Apresentação da Plataforma PAJE – 11 de outubro em Coimbra

Setembro 27, 2016 às 1:00 pm | Na categoria Divulgação | Deixe o seu comentário
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coimbra

Confirmação obrigatória até 10 de outubro para  iac-fcj@iacrianca.pt

mais informações sobre a plataforma:

https://www.facebook.com/PlataformadeApoioJovensExacolhidos/

http://www.paje.pt/index.html

25ª Ação de Formação para Animadores: – 25 Anos a (Re)Criar Dinâmicas e Aprendizagens – 13 e 15 de Outubro de 2016 em Caneças

Setembro 20, 2016 às 1:13 pm | Na categoria Divulgação | Deixe o seu comentário
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251

programa e ficha de inscrição no link:

http://www.iacrianca.pt/index.php/setores-iac-pr/noticias-projecto-rua/item/842-25-acao-de-formacao-para-animadores-prevencao-de-riscos-na-intervencao-social-uma-questao-de-direitos

 

3ª EDP Meia Maratona de Coimbra – Corrida do Conhecimento irá integrar uma Caminhada Solidária cuja receita reverterá, em parte, para o Instituto de Apoio à Criança

Setembro 19, 2016 às 3:49 pm | Na categoria Divulgação | Deixe o seu comentário
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A 3ª EDP Meia Maratona de Coimbra – Corrida do Conhecimento irá integrar uma Caminhada Solidária cuja receita reverterá, em parte, para o Instituto de Apoio à Criança.

 O evento, que será constituído por três provas sem fins competitivos, vai realizar-se no dia 9 de outubro, pelas 10h30. Todas as provas terão partida no Largo Porta Férrea e meta na Avenida Emídio Navarro.

As inscrições para a Caminhada Solidária têm um custo de 5 euros e para que possamos usufruir de 50% do valor da inscrição, estas terão quer ser feitas através do Instituto de Apoio à Criança – Fórum Construir Juntos.

Sede: Avenida Fernão de Magalhães, nº 676, 3º andar, sala 3

Telefone: 239 821 280

Mail: iac-fcj@iacrianca.pt

 

I Congresso Caminhos e Desafios em Jovens de Risco – 7 Novembro na Fundação Calouste Gulbenkian

Setembro 16, 2016 às 6:00 am | Na categoria Divulgação | Deixe o seu comentário
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mais informações:

http://famser-ipss.pt/site

https://www.facebook.com/gps.congresso/

A Drª Dulce Rocha, Vice-Presidente do Instituto de Apoio à Criança, irá participar no painel “Crianças e Jovens em Perigo – Estradas Convergentes”

Os comportamentos destas crianças não cabem no armário dos pais

Setembro 15, 2016 às 12:00 pm | Na categoria O IAC na comunicação social | Deixe o seu comentário
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Texto do https://www.publico.pt/ de 6 de setembro de 2016.

DR

Margarida David Cardoso

Não encaixam no padrão comportamental de género que a sociedade padroniza e vê como normal. Rapazes que gostam de brincar com bonecas ou que querem ser bailarinos são apelidados de “maricas”. Associação quer lutar contra o preconceito.

Um jardim-de-infância pode ser, numa dimensão pequena, para gente pequena, uma representação da sociedade. O espaço de brincadeira divide-se, a cozinha para um lado, a bola para o outro – como lá fora, num mercado de trabalho e numa vida doméstica ainda segmentados.

“Eu sempre tive como verdade que era imperioso que os meus filhos se expressassem de forma livre”, fosse com bonecas ou com carros, “aos polícias” ou “às cabeleireiras”. Esta mãe falou ao PÚBLICO mas não quis ser identificada pelo nome, senão como uma mãe que faz parte da AMPLOS – Associação de Mães e Pais pela Liberdade de Orientação Sexual. Há cinco anos juntou-se à associação, num período em que passava “por uma série de inseguranças por causa do filho mais novo.” Tinha dois ou três anos, quando os pais perceberam que João (nome fictício) tinha “comportamentos não normativos”: esse palavrão para uma “criança que simplesmente gostava de coisas diferentes das coisas que os miúdos da idade dele gostam”, explica a mãe.

À medida que cresceu, diz a mãe, João apercebeu-se que havia quem se incomodasse com o modo dele ser. Coisa que João, uma criança de quatro anos, não percebia. Não entendia “os estereótipos de género em que a sociedade achava que ele deveria encaixar”. João era “combatido por ser quem era” na escola, na rua, sempre que não estava em casa. “Foi obrigado a crescer muito depressa”. Cresceu tanto que aos quatro anos a mãe ouviu-o dizer: “Eu fico cansado de ser eu”.

Não está em causa a orientação sexual, “apesar de ser a primeira coisa que as pessoas pensam”, conta esta mãe. “Se o filho é homossexual ou transsexual ou não, o que eu quero é que ele seja feliz e se sinta aceitado. Ele era uma criança.” Das oito crianças que a AMPLOS acompanha, com este tipo de comportamentos, apenas uma tem disforia de género, ou seja, foi diagnosticada como transexual, sublinha a presidente da associação.

Estão apenas em causa os comportamentos, “que são normais, porque normais são todos”, que não são o que a sociedade espera por parte de um rapaz ou de uma rapariga, explica a mãe de João. Uma realidade que fez com que, desde pequeno, João tenha sido alvo de piadas e de comentários discriminatórios não só dos colegas, mas também de educadores de infância e pais de amigos.

“Houve uma família que deixou de vir cá a casa, porque ele gostava de usar as jóias da mãe. Aos seis anos, a avó da melhor amiga dele proibiu a neta de brincar com o meu filho, porque dizia que ele era ‘absorvente’. Houve pessoas que deixaram de estar lá, porque eu não fechava o meu filho num armário.” Nunca impediu o filho de sair de casa, de levar a boneca para a escola nem nunca lhe pediu para se comportar de forma diferente.

Mas há pais que decidem tomar medidas para que em público os filhos assumam comportamentos considerados normais. Os progenitores – quem normalmente está mais perto das crianças – “são, muitas vezes, os primeiros a julgar”: “nas reuniões da AMPLOS ouvimos histórias de pessoas que diziam aos filhos para se portarem bem lá fora, que, quando chegassem a casa, já podiam brincar com as bonecas”, descreve esta mãe.

O julgamento da sociedade

“Estas pessoas vivem muito estas questões pelas apreciações que a sociedade faz”, afirma Sónia Lopes, psicóloga da Associação do Planeamento da Família (APF) que, paredes meias com a AMPLOS, partilha muitos dos casos que chegam à associação. “É necessário desconstruir esses valores, os preconceitos que têm e que, na maioria das vezes, não são maldosos.”

A maioria chega assustada, “todos os pais têm medo do preconceito aos seis anos de idade”, destaca a presidente da associação.

É nestas reuniões que os pais AMPLOS se encontram. “Ainda são poucos”, mas já há um grupo que se reúne na zona de Lisboa, no contexto do projecto Espelho Eu, lançado no início de Junho em parceria com o Instituto de Apoio à Criança (IAC). Um ambiente informal, onde os pais contam as suas experiências e aprendem com as dos outros. “É um sítio onde encontramos apoio”, refere Margarida Faria. “Ainda há muitos pais que se sentem perdidos, como eu estava há uns anos. Agora há mais informação, mas na altura não encontrei nada sobre a expressão de género na infância”, diz esta mãe.

Tentam desconstruir os preconceitos uns dos outros, para puderem fazer o mesmo lá fora, junto dos educadores e dos amigos. “O que mais nos assusta, enquanto pais, é o tempo não familiar. Como é que eu posso estar descansada ao deixar o meu filho num sítio onde sei que não o aceitam?”, questiona Margarida.

Foi para chegar “a quem não vive e não aceita esta diferença” que, como estas crianças, o projecto não se quis dentro de quatro paredes. “Espelho Eu” é também uma plataforma de informação no Facebook que pretende educar e informar sobre a expressão de género na infância. Pretendem acima de tudo “que a falta de informação deixe de ser uma desculpa para validar a discriminação”, explica.

Rapazes: “as primeiras vítimas”

Como os pais de João, outras sete famílias encontraram apoio na associação. São todos pais ou avós de rapazes, “não fosse a nossa sociedade tão machista, onde se questionam ainda mais os comportamentos de crianças do sexo masculino”, refere Margarida. São logo rotulados como “afeminados”, e é um saltinho até que os considerem “maricas”. “A homofobia tem por base esta ideia fixa dos comportamentos afeminados”, acredita a presidente da AMPLOS.

A discriminação começa cedo para todos os menores que a sociedade não vê como normais. “Na associação, quando falamos sobre a infância com pessoas que são efectivamente transexuais, a maioria conta que foi um ‘martírio’, o que é uma palavra muito forte para aqueles que deviam ser os anos mais felizes das nossas vidas”, conta.

A protecção da identidade da mãe com quem falamos não lhe é estranha. “Este é o grupo da AMPLOS no qual mais dificilmente os pais dão a cara”. Têm medo de expor “ainda mais” os filhos. “Não os quererem estigmatizar” e sabem que os comportamentos podem mudar com a idade.

João, porém, não esperou. Ainda no infantário quis dizer ao mundo que queria ser bailarino. A educadora não hesitou e disse que esse futuro era “para maricas”, conta a mãe.

“Exclusão que não escolhe idades”

E se o trabalho com estes pais já começou, a associação acredita que há “ainda um grande caminho a percorrer” juntamente com os educadores e os professores. A AMPLOS pede, há vários anos, um relacionamento próximo entre as escolas e a educação para as questões de género “que deviam ser tratadas mesmo no pré-escolar”. Relacionamento que a APF promoveu durante vários anos, incluindo quando deu formação às escolas para o ensino de educação sexual. Mas Sónia Lopes, a psicóloga da associação, reconhece que “nas escolas, a discriminação existe porque ainda não se pensa no assunto”.

Após a entrada em vigor deste ensino de forma autónoma, a APF tem vindo a desenvolver projectos alternativos “sempre próximos das escolas” com recurso a outras linhas de financiamento. No início do mês passado, entregaram na Câmara de Lisboa a candidatura “Escolas Amigas da Igualdade”, um projecto que visa actuar sobre a estrutura das escolas lisboetas: “Já não se trata de acções isoladas. É necessário mudar a própria estrutura, com mudanças nos estatutos e adopção de linguagem mais inclusiva”, refere Sónia Lopes.

É por isso que Margarida Faria não poupa elogios ao “importante esforço de relacionamento” entre Secretaria de Estado para a Cidadania e a Igualdade e o Ministério da Educação. Estão a trabalhar em conjunto na elaboração do Plano de Educação para a Cidadania, cujas directrizes serão conhecidas no decorrer deste mês. A AMPLOS conta que este documento inclua questões sobre a identidade de género na infância, como prometido pela secretaria de Catarina Marcelino, no início de Julho, depois de uma reunião com esta associação.

A presidente da AMPLOS acredita que este é “um primeiro passo importante” para que se reconheça que “as crianças com comportamentos não normativos e as crianças transexuais existem, assim como a discriminação contra elas nos estabelecimentos de ensino”. “Há que perceber que a exclusão que não escolhe idades”, sublinha.

Propostas como a possibilidade das crianças mudarem o nome nos seus registos escolares para “aquele com que se identificam”, antecipam aquilo que a AMPLOS e a APF esperam: uma revisão da lei de identidade de género que inclua a questão da infância, buscando inspiração nas propostas que estão ser estudadas em país como a Argentina e o Chile.

“As escolas acham que, porque são oficiais, têm que chamar o nome que está nos papéis e não aquele com que a criança se identifica e que virá provavelmente a ter mais tarde. Não é por maldade, mas não vêem muitas vezes este sofrimento”, lamenta a psicóloga da APF.

“A associação espanhola Crysallis, em três anos, recebeu 400 famílias de menores transexuais. Não acreditamos que esta situação esteja muito longe da portuguesa”, afirmou Margarida Faria, reforçando a necessidade de debate público sobre este tema para que estes pais e estas crianças saibam que não estão sós e que podem encontrar ajuda.

Texto editado por Pedro Sales Dias

 

Série de Animação “Histórias do Lucas”: histórias que ensinam os Direitos das Crianças

Setembro 14, 2016 às 1:00 pm | Na categoria Vídeos | Deixe o seu comentário
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lucas

Genérico inicial

 “L” de luminoso

“U” de unido ao seu amigo

 “C” de curioso

Gosta de cantar contigo

 “A” de alegria

 E“S” de simpatia

 Tudo junto faz o Lucas

 Que tem uma história por dia

 Refrão

 Ele é o Lucas

 De cabelo arrebitado

 Com sorriso divertido

 E o Cometa a seu lado

 Ele é o Lucas

 E tem histórias pr’a dizer

 Vem com ele descobrir

 A aventura de crescer

Tens visto as “Histórias do Lucas”? Encontras 150 episódios disponíveis online na página da RTP2 em http://www.rtp.pt/play/p1965/historlucas ou no Youtube.

Esta série de animação criada pela produtora GO-TO em parceria com o IAC – Instituto de Apoio à Criança é dirigida a crianças entre os três e os oito anos e aborda temas como a cidadania, as questões sociais e culturais, entre outros – sempre ligados ao universo das crianças – tendo como inspiração a Declaração Universal dos Direitos das Crianças. Em cada episódio as personagens da série dão a conhecer estes temas sempre num tom divertido.

As personagens principais da série são:

O LUCAS – Um menino “cool”, esperto, simpático e com sentido de humor, que acaba todos os episódios a cantar um rap que resume a mensagem do episódio,

O COMETA – O cão e companheiro do LUCAS. É um sonhador. Sempre pronto a entrar em novas aventuras. É rápido e irrequieto,

O VASCO – O melhor amigo do LUCAS. Um pouco desconfiado mas junta-se sempre às brincadeiras,

A VIOLETA – Amiga do LUCAS. Parece um pouco insegura mas é mais forte do que aparenta.

“Vamos lá saber de cor

A regra que mais gostamos

Estamos sempre a aprender

Enquanto brincamos”

NÃO PERCAS! Todos os dias no programa ZIG ZAG na RTP2 (de manhã e à tarde). No fim-de-semana são transmitidos de novo todos os episódios da semana anterior.

DIVERTE-TE, APRENDENDO!

 

Mão que cuida, mão que bate?

Setembro 11, 2016 às 1:00 pm | Na categoria O IAC na comunicação social | Deixe o seu comentário
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texto do http://expresso.sapo.pt/  de 14 de agosto de 2016.

O texto contém declarações do Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do  Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança).

FOTO GONZALO MARTINEZ/EYEEM/GETYY

FOTO GONZALO MARTINEZ/EYEEM/GETYY

 

Durante décadas, a palmada fazia parte da receita de disciplina dos pais. Agora sabe-se que é contraproducente, acentuando o comportamento que pretende travar .

Luciana Leiderfarb

TEXTO

Olavo Cruz

Infografias

Quem alguma vez não recebeu uma palmada? E quem não a deu ou quis dar? Uma simples prospeção pelas respostas possíveis mostra que, sobre a palmada, existe uma enciclopédia de vários volumes ainda por escrever. Em muitos deles entraria certamente o rol interminável de argumentos que os pais esgrimem para justificar o seu uso. Noutros, as não menos relevantes razões que defendem o seu banimento total. Noutros ainda, as diferentes etapas de uma história tão velha quanto o mundo — a da criança birrenta que não faz tenções de parar ou a do adolescente desafiador que concentra nisso toda a sua energia e a dos pais confrontados com a tarefa ingrata de os limitar e corrigir. Se a história da palmada se confunde com a da disciplina, e se durante anos ambas foram consideradas elementos inseparáveis do ato corretivo, a investigação feita nas últimas décadas veio provar que a sua união é não só abusiva como contraproducente. Numa palavra, que o recurso ao castigo físico em pouco contribui para a disciplina, acentuando o tipo de comportamento que supõe travar.

A esta conclusão chegou Elizabeth Gershoff num estudo publicado em abril deste ano no “Journal of Family Psychology”, que reduz a zero as dúvidas sobre as contraindicações da vulgar palmada. A investigadora da Universidade do Texas analisou 75 estudos realizados ao longo de cinco décadas em 13 países diferentes, abrangendo mais de 160 mil crianças. Focando-se naquilo que a maioria dos pais reconhece como castigo — a palmada de mão aberta no traseiro ou nas extremidades — e não nas variantes mais violentas, Gershoff identificou que esse tipo de experiência na infância está ligado a “mais agressão, a um incremento das atitudes antissociais e a problemas cognitivos e de saúde mental”, além de acarretar o risco de abusos mais graves. “A palmada não ensina as crianças a comportar-se apropriadamente, mas a fazerem-no só quando os pais estão por perto”, diz Elizabeth Gershoff ao Expresso, salientando que a maioria dos pais continua a bater nos filhos porque eles próprios tiveram essa experiência enquanto crianças.

Nos Estados Unidos vive-se, aliás, uma situação no mínimo contraditória. Num inquérito levado a cabo em 2015 pela Child Trends DataBank, 94% dos pais de menores entre os 3 e os 4 anos admitiram ter-lhes batido ao longo do ano anterior, enquanto 76% dos pais e 65% das mães concordaram com a premissa segundo a qual, por vezes, é necessário recorrer “a uma boa palmada”. Porém, como apontou um outro inquérito da organização de educação parental Zero to Three, a maioria dos pais que dão palmadas considera igualmente que bater não é uma forma eficaz de disciplinar. “Acredito que os adultos que receberam palmadas e acabaram por dar-se bem na vida tiveram pais que também usaram outras formas de os disciplinar, como falar com eles e explicar-lhes os ‘como’ e os ‘porquês’. A maioria de nós tornou-se o que é hoje apesar dos castigos corporais e não graças a eles”, defende Gershoff, cujo estudo desmonta a crença comum que distingue a palmada do abuso físico como o dia da noite. “A linha é sempre arbitrária e depende das variáveis que rodeiam a agressão, como a frequência, o contexto, a força utilizada e a sensibilidade da criança. E a pesquisa provou que a palmada tem as mesmas consequências prejudiciais que o abuso, apenas num grau ligeiramente mais baixo.”

Prática subterrânea

Segundo a UNICEF, vivemos num mundo onde 80% dos pais batem nos filhos. E numa Europa onde, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, essa prática permanece um bastião da herança educacional de outros tempos. Basta um relance pelo “Relatório Europeu sobre a Prevenção dos Maus-Tratos Infantis” para perceber que o problema é maior do que parece: com o homicídio infantil a não ultrapassar os 850 casos por ano, diz o documento que “as mortes são a ponta do icebergue” — por cada morte estima-se que existam entre 150 e 2400 casos de abuso físico. “Os maus-tratos infantis são, em geral, uma forma escondida de violência que podem não ser detetados por cuidadores e profissionais durante anos”, lê-se logo no início. E mesmo os países com melhores sistemas de deteção deixam “90% das crianças maltratadas de fora”. Entre os 40 países europeus considerados, Portugal está nos de menor incidência de homicídio de crianças com menos de 15 anos, com 0,22 mortes em cada 100 mil. Mas a fasquia sobe quando se analisam as mortes que derivam de maus-tratos e negligência, chegando aos 0,51 e situando o país acima do meio da tabela.

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“Em Portugal, o castigo corporal é ainda muito frequente”, corrobora Manuel Coutinho. O secretário-geral do Instituto de Apoio à Criança, que é também coordenador da linha SOS Criança, reconhece que este modelo educativo está “muito enraizado” na sociedade portuguesa, sendo “aceite por uma grande parte das pessoas”. Isto apesar de o castigo físico ser ilegal desde 2007 e punido pelo Código Penal. “Há dois ditados populares ainda muito presentes: ‘Quem dá o pão dá a educação’ e ‘Um pão na mão, um pau na outra’. O seu cruzamento significa que o pai ou a mãe têm o poder de aplicar o castigo físico se assim o entenderem. E se hoje quase não o fazem em público, porque é malvisto, isso não quer dizer que não o façam de todo. É um comportamento subterrâneo”, explica o psicólogo. Em 2015, a linha SOS Criança recebeu 1857 apelos, dos quais 1349 envolveram diretamente menores. Em 903 casos, o infrator era um familiar, preponderantemente as mães, seguidas dos pais, dos padrastos e das avós.

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Também a APAV fornece dados inquietantes, como as estatísticas de 2014, em que 11,3% do total das situações de violência doméstica referenciadas incidiam sobre crianças e jovens até os 18 anos, perfazendo 823 casos. Da mesma forma, apurou-se que 979 dos perpetradores eram pai ou mãe das vítimas — e o facto de o número de perpetradores ser superior ao das situações registadas demonstra que não é raro haver mais do que um agressor por criança. “No limite, os adultos sabem que não deveriam bater. Sabem, ou têm de saber, o que um adulto de 1,70 m desorientado pode provocar numa criança de um metro”, opina Manuel Coutinho.

Parar para pensar

Mas entre pensar e fazer nem sempre há o intervalo certo. “No auge de um conflito é mais importante parar do que dar uma resposta. Até porque os miúdos, nesta fase, também não vão ouvir. Parar é uma forma de proteger a família e de os pais não se transformarem em agressores permanentes”, aconselha Sofia Nunes da Silva, acrescentando que, após a paragem, “o adulto regressa mais tranquilo e seguro de si”, mais capaz de dialogar e de dar à criança o castigo adequado. Para esta psicóloga clínica e terapeuta familiar do Hospital de Santa Maria, a tendência para repetir padrões de comportamento não esgota os motivos por que os pais continuam a punir corporalmente. “Há pais que são muito exigentes e atentos em relação às falhas dos filhos. Que olham para comportamentos naturais para a idade como formas de ludibriar a sua autoridade e como se fossem patológicos, quando na verdade não o são”, explica. E, por vezes, o conflito exacerba-se a partir de “problemas simples”, que requerem simplicidade para serem resolvidos.

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À exigência dos pais não é alheia a da sociedade em que se inserem. “Hoje em dia, as famílias têm vidas de uma exigência desumana, com existências limitadas aos horários excessivos de trabalho e às obrigações escolares excessivas dos filhos. E a disponibilidade para ouvir é escassa”, comenta Sofia Nunes da Silva. E se neste quadro há pais com índices de tolerância menores, há também crianças mais opositoras do que outras. “Não é verdade que não há crianças difíceis. Há. Mas é preciso os pais perceberem quando não conseguem lidar com elas e pedirem ajuda.” Afinal, a parentalidade aprende-se, e “os pais precisam de apoio na adoção de novas estratégias”.

Esse apoio não deve ser episódico. Tem de envolver os profissionais de saúde, que nem sempre abordam o tema da disciplina, partindo também eles do princípio de que essa é matéria exclusiva dos progenitores. “Os pediatras demitem-se de falar disto e não apostam na prevenção”, diz Ana Teresa Brito, formadora da Fundação Brazelton/Gomes-Pedro e doutorada em Estudos da Criança. Em causa está o desconhecimento dos pais perante as diferentes fases de crescimento dos filhos: “A criança precisa de se desorganizar para se organizar, por isso o adulto não pode desorganizar-se com ela. Bater-lhe não a ensina a controlar-se, porque é em si um ato de descontrolo. No fundo, estamos a dizer-lhe que aquilo nos ultrapassa, por meio de uma ação que invade o seu espaço físico e psicológico.” Sendo o objetivo último da disciplina que a criança aprenda a autodisciplinar-se, a palmada pode ter o efeito contrário ao que procura. “Às tantas, a criança também fica dependente desse estímulo negativo para parar e, como não encontra dentro de si própria os limites para o fazer, procura-os externamente, provocando os pais”, esclarece Ana Teresa Brito, que não considera a aceitação cultural da palmada um dado inultrapassável: “Não o é, senão continuaríamos a agir como nos século anteriores. Se é cultural e faz parte das rotinas, tem de ser trazido ao discurso para o ver e repensar.”

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Spanking and child outcomes: Old controversies and new meta-analyses

 

Série de Animação “Histórias do Lucas”: histórias que ensinam os Direitos das Crianças

Setembro 6, 2016 às 1:00 pm | Na categoria Vídeos | Deixe o seu comentário
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lucas

Genérico inicial

 “L” de luminoso

“U” de unido ao seu amigo

 “C” de curioso

Gosta de cantar contigo

 “A” de alegria

 E“S” de simpatia

 Tudo junto faz o Lucas

 Que tem uma história por dia

 Refrão

 Ele é o Lucas

 De cabelo arrebitado

 Com sorriso divertido

 E o Cometa a seu lado

 Ele é o Lucas

 E tem histórias pr’a dizer

 Vem com ele descobrir

 A aventura de crescer

 

Tens visto as “Histórias do Lucas”? Encontras 150 episódios disponíveis online na página da RTP2 em http://www.rtp.pt/play/p1965/historlucas ou no Youtube.

Esta série de animação criada pela produtora GO-TO em parceria com o IAC – Instituto de Apoio à Criança é dirigida a crianças entre os três e os oito anos e aborda temas como a cidadania, as questões sociais e culturais, entre outros – sempre ligados ao universo das crianças – tendo como inspiração a Declaração Universal dos Direitos das Crianças. Em cada episódio as personagens da série dão a conhecer estes temas sempre num tom divertido.

As personagens principais da série são:

O LUCAS – Um menino “cool”, esperto, simpático e com sentido de humor, que acaba todos os episódios a cantar um rap que resume a mensagem do episódio,

O COMETA – O cão e companheiro do LUCAS. É um sonhador. Sempre pronto a entrar em novas aventuras. É rápido e irrequieto,

O VASCO – O melhor amigo do LUCAS. Um pouco desconfiado mas junta-se sempre às brincadeiras,

A VIOLETA – Amiga do LUCAS. Parece um pouco insegura mas é mais forte do que aparenta.

“Vamos lá saber de cor

A regra que mais gostamos

Estamos sempre a aprender

Enquanto brincamos”

NÃO PERCAS! Todos os dias no programa ZIG ZAG na RTP2 (de manhã e à tarde). No fim-de-semana são transmitidos de novo todos os episódios da semana anterior.

DIVERTE-TE, APRENDENDO!

Boletim do IAC n.º 120 e Separata n.º 40 “IX Conferência sobre as Crianças Desaparecidas”

Setembro 2, 2016 às 1:18 pm | Na categoria Publicações IAC-CEDI | Deixe o seu comentário
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boleDescarregar o Boletim do IAC n.º 120 e a Separata n.º 40 aqui

Campanha Nacional de Recolha de Material Escolar

Setembro 1, 2016 às 3:04 pm | Na categoria Divulgação | Deixe o seu comentário
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Cartaz Campanha 2016

 

Capturar

Press Release

 

Campanha Nacional de Recolha de Material Escolar

 

3 e 4 Setembro 2016

Lojas Continente

 

O Instituto de Apoio à Criança em parceria com a Karingana wa Karingana e a Cáritas Portuguesa, com a colaboração da SONAE MC e o apoio fundamental de vários patrocinadores vão promover, pelo terceiro ano consecutivo, uma Campanha Nacional de Recolha de Material Escolar destinada a crianças de famílias com dificuldades.

O material escolar angariado será distribuído por todo o país, por voluntários organizados pela Cáritas Portuguesa.

Considerando todo o empenho e relevância da ação desenvolvida na área dos Direitos da Criança pela Drª Manuela Eanes, Presidente do Instituto de Apoio à Criança, foi-lhe novamente pedido para ser Embaixadora desta Campanha, que tem como objetivo promover o direito à educação – fundamental para a promoção da igualdade de oportunidades.IAC entende que a escola deve ser um lugar feliz para todas as Crianças, proporcionar-lhes sentimentos de alegria, de tolerância, de compreensão, de fraternidade e de descoberta do mundo, de encontrar novos amigos e de promover o respeito pelo outro.

Instituto de Apoio à Criança, desde a sua criação em 1983, tem promovido a defesa de todos os Direitos da Criança (direitos fundamentais para o desenvolvimento harmonioso e integral da criança e sua proteção, por exemplo direito à educação, à saúde, a não ser maltratada, ao afeto, entre outros.), trabalhando sempre em parceria e comungando saberes com outras instituições, assim o IAC não poderia deixar de estar envolvido nesta Campanha, na certeza de que irá contribuir para que mais crianças sintam mais alegria, mais bem-estar e mais dignidade, no início deste ano escolar.

A Campanha Nacional de Recolha de Material Escolar decorrerá nas Lojas Continente, nos próximos dias 3 e 4 de Setembro.

Pedimos todo o vosso apoio para a divulgação desta Campanha. Contamos com a sua presença.

Participe!

A Direção

Lisboa, 31.08.16

 

mais informações:

http://www.karinganawakaringana.org/

https://www.facebook.com/karinganawakaringana/?fref=ts

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