Facebook e educação : publicar, curtir, compartilhar

Janeiro 30, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Livros, Recursos educativos | Deixe um comentário
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Governo quer reduzir carga horária dos alunos

Novembro 9, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://www.educare.pt/ de 19 de outubro de 2016.

Sara R. Oliveira

Educação pré-escolar é uma das prioridades do Orçamento do Estado para 2017. O objetivo é garantir a oferta a todas as crianças dos três aos 6 anos até ao final da legislatura. Há mais verbas para alunos carenciados e um reforço financeiro no Básico e Secundário.

No Orçamento do Estado para 2017, o cumprimento efetivo dos 12 anos de escolaridade obrigatória, de forma a promover o sucesso escolar, surge como um aspeto crucial na educação. O Governo lembra que Portugal tem uma taxa de abandono escolar precoce superior a 10% e três vezes mais retenções do que a média dos países da OCDE. O executivo assume então que, em 2017, é necessário promover uma maior articulação entre os níveis do Ensino Básico para atenuar os efeitos negativos das transições e reduzir a carga disciplinar dos alunos. O reforço das ciências experimentais e da tecnologia na educação está igualmente no centro das atenções, bem como trabalhar a flexibilidade curricular desde o 1.º ciclo. O documento estratégico, apresentado ao país em 14 de outubro, será discutido e votado na Assembleia da República no início de novembro.

A educação pré-escolar aparece como uma das prioridades da tutela. O Governo quer garantir, até ao final da legislatura, a universalidade da oferta a todas as crianças dos 3 aos 6 anos. Até porque, sublinha, “investir numa educação de qualidade, desde os primeiros anos, contribui para o sucesso educativo dos alunos”. “Assim, uma intervenção precoce de qualidade traz benefícios para a sociedade a longo prazo, designadamente na discriminação positiva das famílias com menos recursos sociais e económicos e/ou ‘em risco’ de exclusão social no acesso à educação de qualidade nos primeiros anos”, lê-se no orçamento para 2017.

O próximo orçamento tem mais 180 milhões de euros para os ensinos Básico, Secundário e administração escolar, em comparação com 2016, e mais verbas para a Ação Social Escolar. As escolas sob gestão municipal passam definitivamente para as mãos das autarquias. O Plano Nacional de Leitura vai continuar pelo menos até 2026. Os manuais escolares passam a ser gratuitos para os alunos de todos os anos do 1.º ciclo da rede pública, não abrangendo o ensino privado como agora acontece. As dotações orçamentais iniciais para o Ensino Superior aumentam e há mais dinheiro para bolsas dos estudantes universitários carenciados.

O orçamento para o ensino Básico, Secundário e administração escolar é reforçado e, no total, atinge os 6022,7 milhões de euros. Há um acréscimo nas despesas de 3,1%, ou seja, mais 179,4 milhões. Além disso, reduzem-se transferências para o ensino particular e cooperativo, que descem 12,3%, e aposta-se na educação pré-escolar com um reforço de 14,5%. No total, o executivo pretende transferir para o ensino particular e cooperativo 223 milhões de euros e para o ensino pré-escolar 529,4 milhões de euros. As despesas com pessoal são a rubrica com maior peso nas contas do Ministério da Educação (ME), absorvendo 4274,3 milhões de euros e que representam 71% do seu orçamento.

Quanto aos manuais escolares, o Governo diz claramente que vai prosseguir “o regime de gratuitidade” e que vai dar os livros no início do próximo ano letivo a “todos os alunos do 1.º ciclo do Ensino Básico da rede pública”. E na rede pública leia-se “todos os estabelecimentos de ensino (público ou privados) em que a educação é financiada pelo Estado em condições de gratuitidade”, ou seja, “em que o Estado contratualiza a frequência dos alunos com as instituições do ensino particular e cooperativo”, segundo um esclarecimento do ME dado à Lusa.

Esta decisão constante no Orçamento do Estado é tomada sem as conclusões do Grupo de Trabalho para a Gratuidade e Reutilização de Manuais Escolares, constituído em maio deste ano, e deixa de fora os alunos do 1.º ciclo do privado. A distribuição gratuita de manuais foi lançada neste ano letivo para os alunos do 1.º ano do 1.º ciclo de todas as escolas, públicas e privadas. A medida continua a se discutida em vários fóruns.

A Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE) está satisfeita com a gratuitidade dos manuais no 1.º ciclo, mas lamenta a redução das deduções em sede de IRS. “De alguma forma vem aliviar muito a carteira das famílias nestes primeiros anos do ensino, portanto vemos isto com bons olhos”, refere, à Lusa, Rui Martins, responsável pela CNIPE. A questão fiscal é, porém, uma preocupação. A dedução de despesas com educação de forma mais abrangente – em que, por exemplo, o vestuário pode ser incluído – chegou a fazer parte dos planos do Governo. O desconto que podia chegar aos 35%, até um máximo de 450 euros, acabou por não constar no Orçamento para o próximo ano. O CNIPE reage. “O ideal seria manter os mesmos limites e que todas as despesas ligadas à educação fossem dedutíveis. Isso é que faria sentido”, defende Rui Martins.

A Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP) também concorda com a gratuidade dos livros escolares e, na sua opinião, outras despesas mais significativas deveriam ser apoiadas, como alimentação, transportes e material de artes. “A gratuitidade parece-nos bem, mas há necessidade de alargar o apoio a outras despesas escolares, que são superiores”, refere, à Lusa, Jorge Ascenção, presidente da CONFAP. “Deveria haver uma maior equidade quando temos outro tipo de necessidades na educação. Há famílias para as quais não é relevante e outras que precisam mais”, sublinha.

Reinvestir na leitura

O Plano Nacional de Leitura (PNL), criado em 2006 para melhorar os níveis de literacia e leitura, terá continuidade até 2026. A ideia deste investimento passa por relançar uma política pública na área do livro e da leitura. O plano funcionará em articulação com a Educação, a Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e um conjunto alargado de parceiros. Entre 2013 e 2015, os diferentes programas do PNL tiveram cerca de 540 mil euros de apoio financeiro, envolveram 4 mil escolas da rede escolar pública e beneficiaram cerca de 1,2 milhões de crianças e jovens de todo o país.

Em termos patrimoniais, os edifícios escolares sob gestão municipal passam a ser propriedade das autarquias, no âmbito da transferência de competências do Estado para os municípios. Além das escolas do 1.º ciclo, já sob alçada municipal, há ainda um projeto-piloto que contratualizou a transferência de competências para os municípios na área da educação, ficando a cargo das autarquias aspetos como a manutenção e conservação de escolas e contratação de pessoal não docente.

Há mais verbas disponíveis para a educação. As dotações orçamentais iniciais para o Ensino Superior aumentam 10,5%, para 2093 milhões de euros, comparativamente a 2016. Totalizam assim 2093 milhões de euros, mais 198,429 milhões face ao previsto para 2016. Para o financiamento direto das universidades estão cabimentados, ao todo, 1449 milhões de euros. Em contrapartida, para as instituições politécnicas (institutos e escolas superiores não integradas) são atribuídos 489,997 milhões de euros. A dotação orçamental inicial para o Ensino Superior, Tecnologia e Ciência, proveniente diretamente de receitas do Orçamento, aumenta 4,6% em comparação com 2016. Segundo o Governo, este reforço no Ensino Superior e na Ciência pretende apoiar a frequência de alunos mais carenciados nas universidades e nos institutos politécnicos, repor salários de professores, investigadores e pessoal não docente, bem como consolidar o emprego científico.

O orçamento para bolsas de apoio a estudantes universitários mais carenciados aumenta 5,7%, para 146 milhões de euros, face a 2016. De acordo com a proposta de Orçamento do Estado para 2017, a dotação inicial para o Fundo de Ação Social é de 146 milhões de euros, mais oito milhões do que em 2016. A subida no orçamento para bolsas de ação social prevista para 2017 faz-se, essencialmente, à custa de fundos comunitários que totalizam 107 milhões de euros, enquanto as verbas provenientes de receitas do Orçamento do Estado somam 39 milhões de euros. Com este reforço financeiro, embora mais contido do que o verificado entre 2015 e 2016, o Governo pretende apoiar a frequência no Ensino Superior e “alargar a base de recrutamento” de alunos. Em 2016, as dotações orçamentais iniciais para o Fundo de Ação Social atingiram 138 milhões de euros (92 milhões de euros de fundos comunitários e 46 milhões de euros de receitas do OE). Comparativamente a 2015, o orçamento inicial em 2016 para bolsas de ação social nas universidades e nos institutos politécnicos aumentou cerca de 20 milhões de euros.

 

 

Educação criativa: multiplicando experiências para a aprendizagem – livro digital

Outubro 27, 2016 às 6:00 am | Publicado em Livros, Recursos educativos | Deixe um comentário
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Desigualdades educativas estão a diminuir

Outubro 12, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Texto do site http://www.educare.pt/ de 26 de setembro de 2016.

O relatório citado na notícia é o seguinte:

Estado da Educação 2015

Sara R. Oliveira

Menos retenções e desistências nas escolas. Menos alunos e menos professores. Menos estudantes com piores resultados. Docentes mais velhos e com mais formação. O Relatório da Educação 2015 do Conselho Nacional de Educação apresenta dados do setor.

Menos professores no sistema, e mais velhos, menos alunos nas escolas, com algum desencanto à mistura. Menos retenções, menos abandono escolar, menos despesas do Estado com o setor. O Conselho Nacional de Educação (CNE) voltou a analisar vários documentos, estudos, relatórios, que mostram como anda a comunidade educativa em Portugal nos últimos anos. O Relatório da Educação 2015 está feito e é apresentado nesta hoje depois da abertura do ano letivo 2016/2017 com as intervenções de David Justino, presidente do CNE, e do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

O Relatório da Educação mostra algum desencanto dos alunos, o que não acontecia há 15 anos, quando havia uma maior percentagem a responder que gostava muito da escola. São as raparigas que estão mais desencantadas. De modo geral, a percentagem de alunos que referem gostar muito da escola tem vindo a diminuir. Os alunos do 6.º ano são os que mais frequentemente referem gostar da escola, numa percentagem que, no entanto, desceu de 92% em 2001/2002 para 82,3% em 2013/2014. Neste ano letivo, os alunos do 8.º ano estão mais insatisfeitos do que os colegas do 10.º ano, com percentagens superiores nas opções não gosto nada e não gosto muito. Portugal foi, entre os países da OCDE, o que registou o maior decréscimo da percentagem de raparigas com 15 anos que responderam gostar muito da escola entre 1997 e 2014.

“Ao contrário do discurso de algum senso comum, a pressão e a exigência da escola sobre os alunos têm vindo a diminuir nos últimos 15 anos e, mais uma vez, são as raparigas que mais sentem essa pressão das tarefas escolares”, sublinha David Justino, presidente do CNE, na introdução do relatório. Na sua perspetiva, as desigualdades educativas diminuíram e a melhoria do desempenho médio dos alunos deve-se à redução acentuada do grupo dos estudantes com piores resultados. “Se é certo que há um pequeno contributo dos resultados dos alunos mais proficientes, o maior contributo vem da redução da proporção dos alunos mais fracos”, acrescenta.

Além disso, a percentagem de escolas, inseridas em meios desfavoráveis, cujos alunos obtiveram resultados acima da média passou de 19% em 2003 para 34% nos testes PISA de 2012. “A elas se deve a capacidade de contrariar os determinismos sociais do desempenho educativo, obtendo resultados bem acima do que a origem social dos seus alunos deixaria estimar”, realça o presidente do CNE. “Arriscamo-nos a dizer que nunca tivemos tão bons alunos como os que têm passado pelas escolas nos últimos anos. O problema está em saber se os estamos a tratar bem e a educá-los melhor. Ora, esta responsabilidade não é exclusiva da escola, mesmo quando uma parte significativa das escolas portuguesas continuam a fazer a diferença, a contrariar os determinismos sociais e a superar as melhores expectativas”, afirma.

Pressão com os trabalhos de casa
Mais de 30% dos alunos garantem que sentem alguma ou muita pressão com os trabalhos da escola. São os jovens do 10.º ano que mais sentem essa pressão. E há aqui dados que se podem cruzar. Os alunos que apresentam as percentagens mais elevadas em não sentirem pressão com os trabalhos da escola são os que gostam muito da escola. Por outro lado, os que dizem gostar nada da escola são os que dizem sentir muita pressão com os trabalhos da escola. Ainda assim, a percentagem dos alunos que referem sentir alguma ou muita pressão com os TPC tem vindo a diminuir e em 2013/2014 apresenta mesmo os valores mais baixos para todas as idades e sexos.

Os dados de 2013/2014 indicam uma relação, estatisticamente significativa, entre alunos que afirmam não gostar nada da escola e os que manifestam uma pior relação com os colegas. Há, portanto, uma correlação entre o gostar da escola e a relação com os colegas e mesmo com os professores. Em 2012, a maior percentagem de alunos infelizes encontra-se em escolas onde os resultados do PISA estão abaixo da média da OCDE, sendo também nestas escolas que, de 2003 a 2012, aumentou a percentagem de alunos que se sentem excluídos.

Há menos alunos nas escolas. Em 2014/2015, relativamente ao ano anterior, o número em todos os níveis de educação e ensino diminuiu. É no 2.º ciclo que se regista a maior quebra, com menos 12 179 alunos. Nos próximos cinco anos, segundo o Relatório da Educação, estima-se uma redução anual do afluxo de novos alunos no 1.º ciclo, cerca de duas vezes maior à dos últimos 10 anos e que previsivelmente não será contrariada antes de 2021/2022. Entre 2006 e 2015, o ensino público não superior perdeu 73 572 alunos e o privado ganhou mais 18 912. E em 2014/2015, o peso percentual dos alunos a frequentar vias profissionalizantes, no Secundário, diminuiu 1%, o que representa um decréscimo de 5388 alunos.

A taxa de abandono precoce desceu para 13%, mas, por outro lado, Portugal tem uma das elevadas taxas de retenção escolar da Europa. Um pouco mais de um terço dos alunos com 15 anos têm já no seu trajeto pelo menos uma retenção. Proporção que aumenta para 40% nos alunos do Secundário, e o número médio de retenções ultrapassa os dois anos. No Ensino Superior, há menos procura por parte dos alunos, a que o agravamento das condições financeiras das famílias e as dificuldades de inserção no mercado de trabalho não são alheios. Depois de um crescimento até 2010, os cinco anos seguintes registaram uma quebra de cerca de 20% nas primeiras matrículas nos três ciclos de Ensino Superior. Em 2014/2015, há menos 4,8% de inscritos no Superior face a 2005/2006 e menos 11,8% do que em 2010/2011.

Os dados indicam que há mais crianças, mais 7267, apoiadas no âmbito da Intervenção Precoce na Infância entre 2012 e 2015. Nos últimos três anos, há mais crianças com Necessidades Educativas Especiais nas escolas regulares e menos nas escolas especiais em todos os níveis de educação e ensino. E assiste-se à diminuição do número de técnicos afetos à educação especial no continente nos últimos quatro anos.

Só 0,4% têm menos de 30 anos
Há menos professores nas escolas. Entre 2006 e 2015, do pré-escolar ao Secundário, a diminuição atingiu os 24%. No privado, a diminuição foi menos acentuada, de 5,9%. O Ensino Superior também não escapou à redução, com uma perda de 13,6%: menos 30% no privado e menos 6,6% no público. O envelhecimento da classe docente é um tema recorrente e já atinge todos os níveis de educação. Em 2014/2015, os docentes com 50 e mais anos de idade representavam 43,2% no ensino público e 18,4% no privado, do pré-escolar ao Secundário, e 39,4% no Ensino Superior. Os que tinham menos de 30 anos totalizavam apenas 0,4% no público e 7,3% no privado.

O corpo docente continua maioritariamente feminino na educação pré-escolar e nos ensinos Básico e Secundário, diminuindo gradualmente a percentagem à medida que se progride no nível de ensino. O que não acontece no Superior, cujo corpo docente é maioritariamente masculino, com exceção do ensino politécnico privado em que as mulheres se encontram em maioria. Em termos de formação, aumentou o número de docentes do pré-escolar e do Básico e Secundário com doutoramento ou mestrado e de doutorados no Superior: 150% no politécnico e 33% no universitário, entre 2006 e 2015.

Há menos retenções e desistências. Em 2015, a taxa do Ensino Básico regular e dos cursos científico-humanísticos do Secundário, em todos os anos de escolaridade, diminuiu. E aumentou a taxa de conclusão no Básico e dos cursos científico-humanístico, dos cursos profissionais e dos cursos tecnológicos no Secundário. Segundo o relatório, em 2015, a maioria das escolas apresenta resultados médios de classificação interna e externa que as colocam dentro de um intervalo-padrão de variabilidade, em todos os ciclos e níveis de ensino. Relativamente à tendência de sobrevalorização da classificação interna, ela é maior nas escolas privadas do que nas públicas, em todos os ciclos e níveis de ensino. No Básico, a grande maioria dos alunos não tiveram as suas classificações internas finais alteradas na sequência dos resultados obtidos nas provas finais.

“No Ensino Secundário, o impacto das classificações de exame no cálculo da classificação final de cada disciplina apresenta variações mais ou menos significativas consoante a disciplina analisada. No entanto, esse impacto é pouco relevante para a reprovação dos alunos”, lê-se no relatório.

Obsessão em medicar crianças para estarem mais atentas e sossegadas preocupa CNE

Setembro 26, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia da http://sicnoticias.sapo.pt/ de 24 de setembro de 2016.

O relatório citado na notícia é o seguinte:

Estado da Educação 2015

A obsessão em ter as crianças mais atentas e sossegadas, com recurso a substâncias químicas, poderá representar um condicionamento irreversível do seu desenvolvimento cognitivo e social que nenhum medicamento poderá recuperar, alerta o Conselho Nacional de Educação (CNE).

No relatório “Estado da Educação 2015”, hoje divulgado, o presidente do CNE, David Justino, escreve que se tornou preocupante o consumo de substâncias estimulantes do sistema nervoso central, especialmente as orientadas para a superação de “supostos problemas” de hiperatividade e défice de atenção.

“O recurso cada vez mais generalizado ao metilfenidato (princípio ativo da designação comercial de Ritalina) reflete um problema que não deverá ser menosprezado”, adverte o ex-ministro da Educação na apresentação do documento.

O investigador refere a venda de quase 300.000 embalagens deste medicamento, em 2014 (dados do Infarmed), para defender uma reflexão por parte dos pais, dos professores, dos profissionais de saúde e dos decisores políticos sobre as razões de “tão rápido crescimento do consumo” e sobre os efeitos que o abuso destas substâncias pode ter no desenvolvimento geral das crianças.

O CNE recorreu também a dados da Direção-Geral de Saúde para mostrar que o consumo destes medicamentos passou de 2.937.039 doses diárias em 2009 para 6.515.293 em 2013 (considerando os fármacos comparticipados e dispensados à população em regime de ambulatório).

De acordo com o relatório Saúde Mental em Números 2015, as crianças portuguesas até aos 14 anos estão a consumir mais de cinco milhões de doses diárias de metilfenidato.

O investigador nota, por outro lado, uma “assinalável tendência” para a diminuição do consumo de substâncias aditivas: “Há uma clara redução dos que reconhecem ter experimentado o consumo de tabaco e cannabis e uma tendência positiva dos que afirmam não consumir”.

Os resultados apurados por este estudo relativamente às bebidas alcoólicas referem uma situação menos favorável, “ainda que a tendência seja para diminuir”.

No que diz respeito ao ensino superior, o presidente do CNE assinala que há alunos e oportunidades a menos e que um dos problemas que se coloca na internacionalização das instituições é “a escassa especialização”.

“As ofertas generalistas de caráter tradicional tendem a dominar, face ao desejável desenvolvimento de núcleos de ensino e investigação especializados em domínios onde as instituições portuguesas possam ser reconhecidas e com capacidade para competir com as suas congéneres estrangeiras”, observa.

David Justino refere também que os indicadores de produção científica “continuam a ser moderados” quando comparados com os de países de idêntico nível de desenvolvimento económico e social.

“O facto de possuirmos alguns centros de excelência, não consegue esconder que a maioria não ultrapassa a mediania, bem como a irremediável tendência para paroquialização e enquistamento das equipas e das instituições de investigação científica”, critica o presidente do CNE.

O documento, de 300 páginas, é editado anualmente pelo CNE.

Lusa

 

 

Como educam os pais mais felizes do mundo?

Setembro 22, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do http://observador.pt/de 11 de setembro de 2016.

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Ana Cristina Marques

Há cerca de 40 anos que os dinamarqueses são considerados o povo mais feliz do mundo. Segundo as autoras de um novo livro, o segredo está na forma como as crianças são educadas. Curioso/a?

É de pôr um sorriso no rosto. Há mais de quatro décadas que o povo dinamarquês é considerado, praticamente todos os anos, o mais feliz do mundo. O rótulo certamente invejável leva a assinatura da OCDE (Organização para a Cooperação Económica e o Desenvolvimento) desde 1973 e até o World Happiness Report, recentemente lançado pelas Nações Unidas, diz o mesmo. O mistério de tanta felicidade já foi alvo de interesse de vários jornalistas, com direito a reportagens emitidas pelo 60 Minutes e protagonizadas pela incontornável Oprah. Os motivos podem ser vários, mas o livro Pais à Maneira Dinamarquesa reclama que a solução está na forma como estes homens e mulheres são criados.

As autoras do livro que chega a 21 de setembro às livrarias portuguesas — a cronista norte-americana Jessica Joelle Alexander e a psicoterapeuta e terapeuta familiar dinamarquesa Iben Dissing Sandahl — defendem que a busca pela felicidade começa na infância e entregam aos pais a chave do sucesso que passa por deixar as crianças brincar, pela comunicação autêntica e pelo estímulo da empatia. A teoria em causa, essa, resulta de “mais de 13 anos de experiência, pesquisa, estudos de base e factos acerca da cultura e vida diária dinamarquesa”.

pais

Mas como são, então, os pais dinamarqueses?

Os pais dinamarqueses apostam na brincadeira livre

As autoras começam por contrariar a tendência (bem intencionada) de alguns pais, que enchem as agendas dos filhos com atividades extracurriculares, incluindo vários desportos. A ideia defendida é a de que os mais novos devem pura e simplesmente brincar — isto é, serem deixados sozinhos ou na companhia de amigos para brincar exatamente como lhes apetecer. Aqui, brincar não é o mesmo que praticar um desporto ou participar numa atividade organizada por um adulto, e o ato não deve ser encarado como um desperdício de tempo:

Com frequência, sentimos que estamos a ser melhores pais quando lhes ensinamos alguma coisa ou os envolvemos num desporto, ou oferecemos aos seus pequenos cérebros algum ‘input’. Brincar parece ser um desperdício de tempo de aprendizagem valioso. Mas será mesmo?” (Pais à Maneira Dinamarquesa, p. 31)

Acontece que a brincadeira livre ensina as crianças a serem menos ansiosas, mais resilientes e a lidar melhor com o stress. Para explicarem o quão importante a brincadeira é para a sociedade dinamarquesa, Jessica e Iben relatam que durante muitos anos as crianças a viver no país não começavam a escola antes dos sete anos (em Portugal o ensino obrigatório começa aos seis anos de idade; pode iniciar-se aos cinco salvo algumas exceções), e que atualmente as crianças com menos de 10 anos terminam as aulas às duas da tarde.

Brincar é tão central na visão dinamarquesa da infância que muitas escolas têm programas que promovem a aprendizagem através do desporto, da brincadeira e do exercício para todos os alunos.” (Pais à Maneira Dinamarquesa, p. 43)

Têm cuidado com os elogios

Os filmes dinamarqueses têm muitas vezes finais sombrios e tristes, muito aquém do tradicional happy ending de uma longa-metragem de domingo à tarde. Aliás, e a título de curiosidade, no conto “A Pequena Sereia”, do também dinamarquês Hans Christian Andersen, a jovem não fica com o príncipe ao contrário do que a Disney nos leva a crer. Escrevem as autoras, baseando-se num estudo da Universidade de Ohio, que “ao contrário da crença popular, ver filmes trágicos ou tristes torna, na verdade, as pessoas mais felizes, chamando a sua atenção para alguns aspetos mais positivos das suas próprias vidas“.

Nesta lógica de pensamento, as autoras defendem que as crianças precisam de “honestidade emocional” e que agir com autenticidade é o primeiro passo para ensinar os mais novos a serem verdadeiros consigo mesmos e com os outros. Porque reconhecer e aceitar as emoções boas e más é muito importante e o oposto do autoengano, que pode levar a decisões tomadas com base em influências externas. A isso acrescenta-se a importância de elogiar a tarefa desempenhada em detrimento da criança em si, o que “ajuda a direcionar a atenção para o trabalho envolvido, mas também ensina humildade”.

O elogio está intimamente ligado à forma como as crianças vêm a sua inteligência. Se ouvem louvores constantes por serem naturalmente espertas, talentosas ou dotadas, desenvolvem aquilo a que se chama uma mentalidade ‘fixa’ (a sua inteligência é fixa e eles possuem-na). Por contraste, as crianças a quem é dito que a sua inteligência pode evoluir com o trabalho e educação desenvolvem uma mentalidade de crescimento (podem fazer evoluir as suas capacidades porque trabalham arduamente por isso). (Pais à Maneira Dinamarquesa, p. 57)

São otimistas e, ao mesmo tempo, realistas

Aqui entra a noção do “otimismo realista”, isto é, a capacidade de reenquadrar uma situação tensa, uma coisa que, afirmam as autoras, os dinamarqueses fazem há bastante tempo. “Eles ensinam aos seus filhos esta valiosa competência, e aprender a reenquadrar desde cedo ajuda-os a crescer para se tornarem naturalmente melhores a fazê-lo em adultos”, escrevem Jessica e Iben. A ideia não passa por ser-se extremamente otimista, antes prático, no sentido em que se dá destaque a um lado alternativo de uma mesma história — é uma questão de perspetiva. Referindo um conjunto de estudos, as autoras argumentam que o reenquadramento ajuda na forma como o medo, a dor e a ansiedade são interpretados, afirmando que esta capacidade está diretamente relacionada com a linguagem que é usada.

A nossa linguagem é uma escolha, e é fundamental porque forma o enquadramento através do qual vemos o mundo.” (Pais à Maneira Dinamarquesa, p. 76)

Levam a empatia muito a sério

Por empatia entende-se a capacidade de reconhecer e compreender os sentimentos dos outros, uma ferramenta que parece estar cada vez mais em desuso entre os mais novos. Exemplo disso é um estudo da Universidade do Michigan, nos EUA, que mostrou que atualmente o estudantes universitários têm menos 40% de empatia que os estudantes da década de 1980 e 1990. Em contrapartida, dizem as autoras da obra em questão, o narcisismo aumentou significativamente. Mas porque é que é a empatia é tão importante? Eis a resposta:

A empatia facilita a nossa ligação com outros. Desenvolve-se na infância através da relação com a figura de afeto. Uma criança aprende, em primeiro lugar, a sintonizar-se com as emoções e estados de espírito da sua mãe e, mais tarde, com as de outras pessoas. É por isso que o contacto visual, as expressões faciais, o tom de voz e outras atitudes, são tão importantes no início de vida”. (Pais à Maneira Dinamarquesa, p. 103)

Os dinamarqueses levam a empatia tão a sério que esta é considerada uma espécie de disciplina, com direito a ocupar uma hora por semana do calendário escolar, tendo em conta crianças dos seis aos 16 anos.

Fazem do “Hygge” uma forma de vida

Hygge, que se pronuncia “huga”, significa aconchego e para os dinamarqueses é uma forma de estar na vida. É, na sua essência, um conceito que promove a proximidade entre amigos e familiares, que envolve uma atmosfera acolhedora, a entreajuda de todos e o deixar o drama e os desejos individuais de parte em nome da união de grupo, sem telefones ou tablets por perto.

Aprendendo o hygge podemos melhorar as reuniões familiares para as tornar experiências mais agradáveis e memoráveis para os nossos filhos. Deixando o ‘eu’ à porta e concentrando-nos no ‘nós’, podemos eliminar muito do drama e negativismo desnecessários por vezes associados às reuniões familiares. Famílias felizes e um forte apoio social geral crianças mais felizes. (Pais à Maneira Dinamarquesa, p. 168)

E como é em Portugal?

Qualquer comparação é injusta, convenhamos, mas importa tentar perceber porque é que, à partida, os pais dinamarqueses podem ser diferentes dos portugueses. Certo que um recente estudo internacional sobre mobilidade infantil colocou Portugal no fim da lista e classificou os pais portugueses como sendo dos mais protetores no mundo. Mas até dados resultantes de uma pesquisa global devem ser contextualizados, assegura Maria Filomena Gaspar, docente na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, da Universidade de Coimbra.

“A parentalidade em português é a parentalidade em Portugal. Não é apenas o resultado das relações pai e filho, mas também o resultado das expetativas sociais que os pais têm de enfrentar”, diz a também terapeuta e mediadora familiar, que assegura que a sociedade portuguesa tem um discurso dúbio — por um lado responsabiliza os pais, por outro carece na oferta de condições para uma “parentalidade positiva”. Maria Filomena Gaspar fala nos horários de trabalho reduzido dos dinamarqueses, quando há crianças pequenas à mistura, e também na licença de maternidade que naquele país pode chegar às 52 semanas (sim, um ano).

Fala ainda da conjuntura económica e também das questões culturais, lembrando que até 1974 a maioria dos portugueses não tinha acesso à escolaridade. Mais, segundo a própria, “as escolas discriminam as famílias, pagamos aos professores [tendo em conta as explicações] quando os nossos filhos têm insucesso escolar, enquanto na Dinamarca a função da escola é conseguir que todos os alunos consigam atingir aquilo que é o seu nível de competência”.

E quanto aos pais protetores, a docente comenta que até 1970 muitos portugueses viviam na aldeia, onde todos se conheciam e o perigo seria diminuto, realidade que se veio a alterar drasticamente. “Começámos a trazer pessoas para a urbe e começámos a assistir a novos tipos de famílias. Isso criou a necessidade de proteger os filhos de perigos com os quais os pais não sabiam lidar.”

As sociedades devem estruturar-se para dar autonomia às crianças, assegura Maria Filomena Gaspar. “Tem de ser uma missão da sociedade, não só da família.”

 

 

Programa de Educação do Oceanário 2016/2017

Setembro 21, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

https://www.oceanario.pt/educacao/escolas/

 

“O sistema educativo português faz mal às crianças?”

Setembro 2, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Teto do site http://www.educare.pt de 26 de agosto de 2016.

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As crianças mudaram, os pais também. O mundo não é o que era dantes. Mas a escola continua quase igual. E não é só em Portugal.

Andreia Lobo

Com o ano letivo prestes a começar, uma família residente no Luxemburgo decide voltar a Portugal a tempo de matricular o filho no primeiro ano do ensino básico. Na bagagem trazem alguns receios. “É verdade que o sistema educativo português faz mal às crianças?” A pergunta é dirigida ao psicólogo Eduardo Sá: “Não, mas tomaria eu que fosse só o português que fizesse mal, significaria que todas as outras crianças da Europa viviam num paraíso.”

As crianças mudaram. Os pais mudaram. O mundo mudou. Mas “em Portugal ainda estamos a funcionar em função do passado”, critica Eduardo Sá. “A formação de professores continua mais ou menos igual e ainda não percebemos que as escolas não servem para construir jovens tecnocratas de sucesso, mas para construir pessoas melhores.”

Ainda assim, tranquiliza o psicólogo, “há cada vez mais escolas que percebem que os professores têm de ser escolhidos a dedo, que os projetos educativos têm de ser construídos em função dos professores e não em função de ideias absurdas”.

O professor da Universidade de Coimbra, acredita que é tempo de parar de “funcionar como se de repente ainda estivéssemos a escolarizar em massa”. Um olhar sobre o modo como os últimos ministérios da educação foram conduzindo algumas políticas leva a uma conclusão obvia: “Ainda não perceberam que a ideia não é entrar num clima de “ó tempo volta para trás””, ironiza.

Com o início do ano letivo é tempo de olhar para a frente. E pensar “como vamos construir um futuro melhor, com os professores e as escolas que temos, nutrindo uma ideia do que temos de criar para a educação”.   Desde logo, importa criar “de facto” escolas inclusivas e plurais começa por dizer Eduardo Sá. Quanto mais não seja, “porque a vida é o que há mais de inclusivo no mundo.” Educar para a inclusão, é um dos grandes desafios que se coloca à educação.

“Se criarmos nas crianças a ideia de que o exclusivo é bom e tudo o resto é atentatório não há sistema educativo por mais sensato que seja que salve as crianças.”

Por outro lado, antes da escola estão os pais, lembra o psicólogo. “Quando os pais fazem escolhas como deve ser, por mais que os sistemas educativos estejam constipadíssimos, as crianças crescem saudáveis.” Assim, aos receios da família que retorna agora do Luxemburgo, Eduardo Sá responde: “Não é por vir para Portugal que vai estragar o seu filho. Mas vai ter de ter um juízo imenso ao escolher o professor a quem os vai entregar. E uma sensatez fora do vulgar ao perceber que uma escola tem de ser um sítio aberto e plural.”

Menos mal

O que foi considerado um dos males do sistema educativo português está definitivamente afastado. Acabaram os exames nacionais do 4.º e do 6.º ano. Apesar de contarem 30% para a nota final, nunca houve consenso na comunidade educativa quanto à sua importância. E todos os anos, a sua realização enfrentava a oposição de pais e professores. Até que foram considerados “prejudiciais” para os alunos e extintos pelo atual Ministério da Educação.

O novo modelo de avaliação externo continua, no entanto, a dividir opiniões. Há quem receie que as provas de aferição façam diminuir o grau de exigência colocado pelos anteriores exames.

Contudo, os dois modelos de avaliação têm um denominador comum. Servem, basicamente, para perceber o que se passa num número significativo de crianças em relação aos seus conhecimentos. A apreciação do que os alunos sabem ou não continua com a realização das provas de aferição. A diferença? Não contam para nota. E realizam-se não no final do ciclo, mas a meio. Ou seja, testam os conhecimentos dos alunos do 2.º, 5.º e 8.º ano. O ano letivo de 2016/2017 inaugura em todas as escolas esta nova etapa.

Polémicas à parte, Eduardo Sá prefere desdramatizar. “Gosto que as crianças fiquem com dores de barriga antes de cada exame, porque à medida que eles vão a jogo é como se deixassem de estar sempre a jogar em casa e passassem a jogar fora. E, com isso, inevitavelmente crescem.”

No entanto, o psicólogo insiste em lembrar que a própria vida é feita de exames. Daqueles que não são forçosamente realizados com papel e caneta. “Às vezes tenho medo que se dê mais importância aos exames escolares que aos de todos os dias. E que as crianças se tornem muito habilitadas para aqueles exames e depois nos outros todos fiquem com carências graves.”

Perguntamos a Eduardo Sá o que não gostava nos antigos exames nacionais? “Não gostava dos professores que a partir de fevereiro infernizavam a vida das crianças por causa dos exames. Das direções de escola que infernizavam a vida dos professores por causa dos exames. E dos pais que empanturravam as crianças de explicações e as privavam de sábados e domingos, antes dos exames.”

Seja na avaliação ou na aferição de conhecimentos, para Eduardo Sá, professores e direções das escolas não podem ignorar as qualidades, nem as dificuldades das crianças e dos jovens que ensinam. “Os alunos são como as colheitas dos vinhos, nem sempre são como desejaríamos.”

 

 

 

Um em cada seis jovens adultos portugueses não trabalhava nem estudava em 2015

Agosto 13, 2016 às 5:56 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://p3.publico.pt/ de 11 de agosto de 2016.

Ryan Tauss

Ryan Tauss/Unsplash

Os jovens entre os 20 e os 24 anos estão cada vez mais a usufruir do estatuto de trabalhador-estudante e estudante. Há cada vez menos jovens exclusivamente a trabalhar

Texto de Lusa

Um em cada seis jovens portugueses, com idades entre os 20 e os 24 anos, não estavam nem a trabalhar nem a estudar em 2015, segundo dados do Eurostat, que revelam que esta situação se agravou na última década.

De acordo com os dados do Eurostat sobre “Educação, emprego, ambos ou nenhum? O que estão os jovens a fazer na UE?“, divulgados nesta quinta-feira, a proporção de jovens que não estão nem a trabalhar nem a estudar (NEET) aumenta consideravelmente com a idade. Os dados estatísticos colocam o foco no grupo etário dos 20 aos 24 anos, indicando que, de entre os 31 países analisados (28 Estados-membros da União Europeia, mais Islândia, Noruega e Suíça), Portugal situava-se, em 2015, entre aqueles que tinham maior percentagem de jovens na situação de NEET (12.º lugar).

Além disso, o Eurostat aponta que Portugal foi um dos países em que a taxa de NEET cresceu na última década (2006 a 2015), enquanto noutros se verificou uma descida. Neste período, o número de jovens entre os 20 e os 24 anos em situação de NEET aumentou 4,9 pontos percentuais, em Portugal, passando de 12,6% para 17,5%. Esta mostrou ser uma tendência contra corrente, com a generalidade da UE, já que mais de metade dos países europeus tinha maior percentagem de jovens em NEET do que Portugal. Ou seja, em 2006, Portugal estava entre os 13 países com menos jovens nessa situação (18 Estados-membros tinham mais), mas, em 2015, a situação inverteu-se e Portugal passou a figurar entre 13 Estados-membros com mais jovens em NEET (18 países com menos).

No mesmo período, Portugal viu aumentar o número de pessoas entre os 20 e os 24 anos em situação de “exclusivamente a estudar” (de 33,7% para 42,3%), assim como “a estudar e a trabalhar” (de 4,8% para 8,5%). Já no que respeita à situação de “exclusivamente a trabalhar”, verificou-se uma queda acentuada entre esses jovens (de 49% para 31,7%). O que significa que, nos últimos dez anos, nesta faixa etária, passou a haver mais estudantes e trabalhadores-estudantes, mas também menos empregados e mais desocupados.

Os dados do Eurostat sobre “Educação, emprego, ambos ou nenhum? O que estão os jovens a fazer na UE?” foram divulgados na véspera do Dia Internacional da Juventude, e indicam que, no espaço europeu, quase cinco milhões de jovens entre os 20 e os 24 anos não estavam nem a estudar nem a trabalhar em 2015.

Números

12.º Entre os 31 países analisados, Portugal situava-se entre aqueles que tinham maior percentagem de jovens na situação de NEET (12.º lugar).

de 12,6% para 17,5% De 2006 para 2015, o número de jovens nesta situação NEET aumentou 4,9 pontos percentuais: de 12,6% para 17,5%.

 

 

Conferência “A Educação na Era Digital” 21 de julho de 2016, Auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian

Julho 7, 2016 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A conferência é de entrada gratuita, de registo online obrigatório e sujeita à lotação dos espaços

mais informações no link:

http://gulbenkian.pt/evento/a-educacao-na-era-digital/

 

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