VI Jornadas da Família – 3 julho em Góis

Junho 24, 2019 às 8:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Inscrições gratuitas e até 1 de julho através do seguinte link:

https://docs.google.com/…/1FAIpQLSfxbUktVcANUdK9P5…/viewform

Mais informações no link:

https://www.facebook.com/events/315769329377196/

Capacitar os jovens, eliminar o bullying – Recursos para alunos, professores, pais

Junho 20, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Recursos educativos | Deixe um comentário
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Descarregar o documento no link:

https://www.seguranet.pt/pt/noticias/atividades-de-prevencao-de-bullying-e-de-ciberbullying-manual-enable?fbclid=IwAR0pq_uxxs3xF2PEpsNZIlE0ePChOuQhvcnFc6vSUuM7jGh2RmA4ThCFVFQ

 

Sim, o bullying dói. E não, nós não fazemos nada

Junho 20, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Editorial e imagem da MAGG de 31 de maio de 2019.

por Marta Gonçalves Miranda

Sofri de bullying na infância e ninguém fez nada. Durante anos, acreditei que não valia nada. 21 anos depois, está tudo igual no ensino.

Quando entrei para o 2.º ciclo, era baixa, gorda e usava uns óculos de massa cor de rosa com apontamentos de amarelo e verde que dificilmente passavam despercebidos. Como se não bastasse, era um ano mais nova do que toda a gente — e para que dúvidas não restassem, a professora fez questão de explicar isso mesmo no primeiro dia. “A Marta só tem 9 anos porque fez a primária em três anos”, disse. “É mais pequenina do que vocês, têm que a ajudar”.

Precisei de poucas horas para me tornar na ave rara do colégio — a minha aparência era desagradável, era mais nova do que toda a gente numa escola que ia do 5.º ao 12.º ano e ainda tinha levado com o rótulo de sabichona. A minha “impopularidade” estendeu-se a todos os anos, ao ponto de ter miúdos do 8.º ano a perseguir-me. Era um alvo demasiado fácil para deixar escapar.

O 2.º e 3.º ciclos foram um inferno. As minhas notas caíram drasticamente, portanto os professores não me achavam “piada”. A minha alimentação não era saudável, portanto estava sempre a ouvir comentários depreciativos na cantina e no bar — dos auxiliares, não apenas dos miúdos. Quanto aos meus colegas, bem, salvo as devidas exceções, eram autênticas máquinas de tortura.

Eu simplesmente não valia nada.

Estávamos em 1998. Naquela altura não se falava de bullying como hoje, mas sejamos sinceros: nada teria mudado se o estrangeirismo já tivesse chegado a Portugal. Os professores e auxiliares sabiam do que se passava. As freiras sabiam do que se passava, ou não me encontrassem escondida na capela durante todos os intervalos. Toda a gente sabia, mas ninguém queria saber. São coisas de miúdos, e os miúdos acabam por se entender.

Esta semana, Ricardo Martins Pereira contou-nos a história do filho, vítima de bullying desde a primária. Ele já não é a mesma pessoa. Já não é o menino doce e afetuoso, está envolvido em episódios de violência e humilhação todas as semanas. E o Ricardo, como pai, já não sabe o que fazer. E o Ricardo, como pai, informado e a viver uma época em que toda a gente sabe o que quer dizer bullying, já fez tudo o que está ao seu alcance para mudar as coisas. Infelizmente, não lhe valeu de nada — continua tudo igual.

Os meus pais nunca foram à escola falar sobre o que estava a acontecer — há 21 anos, o meu pai disse-me que respondesse com um murro e arrumasse o assunto. Eu não respondi, eram demasiados murros para distribuir, mas o assunto morreu ali. Pelo menos em casa. Por parte da escola, a única coisa de que me recordo é da culpabilização. De fazerem queixas de que eu era demasiado tímida, demasiado calada, que não tinha boas notas.

Eh… pois.

Ninguém fez absolutamente nada. E, 21 anos depois, as escolas continuam a dizer que não podem fazer absolutamente nada. Só que podem. Aliás, devem: elas estão ali para formar cidadãos, não apenas para ensinar matemática. Elas têm o dever de fazer o acompanhamento dos miúdos que fazem bullying e dos miúdos que sofrem de bullying.

Elas têm o dever de proteger os mais fracos e de capacitá-los com ferramentas que os façam seguir em frente sem se virarem para comportamentos destrutivos ou autodestrutivos. E têm igual dever de perceber porque é que uma criança se vira para a violência contra outra de forma tão gratuita.

Repito: as escolas não podem, devem. O sistema de educação tem de ser melhorado, caso contrário vamos continuar a ter textos como estes escritos daqui a 21 anos. Ou, pior, não teremos ninguém para os escrever. Porque o bullying não é apenas a boca de um colega no intervalo, é uma perceção continuada e permanente de que não valemos nada. E isso persegue-nos, consome-nos e faz-nos acreditar que, de facto, não valemos nada. E quando não valemos nada e ninguém nos quer, o que é que estamos aqui a fazer? É o que nos perguntamos.

Não adianta afixar cartazes nas paredes com frases bonitas como “Diga não ao bullying”. Não adianta passar filmes de hora e meia na aula de Formação Cívica, não adianta mandar recados na caderneta. É preciso intervir no momento, é preciso acompanhar, é preciso ter pessoas especializadas e preparadas para agir. E tem de ser agora.

Eu não quero ver os meus filhos a sofrer de bullying como eu sofri. Eu não quero ver os filhos do filho do Ricardo a sofrerem de bullying como ele sofreu. Desse lado, o leitor provavelmente também não quer. Está na altura de fazermos alguma coisa então, não?

Andreia Nogueira, psicóloga e responsável pelo projeto piloto das “Escolas de Empatia”, já decidiu fazer alguma coisa. E é a história deste programa que tem como intuito prevenir o bullying que lhe contamos esta semana. Criado pela associação Par, e com um programa elaborado por uma equipa de psicólogos e outros especialistas, o objetivo do projeto é trabalhar, junto das crianças, aspetos como inteligência emocional, empatia, autoconfiança e consciência do outro. Este ano letivo o programa só está disponível numa escola, mas o objetivo é chegar a (muitas) mais.

E porque infelizmente a violência nas escolas nem sempre parte dos alunos, esta semana trazemos-lhe também a história de um aluno que foi agredido por um professor numa escola em Lisboa. Uma rasteira e uma cotovelada na cabeça: foi assim que um professor atacou um miúdo atrasado para as aulas. “Doeu, não foi?, perguntou. A lei protege esta criança e nós explicamos-lhe como.

Saindo do tema do ensino, o jornalista Fábio Martins sentou-se à conversa com Paul French, o escritor britânico e especialista na história da Coreia do Norte. Para o autor, basta um pequeno erro para que os problemas atinjam uma escala mundial.

E há mais. Da portuguesa que esteve em Cardiff e assistiu aos problemas de som do concerto das Spice Girls, até ao Ramiro que vai passar a ter serviço de entregas em casa, contamos-lhe ainda pedidos mais ou menos excêntricos de 15 artistas no Rock in Rio Lisboa e mostramos-lhe a nova marca de roupa da blogger Maria Guedes.

“Nos primeiros cinco meses de 2019, o SOS-Criança, do Instituto de Apoio à Criança, interveio em cerca de 1800 situações.”

Junho 19, 2019 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Neste dia 1 de junho, em que se assinala o Dia Mundial da Criança, o Instituto de Apoio à Criança, recorda que, desde 1982, presta serviços gratuitos de utilidade pública, relevantes, e acessíveis a toda a comunidade, comprovando cada vez mais a pertinência da sua existência e a qualidade do seu trabalho na defesa e promoção dos Direitos da Criança.

O IAC intervém com especial enfoque na área da criança maltratada, negligenciada, abusada sexualmente, desaparecida ou privada de meio familiar securizante, trabalhando, diariamente com crianças e suas famílias, em diversos contextos e em diferentes áreas.

O SOS-Criança, serviço técnico especializado e único no nosso país, é uma mais-valia a nível nacional e internacional e tem como principal missão ouvir e dar voz à Criança, nas suas diferentes valências.

O SOS-Criança ajuda a Criança, o Jovem e a Família através da linha telefónica gratuita 116111, por E-mail (soscrianca@iacrianca.pt), Chat (http://www.iacrianca.pt) – das 9h às 19h, todos os dias úteis.

As situações de Crianças Desaparecidas e abusadas sexualmente dispõem do número gratuito 116000 (24h/365). Neste âmbito, é de salientar a intervenção incisiva do IAC, que juntamente com os seus parceiros, a nível nacional e internacional, se tem revelado imprescindível.

Para além do Atendimento Psicológico e Jurídico gratuito, o SOS-Criança conta ainda com uma equipa de Mediação Escolar, a nível nacional, que promove, integra e autonomiza Gabinetes de Apoio ao Aluno e à Família, com o objetivo de combater o insucesso, o abandono, o absentismo, o bullying, a violência escolar e os comportamentos aditivos.

Recentemente, o SOS-Criança desenvolveu o projeto da Escola Alfaiate, que se constitui como uma nova forma de olhar o aluno, agindo em benefício de uma educação à medida de cada criança do Ensino Básico. Esta nova ação promove as condições psicológicas, sociais e pedagógicas que contribuem para a consolidação do sucesso escolar e do projeto de vida de cada criança. A Escola Alfaiate pretende ser inclusiva, e à medida de cada aluno. Com o respeito pelas diferenças e com espírito de cooperação é possível humanizar o espaço escolar e a vida de todos os seus intervenientes.

Nos primeiros cinco meses de 2019, o SOS-Criança, do Instituto de Apoio à Criança, interveio em cerca de 1800 situações que direta ou indiretamente envolviam crianças, que precisaram de proteção e apoio.

Manuel Coutinho

Secretário-Geral do IAC

 

Lisboa, 31 de Maio de 2019

Psicóloga Melanie Tavares “leva” Bullying à Biblioteca Municipal de Loulé

Junho 17, 2019 às 1:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do Algarve Primeiro de 13 de junho de 2019.

A Biblioteca municipal de Loulé abre as suas portas para mais uma iniciativa “Semear hoje… colher amanhã” que, no próximo dia 21 irá abordar o tema do Bullying.

A sessão está marcada para as 18h00 e vai abordar um tema transversal a toda a sociedade e desafiar o público a partilhar e a refletir sobre os caminhos a percorrer na busca de resultados, que a iniciativa espera “únicos e incríveis na vida das famílias”.

A oradora desta edição é Melanie Tavares, licenciada em Psicologia Clínica. É comentadora da TVI, coordenadora da Rede Nacional de Gabinetes de Apoio ao Aluno e à Família, coordenadora dos sectores de humanização dos serviços de atendimento à criança e atividade lúdica do IAC – Instituto de Apoio à Criança, responsável pela humanização dos espaços relacionados com os serviços de apoio à criança, nomeadamente centros de saúde, hospitais, escolas, CPCJ e tribunais.

À semelhança do que tem vindo a realizar-se nas sessões anteriores, durante esta iniciativa, os participantes poderão proporcionar aos seus filhos, com idade igual ou superior a 3 anos, a participação numa atividade dedicada à promoção do livro e da leitura dinamizada pelos profissionais da biblioteca, mediante inscrição prévia.

A participação é gratuita, mas sujeita a inscrição através do seguinte link: http://tiny.cc/CC2106

Para mais informação poderá contactar através do telefone 289 400 882

 

O bullying está a tomar conta da vida do meu filho e eu não sei lidar com isso

Junho 14, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto e imagem do MAGG de 30 de maio de 2019.

Há anos que ando a ouvir a minha geração, ali nos 40 e poucos, a falar, com algum desdém, de bullying nas escolas. “Isso não é novidade nenhuma. No nosso tempo já existia só que não se chamava era assim”. É normalmente esta a ideia de todos, amigos, conhecidos, família, e era também a minha, porque quando era puto também levei uns calduços dos rufias da escola, também me deram alcunhas parvas e insultuosas, também fui muitas vezes gozado por tudo e mais alguma coisa.

Hoje, à distância de 30 anos, tenho a tendência para ver tudo isso como coisas normais da adolescência, porque são episódios difusos lá no passado, vividos numa conjuntura diferente, numa envolvente social muito distante daquela que tenho hoje, e, sobretudo, porque são história que se passaram comigo, e não com os meus filhos. E só percebi essa diferença hoje, agora, quando um dos meus é a vítima, é o envolvido nisto que antigamente não tinha nome e a que hoje se chama bullying. E foi preciso tocar a sério a um filho meu para eu começar a entender melhor este fenómeno e a ver como ele consegue modificar quase a 100 por cento uma criança, como consegue destruir processos educativos que os pais colocam em prática durante anos, como consegue ser mais forte do que conversas, exemplos práticos, metodologias estudadas por psicólogos. O bullying leva tudo à frente, e eu, como pai, não sei lidar com isso.

O princípio de tudo

Foi ainda antes de o meu filho mais velho entrar para o primeiro ciclo, num colégio privado, que se começaram a manifestar na envolvente escolar em que estava inserido os primeiros episódios de coação, então mais verbal do que física. Ao contrário dos outros rapazes, ele não escolheu ir para o futebol ou para o karaté, preferiu o ballet. Teve todo o apoio dos pais. Tinha 4 ou 5 anos, e, na inocência da idade, não estava preparado para lidar com o preconceito de uma escolha que fez baseada naquilo que lhe apetecia mais. A turma era constituída unicamente por meninas, e ele era o único rapaz. Não foram precisas muitas semanas para chegar a casa a queixar-se de que vários meninos da escola gozavam com ele por andar no ballet. Logo aqui começam as minhas dúvidas.

De que forma é que uma escola combate este tipo de preconceito, esta coação verbal, a humilhação a que crianças de 4 ou 5 anos começam a ser sujeitas?

Era bastante fácil identificar os agressores, porque a escola era pequena, todos se conheciam pelos nomes, a vigilância sobre os alunos era constante e as crianças daquelas idades ainda não percebem o conceito de delação, não temem vinganças pelo facto de denunciarem quem os magoa, física ou verbalmente. Na altura, reportei o episódio aos responsáveis da escola, que me garantiram que iriam tomar medidas para que essas situações não voltassem a acontecer. Mas voltaram a acontecer. Muitas vezes. Naturalmente que ao fim de poucos meses, o meu filho me pediu para sair do ballet e ir para o judo, porque não queria continuar a ser gozado pelos colegas por ser o único menino no ballet. E agora outra dúvida que nunca consegui esclarecer:

Não é papel de uma instituição de ensino ajudar na construção da personalidade dos alunos, formando-os também como pessoas, com princípios cívicos básicos?

Muita gente defende que esse papel cabe aos pais, à família, à envolvente social extra escola, mas eu não consigo concordar com isso. Esse papel cabe a toda a gente, à sociedade em geral, a todos os que estejam a lidar diretamente com os envolvidos num caso de injustiça, seja ela qual for. Se uma criança vive uma situação como a que o meu filho estava a viver na escola, não seria obrigação dos responsáveis da escola, numa primeira fase, falarem com os agressores e explicarem-lhes, de forma didática e cívica, aquilo que estavam a fazer de errado? Não deveria ser papel da escola, referenciar os agressores e estar atenta para a eventual repetição desses mesmos comportamentos? Uma criança não aprende com uma conversa, aprende também pela repetição, pelo exemplo. Logo, o normal, digo eu, seria que alunos com comportamentos agressivos perante os outros devessem ser identificados e acompanhados mais de perto, por forma a que por um lado se protejam os agredidos, mas por outro se forme a personalidade dos agressores, e se consiga transformá-los em crianças mais conscientes. E este papel não cabe unicamente à escola, como é evidente. Cabe sobretudo aos pais, à família. E é por isso que eles têm de ser envolvidos em todo este processo. Na escola, onde muitas crianças passam grande parte dos dias, rodeadas de outras crianças, é mais fácil identificar este tipo de comportamentos, até porque quando os miúdos não estão com os pais tendem a comportar-se de forma diferente. Logo, o normal será estas situações serem reportadas aos pais, para que eles, em conjunto com a escola, possam contribuir para tornar aquela criança numa melhor criança, num melhor adolescente, num melhor adulto. Ninguém é bully só porque sim, ou a vida toda, todos os casos são reversíveis, com o devido acompanhamento e com as ações certas.

Se senti pela primeira vez o bullying na vida do meu filho neste episódio do ballet, voltei a perceber situações do género várias outras vezes no ano seguinte. E pelas mais variadas razões. Bullying verbal, mas também físico. E nunca entendi como é que num colégio privado minúsculo, que não deveria ter mais de 25 crianças em simultâneo no recreio, o meu filho era constantemente agredido, insultado, e estas situações não tinham um fim, e os agressores recorrentes nunca tinham acompanhamento ou punição. Optei por aquilo que se calhar muitos pais fariam: mudei o meu filho de escola.

No terceiro ano, com 7 anos, passou para uma instituição público-privada, bastante maior, menos controlada, mas que me parecia ter as condições para ele poder ter uma escolaridade tranquila. As coisas não foram muito diferentes: mais queixas, mais agressões, mais episódios de violência, de humilhação, sendo que, tal como na escola anterior, os agressores, perfeitamente identificados, nunca foram alvo de acompanhamento especial, de uma formação cívica para que entendessem a consequência dos seus atos de violência. Também nunca consegui que a escola me pusesse em contacto com os pais dos miúdos que, de forma persistente, infernizavam a vida ao meu filho, porque “isso não é fácil”, como me diziam, ou “as coisas não funcionam assim”. O que é certo é que nada se resolveu.

Estou longe de ser aquele tipo de pai que acha sempre que o filho é uma vítima, ou que o trata como um coitadinho porque leva pancada na escola. Pelo contrário. Perante o meu filho, sou até bastante descontraído com o tema, e tento fazer-lhe ver que estas situações são comuns em todas as escolas, e que ele não pode nunca deixar de relatar estes episódios, mesmo que lhe digam que é “um queixinhas”. Não é. É isso que é correto fazer. Também não sou o pai que diz que se leva tem de responder. Nunca. Digo-lhe o contrário disso. Que nenhum comportamento incorreto justifica outro comportamento incorreto, que jamais deve responder da mesma forma, porque isso não resolve qualquer problema, que não é a maneira mais inteligente de lidar com a situação.

Ao longo desses dois anos na nova escola, e perante repetidos episódios de bullying, fui tendo dezenas de conversas com o meu filho, tentando mostrar-lhe como agir perante essas situações, explicando-lhe que ele não deve valorizar demais isso, e que o importante é que ele se comporte de forma correta, digna, que estude, que seja educado com os professores e com os colegas, porque esse caminho é que o vai levar a ser um jovem melhor e um adulto melhor.

Terminado o quarto ano, e também porque sentia que a escola onde ele estava não correspondia às minhas expetativas, optei por matriculá-lo numa escola pública, com alunos do quinto ao 12.º ano. E aqui voltei à minha experiência pessoal para suportar parte da minha decisão. Desde que entrei para a escola, aos 6 anos, até que saí, no quarto ano da faculdade, que frequentei o ensino público. Os meus pais foram, ao longo de toda a vida, professores do ensino público. Tive boas e más experiências, não tenho termo de comparação para saber se é melhor ou pior do que o privado, mas seguramente terá vantagens e desvantagens. Achei que seria importante o meu filho experienciar a vivência de uma escola pública, visto que tinha andado sempre em colégios. Na minha ideia, isso dar-lhe-ia mais mundo, envolvê-lo-ia com todo o tipo de crianças e personalidades, boas e más, gente com mais e menos dinheiro, com histórias de vida mais pesadas e absolutamente normais. Defendo sempre que a diversidade nos enriquece, e sabia que numa escola pública daquela dimensão ele iria conhecer e conviver com muitos miúdos diferentes, e criar os seus laços.

Se no primeiro ano correu tudo com alguma tranquilidade e normalidade, a partir do sexto ano, quando ele tinha 10 anos, voltei a ouvir episódios de agressões, empurrões, murros, humilhações. Fui tentando desvalorizar, até porque apesar de tudo não via grandes alterações no aproveitamento escolar, nem na relação do meu filho com os professores, até começar a sentir que as coisas lentamente estavam a mudar. E foi só aí, provavelmente já um pouco tarde, que comecei a dedicar mais atenção ao bullying, à forma como estes episódios começavam a moldar, de forma até bastante acelerada, a personalidade do meu filho.

Nos últimos dois anos, quando ele andou entre os 10 e os 12 anos, o meu filho foi-se transformando. Não atribuo a mudança unicamente ao bullying, mas também à fase da pré-adolescência, mas o que comecei a sentir foi que ele tinha duas vidas, duas formas de estar diferentes, uma na escola e outra em casa. O miúdo doce e ternurento que tinha, e tenho, junto a mim não é a criança que os professores descrevem, uma criança irrequieta nas aulas, com comportamentos perturbadores para ele e para os outros, que desestabiliza, que não se consegue concentrar, que não acata ordens, que provoca. Como já referi, não sou, de todo, o pai que vitimiza o filho e que acha que o seu menino é um anjo e que os professores e colegas são uns patifes que só estão ali para o prejudicar. Gosto de entender todas as razões, de ouvir todas as partes, de entender as motivações. E, por isso, ao longo destes dois anos, tenho regularmente conversado de forma aberta, franca, direta com ele sobre cada um dos episódios que se vão passando na escola, dentro e fora da sala de aulas. Procurei, também, a ajuda de uma profissional, uma psicóloga infantil, para me ajudar, e para ajudar o meu filho na adoção dos comportamentos mais corretos, para que ele entenda o que se está a passar e saiba gerir estas situações sem o perturbar, sem o marcar para a vida.

Não há praticamente semana em que não veja o meu filho envolvido em episódios de violência e humilhação. Já foi parar ao hospital a sangrar do nariz de um murro que levou, já foi pontapeado por vários miúdos numa roda em ele estava no chão, no meio, a ser humilhado por todos, já lhe roubaram a mochila e deixaram-na dentro de uma sanita, já lhe roubaram o sapato e o obrigaram a andar descalço pela escola a ser gozado por toda a gente, já levou murros, calduços a toda a hora, é humilhado regularmente pelos mais velhos, é alvo de chacota nos grupos de WhatsApp da turma, e eu próprio já me encontrei com a diretora de turma para tentar entender tudo isto e perceber o que é que a escola faz em situações como esta. Uma vez mais, a resposta é a de sempre: não há muito que uma escola possa fazer. E mais uma pergunta minha:

Mas como é que não há muito que uma escola possa fazer perante um problema social e escolar tão grave como este?

Se não existem meios, criem-se meios. Investir em Educação não é só contratar mais professores, é ajudar a que as escolas tenham os meios adequados para nos ajudarem a todos, sociedade, a criarmos melhores pessoas. Não há pai que não queira que o seu filho seja uma melhor pessoa, e que aceite o contributo de profissionais para que ele receba a melhor formação escolar e humana possível. Como é possível que nas escolas não exista monitorização destas situações? Que não sejam sinalizadas as crianças com comportamentos agressivos recorrentes? Que não lhes seja atribuído um acompanhamento especial para as tornar em melhores pessoas, em crianças mais conscientes? Como é possível que as vítimas tradicionais, os miúdos mais frágeis, muitas vezes bons alunos, ou com características físicas que as tornam apetecíveis aos bullys (os gordinhos, os baixinhos, os que usam óculos, os muito magros e altos, os mais tímidos) não sejam de alguma forma protegidos, ou devidamente informados sobre o que fazer em situações em que são alvos de bullying?

O sentimento do meu filho é o pior possível, aquele de que não adianta dizer nada, não adianta apresentar queixa, porque nada se vai resolver. É a mesma sensação que nos faz descrer da Justiça. Se não acreditamos na Justiça, não temos uma sociedade justa, se os miúdos não acreditam na punição dos erros, no castigo de quem se comporta de forma inadequada, também eles desistam e resignam-se à sua condição de vítimas impotentes. E é imperativo que isto termine e que isto se altere.

Uma última pergunta:

Qual é o nosso papel enquanto pais que lidam com o bullying de forma real?

É um papel absolutamente decisivo, mas para isso é fundamental que estejamos atentos e conscientes do que está a acontecer com os nossos filhos. Esta semana, perante mais um episódio de bullying de que o meu filho foi vítima, tentei uma vez mais entender a envolvente e o contexto. A história começava com ele, o meu filho, a ir dar “um calduço”, como ele me disse, a outra criança. Não quis ouvir mais. Automaticamente percebi que o pior que poderia acontecer tinha acontecido. O agredido está a tornar-se no agressor. Aquilo que o meu filho viveu durante anos no papel de vítima está, agora, a manifestar-se no sentido oposto, com ele a fazer aos outros aquilo que lhe fizeram a ele. E isso é o pior que pode acontecer, é o sentimento máximo de falhanço para um pai, pelo menos para mim, após anos a viver com um lado do problema e agora, de repente, a ter de viver o outro lado desse mesmo problema. O que é que transformou o meu filho? O que é que fez daquele miúdo que passa a vida a pedir beijos e abraços em casa, que não passa um dia sem dizer que me ama, que está sempre com saudades dos irmãos, que toda a gente elogia e admira, numa criança que, do nada, vai dar um calduço a outro miúdo, só porque sim?

Honestamente, penso que sou um pai informado, com acesso a pessoas competentes e profissionais que atuam na área da psicologia infantil, procuro entender de forma racional todas as vertentes deste problema, procuro sempre agir com ponderação, dialogar ao máximo com o meu filho sobre tudo o que se passa com ele, mas sinto que sem o apoio das instituições de ensino onde eles estão inseridos jamais os pais conseguirão resolver estes problemas, ajudar os seus filhos, e combater ao máximo o bullying. Imagino o que acontece com pais menos informados, menos interessados, com menos oportunidades.

Quando é que este fenómeno será encarado como uma prioridade educativa? Quando começarmos a ter as clínicas cheias de jovens adolescentes a serem acompanhados com problemas ligados à depressão? Quando mais uns quantos se cortarem a sério, não porque o viram num vídeo do YouTube, mas porque não suportam mais viver numa constante humilhação e num clima de agressões constantes? Quando percebermos que estamos a formar jovens desinteressados, desinteressantes, sem interesses pela vida, porque o período escolar, que deveria ser de descoberta e aprendizagem, foi só uma época sombria que eles querem esquecer? Que pessoas são essas que iremos formar? Não sei, mas não são essas pessoas que vão tornar a nossa sociedade melhor.

 

 

“BULLYING? – (Não) é Brincadeira” 21 de junho em Loulé, com Melanie Tavares do IAC

Junho 6, 2019 às 2:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Mais informações no link:

Todos os meses 22 crianças e jovens são vítimas de violência sexual

Maio 28, 2019 às 2:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 28 de maio de 2019.

Entre janeiro de 2016 e maio de 2019, a APAV recebeu 881 pedidos de apoio de crianças e jovens. Verifica-se um aumento crescente de ano para ano. A maioria dos abusadores são familiares ou pessoas conhecidas.

A Rede Care, um projeto especializado da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), apoiou, por mês, 22 crianças e jovens vítimas de violência sexual. Entre janeiro de 2016 e maio de 2019, foram apoiados 881 crianças e jovens, 140 familiares e amigos e foram feitos 10,509 atendimentos, de acordo com o relatório hoje divulgado.

Em 2016, a APAV recebeu 195 novos pedidos de ajuda (uma média de 16 por mês); em 2017 teve 251 novos casos (média de 21 por mês) e em 2018 foram 304 (uma média de 25 por mês), numa tendência que parece ser crescente. Nos primeiros meses de 2019, deram já entrada 131 novos casos, correspondendo a uma média de 32 por mês.

A maioria das vítimas (80,3%) são do sexo feminino, residem no distrito de Lisboa (303), têm entre 14 a 17 anos (37,23%) e sofreram abusos de forma continuada (63,8%). É dentro do lar, em contexto intrafamiliar, que ocorre a maioria dos crime (54,1%), sendo que são os pais/mães os principais abusadores (19,8%). Quando a violência sexual ocorre fora do contexto familiar (39,9%), a maioria dos agressores são pessoas conhecidas (12,1%).

O aumento – que se verifica de ano para ano – pode estar também relacionado com um crescimento das denúncias. A esmagadora maioria das queixas (78,5%) foram igualmente reportadas às polícias e aos tribunais. Em 14,6% dos casos, essas denúncias partiram da própria APAV.

Bullying e maus tratos físicos e psíquicos

No Relatório Estatísticas APAV – Crianças e Jovens Vítimas de Crime e de Violência 2013-2018, também hoje divulgado mas que engloba todos os tipos de crimes, confirma-se o padrão de que os autores dos crimes estão dentro da família. De um total de 5628 crimes, a maioria (3.2 5 ) foi cometido pelos pais.

Da globalidade de crimes cometidos contra crianças e jovens, entre 2013 e 108, o destaque vai para o bullying com um total de 301 crimes. Nos casos de violência doméstica, sobressaem os maus tratos psíquicos (3570) e físicos (1442).

mais informações no link:

https://apav.pt/apav_v3/index.php/pt/2028-estatisticas-apav-criancas-e-jovens-vitimas-de-crime-e-de-violencia-2013-2018

 

 

 

Semana da Criança e do Brincar – 27 maio a 1 junho em Faro

Maio 26, 2019 às 9:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Mais informações no link:

http://www.cm-faro.pt/pt/agenda/52413/semana-da-crianca-e-do-brincar.aspx?fbclid=IwAR1V4rJeEAhQJrPZacgDEuWPm0He6SRPLcKboGJsk_2e5xJwb-sVZNzImy0

Bullying e cyberbullying, há mais raparigas vítimas e mais rapazes agressores

Maio 10, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Teenage Girl Being Bullied By Text Message – Snews

Notícia e imagem do Educare de 29 de abril de 2019.

Estudo sobre problemas comportamentais dos jovens revela que a maioria não está ligada a estas formas de agressão. Dos envolvidos, 13% dos rapazes assumiram-se como agressores ou vítimas provocadoras no bullying e 7,9% admitiram o mesmo papel em relação ao cyberbullying. Recomendam-se programas dedicados à resiliência.

O estudo “Bullying, Cyberbullying e Problemas de Comportamento: O Género e a Idade Importam”, realizado no âmbito do Health Behaviour in School Age Children (HBSC) de 2018, analisou o envolvimento dos jovens nestas formas de comportamento e violência, bem como a frieza emocional, em função do género e da idade. Um dos resultados da pesquisa mostram que 75,6% dos rapazes e 78,6% das raparigas não estiveram envolvidos em bullying e 88,5% dos rapazes e 90,2% das raparigas não reportaram situações de cyberbullying. Ou seja, a maioria não esteve envolvida em situações deste género.

Dos que admitiram o seu envolvimento, os dados revelam que 14,8% das raparigas foram vítimas no bullying e 6,9% no cyberbullying. No caso dos rapazes, 11,2% foram vítimas de bullying e 3,7% de cyberbullying. Treze por cento dos rapazes assumiram-se como agressores ou vítimas provocadoras no bullying e 7,9% disseram o mesmo em relação ao cyberbullying. Nas raparigas, relativamente à condição de agressor ou vítima provocadora, as percentagens baixam para 6,6% no bullying e 2,9% no cyberbullying.

Este estudo demonstrou que o género tem influência no envolvimento neste tipo de situações. Há mais raparigas que contam o seu envolvimento em situações de bullying como vítimas e um número mais elevado de rapazes que admitem estar envolvidos nesses casos como agressores e como vítimas provocadoras. Nas diferenças de género, e em relação ao total de problemas de comportamento e à frieza emocional, os resultados indicam que este tipo de dificuldades é maior nos rapazes.

Segundo a investigação, o envolvimento nestas situações aumentou do 6.º para o 8.º ano de escolaridade, diminuindo significativamente a partir daí. A idade tem também peso no total de problemas de comportamento e na frieza emocional, que vão diminuindo com o tempo. O estudo recomenda “o desenvolvimento de políticas públicas, na área da educação e saúde, em contexto escolar e comunitário, de tolerância zero à violência”.

“Apesar do envolvimento em situações de cyberbullying ser menos frequente por comparação com o envolvimento em situações de bullying, os resultados obtidos apresentaram um padrão semelhante”, adianta o estudo já divulgado no âmbito do 10.º Congresso Internacional de Psicologia da Criança e do Adolescente, que decorreu em Lisboa, e que analisou uma amostra composta por 8 215 estudantes, 52,7% raparigas, com uma média de idades de 14,36 anos, que frequentavam os 6.º, 8.º, 10.º e 12.º anos de escolaridade.

O estudo chama a atenção para o desenvolvimento de competências de pais e professores na identificação de sinais de envolvimento em situações de violência, no suporte a dar às vítimas e provocadores, e na desmistificação da aura de poder e superioridade associada à provocação. O comportamento provocativo deve ser encarado, acima de tudo, como uma perturbação antissocial que necessita de apoio psicológico. “Resiliência na Adolescência”, outro estudo também integrado no HBSC, conclui que “as meninas apresentam valores significativamente mais elevados na empatia, resolução de problemas e objetivos e aspirações, enquanto que os rapazes apresentam valores mais elevados na autoeficácia”.

Os adolescentes mais velhos apresentam valores mais elevados de empatia, objetivos e aspirações. “Os adolescentes portugueses apresentam, de um modo geral, bons níveis de recursos internos associados à resiliência. É, no entanto, importante desenvolver programas promotores de resiliência tendo em atenção que os recursos associados à resiliência se adquirem e agregam ao longo da vida e que grupos mais vulneráveis e expostos a mais adversidades terão mais dificuldade em acionar este mesmo processo”, lê-se no estudo.

Aceder ao estudo mencionado na notícia:

Bullying, ciberbullying e problemas de comportamento: o género e a idade importam?

 

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