Escolas e famílias devem ser envolvidas na educação para conter obesidade

Setembro 27, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Relatório, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 12 de setembro de 2018.

FAO destaca que mais de 672 milhões de pessoas vivem com a doença; representante da agência em Nova Iorque revela que debates de Alto Nível da Assembleia Geral incluem eventos paralelos sobre impactos do problema.

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, defende que a ação para prevenir a obesidade deve envolver instituições que educam as crianças desde cedo.

O relatório Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo, Sofi, revela que uma em cada oito habitantes do planeta sofre desta doença. São mais de 672 milhões de pessoas, a maioria vivendo na América do Norte.  Em África e na Ásia a tendência aumenta.

Prevenção

Falando à ONU News, em Nova Iorque, a diretora do escritório da agência junto às Nações Unidas, Carla Mucavi, disse que é preciso aumentar a prevenção.

“Tem de haver mais consciencialização, tem de haver também políticas que possam levar, de facto, com que estes alimentos, refrigerantes, fritos, e tudo aquilo que é fast food, portanto, não apareça em primeiro plano em detrimento daquilo que seria uma alimentação saudável. Nós temos alguns problemas que educam, a partir das escolas, isto também tem de partir das famílias. Portanto, é toda a sociedade, que deve se consciencializar que uma alimentação saudável nem sempre é aquela que parece ser a mais próxima a nós. ”

Durante os Debates de Alto Nível da Assembleia Geral, a FAO terá eventos paralelos para falar de impactos da obesidade. Líderes mundiais envolvidos na discussão da situação que tem impacto nas economias.

Atenção

“Eu creio que, de facto, é alarmante o peso, o impacto que isso tem, sobretudo na saúde, na saúde das próprias pessoas, mas mesmo no sistema de saúde dos países, uma vez que encarece uma vez que temos pessoas com doenças, portanto, difíceis. Estamos a falar até de uma conferência mundial que vai ter lugar mesmo cá, aqui nas Nações Unidas, que é as doenças não-comunicáveis. Portanto, tudo isto tem também efeitos sob a forma como nos alimentamos. Portanto, eu chamaria a atenção para dar maior responsabilidade a todos os níveis, da sociedade, dos próprios governos, a nível global, em termos de políticas, mas também em termos de como é que nós nos alimentamos. ”

De acordo com a FAO, a desnutrição e a obesidade coexistem em muitos países e podem até ser observadas no mesmo lar.

Os riscos do sobrepeso e da obesidade envolvem o fraco acesso a alimentos nutritivos pelo seu alto custo, o estresse de viver com insegurança alimentar e as adaptações fisiológicas à privação alimentar.

O relatório citado na notícia é o seguinte:

The State of Food Security and Nutrition in the World 2018

Os jogos de vídeo podem ajudar as crianças a perder peso

Agosto 13, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 1 de agosto de 2018.

As crianças foram encorajadas a jogar em casa com um amigo ou membro da família.

Agência Reuters

É uma ajuda que faz os pais torcer o nariz, mas um estudo publicado na Pediatric Obesity diz que as crianças obesas podem ser capazes de perder peso com a ajuda dos jogos de vídeo.

Os jogos que exigem fazer exercício ajudam as crianças com excesso de peso a perdê-lo, assim como ajudam a melhorar o colesterol e a pressão sanguínea, ao mesmo tempo que se divertem. “As crianças estão muito interessadas em jogar e passam horas, todas as semanas, a fazê-lo”, declara Amanda Staiano, do Centro de Pesquisa Biomédica de Pennington, na Louisiana State University. Assim sendo, “em vez de culpar os jogos e a tecnologia, faz sentido perceber de que forma podem ajudar”, continua.

No Louisiana, mais de uma em cada três crianças (35,3%) entre as idades de 10 e 17 anos têm excesso de peso; e mais de uma em cada cinco (21,1%) são obesas. Os jogos podem ajudar as crianças quando estas usam o seu próprio corpo quando jogam, reforça a investigadora.

Para o estudo, 46 crianças, entre os 10 e os 12 anos, foram convidadas a jogar durante 24 semanas, uma hora três vezes por semana, e tinham conversas semanais com um treinador, que lhes dava conselhos sobre as metas que pretendiam ultrapassar em termos de actividade física. “Isso ajudou-os a manterem-se responsáveis”, justifica Staiano.

Metade dos miúdos foi posto no “grupo dos jogos” e a outra metade em “lista de espera”. As famílias do “grupo dos jogos” foram incentivadas a cumprir as recomendações de fazer 60 minutos diários de actividade física. Receberam uma Xbox, um dispositivo de detecção de movimento e quatro jogos de exercícios (Your Shape: Fitness Evoluído 2012, Just Dance 3, Disneyland Adventures e Kinect Sports Season 2). Receberam ainda um Fitbit para rastrear os passos diariamente.

As crianças foram encorajadas a jogar em casa com um amigo ou membro da família. “Estudos mostram que as crianças gastam mais energia quando brincam com outra pessoa”, justifica Staiano. No final do estudo, os membros do grupo de controlo também receberam uma consola de jogos e os jogos que promovem o exercício.

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A maioria das famílias – 22 de 23 – no “grupo dos jogos” completou o programa de seis meses. No final, as crianças tonham reduzido o seu índice de massa corporal (IMC) em cerca de 3%, enquanto as crianças do grupo de controlo aumentaram seu IMC em 1%. Da mesma forma, os níveis de colesterol caíram no “grupo dos jogos”, enquanto subiram no grupo de controlo.

E, embora os membros da família não tenham sido monitorados como parte do estudo, “ouvimos falar de pais que também perderam peso”, conclui Staiano.

mais informações sobre o estudo na notícia:

New study shows certain video games can improve health in children with obesity

 

 

 

Bicicleta e comida saudável fazem das crianças holandesas as menos obesas entre os países ricos

Agosto 13, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Menina anda de bicicleta entre os demais ciclistas de Amsterdã sem a supervisão dos pais (Foto: Mariana Timóteo da Costa/GloboNews)

Notícia e imagem do G1 Globo de 6 de julho de 2018.

Por Mariana Timóteo da Costa, GloboNews, Amsterdã, Haia e Roterdã

Só 7% das crianças holandesas de 11, 13 e 15 anos estão acima do peso; G1 publica série de reportagens sobre como a Holanda foi parar no topo dos países com as crianças mais felizes do mundo.

O percentual de crianças obesas na Holanda é o menor entre os países pesquisados pelo Unicef. Se nos EUA cerca de 30% das crianças de 11, 13 e 15 anos estão acima do peso, na Holanda o índice é 7%. Na França, outro país reconhecido pela alimentação saudável, o índice é 10%.

Apesar de o granulado de chocolate fazer parte de um lanche típico levado para as escolas, as crianças desde cedo fazem muito exercício porque andam para todo o canto de bicicleta. Além disso, iniciativas de prefeituras como a de Amsterdã vem reduzindo o consumo de açúcar e frituras nas escolas.

“Aos 6 anos já pedalava sozinha para a escola, aqui no bairro é tão tranquilo que nem precisamos de capacete, andamos sempre na ciclovia”, conta Ina Hutchison, hoje com 11, chegando de uma tarde no parque e no supermercado. “Vou sozinha, estaciono minha bike e faço as compras que minha mãe pediu.”

Desde quarta-feira (4), o G1 publica uma série de nove reportagens que investigam os fatores educacionais, econômicos e sociais por trás do sucesso holandês.

Mais bicicletas que pessoas

A Holanda tem 17 milhões de pessoas e 25 milhões de bicicletas. Ou seja, 1,3 bicicleta per capita. Na hora do rush em cidades grandes como Amsterdã, Roterdã e Haia, é comum ver mais bicicletas do que carros passando.

São mais de 35 mil quilômetros de ciclovias. Um holandês anda em média mil quilômetros por ano de bicicleta. E muitos desde cedo, como Ina Hutchison.

“A cultura da bicleta começa mesmo antes de as crianças aprenderem a andar, ou mesmo aprender a se movimentar com as pernas. Eu mesma só carrego ele aqui no bakfiet e ele adora”, diz a enóloga Agnes Demen, mãe de Jacob, de 1 ano.”

O bakfiet é uma estrutura de madeira que é colocada na bicicleta e usada para transportar crianças e compras de supermercado.

“É claro que o fato de as cidades serem planas e não termos problemas com segurança ajuda. Mas acho que é mais uma questão cultural mesmo. Aí a criança cresce e quer logo se deslocar de bicicleta”, acredita.

Agnes Demen transporta o filho Jacob na bakfiet, uma bicicleta adaptada para carregar crianças pequenas (Foto: Mariana Timóteo da Costa/GloboNews)

O granulado de chocolate levado de lanche, uma tradição holandesa, assim, não vira um vilão da alimentação.

Além do fato de as crianças fazerem muito exercício, prefeituras como a de Amsterdã iniciaram programas para estimular a alimentação saudável nas escolas. A Prefeitura parou de patrocinar eventos apoiados por marcas de fast-food e deu incentivo fiscais para escolas que, em suas lanchonetes, parassem de oferecer lanches processados ou com alto teor de açúcar.

O resultado foi uma redução de 12% do número de crianças obesas na cidade entre 2012 e 2015 – o que ocorreu especialmente no bairro de imigrantes.

“Aí foi um efeito cascata. Muitas escolas passaram a estimular apenas o consumo de água. Os pais começaram a mandar em vez de bolos para as festas de aniversário, frutas”, conta Leotien Peeters, da Fundação Bernard Van Leer, com sede na Holanda, dedicada à primeira infância, que advoca por mais saúde e bem-estar para crianças pequenas em vários países, incluindo no seu de origem.

Influência da nutrição na saúde

Uma das maiores cientistas da Holanda, Tessa Roseboom é professora de desenvolvimento infantil e saúde da Universidade de Amsterdã. Ela elogia as iniciativas da cidade ao perceber a influência da nutrição na saúde das crianças.

Autora de um estudo que provou que as doenças são influenciadas pela alimentação quando a criança ainda está no útero da mãe, ela diz que iniciativas como a de Amsterdã revertem tendências desses jovens terem doenças crônicas no futuro.

“Além disso permitirá que as crianças desenvolvam todo o seu potencial. A cidade de Amsterdã está se dando conta da importância de investir nesses primeiros anos da vida da criança”, afirma.

Outras cidades holandesas também programam atividades para promover vida saudável entre as crianças. Em Roterdã, é comum eventos como o que o G1 acompanhou, promovido pelas escolas públicas do bairro: uma caminhada de 5 km com a participação de cerca de 700 crianças e 400 pais.

“Adoro vir nessas caminhadas, faz nos sentirmos parte da comunidade e ainda fazem bem para a saúde”, diz a joalheira Diana Spierings, acompanhada do filho Jules e de um amigo.”

A empresária Nanja Totorla passeia animada com o filho Gianlucca, de 8. Logo, o menino dispara no meio da multidão.

“Já já ele volta, as crianças aqui são muito livres”, brinca.

 

 

Estudo mostra que sofrimento mental materno está associado a stress dos filhos

Agosto 8, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 26 de julho de 2018.

LUSA

Um estudo desenvolvido por investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) mostra que o sofrimento mental materno se associa a biomarcadores de stress nos filhos, deixando-os em maior risco de desenvolver síndrome metabólico e obesidade.

“Desde o nascimento que o bebé começa a estabelecer uma relação de vinculação com o adulto que lhe assegura o seu conforto e sobrevivência, o seu neurodesenvolvimento, regulação emocional e resposta ao stress”, escreve a instituição de ensino superior em comunicado.

Segundo a FMUP, quando a qualidade das relações de vinculação está comprometida, podem ser espoletados mecanismos na criança que levam a variações nos níveis de cortisol, a hormona do stress responsável pelo controle dos níveis de açúcar no sangue, e a alterações comportamentais, ao nível do sono e do apetite.

Este estudo envolveu os pais e cerca de 100 crianças que frequentavam a consulta de obesidade no Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, e mostra uma correlação significativa entre o estado mental materno e os níveis alterados de cortisol nos filhos, associação encontrada mais frequentemente nas raparigas.

Foram igualmente analisadas as diferenças entre os vários tipos de vinculação entre progenitores e os filhos, destacando-se as estratégias de vinculação insegura que se desenvolvem quando “a qualidade da relação, que implica a sensibilidade e capacidade de resposta contingente do cuidador principal, está comprometida”, explica a investigadora Inês Pinto.

A responsável pelo trabalho concluiu que as filhas que apresentavam estratégias de relação insegura do tipo “evitante”, na qual uma situação de depressão da mãe pode fazer com que esta não seja tão responsiva a alguns sinais de sofrimento da criança, acabam por não ser capazes de se regularem emocionalmente, “podendo recorrer aos alimentos para se confortar”.

“Esta criança interpreta que o choro é algo negativo e suprime-o, seja para manter a mãe por perto ou porque sente que não surte efeito”, lê-se na nota da FMUP.

Estas são crianças que “raramente pedem ajuda e que tentam resolver tudo sozinhas”, sendo também “as que menos aparecem nas consultas”, porque “aprendem que tudo o que é emocional não pode ser verbalizado”.

De acordo com a também médica pedopsiquiatra no hospital Beatriz Ângelo, em Loures, este processo pode culminar num cenário de compensação através em desregulações hormonais.

Já nas estratégias de vinculação insegura do tipo ansioso, as crianças percebem “que nem sempre as mães estão presentes, mas que podem forçar a resposta materna, se exagerarem os seus estados”. “São essas que mais aparecem na consulta, que pedem ajuda, mas nas quais não foram encontradas associações com as hormonas do stress”, referiu.

Para a investigadora, a intervenção dos profissionais de saúde deve ser adaptada consoante o tipo de vinculação. Enquanto na relação de vinculação insegura do tipo evitante é necessário ajudar as crianças a verbalizar os sentimentos, no grupo ansioso é preciso auxiliá-las a distinguir “uma dor real daquela que não é”.

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Os resultados desta investigação, desenvolvida no programa doutoral em Metabolismo: Clínica e Experimentação da FMUP e orientada pelo professor catedrático Rui Coelho sublinham a importância da qualidade da relação de vinculação entre a mãe e o filho, do funcionamento familiar e do estado mental de pais e filhos quando se estuda a obesidade infantil.

“Deste modo, ao protegerem os seus filhos do stress excessivo e que perturba o funcionamento e o desenvolvimento dos sistemas neurofisiológicos, contribuem para a redução do risco da obesidade infantil”, acrescentou a investigadora.

Notícia da FMUP:

Depressão materna pode influenciar obesidade infantil

 

 

Mãe saudável, filho com menos probabilidades de ser obeso

Julho 18, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 9 de julho de 2018.

As crianças cujas mães têm um estilo de vida saudável são menos propensas a serem obesas do que aquelas cujas mães são menos saudáveis, revelam investigadores norte-americanos. “Viver um estilo de vida saudável pode não apenas ajudar os adultos a melhorar a sua saúde e a reduzir o risco de desenvolver doenças crónicas, mas também pode trazer benefícios à saúde dos seus filhos”, defende Qi Sun da Escola de Saúde Pública de Chan, em Boston.

A equipa da universidade de Boston usou informações de dois estudos já desenvolvidos para perceber se existe uma associação entre o estilo de vida da mãe durante a infância e a adolescência dos filhos e o risco de obesidade entre os 9 e os 18 anos. Para isso, observaram cinco factores de estilo de vida de baixo risco: dieta saudável, índice de massa corporal na faixa normal, não fumar, consumo leve a moderado de álcool e actividade física moderada ou vigorosa pelo menos 150 minutos por semana.

Individualmente, cada factor de estilo de vida das mães, excepto a dieta saudável, foi associado a um risco significativamente menor de obesidade na sua descendência. O risco de obesidade diminuiu com cada factor de estilo de vida adicional. Por exemplo, os filhos de mulheres que seguiram três comportamentos de baixo risco (dieta saudável, actividade física e consumo leve a moderado de álcool) tiveram 23% menos chances de serem obesos, em comparação com crianças cujas mães não tinham nenhum factor de baixo risco.

Os investigadores observaram ainda que os filhos de mães que obedeciam aos cinco critérios tinham 75% de menos probabilidades de serem obesos do que filhos de mães que não tinham nenhum dos factores de estilo de vida de baixo risco.

Contudo, neste estudo, os estilos de vida saudáveis das mães não se traduziram necessariamente em estilos de vida saudáveis das crianças, mas quando o fizeram, os filhos tiveram um risco 82% menor de serem obesos, comparados a mães e crianças que tinham estilos de vida de alto risco.

“Este estudo sugere que as mães, vivendo um estilo de vida saudável e criando assim um ambiente saudável para os seus filhos, podem ajudar a reduzir o risco de obesidade infantil”, declara Sun. Assim sendo, “mães e pais devem apostar em melhorar o seu estilo de vida, de maneira a manter uma boa saúde para si e para a próxima geração”, conclui.

 

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Association between maternal adherence to healthy lifestyle practices and risk of obesity in offspring: results from two prospective cohort studies of mother-child pairs in the United States

Atacar a obesidade infantil, da genética à prateleira do supermercado

Julho 5, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 29 de junho de 2018.

Investigadores portugueses participam num estudo que envolve 31 organizações de 16 países europeus e que conta com um financiamento de dez milhões de euros. O objectivo é identificar as melhores estratégias de ataque à obesidade.

Andrea Cunha Freitas

Desde o rótulo de um produto e do lugar que ocupa na prateleira do supermercado, ao ambiente em que vivemos, passado pela predisposição genética e por factores biológicos, tudo conta quando se avalia o actual fardo da obesidade na sociedade. Para estudar e atacar o problema de saúde pública, o projecto STOP (Science and Technology in childhood Obesisity Policy) vai apoiar-se nos dados recolhidos por diferentes projectos em vários países sobre as crianças e adolescentes europeus e, com a análise e consolidação desta informação, definir “políticas efectivas e sustentáveis para prevenir e gerir a obesidade infantil”. O Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) é um dos parceiros nesta missão que mereceu um financiamento de dez milhões de euros da União Europeia, através do programa Horizonte 2020.

O foco principal do STOP está nos “impactos cumulativos de exposições múltiplas em crianças vulneráveis e socialmente desfavorecidas e nas suas famílias, que devem ser um alvo prioritário para a luta contra a obesidade infantil na Europa para alcançar um ponto crítico e ter sucesso”, define o programa da acção europeia. E adianta: “O STOP identificará estágios críticos na infância (a partir de exposições pré-natais) nas quais as intervenções podem ser mais eficazes e eficientes”. Em declarações ao PÚBLICO, Henrique Barros, epidemiologista que coordena a equipa do ISPUP envolvida no projecto, explica que o complexo e completo diagnóstico deverá incluir factores genéticos, biológicos, comportamentais, influências sociais, culturais e até comerciais que contribuem para a epidemia da obesidade.

“Há três frentes principais de ataque”, esclarece o investigador. Os investigadores vão, por um lado, dedicar-se à “compreensão de aspectos de natureza biológica” onde será explorado o impacto da genética e da epigenética na predisposição para a obesidade e os efeitos da pressão do ambiente no nosso organismo. “Se o problema da obesidade fosse um problema genético, não subia em 20 anos, porque em 20 anos não muda a genética de ninguém”, argumenta Henrique Barros, acrescentando que o que se deve investigar é a exposição a substâncias conhecidas como disruptores endócrinos que podem “ligar ou desligar” a disponibilidade genética para engordar.

“O ginásio não serve para nada”

Por outro lado, uma outra frente de ataque dos investigadores encontra-se nos factores de natureza socioeconómica que podem ou não favorecer a prevalência de obesidade. Um dos pontos de partida, lembra Henrique Barros, será tentar perceber todas as razões que levam a que “nos países pobres, os ricos são gordos e os pobres são magros, e nos países ricos, os ricos são magros e os pobres são gordos”. Aqui, diz o epidemiologista, será interessante investigar “qual é a relação entre as condições de vida dos indivíduos e os ambientes potencialmente obesigénicos, ou seja, as circunstâncias que limitam ou condicionam a nossa actividade”. Importa o sítio onde vivemos, se é seguro ou não, importa estimular as pessoas a andar menos de carro e mais a pé, importa que mudem os hábitos do dia-a-dia optando, por exemplo, por subir as escadas em vez do elevador.

Por outro lado, uma aula num ginásio parece não ter tanta importância como muitos acreditam. “O ginásio está mais ou menos provado que não serve para nada. É mais ou menos como os comprimidos para perder o apetite. O que é importante é que as pessoas tenham condições de vida que promovam a actividade física continuada, não extenuante, que não tenha picos, choques”, diz Henrique Barros. O especialista acredita que a questão das desigualdades sociais é central neste projecto e no combate à obesidade de uma forma geral. “Há 30 anos, atacámos a fome dando de comer às pessoas nas escolas. Isso é pacífico hoje. Agora, precisamos de encontrar qualquer coisa semelhante, que não sei bem o que é, mas que seja capaz de mudar os comportamentos.”

Por fim, uma terceira frente de ataque está na definição de políticas de prevenção e gestão do problema, um tema onde investigadores, decisores e empresários vão ter de se juntar e alcançar um consenso em nome do bem comum. “Um dos principais objectivos do projecto é reunir os principais actores do sector de saúde e alimentos, incluindo cientistas, profissionais de saúde, formuladores de políticas governamentais, agências nacionais de saúde pública, organizações internacionais, sociedade civil e organizações empresariais”, refere o programa da iniciativa, acrescentando que se pretende encontrar “soluções eficazes e sustentáveis para o problema da obesidade infantil a nível da União Europeia, nacional e local”.

Henrique Barros dá alguns exemplos de decisões que podem fazer toda a diferença como o local onde se coloca um produto saudável nas prateleiras do supermercado, quando já sabemos que a tendência é comprarmos mais o que está (literalmente) à frente dos nossos olhos. Entre outras políticas, o STOP avaliará a possibilidade de os governos europeus usarem alavancas – como impostos, rótulos nutricionais e restrições de comercialização de alimentos e bebidas – para combater a obesidade infantil.

Realidade alarmante

O STOP é liderado pelo Imperial College Business School do Reino Unido e é actualmente o maior projecto de investigação na Europa para combater a obesidade infantil numa altura em que se prevê que a curva da obesidade chegue em 2025 ao ponto de termos um obeso em cada três pessoas em muitos países europeus. Sabe-se que, em todo o Sul da Europa, em partes da Europa Central e Oriental e no Reino Unido, mais de uma em cada dez crianças com idades entre os cinco e os 19 anos é obesa. Em países como a Grécia, Malta e Itália, mais de um terço das crianças já demonstram excesso de peso. Em Portugal, os dados mais recentes do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge, divulgados em Maio deste ano, indicavam que as prevalências de excesso de peso e obesidade infantil diminuíram entre 2008 e 2016, ano em que 11,7% das crianças eram obesas e 30,7% tinham peso a mais.

Nos próximos quatro anos (de Junho de 2018 a Maio de 2022), o STOP vai reunir e cruzar os dados de 17 coortes [grupo de pessoas que possuem características em comum] de crianças em toda a Europa para assinalar os primeiros sinais de mudanças biológicas que podem conduzir à obesidade e outros indicadores. O contributo português é significativo com o projecto a beneficiar de duas coortes – a Geração 21 (que acompanha mais de oito mil crianças desde o nascimento em 2005 e o Epiteen que começou em 2003 com cerca de três mil participantes com 13 anos que têm sido periodicamente avaliados.

Num documento divulgado pelo ISPUP, sublinha-se que o Inquérito Alimentar Nacional e de Actividade Física (2015-2016), promovido pela Universidade do Porto, concluiu que a prevalência nacional (dos três meses aos 84 anos) de obesidade é de 22,3% e de pré-obesidade de 34,8%. “Isto significa que seis em cada dez portugueses (60% da população) são pré-obesos ou obesos”, assinalam, acrescentando ainda que “a realidade é já alarmante na população infantil, estimando-se que 25,0% das crianças (com menos de dez anos) e 32,3% dos adolescentes (10-17 anos) portugueses já possuem critérios de obesidade ou pré-obesidade”.

No comunicado do ISPUP, Franco Sassi, responsável pelo projecto e professor do Centro de Economia da Saúde e Inovação Política na Imperial College Business School, defende que o STOP “é um investimento significativo da União Europeia para encontrar as abordagens mais bem-sucedidas e eficazes para reduzir a incidência de obesidade infantil e contribuir para que as crianças que já sofrem da doença obtenham o melhor apoio”. E conclui: “Com as taxas de obesidade infantil a duplicar nos últimos 20 anos, nenhum aspecto deste cenário pode ser ignorado.”

Mais informações no link:

http://ispup.up.pt/news/internal-news/ispup-participates-in-project-to-prevent-childhood-obesity-in-europe/663.html/?lang=pt

 

Estas crianças não param! Errado, estas crianças não se mexem

Julho 1, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de José Morgado publicado na Visão de 19 de junho de 2018.

Ao abrigo de um equívoco designado por Escola a Tempo Inteiro e apesar de boas práticas que existem, muitas crianças passam horas sem fim sentados ou, quase, paradas. Em casa, o cenário é do mesmo tipo só que em frente de um ecrã.

Recentemente foram divulgados pelo Instituto de Avaliação Educativa os resultados das provas de aferição realizadas em 2017. A imprensa deu particular relevo a alguns indicadores mostrados pelos alunos do 2º ano do 1º ciclo na área da Actividade Física.

Como exemplo destes indicadores podemos referir que 46% das crianças não conseguiu saltar à corda, 40% não conseguiu executar uma cambalhota para a frente ou que 31% não realizou adequadamente o jogo infantil ajustado à sua idade.

As reacções foram múltiplas procurando encontrar explicações e responsabilidades.

Algumas notas.

Mais do que um olhar sobre as especificidades das tarefas referidas o que me parece mais crítico e merecer atenção é o nível global de realização de actividades físicas por parte de muitas crianças.

Recordo que já em Fevereiro deste ano o Conselho Nacional das Associações de Professores e de Profissionais de Educação Física alertava para que boa parte dos alunos do 1º ciclo, por razões de natureza diversa e apesar de algumas boas práticas e iniciativas, não realizam regularmente actividades de Educação Física.

No entanto, quando em diferentes contextos se abordam questões relativas ao mundo da infância, uma das mais frequentes afirmações dirigidas ao comportamento das crianças e adolescentes é “Estas crianças não param” ou algo no mesmo sentido. Contudo, apesar da frequência com que ouvimos expressões deste teor, elas parecem desajustadas pois, de facto, as crianças não se mexem e também por isso provavelmente… “não param”.

Segundo o Relatório “Health at a Glance: Europe 2016” da OCDE, em Portugal, mais de uma em cada quatro crianças tem excesso de peso. Nas raparigas ultrapassa os 30% e nos rapazes temos 25%.

Acresce que no que respeita à actividade física e considerando a recomendação da OMS de uma hora diária de actividade física aos 11 anos só 16% das raparigas e 26% dos rapazes a cumprem e aos 15 anos temos 5% das raparigas e 18% dos rapazes.

É ainda de referir que estudos realizados em Portugal mostram que a obesidade infantil, um dos valores mais altos da UE, é já um problema de saúde pública associado, por exemplo, ao disparar de casos de diabetes tipo II em crianças. Parece, pois, evidente a importância que deve merecer a questão dos hábitos alimentares e o combate ao sedentarismo, sobretudo nos mais novos.

Ainda no que respeita à actividade física, um trabalho da Universidade de Coimbra divulgado em 2013 sublinhava de novo o impacto que o sedentarismo tem na saúde das crianças. Este estudo envolveu 17424 crianças entre os 3 e os 11 anos e mostrou uma relação significativa entre hábitos fortemente sedentários, ver televisão por tempo excessivo por exemplo, e problemas na saúde e bem-estar dos miúdos.

Um outro trabalho de 2012 da Faculdade de Motricidade Humana envolvendo cerca de 3000 alunos evidenciava o efeito positivo da actividade física no rendimento escolar para além dos evidentes benefícios para a saúde.

De facto, o quotidiano de crianças e adolescentes está excessivamente preenchido com actividades que solicitam pouca actividade física. Ao abrigo de um equívoco designado por Escola a Tempo Inteiro e apesar de boas práticas que existem, muitas crianças passam horas sem fim sentados ou, quase, paradas. Em casa, o cenário é do mesmo tipo só que em frente de um ecrã.

Parece estar adquirido que a generalidade dos estudos comprovam que o nível de actividade física de crianças e adolescentes está francamente abaixo do desejável. Por outro lado, este é o equívoco a que me referia, instalou-se a “ideia” de que as crianças e adolescentes não param, são muito activas, algumas até mesmo “hiperactivas” pelo que os desejos de muitos pais e professores é que estejam mais “calmas”, mais “sossegadas” e não tão “activas”, às vezes até são medicadas para que se aquietem.

Por isso e de uma vez por todas, que crianças e adolescentes não parem, que as não envolvam e incentivem a actividade sedentária tantas horas por dia e que ajudemos todos os pais e comunidades a construir alternativas que sejam atractivas para os tempos dos mais novos.

É uma questão de saúde, física e mental, para crianças e adolescentes e, também, para os adultos que lidam com eles.

No trabalho com pais refiro com frequência a importância que também têm as actividades ao ar livre que deveriam ser uma rotina e não uma excepção na educação formal e não formal dos mais novos.

Somos dos países da Europa em que adultos e crianças menos desenvolvem actividades no exterior contrariamente, por exemplo ao que se verifica nos países nórdicos apesar das diferenças de clima.

O que me preocupa seriamente é que o brincar da infância vai-se encurtando, algum dia os miúdos vão nascer crescidos para já não precisarem de brincar.

Ainda no caso mais particular mas também essencial do brincar no exterior, as questões da segurança e, sobretudo dos estilos de vida e a mudança verificada nos valores e nos equipamentos, brinquedos e actividades dos miúdos, têm levado a que brincar na rua começa a ser raro.

Embora consciente das variáveis risco, segurança e estilos de vida das famílias, creio que seria possível alguma oportunidade de “devolver” aos miúdos o circular e brincar na rua, talvez com a supervisão de velhos que estão sozinhos as comunidades e as famílias conseguissem alguns tempos e formas de ter as crianças por algum tempo fora das paredes de uma casa, escola, centro comercial, automóvel ou ecrã.

No imperdível “O MUNDO o mundo é a rua da tua infância”, Juan José Millás recorda-nos como a rua, a nossa rua foi o princípio do nosso mundo e nos marca. Quantas histórias e experiências muitos de nós carregam vindas do brincar e andar na rua e que contribuíram de formas diferentes para aquilo que somos e de que gostamos.

Como muitas vezes tenho escrito e afirmado, o eixo central da acção educativa, escolar ou familiar, é a autonomia, a auto-regulação, a capacidade e a competência para “tomar conta de si”. A rua, a abertura, o espaço, o risco (controlado obviamente), os desafios, os limites, as experiências, são ferramentas fortíssimas de desenvolvimento e promoção dessa autonomia.

Talvez, devagarinho e com os riscos controlados, valesse a pena trazer os miúdos para a rua, mesmo que por pouco tempo e não todos os dias. Eles iriam gostar e far-lhes-ia bem.

Saberiam dar cambalhotas, saltar à corda ou realizar jogos infantis de grupo.

(Texto escrito de acordo com a antiga ortografia)

Doutorado em Estudos da Criança. Professor no Departamento de Psicologia da Educação do ISPA – Instituto Universitário. Membro do Centro de Investigação em Educação do ISPA – Instituto Universitário. Colaborador e consultor regular de Programas de Formação de Professores e de Projectos de Investigação e Intervenção. Colaborador regular em Programas de Orientação Educativa para Pais. Autor de diversas publicações nas áreas da qualidade e educação inclusiva, diferenciação pedagógica, etc.

Blogue – http://atentainquietude.blogspot.com

 

 

Obesidade abdominal nas crianças deve ser medida nas consultas de rotina

Junho 27, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do site Dnoticias de 9 de junho de 2018.

A medição da obesidade abdominal nas crianças devia ser incluída nas consultas médicas de rotina, recomenda um estudo publicado na Acta Médica Portuguesa.

“A prevalência da obesidade, incluindo abdominal, é elevada nas crianças portuguesas”, refere o estudo, embora reconheça que parece ter havido uma estabilização nos últimos anos.

O estudo, que avaliou 793 crianças dos 6 aos 10 anos da zona centro de Portugal, verificou que 8,2% das que tinham peso normal registavam obesidade abdominal. Entre as crianças com excesso de peso, quase 60% apresentava obesidade abdominal.

Dado que várias crianças não obesas apresentam valores elevados de obesidade abdominal, os autores do estudo indicam que a medição da relação cintura/altura deve ser incluída em consultas médicas de rotina, “de modo a permitir uma melhor avaliação do estado da saúde da criança”.

Isto porque a obesidade abdominal surge associada a fatores de risco de doenças cardiovasculares e metabólicas e apenas pode ser detetada caso se faça a medição do perímetro abdominal, que não é comum nem rotina nas consultas com crianças.

O artigo da Acta Médica, revista científica da Ordem dos Médicos, aponta para uma prevalência de excesso de peso, incluindo obesidade, de 21,9% das crianças avaliadas.

“A obesidade abdominal em crianças tem aumentado a ritmo alarmante, mas esse indicador não é avaliado em consultas médicas de rotina”, indica o estudo, publicado na Acta Médica de março.

Dados do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) indicam que a prevalência de excesso de peso e de obesidade infantil diminuíram entre 2008 e 2016. Ainda assim, os dados nacionais apontam para cerca de 30% de crianças com peso a mais.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Prevalência de Obesidade Abdominal e Excesso Ponderal em Crianças Portuguesas e a Importância de Incluir a Obesidade Abdominal nas Consultas Médicas

 

 

Portugal ainda tem muito caminho a fazer na obesidade infantil mas os resultados são animadores

Junho 6, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do site nutrimento de 24 de maio de 2018.

Obesidade Infantil

A Iniciativa Europeia de Vigilância da Obesidade Infantil da OMS (ou COSI) é um sistema de vigilância que, há mais de 10 anos, mede as tendências de excesso de peso nas crianças em idade escolar. O COSI estuda  mais de 300.000 crianças em toda a Região Europeia da OMS a cada três anos.

Graças a esta iniciativa pioneira, onde Portugal através da DGS (via PNPAS), do esforço das ARS e do INSA é parte muito ativa é possível observar que o excesso de peso nas crianças com idades entre os 7-8 anos começa a baixar sistematicamente.

Um trabalho visionário, iniciado há mais de 10 anos, com Portugal na liderança e que agora começa a dar os seus frutos.

Consulte o relatório aqui. 

Crianças. Estereótipos de género no desporto presentes logo na primária

Junho 1, 2018 às 9:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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MÁRIO CRUZ – LUSA

 

Os estereótipos em relação ao género estão presentes mesmo na escola primária, com os rapazes a mostrarem mais interesse numa carreira profissional desportiva e com mais de 24% das crianças do sexo feminino a dizerem que os rapazes são melhores desportistas que as raparigas, disse à agência Lusa a investigadora de antropologia Daniela Rodrigues, que entrevistou 793 crianças, de Lousã e Coimbra, para a sua tese de doutoramento, concluída recentemente.

Para além disso, os rapazes e raparigas praticam desportos que são socialmente associados com o seu sexo, sendo que os desportos praticados pelos rapazes “são mais vigorosos”, o que é mais benéfico para a saúde das crianças e ajuda a alcançar os valores mínimos de atividade física diária recomendada.

Neste estudo, a prevalência de excesso de peso e de obesidade abdominal foi “mais elevada nas raparigas do que nos rapazes”, o que “pode trazer vários riscos de saúde como diabetes e doenças cardiovasculares”.

Das crianças entrevistadas, quase 70% praticavam desporto, “mas na maior parte das vezes só uma ou duas vezes por semana e durante pouco tempo”.

A investigadora chama também a atenção para outros fatores que levam a uma menor prática de desporto extracurricular, como o nível socioeconómico da família, o facto de os pais praticarem ou não atividade física, baixa escolaridade dos pais e a inexistência de locais para praticar desporto na área de residência.

Comparando também uma situação de meio urbano (Coimbra) com periferia (Lousã), nota-se que os pais que vivem na cidade parecem ter uma maior necessidade de estruturar as atividades dos filhos, havendo também uma menor prática de brincadeiras fora do contexto escolar (como jogar à bola ou andar de bicicleta) e menor prática de transporte ativo para a escola (a pé ou de bicicleta).

“Sabemos também que pais ativos têm maior probabilidade de terem filhos ativos. Na idade adulta, há mais homens a praticar atividade desportiva e há uma relação mais forte, neste campo, entre pai e filho e mãe e filha. A filha acaba por ter menos modelos a seguir”, notou Daniela Rodrigues, considerando também importante a influência dos órgãos de comunicação social, que dão primazia ao desporto praticado por homens.

A própria escola, notou, “não estimula tanto a prática de atividades que as raparigas mais gostam”.

Segundo Daniela Rodrigues, é necessário criar “estratégias para garantir uma maior prática desportiva junto das raparigas”, criando “programas que envolvam toda a família, tendo por base os pais, assim como as escolas e professores, e tendo em conta as características específicas de cada criança e das condições económicas, culturais e ambientais que as rodeiam”.

Para além disso, há também bloqueios financeiros, sendo necessário as autarquias garantirem transporte para a prática desportiva e apoiar as famílias, que se veem confrontadas com os custos de equipamento e mensalidades nos clubes.

“Uma das maiores influências foi também a perceção de barreiras pelos pais. Encontravam barreiras como tempo, dinheiro ou a segurança dos filhos e essa variável tinha também muito peso na prática de desporto das crianças. Mais barreiras, menos probabilidade de praticar desporto”, resumiu.

 

Artigo publicado em SAPOLIFESTYLE, em 17 de maio de 2018

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