Onde as crianças dormem

Novembro 20, 2017 às 10:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Romanian refugee, Rome, Italy

Texto do https://www.swissinfo.ch/eng/ de 20 de novembro de 2012.

A child’s bedroom – or sleeping place – reveals a great deal about his or her cultural and social background. In the book “Where Children Sleep”, photographer James Mollison provides a glimpse of the lives of children from around the world.

The British photographer worked for four years on this project. The book, published in 2010, was designed above all for readers aged nine to 13. But the photos, depicting often extreme differences in living standards, touch readers of all ages. (Images: James Mollison)

James Mollison

mais fotos da série “Where Children Sleep” no link:

http://jamesmollison.com/books/where-children-sleep/

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Crianças pobres na rica Suíça? Niels é um deles

Novembro 20, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site https://www.swissinfo.ch/por/ de 15 de novembro de 2017.

Por Kathrin Ammann

Claro que ele não passa fome. O pequeno Niels tem um quarto só dele, veste roupas limpas e joga futebol no clube. Mas o salário da mãe dele não é suficiente. Eles necessitam de ajuda. Na Suíça, a precariedade não é evidente à primeira vista, mas costuma deixar marcas nos que a vivem na própria pele.

Recentemente, Niels e sua mãe se permitiram curtir um “dia de luxo”. Graças a ingressos mais baratos, eles foram ao circo. E melhor ainda: “Fomos tomar um café e comer um sanduíche depois”, relata com voz tímida a mãe de Niels, uma mulher de 38 anos. E sorri.

Seu filho tem a alegria estampada no rosto. Ele vai até a cozinha, volta, está eufórico e quer nos mostrar o apartamento onde eles moram há poucos meses. Dá para perceber que Niels se sente bem na casa nova. Ele conta com orgulho que seu quarto tem três portas. Uma porta dá para a cozinha, a outra dá para a sala e uma terceira porta abre-se para a varanda.

“Como ganhar na loteria”

O apartamento fica no segundo andar de um prédio novo, é bem iluminado e faz parte de um complexo residencial ainda em construção. Da varanda vê-se um grande canteiro de obras. “Aqui está nascendo um novo bairro, muito dinâmico e que você pode ajudar a construir”, esta é a frase que aparece na propaganda do projeto. A Fundação Habitat defende alugueis a preços econômicos. Quem ganha mais paga mais do que os inquilinos de baixa renda.

Já durante nosso primeiro contato, por telefone, a mãe do Niels praticamente se desculpou pelo “belo apartamento novo”. Este apartamento não se enquadra na imagem que fazemos quando pensamos em uma mãe solo, ou mãe autônoma, que cria seu filho sozinha e depende do auxílio social para complementar a renda. O medo de serem tachadas de parasitas é muito grande entre as pessoas que estão próximas à linha de pobreza.

“Foi como ganhar na loteria”, relata a mãe de Niels sentada à mesa da cozinha. Durante meses, depois de sair do trabalho e pegar o filho na creche, ela enfrentava a fila de interessados em obter um apartamento. Os apartamentos cujo aluguel cabiam no seu orçamento ficavam ao lado da autoestrada ou tinham banheiro coletivo. Ela preferiu ficar no apartamento antigo e continuar procurando. Até que a Fundação Habitat a procurou.

Entre 800 e 1200 francos suíços por mês

Desde então ela não se sente mais pobre, sente-se bem melhor, relata a mãe de Niels. Formada em Pedagogia do Movimento, ela ganha entre 800 e 1200 francos suíços por mês, o que é muito pouco. Em comparação com a totalidade da população, as mulheres que criam seus filhos sozinhas na Suíça estão mais do que duas vezes mais vulneráveis a ficarem abaixo da linha de pobreza. Este é o resultado de um estudo realizado sob encomenda da Caritas Suíça e conduzido pela Universidade de Berna. 20% das pessoas que recebem o Auxílio Social são mães que criam seus filhos sozinhas. Em 2015, uma a cada seis famílias suíças era de pai ou mãe autônomo. E a tendência é de que esta porcentagem aumente.

Os pais de Niels se separaram quando a sua mãe estava no sexto mês de gravidez. Depois de passar quatro anos na França, ela retornou para a Suíça. Sem ter ninguém mais para contar, ela passou a depender do auxílio social. Seis meses depois do nascimento de Niels ela voltou a trabalhar, mas só conseguiu contratos como horista. Uma tentativa de se tornar autônoma infelizmente fracassou.

Segundo a pesquisa da Caritas, as mães solo de filhos com menos de seis anos de idade trabalham em média 17 horas por semana fora de casa e 54 horas por semana realizando trabalhos domésticos e relacionados à manutenção da família. A taxa de pessoas que trabalham e mesmo assim estão abaixo da linha de pobreza é quatro vezes maior nos casos de mães solo. “Esta situação insana, desgastante e sem perspectiva me deixou muito chocada e com muita raiva. Às vezes o dinheiro mal chegava para comprar fraldas para Niels.”

A mãe de Niels escolhe as palavras com cautela. Seu olhar torna-se cansado. Niels se acalma e presta atenção na conversa. É como se ele percebesse que não é fácil para sua mãe se recordar daquele período de total exaustão.

O auxílio está vinculado ao local de residência

Agora que Niels já está um pouco maior, é mais fácil. Mas mesmo assim não é possível dar uma passada rápida no supermercado para comprar algo que se tenha esquecido. “Tudo tem que ser pensado e planejado. E isso cansa.” Niels e sua mãe atravessam a fronteira para fazer compras na Alemanha. Para comprar um capacete para Niels andar de bicicleta, eles vasculharam os brechós da cidade de Basileia, o que demanda tempo e energia.

Niels anda de bicicleta na passarela em frente ao prédio onde moram. Ele também tem um skate e um kart. “Tudo usado e ganhado”, esclarece a mãe. Niels parece não se importar com este detalhe, e conta entusiasmado que joga futebol no clube. Para isso sua mãe recebe auxílio financeiro do governo. Se Niels morasse em outro cantão, ele possivelmente não poderia treinar futebol e um dia jogar tão bem quanto Ronaldo, como ele mesmo diz. O Auxílio Social na Suíça é decidido a nível cantonal e por isso depende do local de residência.

Outras crianças ameaçadas pela falta de recursos não têm como participar da vida social. Os pais cujos salários estão levemente acima do limite e que, por isso, não recebem auxílio social, não conseguem proporcionar estas coisas a seus filhos. Para eles é difícil participar de atividades sociais. Até mesmo Niels já percebeu essa diferença.

“Você não está no controle de sua vida”

Convidado para a festinha de aniversário de um colega, Niels estava na fila para cumprimentar o aniversariante e entregar-lhe o presente. As outras crianças traziam caixas de Lego em belos pacotes de presente. Niels destoava do grupo com seu presente: um cachorrinho feito de balões.

Mesmo assim, a mãe de Niels tem um único desejo: não precisar mais do auxílio social. Ela tem a sensação de estar vivendo um estado de exceção. “Eu não consigo dizer para mim mesma: ‘Ok, agora recebo auxílio social e tudo bem'”. O mais difícil para ela é o estigma que enfrenta no dia-a-dia. Ela acaba sempre ouvindo alguém lhe dizer que ela “não está no controle da própria vida”. “Você está fazendo o melhor que pode, mas está sempre levando na cabeça”. É muito desgastante. “Seis anos atrás minha autoestima era muito melhor do que é hoje”.

Niels aquieta-se novamente e senta-se no colo da mãe. “Quanto tempo falta para eu fazer aniversário de novo, mamãe?”, ele pergunta pela segunda vez hoje. Niels quer ganhar de presente no seu aniversário – que será um pouco antes do fim do ano – um lanche no McDonalds com sua mãe. E do seu pai, que está na França, ele quer ganhar um “Hoverboard”, um skate elétrico. “Meu pai é rico”, conta ele alegremente e saltitando novamente pela cozinha. “Ele tem uma televisão no carro.”

Pobreza infantil na Suíça

Em 2014, 307.000 crianças foram registradas como estando em situação de pobreza ou ameaçadas de pobreza. Para analisar os dados, o Ministério de Estatística (BfS) utiliza os parâmetros estabelecidos pela Conferência Suíça de Instituições de Ação Social (SKOS).

Comparada internacionalmente, a Suíça investe pouco na família e nas crianças. Nos países da União Europeia, em 2013, foram investidos em média 2,1% do Produto Interno Bruto nas famílias. Enquanto isso na Suíça apenas 1,5% do PIB foi investido nas famílias.

(Fonte: Departamento Federal de Estatísticas (BfS), Famílias na Suíça: Relatório Estatístico)

Adaptação: Fabiana Macchi

Dia 20 de novembro é o Dia Internacional dos Direitos da Criança.

A Convenção sobre os Direitos da Criança foi aprovada na Assembleia Geral das Nações Unidas em 1989. A Suíça aderiu em 1997. Atualmente, a Convenção dos Direitos da Criança das Nações Unidas engloba 193 países. Através da Convenção, a Suíça é obrigada a disponibilizar todos os meios possíveis para os menores que estão em condições de pobreza. (Fonte: humanrights.ch)

 

 

Re-Flectere: Apresentação Livro + Exposição Fotográfica – 21 novembro em Lisboa

Novembro 19, 2017 às 6:04 am | Publicado em Divulgação, Livros | Deixe um comentário
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mais informações:

https://www.facebook.com/events/1898460690416052/

 

 

Vigília no Campo Grande no dia 17 de outubro pelas 21:30 no Campo Grande no âmbito do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza e da Exclusão Social

Outubro 16, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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No âmbito do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza e da Exclusão Social, a 17 de outubro, a Iniciativa Semana Pelo Combate à Pobreza e à Exclusão Social (https://combatepobreza.wordpress.com/) está a organizar uma vigília de forma a assinalar este dia. A vigília terá lugar no Campo Grande no dia 17 de outubro pelas 21:30 e tem como programa:

21:30 – Concentração // receção aos participantes
21:40 – Pobreza é ficar indiferente – apresentação multimédia de campanhas na luta contra a pobreza.
22:00 – Pobreza é não dar ouvidos – testemunhos.
22:30 – Pobreza é não querer ver – Acender de velas.
22:45 – Leitura de um Manifesto.

Blog: combatepobreza.wordpress.com/

Email: combatepobreza@gmail.com

Facebook: www.facebook.com/CombatePobreza

 

 

“Bullying” na infância tem consequências futuras

Julho 29, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.paisefilhos.pt/ de 12 de julho de 2017.

O “bullying” durante a infância poderá acarretar consequências duradouras negativas para a saúde, apurou um estudo da Universidade de Pittsburgh (EUA) que seguiu um grupo de mais de 300 homens desde o início da escola primária até aos 30 e poucos anos.

Considerando que o “bullying” leva a interações interpessoais stressantes, tanto para os perpetradores como para as vítimas, a equipa pôs como hipótese o facto de uns e outros correrem um maior risco de problemas de saúde relacionados com o stresse. Para testar a sua teoria, a equipa recrutou participantes do Estudo sobre a Juventude de Pittsburgh (“Pittsburgh Youth Study”) que incluía 500 rapazes que tinham frequentado as escolas públicas daquele estado norte-americano em 1987-8. Mais de metade dos rapazes eram negros e quase 60 por cento recebia apoios financeiros.

Os investigadores recolheram informação junto das crianças, pais e professores sobre comportamentos relacionados com “bullying” quando os rapazes tinham entre 10 e 12 anos, assim como efetuaram avaliações regulares sobre fatores de risco psicossociais, biológicos e comportamentais para o declínio da saúde.

A equipa conseguiu anos mais tarde recrutar mais de 300 participantes no estudo original, os quais foram analisados relativamente a níveis de stresse, historial médico, alimentação e exercício físico e estatuto socioeconómico, tendo a maioria também efetuado análises ao sangue, avaliações inflamatórias e medidas de altura e peso. Foi apurado que tanto os perpetradores como as vítimas de “bullying” na infância apresentavam fatores de risco para uma saúde física debilitada.

Mais especificamente, os rapazes autores de “bullying” tendiam a ser mais agressivos e a fumar na idade adulta, que são fatores de risco para as doenças cardiovasculares e oncológicas. Já as vítimas apresentavam uma propensão para terem mais dificuldades financeiras, menores rendimentos, experiências de vida mais stressantes e de sentirem que eram tratados de forma injusta, também fatores de risco para as doenças cardiovasculares.

mais informações na notícia:

Childhood bullying linked to health risks in adulthood

 

 

Um quarto das famílias portuguesas com crianças tem dificuldade no acesso a alimentos

Julho 7, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/de 4 de julho de 2017.

A Unicef estima que, no mundo inteiro, 688 milhões de crianças são afectadas pela insegurança alimentar. Em Portugal, esta realidade afecta 25% das famílias com crianças menores de 15 anos.

Beatriz Silva Pinto

Com base nos dados da sondagem da Gallup World Poll, a Unicef quis avaliar como estão os agregados familiares com crianças com menos de 15 anos, focando a insegurança alimentar. Alguns resultados do relatório divulgado nesta segunda-feira: estima-se que 45% das crianças com menos de 15 anos, de 147 países e quatro territórios analisados, vivem com alguém que reporta que, nos 12 meses anteriores ao inquérito, houve alturas em que não teve dinheiro para comprar comida. Na União Europeia esta taxa foi de 20%. Em Portugal é maior: 25%.

A vizinha Espanha alcança um valor inferior, com 13,17%. Entre os países europeus com o menor valor deste indicador encontram-se Suécia (3,42%), Noruega (5,65%), Luxemburgo (5,99%), Alemanha (7,27%), Croácia (7,33%), Dinamarca (7,64%), Suíça (7,94%) e Finlândia (8,61%), os únicos que registam valores inferiores a 10%.

O mesmo relatório sublinha que em Portugal 2% das crianças, com idades entre 1 e 15 anos, não comem três refeições por dia e que o rácio de pobreza na população menor de 18 anos é de 18% – dados de 2009 retirados do relatório Estatísticas do rendimento e das condições de vida na União Europeia. Refira-se ainda que a percentagem da insegurança alimentar nos agregados familiares com pelo menos uma criança com menos de 15 anos é maior (24,96%) do que na generalidade de agregados familiares portugueses (19,04%).

À volta do mundo, são 688 milhões de crianças menores de 15 anos que vivem num agregado familiar em que não houve dinheiro suficiente para comprar comida durante o ano anterior ao inquérito de 2014/2015. São os territórios de África que apresentam maior percentagem neste indicador, sendo que na África Oriental e Meridional, o valor atinge os 66%. África Ocidental e Central registam 60% e o Corno de África 57%. No Médio Oriente e no Norte de África, a percentagem é inferior: 34%. A América Central fica nos 55%, a América do Sul nos 37% e a América do Norte nos 27%. Por sua vez, o Sudoeste Asiático regista uma percentagem de 45% e o Sul Asiático de 38%. A Comunidade dos Estados Independentes (CEI), que envolve onze repúblicas que pertenciam à antiga União Soviética, chega aos 28% e a União Europeia (sem a CEI) fica-se pelos 20%. Com um valor inferior ao de Europa está a Ásia Oriental, que apresenta a menor percentagem: 15%.

O aumento global da insegurança alimentar

Pode ainda observar-se que a segurança alimentar (factor traduzido na expressão “teve dinheiro suficiente para comprar alimentos nos últimos 12 meses”) tem vindo a diminuir globalmente desde 2006 (ano em que 84% dos agregados, com ou sem crianças com idade inferior a 15 anos, diziam que tinham conseguido comprar os alimentos necessários), tendo sofrido uma descida acentuada de 2007 (80%) para 2008 (71%), fase correspondente ao início da crise financeira. Desde 2013 até 2015, a taxa manteve-se nos 69%. O estudo revela, ainda, que, em todos países da amostra, é possível concluir que a segurança alimentar é mais sensível ao rendimento nos agregados familiares com crianças com idades inferiores a 15 anos do que na população entre os 15 e 24 anos.

No entanto, a Unicef alerta: visto que não foram incluídos países para os quais não havia dados suficientes, a estimativa de insegurança alimentar nos agregados familiares pode estar subestimada a nível global.

O relatório não deixa de ressalvar, por fim, que é “indubitavelmente” diferente falar-se de insegurança alimentar em regiões como a África subsariana e a Europa, por exemplo.

Texto editado por Pedro Sales Dias

 

 

 

Planos de ajustamento do FMI podem afetar saúde infantil

Junho 21, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Noticia do http://www.dnoticias.pt/ de 16 de maio de 2017.

Os programas de austeridade do FMI nos países mais pobres podem diminuir a capacidade de alguns pais de garantir a saúde dos filhos, concluiu um estudo científico publicado na segunda-feira e contestado pela instituição financeira.

Realizado por seis universidades, este estudo publicado na revista norte-americana Proceedings of the National Academy of Sciences junta-se a uma vasta literatura sobre os possíveis malefícios da austeridade orçamental promovida pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) nos países do sul.

O estudo, que compilou dados de 67 países recolhidos nos anos 2000, afastou a hipótese de uma “causa direta” entre uma degradação dos indicadores de saúde e os planos do FMI, que fornece empréstimos aos Estados em troca de programas de consolidação das finanças públicas.

O trabalho identificou “efeitos contraditórios” que a ação do FMI tem na saúde infantil.

“As intervenções do FMI procuram aumentar a estabilidade económica, o que traz benefícios para a população. No entanto, ao mesmo tempo, as medidas de ajustamento impostas pelo FMI diminuem os efeitos protetores [que o nível] de educação dos pais [tem] na saúde infantil”, escreveram os autores das universidades de Cambridge e Oxford, no Reino Unido.

Assim, os lares onde o chefe de família tem pelo menos um nível de educação primário têm, em termos gerais, mais condições de responder às necessidades dos filhos em termos de acesso à água, nutrição ou vacinação.

Esta capacidade é reduzida nos países sob assistência do FMI, especialmente em meios rurais, indicou o estudo.

De acordo com os investigadores, o nível de escolaridade dos pais reduz os riscos de malnutrição infantil em 38% em épocas normais, mas apenas em 21% quando os países estão a ser apoiados pelo FMI.

Esta diferença está relacionada, de acordo com os investigadores, com a redução das despesas públicas exigidas pelo FMI que “comprime os salários” e provoca perdas de oportunidade de emprego, arriscando-se a limitar a “utilidade (…) de uma educação básica” na capacidade dos pais de garantirem uma saúde melhor aos filhos.

Contactado pela agência noticiosa France Presse (AFP), o FMI criticou o estudo e disse que este falhou em estabelecer uma ligação direta entre os planos de resgate e a saúde infantil.

De acordo com a instituição, os investigadores concluíram “de maneira errónea” que os gastos com a educação diminuem nos países sob assistência do FMI, com consequências nefastas para a saúde infantil.

“As nossas análises mostram que as despesas públicas com a educação aumentaram significativamente nos países de baixos rendimentos, durante a implementação dos programas de assistência do Fundo”, indicou uma porta-voz do FMI em comunicado.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Impact of International Monetary Fund programs on child health

 

 

 

Quase metade dos alunos mais carenciados tem negativa a Matemática

Maio 17, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 8 de maio de 2017.

Novo estudo da Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência mostra que ainda há muito a fazer para que “a escola pública cumpra o seu papel nivelador de oportunidades entre alunos oriundos de diferentes estratos socioeconómicos”.

Clara Viana

Há um fosso brutal entre as notas que os alunos carenciados obtêm e aquelas que são conseguidas por estudantes de meios mais favorecidos. E isso acontece logo em idades precoces, como é o caso do 2.º ciclo de escolaridade, onde os alunos têm entre 10 e 12 anos de idade.

Um estudo divulgado ontem pela Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), que foi feito pela primeira vez com base nas classificações internas dadas pelos professores aos alunos que frequentavam o 6.º ano de escolaridade em 2014/2015, mostra que na Matemática, por exemplo, a percentagem de negativas obtidas pelos alunos que estão no escalão A da Acção Social Escolar (ASE) é mais do dobro (48%) daquela registada entre os alunos de meios favorecidos (20%). Ou seja, metade dos alunos do escalão A tem negativa a Matemática, um dado tanto mais preocupante quanto o mesmo estudo revela que as negativas a esta disciplina são as mais difíceis de recuperar.

A ASE é atribuída a alunos oriundos de agregados com rendimentos iguais ou inferiores ao salário mínimo nacional e está dividido em dois escalões — A e B, sendo o primeiro o dos estudantes mais carenciados.

Olhando para os resultados, “não deixa de impressionar a regularidade e a intensidade da correlação entre as classificações dos alunos nas disciplinas e o seu contexto socioeconómico”, frisa a DGEEC, para especificar que “as diferenças de desempenho escolar entre os três grupos de alunos são extremamente vincadas e surgem, de forma transversal, em praticamente todas as disciplinas curriculares”. Embora os efeitos do contexto socioeconómico sejam sobretudo “muito marcados nas disciplinas de teor mais académico” como Matemática, Inglês, História e Geografia de Portugal, Português e Ciências Naturais.

Em todas estas disciplinas, a percentagem de negativas no grupo dos estudantes que estão no escalão A da ASE, embora menor do que a Matemática, também é o dobro daquela verificada entre os estudantes de meios favorecidos. “Parece assim ser inegável que, em Portugal, o sistema educativo terá de continuar a trabalhar para que a escola pública cumpra o seu papel nivelador de oportunidades entre alunos oriundos de diferentes estratos socioeconómicos”, sublinha a DGEEC.

Sistema injusto

“Estes dados confirmam que o nosso sistema educativo democrático, que acolhe todos, é ainda muito injusto, porque é fortemente selectivo para alguns, os de sempre, os mais pobres e com contextos familiares e sociais mais desfavorecidos”, comenta o investigador da Universidade Católica Portuguesa (UCP) Joaquim Azevedo. O investigador na área da Educação chama a atenção para o facto de estes dados confirmarem assim também “que o melhor preditor do sucesso escolar e da permanência no sistema escolar é a origem sociocultural e económica dos alunos”.

A socióloga Maria Álvares, do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia, do ISCTE, lembra que “desde os anos 70 que se sabe que os alunos de meios socioeconómicos mais desfavorecidos precisam de mais tempo para aprenderem conteúdos mais teóricos e abstractos por serem menos habituais nos seus contextos de inserção”. A partir dos anos 1990, acrescenta, foram promovidas “aprendizagens mais práticas, mais atractivas para os alunos, de forma aproximá-los da escola, promovendo o gosto e o prazer de aprender”. Ora, frisa, “esta é uma linha que foi totalmente abandonada” pelo Governo anterior.

Joaquim Azevedo defende que é necessário atacar “os problemas de desenvolvimento escolar e humano logo que eles surgem, dando meios ao pré-escolar e ao 1.º ciclo para realizarem essas intervenções precoces, apoiando a capacitação das escolas e dos educadores para o fazerem com qualidade”. “Sem bons alicerces não há edifício que resista”, sublinha.

Para a investigadora Isabel Flores, que analisou os resultados dos alunos portugueses nos testes do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA na sigla inglesa), os dados revelados agora pela DGEEC confirmam as tendências registadas nos desempenhos dos jovens portugueses de 15 anos nas provas de literacia a Matemática, Ciências e Leitura promovidas pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico. Ou seja, que os alunos oriundos de estratos mais desfavorecidos têm maior probabilidade de obterem maus desempenhos. Isabel Flores lembra a propósito que, aos 15 anos, 85% dos alunos que já repetiram de ano provêem de classes desfavorecidas.

Falhanço a Matemática

Mas esta investigadora também considera que os dados da DGEEC mostram uma outra face revelada pelos testes PISA: que há uma percentagem significativa de alunos que conseguem superar o meio de onde vêm. São os chamados “resilientes”. E lendo os gráficos ao contrário, pode ver-se que entre os mais desfavorecidos são mais de metade os que conseguem positiva a Matemática, frisa Isabel Flores.

No estudo da DGEEC, Matemática mostra-se mais uma vez como a disciplina-papão. É a que reúne maior percentagem de negativas no 5.º (26%) e 6.º ano (30%). É também aquela em que se revela mais difícil recuperar de negativas anteriores: só 21% dos alunos que transitaram do 5.º para o 6.º ano com negativa a Matemática conseguiram recuperar essa negativa no 6.º ano. E mesmo repetindo os mesmos conteúdos, que é o que acontece quando se chumba de ano, “a maioria dos alunos retidos com negativa a esta disciplina não conseguiu recuperar essa negativa no ano lectivo seguinte”, acentua a DGEEC.

“Não é fazendo mais do mesmo que os alunos vão conseguir recuperar”, alerta a propósito a presidente da Associação de Professores de Matemática, Lurdes Figueiral, para quem os dados revelados pela DGEEC vêm confirmar que o ensino daquela disciplina “não está a ser eficaz no sentido de levar os alunos a obterem aprendizagens significativas”. A dirigente aponta mais uma vez o dedo ao novo programa de Matemática do ensino básico, que já foi seguido pelos alunos abrangidos por este estudo, repetindo que “este é desajustado” em relação à idade destes estudantes “.

“Oxalá o actual Governo tenha a coragem de mudar o que precisa de ser mudado”, repete Lurdes Figueiral, que defende ainda a necessidade de se lançar um novo Plano de Acção para a Matemática. Este projecto, desenvolvido pela ex-ministra Maria de Lurdes Rodrigues, apostou essencialmente na formação de professores.

 

Notícia corrigida às 9h37 de 09/05/2017: o nome correcto da socióloga citada neste texto é Maria Álvares e não Maria Esteves

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Resultados Escolares por Disciplina – 2.º Ciclo

 

 

 

A liberdade de uma filha vale uma família inteira?

Abril 24, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da http://www.tsf.pt/ de 11 de abril de 2017.

Foto Zohra Bensemra/Reuters

Cláudia Arsénio com Reuters

Zeinab tem 14 anos. O ano passado, um homem mais velho ofereceu dinheiro pelo dote. Mil dólares (cerca de 950 euros) que permitiriam à família escapar à fome e a uma morte certa no sul da Somália.

“Preferia morrer. É melhor fugir e ser comida pelos leões”, desabafou a adolescente bonita quando a mãe lhe falou da oferta. Zeinab sonha ser professora de inglês, sonha com um futuro diferente. “E nós ficaríamos aqui e morreríamos à fome e depois os animais comeriam o que restasse”, respondeu a mãe, dividida entre o amor e o pragmatismo.

Não se sabe ao certo quantas famílias na Somália enfrentam o mesmo dilema, numa altura em que a guerra e a seca levaram o país à maior crise desde a II Guerra Mundial.

Na aldeia de Zeinab e da família, os poços secaram e o gado morreu. A única esperança que lhes resta é chegar a Dollow, uma cidade junto à fronteira com a Etiópia, onde a ajuda internacional fornece água e comida a quem foge de uma morte certa. E, para tal, precisam do dinheiro do dote para a viagem.

O negócio seria realizado. Abdir Hussein, a mãe, confessa à repórter da Reuters, já em Dollow, que nunca se sentiu tão mal. “Acabei com os sonhos do meu bebé. Mas sem aquele dinheiro, teríamos morrido todos”.

Na balança estavam, de um lado, os sonhos de Zeinab e, do outro lado, a vida de 20 sobrinhos e sobrinhas, filhos e filhas das suas três irmãs mais velhas já viúvas ou divorciadas. A vida do seu irmão mais velho, da irmã mais nova e dos seus pais.

O casamento foi celebrado e a união consumada, mas ao fim de três dias… Zeinab fugiu. O marido seguiu-a até Dollow e a família enfrentou um novo dilema: estavam a salvo, mas não poderiam devolver o dinheiro do dote.

A solução seria Abdiweli Mohammed Hersi, a professora de inglês de Zeinab. Com a ajuda do grupo humanitário italiano Cooperazione Internazionale, conseguiu reunir o dinheiro necessário. Agora o grupo vai mediar um encontro entre os homens das duas famílias e propor a devolução do valor do dote se o marido aceitar divorciar-se perante testemunhas,

Ao ouvir estas palavras, os olhos negros da bela Zeinab deixaram de fixar o chão. “Serei livre?”, perguntou.

Fotografias de Zohra Bensemra, da agência Reuters.

mais fotografias n link:

http://www.tsf.pt/internacional/interior/a-liberdade-de-uma-filha-vale-uma-familia-inteira-6214381.html?utm_campaign=Echobox&utm_content=TSF&utm_medium=Social&utm_source=Facebook#link_time=1491911394

 

 

Inauguração da exposição fotográfica RE-FLECTERE// 26 de Abril, 17h, Centro de Documentação do Edifício Central do Município, no Campo Grande, 25.

Abril 24, 2017 às 9:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Inauguração da exposição fotográfica RE-FLECTERE// 26 de Abril, 17h, Centro de Documentação do Edifício Central do Município, no Campo Grande, 25.

Caso queira estar presente na sessão de inauguração, manifeste o seu interesse enviando um email para 

observatoriopobreza@eapn.pt

Porque os problemas sociais são resultado das nossas escolhas, dos modelos de sociedade que construímos, e porque, por isso mesmo, cabe a todos nós a responsabilidade de os conhecer e procurar resolver, o Observatório de luta contra a Pobreza na cidade de Lisboa, no âmbito do seu 10.º aniversário, promove em parceria com o fotodocumentarista Marcelo Londoño e com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, o projecto RE-FLECTERE.
Com esta narrativa fotográfica procuramos retratar as vulnerabilidades sociais na cidade de Lisboa e os diferentes mecanismos utilizados para as enfrentar e superar, privilegiando a imagem como forma de colocar este tema na ordem do dia, tornando-o mais visível pela promoção do debate e da reflexão com a comunidade em geral, incentivando os cidadãos a desempenhar um papel mais activo na mudança.

https://www.instagram.com/re_flectere/

https://www.facebook.com/Reflectere

 

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