Excesso de álcool pode provocar alterações no funcionamento do cérebro nos jovens

Janeiro 7, 2021 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia de O Minho de 31 de dezembro de 2020.

Psicólogo da Universidade do Minho alerta para malefícios do ‘binge drinking’

Por Luís Moreira

O consumo excessivo de álcool entre os adolescentes e os jovens – popularmente conhecido como bebedeira – , ainda que esporádico, pode provocar alterações na estrutura e funcionamento do cérebro. Quem o afirma, em entrevista a O MINHO, é o professor Eduardo López Caneda, do Centro de Investigação em Psicologia (CIPsi) da Universidade do Minho.

O investigador, que trabalha com uma equipa de psicólogos, sustenta que as investigações laboratoriais demonstram, ainda, que este consumo “pode afetar o desenvolvimento do córtex pré-frontal implicando que processos cognitivos a ele ligados apresentem um desempenho sub-ótimo, com importantes repercussões no futuro, quer a nível académico quer a nível social ou laboral”.

Num paper na Internet, o professor diz que o consumo intensivo de álcool – binge drinking – é muito problemático na adolescência e na juventude. Como estudou o problema, qual o universo estudado e que incidência tem esse efeito na juventude portuguesa?

A população alvo dos nossos estudos é, efetivamente, a adolescência e juventude. O motivo para estudarmos pessoas nesta faixa etária deve-se, essencialmente, a dois fatores: o primeiro relaciona-se com o facto de este fenómeno apresentar uma alta prevalência entre os jovens e adolescentes. Assim, de acordo com relatórios europeus tais como a ESPAD ou o Eurobarometer, estima-se que um em cada cinco alunos portugueses com 16 anos tenham tido consumos tipo binge só nos últimos 30 dias, número que ascende a 28% dos alunos quando são considerados jovens que têm entre 14 e 26 anos.
O outro aspeto que veio sublinhar a necessidade de investigação sobre os efeitos do binge drinking na população jovem relaciona-se com os primeiros estudos em modelos animais, os quais mostraram que ratos adolescentes com ingestão do tipo binge experimentavam maior dano cerebral do que ratos adultos expostos aos mesmos níveis de consumo de álcool. Estes e outros estudos motivaram a nossa equipa e outros laboratórios de diferentes partes do mundo a investigar os efeitos deste padrão de consumo no cérebro humano, nomeadamente o cérebro adolescente e jovem.

Mas o que é o binge drink?
Na atualidade, consideramos que uma pessoa apresenta um padrão de consumo tipo binge quando ingere pelo menos 5 bebidas (4 no caso das mulheres) numa única ocasião, dentro de um intervalo de 2 horas e com uma frequência de pelo menos uma vez por mês.

binge drink afeta apenas estudantes, do secundário e da universidade, ou os jovens em geral?

binge drink é um fenómeno transversal que afeta não apenas os estudantes mas também os jovens que não fazem parte já do sistema educativo. No entanto, não está claro qual destes grupos (estudantes e não estudantes) apresentam percentagens de consumo tipo binge mais elevados, sendo que alguns estudos mostraram maiores níveis de binge drinking nos jovens universitários, enquanto outros trabalhos indicaram que este padrão é maior em jovens não universitários. Estas dados sugerem assim que o binge drinking é um fenómeno que transcende as diferenças educativas nesta faixa etária, afetando os jovens de forma geral.

O professor diz, ainda, que as investigações apontam para menor rendimento em tarefas que envolvem a atenção, a memória e funções executivas. É assim?

As nossas investigações apontam principalmente para uma redução na memória verbal a curto-prazo, isto é, os jovens com um padrão de binge drinking apresentam dificuldades na recordação de palavras previamente memorizadas, o que pode ter importantes implicações no rendimento académico.
Adicionalmente, os nossos resultados bem como os de outras equipas de investigação sugerem que estes jovens têm um menor rendimento em tarefas que requerem a inibição de uma resposta motora, o que pode indicar uma reduzida capacidade no controlo de impulsos.
Relativamente à atenção, vários estudos assinalam que os binge drinkers, de forma semelhante ao que acontece com alcoólicos, apresentam um viés atencional para estímulos relacionados com o álcool (p. ex., um cartaz com uma cerveja “fresquinha e espumante”); resultados que, a confirmarem-se, podem estar a indicar uma certa predisposição para o craving ou desejo de consumir a substância nalguns destes jovens.

E que afetam distintas regiões do cérebro.

Outro dos principais problemas do consumo excessivo de álcool nestas idades é que o cérebro adolescente é um cérebro que está ainda a maturar, não tendo ainda alcançado o neurodesenvolvimento típico da idade adulta. Assim, regiões com uma maturação filogeneticamente mais tardia – i.e., que aparecem mais tarde do ponto de vista evolutivo-, tais como o córtex pré-frontal, não atingem o seu pico de maturação até bem avançada a idade adulta emergente, por volta dos 25 anos.
A imaturidade do córtex pré-frontal, uma região fundamental para funções tão relevantes como a planificação, a tomada de decisões ou o controlo inibitório, explica parcialmente o porquê de aos adolescentes “custar-lhes” mais do que aos adultos pensar nas consequências futuras das suas ações imediatas, o que se tem relacionado com comportamentos de risco, tais como conduzir sob efeito do álcool, sexo inseguro ou abuso de substâncias.
O facto de o álcool afetar negativamente o desenvolvimento do córtex pré-frontal –tal como sugerido por alguns dos nossos estudos e os de outros grupos de investigação – pode implicar que processos cognitivos estreitamente ligados a esta região apresentem um desempenho sub-ótimo, o qual pode comportar importantes repercussões no futuro, quer a nível académico quer a nível social ou laboral.

E anomalias neurofuncionais, quais?

Podemos dizer que as anomalias neurofuncionais observadas nos jovens com consumo excessivo de álcool vão em dois sentidos. Uma direção seria a neurocompensação, isto é, um incremento na atividade de certos grupos neuronais associados a diferentes processos cognitivos (p. ex., memória ou controlo inibitório), sugestivo da necessidade –por parte dos binge drinkers– de recrutar recursos neuronais adicionais a fim de executar uma tarefa (p. ex., manter certa informação na memória ou inibir a resposta perante determinado estímulo) ao mesmo nível que um grupo de jovens com baixo ou nenhum consumo de álcool.
O outro tipo de anomalias neurofuncionais associam-se ao que se conhece como a hipótese do continuum, que estabelece que o binge drinking e o abuso/dependência do álcool são duas faces da mesma moeda. Esta ideia fundamenta-se em vários estudos que mostraram que o binge drinking associa-se a uma hiperexcitabilidade cerebral durante estados de repouso que se assemelha ao observado noutros estudos realizados com populações alcoólicas. Adicionalmente, o facto de os jovens binge drinkers apresentarem uma maior reatividade perante estímulos alcoólicos assemelha-se ao reportado nos adultos com dependência alcoólica. No entanto, são ainda necessários mais estudos que comparem diretamente o binge drinking e o alcoolismo com o intuito de determinar com precisão se, efetivamente, estas duas formas de consumo de álcool constituem duas etapas diferentes do mesmo fenómeno.

O que pensa que é possível fazer para atenuar o problema (poderes públicos e sociedade civil)?

Sendo que, tal como referido acima, o cérebro jovem/adolescente é um cérebro que está ainda em maturação e que o consumo excessivo de álcool pode alterar o processo natural de neurodesenvolvimento, parece razoável pensar que o atraso no início do consumo de álcool pode ter um importante impacto na redução do dano induzido por esta substância. Acresce o facto de se ter observado que o atraso na idade de início do consumo de álcool para depois dos 18 anos reduz em 75% a probabilidade de se apresentar um diagnóstico de perturbação de abuso/dependência do álcool, um dado que enfatiza ainda mais a importância de retardar o início do consumo.
Sabendo que em Portugal 41% dos alunos com 16 anos iniciaram o consumo de bebidas alcoólicas com 13 anos ou menos, torna-se necessário considerar novas formas de prevenção de inícios precoces no consumo de álcool, bem como fórmulas inovadoras que procurem a redução dos episódios de binge drinking e, consequentemente, a diminuição dos danos associados a esta substância.

Há algum país que tenha tido êxito nesse combate?

Um bom exemplo de fórmula bem-sucedida é o caso da Islândia. Após uma década de investigação, investigadores deste país constataram que existiam três fatores que atuavam como protetores face aos comportamentos de ingestão alcoólica, nomeadamente: adiar a idade em que os jovens começam a beber álcool (idealmente para depois dos 18 anos), passar tempo com os pais (pelo menos uma hora por dia) e fomentar atividades extracurriculares, tais como o teatro, a dança ou o desporto. Passados 20 anos desde a aplicação de medidas –alguma delas muito impopulares- que procuravam atingir estes objetivos, a Islândia passou de ter 47% de jovens (14-16 anos) que consumiram álcool no último mês para apenas 5%. Este resultado, longe de ser milagroso, deve-se à aplicação rigorosa do conhecimento científico, com base em dados recolhidos durante muitos anos e veio a sublinhar o sucesso daquelas políticas assentes na ciência e não apenas em crenças sociais ou preconceitos culturais.

Portugueses começam a beber antes dos 13 anos

Novembro 17, 2020 às 6:00 am | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 12 de novembro de 2020.

Alexandra Inácio

Jovens de 16 anos não são os piores na Europa mas, quando bebem, ingerem mais. Ao nível da canábis, Portugal é o 5.º com mais consumidores de risco.

Os jovens portugueses são dos que começam a beber mais cedo (com 13 ou menos anos) e dos que mais preferem bebidas destiladas, revela um estudo hoje divulgado pelo Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência.

O relatório “European School Survey Project on Alcohol and Other Drugs”, feito de quatro em quatro anos, em 35 países europeus entre jovens de 16 anos, conclui que, apesar de a prevalência de álcool ser inferior à média europeia, os jovens portugueses ingerem maior quantidade.

“Em relação ao álcool, a percentagem de jovens portugueses de 16 anos que iniciaram o consumo de álcool aos 13 anos ou menos é consideravelmente superior à média europeia, embora a percentagem que se embriagou tão precocemente seja inferior à média europeia”, lê-se no estudo. Os portugueses são os segundos (a seguir aos espanhóis) a responder preferir bebidas destiladas (59%), na última vez que consumiram, por oposição à cerveja, ao vinho ou à cidra.

Comparativamente a 2015, Portugal foi dos países que registaram uma evolução “menos positiva”. Enquanto a média europeia, entre os jovens de 16 anos que ingeriram pelo menos uma bebida alcoólica ao longo da vida desceu de 82% para 80%, estando essa percentagem a cair desde 2003; em Portugal, entre 2015 e 2019, aumentou de 71% para 77%.

No indicador do consumo referente aos últimos 30 dias não há praticamente diferença em relação à média europeia, que se manteve nos 48%, enquanto em Portugal subiu ligeiramente dos 42% para os 43%. Na maior parte dos fatores analisados, Portugal fica abaixo da média, “destacando-se mais vezes pela positiva do que pela negativa”.

CONSUMO PROBLEMÁTICO

Portugal é dos países com maior número de ocasiões de consumo de canábis no último ano e o quinto com maior percentagem de consumidores recentes (24%) com padrão de consumo de alto risco, alerta o relatório. Apesar de a percentagem de jovens de 16 anos que consomem aquela substância ser inferior à média europeia, “aqueles que o fazem tendem a consumir de uma forma mais problemática do que se verifica na maior parte dos outros países”.

Quanto ao consumo de outras drogas ilícitas, os jovens portugueses estão em linha com a média europeia – por exemplo, na experimentação de anfetaminas e ou metanfetaminas -, mas é o 7.o país com a prevalência mais elevada de consumo de ecstasy.

Mais tempo na net

A percentagem de portugueses que assumiram ter problemas decorrentes da utilização da Internet em redes sociais e em jogo online é um pouco superior à média europeia. Portugal é dos países onde mais jovens de 16 anos passam mais tempo em redes sociais.

Tabaco

Portugal apresenta prevalências de consumo bastante inferiores à média europeia, especialmente nos cigarros eletrónicos.

Jogo a dinheiro

Os portugueses jogam menos online do que a média europeia, preferem apostar em lotarias e apostas desportivas.

ESPAD Report 2019:

http://www.espad.org/espad-report-2019

Síntese dos resultados obtidos em Portugal:

ESPAD2019_síntese_PT .pdf

Saúde. Consumo do álcool durante gravidez prejudica rins das crianças no seu crescimento

Outubro 3, 2020 às 2:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da RTP de 13 de agosto de 2020.

O prejuízo é proporcional à quantidade de álcool consumido. A conclusão consta de uma investigação do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, em que 1.093 crianças foram alvo de análise desde o nascimento. Inês Aires, médica nefrologista, foi a convidada do Bom Dia Portugal e explicou mais pormenorizadamente as conclusões do estudo.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Prenatal alcohol exposure affects renal function in overweight schoolchildren: birth cohort analysis

Visualizar a reportagem no link:

https://www.rtp.pt/noticias/saude/saude-consumo-do-alcool-durante-gravidez-prejudica-rins-das-criancas-no-seu-cresimento_v1251496

Pandemia agravou casos de depressão nos adolescentes

Setembro 24, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 7 de agosto de 2020.

Pais começam a perder o controlo da vida dos filhos por volta dos 13 anos

Setembro 17, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Sapo Lifestyle de 18 de agosto de 2020.

Quando os adolescentes saem debaixo da asa dos pais há uma série de aspetos das suas vidas que deixam de ser conhecidos e monitorizados pelos adultos. Os pais ficam apreensivos por diversas razões, mas há uma preocupação que se destaca: a má alimentação.

Depois de uma dúzia de anos a viver com eles debaixo da ‘asa’, eis que um dia os pais acordam e percebem que o filho ou filha anda a voar sozinho. Não é fácil, mas deve ser encarado com naturalidade.

Um estudo da empresa de suplementos vitamínicos Wellteen, da Vitabiotic, citado pelo The Independent, revela que os pais começam a perder o controlo dos hábitos de vida dos filhos a partir dos 13 anos deles. A pesquisa foi feita com 2000 pais de adolescentes britânicos, entre os 13 e os 18 anos, sendo que seis em cada dez progenitores admitiram sentir-se menos influentes a partir dessa idade.

As preocupações dos educadores são variadas, mas a alimentação parece encabeçar a lista. Quatro em cada dez mostraram-se apreensivos com aquilo que os filhos comem e bebem quando não estão com eles, sendo que 43% dizem ter encontrado embalagens de doces ou fast food no quarto e na mochila dos miúdos. O estudo da Wellteen mostra ainda que mais da metade dos pais tem discussões com os filhos por causa da alimentação, pressionando-os para comerem mais frutas e verduras.

Um porta-voz da Wellteen declarou ao The Independent: “Quando os miúdos são pequenos, é fácil saber o que fazem, mas à medida que crescem e começam a fazer as suas próprias escolhas pode ser mais difícil controlar a sua alimentação e estilo de vida”.

O estudo conclui que 12 por cento dos pais não faz a mínima ideia da quantidade de doces, refrigerantes ou snacks, como batatas fritas, que os filhos comem por dia. E no que toca ao álcool, a fé dos mais velhos sai beliscada. A maioria dos pais não sabe, mas 44% dos adolescentes diz já ter bebido álcool e quase um em cada cinco fuma – quando apenas 16% dos pais admitiram que isso fosse possível.

O mesmo porta-voz do Wellteen esclareceu que, “segundo dados oficiais, os adolescentes estão no grupo de indivíduos que pior se alimentam”. Tal fenómeno pode dever-se à vontade de se rebelarem contra os pais e testarem a sua recém-descoberta independência, bem como às pressões “de uma vida agitada, entre estudos, desportos e múltiplas atividades com amigos”.

Adolescentes portugueses são mais sedentários do que os europeus, gostam menos da escola mas estão felizes com a família

Maio 27, 2020 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 19 de maio de 2020.

CHRISTIANA MARTINS

Um estudo em 45 países com crianças de 11, 13 e 15 anos revelou que os adolescentes portugueses continuam sedentários e felizes com as famílias que têm. Se fosse feita agora, a investigação poderia ter resultados surpreendentes e a próxima vaga deverá incluir os efeitos da pandemia, que “parece ter melhorado a dinâmica da relação dos adolescentes com as escolas”. Mas, para já, de acordo com a última edição da investigação, antes o mundo ter parado, pioraram as queixas de tristeza, dificuldade em adormecer e irritação

Uma investigação internacional que analisa os comportamentos e a saúde dos adolescentes nos seus vários espaços de experiência, com amostras representativas de alunos de 11, 13 e 15 anos, faz o retrato possível dos jovens europeus. A última edição do Health Behaviour in School-aged Children (HBSC/OMS) ouviu um total de 227 441 adolescentes, dos quais 5839 jovens portugueses, a maioria (52,5%) do género feminino, e concluiu que continuam a ser mais sedentários do que os europeus, gostam menos da escola e sentem-se excessivamente pressionados pelos trabalhos escolares.

Há más notícias que se repetem ao longo das várias edições do estudo, como a “fraca a prática da atividade física, fraca em si (poucos adolescentes cumprem o recomendado), e fraca em comparação à média europeia”. O comunicado é muito claro: “Os resultados são maus desde 1998, a pedir ação urgente na escola, na comunidade e na família.” Também é “fraco o gosto pela escola, fraco em si e fraco na comparação com os restantes países”: só 9,5% dos alunos responderam que gostam muito da instituição. Em 45 países avaliados, isso corresponde em 38.º lugar.

Para além disso, “é elevada a pressão com os trabalhos da escola, sobretudo nos mais velhos e nas raparigas, que também põe Portugal nos piores lugares, desde 1998”.

AS BOAS NOTÍCIAS

Como nem tudo é negativo, há também boas notícias, como o comportamento alimentar que continua em geral a ser melhor que a média europeia, tendo melhorado, inclusive, a nível nacional. Os investigadores aproveitam para, no comunicado, pedir que se aproveite a tendência – “Urge associar a alimentação na escola a uma alimentação com apresentação e sabor aceitáveis”. Porque, segundo os adolescentes ouvidos pelo estudo, “a qualidade está garantida, mas não a apresentação e o sabor”. A investigação revela ainda que o consumo de canábis diminuiu, sendo atualmente menor que a média europeia.

O estudo demonstra que 80,3% dos alunos sente-se “sempre ou quase sempre seguros na escola”. Os acidentes e lesões são menos frequentes que a média europeia nas raparigas mais novas, situação que se inverte nos rapazes: são mais frequentes que a média europeia nos rapazes mais novos. Quer os rapazes quer as raparigas mais velhos têm mais acidentes em Portugal do que a média da UE. Os coordenadores do estudo sublinham que “isto sugere um padrão de desenvolvimento diferente nos acidentes e lesões em rapazes e raparigas em Portugal em comparação com os outros países, a merecer atenção”. Afirmam ainda que as lesões e os acidentes têm vindo a aumentar sobretudo nas raparigas no escalão etário intermédio (13 anos) e nos rapazes mais novos.

ciberbullying é inferior em Portugal à média europeia, com tendência a subir dos 11 para os 13 anos e descer dos 13 para os 15 anos. As lutas diminuíram nos mais velhos e nas raparigas, sendo menos frequentes face à média europeia, mas aumentaram nos mais novos, sendo nesta idade mais frequentes do que na média europeia.

Regista-se um elevado uso de comunicação online, sobretudo nas raparigas mais velhas, e o consumo de álcool apresenta uma tendência de subida, mas a embriaguez está a descer. Os adolescentes portugueses referem sentir um apoio social por parte dos colegas da escola superior à média europeia, principalmente os rapazes, e um apoio social menor por parte dos professores, sobretudo as raparigas. Com os rapazes a parecerem duplamente beneficiados e em comparação com a Europa: sentem maior apoio social dos colegas e dos professores. Também dizem sentir um maior suporte da família e dos amigos, ultrapassando a média europeia.

Piorou a percepção de boa saúde nos adolescentes de 11 anos em Portugal, comportamento distinto da média dos outros países. Mas a satisfação com a vida subiu desde 2014 e mantém-se de acordo com a média europeia. Apresentar dois ou mais sintomas físicos ou psicológicos é mais frequente em 2018 do que era em 2014, mas permanece inferior à média europeia. Em 2018 de um modo geral, são mais frequentes as dificuldades em adormecer, tristeza, nervosismo, irritação e dores de costas, mas mesmo assim inferiores à média europeia.

Jovens pós-covid

E se a pesquisa tivesse ouvido os adolescentes depois do confinamento causado pela pandemia de covid-19? Segundo Tânia Gaspar, psicóloga e uma das investigadoras que participou no estudo, “embora não se possa ainda tirar conclusões, a pandemia parece ter melhorado a dinâmica da relação dos adolescentes com as escolas”. “Estão mais responsáveis e mais próximos dos professores, que tiveram de reinventar métodos de trabalho e aproximar-se de realidades que eram já familiares aos jovens, como as tecnologias”, explica.

A conquista de uma maior autonomia é a principal consequência, segundo Tânia Gaspar. “Esta é uma oportunidade que não deve ser desperdiçada. Eu gostava que a escola se adaptasse à realidade dos jovens, que se sentiram mais responsabilizados, o que aconteceu porque lhes deram este espaço”, sublinha a psicóloga. De tal forma a experiência foi internacional e marcantes que a investigadora antecipa uma inclusão de questões relacionadas à pandemia na próxima vaga do estudo, à semelhança do que aconteceu após a crise económico-financeira de 2008.

Quanto ao medo que sondagens recentes revelaram estar a ser sentido pelos jovens portugueses, Tânia Gaspar refere que eles dizem ser um medo de perder os familiares, mais do que se exporem os próprios adolescentes à doença. “Revela uma grande valorização da família, também porque assistiram ao medo sentido pelos pais e pelos avós e às imagens que chegaram de Itália e da Espanha. Tem sido tudo muito rápido: primeiro o não se pode sair, agora o se deve sair. É preciso dar tempo à adaptação”, conclui a investigadora. Mas fica um recado: “O comportamento dos jovens tem sido fascinante e revelado grande sentido de responsabilidade. Esta é uma oportunidade para os adultos confiarem mais nos jovens, respeitando-os e dando-lhes voz.”

O ESTUDO

Realizado em colaboração com a Organização Mundial da Saúde, o estudo conta com a participação de 45 países e tem vagas de investigação a cada quatro anos, que se iniciaram em 1983, com Portugal a participar desde 1998. Coordenado pela psicóloga Margarida Gaspar de Matos, o projeto incluiu em Portugal alunos do 6.º, 8.º, 10.º e 12.º anos e, “analisando o nível médio de riqueza das famílias portuguesas” dos quase seis mil inquiridos, o país encontra-se na 22ª posição entre os 45 participantes. Ou seja, a maioria dos pais estão empregados (94,6%), embora existam 1,5% dos pais e 3,5% das mães que não têm um emprego, e 0,4% de jovens têm ambos os pais desempregados. O nível de desemprego das mães (3,5%) é superior à média dos países incluídos (2,9%), mas a frequência de pais e mães empregados (94,6%) é, mesmo assim, inferior à média europeia (95,3%).

A maioria dos jovens disse ter origem portuguesa (74,8%) e 19,5% referiram que “pelo menos um dos pais” nasceu fora de Portugal. Relativamente à estrutura familiar, 69,8% viviam com os pais na mesma casa e, dos que não residiam com ambos os pais, 17,8% faziam parte numa família monoparental e 12,4% disseram ter outro tipo de estruturas familiares.

Mais informações no link:

http://www.euro.who.int/en/media-centre/sections/press-releases/2020/who-report-on-health-behaviours-of-1115-year-olds-in-europe-reveals-more-adolescents-are-reporting-mental-health-concerns

Consumo de álcool na gravidez tem efeitos negativos nos rins das crianças

Fevereiro 20, 2020 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 12 de fevereiro de 2020.

Mais informações no link:

https://ispup.up.pt/news/internal-news/consumo-de-alcool-na-gravidez-afeta-o-funcionamento-do-rim-da-crianca-anos-mais-tarde/892.html/

São Tomé e Príncipe As crianças bebem mais “álcool do que leite”

Janeiro 9, 2020 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 2 de janeiro de 2020.

Comissões receberam 385 sinalizações de crianças/jovens expostos a consumo de álcool

Dezembro 18, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da RTP de 18 de dezembro de 2019.

Por LUSA

As Comissões de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) receberam no ano passado 385 sinalizações de crianças e jovens que assumiram ou estavam expostos a comportamentos relacionados com o consumo de bebidas alcoólicas, afetando o seu bem-estar e desenvolvimento.

Segundo o sumário executivo dos relatórios de 2018 sobre a situação do país em matéria de drogas, toxicodependência e álcool, hoje apresentados na Assembleia da República, foram registadas no ano passado “385 sinalizações comunicadas às CPCJ em processos instaurados em que crianças/jovens assumem (200) ou são expostos (185) a comportamentos relacionados com o consumo de bebidas que afetam o seu bem-estar e desenvolvimento”.

Estes dados representam um aumento de 27% relativamente a 2017 e, segundo os relatórios hoje divulgados, os valores dos três últimos anos foram os mais elevados do quinquénio.

Em 2018 foram efetuados 96 diagnósticos principais relacionados com estas situações, representando um acréscimo de 10% face a 2017.

Segundo os documentos, em 2018 foram fiscalizados 11.901 estabelecimentos que vendiam bebidas alcoólicas, um valor próximo aos dos dois anos anteriores.

Foram ainda aplicadas 121 contraordenações relacionadas com a disponibilização ou venda a menores, segundo o sumário executivo dos relatórios, que assinala “o acréscimo deste tipo de contraordenações nos últimos quatro anos (mais 23% relativamente a 2017 e mais 109% entre 2015 e 2018)”.

Os relatórios hoje apresentados são responsabilidade da Coordenação Nacional para os Problemas da Droga, das Toxicodependências e do Uso Nocivo do Álcool e fruto do trabalho do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD), no âmbito da execução do Plano Ação para a Redução dos Comportamentos Aditivos e Dependências.

Consultar os relatórios na notícia do SICAD:

DISPONÍVEIS OS RELATÓRIOS SOBRE A SITUAÇÃO DO PAÍS EM MATÉRIA DE DROGAS E TOXICODEPENDÊNCIAS E EM MATÉRIA DE ÁLCOOL 2018

Internet já traz mais problemas aos jovens que o álcool ou a droga

Julho 10, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 26 de junho de 2019.

Por Nuno Guedes

As conclusões são do serviço do Ministério da Saúde que avalia os comportamentos aditivos e dependências.

Um em cada quatro jovens de 18 anos admite que teve no último ano problemas por causa da utilização da internet.

Esta é uma das conclusões do relatório “Comportamentos Aditivos aos 18 anos – Inquérito aos jovens participantes no Dia da Defesa Nacional – 2018” que ouviu 66 mil jovens.

A percentagem de jovens que relata problemas com a internet (25,9%) aumentou em relação ao último inquérito realizado em 2017 (22,9%) pelo Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) do Ministério da Saúde. Os casos mais comuns, a afetar 15,9% dos jovens, envolvem “problemas de rendimento na escola ou no trabalho” por causa do tempo online. Com 11,5% seguem-se as situações de mal-estar emocional e problemas com comportamentos em casa (9,6%).

O número de jovens de 18 anos com problemas pelo uso da Internet (25,9%) é mesmo superior ao número de jovens que diz que já teve problemas devido ao consumo de álcool (21%) ou drogas (9%).

Por exemplo, a Internet gera mais do triplo de casos de problemas de rendimento na escola ou no trabalho do que o álcool (15,9% vs. 4,4%) ou quatro vezes mais que o consumo de substâncias ilícitas (2,9%).

Nos comportamento tidos em casa, a Internet também é um fator bem mais problemático do que o álcool ou as drogas, com a presença online a perder, apenas, para o álcool nas situações de mal-estar emocional junto dos jovens de 18 anos.

Parte do tempo em que os jovens estão na internet é passado a jogar, com o estudo a revelar que “a maior proporção de jovens joga até 3 horas por dia, seja durante a semana ou ao fim de semana (por exemplo, 23,5% jogam 1 hora por dia e 14,7% durante 2 a 3 horas por dia, ao fim de semana; enquanto 18,7% jogam até 1 hora por dia e 14,3% jogam 2 a 3 horas por dia, se for um dia útil)”. No entanto, o documento faz questão de sublinhar que “é de salientar como perto de 10% dos jovens mencionam jogar durante 6 horas ou mais por dia”.

O relatório citado na notícia é o seguinte:

Comportamentos Aditivos aos 18 anos. Inquérito aos jovens participantes no Dia da Defesa Nacional – 2018

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