Esta escola já não é só para ciganos

Novembro 10, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Adriano Miranda

Reportagem do Público de 28 de outubro de 2018.

Ana Cristina Pereira (texto), Adriano Miranda (fotografia) e Ana Marques Maia (vídeo)

Escola do 1.º ciclo de Paradinha, em Viseu, só tinha crianças ciganas residentes num bairro de má fama. O jardim-de-infância, pelo contrário, era um modelo de inclusão. Um grupo de pais de crianças não ciganas do jardim-de-infância decidiu mantê-las em Paradinha, transformando a escola num lugar para todos e para cada um.

Há mais de dez anos que não se via crianças não ciganas na velha Escola de Paradinha, a três quilómetros do centro de Viseu. Havia-as no jardim-de-infância, a funcionar num edifício à parte, com entrada independente. Chegada a idade escolar, distribuíam-se por outras escolas do concelho.

Agora, no 1.º ano, há quatro crianças ciganas e oito crianças não ciganas, incluindo um menino com trissomia 21 e outro com paralisia cerebral. Agora, estudantes ciganos e não ciganos almoçam juntos no refeitório, correm atrás da bola, aprendem a desenhar letras “bonitas” e muitas outras coisas.

O que aconteceu? Nas palavras do director do agrupamento Infante D. Henrique, João Caiado: “Aqui o fundamental foi os miúdos do grupo maioritário quererem dar seguimento na Escola de Paradinha. Os pais, em boa hora, decidiram mudar a escola. E tiveram apoio para fazer isso.”

Ainda não está tudo como os pais e as crianças imaginaram, mas Emília, uma menina cigana de seis anos, já acha que a escola está “muito fixe”. Luísa, uma menina não cigana de cinco, confessa que gostava de ver alguma cor no tecto. Maria, uma menina não cigana de seis, põe-se logo a imaginar um céu. Há-de ser “a melhor escola de Viseu”, acredita Tomás, um menino não cigano da mesma idade. Poderá inspirar outras comunidades escolares pelo país fora?

Escola-gueto versus escola inclusiva

Para perceber a história que aqui se vai contar convém, desde já, saber que o pré-escolar e o 1.º ciclo não funcionavam apenas em edifícios separados por um gradeamento, só interrompido por um portão quase sempre fechado. Um era uma espécie de gueto e o outro uma espécie de modelo de inclusão.

Num lado, está um edifício do Plano dos Centenários, o megaprojecto de construção de escolas desenvolvido pelo Estado Novo. Lá dentro, arrumavam-se 20 alunos — os do 1.º e do 2.º ano numa sala e os do 3.º e do 4.º ano noutra, todos virados para o quadro de ardósia e para o quadro interactivo, sem livros que não os manuais escolares. Lá fora, um simples pátio de gravilha e terra batida.

No outro lado, está um edifício moderno. Lá dentro, 20 crianças circulavam por duas salas e um polivalente, com quadro de presenças, quadro com agenda semanal, quadro de tarefas, quadro de actividades, quadro interactivo, vídeos, livros, jogos, instrumentos musicais. Lá fora, uma casinha de madeira, um baloiço rústico, uma pista com pneus verdadeiros, projectos em curso.

O pré-escolar inspira-se no Movimento da Escola Moderna. Os alunos participam na planificação do dia-a-dia, trabalham (em pares ou pequenos grupos) numa lógica de entreajuda, integram a avaliação. A escola de 1.º ciclo seguia o método tradicional. O que ditava esta diferença? Uma pessoa: a educadora.

Uma educadora invulgar

Conceição Neto esteve colocada em Lisboa, na educação especial. Andou por Macau, antes de esse território transitar para a China. Regressou a Viseu em 1998. Não lhe pediram que desse apoio em várias escolas, como seria de esperar. Pediram-lhe que ficasse em Paradinha. Receberia crianças com paralisia cerebral e crianças ciganas residentes do bairro social situado a cerca de um quilómetro.

O bairro fora inaugurado no ano anterior. Os três blocos, dispostos em forma de “U”, incluíam 104 apartamentos, 99 dos quais propriedade da câmara. E esses acolhiam muitas famílias ciganas até então a viver nas barracas demolidas para dar lugar à construção dos acessos ao Hospital de São Teotónio. A escola, obrigatória, dizia-lhes pouco. O pré-escolar, não obrigatório, menos ainda.

“Estava de passagem, mas fui ficando”, recorda Conceição Neto, abrindo-se num sorriso. Pôs-se a fazer formação em educação de infância e em novas pedagogias, o que a aproximou da Escola Superior de Educação de Viseu. Atendendo à diversidade funcional e étnica, Paradinha tornou-se um local de estágio. Alguns professores começaram a inscrever as suas crianças ali. Entre eles, Mara Maravilha, que desenvolve trabalho artístico nas áreas de performance, teatro/cenografia e instalação.

Mara tem ali as duas filhas —  Maria, de seis anos, e Carlota, de três — e nem sabe dizer quantas vezes ouviu: “Com tantas escolas em Viseu, foste pôr as tuas filhas em Paradinha!” Outros pais relatam experiências semelhantes. Joana Medeiros, por exemplo, fazia questão de dizer que o filho, Bernardo, de seis anos, frequentava o Jardim-de-Infância de Paradinha e amiúde perguntavam-lhe: “Tem muitos ciganos?” Respondia: “Tem, tem! Funciona limpidamente!”

Bernardo começou a ler antes dos quatro anos. “No ensino normal, era um bicho. Um dia, chegou a casa a dizer que não queria mais ir para a escola”, conta a mãe. Ali, recuperou a alegria de aprender. A turma funcionava como uma comunidade democrática e cooperante. Ele podia ler para os outros e os outros podiam ajudá-lo a fazer qualquer coisa que lhe custasse mais.

“Além das boas condições, existe a parte humana que faz a diferença”, corrobora Daniel Lourenço, pai de Diogo, o menino com paralisia cerebral, referindo-se à educadora e às auxiliares. “Os miúdos gostam de estar aqui. Eles adaptam-se. O meu filho evoluiu imenso. A questão da etnia não é factor de conflito — nem entre miúdos nem entre pais, que convivem nas festas.”

Ao aproximar-se a idade de transição para o 1.º ciclo, os pais de seis crianças não ciganas e os pais de uma criança cigana começaram a pensar na mudança de escola. Não encaravam Paradinha como uma opção. Desde 2008 que a Escola de Paradinha só acolhia crianças ciganas residentes no bairro social homónimo. Muitas tinham dificuldade em concentrar-se, em cumprir regras, em respeitar colegas, professores e auxiliares. A indisciplina, o absentismo e o insucesso marcavam o quotidiano.

Mara desanimou-se logo no início das “buscas”: “É tão triste chegar a uma escola e encontrar aquilo que vivi há 30 anos — o ensino em gavetas, as crianças sentadas o dia inteiro, de costas voltadas umas para as outras, em comboio, a absorver a matéria.” Não desejava sujeitar a filha àquilo. Procurava uma escola pequena, que melhor se ajustasse à menina, ainda “em estado de encantamento e de curiosidade pelo mundo”. E ia partilhando as suas angústias com outros pais.

No princípio de Março, Mara foi buscar as filhas ao mesmo tempo que Ângela Fernandes, mãe de um menino chamado Sebastião, de quatro anos. Enquanto as crianças saltitavam até ao portão, elas tratavam de pôr a conversa em dia. “Já sabes onde vais pôr a Maria?”, perguntou Ângela. “Ainda não”, respondeu Mara. “Ontem à noite, eu e o Sebastião estivemos a conversar. Ele disse que queria ficar na Escola de Paradinha, eu disse-lhe que não e ele ficou muito indignado.”

A primeira reacção de Mara foi: “Esquece! Não vamos colocar os nossos filhos nesta escola, conhecendo nós a realidade!” Ao entrar no carro, já ponderava: “O Sebastião tem razão… Por que não podem ele e as outras crianças continuar aqui, com a mesma qualidade que têm no jardim?”

Uma abertura inesperada

Naquela mesma noite, Mara mandou uma mensagem à educadora. Na manhã seguinte, Conceição barafustou: “Não! Nem pensar! Não vamos pôr uma criança [não cigana] sozinha numa escola 100% de etnia [cigana]!” “Sempre defendi que a inclusão se faz pela positiva, não pela negativa”, diz.

Enquanto representante dos pais, Mara queria, pelo menos, questionar o director. Imaginou João Caiado a dizer que ela era livre de matricular a filha em Paradinha. Preparou-se para fazer a defesa da escola pública de qualidade, esgrimir argumentos capazes de o fazer entender que aquela escola era imprópria. E ele surpreendeu-a ao sugerir-lhe que se juntasse a outros pais e criasse um projecto educativo.

“Eu tinha ideia de que era com vontade e força que se mudavam as coisas, mas não tinha ideia de que podia ser recebida com uma proposta destas”, admite Mara. Finda a reunião, telefonou à educadora. Assim, de repente, parecia-lhe “uma óptima ideia a possibilidade de falar com outros pais”. No dia seguinte, já não sabia. “Acordei a pensar que, se calhar, não valia a pena.” Só que, entretanto, a educadora já falara com Daniel Lourenço e ele estava empolgado: “Vamos avançar!”

Num instante, outros pais se animaram. Nelson Martins e a mulher, Carla Nines, por exemplo, notavam a ansiedade no filho, David, de seis anos. “Eu gostava que ficássemos juntos”, repetia o menino. E desejavam que ele continuasse com os amigos e com o método de ensino, mas não viam como. “Há uma grande cumplicidade entre eles. Gostam muito de estar uns com os outros”, diz Nelson.

Aliaram-se seis famílias não ciganas. Puseram-se a ler, a discutir, a pensar em modos de quebrar a separação entre o pré-escolar e o 1.º ciclo, reduzir o absentismo e o insucesso, reforçar a capacidade pedagógica, promover “uma resposta de qualidade a todos e a cada um”. No dia 19 de Março, davam por terminada a primeira versão do Projecto Paradinha — Escola e Comunidade.

Convencidos de que a escola, tal como estava, era parte do problema, porque não dava oportunidade para pensar, desenvolver a criatividade, perceber a importância da educação para a vida, e pegando no Projecto de Autonomia e Flexibilidade Curricular dos Ensinos Básico e Secundário, aprovado pelo Governo em 2017, delinearam o modo de dar continuidade ao pré-escolar.

A alegria das crianças

A poucos dias das férias de Verão, as crianças soltavam a imaginação sobre o que seria a nova escola de 1.º ciclo. Isso mesmo se podia verificar ao juntá-las num banco corrido do jardim-de-infância.

“Nós queremos fazer um escorrega lá”, dizia Simão, um menino cigano, de seis anos, muito assíduo e pontual. “Tudo igual aqui”, anunciava Bernardo. Igual como? “Pneus. Uma pista. Uma casinha de madeira”, explicou. “Isso já temos aqui. Podem vir brincar aqui”, esclareceu a educadora. O portão passaria a estar sempre aberto. “Baloiços!”, tornou Simão. “Uma escalada”, propôs Maria, clara líder do grupo. “Três baloiços”, tornou Simão. “Uma escalada para crescidos”, continuou Maria. “Um buraco”, voltou Simão. “Se não quisermos ler mais, vamos para o buraco e saímos!”

Simão estivera para não ser matriculado na Escola de Paradinha. “A mãe da Maria foi lá a casa falar com a minha mãe”, contou ele.

A mulher, de 26 anos, não tardaria a confirmar a versão do filho. “A Escola de Paradinha não tem condições”, enfatizou. “As professoras não se preocupam. Se as crianças souberem, sabem; se não souberam, não sabem. São ciganos, acabou! Não tem de saber ou deixar de saber! Nunca quis isso para os meus filhos.” Já por isso, matriculara a filha, agora com nove anos, na Escola de Jugueiros.

Nadja Soares não pode ir às reuniões de pais. Está em regime de obrigação de permanência na habitação. Está quase sempre confinada ao apartamento, ao qual se acede subindo por umas escadas atravancadas de tralha alheia. Quase só tem autorização para ir ao médico ou para levar as crianças a alguma consulta.

Mara Maravilha foi a casa dela. “Explicou-me que vai haver uma nova vida nesta escola, que vai ser uma melhor vida. Se vir que o meu filho não aprende, retiro logo e ponho onde está a minha filha e acabou”, avisou. “Quero que os meus filhos tenham estudos. Por sermos ciganos, não temos de ser marginais.”

Naquele dia, no jardim-de-infância, estavam a faltar Emília e Débora. No grupo que ia transitar para o 1.º ciclo, tirando Simão, só havia crianças não ciganas. “Há algum problema por Simão ser cigano?”, perguntou a educadora. “Não”, responderam os outros, em coro. “Há algum problema por irem para uma escola com mais meninos ciganos?”, tornou a perguntar. “Não!”

Dezenas de faltas

Um ar de esperança soprava no Bairro de Paradinha. “Estamos contentes”, admitia Vanessa Torres. Tinha a filha, Iasmin, de sete anos, a frequentar o 1.º ano, e o filho mais velho, José, de nove, a frequentar o 2.º ano. “Gostava que tivessem contacto com outras crianças. É uma emoção que a gente sente ao saber que há pessoas que se importam com as nossas crianças e que não têm o preconceito que muita gente tem.”

A escola, assim, não lhe servia. Já ponderava transferir as suas crianças. Outras mães ameaçavam fazer o mesmo.

“O meu filho tem 11 anos. Andava no 3.º ano com os livros do 2.º”, queixava-se Carla Cabeças, mãe de um rapaz chamado Isaque, que gosta de usar uns óculos enormes e sem lentes, só pelo estilo. “Um dia mais tarde quer tirar uma carta de condução e não consegue.” Carina Pinto repetia a queixa, mostrando o caderno do filho, Isaías, também ele no 3.º ano com livros do 2.º: “Só faz desenhos!” Por ele, já não ia à escola. “Anteontem, quando acordei o meu filho para ir para a escola, ele disse: ‘Ó mãe, o que faço lá? Fico cansado. Não faço nada. Só brinco!’”

O único Estudo Nacional Sobre as Comunidades Ciganas — feito por Manuela Mendes, Olga Magano e Pedro Candeias, em 2014, a pedido do Alto-Comissariado para as Migrações — destapa percursos escolares curtíssimos. Os investigadores encontraram uma taxa de analfabetismo de 15,5%; cerca de 30% não tinham completado o 1.º ciclo; 39% tinham concluído apenas o ensino básico, maioritariamente o 1.º ciclo; só 6% terminaram o 3.º ciclo; 2,5%, o secundário.

O percurso daquelas três mães reflectia essa realidade. Vanessa saiu da escola aos 12 anos. Carina também saiu com essa idade. Carla saiu aos 13. E essa era a história da maior parte das ciganas portuguesas que têm hoje à volta de 30 anos. Já não é o percurso da maior parte das crianças da idade das suas.

Em 20 anos, mais do que duplicou o número de crianças ciganas a frequentar o ensino obrigatório. Perfil Escolar da Comunidade Cigana, que caracteriza os alunos matriculados nas escolas públicas do continente no ano lectivo 2016/2017, mostra que o pré-escolar amedronta cada vez menos, que o 1.º ciclo está praticamente garantido, que há uma quebra do 1.º para o 2.º ciclo, outra do 2.º para o 3.º, que é nesta última etapa do ensino básico que há mais abandono, que poucos frequentam o secundário, embora haja cada vez mais gente a fazê-lo (alguns até tiram cursos superiores).

Nem Vanessa, nem Carla, nem Carina teorizaram sobre a história de exclusão e a defesa da cultura cigana. Não se puseram a falar na importância da virgindade das meninas, nas quais a tradição deposita a honra das famílias. Tão-pouco sobre a centralidade do casamento, que tende a celebrar-se em idade precoce. Focaram, sim, a fraca qualidade do ensino e o pouco que se espera de crianças como as suas.

As duas professoras, Célia Oliveira e Luísa Sousa, por sua vez, invocavam a desvalorização da escola, a fraca motivação para trabalhar, a dificuldade em ficar num espaço fechado, a relutância em cumprir regras, o fortíssimo absentismo. O interesse dos pais também lhes parecia, de um modo geral, reduzido. “Pede-se que venham buscar a avaliação e não vêm”, exemplificavam.

Era extenso o registo de faltas (justificadas e injustificadas). O ano ainda não tinha terminado e na turma do 1.º ano já havia uma criança com 114 faltas, outra com 59, outra com 36, outra com 37. No 2.º ano, havia uma criança com 102 faltas, outra com 73, outra com 69, outra com 53. Os colegas tinham menos, mas não poucas: 43, 37, 31, 23, 11. Os cinco alunos do 3.º ano também somavam dezenas de faltas: 58, 54, 31, 27, 20. No 4.º ano, só um aluno tinha 44 faltas e o outro 22.

O exemplo de Maria Elisa, de 38 anos, seria paradigmático. Também se queixava do pouco que aprendera a neta que está a criar, Lucinda, de oito anos. “Ela está no 2.º ano e ainda não sabe as letras todas, só sabe algumas!” Só que não a obrigava a ir à escola. “Batiam-lhe e ela não queria ir!”

“O meu filho só não vai à escola se tiver alguma dor ou se for ao dentista”, apressava-se a afirmar Carla. “O meu também não falta”, assegurava Carina. O problema, para elas, era a escola e as professoras. “Elas não se esforçam porque é tudo cigano”, acusava Carina.

Estavam com fé naquilo a que chamavam “o projecto da Mara”. Ao fazer o projecto, Mara e os outros pais tinham ouvido os seus anseios. “Os miúdos vão querer ir à escola”, acreditava Daniel. “E vão levar para casa essa alegria. Porque é o que acontece com os nossos filhos aqui.”

Professoras escolhidas a dedo

O perfil da equipa educativa sempre pareceu fulcral aos pais que se juntaram para mudar a escola. Não queriam professores colocados por uma lista de ordenação. Isso não garantiria estabilidade, nem formação na pedagogia da Escola Moderna, nem motivação para trabalhar com turmas com diversidade cultural.

Escreveram ao ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, e à secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Rosa Monteiro, que teve uma criança no Jardim-de-Infância de Paradinha. “Entendam, por favor, este nosso apelo como um grito de esperança e mudança no que consideramos ser a última oportunidade para transformar este espaço novamente numa escola”, lê-se no documento, datado de 16 de Abril. “Vemos nesta escola um problema grave para resolver, sim, mas também uma oportunidade única, e com sentido, de fazer dela uma ESCOLA de qualidade para TODOS.”

“Dentro do agrupamento, não apareceu nem um professor interessado”, revelou João Caiado. Desconfia que não foi por não terem a formação necessária (ou hipótese de a fazer). “Acho que se assustam com a ideia de trabalhar em Paradinha. Há muito que esta escola é evitada.”

O bairro quase só é notícia por más razões. Há dois anos, fez manchete o julgamento de 55 pessoas acusadas de tráfico de droga. Até Janeiro de 2014, haveria três pessoas a vender. Depois, houve detenções do Bairro da Balsa. A partir daí, e até Março de 2015, terá passado a haver uma lista de famílias que se revezavam. O Tribunal de Viseu condenou 46 pessoas, 30 das quais com pena suspensa.

No ano passado, o presidente da câmara, Almeida Henriques, pediu ao Governo um reforço de segurança naquela zona. “Não desejamos nem aceitamos que se alastre o sentimento de insegurança que é típico do modo de vida de bairros problemáticos de grandes cidades, mesmo que tal se confine a focos pontuais”, declarou então, segundo o site da Emissora das Beiras.

O lixo amontoa-se nas ruas. Limpam-no moradores que, por receberem rendimento social de inserção, são forçados a fazer trabalho socialmente útil. Quase não há iluminação pública. As lâmpadas foram destruídas com espingardas de pressão de ar. O carteiro só lá vai duas vezes por semana e com escolta policial. A escolta começou há uma década na sequência de uma agressão.

Para haver qualidade de ensino e igualdade de oportunidades para as crianças em desvantagem — o diagnóstico aponta para défice de estímulo cognitivo, de domínio da língua, de conhecimentos gerais sobre o mundo, de apoio da família, de saber estar —, os pais queriam quatro professores e não dois. E identificaram quatro, que o Ministério da Educação só teria de colocar. Previram também quatro assistentes operacionais no 1.º ciclo. Outras duas ficariam no jardim-de-infância, com uma nova educadora — Conceição Neto assumiria a coordenação da escola, cargo que não existia. Impunha-se ainda recuperar e readaptar o espaço escolar, o que convocava a câmara.

Atrasos nas obras e boatos no bairro

Aproximava-se o final de Agosto, os pais estavam muito preocupados: as obras ainda não tinham começado. E havia muito que fazer. Não bastava intervir nas salas. Todo o espaço escolar seria de aprendizagem. Nas traseiras, por exemplonasceria uma oficina de artes e um espaço de brincadeira. Para aumentar a área disponível, as crianças passariam todas a almoçar no jardim-de-infância.

Os trâmites legais não explicavam o atraso por inteiro. “No Verão, há muita gente de férias”, justificou a vereadora da Educação, Cristina Brasete, de visita à obra. “Tiveram dificuldade em ter os materiais. Começaram as obras e ficaram meio parados.” Por dentro, ficaria tudo feito. Por fora, ainda não.

Fez o elogio do projecto-piloto que, funcionado, poderá ser replicado, com reajustes. “Este projecto não vai acontecer só porque se quer”, enfatizou. “Tem de haver muita paciência. Estas crianças estão aqui há muito tempo.” Estava confiante, ainda assim. “Acho que vai fazer com que isto funcione é a conjugação de vontades.”

Adiou-se o arranque das aulas para o dia 24 de Setembro. Entretanto, um boato difundiu-se pelo Bairro de Paradinha.

Mário Pinto, que já foi mediador cultural e que tem duas crianças no 1.º ciclo, o Mário, de oito anos, no 2.º ano, e a Jordana, de 11 anos, no 4.º, desconfiava do benefício do projecto. “Vou ver quais as condições que lá vão pôr.” Havia 1.º e 2.º numa sala, 3.º e 4.º noutra. “Agora querem pôr 1.º ano só numa sala e 2.º, 3.º e 4.º noutra sala. Se for esse o caso, tiro os meus filhos! O que adianta? O resto do pessoal que é todo cigano vai ficar todo na mesma sala! Estão a fazer alguma regalia?”

Na rua principal do bairro, exaltavam-se os ânimos. “Corre que até os recreios vão ser separados”, comentava Carla Cabeças. Carina Pinto também ouvira: “Acho mal. O recreio é para toda a criança!” Mário previa o pior: “Se já havia confusões, mais confusões vai haver!”

Os pais não ciganos estavam abismados. Tanta receptividade antes do Verão! Algumas mães ciganas até tinham ajudado a definir as necessidades mais urgentes. Agora, acreditavam que eles queriam pôr meninos ciganos num lado e não ciganos noutro? “Há um mal-entendido muito grande”, lamentava Mara. “Se tivéssemos preconceitos, os nossos filhos não andavam naquele jardim-de-infância.”

Para sossegar os ânimos, João Caiado convocou uma reunião. Sim, o projecto começaria com 12 crianças do 1.º ano numa sala e 19 dos outros anos noutra. Tinham-se matriculado mais duas crianças não ciganas, Tomás e Francisco, o menino que tem trissomia 21. E havia mais um menino cigano, Ariel, com nove anos e uma doença genética, própria de populações fechadas, que somara tantas faltas que ficara retido no 1.º ano. “O projecto tem de começar com uma turma de 1.º ano”, salientava Conceição Neto. “Embora estejam numa turma, vão trabalhar com meninos de outra turma.” Quantos alunos do 2.º ano saberiam mesmo ler, por exemplo? “A ideia é trabalhar em grupos por níveis de conhecimento para que todos aprendam.”

A alegria infantil

Uma semana depois do início das aulas, a alegria extravasava os muros da escola. E o mal-estar dissipara-se.

“Aquilo que falavam não era”, admitia Carla. “Estamos a gostar. Os miúdos estão mais acompanhados. Há mais professoras, mais auxiliares, mais regras. Os meninos estão mais motivados”, concordava Carina. “Antes, era sempre a mesma rotina. Agora, fazem mais coisas. Antes, chegavam a casa e diziam que não queriam ir para a escola. Agora, estão com vontade de voltar”, tornava Carla.

Naquele dia, as crianças do 1.º ciclo tinham ido todas ao Festival Outono Quente, no Parque Aquilino Ribeiro, ver o espectáculo Don Afonso Henriques 3 em 1, um herói que salta de um livro para um programa de rádio, dentro de uma peça de teatro. E Alfredo, um menino cigano de 11 anos que frequenta o 4.º ano, dera a mão ao Francisco, o menino com trissomia 21. Estivera atento a visita inteira.

Alfredo estava animado com a mudança. “A escola está mais melhor assim!” Parece-lhe que se porta melhor e tudo. “Eu antes tinha cá o meu irmão e ele fazia disparates, dizia asneiras e isso.” Agrada-lhe ter mais professoras e mais crianças para brincar à bola, à apanhada, ao escondidinho.

Está tudo diferente. As salas não têm cadeiras viradas para o quadro. O quadro é só um recurso para a professora ou para o aluno que queira apresentar alguma ideia. As crianças trabalham em grupo de frente umas para as outras. O dia começa com a turma sentada numa manta estendida num canto, a delinear o plano para o dia. E termina com a turma a discutir o que foi o dia.

Pediu-se à turma de 1.º ano que se sentasse na manta a avaliar tudo. “Gosto muito desta escola. É muito divertida. Tem muitos meninos”, dizia Maria. “Eu gosto desta escola porque tem mais jogos, mais livros, mais professoras, mais amigos”, dizia Bernardo. “Tenho quase tudo o que eu queria.”

Naquele tapete, faltava Simão. Os pais matricularam-no em Paradinha, mas mudaram de ideias quando souberam que Ariel se juntaria à turma. Queriam que fosse para Jugueiros, como a irmã. Só que nessa escola não havia vaga no 1.º ano. Simão haveria de vir para esta escola ao 10.º dia, quando o número de faltas injustificadas já pedisse queixa à Comissão de Protecção.

“Estes já vêm trabalhados do jardim-de-infância. Estes já encaram a etnia com normalidade”, afiançava a professora Sandra Tavares. “Não há essa questão de este é cigano, aquele é não é cigano. Aqui há crianças. A palavra ‘cigano’ não se usa. Eles às vezes é que dizem: ‘Eu sou cigano.’ E eu pergunto. E não tens orgulho? E eles dizem: ‘Sim’.” Os da outra turma iam precisar de mais atenção.

Acreditar no poder transformador da escola

Um mês depois de iniciadas as aulas, Conceição Neto fazia um balanço positivo. As crianças estão a faltar muitíssimo menos. Não havia registo de conflito entre crianças ciganas e não ciganas, apenas entre crianças ciganas de famílias desavindas. Incidentes e divergências passavam da escola para o bairro e do bairro para a escola. “Vamos ter muitos obstáculos — já estamos a ter”, reconhecia. “Temos de esclarecer as famílias, dizendo sempre a verdade, abrindo as portas, mostrando que estamos a dar o nosso melhor, mas principalmente criando nas crianças a vontade de vir à escola.”

As regras apertaram. Quem chega depois das 9h15 já não tem direito a almoçar e quem inicia uma actividade de enriquecimento curricular não pode sair antes do fim. Foi accionada uma vasta rede de parceiros. Um deles é a Caritas Diocesana, que gere um centro comunitário dentro do bairro. O sociólogo António Ramalho está nesse centro a gerir uma equipa que pode bater à porta de quem está a faltar.

Um dos maiores desafios é fazer acreditar no poder transformador da escola. Ajuda ter bons exemplos para apontar. Ali, no bairro, moram pessoas com diferentes níveis de escolaridade, umas a trabalhar na venda ambulante, outras a trabalhar por conta de outrem, no mercado formal, o que é muitíssimo mais raro. Não pesa só a baixa escolaridade, também o estigma. “Há um processo de exclusão e um processo de auto-exclusão”, nota Ramalho.

Até quando andará o filho de Carina na escola? “Até ele conseguir. Gostaria que tivesse uma vida que a gente não tem. As feiras que dão? Mal é que o cigano não tem trabalho por ser cigano!” E o de Carla? “Gostava que não andasse, como nós, nas feiras, que tivesse uma vida como os outros têm.” E os de Vanessa? “Quero que estudem, que façam aquilo que eu não fiz, que vão para a faculdade.”

 

 

 

Bolsas Sociais EPIS – Escolas de Futuro 2018 – candidaturas até 20 setembro

Setembro 12, 2018 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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https://www.epis.pt/noticias/bolsas-sociais-epis-2018-12

Seminário “Riscos e Traços – Desafios Psicoeducacionais” 1 junho na Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa

Maio 16, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

https://www.facebook.com/events/127617178099331/

 

 

Cinco dias fora dos bairros para aprender a dar um concerto

Abril 28, 2018 às 9:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Os alunos do Acorde Maior ensaiam canto e rimas ao som do piano do professor Duarte Cardoso © João Porfírio/Observador

Texto do https://observador.pt/ de 4 de abril de 2018.

Gonçalo Correia

João Porfírio

Vivem na Buraca, na Cova da Moura, no Zambujal, no Bairro da Serafina. Com o projeto Acorde Maior, passaram as férias da Páscoa a aprender música no Village Underground. Há concerto esta sexta às 17h.

João tem 9 anos e mora na Amadora. O que mais gosta de fazer é jogar futebol. Mayra tem 23, é angolana e vive no bairro de Campolide. Adora música, sobretudo hip hop português. Mingo é o mais velho. Tem 23 anos, é cabo-verdiano, mora na Buraca (Amadora) e diz que há poucas coisas que o deixem tão feliz quanto estar com crianças (fica “um pouco mais animado e mais aliviado com algumas coisas”). Os três fazem parte de um grupo de 26 jovens, a maioria dos quais carenciados, que nos últimos dias passaram umas férias da Páscoa diferentes no VillageUnderground, em Alcântara, Lisboa. E o resultado pode ser visto e ouvido esta sexta feira no VU às 17h.

O que os juntou ali foi o Acorde Maior, um novo projeto de solidariedade social que coloca estes jovens a aprender música, tocando instrumentos musicais e colaborando uns com os outros, com a orientação de três professores e formadores portugueses (Duarte Cardoso, Joana Araújo e Teresa Campos) habituados a desenvolver projetos educativos através da música. “Estão aqui jovens que nunca teriam a oportunidade de conhecer o Village Underground nesta dimensão de estarem aqui livremente, passarem aqui uma semana inteira a aprender com estes professores incríveis”, explica Mariana Duarte Silva, fundadora e gestora do espaço. “Às vezes sou capaz de estar cinco ou seis meses à procura de um patrocinador ou de um apoio para fazer um evento e acabo por receber uma resposta negativa muito em cima. Desta vez foi o contrário.”

Esta é a primeira vez que o espaço de coworking destinado a agentes das indústrias criativas — que está prestes a celebrar o quarto aniversário — acolhe um projeto de ação social para crianças e jovens. “Sempre tivemos a vontade de trabalhar mais com a comunidade aqui de Alcântara e também com outros bairros perto de nós. O Village Underground londrino já fazia isto, também. Conhecemos o José Crespo, que trabalha no Barbican Center em Londres, onde faz projetos destes. Está a tirar uma sabática em Portugal e queria fazer projetos com o Village Underground daqui”, conta Mariana Duarte Silva.

Numa conversa informal entre José e Mariana surgiu a ideia: “Porque não juntar esta minha vontade de fazer projetos com miúdos e com música com a experiência que ele tem? Juntámos as duas coisas e só faltava um apoio financeiro. Felizmente conseguimos e assim nasceu a primeira edição do Acorde Maior. Quando há um projeto com objetivos muito definidos e com participantes já com experiência comprovada, é mais fácil convencer uma marca a apoiar. E depois, como é óbvio, o conteúdo do projeto em si é só por ele nobre”, diz a responsável.

“Queremos abrir-lhes os olhos e os ouvidos”

“Entrevistámos um entrevistador”, ri-se o grupo de Mingo Furtado com entusiasmo. No segundo dia do projeto — terça-feira, 3 de abril –, uma das tarefas que Duarte Cardoso, Joana Araújo e Teresa Campos deram aos jovens que o Acorde Maior levou ao Village Underground foi passearem pelo espaço (situado no antigo museu da Carris) em grupos e recolherem imagens, sons, textos e conversas que encontrem e tenham pelo caminho. Os próprios repórteres presentes não escapam a uma entrevista — daí a primeira frase.

“Nestes primeiros dois dias estamos a testar muita coisa. A algumas eles reagiram melhor, a outras pior”, conta Joana Araújo. O objetivo é que “eles sintam que fizeram parte de uma coisa que é muito maior do que eles” (diz Duarte Cardoso), que “sintam que o que construíram nesta semana veio deles, diz-lhes alguma coisa” (refere Joana ) e que os formadores lhes consigam “estimular a criatividade para serem pessoas atentas e despertas, curiosas, que são capazes de olhar para uma pedra e ver a forma, a cor, a textura, o som. Abrir-lhes os olhos e os ouvidos e misturá-los, porque queremos que eles se conheçam uns aos outros” (diz Teresa Campos).

A abordagem que os três professores — que já se conhecem bem, já trabalharam juntos (os três fizeram aliás um mestrado em projetos educativos em Londres) e até gostavam de trabalhar mais — seguem tem muito a ver com a estimulação da criação individual. “Muito deste processo depende do que os miúdos trazem, daquilo com que eles se identificam, de coisas que nos rodeiam”, refere Teresa Campos. “Tem a ver com a abordagem do [compositor canadiano e especialista em educação musical] MurraySchafer, de trabalharmos a paisagem sonora, de termos uma abordagem pelos sentidos, de trabalharmos a audição. E para nós também é muito importante a psicogeografia, isto é, deixar que o ambiente influencie a arte que nós estamos a criar”, acrescenta Duarte Cardoso. Daí a recolha de matéria-prima (sonora, visual, textual) ao ar livre.

“Encontrei pessoas angolanas, pessoal que dança…”

Outra das tarefas que os 26 jovens tiveram de cumprir foi selecionarem (cada um deles) um excerto de cinco segundos de uma música de que gostassem. Houve quem escolhesse temas de Ana Moura, D.A.M.A. e Anjos e houve quem escolhesse canções de rap (por exemplo, de Rafa G, que faz rap crioulo).

Mayra é uma das várias jovens que gosta de hip hop. Tem 20 anos, veio de Angola para Portugal com três anos e trabalha com música numa associação do seu bairro. Quando o Observador a encontrou, estava a gostar da ideia de poder recolher sons e manipulá-los depois numa máquina chamada loopstation“A Teresa [Teresa Campos, professora] estava a usar isso e dá muito jeito para concertos, perguntei-lhe logo o nome quando ela estava a usá-lo, é mesmo interessante”, diz a fã de Slow J, Valete, NBC, Mundo Segundo e Sam the Kid, também satisfeita por ter encontrado “pessoas angolanas, pessoal que dança…”.

Enquanto João, com nove anos e a camisola do Benfica vestida, vai correndo com uma bola de futebol debaixo do braço, enquanto outros miúdos dançam e sobem e descem o skate park do Village Underground no intervalo das aulas-ensaios, Mingo, o mais velho dos membros do grupo, vai contando a sua história.

“Se eu não estivesse aqui, estaria na Academia do Johnson, onde acompanho miúdos e sou treinador. Estaria lá, a ajudar, porque temos muitos miúdos lá, uns 70”, diz ele. E acrescenta: “Gosto de estar com eles a apoiar e a ensinar um pouco daquilo que eu sei e daquilo que já passei. São lições de vida, que lhes conto para eles mais à frente não passarem ou não cometerem tantos erros como os que eu cometi. Ou, talvez, como eu vi os mais velhos cometerem.”

A academia do Johnson, que trabalha com jovens carenciados em vários bairros de Lisboa (da Cova da Moura e Boavista à Buraca, onde Mingo mora), pode estar a sentir a sua falta mas Mingo está contente com as experiências que tem tido nestas férias. “Está a ser engraçado, estamos a aprender coisas novas”, diz, acrescentando: “Quando vim para aqui, pensei que ia encontrar pessoas mais velhas mas também gosto de estar com crianças. Chego aqui e encontro um monte de crianças, é a minha área, é a área que eu gosto. Estando ao pé deles sinto-me um pouco mais animado também com algumas coisas…”

“Há aqui miúdos que dançam, há rappers, há beatboxers”

“Eles se calhar nunca vinham cá se não fosse esta semana”, desabafa Mariana Duarte Silva, enquanto vê os alunos brincarem nos seus 15 minutos de intervalo. “A única exigência, vá, que nós fizemos foi que viessem jovens da junta de freguesia de Alcântara, que vivessem aqui no nosso bairro. Acabaram por vir também jovens do projeto Aldeias de Crianças SOS.”

Os restantes alunos foram escolhidos a partir dos contactos pessoais de Mariana Duarte Silva com instituições. “Trouxe crianças do bairro do Zambujal e da Cova da Moura, onde há uma instituição chamada Ajuda-me a Ajudar que faz projetos maravilhosos. Também vieram cinco jovens do programa Escolhas, de uma instituição chamada Soma e Segue que fica aqui no bairro da Serafina e que combate o abandono escolar e convidei cinco filhos de funcionários da Carris, porque faz todo o sentido — estou aqui nas instalações da Carris, são miúdos que até já têm alguma experiência musical e fazia todo o sentido estarem neste grupo”.

Teresa Campos, uma das professoras, explica que conhecer os alunos foi um dos passos fundamentais para perceber o que de melhor podiam preparar para a apresentação pública que os alunos vão fazer na sexta-feira, às 17 horas: “Há aqui miúdos que dançam, há rappers, há beatboxers. No fundo queríamos aproveitar o que cada um tivesse — mas claro que precisamos de ter truques na manga para o caso de eles não se sentirem confortáveis a partilhar coisas com os outros”.

Misturar é preciso

Um dos desafios foi misturar jovens vindos de bairros diferentes, pô-los em contacto uns aos outros. “A maior preocupação de início, acho que é a de qualquer formador, é que o jovem se sinta integrado no grupo — não só no grupo com que veio, mas no grupo inteiro. Manter a motivação deles é um desafio, temos de nos adaptar a eles em vez de acontecer o contrário. Quando lhes começamos a dizer que vamos formar grupos e que não vão ficar com o amigo que já conhecem… nem sempre corre como nós planeamos, mas a experiência diz-nos que normalmente vai correr bem, porque eles são obrigados a falar uns com os outros, exploram o espaço e ganham com isso. Estamos sempre a tentar criar estratégias que os obriguem a misturar-se, hoje foi o segundo almoço e já vimos algumas dinâmicas novas.”

As características do espaço também moldam a forma dos professores trabalharem — e dos alunos aprenderem. O grande espaço ao ar livre existente entre o Village Underground e os portões de entrada do Museu da Carris (do qual os alunos estavam proibidos de transpor) potenciou as dinâmicas, por ser “suficientemente seguro e suficientemente ao ar livre”. Acrescenta Joana Araújo: “Quando chegámos cá foi evidente que tínhamos de fazer este tipo de trabalho [no exterior]. E quando vimos que o que eles traziam era eles mesmos — só três é que tocam instrumentos, alguns têm aulas de dança mas não têm experiência musical — mais natural nos pareceu que eles recorressem ao que tinham: os olhos, os ouvidos… estamos numa parte engraçada do processo em que eles ainda não percebem bem no que vai resultar esta recolha, estes primeiros dias”.

A seguir aos primeiros dias (onde os jovens foram ainda instados a criar uma letra e a cantar e rimar), conta Teresa Campos, virá “uma fase mais de montagem”, em que formandos e formadores vão percebendo juntos “se há materiais que nós criámos separadamente que se podem juntar, em que vamos decidir um bocado a forma [da apresentação]. Mas em cinco dias… só no último, mesmo no fim, é que há realmente uma imagem definitiva do que vai sair [na apresentação]. E quando eles apresentam estão com aquele nervoso miudinho.” Há também uma conversa com Pedro Coquenão (do projeto Batida), artista residente do Village Underground que vai trocar impressões e experiências com os alunos — e contar como é ser um músico adulto. Os mais novos, esses querem quase todos ser coisas diferentes. José, Joana, Duarte, Teresa e Mariana, só querem que esta semana não lhes saia da memória.

 

 

 

PARTIS – Práticas Artísticas para a Inclusão Social – 26-28 janeiro na Fundação Calouste Gulbenkian

Janeiro 23, 2018 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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PREÇO | Entrada Gratuita
LOCAL | Vários locais da Fundação Calouste Gulbenkian
SAIBA MAIS | http://back.ly/hCDjM

O PARTIS – Práticas Artísticas para a Inclusão Social é um programa de apoio a projetos que privilegiam a arte como meio de intervenção social junto de crianças e jovens em risco, reclusos e ex-reclusos, imigrantes, pessoas isoladas ou com deficiência, entre outros. Alguns dos projetos apoiados no quadro da segunda edição deste programa apresentam o seu trabalho no “Isto é Partis”. Esta mostra tem também um espaço de reflexão na conferência “Isto é Inclusão Social.”

Ação de formação “Porque Somos Mães…” 15 de janeiro a 12 de abril em Lisboa

Dezembro 30, 2017 às 5:07 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Inscrições até 9 de janeiro

mais informações no link:

http://www.ajudademae.pt/

 

Como falar de deficiência às crianças?

Dezembro 11, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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Texto do site https://www.educare.pt/ de 24 de novembro de 2017.

Há cinco anos, Teresa Coutinho escreveu um livro sobre Maria, a sua filha com paralisia cerebral, para explicar ao filho Lourenço porque é que a irmã era diferente, era especial. O livro está no Plano Nacional de Leitura, há excertos da obra em testes de Português do 1.º ciclo, foi lançado em Espanha há um ano. Maria entretanto cresceu, tem agora nove anos, e é uma menina feliz.

Sara R. Oliveira

Um dia Teresa Coutinho, assessora de imprensa do Parlamento Europeu, ex-jornalista, decidiu satisfazer por escrito a natural curiosidade do filho Lourenço, então com 4 anos, que queria saber porque é que a irmã Maria, com paralisia cerebral, era uma bebé diferente e porque teve de ficar na incubadora do hospital – “a caixa” como lhe chamava – durante algum tempo. Lourenço queria saber porque é que a irmã tão pequenina já fazia ginástica, porque é que não segurava a cabeça, porque é que mal gatinhava aos dois anos. Teresa procurou livros, associações, panfletos. E a tarefa foi difícil. “Havia uma lacuna no mercado de livros em Portugal”, lembra. E assim nasceu o livro “Maria, A Alegria na Diferença” escrito pelo seu punho e ilustrado por Pedro Sousa Pereira, repórter e ilustrador.

Um livro que se assume desde a primeira página como “um exemplo para explicar às crianças que nem todos nascem iguais”. E também “uma lição de vida para ensinar os adultos a lidar com a diferença”. Com textos curtos e desenhos coloridos página a página, Teresa Coutinho apresentou o livro em várias escolas públicas e privadas, nas dos filhos também. Valeu a pena, pelas reações, pela forma como os mais pequenos respondiam às questões, como partilhavam os seus pensamentos sem qualquer receio. “As crianças encaram o outro como igual, que a deficiência é uma diferença especial”, conta ao EDUCARE.PT. “As crianças estão habituadas à diferença”, acrescenta.

Fácil explicar às crianças, mais difícil explicar aos adultos, aos que têm o poder de decidir se uma criança vai ou não passar a vida numa cadeira de rodas, se o acesso às terapêuticas e materiais é ou não gratuito, se há ou não rampas nos passeios e transportes públicos, se há ou não acessibilidades para todos. “Ainda há um grande combate de mentalidades a fazer, faltam elevadores, rampas, ainda há quem estacione nos lugares reservados aos deficientes. Ainda há uma mentalidade a mudar, ainda há adultos que olham para trás ou para o lado quando veem alguém diferente, que não sabem lidar com uma criança com deficiência”, sublinha.

Há um ano, o livro foi editado em Espanha com uma grande projeção na comunicação social espanhola – em Portugal não foi bem assim. O livro está no Plano Nacional de Leitura do nosso país, há excertos em testes de Português do 1.º ciclo do Ensino Básico, está em várias bibliotecas escolares. E, no final do livro, está uma mensagem importante. “Aos que, sendo pais, não percebem que uma criança deficiente junto às suas é uma lição de vida: que os seus filhos crescerão a encarar como normal uma diferença que os próprios têm dificuldade em aceitar e os faz olhar para o lado.”

“Com este livro, tento ajudar a explicar às crianças porque existe esta diferença. E os adultos que precisam de explicar a um filho, a um familiar, a uma turma da escola o que é ser deficiente. Ou simplesmente habituar as crianças ao facto de que a diferença existe, mesmo que não partilhe com elas a mesma família, a mesma turma ou a mesma rua. Apenas existe”, escreve.

Maria cresceu entretanto. Tem agora 9 anos, anda num colégio privado, numa turma regular. “E é uma menina superfeliz porque lhe é dada a oportunidade de ser igual”. Maria tem mais dois irmãos, Lourenço, de 12 anos, e Constança, de 5. Começou a andar aos quatro anos, caminha com ajuda de um andarilho. “Continua o seu caminho e a tentar ser o mais autónoma possível”. E os professores são essenciais neste trajeto por estarem ao lado de crianças que têm um papel muito importante em casa e que amanhã serão adultos. Maria continua a crescer e Teresa Coutinho pensa se não valerá a pena dar continuidade a essa história real com mais um livro e com uma mensagem que já navega na sua cabeça. “As pessoas diferentes conseguem vencer as adversidades e conseguem realizar os seus sonhos”. Como a Maria.

Maria, menina com pressa
A mãe Teresa partilha a história da sua Maria num livro, cujas receitas revertem a favor de associações que trabalham com pessoas com paralisia cerebral, uma em Portugal, o Sorriso da Rita, e outra associação de pais em Espanha. Não é ficção, é realidade. Maria teve pressa de conhecer o mundo, não sossegava quieta na barriga da mãe, e nasceu. Não foi bem como se estava à espera, teve de ir para uma incubadora e os mimos chegavam de todos os lados, através de um vidro, dos pais, do irmão, dos avós. Até que chegou o dia de conhecer o mundo. E sorriu pela primeira vez. “Mas, mais uma vez, não era fácil. A Maria não conseguia fazer as mesmas coisas que os outros bebés e precisava de ajuda para aprender”, escreve a mãe Teresa.

Maria teve de fazer algumas coisas. “Começou então uma ginástica – com o nome esquisito de fisioterapia – que a ensinava a abrir os braços, a segurar o pescoço, a sentar-se, a pôr-se de pé, a tentar andar… Coisas que a Maria não conseguia fazer sozinha”, escreve. Ao lado da frase, desenhos com a ginástica da Maria. “Na escola, brincava com os outros meninos. Como não andava, eles vinham ter com ela, traziam-lhe os brinquedos, ajudavam-na a pintar com os lápis.”

Maria era feliz, nadava na piscina, montava a cavalo, fazia fisioterapia. “Ela ensinava os meninos a limparem os seus óculos e mostrava-lhes o andarilho onde tentava dar os primeiros passos. Todos queriam experimentar.” E, certo dia, Lourenço, o irmão, perguntou o que é ser deficiente. E a mãe respondeu-lhe num livro colorido. “Há meninos que não conseguem ver, outros ouvir, outros ainda não andam, como a Maria. Alguns ficam sempre pequeninos. E isso torna-os especiais. E ser deficiente é isso mesmo, é ser especial.”

“Não podemos ter a pretensão de que as crianças entendam nomes como paralisia cerebral. Mas temos de lhes explicar que ser diferente – afinal, a diferença da Maria – é uma realidade e que há muitos meninos assim. Mas não deixam de ser felizes, de ser meninos como eles. Brincam, riem, choram, cantam, fazem o que eles fazem. De maneira diferente. Especial”, escreve no final do seu livro numa página dedicada a pais e educadores.

Teresa Coutinho, mãe e escritora, percebeu então que a missão era mais fácil. “Porque as crianças aceitam a diferença sem julgar, rejeitar ou adjetivar. Não precisam de palavras caras nem com cargas negativas – como deficiência. Mas precisam de saber que elas existem, precisamente para que a carga negativa desapareça”. Precisam de respostas para a sua curiosidade. E foi precisamente isso que Teresa fez num livro colorido.

http://www.primebooks.pt/produto/maria-a-alegria-na-diferenca

Famílias gregas abrem portas a menores refugiados

Novembro 10, 2017 às 9:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Os processos para reunir os menores refugiados e os familiares que se encontram a viver na Europa pode demorar vários meses. Durante este período, as famílias de acolhimento fazem a diferença.

Efi e Mike têm quatro filhos, mas ao longo dos últimos dois meses é como se tivessem seis. O casal abriu, temporariamente, as portas a duas crianças sírias ao abrigo do programa Ação para a Migração e Desenvolvimento, a cargo da ONG grega Metadrasi e financiado pelo Alto comissariado das Nações Unidas para os Refugiados.

A família fala de uma experiência indescritível.

“O amor que recebemos destas crianças faz esquecer qualquer dificuldade. Elas apreciam e agradecem o que lhe damos. Por exemplo, são capazes de nos agradecer 25 vezes o facto de lhe termos oferecido uma simples refeição” refere Efi Michou, da família de acolhimento.

Neste momento, 10 famílias de Atenas e Salónica acolhem 13 refugiados menores. Todas as semanas, estas famílias recebem a visita de assistentes sociais. Vasia Patsi destaca as vantagens da iniciativa. “Esta ação destina-se a famílias que queiram acolher refugiados menores que viajam sozinhos. Ficam com eles até que o processo para reunir as famílias das crianças que vivem na Europa fique completo. Desta forma, não só protegemos os menores de traficantes como proporcionamos um ambiente familiar enquanto esperam” afirma.

Um processo que pode demorar vários meses. Desde fevereiro de 2016, o programa permitiu acolher 37 crianças.

 

Euronews em 30/10/2017

 

VIII Festival Revelação de Vozes da Diáspora Cabo-verdiana

Agosto 24, 2017 às 3:30 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Press Release

 VIII Festival Revelação de Vozes da Diáspora Cabo-verdiana

 

26 Agosto 2017

Discoteca B. Leza

Lisboa

Realiza-se no próximo dia 26 de Agosto, às 19h30, na Discoteca B.Leza, Lisboa, o VIII Festival Revelação de Vozes da Diáspora Cabo-verdiana, evento que acontece pela 2ª vez em Portugal.

Dada a especial colaboração entre o Instituto de Apoio à Criança e a Fundação Infância Feliz, cuja Presidente é a Dra. Adélcia Pires, mulher do antigo Presidente Pedro Pires e dado o interesse deste concurso, especialmente na dimensão cultural e de apoio aos jovens com aptidões artísticas, agradecemos a divulgação de tão interessante acontecimento.

Estará presente a Dra. Lígia Fonseca, mulher do atual Presidente da República de Cabo Verde.

 

O primeiro parque aquático para crianças com deficiência

Julho 4, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Notícia da http://visao.sapo.pt/ de 17 de junho de 2017.

Robin Jerstad

É inaugurado hoje, no Texas, o Morgan’s Inspiration Island, um parque aquático totalmente pensado para crianças com limitações físicas. VEJA AS IMAGENS

Proporcionar experiências diferentes a crianças e jovens com limitações físicas pode requerer um esforço extra, assim como custos mais elevados. Muitas vezes, os parques infantis não estão adaptados a todo o tipo de necessidades e acabam por excluir um segmento de público que, por norma, já está privado de aceder aos lugares de entretenimento e lazer comuns. Até agora.

O Morgan’s Inspiration Island (a Ilha Inspiracional de Morgan), na cidade de San Antonio, no Estado americano do Texas, é o primeiro parque aquático pensado para receber crianças com problemas de mobilidade. A abertura está marcada para hoje e, desde passeios de barco a jogos aquáticos, o espaço promete oferecer um leque de atividades que vão tornar-se experiências inesquecíveis.

O parque aquático custou 17 milhões de dólares (aproximadamente 15 milhões de euros) e está totalmente equipado para crianças com mobilidade reduzida – oferece cadeiras de rodas impermeáveis para que o público não danifique os seus equipamentos pessoais, por exemplo. Também tem incorporado um sistema de controlo da temperatura de água – para que os visitantes com sensibilidade ao frio possam usufruir de todas as atividades -, áreas silenciosas para pessoas sensíveis ao ruído e pulseiras de alta tecnologia projetadas para localizar crianças que dispersem.

“O Morgan’s Inspiration Island teria sido um sonho absoluto para mim como criança”, diz Srin Madipalli, CEO da empresa Accomamble e doente de Amiotrofia Muscular Espinhal.

“Adoro os recursos da alta tecnologia. Eu tenho pouca função muscular e fico frio rapidamente. Por isso, a maneira como podem mudar a temperatura da água é ideal. Revela um nível brilhante de perceção sobre as necessidades dos diferentes indivíduos, o que é bastante incomum. Normalmente, um parque aquático desta escala pode oferecer um balneário acessível e um elevador para ajudar a entrar na água, mas pouco mais. O facto deste parque aquático ter uma acessibilidade incorporada em cada recurso é verdadeiramente inspirador – e parece muito divertido!”, sublinha.

Mas não é só o facto de ser um projeto inovador que convida a conhecer o Morgan’s Inspirations Island. Também os preços são um motivo tentador: as crianças com necessidades especiais não pagam entrada e, para os restantes visitantes, os preços estão entre os 17€ (para adultos) e 11€ (para crianças).

O parque aquático faz parte do Morgan’s Wonderland – um parque temático em San Antonio, inaugurado em 2010. Para a criação do projeto, os proprietários, Gordon e Maggie Hartman, inspiraram-se na sua filha Morgan, que sofre de limitações a nível físico e cognitivo. Os proprietários descrevem assim o projeto: “Não é um parque de necessidades especiais. É um parque de inclusão.”

http://morganswonderland.com/inspirationisland/

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