Quase metade dos alunos mais carenciados tem negativa a Matemática

Maio 17, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 8 de maio de 2017.

Novo estudo da Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência mostra que ainda há muito a fazer para que “a escola pública cumpra o seu papel nivelador de oportunidades entre alunos oriundos de diferentes estratos socioeconómicos”.

Clara Viana

Há um fosso brutal entre as notas que os alunos carenciados obtêm e aquelas que são conseguidas por estudantes de meios mais favorecidos. E isso acontece logo em idades precoces, como é o caso do 2.º ciclo de escolaridade, onde os alunos têm entre 10 e 12 anos de idade.

Um estudo divulgado ontem pela Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), que foi feito pela primeira vez com base nas classificações internas dadas pelos professores aos alunos que frequentavam o 6.º ano de escolaridade em 2014/2015, mostra que na Matemática, por exemplo, a percentagem de negativas obtidas pelos alunos que estão no escalão A da Acção Social Escolar (ASE) é mais do dobro (48%) daquela registada entre os alunos de meios favorecidos (20%). Ou seja, metade dos alunos do escalão A tem negativa a Matemática, um dado tanto mais preocupante quanto o mesmo estudo revela que as negativas a esta disciplina são as mais difíceis de recuperar.

A ASE é atribuída a alunos oriundos de agregados com rendimentos iguais ou inferiores ao salário mínimo nacional e está dividido em dois escalões — A e B, sendo o primeiro o dos estudantes mais carenciados.

Olhando para os resultados, “não deixa de impressionar a regularidade e a intensidade da correlação entre as classificações dos alunos nas disciplinas e o seu contexto socioeconómico”, frisa a DGEEC, para especificar que “as diferenças de desempenho escolar entre os três grupos de alunos são extremamente vincadas e surgem, de forma transversal, em praticamente todas as disciplinas curriculares”. Embora os efeitos do contexto socioeconómico sejam sobretudo “muito marcados nas disciplinas de teor mais académico” como Matemática, Inglês, História e Geografia de Portugal, Português e Ciências Naturais.

Em todas estas disciplinas, a percentagem de negativas no grupo dos estudantes que estão no escalão A da ASE, embora menor do que a Matemática, também é o dobro daquela verificada entre os estudantes de meios favorecidos. “Parece assim ser inegável que, em Portugal, o sistema educativo terá de continuar a trabalhar para que a escola pública cumpra o seu papel nivelador de oportunidades entre alunos oriundos de diferentes estratos socioeconómicos”, sublinha a DGEEC.

Sistema injusto

“Estes dados confirmam que o nosso sistema educativo democrático, que acolhe todos, é ainda muito injusto, porque é fortemente selectivo para alguns, os de sempre, os mais pobres e com contextos familiares e sociais mais desfavorecidos”, comenta o investigador da Universidade Católica Portuguesa (UCP) Joaquim Azevedo. O investigador na área da Educação chama a atenção para o facto de estes dados confirmarem assim também “que o melhor preditor do sucesso escolar e da permanência no sistema escolar é a origem sociocultural e económica dos alunos”.

A socióloga Maria Álvares, do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia, do ISCTE, lembra que “desde os anos 70 que se sabe que os alunos de meios socioeconómicos mais desfavorecidos precisam de mais tempo para aprenderem conteúdos mais teóricos e abstractos por serem menos habituais nos seus contextos de inserção”. A partir dos anos 1990, acrescenta, foram promovidas “aprendizagens mais práticas, mais atractivas para os alunos, de forma aproximá-los da escola, promovendo o gosto e o prazer de aprender”. Ora, frisa, “esta é uma linha que foi totalmente abandonada” pelo Governo anterior.

Joaquim Azevedo defende que é necessário atacar “os problemas de desenvolvimento escolar e humano logo que eles surgem, dando meios ao pré-escolar e ao 1.º ciclo para realizarem essas intervenções precoces, apoiando a capacitação das escolas e dos educadores para o fazerem com qualidade”. “Sem bons alicerces não há edifício que resista”, sublinha.

Para a investigadora Isabel Flores, que analisou os resultados dos alunos portugueses nos testes do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA na sigla inglesa), os dados revelados agora pela DGEEC confirmam as tendências registadas nos desempenhos dos jovens portugueses de 15 anos nas provas de literacia a Matemática, Ciências e Leitura promovidas pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico. Ou seja, que os alunos oriundos de estratos mais desfavorecidos têm maior probabilidade de obterem maus desempenhos. Isabel Flores lembra a propósito que, aos 15 anos, 85% dos alunos que já repetiram de ano provêem de classes desfavorecidas.

Falhanço a Matemática

Mas esta investigadora também considera que os dados da DGEEC mostram uma outra face revelada pelos testes PISA: que há uma percentagem significativa de alunos que conseguem superar o meio de onde vêm. São os chamados “resilientes”. E lendo os gráficos ao contrário, pode ver-se que entre os mais desfavorecidos são mais de metade os que conseguem positiva a Matemática, frisa Isabel Flores.

No estudo da DGEEC, Matemática mostra-se mais uma vez como a disciplina-papão. É a que reúne maior percentagem de negativas no 5.º (26%) e 6.º ano (30%). É também aquela em que se revela mais difícil recuperar de negativas anteriores: só 21% dos alunos que transitaram do 5.º para o 6.º ano com negativa a Matemática conseguiram recuperar essa negativa no 6.º ano. E mesmo repetindo os mesmos conteúdos, que é o que acontece quando se chumba de ano, “a maioria dos alunos retidos com negativa a esta disciplina não conseguiu recuperar essa negativa no ano lectivo seguinte”, acentua a DGEEC.

“Não é fazendo mais do mesmo que os alunos vão conseguir recuperar”, alerta a propósito a presidente da Associação de Professores de Matemática, Lurdes Figueiral, para quem os dados revelados pela DGEEC vêm confirmar que o ensino daquela disciplina “não está a ser eficaz no sentido de levar os alunos a obterem aprendizagens significativas”. A dirigente aponta mais uma vez o dedo ao novo programa de Matemática do ensino básico, que já foi seguido pelos alunos abrangidos por este estudo, repetindo que “este é desajustado” em relação à idade destes estudantes “.

“Oxalá o actual Governo tenha a coragem de mudar o que precisa de ser mudado”, repete Lurdes Figueiral, que defende ainda a necessidade de se lançar um novo Plano de Acção para a Matemática. Este projecto, desenvolvido pela ex-ministra Maria de Lurdes Rodrigues, apostou essencialmente na formação de professores.

 

Notícia corrigida às 9h37 de 09/05/2017: o nome correcto da socióloga citada neste texto é Maria Álvares e não Maria Esteves

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Resultados Escolares por Disciplina – 2.º Ciclo

 

 

 

A liberdade de uma filha vale uma família inteira?

Abril 24, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da http://www.tsf.pt/ de 11 de abril de 2017.

Foto Zohra Bensemra/Reuters

Cláudia Arsénio com Reuters

Zeinab tem 14 anos. O ano passado, um homem mais velho ofereceu dinheiro pelo dote. Mil dólares (cerca de 950 euros) que permitiriam à família escapar à fome e a uma morte certa no sul da Somália.

“Preferia morrer. É melhor fugir e ser comida pelos leões”, desabafou a adolescente bonita quando a mãe lhe falou da oferta. Zeinab sonha ser professora de inglês, sonha com um futuro diferente. “E nós ficaríamos aqui e morreríamos à fome e depois os animais comeriam o que restasse”, respondeu a mãe, dividida entre o amor e o pragmatismo.

Não se sabe ao certo quantas famílias na Somália enfrentam o mesmo dilema, numa altura em que a guerra e a seca levaram o país à maior crise desde a II Guerra Mundial.

Na aldeia de Zeinab e da família, os poços secaram e o gado morreu. A única esperança que lhes resta é chegar a Dollow, uma cidade junto à fronteira com a Etiópia, onde a ajuda internacional fornece água e comida a quem foge de uma morte certa. E, para tal, precisam do dinheiro do dote para a viagem.

O negócio seria realizado. Abdir Hussein, a mãe, confessa à repórter da Reuters, já em Dollow, que nunca se sentiu tão mal. “Acabei com os sonhos do meu bebé. Mas sem aquele dinheiro, teríamos morrido todos”.

Na balança estavam, de um lado, os sonhos de Zeinab e, do outro lado, a vida de 20 sobrinhos e sobrinhas, filhos e filhas das suas três irmãs mais velhas já viúvas ou divorciadas. A vida do seu irmão mais velho, da irmã mais nova e dos seus pais.

O casamento foi celebrado e a união consumada, mas ao fim de três dias… Zeinab fugiu. O marido seguiu-a até Dollow e a família enfrentou um novo dilema: estavam a salvo, mas não poderiam devolver o dinheiro do dote.

A solução seria Abdiweli Mohammed Hersi, a professora de inglês de Zeinab. Com a ajuda do grupo humanitário italiano Cooperazione Internazionale, conseguiu reunir o dinheiro necessário. Agora o grupo vai mediar um encontro entre os homens das duas famílias e propor a devolução do valor do dote se o marido aceitar divorciar-se perante testemunhas,

Ao ouvir estas palavras, os olhos negros da bela Zeinab deixaram de fixar o chão. “Serei livre?”, perguntou.

Fotografias de Zohra Bensemra, da agência Reuters.

mais fotografias n link:

http://www.tsf.pt/internacional/interior/a-liberdade-de-uma-filha-vale-uma-familia-inteira-6214381.html?utm_campaign=Echobox&utm_content=TSF&utm_medium=Social&utm_source=Facebook#link_time=1491911394

 

 

Inauguração da exposição fotográfica RE-FLECTERE// 26 de Abril, 17h, Centro de Documentação do Edifício Central do Município, no Campo Grande, 25.

Abril 24, 2017 às 9:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Inauguração da exposição fotográfica RE-FLECTERE// 26 de Abril, 17h, Centro de Documentação do Edifício Central do Município, no Campo Grande, 25.

Caso queira estar presente na sessão de inauguração, manifeste o seu interesse enviando um email para 

observatoriopobreza@eapn.pt

Porque os problemas sociais são resultado das nossas escolhas, dos modelos de sociedade que construímos, e porque, por isso mesmo, cabe a todos nós a responsabilidade de os conhecer e procurar resolver, o Observatório de luta contra a Pobreza na cidade de Lisboa, no âmbito do seu 10.º aniversário, promove em parceria com o fotodocumentarista Marcelo Londoño e com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, o projecto RE-FLECTERE.
Com esta narrativa fotográfica procuramos retratar as vulnerabilidades sociais na cidade de Lisboa e os diferentes mecanismos utilizados para as enfrentar e superar, privilegiando a imagem como forma de colocar este tema na ordem do dia, tornando-o mais visível pela promoção do debate e da reflexão com a comunidade em geral, incentivando os cidadãos a desempenhar um papel mais activo na mudança.

https://www.instagram.com/re_flectere/

https://www.facebook.com/Reflectere

 

Teresa Bombas: “Ainda é um indicador de pobreza do país”

Março 9, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista de Teresa Bombas ao http://www.dn.pt/ no dia 6 de março de 2017.

Teresa Bombas é especialista em ginecologia e obstetrícia

Teresa Bombas é especialista em ginecologia e obstetrícia

Diz que é preciso assumir que a gravidez na adolescência é um indicador de pobreza. Para minimizar ainda mais o problema, é necessário melhorar as condições de vida das famílias.

Teresa Bombas, presidente da Sociedade Portuguesa da Contraceção, considera que a nova geração tem mais informação e mais expectativas, ou, pelo menos, expectativas que não passam por ter filhos em idade precoce.

Como vê a descida do número de mães adolescentes em Portugal nos últimos anos?

Este é um indicador favorável da evolução do país. A gravidez na adolescência, e mais especificamente o número de adolescentes que são mães, é um dos indicadores de pobreza de um país. Basta olhar para o resto do mundo. O diminuir deste número é o resultado de várias condições: a natalidade baixou globalmente, a literacia aumentou, o número de anos da escolaridade obrigatória também, há acesso a uma educação e informação diferentes. Houve um aumento da riqueza das famílias, o que, de alguma maneira, permite que os filhos tenham expectativas diferentes dos pais. Obviamente, houve também maior divulgação e acessibilidade à contraceção.

Um dado positivo é que esta quebra não foi acompanhada de um aumento da interrupção voluntária da gravidez nestas faixas etárias…

O início da atividade sexual acontece em idades mais jovens, o número de gravidezes e partos em adolescentes baixa sem que tenha aumentado o número de interrupções neste grupo etário. Também sabemos que passaram a usar mais contraceção. Digamos que, globalmente, a nova geração está mais bem informada e parece tender a ter mais expectativas ou expectativas individuais diferentes que não passam por serem pais em idades em que ainda devem ser filhos.

Apesar desta quebra, continuamos a ter uma média de seis adolescentes mães por dia. O que está a falhar?

Continuamos a ter um problema social grave. Continua a haver gravidez na adolescência em grupos sociais carenciados, maioritariamente onde a gravidez na adolescência não é um novo acontecimento, mas sim um acontecimento de repetição. O que falha: melhorar as condições de vida da população. Há menos gravidez na adolescência, mas continuam a verificar-se situações sociais muito graves e estas, infelizmente, não diminuíram. É nas famílias mais carenciadas que este acontecimento se continua a verificar. O número de adolescentes institucionalizadas com filhos proporcionalmente não diminui, o número de famílias a receber rendimento de inserção social também não, o número de jovens com situações sob orientação da proteção de menores também não diminui proporcionalmente.

O que é que é preciso fazer para evitar a gravidez na adolescência?

Melhorar a vida da população. É preciso investir na melhoria da exclusão social e assumir definitivamente que este é um indicador de pobreza. Se uma jovem de 15 ou 16 anos, sabendo que existe contraceção, sabendo que se engravidar pode interromper a gravidez e decide (consciente ou inconscientemente) engravidar e continuar a gravidez, assumindo este como o único projeto de vida que tem, alguma coisa está a correr mal… No rendimento da família, que não consegue ter padrões de identificação que permitam aos seus filhos “sonhar diferente” para si.

Como é que isso se altera?

É preciso continuar a trabalhar educação sexual e tornar a contraceção acessível para todos. Temos de melhorar o nível de educação e sobretudo o rendimento das famílias. Não vou dizer que são só os com mais dificuldade e menos literacia que são pais na adolescência, mas sobretudo estes e ainda são muitos…

 

 

A Erradicação da Pobreza: realidade ou utopia? 28 de Novembro |Teatro da Trindade Lisboa

Novembro 24, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A entrada é gratuita, mas sujeita a inscrição. As inscrições devem ser enviadas para mj.vicente@eapn.pt

mais informações:

http://www.eapn.pt/eventos/1041/a-erradicacao-da-pobreza-realidade-ou-utopia

Apresentação do livro “A análise do bem-estar das crianças e jovens e os direitos da criança” 21 de novembro em Lisboa

Novembro 18, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança, Livros | Deixe um comentário
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Entrada livre, sujeita a confirmação prévia para:

EAPN Portugal:

fatima.veiga@eapn.pt

Tel. 225420803

 mais informações:

http://www.eapn.pt/eventos/1037/apresentacao-do-livro-a-analise-do-bem-estar-das-criancas-e-jovens-e-os-direitos-da-crianca

25 milhões de crianças e adolescentes europeus em risco de pobreza

Novembro 15, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://expresso.sapo.pt/ de 14 de novembro de 2016.

O documento citado na notícia é o seguinte:

Social Justice in the EU – Index Report 2016 Social Inclusion Monitor Europe

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No sul da Europa, o risco de pobreza ou de exclusão social atinge uma em cada três crianças e adolescentes

Cerca de 25,2 milhões de crianças e adolescentes nos 28 países da União Europeia, 26,9%, estava em 2015 em risco de pobreza ou exclusão social, segundo um estudo divulgado esta segunda-feira.

O risco de pobreza ou exclusão social das crianças e adolescentes é maior no sul da Europa, atingindo um em cada três, afirma o relatório da Fundação Bertelsmann.

A estes juntam-se 4,6 milhões de jovens entre os 15 e os 24 anos (20,4%) que se encontravam sem emprego, um número superior nos países em crise.

O número de jovens sem emprego na Grécia chegou aos 49,8%, em Espanha aos 48,3% e em Itália aos 40,3%, o que coloca estes países nos lugares 28, 27 e 25, respetivamente, no índice de desemprego da UE.

Em particular, “as crianças e jovens beneficiam muito pouco da recuperação económica”, concluem os autores do índice de justiça social com que a Fundação Bertelsmann mede, desde 2008, as oportunidades nos 28 Estados membros.

Cerca de 17,3% dos jovens da UE entre os 20 e os 24 anos não estudavam nem trabalhavam, percentagem que em Itália, Grécia e Espanha chegou aos 31,1%, 26,1% e 22,2%, respetivamente.

“Estes jovens vivem totalmente fora do sistema laboral e educativo e, em consequência, têm poucas oportunidades de ascensão social”, alerta o relatório.

O índice destaca também o fosso geracional: à escala europeia, a percentagem de menores afetados pela pobreza ou exclusão social, apesar de ligeiramente menor do que em 2014, foi no ano passado de 26,9%, maior do que a das pessoas com mais de 65 anos, que desceu para 17,4% em 2015, contra 24,4% em 2007.

“A crescente falta de perspetivas de muitos jovens dá espaço aos movimentos populistas em crescimento. Não podemos correr o risco de a juventude ficar dececionada e frustrada com a sociedade”, alertou o presidente da fundação, Aart De Geus.

Apesar de a Europa estar lentamente a recuperar da crise económica, o risco de pobreza em geral não registou uma diminuição significativa, destaca o estudo.

Um em cada quatro cidadãos da UE – 118 milhões de pessoas ou 23,7% – continuava em risco de pobreza ou exclusão social em 2015.

O estudo destaca que continua a aumentar o número de pessoas em risco de pobreza apesar de terem um trabalho remunerado a tempo inteiro – 7,8% em 2015 -, o que se explica por “um crescente setor de salários baixos e uma divisão dos mercados laborais em formas regulares e atípicas de emprego”.

Este aumento de “trabalhadores pobres” é preocupante, destaca o estudo, porque “um trabalho a tempo inteiro não só deve assegurar o salário, como também o sustento”, afirmou De Geus.

 

 

 

Seminário “Lutar contra a Pobreza: a realidade e as propostas do sector social em Portugal” 18 de novembro em Lisboa

Novembro 12, 2016 às 5:44 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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lutar

A inscrição deverá ser registada até ao dia 16 de novembro.

mais informações:

http://www.eapn.pt/eventos/1038/seminario-lutar-contra-a-pobreza-a-realidade-e-as-propostas-do-sector-social-em-portugal

 

“Em muitas situações, o leite escolar é o único que as crianças bebem”

Novembro 8, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 17 de outubro de 2016.

paulo-pimenta

Ana Dias Cordeiro

Nas escolas de Setúbal, foram identificados casos de crianças que desmaiavam nas aulas.

Ana Vizinho, técnica principal do Núcleo Distrital de Setúbal da Rede Europeia Anti-Pobreza, diz que uma parte do problema agora identificado se explica pela falta de meios para a alimentação num dos distritos do país onde são maiores os índices de pobreza.

Este problema agora evidenciado pela campanha da Fertagus – lançada para responder à frequência das situações de desmaios de pessoas que não se alimentaram de manhã – pode estar relacionado com a falta de recursos financeiros das famílias?

Não tenho nenhum dado estatístico que o comprove, mas considero que é possível haver uma relação. O número de famílias que foram solicitando apoio alimentar aumentou em Setúbal a partir de 2010, sobretudo até ao ano passado. As situações em que, existindo carência alimentar, não é solicitada ajuda – por corresponder a um fenómeno de pobreza envergonhada – acontecem muito. São pessoas que não pedem apoio mas não conseguem satisfazer as necessidades básicas alimentares. Por outro lado, não está a ser suficiente a capacidade do Banco Alimentar e de outras organizações em dar resposta a todas as pessoas que solicitam apoio. Em resultado de tudo isto, muitas pessoas podem estar a fazer a sua vida quotidiana habitual, a apanhar os transportes e a ir para o trabalho, sem terem as suas necessidades alimentares asseguradas. Por outro lado, podemos estar a assistir também a outro fenómeno de hábitos alimentares diferentes em que as pessoas, numa lufa-lufa diária, com grande dificuldade em conciliar a vida profissional e familiar não terem em casa os bens alimentares suficientes para tomarem o pequeno-almoço.

O recurso a dois empregos tornou-se mais frequente?

Portugal é um dos países com maior índice de pessoas em situação de pobreza que trabalham. O que acontece é que, em Setúbal, pessoas que têm emprego pouco qualificado, remunerações baixas, tentam arranjar outras soluções, como um segundo emprego, quando aumenta o custo de vida, ou quando a outra pessoa no agregado familiar fica desempregada.

Qual a situação nas escolas?

Os profissionais do ensino têm-nos falado muito na necessidade de voltar a valorizar-se o leite escolar, como sendo, muitas vezes, o único leite que as crianças bebem durante o dia no período de aulas. Desde 2010, ouvimos vários profissionais dizerem que há muitas crianças mais apáticas, muito cansadas, com um menor rendimento escolar, no início do dia. É uma situação que sempre existiu. E se, por um lado, algumas situações de pobreza se intensificaram, desde 2010, por outro lado, houve um conjunto de pessoas que não viviam em situação de pobreza e que vieram a cair nela, em Setúbal como no resto do país.

Conhece outros sinais de fraca alimentação das crianças? 

Também soubemos de casos de crianças que desmaiavam nas aulas – era o sinal que permitia aos profissionais do ensino perceber que havia ali uma situação diferente, porque tudo o resto na família parecia inalterado. Ou ainda crianças com anemia em situações depois identificadas pelos serviços de saúde. Muitos professores foram identificando que havia qualquer coisa a passar-se.

 

 

17 de outubro – Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza

Outubro 17, 2016 às 9:59 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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17 de outubro – Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza

Mensagem da EAPN Portugal

ERRADICAR A POBREZA E A EXCLUSÃO SOCIAL: A URGÊNCIA DE UMA LUTA

mais informações:

http://www.eapn.pt/

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