Ter uma criança passa a ter um guia online

Julho 17, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , , , , ,

Notícia da https://www.rtp.pt/ de 30 de junho de 2017.

ouvir a notícia do link:

https://www.rtp.pt/noticias/pais/ter-uma-crianca-passa-a-ter-um-guia-online_a1011503#

mais informações:

https://www.portaldocidadao.pt/web/instituto-da-seguranca-social/tenho-uma-crianca

Descarregar o manual Tenho uma Criança : Guia para conhecer os seus direitos, deveres e outras informações úteis no link:

https://www.portaldocidadao.pt/documents/842037/0/tenho_uma_crianca.pdf/

Planos de ajustamento do FMI podem afetar saúde infantil

Junho 21, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , , , , , ,

Noticia do http://www.dnoticias.pt/ de 16 de maio de 2017.

Os programas de austeridade do FMI nos países mais pobres podem diminuir a capacidade de alguns pais de garantir a saúde dos filhos, concluiu um estudo científico publicado na segunda-feira e contestado pela instituição financeira.

Realizado por seis universidades, este estudo publicado na revista norte-americana Proceedings of the National Academy of Sciences junta-se a uma vasta literatura sobre os possíveis malefícios da austeridade orçamental promovida pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) nos países do sul.

O estudo, que compilou dados de 67 países recolhidos nos anos 2000, afastou a hipótese de uma “causa direta” entre uma degradação dos indicadores de saúde e os planos do FMI, que fornece empréstimos aos Estados em troca de programas de consolidação das finanças públicas.

O trabalho identificou “efeitos contraditórios” que a ação do FMI tem na saúde infantil.

“As intervenções do FMI procuram aumentar a estabilidade económica, o que traz benefícios para a população. No entanto, ao mesmo tempo, as medidas de ajustamento impostas pelo FMI diminuem os efeitos protetores [que o nível] de educação dos pais [tem] na saúde infantil”, escreveram os autores das universidades de Cambridge e Oxford, no Reino Unido.

Assim, os lares onde o chefe de família tem pelo menos um nível de educação primário têm, em termos gerais, mais condições de responder às necessidades dos filhos em termos de acesso à água, nutrição ou vacinação.

Esta capacidade é reduzida nos países sob assistência do FMI, especialmente em meios rurais, indicou o estudo.

De acordo com os investigadores, o nível de escolaridade dos pais reduz os riscos de malnutrição infantil em 38% em épocas normais, mas apenas em 21% quando os países estão a ser apoiados pelo FMI.

Esta diferença está relacionada, de acordo com os investigadores, com a redução das despesas públicas exigidas pelo FMI que “comprime os salários” e provoca perdas de oportunidade de emprego, arriscando-se a limitar a “utilidade (…) de uma educação básica” na capacidade dos pais de garantirem uma saúde melhor aos filhos.

Contactado pela agência noticiosa France Presse (AFP), o FMI criticou o estudo e disse que este falhou em estabelecer uma ligação direta entre os planos de resgate e a saúde infantil.

De acordo com a instituição, os investigadores concluíram “de maneira errónea” que os gastos com a educação diminuem nos países sob assistência do FMI, com consequências nefastas para a saúde infantil.

“As nossas análises mostram que as despesas públicas com a educação aumentaram significativamente nos países de baixos rendimentos, durante a implementação dos programas de assistência do Fundo”, indicou uma porta-voz do FMI em comunicado.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Impact of International Monetary Fund programs on child health

 

 

 

XVII Encontro sobre o uso das TIC na Educação – 11 e 12 de julho em Leiria

Junho 13, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

mais informações:

http://eventos.ccems.pt/2017/

Como explicar o terrorismo às crianças?

Junho 8, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

 

Desta vez um ataque terrorista teve como alvo um público muito jovem. Devem os pais falar sobre isso com os filhos? E como? Fomos ouvir um pedopsiquiatra e quatro psicólogas.

Na terça-feira à noite, as 21 mil pessoas que assistiam ao concerto da cantora pop norte-americana Ariana Grande no Manchester Arena, em Inglaterra, foram surpreendidas, no final do espetáculo, por uma forte explosão que vitimou 22 pessoas e deixou outras 59 feridas. Mais um atentado, já reivindicado pelo Estado Islâmico, que se soma a muitos outros nos últimos meses mas este com uma particularidade que o distingue dos demais: desta vez o alvo foram sobretudo crianças (e os pais que as acompanhavam).

Por isso, e pelo facto de o atentado ter ocorrido no final de um concerto de um dos ídolos pop das crianças e jovens, faz com que, provavelmente, as crianças e adolescentes se sintam mais identificadas e estejam mais sensíveis a estas notícias. É também natural que as dúvidas e perguntas em torno deste atentado e vindas desta faixa etária surjam com mais expressão.

A pensar nisso, no concerto desta cantora que está agendado para o dia 11 de junho no MEO Arena, nos receios dos pais e nas eventuais perguntas que possam surgir em casa, o Observador falou com quatro psicólogas e um pedopsiquiatra para ajudar a encontrar respostas para algumas das questões que possam estar a surgir neste momento.

  1. Deve-se falar e explicar o terrorismo às crianças e pré-adolescentes?
    Sim. Esconder informação não deve ser opção.

“Vindo a propósito, os pais podem falar do terrorismo, sem alarmismo”, defende Pedro Pires, pedopsiquiatra do Hospital Garcia de Orta, em Almada. Uma opinião subscrita pela psicóloga clínica Filipa Silva: “Neste momento, a questão da violência e do terrorismo estão na ordem do dia e devem ser discutidas. Não é possível abafar a informação e não parece que esconder informação seja a melhor abordagem”.

Também Isabel Abreu-Lima, professora na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, defende que a criança que interroga sobre este assunto deve ter uma resposta e que os pais não devem mentir. “Contudo essa verdade deve ser doseada. Devemos ajustar as nossas explicações, monitorizando a forma como a criança está a reagir.”

E a psicóloga clínica e psicoterapeuta Patrícia Câmara é da opinião que “a abordagem não deve ser nunca que as coisas não acontecem, ainda que não devam ser empoladas”.

2. Como deve ser feita a abordagem? Como se deve explicar o terrorismo?
“Há pessoas boas e más”

OK, deve-se falar sobre estes atentados e sobre o terrorismo às crianças e pré-adolescentes. Mas como? Inês Marques, psicóloga clínica, coordenadora da equipa infanto-juvenil da Oficina da Psicologia, aconselha a que os pais evitem vocabulário difícil quando estão a falar para crianças em idade de pré-escolar ou a frequentar o ensino primário. “O ideal é falar de pessoas boas e más, sempre na lógica de que as pessoas não nascem más mas que há algo na história de vida dessas pessoas que as levou para esse extremo”. E questionados sobre as motivações dessas pessoas más, os pais podem “assumir que é muito difícil perceber o que está por detrás de tudo isto, que eles próprios não entendem. Ser genuíno é muito importante”.

Também Filipa Silva, psicóloga clínica e formadora, começa por dizer que é preciso “adaptar o discurso”. “Até aos seis anos devemos explicar, contrariamente a alguns livros de histórias encantadas, que nem toda a gente é boa e que nem todos os fins de história são felizes. E isso não tem mal nenhum”, assegura a psicóloga, acrescentando que “dos seis aos 10 anos, ainda numa fase da infância, podemos começar a usar a palavra ataque e explorar o que é isto do ataque. Da pessoa que não está bem e que planeia fazer mal aos outros”. Isso, remata a Filipa Silva, “sem nunca fazer associações a etnias, nem religiões, nem nacionalidades.” A partir dos 11 anos, “aí já podemos elaborar a ideia de terrorismo porque já vão perceber os conceitos”.

Um dos conceitos que as crianças devem aprender desde cedo é o da maldade, e também têm de perceber que há limites e que todos os atos têm consequências nos outros, sublinha a docente da Universidade do Porto, Isabel Abreu-Lima. “Tem de se explicar que existe maldade, que há pessoas, de facto, más e que causam sofrimento nos outros, que há pais que ficaram tristes e meninos que morreram, mas que também há muitas pessoas boas e que isso é o mais frequente.” Ou seja, até aos seis ou sete anos de idade o melhor mesmo, destaca a psicóloga, é dar uma “explicação simples e linear de que há pessoas más” pois a criança “não vai entender o que é o terrorismo”.

Abordar o assunto pela tónica de que “a maldade existe e que o mundo também é feito de pessoas más” é a melhor solução também na opinião do pedopsiquiatra Pedro Pires. Quanto a uma explicação mais elaborada, essa só deve chegar mais tarde. “A partir dos 10 anos a explicação pode ir até onde o pai ou a mãe sabe que vai a maturidade do filho.”

Para Patrícia Câmara, mais do que dizer que são más pessoas, pode-se dizer que são “pessoas que esqueceram que são pessoas que não aguentam que os outros sejam felizes”.

3. Explicar só depois das crianças perguntarem ou explicar mesmo sem haver perguntas?
Procurar perceber o que a criança quer saber. “Menos é mais”
O pedopsiquiatra acha que a explicação só deve chegar caso a criança pergunte. Já a psicóloga clínica Filipa Silva considera que no caso das crianças até aos seis anos “devemos observar e ver se têm algum tipo de alteração de comportamentos ou se abordam o assunto para não introduzirmos conteúdos precocemente sem necessidade”.

Para Inês Marques, da Oficina da Psicologia, “um bom princípio é, ainda antes de responder às questões, perguntar à criança ou pré-adolescente o que já sabe, o que já ouviu falar e o que gostava de saber mais”. Desta forma, acrescenta, a mãe ou o pai poderão “adequar o conteúdo e a quantidade de informação, assim como a linguagem”.

Já Patrícia Câmara responde com cautela, afirmando que “conhecendo os nossos filhos e se sabemos que ficam mais impressionados com o tema devemos falar, mesmo que eles se calem. Devemos gerir o assunto de acordo com o tipo de criança que temos e a idade, mas sobretudo tentando não minimizar mas, por outro lado, não tornando o assunto demasiado próximo”.

4. Como evitar que as crianças fiquem com medo?
Dizendo que há mais pessoas boas do que más

Sem esconder os próprios receios — “porque o medo é uma emoção que surge para nos proteger mas que muitas vezes é ativado em situações não reais” –, os pais devem “passar, na medida do possível, confiança e segurança aos filhos”, sublinha a psicóloga Inês Marques, e, para tal , devem insistir na ideia de que “a maioria das pessoas é boa e não usa violência e que este grupo de pessoas más é uma minoria e que estes atentados são circunscritos”.

Também a psicóloga Filipa Silva sublinha a importância de os adultos se acalmarem antes de falar com os filhos. “Importa primeiro regular as nossas próprias emoções e então mais calmos podemos falar com as crianças. Se estamos a tentar acalmar as crianças e não estivermos tranquilos elas vão sentir isso”, começa por dizer Filipa Silva, para logo acrescentar que “é preciso dizer que há mais pessoas boas do que más”. Além disso, “vale a pena muitas vezes pegar no argumento de que estes atentados são distantes e até se pode mostrar no mapa. Se a distância não puder ser usada como argumento de segurança, podemos pôr o foco nas figuras policiais e dizer que o senhor mau já foi apanhado”. Questionados sobre a possibilidade de voltar a acontecer uma situação parecida, os pais devem dizer a verdade: “pode acontecer, mas é pouco provável”.

Desde logo “os pais têm de estar calmos e não passar o nervosismo porque a criança fica mais aflita com a reação dos pais do que com o acontecimento em si”, frisa o pedopsiquiatra Pedro Pires, que insiste na ideia de que não se deve gerar alarmismo. “Não podemos passar a ideia de um mundo perigoso porque isso pode criar na criança um medo excessivo e generalizado. Os pais devem dizer que há de facto perigos, mas que, de um modo geral, o mundo não é perigoso.” E na mesma onda, Isabel Abreu-Lima sublinha a importância de não passar a ideia de que “o mundo e a vida são negativos e que não há nada a fazer contra estes atentados”. “A mensagem deve ser sempre de esperança.”

“É importante passar a mensagem às crianças que, aconteça o que acontecer, há sempre alguém e que mesmo que estejam sozinhas vai sempre haver alguém que vai ajudar, uma mão que vai aparecer. E que essas mãos, às vezes, vêm de dentro de nós, da força interna das coisas boas que vivemos”, aconselha a psicóloga Patrícia Câmara.

 

5. Qual o controlo em relação às imagens do atentado?
Pais devem controlar o acesso às imagens do atentado
Na opinião de Inês Marques, os pais devem “tentar que as crianças não tenham demasiada exposição às imagens e vídeos porque as crianças podem não ter maturidade suficiente para gerir essas imagens violentas”. Também Filipa Silva alerta que “é preciso ter cuidado com o tipo de imagem a que as crianças têm acesso. A criança pode ver uma foto, não tem de ver 10”.

Também o pedopsiquiatra do Garcia de Orta não tem dúvidas que “a criança deve ser protegida dessas imagens” que vão sendo divulgadas dos momentos que sucederam à explosão da bomba artesanal. “Não é expondo a realidade crua que faz com que as crianças tenham noção da realidade.”

“A gestão das imagens deve vir acompanhada da gestão de tudo o resto. A exposição às imagens oferece um nível de crueldade às crianças que não há necessidade”, defende a psicóloga Patrícia Câmara.

 

6. Devo deixar a minha filha ou o meu filho ir ao concerto da Ariana Grande em Lisboa?
Não há decisões certas, nem erradas
Para o pedopsiquiatra Pedro este atentado não deve fazer os pais mudarem de ideias “porque o atentado não teve a ver com a Ariana Grande. O que se passou foi a utilização de um acontecimento”, embora “tenham o direito de ter receio e não querer que os filhos vão. E aí devem ser francos”. O médico deixa contudo claro que “reforçar a segurança só reforça a insegurança. O ideal é agir de forma natural”.

Também Filipa Silva sublinha que “os pais têm total legitimidade de ficar preocupados e que não há escolhas certas nem erradas” e nesse sentido podem dizer que “neste momento, face à proximidade deste atentado, não se sentem à vontade para ir ao concerto. É como se fosse uma ferida que ainda está a sarar”. Porém, acrescenta, “há um princípio importante: quando começamos a fortalecer o medo e contornar questões eventualmente perigosas, começamos a encher um balão e se começamos a contornar tudo o que possa envolver perigo voltamos à era em que voltamos a ter crianças em casa”. E, por isso, na opinião desta psicóloga a abordagem, perante a insistência da criança ou pré-adolescente, pode ser outra: “fico mais intranquilo do que estava, mas se queres ir vamos porque se não vamos agora não vamos a mais nenhum concerto, nem tínhamos ido a Fátima ver o Papa”.

Patrícia Câmara é igualmente da opinião que “reiterar o medo é dar força à parte maligna” e, por isso, “escondermo-nos em bunkers não é solução”, até porque é preciso saber lidar com a “imprevisibilidade da vida”, sendo certo que a última decisão caberá sempre aos pais.

“Manter as nossas rotinas é importante”, defende Inês Marques. E caso os pais sejam questionados sobre a hipótese de vir a acontecer um atentado como o que teve lugar em Manchester, devem ser “sinceros” e dizer que “pode acontecer, embora a probabilidade de acontecer seja reduzida”.

Já a docente da Universidade do Porto, Isabel Abreu-Lima, vestindo a pele dos pais diz que “tentaria não tomar decisões já e abriria a porta para uma reflexão, tentando que a decisão fosse partilhada com a criança”. “Adiar a decisão é o mais sensato porque em cima do acontecimento será sempre não”, afirma, enfatizando que “a decisão diz respeito aos pais” e que eles “têm de ser soberanos”.

 

Artigo do Observador, publicado em 23 de maio de 2017

10 dicas para vencer as birras

Junho 6, 2017 às 9:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: ,

 

As birras das crianças podem ser uma verdadeira dor de cabeça para pais e cuidadores.
Em situações mais graves as birras podem interferir significativamente no quotidiano de pais e filhos, visto que simples tarefas como ir ao supermercado podem ser uma tormenta!

É importante compreender o fenómeno das birras considerando o período desenvolvimentista em que as crianças estão. Entre os 2 e os 5 anos é expetável que surjam algumas birras, o que se justifica em grande parte pelas características cognitivas típicas destas idades. Nesta fase o pensamento das crianças é caracterizado por algum egocentrismo, isto é, tendem a perceber as situações apenas do seu ponto de vista e não se colocam no ponto de vista das outras pessoas, nomeadamente dos pais ou demais cuidadores. Experienciam a mesma dificuldade face à capacidade para anteciparem e compreenderem os sentimentos dos outros – leitura da mente. Desta forma, as crianças centram-se nos seus próprios interesses e negligenciam as regras impostas pelos adultos.

Assim, as birras fazem parte do processo de desenvolvimento e aprendizagem de uma criança, sendo necessário estabelecer regras e limites claros que permitam estruturar o seu quotidiano e compreender o mundo que as rodeia, bem como, ajudá-las a gerir o sentimento de frustração.

Implemente regras claras – Quando se dirige a um sítio público, apresente-lhe as consequências positivas e negativas decorrentes do seu comportamento. Antes de entrar numa loja, estabeleça contacto visual com o seu filho e exponha de forma clara o comportamento que espera e o que vai acontecer como resultado: “Quando entrarmos na loja, quero que fiques ao pé de mim. Não foges para lado nenhum. Se ficares ao pé de mim, divertimo-nos e depois tens uma recompensa. Se não ficares ao pé de mim, vais fazer uma pausa para o carro.” Confirme que o seu filho percebeu as instruções, fazendo-o repeti-las.

Dê apoio ao seu filho – Ao entrar num local público, comece imediatamente a comentar de modo positivo o comportamento do seu filho. “Obrigado por ficares ao pé de mim. Gostei muito.” Continue a reforçar a atitude do seu filho com frequência.

Seja firme – as birras das crianças podem ser muito poderosas e por diversos motivos os pais são tentados a ceder. Em lugares públicos os olhares dos outros são muitas vezes motivo de incómodo para os pais. Noutras situações de maior cansaço, ou indisponibilidade emocional para “lutar” contra as birras, a saída mais fácil parece ser mesmo ceder. Tente ser firme e consistente nas regras que implementou, caso contrário, a tendência será para que a criança tente sempre contornar as regras na esperança que os pais cedam às suas vontades.

Mantenha calma – pode ser muito difícil lidar com situações de birra e a calma nem sempre prevalece. É importante que não se exalte quando o seu filho faz uma birra e que lhe dê um exemplo adequado de como gerir emoções. Se queremos que a criança aprenda a lidar com a frustração e com as emoções de valência negativa, o adulto deverá constituir um modelo de comportamento.

Use a pausa, se necessário – Assim que o seu filho começar a violar as regras, pode pegar-lhe na mão com firmeza e levá-lo até ao carro (ou canto da loja) para uma pausa de cinco minutos.

Não preste atenção à birra– Na presença duma birra, o passo essencial é não satisfazer o pedido da criança. Se o fizer, estará a dizer à criança que o seu mau comportamento lhe oferece privilégios. Em vez disso, afaste-se da criança e ignore-a. Se não for capaz de tomar esta atitude, retire a criança do espaço em que se encontra. Leve-a para casa e coloque-a numa divisão da casa sem distrações, onde possa refletir acerca do seu mau comportamento. Não lhe dê atenção, nem procure dar nenhum sermão à criança nesta altura, pois o seu estado emocional de exaltação não o vai permitir.

Quando a birra terminar, converse com o seu filho – Explique-lhe com clareza que este tipo de comportamentos não leva a nada. Poderá aplicar um pequeno castigo, de acordo com a regra que havia estipulado. Não ameace, aplique o castigo! Seja consistente, se não o fizer, a criança poderá aproveitar-se desse facto para obter mais recompensas. Se decidir aplicar um castigo, faça-o imediatamente a seguir ao mau comportamento. Se deixar passar muito tempo, a criança deixará de associar o castigo a esse comportamento em concreto, pelo que o castigo deixará de ter o efeito pretendido.

Planeie de forma adequada a sua rotina – Para evitar confusões e brigas constantes, planeie a sua rotina, e evite levar o seu filho para locais onde se desestabilize frequentemente.

Esteja atenta ao comportamento do seu filho – se as birras não faziam parte do comportamento do seu filho e nota que têm vindo a surgir com mais frequência, esteja atenta! Tente perceber se algo mudou na sua rotina, no seu comportamento na escola ou noutros contextos. As birras poderão ser um reflexo de instabilidade emocional provocada por outras problemáticas.

Procure ajuda profissional – se as birras assumem presença constante no vosso quotidiano, a sua frequência e intensidade já ultrapassaram o que seria normativo em termos de desenvolvimento, até já utilizou diversas estratégias aqui apresentadas e não vê melhorias no comportamento do seu filho, o melhor será mesmo procurar aconselhamento junto de um profissional, nomeadamente de um psicólogo infantil, que o poderá ajudar a compreender as causas das birras, ajudá-lo a alcançar maior estabilidade emocional e capacidade de auto-controlo, ajudando também os pais a lidar mais eficazmente com este problema e a modificar possíveis fatores de manutenção do mesmo.

Artigo das Psicólogas Carla Pereira e Sandra Alves para uptokids.pt

É crime, dizem eles!

Março 23, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Uma advogada e um juiz andam de escola em escola para que alguns alunos não se tornem arguidos por desconhecimento da lei. A iniciativa chama-se “Educar para o Direito”.

Advogada há 20 anos, Paula Varanda cansou-se de se deparar em tribunal com jovens que ali chegaram, muitas vezes, por atos irrefletidos. Mãe de três adolescentes, Paula Varanda acredita que se soubessem o que os espera, pelo menos alguns jovens não chegariam aos centros de reabilitação nem às prisões.

É com a fotografia de um centro tutelar educativo, para menores, que abre a sessão na Escola Secundária de Santa Maria, em Sintra. Depois outra foto, da prisão de Setúbal. Na plateia estão rapazes e rapariga. Atenção máxima a uma aula que não conseguem enquadrar em nenhuma disciplina. Ar apreensivo.

Ana Varanda movimenta-se no espaço como numa grande sala de audiências. Voz firme, projetada, ritmo marcado pelo picar dos saltos altos no chão. Fala de tudo com a linguagem deles, “às vezes são os professores que ficam chocados com a minha maneira de falar!”, diz Paula Varanda, enquanto ri.

A sessão passa em revista todos os crimes mais frequentes entre os jovens. “Dano: oito a 12 anos de prisão! Estão a ver os muros do Palácio de Belém, a casa do Marcelo? Grafitar aquelas paredes dá prisão. É património do Estado”. Seguem-se o roubo, furto, namoro violento.

Aqui e ali há um daqueles vídeos de agressões em escolas que tem circulado da internet. “Estão a ver aquela de preto? Tem 16 anos, só filmou, mas vai responder”. Uma e outra vez, a advogada de Almada explica que a lei agrava todas as penas quando há divulgação de imagens de um crime nas redes sociais. Quem só grava as imagens é como se tivesse agredido.

Pedro Mourão encerra a aula, outro estilo. Sentado, voz pausada, ar paciente. “Sou juiz há 30 anos. Já fui juiz do crime aqui em Sintra. O sistema, por regra, está disposto a dar uma chance. Tem de haver arrependimento, vontade genuína de não ir por aqui. Quando é a primeira vez tem-se em conta a vida toda que tem pela frente. A segunda vez…”.

“Não sei se tenho aqui à minha frente, nesta sala, um futuro presidente da Microsoft. Um futuro Presidente da República… Sei uma coisa, estão num país livre, podem escolher. E sei de outra coisa, vão ter de assumir as consequências dessa escolha”.

Dora Pires para a TSF, 13 de março de 2017

Finlândia – o primeiro país do mundo a abolir as disciplinas escolares

Março 19, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Texto do site http://uptokids.pt/ de 4 de março de 2017.

uptokids

O sistema de Ensino da Finlândia é considerado um dos melhores do mundo. Está sempre no top 10 no ranking internacional. No entanto, não pretendem descansar sobre os louros, e agora decidiram revolucionar por completo o sistema escolar, abolindo as disciplinas do currículo escolar. Deixará de existir matemática, história, geografia ou literatura.

O chefe do Departamento de Educação em Helsínquia, Marjo Kyllonen, explicou as alterações: “Há escolas que aplicam métodos de ensino que já foram eficazes no inicio dos anos 1900, mas neste momento, as necessidades são outras, e precisamos de um método que se adapte ao século XXI”

Em vez de disciplinas escolares individuais, os alunos irão estudar eventos e acontecimentos de uma forma interdisciplinar. Por exemplo, a 2ª Guerra mundial será abordada na perspectiva da História, da Geografia e da Matemática. Na área “Trabalhar num café” os alunos irão desenvolver conhecimentos na área da Língua Inglesa, economia e comunicação.

Este método será introduzido nos alunos mais velhos, a partir dos 16 anos. O conceito baseia-se na premissa dos alunos escolherem qual o assunto ou acontecimento que pretendem estudar, tendo em conta as suas capacidades e ambições para o futuro. Desta forma, nenhum aluno terá de frequentar um ou dois anos de Físico-química, contrariado e a questionar-se “Porque é que tenho de estudar isto?”

O formato tradicional da comunicação  professor-aluno também vai ser reformulada. Os alunos deixarão de se sentar em secretárias dispostas na sala de aula, à espera ansiosamente para responder às questões colocadas. Professores e alunos trabalharão em conjunto em pequenos grupos de discussão.

O sistema de educação da Finlândia incentiva o trabalho colectivo, e por esse motivo as alterações nunca poderiam ser apenas relativamente aos conteúdos e aos alunos. A reforma escolar irá exigir uma cooperação entre os vários professores das diferentes disciplinas. Cerca de 70% dos professores em Helsínquia, já realizaram trabalhos preparatórios direccionados com o novo sistema de apresentação dos conteúdos e, em compensação irão receber um aumento salarial.

Esta reforma deverá estar concluída em 2020.

 

 

 

 

“Devemos conseguir que os alunos aprendam e não apenas prepará-los para os exames”

Março 12, 2017 às 6:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , ,

Entrevista do http://observador.pt/ a César Bona no dia 3 de fevereiro de 2017.

cesar-bona04_1280x640_acf_cropped

Marlene Carriço

Para o professor César Bona os conhecimentos não são tudo. O importante é educar os alunos para a vida e estimular a sua criatividade. Só assim, e sentindo-se felizes, aprenderão de verdade

Uma escola que, mais do que ensinar, educa. Professores que falam e deixam falar. Questionam, desafiam, confiam, responsabilizam e dão liberdade aos alunos para que estes possam dar asas à imaginação. Para o espanhol César Bona é este o ideal de ensino. Este professor do 1.º e 2.º ciclos defende e pratica, dentro da sala de aula, um modelo em que se “educa na felicidade”. Pois acredita que só assim os alunos se transformam em seres íntegros repletos de conhecimentos.

César Bona acredita que tão importante quanto transmitir conhecimentos aos alunos, é conseguir que eles os aprendam e que os saibam usar no dia-a-dia, ajudando-os assim a desenvolver outras competências.

Se mandasse, não havia horas dedicadas a cada disciplina, porque o que faz sentido são os projetos que envolvem múltiplas matérias. Faz testes, mas diz que é triste que se viva a cultura da nota. E envia trabalhos para casa, mas poucos. O paradigma do ensino tem de mudar e os professores têm de estar dispostos a isso e a aprender.

Em 2016 foi considerado um dos 50 melhores professores do Mundo, segundo o Global Teacher Prize, uma espécie de Prémio Nobel dos professores, pelas iniciativas que tem levado a cabo nas várias escolas por onde já passou. Destas, destacou, em entrevista ao Observador, o filme mudo protagonizado pelas seis crianças de uma escola numa pequena localidade, que permitiu aproximar os alunos que não se falavam, por zangas entre as famílias. Esse filme venceu um prémio num festival de cinema na Índia e recebeu um prémio do Ministério da Educação espanhol.

“A Nova Educação”, de César Bona, está à venda nas livrarias desde 4 de janeiro

“A Nova Educação”, de César Bona, está à venda nas livrarias desde 4 de janeiro

Qual a importância do professor no percurso escolar e na vida do aluno?

É vital. Nós vamos marcar a vida dos rapazes e das raparigas. Costumo dizer que a escola, a sociedade ou a vida não têm um muro. Temos de educar para a vida porque vamos influenciá-los. Vamos ser os seus modelos.

Mas entende que os professores estão muito fixados em ensinar, quando deviam estar preocupados com a aprendizagem das crianças e disponíveis para aprender com elas. Porque diz isto?

Obviamente, quando escolhemos uma profissão, temos de dar o máximo. Supõe-se que estamos preparados para ensinar, mas não podemos esquecer que temos de estar sempre a aprender: com os nossos colegas, com a nossa família, e sobretudo com as nossas crianças. Além disso, quando dizemos às crianças que aprendemos com elas, estamos a promover a auto-estima. É importante que eles sintam que podem dar algo à turma, aos colegas e à sociedade. A essência de uma criança é composta por criatividade, imaginação e esperança. Então, se não tivermos isso em conta estaremos a perder uma grande oportunidade para que eles aprendam e para tirar deles o máximo partido.

Criatividade. É um ponto em que insiste bastante. Como se pode estimular a criatividade dos alunos?

Sobretudo escutando, deixando-os falar. Não temos que ver as crianças como um recipiente que temos de encher de conhecimento.

E porque é que há professores que não estimulam essa criatividade? Dá mais trabalho? Falta tempo?

Não creio que seja uma questão de trabalho. Acho que quando nos tornamos adultos, esquecemo-nos de que fomos crianças. E quando trabalhamos com crianças devemos sempre lembrar-nos da criança que fomos. Assim vamos entendê-los melhor e eles entendem-nos melhor também.

Mas optar por um método de ensino em que se deixa a criança falar e em que se estimula a criatividade exige mais trabalho e disponibilidade da parte do professor do que uma aula expositiva. Ou não?

Não creio que dê realmente mais trabalho. Diz isso porque, por norma, a educação tem sido assim, expositiva. Temos vindo a criar metas individuais quando somos seres sociais. Em muitas aulas as mesas e as cadeiras estão voltadas para o quadro. Isso significa que o tipo de interação que queremos é que nos escutem e que repitam. Mas se vamos educar para a sociedade, temos de estimular o diálogo, a reflexão, o respeito.

Como organiza os seus alunos na sala de aula?

Os alunos estão organizados em grupos, formados ao calhas. E vão mudando de grupo ao longo do ano. Quando estás com uma pessoa diferente de ti por perto vais aprendendo mais.

Como é que consegue garantir que as crianças, no meio da criatividade, e desta liberdade que lhes é dada, conseguem aprender o currículo imposto centralmente?

As editoras têm um grande peso. A informação que está num livro, está em todos. Se queremos educar para as competências devemos esquecer um pouco as disciplinas – a matemática, as línguas. Pode-se aprender muito mais coisas do currículo simplesmente fazendo-lhes perguntas ou permitindo-lhes fazerem perguntas.

Mas há exames e os professores têm de preparar os alunos para esses exames.

Para mim não. A educação associou-se de maneira muito forte aos exames, quando se devia associar à aprendizagem. Devemos conseguir que os alunos aprendam e não prepará-los para os exames. O exame é a prova que mostra que eles estão a aprender. Os exames existem e têm muito peso, mas temos apenas em conta a resposta e esquecemos todo o processo. Esquecemo-nos de convidar os alunos a pensar, a questionar, a partilhar e a perceber porque chegaram àquele resultado. Muitas vezes o que fazemos é: damos-lhes a resposta e exigimos-lhe a resposta tal e qual como a pedimos. E isso está longe do que é educar.

A verdade é que todo o sistema está focado nos exames. Existe a chamada ‘cultura da nota’. Para progredir nos estudos e entrar na universidade é preciso ter uma boa média. As crianças vão crescendo com essa pressão.

E isso é triste. É triste pensar que a educação se resume a uma nota. Há gente que pensa que a escola só serve para preparar as crianças para passarem nos exames. Há gente que pensa que a escola serve para educar seres empregáveis. E não. Serve para educar seres íntegros, que têm muitos conhecimentos, e que sabem como aplicá-los. Não só para melhorar a nível individual, mas também coletivamente. Se os ensinas a investigar, a partilhar, a falar em público, eles chegarão a um exame e passarão sem nenhum problema. É preciso incidir no processo. Eles devem sentir-se implicados na aprendizagem. Em 30 dias aproximadamente 90% do que aprendemos numa aula apaga-se, porque falta todo este processo.

E o professor foca-se nesse processo. É isso? Mas tem de articular isso com o currículo, certo?

Pôr o currículo no centro de tudo, para mim, é um horror. No centro de tudo devia estar a criança. Não o professor, não a escola, não o currículo. Uma pessoa é muito mais do que conhecimento. O conhecimento é muito importante, mas há outras coisas que devemos ter em conta também. E como é que se consegue educar seres íntegros ao mesmo tempo que aprendem coisas? Devemos perguntar-nos isto: o que ensino, como ensino e para quê? Não nos devemos esquecer para que é que ensinamos. E se ensinamos para a vida devemos adequar os conteúdos aos alunos para que saibam usá-los.

Consegue adequar os conteúdos a cada um dos seus alunos?

Há ferramentas que devíamos ter sempre em conta e que servem para todas as crianças: seja menino ou menina, de uma religião ou outra e de qualquer que seja o nível social. O respeito por nós mesmos, o respeito pelos outros, pelas diferenças e a responsabilidade social, o compromisso social. Todas estas ferramentas servem para todas as pessoas no mundo. E é preciso termos consciência da importância da autoestima.

Em Portugal os professores dizem que não têm tempo para fazer esse trabalho mais dirigido a cada aluno.

Em Espanha também dizem o mesmo, porque o currículo é muito extenso. Mas se tivermos de cortar o currículo, corte-se então. Para mim há coisas mais importantes na vida do que tentar dar o que decidiram quatro pessoas, que provavelmente nem pisaram uma aula.

Os professores podem fazer isso? Podem cortar o currículo?

Temos de priorizar. É impossível tentar educar se tivermos de encaixar tudo num ano letivo.

Todo este foco no processo, de que temos vindo a falar, implica uma mudança muito grande no paradigma do ensino. E há professores que resistem. Por que acha que isso acontece?

A medicina evolui, as comunicações evoluem, a educação deve evoluir. E isso não significa esquecer a escola tradicional. No sentido em que coisas que funcionavam há 40 anos, funcionarão agora e nos próximos 40. Mas temos de estar conscientes de que não podemos continuar a educar os nossos alunos como nós fomos educados. Por isso, a mente dos professores deve ser sempre flexível e adaptar-se aos novos tempos. Haverá pessoas que não aceitam isto [diz, apontando para o telemóvel], mas terão de mudar. Porque o telemóvel associa-se à vida normal de um adolescente.

Mas introduzir novas tecnologias na sala de aula apenas não basta para levar a cabo a tal mudança. Ou basta?

Não. A tecnologia é uma ferramenta. Nada mais. É importante porque podes partilhar, pesquisar, comunicar.

E como é que se consegue, numa turma com crianças pequenas, com telemóveis na mão, que eles não se distraiam?

Não digo que têm de estar sempre com o telemóvel na mão. Há momentos para tudo: para uma aula expositiva, para trabalho em grupo e para a tecnologia. É como em casa: os pais têm de saber que as crianças não têm de estar todo o dia com o telemóvel.

Aproveitando a deixa dos pais. Costuma dizer-se, em Portugal, que os pais educam e os professores ensinam. Concorda com esta filosofia?

Em Espanha também se diz isso. Mas há frases que temos de apagar e esta é uma delas. Um pai e uma mãe fazem o que podem para educar os filhos, mas quando eles saem de casa e entram na escola entram numa microsociedade. Para mim, a escola é o melhor sítio para ajudar os pais a educar. Ensina-se em casa e na escola, educa-se em casa e na escola. É um compromisso social. O que queremos para sociedade devemos promover na escola, em conjunto com as famílias. O primeiro lugar educativo é a família, a seguir a escola e a seguir a sociedade. O diálogo entre famílias e professores é essencial. É a chave que abre tudo.

Em Portugal há aulas de 90 minutos. Acha possível ter as crianças 90 minutos numa sala a aprender?

Se fosse eu a mandar, acabaria com os horários, tal como existem. Diria para trabalharmos juntos: professor de história e de línguas, por exemplo, na mesma sala. Conseguiríamos que se ensinasse de forma global e por projetos. E se quisermos ensinar por projetos uma hora é muito pouco, mas claro que será muito se quisermos os alunos 1h30 sentados, numa aula expositiva. Sentados, vendo e ouvindo, nem nós [adultos] aguentamos.

O que pensa da competitividade dentro de sala de aula? É importante para alcançar maior sucesso?

Digo sempre que devemos educar para sermos melhores do que antes. Não devemos promover a competitividade entre as crianças. Que mundo queres criar? Um mundo competitivo ou um mundo no qual toda agente colabora?

Mas é possível ter as duas coisas. Pensemos nos desportos em equipa. Os jogadores da mesma equipa ajudam-se, mas competem com a equipa adversária.

Eu fui futebolista e tentei dar o máximo de mim. Todos os dias treinava duro para melhorar. E melhorando sabia que a equipa seguiria em frente.

Dentro das salas , quando forma grupos, cria competição entre eles?

Não. Eles colaboram. Estamos a falar de aprendizagem em todos os sentidos. Aprendem também a respeitar e a partilhar.

E faz testes?

Sim.

E trabalhos para casa?

As crianças passam muitas horas na escola e não têm culpa do currículo ser tão extenso. Ao fim de semana o que gostas de fazer? Passear, desligar do que fazes, certo? As crianças têm mais tempo e mandamos-lhes mais trabalhos para casa. Eu gosto de os pôr a investigar. Mas gosto que tenham tempo para eles e para a família. Por isso, quando envio trabalhos para casa são poucos e servem para complementar ou estimular a sua curiosidade e criatividade.

Como é que se faz com que a criança goste da escola ? Essa seria uma boa pergunta para ser colocada num congresso de professores. Muitos regressariam à criança que foram. Se os fazemos sentir-se parte da escola e da sociedade, se os fazemos falar e partilhar as ideias e se eles se sentem escutados e úteis, no dia seguinte vão com mais vontade para a escola.

Algumas pessoas criticam-no, dizendo que promove a felicidade ignorante. Como responde a estas críticas?

É paradoxal, porque criticam o que não conhecem. Dizem que não há conhecimento, mas também não conhecem. Antes de se abrir a boca deve-se saber do que se fala. É por isso que eu não falo muito. Para mim, saber muitas coisas é importantíssimo. Ter um bom domínio de linguagem e conhecimentos de história. Mas tão importante quanto isto é que as crianças se sintam felizes. E educar na felicidade não significa não ser exigente. Eu sou muito exigente. E digo-lhes que a auto exigência é importantíssima. E quando estou a falar de felicidade estou a falar de educar na resiliência, na frustração, no respeito. Isto está na mesma linha do conhecimento.

Porque acha que o criticam?

Porque falta reflexão. E falta cada um olhar para si e ver-se como um ser imperfeito. Nada é perfeito e estamos sempre a aprender. Se és professor tens de estar sempre a aprender. Eu, quando era criança, sentia-me bem quando me perguntavam o que tinha para dizer ou o que sugeria. Sentia-me importante. Ou quando um professor me tratava com carinho. Eu tive professores muito exigentes e nada carinhosos e sentia terror. Mas também não podemos dar muito carinho sem exigir, porque senão não se aprende nada.

E sempre pensou assim?

Há 15 anos que dou aulas, mas nem sempre pensei assim. Eu era um professor inflexível, mas percebi que tinha de mudar.

E acha que é melhor professor agora?

Sou melhor pessoa agora. Para mim ser professor e pessoa é a mesma coisa.

Como é que lida com mau comportamento dentro da sala de aula?

Ao longo dos anos, fui percebendo que todos os castigos que apliquei nunca funcionaram e cheguei a uma conclusão mais profunda: que esses castigos eram a projeção da minha frustração. Quando já não sabia o que fazer, castigava-os. Só começou a funcionar quando comecei a perguntar-lhes o que tinham para me ensinar a mim e aos colegas. Isso transformou tudo.

Li no seu livro que uma das estratégias foi a criação da “Ilha de Creta”. É uma espécie de castigo suave.

(Risos) É um convite à reflexão. E chamei-lhe “Ilha de Creta” porque gosto muito de mitologia. Quando os alunos vão para essa mesa, isolados do grupo, acabam por perceber que estão melhor em sociedade, no grupo. E isso faz com que queiram voltar.

Inspirou-se em algo ou alguém?

Creio que tudo está inventado. Eu não criei nada. A inspiração está em todos os sítios, num filme, num livro, numa pessoa que vejo na rua, num amigo.

Esta maneira de dar aulas permitiu-lhe chegar aos 50 finalistas do Global Teacher Prize. Concorreram 5.000. Como viu esta distinção?

Com muita tranquilidade. Eu vejo a vida como uma linha. Sei de onde venho e que sou professor. Tudo o que tem acontecido e a exposição mediática são acidentes positivos. Quando isto passar eu voltarei à aula. Tudo isto têm sido presentes. A gente que tenho conhecido, as viagens…

Acha que esta exposição e o facto de as suas ideias chegarem a mais gente, pode ajudar à mudança? Pode estar a ajudar. A única diferença entre o professor César e milhares de professores é o microfone. Há gente admirável e que não servirá nunca de guia. Esta profissão é a mais bonita possível. E eu estou aqui para falar por milhares de professores. Eu não invento nada. Falo de coisas do senso comum e digo, sobretudo, que a criança tem de estar no centro de tudo.

E parece que há cada vez mais professores a perceber que o modelo está esgotado e o quer mudar.

Sim, é verdade. Mas os professores têm de perceber que têm de ser eles próprios a dar o passo e têm de estar conscientes de que não são ilhas. Têm de comunicar. E mudar não significa que haja uma luta entre inovação e escola tradicional. Mudar ou inovar deveria significar estar consciente de que cada passo que damos tem de ir no sentido do bem estar da criança. Tudo está inventado. Temos de conseguir educar tendo em conta o fator humano e com a consciência de que cada passo que damos ou cada palavra que dizemos vai influenciar os demais. E por isso temos de tentar que essa influência seja positiva.

Volto aos resultados. As notas dos alunos melhoram com este método de ensino?

São, comprovadamente, melhores. Em questão de notas e de compromisso social. As crianças nestas escolas sentem-se envolvidas e escutadas. Em algumas escolas até fazem as normas da escola e são os primeiros a cumpri-las.

De todos os projetos que levou a cabo até agora nas escolas, qual o mais marcante?

É difícil porque têm todos contextos distintos. Obviamente que o filme mudo foi muito especial. A escola só tinha seis crianças. Dessas, duas não se falavam por motivos familiares. Eu não conseguia suportar aquilo. A escola com seis crianças estava dividida. Então pensei fazer o filme mudo e disse à menina e ao menino que não se falavam que eles seriam os protagonistas e que se iriam amar. Vê-los a trabalhar juntos e ver como finalmente as famílias e as pessoas daquela povoação se uniram foi incrível.

Em Portugal, os professores sentem-se pouco respeitados. Porque é que acha que os professores foram perdendo o respeito dos alunos e dos pais? De quem é a culpa?

Aplica-se o mesmo a Espanha. Mas eu não usaria a palavra culpa. Se recuarmos, o respeito estava muitas vezes associado ao medo. E foi-se de extremo a extremo. Temos de refletir, porque o respeito não é sinónimo de medo. Não se pode exigir respeito. O respeito ganha-se. E sim, a sociedade tem de começar a dar valor a esta profissão que é a mais importante de todas.

 

 

APPS para Educação – apps para dispositivos móveis com potencialidade pedagógica, organizadas por categorias pela RBE

Março 7, 2017 às 6:00 am | Publicado em Divulgação, Recursos educativos, Site ou blogue recomendado | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , ,

apps

Esta página, da responsabilidade da Rede de Bibliotecas Escolares, reúne um conjunto de apps para dispositivos móveis com potencialidade pedagógica, organizadas por categorias. Escolha a categoria pretendida no menu do lado direito e, para descarregar a app, abra o link correspondente ao seu SO (iOS ou Android).

https://appseducacao.rbe.mec.pt/

 

Progressos e dificuldades do sistema educativo português

Março 1, 2017 às 6:00 am | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , ,

Notícia do site http://www.educare.pt/ de 2 de fevereiro de 2017.

O documento citado na notícia é o seguinte:

Education and Training Monitor 2016

 

educare

A Comissão Europeia mostra o estado da educação em Portugal, num relatório em que avalia as principais políticas em matéria de ensino.

Andreia Lobo / Lusa

Os alunos portugueses abandonam mais cedo a escola que os colegas europeus. Há menos adultos, entre os 30 e os 34 anos, a concluírem o ensino superior, mas a percentagem de crianças no pré-escolar, dos 4 anos ao início do 1.º ciclo, é quase igual à média europeia. Mas Portugal investiu mais em educação que os restantes países. A Comissão Europeia divulgou dados sobre os pontos fortes e as dificuldades dos sistemas de ensino e formação dos Estados-membros. O “Monitor da Educação e da Formação 2016” avalia as principais medidas políticas tomadas ou em curso nos 28 países da União Europeia e mostra a evolução registada desde 2015. Portugal não foi esquecido.

O Governo português anunciou uma série de medidas para combater o insucesso escolar. Mas o orçamento de 2016 não gerou aumentos significativos em relação ao anterior. Assim, as reformas foram financiadas através de uma maior eficiência da despesa, mas também da diminuição das reprovações, diz a Comissão Europeia no relatório dedicado a Portugal. A tendência para haver menos matrículas no ensino superior, aliada à elevada taxa de emigração de cidadãos altamente qualificados para outros países europeus, poderá ter reflexos negativos para a competitividade portuguesa, lê-se ainda. Nota positiva para os Cursos Técnicos Superiores Profissionais (CTESP), pelo contributo dado no aumento de inscrições nos institutos politécnicos e na criação de novas formas de cooperação com as empresas.

Investir na educação
A despesa pública global com a educação, em percentagem do PIB, mantém-se em 6,2% de 2012 a 2014, segundo dados do Eurostat. O Governo anterior tomou medidas para reforçar a eficiência da despesa com a educação, a Comissão Europeia destaca a “racionalização da rede escolar, a redução do número de professores que não estão ocupados com atividades de ensino e a introdução de uma nova fórmula de financiamento das escolas que inclui critérios de desempenho”.

Relativamente ao atual Governo, em funções desde dezembro de 2015, a CE destaca o “plano ambicioso para promover a igualdade social na educação e melhorar o desempenho dos alunos”. No entanto, o orçamento de 2016 para o Ensino Básico e Secundário baixava 4,2% relativamente ao de 2015. O financiamento das reformas viria da “poupança resultante da redução da dispendiosa taxa de repetição de ano de insucesso escolar”.

Tiago Brandão Rodrigues quer ainda alargar os horários de abertura das escolas, reduzir o número de alunos por turma e reforçar tanto a oferta de rede pré-escolar, como o serviço de tutoria e o apoio prestado às famílias. A verba prevista para o apoio social – em forma de livros, refeições escolares, abonos de família e bolsas de estudo – aumentará em 31,1% e o orçamento destinado ao pré-escolar aumentará 0,8%. Em que é que o Governo vai poupar? No financiamento das escolas privadas com contratos de associação que deixou de custear por estarem em áreas cobertas por escolas públicas.

O orçamento do ensino superior em 2016 aumenta 2,6% em relação ao ano anterior. As bolsas de estudo registam um aumento de cerca de 15%, as universidades e politécnicos um aumento de cerca de 3%. O “Monitor da Educação e da Formação 2016” lista Portugal como um dos países europeus com maior “fuga de cérebros”. Cerca de 11% de pessoas altamente qualificadas emigraram. Dados do Observatório da Emigração publicados em 2014 mostram que entre 2001 e 2011 a percentagem de portugueses com curso superior a saírem do país registava um aumento de 87,5%.

Reduzir desigualdades

Portugal conseguiu diminuir o número de jovens entre os 18 e os 24 anos que não completaram o 12.º ano nem estão envolvidos em ações de educação e formação. Ou seja: reduziu a taxa de abandono escolar precoce: de 30,9% em 2009 para 13,7% em 2015. O valor está mais próximo dos 10% relativos à meta nacional da Estratégia Europa 2020, mas permanece acima dos 11% da média europeia. A descida foi particularmente evidente com uma diminuição de 3,7% entre 2014 e 2015. A diferença em termos de abandono precoce entre os alunos nascidos em Portugal e fora do país é de apenas 2,7% a favor dos primeiros. Mas há disparidades entre os sexos: 11% das mulheres e 16,4% dos homens abandonam o ensino precocemente.

As reprovações são outro dos problemas do sistema educativo português, diz a Comissão Europeia. Aumentaram em 50% entre 2011 e 2014. Cerca de 5% dos alunos chumbam no 1.º ciclo, 11,4% no 2.º ciclo e 13,3% no 3.º ciclo do Ensino Básico. “O país continua a debater-se com elevados níveis de repetição de ano e com divergências significativas dentro de grupos etários determinadas pelo contexto socioeconómico dos alunos”.

Na última década, mais crianças dos 0 aos 3 anos e dos 4 a 5 frequentaram o pré-escolar. A tendência inverte-se desde 2013, com o envolvimento na faixa dos 4 e 5 a cair de 93,9% em 2013 para 93,5% em 2014, logo abaixo da média europeia de 94,3%. A Comissão Europeia faz notar que a rede pública de jardins de infância tem diminuído face aos recentes cortes orçamentais. Senão, veja-se: cobria apenas 50% das crianças inscritas entre os 3 e os 5 anos em 2014-2015, 30% das crianças estava inscrita em organizações financiadas por fundos públicos e um número crescente recorria a instituições privadas. Com o atual Governo, escreve a Comissão Europeia, “fixou-se um objetivo ambicioso, o de assegurar ensino pré-escolar público para todas as crianças entre os 3 e os 5 anos em 2019”.

Em matéria de combate ao abandono escolar precoce, a Comissão Europeia garante que “desde 2012, Portugal tem vindo a pôr em prática uma política abrangente, que demonstrou a sua eficácia”. Recebem nota positiva medidas como o aumento da escolaridade obrigatória para 12 anos, em 2009; a criação de escolas TEIP, um programa destinado à intervenção em regiões prioritárias; a introdução de um novo sistema de acompanhamento de estudantes e o lançamento em 2012 de projetos-piloto como os cursos vocacionais, dirigidos aos alunos do 3.º ciclo e Secundário, mas cujo fim foi anunciado pelo atual Governo em janeiro de 2016.

A Comissão Europeia salienta o modo como a equipa governativa em funções pretende tratar o problema das reprovações e das assimetrias de desempenho: através de um serviço de tutoria aos estudantes, do reconhecimento do valor das competências transversais nos currículos e da redução do número de alunos por turma, esta última decidida em função do projeto pedagógico de cada escola. “A prestação de apoio suficiente numa fase mais precoce do sistema educativo será crucial para a redução das diferenças de desempenho existentes no sistema geral de ensino e evitar um aumento da taxa de abandono escolar precoce.”

O alargamento dos exames nacionais a Matemática e a Português no 4.º e 6.º ano do Ensino Básico, em 2012, e a sua posterior substituição pelas atuais provas de aferição, no 2.º, 5.º e 8.º anoS, foram outras das medidas postas em curso para travar o insucesso. Agora, o resultado das provas não conta para a classificação final do aluno, “mas será usado para corrigir as deficiências detetadas e reduzir o insucesso escolar”, nota a Comissão Europeia, referindo ainda que “pela primeira vez em tais avaliações nacionais, também são avaliadas as capacidades de comunicação oral”.

No domínio pedagógico, a Comissão Europeia recorda a revisão das “Orientações Curriculares para a Educação Pré-escolar”, na sequência do um grupo de trabalho criado pelo Governo anterior com o objetivo de reformular as orientações pedagógicas para os infantários e centros de acolhimento de crianças.

Em matéria de inclusão, Portugal está no grupo de países com a mais baixa percentagem de residentes estrangeiros, apenas 4%. A sua população migrante é essencialmente proveniente das ex-colónias, de países da Europa oriental e da China, sendo que mais de 51% destes cidadãos estão estabelecidos em Lisboa. Em 2014 foram registados 442 pedidos de asilo e o Governo manifestou disponibilidade para acolher refugiados. Medidas para reforçar o apoio aos alunos migrantes foram anunciadas em janeiro de 2016. Entre elas, figuram a criação de classes introdutórias, acesso a intérpretes e campanhas de sensibilização para o acolhimento nas escolas. A educação cívica volta a ser reforçada nos currículos do pré-escolar ao Secundário e inclui ainda algumas orientações nas áreas da “educação para o desenvolvimento” e da “educação para os media”.

Modernizar o ensino nas escolas
Menos professores foram recrutados nos últimos cinco anos, “devido a constrangimentos orçamentais”, o que “contribuiu para o aumento da idade média dos professores”, constata a Comissão Europeia. No ensino público, 41% dos docentes têm mais de 50 anos, contra apenas 17,3% no ensino privado, onde a percentagem mais elevada de professores está na faixa etária entre os 30 e os 39 anos, segundo dados do Conselho Nacional de Educação de 2015.

O Governo em funções no período de 2011 a 2015 iniciou uma reforma do sistema de formação inicial de professores. O objetivo: melhorar a qualidade do pessoal docente. A Comissão Europeia lembra que o Ministério da Educação e da Ciência (MEC) elevou os requisitos de admissão aos cursos e instituiu um exame de admissão à profissão, muito contestado por associações e sindicatos, e que acabou por ser suspenso pelo Tribunal Constitucional. O atual Governo anunciou a disponibilidade para repensar a política de recrutamento de professores. O desenvolvimento profissional também deverá ser revisto.

No capítulo dedicado às medidas executadas para a modernização do ensino, a Comissão Europeia salienta que, “desde 2012, as restrições orçamentais têm atrasado o aumento contínuo e significativo na utilização de meios informáticos no ensino obrigatório”. O ensino das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC) surge como disciplina apenas no 7.º e 8.º ano, nota o relatório. Depois, só no 10.º e 12.º anos e consoante a área de estudo, os alunos voltam a ter contacto com “certas matérias específicas de TIC”.

Ainda assim, uma série de iniciativas de apoio ao uso de tecnologias móveis nas escolas são postas em prática entre 2014 e 2015. A título de exemplo, a Comissão Europeia aponta o projeto “Laboratório de Salas de Aula Criativas” e a “Iniciativa Competências Digitais”, que pretende aumentar as competências em TIC de 20 mil pessoas até 2020 e fornecer recursos digitais com vista à modernização dos métodos de ensino e da formação de formadores.

O relatório “Monitor de Ensino e de Formação” é publicado todos os anos entre novembro e dezembro para avaliar os progressos dos 28 países membros da União Europeia em matéria de educação.

Página seguinte »


Entries e comentários feeds.