Vídeo de menino de oito anos vítima de bullying gera onda de solidariedade internacional

Março 2, 2020 às 6:00 am | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 21 de fevereiro de 2020.

Quaden nasceu com acondroplasia, a forma mais comum de nanismo, e sofre de “bullying constante” por causa do seu aspecto. Solidários, internautas de todo o mundo já juntaram mais de 276 mil euros para levar o menino à Disneyland.

Há uma onda de solidariedade na Internet na sequência da divulgação do vídeo de Quaden Bayles, um menino australiano de 8 anos que diz querer morrer por não aguentar mais o bullying de que é alvo na escola.

Quaden, que vive no estado australiano de Queensland, nasceu com acondroplasia, a forma mais comum de nanismo, e sofre de “bullying constante” por causa do seu aspecto físico. Yarraka Bayle, a mãe, publicou nas redes sociais um vídeo em que o filho surge a chorar no carro depois de mais um dia de abusos na escola.

“Acabei de vir buscar o meu filho à escola e presenciei um episódio de bullying, liguei para o director e quero que as pessoas saibam — pais, educadores, professores — que este é o efeito que o bullying tem”, diz Bayle, enquanto mostra o filho a chorar. “Todos os dias acontece alguma coisa. Outro episódio, outra provocação, outro gozo”, diz a mãe no vídeo onde também se ouve o menino dizer que quer que alguém o mate. “Vocês podem, por favor, educar os vossos filhos, famílias, e amigos?”, apela a mãe.

O vídeo, que foi visto milhares de vezes nos últimos dias, deu origem à hashtag #WeStandWithQuaden e a várias mensagens de celebridades que se declaram solidários com a criança. Uma delas chegou da parte do comediante norte-americano Brad Williams, que criou uma página no GoFundMe (uma plataforma americana de crowdfunding) para levar o menino à Disneyland — até agora, já foram angariados mais de 300 mil dólares (mais de 276 mil euros), 30 vezes mais do que o valor inicial pretendido de dez mil dólares (cerca de 9,2 mil euros).

Nesta sexta-feira, a hashtag #StopBullying também esteve entre as mais utilizadas no Twitter. Crianças de todo o mundo enviaram vídeos em que descreviam as suas próprias experiências, dizendo a Quaden para “não desanimar”. Celebridades como o jogador de basquetebol Enes Kanter, que joga actualmente pelo Boston Celtics​, e o actor australiano Hugh Jackman também se pronunciaram através das redes sociais. “Quaden, és mais forte do que pensas. E independente do que acontecer, tens um amigo em mim”, refere o actor, pedindo a todos que sejam mais amáveis.

Numa conferência de imprensa, a mãe do menino disse esperar que as experiências do seu filho possam sensibilizar o público para os efeitos nocivos que o bullying tem nas crianças.

Bullying: “Campanhas avulsas surtem poucos ou nenhuns efeitos”

Fevereiro 19, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Snews

Notícia e imagem do Educare de 7 de fevereiro de 2020.

Sofia Neves, coordenadora científica do Observatório Nacional do Bullying e presidente da Associação Plano i, fala sobre a nova plataforma de recolhe casos em contexto escolar. Em menos de 24 horas, foram feitas 89 denúncias. “É necessário um investimento na capacitação de toda a comunidade escolar, procurando instituir uma cultura de tolerância zero ao bullying”, alerta.

Sara R. Oliveira

O Observatório Nacional do Bullying, iniciativa da Associação Plano i, surgiu há dias para recolher informações sobre situações de bullying em contexto escolar, através de um questionário online, disponível no site da associação, que deve ser preenchido por pessoas que são ou foram vítimas de bullying, que são ou foram testemunhas de bullying, ou que tomaram conhecimento de casos. Os dados recolhidos serão usados para o mapeamento e caracterização do fenómeno e para o reforço da prevenção e do combate ao bullying.

“Os impactos do bullying podem ser tão devastadores e incapacitantes, a nível psicológico, físico, sexual e social, que constrangem a tomada de decisão das vítimas de partilharem as suas vivências. É preciso não esquecer que o bullying pode resultar na morte das vítimas, por homicídio ou suicídio”, refere Sofia Neves, coordenadora científica do Observatório Nacional do Bullying e presidente da Associação Plano i, em entrevista ao EDUCARE.PT.

Na sua opinião, é importante reforçar mecanismos formais e informais de prevenção e combate ao bullying. “A formação especializada nesta área é fundamental para quem intervém em contexto escolar”, sublinha. Sofia Neves é licenciada em Psicologia e doutorada em Psicologia Social pela Universidade do Minho, professora auxiliar no Instituto Universitário da Maia (ISMAI) e investigadora integrada do Centro Interdisciplinar de Estudos de Género (CIEG – ISCSP/ULisboa).

 

EDUCARE.PT: As notícias mais recentes, divulgadas no ano passado, indicam que o bullying nas escolas desceu para metade em cinco anos. Em Portugal, apenas 7,3% dos estabelecimentos escolares reportaram pelo menos um episódio por semana, abaixo dos 14% da média da OCDE. Até que ponto estes números refletem a realidade?

SOFIA NEVES (SN): O retrato de qualquer realidade reflete apenas uma parcela da mesma. Nos casos específicos de vitimação, as evidências sugerem a existência de um elevado número de cifras negras, ou seja, casos que não são reportados às autoridades competentes e que, por isso, não constam das estatísticas oficiais. Em bom rigor, os números servem apenas como indicadores parciais da realidade.

E: A comunidade escolar, os pais e encarregados de educação, o ministério e o Governo, terão perceção do que é ser vítima de bullying em contexto escolar e do impacto para quem está a crescer?

SN: Ainda que o fenómeno do bullying seja social e politicamente reconhecido, nem sempre a informação que é veiculada sobre as suas práticas e respetivos impactos é a mais correta, até pela sua incompletude. Consideramos, contudo, que tem vindo a ser feito um trabalho importante de sensibilização e formação, ainda que pouco consistente, o qual tem servido para esclarecer o quão complexo e grave é o problema.
O importante é reforçar os mecanismos formais e informais de prevenção e combate ao bullying e garantir que os vários interlocutores se articulam efetivamente no sentido de otimizar a eficácia das respostas que as vítimas já têm à sua disposição e/ou criar outras complementares.

E: O medo em contar e admitir episódios de bullying ainda persiste? Como se explica essa resistência?

SN: As vítimas, de um modo geral, resistem em efetuar denúncias. As vítimas de bullying não são exceção. Dentre os vários fatores que explicam esta resistência, destacam-se o medo de represálias por parte da(s) pessoa(s) agressora(s), a vergonha, a culpa e a desesperança face à resolução do problema.
Os impactos do bullying podem ser tão devastadores e incapacitantes, a nível psicológico, físico, sexual e social, que constrangem a tomada de decisão das vítimas de partilharem as suas vivências. É preciso não esquecer que o bullying pode resultar na morte das vítimas, por homicídio ou suicídio.

E: As campanhas em torno deste tema têm ajudado, de alguma forma, a travar estas situações?

SN: As campanhas são sempre importantes para o alerta face ao problema, mas se forem feitas de forma avulsa e pontual, surtem poucos ou nenhuns efeitos em matéria de prevenção, a médio e a longo prazos. A prevenção deve implicar um processo de educação sustentado no tempo, liderado por profissionais especializados/as, e que responda às necessidades atuais das crianças e dos/as jovens que são sujeitos à prática do bullying ou que podem vir a sê-lo.

E: O Observatório Nacional do Bullying é uma plataforma de denúncia informal e que garante o anonimato. Quais os objetivos desta estrutura? Quem é o público-alvo? Como serão tratados os dados recolhidos?

SN: O Observatório Nacional do Bullying (ObNB) foi criado com o intuito de desocultar um fenómeno que tende a ser silenciado pelas razões anteriormente enunciadas. Pretende, assim, mapear e caracterizar os casos reportados, com vista a uma mais completa visão sobre as suas dinâmicas e consequências.
O ObNB visa ser utilizado por pessoas que são ou foram vítimas de bullying em contexto escolar (nos diferentes ciclos de estudos) e por pessoas que testemunharam ou tiveram conhecimento de casos de bullying (docentes, familiares, colegas).
Os dados serão analisados pela equipa técnica, recorrendo a metodologias quantitativas e qualitativas. Anualmente será publicado um relatório com a súmula dos dados, mais uma vez acautelando o anonimato e a confidencialidade da informação.

E: O mapeamento do fenómeno e a caracterização das vítimas, dos agressores, e das consequências do bullying, podem servir para alertar consciências e até motivar políticas públicas? Quais as expetativas para este observatório?

SN: Consideramos que sim, que terá não só o efeito de aumentar a consciencialização sobre o fenómeno e os seus impactos, como de alimentar as políticas públicas nesta matéria. A nossa expectativa é de que possamos ser mais um recurso ao serviço das vítimas, ex-vítimas e testemunhas, dando-lhes a oportunidade de partilharem as suas vivências informalmente, num espaço seguro e protegido, e serem encaminhadas para estruturas de apoio.
Contamos também que o ObNB possa diminuir as cifras negras. Em menos de 24 horas recebemos 89 denúncias, o que dá conta da importância de um recurso como este.

E: O que, de facto, é preciso fazer para combater o bullying em contexto escolar? Como prevenir, como sensibilizar, como atuar?

SN: Como no âmbito da prevenção de outras formas de violência, a aposta terá de ser na educação para os Direitos Humanos e para a Cidadania, e no reforço de mecanismos e estruturas de proteção e apoio às vítimas e às pessoas que lhes são significativas. A formação especializada nesta área é fundamental para quem intervém em contexto escolar.

E: Aumentar o número de psicólogos nas escolas poderá ser uma boa medida para travar o bullying?

SN: Sim, poderá ser uma das medidas. O número de psicólogos/as escolares é manifestamente insuficiente, atendendo ao número de estudantes e à diversidade de problemáticas com que as escolas se confrontam. Adicionalmente, é necessário um investimento na capacitação de toda a comunidade escolar, procurando instituir uma cultura de tolerância zero ao bullying.

E: Na sua opinião, o que é que o Ministério da Educação pode e deve fazer nesta matéria e de que forma se deve envolver em iniciativas ligadas a estas questões de violência e agressões entre os mais jovens?

SN: O Ministério da Educação tem vindo a desenvolver iniciativas no domínio da prevenção do bullying, sendo que o seu envolvimento deve ser cada vez mais articulado com as entidades que lidam com o fenómeno no terreno.

Bullying, um fenómeno “comum e complexo” entrevista a Ana Tomás da Universidade do Minho

Fevereiro 8, 2020 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Ler a entrevista de Ana Tomás de Almeida ao Diário do Minho de 30 de janeiro de 2020 no link:

https://www.diariodominho.pt/wp-content/uploads/2020/01/IV_2020_01_30_net.pdf

Vai nascer um Observatório Nacional do Bullying e um Plano B para o eliminar

Fevereiro 7, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 30 janeiro de 2020.

Por Catarina Maldonado Vasconcelos com Paula Dias

Além do Plano B, a Associação Plano i vai criar o Observatório Nacional do Bullying. Os dados serão recolhidos através de um questionário que estará disponível a partir desta quinta-feira no site da associação.

O bullying é um problema de saúde pública, transversal a várias faixas etárias, mesmo depois da infância. Para prevenir os casos de violência e de forma a promover a saúde mental, a Associação Plano i e a Direção-Geral da Saúde lançam agora um programa designado Plano B.

A iniciativa envolve três municípios (Porto, Matosinhos e Figueira da Foz) e nove agrupamentos de escolas, o que perfaz 40 turmas. O foco são estudantes dos 2.º e 3.º ciclos, e a psicóloga e coordenadora do plano Ana Luísa Abreu, esclarece: “Se olharmos para o relatório anual de 2017, das vítimas de bullying que estão em atendimento – são 107, neste caso – 48,6% são crianças e jovens, e, desses, 15,9% são do 2.ºciclo e 13,1% do 3.º ciclo.”

“Quase 60% dos autores deste crime são colegas da escola”, acrescenta a coordenadora do programa.

Além do Plano B, a Associação Plano i vai ainda fazer nascer o Observatório Nacional do Bullying. Os dados serão recolhidos através de um questionário que estará disponível a partir desta quinta-feira no site da associação.

“Pode ser preenchido por vítimas, por ex-vítimas, por testemunhas ou simplesmente por pessoas que tomaram conhecimento, como, por exemplo, uma psicóloga, um pai ou uma mãe”, refere Ana Luísa Abreu, que acredita que a recolha “vem tentar caracterizar em que momento, em que ano de escolaridade e em que ano civil [ocorrem os atos], também para compreender a prevalência de ano para ano” de forma a “caracterizar o fenómeno para depois haver uma intervenção à altura daquilo que é a realidade”.

O observatório promete dados anuais sobre os casos de bullying em Portugal, que se registam em vários contextos dentro e para lá da escola.

ouvir a reportagem da TSF no link:

https://www.tsf.pt/portugal/sociedade/vai-nascer-um-observatorio-nacional-do-bullying-e-um-plano-b-para-o-eliminar-11765634.html?fbclid=IwAR0eopfYFtJxel3iDdgzHa4EZ_XXbnxe8tsBo49sQO-J4X95TZFbHBDnURI

Polícia apreende armas em escola de Lisboa durante acção de sensibilização

Fevereiro 5, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 30 de janeiro de 2020.

Foram registadas 6422 ocorrências no ano lectivo de 2017/2018 — Lisboa é a zona do país com mais problemas. Numa acção de sensibilização contra o uso do tabaco, apreenderam várias armas brancas.

Lusa

Todas as escolas têm problemas, segundo o olhar de equipas da Escola Segura da PSP, que recordam o dia em que uma acção de sensibilização sobre tabaco numa escola de Lisboa se transformou na apreensão de 37 armas. As denúncias de ilícitos em espaço escolar estão a diminuir, mas, mesmo assim, a PSP e a GNR registaram 6422 ocorrências no ano lectivo de 2017/2018. Lisboa é a zona do país com mais problemas: quase 2500 ilícitos chegaram ao conhecimento dos agentes policiais.

As equipas da Escola Segura da 4.º esquadra da PSP estão entre as que têm mais casos, sendo responsáveis por 116 escolas da cidade. A Lusa acompanhou durante um dia duas equipas desta esquadra e constatou que os pedidos de ajuda foram uma constante.

“Há ocorrências que acontecem logo de manhã”, contou à Lusa o chefe João Cunha, coordenador da Escola Segura, a propósito do Dia Internacional da Não Violência e da Paz nas Escolas, que se assinala nesta quinta-feira, lembrando que o trabalho começa às 8h, antes do toque de entrada para as aulas.

À Lusa, o agente Antero Correia desmistificou a ideia de que os problemas acontecem apenas nos estabelecimentos de ensino situados em zonas mais carenciadas: “Todas as escolas têm problemas — umas mais e outras menos — mas, muitas vezes, não passam cá para fora os problemas”.

A ideia é corroborada por João Cunha, que recorda o dia de 2019 em que os agentes foram a uma escola secundária numa zona nobre de Lisboa fazer uma acção de sensibilização junto dos adolescentes para os perigos do tabaco e acabaram por fazer uma grande apreensão de várias armas brancas.

No seguimento desta apreensão, foi realizada uma busca domiciliária a um dos alunos e foram encontradas armas de fogo, entre as quais caçadeiras de canos serrados e revólveres.

No total, desta operação resultou a apreensão de 37 armas.

O chefe João Cunha garante que estas situações “não ocorrem todos os dias” e que o mais grave é perceber “a facilidade de aquisição de armas através de plataformas na Internet”.

Adérito Edengue é um dos alunos daquela escola e garante que o ambiente dentro da escola “é calmo”. O adolescente assume que tem colegas que gostam de fumar canábis, mas considera que isso “não é o problema”.

“No exterior é que é problemático”. Segundo o adolescente de 19 anos, os maiores problemas são provocados pelos estudantes de outra escola do mesmo agrupamento, situada a poucos metros.

“Muitas vezes há conflitos nas escolas e a polícia nunca está presente”, lamenta o jovem, dizendo que já houve casos em que “roubaram e bateram em miúdos do 7.º e 8.º anos”

Escola Segura

Os furtos, ofensas corporais, injúrias e ameaças estão precisamente entre os principais crimes registados na 4.º esquadra, reflectindo um pouco os problemas das escolas de todo o país.

Os oito agentes têm de se desdobrar entre acções de sensibilização e informação nas escolas, que estão previamente agendadas, e os pedidos de ajuda de algumas das 116 escolas que telefonam directamente para os polícias de serviço.

O agente Antero Correia traz no bolso do casaco dois telemóveis sempre ligados: um é da Escola Segura e o outro da Universidade Segura, um projecto-piloto que pretende alargar ao ensino superior o programa que, há 18 anos, começou apenas nas escolas mais problemáticas do país.

Ao longo do dia o telemóvel da Escola Segura de Antero Correia tocou várias vezes: desacatos à porta de uma escola, um furto e um comportamento desadequado por parte de alunos foram algumas das chamadas a que a Lusa assistiu. “Temos de estar preparados para responder às chamadas das escolas, que são constantes”, frisou João Cunha.

O programa Escola Segura abrange mais de oito mil escolas frequentadas por mais de um milhão de alunos.

Entre as missões da PSP estão as acções preventivas junto dos alunos. O dia de Antero Correia e Filipa Gomes começou precisamente numa sala de aula de uma turma do 5.º ano para debater o problema da violência nas escolas.

Durante a acção, cinco alunos acabaram por admitir que já tinham sido vítimas de bullying, outro dos problemas que assola as escolas.

O agente Antero Correia reconhece que houve mudanças na forma de agredir e humilhar: “Em dez anos passou-se do bullying para o cyberbullying”. O que significa que o crime passou a ser mais difícil de detectar, mas, por outro lado, agora há mais provas, porque tudo fica registado.

À Lusa, a delegada de turma Camila Guerra, de dez anos, admitiu que gostaria de ser “uma embaixadora do bullying”, ou seja, alguém sempre disponível para ajudar os colegas.

Para Camila Guerra, as “aulas” com os polícias são muito interessantes e “os temas abordados são sempre importantes”: “Antes falámos do abuso sexual e agora é sobre violência nas escolas”, referiu.

O colega Bruno Fontes Lima diz que já falou sobre estes assuntos com os pais e com a professora, mas admite que quando é a polícia a abordar os temas “parece muito mais sério” e “importante”.

Também a professora e directora de turma Sandra Lourenço acredita nos benefícios da presença da polícia, que tem uma experiência e forma de falar diferentes. Além disso, acrescenta, o facto de os polícias estarem próximos, na sala de aula, é “importante para percebem que os agentes são pessoas que estão do lado deles para os ajudar”.

Apesar de considerar que a escola onde dá aulas não é problemática, Sandra Lourenço reconhece que hoje o ambiente é mais complicado. “Dou aulas há 22 anos e não está nada igual. Está tudo muito diferente”, contou a professora do 2.º ciclo, reconhecendo que “há mais agitação dentro da sala de aula”.

Segundo um inquérito feito às escolas portuguesas pelo professor Alexandre Henriques, especialista em gestão de conflitos, os casos de indisciplina começam a ser visíveis no 2.º ciclo (cerca de 34,2%) mas é no 3.º ciclo que os problemas se agravam: 63,2% dos casos registaram-se entre alunos do 7.º ao 9.º anos.

“A sociedade está extremamente violenta e a escola é um reflexo da sociedade. Os meninos vêm para a escola mais violentos e agressivos”, lamentou a docente Sandra Lourenço.

Migrantes e refugiados apelam à denúncia de casos de bullying

Janeiro 10, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 30 de dezembro de 2019.

Estudo conclui que animação sociocultural nas escolas reduz violência entre alunos

Dezembro 26, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Sapo24 de 19 de dezembro de 2019.

A existência de animação sociocultural dentro dos estabelecimentos de ensino contribui para a diminuição da violência escolar (‘bullying’) e potencia outro tipo de competências aos alunos, revela um estudo divulgado hoje.

Da autoria do animador e investigador Bruno Trindade, de Castelo Branco, o estudo “Importância da Animação Sociocultural em Contexto Escolar” foi apresentado no início do mês, na Universidade de Salamanca, em Espanha, como tese de doutoramento.

“O índice de violência foi uma das áreas em que nos debruçámos mais. Até nós ficámos impressionados com as respostas, não só dos alunos como dos professores, pois 80% considerou que [a animação sociocultural] ajudou a combater a indisciplina na escola”, disse o autor à agência Lusa.

O estudo decorreu no Agrupamento de Escolas Nuno Álvares de Castelo Branco, envolvendo 439 alunos e 36 professores (incluindo do 1.º ciclo do ensino básico), através do questionário de Adaptação da Escala de Avaliação de Implementação de Programas.

Segundo Bruno Trindade, os alunos e professores “demonstram uma satisfação elevada com a animação sociocultural na oferta educativa, sendo esta atividade promotora de sucesso escolar, de maior motivação escolar e de redução dos comportamentos desviantes”.

Os alunos “sentem-se muito mais empenhados e motivados para a escola e consegue-se melhorar também em termos comportamentais, com a diminuição da violência no espaço escolar”, reitera o investigador albicastrense.

“[A Animação sociocultural] também nos permite que os alunos estejam muito mais motivados e consegue levá-los a gostarem de uma escola diferente, com uma perspetiva diferente no espaço escolar também ao nível de aprendizagens lúdico-pedagógicas”, acrescentou.

De acordo com Bruno Trindade, a existência de animação sociocultural nas escolas portuguesas é muito residual, motivo pelo qual este estudo “foi bastante inovador”.

“Em termos de estudo, propusemos alargar a animação a todas as escolas nacionais, desde o jardim de infância ao primeiro ciclo, porque ajuda a melhorar a componente educativa, mas também a ter uma perspetiva diferente ao nível das suas metodologias e da educação não formal”, revelou.

Para o investigador, o aspeto da flexibilização curricular permite trabalhar a componente artística, cultural e social de uma forma diferente dos contextos educativos.

Bruno Trindade defende a introdução da animação sociocultural como uma oferta educativa e curricular dentro da componente escolar, com a reformulação, por exemplo, das Atividades de Enriquecimento Curriculares, para se dar “mais importância às questões da socialização, do brincar, ao desenvolvimento da competência, da criatividade e também a algo mais pertinente, que é da fomentação das regras e valores, cada vez mais importantes nas escolas”.

“Neste momento, estamos com algumas falhas nesse aspeto [regras e valores] devido à tecnologia e ausência de família, mas cada vez mais a animação sociocultural permite esse trabalho e envolvimento”, sublinhou.

Para o especialista, a animação sociocultural “é uma área com grandes potencialidades para a sociedade e foi uma das questões que me levou a pensar neste estudo, porque ainda não é muito desenvolvida nas escolas e cada vez mais tem potencialidade no desenvolvimento de competências e também na componente educativa e na fomentação de metodologias diferentes a nível da aprendizagem”.

Escola sem Bullying Escola sem Violência – Site para alunos, pais e escolas

Dezembro 16, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Site ou blogue recomendado | Deixe um comentário
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Mais informações no link:

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Bullying e Ciberbullying: Prevenir & Agir (II) – curso online 14 janeiro

Dezembro 16, 2019 às 6:00 am | Publicado em Divulgação, Vídeos | Deixe um comentário
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A Direção-Geral da Educação (DGE) promove o curso de formação online “Bullying e Ciberbullying: Prevenir & Agir (II)”, em formato MOOC (Massive Open Online Course), no âmbito do Centro de Sensibilização SeguraNet e da Equipa de Educação para a Saúde.

Este curso está enquadrado nas propostas de formação do plano Escola Sem Bullying. Escola Sem Violência.

O curso que é ministrado em língua portuguesa e é gratuito. Não é acreditado pelo Conselho Científico-Pedagógico da Formação Contínua, sendo que a sua conclusão permite a obtenção de um Certificado de Conclusão do Curso.

Mais informações no link:

https://lms.nau.edu.pt/courses/course-v1:DGE+SEGBC+II/about?fbclid=IwAR2YkM7s3_Ni7jHjc1nTp3198Zo2bsu9piy4YSN4JREClVgd_Epdzozt3AM

Bullying nas escolas – mais à vista é impossível

Dezembro 14, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Vera Silva publicado no Público de 7 de dezembro de 2019.

As aulas de Educação para a Cidadania trabalham a questão do bullying e dos direitos humanos. Mas, na prática, vêem-se resultados?

Na época do imediatismo, as relações humanas tornaram-se também fugazes. Dotadas de pouco sentimento a interação entre alunos, transformam-se facilmente em agressão verbal ou física. A violência gratuita parece uma daquelas ofertas que constantemente aparecem na internet e que se podem ganhar facilmente, bastando para isso clicar no botão. Chegámos a uma época na qual para levar uma boa tareia não é preciso fazer nada, basta estar no lugar certo à hora certa que, tal como no telemóvel, a oferta gratuita da valente tareia aparece. Para a ganharmos basta apenas ficar indefeso.

Artigo 30.º da Declaração Universal dos Direitos Humanos “Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada de maneira a envolver para qualquer Estado, agrupamento ou indivíduo o direito de se entregar a alguma actividade ou de praticar algum acto destinado a destruir os direitos e liberdades aqui enunciados” – basicamente, refere que ninguém nos pode infligir mal algum. Os direitos humanos jamais são direitos por capricho, são direitos porque ainda existe humanidade. Se estes direitos são praticados? Talvez sim, talvez não.

Entramos no contexto escolar onde a continuidade dos valores humanos deveria progredir após o seu início no berço. Berço é aquele espaço que enreda a nossa personalidade vinda de um temperamento com a epigenética à mistura. Jamais há certos ou errados na família na qual cada um cresce, mas a mistura que resulta do que são os valores, crenças, vivências de cada um e o temperamento inseridos numa sociedade repleta de imediatismo pode ser explosiva. Será esta a origem do bullying? Haverá um apontar de dedo de culpa? Culpa é algo jurídico, responsabilidade é humano e o bullying surge da desresponsabilização de atos. Surge do simples desrespeito pela vida humana. Tudo o que nos entra pelos meios sociais adentro mostra realidades que parecem pertencer a filmes que nos colam ao ecrã, tal não é a inqualificável característica das atrocidades cometidas em atos de bullying escolar. A agressão física e psicológica no bullying misturam-se, pois mesmo num contexto de agressão apenas física a parte psicológica é profundamente afetada, deixando marcas que podem matar o ser interno. Mas o que é interno não se vê… E se mata aquilo que é externo? Se chegarmos a agressões que podem tirar uma vida por bullying? A desresponsabilização máxima do ato num atentado à vida humana é indigno para todos. Imaginem a criança ou jovem que é batida num ato de pura violência gratuita, pontapeado por múltiplos colegas na escola enquanto se encontra caído no chão. Isto é apenas um exemplo chocante mas que ocorre e não é só uma vez.

O bullying é falado, discutido, supostamente tratado, mas o facto é que o seu crescimento é exponencial. Agressão de crianças para crianças, de jovens para jovens, de adultos para adultos… que sociedade é esta que estamos a construir, ou será que devo dizer destruir?

Se a maioria das situações são denunciadas? Não. Os motivos que levarão à não denúncia por parte de quem tem o dever de o fazer podem ser múltiplos. Desde “não percebi o que aconteceu”, “não fui informado e por isso não dei meios”, “isso são coisas de miúdos”. Pois… coisas de miúdos. Mas violência gratuita é coisa de miúdos e, já agora, de graúdos? Mas violência alguma é algo aceitável? O fechar de olhos também é bullying e este vem dos adultos que em meio escolar são responsáveis pela integridade física e psicológica dos menores que têm a cargo. Assim como na família jamais devem ser ignoradas as situações de violência escolar, a ajuda da família é crucial. Não interessa os olhos com que os outros nos vêem mas sim se a nossa consciência se deita tranquila na almofada, pelo que se a família é exemplar, ou se o ranking escolar é o melhor, não tem interesse, se o que estiver dentro for completamente o inverso. De exemplaridade estamos cheios, os erros devem ser assumidos sem medo e com frontalidade. São exemplos que como adultos damos às nossas crianças.

A denúncia deve e tem que existir sem medo de represálias, porque estas também existem. Existem entre alunos e existem de forma dissimulada entre adultos e crianças e jovens. A sociedade cresce no medo neste momento e por isso muitas vezes aquieta-se. Até quando?

As aulas de Educação para a Cidadania trabalham a questão do bullying e dos direitos humanos. Mas, na prática, vêem-se resultados?

Artigo 30.º da Declaração Universal dos Direitos Humanos – jamais alguém me inflige mal! Isto deveria ser entregue às crianças desde o nascimento, pois se não se respeitarem e zelarem pelo que são jamais vão respeitar e zelar pelo próximo.

A autora escreve segundo o novo Acordo Ortográfico

Pediatra e Investigadora em Ciências da Cognição e da Linguagem do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa

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