disseminada entre nós, mas temos de ter cuidado. Resumindo: se for areia “de qualidade”, deixe-o comer. Se não, tenha cuidado, mas vai ser difícil evitar que ele o faça, na fase de experimentação em que está, e na qual “levar tudo à boca” é uma necessidade fundamental.

Pediatra

 

 

Criança institucionalizada: uma medida extrema, mas necessária – Um caso

Julho 31, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site SapoLifeStyle

Conheça a história de uma caso acompanhado de perto pelos profissionais da clínica PsicoAjuda, em Leiria.

Sónia, uma jovem institucionalizada aos 14 anos, por ordem de uma juíza. É uma história real, que acompanhámos muito de perto na nossa clínica. Aqui apresentamos os contornos desse processo de institucionalização. Foi uma medida extrema, mas necessária dada a evidente negligência dos pais nas suas responsabilidades parentais.

O caso de Sónia, uma jovem institucionalizada a pedido da CPCJ

Os nomes que usamos neste artigo são fictícios, de modo a garantir a confidencialidade e proteger a identidade dos intervenientes.

Ana, uma paciente da PsicoAjuda, é a mãe de Sónia, uma jovem institucionalizada a pedido da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ). A institucionalização de uma criança é sempre uma história dramática. O caso de Sónia não foge à regra e ilustra todo o clima emocional inerente à institucionalização de uma criança. Na PsicoAjuda fomos parte integrante desta história, na medida que acompanhámos Ana, mãe de Sónia.

A nossa intervenção visou sobretudo atuar ao nível da promoção dos recursos emocionais e cognitivos de Ana, mãe da jovem institucionalizada. Essencialmente, procurámos que Ana fosse capaz de ultrapassar os múltiplos desafios com que era confrontada no seu dia a dia, sobretudo motivados pelo processo de institucionalização de sua filha.

Será a institucionalização a resposta certa?

Não há decisões perfeitas e o recurso à institucionalização é uma medida extrema e limite para proteger uma criança. Por isso é uma decisão necessária, mas difícil. Um juiz recorre a ela somente quando tudo aponta para uma clara negligência dos pais nas suas responsabilidades parentais. É uma medida “drástica” a que não deveríamos ocorrer, pois os pais deveriam assumir plenamente os seus papéis parentais. Mas quando os progenitores demitem-se dos seus papéis de pais, não resta outra solução. Há que pensar que nestes casos limites, deixar a criança num processo de negligência, violência ou maus tratos ainda é mais penalizador para ela.

O recurso à institucionalização acaba por ser uma decisão de força maior, tendo em mente o superior interesse da criança. Importa salientar que o juiz não atua sozinho. A sua decisão é alicerçada na informação produzida pelo trabalho conjunto de toda uma equipa que está na retaguarda destes processos, que inclui o Ministério Público, a Segurança Social e uma série de técnicos, incluindo psicólogos.

No caso que aqui descrevemos, não havia familiares próximos da Sónia que pudessem acolhe-la. Por isso, a institucionalização acabou por a única solução possível de modo a atenuar a situação grave e pouco saudável em que vivia, sem qualquer projeto de vida consistente, por responsabilidade dos pais.

Crónica de uma institucionalização mais que esperada

O caso de Sónia chegou ao Tribunal de Menores por sinalização da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) em risco. Sónia vivia com a mãe e não tinha praticamente qualquer ligação com o pai. Por isso, a sua vivência familiar resumia-se à mãe e a avó, esta última uma sexagenária com quem passava a maior parte do tempo, uma vez que a mãe trabalhava por turnos e não tinha tempo para dedicar à filha. Assim, a infância de Sónia foi passada essencialmente com a avó, que nutria grande amor pela neta, mas cujas forças já não lhe permitiam dar a educação que a neta necessitava. Naturalmente os problemas surgiram logo nos primeiros anos durante a sua infância.

Aos 11 anos começou por faltar de forma reiterada às aulas, manifestando, assim, pouca motivação escolar. Pouco resultaram os múltiplos avisos da diretora de turma. Mais tarde, a situação agravou-se quando decidiu sair para fora da escola, na companhia de um rapaz mais velho, que muito provavelmente já seria maior de idade. Não tardaram as saídas à noite. De nada resultaram os gritos e castigos impostos pela mãe. Até que uma noite não regressou a casa. Ana entrou em pânico e pensou: “será que fugiu de casa”’? Aí a mãe percebeu, finalmente, que a situação estava totalmente fora do seu controlo.

Importa aqui referir, talvez como atenuante para a mãe, que também ela tinha tido uma vida bastante problemática. Tinha casado muito nova e, por isso, com alguma ingenuidade à mistura. Ana cedo percebeu que o casamento era bem diferente do que tinha imaginado.  O ex-marido era uma pessoa muito violenta. Além disso, dedicava-se ao roubo e venda de drogas. Ana, não só era vítima de violência doméstica, como encontrava-se envolvida neste ambiente de delinquência, vivendo cada dia com imenso terror. Foi condenada a três anos de prisão, por ter sido considerada cúmplice do ex-marido, pena que foi revertida para prisão domiciliária para poder cuidar da sua filha. Teve que recorrer ao trabalho por turnos numa fábrica como forma de subsistência. Era difícil com as suas habilitações e antecedentes criminais conseguir algo de melhor.

Tal como anteriormente, sentia-se impotente para denunciar o ex-marido, também perante todos os problemas causados pela filha, sentia-se incapaz de dar um rumo diferente à educação da Sónia. Pensou que, desta vez, não podia cometer o mesmo erro, deixando que o problema chegasse ao limite – da outra vez foi condenada e presa. Por isso, decidiu recorrer à Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) em busca de auxílio.

Como a própria afirma, “senti-me a pior mãe do mundo, culpada pelo internamento da minha própria filha. Mas já não sabia mais o que fazer.” Nessa altura, tinha Sónia 14 anos.

Pode ler o relato dramático da execução da ordem da juíza, a qual decretou a institucionalização imediata da criança logo após a audição de Ana e Sónia. Uma equipa especializada da GNR e duas assistentes sociais encarregaram-se de executar a ordem. O aparato foi grande. Houve muita exaltação, mas a ordem foi cumprida e Sónia foi levada para uma instituição a cerca de 100 Km.

Neste caso, felizmente, entrevê-se um final feliz

A permissão para a primeira visita só surgiu ao fim de um mês. Ana recorda que ainda era bem evidente no rosto da sua filha o ódio que esta sentia por ela, por ter sido responsável pelo internamento naquela instituição.

Aos poucos e poucos, a atitude de Sónia foi mudando. Mostrou estar a adaptar-se e, sobretudo, começou a aceitar a sua condição de “institucionalizada”. Ali, finalmente, tinha um ambiente com regras e imposição de limites. Já tinha feito algumas amizades. E percebia que os estudos eram importantes.

Ana relata com muita emoção que “numa das últimas visitas, disse-me que já tinha planos para o futuro. Senti uma emoção imensa e as lágrimas escorreram-me em abundância pela face. Julguei a minha filha perdida e agora sabia que tinha todo o futuro à sua frente”.

Afinal, entrevê-se um final feliz para este caso! Na PsicoAjuda sentimos uma enorme alegria por termos feito parte desta história e, sobretudo, por termos ajudado. Ana era uma paciente que tinha chegado até nós com muitas dificuldades, principalmente ao nível emocional e organizacional. Após múltiplas sessões de psicoterapia, as melhorias são evidentes. Agora, demonstra ser capaz de se organizar, estando apta a ultrapassar os múltiplos desafios que enfrenta no seu dia a dia. Acima de tudo, está determinada a ajudar a sua filha para que ambas possam ter uma vida mais feliz.

Elisabete Condesso / Psicóloga e Psicoterapeuta

© PsicoAjuda – Psicoterapia certa para si, Leiria

 

A Bebedeira Passa, o Resto Não 2

Julho 27, 2018 às 5:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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“A bebedeira passa, o resto não.” Do coma alcoólico às brincadeiras que acabam mal

Julho 26, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 20 de julho de 2018.

Centenas de menores são assistidos pelo INEM em coma alcoólico todos os anos.

De uma farra com amigos a “uns copos a mais” vai um pequeno passo. De “uma brincadeira que acaba mal” a uma pena de prisão também. Pelo meio, o desafio com que muitos adolescentes já foram confrontados – “não consegues”. Não consegues beber mais depressa do que eu, não consegues beber esta caneca toda de uma vez, não consegues beber mais um shot.

Para quem acha que consegue, fica a lembrança: “O álcool em excesso só te dá excesso de confiança. A bebedeira passa, o resto não”. É a mensagem de uma nova campanha de sensibilização dirigida aos jovens portugueses.

Desde 2015, a venda de álcool é proibida a menores de 18 anos, mas os números falam por si. Em 2017, o INEM assistiu 1270 menores em coma alcoólico . Em 2016, foram 1315 e no ano anterior, 1283.

Segundo o último estudo do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) relativo ao consumo de álcool em 2016, 89,6% dos jovens de 18 anos inquiridos admitiam beber álcool, 49,6% diziam já ter bebido quatro ou mais copos (se for do sexo feminino) ou seis ou mais copos (se for do sexo masculino) de uma qualquer bebida alcoólica na mesma ocasião e 31,4% a admitia já o ter chegado ao estado de embriaguez.

A par da campanha que o Governo lança esta sexta-feira, o Ministério da Administração Interna vai por em marcha o programa “Noite + Segura” a partir da segunda quinzena de julho, sobretudo nos municípios de Lisboa, do Porto e de Albufeira.

O objetivo é reforçar a segurança em zonas de concentração de estabelecimentos de diversão noturna e aumentar da fiscalização da venda de bebidas alcoólicas a menores.

 

 

II Mostra do Programa Like Saúde, 3 de julho na Batalha

Junho 24, 2018 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

http://www.cm-batalha.pt/noticias/boas-praticas-do-programa-like-saude-discutidas-na-batalha

 

Adolescência. 3 histórias chocantes de sexo, violência e selfies

Junho 20, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site MAGG de 11de junho de 2018.

por MARTA GONÇALVES MIRANDA

Depois de “O Fim da Inocência”, Francisco Salgueiro recebeu centenas de relatos de jovens. O resultado é “S.D.S. — Sexo, Drogas e Selfies”.

Sexo, drogas, álcool. Noites levadas ao limite, partilhas incessantes nas redes sociais, bebedeiras que quase terminam em coma alcoólico. Foi em 2010 que Francisco Salgueiro publicou o livro “O Fim da Inocência“, inspirado na história real de uma adolescente portuguesa.

Inês tem uma vida aparentemente perfeita, frequenta um dos melhores colégios nos arredores de Lisboa e relaciona-se com filhos de embaixadores e presidentes de grandes empresas. Mas é também consumidora regular de drogas, participa em jogos sexuais arriscados e utiliza desregradamente a internet.

“Antes de terminar ‘O Fim da Inocência’, perguntava a toda a gente se alguém conhecia histórias de outros adolescentes e ninguém conhecia. Era uma espécie de tabu”, conta à MAGG Francisco Salgueiro, 45 anos. “Quando o livro é publicado, começo a receber imensas histórias.”

“O Fim da Inocência” foi um enorme sucesso — em vendas, é verdade (já vai na 13.ª edição), mas também no despertar de uma consciência adormecida. Os pais não faziam a menor ideia do que os filhos andavam a fazer, a comunicação social não abordava estes temas. Depois do livro, e ainda mais depois da adaptação ao cinema (“O Fim da Inocência” foi o filme mais visto em 2017), tudo isso mudou.

“Quando escrevi ‘O Fim da Inocência’ achava que aquela era a geração que mais riscos estava a correr. Agora vejo claramente que é esta.”

Oito anos depois, ainda é raro o dia em que Francisco Salgueiro não recebe pelo menos um email de um adolescente a narrar-lhe alguma coisa. Foi por isso que surgiu a ideia de publicar “S.D.S. — Sexo, Drogas e Selfies“, que reúne várias histórias reais que lhe foram enviadas. São relatos novos e verídicos que mostram o que os jovens do século XXI fazem no seu dia a dia, em particular à noite.

E mudou assim tanta coisa desde Inês? Sim. E está pior? Sem dúvida. “Quando escrevi ‘O Fim da Inocência’ achava que aquela era a geração que mais riscos estava a correr. Agora vejo claramente que é esta.”

Por um lado, culpa das suas próprias profissões e estilos de vida, os pais acabam por estar mais desligados. Por outro, os miúdos vivem a cultura do YOLO (You Only Live Once — só vivemos uma vez) e do FOMO (Fear of Missing Out — medo de estarem a perder alguma coisa).

“Para nós pode não parecer muito tempo, mas para os adolescentes oito anos é de facto muito tempo em termos de novidades do que eles fazem no seu dia a dia. Há coisas que eles fazem hoje em dia que não passa pela cabeça dos pais ou das pessoas mais velhas.”

A MAGG pediu a Francisco Salgueiro que escolhesse excertos das histórias que mais o chocaram. Uma rapariga apanhada pelo segurança da discoteca a fazer sexo oral na casa de banho, e a ser filmada por amigos e desconhecidos. Uma jovem que reflete sobre um grupo de amigos que só interage via redes sociais (mesmo quando estão na mesma sala). Uma saída à noite que termina com uma agressão verbal — e física. Três histórias chocantes de “S.D.S. — Sexo, Drogas e Selfies”.

Atenção: as histórias que se seguem contêm cenas e linguagem sexualmente explícitas que podem ser consideradas inadequadas e ofender.

Ler as histórias no link:

https://magg.pt/2018/06/11/adolescencia-3-historias-chocantes-de-sexo-violencia-e-selfies/

 

Daniel Sampaio: “Vivemos uma espécie de Big Brother familiar, todos a vigiarem-se uns aos outros”

Junho 4, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do Observador a Daniel Sampaio no dia 22 de maio de 2018.

Ana Kotowicz

Pornografia, sexo, álcool, saídas à noite. As maiores preocupações dos pais estão no livro de Daniel Sampaio, no qual pede aos adultos que repensem a forma de comunicar com os filhos adolescentes.

“Deixe-me contar-lhe uma história curiosa…” Daniel Sampaio, que já a seguir nos vai falar sobre O homem que matou Liberty Valance, abriu-nos a porta de sua casa para conversarmos sobre o seu mais recente livro, “Do telemóvel para o mundo: pais e adolescentes no tempo da internet”. O título, como se vê, é auto-explicativo.

Ao longo da conversa, vai partilhando vários episódios do seu dia a dia, embora dizendo que não valem a pena ser referidos nesta entrevista. Este é um deles: “Ontem à noite vi um filme antigo, gosto muito de ver filmes antigos, e entrava o Lee Marvin, um ator de filmes duros. E eu lembrei-me de uma cena de outro filme em que o Lee Marvin atira um café a ferver para cima da namorada e ela aparece com uma cicatriz. Aquilo impressionou-me muito quando vi. Andei à procura na internet e descobri o nome da atriz e o filme onde isso se tinha passado. Isto é uma coisa maravilhosa, é uma recordação minha, antiga. O filme é de Fritz Lang, um filme muito antigo, e eu jamais encontraria esta cena numa enciclopédia de cinema.”

Com este exemplo, o professor de psiquiatria jubilado, de 71 anos, quer exemplificar aquilo que tenta dizer aos pais dos adolescentes no seu 27.º livro: as vantagens da internet superam largamente os riscos. Riscos, como diz, existem em todo o lado, “até quando usamos uma faca”. Frontalmente contra que as famílias se espiem na internet, defende que o importante é saber utilizar esta tecnologia e não deixar que ela se torne motivo de conflito. “Sabe… tenho consultas que nada têm a ver com psiquiatria. As pessoas não estão doentes, estão só a gerir mal a comunicação na família”, diz, sentado no sofá do seu escritório em casa, ao mesmo tempo que faz questão de lembrar que é psiquiatra e não psicólogo. Pelos últimos tem muito respeito, é até a profissão do seu filho, mas ele, Daniel Sampaio é psiquiatra com muito orgulho.

Do seu lado esquerdo vê-se um quadro do surrealista português Raúl Perez que mais tarde irá sugerir ao fotógrafo que aproveite para o enquadramento do seu retrato. “Já sei que o escritório tem pouca luz e que o espaço é pequeno. Também já sei que pestanejo muito. Mas não quer aproveitar este quadro? É surrealista, é lindo, é a melhor peça que tenho cá em casa.” Quanto ao início da conversa, e ao duro Lee Marvin, também nós fomos à internet. O filme de Fritz Lang, de 1953, chama-se Corrupção (Big Heat) e a namorada é Gloria Grahame. A partir daqui, a conversa começa e acaba nos telemóveis e na Galáxia Internet.

Posso deixar aqui o telemóvel? O meu colega fotógrafo vai avisar quando estiver próximo de nós.
Claro que sim. O meu está aqui [diz, pondo a mão no bolso]. Os telemóveis hoje fazem parte de nós, vão connosco para todo o lado.

Nem de propósito, é mesmo sobre telemóveis que vamos falar.
Vamos lá, então.

Nós, como diz, andamos sempre com o telemóvel atrás. Mas como é que devemos agir quando os miúdos nos começam a pedir o telefone?
Quando as crianças começam a exigir — e a palavra é mesmo exigir — é importante que nos sentemos ao lado deles a dizer desde muito cedo: “O que é que estás a ver?”, “Como é que estás a jogar este jogo?”, “Olha que não deves estar muito tempo com esse jogo, vamos interromper, vamos jogar um jogo de tabuleiro, vamos para a rua”. É importante introduzir a ideia de que o telemóvel é para usar durante um curto período de tempo. Mas se deixarmos uma criança sozinha com um tablet como vemos hoje, enquanto os adultos vão fazer outra coisa, passamos a mensagem errada. Hoje estive com uma pessoa que me disse que uma criança com um ano já tem uma grande apetência para pedir o telemóvel. E os pais dão-lho porque para eles o telemóvel é completamente banal. Nós adultos estamos sempre com o telemóvel.

Estamos a falar de crianças de 5, 6, 7 anos?
Ou menos, mesmo com 4! Se observar nos restaurantes, é muito frequente ver crianças de 4 anos com um ipad na mão enquanto os pais ou estão no telemóvel ou estão a comer, não é?

Ainda há dias assisti a isso. Era uma criança que teria uns dois anos, no máximo, e a mãe ainda antes de vir a refeição, preparou o tablet com uns desenhos animados e durante todo o tempo em que esteve a dar de comer à criança, ela esteve a ver o que se passava no tablet.
Seguramente que isso se passa em casa também. Temos de evitar que a criança se habitue a estar a fazer outras coisas enquanto está no tablet. Temos de evitar que ele seja utilizado como uma ama eletrónica. O que estamos a pedir é que seja o dispositivo a tomar conta da criança.

Às vezes, os pais estão desesperados…
Sim, claro, se for por um curto período não tem qualquer problema. Aliás, não há qualquer problema na utilização do telemóvel se tivermos a ideia de que tem de ser um curto período de tempo e de que aquelas horas de que eu falo no livro, que são horas fundamentais para os jovens e a família, sejam preservadas: a hora do pequeno-almoço, a hora de chegar a casa, a hora de jantar e a hora de deitar. Depois pode haver muita abertura… Mas é importante perceber que é preciso ensinar a fazer uma boa utilização quando se dá um telemóvel a uma criança de 10 anos.

“Uma criança com um telemóvel antiquado vai ser alvo de piadas”

É essa a idade certa para a criança ter o seu primeiro telemóvel?
É a altura que eu acho que é adequada. Mas deve dar-se um smartphone, não se deve dar um telemóvel de teclas, porque isso vai fazer com que sejam gozados na escola. Temos de perceber que se damos um telemóvel antiquado a uma criança de dez anos, que até poderia ser adequado para a idade, ela é automaticamente alvo de piadas na escola.

Mas a pedagogia do telemóvel não pode começar só aos 10 anos, pois não?
Não. A pedagogia do ecrã começa com a televisão. Os adolescentes não vêem televisão praticamente nenhuma e se precisarem vêem no telefone. Mas as crianças vêem. Podemos começar a pedagogia do ecrã desde muito cedo para que elas saibam ver televisão moderadamente e para, mais tarde, quando entrarem em contacto com o computador e o telemóvel, também os saberem utilizar de uma forma correta.

A televisão pode então ser uma preparação para mais tarde saberem usar um telemóvel?
É essa a ideia.

E o que devem os pais fazer nessa altura?
Restringir o tempo. No livro, tenho a certa altura uma proposta que não é minha, é do Serge Tisseron [psicanalista], sobre a utilização dos ecrãs. Eles começam com desenhos animados na televisão. Devem ver durante um curto período e não estar muito tempo a ver televisão para criar, desde logo, a ideia de que qualquer visionamento tem de ter uma regra de utilização. O que é fundamental é criar nas crianças e nos jovens a ideia de uma boa utilização. A internet é uma coisa maravilhosa se for bem utilizada.

A internet tem esse lado óptimo, um estudante pode ver uma palestra que se está a passar do outro lado do mundo e já ninguém procura enciclopédias de papel.
Isso é muito importante. Tenho ali uma Enciclopédia Larousse, muito boa, mas que já ninguém utiliza. A internet tem esta coisa maravilhosa, abre para o mundo, permite aumentar o conhecimento, marcar uma viagem, marcar um restaurante, um encontro amoroso… Sou contra que se diga que a internet é uma coisa má. Tem riscos, mas qualquer coisa tem riscos. Uma faca pode ter riscos. É preciso é interiorizarmos esta ideia, desde muito cedo, de que a internet onde eles todos vão viver é uma coisa extremamente positiva, desde que bem utilizada.

É uma porta para o mundo, como diz no livro?
Essa é a perspetiva que tem de ser dada. Porque, se não é trabalhada na infância, transforma-se num instrumento de poder de filhos contra pais. Depois os pais têm necessidade de repor o poder na família e vivemos uma espécie de Big Brother familiar, o Orwelliano, no sentido do livro “1984”, não no sentido da TVI. Tudo a vigiar-se uns aos outros.

Vê isso acontecer nas famílias, essa vigilância excessiva?
O que se passa em algumas famílias é muito preocupante: é a entrada nos telemóveis dos filhos, a vigilância constante do computador de casa, o tal Big Brother Orwelliano. E esse é o principal motivo para não haver confiança entre pais e filhos, porque as pessoas passam a vida a vigiar-se umas às outras. Há casais que também se espiam no telemóvel. Mas quando os pais entram no telemóvel dos filhos, depois ficam prisioneiros por que não podem confessar que o fizeram. Descobriram coisas que não gostaram.

E depois o que é que os pais fazem com a informação que recolheram dos telemóveis dos filhos? 
Não conseguem fazer nada. Esta semana tive uma consulta onde estava um rapaz de 14 anos que frequentava sites pornográficos — muito frequente nestas idades — e o pai marcou uma consulta para lhe poder dizer que estava a espiar o telemóvel. A consulta foi muito difícil, porque o filho tomou consciência de que o pai andava a entrar-lhe no telemóvel e ficou extremamente zangado. Tive de trabalhar o conflito, porque o pai ficou preso à sua informação.

Então como é que se pode fazer de outra forma?
Através da confiança. Através de o pai e a mãe estarem habituados a partilhar o mais possível aquilo que os filhos fazem nos ecrãs. Claro que há sempre uma zona que os filhos não vão partilhar, mas se houver algum problema significativo, o filho que está habituado a partilhar os problemas com os pais desde o princípio vai fazê-lo.

“Quando os filhos sabem mais do que os pais, o poder na família é abalado”

Diz-nos no livro que, pela primeira vez, e falando dos telemóveis, os filhos sabem mais do que os pais. Isto cria conflitos na família?
Esse é um ponto fundamental. Escrevi este livro porque sei que há muitos conflitos na família a propósito da internet e do telemóvel. Foi o ponto de partida. Ao longo da história, as gerações mais velhas sempre tiveram maior experiência de vida e souberam mais do que os filhos em praticamente todas as circunstâncias. Pela primeira vez com estas novas tecnologias — que não são tão novas assim, mas continuamos a chamá-las novas — os filhos têm um conhecimento maior de que os pais, sabem mais. Isso faz com que a situação de poder na família, que deve estar sempre do lado dos pais, seja abalada. Donde, uma advertência dos pais aos filhos é rejeitado com a expressão “não sabes nada disto”. E é mesmo esta a expressão que se usa. Não sabes nada disso. Isto gera um desequilíbrio de poder que tem sido fonte de conflitos.

E os pais estão preparados para esta inversão de papéis?
Os pais estão a preparar-se, sobretudo os mais novos. Os pais das crianças estão mais preparados e há uma grande diferença entre eles e os pais dos adolescentes, que têm 45 anos aproximadamente. O que está a acontecer é que a partir dos conflitos de utilização do telemóvel, começam a surgir outros problemas na família que têm a ver com a intimidade, com a privacidade, com a gestão da hora do sono, com a relação com os amigos… Problemas que foram levantados por uma situação que devia ser banal na família e que é a autoregulação da internet.

Está a fazer uma diferenciação entre pais de adolescentes e de crianças. O nível de problemas tem também a ver com o conhecimento que os próprios pais têm das tecnologias?
Claro. Os pais mais novos têm mais experiência, mais conhecimento, estão mais à-vontade e isso facilita. Os pais das crianças atuais estão mais alerta para o problema e quando esses filhos chegarem à adolescência poderão gerir melhor a situação. Muitas vezes o que aconteceu foi que os pais não fizeram nada durante a infância, deram o telemóvel aos filhos aos 10 anos, e continuaram sem fazer nada. Depois surgem os problemas.

Se não os ensinamos a pôr a roupa suja no cesto quando têm 5 anos, não vão passar a fazê-lo só porque um dia fizeram 15 anos. É isso?
Sim, como a história da cadeira que quase todos têm no quarto, onde deixam a camisa usada para vestir noutro dia. Um dia vou escrever sobre isso. Esta regra tem de ser explicada na infância, que a roupa não fica atirada, tem de ser arrumada. Ou seja, uma adolescência saudável ganha-se na infância. É muito importante passar essa mensagem. As pessoas dizem: “Não deu problema nenhum na infância, mas agora está a dar.” É verdade, mas na infância os pais tinham uma grande possibilidade, um grande poder sobre a criança. Depois perdem poder, perdem autoridade. Se as regras não estão interiorizadas, é muito mais difícil na adolescência conseguir isso.

Ou seja, os pais não podem esperar que um dia os jovens passem a respeitar regras que nunca lhes ensinaram na infância. É isso que quer dizer?
Sim, sim. Há outra coisa a propósito disso. É a ideia de que a adolescência é uma fase em que vai haver muitos problemas, mas vai passar. Essa é uma ideia errada. A adolescência, de facto, tem problemas, mas se não tivermos uma intervenção nos problemas, não vai passar. Pelo contrário, vai-se agravar. Como sabemos que a adolescência se prolonga, muitas pessoas chegam à idade adulta com problemas que podiam ter sido resolvidos antes. Deve-se intervir. Os pais devem ter uma atitude muito presente, bastante assertiva, com envolvimento. E isso é muito mais fácil se tiver havido essa relação na infância.

No livro usa a imagem de que os pais devem ir sentados no banco de trás do carro durante a adolescência dos filhos.
É uma metáfora que funciona bem. Primeiro, os pais devem conduzir o carro, depois devem passar para o lado do volante quando ele fizer 18 anos e começar a conduzir, e depois devem ir no banco de trás. Significa que temos sempre de acompanhar a vida dos filhos, mas que o controlo que vamos exercer é menor à medida que eles vão avançando na idade. Os pais nunca podem achar que os filhos podem estar sozinhos — aquilo a que eu chamo a educação indulgente, que é deixar fazer tudo, não haver vigilância nenhuma —, mas também tem de haver envolvimento afetivo.

A tal parentalidade construtiva de que fala?
Quando introduzo o tema da parentalidade construtiva, que é baseado em muitos estudos, não quis maçar o leitor com muita informação, mas há dados consistentes que dizem que se os pais tiverem uma atitude com autoridade, sem autoritarismo, e ao mesmo tempo estiverem envolvidos afetivamente, se partilharem a vida dos filhos, se forem acompanhando, se se interessarem, esta parentalidade é mais eficaz e funciona como modelo. É muito provável que esses filhos quando forem pais tenham esse modelo apreendido. Se os pais forem muito autoritários, ou pelo contrário muito permissivos, é muito pouco provável que funcione.

Aliás, diz isso no livro, que o tipo de parentalidade que exercemos influencia de forma determinante a adolescência.
Não é só os anos da adolescência. Há estudos que dizem que influencia também as gerações seguintes, porque esse modelo, apreendido pelo adolescente, vai ser posto em prática quando ele, mais tarde, for pai ou mãe.

“É utópico pensar que um rapaz de 16 anos não vai beber”

Até porque quando somos pais acabamos por ir buscar memórias de que não nos lembrávamos há anos, não é?
Começando logo pelo parto. As mulheres lembram-se sempre das suas mães na altura do parto, é muito frequente. E quando não têm uma boa relação com a mãe é mais difícil. Os avós também são cada vez mais importantes, vivem mais tempo, têm mais saúde e há muitos divórcios. É um papel muito significativo, como o dos padrastos e das madrastas, a quem se deve tirar a carga negativa, porque em muitos casos são extremamente importantes e positivos para os adolescentes. O importante é ter adultos disponíveis por perto dos adolescentes. As pessoas pensam que os jovens não gostam de falar com adultos e isso não é verdade. Os jovens gostam de falar entre si, mas gostam de ter momentos com os adultos.

Por falar na conversa com os adultos, no livro diz que não faz sentido estar a maçar os adolescentes com conversas muito longas…
As chamadas conversas à séria… Foi um amigo do meu neto que me inspirou, tem 18 anos. Ele dizia: “Eu ficava logo nervoso quando os meus pais diziam que íamos ter uma conversa séria.” Sobretudo no campo da sexualidade. Daí a pequena conversa: um pequeno acontecimento de vida que é comentado, uma série que se está a ver e que serve para uma pequena conversa. Quando a filha fala dos amigos e diz, por exemplo, a Carolina está grávida… Bom, isto é uma mensagem que quer dizer que ela própria está a iniciar a vida sexual e que está com esse problema. Temos de captar essas mensagens e usar esses momentos em vez daquela coisa antiga, que alguns pais ainda tentam, que é ter uma conversa muito a sério sobre a pílula ou as drogas. Nada disso funciona. Funciona a pequena coisa. “Vais sair à noite, já sei que vais beber. Mas o que deves fazer em relação ao beber? Beber pouca quantidade, beberes água e comeres antes de sair.” São três coisas fundamentais.

E isso chega?
Não chega, porque há excessos. Não digo que isto, do álcool, não é um problema. Mas é mal abordado. Para já, a grande maioria dos jovens não se vai tornar alcoólico como às vezes oiço dizer. Eles bebem em excesso e isso não é bom, mas é preciso desdramatizar o consumo e dar-lhes regras de utilização. É utópico pensar que um rapaz de 16 anos vai sair à noite e não vai beber. Se o pai lhe diz para não beber, perde autoridade. É preferível não dizer. O que deve fazer é ensinar-lhe as regras fundamentais: comer, não ter o estômago vazio, beber água, beber com moderação e não misturar as bebidas. Quando o adolescente está a sair e vai cheio daquele entusiasmo é preciso lembrar estas regras.

Essa pequena conversa funciona melhor do que sentá-los para a conversa séria?
Funciona melhor do que a dos perigos do álcool, dos jovens que acabam na esquadra ou em coma alcoólico. Eles já sabem isso tudo. O que é preciso é saber beber.

Esse estilo de conversa passa também por falar com os filhos através de mensagens ou WhatsApp?
O mais possível. É uma ferramenta que é extremamente importante e que é a comunicação instantânea. Sem ter a preocupação de estar sempre a controlar, mas ter alguma noção de onde eles estão e o que estão a fazer. Em relação aos meus netos, que me introduziram no WhatsApp, foi muito bom. Mas disseram-me: “Instagram não, avô. Não é para ti.” Mas o WhatsApp é muito bom porque podemos comunicar.

E se calhar os adolescentes respondem mais depressa a uma mensagem do que a 4, 5 ou 6 telefonemas, não é?
Completamente. Eles não gostam muito de falar ao telefone, a não ser quando namoram. Eles próprios comunicam muito rapidamente. Eles não gostam de conversas prolongadas. E os pais, a falar com eles, dizem: “Como foi a escola? Já lanchaste? Trouxeste o caderno? Ligaste à avó?” E eles respondem com monossílabos: “Sim, pai, sim, mãe.”

É o nagging de que fala no livro?
nagging é o ralhar persistente. É muito importante deixá-los descontrair um bocadinho quando chegam a casa e isso pode passar pela ida ao computador, ao telemóvel e à internet. Não faz mal nenhum. Não se deve começar logo a dizer tens de estudar, tens teste amanhã, vai tomar banho… Este tipo de persistência, o nagging, nos jovens de hoje que são mais cientes dos seus direitos, vai provocar uma contra-reação.

Essa é uma das grandes angústias dos pais de adolescentes, a perda do controle?
Sim, é o grande problema. Antes, quando os filhos ficavam na casa de um amigo, era muito fácil saber o que se passava. Telefonava-se à mãe do amigo. Hoje, o mundo é diferente, é a tal Galáxia Internet do Manuel Castells [sociólogo espanhol]. Os pais não sabem o que se passa: se eles estão a ver pornografia, se estão num site perigoso, se estão a dar elementos de identificação a um estranho… Há novos riscos, mas eles só se podem obviar com confiança.

“A confiança nas famílias é mais importante do que o diálogo”

A confiança é fundamental no mundo de hoje?
É, é a palavra-chave. A confiança nas famílias é mais importante do que o diálogo. Se vir os meus livros anteriores, eu falava muito no diálogo. O que tenho vindo a perceber é que a palavra-chave, neste momento, é a confiança. Tem de haver confiança entre as gerações. Por isso é que sou completamente contra que se espie o telemóvel, ou que se entre no quarto de um adolescente sem bater à porta. É preciso que os pais se habituem a conceder alguma privacidade, mas também é importante os filhos perceberem que estão numa casa de família e têm de ter respeito pelas convicções dos pais. Eles têm de ter o seu território privado, que é o seu quarto, mas o quarto não está fechado em relação ao que se passa à volta.

Mas os adolescentes são desconfiados por natureza…
São desconfiados porque têm muito receio de ser controlados. E quando temos só a perspetiva do controlo, sem envolvimento, o controlo torna-se excessivo e eles ficam muito preocupados com isso. Por isso é que digo sempre que é preciso tender para a autonomia. E como se vence a desconfiança? Com confiança. Parece uma coisa de La Palice, mas é verdade. Se temos uma relação de abertura — há coisas que nos vão sempre escapar como pais — mas, de uma forma geral, as coisas correm bem.

Estes pais que agora vão espreitar os telemóveis dos filhos são os mesmos que há uns anos não gostavam que as mães lhes fossem ler os diários…
Não tinha pensado nisso, mas sim, é o correspondente. Lembra-se que os diários tinham uma chave? Uns livrinhos muito bonitos, mais para as raparigas do que para os rapazes, mas tinham essa pequena chave que depois se escondia. É a mesma coisa. Havia mães que às vezes até tentavam arrombar a fechadura. É a mesma coisa, mas muito ampliada porque a internet é uma coisa muito constante.

Faz sentido sermos amigos dos nossos filhos nas redes sociais?
Acho que se pode ser amigo, mas sem ter a preocupação de controlo excessivo. Por outro lado, toda a excessiva camaradagem entre pais e filhos não é uma coisa boa, é preciso saber-se separar o que é ser pai do que é ser pai camarada. No livro conto a história de um pai que fumava charros ao pé do filho. Isso é o pai camarada e o pai camarada perde autoridade. Não é suposto sermos amigos dos nossos filhos, somos pais. Evidente que há pais amigos, mas não somos os amigos deles. A partir dos anos 1980, as gerações tornaram-se mais próximas e os pais de hoje — o Eduardo Sá diz isso e eu concordo — são muito próximos dos filhos. Isso é muito bom do ponto de vista dos afetos. Mas há o reverso, o excesso de camaradagem com a respetiva perda de autoridade. E é preciso recuperar a autoridade, mas não passa pelo regresso do não… não é isso. O caminho é a confiança e caminhar lado a lado com os filhos desde a infância.

Mas é preciso dizer não de vez em quando?
É preciso dizer não muitas vezes, mas tem muito mais força dizer não se se tiver uma relação de confiança com os filhos.

Em relação aos pais que são amigos dos seus filhos nas redes sociais, temos de pensar bem nos comentários que fazemos?
Claro que sim. Não se deve fazer comentários, devemos evitá-los, tal como as imagens que podem ser contestadas mais tarde. É preciso muita prudência com as imagens que se põem dos nossos filhos. As que parecem muito adequadas e fáceis na infância podem, mais tarde, ser detestadas. Conto-lhe um exemplo: um pai disse-me que estava radiante porque conseguiu que o filho de 7 anos fosse fotografado ao lado dos jogadores do Benfica, e perguntou-me se devia pôr no Facebook. Eu disse para não pôr. Ele vai achar maravilhoso agora, mas se calhar aos 14 ou 15 anos pode não gostar dessa imagem. Tire antes a fotografia e partilhe através do telemóvel com as pessoas amigas. Se põe no Facebook fica uma marca para sempre.

E nós não temos isso, mas os nossos filhos vão ter uma pegada digital desde o dia em que nascem.
Sabe que agora quando vão a uma festa de anos e sabem as pessoas que lá estão, a primeira coisa que vão fazer é ver o perfil dessa pessoas na redes sociais? Quando vão a uma seleção para uma entrevista de emprego, a primeira coisa que o empregador vai saber é o que consta na internet sobre essa pessoa. Descobrem-se coisas que depois não são boas paras as pessoas.

É difícil ser pai de um adolescente e ter de lidar com tantas preocupações e cuidados e alertas…
A adolescência é uma época difícil por definição. Nunca disse que é fácil, o que eu proponho e torná-la mais fácil e divertida. Não temos de ter aquela ideia de que é uma época trágica e de crise. Mas é difícil. É muito mais fácil ter as crianças com 5, 6, 7 anos. Um pai de um adolescente está permanentemente preocupado. Tem é de compensar a preocupação com as coisas positivas que tem a adolescência.

“Os adolescentes sempre viram pornografia, agora o acesso é mais fácil”

Falta-nos falar da questão da pornografia.
Adoro o tema. Adoro porque temos de falar sobre ele. O que me preocupa na pornografia — os adolescentes sempre viram pornografia— é que agora o acesso é muito simples e mais fácil. A grande questão é que nós não temos educação sexual em Portugal. Não temos sítios onde as pessoas possam falar sobre o que é a sexualidade saudável. E os adolescentes podem estar a ser influenciados por visões de imagens sexuais que não correspondem à sexualidade das pessoas.

Que tipo de visões?
O corpo da mulher é explorado, o corpo do homem é exagerado… As imagens que parecem proezas do ponto de vista sexual não correspondem à vida das pessoas e isso pode dar a ideia, sobretudo nos rapazes que vêem mais pornografia do que as raparigas, que assim é que deve ser. Isso é mau. O que é que vamos fazer? Não vamos entrar no telemóvel e ver se eles estão a ver pornografia, vamos normalmente falar sobre o tema: “É natural que estejas a ver sites pornográficos. O que é que estás a pensar sobre isso?” Isto costuma acontecer por volta dos 12, 13, 14 anos.

Um adolescente que consome pornografia com muita frequência pode acabar viciado?
Claro, é viciante. Completamente viciante porque está ligado à masturbação. E é antes do início da vida sexual ativa que o fazem, quando a iniciam vêem muito menos pornografia. Corresponde à fase da descoberta do corpo e da sexualidade. É muito possível que ao evitar falar sobre a pornografia, ela se torne viciante e o adolescente acaba com um problema de dependência.

Mas o que se pode fazer para evitar uma situação de dependência? Como disse, é certo que vão vê-la. Antigamente era mais difícil, era preciso ter coragem para ir ao quiosque, encarar o vendedor e comprar a revista pornográfica.
Devemos falar sobre a pornografia, abrir a porta de nossa casa aos amigos deles, não os deixar estar muito tempo sozinhos. Quando temos um grupo de rapazes e raparigas é muito pouco provável que vão ver pornografia em conjunto. Antigamente dizíamos que eram preocupantes os casos de adolescentes que saíam muito e que iam muito para as discotecas. Hoje, devemos preocupar-nos com um jovem que está muitas horas no quarto sem nenhum controle. Não se pode entrar lá de repente, mas deve-se chamar a atenção. E, aos poucos, eles vão falando. Temos de fazer isso: falar da sexualidade normal, não ter medo de abordar o tema, até porque é uma fase passageira.

A pornografia pode influenciar as relações futuras dos adolescentes?
Ainda não há estudos sobre isso, mas há esse receio entre os investigadores. Pode estar relacionado com a violência sexual no namoro, por exemplo. Alguns estudos dizem que eles podem estar a reproduzir comportamentos que vêem em sites pornográficos. Aí, entra novamente a educação sexual: o que se pode ver e o que se pode fazer a partir daí. Mas há esse risco, daí ter abordado este tema.

Falou sobre a necessidade de uma boa educação sexual. O que é que devia estar a acontecer nas escolas?
Como sabe, pertenci a um grupo de trabalho que lançou a Educação Sexual nas escolas através de uma lei de 2009. O que se verifica, penso que sobretudo por falta de vontade política e porque o tema não está na agenda do Ministério da Educação, é que depende muito da vontade dos professores. É uma pena. Como vimos, é muito difícil eles falarem com os pais sobre este assunto, o acesso à internet é muito fácil, e se a escola não faz nada… Temos um problema. Espero que a disciplina prometida de Cidadania não seja apenas com conteúdos muito teóricos e muito gerais, mas que seja com coisas muito práticas e que a Educação Sexual seja recuperada. Falar de educação sexual é uma oportunidade para falar de educação. À volta dela tem tudo: o respeito entre pessoas, a privacidade, o amor. A escola não é só o Português e a Matemática. Os pais são o mais importante, mas a escola pode dar um contributo, tem de dar instrução e educar.

A internet também mudou as amizades e o amor dos jovens?
Sobre a amizade, seguramente. Sobre o amor, não se sabe, é uma questão muito complexa. Não sabemos muito sobre o amor. Sobre a amizade, sim. Havia a ideia de que havia jovens com poucos amigos reais e muitos virtuais. Hoje sabe-se que não. Têm muitos amigos reais e depois continuam a contactar com os amigos reais através da internet. A amizade aumentou muito com a internet e aumentou para além fronteiras, porque há muitos jovens que através do Erasmus têm amigos estrangeiros. E isto é uma coisa completamente nova. Em relação ao amor, acho que seguramente vai ter influência, mas ainda não sabemos qual é a repercussão. Nos casais, sim, há casos de ciúmes potenciados pela internet. Nos adolescentes, ainda vamos ter de esperar alguns anos para ver.

 

 

Programa vai ajudar a reforçar laços entre pais e filhos para prevenir comportamentos aditivos no futuro

Maio 30, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Apostar na prevenção de comportamentos aditivos a médio prazo, em crianças dos 6 aos 14 anos, através da envolvência da família é o principal objectivo do programa “prevenir em família e comunidade” que deverá estar no terreno em 2019. Ontem, durante uma reunião entre as várias entidades parceiras do projecto que já foi aplicado nas Ilhas Baleares, em Espanha, a Directora Regional de Prevenção e Combate às Dependências, Suzete Frias, explicou que o mesmo vai ser aplicado inicialmente em territórios mais vulneráveis da ilha de São Miguel, Terceira, Pico e Graciosa. Rabo de Peixe é para já a única comunidade onde se sabe que o projecto vai avançar, uma vez que ali está já implementado o “Trajecto Seguro”, na escola Luísa Constantino, com uma metodologia semelhante de ligação da comunidade à família e da família à escola. A seguir a Rabo de Peixe, serão os resultados do estudo de comportamentos aditivos e comportamentos que está a ser feito prelo Governo Regional a indicar qual a localidade onde se justifica uma intervenção com o projecto.

Um projecto que se baseia na prevenção, através da formação para pais e para crianças onde a novidade são as sessões de interacção entre ambos. “Mais do que criar competências parentais, promove a vinculação da criança aos pais, dos pais à criança, a empatia, saber escutar, é a promoção dos factores protectores em relação a comportamentos de risco. Os estudos mostram que quanto mais vinculação, mais sentimento de pertença temos a nós próprios e ao mundo que nos rodeia, mais protegidos estamos em relação a comportamentos de risco, entre os quais os aditivos”, explica Suzete Frias.

O projecto, que ainda está em fase de organização, está a ser estruturado para famílias “que necessitam de prevenção selectiva, onde são detectados alguns sinais de que poderá haver problemas” no futuro e pretende numa fase posterior “criar um módulo mais pequeno de prevenção universal, porque é importante que tenhamos uma abordagem universal para todas as crianças e pais”.

Um trabalho em rede, tal como o que já vem sendo desenvolvido desde 2004 nas Ilhas Baleares e em 14 grandes cidades espanholas.

Luís Ballester Brage, professor da faculdade de Métodos de Investigação em Educação da Universidade das Ilhas Baleares, deu conta de alguns resultados “muito bons” em determinados parâmetros. O programa decorre em 14 sessões, durante quase 4 meses em que “com trabalho muito intenso” se trabalha com pais e filhos individualmente e posteriormente juntos para que se criem os tais laços de pertença e se melhore a comunicação. “Os resultados são muito importantes em termos de coesão familiar, resiliência familiar, coesão interna na família, controlo da dinâmica das relações familiares e noutros factores associados”, explica Luís Ballester Brage que reforça que “melhorou-se muito as atitudes positivas em respeito às drogas e aos consumos, com resultados consistentes”. O que a longo prazo, “influencia o consumo, ou seja, o consumo baixa e controla-se. A conduta de pequena delinquência e os comportamentos disruptivos também baixam”, explica.

A avaliação que o responsável pela Universidade das Ilhas Baleares faz deste projecto é bastante positiva já que o trabalho em conjunto permite que os filhos percebam “que os pais se preocupam porque durante quatro meses, os pais vêm todas as semanas para falar e comunicar com eles e isso é positivo. Temos miúdos que dizem que não sabiam que os pais se preocupavam

e que se interessavam em melhorar em família. Descobrem que há um projecto de família, que podem dizer coisas à família, confiar que a família pode ajudar”. E está dado o passo da confiança, pois “se aprendem a pedir ajuda, outros assuntos como o bullying, problemas de isolamento, depressão, como aprendem a falar sobre isso e ganham confiança com os pais e irmãos, também a ganham com os professores e com os colegas. Aprendem a comunicar melhor” e a pedir ajuda quando o caso assim o justifica.

Presente na reunião esteve também Jorge Negreiros, da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, que pretende também adoptar este projecto, bem como a responsável do departamento de psicologia da Universidade dos Açores, Célia Carvalho.

 

Escrito por Carla Dias para o Correio dos Açores, em 17 de maio de 2018

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