V Encontro Nacional sobre Maus-Tratos, Negligência e Risco na Infância e Adolescência, 19 e 20 de outubro em Leixões – com a presença de Ana Perdigão do IAC

Outubro 16, 2017 às 2:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A Drª Ana Perdigão – Coordenadora do Serviço Jurídico do instituto de Apoio à Criança, irá participar no dia 20 de outubro na 4ª mesa “Intervenção com crianças e jovens em risco”.

mais informações:

http://www.asassts.com/gca/index.php?id=24575

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Crianças mais seguras : Conferência 25 Anos APSI – com a presença da Presidente do IAC Dulce Rocha, 12 outubro em Lisboa

Outubro 9, 2017 às 2:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Participação da Drª Dulce Rocha, Presidente do Instituto de Apoio à Criança, na mesa redonda “Segurança: um direito e uma necessidade” pelas 10.00 horas.

mais informações no link:

http://apsi.org.pt/index.php/pt/noticias/172-criancas-mais-seguras-conferencia-25-anos-apsi

26ª Ação de Formação para Animadores: “Apanha-me se puderes!!” Novos Desafios para o Educador do Séc. XXI – 19 a 21 de outubro em Caneças

Outubro 4, 2017 às 2:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Inscrição até: 13 de outubro de 2017

mais informações:

http://www.iacrianca.pt/index.php/setores-iac-pr/noticias-projecto-rua/item/900-26-acao-de-formacao-para-animadores

26ª Ação de Formação para Animadores: “Apanha-me se puderes!!” Novos Desafios para o Educador do Séc. XXI – 19 a 21 de outubro em Caneças

Setembro 26, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Inscrição até: 13 de outubro de 2017

mais informações:

http://www.iacrianca.pt/index.php/setores-iac-pr/noticias-projecto-rua/item/900-26-acao-de-formacao-para-animadores

Um Instituto da Criança … da Promoção dos Direitos à sua Proteção – Conferência de Fernanda Salvaterra do IAC – 25 de setembro no ISCTE

Setembro 22, 2017 às 4:25 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

https://www.iscte-iul.pt/eventos/1375/instituto-crianca-promocao-direitos-sua-protecao

 

Boletim do IAC n.º 124

Setembro 22, 2017 às 2:00 pm | Publicado em CEDI, Publicações IAC-CEDI | Deixe um comentário
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Descarregar o Boletim do IAC nº 124 aqui

Truque para nunca perder a sua criança numa multidão

Setembro 18, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do site http://www.e-konomista.pt/ de 19 de junho de 2017

Júlia de Sousa

Basta um segundo a olhar para o lado para de repente se perder uma criança na multidão. Mas… o que fazer para a encontrar? Saiba aqui.

Encontrar uma criança numa multidão pode ser tão difícil como – já diz o ditado popular – encontrar uma “agulha num palheiro”.

E ainda que todo o ano seja propício a este tipo de preocupações, o verão traz muitas enchentes e com elas também muitos perigos. Seja na praia, num centro comercial, num parque público ou num evento, bastam alguns segundos para perder uma criança de vista. E se todos sabem como é fácil, em poucos segundos, perder uma criança de vista, também é bem sabido que este é, dúvida alguma, o maior receio de todos os pais.

A pensar nisso, e de forma a proteger as crianças, o Departamento da Polícia de Clovis, na Califórnia (Estados Unidos da América) partilhou, nas redes sociais, um truque muitos simples mas eficaz, que pode ajudar todos os pais em desespero neste tipo de situações. E a solução é (espante-se!) muito simples: pensos rápidos líquidos. Uma dica de segurança muito prática que todos os pais vão querer conhecer.

Por Portugal tem à sua disposição e dos seus filhos o programa “Estou Aqui!” da Polícia de Segurança Pública (PSP).

Encontrar uma criança na multidão com o programa “Estou Aqui!”

Destinado a crianças com idades compreendidas entre os 2 e os 10 anos de idade, o programa da PSP “Estou Aqui!” consiste de uma pulseira com uma medalha onde está gravado um número de série e o número de emergência europeu 112.

A quem encontrar a criança perdida é pedido que entre em contacto de imediato com o 112 e forneça o número gravado na medalha da pulseira, de forma a que o responsável pela criança, cujo número está na base de dados da PSP, seja contactado de imediato.

Este programa decorre entre o dia 01 de junho de 2017 e o dia 31 de maio de 2018. É válido em Portugal e na Europa, uma vez que o número de emergência é o mesmo – 112 – e a PSP está em contacto constante com as suas congéneres europeias, podendo o programa “Estou Aqui!” ser ativado em caso de necessidade.

Se está interessado em adquirir a pulseira da PSP para os seus filhos, basta que preencha o formulário online no site dedicado ao programa, escolha a esquadra da PSP onde pretende levantar a pulseira e dirigir-se ao mesmo na data indicada.

É também importante salientar que a PSP alargou o programa “Estou Aqui!” a adultos, tendo um site dedicado.

Encontrar uma criança numa multidão é possível… graças a um penso rápido líquido

Não, não vai ser o penso rápido líquido que vai guiar as crianças perdidas de volta até aos pais, mas pode muito bem ser a solução para ajudar a encontrar uma criança numa multidão.

Segundo um post divulgado na página de Facebook da Polícia de Clovis, naquilo a que eles chamam de “tip-of-the-day” (dica do dia, em português), pode é usar este tipo de penso rápido para gravar os seus dados de contacto na própria criança.

Basta para isso que escreva o seu número de telefone no pulso da sua criança e passe o penso rápido líquido por cima dessas informações. O que vai acontecer é que, graças às propriedades deste tipo de pensos rápidos, a informação vai ficar selada. Mesmo que se tente lavar, a informação escrita não sai. Veja o post abaixo:

As dicas da Polícia de Clovis continuam a ser partilhadas e esta em particular conta já com mais de 26 mil partilhas no Facebook.

Outra das dicas deste departamento da polícia californiana para os pais é que, antes de sair de casa para locais muito populados, tirem uma fotografia dos seus filhos, de forma a possuírem sempre uma foto atualizada. Nestas situações todas as informações são essenciais.

Detalhes como o penteado ou as roupas exatas que a criança tinha vestidas podem ser fulcrais para encontrar uma criança perdida numa multidão.

É claro que nunca ninguém quer pensar no pior cenário e nunca se espera perder uma criança numa multidão, mas não há como negar que, tal como diz, novamente, o ditado, “mais vale prevenir do que remediar”.

O programa “Estou aqui” 2017 da PSP, tem como parceiros o Instituto de Apoio à Criança e a Missing Children Europe.

“Os magistrados podem fazer a diferença, não é verdade que sozinhos não podemos fazer nada”: Dra. Dulce Rocha, do IAC, em entrevista ao DN

Setembro 7, 2017 às 11:20 am | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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LEONARDO NEGRÃO

Reproduzimos abaixo mais um excerto da entrevista da Dra. Dulce Rocha, Presidente do Instituto de Apoio à Criança, ao Diário de Notícias, à jornalista Céu Neves, publicada em 2 de Setembro de 2017:

É desde janeiro presidente do Instituto de Apoio à Criança, o culminar de uma vida profissional e cívica em defesa das crianças. Magistrada do Ministério Público, Dulce Rocha sente-se advogada dos pobres.

Foi no Tribunal Judicial de Setúbal que percebeu a dimensão de fragilidade de muitas crianças, nos anos 80 do século passado, quando o distrito sofria uma dura crise económica. Percebeu, também, que os direitos das crianças e das mulheres fazem muitas vezes parte do mesmo problema. Exerce funções no Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa, mas é nas instalações do IAC que prefere fazer esta entrevista.

 

Porque é que escolheu a magistratura em vez da advocacia?

Sabe que as pessoas têm sempre o desejo de ir para uma coisa nova e, quando era estudante de Direito, esta era uma profissão que estava vedada às mulheres. Com o 25 de abril, quando se abriu a possibilidade ingressarmos na magistratura, apareceu imediatamente essa hipótese no meu espírito. E também teve a ver com as matérias que gostava. A advocacia geralmente era identificada com os grandes negócios, mais com o civil, com o comercial, e os meus gostos eram mais pelo penal.

Alguma vez se desiludiu?

Há sempre momentos na nossa vida profissional em que as coisas não correm tão bem, é natural, mas nunca pus em causa a magistratura que abracei, que é muito próxima dos cidadãos. Só o facto do atendimento ao público fazer parte das nossas funções no Ministério Público (MP)é significativo. Somos os advogados dos pobres.

Mas depois não têm a decisão final.

Todos nós no MP, de vez em quando, sobretudo quando fazemos um recurso, gostaríamos de ter sido nós a decidir. Agora, a própria missão das argumentações e das alegações está dentro da minha maneira de ser, convencer, argumentar. Quando sentia necessidade de fazer alegações escritas dava-me muito prazer. Gosto muito de escrever.

Nunca pensou em contar em livro toda essa experiência?

Já, mas nunca tive disponibilidade. É algo que está nos meus planos, escrever sobre a minha prática e a minha experiência. Tenho muitos testemunhos na minha cabeça, guardo-os bem guardados e tiro apontamentos.

O tema dos direitos das crianças está sempre presente ao logo da sua carreira como magistrada e na participação cívica. Quando começou?

Ainda no Centro de Estudos Judiciais – entrei em maio de 1981 , o conselheiro Armando Leandro era professor de Família e Menores que era uma cadeira para a qual eu ia com muita satisfação. Já gostava dessas matérias na Faculdade mas a minha cadeira preferida era Direito Penal. E fui para o MP com este pensamento: “Vou para os julgamentos, fazer acusações, mas um dia quero ir para o Tribunal de Família e Menores”. E assim foi. Fui para o Tribunal Judicial de Setúbal, onde estive com as matérias todas, exceto Direito do Trabalho, e tinha atendimento ao público, depois estive em Almada e, finalmente, no Tribunal de Família e Menores. Em Setúbal, nos anos 1980, havia muitos salários em atraso, famílias inteiras no desemprego, foi devastador. Apareciam muitas mães separadas a dizer que o pai das crianças não lhes dava o sustento. Ia-se ver e o pai estava desempregado. Eram situações complicadas. Às vezes penso, realmente, que Portugal esteve constantemente a viver situações de austeridade.

Pior do que esta crise recente?

Agora não estava no mesmo sítio, naquela altura contactei com situações realmente muito difíceis. Lembro-me de situações muito idênticas às que ouvi agora relatar, de casais que voltaram a viver com os pais, pessoas de Setúbal que voltaram para o Alentejo, às vezes, ia só um deles, e isso abalou muito as famílias. Havia muitas separações e muita violência doméstica. Cada colega queria explicar que a sua experiência de relatos familiares era ainda mais grave do que o outro contava. Eu dizia: “Temos de concluir que não é mais grave em Setúbal, no Porto, é grave em todo o país”. É transversal.

E com a dimensão atual?

Havia ainda uma grande inconsciência de que era um fenómeno tão extenso e tão arreigado mas quem estava nos tribunais tinha essa perceção, que era um fenómeno devastador . E a lei não protegia as mulheres como agora, o tipo legal de crime era mais restritivo. Exigia-se a malvadez e o egoísmo para a sua concretização e havia juízes que diziam que o crime não se verificava porque não havia malvadez. Tive o caso de uma senhora a quem o marido empurrava contra os móveis, dava pontapés, murros, espezinhava, e eu descrevia todos os atos praticados, de uma grande perversidade e crueldade. O juiz, que hoje é conselheiro, não me recebeu a acusação. Disse que faltava esclarecer o elemento da malvadez e eu recorri. Passado tempo, era delegada em Almada, uma amiga diz-me que tem uma notícia boa e uma má: que tinha ganho o recurso e que a senhora tinha sido assassinada pelo marido, que estava preso.

Como é que se fica nessa situação?

Com a sensação de que os magistrados podem fazer alguma coisa, podem fazer a diferença, que não é verdade quando dizemos: “sozinhos não podemos fazer nada, a lei sozinha não pode fazer”. Pois não, mas pode contribuir, não nos podemos apoucar, senão até me parece que é para desculpabilizar. As leis bem feitas e a sua boa aplicação têm importância para a proteção das pessoas. É para isso que existem.

Voltando aos anos 80 em Setúbal.

Atendia muitas mulheres e ia-me apercebendo da importância dos direitos das crianças. Estávamos em 1983 e vejo um anúncio da criação do Instituto de Apoio à Criança (IAC). Fui a um colóquio deles e fiquei muito bem impressionada. Venho para a magistratura quase em simultâneo com a criação do IAC. Entretanto, vou para Almada, para o Tribunal de Instrução Criminal, e fiz acusações em casos de violações, de crianças também. Achei sempre que os direitos das mulheres e o das crianças andam muito ligados.

Quando é que passa para o Tribunal Administrativo de Lisboa, onde se encontra atualmente?

Quando saí da Comissão Nacional de Proteção de Crianças e Jovens, em 2005, resolvi concorrer ao Administrativo, não fazia sentido regressar ao tribunal de menores. Quando nós, os magistrados, estamos muito tempo no mesmo sítio ficamos insatisfeitos, por isso é que os colegas mudam, com exceção dos que estão na área do crime. Conheço colegas que desde que chegaram até à jubilação estiveram sempre no crime. Nos outros tribunais é difícil ver isso.

As situações no Tribunal de Família e Menores são mais pesadas?

Sim e a determinada altura achei que não fazia sentido continuar. Quando saí da Comissão, concorri ao Administrativo mas não havia vaga e fiquei no Fiscal, que também é interessante. Quem gosta de Direito, gosta de todas as matérias. O Tribunal Administrativo tem temas muito interessantes com os quais me cruzei desde os tempos de Setúbal como ambiente – não havia a Quercus mas havia o Setúbal Verde. O MP tem missões muito específicas em direito administrativo e a defesa do ambiente, do património, são áreas que me agradam muito. O caso dos quadros Mirós foi a minha colega do Tribunal Administrativo que interpôs a ação para a coleção não sair de Portugal e conseguimos fazer com que as obras ficassem no país. Mas esteve difícil.

Defende que os laços afetivos são mais importantes que os biológicos.

Não digo que sejam só os laços afetivos. O que digo é que, se houver contradição entre os laços afetivos e os laços biológicos, os afetivos devem ser preponderantes. É importante a preservação desses laços para a saúde física e mental da criança, para a sua estabilização psicológica, para o seu desenvolvimento. A minha experiência de praticamente dez anos no Tribunal de Família e Menores significa que tive acesso a muitos casos, o que me permite tirar algumas conclusões. Nas crianças que tinham crescido e desenvolvido junto de protetores a quem chamavam pais, desenvolvendo com eles um vinculado muito forte, era muito difícil integrá-las nas famílias biológicas. Acontecia muito as crianças não viverem com os pais biológicos por dificuldades económicas ou problemas de toxicodependência. As crianças ficavam com os avós, os padrinhos, os vizinhos, e, se as tentássemos tirar a essas pessoas, eram um sofrimento indizível quer para a criança quer para os cuidadores. Depois de uma luta muito grande, conseguimos que a preservação dos laços afetivos profundos fosse consignada na lei como um direito da criança.

Tem a ideia de que os juízes continuam a privilegiar a parte biológica?

Há ainda muitos juízes a pensar assim, agora os psicólogos e pedopsiquiátricos da primeira infância defendem que a vinculação se estabelece nos primeiros meses, nos primeiros anos de vida, e que temos de respeitar essas vinculações. Nestas matérias, é absolutamente essencial que nos socorremos de outras ciências que não apenas o direito.

Essa tomada de posições provocou-lhe dissabores junto dos juízes?

Sem dúvida, mas temos de ter presente que uma das maiores conquistas do 25 de Abril, além de ser permitido o ingresso das mulheres na magistratura, foi a liberdade de expressão. Sem liberdade de expressão, onde estaríamos nós? Acredito nas minhas ideias, sou muito convicta e, por isso, gostava de sensibilizar mais pessoas a integrar este grande lobby que eu gostava que se formasse em defesa dos direitos das crianças. Como diz a dra. Manuela Eanes, as crianças ainda não têm sindicatos nem fazem manifestações, há muita coisa ainda que é tabu. Repare na questão dos abusos sexuais: como é que é possível esconder, tapar, não revelar? As crianças não conseguem revelar, não conseguem denunciar. Tem muita vergonha e sobretudo têm muito medo dos que lhes possa acontecer. E, como ser criança é um estado que não se pode eternizar porque rapidamente se tornam adultas, muitos casos de abusos sexuais não são revelados ou são revelados muito mais tarde.

O que devemos fazer?

Acreditar mais nelas. Vemos pessoas com 50 e 60 anos a fazer depoimentos e o que é que dizem? Que não acreditavam nelas quando eram pequeninas. Isto é uma coisa que me comove, que me interpela. A questão do crédito que se dá aos depoimentos das crianças é muito importante, a elas e às suas mães. Há uma teoria perversa por aí, a teoria da alienação parental, que pretende desacreditar as crianças.

Há casos nos tribunais de mulheres que utilizam a queixa de abusos sexuais para afastar os pais dos filhos.

Será um caso ou outro, muito residual.

Nunca se cruzou com casos desses?

Nunca tive, as pessoas falam, eu nunca tive, mentiras, aldrabices, não. Vi mulheres que não conseguiam explicar porque é que tinham medo que a criança não fosse bem protegida, que o pais nunca tinha tratado dos filhos e que, agora, que se iam separar, os queria. Situações que, com o tempo e preparação, com ou sem mediação, acabavam por resolver-se. Agora, quando vinham com histórias de abusos e ser mentira? Nunca tive casos. E, normalmente, as crianças só contam quando há separação, antes estão cheias de medo.

Não pode acontecer que a criança esteja a ser influenciada?

As crianças são influenciáveis muitas vezes. Os magistrados têm de ver onde está a realidade, não se podem demitir dessa tarefa, dessa função.

Concorda com as listas dos pedófilos?

Não é por aí. Devia ser um juiz a avaliar, explicar o fundamento. Não gosto de soluções administrativas para assuntos tão graves, mas não estou totalmente fechada à hipótese de divulgação. Uma coisa eu sei: o sistema como está não funciona. Daqui a uns 20 anos, espero ainda cá estar, já velhinha, se calhar continuaremos ter conhecimento de situações gravíssimas e que, na altura, ninguém acreditava.

Os abusos são no seio da família.

O que torna a situação mais devastadora. Há uma repetição muito maior porque as condições estão todas ali, a proximidade, a autoridade, a facilidade de entrar em casa. Lembro-me de um caso que a Teresa Ferreira [psicóloga] contava, de um indivíduo que morava perto da criança, a sequestrou e violou e pegou-lhe uma doença terrível. Bastaria fazer um exame ao indivíduo para saber quem foi e o meu colega não mandou fazer exames. Acha isto normal?

O que acontece com as ações de formação e de sensibilização dos juízes?

As ações de formação têm que versar estes problemas e não vejo isso. Os conteúdos não são adequados à mudança da realidade. Se estamos inconformados com a realidade temos de a transformar. O José Ornelas [psicólogo] tem uma expressão muito engraçada: diz que as mudanças não podem ser só no que está em cima, superficial, tem que haver uma mudança transformativa, que transforme a realidade.

 

PERFIL

Nasceu a 7 janeiro de 1954, em Lisboa.

› Licenciou-se em 1980 na Faculdade de Direito de Lisboa.

› Magistratura em 1982 e ingressa no Ministério Público

› Tribunais judiciais de Setúbal, Almada e Lisboa.

› Em 1991 vai para o Tribunal de Família e Menores.

› Conselho de Magistratura do MP, gabinete da Alta Comissária para a Igualdade e Família e comissão contra o trabalho infantil.

› Fundadora da Associação de Mulheres Juristas, em 1988.

› Coordenou em 2001 a Comissão Nacional dos Direitos da Criança.

› Presidiu à Comissão Nacional de Proteção de Crianças e Jovens em Risco entre 2003 e 2005.

› Vice-presidente do IAC em 2007, presidente desde janeiro.

 

Fonte

“O projeto que mais nos orgulhamos são sempre os filhos”: entrevista da Dra. Dulce Rocha, Presidente do IAC, ao DN

Setembro 7, 2017 às 11:03 am | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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LEONARDO NEGRÃO/GLOBAL IMAGENS

Reproduzimos abaixo uma entrevista da Dra. Dulce Rocha, Presidente do Instituto de Apoio à Criança, ao Diário de Notícias, à jornalista Céu Neves, publicada em 2 de Setembro de 2017:

Os tribunais pintaram-lhe um quadro menos cor de rosa da realidade, ponde de lado a ideia romântica com que tinha saído da Faculdade de Direito, em Lisboa. Sobretudo quando confrontada com casos de violência doméstica e de abusos sexuais de crianças. Concluiu que estes fenómenos são mais graves do que se possa pensar e pede aos adultos que acreditem nas crianças e tenham em conta as suas opiniões. Entre a magistratura, os projetos que fundou e os cargos que teve, o filho joão será sempre o seu melhor projeto.

 

Presidir ao Instituto de Apoio à Criança acaba por ser uma consequência natural do fez até aqui.

Sim, quer dizer, tive que ser convidada, fui convidada pela Dra. Manuel Eanes [então presidente do IAC], já eu estava no Tribunal de Família e Menores. Coordenei a comissão que elaborou o relatório para a ONU sobre a aplicação da Convenção dos Direitos das Crianças em Portugal e, uma das minhas preocupações foi incluir organizações não governamentais (ONG”s)e, mais uma vez, aparece o IAC, portanto a minha vida esteve sempre ligada ao Instituto. Regressei ao tribunal de menores depois de terminarmos o relatório e fui convidada pelo Dr. Bagão Félix para fazer parte do Comité Técnico Científico da Casa Pia e, mais tarde para presidir à Comissão Nacional de Proteção das Crianças e Jovens em Risco.

Refere nomes que se repetem ao longo dos anos na abordamos destes temas, significa que pouca gente se interessa por eles?

A área dos direitos da criança é cada vez mais de prestígio mas durante muito tempo não foi. Hoje é reconhecida a sua importância e o relevo de envolver pessoas com capacidade e ideias, que reflitam sobre as matérias. Não basta saber a lei, é preciso analisá-la, ver se é bem aplicada e como a podemos melhorar.

Quando foi a sua primeira participação cívica?

A minha geração era muito inconformada. Cheguei à Faculdade de Direito de Lisboa em 1971 e, antes do 25 de abril, havia a consciência nos estudantes de Direito que tinham de fazer alguma coisa para mudar o mundo, havia consciência cívica e política. Em 72 foi assassinado o meu colega Ribeiro Santos, chocou-me imenso, ele tinha sido uma das pessoas mais velhas que conheci na Faculdade, integrou-me na associação – uns tempos depois fecharam a associação -, o homicídio dele marcou-me muito.

Diz que as crianças não têm sindicato, o IAC tem o papel de um sindicato?

Durante muito tempo tive uma Convenção dos Direitos da Criança editada pelo IAC, em 1990, com prefácio da Dra. Manuela Eanes que falava numa provedoria para as crianças. Realmente, o IAC quer muito essa provedoria mas penso que é difícil, só com a alteração da Constituição, embora se ganhasse muito, e vai fazendo esse serviço.

Quais são as prioridades do IAC?

O IAC nasceu com uma grande prioridade: combater a violência, lutar contra os maus tratos de crianças, contra os abusos sexuais, portanto, integrei-me muito bem no Instituto, onde estive destacada oito anos e já era associada há muitos anos. Voltei mais recentemente. Temos o SOS Criança que foi concebida para ouvir vítimas de violência, duas linhas europeias para as crianças desaparecidas e abusadas sexualmente que são o 116000 e o 116111, esta mais geral. Só em 2007, com a Convenção de Lanzarote, se falou na necessidade de haver linhas telefónicas anónimas e confidenciais, quando o Instituto tinha esse serviço desde 1988. Outro dos projetos muito forte é o das Crianças de Rua, não só as crianças vítimas de maus tratos como as muito pobres e que são excluídas da sociedade, onde há desamor, negligência, todo um conjunto de circunstâncias que fazem com que gostem mais de estar na rua do que em casa.

As crianças são o elo mais fraco?

São o elo mais fraco como as mulheres, geralmente, num agregado familiar violento, as crianças sofrem mesmo que não sejam as vítimas diretas, sofrem muito por ver a mãe a ser agredida e têm medo que a violência se manifeste contra elas. E, às vezes, quando são mais crescidinhas, surgem as recusas em ter visitas com o pai e eles não o percebem. Nos casos de grande violência são as mulheres agredidas e as crianças.

O que é que tem mudado em relação aos problemas das crianças?

Tem mudado essa questão da alienação parental, que é uma forma muito fácil de resolver problemas complexos. O essencial da violência contra a criança, a criança não ser ouvida, ser desconsiderada nos seus direitos, mantém-se. Mas houve melhorias, os profissionais estão mais despertos para ouvir as crianças, para os proteger, estão mais vigilantes, os próprios pais têm mais cuidados. E a verdade é que nunca a criança mereceu tanta atenção, também se calhar por haver menos crianças, tem outro estatuto, a própria visão da pediatria, da psicologia infantil ajudou a mudar isso. O facto de haver uma convenção internacional que esclarece e estrutura os direitos da criança foi um avanço extraordinário

A noção da gravidade do fenómeno dos abusos sexuais que teve nos tribunais é corroborado com a sua experiência no IAC?

Sim. Continuam a mandar-me emails, cartas, tenho ideia que sim. Nos primeiros tempos de estar no IAC, todas os dias apareciam casos, hoje, penso que ainda há muitas situações de descrédito das vítimas. Esta minha análise coincide com a que vi mais tarde na Anna Salter [ Pedofilia e Outras Agressões Sexuais], ela entrevistou todo o tipo de criminosos que lhe diziam que as pessoas se recusavam a acreditar na real dimensão dos problemas.

Quando sai da Comissão Nacional da Proteção de Menores é crítica em relação ao modelo. Continua crítica?

O que achei sempre é que as comissões de proteção de crianças precisavam de mais formação especializada, foi uma crítica a nível dos conteúdos.

As coisas estão melhores?

Melhores desde quando? A gente nunca sabe, os criminosos estão sempre à frente, inventam sempre maneiras de fugir e tornear a lei, temos de estar sempre vigilantes. Tem sido feito algum investimento quer no recrutamento de pessoal especializado quer a nível da formação, o que é fundamental. Também estamos melhor a nível legislativo. Foi importante a questão dos abusos sexuais passarem para os tribunais, agora, temos de por em prática algo que as convenções europeias têm aconselhado, ou seja, que as ONG”s possam intervir nos casos das crianças maltratadas. A Convenção dos Direitos da Criança veio instituir uma série de direitos e um dos mais difíceis de concretizar tem sido o direito à participação. A criança deve ser parte nas ações para a defender, ter voz ativa e a sua opinião ser respeitada. Sei de casos de juízes que não respeitem as opiniões das crianças, não pode ser, o tribunal não pode ser um instrumento de tortura. As crianças não podem ser obrigadas a conviver com quem não desejam.

Essas decisões são tomadas depois de uma avaliação da situação.

São sempre decisões judiciais.

Com base em pareceres técnicos.

E esses pareceres deviam de ser mais respeitados. Claro que essa avaliação deve ser feita por pessoas experientes e não acabadinhas de sair da faculdade. Mas as pessoas romantizam a realidade, quem me dera ver sempre o mundo cor de rosa, mas essa não é a realidade.

Pensava assim quando se licenciou?

Não, também tinha uma visão romântica. Agora discordo profundamente da Dra. Maria Saldanha Ribeiro [psicóloga e mediadora familiar que defende a teoria da alienação parental] e na altura era muito amiga. A Maria Saldanha, eu e a Teresa Féria [presidente da Associação de Mulheres Juristas] fizemos a proposta de alteração da lei para a s responsabilidades conjuntas da guarda parental, só que, realmente, a realidade impôs-se-me, quando a tese dela recusa todo e qualquer abuso.

Vê o mundo de que cor?

Há pessoas extraordinárias mas também há muita perversidade e cada caso tem de ser tratado como cada caso.

Qual é o projeto que mais se orgulha?

É difícil. O projeto que mais nos orgulhamos são sempre os filhos.

Tem quantos filhos?

Um, com 30 anos. Quero pensar no IAC, na Associação de Mulheres Juristas, mas o João vem em primeiro lugar.

É viúva, como é que isso afetou o seu trabalho?

Marcou muito. Tomei posse na Comissão Nacional de Proteção de Jovens em setembro de 2003 e enviuvei em outubro, foi um período muito difícil da minha vida. Estava muito devastada e não consegui continuar na Comissão, sai dois anos depois, penso também que havia outro projeto para a Comissão. Mas, realmente, estava a precisar de sair, foram dois anos muito desgastantes, devastadores mesmo.

O que gostaria de ver daqui a 20 anos?

Gostava que a questão da igualdade de género fosse uma realidade, que a violência contra as mulheres pertencesse ao passado, mas é muito difícil. Até parece que que estou a sonhar, porque quando foi o 25 de abril, há 40 anos, eu pensava assim, daqui a 20 anos … Entretanto, já passaram 40, e não se avançou muito. Gostava que houvesse mais credibilidade nos depoimentos e testemunhos das crianças, é importante que se veja a questão dos abusos, mas a audição da criança é fundamental.

 

Fonte

Projeto Europeu MaPchIPP – Multidisciplinaridade na Proteção à Criança

Agosto 28, 2017 às 1:02 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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O Instituto de Apoio à Criança (IAC) tem por objetivo principal contribuir para o desenvolvimento integral da criança, na defesa e promoção dos seus direitos, sendo a criança encarada na sua globalidade como sujeito de direitos na família, na escola, na saúde, na segurança social e na justiça.

Pretende estimular, apoiar e divulgar o trabalho de todos aqueles que se preocupam com a procura de novas respostas para os problemas da Criança em Portugal, assim como colaborar com instituições congéneres, nacionais e estrangeiras.

O IAC integra desde 2016 o projeto MAPChiPP – projeto europeu para o desenvolvimento da formação de competências multidisciplinares na área da Proteção da Criança -, que é liderado pela associação congénere Alemã “DIJuF”, em colaboração com parceiros experientes da Estónia, Holanda e Hungria. Foi desenvolvido um programa de formação que vai ser testado também nos países dos parceiros associados, nomeadamente, Portugal, Finlândia, Roménia e Reino Unido.

Convidamos agora todos os interessados a registarem-se em www.mapchipp.com para que possam obter mais informações sobre o projeto, usufruir de um arquivo de materiais e recursos na área da proteção da criança e integrar uma rede de profissionais de diferentes países.

Para mais informações consulte o flyer MAPChiPP-Flyer_PT e registe-se em www.mapchipp.com/register.

Teríamos o maior gosto em contar com a sua participação. É muito importante que um grande número de profissionais da área da proteção à Criança dê a sua contribuição. Só assim teremos o êxito desejado, que se traduzirá em mais conhecimento e melhores procedimentos no nosso cotidiano.

Com os melhores cumprimentos,

A Presidente da Direção

(Maria Dulce Rocha)

 

 

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