5 coisas que os filhos nunca esquecerão sobre os pais

Junho 19, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Texto do site http://uptokids.pt/ de 5 de junho de 2017.

Todos os pais querem ter filhos maravilhosos. Querem que sejam afáveis enquanto crianças e quando crescerem, que se comportem como pessoas responsáveis e úteis para a sociedade. No entanto, os pais tendem a esforçar-se muito mais a pensar no futuro do que a semear bases no dia a dia. Há pais que acreditam que, enquanto crianças,  os filhos só devem obedecer e que a educação se baseia nisso.

O resultado é que temos cada vez mais crianças inconformadas e adultos infelizes. Quando não há critério para uma parentalidade consistente, lógica e estável, a probabilidade de que os filhos mostrem comportamentos rebeldes e/ou herméticos aumenta. Talvez caprichosos, talvez autoritários e, em todos os casos, instáveis. Acabam por não conseguir estabelecer um vínculo afetivo e próximo com os pais, pelo contrário, vivem em uma guerra indireta ou aberta com eles.

“O problema com a aprendizagem de ser pais é que os filhos são os professores.” -Robert Braul

Uma das partes mais importantes da nossa vida é exactamente a infância. É onde se constroem os alicerces de uma mente saudável e de um coração limpo. Desta forma, algumas atitudes dos pais deixam marcas para sempre: às vezes positivas, às vezes negativas, mas na maioria das vezes profundas. Aqui estão cinco destas condutas que os filhos dificilmente irão esquecer.

Maus-tratos

Nenhuma relação é perfeita e muito menos uma tão intensa como a entre pais e filhos. Haverá sempre momentos de contradição ou de conflito, o que é perfeitamente normal. O que muda é a maneira de superar essas dificuldades e, lamentavelmente, muitos pais assumem erroneamente que os maus-tratos são uma ferramenta da educação.

Pode ser que, com os maus-tratos, o pai ou a mãe consigam intimidar o filho para que ele faça exatamente o que ele/a quer. Mas esses maus-tratos também se irão transformar no gérmen da falta de autoestima e numa fonte de rancor. Colocam os filhos numa situação muito complexa: os filhos aprendem a vivenciar o amor e ódio em simultâneo e também aprendem a temer. O coração de um filho é muito sensível e se for ferido de forma consecutiva, com o tempo a criança terá tendência a transformar-se numa pessoa insensível.

A forma como os pais se tratam um ao outro

A relação entre o pai e a mãe é o padrão que a criança terá para formar uma atitude perante os relacionamentos amorosos. É muito provável que, quando for adulto, repita com sua parceira de forma consciente ou inconsciente o que viu em casa dos pais. Antes disso, a criança provavelmente irá repetir com as pessoas que ama.

Pense que os conflitos entre os pais geram angústia no filho. Uma das possíveis consequências será envolver-se em problemas simplesmente para atrair a atenção de um dos pais, que não lhe ligam porque estão demasiado concentrados no conflito em que estão envolvidos. Além disso, a criança irá apreciar ou não os relacionamentos amorosos com base nestes padrões adquiridos.

Os momentos em que se sentiram protegidos

Os medos das crianças são maiores e mais insidiosos do que os dos adultos. Os pequenos não conseguem distinguir bem a fronteira entre a realidade e a imaginação. Os pais são as pessoas em quem eles mais confiam para obter a sensação de segurança de que precisam para aprender e explorar o desconhecido. Assim, se são os pais os que causam este medo, a criança irá sentir-se totalmente desprotegida.

Os pais devem escutar com atenção esses medos, sem criticá-los nem minimizá-los. Devem fazer com que os filhos entendam que não estão em perigo. Isto irá aumentar o sentimento de segurança dos filhos e irá fortalecer o vínculo de amor e de respeito com os pais.

A falta de atenção

Para um filho, o amor que os pais lhes dão está intimamente relacionado à atenção que recebem deles. Para os filhos não existem expressões de afeto como trabalhar horas extras para poder lhe pagar um colégio caro. Os filhos não irão entender o amor dos pais se não passarem tempo juntos, se não estiverem presentes no seu mundo.

Os filhos nunca se esquecem da camisa verde que receberam de presente, quando tinham dito até enjoar que queriam uma roxa, ou quando prometeram algo que não cumpriram. Simplesmente, encaram isto como uma forma de abandono, como uma mensagem que diz: “não és importante o suficiente para me lembrar”. Por isso ficará uma marca de dor nos seus corações.

A valorização da família

Os filhos vão lembrar-se que o pai ou a mãe foram capazes de colocar a família como prioridade em diversas circunstâncias. As crianças precisam e gostam das celebrações, não interessa se é com mais ou menos presentes. Também é muito importante para eles que o pai e a mãe levem o Natal a sério.

Quando os pais colocam a família acima de tudo, os filhos irão aprender o valor da lealdade e do afeto. Quando forem adultos, também serão capazes de deixar de lado outros compromissos para ir ver seus pais quando precisarem dele. Vão sentir-se compensados e terão uma maior capacidade para dar e receber afeto.

Todas estas marcas deixadas durante a nossa infância acompanham-nos ao longo de toda a vida. Muitas vezes representam a diferença entre ter uma vida mentalmente saudável e uma vida cheia de conflitos. Uma criação repleta de amor e de carinho é o melhor presente que um ser humano pode dar a outro.

Publicado em A mente é maravilhosa, adaptado por Up To Kids®

 

 

 

“Não é preciso gritar para nos fazermos ouvir”

Junho 13, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://www.paisefilhos.pt/ de 10 de janeiro de 2017.

Teresa Martins

“Berra-me baixo” mostra como deixar de gritar com os filhos em apenas quatro semanas. O resultado é uma relação parental fortalecida e mais harmoniosa.

É possível educar sem gritar, mesmo quando os pais andam exaustos e as crianças teimam em não cooperar. A coach parental Magda Gomes Dias propõe, no seu novo livro, um desafio a todos os pais que andam cansados de gritarias: mudar em 21 dias (para melhor) a relação com os filhos e passar a “berrar baixo”. A primeira regra é deixar de tentar e começar a fazer. É esse o compromisso que a autora e formadora na área da parentalidade positiva pede. Depois é seguir os passos de “Berra-me baixo”, sabendo que no fim a relação entre pais e filhos sairá fortalecida e muito mais harmoniosa.

Porque gritamos tanto com os nossos filhos?

Magda Gomes Dias (MGD): Por vários motivos e que diferem de pai para pai. Gritamos porque andamos sem paciência, porque nos sentimentos ameaçados e desafiados por uma resposta torta (logo nós que damos a melhor educação aos nossos filhos!), porque já pedimos 300 vezes as mesmas coisas, porque temos medo que eles descarrilem… E gritamos porque aprendemos a comunicar assim, também.

Estamos com défice de paciência e de estratégias alternativas?

MGD: Estamos pois! Andamos esgotados e queremos que tudo resulte do dia para a noite. Não resultando, gritamos para nos fazermos ouvir.

Mas dar “dois berros” por vezes funciona…
MGD: É importante dizê-lo com todas as letras: toda a gente grita. Para alguns pais a palmada na hora certa e os dois berros fazem parte de educar. Mas para um enorme número de pais, gritar é algo que não desejam fazer. Há estudos que provam que o stresse emocional provoca tudo menos coisas boas na criança. Mas o que eu vejo hoje em dia é mais do que isso. São pais que não se reveem nessa forma de educar – berrando, batendo, ameaçando ou humilhando. E querem fazer diferente só que, na ausência de modelos equilibrados, caem muitas vezes na justa oposição que é a permissividade… Mas há um caminho do meio que tem por base o respeito mútuo entre pais e filhos e que assenta na qualidade da relação criada. É quando apostam nisto que tudo o resto vem, incluindo a ausência da necessidade de dar dois berros.

Quais são as situações mais comuns que nos fazem “saltar a tampa”?

MGD: No livro escolhi 10 situações que nos fazem saltar a tampa. São os 10 “clássicos” que os pais com quem trabalho me apresentam com regularidade: quando não nos escutam; quando nos respondem torto; quando não querem cooperar; quando não param de choramingar; quando nunca estão satisfeitos; quando batem; quando temos um adolescente em casa; quando temos um marido/mulher que nos dá dores de cabeça; quando a casa está de pernas para o ar; quando os miúdos se dão mal.

O que estamos a fazer aos nossos filhos quando gritamos constantemente com eles?

MGD: Quando se berra de forma regular, estamos a criar um stresse desnecessário na vida dos nossos filhos – e na nossa. A maior parte dos pais que gritam dizem-me que os filhos não os ouvem. Por isso gritar faz com que os filhos deixem de escutar. Parece, à primeira vista, um grande paradoxo mas depois de bem analisado não é. Porque podemos ter uma de duas situações: aquela em que os miúdos dizem “oh, ela só grita, é sempre a mesma coisa” e ignoram; e a outra em que os miúdos ficam num estado de stresse tão grande que não conseguem reagir/responder. O que é péssimo e é a prova que a forma como exercemos a nossa autoridade parental é feita com base no medo. E medo não é respeito nem cooperação. Depois há também crianças que reagem de forma agressiva – e esta forma é também uma defesa e só se defende quem tem medo e se sente agredido. Além disso, gritar de forma continuada pode criar um caminho para uma autoestima muito baixa…

Qual é o primeiro passo para deixarmos de gritar? É preciso olhar para dentro?

MGD: Sim, é mesmo! Este é um livro justamente acerca dessa transformação! Primeiro, é preciso desejar mesmo criar uma relação com base no respeito mútuo. Depois, é preciso identificar os motivos que nos levam a gritar e refletir como é que eu quero fazer da próxima vez. É quando fazemos esta reflexão que estamos a praticar autorregulação. E depois lidar com a frustração de não o conseguirmos fazer sempre. O objetivo não é a perfeição, mas a melhoria continua.

Deixar de gritar é deixar de ralhar?

MGD: Esta é uma questão fundamental neste livro. De repente, o leitor mais cético pode dizer “mas então eu já não posso bater e agora já não posso gritar? O próximo passo é deixar de educar a criança?” Não é nada disto! Ralhar significa educar, orientar, acompanhar. E ralhar não tem de ser feito a gritar. Podemos fazê-lo sem levantar a voz. Afinal de contas, ralhamos com um colega ou corrigimos e chamamos à atenção? Os nossos filhos têm tanto (ou mais) valor que os nossos colegas. Se não grito com um, porque razão gritaria com o outro? Se o faço é porque não consigo ver essa igualdade enquanto pessoas.

Firmeza, mimo e paciência são os três ingredientes indispensáveis para melhorarmos a relação com os nossos filhos?
MGD: Claro que são! Todas as crianças precisam de pais firmes e justos. Pais que sabem o que estão a fazer… e a firmeza vem justamente dessa sabedoria. A paciência é uma característica que vamos perdendo quanto mais cansados estivermos – e os pais são pessoas cansadas, por natureza. Por isso é que a primeira regra da parentalidade positiva diz: pais felizes = filhos felizes. E depois o mimo… o mimo é amor. Se estraga, então é outra coisa. Mimo a mais não existe – o que existe é a falta de limites por parte do adulto.

Este exercício implica um crescimento interior dos pais…
MGD: Passamos a ter um maior conhecimento de nós, a perceber o quanto pode ser gratificante a nossa melhoria contínua e a nossa relação com os nossos filhos e isso enche a nossa vida.

Não há risco de “recaídas”?

MGD: Quando o foco é deixar de gritar, é bem possível que se tenha uma recaída. Este é um livro sobre amor e felicidade e sobre como é que podemos melhorar a nossa relação parental. O deixar de berrar vem por acréscimo. Se deixamos completamente de gritar? Isso é possível e vai depender da evolução que fizermos e da maturidade que ganharmos. Em primeiro lugar ganhamos o poder de identificar o que nos faz gritar. Por isso, vamos conseguir percecionar o momento em que o vamos fazer – é como se houvesse uma pausa entre aquilo que acontece e a nossa explosão. Se depois gritamos ou não, isso é uma decisão só nossa.

E é aí que percebemos que a forma como comunicávamos era talvez até violenta? Sentimos vergonha?

MGD: Vergonha ou culpa. Eu gostava de filmar as cenas em que gritamos com os nossos filhos. A primeira coisa que não fazemos é respeitá-los e o respeito mútuo é a base para a transformação. Se eu não vejo os meus filhos como pessoas com igual valor a mim, é difícil porque tudo o que eu vou fazer ou é autoritário ou permissivo. Depois, a forma como gritamos é de uma agressividade incrível, a começar pela nossa cara e pela violência dos nossos gestos. Está na hora de usarmos a culpa da melhor forma porque ela é benéfica se soubermos usá-la.

O que diria aos pais que dizem “hoje não se pode dar uma palmada ou um berro que os meninos ficam logo traumatizados…”
MGD: É legítimo termos receio que os nossos filhos não deem certo. E como a maior parte de nós se safou com o modelo da educação autoritária então porque é que isto não iria resultar nos filhos? O problema não é poder-se dar uma palmada ou gritar. O problema é que os pais estão na educação dos filhos como se um jogo de poder se tratasse e não é nada disso. Quando estamos numa relação mais punitiva, estamos apenas a dizer que os nossos filhos, porque são crianças, têm menos valor que nós. Que não são iguais. E são. São tão humanos e pessoas quanto eu sou e estão em crescimento. Precisam por isso de orientação.

Castigos ou consequências?

Os castigos ainda são uma fórmula recorrente para tentar incutir nas crianças que determinado comportamento não é o mais correto. Mas serão eficazes ou mesmo necessários? “O castigo tem vários objetivos e é antes de tudo a forma que a grande maior parte de nós conhece para… educar! É a forma que muitos pais e educadores têm de mostrar à criança que se prevarica, há que fazer sofrer”. E se na verdade o castigo “funciona no imediato, a médio e a longo prazo a criança vai aprender a esconder para não ser apanhada e aquilo que é mais importante – a responsabilidade – não foi conseguido”. Ou seja, o castigo é uma “excelente forma de desresponsabilizar a criança”.
As consequências, por outro lado, “têm a ver com a situação, são justas e ajudam a criança a tomar decisões e a serem responsáveis”. Por vezes, sublinha Magda Gomes Dias, “a diferença entre um castigo e uma consequência está apenas no tom e na intenção de fazer sofrer a criança”.

 

 

“A ideia de uma mãe matar para proteger é uma coisa que me arrepia” Entrevista de Manuel Coutinho do IAC

Junho 6, 2017 às 6:00 am | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do site https://www.noticiasaominuto.com/ ao Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do  Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança). no dia 4 de junho de 2017.

por Patrícia Martins Carvalho

A linha SOS Criança – 116 111 – surgiu em 1988 com o objetivo de “dar voz, anonimamente”, às crianças que são vítimas de qualquer tipo de violência, seja no seio familiar, na escola ou por parte de terceiros.

Volvidos 29 anos, este serviço já ajudou milhares de crianças que ligam a pedir ajuda. Mas desengane-se quem pensa que o serviço é apenas para as crianças, até porque, explicou Manuel Coutinho, a legislação portuguesa define que uma pessoa é criança até atingir a maioridade.

Ainda assim, o coordenador da Linha SOS Criança sublinha que os técnicos desta linha telefónica também estão aptos a ajudar adultos que pretendam denunciar situações de violência para com crianças e jovens.

Questões como o rapto parental e o jogo da Baleia Azul foram alguns dos temas desta conversa que terminou com um conjunto de conselhos deste especialista a todos os pais e mães.

Há muitas crianças a ligar para a linha SOS Criança a pedir ajuda?

Foram mais de 100 mil as crianças que, ao longo da existência do serviço SOS Criança, contactaram o serviço. Nem todas são maltratadas, muitas ligam para pedir ajuda num conjunto de situações que, de alguma maneira, pode pôr em perigo a sua vida.

Se não são maltratadas ligam por que motivo?

Ligam porque têm dúvidas substanciais e precisam de falar com alguém, porque têm tendências suicidas ou comportamentos desajustados e querem encontrar a resposta para o seu problema, ligam por questões de comportamentos aditivos, situações de bullying, de abuso sexual, de abandono… são múltiplas e variadas as problemáticas que chegam até nós.

“Foram mais de 100 mil as crianças que, ao longo da existência do SOS Criança, contactaram o serviço”

Qual é o procedimento adotado quando uma criança liga para a linha SOS Criança?

A primeira coisa a fazer é ouvir a criança e perceber o que se passa. Depois da primeira avaliação, tenta-se perceber se a criança tem ou não algum adulto por perto a quem possamos recorrer. Às vezes temos de orientar o caso para a escola, para o serviço de saúde, para a CPCJ, para a polícia…

Também há adultos que ligam?

Sim e são, em primeiro lugar, as mães quem mais liga, depois são os pais, temos também os colegas, os vizinhos, os amigos, os tios, os padrastos, as madrastas…

Que apoio é prestado pelo SOS Criança?

O SOS Criança tem o serviço de atendimento telefónico, um chat online, um email e um serviço de atendimento jurídico e outro psicológico através da linha 116 111 que funciona de segunda a sexta-feira das 09h00 às 19h00. Depois temos também outra linha – 116 000 – que é o número europeu para as crianças desaparecidas e que funciona 24 horas por dia durante os 365 dias do ano.

O número de crianças a pedir ajuda tem aumentado?

O número de crianças que chegam ao SOS Criança tem vindo a estabilizar ao longo dos anos. Temos tido, quase sempre, à volta de 2.500 a 3 mil situações por ano.

“Por muito pobres que possamos estar não se pode privar as crianças dos bens essenciais”

E durante os anos da crise?

Nesse período houve um aumento do número de apelos relacionados com situações de pobreza, porque quando há crises as crianças são sempre as primeiras vítimas. Mas por muita crise que exista em Portugal, por muito pobres que possamos estar não se pode privar as crianças dos bens essenciais.

O que é que devemos fazer para perceber se uma criança é vítima ou não de maus-tratos?

É preciso estarmos atentos aos sinais que são aquilo que nós vemos e que podem ser nódoas negras, tristeza, sangramento a nível vaginal ou anal, uma ausência de vontade de brincar, uma atração muito especial por questões da sexualidade, um receio em estar na presença de um adulto. Tudo isto são sinais aos quais devemos estar atentos.

“A regra número um é acreditar sempre na criança, partir do princípio de que as crianças não mentem”

Reconhecidos os sinais, qual é o passo que se segue?

Fazer uma avaliação especializada que, numa primeira fase, passa pelo médico de família. Depois pode, eventualmente, passar por uma avaliação do Instituto de Medicina Legal, por uma equipa de pedopsiquiatras. Mas depende. Cada caso é um caso. A regra número um é acreditar sempre na criança, partir do princípio de que as crianças não mentem.

Recentemente foi noticiado mais um caso de rapto parental. As crianças são utilizadas como ‘arma de arremesso’ num processo de divórcio?

Os pais esquecem-se de que o fim da relação conjugal não significa o fim da relação parental e de que o casal parental se mantém permanentemente. Quando há uma regulação do exercício das responsabilidades parentais feita pelo tribunal, as pessoas têm de acatar. Por vezes não acatam e um dos pais leva a criança para parte incerta, esquecendo-se de que a criança tem o direito de ter acesso a um pai e a uma mãe, exceto se houver uma ordem judicial em contrário. Isto é muito prejudicial para as crianças.

“Uma criança exposta a um ambiente violento fica com marcas irreversíveis”

Uma criança que vive num contexto de violência tem tendência a tornar-se violenta?

Uma criança exposta a um ambiente destes fica com marcas irreversíveis. As crianças vítimas de violência ficam com a sua auto-estima comprometida, têm a sua segurança posta em causa e, muitas vezes, acabam por se tornar em adultos ansiosos e depressivos. No entanto, os estudos indicam que os adultos agressores em regra foram crianças agredidas, mas nem todas as crianças agredidas dão origem a adultos agressores.

Como é que se explica que um progenitor exponha o filho a um ambiente violento?

Cada caso é um caso. No entanto, há pessoas que não têm essa sensibilidade porque não foram preparadas ou estão a passar por uma situação complexa ou têm problemas psiquiátricos. Alguma coisa acontece porque só a perda da lucidez permite que as pessoas exponham os filhos a estes quadros de violência.

Como é o caso das mães homicidas…

Essas são situações que envolvem um contexto de uma grande dor, de um grande sofrimento, mas que só uma patologia o poderá justificar.

É um sentimento de egoísmo que lhes tolda a lucidez?

Essa ideia de matar para proteger é algo que me arrepia…

Há uma ideia ainda pior que é a de matar para castigar o antigo companheiro…

Essa então é muito perversa. Essas pessoas, quando o fazem, é porque perderam a lucidez. Mas a verdade é que as pessoas vão dando sinais disso e nós temos de estar o mais atentos e vigilantes possível, pois as questões de perturbação mental muitas vezes estão à vista e não são levadas a sério.

“Esse terrorismo online denominado Baleia Azul só chega às pessoas que se sentem cheias de um vazio profundo”

Há pouco falou nos problemas de auto-estima das crianças. É isso que as leva a desafios como o da Baleia Azul?

Esse terrorismo online denominado Baleia Azul só chega às pessoas que estão com a auto-estima em baixo, que estão fragilizadas, que se sentem cheias de um vazio profundo.

E como é que se evita que uma criança seja vítima deste ‘ataque terrorista’?

É importante ensinar os filhos que a vida não é só sucessos e que também tem insucessos, que nem sempre as coisas correm como queremos. Temos de ensinar os nossos filhos a partilharem a sua dor e o seu sofrimento. Os adultos têm de conversar mais com os jovens. E digo conversar, não digo gritar, que é o que acontece muitas vezes.

O problema está na comunicação?

A questão da comunicação presencial tem-se vindo a perder por causa dos telemóveis, computadores e tablets. As crianças para brincar não precisam só de brinquedos, precisam de alguém que brinque com elas.

“Esquecemo-nos de preparar os nossos filhos para os fracassos”

Os encontros combinados com estranhos nas redes sociais resolviam-se se pais e filhos conversassem?

Toda a vida as pessoas se puderam encontram com estranhos. O que nós temos de fazer é preparar os nossos filhos para os males da vida. Preocupamo-nos muito em prepará-los para os sucessos e esquecemo-nos de os preparar para os fracassos. Eles têm de perceber que há riscos quando decidem encontrar-se com estranhos, mas isto vem desde a história do Capuchinho Vermelho: não se deve arriscar demasiado porque às vezes podemos acabar na barriga do lobo.

Que conselho deixa então aos pais?

Todos os filhos são únicos. Os filhos são a maior dádiva que nós podemos ter e, por isso, devemos olhar para eles com muito respeito, devemos amar sem limites e limitar por amor. Limitar por amor não é bater, é ajudá-los a crescer de uma forma correta, educada e com muita resistência à frustração.

 

 

 

6 respostas emocionalmente apropriadas para dar às crianças

Maio 31, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do site http://www.psicologiasdobrasil.com.br/ de 10 de abril de 2017.

Sejam como forem as crianças, é muito importante dar-lhes respostas emocionalmente apropriadas diante dos comentários negativos que fazem sobre si mesmas. Principalmente quando falam delas mesmas na primeira pessoa, costumam deixar entrever que nível de autoconfiança percebida elas têm.

Significa dizer que não podemos achar que comentários cotidianos do tipo “não posso”, “vou fazer tudo errado”, “não tem sentido” ou “vou passar vergonha”, “não tem nada de interessante para fazer”, não têm um pano de fundo importante que pode ser reflexo de uma baixa autoestima.

Saber resolver estas situações nos ajuda a construir um afeto saudável e uma habilidade de reflexão que se torna prioritária desde a mais tenra infância. Então, considerando a importância de não negar nunca um sentimento, podemos usar uma série de respostas que as façam repensar esse tipo de afirmações tão prejudiciais. Vejamos alguns exemplos:

 

Respostas emocionalmente apropriadas para crianças

 

1. “Não consigo fazer isso”, a joia da coroa

 

Consideramos que “não consigo fazer isso” é a joia da coroa porque a grande maioria das pessoas têm isso incorporado no seu diálogo interior (às vezes até mesmo exterior) desde pequenos.

Esta é uma frase coringa que denota cansaço, falta de energia, apatia e pouca confiança em si mesmo. Costumamos responder com um “sim você pode”, às vezes acompanhado de reforços horríveis como “não diga bobagem”, ou “não seja preguiçoso”.

Como podemos ajudá-las a questionar esse pensamento e essa atitude? Em primeiro lugar, cabe destacar que muitas vezes a melhor forma de fazer isso é responder com perguntas do tipo:

O que significa “não consigo”?

Que provas você tem de que realmente não consegue?

Como você sabe que não consegue se você não tentar o bastante?

Você acha que dizer “não consigo” ajuda você ou prejudica? Não diga “não consigo”, diga “é difícil mas eu consigo”.

 

2.“Não tenho vontade, não vou fazer isso”

 

A preguiça e o desinteresse diante de certas tarefas se apresentam como a norma em determinados momentos. Pode ser desesperador, mas as crianças precisam entender que existem atividades que precisam realizar para o seu próprio bem.

A forma de permitir que se questionem é mandando-lhes a seguinte mensagem: não diga “não tenho vontade, eu não vou fazer isso”, diga “eu vou fazer isso, mesmo que eu não tenha vontade de fazê-lo agora”.

No fim das contas trata-se de propor perguntas como “O que aconteceria se todos fizéssemos somente o que temos vontade o tempo todo? Será que nunca temos que fazer nada que não temos vontade? Você já imaginou um mundo onde ninguém se esforçasse por nada? Você já imaginou se um motorista cansasse de respeitar as regras de trânsito? Ou que um médico se cansasse de curar os outros?”

Este tipo de perguntas as ajudam a refletir sobre a sua falta de vontade e as incentivam a mudar a sua atitude.

 

3.“Não quero fazer isso, sinto vergonha”

 

Rir da vergonha alheia é uma coisa bastante cruel. Longe de aliviar o assunto, o incentivamos. Se rimos diante de um sentimento que implica um certo grau de sofrimento, estamos zombando de uma nudez emocional. Precisamos transmitir uma mensagem de segurança que deixe claro que não é melhor que ninguém perceba, mas que as pessoas o ajudarão e sentirão empatia como regra comum.

 

4.“Estou cansado/ triste/ chateado”

 

Negar seus sentimentos e suas reações emocionais é um grave erro que a grande maioria de nós comete normalmente. Não é de estranhar, pois desde pequenos, diante do nosso choro, diziam pra nós “não chore, não é nada”. Existem expressões emocionais que se tornam desconfortáveis para a maioria da sociedade, mas negar isso é apagar uma parte importantíssima tanto das crianças como dos adultos.

 

5.Não rotule a criança de “desajeitado”, “burro”, “bobo”

 

Isto não ajuda em nada a desenvolver uma autoestima saudável. Quando a criança fizer alguma coisa de errado, existem muitas formas de dizer isso a ela: “não é certo você bater nos seus irmãos, você não tem que quebrar os brinquedos, você precisa se esforçar um pouco mais para estudar matemática.”

 

6.Mas também não diga que é “esperto”, “bonzinho” ou “inteligente”

 

O menino ou menina não compreenderá em que está fundamentada a sua afirmação se referindo a ele ou ela dessa forma. Em vez disso, você pode dizer: “você fez a tarefa muito bem, você recolheu tudo direito, adoro ver você pintar.” Isto é, podemos julgar seus comportamentos, mas não devemos julgar a criança.

Lembremos que se quisermos chegar a elas, nossas palavras precisam ter um tom apropriado, e nunca representar um ataque. Falar com elas com carinho e com um tom compreensivo é a base de uma boa criação e dos grandes aprendizados. Lembre-se de que é em você que eles têm a referência psicológica e buscam respostas, e assuma as rédeas da sua educação da forma mais responsável possível.

Imagem de capa: Shutterstock/Sapunkele

TEXTO ORIGINAL DE A MENTE E MARAVILHOSA

 

 

O que dizer aos mais novos quando há um atentado em que morrem crianças e adolescentes?

Maio 26, 2017 às 9:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://lifestyle.publico.pt/ de 23 de maio de 2017.

Bárbara Wong

Atentado em Manchester fez pelo menos 22 mortos, entre eles crianças.

Era uma festa sobretudo para crianças e adolescentes, que são o público que segue e assiste aos concertos de Ariana Grande. A Arena de Manchester tornou-se notícia devido ao já reivindicado atentado em que morreram, pelo menos, 22 pessoas e dezenas ficaram feridas. Entre estas estão crianças e jovens.

É inevitável que os mais novos vejam a notícia, seja num site, na televisão ou numa rede social. Eles gostam e acompanham a carreira de Ariana Grande — esperavam que a cantora viesse a Lisboa proximamente, mas entretanto todos os concertos foram cancelados — e não há como lhes esconder o que se passa no mundo. Assim, o que dizer-lhes?

Informar, mas sem ir muito longe
José Morgado, professor no ISPA — Instituto Universitário, defende que os pais devem falar sobre o tema e responder a todas as perguntas que forem feitas. Contudo, “não dar mais informação do que a que eles pedem”, aconselha, alertando para que os filhos não vejam as imagens sozinhos, mas sempre com mediação dos pais, para que expliquem o que se passa.

“Se não perguntarem mais, não dizemos mais para não instalar a dúvida”, defende.

E é importante “desconstruir”, diz por seu lado o pedagogo Renato Paiva, autor do livro Queridos Pais, Odeio-vos, editado recentemente pela Esfera dos Livros. Dizer aos filhos que nem todas as pessoas de determinada etnia ou religião são terroristas, para que os filhos não façam generalizações.

Falar sobre a morte
Não é fácil falar sobre a morte de crianças com outras crianças, reconhece José Morgado. “É algo que não se prevê, que é pontual, que é residual”, acrescenta Renato Paiva. Por isso, mais uma vez, é preciso não entrar em generalizações, porque as crianças e os jovens morrem e noutras circunstâncias que não num atentado, sublinha o pedagogo.

Mais uma vez, para José Morgado, falar da morte é responder às perguntas que são feitas, contextualizando-as, explicando porque aconteceu. “Começamos por introduzir uma leitura do mundo, porque é tão importante a morte de uma criança síria por causa das armas químicas como a morte de uma criança em Manchester”, defende Morgado.

Transmitir segurança
Situações como esta devem servir para falar também sobre segurança, considera Renato Paiva. Os pais devem aproveitar para falar sobre as preocupações que os jovens devem ter quando vão a um concerto. “O que podes evitar? O que podes fazer se ouvires um estrondo?”, exemplifica. “O esmagamento [devido às pessoas que estão em fuga] pode ser mais preocupante do que o atentado em si”, acrescenta.

Ao falar disso, os pais não estão a incutir o medo nas crianças e nos jovens? “Não, estão a incutir-lhes cuidado e atenção”, responde, dando outros exemplos, como pedir aos filhos para terem cuidado quando andam na rua e vão atravesssar uma estrada; ou os cuidados a terem para não serem assaltados.

Crescer para a paz
Situações como estas podem gerar incompreensão, revolta, vontade de responder na mesma moeda. No entanto, devem servir para “aprender a crescer e a não magoar os outros”, defende José Morgado.

É preciso explicar aos mais novos que há pessoas que estão a ser educadas para uma forma de viver violenta, para a autodestruição e o extermínio, mas que “a pior coisa que podemos fazer é responder com ódio”, declara Helena Marujo, psicóloga e professora no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), da Universidade de Lisboa.

Helena Marujo defende que é preciso “criar uma nova geração crítica” e para isso é preciso centrar menos a educação nos conteúdos escolares e mais em aspectos humanistas, nas expressões artísticas, na filosofia, na possibilidade de debater ideias, continua a professora, precursora da Psicologia para a Felicidade.

A investigadora lembra que quem estava no concerto estava a celebrar e que o ataque terrorista tem como objectivo destruir a alegria. “Os bombistas foram treinados para dar sentido à morte, nós temos de ensinar as novas gerações a dar sentido à vida”, conclui.

 

 

O que precisam as raparigas de saber para crescerem seguras e independentes

Maio 19, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://lifestyle.publico.pt/ de 10 de maio de 2017.

Steve Biddulph é um psicólogo australiano que escreve sobre as diferenças entre rapazes e raparigas.

Como é que os pais podem garantir que as suas filhas se tornam mulheres fortes, independentes e confiantes? O australiano Steve Biddulph, perito em educação e psicólogo infantil, escreveu o livro 10 Things Girls Need Most to Grow up Strong and Free (“As 10 coisas de que as raparigas mais precisam para crescerem fortes e livres”). De acordo com este australiano, estas dez coisas são: um início de vida seguro e com amor, tempo para ser criança, competências para as amizades, o respeito e amor de um pai, uma faísca, tias, uma sexualidade feliz e saudável, coragem, feminismo e espírito.

Quando estava a decidir quais eram os dez componentes, Biddulph reflectiu sobre os aspectos que, segundo os estudos, reforçam o desenvolvimento das raparigas e falou com mulheres sobre aquilo que sentiam que tinha prejudicado a sua infância e o seu desenvolvimento.

Biddulph aconselha os pais a livrarem-se das “pressões mediáticas loucas sobre a aparência” e a não transmitirem nenhum dos seus problemas e inseguranças com o corpo em frente às filhas. Do mesmo modo, enfatiza a importância de ter modelos femininos fortes, incluindo tias, tal como a necessidade de falar sobre sexo de forma positiva, ao mesmo tempo que se enfatiza que a rapariga, e mais ninguém, é dona do seu corpo.

No livro, Biddulph explica que muitos dos problemas individuais das raparigas e das mulheres não são de todo individuais. Muitas vezes, eles resultam das forças, pressões, desigualdades, estigmas e abusos que afectam as mulheres ao longo dos anos. É por isso que o feminismo é apresentado como um dos dez componentes para educar uma rapariga forte. “O feminismo é importante porque muitas vezes uma rapariga individualiza,” explica o psicólogo ao jornal britânico The Independent.  “Descobrir que esta luta decorre há mais de um século em todas as partes do mundo e que não é só ela melhora a saúde mental, porque nos deixa zangados em vez de assustados ou inseguros. Sentimo-nos parte de algo maior.”

Antes deste livro, o australiano já tinha escrito outros dois, um sobre cada género, porque defende que não é igual educar um rapaz e uma rapariga. Assim, os seus bestsellers anteriores chamam-se Educar Rapazes e Educar Raparigas. Mas, um dia, Biddulph espera que as diferenças desapareçam.

Alguns dos conteúdos deste novo livro podem aplicar-se aos rapazes, mas, salvaguarda o especialista, são elas que têm maior propensão para sofrer de ansiedade, depressão e distúrbios alimentares. “Os rapazes têm mais probabilidade, em termos estatísticos, de morrer, de ser violentos ou de acabar na prisão”, acrescenta.

“A pressa é inimiga do amor”

“Desde bebés, as pessoas não têm tempo para estar em paz e estar perto da família”, explica o autor. “Não protegemos nem tomamos conta dos jovens pais, de forma a que eles consigam ser pais. Os governos neoconservadores querem que toda a gente faça parte do mercado de trabalho e fazem-nos sentir que ser pai é uma actividade inferior… eu defendo que ‘a pressa é inimiga do amor’ e que o nosso reflexo para estar ocupado se descontrolou. Somos um animal de manada e é difícil remar contra a maré, mas as pessoas começam a fazer essa escolha. Quando as pessoas estão ocupadas, as ligações enfraquecem, as crianças não nos contam os seus problemas, as mães e os pais começam a ficar tensos e infelizes devido à falta de paz e de intimidade e as crianças são geridas e tratadas como uma manada, em vez de serem realmente cuidadas e acarinhadas. Acontece o mesmo na escola, quando os professores em todo o mundo me dizem que não têm tempo para se preocupar.”

O resultado é que as crianças crescem no meio do stress e com inúmeras pressões, como ser o melhor na escola. Segundo o especialista, no Reino Unido, uma em cada cinco crianças foram diagnosticadas com ansiedade; e uma em cada três automutila-se.

 

 

 

Há idosos tratados “de forma perversa” pelos filhos em Portugal

Maio 15, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 7 de maio de 2017.

Provedoria de Justiça recebeu em 2016 mais de 2800 telefonemas através da Linha do Idoso Paulo Pimenta

Provedor de Justiça conta casos em que “alguns filhos” começam a diminuir a terapêutica aos pais, fazendo com que eles entrem em perda e sejam internados de urgência. Outros dizem que há uma pessoa acamada e “ficam com o dinheiro das pensões”.

Lusa

O provedor de Justiça considera que há idosos tratados “de uma forma absolutamente perversa”, graças a uma sociedade que inverteu a pirâmide social e trouxe “consequências dramáticas” para as pessoas mais velhas, como o abandono ou a solidão.

Em entrevista à agência Lusa, José de Faria Costa apontou que a sociedade actual não só não está preparada para “responder aos anseios da população mais idosa”, como inverteu a pirâmide social e, com isso, trouxe “consequências dramáticas” para as pessoas mais idosas, “nomeadamente coisas pouco bonitas”, mas reveladoras do actual sistema de valores.

“Os filhos a ficarem com as pensões dos pais e serem os vizinhos a dizerem ao provedor que há uma pessoa acamada, sozinha e os filhos ficam-lhe com o dinheiro das pensões”, exemplificou.

Apontou outro tipo de situação, “muito mais grave”, que acontece quando se aproxima a época de Verão, em que “alguns filhos” começam a diminuir a terapêutica aos pais, fazendo com que eles entrem em perda e sejam internados de urgência.

“Como os filhos sabem que só os podem deixar se eles forem internados de urgência, obviamente começam a fazer isso e isso é uma coisa maquiavélica, péssima, que dá um retrato muito feio da sociedade portuguesa”, criticou.

Segundo o provedor de Justiça, que não quis alongar-se muito sobre o assunto, estas realidades foram mais presentes nos tempos da “crise profunda”, mas salientou que basta haver apenas um caso por ano “para mostrar a perversidade com que é tratada a velhice”.

José de Faria Costa lembrou que, durante o ano de 2016, o provedor de Justiça recebeu, através da Linha do Idoso (800 20 35 31, gratuito), mais de 2800 telefonemas (perto de oito chamadas por dia), tendo havido 105 contactos por causa de maus-tratos, além de 74 situações de isolamento ou solidão, e outras 20 por abandono.

Foram os próprios idosos interessados quem mais vezes recorreu no ano passado à linha telefónica, representando 48% do total de telefonemas, a maior parte mulheres (1724), com idade entre os 71 e os 80 anos (969).

Segundo José de Faria Costa, o provedor de Justiça faz frequentemente trabalho social, revelando que são muitas vezes os serviços do provedor que conseguem uma marcação de uma consulta, encaminham a pessoa para a ajuda mais próxima quando ela não sabe ler uma factura de gás ou luz, ou quando alguém liga ao provedor porque não sabe preencher o IRS.

Motivos pelos quais o provedor afirmou que mais do que as recomendações que possa fazer, e que podem ou não ser acatadas, importa-lhe a resolução de problemas concretos.

“O que me interessa é receber uma carta da pessoa do Portugal mais profundo a dizer-me: ‘Senhor provedor, obrigado, o meu muito obrigado, o meu problema foi resolvido’. E eu tenho centenas de cartas. Isso é que é importante no trabalho do provedor”, sublinhou.

Em matéria de recomendações, José de Faria Costa acredita que teve um “altíssimo índice de acatamento” durante os seus quatro anos de mandato, mas garantiu que o seu trabalho nunca esteve centrado na recomendação.

“Avaliar o meu exercício através do número de recomendações é absolutamente redutor. O que se deve avaliar é através das situações concretas que eu resolvi e essas estão aí e podem ser avaliadas”, disse.

 

 

 

“Os pais estão a deixar-se tiranizar pelos filhos”

Abril 28, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do http://expresso.sapo.pt/  a Sílvia Portugal no dia 15 de abril de 2017.

Carolina Reis

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Rui Duarte Silva

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O modelo familiar atual prefere os afetos e centra-se nas crianças e nos jovens, o que torna mais difícil impor a autoridade. Para a socióloga Sílvia Portugal, é essa a razão que justifica a desculpabilização que os pais fizeram dos incidentes durante a viagem de finalistas ao sul de Espanha .

O que nos revela a reação desculpabilizante dos pais?

Tem muito a ver como é hoje exercida a autoridade e a disciplina na família. A autoridade é uma questão central. E o que se entende que os jovens devem ser ou fazer. Os pais não querem aquilo que tiveram: a autoridade patriarcal, o poder da disciplina, as sanções físicas, que era o modelo educativo da geração dos pais destes jovens. Vêm de uma geração em que a autoridade era inquestionável e não havia espaço para liberdade. Não querem para os filhos o que eles tiveram. As mudanças foram muito rápidas e as pessoas não encontraram ainda o seu lugar de pais na família.

Que modelo de família temos hoje?

É mais democrática. Substituímos o modelo de autoridade patriarcal por um mais democrático, no qual as mulheres e as crianças ganharam voz. Hoje, as crianças são o centro. E os pais não sabem muito bem o que querem ou, pelo menos, não sabem como fazer. Não sabem como conciliar uma família onde todos têm voz e é dominada pelo afeto com uma família que integre modelos de autoridade e disciplina. Não são passados modelos muito claros do que deve e do que não deve ser. Porque olhamos de fora e é muito claro que o que aconteceu foi um ato de vandalismo. Não é desculpável e, no entanto, os pais desculpam-nas.

Ainda é possível haver autoridade?

Claro. E tem de haver. E tem de haver disciplina. E isso pode ser compatibilizado com uma família mais democrática e com uma família de afetos. As pessoas não conseguem encontrar esse modelo que concilie dois modelos que, à partida, parecem inconciliáveis. Chegamos ao caricato de vermos livros de autoajuda para pais — escritos por psicólogos — que aconselham a dizer não aos filhos. É algo que soa estranho, os pais que têm que ler estes livros passaram a infância e juventude a ouvir dizer não, e agora têm muita dificuldade em dizer não aos filhos.

Isto é reflexo da tão falada crise de valores?

Não é uma questão de crise, mas sim de mudanças. Uma série de mudanças, muito rápidas, que aconteceram na família e na sociedade como um todo. Há aqui uma mudança de valores e representações acerca do que deve ser a família. Contudo, vemos que ao longo da história a família esteve sempre em crise. Mas resiste e adapta-se.

Os pais têm menos condições para exercer a parentalidade?

Sim. A nível do emprego, da precariedade, das longas jornadas de trabalho. Isto implica muito menos tempo para a família. O trabalho tomou conta da vida das pessoas. No pouco tempo que têm evitam o conflito. E exercer autoridade implica conflito. É necessário para marcar as diferenças de papéis, para dizer que os pais são pais e não são amigos.

Já chegámos ao ponto em que os filhos mandam nos pais?

Temos uma geração de progenitores que foi tiranizada pelos seus pais e agora se deixa tiranizar pelos seus filhos. Tem de lidar com situações muito adversas, suas e dos seus filhos. Tivemos uma realidade, sobretudo depois do 25 de Abril, em que as gerações tiveram sempre uma vida melhor do que as anteriores. Ora, estes pais e estes jovens não têm esta expectativa. É a primeira vez que enfrentamos um momento em que as gerações a seguir podem ter condições de vida piores do que a anterior. E isto é muito angustiante, cria muita incerteza. E os pais tentam compensar os filhos.

Nos últimos dias, também vimos outro fenómeno. Pais a dizer que nunca tiveram comportamentos daqueles e que os seus filhos jamais o fariam. É uma hipocrisia?

É um clássico, são sempre os filhos dos outros. Isto acontece muito nos discursos sobre a família: descoincidência entre aquilo que as pessoas acham que devia ser e, na prática, fazem exatamente o contrário. Não lhe chamaria hipocrisia. Tem a ver com estas tensões que são quotidianas e estruturais.

 

 

 

 

 

Sem berrar, sem rezingar e sem resmungar

Março 28, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Texto de Eduardo Sá publicado na http://www.paisefilhos.pt/ de 19 de março de 2017.

Surgem, de vez em quando, livros, programas de treino e “tendências do momento” acerca da imensa vantagem dos pais perderem alguns exageros que todos aqueles que são bondosos e dedicados sempre cometem quando gritam, desabafam ou reclamam, por exemplo. Fala-se do modo como pais que gritam fazem mal às crianças. E dá-se, ainda, a entender que os gritos e o exercício da autoridade parecem não ter muito a ver entre si, a ponto de haver quem afirme que será por isso que muitas crianças, à medida que crescem, se transformam em “pequenos ditadores”.

Ora, eu compreendo a importância duma ajuda técnica dirigida a todos os pais. Mas receio que, muitas vezes, o tom com que ela lhes é dedicada seja um bocadinho áspero (ou, mesmo, repreensivo), parecendo dar a entender que os pais devam ser bucólicos e serenos, didáticos na forma como apresentam as suas condições educativas, e negociadores (hábeis!) quando se trata de trazerem à razão os seus pequenos “príncipes”. Reconheço que, por vezes, as “pestinhas”, os acessos de “mau feito”, o acordar “mal disposto” ou o “segurem-me que eu estou em fúria” de muitas crianças (saudáveis!) parece não entrar tanto como devia nestas “fórmulas” educativas. O que faz com que muitos pais “comprem” essas “receitas de sucesso” e, quais produtos descartáveis, acabem no tradicional “eu já tentei tudo!” que, não se tratasse dos seus filhos, talvez quisesse dizer: “tirem-me daqui!” Ou que reconheçam que os seus “bijous” os “levam ao limite”. Ou que façam uso de qualquer outro desabafo que anteceda uma tremenda rendição.

Mas serão as crianças tão complexas na forma como se agitam, se irritam ou se enfurecem que mereçam programas educativos ou de treino que deem aos pais “competências” para lhes devolver a autoestima ou para os tornar “mais focados” ou “mais motivados” para a “tarefa” de educar? Eu acho que não! Talvez por tudo isso seja importante brincarmos com este lado um bocadinho alarmado com que muitos “especialistas” parecem querer colocar todos os pais num alerta do género: “elas vêm aí!”, que faz com que as crianças pareçam requerer um jeitinho quase laboratorial de lhes darmos colo, regras e autonomia ao mesmo tempo que se mantêm vivas e se vão tornando bem educadas.

Em primeiro lugar, educar sem berrar, sem rezingar e sem resmungar não é bem educar. É querer que os pais não ponham alma em tudo aquilo que dão. O que, valha a verdade, talvez pretenda transformar a paixão que colocam em cada gesto que dedicam aos filhos numa pilhéria de movimentos “robotizados” que os tornem insossos e enfadonhos. E isso é mau! Aliás, se educar sem berrar, sem rezingar e sem resmungar fosse mesmo para valer seria motivo para se dizer: “Mães de todo o universo, deem um pulo de contentamento, se fazem o favor: estão proibidas de educar!”. O que seria uma perda trágica e irreparável para todas as crianças.

O que eu não entendo mesmo é que vá surgindo a ideia de que os pais ou conversam ou gritam. Pais que conversam não gritam, claro. E pais que gritam estão muito longe de saber conversar – com persuasão e “cheias de maneiras” – com as crianças. O que não é verdade! Quem são os pais que mais gritam? Os que mais conversam! E porquê? Porque as conversas em que se dedicam a explicar, minuciosamente, boas maneiras acabam sempre por ser sentidas pelas crianças como um “desculpa qualquer coisinha”, mais ou menos medroso, o que faz com que elas os “estiquem” sempre um pouco mais, acabando esse braço de ferro numa cena “à italiana”. Como parece que não convém…

A seguir, diz-se por aí que os berros não são amigos da pedagogia. Mas é que não são mesmo! Por isso é que são bons. E porquê? Porque aquilo a que muitos chamam pedagogia parece não tolerar o erro, as asneiras e os remorsos com que todos nós vamos crescendo como pais. Aliás, qual é a principal função dos berros: educar?… Claro que não! É serem amigos do desabafo. Aliviam, portanto. E arejam a alma! Para que, depois de se reconsiderar, haja espaço para a clarividência e para a bondade.

Depois, afirma-se que quem berra, reclama e protesta dá maus exemplos. É verdade que haverá circunstâncias em que as “figuras tristes” não são um “cartão de visita” para qualquer “faça você mesmo” ao alcance de todas as crianças. Mas são um bom exemplo! Porque – imaginando eu que nada disto seja “a regra” mas que se trate de breves repentes de ebulição só ao alcance dos bons pais – as asneiras dos pais demonstram aos filhos que a sabedoria não significa prevenir os erros mas aprender com eles.

Quase a rematar, diz-se que os pais só deviam ralhar quando detetassem alguma maldade nas crianças. Ou que deviam respirar fundo… antes de abrirem a boca. E isso seria mesmo mau! Porque, a ser assim, as boas mães rebentariam quase todos os dias. E nunca chegaríamos a desabafos como “qualquer dia tiro férias de mãe e vocês vão ver!”. Que é dos patrimónios imateriais mais preciosos da Humanidade!

Finalmente, diz-se que os berros trazem (algum) medo às relações das crianças com os os seus pais. E volta a ser verdade. Porque quando os pais definem perigos e interditos, ao fazerem com que as crianças estremeçam com eles e se intimidem um bocadinho, estão a dizer-lhes, por outras palavras: “se tiver que te provocar alguma dor para te poupar dores muito maiores, eu não hesito!”. Ora, haver situações em que as crianças, quase por antecipação, conseguem (só de a imaginarem) ter medo da reação da mãe ou do pai faz com que parem, enquanto é tempo. Ou que se munam de talentos para iludir a competência que todos os pais têm para adivinhar as suas asneiras – antes, ainda, delas serem pensadas – o que, a acontecer, não é para todos! Só mesmo para os filhos de quem, de vez em quando, berra, reclama e protesta…

Para rematar, dá-se a entender que os pais, depois de berros, protestos e reclamações ficam “afanadotes”. E, seja pelo cansaço de tão pouco edificantes “perfomances”, seja pelo exagero com que elas vêm equipadas, a seguir, se tornam “algodão doce”. E dizem “sim!” a quase tudo. E é verdade. Mas dizerem “sim” a quase tudo não significa que se tenham tornado amigos da “totozice”. Mas que tenham prescindido da sua quota-parte da birra e que, em função disso, casem melhor a autoridade com a bondade.

Educar sem berrar, sem rezingar e sem resmungar não será “a Graça de Deus”. Reconheço! Por mais que ande por aí quem confunda bullying com educação. Os pequenos destemperos dos bons pais são bondade e educação. Os registos rígidos a que alguns se obrigam (talvez porque tenham medo de, ao primeiro espirro, perderem a cabeça) são mais bullying do que parece. Porque é que os pais querem muito não gritar, sempre que educam? Porque eles lá sabem do que é que são capazes quando amam. Mas não fossem eles capazes de berrar, de rezingar e de resmungar que podiam ser bons pais, até. Mas faltaria uma pitadinha de alma, um quanto-baste de paixão. E nunca seriam “Os Nossos Pais”!

 

 

Conferência “Pais e professores à beira de um ataque de nervos, porque o melhor do mundo – nem sempre – são as crianças” 25 de março em Ponte de Lima

Março 15, 2017 às 10:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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