Tu.alinhas – Informação nas áreas dos comportamentos aditivos e dependências

Outubro 3, 2019 às 6:00 am | Publicado em Site ou blogue recomendado | Deixe um comentário
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http://www.sicad.pt/PT/Cidadao/Tu-alinhas/Paginas/default.aspx

Projeto piloto já permitiu detetar 54 casos de mutilação genital feminina

Setembro 6, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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© Reuters

Notícia e imagem do site noticiasaominuto de 14 de agosto de 2019.

O projeto arrancou em novembro de 2018 e está previsto durar dois anos, estando a ser dinamizado a nível local pelas Unidades de Saúde Pública nos cinco Agrupamentos de Centros de Saúde (ACS) que abrangem as áreas com maior prevalência do fenómeno: Almada-Seixal, Amadora, Arco Ribeirinho (concelhos de Alcochete, Barreiro, Moita e Montijo), Loures-Odivelas e Sintra.

Vinte e nove profissionais de saúde destes cinco ACS frequentaram a pós-graduação em Saúde Sexual e Reprodutiva: Mutilação Genital Feminina, na Escola Superior de Saúde, do Instituto Politécnico de Setúbal, entre dezembro do ano passado e junho deste ano, e o objetivo é garantir que cada vez mais médicos e enfermeiros sabem identificar não só casos de mulheres já mutiladas e prestar-lhes os devidos cuidados, como também prevenir novos casos.

A secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade disse à Lusa que graças a este projeto foi já possível identificar quase tantos casos de mutilação genital feminina como em todo o ano de 2018.

“Nós tínhamos uma média de sinalizações no portal ‘Dados em Saúde’ de 60 por ano. Neste momento temos já, em início de julho, 54 sinalizados, que foram identificados como sendo de mutilação genital feminina”, disse Rosa Monteiro.

A secretária de Estado sublinhou que as 54 sinalizações feitas não são necessariamente de práticas de mutilação recentes, significando sim que há “uma maior capacidade do sistema de saúde de identificar, sinalizar e diagnosticar estes casos”.

“São mulheres de todos os grupos etários, na esmagadora maioria, como se tem vindo a registar, a identificação ou a prática foi realizada fora do país”, apontou Rosa Monteiro.

Apontou que o enfoque na prevenção é fundamental porque o objetivo é efetivamente erradicar a prática, mas sublinhou que não pode ser negligenciado o facto de as mulheres excisadas precisarem de acompanhamento, apoio e terem necessidades específicas ao nível da saúde sexual e reprodutiva.

De acordo com Rosa Monteiro, houve já alguns “casos curiosos” de profissionais de saúde que antes da formação admitiram ter dificuldades em identificar os efeitos físicos da mutilação.

“Esta maior capacidade de identificação é fundamental porque quando não se sabe identificar não se vê o problema e por vezes associa-se, e era o que acontecia, a malformações genéticas”, destacou.

Médico especialista em saúde pública e responsável pelo projeto Práticas Saudáveis no ACS da Amadora, António Carlos explicou à Lusa que esta é uma área na qual trabalha já há alguns anos, mas graças ao projeto conseguiu que a equipa, composta por dois médicos e duas enfermeiras, tivesse formação e houvesse uma ligação entre a saúde e a educação.

“Estamos a produzir um suporte informático, que será um jogo para a Escola Gustavo Eiffel [no concelho da Amadora], que tem como objetivo intervir junto da população base, os jovens”, adiantou, acrescentando que está também a ser feito um levantamento junto dos profissionais de saúde para perceber o que sabem sobre o assunto e, com base nisso, preparar formações adaptadas à realidade.

Na opinião de António Carlos, a importância do projeto reflete-se não só pela parte preventiva, já que é “importante saber qual é a população” para a qual devem estar mais despertos, mas também pela vertente proativa, ou seja, de detetar uma mutilação e saber o que fazer, que cuidados prestar.

O médico lembrou que, em casos extremos, a mutilação genital feminina pode provocar a morte da mulher, mas tem também o efeito de deixar sequelas para toda a vida, tanto físicas como psíquicas, ressalvando que há mesmo casos de mulheres que nem sabem exatamente a que tipo de mutilação foram sujeitas.

“Recentemente fizemos uma intervenção numa escola e no fim houve uma jovem que veio ter connosco e disse: ‘Eu penso que tenho esse problema’. Muitas vezes, elas não sabem que têm esse problema, sabem apenas que lhes aconteceu alguma coisa”, apontou.

Revelou, por outro lado, que há já mulheres a pedir ajuda, “o que é muito positivo”.

“Os serviços têm de se preparar para responder porque ainda não estão [preparados], não só na parte da medicina geral e familiar, como também na parte de especialidade e também na parte da psicologia e da psiquiatria”, defendeu.

Os pedidos de ajuda também têm chegado junto de organizações não governamentais, como é o caso da Associação Mulheres sem Fronteiras, uma das oito que ganharam uma subvenção estatal para desenvolver um projeto nesta área, em articulação com as equipas dos ACS.

A Mulheres sem Fronteiras trabalha sobretudo com jovens raparigas em contexto escolar ou em contexto associativo, em locais onde há comunidades que podem ser afetadas por este fenómeno, como é o caso da Escola Secundária da Baixa da Banheira, no Vale da Amoreira.

À Lusa, Alexandra Alves Luís contou como já foi abordada por várias alunas: “Há um primeiro contacto que muitas vezes se resume a chorar, a um abraço, [a perguntar] porque me fizeram isto, e o próximo passa sempre pela saúde”.

De acordo com a responsável, são sobretudo raparigas migrantes, que chegaram a Portugal há pouco tempo, que nos seus países de origem também não tiveram acesso a cuidados de saúde formais e que encontram na escola um ambiente seguro e confidencial para falar.

“Existem alguns casos em que o facto de termos intervindo e de estarmos na escola fizeram uma diferença significativa na vida dessas raparigas porque estamos a falar de raparigas que nunca tinham tido acesso à saúde e tinham complicações graves”, revelou Alexandra Luís.

Já a professora de História Noémia Braz adiantou que na sala de aula começam por falar de direitos humanos, igualdade de género ou práticas nefastas para levarem os próprios alunos a procurar informação, a questionar e a querer saber mais sobre o assunto.

Noémia Braz tem noção não é possível chegar a todas as raparigas vítimas de mutilação genital feminina porque é um assunto tabu, que não é para ser falado com estranhos “porque a família e a cultura assim o exigem”.

“Mas se formos abordando, se formos tornando este assunto também objeto de conversa e tratamento na sala de aula, nós podemos fazer uma intervenção maior e no futuro mudar práticas e primeiro mudar mentalidades”, concluiu.

Portugal é pioneiro em rede para casos graves de abandono escolar

Agosto 27, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Paulo Pimenta

Notícia do Público de 6 de agosto de 2019.

Samuel Silva

O nosso país será o primeiro da UE a dar enquadramento legal às escolas de segunda oportunidade, que trabalham com estudantes que, por falta de qualificações, estão em risco de exclusão social

Estas escolas destinam-se a jovens com mais de 15 anos sem qualificação profissional e que tenham abandonado a escola há pelo menos um ano.

As escolas de segunda oportunidade, que trabalham com adolescentes e jovens adultos que abandonaram a escola sem concluir a sua formação, vão ser formalmente reconhecidas pelo Governo. O Ministério da Educação publica hoje um despacho que cria um enquadramento legal para esta oferta. Portugal é o primeiro país a fazê-lo.

Estas escolas destinam-se a jovens com mais de 15 anos que não tenham qualificação profissional e que tenham abandonado a escola há pelo menos um ano. São pessoas que se encontram muitas vezes em risco de exclusão social, dada a falta de qualificações. Em Portugal, o modelo já existe há 11 anos, com a criação da Escola de Segunda Oportunidade de Matosinhos, e tem crescido nos últimos anos.

O despacho que é publicado hoje vai permitir “institucionalizar um modelo que até agora não tinha enquadramento legal”, explica ao PÚBLICO o secretário de Estado da Educação, João Costa, que assina o diploma. Portugal será o primeiro país a reconhecer formalmente as Escolas de Segunda Oportunidade, que começaram a surgir na Europa na segunda metade dos anos 90. A rede europeia de segunda oportunidade tem cerca de 40 estabelecimentos de ensino e associações que prosseguem este modelo de ensino. Foi criada em 1999, na sequência do reconhecimento da educação de segunda oportunidade pela Comissão Europeia. Quatro anos antes, o Livro Branco da Educação na União Europeia de 1995 pôs esta resposta em cima da mesa para dar saída ao problema de abandono escolar precoce que foi identificado um pouco por toda a Europa.

A solução agora encontrada é uma forma de “reconhecer o trabalho que estas instituições já fazem”, prossegue João Costa. O secretário de Estado também acredita que o novo enquadramento legal vai abrir espaço para um alargamento da oferta neste tipo de formação, especialmente em zonas onde existem “focos grandes de exclusão social” e não existem ofertas deste tipo, como é o caso da Área Metropolitana de Lisboa.

A escola de segunda oportunidade mais próxima da capital fica em Samora Correia, no concelho de Benavente. A maior parte destas escolas está no Grande Porto. Além da escola de Matosinhos, existem outros projectos como o Arco Maior e também na Maia e em Valongo.

Esta medida entra em vigor no início do novo ano lectivo e será operacionalizada através da assinatura de protocolos entre cada uma das escolas, a Direcção-Geral dos Estabelecimentos Escolares e entidades parceiras, que podem ser autarquias e empresas, mas também instituições de solidariedade social ou do movimento associativo de cada um dos territórios. A intenção é que a intervenção das escolas de segunda oportunidade tenha sempre uma “dimensão comunitária”.

Os estudantes das escolas de segunda oportunidade vão continuar a ter que estar formalmente inscritos num agrupamento de escolas da rede pública. Estas escolas têm que enquadrar formalmente a formação dos alunos nos instrumentos de certificação disponíveis na lei, como o Programa Integrado de Educação e Formação (PIEF), destinado aos jovens dos 15 aos 18 anos que se encontram em risco de exclusão escolar e social, ou os cursos de Educação e Formação de Adultos (EFA), para os alunos maiores de idade. O despacho identifica, porém, a possibilidade de ser adoptado um “modelo pedagógico personalizado” enquadrado pela lei que introduziu a flexibilidade curricular no ano passado.

O diploma estabelece ainda as linhas orientadoras para criar um plano nacional — baptizado Programa 2 O — que dê resposta aos jovens que abandonaram o sistema educativo e estão em risco de exclusão social. Apesar de a taxa de abandono escolar ter atingido, no último ano, o valor mais baixo de sempre (11,8%), a tutela “sabe que Portugal ainda apresenta um número significativo de alunos que abandona a escola sem concluir a escolaridade obrigatória”, reconhece-se no diploma.

Depressão na adolescência: quando o fundo do poço começa cedo

Maio 16, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto e imagem do DN Life de 6 de maio de 2019.

Está associada a dificuldades nas relações interpessoais, comportamentos agressivos, quebras no desempenho académico e aumento do consumo de álcool e drogas. A depressão na adolescência é um problema grave, que provoca elevada mortalidade. Geralmente por suicídio.

Texto de Joana Capucho

Não se lembra quando surgiram os primeiros sintomas de ansiedade, mas terá sido ainda na escola primária, quando começou a ser vítima de bullying por ser considerada “betinha”. “Era muito certinha, tímida e tinha poucos amigos”. Embora não fosse “muito agressivo”, era o suficiente para lhe “causar desequilíbrios psicológicos”. Com a morte do pai, no final de 2016, Luísa (nome fictício) entrou num estado de “tristeza constante”. “Havia sempre qualquer coisa que me puxava para baixo. Faltava sempre alguma coisa. Sentia que ninguém me percebia. A ira também não ajudava. E tudo isso levou ao isolamento”, conta a adolescente de 16 anos.

Luísa tinha “ataques de ansiedade e de pânico com frequência, insónias constantes, mais baixos do que altos”. Sentia um vazio enorme, embora “a cabeça estivesse cheia de coisas”. Desenhava e escrevia, porque as folhas a “percebiam melhor do que os seres humanos”. Tornou-se mais distraída, o que se refletiu nos resultados escolares. Com o desânimo, pensava desistir de viver. “Tinha pensamentos suicidas. Sentia e pensava tudo, mas nunca cheguei a fazer nada.” Há um ano e meio, foi diagnosticada com depressão e ansiedade e está neste momento a receber acompanhamento psicológico e psiquiátrico. “Continuo bastante ansiosa. A depressão está mais fraca, mas continua aqui. Há dias em que vou mesmo ao fundo do poço e tenho pensamentos muito maus, mas já não são tão frequentes.”

Não são conhecidos dados nacionais, mas várias investigações indicam que a depressão afeta um número considerável de adolescentes e que tem vindo a aumentar nesta faixa etária. De acordo com um estudo da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, realizado no ano letivo 2017/2018, um em cada quatro alunos do 7.º ao 12.º ano apresenta sintomas de depressão. José Carlos Santos, enfermeiro especialista em saúde mental, diz que 26% dos 6.100 alunos que responderam aos questionários manifestaram sintomatologia depressiva de moderada a grave.

O estudo foi realizado no âmbito do programa +Contigo, que desde 2009 se dedica à promoção da saúde mental e à prevenção de comportamentos suicidários nas escolas de todo o país, com maior incidência na região Centro. Segundo o coordenador da investigação, a percentagem de adolescentes com sintomas depressivos situava-se entre os 15 e os 20% quando o projeto começou. Não tem uma explicação objetiva para o aumento registado nos últimos anos, mas aponta algumas hipóteses. “As equipas dizem que são sobretudo questões de índole familiar: problemas de comunicação e desorganização do sistema familiar”.

Nos últimos anos, a pedopsiquiatra Ana Vasconcelos tem vindo a aperceber-se de “um aumento dos estados depressivos na adolescência”, muitas vezes diagnosticados “erradamente como hiperatividade, pois, no início da adolescência, podem mostrar a capa de hiperatividade ou agitação psicomotora e não se manifestar com os sinais” típicos da depressão, nomeadamente “tristeza, apatia, falta de motivação, ideias pessimistas”. Segundo a especialista, as depressões juvenis “aparecem com tentativas de suicídio, jovens que se cortam, com dificuldades de aprendizagem, desmotivação para a escola”.

São também cada vez mais frequentes “os casos de adolescentes da linha depressiva”, ou seja, oriundos de famílias com baixos níveis de serotonina – o neurotransmissor responsável por regular o humor e os estados mentais.

Diana Quintas, 25 anos, sabe o que é fazer parte dessa linha. “Há um grande estigma, ainda, relativamente à depressão, à necessidade de acompanhamento psicológico. É uma doença. É um desequilíbrio de químicos no cérebro e é para tal que precisamos de medicação. E é também uma doença hereditária. O meu pai sofre de depressão e é medicado há bastante tempo. Da mesma forma que há diabéticos que precisam de tomar insulina, eu e o meu pai precisamos, por agora, de tomar antidepressivos.”

Diana teve os primeiros sintomas depressivos aos 19 anos, depois de ter trocado de área no ensino secundário, o que a obrigou a ficar mais dois anos na mesma escola. “Há um sentimento de revolta, de tristeza, de desespero. Há um buraco, uma nuvem escura e parece não haver forma de sair de lá”. Aos 20, começou a estudar Direito. Estava no curso que queria, mas começou a “adquirir comportamentos obsessivos como forma de lidar com a ansiedade e com todo o trabalho” que o curso exigia.

Com a morte do avô, tudo se agravou. Surgiram os problemas para dormir e a falta de apetite. “Tomava café e comia chocolates para me manter acordada e para ingerir calorias.” Começou a afastar-se dos que a rodeavam, ao ponto de se isolar “de tudo e de todos”. No verão do ano passado, “chorava todos os dias, estava constantemente cansada, continuava sem conseguir comer”. Quando recebeu o diagnóstico de depressão, sentiu-se aliviada. “Finalmente, há explicação” para o que a atormenta há anos.

A perda é uma das situações que pode causar depressão na adolescência. “Pode ser de um familiar, mas também de um animal de estimação”, diz o enfermeiro José Carlos Santos, destacando que as roturas afetivas também são muito relevantes. Definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como o período entre os 10 e os 19 anos de idade, a adolescência é “a fase das sensações, muito da componente afetiva e pouco da cognitiva. O desenvolvimento neuronal – no córtex transfrontal– atinge maturidade por volta dos 24 anos de idade”. Desta forma, “não podemos exigir que os adolescentes tenham um pensamento de um adulto, se não têm estrutura a nível cerebral para o poder fazer”.

Os sentimentos de tristeza fazem parte da adolescência – tal como da idade adulta. Mário Cordeiro diz que “é difícil definir o que é ‘depressão’, ou onde acaba a sensação de ‘estar na fossa’ e começa a verdadeira crise depressiva”. Provavelmente, refere o pediatra, “não há limites e uma será a continuação da outra”. Mas enquanto a tristeza é passageira, a depressão instala-se e afeta a forma como a pessoa se relaciona consigo e com os outros.

Pode ser difícil perceber quando começa a depressão, pelo que há alguns sinais aos quais os pais devem estar atentos, como “a sensação de desespero e abandono, de que o futuro só traz coisas desagradáveis, de não conseguir fazer nada com sucesso”. Não raras vezes, a doença está também associada a uma sensação “de cansaço seguido, durante dias e dias”, a problemas de sono, dores de cabeça ou abdominais sem causa aparente, perda de apetite e de peso ou o contrário.

Além da morte e da separação, Mário Cordeiro refere outros fatores que podem estar por detrás dos quadros depressivos, nomeadamente “a sensação de insegurança quanto a si próprio, separação ou divórcio dos pais, os conflitos familiares, a incapacidade de responder às solicitações do dia-a-dia, a depressão num dos pais, as doenças graves, o alcoolismo ou o consumo de drogas, os problemas com os amigos ou na escola”.

Quando ocorrem vários destes fatores ao mesmo tempo, “pode ser impossível aguentá-los: a depressão aparece e avoluma-se e o jovem debate-se, inclusivamente, com a questão de saber se vale a pena continuar a viver”. Por isso, alerta, “num adolescente, um estado depressivo franco nunca deve ser considerado uma ‘coisa natural’”.

À escala global, o suicídio é a terceira causa de morte na faixa etária entre os 15 e os 24 anos. José Carlos Santos fala numa taxa de suicídio de quatro em cada cem mil habitantes. Não existem dados sobre os comportamentos autolesivos – cortes ou toma de medicamentos sem ideação suicida ativa – mas estima-se que “por cada suicídio haja 100 a 120” ações deste tipo. “É um problema com uma dimensão grande”.

Luísa sofreu em silêncio até ao dia em que um artista que admirava se suicidou. “Os pensamentos maus que tinha triplicaram”. Quando a mãe lhe perguntou o que se passava, teve “um ataque de choro” e contou-lhe o que a atormentava há meses. E foi depois disso que procurou ajuda médica. Diana também contou com o apoio da família: “Dizem que é uma doença silenciosa. Até certo ponto, é, mas os meus pais viram, a minha irmã e o meu cunhado viram, o meu namorado viu. E foram eles que me deram a mão e me ajudaram”.

Mas nem sempre é assim. Ana Vasconcelos diz que “a depressão passa muitas vezes despercebida, sobretudo porque, neste momento, os adultos julgam mais do que tentam compreender”. Segundo a pedopsiquiatra, “muitas vezes, os sintomas da depressão incomodam os adultos, porque os adolescentes são mal educados, impulsivos, muito argumentativos e, por vezes, falta-lhes a capacidade de empatia”. Comportamentos disruptivos e desajustados que podem ser mal julgados.

Os estudos sobre a depressão revelam que quem sofre mais com a doença é o sexo feminino. De acordo com uma investigação recente da Faculdade de Medicina do Porto, a prevalência de sintomas depressivos nas raparigas aos 13 anos é duas vezes mais elevada do que nos rapazes da mesma idade. Segundo o estudo, 18,8% das raparigas sofrem de sintomas depressivos aos 13 anos, enquanto nos rapazes a percentagem é de 7,6%.

“Todos os estudos apontam para uma maior vulnerabilidade nas raparigas e para mais comportamentos de risco nos rapazes”, indica José Carlos Santos. O especialista em saúde mental diz que, perante um problema, os rapazes “tendem a uma maior externalização” e a manifestar mais consumos, nomeadamente de álcool e drogas, enquanto nas raparigas “há mais uma ruminação e uma maior internalização do problema”.

No Reino Unido, as redes sociais têm vindo a ser acusadas de instigar a depressão e o suicídio. Em janeiro, o secretário de Estado para a Saúde britânico, Matt Hancock, alertou os responsáveis por estas plataformas para a necessidade de apertar a malha aos conteúdos que induzem estes comportamentos. Uma chamada de atenção que surgiu depois o pai de uma jovem de 14 anos que se suicidou em 2017 ter afirmado publicamente que as redes sociais contribuíram para a morte da filha.

A questão é antiga e tem vindo a ser alvo de alguns estudos: será que os adolescentes que usam mais as redes sociais e os videojogos ficam mais deprimidos? “O grande risco nas investigações é o facto de as duas coisas acontecerem ao mesmo tempo, o que não quer dizer que as duas tenham que estar associadas ou que uma é causadora da outra”, diz o psicólogo clínico João Faria.

Na opinião do coordenador do Núcleo de Intervenção no Uso da Internet e das Telecomunicações do Pin [Centro de Desenvolvimento Multidisciplinar], as redes são “meios que podem potenciar” sentimentos negativos, mas não será correto relacionar “experiências menos positivas nestas plataformas ou nos videojogos com o aparecimento de sintomas depressivos”. Para o psicólogo, estes estão associados sobretudo aos “desafios que se colocam às novas gerações”, que muitas vezes “não sabem o que desejam em relação ao futuro e sentem-se perdidas”.

Em alguns casos de depressão, as redes sociais servem até para os jovens conversarem com outros, o que pode proporcionar algum alívio do sofrimento. Tal como as artes. Segundo a pedopsiquiatra Ana Vasconcelos, para muitos jovens “a criatividade é uma saída para estados depressivos”. “Há adolescentes com depressões graves que escrevem livros, poemas, pintam”.

Oito sinais aos quais os pais devem estar atentos:

  • Tristeza permanente e choro fácil
  • Irritabilidade e frustração
  • Isolamento social
  • Sentimentos de culpa e de incompreensão por parte dos outros
  • Não conseguir dormir bem durante muitas noites seguidas
  • Sensação de cansaço seguido, durante dias e dias
  • Dores de cabeça ou no corpo sem razões aparentes
  • Ideias ou comportamentos suicidas, bem como autolesivos

O estudo mencionado no texto é o seguinte:

Prevenção de comportamentos suicidários: contributos da investigação

 

Alexandre teve um ataque de pânico aos 8 anos. Duarte tinha apenas 6

Abril 19, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do MAGG de 8 de abril de 2019.

por Marta Gonçalves Miranda

Há cada vez mais crianças a procurar ajuda e os especialistas estão alerta. Contamos-lhe histórias impressionantes de um drama real.

Em setembro do ano passado, Alexandre estava num treino de hóquei quando começou a sentir falta de ar. O pai estava a assistir na bancada, a mãe noutra área mas também dentro do clube. Quando se aperceberam do que se estava a passar, levaram o filho imediatamente para a rua. Ajudou, mas Alexandre continuou com a estranha sensação de que não conseguia respirar bem em espaços fechados. Apesar do frio, o regresso a casa foi feito com as janelas do carro abertas. Pelo menos assim conseguia respirar.

No dia seguinte, o cenário voltou a repetir-se. Alexandre não queria entrar num restaurante, mas os pais insistiram. A incapacidade de respirar foi tão grande que saiu a correr e acabou por desmaiar na rua. Teve de ser levado para o hospital de ambulância.

Depois de muitos exames, os médicos concluíram que não havia nenhum problema físico. Aos 8 anos, Alexandre foi diagnosticado com ansiedade e ataques de pânico.

“O segundo ataque de pânico foi o pior que ele teve”, conta à MAGG a mãe, Lara Fonseca, 41 anos. “Começou a dizer que as pessoas cuspiam sangue antes de morrer — acho que deve ter visto isso num vídeo qualquer — e começou a cuspir para a mão”.

Alexandre começou a ser acompanhado por uma psiquiatra e por uma psicóloga. Os primeiros meses foram duros: a criança da Póvoa de Santa Iria não conseguia ir à escola, às vezes nem sequer sair de casa. Durante dois meses tiveram que ter as janelas sempre abertas, para ajudar Alexandre a sentir que não estava preso. Além disso, e como é habitual nos ataques de pânico, o medo de morrer ou de ficar doente eram uma constante.

“Um dia ele teve uma espécie de surto emocional em que dizia que já não tinha medo de morrer e que o que pensava mesmo era em matar-se porque não aguentava viver assim.” Aquelas palavras apanharam Lara de surpresa, mas também ao próprio Alexandre, explica a mãe, que de repente se apercebeu da gravidade do que estava a dizer.

Hoje Alexandre tem 9 anos e já vai à escola, a festas de anos e brinca com os amigos. Está a ser medicado (tinha a dopamina um bocadinho mais alta do que o normal) e continua a ser acompanhado por um psicólogo, mas as consultas já não são tão regulares e as melhoras são evidentes. Ainda só não voltou aos treinos de hóquei, contudo os especialistas asseguram que não há pressa — como foi no clube que tudo começou, um novo ataque de pânico no local pode fazer regredir tudo. Portanto, é ir com calma.

Porque é que isto aconteceu com Alexandre? Ninguém sabe explicar ao certo. “O que a psiquiatra nos disse é que ele é uma criança orquídea, como eles chamam, isto é, crianças extremamente sensíveis e que podem ser perturbadas por coisas simples”. Lara reconhece a sensibilidade do filho, bem como a fase em que tudo isto aconteceu: “É uma altura em que eles começam a ter mais consciência da morte. Às vezes ele vinha deitar-se connosco e chorava porque tinha medo que a mãe ou o pai morressem”.

“Na sua maioria, as crianças não possuem os métodos para levar a cabo a intenção de se suicidarem”

Na Clínica de Psicologia e Coaching Learn2be, os especialistas têm notado um aumento do número de famílias que procuram o serviço de psicoterapia para ajudar as suas crianças com manifestações de auto-mutilação e ideação suicida (conjunto de pensamentos recorrentes). No entanto, explica a diretora clínica Vera Ferreira, “sabe-se que, na sua maioria, as crianças não possuem os métodos para levar a cabo a intenção de se suicidarem.”

Na faixa etária de que falamos, até aos 10 anos, crianças como Alexandre que dizem que não querem viver mais estão a pedir ajuda. Estão a mostrar a sua tristeza, o seu desconforto, o seu desânimo e dificuldade em enfrentar os dias.

“É importante realçar aqui que a ideação suicida está diretamente ligada ao facto de a criança não se sentir capaz de lidar com determinada situação da sua vida e não com a vida em si. É importante desmistificar este pré-conceito e esclarecer que a criança não quer acabar com a vida, ela apenas quer acabar com o sofrimento”, continua. “Quando percebe que isso é possível, a ideação suicida desaparece.”

O facto de a criança explicar aos pais aquilo que sente, e sobretudo o desejo de acabar com o sofrimento, também é uma ajuda para os profissionais e família. “A ideação suicida é um dado conhecido pelos pais porque a própria criança verbaliza que não quer continuar a viver, o que nos dá (a nós profissionais e à família) uma margem excelente para intervir e ajudar.”

Maria Laureano, pedopsiquiatra da Unidade Psiquiátrica Privada de Coimbra, concorda com a ideia de que os pensamentos suicidários estão relacionados com a vontade de acabar com o sofrimento. Até porque os miúdos “não têm um entendimento completo do que esses atos encerram, nem compreendem a letalidade ou o fim real desses atos. Algumas crianças pensam que a morte é um estado transitório ou que é possível reverter.”

Ainda assim, não podemos excluir a possibilidade de um pensamento suicidário ser levado em frente por uma criança. “Ideias como ‘as crianças não pensam na morte, nem agem contra si com comportamentos suicidários’ são mitos. As crianças pequenas podem ter pensamentos de morte e atentar intencionalmente contra si próprias.”

Os pais e cuidadores devem estar atentos aos sintomas, e incentivar a criança a falar. “Devemos evitar atitudes que levem a criança ao silêncio, por exemplo devolver-lhe que ‘Isso são assuntos sérios, não é para brincar’ ou que não se fala disso”, continua a pedopsiquiatra. “É importante que as crianças mantenham a capacidade de falar com os pais e os adultos de confiança. Perceberem que o adulto âncora está disponível e quer ajudar (ainda que às vezes não saiba logo como), pode mudar todo o curso da história da criança.”

Duarte tinha 6 anos quando foi diagnosticado com ansiedade e ataques de pânico

“Começou de repente. Ele dizia que se estava a sentir mal, que estava a ver tudo à roda, que tinha o coração acelerado”. Com apenas 6 anos, Duarte (nome fictício) estava a transpirar das mãos, tremia e não tinha dúvidas de que ia morrer. “Mas o que é que sentes?”, perguntou a mãe, Matilde (nome fictício), operadora de call center. “O coração está muito acelerado, estou mal-disposto. Quero vomitar, estou zonzo, estou a ver tudo à roda”.

Aos 34 anos, Matilde não teve dúvidas de que era um ataque de pânico — sofrendo ela própria de ansiedade e de transtorno de pânico, era impossível não reconhecer os sintomas. A mãe tentou explicar-lhe que ia ficar tudo bem, mas não foi fácil. “Se até para nós adultos é difícil aceitar que vai ficar tudo bem, o que dizer de uma criança de 6 anos?”, pergunta-nos.

Os sintomas expressos por Duarte surgiam sobretudo antes de ir para a escola — a criança tinha acabado de entrar na primária, portanto a mãe ainda ponderou que pudesse estar a sofrer bullying. Não era verdade: estava tudo bem com os colegas, até mesmo com os professores. Com apenas 6 anos de idade, Duarte sofria mesmo de ansiedade à escola. Não era aos amigos ou aos professores, era à escola.

Não houve mais nenhuma situação na vida de Duarte que pudesse explicar o que se estava a passar, a não ser esta transição da pré-primária para a primária. “Aquela transição da pré para a primeira classe pode tê-lo assustado um bocadinho. Acho que foi mais por aí”. Ainda assim, explica Matilde, nem sempre há uma causa lógica para o surgimento deste transtorno — pode ser algo tão simples como um distúrbio químico no cérebro.

A situação começou a piorar. Da ansiedade à escola passou para os centros comerciais, restaurantes ou até o café. A ideia de estar rodeado por muitas pessoas deixava-o assustado, tanto que evitava ir a parques infantis que estivessem cheios de miúdos.

Explicar o que é ansiedade a uma criança de 6 anos não é fácil. Neste caso, porém, o facto de Matilde saber exatamente o que o filho estava a sentir, ajudou — fazia respirações com ele, assegurava-lhe que ia ficar tudo bem. “Dava-lhe água, molhava-lhe a nuca, os punhos… Tudo estratégias que nós utilizamos.” Duarte também começou a fazer psicoterapia. “Também esteve no psiquiatra mas não lhe quiseram dar medicação porque ainda era muito pequenino — tentámos com a psicoterapia e conseguimos.”

Hoje Duarte tem 8 anos e já tem as suas estratégias para lidar com a ansiedade. Quando começa a ficar ansioso, vai à casa de banho e molha os pulsos e a nuca. Além disso, anda sempre com um saco de papel para fazer as respirações em picos de ansiedade.

Há cada vez mais crianças a sofrer de ansiedade e ataques de pânico?

“Os quadros de ansiedade continuam a ser aqueles que mais recebemos na equipa infantojuvenil da Oficina de Psicologia, particularmente ansiedade generalizada e ansiedade social”, explica Inês Afonso Marques, psicóloga clínica e coordenadora da área infantojuvenil da Oficina de Psicologia. Para Maria Laureano, pedopsiquiatra da Unidade Psiquiátrica Privada de Coimbra, também não há dúvidas de que “os números aumentaram grandemente.”

Mas é preciso compreender que há também uma maior consciência de que às vezes é preciso pedir ajuda. Se há algumas décadas era impensável para alguns pais levar uma criança pequena ao psicólogo ou psiquiatra, hoje já não é assim.

“Da minha casuística posso dizer que há mais crianças e adolescentes a tomarem a iniciativa de pedirem aos pais para marcarem uma consulta no psicólogo em comparação há 7 ou 8 anos”, explica a psicóloga. No caso das crianças com 10 anos ou menos, acrescenta a pedopsiquiatra, e estando ainda tão dependentes dos cuidadores, diminuiu-se o estigma. “Não raras vezes se ouvia ‘É tão pequenino/a para ir ao psiquiatra’”.

O que é um ataque de ansiedade?

“O conceito ‘ataque de ansiedade’ não expressa um quadro nosológico. É um termo mais ou menos convencionado para descrever uma intensificação de medo e preocupação, habitualmente em resposta a um gatilho específico (uma discussão, um teste, um momento de antecipação de algo que se receia…) e que pode ser acompanhado de desconforto físico como pressão no peito, coração acelerado, dor de barriga, etc. Por comparação com um ataque de pânico é algo descrito como menos avassalador”, explica Inês Afonso Marques, da Oficina de Psicologia.

E um ataque de pânico?

“Um ataque de pânico surge ‘do nada’, sem ser uma resposta a um determinado stressor. Um ataque de pânico é um período abrupto de medo ou desconforto intensos que atinge um pico em minutos e durante e qual ocorrem vários sintomas físicos e cognitivos (palpitações, ritmo cardíaco acelerado, suores, sensação de dificuldade em respirar, desconforto ou dor no peito, náuseas sensação de tontura, cabeça vazia ou desmaio, formigueiros, medo de perder o controlo ou de “enlouquecer”, medo de morrer. Estes sintomas podem passar despercebidos aos adultos pela dificuldade das crianças em verbalizarem aquilo que pensam e sentem e pelos adolescentes poderem estar menos disponíveis para falar abertamente de algo que sentem como avassalador e assustador.”

Ansiedade e ataques de pânico. Sinais de alerta

— Incapacidade para lidar com problemas e atividades quotidianas, desinteresse em brincar, desinteresse por atividades que anteriormente estimulavam a criança positivamente;
— Ansiedade excessiva;
— Alteração do sono (insónia, pesadelos);
— Sentimentos de tristeza;
— Variação ponderal acentuada;
— Comportamentos antissociais repetidos (episódios de agressividade com os amigos ou mesmo adultos);
— Isolamento mantido;
— Comportamentos agressivos dirigidos a si próprio (bater na cabeça, arranhar-se);
— Verbalizações de querer sair de casa, de que sente que ninguém a estima, de que nunca faz nada bem (nas verbalizações o mais importante não é totalmente o conteúdo proferido, mas a tonalidade negativista da criança);
— Queixas somáticas (dores de barriga, dores de cabeça, tonturas, náuseas, etc., sem causa médica associada;
— Verbalizações fora do habitual (exemplo: não me apetece ir para a escola; ficas comigo até adormecer; podemos antes ficar em casa, sinto-me mal mas não sei porquê;
— Oscilações de apetite.

 

 

As crianças precisam de brincar mais ao ar livre para combater a miopia

Janeiro 1, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da Visão de 12 de novembro de 2018.

Um estudo recente, conduzido por investigadores ingleses, encontrou evidências de relação entre fatores ambientais e o aumento do número de casos de miopia, que tem sido cada vez maior a nível mundial.

As crianças têm de ir para a rua brincar para diminuírem o risco de terem miopia. Este é o alerta dado por uma equipa de investigadores da universidade King’s College London, em Londres, que confirmou que, além da predisposição genética para ter este erro na visão, os fatores ambientais também influenciam o seu desenvolvimento.

A miopia faz com que haja uma redução da qualidade da visão ao longe. Já a visão ao perto não é afetada, a não ser nos casos de miopia muito elevada. Nas crianças, o problema pode facilmente passar despercebido, principalmente se a miopia afetar apenas um olho.

Esta nova investigação pretendia escrutinar conclusões de estudos anteriores que referiram vários motivos para justificar a diminuição do número de casos de miopia em crianças que passam mais tempo ao ar livre, assim como outros fatores que podem fazer com que este problema aumente.

Nos resultados, publicados na revista British Journal of Ophthalmology, a equipa confirmou que longos períodos a fazer atividades dentro de casa aumentam, realmente, o risco de miopia e que é importante haver um maior equilíbrio entre o tempo passado na rua e em casa.

Ao observar resultados de estudos anteriores, a equipa percebeu que, por cada hora extra semanal que a criança passava a jogar videojogos, a probabilidade de ter miopia aumentava 3% devido, principalmente, à proximidade com os ecrãs ou ao maior tempo passado dentro de casa.

Além disso, os pesquisadores fizeram outro tipo de descobertas surpreendentes: através da análise de dados de mais de mil pessoas, a equipa descobriu que as crianças nascidas a partir de tratamentos de fertilidade tiveram uma redução de 37% de miopia no momento do teste da visão na adolescência. Katie Williams, autora do estudo, diz que este resultado pode estar ligado ao baixo peso das crianças no momento do nascimento, o que pode significar um ligeiro atraso no desenvolvimento neurológico.

Pelo contrário, as que nasceram no verão tiveram quase o dobro de chances de serem míopes, o que, segundo os pesquisadores, pode ter a ver com o facto de estas crianças começarem a escola mais cedo.

Também repararam que, por cada nível mais alto de educação da mãe, a possibilidade de o adolescente ter esse problema aumentava 33%. Os investigadores dizem que este resultado pode estar relacionado com uma ligação genética entre inteligência e miopia.

“Nós sabemos de estudos genéticos anteriores em que a genética desempenha um papel importante na variação da doença”, refere Katie Williams. Contudo, diz a autora, a genética não consegue explicar a razão de a miopia estar a tornar-se cada vez mais comum a nível mundial, “já que os genes não podem mudar tão rapidamente ao longo de poucas gerações”. Devem ser, segundo Katie Williams, os hábitos das crianças modernas que têm feito com que o número de casos deste problema aumente.

Como descobrir se o seu filho tem miopia

As crianças com miopia podem queixar-se de dores de cabeça e de cansaço e o seu rendimento escolar pode ser prejudicado. Além disso, têm a tendência de se aproximarem muito da televisão ou dos objetos.

Estes sintomas podem não ser facilmente percetíveis e, por isso, os médicos aconselham a realização de uma consulta de oftalmologia por volta dos três anos que permite detetar a presença de miopia e corrigi-la precocemente.

 

 

 

 

 

 

Imagine que o seu filho chega a casa embriagado. O que deve fazer?

Dezembro 9, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da TSF de 26 de novembro de 2018.

Rita Costa

A pediatra Ana Dias Alves sublinha a importância de falar com os filhos, mostrar desagrado em relação ao que aconteceu, explicar que o que aconteceu não deve acontecer, mas não exagerar.

“É sempre uma situação terrível para os pais”, reconhece a pediatra Ana Dias Alves que considera que deve haver equilíbrio na reação. Às vezes os pais nem se quer sabem que os filhos ingerem álcool e de repente são chamados ao hospital porque os filhos tiveram uma intoxicação alcoólica. “Como é que os pais lidam com esta situação?”

A pediatra Ana Dias Alves sublinha a importância de falar com os filhos, mostrar desagrado em relação ao que aconteceu, explicar que o que aconteceu não deve acontecer, mas não exagerar. “Às vezes ficam tão magoados com os filhos que impedem-nos de sair durante os próximos meses”, mas “há alguns excessos” que fazem parte do percurso normal dos adolescentes e servem de exemplo, defende.

“O facto de eles terem um episódio de embriaguez não quer dizer que vão tornar-se uns alcoólicos e, depois de um episódio destes, a maior parte não repete”, assegura a pediatra que deixa uma ressalva : “Se eles começarem a repetir o comportamento, ai a coisa é diferente.”

Ouvir as declarações de Ana Dias Alves no link:

https://www.tsf.pt/sociedade/educacao/interior/imagine-que-o-seu-filho-chega-a-casa-embriagado-o-que-deve-fazer-10236678.html?fbclid=IwAR0r_ldnmvlVG3Qav0osPhR9J-ZRz_3pmTNdFq8GNA0CGZxPfrnqr-0pbp8

 

 

Solução tecnológica ajuda a prevenir insucesso escolar

Novembro 23, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Recursos educativos | Deixe um comentário
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Notícia do Educare de 9 de novembro de 2018.

Plataforma digital apoia professores e técnicos.

Sónia Rodrigues

O Sistema de Alerta Precoce do Insucesso Escolar no Ensino Básico (SAPIE-EB) é a mais recente solução tecnológica ao serviço de professores e técnicos. Esta plataforma tem como função sinalizar comportamentos de risco de insucesso e abandono escolar, ao mesmo tempo que permite monitorizar e avaliar o impacto das intervenções preventivas.

Fruto de um projeto de tese de doutoramento de Pedro Cordeiro, doutorado em Psicologia da Educação pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, e apoiado pela Associação Mentes Brilhantes, o SAPIE-EB é o produto de uma reflexão sobre o sucesso escolar com recursos a métodos tecnológicos inovadores e preventivos.

O SAPIE-EB é uma ferramenta digital que permite sinalizar, desde o jardim-de-infância, o risco de insucesso e abandono escolar de cada aluno. “A promoção do sucesso escolar e a prevenção do insucesso e abandono escolar precoce é assumido pelo Programa Nacional de Promoção do Sucesso Escolar (PNPSE). É um esforço partilhado que privilegia a articulação dos vários agentes educativos, como as autarquias locais, as instituições da comunidade e as entidades formadoras. Mas é nas comunidades educativas que são identificadas as áreas de intervenção prioritária e desenvolvidos os planos de ação estratégica para a promoção de sucesso escolar” afirma Pedro Cordeiro, mentor deste projeto.

E acrescenta ainda que “só será possível responder ao atual quadro de insucesso com campanhas preventivas, inovadoras e impactantes, se os docentes forem capacitados para compreender as suas causas. Esta necessidade é urgente e prioritária em termos da política educativa nacional e está a ser feito um forte investimento neste domínio.”

Respeitando os procedimentos legais e normais de confidencialidade e proteção de dados, os agrupamentos escolares fornecem os dados dos alunos, que se se encontram nos sistemas de gestão administrativa e que, por sua vez, são encaminhados para as equipas de desenvolvimento do SAPIE-EB. É da responsabilidade de cada agrupamento manter atualizados todos os dados disponibilizados.

À medida que os dados são inseridos pelos docentes na plataforma SAPIE-EB, no que diz respeito a indicadores de aproveitamento escolar, assiduidade e comportamento, esta emite alertas, individuais ou de grupo, sugerindo intervenções preventivas de acordo com as dificuldades identificadas. A partir daqui cada aluno é alvo de avaliação, quer pela sua evolução, quer pelo impacto das intervenções sugeridas com monitorização constante e ajustada quando necessário, adequando estratégias em função do risco de cada aluno.

“O acesso à plataforma permite, em pouco tempo, obter as mais diversas análises em função das suas necessidades e interesses, quer a partir de relatórios que surgem por defeito no sistema, quer personalizando a pesquisa a partir dos filtros disponíveis. As análises produzidas pelo sistema são complexas, mas também muito intuitivas, graficamente apelativas e muito fáceis de obter”, conclui Pedro Cordeiro.

“Pretendemos que o SAPIE-EB chegue, de forma gratuita a todos os agrupamentos de escolas que delem possam beneficiar. Para alcançar este objetivo temos seguido uma estratégia de apresentação do sistema às Autarquias que, generosamente, facultam o SAPIE-EB aos agrupamentos de escolas colaborantes dos respetivos concelhos. Esta estratégia tem dados frutos e estamos presentemente a fechar a contratualização do sistema junto de várias autarquias, de norte a sul do país”, afirma Pedro Cordeiro.

Com recurso à inteligência artificial, o objetivo é que o SAPIE-EB analise com rapidez e rigor o perfil de risco de qualquer aluno. O objetivo é que o tempo e o custo com processos de recolha de dados fiquem agilizados permitindo que os técnicos e professores disponham de mais tempo para intervenção direta com o aluno.

No terreno desde fevereiro de 2018, a equipa liderada por Pedro Cordeiro tem vindo a apresentar este projeto aos agrupamentos de escolas nacionais, municípios, comunidades intermunicipais e áreas metropolitanas de norte a sul do país. Ainda que sem compromisso, o sistema é apresentado e são evidenciadas as suas funcionalidades bem como a sua implementação no terreno. A forma de apresentar o SAPIE-EB permite refletir sobre a sua credibilidade científica e utilidade para cada agente.

Para além de Pedro Cordeiro, mentor e investigador principal do projeto, o SAPIE-EB é coordenado cientificamente pela professora Doutora Paula Paixão, professora associada da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, em estreita colaboração com a Universidade do Minho, Universidade do Algarve, Instituto Politécnico de Leiria e o Instituto Politécnico de Santarém.

A colaboração da American Institutes for Research e de peritos de renome internacional asseguram igualmente a credibilidade científica do projeto.

A médio prazo, nos próximos três anos, pretende-se que o SAPIE-EB consiga implementar o sistema em 75 agrupamentos de escolas em todo o país. É ainda objetivo iniciar o processo de internacionalização do sistema em 2 países de língua portuguesa e 2 países da União Europeia.

Mais informações:
www.sapie.pt

 

Spot Dia Europeu de Combate ao Tráfico de Seres Humanos – 18 de 0utubro

Novembro 7, 2018 às 6:00 am | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Mais informações nos links:

http://www.otsh.mai.gov.pt/Pages/default.aspx

https://www.cig.gov.pt/

O seu filho está viciado em jogos e televisão?

Outubro 18, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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thumbs.web.sapo.io

Texto do site Sapo Lifestyle

As crianças regem-se pelo prazer, não lidam bem com a frustração e inspiram-se no comportamento dos pais. Você pode e deve ajudá-las. Saiba como!

Sim, confirmamos. As crianças também podem estar viciadas em fontes de prazer que vão descobrindo à medida que crescem. Mais, o facto de se estarem a desenvolver e o exemplo dado pelos pais contribuem de forma decisiva para o problema. «Os vícios são comportamentos repetitivos que podemos considerar compulsões. Por um lado, o ser humano é, por natureza, muito repetitivo, por outro, guiamo-nos por duas leis, a da promoção do prazer e a do evitamento do desprazer», explica Alcina Rosa, psicóloga.

O que podemos, então, fazer para evitar este comportamento? «Usar o autocontrolo, o nosso comportamento consciente», responde a especialista que alerta para um fator determinante no caso dos mais pequenos. «Na infância, este regulador ainda não está muito desenvolvido. As crianças regem-se pelo que gostam ou não e cabe aos pais ajudá-las a desenvolver essa capacidade», refere ainda a especialista. Vamos a isso!

Televisão e videojogos

O seu filho evita sair de casa, tem um rendimento escolar fraco, dificuldades na socialização, isola-se, revela falta de interesse por outras atividades. Estes são sinais de alarme. A televisão e as consolas são frequentemente usadas pelos progenitores como amas porque, enquanto a criança está a jogar ou em frente ao televisor, está quieta. «Também o próprio comportamento dos pais, que passam horas a ver TV, se torna um exemplo», alerta Alcina Rosa.

Instituir a regra «primeiro, o trabalho, depois, o lazer» e fixar uma hora para deitar são duas prioridades que os pais devem ter. «Se a criança quiser passar todo o seu tempo de lazer em frente à TV, os pais têm de competir com outras atividades, como jogos sociais, leitura de livros, conversas. Pode custar um bocadinho descolá-lo da televisão mas, se a atividade que propomos lhe agradar, depressa se esquece da TV e se envolve», afirma Alcina Rosa.

Internet e redes sociais

A criança demonstra falta de atenção, cansaço, isola-se, tem comportamentos pouco sociáveis e uma fraca rede de amizades. Os próprios pais podem estar a passar muito tempo ao computador e nas redes sociais, comportamento que pode ser apreendido pelos mais pequenos. Este também pode constituir um problema. O que é que se deve fazer nestes casos? «Restringir totalmente o acesso não é uma solução, pois fazem parte da sua realidade», sublinha Alcina Rosa.

«Mas evitar que o computador esteja no quarto é um bom princípio», alerta a especialista. Dessa forma, é mais fácil controlar o tempo de utilização e o uso que faz dele. «Deve saber que programas utilizam e se são adequados à idade», refere Mafalda Navarro, psicóloga clínica. «A mais-valia será saber do que falam, que programas utilizam e se estão a despender o tempo apropriado à idade». Atividades em família que promovam o contacto social são fundamentais.

Telemóvel

Também aqui existem sinais de alarme, nomeadamente «perder a noção do tempo, negligenciar tarefas básicas, ansiedade e sintomas de abstinência, necessidade crescente de melhor equipamento, isolamento e baixo rendimentos», descreve Mafalda Navarro. «É contraproducente insistirmos com a criança para que desligue o telemóvel se os pais têm os seus sempre ligados», refere ainda. «Quantas vezes vemos pais darem um telemóvel à criança para ficarem sossegadas?», reforça Alcina Rosa.

Alterar esta situação exige algum acompanhamento. «Proibir não funciona. O essencial é ensinar, desde cedo, a controlar-se, a corrigir comportamentos de forma consciente ou, mal os pais virem costas, fará aquilo que não é suposto», alerta Alcina Rosa. «Quanto mais tarde receberem um telemóvel, melhor», aconselha ainda.

Veja na página seguinte: Quando as crianças são viciadas em doces e em fast food

Doces e fast food

«Este tipo de alimentação constante causa uma dependência igual a substâncias como o álcool ou drogas», alerta Mafalda Navarro, psicóloga. Um dos principais erros a evitar é «usar doces ou uma ida a uma cadeia de fast food como prémio por algo que os mais novos fizeram bem. Dessa forma, a criança associa algo que lhe é prejudicial a um comportamento correto», diz Alcina Rosa.

«A melhor maneira de evitar que coma esse tipo de alimentos é não tê-los no seu campo de visão. Não ter em prateleiras acessíveis e, principalmente, o próprio adulto não consumir à sua frente», aconselha Mafalda Navarro, acrescentando que «também é importante que os pais expliquem aos filhos que são alimentos nocivos que devem ser consumidos esporadicamente e que se não os dão todos os dias é porque estão a cuidar deles e a zelar pela sua saúde».

Texto: Paula Barroso com Alcina Rosa (psicóloga clínica) e Mafalda Navarro (psicóloga clínica)

 

 

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