Aumentam as multas por venda de álcool a menores

Maio 15, 2018 às 9:00 am | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Gerardo Santos / Global Imagens

Notícia do Jornal de Notícias de 10 de maio de 2018.

Aumentam as multas por venda de álcool a menores

ASAE cobrou 1,3 milhões de euros em coimas desde 2016

Dependência Contraordenações em 2017 são quase o dobro do ano anterior. Sinalização de jovens diminuiu

Helena Teixeira da Silva

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) cobrou mais de um milhão de euros nos últimos dois anos e meio a estabelecimentos que violaram a lei de venda de bebidas alcoólicas a menores de idade.

Este valor, que tem registado um aumento progressivo, resulta de 1737 processos instaurados por contraordenação desde 2016. “Tendo em consideração os processos concluídos e as decisões proferidas, foi determinada a aplicação de coimas num valor que corresponde a 390 mil euros em 2016, 637 mil euros em 2017 e 291 mil euros relativos a processos decididos já em 2018”, informou fonte da ASAE ao JN.

O valor das contraordenações oscila entre 500 euros e 3740 euros, no caso de o infrator que facilitou a venda e o consumo ser uma pessoa singular. E entre 2500 euros e 30 mil euros, no caso de o infrator ser uma pessoa coletiva. Acresce que, no caso de a infração estar ancorada na ausência de aviso visível dando conta da proibição da venda, a contraordenação pode variar entre 500 e 1500 euros (pessoa singular) ou 1500 e 5500 euros (pessoa coletiva). Desse montante, 60% reverte para o Estado, 25% para a própria ASAE e 15% para a entidade fiscalizadora.

A legislação foi alterada em abril de 2015 (Decreto-Lei nº 106/2015), uniformizando a proibição da venda de todas as bebidas alcoólicas para jovens menores de 18 anos. No âmbito das competências de fiscalização relativamente a essa restrição ao consumo, a ASAE instaurou 167 processos de contraordenação em 2016, número de processos que aumentou em 2017 para 211. Já este ano, foram instaurados 27 processos.

As principais infrações detetadas foram “facultar, vender ou colocar à disposição bebidas alcoólicas em locais públicos, a menores e a falta de afixação de aviso de forma visível com a menção de proibição”.

Menos sinalizados em 2017

Três anos após a alteração à lei do álcool, os dados do Relatório de Avaliação da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos das Crianças (CPCI) são, pela primeira vez, positivos. Em 2017, as situações sinalizadas de jovens em risco desceram de 185 para 164. Contudo, no grupo etário entre os 15 e os 18 anos, que é o mais representativo, houve uma ligeira subida (de 121 para 123). Entre os 11 e os 14 anos, verificou-se uma descida acentuada (de 46 para 30).

Manuel Cardoso, subdiretor-geral do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e Dependências (SICAD), confirma que as metas resultantes da alteração da lei estão a ser atingidas. “Os jovens que dizem que é ‘fácil’ ou ‘muito fácil’ encontrar bebidas alcoólicas reduziu. E a idade de início do consumo aumentou”. O cenário estará estabilizado mas, alerta, “continua fixado em níveis muito elevados, sobretudo entre as raparigas, que são cada vez mais um foco de preocupação”.

O responsável lamenta que a sociedade ignore os malefícios do álcool. “Há uma complacência enorme para o consumo excessivo. E um grande desconhecimento das patologias agudas que provoca, mas sobretudo das doenças crónicas.” Basta pensar, diz, “que hoje encontramos cada vez pessoas mais jovens com cirrose hepática, que não há muito tempo era uma doença diagnosticada apenas em pessoas com mais de 50 anos”.

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Adolescente “mimado” que causou a morte a quatro pessoas sai em liberdade

Abril 6, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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REUTERS/Nick Oxford Ethan Couch foi libertado esta segunda-feira da prisão em Fort Worth, Texas, após cumprir dois anos de pena efectiva

Notícia do https://www.publico.pt/ de 3 de abril de 2018.

Em 2013, o norte-americano Ethan Couch, então com 16 anos, matou quatro pessoas ao conduzir alcoolizado. No entanto, escapou inicialmente a uma pena de prisão efectiva ao alegar ser vítima de um suposto distúrbio de personalidade resultante da riqueza e do “excesso de mimos”.

FILIPA ALMEIDA MENDES

Ethan Couch, o norte-americano responsável por um acidente de automóvel que resultou na morte quatro pessoas em 2013, no Texas, e que ficou conhecido por alegar sofrer de um distúrbio comportamental atribuído à riqueza material da família (mas que não é reconhecido pela Associação Americana de Psiquiatria) para escapar a uma condenação judicial, foi libertado esta segunda-feira da prisão em Fort Worth, após cumprir dois anos de pena efectiva por ter violado os termos da sua liberdade condicional.

O adolescente, que tinha 16 anos à data dos factos, conduzia sob o efeito de álcool (num valor três vezes superior ao limite legal), marijuana e medicação quando perdeu o controlo do seu veículo, matando quatro pessoas e ferindo outras nove que se encontravam na berma de uma estrada em Burleson — a 70 quilómetros de Dallas — a prestar auxílio ao motorista de um outro carro avariado. As autoridades estimam que Couch conduzia a 110 quilómetros por hora numa zona onde o limite máximo era de 60 km/h, como recorda o jornal Guardian.

O caso tinha gerado bastante polémica junto da opinião pública norte-americana depois de, em tribunal, um psicólogo convocado pela defesa do arguido ter argumentado que Couch sofria de um distúrbio comportamental resultante de ter crescido numa família rica e demasiado permissiva — “affluenza“, uma junção das palavras inglesas “influenza” (gripe, em português) e “affluence” (riqueza).

O conceito tinha sido popularizado nos anos 1990, referindo-se a jovens economicamente favorecidos que nunca aprenderam a ser responsáveis nem a medir as consequências dos seus actos. Contudo, a affluenza não é uma patologia reconhecida pela Associação Americana de Psiquiatria, pelo que o diagnóstico não tem qualquer validade clínica.

De acordo com os advogados de defesa de Couch, o facto de os seus pais serem pessoas abastadas e de o jovem ter tido uma educação privilegiada fez com que este fosse demasiado mimado, o que implicou que não soubesse distinguir o bem do mal, e que não tivesse desenvolvido um sentido de responsabilidade. Foi assim que, em 2013, Couch conseguiu de facto evitar uma pena de prisão efectiva, sendo sentenciado a dez anos em regime de liberdade condicional pelo tribunal de menores, bem como a frequentar um centro de reabilitação.

A sentença causou uma enorme indignação por parte das famílias das vítimas e de grupos de combate à condução sob o efeito de álcool.

Em 2016, no entanto, Couch acabou por violar os termos da liberdade condicional e foi condenado a cumprir uma pena de prisão efectiva depois de ter sido publicado um vídeo nas redes sociais onde se via o jovem numa festa em que várias pessoas consumiam álcool

Após o incidente, Couch desapareceu e deixou de contactar o seu agente de liberdade condicional, o que levou à emissão de um mandado de captura. Ethan e a sua mãe, Tonya Couch, fugiram para o México, tendo acabado por ser detidos e deportados para os Estados Unidos por violação da sentença. A mãe, que também escapou a uma pena de prisão efectiva por este incidente, foi na semana passada detida por falhar um teste de drogas ordenado pelo tribunal.

Actualmente com 20 anos, Couch vai cumprir fora da prisão os restantes seis anos da pena em liberdade condicional, segundo afirmaram os seus advogados Scott Brown e Reagan Wynn após a libertação nesta segunda-feira.

“Desde o início, Ethan admitiu o seu comportamento, aceitou a responsabilidade pelos seus actos, e sentiu verdadeiros remorsos pelas terríveis consequências dessas acções”, disse a sua equipa de advogados em comunicado citado pelo Guardian.

A associação “Mães Contra o Álcool ao Volante” (Mothers Against Drunk Driving – Maad, em inglês) emitiu um comunicado, antes da libertação do jovem, a dizer que “dois anos na prisão por matar quatro pessoas é uma grave injustiça para as vítimas e suas famílias que foram, por sua vez, condenadas a uma sentença perpétua”, segundo cita o jornal britânico.

Durante os seis anos em liberdade condicional, Couch será obrigado a usar pulseira electrónica e estará proibido de beber álcool e de conduzir. Será ainda submetido a testes regulares de álcool e drogas, e está obrigado a permanecer em casa entre as 21h da noite e as 6h da madrugada de todos os dias. Caso Couch volte a violar a liberdade condicional já enquanto adulto, poderá vir a ser condenado a uma pena até 40 anos de prisão – dez anos por cada uma das vítimas mortais do acidente.

O caso de Couch tinha motivado um debate sobre a educação de crianças e jovens que crescem em meios privilegiados e sobre os efeitos desse ambiente no desenvolvimento do sentido de responsabilidade. No entanto, tal como salientou ao PÚBLICO, em 2016, o especialista em psicologia de educação José Morgado, não está comprovada a existência de uma relação causa-efeito “entre ter muito dinheiro e ter um determinado tipo de comportamento”, pelo que não existem “mimos a mais, mas sim maus mimos”. Morgado dizia ser antes necessária uma “regulação ao nível dos valores e limites” e uma boa comunicação entre pais e filhos.

Texto editado por Pedro Guerreiro

 

 

GNR lança operação para prevenir comportamentos de risco de jovens em férias

Março 19, 2018 às 3:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.dn.pt/ de 19 de março de 2018.

A GNR inicia hoje uma operação junto de escolas e nas fronteiras terrestres para prevenir comportamentos de risco pelos jovens que se deslocam a Espanha na altura das férias escolares da Páscoa.

Em comunicado, a GNR adianta que a operação “Spring Break” vai realizar-se entre hoje e dia 30 de março em todo o território nacional.

Até dia 30 de março, a GNR vai desenvolver ações de sensibilização junto da comunidade escolar e de fiscalização nas fronteiras terrestres de Vilar Formoso (Guarda), em Caia (Portalegre) e Vila Real de Santo António (Faro).

A operação, que será realizada em três fases, tem por objetivo prevenir a adoção de comportamentos de risco inerentes ao consumo de droga e álcool por parte da população mais jovem, que se desloca nesta altura do ano (Páscoa) para o sul de Espanha e Catalunha em férias escolares.

Na primeira fase da operação, entre hoje e sexta-feira, os “militares dos Núcleos Escola Segura realizam ações de sensibilização junto dos jovens, alertando-os para os comportamentos de risco associados a estas viagens, direcionado para o grupo-alvo de alunos do 9.º ao 12.º ano de escolaridade”.

Numa segunda fase entre sexta-feira e domingo (23 a 25 de março), “os militares dos comandos territoriais, com o apoio da valência de investigação criminal e de binómios cinotécnicos de deteção de droga, em coordenação com a Guardia Civil, realizam ações de fiscalização junto às fronteiras terrestres”.

O objetivo, segundo a GNR, é detetar a prática de ilícitos associados ao consumo de substâncias estupefacientes, bem como garantir as condições de segurança dos veículos que irão transportar os jovens.

Na terceira fase, que vai decorrer entre os dias 26 e 30, os militares dos comandos territoriais, realizam ações de fiscalização em estabelecimentos comerciais no âmbito da venda de álcool e produtos estupefacientes a adolescentes e jovens adultos.

As férias escolares da Páscoa são entre 26 de março e 06 de abril.

mais informações:

http://www.gnr.pt/noticias.aspx?linha=8223

ASAE identificou 20 menores a beber álcool no Porto

Março 8, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://observador.pt/ de 17 de fevereiro de 2018.

A ASAE identificou no último sábado 20 menores, entre os 15 e os 17 anos de idade, a consumir bebidas alcoólicas em estabelecimentos de diversão noturna na cidade do Porto.

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) identificou no último sábado 20 menores, entre os 15 e os 17 anos de idade, a consumir bebidas alcoólicas em estabelecimentos de diversão noturna no Porto.

Em comunicado, a ASAE explica que levou a cabo “uma operação dirigida a estabelecimentos de restauração e bebidas e de diversão noturna situados na zona urbana do Porto, com vista à fiscalização do cumprimento das restrições ao consumo e venda de bebidas alcoólicas em locais públicos e em locais abertos ao público”.

Recordando que “de acordo com a legislação em vigor é proibida a disponibilização e venda de bebidas alcoólicas a menores de 18 anos e a quem se apresente notoriamente embriagado ou aparente possuir anomalia psíquica”, a ASAE informa também que identificou “quatro indivíduos, responsáveis pela venda e disponibilização de bebidas alcoólicas aos menores de idade”.

“Na mesma operação, foram também identificados sete indivíduos a fumar em local proibido, sendo que três deles eram menores de idade”, acrescenta ainda a nota da ASAE.

 

 

 

Pais podem vir a ser penalizados pelo consumo de álcool dos menores – Açores

Março 7, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário Insular de 31 de janeiro de 2018.

Alteração à legislação integra estratégia maior do governo regional

A Região está a preparar uma alteração à lei que regula o consumo e a venda de álcool. Pode haver penalizações para os pais cujos filhos menores ingiram bebidas alcoólicas.

Os pais podem vir a ser penalizados pelo consumo de bebidas alcoólicas dos filhos menores. A medida integra a proposta de alteração – que o Governo Regional quer apresentar no parlamento açoriano – ao decreto que regula o consumo e a venda de álcool nos Açores.

A proposta – que prevê, ainda, que a idade mínima para o consumo de álcool passe dos atuais 16 para os 18 anos – integra um plano maior de combate e prevenção ao consumo de bebidas alcoólicas na Região.

O plano foi apresentado ontem, em Angra do Heroísmo. Quer a diretora regional da Prevenção e Combate às Dependências, quer o secretário regional da Saúde consideram tratar-se de um documento inovador.

Pela primeira vez, sublinham os responsáveis, a estratégia une todas as entidades com intervenção no problema.

“Tem a ver com a interligação e a dinâmica desde a prevenção até à reinserção. Trabalhar prevenção de um lado, tratamento do outro, reinserção no outro, torna-se pouco eficaz e, muitas vezes, é dinheiro que é investido, mas que não traz o retorno das vantagens esperadas porque não está articulado. Não estamos só a trabalhar com os agentes que estão na prevenção e no tratamento, mas estamos a trabalhar com os agentes que estão na oferta.

Nós não podemos diminuir a acessibilidade sem os trazer para trabalhar connosco”, disse Suzete Frias.

Rui Luís chama-lhe “estratégia dupla”.

“Esta estratégia para a redução dos problemas ligados ao consumo de álcool tem, a nosso ver, pela primeira vez, uma estratégia dupla, porque vai atacar ao nível dos problemas da oferta e da procura, ou seja, queremos intervir do lado de quem oferece os produtos, como o álcool, bem como do lado da procura e investir bastante ao nível da formação e da sensibilização para esses consumos e com a colaboração de todas as entidades termos uma ação integrada para minorar os problemas relacionados com o consumo de álcool, principalmente com os jovens”, afirmou.

PADRÕES SEVEROS

A estratégia ontem apresentada pela tutela pretende combater e prevenir um problema que é considerado grave nos Açores. A questão não é colocada tanto do ponto de vista da prevalência, mas sim dos padrões de consumo.

“Nós em termos de prevalências estamos abaixo da média nacional, onde nós estamos acima é nos anos de vida potencialmente perdidos por doenças associadas ao álcool, o que significa que temos menos gente a beber, mas quem bebe tem um padrão mais severo e mais grave”, afirmou a diretora regional da Prevenção e Combate às Dependências.

A prevenção mostra-se, de resto, essencial, por um lado para minorar a prevalência de doenças crónicas nos Açores – nomeadamente oncológicas – e, por outro, para evitar outro tipo de consumos aditivos, conforme considerou o secretário regional da Saúde.

“Embora estejamos aqui a falar meramente ao nível do consumo de álcool, nós todos sabemos que, principalmente para os jovens, o álcool é a porta de entrada para outros consumos ao nível dos comportamentos aditivos e dependências e, como tal, achamos que faz todo o sentido que essa aposta comece no álcool”, avançou Rui Luís.

METAS ATÉ 2020

Até 2020, o Governo Regional pretende reduzir em 2% o consumo de alguma bebida alcoólica ao longo da vida nos Açores, as prevalências de consumo de alguma bebida alcoólica nos últimos 12 meses, as prevalências de consumo de alguma bebida alcoólica nos últimos 30 dias, a prevalência de residentes açorianos que nos 12 meses anteriores à entrevista bebeu diariamente pelo menos uma bebida alcoólica; diminuir 8% a percentagem de consumo “binge” numa única ocasião, três ou mais dias por mês;  diminuir o número de condutores mortos em acidentes de viação com uma taxa de alcoolémia superior a 0,5; e reduzir a taxa de anos potenciais de vida perdidos por doenças atribuíveis ao álcool.

A Islândia travou o consumo excessivo de álcool e drogas entre os adolescentes, mas o resto do mundo não está a prestar atenção

Março 1, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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© Dave Imms

Texto do http://observador.pt/ de 27 de janeiro de 2018.

Ao longo dos últimos 20 anos, o consumo de tabaco, álcool e drogas entre os adolescentes diminuiu drasticamente na Islândia. Emma Young foi tentar perceber como e porque razão o modelo não é copiado.

Faltam poucos minutos para as três da tarde numa sexta-feira soalheira e o Parque Laugardalur, perto do centro de Reiquejavique, está praticamente vazio. Vê-se um ou outro adulto a empurrar um carrinho de bebé, mas há prédios e casas a toda a volta do parque, e já acabaram as aulas – onde andam os miúdos?

Neste passeio pelo parque acompanham-me o islandês Gudberg Jónsson, psicólogo, e o norte-americano Harvey Milkman, professor de psicologia, que durante uma parte do ano dá aulas na Universidade de Reiquejavique. Há vinte anos, diz Gudberg, os adolescentes islandeses eram dos que mais bebiam na Europa. “Não se podia andar na baixa de Reiquejavique às sextas à noite, era perigoso”, acrescenta Milkman. “Havia hordas de adolescentes a embebedar-se, ficavam violentos.”

Estamos a chegar a um grande edifício: “E aqui é o ringue coberto de patinagem”, diz Gudberg.

Há uns minutos, tínhamos passado por dois pavilhões dedicados ao badminton e ao pingue pongue. No mesmo parque há também uma pista de atletismo, uma piscina de água aquecida por energia geotérmica e – finalmente! – avistam-se uns poucos miúdos, entretidos a jogar futebol num campo com relva artificial.

Gudberg explica que a razão pela qual não vemos miúdos cá fora é porque estão a ter aulas nestes edifícios, ou em clubes dedicados à música, à dança ou às artes visuais. Ou porque foram sair com os pais.

Atualmente, a Islândia está no topo da tabela europeia no que diz respeito à percentagem de adolescentes com hábitos saudáveis. A percentagem de miúdos entre os 15 e os 16 anos que ficaram embriagados no mês anterior desceu a pique, de 42 por cento em 1998 para 5 por cento em 2016. Os que já experimentaram canábis passaram de 17 para 7 por cento. Os que fumam tabaco todos os dias passaram de 23 para apenas 3 por cento.

O método radical através do qual esta reviravolta foi alcançada baseou-se em dados concretos, mas também depende muito daquilo a que poderíamos chamar “senso comum forçado”. “Este é o estudo mais intenso e profundo do impacto do stress nas vidas dos adolescentes que alguma vez vi”, diz Milkman. “Fico muito impressionado pela eficácia que está a ter.”

Se fosse adotado noutros países, defende Milkman, o modelo islandês poderia contribuir para o bem-estar físico e psicológico de milhões de adolescentes, reduzir as despesas com cuidados de saúde dos estados e beneficiar a sociedade como um todo. Mas é um grande “se”.

“Estive no centro do furacão durante a revolução das drogas”, explica Milkman enquanto tomamos chá no seu apartamento em Reiquejavique. No início da década de 1970, quando estagiou no Hospital Psiquiátrico da Bellevue, em Nova Iorque, “o LSD já estava na moda, e muita gente fumava marijuana. E na altura havia muita curiosidade acerca das razões pelas quais as pessoas tomavam certas drogas.”

A tese de doutoramento de Milkman concluía que as pessoas escolhiam a heroína ou as anfetaminas dependendo da maneira como preferiam lidar com o stress e a ansiedade. Quem procurava a heroína queria adormecer os sentidos; os que recorriam às anfetaminas queriam enfrentar o que os atormentava. Após a publicação deste trabalho, Milkman fez parte de um grupo de investigadores recrutados pelo Instituto Nacional da Toxicodependência dos EUA cuja função era responder a perguntas como: porque é que as pessoas começam a recorrer às drogas? O que as faz continuar? Quando é que passam o limiar da dependência? O que as faz parar? E em que circunstâncias têm recaídas?

“Qualquer estudante universitário nos saberia dizer: porque é que começam? Bem, porque as drogas estão disponíveis, porque as pessoas gostam de correr riscos, porque querem alhear-se, se calhar porque estão um bocado deprimidas”, afirma. “Mas porque é que continuam? Quando me debrucei sobre o limiar da dependência fez-se luz – foi a minha pequena epifania: é possível passar o limiar da dependência mesmo antes de se experimentar qualquer droga, porque aquilo de que as pessoas realmente abusam é da sua maneira de lidar com os problemas.”

Na Universidade Estadual Metropolitana de Denver, Milkman foi um dos grandes impulsionadores da ideia de que as pessoas estavam a ficar viciadas nas alterações químicas do cérebro. Os miúdos que procuravam o confronto queriam emoções fortes – e conseguiam-nas ao roubar jantes de automóveis, autorrádios e, mais tarde, carros, ou através de drogas estimulantes. O álcool também provoca alterações químicas no cérebro. É um sedativo cujo efeito começa por se fazer sentir no controlo cerebral, podendo assim retrair inibições e, em doses limitadas, reduzir a ansiedade.

“As pessoas podem ficar viciadas em álcool, carros, dinheiro, sexo, calorias, cocaína – seja o que for”, diz Milkman. “A ideia de dependência comportamental tornou-se a nossa imagem de marca.”

Esta ideia deu origem a outra: “Porque não desenvolver um movimento social em torno das ‘pedradas naturais’, da ideia de que é possível atingir esse estado alterado através da química cerebral de cada um – já que me parece evidente que as pessoas querem alterar a sua consciência – sem os efeitos nefastos das drogas?”

Em 1992 a equipa de Milkman em Denver obteve uma bolsa de 1,2 milhões de dólares do governo dos EUA para desenvolver o Projeto Autodescoberta, que propunha alternativas de “pedradas naturais” aos adolescentes, que não implicavam consumir drogas nem cometer crimes. Os participantes eram-lhes indicados por professores, enfermeiros e psicólogos escolares, adolescentes a partir dos 14 anos que não sentiam precisar de tratamento, mas que tinham tido problemas com drogas ou cometido delitos de pouca gravidade.

“Não os chamávamos para virem receber tratamento. O que lhes dizíamos era, podemos ensinar-vos qualquer coisa que queiram aprender: música, dança, hip hop ou artes marciais.” A ideia era que estas aulas diferentes podiam provocar alterações na química cerebral dos miúdos, e dar-lhes aquilo de que precisavam para estar melhor no mundo: alguns podiam estar à procura de maneiras de reduzir a ansiedade, outros de emoções fortes.

Ao mesmo tempo, os participantes aprendiam ferramentas fundamentais para a vida, com o intuito de melhorar a forma como se viam a si próprios, e a sua interação com os outros. “Baseámo-nos no princípio básico de que a educação contra a droga não funciona porque ninguém lhe presta a mínima atenção. Aquilo de que os adolescentes precisam é de ferramentas para lidar com essa informação”, diz Milkman. Foi dito aos miúdos que se tratava de um programa de três meses. Alguns acabaram por ficar durante cinco anos.

Em 1991, Milkman foi convidado a ir à Islândia para falar sobre este trabalho, e sobre as suas descobertas e ideias. Tornou-se consultor do primeiro centro de tratamento residencial para adolescentes na Islândia, em Tindar. “O centro foi desenvolvido a partir da ideia de propor alternativas melhores aos miúdos”, explica. Foi aí que conheceu Gudberg, que na altura era estudante de psicologia e voluntário em Tindar. São grandes amigos desde então.

Milkman começou a vir regularmente à Islândia para dar palestras. Estas palestras, assim como o centro de Tindar, chamaram a atenção de uma jovem investigadora da Universidade da Islândia, Inga Dóra Sigfúsdóttir. Perguntava-se: e se pudéssemos usar estas alternativas saudáveis às drogas e ao álcool como parte de um programa que, em vez de ser direcionado aos miúdos com problemas, tivesse o objetivo de fazer com que os miúdos não chegassem a beber ou a experimentar drogas?

Já alguma vez bebeste álcool? Se sim, quando foi a última vez que bebeste um copo? Já alguma vez ficaste bêbado? Já fumaste tabaco? Se sim, com que frequência fumas? Quanto tempo passas com os teus pais? Tens uma boa relação com os teus pais? Em que atividades participas?

Em 1992, os adolescentes de 14, 15 e 16 anos de todas as escolas da Islândia preencheram um questionário com perguntas como estas. O processo foi repetido em 1995 e 1997.

Os resultados destes inquéritos revelaram-se preocupantes. A nível nacional, quase 25 por cento dos adolescentes fumavam todos os dias, e mais de 40 por cento tinham ficado embriagados no mês anterior. Mas ao estudar os dados ao pormenor, a equipa percebeu quais eram as escolas que tinham os problemas mais graves – e as que tinham menos. A sua análise revelou a existência de diferenças muito claras entre as vidas dos miúdos que começavam a beber, a fumar e a tomar drogas e as daqueles que não o faziam. Alguns fatores mostraram ser determinantes na proteção dos adolescentes: participarem em atividades organizadas – sobretudo desporto – três ou quatro vezes por semana, passarem um número significativo de horas com os pais durante a semana, serem bem tratados na escola e não saírem de casa durante a noite.

“À época, havia uma série de programas de prevenção da dependência, e faziam-se muitos esforços nesse sentido”, diz Inga Dóra, que trabalhou como investigadora auxiliar nos inquéritos. “Baseavam-se sobretudo na educação.” Os miúdos eram avisados acerca dos perigos do álcool e das drogas, mas, tal como Milkman tinha constatado nos EUA, estes programas não eram eficazes. “Queríamos desenvolver uma abordagem nova.”

O presidente da câmara de Reiquejavique também tinha vontade de experimentar outra abordagem, e muitos pais sentiam o mesmo, acrescenta Jón Sigfússon, colega e irmão de Inga Dóra. Jón tinha filhas adolescentes na altura e juntou-se ao novo Centro Islandês de Investigação Social a que a irmã pertencia quando foi fundado, em 1999. “A situação era preocupante”, afirma. “Era evidente que se tinha de fazer alguma coisa.”

Recorrendo aos dados obtidos através dos inquéritos e aos resultados de investigações anteriores, incluindo a de Milkman, foi implementado gradualmente um novo plano nacional. Chamava-se Juventude na Islândia.

Mudaram-se as leis. Passou a ser ilegal comprar tabaco aos menores de 18 anos e álcool aos menores de 20, e a publicidade ao tabaco e ao álcool foi proibida. A ligação entre as escolas e os pais foi reforçada através da criação obrigatória de associações de pais, assim como da inclusão de representantes dos pais nos conselhos escolares. Os pais eram incentivados a ir a palestras sobre a importância de passar uma quantidade significativa de tempo com os filhos, mais do que “tempo de qualidade” esporádico, de falar com os filhos sobre as suas vidas, de saber quem eram os amigos dos filhos e de fazer com que eles passassem as noites em casa.

Também foi promulgada uma lei que proibia as crianças entre os 13 e os 16 anos de idade de estarem fora de casa depois das dez da noite no inverno e da meia noite no verão. Ainda está em vigor.

O Casa e Escola, o programa nacional das associações de pais, propôs a criação de acordos que os pais deveriam assinar. O conteúdo dos acordos varia de acordo com a faixa etária, e cada associação pode decidir o que é contemplado. Para os miúdos com mais de 13 anos, os pais podem comprometer-se a seguir todas as recomendações assim como, por exemplo, a não permitir que os filhos façam festas sem a supervisão de adultos, a não comprar bebidas alcoólicas a menores e a estar atentos ao bem-estar das outras crianças.

Estes acordos educam os próprios pais, mas também ajudam a fortalecer a sua autoridade em casa, defende Hrefna Sigurjónsdóttir, diretora do Casa e Escola. “Assim torna-se difícil usar a desculpa mais velha do mundo: ‘Mas os outros pais deixam!’”

O estado aumentou o financiamento atribuído às atividades desportivas, às artes, à dança e a outros clubes, de forma a que os miúdos tivessem acesso a formas alternativas de pertencer a um grupo, e de se sentirem bem, sem recorrerem às drogas e ao álcool. As crianças provenientes de famílias de baixo rendimento receberam apoios para poderem participar. Em Reiquejavique, por exemplo, onde vive mais de um terço da população do país, o Cartão de Lazer atribui 35 mil coroas islandesas (280 euros) por ano às famílias para atividades recreativas.

Muito importante também é o facto de os inquéritos terem continuado a ser feitos. A cada ano, são preenchidos praticamente por todas as crianças que vivem na Islândia.

Entre 1997 e 2012, a percentagem de miúdos entre os 15 e os 16 anos que dizem passar todos ou quase todos os dias da semana com os pais duplicou – de 23 para 43 por cento – e a percentagem que participa em atividades desportivas organizadas pelo menos quatro vezes por semana aumentou de 24 para 42 por cento. Entretanto, o consumo de tabaco, bebidas alcoólicas e cannabis nesta faixa etária desceu a pique.

“Embora não possamos provar que existe uma relação de causa-efeito – o que é um bom exemplo das razões pelas quais é difícil convencer os cientistas de que estes métodos de prevenção primária são eficazes – a tendência é muito clara”, observa Álfgeir Kristjánsson, que tratou estes dados e que agora pertence à Escola de Saúde Pública da Universidade da Virgínia Ocidental, nos EUA. “Os fatores de proteção aumentaram, os fatores de risco diminuíram, e a dependência de drogas e álcool diminuiu – e de forma mais consistente na Islândia do que em qualquer outro país europeu.”

“Até a Suécia se ri de nós, chamam-lhe o recolher obrigatório infantil”

Jón Sigfússon pede desculpa por ter chegado dois minutos atrasado. “Tive de resolver uma crise por telefone!” Embora prefira não dizer ao certo com quem esteve a falar, a chamada foi para uma das cidades noutros países do mundo que adotaram, em parte, as ideias do programa Juventude na Islândia.

O programa Juventude na Europa, que Jón lidera, teve início em 2006, depois de os dados estatísticos já bastante admiráveis da Islândia terem sido apresentados numa reunião das Cidades Europeias Contra as Drogas onde, segundo se lembra, lhe perguntaram: “O que estão a fazer?”

A participação no Juventude na Europa é feita através de iniciativas municipais, e não dos governos de cada país. No primeiro ano, inscreveram-se oito municípios. Até à data, participaram 35, em 17 países, desde áreas onde existem poucas escolas até Tarragona, em Espanha, onde o programa implica 4200 estudantes de 15 anos. O método é sempre igual: Jón e a sua equipa falam com os responsáveis locais e desenvolvem um questionário baseado nas mesmas perguntas principais que são usadas na Islândia, às quais se acrescentam outras que variam conforme o local. Por exemplo, as apostas online estão a tornar-se num problema grave em determinados sítios, e os responsáveis locais querem saber até que ponto é que se relacionam com outros comportamentos de risco.

Passados apenas dois meses de os questionários serem devolvidos à Islândia, a equipa envia um relatório preliminar com os resultados, assim como uma análise comparativa baseada nas outras regiões que participam no programa. “Costumamos dizer que, tal como a fruta e os legumes, a informação tem de ser fresca”, diz Jón. “Se estas análises fossem apresentadas um ano depois, as pessoas diriam, ‘Pois, mas foi há muito tempo, e se calhar as coisas mudaram entretanto…” Para além de ser fresca, a informação tem de ser local, para que as escolas, os pais e os responsáveis políticos saibam exatamente que problemas existem numa determinada área.

A equipa analisou 99 mil questionários oriundos de locais tão diferentes como as Ilhas Faroé, Malta e a Roménia – assim como da Coreia do Sul, e, muito recentemente, de Nairobi e da Guiné-Bissau. Em termos gerais, os resultados mostram que no que diz respeito ao abuso de determinadas substâncias por parte dos adolescentes, aplicam-se os mesmo fatores de risco e de proteção. No entanto, há algumas diferenças: num dos municípios (num país “do Báltico”), a participação em atividades desportivas organizadas revelou ser um fator de risco. Ao investigar este revés, descobriu-se que tal se devia ao facto de os clubes serem orientados por jovens ex-militares com propensão para o consumo de esteroides e anabolizantes comuns entre os culturistas, assim como para fumar e beber.

Embora Jón e a sua equipa apresentem todas as informações acerca do que mostrou ser eficaz na Islândia, cabe a cada uma das comunidades que participam decidir o que fazer face aos seus resultados. Em certas situações, decidem não fazer nada. Um país de maioria muçulmana (cuja identidade não nos revela) rejeitou os dados por considerar que revelavam um nível inaceitável de consumo de álcool. Noutras cidades – como aquela cuja crise Jón tentou resolver pelo telefone – apesar de haver abertura face aos dados e dinheiro para gastar, as equipas têm verificado que é muito mais difícil captar e manter financiamento para estratégias de prevenção de saúde do que para tratamentos.

Mais nenhum país fez mudanças à escala das que se verificam na Islândia. Quando lhe perguntamos se nalgum lugar foi copiada a lei que obriga as crianças a ficar em casa durante a noite, Jón sorri. “Até a Suécia se ri de nós, chamam-lhe o recolher obrigatório infantil.”

Em toda a Europa, as taxas de consumo de álcool e drogas por parte dos adolescentes têm vindo a reduzir-se longo dos últimos vinte anos, mas em nenhum país isso aconteceu de forma tão drástica como na Islândia. E as razões para estas melhorias não estão necessariamente ligadas a estratégias que promovem o bem-estar entre os adolescentes. No Reino Unido, por exemplo, o facto de os adolescentes passarem mais tempo em casa a comunicar online do que em pessoa é uma das principais razões que explica a descida no consumo de bebidas alcoólicas.

Mas Kaunas, na Lituânia, é um exemplo do que pode ser conseguido através de uma intervenção ativa. Desde 2006, a cidade distribuiu estes questionários cinco vezes, e as escolas, os pais, as organizações de cuidados de saúde, as igrejas, a polícia e os serviços sociais uniram-se para tentar melhorar o bem-estar das crianças e reduzir o uso de álcool e drogas. A título de exemplo, os pais têm direito a participar em oito ou nove sessões de aconselhamento parental por ano, e há um novo programa que encaminha apoios suplementares a instituições públicas e organizações não-governamentais da área da saúde mental. Em 2015, a cidade começou a oferecer atividades desportivas gratuitas às segundas, quartas e sextas, e está a ser planeado um serviço gratuito de transporte para as famílias de baixo rendimento, para que as crianças que vivem longe das instalações desportivas também possam participar.

Entre 2006 e 2014, o número de adolescentes entre os 15 e os 16 anos que referiram ter estado embriagados nos 30 dias anteriores desceu cerca de 25 por cento, e houve uma redução de mais de 30 por cento entre os que disseram fumar diariamente.

Atualmente, a participação no Juventude na Europa é bastante dispersa, e a equipa na Islândia é pequena. Jón gostaria que surgisse um organismo central com financiamento próprio dedicado à expansão do programa na Europa. “Embora estejamos a desenvolver este trabalho há dez anos, não é a nossa função principal, a tempo inteiro. Gostávamos muito que alguém copiasse este modelo e o implementasse em toda a Europa”, afirma. “E porquê nos havemos de limitar à Europa?”

Jón e Birgir, os futebolistas

Depois do passeio pelo Parque Laugardalur, Gudberg Jónsson convida-nos para irmos a sua casa. Cá fora, no jardim, os seus dois filhos mais velhos, Jón Konrád, de 21 anos, e Birgir Ísar, de 15, conversam comigo sobre beber e fumar. Jón bebe, mas Birgir diz que não conhece ninguém na escola que fume ou beba. Também falamos sobre os treinos de futebol: Birgir tem cinco ou seis treinos por semana; Jón, que está no primeiro ano da faculdade, num curso de gestão na Universidade da Islândia, treina cinco vezes por semana. Começaram ambos a treinar regularmente depois das aulas quando tinham seis anos.

“Temos imensos instrumentos musicais em casa”, tinha-me dito o pai dos rapazes. “Tentámos que se interessassem por isso. E já tivemos um cavalo. A minha mulher gosta muito de andar a cavalo. Mas não aconteceu. Acabaram por escolher o futebol.”

Alguma vez lhes pareceu demasiado? Sentiram pressão para ir aos treinos quando lhes apetecia fazer outra coisa qualquer? “Não, divertíamo-nos a jogar futebol”, diz Birgir. Jón acrescenta, “Experimentámos e habituámo-nos a jogar, por isso fomos continuando.”

E não é só isso que fazem. Embora Gudberg e a sua mulher, Thórunn, não planeiem meticulosamente passar um determinado número de horas por semana com os três filhos, acabam por levá-los muitas vezes ao cinema, ao teatro, a jantar fora, a fazer caminhadas, à pesca e até em expedições familiares de pastorícia, quando as ovelhas da Islândia são trazidas do cimo dos montes em setembro.

Jón e Birgir podem ser particularmente dedicados ao futebol, e particularmente talentosos (graças ao futebol, Jón recebeu uma bolsa de estudo da Universidade Estadual Metropolitana de Denver, e poucas semanas depois do nosso encontro, Birigir foi chamado para jogar na seleção nacional de sub-17). Mas será que o aumento significativo da percentagem de miúdos que fazem desporto quatro ou mais vezes por semana poderá conduzir a outros benefícios, para lá da saúde das crianças?

Será que, por exemplo, terá tido alguma coisa a ver com a vitória esmagadora da Islândia sobre a Inglaterra no Campeonato Europeu de Futebol de 2016? Quando lhe perguntamos isso mesmo, Inga Dóra Sigfúsdóttir sorri: “Também temos tido bastante sucesso na música, com os Of Monsters and Men [uma banda indie-folk de Reiquejavique], por exemplo. São jovens que foram incentivados a trabalhar em equipa. Já me agradeceram algumas vezes”, diz, piscando o olho.

Noutros países, as cidades que se juntaram ao Juventude na Europa têm dado conta de outros benefícios. Em Bucareste, por exemplo, a taxa de suicídios entre os adolescentes tem estado a decair, em paralelo com o consumo de álcool e drogas. Em Kaunas, o número de crianças que cometeram crimes desceu um terço entre 2014 e 2015.

Como diz Inga Dóra: “Através desta investigações, ficámos a saber que precisamos de criar as circunstâncias nas quais os miúdos possam viver de forma saudável, em que não sintam a necessidade de recorrer a substâncias como o álcool e as drogas, porque percebem que a vida é divertida e há muitas coisas para fazer – e sabem que têm o apoio dos pais, que passam bastante tempo com eles.”

Mas a Islândia é um país pequeno…

Trezentos e vinte e cinco milhões de habitantes contra trezentos e trinta mil. Trinta e três mil gangues contra praticamente nenhum. Cerca de um milhão e trezentos mil jovens sem abrigo contra meia dúzia.

Claramente, nos EUA há desafios que não existem na Islândia. Mas os dados recolhidos noutras zonas da Europa, incluindo cidades como Bucareste, onde existem problemas sociais graves e um grau considerável de pobreza, demonstram que o modelo islandês pode funcionar em culturas muito diferentes, defende Milkman. E a necessidade de um programa como este nos EUA é grande: cerca de 11 por cento do álcool a nível nacional é consumido por menores, e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas é responsável por mais de 4300 mortes por ano entre os menores de 21.

No entanto, é improvável que venha a ser implementado um programa semelhante ao islandês a nível nacional nos EUA. Um dos maiores impedimentos a uma tal iniciativa é que, ao contrário do que acontece na Islândia, onde se estabeleceu um compromisso a longo prazo face a este projeto nacional, nos Estados Unidos os programas de saúde dirigidos às comunidades são por norma apoiados por bolsas a curto prazo.

Milkman aprendeu a custo que nem os programas mais inovadores e elogiados nem sempre são alargados, ou mesmo mantidos. “Quando criámos o Projeto Autodescoberta, estávamos convencidos de que aquele era o melhor programa do mundo”, explica. “Fui convidado por duas vezes a ir à Casa Branca. O projeto ganhou prémios a nível nacional. Na altura pensei: este programa vai ser copiado e adotado em todas as cidades e aldeias. Mas não foi.”

Concluiu que isso se deve ao facto de não ser possível estabelecer um modelo genérico para todas as comunidades, uma vez que nem todas têm os mesmos recursos. Qualquer tentativa de apresentar aos miúdos nos EUA a oportunidade de participar nas atividades que se tornaram comuns na Islândia, e de os ajudar a não se iniciarem no consumo de álcool e drogas, terá de se apoiar nas estruturas que já existam. “É necessário recorrer aos recursos de cada comunidade“, explica.

Álfgeir Kristjánsson, colega de Milkman, está a apresentar as ideias islandesas no estado da Virgínia Ocidental. Estão a ser distribuídos inquéritos nalgumas escolas básicas e secundárias do estado, e há um coordenador local cujo papel é ajudar a divulgar os resultados junto dos pais e de quaisquer outras pessoas que os possam utilizar para ajudar os miúdos da zona. Mas admite que será difícil atingir os resultados que se verificam na Islândia.

Esta visão a curto prazo também impede o estabelecimento de estratégias eficazes de prevenção no Reino Unido, diz Michael O’Toole, diretor executivo da Mentor, uma instituição de caridade cujo objetivo é reduzir o uso de álcool e drogas entre as crianças e os adolescentes. Esse trabalho acaba por ficar nas mãos das autoridades locais ou das escolas, o que muitas vezes significa que os miúdos se limitam a receber informações sobre os riscos associados ao consumo de drogas e de álcool – estratégia que, reconhece, não tem dado provas de funcionar.

O’Toole está completamente rendido à política islandesa de sublinhar a importância de os pais, a escola e a comunidade trabalharem em conjunto para apoiar as crianças, e de chamar os pais e os encarregados de educação a ter um papel mais interventivo na vida dos adolescentes. Criar mais e melhores apoios para os miúdos é essencial, sublinha. Mesmo no que toca apenas ao álcool e ao tabaco, os dados indicam sem margem para dúvidas que quanto mais velha uma criança for quando fumar o primeiro cigarro ou beber a primeira bebida alcoólica, mais saudável será ao longo da vida.

Mas nem todas estas estratégias seriam aceitáveis no Reino Unido – a começar pelo recolher obrigatório das crianças, passando, muito provavelmente, pela ideia de os pais andarem pelos bairros a verificar se há crianças a quebrar as regras. E a experiência-piloto levada a cabo pela Mentor em Brighton, que implicava convidar os pais a aparecer nas escolas e participar em seminários, revelou que é muito difícil despertar o seu interesse.

A desconfiança do público em geral e a falta de vontade de participar de forma proativa no programa são os maiores desafios onde quer que se tente implementar os métodos islandeses, considera Milkman, porque dizem respeito a questões fundamentais como o equilíbrio da responsabilidade entre os cidadãos e os estados. “Até que ponto é que estão dispostos a deixar o estado controlar as atividades dos vossos filhos? Isto não será uma interferência demasiado grande do governo na vida das pessoas?“

Na Islândia, a relação que se estabeleceu entre os cidadãos e o estado tem permitido que um programa nacional eficaz reduza drasticamente a percentagem de miúdos que fumam e bebem demasiado – e, no mesmo movimento, tem aproximado as famílias e ajudado as crianças a tornar-se mais saudáveis, de todas as maneiras. Será que mais nenhum país está disposto a decidir que estes benefícios justificam os custos?

Tradução: Francisca Cortesão

Este texto foi originalmente publicado no site Mosaic Science

 

Consumo de drogas e bullying são os mais prevalentes nos Açores

Fevereiro 28, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Correio dos Açores de 10 de fevereiro de 2018.

Consumo de drogas e bullying são os mais prevalentes nos Açores

Polícia Judiciária revela que há mais detenções de presumíveis abusadores sexuais na Região “O consumo de estupefacientes é o mais prevalente nos Açores e o bullying também”, resumiu o superintendente José Poças Correia, que conjuntamente com João Manuel Alves de Oliveira, Coordenador de Investigação Criminal, responsável pela PJ na Região, reuniram ontem com o Grupo de Trabalho da Comissão de Assuntos Sociais. Para a Polícia Judiciária, “mais detenções fora do flagrante delito dos presumíveis abusadores sexuais é um dado estatístico real”.

O Grupo de Trabalho da Comissão de Assuntos Sociais reuniu ontem na Delegação da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, em Ponta Delgada, onde se procedeu à “Análise e Avaliação das Respostas Públicas Regionais na área da informação dos direitos e protecção das crianças e jovens com mais de 12 anos”.

Presentes estiveram o superintendente José Alves de Oliveira, do Comando Regional da PSP dos Açores e João Manuel Alves de Oliveira, Coordenador de Investigação Criminal, responsável pela Polícia Judiciária na Região Autónoma dos Açores.

A reunião decorreu à porta fechada, mas no final foi possível falar com as referidas entidades.

Da parte do superintendente José Poças Correia, do Comando Regional da PSP dos Açores, este teve oportunidade de dizer que na reunião falou-se de comportamentos aditivos, nomeadamente os que resultam por via do consumo de álcool, tabaco e substâncias ilícitas. “Aquilo que é um dado adquirido tem a ver com os consumos de drogas, a nível geral, ou seja, como aliás o relatório do SICAD aponta um bocado nesse sentido.

Naturalmente, se há ao nível dos consumidores em geral também haverá ao nível dos jovens. Poderá haver aqui alguma prevalência, a esse nível, nos jovens até aos oito anos, mas são comportamentos que têm de ser corrigidos de alguma maneira, por via da sensibilização, da actuação junto das escolas, dos encarregados de educação e das diversas entidades que pode de algum modo contribuir para isso. A Polícia é mais difícil porque a Polícia, naturalmente tem um contacto directo com essas situações de rua, ou então, por via dos conselhos directivos das escolas”.

Mais esclareceu que ao nível dos comportamentos aditivos, “a maioria dos casos são encaminhados para a Comissão de Dissuasão da Toxicodependência, o que quer dizer que a Polícia identifica as situações, reporta e depois a Comissão da Dissuasão da Toxicodependência é que faz o tratamento da situação, quer ao nível da aplicação, ou não, das coimas que estão associadas aos consumos, quer ao nível depois, do acompanhamento e das consultas que são dadas no sentido de haver alguma sensibilização para evitar que essas situações se repitam”.

Respostas eficazes

Da parte da Polícia Judiciária, na voz de João Manuel Alves de Oliveira, Coordenador de Investigação Criminal, responsável pela PJ na Região Autónoma dos Açores, este esclareceu que “a intervenção da Polícia Judiciária centra-se naquilo que são as suas competências na área dos crimes da autodeterminação sexual, aqui com enfoque, muito particular, no domínio dos abusos sexuais das crianças. O que tivemos aqui foi uma partilha de um conjunto de informações que nós passamos à Comissão, que tem a ver com aquilo que é o nosso conhecimento desta área, os números que são conhecidos, as dificuldades que temos e também algumas ideias de como ter respostas mais eficazes com vista, não a debelar completamente o fenómeno que é quase uma utopia, mas pelo menos a atenuá-lo expressivamente”.

Sem poder revelar que ideias são essas de como ter respostas mais eficazes arriscou apenas a dizer, “o facto de se debater publicamente estes assuntos e o facto de terem deixado de ser tabu, que foram até há relativamente pouco tempo atrás, é um primeiro passo importantíssimo para não dizer decisivo para efectivamente alcançarmos este objectivo que é, pelo menos uma diminuição muito significativa do número de casos. Informação, sensibilização e depois, a parte das instâncias formais de controlo, da parte da Polícia Judiciária, naturalmente e não só, uma capacidade de resposta, e um saber técnico em conformidade com a lei para que as nossas investigações tenham êxito. Mas, este é um problema mais vasto, está para além do jurídico porque todos juntos, somos poucos e é uma questão de cidadania, somos poucos para combater este problema. A nós, Polícia Judiciária compete-nos efectivamente fazer aquilo que estamos obrigados por lei a fazer e fazemo-lo com todo o gosto e temos o dever de o fazer com a máxima competência”.

Ao nível dos abusos de menores, destacou dois patamares: “Um número de casos de investigações que nós abrimos e que nos chegaram ao nosso conhecimento e aquilo que é a criminalidade real. Ou seja, os indicadores que temos, é que para além dos casos que nos são reportados e que nós investigamos, há ainda um outro número de abusos dos quais nós não temos conhecimento.

São as chamadas cifras negras. É possível percebermos, aqui nos Açores, que a partir de 2014 houve um incremento de investigações abertas, quer do número de detenções fora do flagrante delito dos presumíveis abusadores sexuais. Isto sim, é um dado estatístico objectivo”.

Sem se revelar números, ficou entendido que de todos os comportamentos desviantes e os comportamentos aditivos que foram elencados, o consumo de estupefacientes é o mais prevalente e ao nível do bullying também, nomeadamente em ambiente escolar onde se registam por vezes algumas ocorrências.

Marco Sousa

Binge drinking leva a consumo de doses “potencialmente fatais” de álcool

Fevereiro 26, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do https://www.publico.pt/ a Ana Feijão no dia 8 de fevereiro de 2018.

Ana Feijão, coordenadora da Unidade de Alcoologia do Centro, acredita que a crise dos últimos anos ainda está a ter impacto no comportamento dos portugueses.

Margarida David Cardoso

A coordenadora da Unidade de Alcoologia do Centro, Ana Feijão, diz que aumento do consumo excessivo em faixas etárias mais velhas, a partir dos 45 anos, revelado nesta quarta-feira, pode ainda ser resultado dos anos de crise socioeconómica.

Há uma relação entre um maior número mortes por intoxicação alcoólica com o aumento da frequência do binge drinking (consumo de várias doses de bebida numa única ocasião com o objectivo de ficar embriagado)?

Sim. Em geral, quando as pessoas bebem com alguma dilatação no tempo, acabam por ficar inconscientes ou tão limitadas do ponto de vista motor que não conseguem continuar a beber. Mas em situações de binge drinking conseguem continuar conscientes antes de todo o álcool estar em circulação. Por isso, é possível que se atinjam concentrações potencialmente fatais. Acontece com pessoas jovens, que não têm experiência de consumo e consomem muito de uma só vez. Mas também podem ser pessoas de qualquer idade que consumam muito de repente. Estou a pensar em apostas como “quem consegue beber uma garrafa de bagaço inteira de seguida” – isto constitui um risco de morte mesmo.

Na prática, de que quantidade de álcool estamos a falar?
Normalmente, com uma concentração de 4 gramas de álcool por litro de sangue já se está em coma. Sabemos que pessoas muito habituadas a beber, e que quase permanentemente têm grandes quantidades de álcool no sangue, acabam por adquirir alguma tolerância. A questão é que a partir de determinada concentração, cerca de 4,5/5 g/l, o risco de paragem respiratória e de paragem cardiovascular é muito grande.

Como é que se pode intervir para diminuir estes comportamentos de risco?
Os jovens são particularmente vulneráveis a estes novos padrões de consumo e correm grandes riscos quando juntam a inexperiência do consumo de álcool à inexperiência, por exemplo, na condução. É uma área em que temos que intervir. Mas tem que ser uma intervenção transversal a toda a sociedade, que tem que passar pela formação dos jovens, por uma política de preços, publicidade e fiscalização até à formação das pessoas que trabalham na indústria do divertimento e da noite. E até aos políticos. Tem que haver alguém que pense nestas questões, daí a nossa defesa do regresso de um organismo nacional para estas dependências.

O SICAD notou ainda um aumento do consumo excessivo de álcool nas mulheres e nas pessoas com mais de 45 anos. O que pode explicar este fenómeno?
Na ausência de grandes estudos sobre estes últimos anos, a noção que temos é que a mudança de estilo de vida das mulheres – que se tornaram mais activas, têm novas profissões e estão mais tempo fora de casa – as aproximou do estilo de vida dos homens.

 

Em relação às pessoas com mais de 45 anos, penso que nestes últimos anos, e especificamente em Portugal, isto pode relacionar-se com os anos de crise. Este país passou alguns anos em que a sociedade ficou deprimida. Nós tínhamos, não só as consequências directas da crise mas, em termos sociais, uma série de pensamentos depressivos, de dificuldade, de falta de esperança. E isso fez com que aumentasse o consumo. E ainda não recuperámos. Embora o clima já seja diferente, acho que esta crise e o espírito com que a vivemos têm efeitos sociológicos muito mais longos do que seria de pensar à partida. Até os próprios profissionais estão ainda debaixo do efeito de uma série de anos em que parecia que nada ia funciona e que tudo eram dificuldades. E ainda não conseguimos recuperar o entusiasmo.

Ainda no que diz respeito ao álcool, houve um aumento das pessoas em tratamento, mas uma diminuição dos internamentos em unidades de alcoologia. Como se explica?

Há duas questões. Primeiro, as unidades de tratamento locais do ex-IDT [Instituto da Droga e da Toxicodependência] passaram a fazer acompanhamento de alcoólicos. É um tratamento de maior proximidade, uma vez que as unidades de alcoologia estão concentradas em Lisboa, Porto e Coimbra. Com isto, é natural que o número de pessoas em tratamento tenha aumentado porque há mais serviços disponibilizados para as tratar.

Já o facto do número de internamentos ter diminuído tem a ver com as dificuldades dos serviços. O facto de as equipas não se renovarem e não haver números de profissionais adequados fez com que as unidades de Lisboa e do Porto tivessem que reduzir o número de camas disponíveis. Por outro lado, há novas perspectivas em termos de tratamento: sempre que possível fazermos tratamentos em ambulatório

 

Consumo de álcool na adolescência pode causar problemas no fígado em adulto

Fevereiro 16, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Correio dos Açores de 28 de janeiro de 2018.

O consumo de bebidas alcoólicas na adolescência pode provocar doenças hepáticas, como cirrose, numa idade mais avançada, sugere um estudo recente.

Para o estudo que foi conduzido por uma equipa de investigadores do Hospital Universitário Karolinska, Estocolmo, Suécia, foram analisados dados recolhidos de um estudo populacional sueco, conduzido em 1969 e 1970, que abrangia mais de 49.000 homens, com 18 a 20 anos de idade na altura, e recrutados para o serviço militar obrigatório.

A equipa associou os números pessoais de identidade dos participantes recrutados aos dados do registo nacional de pacientes e ao registo de causas de morte na Suécia até ao fim de 2009, ou seja, durante 39 anos.

Os resultados foram ajustados relativamente ao índice de massa corporal (IMC), capacidade cardiovascular, capacidade cognitiva, hábito de fumar e uso de narcóticos.

Como resultado, foi verificado que 383 homens tinham desenvolvido doenças graves no fígado, durante o período de acompanhamento, como cirrose hepática, encefalopatia hepática, insuficiência renal, ascite e morte por doença renal, sendo que o consumo de álcool na fase do fim da adolescência foi associado a um maior risco de doenças hepáticas graves numa altura posterior.

O risco era dependente da dose de álcool consumido, sem sinais de efeito de limiar, revelando-se mais pronunciado em homens que consumiam duas bebidas por dia (que equivaliam a 20 gramas de álcool) ou mais. Foi observado ainda que o risco era já significativo com o consumo diário de 6 gramas de bebidas alcoólicas.

Estes resultados foram apenas validados para homens e requerem validação para as mulheres.

Alexandre Louvet, especialista em doenças hepáticas observou, num editorial que acompanhou o estudo, que “o presente estudo aumenta o nosso conhecimento sobre o risco do consumo crónico de bebidas alcoólicas numa idade precoce”.

“Deve-se rever os níveis seguros de consumo de álcool na população geral e deve-se adaptar adequadamente as diretrizes de saúde pública”.

o estudo citado na notícia é o seguinte:

Alcohol consumption in late adolescence is associated with an increased risk of severe liver disease later in life

ONU preocupada com consumo de álcool e drogas por crianças em ilha cabo-verdiana

Fevereiro 4, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do site http://www.dnoticias.pt/ de 12 de janeiro de 2018.

A representante das Nações Unidas em Cabo Verde, Ulrika Richardson, mostrou-se preocupada com o consumo de álcool e droga por parte de crianças e adolescentes na ilha cabo-verdiana do Fogo, defendendo um trabalho conjunto para resolver o problema.

“Há bastantes crianças e adolescentes que vivem em situação de vulnerabilidade, ligado ao abuso de álcool e abuso de droga. Em São Filipe, tem de ser dada uma atenção bastante urgente a essas crianças”, afirmou a coordenadora da ONU, citada hoje pela Inforpress.

Ulrika Richardson falava à agência de notícias cabo-verdiana no final de uma visita de três dias às ilhas da Brava e do Fogo, onde manteve encontros com responsáveis de instituições que trabalham com crianças, como o Instituto Cabo-verdiana da Criança e do Adolescente (ICCA).

A representante da ONU em Cabo Verde considerou que para resolver o problema é preciso um trabalho conjunto entre as várias instituições locais.

Em relação às denúncias sobre abuso sexual de crianças, Ulrika Richardson sublinhou que houve uma “evolução positiva” nas duas ilhas, notando que isso demonstra que a população está atenta e reconhece que é um crime.

No entanto, salientou que o problema não se resolve apenas com denúncias, tendo em conta que é preciso prevenir essa violência.

Um diagnóstico traçado no âmbito da preparação do Plano de Ação da Saúde do Adolescente 2015-2020, e apresentado em setembro, apontou que o consumo de álcool e drogas estão entre os principais problemas de saúde dos adolescentes cabo-verdianos.

No mesmo estudo, 30% dos inquiridos afirmou ter feito sexo sob o efeito de drogas e álcool, aumentando o risco de gravidez precoce e indesejada.

Em 2013, a Comissão de Coordenação do Combate à Droga (CCCD) realizou um estudo pioneiro que indicou que a prevalência do consumo de substâncias psicoativas (drogas lícitas e ilícitas) nos alunos das escolas secundárias cabo-verdianas ao longo da vida é de 7,2%.

O inquérito concluiu que o álcool é a droga lícita mais consumida pela população estudantil, sendo que cerca de 45% já experimentou pelo menos uma bebida alcoólica ao longo da vida.

 

 

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