Oficinas Educativas no Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas – Pré-escolar ao 3.º ciclo

Agosto 31, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

mais informações no link:

http://museuarqueologicodeodrinhas.cm-sintra.pt/documents/documentos_noticias/FOLHETO%202017%202018%20aa.pdf

http://museuarqueologicodeodrinhas.cm-sintra.pt/

Anúncios

O que é a dark web?

Agosto 31, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

Artigo do https://www.publico.pt/ de 8 de agosto de 2017.

Reuters/KACPER PEMPEL

Perguntas e respostas sobre uma parte mais obscura da Internet, frequentemente usada para actividades criminosas.

Karla Pequenino

As autoridades italianas divulgaram há poucos dias o caso de uma modelo britânica raptada em Julho, em Milão, para ser leiloada online, na chamada dark web. O criminoso acabou por desistir do esquema e entregou a vítima no consulado britânico, depois de o leilão ser ignorado (ninguém fez uma oferta). Em Março, a Europol, o serviço europeu de polícia, classificou esta parte da Internet como uma das maiores ferramentas dos criminosos, descrevendo-a como o motor da criminalidade organizada na União Europeia.

O que é a dark web?

Uma pequena parte da World Wide Web, infame por ser utilizada por visitantes do mercado negro online. Resume-se a um conjunto de redes encriptadas (conhecidas como darknets) que estão intencionalmente escondidas da Internet visível através de sistemas de encriptação.Como tal, não se encontram sites da dark web através de pesquisas em motores de busca, ou ao escrever o endereço de IP em browsers normais.

É díficil encontrar a origem do conteúdo alojado nestas redes, visto que apenas podem ser acedidas através de software e configurações específicas. “A dark web pode ser vista como uma máscara da actividade ilegal na Internet”, diz Jorge Alcobia, director executivo da Multicert, uma empresa de segurança informática portuguesa. “É o contrário da chamada Internet visível, em que se conhecem os certificados de segurança, credenciações e máquinas utilizadas. Na dark web, os servidores, o domínio e a origem da informação são disfarçados, tornando-se um sítio apelativo a criminosos.”

A dark web foi alvo de atenção mediática em 2015, quando os dados extraídos do ciberataque ao site Ashley Madison (uma rede social para ajudar pessoas interessadas em trair os parceiros) foram aí disponibilizados.

É o mesmo que a deep web?

Não. A dark web é uma pequena parte da deep web que, por sua vez, inclui todos os sites da Internet que não se podem encontrar através dos motores de busca. Integra informação online escondida por palavras-passe, ou que apenas pode ser acedida através de software específico. Muitos dos conteúdos da deep web não têm nada de ilegal.

O que se encontra na dark web?

Conteúdo ilegal, mas não só. Várias pessoas – agências segurança, autoridades, activistas a lidar com informação sensível e jornalistas – utilizam a dark web porque oferece uma camada de segurança extra que cobre a sua identidade, e permite maior segurança e privacidade. Porém, a rede é conhecida pelos mercados negros online, onde se podem comprar drogas, documentos ilegais, serviços de assassinato, e pornografia infantil.Também se encontram serviços que prometem trocar a divisa digital bitcoin por outras moedas, visto que as bitcoins são muito utilizadas em transacções ilegais por facilitar o anonimato dos utilizadores.

De acordo com um relatório de 2017 da Europol, 57% das páginas da dark web contêm conteúdo ilegal. “A maioria do conteúdo na dark web não é legal”, diz Jorge Alcobia. “Sem ser para fins de investigação, não vejo motivos para alguém se dar ao trabalho de utilizar uma plataforma que mascara a identidade de IP e a máquina que estão a utilizar para uma simples navegação na Internet,” refere.

Um dos primeiros mercados ilegais a operar na dark web foi a plataforma Silk Road, que vendia vários produtos ilícitos, particularmente estupefacientes. Em 2012, as vendas anuais rondavam os 22 milhões de dólares. Foi desmantelado em 2013, porque as autoridades encontraram o criador, Ross Ulbricht, em flagrante delito a aceder à área de administração do Silk Road numa biblioteca pública em São Francisco, nos Estados Unidos.

Como se acede à dark web?

A forma mais comum de aceder a parte da dark web é através do browser da rede privada Tor (disponível gratuitamente, online). Além de ser utilizado para aceder a sites da Internet “visível”, serve para aceder a vários sites e serviços alojados na rede Tor (os sites em questão estão sob o domínio .onion). A rede I2P é outras alternativa.

Porém, devido à actividade ilegal associada à dark web, é preciso ter cuidado ao navegar estas partes da Internet. Recomenda-se o uso de uma rede virtual privada (VPN), e o bloqueio das câmaras e microfones do computador.

É seguro aceder?

“Não”, é a resposta imediata do director da Multicert. “Ninguém se vai associar ou ligar a um gangue para o conhecer melhor. Pode fazê-lo, mas corre o risco de se associar a actividade criminosa.” Alcobia menciona um caso nos Estados Unidos em que uma biblioteca foi acusada de estar envolvida em actividade ilegal, porque o IP (obtido pelos criminosos) tinha sido registado num acesso à dark web. “Quando alguém pouco cuidado acede à dark web corre o risco de ter a sua informação pessoal aproveitada e utilizada por criminosos e, depois, ter de provar a sua inocência”, avisa Alcobia.

Há casos de criminosos a utilizar a dark web em Portugal?

Sim. Cada vez há mais, segundo dados da Multicert. Desde empresas farmacêuticas que sofrem ataques informáticos e vêem patentes e fórmulas à venda na dark web, a donos de empresa que sofrem burla de identidade. Em Portugal, o sistema de reservas online de empresas na indústria hoteleira é um dos maiores alvos de ciberataques.

“A dark web não é só usada para vendas no mercado negro. Muitos criminosos online trabalham escondidos pela dark web. Tal como ninguém assalta um banco físico sem uma máscara, as actividades ilícitas online funcionam melhor sob o véu da dark web, que esconde o endereço IP e a máquina que os criminosos estão a usar”, diz Alcobia.

Como se apanha um criminoso na dark web?

Como um lobo que veste pele de cordeiro. Várias agências de segurança e empresas utilizam parceiras internacionais (com indivíduos que criam perfis falsos na dark web) para encontrar redes de crime a operar na dark web. Os investigadores entram em contacto com os criminosos – passando-se por possíveis clientes – para obter informação que os desmascare. As parcerias internacionais são utilizadas para evitar que os criminosos portugueses se sintam desconfiados por serem contactados com clientes oriundos do seu país.

 

 

Pós-Graduação – Proteção de Crianças em Perigo e Intervenção Local – Crianças em Perigo: Como Prevenir e Intervir

Agosto 31, 2017 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Período de candidaturas: Até 30 de setembro de 2017

mais informações no link:

http://iepg.iscsp.ulisboa.pt/pos-graduacoes/estudos-sociais/proteccao-de-criancas-em-perigo-e-intervencao-local/objectivos-e-destinatarios

Ateliê Instrumental para Pais e Filhos – 6 de setembro – Sede da Metropolitana

Agosto 30, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , ,

Entrada livre sujeita a Inscrições até 4 de setembro

mais informações no link:

http://www.metropolitana.pt/Default.aspx?ID=4354&CalendarEventID=3810

“Não é de menor importância o tipo de imagens que transmitimos às nossas crianças”

Agosto 30, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

Entrevista da http://sicnoticias.sapo.pt/ a Teresa Fragoso no dia 24 de agosto de 2017.

Visualizar o vídeo da entrevista no link:

http://sicnoticias.sapo.pt/pais/2017-08-24-Nao-e-de-menor-importancia-o-tipo-de-imagens-que-transmitimos-as-nossas-criancas-1

As vendas de dois blocos de atividades para rapazes e raparigas, dos 4 aos 6 anos, lançados pela Porto Editora, foram suspensas após recomendação do Governo. A presidente da Comissão para a Cidadania e Igualdade do Género, Teresa Fragoso, explicou, na Edição da Noite, as razões que levaram à recomendação para que a venda fosse suspensa.

 

Tribunal europeu manda parar adoção polémica

Agosto 30, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , ,

Noticia do Jornal de Notícias de 13 de agosto de 2017.

clicar na imagem

Um olhar para a inclusão nas escolas: a outra face da moeda

Agosto 29, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Artigo de opinião de Luís de Miranda Correia publicado no https://www.publico.pt/ de 18 de agosto de 2017.

O novo diploma do Governo não serve os interesses dos alunos com necessidades educativas especiais.

A discussão pública do projeto de Decreto-Lei designado de “Regime Legal para a Inclusão Escolar”, que pretende substituir-se ao Decreto-Lei 3/2008, de 7 de janeiro, tem sido alvo de várias análises, quase todas elas a tecerem considerações que me levantam muitas dúvidas.

A primeira prende-se com afirmações de que a “linguagem deste documento é mais avançada e atualizada” do que a usada no DL 3/2008 e de que, no que respeita à inclusão, “está em sintonia com os documentos mais avançados e considerados ao nível internacional”. Cita-se, até, um documento publicado pela Unesco (2017), intitulado A guide for ensuring inclusion and equity in education. Não posso discordar mais.

A linguagem deste documento e a da publicação da Unesco nada têm de avançado em relação ao que há mais de duas dezenas de anos tem vindo a ser dito sobre o assunto. Já há 20 anos, num dos meus livros publicados pela Porto Editora, Alunos com necessidades educativas especiais nas classes regulares (1997), dizia o seguinte sobre o assunto: “O movimento inclusivo tende a prescrever a classe regular de uma escola regular como o local ideal para as aprendizagens do aluno com NEE. Será aí, na companhia dos seus pares sem NEE, que ele encontrará o melhor ambiente de aprendizagem e de socialização, capaz de, se todas as variáveis se conjugarem, vir a maximizar o seu potencial. Uma escola inclusiva é, assim, uma escola onde toda a criança é respeitada e encorajada a aprender até ao limite das suas capacidades.”

Também o DL 3/2008, no seu preâmbulo, diz o seguinte: um aspeto determinante da melhoria da qualidade do ensino é “a promoção de uma escola democrática e inclusiva, orientada para o sucesso educativo de todas as crianças e jovens. […] A educação inclusiva visa a equidade educativa, sendo que por esta se entende a garantia de igualdade, quer no acesso quer nos resultados”.

Ainda, há mais de 30 anos, investigadores internacionais de grande envergadura nestas matérias têm usado linguagem semelhante. Ou seja, as “palavras bonitas” já têm barbas. Todos estamos de acordo, de tal forma que muitos de nós, eu incluído, pensamos que é tempo de deixarmos de tratar a inclusão em termos de classes inclusivas, escolas inclusivas, ou mesmo de alunos incluídos e das demais agora já consideradas verbosidades (pós-modernas?) que mais parecem pretender vender um produto a todo o custo à sociedade em geral.

O que é preciso é retirar essas “palavras bonitas” do papel onde já estão a criar bolor e pô-las a saltitar nas escolas para que estas possam efetivamente acomodar uma filosofia inclusiva que permita providenciar serviços para os alunos em risco, com necessidades educativas especiais, sobredotados e talentosos, fazendo-o de uma forma que possa proporcionar sucesso a todos os alunos. Só que esta mudança requer uma restruturação profunda que o documento ora em discussão pública parece querer tratar, embora, a meu ver, não o tenha conseguido fazer dado o seu cariz abrangente, relegando para segundo plano a educação de crianças e adolescentes com necessidades especiais.

Repare-se que o diploma nem sequer define conceitos tais como inclusão, educação especial e necessidades educativas especiais, para mencionar apenas alguns termos que deveriam merecer a nossa atenção. Mesmo o documento da Unesco, citado acima, inclui no seu glossário estes e outros termos necessários à oferta de uma educação de qualidade para todos os alunos centrada no princípio da igualdade de oportunidades.

A segunda consideração aborda “a não centração na categorização” também ela produto do “enfoque que (hoje) é dado à inclusão”. Aqui, também o meu desacordo. Todos sabemos, ou devíamos saber, que, em educação, continua a ser muito atual a discussão sobre as vantagens (ex.: A categorização promove a consciencialização e consequente compreensão da singularidade das dificuldades de um aluno; A categorização leva à intervenção, abrindo portas aos recursos; A categorização reduz ambiguidades, promovendo uma profícua troca de informações entre profissionais de educação e pais) e desvantagens (ex.: A categorização pode alterar as expectativas dos professores; A categorização pode estimular comportamentos de bullying; A categorização pode fazer baixar a auto estima do aluno) da classificação e consequente categorização no que respeita aos alunos com necessidades especiais. É interessante notar-se que nem o próprio documento alvo de discussão pública consegue fugir à categorização (algures no seu preceituado usa termos como “domínio da visão”; “surdez”; “dislexia”), embora no seu preâmbulo se diga que se afasta “a concessão de que é necessário categorizar para intervir.”

Uma terceira consideração que poderá pôr em risco o sucesso das crianças e adolescentes com necessidades especiais é a de se afirmar que a escola deve adequar-se, adaptar-se e acomodar-se em lugar de criar serviços “especiais”. Embora se perceba que haverá uma ponta de ironia nesta afirmação, o leitor menos preparado poderá não perceber que não existem serviços “especiais”, mas sim “especializados” (ex.: educacionais, psicológicos, terapêuticos, sociais, clínicos), tantas vezes absolutamente necessários para responder às necessidades dos alunos. Esta ironia pode até ser considerada uma ofensa para os profissionais que tão diligentemente prestam os seus serviços em prol do sucesso dos alunos, particularmente dos alunos com necessidades especiais (docentes de educação especial, psicólogos, terapeutas, técnicos de serviço social, clínicos).

Uma quarta consideração, bastante positiva, embora pouco ou nada evidenciada nas várias análises a que tive acesso, diz respeito ao facto de o documento agora em discussão pública ter abolido o uso da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF). Outro fator positivo é o estabelecimento de “uma tipologia de intervenção multinível no acesso ao currículo”, embora, a meu ver, seja necessário considerar-se uma fase experimental para que as escolas a possam vir a implementar. Contudo, tal facto não deve impedir, quando absolutamente necessário, que um aluno seja encaminhado para os serviços de educação especial (cerca de 4 a 6% dos alunos com NEE necessitam desses serviços).

Finalmente, embora esteja ciente de que haveria muitos mais aspetos do documento a analisar (ex.: funções dos docentes de educação especial; papel dos Centros de Apoio à Aprendizagem) que, por falta de espaço, me vejo impedido de fazer, gostaria de terminar afirmando que, pese embora os aspetos positivos, a proposta de decreto-lei não serve os interesses dos alunos com necessidades educativas especiais, desrespeitando, até, os direitos daqueles com problemáticas mais significativas e os de suas famílias. Poderei mesmo dizer, de uma forma construtiva, que ele parece pretender acabar de vez com a Educação Especial e, por arrastamento, com o pressuposto de uma educação de qualidade, em que impere o princípio da igualdade de oportunidades, para os alunos com NEE significativas.

O autor escreve segundo as normas do novo Acordo Ortográfico

Professor Catedrático Emérito, Universidade do Minho

 

Que grande seca, stora!

Agosto 29, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

Artigo de opinião de Carmo Machado publicado na http://visao.sapo.pt/ de 18 de agosto de 2017.

O relato de uma professora de Português de um dos episódios que viveu este ano letivo “com uma turma difícil do oitavo de escolaridade, constituída por alunos repetentes sem qualquer apoio ou orientação”

Com um novo ano letivo à porta, renasce em mim a esperança de que desta vez será mais fácil. Porque o grande sonho de um professor é poder partilhar o que sabe com os seus alunos e receber, como moeda de troca, o que eles também têm para lhe dar. Este transação sofre, por vezes, a influência de vários fatores que a dificultam sendo a desmotivação, na minha opinião, o pior desses fatores.

Hoje quero partilhar convosco o que vivi com uma turma difícil do oitavo de escolaridade, constituída por alunos repetentes sem qualquer apoio ou orientação. Percebi, logo no início do primeiro período, que não tinham a mínima motivação para a escola e que, além disso, eram barulhentos e indisciplinados. Se não os tratasse com pinças, facilmente seriam insolentes. Após quatro ou cinco aulas consecutivas a gerir conflitos dentro da turma e a tentar controlar as minhas próprias emoções, compreendi a necessidade de pesar e medir toda e qualquer palavra (gesto ou reação) que ativaria, de imediato, a sua agressividade.

Percebi também, ainda antes do primeiro período terminar, que para levar a turma a bom porto, a exaustão (a minha) seria certamente o resultado. Mas não desisti. Tentei e voltei a tentar, recorrendo a tudo o que me estava e não estava disponível. Tudo os entediava. Uma seca, stora! Um dia em que me encontrei à beira de mim própria, parei de falar e sentei-me. Sim, sentei-me! O que, naquela turma, significaria que eles se levantariam de imediato e tudo poderia acontecer. Só de pé e a deambular pela sala de aula como um polícia os conseguia (minimamente) controlar.

Nenhuma estratégia parecia resultar. Tentei de tudo. Debates, filmes, jogos, trabalhos de pares, até trabalhos de grupo. Sim, caro leitor. Se não é professor, fique a saber que organizar um trabalho de grupo numa turma com estas características é demasiado arriscado. Não se sabe o que pode acontecer. Os comportamentos de trinta alunos problemáticos podem tornar-se incontroláveis. E o barulho, esse, é certamente ensurdecedor. Como não sou de desistir facilmente, arrisquei. Cada grupo teria de escolher/inventar uma personagem e produzir sobre ela um texto de cariz autobiográfico. Após várias tentativas para os motivar (estes alunos não queriam simplesmente fazer absolutamente nada), um grupo pediu-me se podia escrever “em rima”. Em rima, seja! Saiu um texto autobiográfico em verso sobre a vida de um prisioneiro que não tendo acesso ao consumo de drogas na prisão, decidira matar-se. Nenhum dos outros grupos concluiu a tarefa.

Perante a minha crescente desolação, desabafei com os colegas. Porém, não há nada que se possa fazer. A turma é nossa, somos nós que temos de lidar com ela e ninguém nos pode ajudar. Mesmo que nos apeteça desaparecer da sala e da escola para sempre, temos de voltar no dia seguinte e recomeçar tudo novamente como se o dia anterior não tivesse existido. Um dia, cansada de tentar falar por cima das suas vozes, cansada de pedir para estarem calados, cansada de mandar alunos para a rua, parei de falar, sentei-me à secretária e desisti. E então dois ou três alunos daqueles que se sentam mesmo ali à nossa frente, apercebendo-se do meu colapso, disseram-me isto:

A gente não quer estudar, stora. Se nos deixar sair sem falta, a gente não põe cá os pés porque a gente não curte estudar, está aqui a perder tempo… Faça como a stora do ano passado fazia. Ela deixava-nos sair sem marcar falta. Não tem nada a ver com a stora. A stora até é fixe e tudo mas a gente não curte estar aqui.

Perante estas palavras, engoli em seco e tive uma certeza: a motivação destes alunos para a escola é uma porta que só se abre por dentro.

Felizmente ouviu-se o toque de saída…

Carmo Miranda Machado é formadora profissional na área comportamental e professora de Português no ensino público há vinte e sete anos, tendo trabalhado com alunos do 7º ao 12º anos de escolaridade. Possui um Mestrado em Ciências da Educação (Orientação das Aprendizagens) pela Universidade Católica Portuguesa e tem como formação base uma Licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas pela Universidade Nova de Lisboa. Tem dedicado a sua vida às suas três grandes paixões: o ensino, a escrita e as viagens pelo mundo. Colabora na Revista Mais Alentejo desde Fevereiro de 2010 como autora da crónica Ruas do Mundo, tendo ganho o Prémio Mais Literatura atribuído por esta revista nesse mesmo ano. Publicou até ao momento, os seguintes títulos pela editora Colibri: Entre Dois Mundos, Entre Duas Línguas (2007); Eu Mulher de Mim (2009); O Homem das Violetas Roxas (2011) e Rios de Paixão (2015).

 

 

Como obter a cooperação das crianças em 4 passos

Agosto 29, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , ,

Texto do http://uptokids.pt/ de 17 de agosto de 2017.

“Quando saio do trabalho ainda tenho que arranjar paciência para os miúdos”. Ouvi esta frase à mesa, durante um jantar com amigos. O desabafo era de uma mãe, cansada da rotina diária casa-emprego e frustrada por não conseguir tem disponibilidade mental para os dois filhos.

Se perguntarmos aos pais sobre se os filhos são para eles a prioridade, a maioria responderá que sim. Que são a sua prioridade máxima. Só que, na prática, não é isso que acontece. Muitas vezes sem nos apercebermos, é no trabalho e nas preocupações do dia a dia que gastamos a maior parte da nossa energia. E os nossos filhos? Ficam, tantas vezes, em segundo plano. Levam com as nossas frustrações e angústias. Com o autoritarismo de quem quer ter tudo sob controle. Ou com a permissividade de quem não está para se chatear.

É possível fazer diferente?

Sim, é possível. É possível educar sem que a vergonha, os sentimentos de culpa ou a dor (física ou emocional) façam parte do léxico familiar. É possível educar pela positiva, evitando modelos extremos de controlo ou permissividade mas utilizando firmeza e amabilidade ao mesmo tempo, apelando ao respeito mútuo e à cooperação, como bases para ensinar habilidades para a vida, responsabilidade e autocontrolo.

Cabe aos pais criarem as condições para que os filhos aprendam a ser autónomos, cooperantes e responsáveis. No caso da responsabilidade, esta deve ser vista em relação direta com os privilégios de que dispõem. Sem prémios ou castigos. Caso contrário, como diz Jane Nelsen, co-fundadora da Disciplina Positiva, as crianças “não serão mais do que meros receptores, dependentes, e sentirão que a única forma de sentirem que pertencem a algo ou que são importantes para alguém é manipulando os outros”. 

Dicas úteis para obter ajuda dos miúdos

Eis os 4 passos para obter a cooperação das crianças, segundo os princípios de Disciplina Positiva:

1.Expressar compreensão pelos sentimentos.

Escutar em vez de ouvir, mostrar que se percebe aquilo que a criança está a sentir, mesmo que não se concorde com a atuação.

2.Mostrar empatia sem condenar.

Não significa estar de acordo, apenas que compreende a perceção da criança. Dica: pode, por exemplo, partilhar uma situação em que se sentiu da mesma forma que o seu filho, que se identificará com ela.

3.Compartilhar os seus sentimentos e perceções.

Muitos pais evitam mostrar ou dizer como se sentem aos filhos, acham que isso é sinal de fragilidade. Não é. Pelo contrário, reforça a empatia e conexão. Afinal, todos somos humanos, erramos. E os erros são magníficas formas de aprender

4.Convidar a criança a focar-se na solução.

Pergunte-lhe se tem alguma ideia do que fazer no futuro para evitar que o problema se repita ou para melhorar/resolvê-lo. Se a criança não tem nenhuma, faça sugestões até que cheguem a um acordo, que respeite ambos.

imagem@shutterstock

 

 

 

“Se todos seguissem Setúbal, o problema dos manuais estava resolvido”

Agosto 28, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

Notícia do https://www.publico.pt/ de 14 de agosto de 2017.

Enric Vives Rubio

Distrito tem 30 pontos de recolha e 30 funcionários públicos que mantêm bancos de troca abertos durante todo o Verão.

Bárbara Reis

Henrique Trigueiros Cunha, fundador do Movimento Reutilizar, não tem dúvida: “Se todos os distritos de Portugal seguissem o exemplo de Setúbal, o problema dos manuais escolares estava resolvido.”

No distrito de Setúbal, que tem quase um milhão de habitantes e concelhos grandes como o Seixal, Almada e Barreiro, a associação de municípios regional inspirou-se no Seixal — que em 2005 lançou o projecto “Dar a Volta” na sua biblioteca municipal — e estendeu-o a todo o distrito em 2013, criando uma rede de bancos de troca de manuais nas 30 bibliotecas públicas e respectivos pólos. “É um caso exemplar”, diz Trigueiros Cunha, que desde 2011 é um empenhado activista da troca gratuita de manuais, ano em que abriu o banco-sede do movimento na Avenida da Boavista, no Porto.

“Não conheço nenhum outro distrito a trabalhar em rede”, diz. “Imagine se a Área Metropolitana de Lisboa, que tem [quase três milhões de habitantes] e 44 bancos de troca, funcionasse em rede?” Hoje, “só em Lisboa, há bancos a funcionar em juntas, bibliotecas, paróquias, clubes de futebol, associações religiosas, associações de moradores, casas de juventude…”, diz Trigueiros Cunha. “Como cada banco funciona à sua maneira, há queixas, sobretudo de que não cumprem os horários anunciados.”

Liliana Cunha, que trabalha no projecto coordenado pela Associação de Municípios da Região de Setúbal, explica que 3600 famílias recolheram manuais usados na rede distrital em 2015, num total de 4200 alunos beneficiados. A troca implica gastos, embora não directamente para as famílias, uma vez que há mais de 30 funcionários públicos que trabalham nas bibliotecas durante o Verão, para receber, fazer a triagem e entregar os livros. “É um serviço muito importante para a população, pois envolve poupança, respeito pelo ambiente, combate ao desperdício e solidariedade. Está tudo interligado.”

 

 

Página seguinte »


Entries e comentários feeds.