De Viva Voz pela Inclusão : Carta de Propostas das Crianças e Jovens

Junho 1, 2020 às 1:32 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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De Viva Voz pela Inclusão (1)

Mala VIP : Vivacidade, Inovação, Participação uma ferramenta para a inclusão

Junho 1, 2020 às 10:11 am | Publicado em Recursos educativos | Deixe um comentário
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Mala VIP

Um quarto dos alunos do 1.º ciclo em Lisboa não tem computador ou net em casa

Abril 18, 2020 às 2:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Divulgação | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 9 de abril de 2020.

João Pedro Pincha

Vereador da Educação propõe que a Câmara de Lisboa invista 1,5 milhões de euros em computadores e routers para os alunos mais carenciados.

Quase um quarto dos alunos do 1.º ciclo da rede escolar pública de Lisboa não tem meios digitais para estudar em casa. Um diagnóstico feito nas últimas semanas pela câmara municipal revela que pelo menos 3050 crianças que frequentam os primeiros quatro anos de escolaridade não têm acesso a um computador ou tablet e/ou rede de internet de banda larga.

Este valor representa 22,5% dos alunos no universo de 13.568 que estão matriculados para este ano lectivo, o que leva o vereador da Educação e Direitos Sociais a defender um investimento autárquico para colmatar as falhas de acesso. Manuel Grilo, eleito pelo BE, vai apresentar uma proposta para que a câmara compre computadores e routers 4G para distribuir pelos estudantes mais necessitados, estimando que essa medida custe à volta de 1,5 milhões de euros.

“Apenas este complemento tecnológico permitirá assegurar que todos os alunos têm acesso a ferramentas que mitiguem os efeitos perversos da pandemia”, acredita o vereador, preocupado com o “previsível aumento das desigualdades em contexto escolar” durante a actual crise epidémica e a económica que se avizinha.

Desde meados de Março que as escolas estão fechadas e os alunos estão em casa, em muitos casos com aulas à distância através de plataformas digitais. Já é certo que em Abril não haverá aulas presenciais e o Governo agendou para esta quinta-feira uma decisão sobre o terceiro período.

Está neste momento em preparação uma nova forma de Telescola em que os alunos até ao 9.º ano terão aulas através dos canais televisivos da RTP. Essa plataforma deverá estar a funcionar logo a seguir às férias da Páscoa, que neste momento decorrem. “A telescola é uma solução bem-vinda mas insuficiente para estes alunos, que permanecerão numa situação de franca desigualdade perante os colegas com acesso a recursos digitais e interacção regular com a escola e os professores”, adverte Manuel Grilo.

No diagnóstico levado a cabo pelo seu gabinete apenas foram tidos em consideração os 93 estabelecimentos de ensino geridos directamente pela Câmara de Lisboa, correspondentes a escolas do 1.º ciclo e jardins-de-infância. Os restantes, destinados a alunos dos 2.º e 3.º ciclos e do Secundário, são geridos pelo Ministério da Educação. O vereador alerta também que, nesse universo de 3050 alunos, não estão incluídos aqueles que têm de partilhar o computador com os irmãos ou com os pais.

Em Lisboa, no actual ano lectivo, há 5808 alunos do 1.º ciclo (43% do total) nos escalões mais elevados da acção social escolar, o que significa que provêm de famílias com rendimentos baixos ou muito baixos. Para estes e para os alunos com necessidades educativas especiais, todos os agrupamentos de escolas estão desde meados de Março a servir refeições em regime de take-away.

Uma orquestra cheia de afetos

Dezembro 31, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da Fundação Calouste Gulbenkian de 16 de dezembro de 2019.

Um projeto PARTIS usa a música para mitigar relações conflituosas e a agressividade com que crianças dos 3 aos 6 anos convivem diariamente.

A sessão começa com a canção do Bom Dia. À volta de um círculo, cada um diz o seu nome e faz um gesto a seu gosto, que os outros imitam. Muitos ainda se apresentam em surdina, com as mãos enfiadas no meio das pernas, mas já há quem o faça alto e bom som, com braços no ar ou uma careta, prova de que simples brincadeiras são capazes de levar crianças dos três aos seis anos a vencer o desconforto da exposição. E se permitem isto, o que mais não haveriam de permitir?

Vânia Moreira, violoncelista, senta-se no meio deste grupo do Jardim de Infância Amélia Vieira Luís, em Carnaxide, para dirigir esta sessão da Orquestra de Afectos como uma verdadeira maestrina, dando espaço à expressão de cada um, mas pondo-os a todos a trabalhar na mesma direção. Distribui ovos musicais que são passados de mão em mão, orienta o ritmo, incentiva os miúdos a juntarem as suas vozes à sua, fala, ouve-os com atenção, teatraliza. E sugere ainda dinâmicas como a do condutor que ora está contente ora faz voz mais grossa, ou a da condutora mais tímida e daqueloutro mais… “Zangado!”, grita-se da roda. Vânia aproveita a deixa: “E a vocês, o que vos deixa zangados?”, pergunta ao grupo, inserido num território escolar onde a agressividade é um dado reconhecido.

“Quando queremos ver televisão e a mãe não deixa”, ouve-se. “Quando batem nas pessoas.” “O meu mano às vezes abusa.” A monitora cavalga a onda: “E o que podemos fazer para que fiquem menos zangados?” Sem respostas, Vânia engancha: “O que me ajuda a mim quando estou zangada é um abraço.” A resposta contenta o grupo, mas para a próxima, tentará abrir novos caminhos, apresentar soluções, ferramentas para as crianças saberem lidar com situações de zanga e agressividade, como lhe sugere, no fim da sessão, Daniela Leal, a psicóloga que acompanha o projeto.

Afinal, a Orquestra de Afectos candidatou-se à Iniciativa PARTIS – Práticas Artísticas para a Inclusão Social, financiada pela Fundação Gulbenkian, com esse propósito: “trabalhar a comunicação afetiva no jardim de infância através da música, como forma de mitigar relações conflituosas que resultam, em muito, numa transferência dos problemas dos bairros circundantes para a escola”, refere a candidatura. A música é, como na Orquestra Geração (a “irmã mais velha” da Orquestra de Afectos), a ferramenta para promover competências pessoais (afetividade, criatividade, comunicação, pensamento divergente) e sociais (relação afetiva aberta e diversa, baseada na calma e amabilidade) que lhes servirão para as suas vidas e para as dos que os rodeiam.

Porque se os miúdos são os beneficiários mais diretos das sessões, o projeto pretende envolver e desenvolver outras relações: das educadoras e auxiliares com os alunos, dos pais com a escola… A ideia é chegar ao maior número de pessoas, para que a dinâmica se estenda à comunidade educativa e sobreviva ao projeto.

O texto vai longo. Já se teatralizou a canção do girassol e a gambiarra de luz ténue que “traz calor”, conforto, passou por todos. Lá fora decorre uma rixa entre alunos mais velhos que passa despercebida. A sessão chega ao fim e despedimo-nos melodicamente: Está na hora do adeus / Para a sala vou voltar / Ao meu amigo do lado / Um abraço vou dar.

A música, como elo de ligação

Há dias em que alunas seniores da Orquestra Geração (OG) se juntam, com os seus instrumentos, às monitoras. O projeto Orquestra de Afectos nasceu quando Helena Lima, coordenadora artística do projeto, concluiu, através de atividades da Orquestra Geração nas escolas, que alguma da “agressividade observada tem origem numa idade prévia à entrada na OG e que a sua prevenção depende de uma abordagem que começa no jardim de infância”.

A realidade onde se insere o projeto não é desconhecida das alunas da OG. A sua presença é, pois, vista como uma grande mais-valia – “há uma proximidade etária e de contexto com a população que se pretende tocar”, explica Helena Lima. Em contrapartida, as alunas retiram da experiência valências importantes para a sua vida futura. Todos ficam a ganhar.

Projecto de “inclusão emancipada” diminui absentismo escolar entre crianças ciganas

Novembro 26, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 19 de novembro de 2019.

Alunos foram colocados como “o centro das atenções na sala de aula” por investigadores da Universidade do Minho, que trabalharam num agrupamento de escolas de Vila Verde, Braga.

Lusa

O projecto “Rise”, aplicado num agrupamento escolar de Vila Verde, Braga, “conseguiu” diminuir o absentismo e insucesso escolar de alunos ciganos ao “inverter” o paradigma Ensino/Apendizagem, procurando uma “inclusão emancipada” ao colocar o aluno “no centro das atenções”.

Em declarações à Lusa, a professora da Universidade do Minho e coordenadora do programa, RISE – Roma Inclusive School Experiences, Maria José Casa-Nova, explicou que o projecto assenta em três pilares: articulação entre famílias e escola; interculturalidade e diálogo; formação de professores e articulação curricular.

Com base neste projecto, que teve início em 2018 e termina em Março de 2020, pretende-se que seja feito um “booklet” de boas práticas para serem seguidas noutras escolas frequentadas por crianças ciganas e de outras minorias socioeconómicas, sendo que o “Rise” foi aplicado no pré-escolar, primeiro e segundo ciclo.

“Mais do que resultados quantitativos deste tipo de projectos é preciso retirar resultados qualificativos. Se por um lado é possível quantificar um menor abandono escolar e taxas de insucesso a diminuir, por outro é preciso salientar esses resultados foram conseguidos pela inversão do paradigma Ensino/Aprendizagem para Aprendizagem/Ensino, colocando o aluno como o centro das atenções na sala de aula”, explicou a docente da Universidade do Minho e também membro do Observatório das Comunidades Ciganas, Maria José Casa-Nova.

Para aquela “inversão”, os professores incluídos no projecto usaram “dispositivos pedagógicos” para levar os alunos a aprender as matérias escolares através do uso de mecanismos que fizeram deles “os protagonistas” das aulas.

“Por exemplo, foi pedido que levassem materiais para construir casas e nelas colocar aquilo que eles têm em casa deles. Neste exercício foi possível ver a multiculturalidade entre as crianças envolvidas e evidenciar as diferenças mas de forma positiva, enquanto aprendiam noções de matemática, meio físico e português”, apontou a investigadora.

Quanto ao primeiro dos pilares referidos por Maria José Casa-Nova, a participação das famílias nas actividades e dinamização escolar, a investigadora disse ser possível concluir que “os pais e familiares das crianças ciganas aderiram e entraram em diálogo com os pais das outras crianças, que se mostraram cada vez mais receptivos às suas ideias e forma de participar no contexto escolar”.

“Conseguiu-se criar uma rede de sociabilidade sem que tenha havido má recepção de nenhuma das partes”, salientou.

No segundo pilar, a formação dos professores, a investigadora apontou a “boa receptividade às acções de formação e o bom entendimento por parte dos docentes da inversão da equação Ensino/Aprendizagem”.

O terceiro pilar, a articulação curricular, “foi aquele do qual mais resultados qualitativos foi possível retirar com o uso e construção dos dispositivos pedagógicos”.

Para Maria José Casa-Nova uma das “mais-valias” do projecto é ter tornado possível “incutir nas crianças, desde cedo, a consciência o não-uso de práticas de desigualdade de género, trabalhar com elas para que percebam que homem e mulher podem fazer as mesmas coisas e que estão em igualdade de circunstâncias.

A coordenadora do “Rise”, embora reconhecendo que “estas alterações de mentalidades não acontecem num ano, nem em dois ou três”, salientou que “por algum lado tem que começar e ao começar desde cedo nos mais novos permite que eles levem estas ideias para casa e as comecem também a difundir e aplicar na sua comunidade”.

Por isso, Maria José Casa-Nova fala em “inclusão emancipada”: “Grande parte destas crianças, como outras noutros contextos socioeconómicos de descriminação, se não forem à escola buscar ferramentas de educação não as vão ter em lado nenhum. Por isso a escola tem que agir e formar ao mesmo tempo, trabalhando de forma a que cada sujeito possa fazer o seu caminho de emancipação”, explicou.

Os resultados do projecto, aplicado também em Itália e na Eslovénia, financiado pelo programa Direitos, Igualdade e Cidadania da Comissão Europeia, vão ser apresentados esta terça-feira na Universidade do Minho.

A partir de 1 de outubro de 2019, a Prestação Social para a Inclusão (PSI) é alargada a menores de 18 anos

Outubro 2, 2019 às 11:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Texto da Segurança Social de 2 de outubro de 2019.

Agora também para menores de 18 anos

A partir de hoje (1 de outubro de 2019), a Prestação Social para a Inclusão (PSI) é alargada à infância e juventude, destinando-se a apoiar as pessoas com deficiência/incapacidade nos encargos acrescidos resultantes da deficiência.

Esta prestação passa a ser atribuída também a menores de 18 anos, se forem residentes em Portugal e apresentarem uma incapacidade certificada (Atestado Médico de Incapacidade Multiuso) igual ou superior a 60%. O valor da prestação pode ainda ser majorado em 35% nas situações de agregados monoparentais.

A PSI continua a não ser acumulável com a prestação da bonificação por deficiência.

A partir e 1 de outubro a bonificação por deficiência destina-se apenas a crianças com idade igual ou inferior a 10 anos, salvaguardando-se os direitos para os titulares à data de 30 de setembro de 2019.

Tal como anteriormente, a Prestação Social para a Inclusão poderá ser requerida, através de formulário próprio, juntando a respetiva documentação:

  • Online, preferencialmente, através da Segurança Social Direta em http://www.seg-social.pt, no separador Família.
  • Presencialmente, em qualquer Serviço de Atendimento da Segurança Social através de Requerimento (PSI 1-DGSS).

Consulte também a monofolha informativa e o Guia Prático.

Governo lança novo programa para combater abandono escolar precoce e exclusão social

Setembro 3, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 6 de agosto de 2019.

Chama-se Segunda Oportunidade (Programa 2O) e é destinado a jovens com mais de 15 anos em risco de exclusão social, que não trabalham e não concluíram a escolaridade obrigatória

O Ministério da Educação lançou um novo programa de combate ao abandono escolar, denominado Segunda Oportunidade (Programa 2O), para jovens com mais de 15 anos em risco de exclusão social que não trabalham e não concluíram a escolaridade obrigatória.

Num despacho publicado esta terça-feira em Diário da República, assinado pelo secretário de Estado da Educação, João Costa, o Ministério da Educação (ME) afirma “que Portugal ainda apresenta um número significativo de alunos que abandona a escola sem concluir a escolaridade obrigatória” e apresenta o Programa 2O como uma solução para “responder a estes jovens, em regra, sinalizados no âmbito das comissões de proteção de crianças e jovens, pelas equipas multidisciplinares de apoio aos tribunais e por instituições de acolhimento de crianças e jovens”.

“O Ministério entende intervir através de uma resposta socioeducativa articulando iniciativas de entidades e instituições de natureza diversa. Na procura da reintegração escolar e socioprofissional deste público é reconhecida a estratégia e o trabalho desenvolvido pelas Escolas de Segunda Oportunidade (Second Chance Schools), através da adoção de um modelo pedagógico próprio e em articulação com a Rede Europeia de Escolas de Segunda Oportunidade (European Association of Cities, Institutions and Second Chance Schools)”, lê-se no despacho.

Numa nota divulgada pelo gabinete de imprensa do ME, a tutela refere algumas entidades, “como sejam a ‘Escola de Segunda Oportunidade’ em Matosinhos (vencedora do Prémio Manuel António da Mota), o Projeto ‘Arco Maior’, no Porto, e a Rede Europeia de Escolas de Segunda”, como exemplos de escolas com “experiências já desenvolvidas” e nas quais o ME se apoiou para desenvolver o programa que entra em vigor já no ano letivo de 2019-2020.

O programa parte da escola pública, que concebe os programas de formação e educação dos jovens que venham a integrar o Segunda Oportunidade, mas admite protocolos com entidades externas para “combater o abandono escolar de jovens sem emprego nem qualificação, proporcionando-lhes formação qualificada dirigida às suas necessidades, expetativas e interesses específicos, em alinhamento com o mercado laboral local”.

“O Ministério da Educação está empenhado em assegurar que, para além de outros programas e respostas existentes, há a possibilidade, no âmbito da escola pública, de acolher e de construir respostas ajustadas para este público, para quem as vivências em grupo ou turma se revelam propiciadoras de maior eficácia na sua formação escolar e socioprofissional”, lê-se no despacho.

Os jovens integrados em turma podem frequentar um programa integrado de educação e formação (PIEF) ou um curso de educação e formação para adultos (EFA), sendo que para todos é obrigatória a matrícula numa escola pública.

O diploma hoje publicado prevê ainda “a elaboração de plano individual de formação (PIF), de acordo com os interesses e a participação de cada jovem”.

Para todos os inscritos no Programa 2O está prevista a obrigatoriedade de acompanhamento “até dois anos após saída” do pograma.

“O presente despacho visa estabelecer as linhas orientadoras que presidem a um programa de intervenção junto de jovens, que abandonaram o sistema educativo e em risco de exclusão social, proporcionando-lhes formação qualificada dirigida às suas necessidades, expetativas e interesses específicos, em alinhamento com o mercado laboral local, beneficiando ainda de um acompanhamento de forma próxima ao desenvolvimento da sua autonomia e integração socioprofissional”, sintetiza o diploma.

Portugal comprometeu-se com a União Europeia a cumprir a meta de redução do abandono escolar precoce para 10% até 2020.

Atualmente a taxa fixa-se nos 11,8% e foi recentemente apresentada pelo Governo como a consequência da introdução do Programa Nacional de Promoção do Sucesso Escolar (PNPSE), na mesma altura em que foi anunciada a prorrogação por mais dois anos letivos do mandato da Estrutura de Missão para a Promoção do Sucesso Escolar

A Estrutura de Missão para a Promoção do Sucesso Escolar foi criada em 2016 no âmbito do programa nacional que o Governo lançou para tentar combater o insucesso escolar.

Projeto Da Rua para a Inclusão, do Instituto de Apoio à Criança, premiado pelo Prémio BPI Solidário 2018

Agosto 19, 2019 às 11:50 am | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Orquestra Geração. A música como perspetiva de futuro

Junho 18, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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A orquestra dirigida por Marija Mihajlovic esteve a atuar quarta-feira na abertura da Feira do Livro em Lisboa Foto Leonardo Negrão / Global Imagens

Notícia do Diário de Notícias de 1 de junho de 2019.

A Orquestra Geração da Santa Casa junta crianças e jovens acompanhados pela instituição, mas também filhos de funcionários, e tem por objetivo combater o insucesso escolar através da música.

Jéssica Silva, de 14 anos, descobriu a Orquestra Geração através das técnicas da segurança social. Chegou à formação de jovens músicos da Santa Casa para tocar violino. Com ela trouxe a amiga Cláudia Fernandes, de 13 anos, que toca violoncelo. Há pouco mais de um ano, foram juntas ver o que era a Orquestra, mas sem grande esperança de conseguir um lugar. “Viemos cá ver quais é que eram mais ou menos os instrumentos, mas não tínhamos a noção que íamos ficar, porque não estávamos assim muito motivadas”, recorda Jéssica.

As duas amigas chegaram tinha a Orquestra Geração Santa Casa apenas um ano. No arranque tinham 25 músicos, “jovens que nunca tinham visto um instrumento de música clássica”, sublinha António Santinha, diretor da Unidade de Apoio à Autonomia da Infância e Juventude da Santa Casa. Neste momento, são 35 elementos, dos seis aos 15 anos, do que é para já apenas uma orquestra de cordas. No próximo ano, a Santa Casa tem prevista a introdução de sopros, o que deve implicar mais dez elementos.

O projeto – que se inspira no Sistema Nacional de Orquestras Juvenis e Infantis da Venezuela e tem como objetivo combater o abandono e insucesso escolar através do ensino da música – nasceu para “tornar acessível a cultura a todas as crianças, que dificilmente noutras condições teriam acesso a alguns instrumentos de cultura”, explica o responsável da Santa Casa. Integram este projeto as crianças que vivem nas casas de acolhimento da Misericórdia de Lisboa, crianças de famílias acompanhadas pela instituição e também filhos de funcionários.

A expectativa inicial era de perceber como é que as crianças iam reagir. Agora, chegam de todos os pontos da cidade – a Santa Casa trata da logística dos transportes – para aprender a tocar um instrumento. “Os miúdos neste momento estão entusiasmados. Uns, no intervalo vão jogar futebol, outros ficam a aprofundar os seus estudos com os instrumentos”, exemplifica, orgulhoso António Santinha.

Os alunos vão começar agora, ao fim de dois anos, a levar os seus instrumentos para casa, a “cuidar do seu instrumento”. Desta forma, aponta o responsável, vão colocar “instrumentos de música, pelos quais os miúdos têm grande afeto e carinho, em sítios onde a cultura às vezes não é tão valorizada e onde não é muito habitual encontrar este tipo de instrumentos e este tipo de atividades.”

O cuidado com os instrumentos

A relação especial de cuidado e carinho com os instrumentos é algo que António Santinha frisa na evolução das crianças e jovens que integram a Orquestra Geração. E de repente o projeto que quer levar a cultura a estes miúdos acaba por fazer nascer neles o desejo de serem músicos. “Vemos que alguns miúdos, de facto, estão muito interessados nos estudos.” A ajudar a esse entusiasmo, António Santinha não tem dúvidas que estão os professores. Um desses exemplos é Marija Mihajlovic Pereira, professora do naipe de violinos e preparadora orquestral. Está há um ano e meio na Orquestra. Começou por ser professora convidada e acabou por ficar a tempo inteiro.

Marija olha para os seus alunos e a primeira palavra com que os descreve é “diversificados”. Nas idades, no comportamento, na nacionalidade, e outros aspectos. “Temos alunos dos 6 aos 15 anos e isso exige um trabalho de abordagem muito diversificado do professor para abranger essas idades”, aponta. Durante a semana, têm três horas de aulas e aos sábados mais quatro. São momentos que os aprendizes de músicos passam com o instrumento que tocam.

E embora haja diferenças entre os mais “dedicados” e os mais “de brincadeira”, “todos eles acabam por se envolver de alguma forma”, defende a professora. Marija considera ainda o grupo “unido” e diz que teve “uma boa evolução” desde o arranque da Orquestra. E essa evolução é medida não só em termos musicais: “Evolução social, musical, da convivência, de empenho e de uma forma muito particular que faz esse projeto bem especial para mim, porque muitos deles sentem isto como uma segunda casa. É uma instituição acolhedora não só para eles, mas também para os professores”, elogia.

Como professora de um grupo de crianças e jovens que não tinha qualquer contacto com a música antes, Marija Mihajlovic Pereira elogia a entreajuda. “Os que aprendem primeiro puxam com tanta força os outros que eles rapidamente se agrupam.”

“Nem conseguia colocar bem o primeiro dedo”

Do lado dos alunos, também há o elogio ao esforço de quem ensina. “Os professores desta escola são melhores do que os professores da escola normal porque interagem mais com os alunos. Aqui conseguimos falar se estamos tristes ou se temos alguma coisa. Os professores perguntam”, refere Jéssica Silva.

Antes dos concertos, os professores insistem “na disciplina de concentração, não interagir com o público no concerto. Na hora do concerto eles dizem que sentem o coração a bater. Acho que ficam felizes”, descreve Marija Mihajlovic Pereira. E quantos mais concertos fazem, mais confiança de palco ganham. A Orquestra Geração já tem “uma tournée quase”, descreve António Santinha. Tocaram no primeiro dia da Feira do Livro de Lisboa, na passada quarta-feira, são presença assídua na Feira de Natal da Santa Casa, além de muitas solicitações da paróquia e de festas, que nem sempre conseguem cumprir devido à conciliação que é necessária com os horários da escola.

Mas mesmo que não consigam dar tantos concertos como gostariam, o importante, acredita António Santinha, é deixar nos músicos da Orquestra a ideia de que “a cultura alarga o leque de possibilidades de escolha e alarga o horizonte”. “Muitas vezes, em crianças e jovens que vêm de meios menos favorecidos, aquilo que nós notamos é a dificuldade no seu horizonte de futuro, e este tipo de atividades, em que eles podem sobressair, alargam o horizonte – porque

Amanda Silva diz que o seu professor “é um chato”, mas acaba por confessar que se dão bem. Aos 15 anos descobriu por acaso a paixão pelo contrabaixo. A aluna do 9.º ano recorda a sensação “estranha” de tocar nos instrumentos. Depois de tentar vários instrumentos acabou por escolher o contrabaixo: “Agora adoro.”

Amanda ainda se lembra de que quando chegou à Orquestra não tinha qualquer noção do instrumento. “No início nem conseguia colocar bem o primeiro dedo como deve ser que saía desafinado. Agora já consigo tocar bastante bem e andar mais rápido no contrabaixo.” A jovem é um dos elementos da Orquestra que quer seguir carreira. “Penso 24 horas por dia no contrabaixo. Penso logo tenho que acabar as aulas para começar a tocar.”

Sobre o ambiente da orquestra só tem coisas boas a dizer. “Aqui perdi a vergonha, posso falar com quem quiser que somos todos amigos.” Além de que é um espaço que a ajudou a encontrar a sua vocação. E nem os concertos a assustam. “Só fico nervosa um bocadinho antes. Quando estou lá já passaram os nervos, toco, penso em outras coisas.”

Antes dos concertos, os professores insistem “na disciplina de concentração, não interagir com o público no concerto. Na hora do concerto eles dizem que sentem o coração a bater. Acho que ficam felizes”, descreve Marija Mihajlovic Pereira. E quantos mais concertos fazem, mais confiança de palco ganham. A Orquestra Geração já tem “uma tournée quase”, descreve António Santinha. Tocaram no primeiro dia da Feira do Livro de Lisboa, na passada quarta-feira, são presença assídua na Feira de Natal da Santa Casa, além de muitas solicitações da paróquia e de festas, que nem sempre conseguem cumprir devido à conciliação que é necessária com os horários da escola.

Mas mesmo que não consigam dar tantos concertos como gostariam, o importante, acredita António Santinha, é deixar nos músicos da Orquestra a ideia de que “a cultura alarga o leque de possibilidades de escolha e alarga o horizonte”. “Muitas vezes, em crianças e jovens que vêm de meios menos favorecidos, aquilo que nós notamos é a dificuldade no seu horizonte de futuro, e este tipo de atividades, em que eles podem sobressair, alargam o horizonte – porque viajam, vão para fora do seu bairro, porque se encontram com outros miúdos, porque trocam impressões com outras pessoas que têm profissões diferentes.”

 

 

 

 

Investir em educação para a primeira infância é melhor ‘estratégia anticrime’, diz Nobel de Economia

Junho 10, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da BBC News de 21 de maio de 2019.

Luiza Franco Da BBC News Brasil em São Paulo

James Heckman já era vencedor do Nobel de Economia quando começou a se dedicar ao assunto pelo qual passaria a ser realmente conhecido: a primeira infância (de 0 a 5 anos de idade), sua relação com a desigualdade social e o potencial que há nessa fase da vida para mudanças que possam tirar pessoas da pobreza.

Em grande parte por causa de seus estudos, o assunto tem ganhado mais atenção nos últimos anos. Heckman concluiu que o investimento na primeira infância é uma estratégia eficaz para o crescimento econômico. Ele calcula que o o retorno financeiro para cada dólar gasto é dos mais altos.

Isso porque, na etapa entre o nascimento e os cinco anos de idade, o cérebro se desenvolve rapidamente e é mais maleável. Assim, é mais fácil incentivar habilidades cognitivas e de personalidade – atenção, motivação, autocontrole e sociabilidade – necessárias para o sucesso na escola, saúde, carreira e na vida.

No início dos anos 2000, Heckman começou a se debruçar sobre os dados do Perry Preschool Project, experimento social que mudou a vida de seus participantes. Ele funcionou assim: em 1962, na pequena cidade de Ypslanti, no Estado do Michigan, nos Estados Unidos, 123 alunos da mesma escola foram divididos aleatoriamente em dois grupos.

Um deles, com 58 crianças, recebeu uma educação pré-escolar de alta qualidade e o outro, com 65, não – este último é o grupo de controle. A proposta era testar se o acesso a uma boa educação infantil melhoraria a capacidade de crianças desfavorecidas de obter sucesso na escola e na vida.

“O consenso quando comecei a analisar os dados era de que o programa não tinha sido bem sucedido porque o QI dos participantes era igual ao de não participantes”, lembra ele, anos depois, em conversa com a BBC News Brasil.

Heckman e colegas resolveram analisar os resultados do experimento por outro ângulo. “Nós olhamos não para o QI, mas para as habilidades sociais e emocionais que os participantes demonstraram em etapas seguintes da vida e vimos que o programa era, na verdade, muito mais bem sucedido do que as pessoas achavam. Constatamos que os participantes tinham mais probabilidade de estarem empregados e tinham muito menos chance de ter cometido crimes”, diz o economista.

Sua análise do programa Perry chegou à conclusão de que houve um retorno sobre o investimento de 7 a 10% ao ano, com base no aumento da escolaridade e do desempenho profissional, além da redução dos custos com reforço escolar, saúde e gastos do sistema penal.

Mais de 50 anos depois do início desse programa, Heckman divulgou, neste mês de maio, nova pesquisa, feita com seu colega na Universidade de Chicago, Ganesh Karapakula, que confirma esses resultados e mostra que não apenas os participantes se beneficiaram do programa pioneiro, mas também seus filhos, estes mais escolarizados e bem empregados do que seus pares.

Leia os principais trechos da entrevista:

BBC News Brasil – Como era o currículo do Perry e por que ele foi tão bem-sucedido?

James Heckman – Quando comecei a estudar isso, também pensava no projeto como um currículo, mas não é – nem o Perry era e nem outros programas de educação infantil de qualidade são. Não são exatamente salas de aula. São como uma família estendida. São grupos pequenos de crianças, recebendo muita atenção, orientação, muitos estímulos.

No caso do Perry, eles pegavam crianças de famílias muito pobres e levavam para a creche. Era como ser pais – ficavam muito tempo com a criança e davam uma mentoria a ela. Levavam as crianças ao zoológico, ao parque, brincavam com elas. Isso dava à criança a oportunidade de interagir com seus pares. Por isso, funcionou. O programa também tinha visitas semanais aos pais.

Os pais ficaram muito empolgados. A criança voltava para casa entusiasmada. E os pais acabavam estimulando a criança ainda mais. As lições desse programa também são transferíveis para programas de visita (às casas dos pais, nos quais um educador ensina os pais como estimular seus filhos pequenos), ainda que eles pareçam ser diferentes. Uma lição é como é importante a vida doméstica na formação.

Um programa que está sendo implementado na Jamaica, por exemplo, consiste de passar uma hora por semana com a mãe ensinando como ela pode interagir com as crianças – desafiá-la, engajá-la. O preço não é tão alto e o retorno é enorme.

BBC News Brasil – O que te chamou a atenção nos dados sobre ele?

Heckman – Muitas pessoas diziam que o programa era um fracasso porque o QI dos participantes era igual ao de não participantes. Esse foi o consenso no início. Nós olhamos para outras coisas – as habilidades sociais e emocionais que os participantes demonstraram em etapas seguintes da vida.

Eles desenvolvem habilidades executivas – de planejamento, de interação, de cumprimento de tarefas, seguir instruções. Olhamos para sua empregabilidade, participação no crime. E assim vimos que o programa tinha sido muito mais bem sucedido do que as pessoas achavam, porque eles só estavam avaliando por um ângulo restrito (o do QI).

Em todos os países onde esse assunto foi pesquisado conclui-se que desigualdade na primeira infância se mantém nas etapas posteriores. O ambiente nos primeiros anos é muito importante. Nessa fase você constrói uma base de habilidades que vão te servir para o futuro.

Crianças pequenas são muito maleáveis e mutáveis. Há uma flexibilidade nessa etapa que não se vê em outras. É uma questão de eficiência econômica.

BBC News Brasil – No entanto, em geral, mais atenção é dada à educação em etapas seguintes da vida. Por que é difícil mudar isso?

Heckman – Porque os pais de crianças desfavorecidas não sabem o que faz elas ficarem para trás. Na verdade, só é preciso estimulá-las. Há estudos que mostram que ler para as crianças já tem um impacto enorme no desenvolvimento delas.

Além disso, as pessoas não têm tempo. Não estou dizendo que as mães não devem trabalhar e passar o dia em casa com os filhos, mas esses anos iniciais precisam ser enriquecidos. Uma solução é pré-escola de qualidade.

BBC News Brasil – Acha que os governos têm dado mais atenção nas últimas décadas à primeira infância? Quais são os desafios nesse sentido?

Heckman – O desafio é mudar a forma de pensar. A forma errada é pensar que a educação formal é o caminho para a criação de habilidades e que o modelo de professor em pé na frente da turma lecionando para crianças é o jeito certo de gerar vidas bem sucedidas. Esse raciocínio é promovido inclusive por cursos superiores de educação e por pessoas bem intencionadas. Mas o que importa é pensar na família e na formação da criança.

BBC News Brasil – No caso do Perry, vocês concluem que os benefícios se estendem para a segunda geração. Como acontece essa transferência de uma para a outra?

Heckman – Os participantes são pessoas bem sucedidas. Eles têm estatisticamente uma chance muito menor de ter cometido crimes. Vemos que há muita correlação entre atividade criminal dos pais e dos filhos. Os pais do Perry reproduzem com os filhos o que aprenderam na infância.

BBC News Brasil – Suas pesquisas mostram que homens se beneficiam desses programas muito mais do que mulheres. Por que isso acontece?

Heckman – Meninos são mais sensíveis (às mudanças) e têm mais chance de entrar para o mundo do crime. As meninas também se beneficiam, mas o risco que elas correm é muito inferior aos meninos.

Há uma influência social que na prática separa meninos de meninas muito cedo. Mas também é verdade que meninas de três anos de famílias desajustadas têm maior chance de se engajar em atividades como leitura de livros e menos chance de estarem se metendo em encrencas. As pessoas não querem falar sobre isso, mas é verdade.

Os meninos se desenvolvem num ritmo diferente e as meninas parecem conseguir se estruturas mais facilmente do que meninos. As meninas são mais resilientes.

De modo geral, quando meninos são criados em famílias onde só há a mãe, sem figuras paternas, eles têm mais dificuldade de obter orientação na vida. O laço entre filhas e mães é diferente da mãe com o filho. A mãe ama o filho, mas é diferente.

BBC News Brasil – Qual é a relação entre bom desenvolvimento infantil e crimes?

Heckman – Esse é o principal resultado de todos esses programas de educação infantil. O maior retorno para cada dólar investido em todos eles é a redução de crimes e a criação de um ambiente encorajador para as crianças.

As pessoas ignoram isso, mas é importantíssimo. É por isso que esses programas são tão bem sucedidos para homens. É uma estratégia anticrime. Nem que fosse só por isso deveriam ser levados a sério como política pública.

BBC News Brasil – Se a pessoa não tiver a oportunidade de se desenvolver na primeira infância, é caso perdido?

Heckman – O desenvolvimento acontece em outras etapas da vida. No entanto, uma etapa leva a outra. A criança bem formada consegue aproveitar melhor aprendizados futuros. Mas não devemos desistir das pessoas depois de uma certa idade. Isso não é verdade.

BBC News Brasil – Alguns críticos dizem que os resultados do Perry têm de ser vistos com cuidado pois o programa foi implementado num contexto muito particular, o que torna temerário extrapolar seus resultados. O que acha disso?

Heckman – Se você fizer uma imitação e aplicar o Perry de 1960 para Porto Alegre em 2019 seria loucura. Há adaptações culturais que precisam ser feitas. Mas os mecanismos que descrevemos são replicáveis. Ensinar os pais a se engajar na vida da criança, isso dá resultado no resto da vida

 

 

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