Alunos portugueses acima da média da UE na leitura e ciência, piores no abandono

Novembro 26, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.dn.pt/ de 10 de novembro de 2017.

Pedro Sousa Tavares

Relatório da UE confirma indicadores dos testes PISA de 2015 mas também evidencia caminho a percorrer em várias áreas

O bom desempenho dos alunos portugueses de quinze anos nos testes PISA 2015, da OCDE, reflete-se no relatório Monitor da Educação e Formação 2017, da União Europeia. Com base nesses resultados, os estudantes nacionais são colocados acima da média comunitária na Leitura (17,2% de resultados fracos contra 19,7%) e na Ciência (17,4% contra 20,6%), com a Matemática a destoar (23,8% face a 22,2%).

Mas este bom indicador – que na realidade já era conhecido deste que foram revelados os resultados do PISA 2015 – convive com vários outros que, apesar de regra geral indicarem melhorias entre 2013 e 2016, evidenciam também a distância que ainda separa o país dos parceiros comunitários e das metas propostas.

Nos principais indicadores, nomeadamente aqueles que fazem parte dos compromissos assumidos para 2020 em termos de qualificações pelos países da União Europeia, Portugal progrediu mais rapidamente do que os parceiros. Mas continua abaixo da média.

No abandono escolar precoce (alunos dos 18 aos 24 anos que não concluíram o secundário nem estão a estudar), o total baixou dos 18,9% para os 14% e este é um dos “progressos” elogiados ao país no relatório. Por comparação, a média comunitária progrediu dos 11,9% para os 10,7%.

Mas estes números continuam a evidenciar que mais jovens portugueses abandonam a escola prematuramente do que nos restantes países europeus. Entre as medidas “em curso” para contrariar essa realidade, o relatório destaca a implementação do Plano nacional de Promoção do Sucesso Escolar, lembrando que “o número de escolas participantes excedeu as expectativas” iniciais do Ministério da Educação.

Igualmente significativos o crescimento da percentagem dos portugueses, entre os 30 e os 34 anos, que concluíram cursos superiores. A média cresceu dos 30% para os 34,6%. Ainda assim, os autores do relatório consideram que, apesar da melhoria, “será um desafio atingir a ambiciosa meta nacional para 2020”. O objetivo, recorde-se, é chegar aos 40% de diplomados nestas faixas etárias dentro de pouco mais de dois anos.

A cobertura de creches e pré-escolar é uma das áreas em que, de acordo com o relatório, o país regrediu entre 2013 e 2016, passando dos 95% para os 93,6%. Com isso, o país deixa também de ter uma cobertura superior à média comunitária, que evoluiu no mesmo período dos 93,9% para os 94,8%. Contudo, é recordado o compromisso do governo de assegurar a universalidade da cobertura de pré-escolar, dos três aos cinco anos, até ao final da legislatura, em 2019.

A Educação de adultos também teve uma quebra, ainda que residual (9,7% para os 9,6%), com os peritos da União Europeia a lembrarem que esta tem “um papel central” nas atuais políticas.

Descarregar o relatório Education and Training Monitor 2017 no link:

https://ec.europa.eu/education/policy/strategic-framework/et-monitor_pt

 

 

 

 

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Falta de interesse pelo ensino ameaça futuro da educação

Novembro 21, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.dn.pt/ de 25 de outubro de 2017.

Maria João Gala/Global Imagens

 

Só 1,5% dos alunos que fizeram os testes PISA em 2015 (e a maioria deles com resultados abaixo da média) admitem suceder aos 2/3 dos docentes que se vão reformar até 2032

A renovação do corpo docente poderá tornar-se um problema sério para o país no futuro próximo. De acordo com um estudo realizado para o Conselho Nacional de Educação (CNE), com base no relatório dos testes PISA 2015 da OCDE, apenas 1,5% dos estudantes de 15 anos – a maioria dos quais com desempenhos abaixo da média – admitem ser professores no futuro. E esta crise de vocações para o ensino surge na altura em que se prevê que, face ao forte envelhecimento da classe, dois terços dos atuais professores se reformem nos próximos quinze anos.

Esta percentagem de apenas 1,5% de estudantes interessados em imitar o percurso dos seus professores foi um dos indicadores que surpreenderam pela negativa os autores do estudo “Porque melhoraram os resultados do PISA em Portugal”, que será apresentado hoje, na Universidade do Algarve, no âmbito do Mês da Educação e da Ciência que está a ser promovido pela Fundação Francisco Manuel dos Santos.

Até porque, revela também este estudo, os alunos portugueses até têm uma imagem positiva dos seus professores. O problema, diz ao DN Isabel Flores, uma das investigadoras, é que não só são poucos os que convertem essa admiração pelos docentes numa vocação mas também os poucos que o fazem estão na franja que tem resultados mais fracos. Nos testes PISA, que têm por referência o valor médio de 500 pontos, os alunos portugueses que admitem vir a ser professores não vão além dos 450 pontos a Matemática, quando a média nacional à disciplina rondou os 490.

“Não está em causa apenas o número”, explica Isabel Flores. “Na Finlândia também só há 3% de alunos que querem ser professores. Mas lá a média destes alunos é de 570. São os melhores: a média deles foi 510/511 pontos”, explica. “O facto de entre nós apenas os alunos comparativamente mais fracos desejarem ser professores é muito preocupante. A partir destes dados – e também do envelhecimento do corpo docente – concluímos que é urgente mudar a imagem da profissão de professor entre os mais jovens”, considera.

Profissão “desqualificada”

Também para David Justino, presidente do Conselho Nacional de Educação (passará em breve a pasta a Maria Emília Brederode dos Santos), estas conclusões implicam a tomada de medidas. “Esses dados deixam-nos preocupados. Não só são poucos os que querem ser professores como os que o desejam são alunos que neste momento não estão entre os que têm boas notas”, diz.

Para o ex-ministro da Educação, o desinteresse dos alunos está relacionado com a “representação social dos professores”, que perdeu relevância devido aos critérios de seleção dos que lecionam nas escolas: “Se nós não fizermos algo que permita que haja alguma seletividade no acesso a professores e critérios de qualidade na sua formação inicial, vamos ter problemas, porque cada vez mais a profissão de professor é vista como desqualificada”, considera.

“O atual sistema, sendo aparentemente igualitário, não permite ao Estado fazer a seleção dos melhores”, acrescenta, relembrando o estudo “De onde vêm os professores”, também do CNE. “Esses dados já são assustadores, porque revelam que uma grande parte das escolas que estão a fornecer os maiores contingentes de professores, nomeadamente para o ensino básico e educadores de infância, não são necessariamente as escolas mais reconhecidas pelos seus méritos”, diz.

Mário Nogueira, secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), até concorda com a ideia de que a profissão está desqualificada. Mas não por falta de qualidade de parte do efetivo: “Essa é uma opinião do professor David Justino desde o tempo em que era ministro”, lembra. “Se as escolas não têm qualidade, fechem-nas”, desafia.

Para o sindicalista, o que está a afetar o prestígio da profissão de docente é sobretudo a realidade dos diplomados da área: “Os jovens sabem, veem e percebem que os professores são hoje profissionais que vivem dramas terríveis de desemprego. Sabem que um professor que conclui a sua formação fica dez a quinze anos desempregado ou a viver situações de grande precariedade, colocado longe da sua residência e das suas famílias. São carreiras cada vez menos atrativas”, sintetiza, lembrando que em Inglaterra “também se desvalorizou a profissão e, passados alguns anos, tiveram de ir recrutar professores a países de língua inglesa, como a Índia”.

De acordo com o último relatório Perfil do Docente, do Ministério da Educação, num universo de 104 386 docentes a dar aulas nas escolas públicas no ano letivo de 2015-16, apenas 383 tinham menos de 30 anos. A percentagem de docentes sub-30 era de apenas 0,4% do total.

 

 

 

Educação para todos? Há atualmente 264 milhões de crianças e jovens fora da escola

Outubro 26, 2017 às 2:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança, Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do http://24.sapo.pt/ de 24 de outubro de 2017.

Menos de 20% dos países do mundo garantem legalmente 12 anos de educação gratuita e obrigatória, segundo um relatório da UNESCO hoje divulgado, sendo este o período de escolaridade vigente em Portugal.

De acordo com a agência das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), há atualmente 264 milhões de crianças e jovens fora da escola e 100 milhões de jovens que não sabem ler.

Portugal, tal como outros países, surge no relatório associado a indicadores do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), em cuja última edição (2015) os alunos portugueses surgiram com melhores resultados nas três áreas avaliadas (matemática, leitura e ciências), ficando pela primeira vez acima da média da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE).

No relatório agora divulgado, refere-se um aumento do ensino vocacional no sul da Europa desde 2000, que em Itália foi de 15 pontos percentuais e em Portugal de 11 pontos.

O relatório de Monitorização Global da Educação de 2017 – 2018 da UNESCO destaca a responsabilidade dos governos em fornecer educação universal de qualidade e enfatiza que a responsabilização é indispensável para alcançar esse objetivo.

No documento refere-se que Portugal criou a Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3es) e instou as instituições a adotarem sistemas internos de garantia de qualidade, com o apoio da agência, que também faz auditorias.

Quanto aos indicadores relacionados com violência na escola e as suas várias formas, as taxas em que estudantes de 15 anos relataram algum tipo de ‘bullying’ variam entre cerca de 10% na Holanda, Portugal e República da Coreia e 25% na República Dominicana, Hong Kong, China, Letónia e Tunísia.

A UNESCO alerta que problemas educacionais sistémicos podem ter efeitos colaterais negativos, além de ampliarem a desigualdade e prejudicarem a aprendizagem.

No trabalho, defende-se que culpar os professores por absentismo e por resultados insatisfatórios em testes é, de uma forma geral, injusto e não construtivo.

O relatório é lançado hoje em Maputo na presença de vários ministros da Educação de países africanos.

A edição deste ano tem como tema “Responsabilização na educação: cumprir os nossos compromissos”.

mais informações na notícia da Unesco:

Don’t just blame the teacher when the system is at fault, says UNESCO

 

 

Inteligência artificial na educação: não a ignore, use-a bem! | artigo

Outubro 13, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Texto e imagem do blogue http://blogue.rbe.mec.pt/ de 19 de setembro de 2017.

por Sébastien Turbot* | Fonte: Porvir |

Como a chegada de novas ferramentas e algoritmos pode transformar a experiência mão na massa e tornar a aprendizagem mais profunda e relevante

“A combinação de humanos com máquinas não é o futuro, é o presente”, disse o xadezista russo Garry Kasparov numa recente palestra TED.

E esse “presente” está a transformar o mundo da educação em ritmo acelerado. Com as crianças cada vez mais a usar tablets e a programação a ser incluída nos currículos nacionais por todo o mundo, a tecnologia está a tornar-se parte integrante das salas de aula, tal como o giz e o quadro negro.

Já testemunhámos o aumento e o impacto da tecnologia da educação, especialmente através de uma multiplicidade de plataformas de aprendizagem adaptativa, como Khan Academy e Coursera, que permitem aos alunos aprimorar as suas habilidades e conhecimento.

E agora a realidade virtual (VR, na sigla em inglês) e a inteligência artificial (AI, também em inglês) estão a ganhar força. Um recente relatório do grupo editorial britânico Pearson decifra como a inteligência artificial transformará positivamente a educação nos próximos anos. Segundo os autores do relatório, “o futuro oferece o potencial de ferramentas e apoio ainda maiores. Imagine companheiros de aprendizagem ao longo da vida alimentados por AI que possam acompanhar e apoiar estudantes individuais ao longo de seus estudos – dentro e além da escola – ou novas formas de avaliação que medem a aprendizagem enquanto ela está a ocorrer, moldando a experiência de aprendizagem em tempo real”.

Na verdade, os altos custos continuam a ser um desafio, mas o dia em que as ferramentas de inteligência artificial e realidade virtual serão tão acessíveis quanto os smartphones e os computadores de mesa não está longe.

As máquinas inteligentes estão a desempenhar um papel importante na entrega de conhecimentos personalizados e relevantes aos alunos, onde e quando necessário. Por exemplo, a Content Technologies Inc., uma empresa de pesquisa e desenvolvimento de inteligência artificial baseada nos Estados Unidos, está aproveitando a aprendizagem profunda para entregar livros personalizados. A empresa lançou Cram101 e JustFact101 para transformar livros de texto feitos há dezenas de anos em guias de aprendizagem inteligentes e relevantes, tornando o tempo de estudo eficiente.

Além disso, a aprendizagem agora está-se a transformar numa experiência verdadeiramente imersiva dentro e fora da sala de aula. Como curador de conferência, planeio vivências com atividades imersivas para oferecer aos participantes experiências memoráveis, deixando-os com um forte desejo de voltar no ano seguinte.

E como educador, acredito que a mesma estratégia tem o poder de estimular criatividade, engajamento e resultados de aprendizagem mais fortes entre os meus alunos. Mas, durante décadas, a aprendizagem experimental foi confinada a experiências científicos no arcaico laboratório da escola ou a trabalhos de férias de verão. Mas com realidade virtual e inteligência artificial, a aprendizagem experiencial ou mão na massa tem um significado totalmente novo.

Uma variedade de ferramentas de realidade artificial, incluindo o HoloLens, da Microsoft, Oculus Rift, do Facebook, ou o Google Expedition estão a traduzir aulas tradicionais em experiências de significado do mundo real.

Imagine uma sala cheia de estudantes explorando o naufrágio do Titanic, a ver dinossauros a caminhar ao redor deles, descobrindo a Amazônia ou simplesmente aterrando na lua como astronautas – que salto gigante na educação?!

“Estamos a afastar-nos simplesmente de “aprender” um assunto ou tópico para “sentir” o conteúdo. Essa não é simplesmente uma ferramenta de engajamento ou um truque, ela permite que um aluno explore, experimente ou seja envolvido em algo, como se estivesse realmente presente naquele ambiente ou lugar “, escreveu recentemente Graeme Lawrie, diretor de inovação e extensão na escola Sevenoaks, que fica no Reino Unido.

E os estudantes não são os únicos beneficiários.

Os sistemas de tutoria inteligentes, como o Carnegie Learning ou o Third Space Learning, ajudam os professores a libertar-se da abordagem “tamanho único”. Essas plataformas individuais de tutoria utilizam o big data e ferramentas de análise de aprendizagem para fornecer aos tutores retornos avaliativos em tempo real sobre desempenho, pontos fortes e fracos dos alunos. O retorno avaliativo ajuda os professores a determinar as necessidades exatas de aprendizagem, as falhas em habilidades de cada aluno e fornecer orientação suplementar.

Muitas vezes ouço especialistas dizerem que “a tecnologia piorou os maus professores. Portanto, não há dúvida de que precisamos continuar a investir em formação e desenvolvimento profissional. Nenhuma máquina pode substituir professores humanos, mas pode salvá-los de desmoronar sob pressão. Lembram-se do professor da Universidade de Georgia Tech (EUA) Ashok Goel, que usava o assistente Jill Watson construído a partir de inteligência artificial? Trata-se de uma ilustração de como as máquinas inteligentes ajudarão a transição dos professores do sábio no palco para assumirem o papel de mentores e facilitadores.

Para Thomas Arnett, escritor do Instituto Clayton Christensen, “Em vez de ver o progresso tecnológico como uma ameaça, professores e líderes educacionais devem aproveitar as várias maneiras pelas quais a tecnologia pode melhorar seu trabalho”.

Arnett acredita que a automação ajudará a simplificar as tarefas básicas de ensino e ajudar os líderes escolares a lidar com os principais desafios para a instrução de qualidade – a saber, diferenças na qualidade dos professores, interesses diversos de estudantes e o acumular de expectativas colocadas sobre os professores.

“Inovações que tornam commodity algumas habilidades dos professores também fornecem ferramentas para aumentar a eficácia de professores não-especialistas e especialistas para novos patamares e se adaptarem às novas prioridades de uma força de trabalho e sistema educacional do século 21″, escreve Arnett em seu relatório Teaching in the Machine Age (Ensino na era da máquina).

Neste relatório, Arnett também discute o potencial da inteligência artificial para reconhecer e desenvolver professores de alto potencial. “Os pesquisadores podem identificar os professores com chance de atingir alta qualidade no futuro com base nas observações, em respostas questionários preenchidos por alunos e nas notas das provas, mas são muito menos bem-sucedidos na identificação das características de professores eficientes ou na elaboração de um caminho claro para os preparar e desenvolver”.

E o mais importante, além do domínio do conteúdo, os professores serão capazes de ajudar os seus alunos a desenvolver as tão necessárias habilidades não-cognitivas do século 21, como confiança e criatividade.

A imagem que eu projeto neste artigo pode parecer excessivamente otimista para muitos.

Na verdade, a inteligência artificial e a tecnologia educacional não são uma panaceia para desafios sistémicos. A inteligência artificial pode acabar não sendo o próximo salto gigante na educação e, obviamente, trará o seu próprio conjunto de problemas e desvantagens.

Mas não vamos ignorar os seus pontos fortes inatos que poderiam ajudar a resolver as flagrantes lacunas no ensino e na aprendizagem que estamos a lutar para resolver há décadas.

adapatdo do português do Brasil.

Inteligência artificial na educação: não ignore, faça bom uso!

Inteligência artificial na educação: não ignore, faça bom uso!. (2017). PORVIR. Retrieved 19 September 2017, from http://porvir.org/inteligencia-artificial-na-educacao-nao-ignore-faca-bom-uso/

*Sébastien Turbot é o curador e diretor de programas globais no WISE (World Innovation Summit for Education) da Qatar Foundation. Siga-o no Twitter: @sturbot

 

Especialista do MIT sugere estratégias contra ‘passividade’ de alunos…

Outubro 5, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do site https://educacao.uol.com.br/ a Jennifer Groff no dia 17 de setembro de 2017.

Paula Adamo Idoeta

Disciplinas de pouca aplicação prática e ensino de conteúdo distante do contexto real são prejudiciais aos alunos por ensiná-los a pensar de um modo linear, que não os prepara para o mundo. É o que diz a especialista americana em educação Jennifer Groff, pesquisadora-assistente do Laboratório de Mídias (Media Lab) do MIT (sigla em inglês para o Instituto de Tecnologia de Massachusetts).

Groff é autora de estudos sobre ensino personalizado, inovações em sistemas de aprendizagem e uso de jogos e tecnologias em sala de aula.

Em entrevista à BBC Brasil em São Paulo, onde atuará como diretora pedagógica da escola Lumiar, Groff faz coro ao crescente número de especialistas internacionais que defendem um ensino mais baseado em habilidades e competências do que em disciplinas tradicionais.

Ela também defende que a mudança na base curricular brasileira (documento do Ministério da Educação atualmente em fase de consulta pública) é uma oportunidade para dar flexibilidade para que professores possam adotar jogos, brincadeiras e projetos em sala de aula.

A seguir, os principais trechos da entrevista:

BBC Brasil – Uma das áreas que você estuda é aprendizagem por jogos. O que, na sua experiência, tem funcionado ou não em termos de jogos em sala de aula?

Jennifer Groff – Em nosso laboratório, buscamos jogos que envolvam [o aluno] em experiências e permitam a imersão em um conceito –em vez de um jogo que simplesmente o instrua a fazer uma tarefa.

Por exemplo, para ensinar a tabuada, brincadeiras com blocos permitem às crianças perceber que “dois blocos mais dois formam quatro”.

Não gostamos de jogos em que o aluno completa quatro perguntas de matemática para ganhar o direito de atirar em alienígenas e em seguida, “ok, a brincadeira acabou, é hora de resolver mais uns problemas de matemática”.

Tentamos ajudar os professores a verem o valor de um aprendizado mais voltado à brincadeira, explorando um tópico em vez de “encher” a cabeça dos alunos com ideias.

Videogames comerciais também podem ser usados de modo eficiente. Civilization e Diplomacy  já foram usados por bons professores como ferramenta para engajar os alunos em temas como negociação, por exemplo. (…) E [é importante] deixar as crianças liderarem [o processo], deixar que elas sejam professores também.

BBC Brasil – Muito tem sido dito sobre o aprendizado não mais centrado no professor, e sim nos alunos. É a isso que você se refere?

Groff – Exatamente. Muitos dos jogos que desenvolvemos no nosso laboratório são criados para serem jogados socialmente, em grupos – somos seres sociais e não construímos conhecimento em isolamento.

Fazemos com que essa experiência individual e coletiva seja o centro [do aprendizado], e o professor [tem de] criar um ambiente dessas experiências para as crianças e, talvez depois, avaliar essas experiências – mais do que comandar um plano de aula.

BBC Brasil – O que tem sido mais eficiente nas transformações dos ambientes de aprendizagem nas escolas?

 

Groff – Sabemos por pesquisas e por escolas [bem-sucedidas] que o bom aprendizado é centrado no estudante, que constrói seu próprio conhecimento socialmente.

Em muitos currículos, temos aquela aula de 45 minutos de matemática, por exemplo, e [os estudantes] nem sequer sabem por que estão aprendendo matemática. Os estudantes não a recebem [o conteúdo] em contexto.

E contexto é algo poderoso – projetos, problemas, conceitos do mundo real. As escolas em que vejo um aprendizado mais robusto são as que trabalham nesses parâmetros (…) baseados em competências.

A questão é que [historicamente] não sabíamos como medir o desempenho dos alunos em grande escala, então os dividimos em séries com base em suas idades, todos aprendendo a mesma coisa ao mesmo tempo.

Hoje vemos que isso não ajuda muito. Entendemos hoje que o aprendizado é orgânico, individualizado, diversificado, e no entanto o jeito como gerenciamos nossas escolas não reflete isso.

Por isso que tem ganhado muita atenção o modelo de aprendizado baseado em competências – por exemplo, pensamento crítico e outras habilidades, em vez de dividir [as aulas] artificialmente em matérias.

BBC Brasil – E como conciliar isso com um modelo tradicional de provas e avaliações?

Groff – Esse é o problema. As avaliações são apontadas há muito tempo como o maior problema na educação, e com razão. Como muitos modelos são atados a elas, acaba sendo o rabo que balança o cão. [O ideal], em um futuro próximo, é a avaliação estar inserida no sistema de modo que as crianças nem sequer percebam [que estão sendo avaliadas].

Avaliações são essencialmente feedback, e todos precisamos de feedback.

Uma das razões pelas quais me interessei pelo aprendizado por jogos é que (…) um bom jogo consegue [via algoritmos] coletar o tempo todo dados dos usuários e se adaptar com base nisso [ou seja, compreender o que o aluno já aprendeu e sugerir-lhe conteúdo que complemente suas deficiências de ensino].

BBC Brasil – Nesse modelo, como saber o que cada criança precisa aprender até determinado estágio?

Groff – Não deveríamos colocar tais expectativas sobre as crianças, do tipo “até esta idade elas precisam saber isto”.

Provavelmente deve haver zonas de alerta – devemos nos preocupar se até determinada idade a criança não souber ler ou escrever, por exemplo.

Mas um dos problemas da educação é a expectativa de que todos os alunos [aprendam uniformemente], e não é assim que funciona.

Queremos que eles sigam seus interesses, que é de onde virá sua motivação, e temos de coletar dados para saber em que ponto eles estão em termos de competências.

Há um mapa de competências ainda em desenvolvimento [pelo MIT Media Lab]. (…) São grandes áreas de domínio, como pensamento crítico, pensamento sistemático [levar em conta múltiplas opções, prever consequências e efeitos], pensamento ético, ou outras habilidades. Até mesmo matemática, línguas.

É possível medir esse desenvolvimento em crianças, assim como é possível acompanhar um bebê aprender a se mexer até ser capaz de correr.

Com essas medições, professores não precisariam [aplicar] provas, e sim permitir que os alunos tenham uma experiência de aprendizado poderosa e depois simplesmente monitorá-la.

BBC Brasil – Como avaliar matemática nesse contexto?

Groff – Passei meu ensino médio aprendendo álgebra, geometria, trigonometria, pré-cálculo e cálculo. E e não uso a maioria dessas coisas hoje. É algo totalmente inútil para a maioria dos estudantes, que acabam deixando de aprender coisas como finanças, estatística, análise de dados –e vemos dados diariamente, mas não sabemos tirar sentido deles.

A matemática é um grande exemplo de disciplina que precisamos olhar sob uma perspectiva de competência. Não precisamos de uma sociedade repleta de matemáticos, mas, sim, de pessoas com competência de equilibrar seu orçamento pessoal, calcular seus impostos.

BBC Brasil – Você mencionou pensamento ético. Como habilidades sociais como essa podem ser ensinadas?

Groff – De forma geral, é [levar em conta] múltiplas perspectivas sociais. Quanto mais você conseguir olhar [algo] da perspectiva de muitas pessoas e tomar decisões com base nisso, mais éticas serão suas decisões.

O MIT tem um jogo chamado Quandary [dilema, em tradução livre], que coloca as crianças em um mundo fictício com vários cenários em que não há uma resposta certa ou errada, mas sim decisões a tomar e consequências. É um exemplo desse aprendizado mais divertido e contextual.

Se entrarmos em uma escola tradicional e pedirmos ao professor que ensine pensamento ético, ele provavelmente não vai ter nem ideia de como fazer. E um jogo é perfeito para isso – brincando em cenários fictícios em vez de tendo uma aula. (…) A maioria das inovações ocorre justamente em escolas onde há liberdade para brincar.

BBC Brasil – É possível implementar esse ensino por competências em um país tão grande quanto o Brasil?

Groff – Com certeza. (…) A Finlândia, por exemplo, jogou fora seu currículo inteiro, porque quer que suas escolas sigam essa direção e viu que uma das maiores barreiras são essas estruturas rígidas do currículo.

BBC Brasil – O Brasil também está mudando sua base curricular. Quais os principais desafios e oportunidades disso?

Groff – O maior desafio é ter mais do mesmo, com uma roupagem diferente. Mas para qualquer país que reforme seu currículo há uma grande oportunidade: o documento pode moldar o dia a dia do aprendizado nas escolas. (…) Eu daria [esse documento] a professores de escolas públicas e perguntaria a eles se o modelo os convida a ensinar de um modo diferente.

As pessoas subestimam o impacto dessas estruturas, que são uma grande oportunidade de mudança. Por exemplo, em uma visita ao Reino Unido, vique escolas da Escócia estavam adotando o ensino baseado em projetos [em que alunos realizam projetos multidisciplinares, em vez de aula tradicionais] e me disseram que isso só foi possível porque o novo currículo permitiu.

BBC Brasil – Você se aprofundou nas dificuldades do ensino brasileiro? O que vê como maiores desafios?

Groff – Não sei muito ainda, então não posso falar em termos específicos. Mas, globalmente, todos os sistemas educacionais estão tentando fazer que suas escolas sejam transformadoras – e uso essa palavra intencionalmente porque [a busca] é por um formato totalmente diferente.

No Centro para a Redefinição de Currículos [organização internacional cofundada por Groff], um dos trabalhos é ajudar os países a fazerem grandes mudanças nos documentos oficiais: tire [do currículo] aquele ano de trigonometria, você não precisa dele.

A maioria dos países tem medo de se livrar dessas antigas disciplinas e não percebe o impacto negativo que isso tem em seus alunos. Precisam pensar com mais coragem sobre a questão de habilidades e competências.

Tantas crianças nas escolas são tão passivas, absolutamente desengajadas, desmotivadas, e isso faz mal a elas. Estamos treinando-as a pensar de um modo linear e achatado, que não as prepara para o mundo.

É mais crucial do que nunca pensar em como romper esse ciclo.

BBC Brasil – Vivemos em uma época em que ideias podem ser reforçadas por “fake news” e por algoritmos que conseguem expor usuários de redes sociais a conteúdos selecionados. Como ensinar pensamento crítico nesse ambiente?

Groff – É um ótimo exemplo de como, se colocamos as crianças em ambientes de aprendizado em que elas não são desafiadas a controlar suas próprias decisões, elas nunca vão refletir sobre essas questões.

Você quer que as crianças vão à escola para simplesmente obedecer e entrar na fila, ou quer um ambiente fértil em que elas floresçam como agentes no mundo?

Você não pode esperar que, em um ambiente em que as crianças têm de apenas obedecer, aprendam a ser cidadãos engajados e conscientes.

 

Guia Europeu para as Escolas: mantenha-se ligado à escola

Setembro 12, 2017 às 6:00 am | Publicado em Recursos educativos | Deixe um comentário
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mais informações no link:

http://dge.mec.pt/noticias/guia-europeu-para-escolas-mantenha-se-ligado-escola

Cuáles son las apps imprescindibles para profesores y docentes?

Agosto 25, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Recursos educativos | Deixe um comentário
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Texto do site http://www.educaciontrespuntocero.com/

por Pablo Espeso

Por aquí ya hemos hablado en alguna ocasión de los recursos imprescindibles para un profesor: páginas web, plataformas o sitios en los que encontrar ideas, actividades y, en general, todo tipo de materiales para usar en clase. También tenemos ideas para asignaturas más específicas, pero no nos habíamos parado a pensar en todos aquellos docentes que, día a día, utilizan su smartphone o tablet en el aula. ¿Cuáles son las apps imprescindibles para cualquier profesor?

La realidad es que una buena parte de la vida en el aula puede realizarse exclusivamente con un teléfono móvil, o con una tableta. A través de un dispositivo como estos pueden gestionarse notas y asistencia o comunicarse con las familias, realizar presentaciones, trabajos o tomar notas, crear tu propio contenido exclusivo para tus alumnos o incluso evaluar a través de herramientas de gamificación. A continuación encontrarás una selección de apps que hacen más llevadera la vida del docente: son las apps imprescindibles para profesores.

Un LMS

A medida que las TIC han ido adentrándose en las aulas, cada vez son más las plataformas de aprendizaje adecuadas a este nuevo contexto. Se les llama LMS, Learning Management System, y permiten que los alumnos puedan visualizar contenido volcado por un profesor en un portal web. De este modo podrán acceder a todo tipo de recursos alrededor de una asignatura, materia o lección.

Ejemplos hay muchos pero siempre es recomendable seguir algunas pautas para elegir el más adecuado a nuestro entorno: Edmodo, Google Classroom, Moodle… son solo algunos de los más reconocidos, y prácticamente todos tienen apps para poder gestionar la información desde otros dispositivos. Además, también muchos de ellos permiten la comunicación con las familias, una característica cada vez más deseada en la era digital.

Almacenamiento en la nube

Cada vez son más frecuentes los sistemas de almacenamiento en la nube que nos permite compartir cualquier tipo de archivo, entre diferentes dispositivos, así como por supuesto categorizar y organizar información, ya sea para un uso personal o incluso para enviársela a nuestros alumnos.

De nuevo, plataformas de almacenamiento en la nube hay muchas, decenas de diferentes servicios que podemos adecuar a nuestros intereses. Algunos más conocidos como Dropbox o OneDrive, y otros más minoritarios pero que merece la pena estudiemos para poder incorporarlos a nuestro día a día como docentes.

Apps de ofimática

Lo que antaño era exclusivo de ordenadores ahora ha abierto un nuevo mundo de posibilidades a través de smartphones y tablets. Existen innumerables apps de ofimática con las que, además de abrir y visualizar ficheros que nos envíen, también podemos editar y personalizar los nuestros propios. Edición de textos, hojas de cálculo, bases de datos…

En esto siempre ha existido una suite de cabecera: Microsoft Office que en esta nueva etapa está dominando el mercado de la ofimática con Office 365, compuesta por los programas que conocemos de siempre (Word, Excel, PowerPoint) junto con algunos añadidos como OneNote u Outlook para el correo electrónico. Todo en formato de app o accesible a través de un navegador o del software más tradicional.

Junto a Office 365 han ido apareciendo unas cuantas alternativas que merece la pena plantear: Google Drive, Apple iCloud o varias decenas de diferentes alternativas que podemos encontrar en las respectivas tiendas de apps.

Para las presentaciones

Tener un proyector o una pizarra digital en clase es algo cada vez más habitual, y una de las cosas que podemos hacer para aprovechar al máximo estas tecnologías es utilizarlas para mostrar contenido: presentaciones, por ejemplo, en formato digital.

Si te interesa crear tus propias presentaciones para morstrarlas en el aula, entonces necesitarás una app que te permita crearlas directamente desde el tablet o el smartphone: al igual que sucede con las suites de ofimatica, también existen multitud de apps con las que crear presentaciones para clase. Por ejemplo el conocido PowerPoint, pero también alternativas más visuales como Prezi, que tiene algunos resultados increíbles.

Estas apps en ocasiones te permiten elaborar desde cero la presentación, y otras veces solo mostrarla y proyectarla. Puede que lo tengas que hacer a través de un cable o, más cómodo, de forma inalámbrica. Sea como fuere, al docente del siglo XXI le ayudará saber que todo esto puede hacerlo desde el dispositivo de su bolsillo.

Para tomar notas

No solo nuestros alumnos deben tomar notas en él aula. Para los docentes surgen numerosas oportunidades a lo largo del día en las que una libreta vendría de maravilla para tomar apuntes, recoger información (por ejemplo, de una prueba de evaluación, de un debate…). Por supuesto, también hay apps para ello.

Ejemplos hay muchos. OneNote, de Microsoft, cumple con esta misión: tomar notas, compartirla e incluso editarlas de forma colaborativa entre varios profesores o alumnos. Y no se ciñe exclusivamente a notas de texto: también reseñas imágenes o vídeos, enlaces a páginas web o incluso dibujos hechos a mano, o con un lápiz digital.

Otra de las opciones más representativas en lo que a apps para tomar notas se refiere es Evernote, aunque como decimos hay muchas más de donde elegir.

Apps de diseño

Otra grata posibilidad que los nuevos dispositivos móviles han traído a cualquier usuario son aquellas que permiten dar rienda suelta a nuestra parte más creativa: diseñar, editar imágenes, crear infografías… en definitiva, crear imágenes digitales.

De nuevo las posibilidades se cuentan por decenas e incluso podemos subdividirlas en diferentes categorías: para dibujar, para crear infografías o para editar vídeo. Aquí hay que hacer un importante estudio previo para pensar qué es exactamente lo que quiere el docente, y con ello buscar aquella app que mejor se adecue a sus intereses.

Juegos y concursos

La gamificación tiene su espacio en clase, y además de divertir al docente también le sirve para evaluar. Aplicaciones como Kahoot o Trivinet permiten plantear un ‘concurso’ y que los alumnos se unan a participar. Son solo dos de los muchos ejemplos de plataformas para evaluar a nuestros estudiantes, la mayoría de ellas desde nuestro teléfono móvil.

El profesor es el encargado de crear el juego de preguntas y respuestas, ya sea a través de un dispositivo móvil o desde el ordenador; una vez lo tenga, puede enviárselo a sus alumnos para que estos participen. La muchas de estas plataformas tienen la respectiva app que podemos descargar e instalar para acceder directamente a todo el contenido, y junto con todas las demás herramientas permiten redondear este ‘pack’ de apps imprescindibles para docentes.

 

 

 

Ter uma criança passa a ter um guia online

Julho 17, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Notícia da https://www.rtp.pt/ de 30 de junho de 2017.

ouvir a notícia do link:

https://www.rtp.pt/noticias/pais/ter-uma-crianca-passa-a-ter-um-guia-online_a1011503#

mais informações:

https://www.portaldocidadao.pt/web/instituto-da-seguranca-social/tenho-uma-crianca

Descarregar o manual Tenho uma Criança : Guia para conhecer os seus direitos, deveres e outras informações úteis no link:

https://www.portaldocidadao.pt/documents/842037/0/tenho_uma_crianca.pdf/

Planos de ajustamento do FMI podem afetar saúde infantil

Junho 21, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Noticia do http://www.dnoticias.pt/ de 16 de maio de 2017.

Os programas de austeridade do FMI nos países mais pobres podem diminuir a capacidade de alguns pais de garantir a saúde dos filhos, concluiu um estudo científico publicado na segunda-feira e contestado pela instituição financeira.

Realizado por seis universidades, este estudo publicado na revista norte-americana Proceedings of the National Academy of Sciences junta-se a uma vasta literatura sobre os possíveis malefícios da austeridade orçamental promovida pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) nos países do sul.

O estudo, que compilou dados de 67 países recolhidos nos anos 2000, afastou a hipótese de uma “causa direta” entre uma degradação dos indicadores de saúde e os planos do FMI, que fornece empréstimos aos Estados em troca de programas de consolidação das finanças públicas.

O trabalho identificou “efeitos contraditórios” que a ação do FMI tem na saúde infantil.

“As intervenções do FMI procuram aumentar a estabilidade económica, o que traz benefícios para a população. No entanto, ao mesmo tempo, as medidas de ajustamento impostas pelo FMI diminuem os efeitos protetores [que o nível] de educação dos pais [tem] na saúde infantil”, escreveram os autores das universidades de Cambridge e Oxford, no Reino Unido.

Assim, os lares onde o chefe de família tem pelo menos um nível de educação primário têm, em termos gerais, mais condições de responder às necessidades dos filhos em termos de acesso à água, nutrição ou vacinação.

Esta capacidade é reduzida nos países sob assistência do FMI, especialmente em meios rurais, indicou o estudo.

De acordo com os investigadores, o nível de escolaridade dos pais reduz os riscos de malnutrição infantil em 38% em épocas normais, mas apenas em 21% quando os países estão a ser apoiados pelo FMI.

Esta diferença está relacionada, de acordo com os investigadores, com a redução das despesas públicas exigidas pelo FMI que “comprime os salários” e provoca perdas de oportunidade de emprego, arriscando-se a limitar a “utilidade (…) de uma educação básica” na capacidade dos pais de garantirem uma saúde melhor aos filhos.

Contactado pela agência noticiosa France Presse (AFP), o FMI criticou o estudo e disse que este falhou em estabelecer uma ligação direta entre os planos de resgate e a saúde infantil.

De acordo com a instituição, os investigadores concluíram “de maneira errónea” que os gastos com a educação diminuem nos países sob assistência do FMI, com consequências nefastas para a saúde infantil.

“As nossas análises mostram que as despesas públicas com a educação aumentaram significativamente nos países de baixos rendimentos, durante a implementação dos programas de assistência do Fundo”, indicou uma porta-voz do FMI em comunicado.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Impact of International Monetary Fund programs on child health

 

 

 

XVII Encontro sobre o uso das TIC na Educação – 11 e 12 de julho em Leiria

Junho 13, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

http://eventos.ccems.pt/2017/

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