Crianças do pré-escolar passam mais de hora e meia por dia em frente a ecrãs

Julho 2, 2020 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 19 de junho de 2020.

Foram avaliados os hábitos de 8.430 crianças, com idades compreendidas entre os três e os 10 anos, a residir nas cidades de Coimbra, de Lisboa e do Porto

Um estudo concluiu que as crianças do ensino pré-escolar (até aos cinco anos) passam, em média, mais de uma hora e meia (154 minutos) por dia em frente à televisão e outros dispositivos, anunciou esta sexta-feira a Universidade de Coimbra (UC).

Publicado na revista científica BMC Public Health, o estudo, intitulado “Social inequalities in traditional and emerging screen devices among Portuguese children: a cross-sectional study”, foi realizado por uma equipa de investigadores do Centro de Investigação em Antropologia e Saúde (CIAS), da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC (FCTUC).

O estudo, refere a UC, teve como objetivo avaliar o tempo de ecrã das crianças portuguesas em diferentes equipamentos eletrónicos — os tradicionais (como a televisão, o computador e as consolas de jogos) e os modernos, incluindo os ‘tablets’ e os ‘smartphones’ –, bem como “determinar as diferenças no uso de acordo com o sexo e a idade das crianças e a posição socioeconómica das famílias”.

Foram avaliados os hábitos de 8.430 crianças, com idades compreendidas entre os três e os 10 anos, a residir nas cidades de Coimbra, de Lisboa e do Porto.

Os dados foram recolhidos em 118 escolas públicas e privadas, e as taxas de participação foram de 58% em Coimbra, 67% em Lisboa e 60% no Porto.

De acordo com os resultados do estudo, nas crianças mais velhas o tempo em frente ao ecrã é maior, sobretudo devido ao maior tempo gasto em dispositivos eletrónicos, como computadores, videojogos e ‘tablets’: aproximadamente 201 minutos por dia.

“Concluímos que a maior parte das crianças, principalmente entre os meninos, excede as recomendações de tempo de ecrã indicadas pela Organização Mundial da Saúde e pela Associação Americana de Pediatria, em que o tempo de ecrã deve ser limitado a uma hora (em crianças até aos cinco anos) ou a duas horas por dia (em crianças acima dos seis anos)”, afirma, citada pela UC, Daniela Rodrigues, primeira autora do artigo agora publicado.

Embora a televisão continue a ser o equipamento mais utilizado, “o uso de ‘tablets’ está generalizado e o tempo gasto neste equipamento é elevado, incluindo em crianças com três anos de idade”, nota a investigadora.

O tempo de ecrã “é sempre mais elevado em crianças de famílias de menor posição socioeconómica, independentemente da idade, sexo, ou do tipo de equipamento”, sublinha ainda Daniela Rodrigues.

De acordo com a investigadora, tendo em conta que o tempo de ecrã está associado a um impacto negativo na saúde das crianças, por exemplo, menor tempo e qualidade do sono, maior atraso no desenvolvimento cognitivo e da linguagem, excesso de peso, etc., estes resultados “indicam que é necessário um maior controlo por parte dos pais no acesso que as crianças têm aos equipamentos eletrónicos”.

Este panorama é “ainda mais preocupante numa altura em que, devido à pandemia de covid-19, as crianças estão obrigadas a passar mais tempo em casa, e precisam de recorrer a alguns destes equipamentos para aceder à telescola”, adverte.

“É fundamental identificar os subgrupos de risco e identificar como cada dispositivo é usado de acordo com a idade, para permitir futuras intervenções apropriadas”, sustenta a investigadora da FCTUC.

Os pais, conclui Daniela Rodrigues, “devem ter em mente que as crianças passam a maior parte do tempo a ver televisão, mas os dispositivos móveis estão a tornar-se extremamente populares a partir de tenra idade”.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Social inequalities in traditional and emerging screen devices among Portuguese children: a cross-sectional study

Obesidade em idade pediátrica: prevenção é a palavra chave

Junho 14, 2020 às 2:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de Cláudia Cristóvão publicado no Sapolifestyle de 20 de maio de 2020.

A obesidade é a pandemia do século e para conter o seu avanço é preciso que todos tomemos consciência deste problema e que estejamos preparados para o enfrentar. Estima-se que em 2025, 20% das nossas crianças sofram de obesidade. Um artigo da médica pediatra Cláudia Cristóvão.

Não existe um grupo de risco, mas sim comportamentos de risco. Desta forma, o esforço para combatê-la não pode ser dirigido apenas aos obesos mas a todos aqueles que apresentam comportamentos de risco, que os colocam numa situação de fortes candidatos a ter excesso de peso e obesidade.

Vivemos numa sociedade em que todos somos potenciais portadores de comportamentos de alto risco: sedentarismo, consumo de alimentos industrializados, consumo de “fast-foods”, falta de horário para realizar 5-6 refeições diárias, uso abusivo de refrigerantes, salgadinhos, entre tantos outros. As nossas crianças já não brincam na rua como antigamente e ocupam os seus tempos livres com dispositivos eletrónicos como videojogos, tablets, televisões e telemóveis. Também o poder de compra das famílias contribui para o aumento deste problema.

Potenciais problemas de saúde

Quando falamos em excesso de peso e obesidade referimo-nos a excesso de gordura corporal e, consequentemente, de sérios riscos para a saúde futura das nossas crianças e adolescentes. Falamos das “doenças crónicas do adulto”, nomeadamente hipertensão arterial (HTA), diabetes, dislipidemias (colesterol elevado e gorduras elevadas no sangue), esteatose hepática não – alcoólica (“fígado gordo), entre outras. Estes riscos são tanto maiores quanto mais precoce for a instalação do excesso de gordura corporal.

Emergência de prevenir

É fundamental que a prevenção se inicie nos primeiros 1000 dias, ou seja, desde o período pré-natal (após conceção) até aos 2 anos de idade.

Os primeiros 1.000 dias de vida constituem um período de maior crescimento e maturação do organismo, em que existe maior suscetibilidade ao meio ambiente e, em particular, à nutrição. Os alimentos que ingerimos podem atuar sobre os nossos genes e influenciar a forma como se expressam. É nesta altura que ocorre a programação metabólica que irá influenciar toda a nossa vida futura.

Situações de carência, excesso ou desequilíbrio nutricional na grávida, lactente ou criança funcionam como agressores que induzem respostas adataptivas do organismo (programação metabólica) visando a sobrevivência, respostas essas que a médio/longo prazo poderão ser desadaptativas – resultando em doença ao longo da vida.

Exemplificando: um embrião/feto que na vida intra-uterina se encontra num ambiente em que existe privação de nutrientes/ energia, ou morre ou o seu organismo vai adaptar-se e sobreviver neste ambiente deficitário. O seu organismo vai sofrer uma série de alterações anatómicas, hormonais e fisiológicas que lhe garantem a sobrevivência no momento de restrição energética, na vida intra-uterina. Estas mesmas adaptações, no futuro acarretam um risco acrescido de doença crónica nomeadamente obesidade e doença cardiometabólica.

Sabemos que existe, uma forte estabilidade da obesidade pediátrica, particularmente na dependência de fatores comportamentais (quer individuais quer familiares), uma grande dificuldade em reverter a obesidade, e uma ocorrência cada vez mais precoce das suas comorbilidades, por isso importa prevenir precocemente.

A orientação para a prevenção e promoção de bons hábitos deve ser feita durante a fase pré-natal, primeira infância e nos ambientes em que a criança vai conviver no futuro.

O peso antes e durante a gestação

Uma mulher obesa ou uma mulher que, independentemente do seu peso antes de engravidar, teve um aumento de peso superior ao desejado, tem maior probabilidade de ter um recém-nascido grande para idade gestacional com risco de complicações imediatas (ao nascimento) e futuras nomeadamente obesidade, diabetes, doença cardiovascular e cancro.

Deste modo, é importante o controlo de peso da mulher antes de engravidar e durante a gestação devendo ser orientada para uma alimentação equilibrada e diversificada.

Influência do padrão de crescimento

O padrão de crescimento até aos 2 anos de idade influencia o índice de massa corporal (IMC) na idade adulta, a composição corporal, a função cerebral e cognitiva e o perfil cardiometabólico.

O crescimento linear (comprimento) está associado à estatura e melhor rendimento escolar na idade adulta.

O aumento de peso, por seu lado, está relacionado com maior IMC na idade adulta e a maior percentagem de gordura corporal com maior risco de obesidade, diabetes e pressão arterial elevada. O aumento de peso exagerado após os 2 anos de idade é um fator de risco mais forte para doença crónica do que o ganho nos 2 primeiros anos de vida.

Alertas

  • Os pais devem ser educados para reconhecer os sinais de fome e saciedade, sem forçar e exigir a ingestão total ou excessiva de alimentos. A criança tem a capacidade de autorregular a sua ingestão. Em caso de dúvidas não hesite em falar do tema com o pediatra. As unidades hospitalares têm circuitos e procedimento implementados para a segurança de todos os doentes e profissionais de saúde, pelo que ir a uma consulta de pediatria em tempos de COVID-19, é seguro e não deve ser adiado.
  • Deve promover-se o aleitamento materno nos primeiros 6 meses de vida e a diversificação alimentar deve ser corretamente implementada de acordo com as necessidades nutricionais e desenvolvimento da criança. Salienta-se a importância da boa qualidade do alimento, estimulando o consumo regular de fruta, legumes, verduras e estar atento ao tipo de gordura consumida.
  • Os pais devem levar estilos de vida saudáveis, alimentação saudável, exercício/atividade física. Restringir o uso de tecnologia para menos de 2 horas diárias. Sabemos que as crianças aprendem com o exemplo.
  • As escolas devem proporcionar a oferta de alimentos saudáveis nas cantinas escolares bem como contemplar actividade física mais frequente durante o período em que as crianças/ adolescentes estão na mesma.
  • As instituições competentes para o efeito deveriam oferecer espaços públicos com áreas de lazer e desporto nas zonas residenciais.

Só com esforço conjunto de profissionais de saúde, família, escolas e comunidade poderemos conseguir prevenir esta terrível doença que é a obesidade e que vai marcando de forma silenciosa o nosso organismo e quando dá sinal poderá ser mais difícil de reverter.

Um artigo da médica Cláudia Cristóvão, pediatra no Centro da Criança e do Adolescente do Hospital CUF Descobertas.

Crianças e Covid-19: Porque estão mais protegidas? E o que já se sabe sobre a nova (e rara) síndrome inflamatória

Junho 3, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da SIC Notícias de 16 de maio de 2020.

Miriam Alves

No regresso às creches, a diretora da Unidade de Infecciologia do Hospital Dona Estefânia tranquiliza as famílias e defende que as crianças pequenas devem brincar juntas. Quanto à síndrome inflamatória que tem sido detetada em crianças, a obesidade parece ser um fator de risco.

Visualizar o vídeo no link:

https://sicnoticias.pt/programas/a-ciencia-e-a-pandemia/2020-05-16-Criancas-e-Covid-19-Porque-estao-mais-protegidas–E-o-que-ja-se-sabe-sobre-a-nova–e-rara–sindrome-inflamatoria

Intervir no excesso de peso na infância

Maio 31, 2020 às 2:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Dulce Teixeira Bouça publicado no Público de 23 de maio de 2020.

O excesso de peso na infância tem uma influência muito marcada no desenvolvimento psicoemocional e na auto-estima, que vão acompanhar a adolescência e a idade adulta.

A Joana de 10 anos tinha excesso de peso desde os 7 anos, com chamadas de atenção do pediatra e dos professores, os pais na sua boa-fé e muito absorvidos pelas suas profissões, deixaram passar o tempo na esperança de que o crescimento resolvesse o problema. Aos 10 anos a Joana não faz nenhuma actividade física porque diz que não consegue. Tem poucos amigos porque diz que a chamam de ‘gorda’. Não tem vontade de estudar porque está sempre aborrecida e acalma-se comendo. A Joana está em risco, precisa de ser ajudada a sentir-se bem no seu corpo para poder acreditar em si.

O Miguel tem 13 anos e tem excesso de peso, que desde os 8 anos se tem acentuado. Já manifesta cansaço ao esforço e poucos interesses para além da PlayStation. O Miguel vive alternando entre a casa da mãe e a casa do pai, que têm diferentes avaliações da necessidade de mudar o comportamento alimentar e ocupacional do filho. Sem um trabalho conjunto de compromisso e de confiança mútuos, que implique orientações do pediatra, motivação dos pais e muito estímulo para o Miguel, o crescimento e a alegria da adolescência podem ficar comprometidos.

Como é sabido o excesso de peso na infância é um factor de risco para um desenvolvimento saudável, para que se progrida num crescimento equilibrado, para o aparecimento de doenças metabólicas e cardiovasculares precoces e mesmo para a prevenção de certos tipos de cancro, bem como, de doenças crónicas como a diabetes a hipertensão arterial, entre outras.

Mas o excesso de peso na infância tem, também, uma influência muito marcada no desenvolvimento psicoemocional e na auto-estima, que vão acompanhar a adolescência e a idade adulta.

É o corpo no seu todo — físico e emocional, que veicula a formação da personalidade, do auto conceito de valor próprio e individual. É o corpo que facilita as vivências fundamentais de pertença ao grupo de pares, que permite as escolhas interpessoais por afinidades, que permite que a criança ou o adolescente se sintam bem no grupo de amigos, na escola, no desporto, nas vivências de aproximação e identificação com os outros, comparando-se com os da mesma idade e mesmo com os adultos em que se projectam para o futuro.

É sabido que o sentimento de pertença e aceitação nos grupos é fundamental para que a criança se sinta motivada, apreciada e empenhada em atingir os objectivos que se propõe, tanto nas suas competências emocionais e sociais, como na aprendizagem e resultados académicos. Uma criança que não se sente valorizada na sua imagem física, dificilmente se sente motivada para experimentar novos desafios ou para competir para alcançar sucesso.

Mais do que as competências intelectuais, são as competências emocionais e sociais que fazem uma criança feliz e a acreditar no seu sucesso pessoal. O corpo, saudável e emocionalmente equilibrado, é o instrumento por excelência para a procura de uma identidade pessoal e social, que se constrói em primeiro lugar na família e, depois e ao mesmo tempo, nos grupos de amigos, na escola, nas actividades lúdicas e desportivas, no desenvolvimento da criatividade.

Como também sabemos as crianças não têm autonomia para decidir as suas escolhas, cabe aos pais e à família orientar a procura de um caminho próprio para se realizarem e, nesse sentido, as condições para o seu desenvolvimento saudável são também fornecidas na família.

Quando uma criança apresenta excesso de peso, avaliado pelo seu médico que acompanha o desenvolvimento, o trabalho de correcção de hábitos alimentares e a promoção de uma actividade física salutar, deve ser feito numa intervenção em equipa — constituída por médico, pais e criança, retirando a responsabilidade total a esta e transferindo-a para a família que deve ser, sem imposição punitiva, o exemplo de bons hábitos alimentares e cuidados a ter com o corpo.

Independentemente de vivermos em situação de pandemia, não se deve adiar a intervenção perante o excesso de peso de uma criança. As unidades de saúde já retomaram a actividade clínica programa de forma segura e como tal pode procurar orientação junto do médico. Vamos ajudar o Miguel e os pais…Vamos apoiar a Joana… Vamos conseguir que o Miguel e a Joana consigam!

 

Psiquiatra que integra consulta multidisciplinar de Tratamento de Doenças do Comportamento Alimentar no Centro da Criança e Adolescente do Hospital CUF Descobertas

Cuidados alimentares e atividades para crianças em tempos de COVID-19 – DGS

Abril 29, 2020 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Descarregar o documento no link:

https://www.dgs.pt/documentos-e-publicacoes/cuidados-alimentares-e-atividades-para-criancas-em-tempos-de-covid-19.aspx

Comunicado do IPA sobre “A importância da promoção do brincar livre em tempo de isolamento e de distanciamento social “

Abril 9, 2020 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Descarregar o documento em baixo:

Comunicado IPA

OMS aponta Portugal como referência para prevenir obesidade nas crianças

Março 24, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 4 de março de 2019.

Taxa de menores com excesso de peso baixou em 7%; queda no número de crianças obesas foi de 4%; iniciativa apoiada pela agência das Nações Unidas fornece dados sobre avanços nos países europeus.

A Organização Mundial da Saúde, OMS, marcou este 4 de março o Dia Mundial de Combate à Obesidade. A agência incentiva as pessoas a atingir e manter um peso saudável, buscarem tratamento e reverter a crise desta condição médica.

Em nota, Portugal é apontado como um exemplo no combate à obesidade infantil, três anos depois de ter implementado o imposto sobre bebidas açucaradas.

Excesso

A Iniciativa de Vigilância da Obesidade Infantil da União Europeia e OMS, Cosi, confirmou que as taxas de pessoas que vivem com esta condição em Portugal têm reduzido de forma lenta e segura.

De acordo com a investigadora principal do Cosi em Portugal, Ana Rito, a queda no número de crianças com excesso de peso foi de 37,9% para 30,7% entre 2008 e 2016.

Já a porcentagem das crianças obesas baixou de 15,3% para 11,7%, apesar de continuar sendo um dos mais altos índices da Europa.

A iniciativa tem pesquisado o peso das crianças em idade escolar a cada dois ou três anos em mais de 40 Estados-membros do bloco europeu. Esses dados são depois partilhados com os governos da região.

Adolescentes

De acordo com a OMS, os números relacionados à obesidade quase triplicaram desde 1975 e aumentaram quase cinco vezes mais em crianças e adolescentes. Em todos os países, o problema atinge pessoas de todas as idades e grupos sociais.

A obesidade é um dos principais fatores de risco para várias doenças não transmissíveis como diabetes tipo 2, problemas cardiovasculares, hipertensão, acidente vascular cerebral e várias formas de câncer.

Em Portugal, a combinação de dietas pouco saudáveis ​​com o aumento do sedentarismo exigiu maior atenção dos serviços de saúde pública para a obesidade infantil.

Uma das razões para se monitorar as tendências da saúde é permitir que Portugal atinja os objetivos relacionados às doenças não transmissíveis até 2030.

Escolas

O Cosi tem avaliado indicadores como prevalência de estilos de vida saudáveis, incluindo dietas e o hábito de atividade física das crianças, assim como locais frequentados por elas, como escolas e família.

Uma das primeiras constatações é que o aumento do consumo regular de refrigerantes influenciou de forma significativa o ganho de peso ao longo do tempo. Esta situação chegou a atingir mais de 80,1% das crianças de seis a oito anos em 2016.

As principais instituições de saúde pública ajudaram a incluir a questão dos impostos sobre bebidas doces na agenda das autoridades. Esse apoio culminou com o imposto sobre bebidas açucaradas que iniciou no começo de 2017.

Bebidas açucaradas

Os resultados dessa medida incluem a redução da quantidade de açúcar em produtos e a queda de vendas destas bebidas.

No país, as dietas pouco saudáveis ​​e a obesidade estão fortemente relacionadas com fatores sociais, sendo as pessoas com baixos níveis de renda e educação as mais vulneráveis ​​a doenças crônicas.

A OMS destaca que, embora ainda haja muito por fazer, para promover comportamentos saudáveis, as medidas implementadas por Porugal são uma referência de boas práticas para conter a epidemia de obesidade infantil.

 

COSI Portugal

Número de crianças obesas no mundo aumentou 11 vezes em quatro décadas

Fevereiro 26, 2020 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 19 de fevereiro de 2020.

Mais de 124 milhões de crianças e adolescentes em todo o mundo eram obesas em 2016, o que significa 11 vezes mais do que há quatro décadas, segundo um relatório nesta  quarta-feira divulgado pelas Nações Unidas e pela revista The Lancet.

O número de crianças e adolescentes obesos aumentou de 11 milhões em todo o mundo em 1975 para 124 milhões em 2016.

A exposição das crianças a anúncios e comerciais sobre comida não saudável (junk food) e bebidas açucaradas está associado a escolhas alimentares inadequadas e ao excesso de peso ou obesidade.

No que respeita ao contributo do marketing para a obesidade infantil, o relatório sugere que nalguns países as crianças vêem cerca de 30 mil anúncios televisivos num único ano.

“A auto-regulação da indústria falhou”, refere Anthony Costello, um dos autores do documento, elaborado pela Organização Mundial da Saúde, pela UNICEF e pela revista científica The Lancet.

Os autores apontam o dedo ao que consideram ser as “práticas exploradoras” do marketing das indústrias que promovem a fast food ou as bebidas açucaradas.

Outra das preocupações expressas do documento é a exposição dos menores a publicidade e marketing sobre o consumo de álcool e de tabaco.

Por exemplo, na Austrália as crianças e adolescentes continuam a ser expostas a mais de 50 milhões de anúncios a bebidas alcoólicas ao longo de um ano durante a transmissão televisiva de desportos como o futebol, o cricket ou o rugby.

Também nos Estados Unidos tem crescido a exposição dos jovens a anúncios sobre cigarros electrónicos ou vaping, um aumento de 250% em dois anos, com a publicidade a chegar a mais de 24 milhões de menores.

Mais informações nos links:

https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(19)32540-1/fulltext

https://www.who.int/news-room/detail/19-02-2020-world-failing-to-provide-children-with-a-healthy-life-and-a-climate-fit-for-their-future-who-unicef-lancet

Um terço dos pais interpreta mal o peso dos filhos

Fevereiro 18, 2020 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 17 de fevereiro de 2020.

Estudo da Universidade de Coimbra avalia se a perceção que os pais têm sobre o peso dos filhos é influenciada por características socioeconómicas.

Cerca de um terço dos pais interpretam mal o peso dos seus filhos, de acordo com um estudo desenvolvido na Universidade de Coimbra (UC) e já publicado no American Journal of Human Biology.

De acordo com a investigação, conduzida por Daniela Rodrigues, Aristides Machado-Rodrigues e Cristina Padez, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), “32,9% dos pais interpretam mal o peso dos seus filhos (30,6% subestimam e 2,3% sobrestimam)”, afirma a UC, numa nota enviada hoje à agência Lusa.

O estudo visou essencialmente “analisar a concordância entre o estatuto nutricional das crianças e a perceção que os pais têm do peso delas”, e “observar se a subestimação do peso estava de algum modo associada ao risco da criança ter excesso de peso/obesidade”.

Envolvendo 793 pais e respetivos filhos (com idades compreendidas entre seis e os dez anos), a pesquisa pretendeu ainda “avaliar se a perceção que os pais têm sobre o peso dos seus filhos era influenciada por características das crianças e socioeconómicas”, refere a UC.

“Verificámos que mais de 30% dos pais não identificou corretamente o estatuto nutricional dos filhos, sendo que a maior parte subestimou”, sublinha, citada pela UC, Daniela Rodrigues, primeira autora do artigo científico e investigadora do Centro de Investigação em Antropologia e Saúde da FCTUC.

“A subestimação foi substancialmente maior consoante o peso dos filhos, ou seja, vários pais com filhos com excesso de peso classificaram o peso dos filhos como normal e, principalmente, pais com crianças obesas reportaram que as crianças tinham apenas um pouco de peso acima do recomendado”, explicita Daniela Rodrigues.

É nas classes sociais mais baixas que os pais mais subestimam o peso das suas crianças, especialmente das meninas: “Ter pais com menor estatuto socioeconómico e mães com excesso de peso aumenta a probabilidade de subestimar o peso dos filhos, principalmente entre as raparigas”, nota a investigadora.

Sobre a subestimação do peso, se esta estava, de algum modo, associada ao risco da criança ter excesso de peso/obesidade, os investigadores verificaram que “pais que subestimam o peso dos filhos têm 10 a 20 vezes mais probabilidade de terem filhos com excesso de peso ou obesidade, o que tem sido associado a um conjunto de problemas de saúde física e mental, não só na infância, mas que permanecem na idade adulta”.

Ponderando as conclusões do estudo, que foi financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, Daniela Rodrigues defende que “é urgente ajudar os pais a identificar corretamente o excesso de peso e a obesidade” dos filhos para que possam “recorrer à ajuda dos profissionais de saúde” para melhorarem a qualidade de vida da criança.

“O primeiro passo para alterar comportamentos de risco associados à obesidade (dietas ricas em gorduras saturadas e açucares, inatividade física, comportamentos sedentários, etc.) é perceber a necessidade de alterar esses mesmos comportamentos, identificando corretamente o estatuto nutricional da criança”, acrescenta.

No artigo, os investigadores apresentam ainda algumas explicações para os resultados do estudo. “Os pais podem não saber identificar o que é excesso de peso ou obesidade, principalmente porque os media tendem a apresentar a obesidade no seu extremo”.

Por outro lado, “numa altura em que a prevalência de excesso de peso e obesidade afeta cerca de um terço das crianças, os pais podem ‘normalizar’ o excesso de peso, porque é o formato que mais encontram nas crianças que os rodeiam”, afirma ainda Daniela Rodrigues.

“Acreditamos ainda que a maior parte dos pais prefere não identificar a criança como tendo peso acima do recomendado por uma questão de enviesamento social, evitando os estereótipos associados ao excesso de peso e obesidade”, conclui.

Mais informações na notícia da Universidade de Coimbra:

Estudo conclui que um em cada três pais interpreta mal o peso dos seus filhos

Mais pizza e batatas, menos fruta e legumes. Trump quer reverter programa de refeições saudáveis nas escolas

Janeiro 28, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 18 de janeiro de 2020.

O presidente dos Estados Unidos quer reverter o programa de refeições escolares mais saudáveis, que Michelle Obama pôs em prática há oito anos. Em nome do desperdício alimentar, Donald Trump pretende dar às escolas mais flexibilidade nas suas escolhas. Indústrias alimentares agradecem, nutricionistas criticam.

O presidente americano Donald Trump anunciou na sexta-feira a intenção de reverter o programa que promove refeições mais saudáveis nas escolas dos Estados Unidos, iniciado por Michelle Obama. Ao atenuar as regras que obrigaram as escolas a aumentar a quantidade de frutas e legumes dadas aos alunos, o que acontece é que se abre a porta a mais pizzas, hambúrgueres, carne e batatas.

“As escolas dizem-nos que ainda há muito desperdício de alimentos e é necessário haver maior flexibilidade no senso comum para conseguir dar aos alunos refeições nutritivas e apetitosas”, referiu, em comunicado, o secretário da Agricultura Sonny Perdue, baseado na premissa de que os alunos descartam aquilo de que gostam menos e que isso deve ser mudado.

Os nutricionistas e organizações de saúde já contestaram a posição. “O Governo Trump continua a atacar a saúde das crianças sob o pretexto de simplificar os cardápios das escolas”, afirmou, em comunicado, Colin Schwartz, membro do Centro de Ciência de Interesse Público. E acrescentou ainda que esta ideia vai “permitir às crianças escolherem pizza, hambúrgueres, batatas fritas e outros alimentos ricos em calorias e gorduras [saturadas]”, em vez de haver “menus escolares equilibrados todos os dias”.

Citada pelo “The New York Times”, Juliana Cohen, professora de Nutrição na Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard, considera que o programa lançado em 2012 por Michelle Obama “melhorou as dietas de milhões de crianças, sobretudo as mais vulneráveis que vivem em famílias com níveis elevados de insegurança alimentar”. O desperdício alimentar, acrescentou, “já era um problema antes de estes padrões alimentares mais saudáveis terem sido postos em prática, portanto revertê-los não irá resolver a questão”.

Também a presidente da Parceria para uma América mais Saudável, Nancy Roman, referiu que “não é apenas o que está no prato”, mas também a forma como a refeição “é preparada”. “As crianças precisam especialmente de ser expostas a frutas e vegetais que não sejam processados”, acrescentou.

14 milhões de crianças obesas nos EUA

Por outro lado, alguns sectores da indústria e do lobby alimentar aplaudiram a sugestão de Trump. Um dos exemplos, refere o “Guardian”, é a indústria da batata, que há já muito tempo que tentavam atenuar os padrões estabelecidos no programa nacional criado durante a administração Obama e que exigia maior consumo de fruta, vegetais e cereais integrais, obrigando à redução de sal, açúcar e gorduras. Michelle Obama foi a responsável por essa campanha por uma alimentação mais regrada e um estilo de vida mais saudável. “Let’s move” foi o nome da iniciativa lançada em 2012 e que visava também promover o exercício físico.

Estas novas medidas deverão abranger cerca de 99 mil escolas e 30 milhões de estudantes, entre os quais 22 milhões vivem em famílias com baixos rendimentos. Também se sabe que uma em cada cinco crianças e adolescentes nos Estados Unidos tem um peso acima do recomendado para a sua idade. São cerca de 14 milhões de crianças obesas e alterar a qualidade das refeições escolares era tida como uma forma eficaz de melhorar a sua alimentação.

Mais informações na notícia do The New York Times:

Trump Targets Michelle Obama’s School Nutrition Guidelines on Her Birthday

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