Migrantes e refugiados apelam à denúncia de casos de bullying

Janeiro 10, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 30 de dezembro de 2019.

Estudo conclui que animação sociocultural nas escolas reduz violência entre alunos

Dezembro 26, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Sapo24 de 19 de dezembro de 2019.

A existência de animação sociocultural dentro dos estabelecimentos de ensino contribui para a diminuição da violência escolar (‘bullying’) e potencia outro tipo de competências aos alunos, revela um estudo divulgado hoje.

Da autoria do animador e investigador Bruno Trindade, de Castelo Branco, o estudo “Importância da Animação Sociocultural em Contexto Escolar” foi apresentado no início do mês, na Universidade de Salamanca, em Espanha, como tese de doutoramento.

“O índice de violência foi uma das áreas em que nos debruçámos mais. Até nós ficámos impressionados com as respostas, não só dos alunos como dos professores, pois 80% considerou que [a animação sociocultural] ajudou a combater a indisciplina na escola”, disse o autor à agência Lusa.

O estudo decorreu no Agrupamento de Escolas Nuno Álvares de Castelo Branco, envolvendo 439 alunos e 36 professores (incluindo do 1.º ciclo do ensino básico), através do questionário de Adaptação da Escala de Avaliação de Implementação de Programas.

Segundo Bruno Trindade, os alunos e professores “demonstram uma satisfação elevada com a animação sociocultural na oferta educativa, sendo esta atividade promotora de sucesso escolar, de maior motivação escolar e de redução dos comportamentos desviantes”.

Os alunos “sentem-se muito mais empenhados e motivados para a escola e consegue-se melhorar também em termos comportamentais, com a diminuição da violência no espaço escolar”, reitera o investigador albicastrense.

“[A Animação sociocultural] também nos permite que os alunos estejam muito mais motivados e consegue levá-los a gostarem de uma escola diferente, com uma perspetiva diferente no espaço escolar também ao nível de aprendizagens lúdico-pedagógicas”, acrescentou.

De acordo com Bruno Trindade, a existência de animação sociocultural nas escolas portuguesas é muito residual, motivo pelo qual este estudo “foi bastante inovador”.

“Em termos de estudo, propusemos alargar a animação a todas as escolas nacionais, desde o jardim de infância ao primeiro ciclo, porque ajuda a melhorar a componente educativa, mas também a ter uma perspetiva diferente ao nível das suas metodologias e da educação não formal”, revelou.

Para o investigador, o aspeto da flexibilização curricular permite trabalhar a componente artística, cultural e social de uma forma diferente dos contextos educativos.

Bruno Trindade defende a introdução da animação sociocultural como uma oferta educativa e curricular dentro da componente escolar, com a reformulação, por exemplo, das Atividades de Enriquecimento Curriculares, para se dar “mais importância às questões da socialização, do brincar, ao desenvolvimento da competência, da criatividade e também a algo mais pertinente, que é da fomentação das regras e valores, cada vez mais importantes nas escolas”.

“Neste momento, estamos com algumas falhas nesse aspeto [regras e valores] devido à tecnologia e ausência de família, mas cada vez mais a animação sociocultural permite esse trabalho e envolvimento”, sublinhou.

Para o especialista, a animação sociocultural “é uma área com grandes potencialidades para a sociedade e foi uma das questões que me levou a pensar neste estudo, porque ainda não é muito desenvolvida nas escolas e cada vez mais tem potencialidade no desenvolvimento de competências e também na componente educativa e na fomentação de metodologias diferentes a nível da aprendizagem”.

Escola sem Bullying Escola sem Violência – Site para alunos, pais e escolas

Dezembro 16, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Site ou blogue recomendado | Deixe um comentário
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Mais informações no link:

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Bullying e Ciberbullying: Prevenir & Agir (II) – curso online 14 janeiro

Dezembro 16, 2019 às 6:00 am | Publicado em Divulgação, Vídeos | Deixe um comentário
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A Direção-Geral da Educação (DGE) promove o curso de formação online “Bullying e Ciberbullying: Prevenir & Agir (II)”, em formato MOOC (Massive Open Online Course), no âmbito do Centro de Sensibilização SeguraNet e da Equipa de Educação para a Saúde.

Este curso está enquadrado nas propostas de formação do plano Escola Sem Bullying. Escola Sem Violência.

O curso que é ministrado em língua portuguesa e é gratuito. Não é acreditado pelo Conselho Científico-Pedagógico da Formação Contínua, sendo que a sua conclusão permite a obtenção de um Certificado de Conclusão do Curso.

Mais informações no link:

https://lms.nau.edu.pt/courses/course-v1:DGE+SEGBC+II/about?fbclid=IwAR2YkM7s3_Ni7jHjc1nTp3198Zo2bsu9piy4YSN4JREClVgd_Epdzozt3AM

Bullying nas escolas – mais à vista é impossível

Dezembro 14, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Vera Silva publicado no Público de 7 de dezembro de 2019.

As aulas de Educação para a Cidadania trabalham a questão do bullying e dos direitos humanos. Mas, na prática, vêem-se resultados?

Na época do imediatismo, as relações humanas tornaram-se também fugazes. Dotadas de pouco sentimento a interação entre alunos, transformam-se facilmente em agressão verbal ou física. A violência gratuita parece uma daquelas ofertas que constantemente aparecem na internet e que se podem ganhar facilmente, bastando para isso clicar no botão. Chegámos a uma época na qual para levar uma boa tareia não é preciso fazer nada, basta estar no lugar certo à hora certa que, tal como no telemóvel, a oferta gratuita da valente tareia aparece. Para a ganharmos basta apenas ficar indefeso.

Artigo 30.º da Declaração Universal dos Direitos Humanos “Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada de maneira a envolver para qualquer Estado, agrupamento ou indivíduo o direito de se entregar a alguma actividade ou de praticar algum acto destinado a destruir os direitos e liberdades aqui enunciados” – basicamente, refere que ninguém nos pode infligir mal algum. Os direitos humanos jamais são direitos por capricho, são direitos porque ainda existe humanidade. Se estes direitos são praticados? Talvez sim, talvez não.

Entramos no contexto escolar onde a continuidade dos valores humanos deveria progredir após o seu início no berço. Berço é aquele espaço que enreda a nossa personalidade vinda de um temperamento com a epigenética à mistura. Jamais há certos ou errados na família na qual cada um cresce, mas a mistura que resulta do que são os valores, crenças, vivências de cada um e o temperamento inseridos numa sociedade repleta de imediatismo pode ser explosiva. Será esta a origem do bullying? Haverá um apontar de dedo de culpa? Culpa é algo jurídico, responsabilidade é humano e o bullying surge da desresponsabilização de atos. Surge do simples desrespeito pela vida humana. Tudo o que nos entra pelos meios sociais adentro mostra realidades que parecem pertencer a filmes que nos colam ao ecrã, tal não é a inqualificável característica das atrocidades cometidas em atos de bullying escolar. A agressão física e psicológica no bullying misturam-se, pois mesmo num contexto de agressão apenas física a parte psicológica é profundamente afetada, deixando marcas que podem matar o ser interno. Mas o que é interno não se vê… E se mata aquilo que é externo? Se chegarmos a agressões que podem tirar uma vida por bullying? A desresponsabilização máxima do ato num atentado à vida humana é indigno para todos. Imaginem a criança ou jovem que é batida num ato de pura violência gratuita, pontapeado por múltiplos colegas na escola enquanto se encontra caído no chão. Isto é apenas um exemplo chocante mas que ocorre e não é só uma vez.

O bullying é falado, discutido, supostamente tratado, mas o facto é que o seu crescimento é exponencial. Agressão de crianças para crianças, de jovens para jovens, de adultos para adultos… que sociedade é esta que estamos a construir, ou será que devo dizer destruir?

Se a maioria das situações são denunciadas? Não. Os motivos que levarão à não denúncia por parte de quem tem o dever de o fazer podem ser múltiplos. Desde “não percebi o que aconteceu”, “não fui informado e por isso não dei meios”, “isso são coisas de miúdos”. Pois… coisas de miúdos. Mas violência gratuita é coisa de miúdos e, já agora, de graúdos? Mas violência alguma é algo aceitável? O fechar de olhos também é bullying e este vem dos adultos que em meio escolar são responsáveis pela integridade física e psicológica dos menores que têm a cargo. Assim como na família jamais devem ser ignoradas as situações de violência escolar, a ajuda da família é crucial. Não interessa os olhos com que os outros nos vêem mas sim se a nossa consciência se deita tranquila na almofada, pelo que se a família é exemplar, ou se o ranking escolar é o melhor, não tem interesse, se o que estiver dentro for completamente o inverso. De exemplaridade estamos cheios, os erros devem ser assumidos sem medo e com frontalidade. São exemplos que como adultos damos às nossas crianças.

A denúncia deve e tem que existir sem medo de represálias, porque estas também existem. Existem entre alunos e existem de forma dissimulada entre adultos e crianças e jovens. A sociedade cresce no medo neste momento e por isso muitas vezes aquieta-se. Até quando?

As aulas de Educação para a Cidadania trabalham a questão do bullying e dos direitos humanos. Mas, na prática, vêem-se resultados?

Artigo 30.º da Declaração Universal dos Direitos Humanos – jamais alguém me inflige mal! Isto deveria ser entregue às crianças desde o nascimento, pois se não se respeitarem e zelarem pelo que são jamais vão respeitar e zelar pelo próximo.

A autora escreve segundo o novo Acordo Ortográfico

Pediatra e Investigadora em Ciências da Cognição e da Linguagem do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa

Ação de Formação com Bruno Barros do IAC “O que é o Bullying? Quem está envolvido? Como detetar e agir?” 14 dezembro no Barreiro

Dezembro 10, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

https://www.cm-barreiro.pt/pages/694?event_id=2354

Felizes, ansiosos, competitivos e anti-bullying: o retrato dos alunos portugueses

Dezembro 9, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 3 de dezembro de 2019.

Como é o ambiente das escolas portuguesas, qual o nível de violência, como é que os alunos se sentem em relação às suas vidas e o que veem nos professores são parte do retrato que o PISA 2018 permite fazer, comparando Portugal com os restantes países da OCDE.

A maioria dos estudantes diz estar feliz e satisfeita com a sua vida, mas quase um em cada cinco alunos também confessa viver sempre com medo. Muitos conseguem fazer amigos facilmente na escola, mas 10% sentem-se sozinhos, mostram os dados sobre o ambiente escolar do PISA 2018, a maior avaliação internacional em matéria da educação, conduzida de três em três anos pela OCDE e divulgada esta terça-feira.

Quando olham para os professores, os alunos veem entusiasmo na forma como ensinam – mais ainda quando andam num colégio. E a grande maioria admite que os docentes lhes dão uma ajuda extra sempre que é necessária. Do lado dos diretores das escolas tem aumentado a preocupação quanto ao impacto que a falta de formação dos professores para dar aulas tem no desempenho dos alunos. E mais de metade dos estudantes (59%) frequenta estabelecimentos de ensino onde os diretores reconhecem que os professores têm resistência à mudança.

Já os pais dizem que os horários das atividades nas escolas e os seus empregos são os dois maiores entraves para acompanharem melhor os filhos. Quando chega a hora de escolher a escola, a segurança, o ambiente e a reputação das escolas são os critérios a que atribuem mais peso.

5% dos alunos são alvo frequente de bullying

O bullying é uma realidade transversal a todos os países da OCDE: cerca de um em cada quatro alunos (23%) diz ser alvo de bullying algumas vezes por mês. Em Portugal, essa percentagem é mais baixa, rondando os 14%. Os casos mais graves, quando os estudantes admitem ser alvos frequentes de bullying, chegam aos 5% em Portugal, também abaixo da média da OCDE de 8%.

Maioria sem problemas em fazer amigos na escola

Os alunos portugueses tendem a sentir-se bem na escola. A esmagadora maioria (90%) sente-se acompanhado na escola e consegue fazer amigos facilmente (75%). Ainda assim, um em cada dez estudantes (10%) diz sentir-se sozinho, uma percentagem que é menor do que a média da OCDE (16%). Quase todos os alunos portugueses (80%) sentem que pertencem à escola e que acham que os outros colegas gostam deles (89%). Mas, ainda que sejam uma minoria, há alunos que confessam sentir-se estranhos (13%) ou esquisitos (21%) na escola.

É de acrescentar ainda que, em Portugal, 58% dos alunos dizem que os colegas se entreajudam (ligeiramente menos do que os 62% da OCDE) mas 57% também admite que há competitividade entre os alunos (acima da média de 50%).

Metade dos alunos a chegarem atrasados às aulas

Nas duas semanas anteriores à elaboração deste inquérito, 28% dos alunos portugueses faltaram um dia à escola e 50% chegaram atrasados. Portugal está entre os países da OCDE onde mais aumentou a percentagem de alunos a faltar entre 2015 e 2018, a par da Grécia, Áustria, Peru, Qatar ou Tailândia. Pelo contrário, registaram-se melhorias na Finlândia, Estónia ou Reino Unido. “Os países e as economias onde menos estudantes faltaram um dia inteiro à escola são também os que têm melhor desempenho na leitura”, como em cidades chineses, na Estónia, Finlândia, Hong Kong (China), Japão, Coreia do Sul, Singapura ou Suécia.

Cerca de 28% dos estudantes portugueses admitem que em muitas ou quase todas as aulas de português o professor tem de esperar muito tempo até que os alunos se acalmem. E o relatório conclui que estes alunos tendem a ter um pior desempenho na leitura.

Mais entusiasmo dos professores no privado

A grande maioria dos alunos portugueses (83%) vê entusiasmo na forma como os seus professores os ensinam e até são mais do que a média da OCDE (74%). Esse dado positivo em relação aos docentes tem efeitos no desempenho dos estudantes na leitura, mostra o PISA, concluindo que quanto mais interesse os estudantes veem nos seus professores melhor é o seu desempenho na leitura.

Mas os alunos do ensino privado tendem a ver mais entusiasmo nos seus professores do que os do público. E Portugal é um dos países com a maior diferença nessa perceção entre colégios e escolas públicas. Ainda assim, a OCDE mostra que a grande maioria dos alunos portugueses (86%) dizem que os professores dão uma ajuda extra sempre que é necessário.

Felizes, mas ansiosos

Na generalidade dos países, os alunos estão felizes. E em Portugal são mesmo quase todos (96%): apenas 3% admitem estar sempre tristes. Só que os números também mostram que quase uma em cada cinco crianças (19%) admite ter medo (sem dizer do quê) e isso coloca Portugal entre os países com as maiores percentagens, perto do Japão, Coreia do Sul e Reino Unido (todos acima de 15%).

Em quase todos os países envolvidos no inquérito, o nível de satisfação dos alunos com as suas vidas diminuiu e Portugal é um deles. Ainda assim, os estudantes portugueses estão mais satisfeitos (69%) do que os dos restantes países (67%). E há mesmo 29% que dizem estar muito satisfeitos com a vida.

Trabalho impede um terço dos pais de ir à escola

Um em cada três encarregados de educação (34%) não consegue envolver-se nas atividades da escola dos filhos por estar a trabalhar. Também cerca de um terço dos pais (30%) se queixa de não poder participar devido aos horários escolhidos pelos estabelecimentos de ensino para essas atividades.

Cerca de 60% dos pais discutem as notas dos filhos apenas quando os professores os chamam para esse efeito. Já 54% fazem-no por iniciativa própria, o que até é uma percentagem superior à média da OCDE (41%) Segundo o relatório, os encarregados de educação com um contexto socioeconómico mais favorável tendem a ter mais iniciativa do que os que vivem em condições mais difíceis.

Quando chega a hora de escolher uma escola para os filhos, em toda a OCDE, os pais portugueses são dos que mais se preocupam com a oferta de línguas estrangeiras que o estabelecimento de ensino tenha. Mas para a esmagadora maioria dos casos o mais importante é a escola ser segura (97%), ter um ambiente saudável (93%) e boa reputação (92%).

Falta preparação dos docentes para dar aulas

Portugal é um dos países onde aumentou a preocupação dos diretores das escolas com a incapacidade de os professores darem resposta às necessidades dos alunos e com a sua falta de preparação para dar aulas.

Um em cada cinco alunos portugueses está numa escola onde o diretor acha que os professores não estão bem preparados para dar aulas ~(20%) e mais de metade dos estudantes (69%) encontra-se num estabelecimento de ensino onde se aponta alguma resistência do corpo docente à mudança.

“Há escolas que são autênticas fábricas de bullying”

Dezembro 2, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da TVI24 de 26 de novembro de 2019.

Espaço de investigação da TVI incidiu sobre a violência nas escolas. Após a exibição da reportagem, cinco convidados debateram o tema na TVI24.

O bullying nas escolas foi o tema da grande reportagem do espaço de investigação Alexandra Borges. Após a exibição da peça jornalística, cinco convidados estiveram em debate na TVI24.

Segundo o representante da Associação Anti-Bullying com crianças e jovens, Paulo Costa, os conflitos entre jovens são bastante comuns. O convidado, que também é professor, explicou que já teve alguns casos em algumas das suas aulas.

Visualizar os vídeos no link:

https://tvi24.iol.pt/sociedade/30-11-2019/alexandra-borges-ha-escolas-que-sao-autenticas-fabricas-de-bullying?fbclid=IwAR1MrPesEUyojEQQfmubQ20qpO4B4Yx3qVG7rwsYG35wdhDiwpqbt7KL8Dk

 

 

 

A violência é um espelho

Novembro 12, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de Helder Ferraz publicado no Público de 6 de novembro de 2019.

Os comportamentos das crianças nas escolas reflectem a sociedade que as educa. É preocupante que as crianças desconheçam os limites da sua liberdade quando esta se sobrepõe à liberdade e ao bem-estar dos outros, principalmente no interior do espaço escolar.

O Projeto — Associação de Estudantes é uma iniciativa do qual sou mentor e dinamizador. Nasceu a partir da vontade de uma estudante de sete anos, com o apoio da Associação de Pais e Encarregados de Educação da Escola Básica de Gervide (AP) e do director do Agrupamento de Escolas Escultor António Fernandes de Sá, em Vila Nova de Gaia. Este projecto, constituído por crianças entre os seis e os nove anos, assume a participação cívica e política como pilares estruturantes que se reflectem na promoção do debate, na auscultação da população escolar, na angariação de verbas e na devolução à comunidade escolar do trabalho desenvolvido. É importante frisar o contributo fundamental de mães, pais e avós.

Na última sessão do Projeto — Associação de Estudantes, formámos seis grupos de dois elementos, acompanhados por um adulto, com o objectivo de identificarem duas, três ou quatro regras que deveriam ser cumpridas na escola para que houvesse organização e uma convivência harmoniosa entre todos e todas. Terminado o período de reflexão, voltámos à mesa de reunião e apresentei cada regra para debate. A participação sucedeu-se com opiniões diversas. Verifiquei, no entanto, que existia um assunto transversal a todos os grupos e que aparecia mais do que uma vez: a violência. Não apertar o pescoço dos colegas, não atirar pedras, respeitar as opiniões, não saltar para as costas dos colegas ou bater nos amigos foram alguns dos pontos mais identificados.

A violência nas escolas tem vindo a assumir uma nova roupagem com recurso a um estrangeirismo — bullying — e com esta nova denominação parece ser algo recente. No entanto, a violência não é um fenómeno novo, nem tão pouco geracional como muitas vezes quer fazer-se crer, principalmente nas caixas de comentários em notícias a este respeito nas redes sociais. A violência é um fenómeno cultural profundamente enraizado, em primeiro lugar nos contextos familiares e posteriormente nos contextos escolares.

Todas as gerações têm as suas histórias. Histórias nas quais praticamente todos os membros da família “molhavam a sopa” e os professores recorriam a réguas, canas e palmadas. E, por isso, há uma cultura violenta enraizada na história de cada um de nós. Felizmente, estas práticas têm vindo a ser criminalizadas e verifica-se uma consciência gradual do impacto nefasto que a violência tem no desenvolvimento das crianças, o que vai impedindo, pelo menos publicamente, que a agressão a crianças aconteça com maior frequência. Contudo, as vítimas mortais de violência doméstica que se verificam em Portugal (são já 30 este ano) e as mais de 500 detenções que se verificam anualmente desde 2016 são sintomas de uma cultura violenta que, apesar de restringida em público, continua a manifestar-se em privado, na esfera doméstica, e que as crianças presenciam e experienciam.

Os comportamentos das crianças nas escolas reflectem a sociedade que as educa. É preocupante que as crianças desconheçam os limites da sua liberdade quando esta se sobrepõe à liberdade e ao bem-estar dos outros, principalmente no interior do espaço escolar. E quando tanto os agressores como as vítimas têm dificuldades em compreender quando estão a agredir e quando estão a ser vítimas de agressão, este é um sintoma de que nunca alguém parou para calmamente lhes explicar (e repetir) que há limites que não devem ser ultrapassados porque, quando o são, magoam os outros.

Em primeiro lugar, é necessário desmistificar o argumento de que uma criança agressiva ou violenta não é da responsabilidade de ninguém e que a criança já nasceu assim. Nada de mais errado. Nenhum bebé nasce com a personalidade maturada, da mesma forma que não nasce com todas as capacidades e competências motoras, pelo que tanto de uma perspectiva física como psicológica, emocional ou social, não há nada de mais absurdo do que afirmar que qualquer criança já nasceu “desenvolvida”. Aliás, o único caso que conheço é a personagem cinematográfica Benjamin Button. De qualquer modo, neste ponto em particular, basta conhecermos a história do menino selvagem (também documentado em filme) que foi abandonado na selva e cujo processo de socialização se adequou à comunidade responsável pela sua educação (os lobos, para dissiparmos as dúvidas).

Em segundo lugar, é fundamental perceber que quando se afirma que somos um produto da nossa educação isto é, de facto, verdade. Desde os primeiros educadores à família mais alargada, passando por professores, amigos e todas as pessoas com quem convivemos, ninguém é inocente quanto aos exemplos que interiorizamos. Então, da mesma forma que se uma criança não sabe ler é porque nunca lhe ensinaram, também não sabe a diferença entre estar numa sala de aula e no recreio porque nunca lhe explicaram. Dei dois exemplos redutores para algo que é mais complexo do que isto, mas julgo que compreenderão.

Em terceiro lugar, não é pouco comum vermos exemplos de homicidas violentos que sofreram abusos enquanto crianças, muitas vezes dos próprios cuidadores, o que resulta na associação da protecção e do cuidado com a violência, como podemos ver neste relato. Portanto, todos os exemplos que são presenciados pelas crianças são reproduzidos nas suas atitudes e comportamentos, aliás o que se reflecte na forma como se relacionam com os outros.

Por estes motivos e mais alguns, a violência não deve sob qualquer uma das suas manifestações ser parte integrante da educação de qualquer criança. Cabe a cada um de nós fazer algo para que esta consciencialização seja cada vez maior. O Projeto – Associação de Estudantes continuará a fazer a sua parte.

Declaração de interesses: o Projeto – Associação de Estudantes da Escola Básica de Gervide não tem qualquer financiamento público ou privado, depende das acções desenvolvidas pelos seus membros, do apoio da AP, e das mães, pais e avós, que nos acompanham e participam activamente. Tal como o Projeto, também eu dispenso do meu tempo voluntariamente, sem para isso auferir qualquer rendimento, sendo que o entusiasmo e a criatividade das crianças são a melhor recompensa.

Robôs querem ajudar a prevenir o bullying de forma divertida

Novembro 12, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 30 de outubro de 2019.

O projecto do italiano Stefano Cobello vai ser implementado em dez países da União Europeia já a partir de Janeiro de 2020. Portugal incluído.

Inês Duarte de Freitas

Os robôs podem contar histórias, ajudar a fazer contas e até experiências científicas. Os pequenos seres prometem ajudar as crianças a encarar a escola como algo divertido e, acima de tudo, a melhorar o ritmo de aprendizagem. A novidade é que agora os robôs também podem ser os aliados na prevenção contra o bullying. Stefano Cobello observa curioso as máquinas espalhadas pelo átrio do Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa. É ele o orador principal da conferência “STEM e Robótica em Educação”, promovido pela Clementoni e que junta educadores para conhecer o projecto “Robótica contra o Bullying”.

A partir do próximo mês de Janeiro, a prevenção do bullying nas escolas pode ser feita com robôs. O projecto “Robótica contra o Bullying”, com o apoio da União Europeia, foi desenvolvido ao longo dos últimos três anos e conta já com mais de quatro mil escolas em Itália. Portugal está incluído na lista dos dez países que vão acolher este projecto nos próximos três anos. Ainda não se sabe quais são as escolas, reconhece Stefano Cobello ao PÚBLICO.

Mais do que condenar o bullying, o projecto quer desenvolver uma nova estratégia para o prevenir. São utilizados materiais produzidos “do ponto de vista das crianças”, explica o pedagogo italiano na conferência que ocorreu na tarde de quinta-feira. São as crianças que criam as lições para os robôs e que ditam o que querem que o brinquedo faça.

O que é o bullying, quem é vítima, ou que é o cyberbullying, são alguns dos temas que os robôs abordam de forma didáctica. “O objectivo é fazer as crianças sentirem-se bem no ambiente escolar”, assegura Stefano Cobello, acrescentando que os robôs podem “abrir a mente das crianças, numa atmosfera de aprendizagem mútua”. O projecto, nascido em Itália, utiliza apenas robôs didácticos de fácil utilização. Os brinquedos são ajustáveis, consoante a idade da criança, já que o projecto abrange o pré-escolar e o ensino básico.

Robótica na Educação em Portugal

Desde 2014 que 238 agrupamentos de escolas integraram a robótica e a programação nos seus currículos. “Mais do que motivar é envolver, criar um espaço dentro da escola para a aprendizagem informal”, explica António Manuel Silva, coordenador de Recursos e Tecnologias Educativas da Direcção-Geral da Educação, do Ministério da Educação.

O objectivo é preparar para o futuro, “em que ninguém será nada sem perceber de tecnologia”, continua António Manuel Silva. Ajudar a ganhar tempo ao próprio professor é outras das utilizações da robótica a explorar no ensino, através de tecnologias com feedback imediato, que possam auxiliar na avaliação, por exemplo.

O Kids Media Lab, um projecto que nasceu com a investigadora Maribel Miranda-Pinto, da Universidade do Minho, conta com uma rede de professores a ensinar com recurso a robôs. A Clementoni, produtor destas máquinas, está desde 2017 a trabalhar em parceria com este projecto. A educadora de infância Marlene Fernandes, do agrupamento de escolas de Oliveira dos Frades, começou a utilizar esta tecnologia em 2016 e considera que é “uma ferramenta que se adapta a todos os ritmos de aprendizagem”. “Este trabalho mudou a minha prática e fez-me ir mais além”, confessa a profissional.

Desenvolver o raciocínio espacial da criança é uma das principais ferramentas dos robôs viajantes, que se movimentam para frente, para trás e para os lados. “Quando fazem isto criam percursos mentalmente, com recurso à linguagem da programação”, esclarece Marlene Fernandes.

Já para a professora bibliotecária, Helena Vilas Boas, os robôs são uma forma de ensinar a contar histórias. Cada robô vem com um tapete quadriculado, no qual a professora coloca imagens. Com recurso ao robô, as crianças recontam e organizam cronologicamente a história. “Os robôs proporcionam momentos de brincar a aprender”, explica a professora do Agrupamento de Escolas Rosa Ramalho, em Barcelos.

O pedagogo Renato Paiva explica que os robôs são uma ferramenta crucial na função de ensinar as crianças a pensar, porque “alimenta a curiosidade”. “Vivemos numa sociedade dependente da felicidade imediata, também graças à tecnologia. Não trabalhamos a capacidade de resiliência e frustração. O jogo (com os robôs) dá isto: erram até acertar”, defende, durante o encontro.

No evento foi ainda apresentado do livro de actividades Aprender com Robôs, de Maribel Mirando-Pinto e Ricardo Pinto, com ideias sobre como utilizar estes brinquedos para aprender quer na escola, quer em casa. “O livro é um ponto de partida para tirarmos ideias, mas não são actividades fechadas”, garante Ricardo Pinto.

Texto editado por Bárbara Wong

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