Conferência Prevenção e Direitos da Criança, 23 de novembro, na Fundação Calouste Gulbenkian

Outubro 18, 2019 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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O seu filho é alvo de bullying?

Outubro 17, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Sapo Lifestyle

Luís Fernandes, psicólogo e investigador, co-autor do livro «CyberBullying – Um Guia para Pais e Educadores», explica como reagir perante estas situações e indica o que nunca, mas nunca, deve fazer.

Dados do Programa Escola Segura e da GNR indicam que o bullying nas escolas portuguesas aumentou nos últimos anos. O número crescente de queixas que tem chegado às autoridades também o confirma. Luís Fernandes, psicólogo e investigador na área do bullying e da violência na escola, confirma esse crescendo, explicando que se trata de «comportamentos agressivos entre crianças e jovens em idade escolar».

«São ações repetidas que nascem de um desequilíbrio de poder, através de agressões físicas, psicológicas e/ou sexuais, algumas realizadas via internet e dispositivos digitais [cyberbullying]», refere. «Pais e educadores devem atuar rapidamente pois o bullying só pode ser vencido com o apoio de toda a comunidade educativa, sendo essencial que vítima, agressor e quem assiste à agressão sejam acompanhados», diz.

Siga as orientações de Luís Fernandes, psicólogo e investigador na área do bullying e da violência na escola.

Com o seu filho

– Dê o seu apoio. «Seja solidário com a criança/jovem transmitindo-lhe que poderá contar consigo em qualquer circunstância, que irá resolver a situação. Caso tenha sido o próprio a contar o que está a passar-se, elogie a sua coragem», aconselha o especialista.

– Evite acusações. «Não acuse a criança/jovem por, de alguma forma, ser responsável pela situação. Isso não ajuda em nada a resolução do problema e fragiliza mais a vítima», assegura o psicólogo e investigador.

– Envolva-se. «Vá acompanhando a situação de perto, pois isso transmite segurança e permite ainda monitorizar e intervir precocemente perante novas situações que possam surgir», realça o especialista.

Com a escola

– Defina um plano de atuação. «Contacte o professor titular da turma [no primeiro ciclo], o diretor de turma [nos outros ciclos de ensino] e/ou a direção da escola para perceber se estão a par da situação e definir-se um plano que proteja a criança/jovem», sugere Luís Fernandes.

– Conheça o regulamento interno. «Saiba quais os procedimentos previstos para estas situações, se existe um regulamento interno que refira os comportamentos que não são aceitáveis, assim como as suas consequências», recomenda o psicólogo e investigador.

– Informe-se sobre o caso. «Apure se as agressões e/ou humilhações decorrem há muito tempo e quais os principais locais onde costumam ocorrer e se existem desconfianças por parte dos pais do agressor», insiste o especialista.

– Sugira uma ação de sensibilização. «Sensibilizar quem assiste à agressão é uma mais-valia para a resolução destes problemas. Sugira uma ação pedagógica junto dos colegas do seu filho», sugere ainda.

Com o agressor

– Nunca o contacte. «Evite contactar diretamente os agressores ou os pais destes a pedir satisfações ou a exigir que estes deixem de incomodar os seus filhos, pois esta situação poderá agravar as agressões», alerta Luís Fernandes, psicólogo e investigador, co-autor do livro «CyberBullying – Um Guia para Pais e Educadores», publicado pela Plátano Editora, em parceria com Sónia Seixas e Tito de Morais.

– Procure um mediador. «O ideal será entender se existem pessoas que funcionem como mediadores da própria situação, como, por exemplo, um diretor de turma ou o coordenador dos diretores de turma (normalmente um dos docentes mais experientes da escola), o psicólogo (caso exista) ou o diretor da escola», sugere.

«A participação dos funcionários é igualmente fundamental uma vez que a maioria dos casos ocorre nos recreios e/ou espaços comuns da escola», realça ainda o especialista português.

Os números do bullying

– 25% das crianças e jovens em idade escolar, seja como vítimas, agressores ou nesse duplo papel [vítimas que se transformaram em agressores], estão envolvidas em casos de bullying.

– 616 casos de bullying registados mensalmente em Portugal.

– Mais de 50% das vítimas não denunciam as agressões.

– 70% das situações de bullying ocorrem nos recreios e/ou espaços comuns da escola.

Texto: Carlos Eugénio Augusto com Luís Fernandes (psicólogo e investigador na área do bullying e da violência na escola e co-autor do livro «CyberBullying – Um Guia para Pais e Educadores»)

Bullying: o que nunca deve dizer se o seu filho for vítima?

Outubro 14, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto e imagem do DN Life de 7 de outubro de 2019.

É um problema pesado, muitas vezes associado a depressões, baixa autoestima, distúrbios de apetite e sono, ansiedade, fraco desempenho escolar, dores de estômago, solidão. E sim, o bullying é da responsabilidade de todos, pelo que também em casa devemos evitar agravar o sofrimento.

Texto de Ana Pago

“IGNORA”
Se passar ao lado do problema bastasse para resolvê-lo, não teríamos números gritantes a mostrar que um em cada quatro jovens se envolve em situações de bullying como vítima, agressor ou ambos os papéis (“por exemplo, um aluno de 7.º ano que é vítima de um do 9.º e agride, ele próprio, um colega do 5.º”, explica o psicólogo Luís Fernandes, a trabalhar nas áreas da prevenção, combate e intervenção no bullying). Pior: pedir à criança para ignorar os ataques não só não valida o seu sofrimento muito real – por alguma razão ela tentou falar consigo –, como a fará sentir-se mais sozinha e desamparada do que nunca.

“EVITA ESSES COLEGAS”
É outra sugestão bem-intencionada mais fácil de proferir que de fazer, ou não seriamos o 15.º país com mais relatos de bullying na Europa e América do Norte, segundo Luís Fernandes. “Trabalhar com os agressores é tão importante como com quem sofre, já que muitas vezes os próprios são vítimas de violência em contexto familiar”, explica o coautor (com a investigadora Sónia Seixas) dos livros Plano Bullying e Diz Não ao Bullying. Além disso, dizer a um filho que evite os bullies apenas fará com que sinta ser uma vítima deles porque não é suficientemente bom a afastar-se.

“AS CRIANÇAS SÃO MESMO ASSIM”
Se é um facto que as crianças conseguem ser bastante cruéis entre elas, que os agressores são muitas vezes vítimas de ambientes agressivos e que devemos educar para a tolerância, é também um facto que desculpas deste género nunca podem legitimar a violência. “O bullying dói muito e o agressor quer realmente fazer mal”, confirma em entrevista ao Huffington Post Barbara Coloroso, autora de The Bully, The Bullied and the Bystander (O Intimidador, a Vítima e a Testemunha em tradução livre). “Se os pais minimizarem, racionalizarem ou tentarem explicar o comportamento do bully, não tardará a que os filhos prefiram sofrer em silêncio”, acrescenta a especialista em educação.

“TENS QUE SABER DEFENDER-TE”
Na cabeça dos pais o repto irá seguramente incitar os filhos à autodefesa: como não? É como se as palavras tivessem poder em si mesmas, de tão fortes que são. Na prática, porém, o mais provável é a criança ficar a sentir que a culpa de ser vítima é toda dela, por não se saber opor ao agressor. Tal como será unicamente sua a responsabilidade de ter que aprender a defender-se o quanto antes.

“PRECISAS DE SER FORTE”
Sendo outro abanão que pretende ajudar a criança a acabar de vez com aquele sofrimento sempre presente, uma estratégia mil vezes melhor passa por tranquilizar a vítima, estar do seu lado, mostrar que vamos fazer tudo para acabar com as humilhações, adianta o psicólogo Luís Fernandes. “Dá um conforto extraordinário”, diz. E sabe-o porque uma garota de 11 anos, a quem um dia perguntou quando é que o bullying terminou para ela, lhe respondeu que foi no instante em que o pai a abraçou e garantiu que as agressões nunca mais iam voltar a acontecer agora que ele sabia de tudo.

“NÃO SEJAS TÃO DRAMÁTICO”
É capaz de ser das piores observações que uma criança pode ouvir do adulto com quem fala (por mais que este tente apenas desdramatizar o problema sem se dar verdadeiramente conta dos estragos que estará a causar ao fazê-lo). Ninguém tem culpa de ser vítima de bullies. Ninguém é violentado porque quer, pelo que os pais terão de ter especial cuidado para não passarem a mensagem errada de que os filhos estão a exagerar no que sentem.

“É SÓ UMA FASE, VAI PASSAR”
Nem uma coisa nem outra, sublinha o psicólogo Luís Fernandes, que considera haver ainda muitos mitos em torno do bullying que importa desfazer: “Não acontece só em algumas escolas, não é uma mera brincadeira e nunca deve ser encarado como uma fase que passará em breve e que, portanto, pode ser relativizada”, afirma. Até pode vir a suceder num futuro próximo, mas por enquanto ainda é um tormento que ninguém tem o direito de minimizar.

Vítima de bullying leva arma de fogo para escola em Lisboa “para se proteger”

Outubro 10, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do Observador de 4 de outubro de 2019.

Rapaz de 14 anos disse que “já sofria bullying desde o início do ano letivo” e que por isso tinha levado a arma para a escola para proteção. Agressor de 17 anos foi constituído arguido.

Um aluno “vítima de bullying” levou para uma escola situada na zona de Belém, em Lisboa, uma arma de fogo, que “foi roubada pelo agressor”, anunciou esta sexta-feira o Comando Metropolitano de Lisboa (Cometlis) da PSP.

Após um aluno, vítima de bullying, ter levado para a escola que frequenta uma arma de fogo, pertença de seu pai, foi a mesma roubada pelo seu agressor, tendo este levado a arma para parte incerta. Na sequência de diligências junto da progenitora da vítima foi apurado que o menor teria, sem o seu conhecimento, retirado essa mesma arma de fogo de um interior de um cofre pertencente ao seu pai, onde supostamente estariam duas armas”, refere o Cometlis, em comunicado.

Fonte policial explicou à agência Lusa que a vítima, de 14 anos, levou a arma de fogo para a escola em 20 de setembro, dia em que o alegado agressor, de 17 anos, a roubou durante uma conversa. Contudo, a escola só soube desta situação na quinta-feira, 3 de outubro, quando, após mais um episódio de agressões, o ofendido contou aos responsáveis da escola que “já sofria bullying desde o início do ano letivo” e que por isso tinha levado a arma para o estabelecimento de ensino “para se proteger”.

A mesma fonte acrescentou que o suspeito de 17 anos foi constituído arguido e que foram identificados mais quatro alunos, três dos quais suspeitos de fazerem parte do grupo que cometia o bullying sobre a vítima.

No comunicado, o Cometlis indica que no decorrer de diligências realizadas posteriormente “não foi possível apurar o paradeiro da arma” que havia sido roubada ao menor, “tendo sido constituído arguido o principal suspeito dos factos”. Segundo o Cometlis, as armas do pai da vítima “estariam em situação ilegal”.

Durante uma busca domiciliária foi ainda apreendido um revólver, 40 munições de calibre de 6.35 milímetros (mm), 42 munições de 22 mm e 12 cartuchos de 12 mm. A PSP dá conta de que vai continuar a investigação.

“No âmbito do programa Escola Segura, salienta-se a estreita parceria com as direções dos estabelecimentos de ensino, progenitores e encarregados de educação e próprios menores que, em consonância de esforços, resultam em ações desta natureza daqui prevenindo-se os riscos associados a condutas reprováveis”, pode ainda ler-se no comunicado do Cometlis.

10 Mandamentos da Prevenção e Combate ao Bullying

Outubro 7, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Imagem retirada daqui

VI Jornadas “Casa e Escola: Olhares sobre a Violência” 7 a 14 outubro em Salvaterra de Magos

Outubro 5, 2019 às 9:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Mais informações no link:

http://www.cm-salvaterrademagos.pt/informacoes/noticias/item/3597-vi-jornadas-da-saude-do-social-e-da-educacao-de-7-a-14-de-outubro-no-concelho-de-salvaterra-de-magos

Ministério da Educação pede a directores que comuniquem casos de bullying

Setembro 30, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Fábio Teixeira

Notícia e foto do Público de 21 de setembro de 2019.

Ferramentas de apoio à implementação do plano começarão a chegar às escolas no próximo mês. Ministério vai sensibilizar os directores de escola para “a importância da monitorização do fenómeno e tomada de decisões a nível local, regional ou nacional”.

O Ministério da Educação anunciou este sábado um plano de combate ao bullying nas escolas, onde estes comportamentos de intimidação, coação e perseguição vitimam, segundo as Nações Unidas, uma em cada três crianças.

Segundo uma nota de imprensa do Ministério da Educação, o plano pretende apostar “na sensibilização, na prevenção e na definição de mecanismos de intervenção em meio escolar, com o envolvimento de vários serviços”, para combater quer o bullying em presença, quer o ciberbullying, que acontece no mundo virtual da Internet.

Elaborado pela Direcção-Geral da Educação, em articulação com a Direcção-Geral dos Estabelecimentos Escolares e a Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, o plano terá associada a campanha “Escola Sem Bullying. Escola Sem Violência”.

O Ministério da Educação assinala que “foi já introduzida uma melhoria na Plataforma SISE (Sistema de Informação de Segurança Escolar)”, sendo agora possível aos directores de escola referenciarem casos de bullying e/ou ciberbullying. “Desta forma, contorna-se o facto de estes casos não serem considerados uma tipologia de crime”, justifica o Ministério, adiantando que vai sensibilizar os directores de escola para “a importância deste registo para monitorização do fenómeno e tomada de decisões a nível local, regional ou nacional”.

Segundo a mesma nota, o objectivo do plano “é erradicar o bullying e o ciberbullying nas escolas, enquadrando-os no contexto mais amplo da violência em meio escolar, ajudando a reconhecer sinais de alerta, lançando orientações e capacitando as escolas para a utilização de diferentes abordagens de prevenção e intervenção”, respeitando a autonomia e a realidade de cada estabelecimento de ensino.

As ferramentas de apoio à implementação do plano começarão a chegar às escolas no próximo mês, por ocasião do Dia Mundial de Combate ao Bullying, que se celebra a 20 de Outubro. O plano pressupõe a criação de equipas, compostas por vários elementos do meio escolar, incluindo alunos, que terão “como missão, entre outras, a promoção de acções de sensibilização e prevenção para a comunidade educativa”. O que se pretende é que, perante um caso concreto de bullying e/ou ciberbullying, essas equipas o “possam resolver o mais rapidamente possível”, indica a nota.

Ao mesmo tempo, as turmas de todas as escolas serão convidadas a comprometerem-se “com um conjunto de cláusulas que vão no sentido do respeito pelo outro e da não- violência” e será sugerido às escolas que reconheçam as turmas que “vierem a revelar uma boa conduta ao longo do ano”.

O plano inclui ainda a disponibilização de um site e páginas sociais com conselhos para alunos, famílias e escolas, instrumentos de literacia, projectos e outras iniciativas. “Para acompanhar e monitorizar a aplicação do plano nas escolas foi criado um grupo de trabalho, composto por elementos dos serviços e organismos do Ministério da Educação, com a missão de apoiar a comunidade escolar na promoção de uma ‘Escola Sem Bullying. Escola Sem Violência’”, explica a tutela em comunicado.

Ao Grupo de Trabalho “Escola Sem Bullying. Escola Sem Violência” caberá, entre outras funções, promover a celebração de parcerias e protocolos com instituições e organizações que colaborem no combate ao bullying e ciberbullying, e monitorizar a nível nacional a existência de situações de violência em contexto escolar.

Mais informações no link:

https://www.portugal.gov.pt/download-ficheiros/ficheiro.aspx?v=3a5d41da-27dc-43e9-beef-d44c2fe7d46f

Bullying nas escolas. “Existem crianças que têm intenção de magoar o outro”

Setembro 13, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto e imagem do MAGG de 29 de maio de 2019.

por Catarina da Eira Ballestero

O projeto “Escolas de Empatia” luta contra o bullying e atua numa ótica de prevenção. No próximo ano letivo, quer chegar a mais escolas.

De acordo com dados da UNICEF, mais de 150 milhões de crianças afirmam ser vítimas de bullying nas escolas. Os números são alarmantes e, mesmo numa sociedade em que a palavra bullying já não é nenhum mito, os comportamentos agressivos entre pares nas camadas mais jovens continuam a existir.

Foi com o intuito de prevenir o bullying que surgiu a iniciativa “Escolas de Empatia”, um projeto piloto, aplicado a escolas do primeiro ciclo, que pretende combater este género de comportamentos através da empatia. Criado pela associação Par, e com um programa elaborado por uma equipa de psicólogos e outros especialistas, o objetivo do projeto é trabalhar, junto das crianças, aspetos como inteligência emocional, autoconfiança e consciência do outro.

Numa entrevista a Andreia Nogueira, psicóloga e responsável pelo projeto das “Escolas de Empatia”, tentámos perceber a importância de capacitar as crianças com competências de empatia, as consequências a longo prazo do bullying e se, na verdade, existem ou não crianças cruéis.

O que são as “Escolas de Empatia”?
O projeto “Escolas de Empatia” é um projeto piloto que começou este ano letivo (2018/19). Foi uma adaptação de um projeto que a associação Par teve anteriormente, o “Houses of Empathy”, que decorreu em casas de acolhimento em Lisboa, mas também em países parceiros, cujo objetivo principal era diminuir os índices de bullying entre pares nessas casas.

Esse projeto teve resultados positivos e decidimos adaptá-lo, no ano passado, para o contexto escolar, na escola Escola Básica Teixeira de Pascoais, em Alvalade. O projeto é tratado como uma AEC (atividades de enriquecimento curricular) e passamos uma hora semanal com cada turma, onde fazemos vários exercícios, dinâmicas de grupo e, no final, existe um momento de reflexão com as crianças.

Só existe numa escola?
Atualmente, sim. Gostaríamos de chegar a mais escolas e também a mais faixas etárias. Neste momento, o programa está adaptado para crianças do primeiro ciclo, do 1.º ao 4.º ano, mas também está em aberto para ser possível avançar para outras faixas etárias.

Qual é o principal objetivo do projeto?
O que pretendemos é que, através de uma abordagem de prevenção, mas também de intervenção quando já existe um historial de violência entre pares, conseguir chamar a atenção e prevenir os comportamentos de agressividade, como situações de bullying entre colegas de escola.

Podemos então assumir que combater os comportamentos de bullying é o grande foco das “Escolas de Empatia”?
Sim, claro que sim.

A curto e médio prazo, qual é o impacto que espera que este projeto tenha nas crianças?
Daquilo que conseguimos ver até agora, apesar de não termos resultados concretos, o feedback das crianças tem sido positivo. Quer seja por atitudes dos miúdos que vamos observando, ou mesmo por aquilo que nos transmitem, mas também por aquilo que nos é dito por pais, professores, auxiliares. As crianças vão estando mais atentas ao outro, tentam perceber se o colega está triste, se podem fazer algo para o ajudar. Até porque o foco do projeto é mesmo a empatia.

Acha que ainda existe muito bullying nas escolas portuguesas, mesmo sendo um assunto bastante discutido no panorama atual?
Se me focar nestas idades de primeiro ciclo e na realidade da escola em que trabalhamos, o programa do projeto vem muito numa abordagem de prevenção. Ainda assim, mesmo nestas idades, já começamos a ver alguns comportamentos agressivos que não podemos considerar como normais — mesmo que seja algo momentâneo, tem de ser alvo da nossa atenção e também da dos pais, funcionários, de todas as pessoas que lidam com as crianças em questão.

Mas respondendo à sua questão, acho que sim, que ainda existem muitos comportamentos do género e que, muitas vezes, surgem até por causa do contacto que as crianças têm com algum conteúdo violento (como jogos, por exemplo). É necessário explicar aos miúdos que essas atitudes não são normais na relação com os outros, quer seja uma agressão física, como verbal — tudo o que seja humilhar o outro de alguma forma. Atenção que alguns destes comportamentos até podem ser cometidos sem existir uma intenção de maldade mas, caso não sejam travados, podem, mais tarde, ganhar outros contornos.

Qualquer criança pode ser vítima de bullying, mas existem vítimas mais fáceis, como crianças de meios menos privilegiados, por exemplo?
Não, não creio que tenha que ver com o contexto ou com o meio. Claro que algumas crianças, por um conjunto de fatores, podem ser mais atingidas pelo bullying do que outras, mas acho que isso tem mais que ver com as competências sociais da própria criança. É também por isso que consideramos o trabalho dessas competências muito importantes, para aprenderem a defender-se de situações de agressividade, mas também para conseguirem defender outros.

Também trabalhamos a autoestima, como a parte da comunicação assertiva em relação a um possível agressor, o saberem defender os seus direitos que podem não estar a ser respeitados naquele momento, e queremos desmistificar um bocadinho aquela ideia do “resolve por ti próprio”, do “não sejas queixinhas”. É importante que saibam pedir ajuda.

A ideia das queixinhas tem mesmo de acabar para as crianças se sentirem à vontade para pedir ajuda?
Exatamente. E também nos cabe a nós saber a diferença entre algo que a criança nos passa e que merece toda a nossa atenção, e outras, mais pontuais, em que devemos capacitar as crianças para saberem responder às mesmas situações. Mas penso mesmo que, quando uma criança recorre a nós e nos pede ajuda de alguma forma — e em idades precoces não é fácil verbalizar isso —, devemos estar muito atentos ao seu pedido e não desvalorizar.

Já me disse que não acredita que existam vítimas mais fáceis de acordo com o contexto ou com o meio. Mas acha que as crianças obesas, dado que a obesidade infantil é cada vez mais um problema crescente em Portugal, podem ser mais afetadas pelo bullying?
Da minha experiência e daquilo que tenho visto, não acho que seja a razão principal para as crianças serem vítimas de agressões. Até porque se uma criança tiver excesso de peso, mas os pais a tiverem capacitado para ter bons níveis de autoestima, não creio que o peso faça desta criança uma vítima certa. Não se trata de uma coisa específica, mas mais das diferenças, que acabam por ser um fator para apontar alguma coisa ao outro, seja usar óculos, tirar muito boas notas, entre outros.

Quais são os principais sinais de que uma criança está a ser vítima de bullying?
Apesar de depender um bocadinho da idade, pegando nesta faixa etária do primeiro ciclo, muitas vezes os primeiros sinais são fatores físicos. Queixam-se de dores de barriga, que podem ser sinal de ansiedade, e também se recusam a ir para a escola. Existem também mudanças no próprio comportamento: evitam situações de recreio, que é algo que é esperado que as crianças gostem, preferem estar próximo das auxiliares, mostram desinteresse pelas aulas e pela aprendizagem, quando antes gostavam de tudo o que tivesse a ver com a escola. Também passam a dormir pior, quando até eram miúdos que dormiam bem, e passam a estar mais dependentes dos adultos e com medo de ficarem sozinhas, sendo que este não era um comportamento habitual.

Perante a confirmação de uma situação de bullying, o que é que os pais devem fazer?
Normalmente, os pais têm muito a tendência de procurar logo os pais do agressor ou mesmo a própria criança para tirar as coisas a limpo, digamos assim. Mas aqui é importante que os pais percebam que é preciso respeitar o vínculo da criança. Isto porque, muitas vezes, o que acontece é que os pais ficam ainda mais ansiosos com a situação do que o próprio filho e essa falta de gestão emocional (embora se compreenda a posição dos pais) pode afetar ainda mais a criança e inibi-la de contar mais coisas que se possam ter passado.

Para além de que, se os pais forem procurar o agressor ou os pais destes, a criança que foi vítima pode também ficar com receio das consequências que essa ação pode ter para ela. É, por isso mesmo, importante que os pais incluam o filho no plano de ação para gerir o sucedido, o que vai conferir algum poder à criança. Devem reunir toda a informação, perceber a que adultos devem dirigir-se na escola, seja o professor titular, os funcionários ou o psicólogo da escola, caso esta posição exista, e depois sim, falar com a própria direção do estabelecimento de ensino. Mas perceber primeiro junto da criança o que pretende fazer, para esta não sentir que a situação lhe está a fugir do controle.

Por outro lado, que sinais existem nos miúdos que podem ser indicadores de um comportamento agressivo para com os outros?
Nesse caso, é preciso prestar atenção a um nível reativo e comportamental. Uma criança que não aceite um não facilmente, que tenha sempre de escolher a brincadeira, mesmo as próprias atitudes e respostas que dá aos pais, podem ser indicadoras de que algo se está a passar, bem como a intolerância à frustração — essencialmente, é mesmo a nível do comportamento.

E, neste caso, qual deve ser o plano de ação dos pais?
Em primeiro lugar, não devem desvalorizar e colocar de parte a situação, é importante perceberem, por mais complicado que seja, que o seu filho pode estar a ter um comportamento agressivo. E atenção que uma criança até pode estar a ter esse tipo de comportamento sem que exista uma intenção de magoar o outro: muitas vezes, os miúdos são expostos a videojogos mais violentos, por exemplo, e acham que isso é um comportamento normal entre pares.

É preciso mostrar à criança o impacto que o seu comportamento está a ter nos outros e, de alguma forma, esta perceber que há consequências para as suas atitudes. Muitas vezes, os agentes educativos das crianças, quer sejam os pais ou os professores, castigam os miúdos com punições que nada tiveram que ver com as suas atitudes e, dessa forma, sem conseguir encontrar uma relação direta, a criança não entende o porquê de aquilo estar a acontecer, bem como o porquê de dever ter agido de outra forma.

O que tentamos, em conversa com os pais e professores, é que estes aprendam que devem deixar claro à criança o porquê de esta estar a ser chamada à atenção, e encontre junto dos adultos uma consequência que também ache justa para mudar o seu comportamento.

Existem situações em casa, como a criança assistir a muitas discussões dos pais, por exemplo, que podem influenciar o surgimento de um comportamento mais agressivo numa criança?
Pode ter influência, sim. Mas é importante ter em conta as próprias características individuais da criança. A tendência para um comportamento de bullying não é algo que vem só do meio ambiente, mas, como é óbvio, sim, assistir a discussões pode ter um peso.

Quais são as consequências, já na vida adulta, de passar a infância a ser vítima de bullying?
É óbvio que isso tem consequências, tanto na relação consigo mesmo, especificamente no conceito de autoestima, mas também na relação com o outro. Há adultos que, com acompanhamento, conseguem trabalhar em si próprios e ultrapassar o que se passou, mas existem sempre consequências na forma como nos vemos a nós próprios e como nos vamos relacionar, em todos os contextos, com os outros.

E uma criança que teve comportamentos de agressor, caso isso nunca tenha sido trabalhado, pode tornar-se uma pessoa mais violenta?
Sim, pode. Principalmente se estivermos a falar de uma pessoa que, em criança, não conseguia lidar com a frustração. Se tal não for devidamente trabalhado, é possível que a situação, com o tempo, ganhe outros contornos. Por isso é que este projeto das “Escolas de Empatia” é importante, e é necessário, desde tenra idade, começar a trabalhar as competências sociais e de empatia das crianças.

Já todos ouvimos que as crianças são cruéis. Concorda com esta afirmação?
Eu vejo um bocadinho as duas coisas: quando um miúdo repete um comportamento agressivo para com os outros, mesmo que já lhe tenha sido explicado que não é aceitável e entende isso, e ainda assim continua a fazê-lo, aí sim, existe uma intenção de magoar. Mas também há outras situações onde as crianças têm comportamentos considerados agressivos uma ou outra vez, mas depois de lhes ser explicado que não é correto, param com os mesmos. Não quero propriamente dizer que existem miúdos cruéis, mas há algumas crianças que repetem comportamentos já com intenção de magoar.

Há, então, crianças que querem mesmo magoar os outros?
Sim, há. Mas também temos que ver que não é da mesma forma que um adulto ou adolescente pretende magoar, é de uma forma muito mais simples. Mas sim, existem crianças que têm intenção de magoar o outro e, nesses casos, é importante intervir para que elas percebam que devem mudar o seu comportamento para bem do seu relacionamento com os outros.

Do bullying

Setembro 2, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de José Morgado publicado no Público de 11 de agosto de 2019. Imagem do Público

Apesar de se sublinhar o decréscimo do volume de episódios de bullying reportados, a natureza das relações entre os adolescentes continua com contornos que suscitam atenção de professores, técnicos e pais.

O relatório produzido pela OCDE, cuja edição relativa a 2018 foi recentemente divulgada, TALIS 2018 Results (Volume I) Teachers and School Leaders as Lifelong Learners, continha referências à percepção dos docentes sobre a ocorrência de episódios de bullying nas escolas portuguesas.

Tal como em outros estudos, constata-se uma diminuição do volume de ocorrências referidas pelas escolas. Em 2013, o número de escolas que registou pelo menos um incidente por semana era de 15,3% e em 2018 foi de 7,3%.

Como explicação provável para este decréscimo é sugerido o impacto positivo de campanhas e iniciativas desenvolvidas pelas escolas e por outras entidades com o apoio de técnicos diferenciados, caso dos profissionais de psicologia. No entanto, e sem desvalorizar a evolução, importa ter em consideração que, de acordo com o relatório A Saúde dos Adolescentes Portugueses, 2018 (integrado no estudo Health Behaviour in School-aged Children, da OMS, coordenado em Portugal por Margarida Gaspar de Matos), os episódios de violência física entre alunos têm aumentado: em 2018, 4,6% dos alunos inquiridos afirmou ter-se envolvido em algum episódio de violência física durante o último ano, enquanto em 2014 se registava 3,9%. Assim, apesar de se sublinhar o decréscimo do volume de episódios de bullying reportados, a natureza das relações entre os adolescentes continua com contornos que suscita atenção de professores, técnicos e pais.

Parece pertinente recordar que uma dimensão importante do fenómeno do bullying nas suas diferentes faces é o medo e a ameaça de represálias às vítimas e a quem assiste, o que, naturalmente, pode inibir a queixa. Assim sendo, torna-se ainda mais necessária uma atenção pró-activa e preventiva de adultos, pais, professores ou funcionários. Por outro lado, é também imprescindível ter presente o risco acrescido e sustentado pela evidência que se associa a alunos que fazem parte de grupos minoritários, com necessidades especiais ou com orientação sexual diversa, por exemplo.

É, pois, previsível que o volume de situações de bullying seja superior ao número reportado, tal como, aliás, se passa com outras áreas, a violência doméstica, por exemplo. Alguns estudos mostram que no emergente fenómeno do cyberbullying o número de episódios registado pode estar claramente subavaliado, com todas as implicações que daqui decorrerão, vítimas em grande sofrimento e agressores menos “expostos” sem que sejam objecto de algum tipo de intervenção mais directa.

O cyberbullying não tem espaço físico de ocorrência e, contrariamente ao bullying presencial, não tem “intervalos”, normalmente os fins-de-semana, pois ocorre predominantemente nos espaços escolares. Além disso, não sendo presencial o(s) agressor(es) não tem, ou não têm, uma percepção clara do nível de sofrimento infligido, que em algumas circunstâncias pode funcionar como “travão” e inibir o comportamento agressivo.

Assim, considerando a gravidade e frequência torna-se imprescindível que lhe dediquemos atenção ajustada: nem sobrevalorizando, nem tudo é bullying, o que promove insegurança e ansiedade; nem desvalorizando, o que pode negligenciar riscos e sofrimento.

O volume de episódios de bullying, como também a questão da indisciplina, mostra a necessidade de dispositivos de apoio e orientação fundamentais para que pais, professores e alunos possam obter informação e apoio.

No seu quotidiano, muitas crianças e adolescentes podem revelar sinais de mal-estar a que, por vezes, não damos a atenção que se justifica, seja em casa ou na escola, espaço onde passam parte significativa do seu tempo. Com a prudência que evite juízos apressados, alguns sinais observados em casa, sobretudo quando não são habituais e se tornam frequentes. Alguns exemplos, livros, materiais ou bens estragados ou escondidos, ferimentos ou rasgões na roupa, “perda” frequente de objectos ou dinheiro, isolamento e exclusão do grupo de pares na escola, receio ou recusa em ir para a escola, desmotivação escolar, tristeza, instabilidade, reactividade, alterações súbitas do comportamento ou ansiedade ao final do fim-de-semana (1).

Também a utilização desregulada de smartphones e a exposição descuidada nas redes sociais são factores de risco a que as famílias devem estar atentas.

De novo com prudência na interpretação, também na escola sinais como livros, materiais ou bens estragados ou escondidos, ferimentos ou rasgões na roupa, isolamento ou exclusão por parte dos colegas, alvo de brincadeiras abusivas frequentes, proximidade não habitual a adultos, sem intervenção nas aulas, insegurança ou ansiedade, desleixo e negligência não habituais ou absentismo (1) podem ter significado.

Sinais desta natureza, apesar de insistirmos no cuidado da avaliação, não devem ser ignorados ou desvalorizados. O resultado pode representar sofrimento e mal-estar.

  1. Fernandes, L.; Seixas, S. (2012) Plano Bullying: Como Erradicar o Bullying da Escola. Plátano Editora. Lisboa

Professor Auxiliar do ISPA-Instituto Universitário

Seminário “A diferença que faz a diferença” 6 setembro em Águeda

Setembro 1, 2019 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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