Crianças à mesa: a oportunidade de reforçar laços e de desenvolver competências sociais e educativas

Junho 13, 2020 às 2:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Sapolifestyle

Realizar refeições em família, sentados à mesa, é muito mais do que a satisfação da necessidade básica de nos alimentamos ou um “mero capricho” como alguns poderão apelidar. À mesa partilhamos afetos, criamos memórias, reforçamos laços familiares e cultivamos um bem precioso, o tempo. Um artigo de Joana Andrade Nunes, do blogue “Camomila Limão”.

Quando há crianças em casa, a partilha da refeição em família tem uma particularidade: à mesa, as crianças aprendem, através do exemplo do adulto, as regras de saber estar (como se devem sentar e comportar; como devem utilizar, devidamente, as palavras mágicas “obrigada”, “se faz favor”, “com licença”), desenvolvem e elevam o nível de conversação ao ser-lhes permitida a participação numa conversa de adultos.

Por outro lado, aprendem hábitos de alimentação saudáveis, aprendem a partilhar o seu dia e a lidar com as emoções que vivenciaram; aprendem também, através das vivências partilhadas com os pais, a resolver futuros “problemas do quotidiano” dando-lhes ferramentas essenciais para a vida futura.

Sempre que possível, todos os elementos da família (incluindo as crianças) devem participar na preparação da refeição e na tarefa de pôr a mesa: só assim ficarão dotadas das ferramentas essenciais para que um dia mais tarde consigam ser adultos aptos a gerir a sua própria casa.

Atualmente, a maioria das famílias não tem possibilidade de fazer várias refeições diárias em família; contudo, os benefícios de efetuar pelo menos uma refeição diária em família (o jantar é, por regra, a refeição em que tal é possível) são imensos – em especial o impacto positivo no desenvolvimento da criança e no reforço dos laços familiares de cada família.

É, por isso, que o momento da refeição em família não deve ter, por regra, a presença de dispositivos eletrónicos (televisão, iPads, telemóveis) pois tal não permite que cada membro da família desfrute do momento em pleno impossibilitando o desenvolvimento da conversação por existirem outros focos de atenção.

Aproveitem para demonstrar aos vossos filhos que há tempo para cada um partilhar o seu dia; para contar histórias e para colocar questões (a “idade dos porquês” é particularmente interessante à mesa!); à mesa, em família, é também o espaço ideal para ensinar a criança a esperar pela sua vez de falar – cada um tem o seu momento – e de a incentivar a expor verbalmente, perante o outro, as suas ideias e opiniões desenvolvendo o seu espírito crítico.

Lembrem-se: é à mesa que se criam memórias afetivas inesquecíveis e que se reforçam laço para a vida!

“Há algumas famílias que se sentem muito aliviadas com a situação presente”

Maio 14, 2020 às 8:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Texto do Público de 3 de maio de 2020.

Ao fim de quase dois meses de confinamento, há famílias que olham para este período com cansaço. Porém, há também quem descreva estes tempos como uma oportunidade — e não esteja ansioso pelo desconfinamento.

Carla B. Ribeiro

O isolamento deixou alguns sozinhos, mas também fez que outros ficassem mais acompanhados do que nunca: sempre pelas mesmas pessoas, num mesmo espaço, onde todos se desdobram em múltiplas personagens.

“O mais parecido que tivemos com isto foram as férias quando os miúdos eram mais pequenos — e é sempre uma situação diferente”, recorda Luís Castelo. “Antes, passávamos o dia todo sem nos vermos; cruzávamo-nos ou não ao pequeno-almoço, mas cada qual tinha a sua própria rotina. À noite, sim, jantávamos juntos.” A maior dificuldade deste intenso convívio, com os miúdos com as aulas à distância e a mulher em teletrabalho de forma contínua, é “lidar com o facto de que qualquer questão pode ser amplificada e a tensão precisa de mais tempo para se dissipar”.

A tensão alimentada por “um medo difícil de identificar” tornou-se, como descreve a psicóloga e terapeuta familiar Sofia Nunes da Silva, “um elemento novo e invisível no seio de muitas famílias”, considerando que para o combater “a receita, às vezes, não é falar mais, mas optar por actividades prazenteiras que não obriguem ao diálogo”, evitando, assim, a escalada de um conflito que noutra altura não o seria. Quando se atinge um clímax, Sofia Nunes da Silva diz que se pode recorrer aos serviços da Sociedade Portuguesa de Terapia Familiar que, desde 6 de Abril, tem uma linha de apoio (+351 213 555 193), onde diariamente têm chegado alguns pedidos de ajuda.

Porém, explica, o que é essencial para não se chegar a esse ponto é “definir fronteiras; respeitar espaços e tempos individuais, deixando o encontro para, por exemplo, o tempo da refeição”.

regra dos encontros à refeição, explica Luís Castelo, é o que tem ajudado a que o quotidiano corra de feição: “Definir uma hora de almoço e uma de jantar deu-nos uma disciplina importante”, diz, acrescentando que assumiu as tarefas do dia-a-dia por ter mais disponibilidade (o espaço onde trabalha está encerrado; estando a leccionar algumas aulas à distância). “Excepto lavar a loiça; tenho sempre a boa desculpa de já ter feito a refeição!”

“Não estamos mal em casa juntos, mas também sabemos que saudável não é.” No entanto, refere, sente que têm sorte por ter acontecido agora: “Os nossos filhos já são adultos [de 20 e 22 anos]; quem tem crianças ou jovens deverá ter mais dificuldades.”

Gerir os tempos em família

Maria (nome fictício), casada e com uma menina de 7 e um menino de 2 anos, reforça a teoria de Luís Castelo. “É positivo estar mais tempo com os filhos, mas há dias em que não os posso ver nem pintados de ouro”, gargalha, ao mesmo tempo que relata já ter tido reuniões com os dois “literalmente em cima” de si.

“Quem está em teletrabalho de uma forma mais intensa terá mais dificuldade em gerir os tempos em família”, sintetiza a terapeuta familiar Sofia Nunes da Silva. E é esse o caso de Maria.

Estando, desde o início do primeiro estado de emergência, em teletrabalho na área da saúde e segurança ocupacional — o que significa que tem tido mais que fazer do que noutras alturas —, tenta conciliar as responsabilidades laborais com os dois filhos. Tem-lhe valido, refere, o facto de o marido ter sido dispensado de se apresentar ao serviço e de este apoiar ambas as crianças.

No entanto, mesmo que confesse as saudades “do silêncio dos tempos de condução, de ir ao café, dos almoços em casa dos pais”, encara estes dias como “uma oportunidade para a família crescer em conjunto”, com pontos negativos e outros que compensam. É que, se, por um lado, sente falta da ajuda preciosa que era ter uma empregada doméstica uma vez por semana, por outro, envolve hoje a filha mais velha em tarefas domésticas que nunca tinha tentado antes.

Nem tudo são rosas: nota que a criança manifesta muitas saudades da escola e dos amigos, e até alguma irritação — “odeia a telescola”, conta. Um estado de espírito presente em muitos dos mais pequenos com que Sofia Nunes da Silva tem falado. “De uma forma geral, têm saudades do convívio”, ainda que ressalve que a maioria não manifesta vontade de sair de casa, não tanto pelo medo, mas pelo sentimento de conforto. A psicóloga reforça, no entanto, a ideia de que também os pais têm de dar espaço aos filhos, que também não estavam habituados de estarem permanentemente sob o controlo parental: “Não podem achar, por exemplo, que passaram a ser também os professores.”

Ao sabor dos filhos

A forma como se tem lidado com o tempo de confinamento não depende apenas de se estar em teletrabalho ou da idade das crianças da casa. O temperamento dos filhos também acaba por marcar o passo. “Pais com filhos mais rebeldes vêem-se em situações difíceis”, explica a psicóloga. E o mesmo se passa quando os pais passam o tempo a adaptar a sua abordagem a cada criança.

Em teletrabalho tal como a mulher, Paulo Dinis tem o seu dia dividido entre estar atento ao trabalho e em simultâneo lidar com a preocupação da mais velha, de 8 anos, com a reguilice da do meio (“com 5, não leva nada a sério”) e com a “capacidade de inventar” do mais novo, com 2 anos. Tem ajudado a manutenção de regras: “Mantêm os mesmos horários de irem para a cama, de almoçar, jantar.”

“Não está a ser fácil, mas também tem sido uma oportunidade para fazermos coisas que não faríamos noutra situação, como voltar aos jogos de tabuleiro.” Por outro lado, sente que este tempo o ajudou a ser capaz de se lembrar de si próprio quando tinha as idades das suas crianças — e a ser mais tolerante.

Isabel também tem a casa cheia — até mais do que antes. A si, ao marido, aos três filhos (de 13, 16 e 18 anos), aos três cães e aos dois gatos juntaram-se a cunhada e a cadela desta. “Vivemos numa casa dividida por andares, o que ajuda” e, com os três miúdos com aulas e todos os adultos em teletrabalho, “às vezes só nos encontramos ao fim do dia ou às refeições”.

A primeira fase foi mais complicada, mas os próprios miúdos acabaram por ajudar à organização e, numa operação digna de qualquer programa televisivo, criaram um quarto a partir de um escritório, conseguindo cada qual o seu próprio espaço.

Também a gestão das tarefas da casa mudou. Antes, havia uma pessoa que assegurava as limpezas maiores, ficando para si a manutenção. Agora, sem essa colaboradora (“ficou como nós: a trabalhar em casa”, brinca) todos cooperam: “Ao sábado, cada um ocupa-se de diferentes áreas e tarefas.”

Mesmo assim, e apesar de considerar que está tudo a correr bem, há dias mais complicados: “Não sou à prova de bala”, desabafa. E já aconteceu meter “um dia de folga” — e a família respeitou.

O quebrar da rede

Do que Isabel sente mais falta é do jantar semanal com a família completa. “Tínhamos uma rotina que implicava que, todas as quartas-feiras, os avós iam buscar os três à escola e traziam-nos para casa para jantarmos todos.”

A rede de apoio com que contava, dos pais e dos sogros, também é uma das coisas que Catarina Coutinho mais sente falta, não vendo a hora de regressar ao ritmo que tinha antes. “Uma coisa é estar em casa por opção, outra é estar por obrigação.”

Professora e a dar aulas numa escola a cinco minutos da residência, o que implicava não sofrer com o trânsito e até às vezes poder ir almoçar a casa, explica que o facto de a sua vida entre a casa e o trabalho ser relativamente fácil faz com que sinta tanta falta do antes.

Além disso, com um rapaz de 7 anos, tinha toda a semana programada num esquema em que contava com o apoio dos avós: “O meu filho está tão bem comigo como com os meus pais ou sogros.” Isso permitia-lhe “não andar a correr” e, algumas vezes, ter momentos sociais de ir jantar fora, ir a um concerto, enquanto, relata, o rapaz contava com todo o mimo dos avós e as brincadeiras com os primos.

O mais complicado, nas duas primeiras semanas, foi gerir a casa, sem a empregada de limpeza que ia uma vez por semana e com todas as refeições — “e com um miúdo de 7 anos não dá para ser qualquer coisa ao almoço”. Depois, ao longo do dia, multiplica-se entre ser professora do filho, professora dos seus alunos, mãe, etc. Por tudo isto, e apesar de sublinhar estar grata por estarem bem e por gerirem o dia-a-dia em casal sem nenhuma dificuldade, está desejosa de voltar ao normal.

Esse antes é, pelo contrário, o lugar onde Ana Conceição não quer voltar. “Quase me sinto culpada por dizer isto e sei que há muita gente a sofrer, mas nunca vi isto [de ficar em casa fechada em família] como uma coisa má.”

A terapeuta Sofia Nunes Silva explica que, enquanto as pessoas que estavam mais apoiadas terão maior vontade de regressar ao estado anterior, “há algumas famílias que se sentem muito aliviadas com a situação presente”.

É o caso de Ana Conceição, mãe de duas meninas em idade pré-escolar, cujo dia-a-dia implicava muito tempo no trânsito e demasiadas horas fora de casa. E, apesar de se ter mantido em teletrabalho, tal como o marido, e de afirmar que tem sido “muito cansativo”, não lhe passa pela cabeça queixar-se: “Eu pedi isto muitas vezes: ter tempo para ver as minhas filhas a crescer.” Já o tempo que passava no trânsito, passou a dedicá-lo ao seu hobby: o desenho.

Para conseguir aproveitar, porém, teve de prescindir da ideia de ter sempre a casa imaculada, ainda que a divisão das tarefas em casa seja natural e feita de forma equilibrada e, por isso, não tenha sido um factor de stress.

Sente falta de algumas coisas, como das pausas no trabalho: “Em casa, as pausas do teletrabalho representam outro trabalho.” Mas aquilo de que tem mesmo saudades é do silêncio. “De vez em quando, compro-o, dando acesso às pequenas ao telemóvel, que não costumam ter”, confessa, num tom de voz em que se percebe o sorriso de quem encontrou ferramentas para atingir o equilíbrio.

Máscaras: Saiba como ajudar as crianças a ultrapassar o medo

Maio 11, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site Kids Marketeer de 23 de abril de 2020.

Para muitas crianças, ver os pais a usarem máscaras de protecção respiratória pode ser assustador, desconcertante ou mesmo motivo para tristeza. Uma das razões para tal acontecer é a capacidade limitada das crianças de reconhecer e ler rostos.

Kang Lee, professor de psicologia aplicada e desenvolvimento humano da Universidade de Toronto, especialista no desenvolvimento de habilidades de reconhecimento facial em crianças, explica melhor esta razão: “Se um adulto usar uma máscara, eu consigo reconhecê-lo pela estrutura do seu rosto, ainda que metade da cara esteja tapada”.

O mesmo não se passa com as crianças. Kang Lee esclarece que as crianças até aos seis anos concentram-se nas características individuais, em vez de reconhecerem a pessoa como um todo. “Por exemplo, prestam atenção ao formato dos olhos ou ao tamanho do nariz.

Vários estudos realizados constataram já que as crianças podem, inclusive, ter dificuldade em reconhecer rostos familiares que estejam parcialmente escondidos, exactamente por alguns recursos de informação (tamanho do nariz, formato da boca) não estarem visíveis e a criança não conseguir ler os sinais emocionais. Esta situação pode revelar-se assustadora ou desconcertante para os mais pequenos.

Para que o seu filho não fique assustado com a máscara, os especialistas aconselham que quando os pais colocarem máscaras, expliquem às crianças a razão de o estarem a fazer. Devem dizer que o estão a fazer para ajudar e proteger as outras pessoas. Transmitir a mensagem de que o uso de máscara é um acto de responsabilidade social e que é tão importante como lavar as mãos. Em alternativa, pode ser explicado às crianças que as máscaras transformam as pessoas em super-heróis porque protegem todas as pessoas dos germes, reforçando a ideia de que a máscara é como a capa dos heróis.

Outro conselho é que o tecido da máscara tenha desenhos divertidos ou a família em casa faça uma máscara para a criança consciencializar-se de que este é um objecto normal. Os pais podem também optar por fazer jogos de interpretação de expressões para retirar o medo; ou seja, toda a família coloca máscaras e depois tentam ler os rostos uns dos outros, através do olhar, para identificar as expressões/emoções que estão a transmitir – se estão a sorrir, por exemplo. Este tipo de actividade retira o factor assustador e insere a máscara como um objecto normal.

Os especialistas aconselham também que os pais estimulem os mais novos a colocarem todas as dúvidas que tiverem sobre o assunto e que a família dialogue, de forma tranquila, sobre todas as experiências e emoções que está a experienciar.

Estudar em tempo de pandemia : Guia para pais e cuidadores – Ordem dos Psicólogos

Abril 21, 2020 às 12:00 pm | Publicado em Recursos educativos | Deixe um comentário
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Descarregar o guia no link:

Click to access covid_19_estudar_em_tempo_de_pandemia.pdf

Gosta que os seus filhos sejam obedientes?

Abril 17, 2020 às 10:25 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto de Isabel Leal publicado no Sapo Lifestyle

O segredo da obediência é conhecer os seus filhos como realmente são. Para que isto seja possível é importante conhecer a criança profundamente, em aspectos que antes não tinham sido considerados e através de uma visão fora do habitual, para que possa perceber aspetos que nunca antes achou possíveis.

Enquanto adultos, sentimos empatia com outros adultos que falam a mesma linguagem do que nós. Assim, é também com as crianças. Gostam de ser entendidas e reconhecidas pelo que são.

Vivemos tempos que a homeschool pode voltar a ser mais que uma moda, uma necessidade. Por esta razão, e porque as exigências do momento estão a provocar mais tempo em família é importante que se conheçam todos muito bem.

Gritarias, choros, dificuldades de adaptação a esta nova realidade, ineficácia dos pais e incerteza fazem do momento atual um período de aprendizagem e de procura por soluções.

Estou a falar de conhecer e saber tudo, tudo sobre cada um dos seus filhos com tanto detalhe que eles ficam sem palavras para fazer disparates. “Oh mãe, como é que já sabias”? dizia um com um sorriso rasgado.

Um estudo individual da criança, um estudo de personalidade ou um teste psicotécnico definem o futuro escolar e académico da criança, apontam todos os traços de comportamento, porquê, para quê, quais os sentimentos da criança, qual o papel do pai e da mãe no desenvolvimento de um filho em especifico, o comportamento dele na escola, o que espera ele do professor, o rendimento, habilidades, dons, dificuldades, relação social, entre outros aspetos que determinam o ser único que ele é.

Quais os resultados de os conhecermos melhor?

Uma melhor sincronização das necessidades, vontades e realizações de adultos e crianças, sonhos de ambas as partes, potencial e características únicas de cada um dos seus filhos. Resultado?

Entender as diferenças, aceitando que diversos filhos educados da mesma maneira podem ter mostras internas diferentes e, por isso, comportamentos e tendências diferentes.

Auto afirmação, autoestima, poder pessoal: ao ser respeitada desde tenra idade, ganha a determinação e a segurança que as crianças devem ter.

O que fica visível e sem esforço:

  • autoconhecimento e das capacidades inatas, propósito e missão de vida
    • decisões mais assertivas e inteligentes
    • resiliência em momentos difíceis
    • escolhas adequadas a todos os níveis e com resultados de qualidade
    • características internas e como utilizá-las da melhor maneira
    • auto valor, força e autoestima
    • índices de diferenciação como fatores de sucesso no dia a dia da criança.

Por: Isabel Leal
Site: https://alegrianainfancia.wixsite.com/index

Comunicado do IPA sobre “A importância da promoção do brincar livre em tempo de isolamento e de distanciamento social “

Abril 9, 2020 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Comunicado IPA

Crianças de hoje são pequenos adultos antes do tempo. Os avisos dos especialistas

Março 26, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Sapolifestyle de 3 de março de 2020.

A infância dos nossos dias vive-se de forma muito mais acelerada do que antes. Cabe aos progenitores travar essa tendência. “Há muita informação danosa que lhes chega e os pais têm de estar atentos”, adverte a psicóloga Cristina Valente.

As crianças de hoje têm cada vez menos tempo para viver a sua infância. Entre as mil e uma atividades em que estão inscritas e as horas que perdem a saltar de uma para a outra, o tempo que passam agarradas à tecnologia, a roupa que os faz parecer adultos antes do tempo e o contacto precoce com a sexualidade, esquecem-se de ser crianças, alertam os analistas. Cristina Valente, psicóloga e especialista em aconselhamento parental, não podia estar mais de acordo.

“Se, em algumas áreas, os pais têm tendência para infantilizar os filhos durante muito tempo, como é o caso da alimentação, em que há miúdos com três anos que nunca comeram sopa sem ser passada, noutras adultizam-nos excessivamente”, critica. E a culpa deste desequilíbrio é a existência de “um desalinhamento entre as nossas expetativas enquanto pais e a capacidade dos bebés ou crianças responderem com os recursos internos que têm em cada etapa”, sublinha.

“Isto acontece porque ainda há atualmente uma ignorância muito grande em relação às etapas de desenvolvimento infantil e adolescente e quais os desafios de cada uma, bem como das potencialidades e fragilidades de cada ser humano”, explica ainda a psicóloga. Mas será esta tendência incutida apenas pelos pais? “Não, eu diria pelos pais, pelas escolas, pelos media, pela internet, pela sociedade inteira… Mas parte desse processo é inconsciente”, refere, contudo.

Claro que os pais podem fazer toda a diferença. “Tirando a escola, que é obrigatória, tudo o resto é da responsabilidade dos pais”, realça a especialista. “Os miúdos vêm televisão em casa, têm acesso a telemóveis em casa, jogam videojogos em casa e têm de ser acompanhados pelos progenitores nessas atividades”, realça a psicóloga. Esqueça aquela ideia pré-concebida de que as crianças se sentem excluídas se não tiverem acesso ao que os colegas têm. Isso é um mito!

“Os pais têm de ter autoridade para lhes dizer que não e explicar porquê”, recorda a especialista em aconselhamento parental portuguesa, que revela um episódio da sua experiência. “O meu filho, aos 11 anos, queria ter Facebook e o primeiro argumento que me apresentou foi que todos os seus colegas já tinham. Mas isso não me demoveu! Expliquei-lhe que se o fizesse estava a infringir uma lei e, na altura, eu fui perentória no não”, acrescenta ainda Cristina Valente.

“Se eu tivesse cedido, corria o risco de ele, antes dos 18 anos, me dizer que queria conduzir um carro e, se eu lhe falasse nos limites da legislação, ele não teria problemas em lembrar-me que já tínhamos infringido uma lei anteriormente”, argumenta a especialista em aconselhamento parental portuguesa. “Os miúdos são autênticos polícias do nosso comportamento”, alerta. “Temos de estar sempre seguros do que estamos a dizer”, acrescenta ainda Cristina Valente.

As consequências nefastas da falta de tempo dos pais

A fase inicial da infância é decisiva. “É nos primeiros sete anos de vida que os adultos que rodeiam a criança, como é o caso dos pais, dos avós e dos professores, conseguem descarregar programas mentais nos mais pequenos”. Utilizando a linguagem de programação, “a criança nasce com o disco rígido limpinho e, depois, vai absorvendo tudo o que a rodeia e há muita informação danosa que lhes chega e os pais têm de estar atentos”, compara Cristina Valente.

Mas é aí que entra a tão falada falta de tempo, um dos maiores dramas sociais dos tempos atuais. “Uma relação entre pais e filhos só cresce se houver disponibilidade e a vida da maior parte dos pais no século XXI é de total escravatura do tempo e do trabalho. Essa ausência é colmatada, preenchendo os mais pequenos com atividades. Por um lado, para os distrair, e, por outro, para os armadilhar com todas as ferramentas externas para que consigam singrar, segundo os pais, num mundo extremamente competitivo. Por isso, acham que se os filhos forem aprender mandarim e tecnologias da informação aos três anos, se tiverem um telemóvel aos cinco e se conseguirem fazer três desportos ao mesmo tempo, vão ser adultos de sucesso”, relata ainda a psicóloga.

Tudo isto leva obrigatoriamente a criança a adultizar-se e a crescer rápido, o mesmo acontece quando são instigadas a ser as melhores em tudo. “Hoje em dia, as crianças não podem ter preferências e têm de ser boas a todas as disciplinas e isso leva a uma baixa autoestima, porque a criança não se sente valorizada por ser quem é, mas pelas notas que tem”, refere a especialista em aconselhamento parental. Mas este não é o único senão do crescimento demasiado rápido.

Cristina Valente aponta a privação de sono atual como uma das mais relevantes, também já criticada por uma das mais reputadas neurologistas nacionais, Teresa Paiva. “As crianças não têm tempo para dormir suficiente, o que tem consequências nefastas a nível do sistema imunológico, influencia o desempenho escolar e estimula problemas comportamentais, sintomas de hiperatividade e défice de atenção e aumenta a obesidade infantil”, adverte ainda.

O vestuário de adulto que muitas crianças já usam

A roupa é outro fator que tende a adultizar as crianças. Há pais e filhos que se vestem da mesma maneira e há já marcas que fazem linhas duplas. Cristina Valente vê isto como “uma ferida narcísica dos pais”. Nota-se, na sua opinião, “uma vontade inconsciente de adultizarem os filhos e de se infantilizarem a eles próprios. Na verdade, querem parecer amigos dos filhos em vez de pais”, acrescenta. Se olharmos só para as meninas, há ainda outra tendência que se destaca.

O uso de roupas sexualizadas é uma realidade atual. “A autoimagem das meninas é incutida desde cedo por séries da Disney para adolescentes que as crianças de cinco e seis anos também veem”, condena. Este aspeto remete para o sexo precoce. “As crianças despertam para a sexualidade muito antes de estarem preparadas. É por isso que vemos miúdas de 13 anos a saírem à noite de minissaia e maquilhadas e miúdos de 15 anos a levarem as namoradas para casa”, refere. Mais uma vez, têm de ser os pais a desconstruir imagens perversas associadas à sexualidade, que lhes é mostrada como uma coisa física e violenta.

Cristina Valente alerta ainda para o facto do contacto com realidades para as quais ainda não estão preparadas também estar a afetar muitas crianças. “Aos seis, sete anos, é comum uma criança já ter contactado com imagens de pornografia na internet sem querer. Como não podemos controlar tudo, temos de prepará-los para isso e de conversar desde sempre sobre este tema. É importante, por exemplo, sublinhar que a sexualidade implica amor e respeito”, afirma.

Conselhos para pais conscientes

As recomendações que Cristina Valente, psicóloga, gosta de fazer aos que a procuram:

– Aprenda a confiar na sabedoria inata das crianças.

– Lide com a sua própria ansiedade de forma a não criar ansiedade nos mais pequenos.

– Fazer meditação, várias vezes por dia, é algo que muda a nossa vida. Para meditar, apenas tem de estar imobilizado e concentrado apenas na respiração.

– Saber quais são os desafios e as fragilidades de cada fase de desenvolvimento e respeitar o ritmo das crianças é outra das recomendações.

– Ame incondicionalmente os seus filhos e não deixe que este amor dependa daquilo que as suas crianças lhe dão.

– Criar um clima de literacia de emoções em casa é outra das estratégias. Se as emoções são aquilo que nos mantém vivos, temos de saber lidar com elas de forma natural, tal como respiramos, comemos ou bebemos água.

– Pense nos valores que quer transmitir aos seus filho e aja de forma a ser congruente com eles. Tenha noção que somente cerca de 7% do que comunicamos é processado via verbal.

Construir a resiliência desde a infância: qual o papel do adulto?

Março 13, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Público de 10 de março de 2020.

Sofia Garcia da Silva

A resiliência não é uma qualidade inata que se detém ou não ao nascer. É algo que se desenvolve através de um processo dinâmico entre fatores individuais e do ambiente e da interação entre estes dois.

A física refere-se ao termo “resiliência” como “propriedade de um corpo de recuperar a sua forma original após sofrer choque ou deformação” (in Priberam). Nas ciências sociais, apesar de encontrarmos múltiplas aceções, a mais comum é aquela que define a resiliência como a capacidade ou o conjunto de capacidades que permitem ao ser humano lidar e adaptar-se de forma positiva às circunstâncias adversas. Porém, ao contrário dos corpos a que a física se dedica, sabemos que no ser humano as experiências, sobretudo na infância, permanecem connosco e modificam a forma como pensamos e sentimos.

Apesar de vivermos uma era em que a adversidade é frequentemente abafada pelo aparente estado contínuo de felicidade que as redes sociais promovem, a verdade é que, em determinados momentos, todas as famílias vivem situações difíceis e stressantes. Divórcios, problemas de saúde física e mental e experiências escolares negativas estão talvez entre as mais frequentes, mas não nos esqueçamos de uma parte significativa da nossa população (e das nossas crianças) que vive em grande desvantagem social, na pobreza e/ou exposta à violência. Neste sentido, a ciência tem demonstrado que exposição sistemática e prolongada a experiências adversas na infância está associada a um maior risco de desenvolvimento de doença mental, abuso de substâncias, abandono escolar e perturbações de ansiedade.

Perante isto, devemos questionar-nos: porque é que há crianças que superam melhor a adversidade do que outras? Como podemos ajudá-las a desenvolver o seu sentido de resiliência e prepará-las para as dificuldades que poderão enfrentar durante a adolescência e a vida adulta?

Para tal, importa entender que a resiliência não é uma qualidade inata que se detém ou não ao nascer. É algo que se desenvolve através de um processo dinâmico entre fatores individuais e do ambiente e da interação entre estes dois (Beyond Blue Ltd., 2017). Imagine uma balança com dois pratos: a resiliência manifesta-se quando a saúde mental e o desenvolvimento de uma criança se encontram numa direção positiva, apesar do peso que os fatores negativos exercem no outro lado (Center on the Developing Child, 2015). E, ainda que o acompanhamento adicional e especializado não deva ser descurado em crianças que passam por eventos traumáticos ou por experiências negativas continuadas, a literatura aponta para várias estratégias e abordagens consideradas universais e ajustáveis a todas as crianças. Vejamos algumas delas.

Fale sobre resiliência 
Leia livros e conte histórias que abordem a superação de situações difíceis. Incentive a criança a falar sobre casos que conheça. Explique-lhe onde e a quem pode recorrer quando necessitar de ajuda.

Construa e fomente relações de suporte
Crie uma relação próxima e afetiva. Faça com que a criança ganhe um sentido de pertença. Dê atenção e afeto, brinque, conforte, ouça os seus interesses e mostre empatia, o que não significa que concorde sempre com ela, mas que é capaz de se pôr no seu lugar e entender os seus sentimentos.

Promova o autocontrolo e a autorregulação
A criança aprende a autorregular o seu comportamento através das interações diárias com os cuidadores. Por isso, garanta bons hábitos de sono e de alimentação. Ajude-a a acalmar-se, através da respiração ou a imaginar algo que lhe dê prazer. Ensine-a a saber esperar desde cedo: recorra a rimas e lengalengas enquanto espera por algo; defina rotinas e momentos próprios para determinadas ações; elogie sempre que se mostra paciente. Encoraje a perseverança perante os desafios e a frustração.

Fomente a autonomia e a responsabilidade 
Dê oportunidade para que a criança tome decisões relevantes sobre os contextos em que está envolvida e que possa ser ela própria, e não o adulto, a encontrar formas de resolver os seus problemas. Permita-lhe correr riscos saudáveis, adequados à sua idade e fase de desenvolvimento.

Ajude a gerir emoções 
Nem todas as adversidades são traumáticas e muitas delas podem ser positivas. Ao experienciar dificuldades, criam-se oportunidades de crescimento. Ser resiliente não é estar sempre bem ou ter menores reações emocionais. É saber lidar e gerir essas emoções de forma saudável e positiva. Por isso, valide os sentimentos da criança, incentive-a a nomear o que sente, fale com ela sobre situações que a deixam ansiosa e ajude-a a encontrar formas de se sentir mais segura.

Em conclusão, a construção da resiliência na infância deve iniciar-se no seio de relações afetivas, através de modelos positivos em casa e na comunidade, em que pais, cuidadores e educadores assumem um papel de máxima importância na promoção da saúde mental.

Técnica Superior de Educação Especial no CADIn

Pais em guerra, quem precisa de psicólogo não é o vosso filho!

Março 3, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Rute Agulhas publicado no DN Life de 23 de feverero de 2020.

Muitos pais entendem que os filhos precisam de apoio psicológico e, bem, procuram ajuda nesse sentido. E, com elevada frequência, chegam até nós crianças com sintomatologia diversa. Alterações nos padrões de sono ou de alimentação, medos, isolamento, ansiedade, regressão no desenvolvimento, dificuldades de atenção e concentração… e muitos outros indicadores de que algo não está bem. Inicia-se então um processo de avaliação que deve envolver a criança e os seus adultos significativos, permitindo compreender o seu modo de funcionamento nos vários contextos de vida, como a família e a escola, por exemplo.

Assim, não raras vezes, deparamo-nos com crianças que evidenciam um conjunto de sinais e sintomas que mais não são do que um reflexo da disfuncionalidade do seu meio envolvente.

Sabemos que as crianças são muito permeáveis ao seu ambiente e a tudo aquilo que se passa em seu redor. E reagem, de formas diversas, quando os contextos à sua volta apresentam algum tipo de perturbação. Assim, não raras vezes, deparamo-nos com crianças que evidenciam um conjunto de sinais e sintomas que mais não são do que um reflexo da disfuncionalidade do seu meio envolvente. E, muito frequentemente, um reflexo do conflito parental.

Os pais em guerra ficam cegos e surdos, mas não mudos. Centrados em si mesmos e no conflito, disparam em todas as direcções sem dó nem piedade, totalmente indiferentes ao impacto negativo que tal comportamento tem nos filhos. Ignoram os diversos sinais de alerta das crianças, permitindo que estes evoluam num processo de escalada que tende a agravar-se e a rigidificar-se. E usam as crianças como armas e escudos, coisificando quem deveria ser, acima de tudo, protegido e amado.

Para estes pais em guerra que procuram o psicólogo com a ânsia de um diagnóstico para a criança – e, já agora, que permita culpar o outro – é preciso dizer de forma clara que o problema não está centrado na criança. De nada adianta levarem a criança ao psicólogo para que seja “tratada”, quando o problema não é a criança. Não, o problema são eles, os pais. Os que gritam, insultam, batem e denigrem o outro progenitor perante a criança. Os que elaboram esquemas maquiavélicos para prejudicar o outro progenitor, impedem convívios e fazem a criança sentir-se rejeitada e abandonada. Os que dizem amar a criança e querer protegê-la e acabam, afinal, por ser os principais agentes maltratantes.

Sabemos que o divórcio é uma crise gigantesca e que nem todos os pais possuem os recursos (internos e externos) necessários para lidar com a mesma. Pois bem, peçam ajuda. Se possível, ainda na fase pré-divórcio para que, em conjunto, possa pensar-se na melhor forma de gerir esta alteração na estrutura familiar. A comunicação à criança, a definição dos contactos, a reorganização da vida quotidiana, dos papeis e dos limites. Peçam ajuda para resolver as divergências e os conflitos, procurando soluções que beneficiem, acima de tudo, a criança. Peçam também ajuda individual para cada um dos pais, se preciso for. Porque pedir ajuda não é sinal de fraqueza ou de doença mental, mas antes um sinal de que se coloca o bem estar de todos no centro da equação e pretende avançar-se de uma forma reparadora e constructiva.

Dez coisas que pode dizer às crianças em vez de “pára de chorar”

Março 2, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Notícias Magazine de 5 de dezembro de 2019.

“Não chores”, “Isso não é nada”, “Não sejas mariquinhas”, “Tu vê lá se queres chorar com razão.” Frases que até podem fazer as crianças engolir as lágrimas no momento, mas também lhes dão a ideia de que os seus sentimentos não são importantes. E nós, pais, não queremos de modo nenhum que deixem de confiar em nós.

CONTA-ME O QUE ACONTECEU

 Dê espaço à criança para explicar o que lhe aconteceu, com empatia e sem a julgar, permitindo-lhe extravasar a avalancha de emoções que a perturba. Os miúdos são como nós, qual é o espanto? Sentem-se seguros quando são tratados com compreensão e respeito ao exprimirem o que lhes vai na alma.

ESTOU A OUVIR-TE

 E isto significa saber escutar, de facto, o que quer que seja que o seu filho tenha para lhe dizer aqui, agora. Miúdos com pais incapazes de ouvirem com seriedade as pequenas coisas tornam-se, por sua vez, adultos incapazes de contarem aos pais as grandes coisas das suas vidas. Já para não falar no facto de as pequenas coisas, para uma criança, nunca serem irrisórias.

AMO-TE

Não é só dizer ao seu filho que gosta dele, como se gosta de gelado ou de bolo de chocolate. É dizer-lhe que o ama, com todas as letras, e mostrar-lhe na prática que o reconhece, confia nele e vai sempre ampará-lo e amá-lo independentemente das escolhas que fizer. Não há choro que resista ao amor.

PREFERES FICAR SOZINHO/A?

 E depois acrescentar as palavras mágicas: “Quero que saibas que estou aqui para ti. E vou ficar por perto para que possas chamar-me se precisares de mim.” Se a criança mostrar não querer a sua presença, é importante respeitar. Isto sem nunca dar a entender que se está a afastar por desaprovar o comportamento dela ou como castigo.

 EU PERCEBO

 Até pode parecer que o melhor é tentar resolver de imediato o problema ou a frustração por que a criança está a passar, contudo nem sempre é disso que ela precisa verdadeiramente: apenas sentir que o pai ou a mãe a compreendem, sem fazerem com que se sinta desadequada nem lhe dizerem que nada daquilo faz sentido.

ESTOU AQUI CONTIGO

 Mais uma vez, há certos momentos em que isto é tudo o que um filho necessita de saber: que os pais estão lá para ele, ligados às suas dores, a fazerem-no sentir que o amam e não vão a lado nenhum, aconteça o que acontecer. Muitas das vezes nem sequer têm de dizer ou fazer nada: só ficarem ali ao lado dele.

VI QUE FICASTE TRISTE

 “Ou assustado/a, ou furioso/a. E não faz mal, às vezes eu também fico assim.” Saber que os pais sentem o mesmo que elas deixa as crianças aliviadas: afinal é normal, que alívio. O facto de depois lhes darem aquela atenção amorosa não só as ajuda a libertarem-se da mágoa como reforça os laços familiares.

POSSO FAZER ALGUMA COISA?

 Como pais, é esta a melhor maneira de criarmos um filho para a empatia: sermos os primeiros a saber pôr-nos no lugar dele e mostrar-lhe que reconhecemos o seu sofrimento (emocional ou físico), respeitamos a pessoa que é e nos interessamos genuinamente pela sua vida.

QUERES UM ABRAÇO?

 É capaz de ser o antídoto mais poderoso para momentos de descontrolo emocional, em que a criança já está para lá de toda a lógica: um abraço apertado sossega, ameniza choros e birras, promove o desenvolvimento cognitivo e imunológico, fortalece o vínculo entre pais e filhos. Se os quer ter perto do coração, é abraçá-los.

SEI QUE ISSO É DIFÍCIL

 “A sério que sim, meu amor. Mas eu vou ajudar-te.” Muitas vezes, é quase só disto que o seu filho precisa: saber que reconhece os seus sentimentos e lhes dá importância, sejam eles quais forem. No fundo, saber que se importa com ele e o aceita exatamente como é

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