IAC e AMPLOS lançam Guias para Famílias e para Profissionais Educação sobre Diversidade de Género na Infância – 24 outubro em Odivelas

Outubro 24, 2019 às 9:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

Da parceria do IAC com a AMPLOS nasceram os Guias para Famílias e para Profissionais Educação sobre Diversidade de Género na Infância. Dia 24 de outubro vamos estar presentes no Dia Municipal para a Igualdade, em Odivelas, para o seu lançamento oficial. Não percam!

Local – 14.45h no Pavilhão Multiusos de Odivelas na Alameda do Porto Pinheiro.

Mapa

Intervenção Precoce na Infância – 2ª edicão

Outubro 22, 2019 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

mais informações no link:

http://fa.ispa.pt/cursos/intervencao-precoce-na-infancia-2-edicao

A infância acaba aos 6 – Eduardo Sá

Julho 19, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Artigo de opinião de Eduardo Sá publicado no Observador de 7 de julho de 2019.

Se continuarmos por aqui, e se não cultivarmos mais as crianças para o brincar, a infância pode estar “à beira da extinção”.

A partir do momento em que a escola se tem vindo a transformar no “trabalho infantil” do século XXI, temos cada vez mais famílias a fazer com que os seus filhos entrem nela mais tarde – aos 7 – para que tenham direito a mais um ano de infância(!). Ou seja, no século XXI a infância parece terminar aos 6! Se, dantes, a escola se caracterizava como “O” indicador mais inequívoco das crianças com direito à infância, hoje, até porque todas elas vão (felizmente!) à escola, aquilo que distingue as crianças que têm infância daquelas que não a “têm” é o brincar. O tempo e a qualidade do brincar diários que os pais reservam para os filhos.

Como as crianças têm menos tempo de infância, menos irmãos e famílias menos alargadas, menos actividade física, menos recreio, menos convívio e menos relação com o ar livre, receio que tenhamos crianças cada vez mais quietas, mais apáticas e mais caladas. Crianças que não crescem aprendendo com o corpo mas contra o corpo. Crianças que convivem com famílias muito pequenas. Que não brincam tanto como deviam. Que vivem espartilhadas em compromissos escolares e confinadas a espaços reduzidos. Que, muitas vezes, mandam muito mais nos pais do que deviam. Que, por isso, se vão transformando em “novos chefes de família”. E que são tratadas como adultos de tamanho “S”. Restam-lhe os amigos. E os jogos! Até porque (já repararam?) as lojas de brinquedos vão morrendo, aos bocadinhos. Por outras palavras, a solidão no crescimento das crianças começa a ser assustadora. Se continuarmos por aqui, e se não as cultivarmos mais para o brincar, para a palavra, para a fantasia e para as histórias – de forma a minimizarmos a relação (cada vez mais hegemónica) que elas têm com as novas tecnologias – por mais que falemos das crianças como nunca o fizemos, a infância pode estar “à beira da extinção”.

É, portanto, urgente que se deixe de entender o brincar como um actividade de lazer. Ou como uma distracção. Ou quase como um proforme que entendemos conceder às crianças sempre que falamos da infância. Brincar é desconstruir mistérios. É intuir e analisar inúmeras hipóteses. É formular problemas. É discorrer sobre eles e resolvê-los. Brincar é, depois de entrar nelas, “desmanchar” as histórias. E entendê-las naquilo que elas nos querem dizer. E reconstruí-las de forma sempre mais simples, mais esquemática e mais sábia. Brincar é recolher imagens e, ao recombiná-las, cultivar e expandir a imaginação. Brincar não serve para distrair; serve para lavrar a atenção. (Aliás, não há nada que incentive mais a atenção do que o brincar!) Brincar é aprender. Brincar é melhor que fazer trabalhos de casa. Brincar educa para a intuição e para a interpretação. Brincar “puxa pela cabeça”, pelo corpo e pela “alma”. Brincar é “trabalhar”. E é pensar!

Ora, sejamos razoáveis, se continuarmos a estruturar o trabalho dos adultos, unicamente, pelas horas que eles lhe dedicam e nunca pelo realização das tarefas a que se comprometem, fazemos por ignorar que as horas que os adultos trabalham nunca correspondem aquelas em que eles conseguem estar, efectivamente, atentos e concentrados, e a produzir em concomitância com tudo aquilo de que são capazes. Trabalharmos muitas horas parece ser, às vezes, uma forma de expiarmos a culpa pela forma como reconhecemos que nunca conseguimos produzir tanto quanto trabalhamos. Aliás, quando distinguimos um  emprego de um trabalho – e somos capazes de estabelecer a distinção entre ambos e a expressão que alguns tornam sua quando afirmam: “Agora que me divirto, já posso deixar de trabalhar” – parecemos assumir que trabalhar é uma actividade monótona, soturna e onde ninguém nos paga para nos divertirmos. Deve ser por isso que consideramos o trabalho como o contrário do brincar. Como se o nosso trabalho e o das crianças fosse sisudo, difícil e, até, penoso. E o brincar leve, descontraído e amigo do prazer. Mas o mais grave é que, com os nossos filhos, reproduzimos estes vícios de forma. E acabamos a considerar que trabalhar é – sempre! – mais importante do que brincar.

É por tudo isto que não podemos deixar que as crianças continuem a perder, como tem vindo a acontecer desde há vinte anos, horas de brincar. É por tudo isto que é urgente que elas brinquem duas horas por dia, todos os dias! É por tudo isso que não podemos continuar a permitir que, na escola, o brincar seja uma actividade sazonal, de Primavera/Verão, e que esteja quase extinta. E é por tudo isso que, em casa, brincar não pode ser, unicamente, uma actividade de fim-de-semana. Da mesma forma como as crianças ganham quando brincam, os pais ganhariam se brincassem. Aliás, é por não saberem brincar que os pais “desconfiam” da sua utilidade! Portanto, deixe-mo-nos de “brincadeiras” e assumamos que é urgente o brincar! Para que o “fim” da infância não coincida com o início da escola. E para que todas as crianças tenham direito ao brincar indispensável sem o qual pode haver crianças sem que haja infância.

Encontro Nacional de Associados “Os Desafios da Intervenção na Infância e Juventude” 10 dezembro em Coimbra

Dezembro 4, 2018 às 9:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Faça a sua inscrição até ao dia 07 de dezembro

Mais informações no link:

https://www.eapn.pt/eventos/1324/encontro-nacional-de-associados-os-desafios-da-intervencao-na-infancia-e-juventude?fbclid=IwAR0yqRhhhF_G5D2odmRK0GU5ZY-kRn4Lx35CQJm3wcYPLP9e4HfGfJJfsuo

Formação Transitiva para a Infância – Edição de Outono de 2018 – 29 setembro e 6 outubro em Rio Maior

Setembro 8, 2018 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Uma iniciativa do Projeto GermInArte – TransFormação Artística para o Desenvolvimento Social e Humano a partir da Infância.
A Formação Transitiva é formada por três módulos de 3 horas cada, perfazendo um total de 9 horas.
Os formandos devem estar presentes nos três módulos de formação. Não é possível fazer inscrições apenas para um ou dois módulos.

LOCAL da FORMAÇÃO:
Biblioteca Municipal de Rio Maior.
Rua Dr. Fernando Sequeira Aguiar
2040-130 Rio Maior

DATAS da FORMAÇÃO:
29 Setembro: 10h00-13h00 (BebéPlimPlim)
29 Setembro: 14h30-17h30 (Colos de Música)
6 Outubro: 10h00-13h00 (SuperSonics)

DATA LIMITE DE INSCRIÇÃO:
Uma semana antes do início da formação

Mais informações no link:

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSeGIZ5m-ANlP6-6OZ90y24W9Bt5IE8XCEqfFWMbTIgtGPB5JQ/viewform

As crianças portuguesas são felizes, mas só as mais pequenas

Novembro 15, 2017 às 1:30 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

Notícia do https://www.publico.pt/ de 8 de novembro de 2017.

Inquérito a 1131 pais revela que oito em cada dez preocupa-se com a felicidade futura dos filhos.

Bárbara Wong

As crianças portuguesas são felizes mas, à medida que vão crescendo, a percentagem de infelicidade aumenta, revela um inquérito promovido pela Imaginarium sobre “A felicidade e a infância”, conhecido nesta quarta-feira, em Lisboa. Também a Ikea lançou o seu “Play Report 2017” para o qual entrevistou mais de 350 crianças e adultos na Alemanha, China e EUA para compreender o papel da brincadeira na vida das pessoas.

Segundo o inquérito levado a cabo pela Imaginarium a 1131 pais, oito em cada dez preocupam-se com a felicidade futura dos filhos. Aliás, mostram-se mesmo “muito preocupados” e a maioria acredita que os filhos são “felizes” (20,2%) ou “muito felizes” (51,6%), há mesmo um quinto que diz que o seu filho “é a criança mais feliz do mundo”, apenas 8,8% diz que é “normal, às vezes feliz e outras não” e só 0,1% confessa que o filho é “muito triste”.

Contudo, os níveis de felicidade das crianças varia conforme a idade e os dados mostram que à medida que crescem vão tornando-se mais infelizes. As faixas etárias analisadas foram dos 0 aos 2, dos 3 aos 4, dos 5 aos 6 e dos 7 aos 8 anos. São estes últimos que são mais infelizes (15,2%) – a percentagem de infelicidade vai decrescendo com a idade situando-se nos 6,4% nas crianças entre os 0 e os 2 anos.

Para Rui Lima, pedagogo e convidado pela Imaginarium para comentar o estudo, é imposta uma “crescente pressão” às crianças, quer pelos pais quer pelos professores, onde “o desempenho académico, a competição entre pares e a necessidade de alcançar a perfeição em todas as actividades realizadas são uma constante”, logo, têm um “impacto negativo na felicidade das crianças”, defende num comunicado enviado às redacções.

E o que faz os meninos portugueses infelizes? Não passar tempo suficiente com os pais (26,3%), não ter tempo suficiente para brincar (21,3%) ou ficar de castigo (16,4%), respondem os pais inquiridos. As crianças serão mais felizes se se desenvolverem num ambiente escolar e familiar em que se sintam valorizadas e queridas (45,2%), se passarem mais tempo em família (34,8%) e se os pais as deixarem “explorar o mundo através da brincadeira (17%), respondem ainda os pais.

Falta mais tempo para a família

Praticamente todos os pais (99,8%) respondem que a felicidade dos filhos passa pelo tempo de qualidade partilhado em família, mas pouco mais de metade (51%) sente que passa pouco tempo de qualidade com os filhos e seis em cada dez pais acreditam que os filhos sentem a sua falta. Aliás, a maioria (89,8%) reconhece que tem dificuldade em conciliar a vida profissional com a pessoal e acredita que um horário laboral mais flexível lhes permitiria aumentar o tempo de qualidade e brincar com os filhos.

Quando questionados sobre como contribuem para a felicidade dos filhos, os pais respondem que é ouvindo-os e fazendo-os sentir-se queridos (33,4%) e passando mais tempo com eles (28,1%). Para 14,3% a felicidade passa por elogios e incentivos para que os filhos façam as coisas bem.

Durante a semana, o tempo mais feliz que pais e filhos compartilham é o de antes de ir deitar e, ao fim-de-semana, são os passeios que fazem as delicias dos mais novos. Este inquérito, que a Imaginarium defende representar o todo nacional, conclui que as crianças portuguesas são “extremamente familiares” porque gostam de fazer planos com os pais e passar tempo com os mesmos.

A Imaginarium pergunta ainda aos pais que tipo de brinquedo faz os filhos mais felizes e as bicicletas e veiculos com rodas (38%) surgem à cabeça, seguido da música, arte e trabalhos manuais (35,2%), os jogos de construção e lógica (30,8%) e as cozinhas e profissões (30,6%). Os ecrãs, televisões, Ipad, vídeojogos e telemóveis (19,4%) surgem na oitava posição.

“Os brinquedos devem apelar ao desenvolvimento de diferentes competências, tanto ao nível físico como intelectual. Desenvolvendo essas competências, a criança será capaz de relacionar-se melhor consigo mesma, com os outros e com o mundo. Daí a importância de brinquedos que estimulem os sentidos nos primeiros anos de vida”, defende Rui Lima no comunicado.

Também a marca sueca Ikea fez o seu terceiro relatório – depois de 2010 e 2015 – sobre o brincar com o objectivo de perceber melhor o papel desta actividade no desenvolvimento das crinças e na vida em casa. Para isso, entrevistou mais de 350 pessoas na Alemanha (Berlim), China (Pequim) e Nova Jérsia (EUA), entre os 2 e os 90 anos, e propõe cinco definições para brincar: “brincar para reparar”, ou seja, para recuperar do stress do dia-a-dia e as sugestões passam por actividades que promovam o bem-estar das pessoas como o ioga ou o tai-chi, mas também a jardinagem ou um passeio.

“Brincar para conectar” é a segunda definição. Num tempo em que o trabalho interfere por vezes na vida pessoal, o brincar proporciona a possibilidade de abrandar e de as pessoas se aproximarem da família ou dos amigos. As sugestões passam por ir a um bar fazer karaoke ou fazer jogos tradicionais como os de tabuleiro ou as cartas, o que permite que as pessoas estejam ligadas sem ser pela tecnologia, propõe o relatório.

As pessoas precisam de momentos de libertar, por isso, “brincar para libertar” é a terceira conclusão da marca, que sugere uma ida ao teatro ou a um parque temático. “Brincar para explorar” é a quarta proposta, explorar mundos reais ou imaginários, viajar ou brincar ao “faz-de-conta”. Por fim, “brincar para expressar” que aposta na criatividade e nas artes, da pintura à música.

“Brincar começará a aparecer, cada vez mais, em todos os aspectos das nossas vidas. Desde o local de trabalho ao ginásio, as pessoas irão procurar brincar em espaços e momentos onde tradicionalmente não o fariam”, conclui o comunicado da Ikea.

Ikea Play Report 2017

 

Pós-graduação Intervenção Precoce na Infância

Junho 4, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

O curso tem início em 23 de Outubro de 2017 com duração de 10 meses. Prevêem-se 8 horas de aulas por semana, segundas e terças feiras em horário pós-laboral das 18h30-22h30, ao longo de 32 semanas.

mais informações:

http://fa.ispa.pt/cursos/intervencao-precoce-na-infancia-novo

Síndrome de Asperger na infância

Abril 4, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , ,

Texto do https://lifestyle.sapo.pt/

O psiquiatra austríaco que identificou o problema chamou-lhe a doença dos pequenos professores. Experimente ver o mundo através dos olhos de uma criança com esta patologia.

«Foi por volta dos dois anos que começámos a notar que o João manifestava comportamentos diferentes dos que a irmã tinha tido na mesma idade. A nossa principal preocupação foi a não evolução da fala. Poucas semanas após ter entrado para o colégio, a educadora de infância alertou-nos para o facto de ele demonstrar desinteresse pelas outras crianças e de se isolar», recorda a mãe desta criança.

«Após este alerta, consultámos a pediatra que estava a par da situação e que tinha encarado a ida do João para o colégio como um teste pois, fora do ambiente familiar, seria mais fácil identificar e concretizar as suspeitas que tinha. Então, encaminhou-o para uma consulta de pedopsiquiatria mas só mais tarde é que o pediatra do desenvolvimento falou em Síndrome de Asperger», explica ainda.

Esta é a história do João. Mas podia ser a do Pedro, do António, da Margarida ou da Ana. E, afinal, de que falamos quando falamos de Síndrome de Asperger? Trata-se de uma forma de autismo que interfere no modo como comunicamos e nos relacionamos com os outros. As suas causas não são ainda totalmente conhecidas, embora se acredite que esta síndrome seja provocada por um conjunto de factores neurobiológicos que afetam o desenvolvimento cerebral da criança.

Crianças com uma inteligência acima da média

Pensa-se que afete predominantemente o sexo masculino, embora alguns especialistas sejam da opinião que muitas mulheres com Síndrome de Asperger não são diagnosticadas por conseguirem ultrapassar melhor os obstáculos que surgem em termos de socialização. O quociente de inteligência das crianças com Síndrome de Asperger é, normalmente, médio ou acima da média e as dificuldades ao nível da aprendizagem e da linguagem não são tão pronunciadas como as das crianças com autismo.

Este facto, aliado ao desconhecimento que existe em relação a esta perturbação, leva a que, muitas vezes, as crianças sejam rotuladas como «estranhas» ou «excêntricas», não sendo diagnosticadas precocemente e, consequentemente, não beneficiando de um apoio e motivação adequados. As crianças com Asperger demonstram, habitualmente, uma excelente capacidade de memorização de números e  factos, mas revelam limitações ao nível do pensamento abstrato.

No campo da comunicação e interacção, existe alguma dificuldade na interpretação da linguagem não verbal (expressões faciais e postura corporal), metáforas, frases indirectas ou, por outro lado, que possam ser levadas à letra. Quando as crianças ou adultos com Síndrome de Asperger lidam com alguém que não está a par desta dificuldade podem gerar-se alguns mal-entendidos, pois as regras convencionais de uma conversação nem sempre são utilizadas.

O que pode ser feito para ajudar estas crianças

O contacto visual pode ser quase nulo ou, no extremo oposto, de tal forma persistente que se pode tornar incomodativo. Outra particularidade diz respeito a situações desconhecidas e quebras de rotina, que são encaradas com ansiedade e evitadas a todo o custo, o que implica um reajuste familiar nem sempre fácil. Mariana e Pedro, os pais de João, contam-nos que evitam «situações que lhe causem stresse».

«O João tem dificuldade em gerir emoções e muito medo do desconhecido. Por exemplo, só aos oito anos é que foi, pela primeira vez, ao cinema. E, só no último aniversário é que aceitou que se fizesse uma festa e se cantassem os parabéns», desabafam. Em Portugal, em 2009, estimava-se que o número de crianças com este problema rondasse os 40.000, apesar das entidades oficiais considerarem que muitos casos ainda estavam por diagnosticar.

Hobbies exclusivos

O desenvolvimento de interesses e padrões de comportamento circunscritos e repetitivos são outras das características mais comuns das crianças e adultos com Síndrome de Asperger. No caso de João, a família sentiu alguma dificuldade em «aprender a lidar com os interesses dele. Quer ver imensos desenhos animados e filmes da Disney, uns atrás dos outros a ponto de dizer palavras e expressões em inglês», diz.

A preocupação absorvente por um tema específico (que, geralmente, envolve a memorização e ordenação de factos) pode evoluir para uma espécie de obsessão que leva a pessoa a reunir toda a informação que conseguir obter sobre determinado assunto, não revelando interesse por outras actividades e não percebendo porque é que os outros não manifestam igual entusiasmo pelo assunto.

A doença dos pequenos professores

Hans Asperger, psiquiatra austríaco cujo apelido foi utilizado para baptizar esta síndrome, chamava às crianças com este problema «pequenos professores», devido ao carácter especializado dos seus conhecimentos em determinada área. Apesar do sistema de ensino, no geral, não estar devidamente dotado para apoiar as crianças com Síndrome de Asperger, os pais de João são da opinião que «existem profissionais com interesse pela diferença».

«O nosso filho está integrado no projecto TEACCH (Treatment and Education of Austistic and Related Communication Handicapped Children), trata-se de ensino estruturado e, como são crianças que gostam de rotinas, funciona muito bem», revelam. «Mas tem de haver um grande empenho por parte dos docentes tanto do ensino especial como do ensino regular», afirma o casal.

«Atualmente, estamos adaptados à situação, até porque o João tem evoluído sempre de forma positiva», revelavam em entrevista há uns anos. «Hoje em dia já constrói frases curtas e consegue fazer-se entender», regozijavam-se. Está medicado, o que o tem ajudado a superar os medos e a ansiedade», afirmavam ainda os progenitores da criança. «O nosso receio está no futuro», desabafavam.

A união que faz (mesmo) a força

A Síndrome de Asperger não tem cura, o que significa que uma criança com Asperger vai tornar-se um adulto com Asperger. No entanto, um apoio correto ao longo da infância e adolescência é  fundamental para que cada etapa da vida seja o mais harmoniosa possível. Para os pais e restante família manterem-se informados e esclarecerem todas as dúvidas é um passo fundamental.

«Mal soubemos que a Associação Portuguesa do Síndroma de Asperger tinha sido criada quisemos fazer parte dela. Constatámos que não estávamos sós, pois existiam outros pais com os mesmos problemas e interrogações. É uma grande ajuda poder trocar alegrias e frustrações com outros pais», explica a mãe de João. Quando lhe perguntamos que conselhos daria aos pais de uma criança com Síndrome de Asperger, a resposta não se faz esperar.

«Acreditem sempre e façam tudo o que estiver ao vosso alcance. As terapias precoces são um grande contributo para uma evolução positiva e a família é, sem dúvida, a base de um desenvolvimento favorável. Não escondam os vossos filhos por eles serem diferentes, pois dão as mesmas alegrias que as crianças ditas normais. Falando metaforicamente, enquanto a nossa filha corre a 100 à hora, o João vai apenas a 60, mas chega lá. E, se for do interesse dele, até chega primeiro», diz.

Como perceber o que vai dentro daquelas (pequenas) almas

Especialistas desvendam os pensamentos de uma criança com Síndrome de Asperger. Para que possamos percebê-la melhor:

– «Posso estar tão concentrado nos meus pensamentos que não ouço alguém chamar-me ou falar comigo e, por vezes, acho os ruídos tão ensurdecedores que tenho de tapar os ouvidos ou fugir».

– «Tenho um interesse especial, do qual falo constantemente. Por exemplo, se for por comboios, gosto de lhes tirar fotografias, desenhá-los e reproduzir os sons que fazem. Não entendo porque é que os outros não se interessam pelo tema».

– «Não consigo perceber o que os outros estão a sentir só de olhar para eles. Tenho dificuldade em perceber a linguagem corporal a não ser que estejam a chorar, a rir ou a gritar».

– «Tenho determinados rituais que sigo escrupulosamente para ficar calmo. Mas, às vezes, fico frustrado pois ocupam-me muito tempo».

– «Posso ficar assustado se vejo muitas pessoas à minha volta ou alguém que não conheço. Nessas alturas gostava de ser invisível».

– «Não entendo as palavras com duplo sentido e anedotas. Acredito em tudo o que me dizem. Se me disserem que as pessoas morrem se não beberem água posso levar isso tão a sério que beberei água a toda a hora».

– «Não tenho facilidade em ver as horas, atar os atacadores, descascar fruta, andar de bicicleta ou usar a régua».

– «Tenho consciência que sou diferente e que não consigo fazer, com facilidade, o que os outros fazem. Isso deixa-me nervoso e frustrado. Não consigo perceber a origem da minha diferença ou porque é que os outros fazem troça de mim».

Texto: Teresa D’Ornellas

 

 

Conferência “Políticas Públicas para a Infância: O papel da Família e das Comunidades” na Fundação Calouste Gulbenkian, dia 23 fevereiro, 10h, auditório 2

Fevereiro 20, 2017 às 5:25 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

grupos

Faça a sua Inscrição.

Mais informações em: https://gulbenkian.pt/evento/projeto-aprender-brincar-crescer/

Pós-graduação Intervenção Precoce na Infância

Novembro 22, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

pos

mais informações:

http://fa.ispa.pt/cursos/intervencao-precoce-na-infancia

Página seguinte »


Entries e comentários feeds.