Santa Casa abre clínica dentária gratuita para todos as crianças de Lisboa

Agosto 26, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

Getty Images

Notícia e imagem do Expresso de 18 de agosto de 2019.

Raquel  Moleiro

Unidade odontopediátrica destina-se a todos os menores que residam ou estudem no concelho, seja qual for a condição social.

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) inaugura na próxima terça-feira o Serviço Odontopediátrico de Lisboa (SOL), uma unidade de medicina dentária gratuita para todas as crianças e jovens até aos 18 anos que residam ou estudem no concelho, qualquer que seja a sua condição social e económica. “Trata-se de um projeto único em Portugal que tem como objetivo providenciar cuidados medico-dentários de elevada qualidade a todos os menores da capital. Não é só para famílias carenciadas”, explica a Santa Casa, frisando que as consultas com os dentistas e os tratamentos não são cobrados a ninguém.

A única exceção paga são os serviços de ortodontia — vulgo, aparelhos —, mas os beneficiários de abono de família estão isentos de qualquer custo, independentemente do ato.

50 mil consultas por ano

A Santa Casa estima realizar 50 mil consultas por ano e diminuir, pelo menos, em 60% a prevalência da cárie dentária até 2025 no concelho de Lisboa. “Com o SOL, queremos alcançar uma mudança efetiva de comportamentos e alterar o paradigma da saúde oral na cidades de Lisboa. O êxito alcançado por programas de atenção precoce à saúde oral em alguns países mostra uma prolongada ausência de cáries em crianças que recebem cuidados desde os primeiros meses de vida”, explica a organização.

A clínica, situada na Avenida Almirante Reis, será composta por dez médicos dentistas, três higienistas orais, dez assistentes dentários, um auxiliar e quatro administrativos, todos em dedicação a tempo inteiro. Funcionará de segunda a sexta, das 8h às 20h, e ao sábado, das 8h às 13h. Os contactos para as marcações estarão disponíveis no site da SCML (www.scml.pt) a partir de terça-feira.
A inauguração vai contar com a presença do ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Vieira da Silva, e da ministra da Saúde, Marta Temido.

II Encontro Cientifico da Obra Social do Pousal, com a participação da Drª Dulce Rocha, Presidente do IAC, 23 novembro na Ericeira

Novembro 22, 2018 às 4:24 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

A Drª Dulce Rocha, Presidente do Instituto de Apoio à Criança irá participar no debate “A casa e a instituição: Onde está o bom seio e o mau seio?”.

Mais informações no link:

http://www.scml.pt/pt-PT/media/agenda/ii_encontro_cientifico_da_obra_social_do_pousal

Se eu fosse Escultor – workshop para crianças dos 6 aos 12 anos, 17 junho Museu de Santo António, 24 Junho Igreja e Museu de São Roque

Junho 8, 2018 às 10:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

mais informações:

https://www.facebook.com/events/2153740681309952/

“O Estado devia responsabilizar-se mais pelas crianças retiradas às famílias”

Dezembro 6, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Entrevista do https://www.publico.pt/ a Edmundo Martinho no dia 6 de dezembro de 2017.

O novo provedor da Santa Casa da Misericórdia, Edmundo Martinho, identifica “insuficiências” e defende um maior investimento no apoio aos mais velhos, aos mais novos em risco e às pessoas com deficiência. “Problema mais pesado é de longe” a resposta às necessidades dos idosos.

Ana Dias Cordeiro

Edmundo Martinho foi durante quase dois anos vice-provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), ao lado de Santana Lopes que saiu em Outubro para se candidatar à liderança do PSD. Antes presidira ao Instituto da Segurança Social (de 2005 a 2011) e integrara o Observatório da Segurança Social em Genebra. O novo provedor da SCML, que toma hoje posse, diz que “é essencial revitalizar o património da Santa Casa” – não o físico mas “aquilo que é a memória” e “a responsabilidade da imagem que foi criada” ao longo de 150 anos de existência.

O que gostaria de ver concretizado no seu mandato de provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa?
Eu tenho uma prioridade central relativamente à Santa Casa no seu conjunto, que posso resumir numa frase – a preservação do património da Santa Casa. Não falo de património edificado, falo das respostas de saúde, de acção social. Para mim esse é um património essencial que importa revitalizar e desenvolver. Aquilo que é a memória da Santa Casa, a responsabilidade da imagem que foi criada.

Qual é o grupo a que, neste momento, é mais difícil dar resposta?
O das pessoas mais velhas. Há cada vez mais pessoas isoladas ou a viver com outras pessoas mais velhas. É um problema que tem vindo a acentuar-se. Daí a nossa aposta nos cuidados continuados. Estamos a preparar uma grande intervenção conjunta com a câmara municipal e com todas as instituições da cidade para se encontrarem soluções integradas, que acautelem esta questão do isolamento, da solidão. Esse é de longe o problema mais pesado em termos de pressão sobre o sistema. Depois temos duas outras áreas igualmente muito críticas: acolhimento de crianças [em perigo] em ambiente institucional e pessoas com deficiência, nomeadamente no que diz respeito ao acesso ao mercado de trabalho regular que não seja apenas um emprego protegido.

Que equipamentos estão em falta para atender a essas necessidades?

No caso das pessoas mais velhas, por um lado, o que falta é um apoio domiciliário com outro grau de ambição, que passe também pela disponibilização a estas pessoas de cuidados de reabilitação no domicílio. Uma das prioridades é qualificar os nossos cuidadores. Eu defendo que, neste tipo de circunstâncias, é para a condição e não para a idade que nós temos que encontrar respostas. Na área das crianças, é a reabilitação total dos espaços de acolhimento e a qualificação dos técnicos com um programa, já lançado, a que chamamos CARE [Capacitar (os técnicos), Autonomizar (os jovens), Reconfigurar (as casas) e Especializar] e que visa transformar completamente o tipo de intervenção que temos junto dessas crianças. Na área social, junto das pessoas com deficiência, a resposta que temos é claramente insuficiente, não só em Lisboa como no país, quer do lado da deficiência quer do lado da saúde mental. Os equipamentos que a Santa Casa dispõe são muito insuficientes para as necessidades.

A SCML vai lançar um programa de escolha de famílias de acolhimento de crianças em perigo. É porque o acolhimento institucional não está a ter o efeito desejado?
Não é isso, de todo. Em Lisboa não há nenhuma família de acolhimento e a Santa Casa entende que essa pode ser uma resposta, não apenas para dar cumprimento àquilo que a lei [de Protecção de Crianças e Jovens] estabelece, mas porque do ponto de vista da concepção é muito interessante. Esta aposta resulta da constatação científica de que para as crianças mais pequenas o acolhimento familiar é uma resposta muito mais sólida e que vai mais ao encontro dos direitos das crianças. Gostávamos muito que Lisboa fosse pioneira, tendo cautelas para evitar que o acolhimento familiar se transforme numa adopção simplificada. São coisas diferentes.

Essas cautelas estão a atrasar o lançamento de um projecto pensado há mais de um ano?
A campanha está preparada e será certamente lançada antes do fim do ano. Só ainda não se lançou porque estamos a ver como vamos articular com a Segurança Social.

A SCML vai avançar ao mesmo tempo que a Segurança Social? 
Não tem que ser ao mesmo tempo. O que temos que articular é a mensagem e o conceito, para que não se faça uma coisa em Lisboa que depois será diferente noutros pontos do país.

São conhecidas as diferenças das respostas da SCML na capital e da Segurança Social no resto do país e os recursos diferentes de que dispõem cada uma das instituições. É admissível que haja uma resposta em Lisboa, e outra diferente no resto do país?
Não.

Não é admissível?
Não, e nem estou a dizer que o que está certo é em Lisboa ou o que está errado é no resto do país. Não é essa a questão. Eu sou defensor há muito tempo de que o Estado devia responsabilizar-se mais pelas crianças retiradas às famílias. O Estado não pode ao mesmo tempo dizer que uma criança não tem condições para viver com a sua família e depois não assegurar as condições para que essa criança esteja bem enquadrada nas instituições para onde vai. É preciso perceber que isto tem custos maiores.

E nas outras áreas?
Tirando o caso das crianças, onde há necessidade de um maior investimento, eu não diria que haja diferenças tão substanciais como isso. Naturalmente que os grandes centros – como é o caso de Lisboa ou do Porto – têm uma pressão adicional relativamente ao número de casos e às circunstâncias desses casos. No geral, embora se faça um bom trabalho, não é suficiente. Há provavelmente muito investimento adicional do Estado que é preciso fazer. Porque a responsabilidade é do Estado a partir do momento em que a situação é detectada.

As instituições de solidariedade da Santa Casa têm tido maior procura de famílias a necessitar de apoio? 
Na cidade de Lisboa, não há aumento da procura dos nossos serviços alimentares.

Não há mais sem-abrigo nas ruas de Lisboa?
Não. O único efeito que temos sentido é relativamente a alguns grupos de refugiados. Ou seja pessoas que vêm, que nós ajudamos a alojar e que, de alguma forma, é difícil de acompanhar no seu dia-a-dia.

Está a dizer que há refugiados a viver na rua?
Não, o que estou a dizer é que temos vindo a acolher e que depois temos dificuldade a acompanhar no seu processo de integração.

Perante as várias insuficiências que aponta nas áreas sociais, considera que o país tem condições para acolher refugiados?
Tem, eu acho que tem. Os refugiados é que não querem vir para cá. Ou quando vêm querem ir-se embora logo a seguir. É uma obrigação que temos. Temos obrigação de criar condições para podermos acolher essas pessoas com a dignidade que merecem. Agora, é preciso encontrar aqui soluções ao nível do emprego, da língua, para que as pessoas se sintam bem em Portugal.

 

“As casas para crianças em perigo não estão preparadas para as acolher”

Janeiro 9, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Entrevista Rui Godinho ao https://www.publico.pt/ de 5 de janeiro de 2017.

nuno-ferreira-santos

O director para a Infância e Juventude da Misericórdia de Lisboa, Rui Godinho, deixa alerta: as casas para órfãos nunca foram adaptadas e precisam de técnicos.

Ana Dias Cordeiro

Rui Godinho é psicólogo, com um percurso de anos no acolhimento e intervenção junto de crianças e jovens em perigo. Foi director da Casa da Alameda até 2014 e fez parte da equipa central que coordenou o Plano DOM – Desafios, Oportunidades e Mudanças criado em 2008 para capacitar as equipas e as casas de acolhimento. Esteve um ano no gabinete de Agostinho Branquinho, secretário de Estado da Segurança Social e Solidariedade do governo de Passos Coelho. Desde Abril de 2016, é o director para a Infância e Juventude da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML). “Estamos numa fase de mudança muito significativa”, diz. O programa CARE – Capacitar (os técnicos), Autonomizar (os jovens), Reconfigurar (as casas) e Especializar, que está a ser lançado para a área de Lisboa, é muito semelhante ao Plano DOM, que foi concebido para todo o país mas foi interrompido em 2012. O CARE pretende mudar dinâmicas e “dotar as casas de um modelo terapêutico e efectivamente protector das crianças” em perigo.

Em 2008 foi lançado o Plano DOM Desafios, Oportunidades e Mudanças para melhorar o acolhimento de crianças e jovens em perigo, mas o programa foi interropido a meio. O que garante que a melhoria prevista para o acolhimento da SCML não será também interrompida?

Com as alterações legais de 2015 deram-se passos muito significativos e o que estamos a fazer na SCML é operacionalizar essas mudanças. Por um lado, impulsionar o acolhimento familiar para as crianças com menos de seis anos, e por outro, no que diz respeito ao acolhimento residencial, converter a dinâmica da intervenção numa dinâmica mais terapêutica. O projecto CARE foi aprovado há seis meses para as casas de acolhimento da SCML. A nova lei de protecção diz que as crianças com menos de seis anos não podem estar em instituições, têm de estar em famílias de acolhimento. Mas não há famílias de acolhimento. Nós temos um projecto para desenvolver essa opção do acolhimento em famílias. Por outro lado, o objectivo é dotar todas as casas de um modelo terapêutico e de um modelo efectivamente protector destas crianças. Vamos ter dois meses, no início deste ano, para fazer a contratualização casa a casa. E vamos ter dois anos para aplicar essa mudança. O problema é que as casas cristalizaram nas crianças que já não existem. A casa é que tem que adaptar-se às necessidades e não as crianças à casa.

O que não está a correr bem?

De acordo com a lei que tínhamos antes de 2000, as casas de acolhimento estavam preparadas para acolher os órfãos, as crianças das famílias mais pobres ou numerosas, de famílias que não tinham dinheiro para os filhos estudarem, e que os colocavam na Casa Pia na esperança de lhes dar uma oportunidade. A lógica era dar o apoio social para pessoas desvalidas. Era esta a cultura das casas de acolhimento, na altura lares. A lei foi alterada e as casas de acolhimento passaram a ser para crianças em perigo. O problema é que nunca foi feita uma adaptação das casas à nova realidade.

O Plano DOM deu resultados em mais de uma centena de casas de acolhimento do país inteiro, mas foi interrompido. Foi por falta de verbas?

Não são só as verbas, é o conceito. As casas de acolhimento não estão preparadas para acolher e a ideia do Plano DOM foi fazer o processo de qualificação, contratar quadros superiores para as equipas técnicas e qualificar as casas. As pessoas que lá trabalhavam tinham as mesmas práticas de sempre, só que uma criança vítima de abuso sexual ou com comportamentos delinquentes ou com uma psicopatologia requer uma intervenção completamente distinta. Nós começámos esse processo com o Plano DOM. Depois houve mudança de Governo e foi escolhido um outro caminho. Houve mudança de estratégia. Não foi apenas uma questão de verbas. Abrir as portas à família, por exemplo, não custa dinheiro. É uma mudança de paradigma que está a acontecer em todos os países da Europa. Abrir as portas às famílias, não separar irmãos, prevenir a retirada da família e evitar que as crianças mudem de instituição. Por outro lado, muitas das vezes temos casas com equipas acolhedoras mas pouco qualificadas, pessoas que agem na base da boa-fé, da intuição, da boa vontade, e isso não chega.

De que tipo?

Temos de ter casas com menos crianças. Uma coisa é termos 12 jovens, outra é termos 20 jovens, outra ainda é termos 45 como acontece em muitas instituições. O efeito multidão é avassalador. É impossível, nem vale a pena pensar que é possível. Estes jovens precisam de uma intervenção individualizada, precisam de tempo, de disponibilidade, de competência técnica. O problema dos adolescentes é particularmente grave. E uma intervenção para adolescentes tem de ser uma intervenção especializada e terapêutica. Nós não podemos ter auxiliares e equipas muito reduzidas a intervir com estes adolescentes. Quando eles chegam com 16 anos, já trazem uma história muito prolongada de abandono, de maus tratos. Conforme foram crescendo, com o desamparo, eles próprios, que foram vítimas, passaram a agressores e a vitimadores.

O problema também é como se olha para estas crianças?

Estas crianças mesmo de 16 anos, com esses comportamentos graves, são crianças aflitas. Dentro delas têm um menino pequenino que não foi cuidado. E muitas vezes nós estamos preocupados com os comportamentos agressivos, e não estamos preocupados em reparar o que está lá atrás. Estes meninos não tiverem os pais a contar-lhes histórias quando adormeciam, não tiveram os abraços quando estavam tristes. Chegam aos 16 anos e não conhecem essa linguagem. Os comportamentos delinquentes são sintoma do sofrimento psíquico.Nós temos de reparar as agruras que ficaram para trás. Para isso é preciso termos equipas, do ponto de vista quantitativo e qualitativo, adequadas. Temos de ter pessoas que saibam transformar as dinâmicas destes jovens.

Os próprios jovens rejeitam as casas onde estão acolhidos?

Há casas que são conventos e ninguém vive num convento. Há casas que parecem uma prisão. Temos de ter casas normalizadoras e não instituições. O próprio modelo de intervenção é um modelo punitivo. E há rejeição dos próprios jovens. As equipas, perante a incapacidade ou a frustração de não conseguirem alterar os comportamentos, defendem-se com modelos punitivos. Só que a punição não traz a aprendizagem. O que acontece com estes jovens é que, enquanto estão neste registo punitivo, nós conseguimos condicionar o comportamento, mas quando deixa de existir a punição, voltam ao mesmo. O foco não pode ser no comportamento e no sintoma, tem de ser na transformação interna e na reparação. Para isso, temos que ter equipas altamente qualificadas. Este é um problema transversal a todas as casas de acolhimento do país inteiro.

Mas as mudanças só estão previstas para Lisboa.

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, pelo peso histórico e responsabilidade social que tem, deve estar na linha da frente. Se a realidade se tornou mais complexa, também temos de adaptar-nos à realidade e imprimir essa dinâmica de mudança. A intervenção que nós queremos não é para tomar conta das crianças. É para que estas crianças tenham as mesmas oportunidades de facto para a vida que nós queremos que tenham os nossos filhos. Queremos uma intervenção que vá ao encontro não dos sintomas mas dos problemas e no sentido de impedir que se repitam os ciclos de exclusão que os seus pais e avós tiveram.

 

 

 

Quando a resposta ao bullying é a empatia

Outubro 21, 2016 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

Texto do http://expresso.sapo.pt/ de 20 de outubro de 2016.

marcos-borga

Christiana Martins

texto

Marcos Borga

fotos

Na véspera do Dia Mundial do Combate ao Bullying, que se assinala esta quinta-feira, contamos como 12 adolescentes entre os 14 e os 18 anos que vivem numa casa de acolhimento da Santa Casa da Misericórdia aprendem a combater relações marcadas pela agressão mútua. São 12 jovens com histórias de vida para lá de complicadas, que sob a tutela do Estado, tentam reaprender a viver, com autonomia, confiança e algum afeto. Mas são também um caso de estudo, porque fizeram parte de um projeto piloto para ensinar a prevenir situações de bullying .

Empatia? Parece que vem da palavra simpatia. Quando penso em empatia, penso em simpatia.” É assim, com simplicidade, que o rapaz responde, quando questionado sobre como compreende o conceito de empatia. Tem 14 anos, não pode ter o nome divulgado, nem se pode dizer onde vive ou como é. Por questões de segurança vive numa casa de acolhimento da Santa Casa da Misericórdia no centro de Lisboa.

Com ele vivem mais 11 rapazes, todos adolescentes entre os 14 e os 18 anos, todos com histórias de vida para lá de complicadas. Estão sob a tutela do Estado, tentam reaprender a viver, com autonomia, confiança e algum afeto. Mas são também um caso de estudo, porque fizeram parte de um projeto piloto que os tentou preparar para lidar com o fenómeno do bullying. Dentro de casa, na escola, dentro deles mesmos – afinal, uma vítima pode também ser um agressor. Daí a importância de aprender a sentir o que o outro sente. A importância de se ser empático.

O sentimento de empatia exige algum distanciamento. Não é simpatia, não é cumplicidade. É algo diferente. “Empatia é quando eu me consigo colocar no lugar do outro, perceber o que ele sente”, explica Sónia Freitas, coordenadora do projeto Houses of Empathy, desenvolvido pela associação Par — Respostas Sociais, entidade que está a aplicar a metodologia de prevenção do bullying para jovens em contexto de acolhimento em três casas da Santa Casa de Misericórdia em Lisboa.
E se os adolescentes conseguem, aos poucos, aprender o que é empatia, saberão o que é o bullying? “Nós compreendemos o bullying de uma forma ampla, que passa, sobretudo, pela criação de uma situação de desequilíbrio de poder entre os jovens”, explica Sónia Freitas, concluindo que é por isso que a metodologia do programa visa “a promoção de relações saudáveis entre os jovens e a palavra bullying é evitada até ao fim das sessões”.

Nem vítimas nem agressores

Para o programa, bullying são os “comportamentos que envolvem agressões ou ameaças intencionais e repetidas, sem motivos evidentes”. E, de acordo com estudos já realizados, as crianças institucionalizadas estarão entre os grupos mais vulneráveis, podendo vir a sofrer consequências que poderão durar toda a vida, com efeitos sobre a capacidade de aprendizagem, causando ansiedade e estimulando estados depressivos.

No dicionário Priberam, contudo, bullying é “o conjunto de maus-tratos, ameaças, coações ou outros atos de intimidação física ou psicológica exercido de forma continuada sobre uma pessoa considerada fraca ou vulnerável”. Mas, no programa Houses of Empathy, a palavra só surge ao fim das 15 sessões, de uma hora cada, depois de os adolescentes já terem trabalhado questões essenciais como a auto estima, a resolução de problemas, a gestão emocional e a gestão de expectativas. Tudo é feito, como explica Sónia Freitas da Par, através da prática de educação não formal, com o recurso ao teatro, em que os jovens passam por todas as situações possíveis, seja de quem agride, seja de quem é agredido.

Os estudos citados na recolha de informação promovida pelo programa Houses of Empathy ainda colocam Portugal no topo de seis países analisados (Portugal, Espanha, Escócia, Inglaterra, Irlanda e País de Gales) com piores resultados em termos de bullying. “Temos, contudo, de relativizar estes resultados, afinal são feitos com base em relatos produzidos pelos próprios jovens”, alerta Sónia Freitas.

1

O mais importante para o diretor de Infância e Juventude da Santa Casa da Misericórdia, Rui Godinho, é que a casa de acolhimento tenta estabelecer com os jovens rotinas normativas, onde os adolescentes estão sempre acompanhados e onde se procura construir um novo modelo de relações, mais saudáveis e menos marcadas pela agressividade aprendida no passado.

Ali não há punições, garante, mas há consequências. Ou seja, “todas as emoções são legítimas, o tom é que tem de ser trabalhado, a forma como as emoções são exteriorizadas”. Os educadores funcionam em representação dos pais, ausentes. E os comportamentos “não são encarados como a causa dos problemas, mas como um sintoma do que os jovens sentem”, explica o responsável.

O Houses Of Empathy é, por isso, um projeto europeu que pretende ajudar a reduzir as elevadas taxas de bullying entre jovens em contexto de acolhimento institucional através da criação de um programa específico de combate ao fenómeno.

O programa piloto foi testado em três países (Portugal, Espanha e Irlanda do Norte), abrangendo 9 centros de acolhimento residencial para crianças e jovens. Espera-se que, no final do projeto, o programa tenha sido concretizado em 39 casas de acolhimento nestes 3 países, envolvendo 468 jovens (dos 8 aos 18 anos) e 194 profissionais.

2

Concluída a fase de teste do programa, é chegada a altura de apresentar os resultados da intervenção, que encara a promoção de capacidades pessoais, sociais e de empatia como base de relações saudáveis dos jovens que vivem em casas de acolhimento. Por isso, no dia 27, realizar-se-á uma conferência no Espaço Santa Casa, em Lisboa, para debater a questão e, acima de tudo, refletir acerca dos resultados e ferramentas do projeto Houses Of Empathy e sensibilizar a comunidade responsável pela proteção de crianças e jovens para a importância da ação preventiva nestes contextos.

Promovido pela Par – Respostas Sociais, em parceria com Hechos (Espanha), VOYPIC – Voice of Young People In Care (Irlanda do Norte, Reino Unido) e Sticks And Stones (República da Irlanda), é financiado pela Comissão Europeia. Em Portugal, conta ainda com um protocolo de parceria com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

3

No fim da experiência, os jovens decidiram, em conjunto, qual deveria ser o “código de procedimentos” assumido pela casa. Uma tábua com regras de boa convivência, que, como explica Sónia Freitas, acabam por ser “regras anti-bullying”. Respeito pelos outros, a capacidade de pedir ajuda aos educadores quando os jovens não conseguem resolver um conflito, aprender a elogiar, ouvir o outro, ser bem educado, respeitar as diferenças, ser assertivo (sem ser passivo e sem ser agressivo), quando os problemas surgirem pensar mais nas soluções, ter confiança nos pares, saber trabalhar em equipa, ser paciente e dar boas vindas aos novos habitantes da casa.

São tijolos. Cada regra, explica Sónia Freitas, é um tijolo, um passo na construção de uma casa onde a empatia é o habitante mais importante, onde cada morador consegue perceber o que o outro está a sentir. Capacidades de convivência que têm de ser trabalhadas diariamente. “Já penso antes de agir…nem sempre, mas já vou pensando…”, responde o rapaz que faz rimar empatia com simpatia. Não está mal: afinal, a ter em conta o dicionário, simpatia é “sentimento de atração moral que duas pessoas sentem uma pela outra”. Simpatia e empatia não são exatamente a mesma coisa, mas estão próximas. Ainda não é uma casa, mas é mais um tijolo.

4

O programa Houses of Empathy foi concluído há cerca de duas semanas e, até ao fim de novembro o processo de avaliação deverá estar finalizado, explica Sónia Freitas. Se tudo correr bem, a experiência poderá ser alargada a outros espaços de acolhimento de jovens em situação de risco. Só no distrito de Lisboa, explica Rui Godinho, existem cerca de 200 crianças e jovens em lista de espera para serem acolhidos. Todos à espera de aprender como lidar com o bullying que os espera dentro e fora de casa, dentro e fora deles mesmos.

 

 

 

Menores “viciados” apostam sem controlo no Placard

Janeiro 22, 2016 às 10:07 am | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Notícia do Diário de Notícias de 21 de janeiro de 2016.

PAULO SPRANGER GLOBALIMAGENS

Apostas no jogo da Santa Casa são proibidas a menores de 18 anos. Adolescentes chegam a usar dinheiro das refeições para apostar

Há menores viciados nas apostas do Placard, o jogo da Santa Casa da Misericórdia lançado em setembro do ano passado que permite apostar nos resultados dos eventos desportivos. Segundo o Jornal de Notícias, nos dias dos grandes jogos de futebol há adolescentes que chegam a prescindir do dinheiro para as refeições, usando-o para apostar, o que aponta para um grau de dependência preocupante.

Ao JN, a Santa Casa da Misericórdia garantiu não ter conhecimento da situação e referiu que, se vier a ter, “atuará nos termos da lei”: é aos mediadores dos jogos da Santa Casa que cabe fazer cumprir as regras, neste caso, impedir que joguem os menores de 18 anos.

Em Alpiarça, onde na passada terça-feira a GNR identificou dois jovens de 15 e 16 anos que apostavam, assim como o proprietário de uma papelaria próxima da escola secundária, o alerta foi dado pelos encarregados de educação, que garantiram que os adolescentes deixavam de comprar comida na escola e usavam o dinheiro para o jogo. O proprietário da papelaria incorre agora numa contraordenação que pode ir até aos 25 mil euros e arrisca-se a perder a licença de exploração de atividade. Foi o primeiro caso sinalizado pelas autoridades, mas a prática será comum em muitas localidades por todo o país.

Os dois jovens identificados foram referenciados à Comissão de Proteção de Crianças e Jovens; tinham registado um boletim no valor de dois euros, com ganhos de 28,90 euros.

Para apostar no Placard pela primeira vez, é necessário mostrar o cartão do cidadão ou de contribuinte e registar o número. O terminal entrega depois um talão, com o número de identificação fiscal (NIF) do jogador, para apresentar nas vezes seguintes. De acordo com o JN, os menores usam o talão com o número de contribuinte dos pais ou de um colega maior de idade. Alguns chegam mesmo a registar-se com o próprio NIF, já que os terminais não detetam se o número pertence a um menor. Ao jornal, vários agentes dos jogos da Santa Casa relataram situações de verdadeira “loucura”, mencionando casos em que os jovens vêm sozinhos dizendo que têm autorização dos pais ou que a mãe está à espera no carro.

No caso de as apostas dos menores serem premiadas, os mediadores nada podem fazer a não ser entregar o prémio: se a aposta foi registada, não é possível reter o talão vencedor.

Desde o lançamento, em setembro de 2015, o Placard registou mais de 65 milhões de euros em vendas brutas, indica o JN, precedido apenas pelo Euromilhões e pela Raspadinha, que está no topo das preferências dos apostadores.

 

 

 

 

Jornadas W+ “Pisar o risco – Respostas inovadoras de saúde com população de risco”

Novembro 17, 2015 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

pisar

De inscrição gratuita, estas jornadas destinam-se a todos os profissionais e estudantes que lidam com pessoas em situação de risco e vulnerabilidade psicológica.

“Pisar o risco – Respostas inovadoras de saúde com população de risco”, é o tema das jornadas, promovidas pela Unidade W+ da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), que se realizam no próximo dia 27 de novembro, entre as 9h00 e as 17h30, no auditório da Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa.

mais informações:

http://www.scml.pt/pt-PT/destaques/inscricoes_abertas_para_as_jornadas_do_w/

Um bólide que faz as crianças sorrir

Julho 23, 2015 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

texto do site http://www.scml.pt  de 8 de julho de 2015.

scml

Quatro crianças com disfunções neuromotoras conduzem e exploram um inovador veículo que lhes permite mobilidade independente.

INMAC (Independent Mobility for All Children) é o veículo que foi apresentado publicamente, esta quarta-feira, 8 de julho, no Pavilhão do Conhecimento, no Parque das Nações. Este projeto da ANDITEC – Tecnologias de Reabilitação Lda. contou com a colaboração com o CENTIMFE – Centro Tecnológico da Industria de Moldes, Ferramentas Especiais e Plásticos.

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) associou-se a esta apresentação pela importância que este produto pode ter no apoio especializado a crianças com disfunções neuromotoras graves, sendo que o primeiro protótipo funcional foi testado com crianças com paralisia cerebral, no Centro de Reabilitação de Paralisia Cerebral Calouste Gulbenkian da Misericórdia de Lisboa.

O objetivo principal deste veículo é proporcionar mobilidade a todas as crianças, independemente das incapacidades de que sejam portadoras. O INMAC apoia a mobilidade independente de crianças com disfunções neuromotoras graves (ex.: com paralisia cerebral), bem como de crianças com deficits sensoriais e cognitivos.

Estes bólides estão equipados com um sistema multidetetor de obstáculos, uma consola de utilizador e uma unidade de controlo.

Um veículo de inclusão, lúdico e que promove autonomia

Para Luís Azevedo, diretor da ANDITEC, o grande objetivo deste veículo é incentivar a ”mobilidade e a comunicação destas crianças”, salientando que “quando não há mobilidade, não há estímulos, não há exploração, não há oportunidade, o que dá lugar à frustração”.

O responsável pela ANDITEC sublinha ainda a “importância” da mobilidade independente para as crianças com disfunções neuromotoras e da utilidade que estes veículos podem ter nos centros de reabilitação, caso sigam o protocolo estabelecido.

São quatro os meninos que esperam ansiosos por entrar nos carros de cores garridas e apelativas. O Francisco, o Lourenço, o Tiago e o Manuel são os pilotos oficiais desta prova, estão na pole position para a sua autonomia e liberdade, ainda que seja por breves minutos.

Ao entrarem nos carros, recebem uma carta de condução de brincar. Felizes e satisfeitos, conduzem o veículo, para a frente, para a direita, para esquerda, para trás, para onde lhes apetece, porque aqui manda a sua vontade. Nestes minutos são donos do seu destino e de um sorriso enorme que não escondem, nem querem esconder.

Ana Manta é a mãe do Francisco de 4 anos, um dos meninos que participou nesta demonstração, revela que o seu filho sonha há mais de uma semana em conduzir o INMAC, salientando o papel “interessante e lúdico” do projeto.

Os pais de Manuel, Rita e Carlos, defendem a importância deste projeto para as crianças com disfunções neuromotoras ganharem “competências e autonomia”.

Luísa Desmet, responsável pela Unidade de Apoio à Deficiência da SCML, destaca que este “projeto inclusivo” permite que seja devolvida às crianças a sua “autoestima e capacidade de comunicação”.

8 de julho de 2015

mais informações:

http://www.anditec.pt/

 

Museu de São Roque celebra o Dia da Criança

Maio 29, 2015 às 7:26 am | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
Etiquetas: , ,

roque

http://www.museudesaoroque.com/pt/home/dia-mundial-da-criança.aspx

 

Página seguinte »


Entries e comentários feeds.