Alerta da OMS. Alimentos para bebés têm excesso de açúcar

Agosto 6, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do Sapo Lifestyle de 15 de julho de 2019.

A Organização Mundial de Saúde detetou em quatro cidades europeias que pelo menos um em cada três alimentos infantis tem níveis de açúcar excessivos e são comercializados de forma incorreta como adequados para bebés com menos de seis meses.

Nos estudos, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recolheu dados sobre 7.995 alimentos ou bebidas comercializadas para bebés e crianças pequenas de 561 lojas em quatro cidades europeias da Região Europeia da organização – Viena (Áustria), Sofia (Bulgária), Budapeste (Hungria) e Haifa (Israel).

Em todas as quatro cidades, entre 28% e 60% dos produtos era comercializada como sendo adequada para bebés com menos de seis meses de idade e em três das cidades metade ou mais dos produtos forneciam mais de 30% das calorias através dos açúcares.

Em cerca de um terço dos produtos, o açúcar, sumo de frutas concentrado ou outros agentes edulcorantes faziam parte da lista de ingredientes. “Esses aromas e açúcares adicionados podem afetar o desenvolvimento das preferências de sabor das crianças aumentando o gosto por alimentos mais doces”, indica a OMS.

Apesar de alimentos como frutas e vegetais, que naturalmente contêm açúcares, serem apropriados para bebés e crianças pequenas, “o nível muito alto de açúcares livres em produtos comerciais como o puré também é motivo de preocupação”, frisa a organização.

As recomendações da OMS indicam que as crianças devem ser amamentadas exclusivamente nos primeiros seis meses de vida e que os alimentos complementares não devem ser anunciados como para bebés com menos de seis meses de idade, mas estes dois estudos mostram que as empresas não as seguem.

Embora seja permitido pela legislação da União Europeia, a OMS diz que este comportamento das empresas “não presta homenagem ao Código Internacional de Comercialização de Substitutos do Leite Materno” nem ao guia da organização.

“Ambos afirmam explicitamente que os alimentos complementares comerciais não devem ser comercializados como adequados para crianças com menos de 6 meses de idade”, sublinha a OMS, num comunicado sobre o estudo, hoje apresentado em Bruxelas.

Este trabalho foi realizado entre novembro de 2017 e janeiro de 2018.

“Os alimentos para bebés e crianças pequenas devem atender a várias recomendações estabelecidas de nutrição e composição. No entanto, há preocupações de que muitos produtos ainda possam ser muito ricos em açúcares”, diz João Breda, chefe do Escritório Europeu de Prevenção e Controle de Doenças Não Transmissíveis da OMS.

Para ajudar os países a avançar com recomendações nutricionais, a OMS propõe a proibição de açúcares adicionados, incluindo o concentrado sumo de fruta, em todos os alimentos para bebés, a limitação do teor total de açúcar dos snacks salgados a valores inferiores a 15% da energia e do uso de puré de fruta a 5% do peso total do alimento.

Propõe igualmente uma melhoria da rotulagem no que se refere aos produtos de açúcar e aos teores totais de frutas, assim como a redução do teor máximo permitido de sódio para 50mg/100Kcal e 50mg/100gr na maioria dos produtos.

A OMS defende ainda que as bebidas de frutas e sucos, as alternativas de leite / leite de vaca adoçadas e os salgadinhos doces não devem ser comercializados como adequados para bebés e crianças de até aos três anos de idade (36 meses).

“A nossa sociedade está amordaçada com pais que vivem o tempo a trabalhar”

Maio 28, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança, O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do i de 2 de maio de 2019.

Marta F. Reis

Carlos Neto, professor da Faculdade de Motricidade Humana, está preocupado com os hábitos de brincadeira das crianças portuguesas. Diz que são precisas medidas públicas que reforcem a autonomia dos mais novos e considera que “foi um crime ter-se posto um campo de futebol em cada escola do 1.º ciclo”.

Sem muita surpresa, mas com preocupação. Foi assim que Carlos Neto, professor da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa, viu os resultados do inquérito feito a 1466 famílias sobre o padrão de brincadeira das crianças portuguesas. O académico tem defendido a necessidade de aumentar a literacia física e motora dos mais novos. Perante os dados do estudo, insiste que esta é uma reflexão que está, em grande medida, por fazer no país. “É urgente dar mais mobilidade às crianças, viverem mais a cidade, terem mais autonomia e independência. Não o fazendo, estamos a criar condições para que haja mais obesidade, mais depressão, mais défice de atenção e hiperatividade. É uma questão crucial para a saúde mental e física da população no futuro”.

Neto foi um dos participantes na conferência onde, na última terça-feira, foram apresentados os resultados do relatório Portugal a brincar, que revela que os pais sentem que as crianças brincam pouco, a maioria do tempo lúdico está restrito ao espaço das escolas, é pouco o tempo para brincadeiras em casa e os jogos e atividades na rua passaram a ser algo residual. O estudo, uma iniciativa da Escola Superior de Educação de Coimbra e do Instituto de Apoio à Criança, passará a ser repetido a cada dois anos.

Para o investigador, um dos primeiros dados que chamam a atenção no relatório prende-se com a forma como os próprios pais valorizam os aspetos mais lúdicos da brincadeira e até de desenvolvimento afetivo e emocional, mas dão pouco relevo à componente física da brincadeira.

No estudo, o facto de a brincadeira “promover o desenvolvimento afetivo e emocional da criança” foi o benefício mais vezes elencado, tendo sido expresso por 31,3% dos inquiridos. Outros 19,6% salientaram que brincar “estimula a imaginação e criatividade da criança”, 16% que a brincadeira “desenvolve as competências cognitivas” e 15,8% que é um caminho para adquirir novos conhecimentos. Só 9,4% consideram que a criança “precisar de se divertir” é uma das mais–valias da brincadeira, sendo ainda menos (6%) os que destacam o papel no desenvolvimento físico e motor, na socialização (1,8%) ou no desenvolvimento de habilidades úteis na criança para a sua futura vida profissional (0,8%).

“Os pais dão sobretudo importância aos aspetos cognitivos e deixam para último os que estão relacionados com a atividade física”, diz Carlos Neto, que considera que este é um reflexo de uma cultura de “medo dos riscos, sobreproteção das crianças e desvalorização da literacia física” que importa contrariar.

O investigador sublinha que esta não é já uma preocupação apenas dos académicos. Na semana passada, a Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu novas orientações sobre atividade física e sono para crianças até aos cinco anos de idade. O painel de peritos respondeu ao apelo da comissão para a erradicação da obesidade infantil da OMS, que pedia orientações mais claras num momento em que estatísticas internacionais sugerem que 23% dos adultos e 80% dos adolescentes não são suficientemente ativos.

As orientações, que se dividem por várias faixas etárias (ver caixa), incluem, para as crianças entre os três e quatro anos, pelo menos três horas diárias de atividade física de qualquer intensidade, dos quais pelo menos 60 minutos de atividade moderada a vigorosa espalhados ao longo dia, a par de 10 a 13 horas de sono. Não devem estar “presas” (em carrinhos, por exemplo) mais de uma hora por dia ou permanecer sentadas por longos períodos. O tempo de ecrã “sedentário” deve ser no máximo de uma hora por dia. “Quanto menos, melhor”, lê-se no comunicado da OMS. “O que temos mesmo de fazer é trazer de volta o brincar às crianças”, disse Juana Willumsen. “É fazer a mudança do tempo de sedentarismo para o tempo de brincadeira e, ao mesmo tempo, proteger o sono”.

Na hora de apontar os entraves, Carlos Neto acredita que o inquérito reflete o principal: o tempo disponível foi o principal fator apontado pelos pais para a limitação das atividades lúdicas das crianças, que gostariam que fossem mais presentes no quotidiano. Durante a semana, o mais comum é conseguirem brincar com os filhos, no máximo, uma hora por dia. “A sociedade portuguesa está completamente amordaçada em pais que vivem o tempo a trabalhar e as crianças são vítimas disso, acabando por ficar sujeitas a atividades completamente padronizadas”.

Uma escola centrada no cérebro e não no corpo O inquérito conclui que é na escola que a maioria das crianças (53,8%) mais brincam, por ser também o local onde passam mais tempo. Para Carlos Neto, reconhecer esta tendência devia obrigar a repensar a organização do tempo escolar. “Hoje, o centro da escola é o cérebro, e não o corpo”, resume o investigador, que tem estado a trabalhar com algumas autarquias, entre elas Cascais, na requalificação dos espaços lúdicos dos recreios das escolas básicas, por exemplo para criar maior contacto com a natureza. O investigador refere as últimas conclusões sobre os recreios “futebolocêntricos” – um estudo que analisou a realidade na Áustria e um projeto de arquitetas espanholas que concluíram que os pátios organizados em campos de jogos empurraram as raparigas para atividades sedentárias na periferia – para alertar para a realidade nas escolas portuguesas. “Foi um crime, depois de 2004, ter-se posto um campo de futebol em cada escola do 1.o ciclo”, diz Carlos Neto, que considera que o impacto das iniciativas promovidas por autarquias na senda do Euro 2004 contribuirá para mudanças na qualidade dos recreios, que por cá estão ainda por estudar. “Discriminaram as crianças sem ter em conta as diferenças de género. No momento em que se instala um campo de futebol e de jogos está-se a pôr na escola um estereótipo adulto, com balizas e cestos que acabam por limitar as atividades livres das crianças. Discriminam-se as raparigas, as que jogam são ‘marias-rapazes’, os rapazes que não jogam não têm jeito. Há guerras intestinas pela vez de jogar”, diz o investigador. Substituir os campos de jogos de asfalto e relva sintética por espaços mais desafiantes, com estímulos naturais e diferentes atividades, será um desafio nos próximos anos, conclui.

Orientações da OMS

Até um ano de idade

  • Ter vários momentos de atividade física por dia, em particular em brincadeiras ativas no chão. Para as crianças que ainda não têm mobilidade, pelo menos 30 minutos de barriga para baixo espalhados ao longo do dia.
  • Não estar preso mais de uma hora por dia. O tempo de ecrã não é aconselhado.
  • Sono: 14h a 17h dos zero aos três meses, 12h a 16h dos quatro aos 11 meses, incluindo sestas.

1 a 2 anos

  • 180 minutos de vários tipos de atividade física ao longo do dia.
  • O tempo de ecrã não deve ultrapassar uma hora, mas só a partir dos dois anos.
  • Sono: 11 a 14 horas, incluindo sesta.

3 a 4 anos

  • 180 minutos de vários tipos de atividade física ao longo do dia, incluindo 60 minutos de atividade moderada a vigorosa. Sono: 10h a 13h.

 

 

 

Quando é que os bebés de um ano de idade podem ver vídeos no telemóvel? Nunca, diz a OMS

Maio 8, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da Visão de 25 de abril de 2019.

A Organização Mundial da Saúde publicou ontem novas recomendações sobre o tempo de exposição de crianças a aparelhos eletrónicos. Dos 2 aos 4 anos, por exemplo, não devem estar mais de uma hora por dia em frente a um ecrã. Veja aqui todas as normas .

Ligar a televisão nos desenhos animados ou pôr no telemóvel um vídeo do YouTube são truques usados por muitos pais para acalmar os filhos pequenos, sobretudo na hora da refeição. Mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) diz que é má ideia.

A instituição publicou na quarta-feira, 24, uma série de recomendações sobre as necessidades dos mais novos, preparadas por um painel de especialistas, que incluem a resposta à pergunta que muitos fazem: quanto “tempo de ecrã” é o indicado para as crianças? Tempo nenhum, responde a OMS, se a criança tiver até um ano. Se tiver dois anos, o tempo passado em frente à televisão ou ao telemóvel não pode exceder um hora diária.

As recomendações fazem parte de um conjunto maior de normas relativas ao sedentarismo e qualidade de sono dos mais novos. “A primeira infância é um período de rápido desenvolvimento e uma altura em que as rotinas familiares podem ser adaptadas de forma a estimular uma vida mais saudável”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Os especialistas da OMS concentraram-se em analisar os comportamentos que podem afetar negativamente o desenvolvimento físico e cognitivo das crianças.”Aumentar a atividade física, reduzir o sedentarismo e garantir um sono de qualidade vai melhorar a saúde e o bem-estar físico e mental das crianças, além de prevenir a obesidade infantil e doenças que lhe estarão associadas mais tarde”, assegura a médica da OMS Fiona Bull, diretora do programa de vigilância e prevenção de doenças não transmissíveis.

Veja aqui as recomendações da organização.

Bebés com menos de 1 ano devem:

  • Ser fisicamente ativos várias vezes por dia e de diferentes maneiras, particularmente através de jogos interativos no chão; quanto mais, melhor. Os que ainda não se conseguem deslocar devem ficar pelo menos 30 minutos de barriga para baixo, em períodos espalhados ao longo do dia.
  • Não devem estar presos mais de uma hora seguida (por exemplo, carrinhos de bebé, cadeiras infantis ou nas costas dos pais). Não é recomendado qualquer tempo de ecrã. Quando o bebé estiver sedentário, reomendamos a leitura de histórias por parte dos progenitores.
  • 14 a 17 horas (dos 0 a 3 meses de idade) ou 12 a 16 horas (de 4 a 11 meses de idade) de sono de boa qualidade, incluindo sestas.

Crianças de 1 a 2 anos de idade devem:

  • Passar pelo menos 3 horas diárias numa variedade de atividades físicas de qualquer intensidade, incluindo intensidade moderada e vigorosa, distribuída ao longo do dia; quanto mais, melhor.
  • Não devem ficar presos mais de uma hora seguida (carrinhos de bebé, cadeiras infantis ou nas costas dos pais) ou sentados longos períodos de tempo. Para crianças de um ano de idade, o tempo de ecrã (TV, vídeos, videojogos) não é recomendado. Aos 2 anos de idade, o tempo de ecrã não deve ser superior a 1 hora; quanto menos, melhor. Quando a criança estiver sedentária, recomendamos a leitura de histórias.
  • 11 a 14 horas de sono de boa qualidade, incluindo sestas, com períodos regulares de sono e de despertar.

Crianças de 3 a 4 anos de idade devem:

  • Passar pelo menos 3 horas numa variedade de atividades físicas de qualquer intensidade, das quais pelo menos 60 minutos são atividades físicas de intensidade moderada a vigorosa, espalhadas ao longo do dia; quanto mais, melhor.
  • O tempo de sedentarismo não deve exceder uma hora; quanto menos, melhor. Quando a criança estiver sedentária, recomendamos a leitura de histórias.
  • 10 a 13 horas de sono de boa qualidade, que podem incluir uma sesta, com períodos regulares de sono e de despertar.

 

O documento citado na notícia é o seguinte:

Guidelines on physical activity, sedentary behaviour and sleep for children under 5 years of age

 

 

Três horas para brincar e pelo menos 10 horas para dormir. As recomendações da OMS para crianças com menos de 5 anos

Maio 7, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do Observador de 24 de abril de 2019.

Vera Novais

A Organização Mundial de Saúde divulgou esta quarta-feira um conjunto de recomendações sobre atividade física e momentos de repouso para crianças com menos de cinco anos. Muita corrida e poucos ecrãs.

Quanto tempo por dia deve uma criança praticar atividades físicas? Três horas a partir do primeiro ano, mas “quanto mais melhor”, recomenda a Organização Mundial de Saúde (OMS). Quando ao tempo em frente a um ecrã, “quanto menos melhor” e nunca mais de uma hora.

A atividade física deve começar logo no primeiro ano de vida. Se o bebé ainda não for capaz de se sentar, deve passar pelo menos meia hora por dia de barriga para baixo, e nunca mais de uma hora preso numa cadeira ou nos transportadores usados pelos pais. As recomendações também têm em conta as horas de sono, que vão diminuindo à medida que a criança cresce, mas nunca menos de 10 horas.

A OMS esclarece a atividade física pode, muitas vezes, dizer respeito aos jogos e brincadeiras das crianças em que há movimentos moderados ou até intensos — e não necessariamente uma aula de ginástica ou natação. E que os momentos sedentários também são necessários, mas não aqueles que são passados em frente a um ecrã de televisão ou telemóvel. Como exemplos atividades nos momentos sedentários, estão os jogos menos exigentes fisicamente — como montar um puzzle ou até ler um livro.

As recomendações constam no documento “Diretrizes para a Atividade Física, Comportamento Sedentário e Sono — para crianças com menos de cinco anos”, publicado esta quarta-feira. O objetivo é fornecer recomendações sobre os períodos de atividade ou repouso para crianças menores de cinco anos, tendo em conta a sua saúde e bem-estar, porque a atividade física (e o sono) antes dos cinco anos está relacionada com alguns indicadores de saúde, como acumulação de gordura, saúde óssea e cardíaca, desenvolvimento cognitivo e motor. E têm uma vantagem adicional, os hábitos e estilo de vida adotados na primeira fase da vida podem influenciar os hábitos no futuro.

O documento visa também colmatar uma lacuna, já que as recomendações da OMS em relação à atividade física, divulgadas em 2010, não contemplam esta faixa etária. Os autores acautelam, no entanto, que as recomendações para crianças com deficiências ou doenças crónicas devem ser adaptadas pelos médicos que as acompanham.

Depois dos cinco anos e até aos 17, a atividade física é recomendada com o objetivo de melhorar a função cardiorrespiratória (coração, sistema circulatório e pulmões) e desempenho muscular, melhorar a saúde óssea e reduzir sintomas de ansiedade e depressão. O ideal é que as crianças e jovens pratiquem atividades físicas moderadas ou intensas durante 60 minutos por dia, sejam jogos, desportos ou caminhadas para a escola. Além disso, o exercício físico intenso deve ser realizado três vezes por semana.

As recomendações destinam-se a decisores políticos, sejam eles nos ministérios da Saúde, Educação ou Segurança Social, a trabalhadores de organizações não-governamentais, dos serviços de apoio ao desenvolvimento infantil, mas também a pediatras, médicos, enfermeiros e terapeutas ocupacionais. Claro que os pais, enquanto primeiros cuidadores são quem mais facilmente as poderá colocar em prática.

 

 

OMS: para crescerem saudáveis, crianças devem sentar menos e brincar mais

Abril 29, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 25 de abril de 2019.

Novas diretrizes da agência destacam atividades físicas, comportamento sedentário e sono para crianças com menos de cinco anos; mais de 23% dos adultos e 80% dos adolescentes não são suficientemente ativos fisicamente.

Crianças com menos de cinco anos devem passar menos tempo sentadas em frente às telas ou dentro de carrinhos de bebê. De acordo com novas diretrizes divulgadas pela Organização Mundial de Saúde, OMS, elas também precisam dormir melhor e ter mais tempo para brincar ativamente para que cresçam saudáveis.

Segundo o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Ghebreyesus, “alcançar a saúde para todos significa fazer o que é melhor para a saúde desde o início da vida das pessoas”.

Diretrizes

O representante destaca que “a primeira infância é um período de rápido desenvolvimento e uma época em que os padrões de estilo de vida da família podem ser adaptados para aumentar os ganhos em saúde”.As novas diretrizes sobre atividades físicas, comportamento sedentário e sono para crianças com menos de cinco anos foram desenvolvidas por um painel de especialistas da OMS. O grupo avaliou os efeitos em crianças pequenas do sono inadequado e do tempo que elas passam sentadas assistindo telas ou em cadeiras e carrinhos de bebê.

A equipe também revisou evidências sobre os benefícios do aumento dos níveis de atividade.

Para a gerente de programas de vigilância e prevenção baseada na população de doenças não transmissíveis, Fiona Bull, “melhorar a atividade física, reduzir o tempo de sedentarismo e garantir o sono de qualidade em crianças pequenas melhora sua saúde física, mental e de bem-estar e ajuda a prevenir a obesidade infantil e doenças associadas que surgem mais tarde na vida”.

Atividades Físicas

A OMS aponta que a falha em seguir as recomendações atuais de atividade física é responsável por mais de 5 milhões de mortes em todo o mundo, a cada ano, em todas as faixas etárias. Atualmente, mais de 23% dos adultos e 80% dos adolescentes não são suficientemente ativos fisicamente.

A agência acrescenta que se a atividade física saudável, o comportamento sedentário e os hábitos de sono forem estabelecidos no início da vida, isso ajuda a moldar os hábitos desde a infância, adolescência e até a idade adulta.

Brincadeiras

A especialista em obesidade infantil e atividade física da OMS, Juana Willumsen, enfatiza que o que se precisa realmente fazer “é trazer de volta a brincadeira para as crianças.” Ela acrescenta que “trata-se de fazer a mudança do tempo de sedentarismo para o tempo de brincadeira, e ao mesmo tempo, protegendo o sono.”

A OMS aponta também que o tempo sedentário de qualidade passado em atividades interativas não baseadas em tela com um cuidador, como leitura, narração de histórias, canto e quebra-cabeças, é muito importante para o desenvolvimento infantil.

Segundo a agência, o uso dessas diretrizes durante os primeiros cinco anos de vida pode contribuir para o desenvolvimento motor e cognitivo das crianças e a saúde ao longo da vida.

Recomendações para crianças com menos de um ano: 

  • Ser fisicamente ativo várias vezes ao dia de várias maneiras, particularmente por meio de brincadeiras no chão – quanto mais melhor. Para aqueles que ainda não são caminham, isso inclui ficar pelo menos 30 minutos em posição de bruços em diferentes períodos do dia enquanto estão acordados.
  • A criança não deve ser restringida por mais de uma hora de cada vez. Por exemplo: em carrinhos de bebê ou carrinhos, cadeiras altas ou amarradas nas costas de um cuidador. Não é recomendado passar tempo em frente à tela. Quando esta estiver parada, é recomendado que ela se envolve em leituras e ouça histórias de um cuidador.
  • Entre o zero e os três meses, os bebês devem ter de 14 a 17 horas de sono de boa qualidade, incluindo momentos de repouso. Já entre os quatro e 11 meses, o recomendado é ter entre 12 a 16 horas.

Crianças com entre um e dois anos devem:  

  • Gastar pelo menos 180 minutos em diversos tipos de atividades físicas em qualquer intensidade, incluindo atividade física de intensidade moderada a vigorosa, distribuídas ao longo do dia. Quanto mais, melhor.
  • A criança não deve estar inativa por mais de uma hora de cada vez. Por exemplo: em carrinhos de bebê ou carrinhos, cadeiras altas ou amarradas nas costas do cuidador, ou sentar-se por longos períodos de tempo. Para os menores de um ano, não é recomendado passar tempo sedentário em frente à tela, como assistir TV, vídeos ou brincar com jogos de computador. Para as que tenham dois anos de idade, o tempo sedentário diante da tela não deve ser superior a 1 hora – quanto menos melhor. Quando a criança estivar parada, é recomendado que se envolva em leituras e narração de histórias com um cuidador.
  • Entre o zero e os três meses, os bebês devem ter de 14 a 17 horas de sono de boa qualidade, incluindo momentos de repouso. Já entre os quatro e 11 meses, o recomendado é ter entre 12 a 16 horas.

Crianças de três a quatro anos devem:  

  • Passar pelo menos 180 minutos em várias atividades físicas em qualquer intensidade. Pelo menos 60 minutos dessas atividades devem ser físicas de intensidade moderada a vigorosa, espalhadas ao longo do dia. Quanto mais, melhor.
  • Não devem ser mantidas por mais de uma hora de cada vez, como em carrinhos de bebê, ou sentar por longos períodos. O tempo sedentário em frene à tela não deve exceder uma hora – quanto menos melhor. Quando inativa, é recomendado que a criança se envolva em leituras e narração de histórias com um cuidador.
  • Entre o zero e os três meses, os bebês devem ter de 14 a 17 horas de sono de boa qualidade, incluindo momentos de repouso. Ter de 10 a 13 horas de sono de boa qualidade, que podem incluir um cochilo, com horários regulares para dormir e acordar.

Descarregar o documento WHO guidelines on physical activity, sedentary behaviour and sleep for children under 5 years of age no link:

https://www.who.int/news-room/detail/24-04-2019-to-grow-up-healthy-children-need-to-sit-less-and-play-more

 

Publicidade está a promover produtos perigosos para as crianças

Março 28, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do Lifestyle Sapo  de 14 de março de 2019.

Jovens e crianças estão cada vez mais expostos a produtos nefastos para a saúde através das redes sociais devido à falta de regulamentação da publicidade digital, alerta hoje um relatório da divisão europeia da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Apesar das políticas e compromissos existentes para limitar a promoção de produtos nocivos à saúde junto de menores, como bebidas com alto teor de gordura, açúcar e sal, bebidas alcoólicas ou tabaco, incluindo novos produtos como cigarros eletrónicos, a OMS Europa considera existirem provas de que as crianças continuam expostas a este tipo de produtos através dos canais digitais.

O documento, intitulado “Supervisão e restrição do marketing digital de produtos nocivos para crianças”, defende uma maior monitorização da publicidade digital deste tipo de produtos pelos países, mas também pelos pais das crianças.

Os autores do relatório acreditam que o controlo da publicidade digital de alimentos nocivos dirigida a crianças e jovens pode ser fundamental para reduzir o impacto negativo de problemas de saúde como doenças cardíacas, cancro, obesidade e doenças respiratórias crónicas, que representam 86% das mortes e 77% dos encargos com cuidados de saúda na Europa.

O relatório é o resultado de uma reunião com especialistas feita em junho em Moscovo, sendo o português João Breda o coordenador da direção para a prevenção e controlo de doenças crónicas não transmissíveis da OMS da Europa, que abrange 53 países, incluindo Portugal.

A reunião quis discutir os desafios da publicidade digital de produtos nocivos para a saúde tendo presente que as crianças passam cada vez mais tempo na Internet, nomeadamente em plataformas e redes sociais como Instagram, Facebook, YouTube ou Snapchat, e que a exposição à publicidade digital aumentou.

Algumas organizações, como agências de publicidade, estão a usar técnicas sofisticadas, aproveitando que o uso crescente de telemóveis e redes sociais permitem a transmissão de mensagens personalizadas e direcionadas e “cada vez mais persuasivas”, referem os autores.

Os especialistas concluíram também que “as estratégias de regulação e auto regulação que existam para a televisão e outros meios de comunicação social tradicionais estão obsoletas”, afirmou Breda à Lusa, após a apresentação do estudo em Londres.

Uma consequência foi o desenvolvimento de uma ferramenta chamada CLICK para monitorizar a exposição das crianças à publicidade digital, que será testada inicialmente por alguns países, e cujos resultados deverão ser divulgados no final do ano.

“É necessária uma atitude mais musculada por partes das entidades públicas, mas os países não podem trabalhar sozinhos, por isso queremos desenvolver ferramentas e estratégias comuns”, afirmou João Breda.

O relatório citado na notícia “Monitoring and restricting the digital marketing of unhealthy products to children and adolescents” pode ser descarregado no link:

http://www.euro.who.int/en/health-topics/disease-prevention/nutrition/news/news/2019/3/new-who-study-shows-more-action-needed-to-monitor-and-limit-digital-marketing-of-unhealthy-products-to-children

 

OMS: “Mais de 90% das crianças do mundo respiram ar tóxico”

Novembro 12, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do ONU News de 29 de outubro de 2018.

Estudo destaca que situação afeta 1,8 bilhão de crianças; Conferência Mundial sobre Poluição do Ar e Saúde iniciou esta segunda-feira em Genebra.

A Organização Mundial da Saúde, OMS, revelou que cerca de 93% das crianças do mundo, com menos de 15 anos de idade, respiram ar tão poluído que coloca sua saúde e desenvolvimento em grave risco.

A situação afeta 1,8 bilhão de crianças no mundo, de acordo com um relatório publicado esta segunda-feira na primeira Conferência Mundial sobre Poluição do Ar e Saúde que decorre em Genebra.

Ameaças

Em 2016, estima-se que 600 mil crianças já morreram devido a infeções respiratórias causadas pelo ar poluído. Uma das principais ameaças à saúde de  crianças menores de cinco anos é a poluição do ar,  responsável por quase uma em cada 10 mortes nessa faixa etária.

Em comunicado, o diretor da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, considera a situação “indesculpável”. O representante destaca que o ar poluído “intoxica milhões de crianças e arruína suas vidas”.

O chefe da OMS sublinhou que toda a criança “deve ser capaz de respirar ar puro para que possa crescer e realizar todo o seu potencial”.

O estudo defende ainda que a poluição do ar também causa câncer. Crianças expostas à poluição excessiva também podem estar em maior risco de contrair uma doença cardiovascular crônica na vida adulta.

Cérebro

A diretora do Departamento de Saúde Pública, Meio Ambiente e Sociedade da OMS, Maria Neira, disse a jornalistas que a poluição do ar prejudica o cérebro dos menores de idade.

A probabilidade é que as crianças sejam intoxicadas porque estão mais expostas a ar poluído e absorvem mais poluentes do solo, onde essas substâncias se encontram em concentrações mais altas.

Como parte do apelo à ação das comunidade internacional, a OMS recomenda uma série de medidas “diretas” para reduzir o risco à saúde, que estão ligadas ao tamanho de material particulado ambiental, ou PM2.5.

Essas ações incluem acelerar as mudanças na limpeza de combustíveis e em tecnologias de aquecimento e para cozinhar, promoção de transporte mais limpo, habitações com maior eficiência energética e planejamento urbano.

A OMS apoia ainda a geração de energia de baixa emissão, tecnologias industriais mais limpas e seguras e o melhor gerenciamento municipal de resíduos para reduzir a poluição do ar nas comunidades.

O relatório citado na notícia é o seguinte:

Air pollution and child health: prescribing clean air

 

 

Metade das doenças mentais começa aos 14 anos

Outubro 22, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 10 de outubro de 2018.

ONU destaca situação de jovens em Dia Mundial de Saúde Mental; Guterres disse que, mudando a atitude em relação ao grupo de enfermidades, é possível mudar o mundo.

Metade de todas as doenças mentais começa aos 14 anos, mas a maioria dos casos não é detectada nem tratada.

A Organização Mundial da Saúde, OMS, deu esta informação para marcar o Dia Mundial da Saúde Mental, marcado a 10 de outubro. O tema deste ano é “Jovens e Saúde Mental num Mundo em Mudança”.

Comunidades e Jovens

Em nota publicada esta quarta-feira, o secretário-geral da ONU disse que “durante muito tempo a saúde mental tem sido um tema secundário, apesar dos impactos arrasadores sobre comunidades e jovens de todos os lugares”.

António Guterres lembrou que um em cada cinco jovens deve ter um problema deste género este ano. Segundo ele, “a falta de saúde mental durante a adolescência tem impacto no desempenho na escola e aumenta o risco de uso de álcool e substâncias e comportamento violento”.

O chefe da ONU afirmou que, apesar dos desafios, muitos destes problemas podem ser evitados ou tratados.

Explicando que “aqueles que lutam com problemas de saúde mental ainda estão sendo marginalizados”, Guterres lembrou o compromisso das Nações Unidas de que todas as pessoas tenham, até 2030, apoio para este problema.

Para o secretário-geral, “se mudarmos a nossa atitude em relação à saúde mental, mudaremos o mundo”.

Consequências

Segundo a OMS, a depressão é a terceira doença mais comum  entre adolescentes. O suicídio é a segunda principal causa de morte entre os jovens de 15 a 29 anos. O uso de álcool e drogas ilícitas também é uma questão em muitos países e pode levar a comportamentos de risco, como sexo inseguro ou conduzir alcoolizado. Transtornos alimentares são outro motivo de preocupação.

A agência da ONU diz que “felizmente cresce o reconhecimento da importância de ajudar os jovens”. A OMS acredita que proteger o bem-estar do adolescente traz benefícios à sua saúde, mas também às economias e à sociedade.

A OMS explica que muito pode ser feito para ajudar. A prevenção começa com o conhecimento e compreensão dos primeiros sintomas. Pais e professores podem ajudar a lidar com desafios do dia-a-dia, apoio psicossocial pode ser prestado nas escolas e, por fim, os profissionais de saúde podem ser treinados para lidar com estes problemas.

A agência acredita que o investimento nesta área é essencial. Esse investimento deve ensinar colegas, pais e professores sobre as melhores formas de ajudar amigos, filhos e alunos.

Mais informações na notícia da WHO:

World Mental Health Day 2018

 

Unicef e OMS alertam: 78 milhões de bebés não são amamentados na primeira hora após o parto

Agosto 10, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia da SIC Notícias de 31 de julho de 2018.

Cerca de 78 milhões de bebés (60% do total) não são amamentados na primeira hora de vida, aumentando o risco de morte e de doença, alertaram hoje a Unicef e a Organização Mundial de Saúde num novo estudo.

As organizações notam que a maior parte destes bebés nasce em países de rendimento baixo e salientam que mesmo uma demora de algumas horas na amamentação após o nascimento pode colocar as crianças em risco de vida.

O contacto pele com pele na amamentação estimula a produção de leite nas mães, incluindo o colostro, rico em nutrientes e anticorpos, chamado a “primeira vacina” de um bebé.

As taxas de amamentação na primeira hora após o nascimento são mais altas na África Austral e do Sul (65%) e mais baixas no leste da Ásia e Pacífico (32%), refere-se no relatório.

Em países como o Burundi, Sri Lanka e Vanuatu, 90% dos bebés são amamentados na primeira hora, enquanto no Azerbaijão, Chade e Montenegro, só dois em cada dez são amamentados.

O diretor-geral da OMS, Tedrso Adhanom Ghebreyesus, salientou que “a amamentação é o melhor começo de vida possível” e defendeu que é preciso as famílias, sistemas de saúde, patrões e governos apoiarem as mães para “darem aos filhos o começo que merecem”.

No relatório, chamado “Capturar o momento”, elencam-se razões que fazem demorar o primeiro aleitamento, como diferenças nos cuidados às mães e recém-nascidos.

Em muitos casos, os bebés são separados das mães imediatamente após o nascimento e não é a presença de pessoal qualificado a assistir aos partos que afeta a frequência da amamentação após o nascimento.

Práticas como dar aos recém-nascidos leite preparado, mel ou água açucarada ainda contribuem para adiar o primeiro contacto do bebé com a sua mãe.

Outro fator é o aumento de cesarianas, que em países como Egito mais do que duplicaram entre 2005 e 2014, de 20% para 52%, enquanto a percentagem de bebés amamentados desde logo desceu de 40% para 27%.

Estudos anteriores citados no documento agora divulgado mostram que os recém-nascidos que foram amamentados entre as duas e as 23 horas a seguir ao parto tinham 33% mais riscos de morrer do que os que foram amamentados antes.

Entre os recém-nascidos amamentados a partir do dia seguinte ao nascimento, o risco duplicava.

No relatório apela-se aos governos, doadores e decisores para que adotem medidas legais fortes para restringir a publicidade de leite preparado para recém-nascidos e outros substitutos do leite materno.

Lusa

O relatório Capture the Moment: Early initiation of breastfeeding – the best start for every newborn pode ser consultado no link:

https://www.unicef.org/press-releases/3-5-babies-not-breastfed-first-hour-life

 

 

A amamentação é assim tão importante? O que diz a ciência

Agosto 1, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Observador de 19 de julho de 2018.

Vera Novais

Os Estados Unidos voltaram a votar contra uma resolução que promove a amamentação e restringe a publicidade às fórmulas infantis. Afinal, é assim tão importante promover o aleitamento materno?

A Assembleia Mundial de Saúde, na reunião que teve lugar em maio deste ano, queria aprovar uma resolução em que se pedia aos governos que “protegessem, promovessem e apoiassem a amamentação” e que reforçasse a aplicação das regras sobre a publicidade e promoção aos produtos substitutos do leite. No início de julho, o jornal norte-americano The New York Times, não só noticiou que os Estados Unidos votaram contra esta proposta, como que tentaram boicotá-la. Os delegados norte-americanos terão tentado coagir países da América do Sul e de África com ameaças de sanções ou retiradas de apoio e terão mesmo ameaçado a retirada de apoio financeiro à Organização Mundial de Saúde (OMS).

O Presidente norte-americano, Donald Trump, apressou-se a responder ao jornal via Twitter, acusando-o de disseminar notícias falsas. “Os Estados Unidos apoiam fortemente a amamentação, mas não consideramos que as mulheres devam ver o acesso à fórmula [infantil] negado. Muitas mulheres precisam desta opção devido à má nutrição e pobreza.”

Dizer que as mulheres não conseguem amamentar por causa da pobreza e má nutrição é “colocar o carro à frente dos bois”, disse, em comunicado, o Colégio Real de Parteiras do Reino Unido. “É claro que o foco devia ser em reduzir a pobreza e má nutrição de maneira a que as mulheres estejam suficientemente saudáveis para amamentar. Também porque as famílias pobres não conseguem sustentar uma alimentação à base de fórmula.”

As alegadas ameaças feitas pelos Estados Unidos ao Equador — que apresentou a proposta inicial — e a outros países em desenvolvimento fizeram recear que a resolução não fosse aprovada. Mas a Rússia — em conjunto com o Canadá, México e 15 outros países — avançou com uma nova proposta, aprovada por 118 Estados-membros com um voto contra, o voto norte-americano. Ainda assim, os delegados dos EUA conseguiram introduzir algumas alterações na proposta e torná-la menos exigente do que a inicial.

Não é a primeira vez que os Estados Unidos votam contra este tipo de propostas e volta a cair sobre o país a acusação de ceder às pressões das empresas produtoras de fórmula infantil — uma indústria que vale 70 mil milhões de dólares (60 mil milhões de euros) e é dominada por meia dúzia de empresas norte-americanas e europeias. O Observador quis perceber se é assim tão importante promover o aleitamento materno ou se o uso de fórmula infantil é igualmente válido.

Porque é que a OMS quer regras apertadas para as empresas?

A promoção do aleitamento materno e o controlo do tipo de publicidade e promoção que pode ser feita pelas empresas que produzem fórmulas infantis (leite em pó adaptado) não são ideias novas. Já em 1974, durante a 23.ª Assembleia Mundial de Saúde (WHA, na sigla em inglês), tinha ficado claro o declínio da amamentação em vários países do mundo, em parte relacionado com a pressão das empresas produtoras dos substitutos. Nessa altura, a WHA instou os Estados-membros a rever as atividades promocionais levadas a cabo pelas empresas e a criar legislação sobre a publicidade das mesmas caso fosse necessário.

O tema voltou a ser debatido nos anos seguintes e, em 1981, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) publicaram o Código Internacional de Marketing dos Substitutos do Leite Materno. O código — que era uma recomendação, não uma regulação — foi aprovado por 118 Estados-membros. O único voto contra veio dos Estados Unidos. Na altura, a justificação foi que este tipo de código viola os princípios da liberdade de expressão e de acesso à informação. Quase 40 anos depois, a justificação é a mesma.

“Os Estados Unidos lutam para proteger a capacidade das mulheres de fazerem as melhores escolhas de nutrição para os seus bebés”, disse um porta-voz do Departamento de Saúde e Serviços Humanos norte-americano (a entidade presente na reunião da WHA), citado pelo The New York Times. “Muitas mulheres não são capazes de amamentar por variadas razões. Estas mulheres não podem ser estigmatizadas, têm de ser igualmente apoiadas com informação e acesso a alternativas para a sua saúde e das suas crianças.”

A resolução da WHA não pretendia obrigar as mulheres a amamentar, nem proibi-las de ter acesso a informação sobre a fórmula infantil. Nada na resolução incidia sobre a discriminação e estigma das mulheres que não amamentam. O objetivo era promover o aleitamento materno como melhor opção para a mãe e o bebé, baseado nos dados científicos disponíveis, e reforçar o Código Internacional de Marketing dos Substitutos do Leite Materno, tanto nas legislações nacionais, como na monitorização da sua aplicação e na penalização das violações ao código.

A preocupação da Organização Mundial de Saúde vai muito além das mulheres nos Estados Unidos ou nos países desenvolvidos, que têm melhores recursos financeiros e maior acesso a água potável e a cuidados de saúde do que as mulheres nos países em desenvolvimento. Nos países desenvolvidos, as empresas mostram apoiar e incentivar a amamentação materna, como revela a Nestlé no seu site. Mas a postura destas empresas nos países em desenvolvimento parece ser diferente, como denuncia o jornal britânico The Guardian. Nas Filipinas, por exemplo, as empresas fazem lobby junto dos profissionais de saúde, aliciando-os com viagens pagas a conferências e outros programas de lazer, e distribuem folhetos às mães com alegadas informações de saúde, algumas apresentando o leite adaptado como melhor que o leite materno.

Há outras polémicas à volta da amamentação. No passado domingo, na Florida, a modelo Mara Martin desfilou a passarela enquanto amamentava a filha de cinco meses. Tudo aconteceu num desfile de fatos de banho da Sports Illustrated. Martin foi uma das 16 finalistas que concorreram para o desfile. Entre as outras escolhidas estava Brenna Hucky, uma atleta paraolímpica que desfilou com uma perna prostética, uma militar e uma sobrevivente de cancro.

Que riscos podem apresentar as fórmulas infantis?

A alimentação dos bebés com fórmula (leite em pó adaptado) em vez de leite materno teve início no século XIX e tornou-se comum no século seguinte. As empresas alegavam que a fórmula infantil era tão boa como o leite materno e faziam promoção junto dos profissionais de saúde, que eram os primeiros a recomendar às mães que alimentassem os bebés a biberão em vez de os amamentarem.

A moda pegou, mas, a partir de meados do século XX, as mães voltaram a querer amamentar os seus filhos — embora a adesão ainda esteja longe das recomendações das sociedades de pediatria. A venda de fórmula infantil caiu nos países desenvolvidos, mas não nos países em desenvolvimento. Estes substitutos do leite materno começaram a ser uma escolha moderna para os cidadãos com mais recursos desses países, mas estenderam-se também às populações mais pobres e com menos recursos financeiros que permitissem alimentar convenientemente as crianças à base de fórmula infantil. O resultado foi um aumento da mortalidade infantil.

A fórmula infantil é um produto caro. Quando as famílias têm dificuldade em comprar o produto, acabam por diluí-lo muito mais do que a recomendação do produtor e as crianças ficam mal alimentadas. Além disso, em muitos dos países em desenvolvimento que recorrem às fórmulas, a qualidade da água não é adequada. Se a água não for fervida e os biberões (ou outros suportes) não forem devidamente esterilizados, há o risco de contaminação com micro-organismos. A própria fórmula pode estar contaminada.

Nada é mais natural que o leite materno

“As fórmulas infantis são leite de vaca transformado e permitem que o bebé cresça e aumente de peso”, disse ao Observador Graça Gonçalves, pediatra e consultora internacional de amamentação. “Mas não há qualquer comparação possível com um produto que teve milhares de anos de evolução [o leite materno humano].” O leite materno tem as características nutricionais perfeitas, em termos de quantidade de vitaminas e sais minerais, proteínas, gorduras, açúcares e água. “Não é possível meter isto numa lata.” Mesmo que a mãe tenha algumas carências nutricionais, o leite materno continua a fornecer ao bebé elementos que a fórmula não pode fornecer, disse ao Observador Conceição Calhau, nutricionista e investigadora no Cintesis (Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde).

É certo que as empresas têm investido muito na investigação e no melhoramento das fórmulas infantis, que vão adicionando componentes presentes no leite humano, mas, ainda assim, estão longe de ser um equivalente. Para citar só um exemplo, as fórmulas infantis não conseguem passar anticorpos ao bebé, como consegue o leite materno. “A criança só atinge a imunidade equivalente à do adulto aos sete anos. [Como depende da imunidade da mãe], quando deixa de mamar há uma baixa de imunidade na criança.”

Para a pediatra, co-fundadora da Clínica Amamentos (que faz aconselhamento sobre amamentação), o uso de fórmula está normalizado, mas não devia ser sequer a segunda opção para as mães que não conseguem dar mama. A segunda opção deveria ser leite da mãe extraído com uma bomba — dado a copo ou a colher, mas nunca com biberão — e a terceira opção deveria ser leite de outra mulher, recorrendo a familiares e amigas ou a um banco de leite. Graça Gonçalves admite que esta última opção é a mais difícil, porque existe apenas um banco de leite em Portugal.

O que recomenda a OMS?

A Organização Mundial de Saúde recomenda que todos os bebés sejam amamentados em exclusivo até aos seis meses. A partir dessa idade devem ser introduzidos os alimentos sólidos, mas o leite materno continua a constituir uma boa fonte de energia e nutrientes. A OMS prevê a amamentação até aos dois anos, mas esta pode ser mantida por tanto tempo quanto seja confortável e desejável para a mãe e para o bebé, disse Graça Gonçalves, consultora internacional de amamentação.

Iniciar o aleitamento materno logo após o nascimento, até uma hora após o parto, reduz o risco de infeções e o risco de mortalidade precoce, refere a OMS. Além da proteção contra infeções gastrointestinais, o leite materno evita a má nutrição do bebé. A manutenção da amamentação após os seis meses (e até aos dois anos ou mais) ajuda a prevenir a subnutrição em crianças com outras carências alimentares ou durante os períodos de doença.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, defende que em muitos hospitais e comunidades em todo o mundo, amamentar ou não amamentar pode fazer a diferença entre a vida e a morte e condicionar o desenvolvimento pleno da criança.

A amamentação pode ainda ser defendida por razões mais práticas: a refeição está sempre pronta e pode ser dada em qualquer local; virtualmente não tem custos — especialmente quando comparado com a fórmula infantil; e os custos com os cuidados de saúde também são reduzidos (visto o aleitamento materno prevenir má nutrição e infeções gastrointestinais).

Quais as vantagens da amamentação no futuro?

A Organização Mundial de Saúde defende ainda o aleitamento materno porque a longo prazo protege as crianças de outras doenças como a diabetes ou a obesidade. Conceição Calhau explica que os oligassacarídeos presentes no leite materno, e descobertos recentemente, são um bom alimento para as bactérias boas do intestino dos bebés. Isso, aliado às bactérias adquiridas durante o parto vaginal, vai promover um conjunto de microorganismos intestinais que têm um papel protetor na saúde da criança e do adulto.

Além disso, há trabalhos de investigação científica que demonstram que a mãe perde peso mais facilmente, que a gordura acumulada nos glúteos é mobilizada para a produção de leite e que o útero regride e retoma a posição original mais facilmente, referiu a nutricionista. Além disso, a amamentação ajuda a prevenir o cancro da mama, ainda que, lembrou a investigadora, falte explicar o mecanismo que confere esta proteção.

Conceição Calhau considera que o apoio à amamentação e os benefícios promovidos pela OMS são largamente consensuais, embora pontualmente possam aparecer alguns trabalhos de investigação ou opiniões que o contestem. Há algumas razões para estes trabalhos aparentemente contraditórios. Por um lado, todos os trabalhos relacionados com a amamentação são observacionais — estudar bebés e crianças ao longo do tempo — e não ensaios clínicos controlados — não era ético submeter bebés a um tipo de alimentação que se considere benéfico e outro que se pense ser menos vantajoso.

Por outro lado, os estudos observacionais não são feitos nas condições ótimas. A nutricionista explicou que, quando os partos são programados ou quando as mães são sujeitas a uma cesariana, o bebé e a mãe podem estar demasiado adormecidos para a amamentação ou, pior, o corpo da mãe ainda nem sequer está pronto para o fazer. Mais, se a mãe não for convenientemente acompanhada, o bebé pode não estar a mamar corretamente, o que faz com que os resultados do estudo fiquem influenciados. Não faz sentido comparar uma pessoa que come sopa à colher com uma que come sopa com garfo

E se a mãe não consegue amamentar?

Há mulheres que gostavam de amamentar e não conseguem e acabam por recorrer à fórmula infantil mesmo que esta não fosse a sua primeira opção. Para Graça Gonçalves, menos de 5% das mulheres tem realmente alguma condição que as impeça de amamentar. As restantes mulheres que não conseguem alimentar os seus bebés dessa forma foram, na opinião da médica, mal acompanhadas e mal apoiadas.

“As desajudas começam logo na maternidade, quando o leite artificial é incentivado”, disse a consultora de amamentação. Mas também acontece quando os profissionais de saúde impõem a amamentação à mãe sem acompanharem o processo. Um bebé que não pegue corretamente na mama vai magoar a mãe e não se vai conseguir alimentar convenientemente. A mãe vai encarar o processo como doloroso e um sacrifício, o bebé vai ficar com fome e a mãe vai ficar convencida que o seu leite “é fraco”. E não existem “leites fracos”, como se apressou a esclarecer a médica. “E são raríssimos os casos de mulheres que não conseguem produzir leite suficiente”, acrescentou Conceição Calhau.

Os bebés que nasçam de parto natural e no fim do tempo de gestação têm, à partida, maior facilidade em mamar corretamente. Quando o parto é antecipado ou induzido, o bebé pode ainda não estar pronto para fazer a primeira refeição, disse Graça Gonçalves. Até a epidural, se passar para o bebé, pode deixá-lo demasiado atordoado para comer. “As mães e os bebés não têm as melhores condições iniciais para a amamentação funcionar”, concluiu a médica.

Mas o parto prematuro não é, só por si, condição suficiente para se optar pela fórmula infantil. “Se o bebé nascer entre as 35 e as 37 semanas é possível amamentar, mas tem de haver muito apoio porque vão existir muitas dificuldades na amamentação”, disse Graça Gonçalves. “Se o bebé nascer entre as 28 e as 30 semanas o apoio tem de ser extraordinariamente maior.” Não só o bebé não está preparado, como o próprio corpo da mãe ainda não está pronto para a produzir leite. Mesmo nestes casos, a pediatra recomenda que se recorra, sempre que possível, a leite humano de um banco de leite ou de familiares ou amigas.

Nos casos em que o bebé não consiga ou não possa mamar e seja preciso recolher a leite extraído, da mãe ou de um banco de leite, ou a fórmula infantil e nos casos em que seja preciso suplementar os bebés, a pediatra deixa um conselho importante: não usar biberão (usar colher, copo ou seringa). “O biberão é inimigo da amamentação.” A posição para dar biberão não é a posição natural de alimentação do bebé, requer muito menos esforço mamar de uma tetina do que da mama da mãe, o que acaba por fazer com que o bebé coma mais do que precisa. “Quando se sente saciado já é tarde demais.”

E se a mãe não quer amamentar?

“A decisão de amamentar, ou não, é uma escolha da mulher e deve ser respeitada”, disse o Colégio Real de Parteiras do Reino Unido (RCM, na sigla em inglês) numa nova posição sobre alimentação infantil publicada em junho. As razões que podem levar uma mulher a evitar ou parar a amamentação vão desde questões médicas, culturais ou psicológicas, até desconforto físico ou inconveniência, referiu um editorial da revista científica The Lancet, em 2016. “Estas questões não são triviais e as mães que não recebem apoio acabam por escolher o biberão com fórmula.”

Daí que o RCM defenda a importância de os pais terem acesso a informação, quer sobre as vantagens da amamentação, quer sobre como devem alimentar corretamente os seus bebés com fórmula infantil — seja em exclusivo, seja em combinação com o leite materno. Os profissionais de saúde devem assim estar preparados não só para promover e apoiar o aleitamento materno, mas também para dar os melhores conselhos aos pais que escolham a fórmula. Apesar desta recomendação, a associação deixa claro que “a amamentação em exclusivo durante os primeiros seis meses de vida de um bebé é o método mais apropriado de alimentação infantil”.

“Há mulheres para as quais amamentar é um verdadeiro prazer. É muito bom para elas e muito bom para o bebé. Mas amamentar um bebé quando a mãe não gosta de o fazer? É uma catástrofe”, disse Elisabeth Badinter, uma feminista francesa, citada num artigo de opinião no The Guardian.

Para Graça Gonçalves, as mulheres que estejam bem informadas e bem apoiadas dificilmente escolhem a fórmula infantil em detrimento do aleitamento materno. Para a consultora em amamentação é necessário esclarecer que a fórmula não é equivalente ao leite materno e apoiar as mães que tiveram más experiências com a amamentação no passado. Mais: a pediatra defende que se o bebé pudesse escolher, escolhia o leite materno, e que ao fazer uma escolha a mãe também deve pensar no bebé.

Mesmo para as associações que apoiam mães que não amamentam, como a “Don’t judge just feed” (Não julgue, alimente apenas), a amamentação é apoiada, incentivada e celebrada. O que esta associação procura é que as mães que não podem ou não querem amamentar recebam o mesmo tipo de apoio. Não ser capaz de amamentar pode ter um forte impacto nas mães que esperavam poder fazê-lo e a associação também quer apoiar estas mulheres e sensibilizar para este problema.

 

 

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