“Desinvestiu-se na droga e na sida”. Ambas “aumentam entre os jovens”

Julho 20, 2017 às 6:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do https://www.publico.pt/ de 9 de julho de 2017 a Margarida Gaspar de Matos.

Nos 30 anos do seu projecto Aventura Social, Margarida Gaspar de Matos, psicóloga e professora catedrática da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa, olha para o que foi então o projecto – e para o que seria, se fosse lançado hoje.

Ana Dias Cordeiro

Se fosse lançado hoje, em vez de há três décadas, o projecto Aventura Social, acredita Margarida Gaspar Neto, em vez dos problemas comportamentais e da droga, teria os novos desequilíbrios que se começam a notar entre géneros e as novas tecnologias da informação a assumir o protagonismo.

O que é o Projecto Aventura Social?

Quando vim para a universidade, vinha do Ministério da Educação onde trabalhava junto das escolas com jovens com problemas de comportamento. Já naquela altura, final dos anos oitenta, esse era o grande problema das escolas. Não criámos um núcleo formal. Para conseguirmos ultrapassar a necessidade de autorização, demos-lhe um nome que não era nada do que costumava ser: Aventura Social. Não era uma instância com existência legal. Hoje tem mais de 20 investigadores. E foram criados três grandes grupos: um deles é o dos estudos à população — temos redes ligadas à União Europeia, redes ligadas à OMS — em matéria da saúde, da qualidade de vida, e de outros. Outro — a que chamámos Aventura Social na Comunidade — tem a ver com o trabalho de intervenção universal como a rede que criámos para envolver os jovens na reflexão dos temas que lhes dizem respeito. Com este projecto dos Dream Teens, o objectivo é trabalhar as partes positivas. As nossas estatísticas dizem que 20% dos miúdos têm problemas e 80% não têm. Vamos ver porque é que esses 80% não têm [problemas]. Vamos ver, quando as coisas correm bem, por que é que correm bem, e vamos tentar providenciar essas coisas boas, e que sejam os próprios jovens a lutar por elas.

Além do problema de comportamento nas escolas, havia outros?

Na altura, associados aos problemas de comportamento, havia os problemas de consumos de droga, a questão da Sida, logo ali nos anos 80. Mais tarde passámos pelo bullying e depois pela questão da obesidade.

Se o projecto fosse lançado agora, qual seriam os problemas a analisar de forma prioritária?

Um deles é a desesperança dos jovens relativamente ao seu futuro. Os miúdos dizem coisas estranhas como “Tanto faz ter 10 como ter 20” [nas notas]. Esta desesperança dos jovens afecta-me mais do que o facto de eles serem insuportáveis na escola, como se nem energia tivessem para serem insuportáveis. Há três anos, quando ia às escolas, muitos jovens diziam que o que aprendiam na escola era o que servia para emigrar: ou inglês ou culinária, para serem chefs. Agora eu penso que, com ou sem razão, as pessoas estão a começar a ficar animadas com o suposto fim da crise. Além dessa desesperança, também vejo a família, que vai começar a ter alguns desequilíbrios, e as novas tecnologias como os outros grandes desafios de agora.

Que tipo de desequilíbrios?

Por exemplo, vamos ter em breve casais em que as mulheres são doutoradas e os homens trabalham na construção civil. Isso não tem nada de mal em si, a questão é o choque cultural que acontece nas nossas casas, do ponto de vista dos interesses pela sociedade.

Os rapazes não apostam tanto na parte académica?

Não apostam, primeiro porque há essa desesperança, e depois porque eles acham que, se aprenderem a arranjar um cano, ou a arranjar computadores, encontram um emprego já e a ganhar mais, e isso é verdade. Mas cria um desequilíbrio entre os casais naquilo que diz respeito à intimidade conceptual e filosófica, sobre as questões da vida.

Já vê sinais evidentes de que isso acontece?

Sim, vejo sinais disso na estatística, porque os dados mostram-nos que, até ao 9.º ano, há tantos homens como mulheres e depois os homens desaparecem e não voltam a aparecer.

Dizia que o terceiro desafio é a questão das novas tecnologias.

Sim, porque vai mudar as relações humanas. As tecnologias têm coisas fantásticas, as pessoas circulam muito pelo mundo e as tecnologias mantêm-nas muito em contacto. Isso é muito importante. Agora tem que haver outras alternativas. A Internet pode ser utilizada para aumentar o convívio pessoal ou para o limitar, e esse é que é o desafio.

A obesidade e os problemas comportamentais já não são prioritários?

Isto são fluxos. A droga foi um daqueles problemas dos anos oitenta. Agora em 2018 — espero estar enganada — penso que os dados dos consumos de droga vão aumentar outra vez. E vão aumentar pela primeira vez desde 2002. A partir desse ano, os jovens em Portugal e na Europa toda têm ficado com melhores indicadores de saúde. Mas isso vai mudar. Nesta altura da crise os indicadores não pioraram. Não melhoraram mas também não pioraram a não ser aquele mal-estar, a desesperança e a falta de expectativas. Não houve ainda problemas do ponto de vista físico, mas eu acho que vamos ter. Eu ainda não tenho dados, mas tenho a percepção.

Que tipo de consumos?

O ectasy, e todas aquelas drogas sintéticas, que estão muito ligadas à cultura dos festivais. Há muito consumo desses produtos também porque os jovens acham que aquilo não faz assim muito mal, porque arranjam uma teoria, que é muito frequente, e dizem isto que há coisas que fazem mal mas que aquilo que eles consomem não faz mal nenhum. Além disso, as pessoas, envolvidas nestes negócios milionários, não vão deixar que o consumo baixe.

Por que aumenta agora e não aumentou antes, neste intervalo entre 2002 e 2018?

Não aumentou antes porque houve um grande investimento nas políticas da saúde, na promoção da saúde nas escolas. Depois desinvestiu-se na droga como se desinvestiu na Sida. Achamos que a Sida desapareceu, mas não desapareceu, continua a aumentar, nomeadamente, nestes jovens adolescentes.

 

 

Estudo mostra relação entre ‘bullying’ e problemas de comportamento alimentar

Julho 12, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.dn.pt/ de 28 de junho de 2017.

Investigação inclui adolescentes e adultos

Uma “relação conflituosa” com a alimentação e com a imagem corporal pode estar relacionada com a ocorrência de ‘bullying’ na adolescência e com “perceções de inferioridade”, conclui um estudo hoje divulgado.

O estudo — que envolveu 609 adolescentes do sexo feminino, 5.475 mulheres adultas e 335 homens – foi realizado entre 2013 e 2017 por investigadores da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra e da Faculdade de Medicina e Saúde da Universidade de Leeds, no Reino Unido.

Numa primeira fase, os investigadores quiseram “perceber quais os fatores de risco para o desenvolvimento de problemas de comportamento alimentar na adolescência, acompanhando, ao longo de três anos, 609 adolescentes do sexo feminino de escolas rurais e urbanas da região Centro do país”, explica a Universidade de Coimbra.

“Concluiu-se que adolescentes que passaram por experiências de ‘bullying’ tendem a desenvolver sentimentos de vergonha em relação à sua imagem corporal e a iniciar comportamentos desregulados com a comida”, acrescenta.

Cristiana Duarte, investigadora principal do projeto, referiu que “quando as adolescentes atribuem ao corpo a razão pela qual são vítimas de ‘bullying’ podem começar a adotar comportamentos alimentares desregulados, como forma de corrigir aquilo que percecionam como uma inferioridade e que poderá estar na base dessas interações negativas com pares”.

Os investigadores avaliaram também o problema na população adulta, “a partir da autoavaliação com base em memórias de experiências negativas da infância e da adolescência, bem como em experiências na idade adulta associadas a vergonha e a dificuldades de regulação emocional e do comportamento alimentar”.

Nesse sentido, foram realizados estudos que envolveram 3.125 mulheres e 335 homens da população geral portuguesa com diversos graus em termos de peso, 2.236 inglesas com excesso de peso e obesidade e 114 mulheres diagnosticadas com Perturbação de Ingestão Alimentar Compulsiva.

Segundo Cristiana Duarte, observou-se que “memórias deste tipo de experiências negativas na infância e adolescência se associam também a vergonha corporal na idade adulta”.

A situação agrava-se em mulheres com excesso de peso e obesidade: “A vergonha corporal, o autocriticismo e tentativas de evitamento destes estados internos negativos parecem estar relacionados com uma pior regulação do comportamento alimentar, nomeadamente com sintomas de ingestão alimentar compulsiva, e a dificuldades na perda de peso”.

“Estas dimensões parecem ser também muito importantes na ocorrência de episódios de descontrolo alimentar no sexo masculino”, acrescenta.

Os investigadores desenvolveram um programa de intervenção psicológica de curta duração (quatro semanas) focado no desenvolvimento de competências para fomentar uma gestão equilibrada da alimentação. Depois, foi testado num estudo piloto em 20 mulheres com Perturbação de Ingestão Alimentar Compulsiva, tendo-se revelado eficaz.

No final desta intervenção, “notou-se uma redução significativa de sintomas de ingestão alimentar compulsiva e de outros sintomas de comportamentos alimentares perturbados, de dificuldades relacionadas com a imagem corporal, autocriticismo e indicadores de depressão”.

De acordo com Cristiana Duarte, os vários resultados obtidos no estudo mostram a necessidade de “incluir no Sistema Nacional de Saúde abordagens inovadoras que complementem as terapêuticas convencionais de prevenção e tratamento destes problemas de saúde pública”.

 mais informações no link:

http://noticias.uc.pt/multimedia/videos/estudo-revela-que-ha-relacao-entre-bullying-e-problemas-de-comportamento-alimentar/

 

 

Obesidade infantil pode baixar esperança de vida dos portugueses

Julho 6, 2017 às 11:30 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.tvi24.iol.pt/ de 5 de julho de 2017.

Investigadora alerta que Portugal está no “top five”, a par de países como Espanha, Itália, Malta ou Grécia e sublinha que há no mundo uma “batalha política” a travar

A esperança de vida dos portugueses pode baixar caso nada de faça nada para reduzir os números da obesidade infantil, dos mais altos da Europa, alertou esta quarta-feira a investigadora Ana Rito.

Ana Isabel Rito é investigadora do Instituto Ricardo Jorge e coordenadora do estudo da “Childhood Obesity Surveillance Initiative” (COSI) Portugal, da Organização Mundial de Saúde. É também presidente da 3ª Conferência Internacional de Obesidade Infantil, que começou esta quarta-feira em Lisboa.

A conferência junta participantes de mais de 40 países, que até sábado vão debater, na Fundação Champalimaud, questões ligadas à alimentação, ao ambiente escolar, à saúde e à nutrição, tudo no sentido de lutar contra a obesidade infantil.

Em Portugal uma em cada três crianças tem excesso de peso.

Francisco George, diretor-geral da Saúde, lembrou que reduzir essa cifra é um dos grandes objetivos do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e disse que os esforços devem ser feitos antes de as crianças chegarem ao excesso de peso.

Tim Lobstein, da Federação Mundial de Obesidade, salientou que há no mundo uma “batalha política” a travar, o combate à obesidade, uma das “grandes preocupações” da Organização Mundial de Saúde, como disse Gauden Galea, representante da organização na conferência.

E Ana Rito falou também da preocupação que é para Portugal, país no “top five” em obesidade infantil, a par de Estados como Espanha, Itália, Malta ou a Grécia.

“Uma em cada três crianças em Portugal tem esse problema” (excesso de peso), disse à Lusa, explicando que essa é uma das razões para que a conferência aconteça em Lisboa, depois de seis anos sem se realizar.”

E para lutar contra a obesidade, afiançou, a abordagem tem de ser “multissetorial”, porque tem de envolver as famílias, as escolas, as comunidades e as políticas locais e regionais.

E da conferência espera respostas e uma abordagem critica aos fatores de risco da obesidade infantil, com debates juntando os países do sul da Europa (com mais obesidade infantil) mas também outros sobre o marketing ligado à alimentação para os mais jovens ou sobre as questões culturais e as boas práticas.

Para a situação a que se chegou a especialista responsabiliza a mudança nutricional que aconteceu no país nas últimas quatro décadas e lembra que foi nesse período que se baixou a mortalidade infantil mas que se começou a morrer das doenças ligadas ao estilo de vida.

Não reconhecemos mais a dieta mediterrânica nas mesas das famílias portuguesas”, lamentou, acrescentando que se o país ganhou na mortalidade infantil perdeu no estilo de vida e provavelmente vai ver reduzir a esperança de vida.

Baixar para 20% o número de crianças com excesso de peso (idêntico ao registado nos países nórdicos)é o objetivo, mas segundo lembrou Ana Rito para já Portugal apenas conseguiu estabilizar e não registar mais aumentos na obesidade infantil.

A conferência é promovida pelo Instituto Ricardo Jorge, com o apoio do Ministério da Saúde.

http://cioi2017.com/

 

 

O que as crianças comem aos quatro anos determina a gordura aos sete

Julho 1, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.noticiasmagazine.pt/de 7 de junho de 2017.

Um estudo desenvolvido no Porto concluiu que crianças que comem alimentos calóricos e com muito açúcar aos quatro anos têm tendência a desenvolver maior gordura corporal aos sete, situação que se verifica mais nas raparigas.

Estes resultados podem ser explicados pelas «diferenças hormonais e de composição corporal, que se manifestam antes do início da puberdade», como é o caso de «uma maior massa gorda relativa nas raparigas», disse à Lusa a investigadora Catarina Durão, do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), entidade responsável pelo estudo.

De acordo com a especialista, estas diferenças podem ainda estar relacionados com um ressalto adipocitário (período na infância em que se reinicia o aumento do índice de massa corporal), que acontece mais precocemente nas raparigas.

A investigação, que envolveu 3.473 crianças da ‘coorte’ Geração 21 – projeto de investigação que acompanha cerca de 8.600 crianças da cidade do Porto, desde o nascimento – mostra que 44% das raparigas e 45% dos rapazes avaliados aos quatro anos, já praticam um «padrão alimentar excessivo».

Esse padrão inclui, segundo a investigadora, alimentos demasiado calóricos e com pouco interesse do ponto de vista nutricional, como bolos, doces, refrigerantes, néctares, charcutaria, pizas, hambúrgueres, croquetes, rissóis e batatas fritas.

Catarina Durão indica ainda que as crianças que têm esses hábitos alimentares aos quatro anos tendem a mantê-lo aos sete, aumentando, devido a isso, a proporção da ingestão de alimentos demasiado calóricos também nesta idade (49% das raparigas e 53% dos rapazes).

«Tendo em conta que a idade pré-escolar é um período particularmente relevante para o estabelecimento de preferências e de hábitos alimentares, esta fase da vida é uma oportunidade de excelência para intervir, já que a criança e a sua família podem estar mais abertas à mudança», referiu.

Para a investigadora, as intervenções devem incidir sobre «alimentos com elevada densidade energética e sobre bebidas açucaradas», uma vez que «o consumo destes produtos está associado entre si».

Crianças «que consomem mais ‘fast food’, também bebem mais bebidas açucaradas, comem mais bolos, doces, guloseimas e ‘snacks’ salgados», explicou.

Na sua opinião, embora o consumo de alimentos densamente energéticos seja reconhecido como fator de risco para a obesidade infantil, são relativamente escassos os estudos que avaliem padrões alimentares identificados estatisticamente em crianças na idade pré-escolar e a sua relação com subsequente adiposidade.

«Observar esta associação tem relevância, pois consolida a evidência científica que permite servir de base a políticas públicas de promoção de uma alimentação saudável, dando ênfase à importância de intervir o mais precocemente possível», concluiu.

Neste estudo participaram ainda os investigadores Milton Severo, Andreia Oliveira, Pedro Moreira, António Guerra, Henrique Barros e Carla Lopes, membros do Grupo de Investigação em Epidemiologia da Nutrição e da Obesidade da Unidade de Investigação em Epidemiologia (EPIUnit) do ISPUP.

Designado «Association between dietary patterns and adiposity from 4 to 7 years of age», o estudo foi publicado recentemente na revista Public Health Nutrition.

Estudo mencionado na notícia:

Association between dietary patterns and adiposity from 4 to 7 years of age

 

 

 

 

Unicef diz que Portugal lidera em “saúde de qualidade” e “bem-estar” das crianças

Junho 16, 2017 às 7:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 15 de junho de 2017.

No critério “erradicar a fome” entre as crianças o país sai-se mal. Mas aparece em primeiro lugar em matéria de saúde e “bem-estar”, segundo estudo divulgado nesta quinta-feira.

Lusa

Portugal é o país que apresenta melhores índices de saúde de qualidade e bem-estar das crianças entre os Estados mais desenvolvidos, embora na classificação geral sobre situação das crianças apareça na 18.ª posição.

Os números fazem parte do último relatório da Unicef sobre a situação das crianças nos 41 países considerados mais ricos, incluindo os da União Europeia e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Construir o Futuro: As crianças e os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável nos países ricos é o tema do relatório, o primeiro que avalia a situação das crianças nesses 41 países relativamente aos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável identificados como os mais importantes para o bem-estar das crianças.

Na posição 18 em termos gerais, Portugal aparece quase sempre em posições de pouco destaque, sendo a posição 32 a mais baixa, no critério “erradicar a fome”. Já nos critérios “saúde de qualidade” e “bem-estar”, e ainda no critério “consumo e produção responsáveis” o país está em 1.º.

A posição cimeira é justificada por uma taxa de mortalidade neonatal baixa, uma taxa de suicídio de adolescentes também baixa e poucos casos de crianças entre 11 e 15 anos com problemas psicológicos.

E depois tem também das taxas mais baixas (a segunda mais baixa) de crianças que consomem álcool e uma taxa a baixar acentuadamente de casos de gravidez na adolescência.

Excesso de obesidade

De acordo com o documento, a 32.ª posição no critério “erradicar a fome e garantir uma alimentação de qualidade” indica que no país 18,2% das crianças menores de 15 anos vivem com um adulto que enfrenta insegurança alimentar. Portugal tem também a quinta taxa de obesidade infantil mais elevada.

No critério “erradicar a pobreza” o país aparece também baixo na tabela, com uma em cada quatro crianças a viver em pobreza de rendimentos relativa, diz-se no documento.

Na “produção e consumo sustentáveis” Portugal é também país de topo, sendo aquele entre os 41 em que há maior proporção de jovens de 15 anos familiarizados com pelo menos cinco ou mais problemas ambientais.

Sem liderar, o país tem também boa prestação em matérias como “igualdade do género” (6.ª percentagem mais baixa de mulheres jovens que dizem ter sofrido violência sexual), ou “cidades seguras e sustentáveis” (7.ª posição quanto à qualidade do ar).

Nem estudam, nem trabalham

Mas Portugal cai depois para meio da tabela no critério “educação”, avaliadas as competências em leitura, matemática e ciências, e na promoção de um “trabalho digno e crescimento económico” (26.º lugar), com 6,1% dos jovens entre 15-19 anos que não estudam nem trabalham.

Na “redução das desigualdades” o 27.º lugar indica grandes diferenças entre os salários mais altos e mais baixos do país, e na “promoção da paz, justiça e instituições eficazes” o mesmo lugar deve-se muito a actos de violência física ou psicológica.

Portugal tem uma boa classificação (12.º lugar) quanto à taxa de suicídio de crianças (das mais baixas, 0,25 por cada 100.000 habitantes), mas a taxa dos que dizem ser alvo de bullying é a oitava mais elevada.

Em termos gerais, e sempre sobre os países mais ricos, o relatório da Unicef mostra por exemplo que uma em cada cinco crianças vive em pobreza relativa e que uma em cada oito enfrenta insegurança alimentar. Ou que mesmo em países como Japão e Finlândia cerca de um quinto dos adolescentes com 15 anos não tem níveis mínimos de competências em leitura, matemática e ciências.

A tabela é positiva para os países nórdicos, a Alemanha e a Suíça, e menos positivos para os países mais pobres do grupo, como a Roménia, a Bulgária e o Chile.

Na lista dos 41 países os Estados Unidos ocupam o lugar 37.

mais informações no comunicado de imprensa da Unicef Portugal:

Nos países ricos, 1 cada 5 crianças vive em pobreza de rendimento relativa, 1 em cada 8 enfrenta insegurança alimentar – UNICEF

 

 

 

Portugal é um dos cinco países com mais adolescentes obesos

Maio 17, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança, Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 17 de maio de 2017.

Relatório da OMS analisa 27 países e regiões. É apresentado nesta quarta-feira no Porto. Mostra que entre 2002 e 2014 o país estagnou no combate a esta doença. Consumo de vegetais é insuficiente e o de fruta é positivo, mas caiu muito nos últimos 12 anos.

Romana Borja-Santos

A luta contra a obesidade em Portugal não está a ter resultados significativos entre os mais novos. Em 2002 os dados não eram animadores e 12 anos depois o cenário continuava bastante preocupante: os adolescentes portugueses estão entre os mais obesos da Europa. Só a Grécia, a Macedónia, a Eslovénia e a Croácia apresentam valores mais negativos, revela um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS), que será apresentado nesta quarta-feira no Congresso Europeu de Obesidade, no Porto, e que compara 27 países e regiões.

O documento Adolescent obesity and related behaviours: trends and inequalities in the WHO European Region, 2002-2014, aponta para que a prevalência da obesidade em Portugal, nos adolescentes aos 11, aos 13 e aos 15 anos, seja de 5%. Este número representa uma subida de 0,3 pontos percentuais desde 2002, quando o objectivo era travar esta doença. O valor mais elevado na região europeia é registado na Grécia, com 6,5% de adolescentes obesos. No caso de Portugal, a contribuir para este resultado estão sobretudo os rapazes, com 6,9%. Já as raparigas registam um valor de 3%.

“Os níveis de obesidade nos adolescentes são preocupantes, associados a uma má alimentação, pouca actividade física e comportamentos sedentários”, sintetiza ao PÚBLICO a investigadora Margarida Gaspar de Matos, que coordena a parte portuguesa do trabalho da OMS.

A psicóloga da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa lembra que “a obesidade está associada a problemas de saúde no futuro”, dando como exemplo a diabetes, mas também problemas cardiovasculares, respiratórios ou até de sono e mentais. “Quanto mais cedo a obesidade se instala mais difícil é combatê-la e mais se acumulam os efeitos prejudiciais para a saúde física, mental e social”, reitera.

“É necessária uma acção política ambiciosa para atingir o Objectivo de Desenvolvimento Sustentável de travar o aumento da obesidade infantil. Os governos devem direccionar esforços e quebrar este ciclo prejudicial da infância para a adolescência e para o futuro”, reforça a directora regional da OMS para a Europa, Zsuzsanna Jakab, em comunicado.

Também João Breda, coordenador do Programa de Nutrição, Actividade Física e Obesidade da OMS/Europa realça que “a maioria dos jovens não superará a obesidade: cerca de quatro em cada cinco adolescentes que se tornam obesos continuarão a ter problemas de peso na idade adulta”.

Menos fruta

O trabalho da OMS olha também para outros indicadores que podem ajudar a explicar estes resultados, como alguns hábitos alimentares, mas também comportamentos sedentários e pouca actividade física regular. Por exemplo: Portugal não chega a ser dos países onde os adolescentes comem mais fruta diariamente, mas não está longe. O país com melhores resultados é a Bélgica (zona francesa), onde 49,1% dos adolescentes comem fruta todos os dias. Nos portugueses o valor é de 40,9%, mas há uma nuance: o país está entre aqueles onde o consumo de fruta mais caiu entre 2002 e 2014, com uma descida de 6,8 pontos percentuais neste período.

Concretamente sobre a fruta, Margarida Gaspar de Matos lembra que o relatório da OMS não apresenta explicações para estas mudanças, mas a investigadora avança com alguns argumentos. Com a crise económica, diz, comer fruta ficou mais “caro do que um hambúrguer” e são reportados mais casos de crianças que se deitam sem comer por dificuldades económicas em casa. Ainda assim, a psicóloga diz que as escolas têm conseguido ter alguns programas de distribuição de fruta que talvez tenham travado uma descida ainda maior.

A OMS analisa, no documento, a relação entre a obesidade e o contexto socioeconómico em que os adolescentes vivem, percebendo-se que a má alimentação anda de mãos dadas com as dificuldades financeiras. No caso de Portugal, o relatório apenas consegue estabelecer uma relação entre o excesso de peso e o baixo estatuto socioeconómico nos rapazes de 11 anos. Ainda assim, Margarida Gaspar de Matos salienta que é precisamente nesta idade que o país tem o maior pico de obesidade nos adolescentes.

Poucos vegetais

Ainda nos hábitos alimentares, quanto aos vegetais, só 28% dos adolescentes portugueses comem estes produtos diariamente. Os valores mais elevados encontram-se na Bélgica e Ucrânia, onde ultrapassam os 50%. Mesmo assim o valor subiu dois pontos percentuais em Portugal desde 2002. O que é positivo.

Outra boa notícia é que nestes 12 anos registou-se uma queda significativa em Portugal no consumo de produtos como refrigerantes e doces, tanto em rapazes como em raparigas e em todas as faixas etárias.

Margarida Gaspar de Matos lembra que já outro estudo da OMS, Health Behaviour in School-aged Children, publicado no ano passado, e que serve de ponto de partida à avaliação que será divulgada nesta quarta-feira, indicava que os jovens portugueses teciam críticas à qualidade da alimentação das cantinas escolares. A psicóloga sublinha: uma alimentação saudável não implica servir refeições com pouco sabor.

De resto, ainda de acordo com o estudo, os hábitos alimentares e a actividade física vão piorando com a idade, mas é entre os rapazes de 11 anos que se verifica uma maior prevalência de obesidade. Factores relacionados com o crescimento contribuirão também para esse facto, diz.

Entre os 11 e os 15 anos aumentam também alguns comportamentos sedentários, como utilizar a televisão ou o computador mais de duas horas por dia, ainda que se tenha registado uma queda nos últimos anos. O relatório não explica, mas a psicóloga lembra que estes hábitos podem estar a ser substituídos por outros, como o uso de tablets e smartphones– até porque nem por isso a actividade física tem aumentado entre os adolescentes portugueses. Aliás, as raparigas até estão mais sedentárias.

Os dados da OMS levam Margarida Gaspar de Matos a deixar algumas recomendações ao Governo. Mais do que políticas novas, a investigadora apela à continuidade nas medidas e pede uma avaliação dos resultados do que já foi feito – criticando, no entanto, opções como as tomadas pelo então ministro da Educação, Nuno Crato, que desvalorizaram a importância de disciplinas como a Educação Física.

descarregar o documento citado na notícia em baixo:

Adolescent obesity and related behaviours: trends and inequalities in the WHO European Region, 2002–2014

10 razões para limitar a exposição dos menores de 12 anos a telemóveis, tablets e afins

Março 16, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da http://visao.sapo.pt/ de 2 de março de 2017.

alexandre-bordalo

O pediatra Hugo Rodrigues comenta à VISÃO as 10 razões apresentadas por uma terapeuta ocupacional pediátrica americana para proibir a exposição às tecnologias a crianças menores de 12 anos

A Academia Americana de Pediatria e a Sociedade Canadiana de Pediatria recomendam que crianças dos 0 aos 2 anos não sejam expostas a nenhuma tecnologia e que o seu uso seja limitado a uma hora por dia a crianças dos 3 aos 5 anos e a duas horas por dia a crianças dos 6 aos 18 anos.

Mas o que se passa na realidade é que a quantidade de tempo que as crianças passam à frente das tecnologias é muito maior do que é aconselhável e, com isso, estão a prejudicar seriamente a sua saúde. Quem o diz é Cris Rowan, uma terapeuta ocupacional pediátrica. Num artigo que escreve para o The Huffington Post, alerta todos os pais, professores e governos para a importância de regular o tempo dedicado às tecnologias.

Pedimos ao pediatra Hugo Rodrigues, que escreve para a Bolsa de Especialistas da VISÃO, um comentário às 10 razões apresentadas por Cris Rowan para banir o uso de tecnologias a menores de 12 anos.

  1. Crescimento cerebral impróprio

A exposição excessiva a tecnologias tem sido associada a um défice do funcionamento executivo cerebral e de atenção, a atrasos cognitivos, a uma aprendizagem debilitada, à diminuição da capacidade de autoregulação e ao aumento da impulsividade.

O desenvolvimento cerebral só termina depois dos 20 anos na maior parte das pessoas, pelo que todos os estímulos a que as crianças e adolescentes estão expostos podem condicionar esse desenvolvimento.

Relativamente à capacidade de atenção, os estímulos dos chamados “ecrãs” são múltiplos e curtos, o que não estimula corretamente o funcionamento executivo, a atenção e aprendizagem. Para além disso, a capacidade de visualização 3D e orientação viso-espacial (coordenação entre visão e orientação espacial) encontra-se comprometida nos ecrãs, pois a imagem tem apenas duas dimensões e não três.

A impulsividade e a auto-regulação podem ficar comprometidas na medida em que mesmo a socialização que se consegue através das tecnologias está sempre intermediada por um aparelho, o que diminui a capacidade de controlo pela sensação de proteção que provoca. A este facto acrescem ainda os conteúdos (vídeos e jogos, por exemplo) que muitas vezes aumentam a agressividade e a impulsividade.

Por fim, relativamente ao défice cognitivo parece-me uma afirmação um pouco exagerada, porque essa relação é extremamente controversa e difícil de provar.

  1. Atraso no desenvolvimento

Porque implicam pouco movimento, as tecnologias acabam por atrasar o desenvolvimento da criança, e, por consequência, ter um impacto negativo no seu desempenho académico.

O desenvolvimento motor encontra-se condicionado pela ausência de estimulação nesse sentido. Particularmente a motricidade fina, que é a área mais afetada. Não tem nada a ver montar um puzzle num tablet ou com peças reais! A orientação tridimensional é algo que só se consegue com peças verdadeiras… Outro exemplo são as formas 3D, que num ecrã não existem (a esfera e um círculo, o cubo um quadrado, …).

Também em termos de linguagem, o desenvolvimento se encontra afetado. A linguagem verbal e escassa na maior parte dos programas e aplicações é muitas vezes “maltratada”, com abreviaturas e ortografia sem regra. A linguagem não verbal não se aprende sem socialização, porque requer contacto face a face e nenhum ecrã o consegue.

  1. Obesidade

O uso da televisão e de jogos de vídeo está relacionado com um aumento da obesidade. As crianças que têm aparelhos tecnológicos nos quartos têm 30% maior incidência de obesidade.

Completamente de acordo. A obesidade é a epidemia do século XXI e o sedentarismo um dos seus principais fatores de risco. Para além disso, o contacto permanente com os aparelhos tecnológicos estimula também a prática de “snacking”, que é o consumo pouco regrado de alimentos pouco nutritivos e muito densos do ponto de vista calórico (por exemplo, bolachas, chocolates, batatas fritas, etc).

  1. Privação de sono

75% das crianças com 9/10 anos têm privação de sono, o que acaba por prejudicar negativamente o desempenho académico;

Também completamente de acordo. O sono é um aspeto fundamental do dia-a-dia das crianças e adolescentes e um dos pilares do seu desenvolvimento. Os ecrãs tem um efeito nocivo na quantidade e qualidade do sono, que tem obrigatoriamente que ser “combatido”.

  1. Doenças mentais

O uso exagerado de tecnologias é considerado um dos fatores responsáveis pelo crescimento das taxas de depressão infantil, ansiedade, defeitos de vinculação, défice de atenção, autismo, transtorno bipolar, psicose e comportamento problemático da criança.

Esta relação é controversa, mas é verdade que o isolamento social e a dependência da tecnologia que se cria podem ter interferência no humor, levando a situações de ansiedade e depressão, por exemplo. Também os conteúdos dos programas e jogos pode moldar o comportamento nesta fase tão vulnerável, levando a comportamentos problemáticos.

Quanto a relação com autismo, psicoses e doenças bipolares, as tecnologias podem ajudar a que surjam episódios de descompensação, mas não atuar como causa dessas doenças.

  1. Agressividade

As crianças estão expostas, através dos media e das tecnologias, a agressão explícita, o que pode influenciá-las a ter um comportamento agressivo.

Completamente de acordo. O controlo de conteúdos tem que ser uma prioridade para todos os pais. As crianças aprendem por imitação, pelo que tem que se selecionar muito bem tudo a que elas têm acesso.

  1. Demência digital

Os conteúdos mediáticos de “alta velocidade” podem contribuir para um défice de atenção e para uma diminuição das capacidades de concentração e de memória.

Já expliquei um pouco no ponto 1. Apesar das crianças poderem ficar muito tempo ligadas às novas tecnologias, isso não significa que tenham uma grande capacidade de concentração. A questão é que os estímulos são muito curtos, o que faz com que, na verdade, elas não estejam muito tempo atentas, mas sim atentas durante pequenos períodos de tempo de cada vez.

  1. Vício em tecnologia

Uma em cada 11 crianças, dos 8 aos 18 anos, é viciada em tecnologia.

Completamente de acordo. Este é um problema real, com o qual nós ainda não sabemos lidar adequadamente. Vai ser um enorme desafio nos próximos tempos porque se trata de uma verdadeira dependência em grande parte dos casos.

  1. Emissão de radiação

Em maio de 2011, a Organização Mundial da Saúde classificou os telemóveis e outros dispositivos sem fio com um risco de categoria 2B (possível carcinogénico), devido à emissão de radiação. As crianças são ainda mais vulneráveis a estes perigos.

Completamente de acordo. Hoje em dia vivemos completamente rodeados por radiações (Bluetooth, Wi-Fi) e muitas delas são ainda algo desconhecidas em termos de consequências para a saúde. O que é um facto é que existe a noção de que o número de casos de cancros em idade pediátrica estão a aumentar e tem obrigatoriamente que haver fatores ambientais que o justifiquem.

  1. Insustentável

A forma como as crianças são educadas não é sustentável. Não há futuro para as crianças que usam a tecnologia em excesso.

Acho demasiado negativo dizer que não há futuro. Cabe-nos a nós, adultos, fazer as escolhas certas para podermos ajudar as nossas crianças a serem adultos saudáveis, felizes e responsáveis. Para isso, é preciso usar sempre o bom-senso e tentar retirar das tecnologias o que podem ter de bom sem sofrermos o efeito negativo do seu (mau) uso.

Depoimento recolhido por Sara Soares

 

 

5 alimentos responsáveis pela obesidade infantil e os pais não fazem ideia

Fevereiro 25, 2017 às 5:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://uptokids.pt/ de 9 de fevereiro de 2017.

uptokids

A obesidade infantil é cada dia mais preocupante. As mudanças nos hábitos de consumo e alimentação têm feito desse mal um problema a nível mundial.

As crianças têm sido vítimas da falta de conhecimento dos pais e da sociedade. Alguns alimentos vendidos como “saudáveis”, na verdade são fontes de carboidratos simples, conservantes, e outros produtos químicos que além de fazerem mal à saúde ainda enchem o organismo de toxinas que podem impedir o funcionamento natural do metabolismo e causar descontrole hormonal.

Por isso, pais, fiquem atentos aos alimentos perigosos para a saúde e peso do seu filho. Aqui estão 5 deles que parecem inocentes, mas não são.

1. Sumos empacotados

Muitos pais bem-intencionados incentivam os filhos a parar de beber refrigerante substituindo-os por sumos. O problema é que na maioria das vezes o açúcar contido num pacote de sumo é superior ao do refrigerante. Não defendemos o consumo de refrigerantes, aliás, acreditamos que estes deveriam ser banidos da alimentação de qualquer ser humano.

2. Sumos de fruta

Parecem tão saudáveis, não é? Mas não é bem assim. Vários médicos têm condenado os sumos de frutas. A frutose, que é o açúcar das frutas, é tão prejudicial quanto as bebidas à base de cola, afirma o Dr. Richard Johnson, da Universidade do Colorado, causam obesidade e hipertensão. Para o Dr. Lair Ribeiro, cardiologista e nutricionista, a frutose é um veneno que é combatido pelas fibras das frutas. Por isso, em vez dar sumo aos seus filhos, dê a fruta – moderadamente nos casos de necessidade de perder peso – e água.

3. Salsichas e enchidos

Relativamente à salsicha os problemas são grandes. Segundo a nutricionista Natália Coelho, “A salsicha tem oito vezes mais gordura e 38 vezes mais sódio que o frango cozido”. Além disso, a salsicha tem nitrato que é cancerígeno, e (…) “gordura saturada, que é também responsável pela obesidade infantil crescendo na nossa população” (…) “problemas de hipertensão arterial e desenvolvimento de doenças crónicas”. O peito de peru industrializado, considerado saudável não fica atrás tanto na questão do nitrato quanto na quantidade de sódio que causa hipertensão e retenção de líquidos.

4. Pipocas de micro-ondas

Embora seja prático e muito saborosas, as pipocas de micro-ondas têm em média 150 calorias por chávena. Ao contrário das pipocas simples que tem 31 calorias por chávena. Mas, ainda é possível fazer pipocas saudáveis no micro-ondas: Coloque meia chávena de grãos de milho nem um pacote de papel (papel de pão), feche e leve ao micro-ondas por 2 minutos na potência média. Se quiser acrescente uma pitada de sal. Pronto! De um pacote (industrializado) com 490 calorias você reduziu para apenas 100 calorias.

5. Pão

O nosso inocente pãozinho de cada dia é responsável por um índice glicémico equivalente a 2 colheres e meia de açúcar! O Índice glicémico mede o quanto um determinado carboidrato pode elevar o nível de glicose no sangue e em quanto tempo. Quando um alimento tem o índice glicémico até 75, é considerado de baixo IG. Já aqueles com mais de 95 de índice glicémico são considerados de alto IG. O pãozinho francês tem um índice aproximado de 95 a 100. Isso significa mais glicose no sangue, mais liberação de insulina pelo pâncreas e o resultado é ganho de peso.

Antigamente, ou seja, antes da junk food, quando as pessoas faziam refeições completas, a obesidade era algo raríssimo. O que se comia nos anos anteriores à segunda metade do século XX? Geralmente arroz, carnes, ovos, frutas, legumes e verduras, queijo, etc – tudo orgânico ou feito com alimentos orgânicos. Tratava-se de uma alimentação muito mais paleo do que a de hoje em dia, com pouco uso dos alimentos processados. Os doces eram compotas de frutas adoçadas com rapadura ou melado, eram servidas como sobremesa e consumidas em pouca quantidade. O segredo para deter a obesidade infantil é voltar-se a uma alimentação sem açúcar refinado, sem gordura trans, sem conservantes e outros aditivos químicos, enlatados, salgadinhos, enchidos (antigamente o único enchido eram as linguiças caseiras sem conservantes). Quanto mais primitiva a alimentação, mais saudável ela será.

Além disso, as crianças brincavam ao ar livre todo o dia. Mexiam-se, corriam, saltavam, e brincavam ao sol e à chuva, ao contrário do que vemos hoje.

Por Stael Ferreira Pedrosa, publicado em Familia.com.br, adaptação de Up To Kids®

 

 

Pode um jogo online engordar uma criança? Autoridades de saúde dizem que sim

Fevereiro 24, 2017 às 10:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.tsf.pt/ de 14 de fevereiro de 2017.

lisa-soares

Nuno Guedes

Direção-Geral da Saúde alerta: pais devem ter cuidado com a publicidade na Internet a alimentos nocivos e dirigida, especialmente, a crianças e adolescentes.

O diretor do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável da Direção-Geral da Saúde (DGS) dá um exemplo que ele próprio já encontrou na Internet: um jogo, patrocinado, com chocolates.

À partida, parece uma brincadeira inofensiva, mas Pedro Graça diz que estamos perante uma das típicas publicidades “insidiosas” comum na Internet e nas redes sociais.

São casos como este e muitas outras formas de publicidade a alimentos nocivos para a saúde, para crianças e adolescentes, que levam a DGS a estar preocupada com a publicidade na Internet e a fazer um alerta aos pais, mas também ao Estado que deve regular.

Em declarações à TSF, Pedro Graça diz que um estudo recente feito no Canadá concluiu que 90% da publicidade a alimentos na Internet envolvia produtos de “má qualidade nutricional”, algo que em Portugal, até com a internacionalização de muitas marcas, “não será muito diferente”.

O responsável da DGS recorda que a publicidade nos meios tradicionais (rádios, TV, imprensa) foge cada vez mais para a Internet, um sítio onde, segundo afirma, os anúncios estão “fora de controlo” e onde as crianças e adolescentes passam cada vez mais tempo.

Pedro Graça sublinha que “estimamos que uma criança está em média uma ou duas horas por dia em frente à televisão, mas se lhe juntarmos a Internet esse tempo em frente aos ecrãs duplica e mesmo triplica ou quadruplica, o que aumenta a nossa preocupação”.

Um crescimento do sedentarismo que, segundo o especialista, é acompanhado muitas vezes pela publicidade a produtos altamente calóricos e maus do ponto de vista nutricional.

O diretor do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável cita ainda um estudo da Fundação para a Ciência e Tecnologia que diz que 55% das crianças portuguesas acedem à Internet diariamente por conta própria, a partir do seu quarto, enquanto que os pais portugueses são aqueles que na Europa menos “controlam os conteúdos de uma forma interativa com os filhos” (68 %).

Em declarações TSF, o deputado do PS, Pedro Delgado Alves, explica que as mudanças ao Código da Publicidade que estão a ser discutidas no Parlamento também vão atingir a Internet, mas admite que é muito difícil, quase impossível, regular tudo o que chega às crianças e adolescentes.

ouvir a reportagem no link:

http://www.tsf.pt/sociedade/interior/pode-um-jogo-online-engordar-uma-crianca-autoridades-de-saude-dizem-que-sim-5665827.html

Como os irmãos influenciam e moldam aquilo que somos

Janeiro 26, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da http://visao.sapo.pt/ de 17 de janeiro de 2017.

jose-caria

O poder de influência dos nossos irmãos sobre nós próprios é enorme: podem interferir na nossa personalidade, na nossa saúde, no nosso peso e podem, até, ser um pilar para um casamento futuro

Os irmãos são autênticos companheiros de brincadeiras e aventuras, mas com certeza não será preciso muito esforço mental para se lembrar de alguns momentos onde percebeu que não havia alguém com maior capacidade no mundo para o tirar do sério.

Com ou sem exageros, a verdade é que os irmãos partilham connosco um vínculo que vai muito além da ligação de sangue. É com eles que passamos uma grande e importante parte da nossa vida – a infância. Portanto, é natural que tenham um impacto considerável na nossa formação enquanto pessoas. Aqui ficam seis formas através das quais os irmãos influenciam e moldam aquilo que nos tornamos.

1. Podem influenciar o seu peso

Principalmente se for o filho ou um dos filhos mais novos. Um estudo de 2014 publicado no American Journal of Preventive Medicine revelou que, quanto ao risco de obesidade, os irmãos podem ter uma influência maior do que os próprios pais.

Esta descoberta surpreendeu muito os investigadores. “Eu fui para este estudo à espera que, dado o grande papel dos pais nas vidas dos filhos, a obesidade parental tivesse uma associação mais forte do que a obesidade dos irmãos; mas estava errado”, disse Mark Pachucki, um dos autores do estudo, à Harvard Gazette.

Através do estudo de cerca de 2000 pessoas, os investigadores conseguiram perceber que, no caso de famílias com apenas um filho, o facto de um dos pais ser obeso duplicava o risco do filho se tornar obeso. Em famílias de dois filhos, ter um irmão obeso aumentava foi associado a um risco mais de cinco vezes maior de vir a ser obeso, do que foi se o irmão não for obeso. E, se estivermos a falar de irmãos do mesmo sexo, o risco ainda é maior.

2. Moldam o seu caráter

Não sendo consensual, para muitos investigadores a ordem de nascimentos – isto é, se somos o primeiro, o último ou o, ou um dos filhos do meio – tem influência na personalidade: os mais velhos tendem a ser mais inteligentes, os dos meio a ser mais preocupados e os mais novos a correr mais riscos.

No entanto, a personalidade dos nossos irmãos pode ajudar a moldar a nossa própria personalidade, mas talvez não da forma que imagina. Alguns académicos acreditam que a influência se dá através da desidentificação. Através deste processo, “os irmãos desenvolvem atributos distintos e envolvem-se em atividades e comportamentos diferentes, no sentido de estabelecerem identidade únicas dentro da família”, explicam os autores de um estudo de 2007. Desta forma, segundo a teoria, se temos um irmão muito extrovertido e brincalhão, tendemos a ser mais introvertidos e envergonhados.

3. São os primeiros professores que temos

Aqui quem sai a ganhar, normalmente, são os irmãos mais novos. Um estudo de 2014, publicado no Pediatrics Journal, analisou o vocabulário de 385 crianças e dos seus irmãos mais velhos, com proximidade etária.

Os resultados revelaram que, em famílias numerosas, onde a atenção individual por parte dos pais tende a ser menor, os irmãos mais novos beneficiavam, em termos de vocabulário, por terem um irmão mais velho sensível ao ponto de os querer ensinar.

4. Podem ser importantes para o seu casamento

Parece algo estranho ou, pelo menos, curioso. Mas um estudo de 2013, da Universidade de Ohio, descobriu que, por cada irmão que temos, a probabilidade de divórcio diminuía dois por cento.

Os investigadores recolheram informações de cerca de 57 mil americanos, durante um período de 40 anos – entre 1972 e 2012. Esta proteção contra o divórcio foi sentida tanto no início do estudo, como no final.

O estudo não apresentou explicações para este poder protetor, mas um dos autores do estudo, Doug Downey, acredita que os resultados se podem relacionar com a aprendizagem própria da relação entre irmão. “Ao crescer numa família com irmãos, desenvolvem-se um conjunto de capacidades de negociação de interação positivas. Tem de se considerar os pontos de vista do outro, e aprender a falar sobre os problemas. Quantos mais irmãos tem, maior é a probabilidade de ter posto em prática estas capacidades”, referiu o investigador.

5. Aumentam a probabilidade de ter depressão

Nem tudo é bom. Se tem irmãos, sabe que as discussões são algo natural. O problema não são as discussões em si, mas sim o assunto que promove a discussão.

Uma investigação conduzida em 2012, por investigadores da Universidade do Missouri, revelou que, dentro da amostra, os irmãos que discutiam normalmente sobre questões de igualdade e justiça, tinham maior probabilidade de vir a ter sintomas de depressão um ano depois. Se o assunto de discussão tivesse a ver com espaço, os problemas futuros estariam relacionados com ansiedade e baixa autoestima.

6. Tornam-no mais feliz

No entanto, se falarmos de relações próximas, calorosas e com poucas discussões, ter um irmão pode fazer com que se sinta menos só, menos depressivo e com um autoestima mais elevada.

É a esta conclusão que chega o estudo publicado em 2005, pelo Journal of Social and Personal Relationships, através do análise de dados recolhidos de 247 participantes. De acordo com o estudo, o apoio entre irmãos tem um poder significativo, podendo compensar alguma falta de apoio dos pais ou de amigos. Avidan Milevsky, autor do estudo, diz mesmo que esta relação, por todas as suas particularidades, deve ser tida em elevada consideração pelos psicólogos ou terapeutas, principalmente em questões de terapia familiar.

 

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