Os ecrãs são ou não inofensivos para a saúde dos mais novos?

Fevereiro 20, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto do Público de 21 de janeiro de 2019.

Especialistas dizem que os dispositivos electrónicos podem não ser a causa de doenças como a obesidade e depressão. Alguns pais mostram preocupações em relação ao uso dos aparelhos.

Mariana e Silva Pereira

O tempo que as crianças e jovens passam à frente dos ecrãs pode não ser tão mau como se pensa, mas é preciso ter cuidado. Quem o diz é Russel M. Viner, director do Colégio dos Pediatras britânico (Royal College of Paedriatics and Child Health), e a investigadora Neza Stiglic, num estudo publicado no início do ano pelo BMJ Journals.

A pesquisa – feita a partir da revisão de 13 trabalhos já publicados sobre a relação entre os dispositivos electrónicos e a saúde (peso e doenças respiratórias e cardíacas), saúde mental, exercício físico, dieta alimentar e sono em crianças e jovens dos 0 aos 18 anos – revelou uma ligação “moderada” entre o uso dos ecrãs e as crianças obesas ou com depressão. Também foram encontradas provas “moderadas” na relação entre o “tempo passado com dispositivos móveis” e “um maior gasto de energia, dietas inadequadas e má qualidade de vida”. Por isso, os autores propõem que se façam novos estudos, uma vez que nos últimos anos houve uma evolução enorme na utilização destes dispositivos.

Por cá, Ivone Patrão, psicóloga e investigadora do ISPA – Instituto Universitário, revela que na sua pesquisa encontra uma “clara relação entre a dependência online – nos rapazes dos videojogos e nas raparigas das redes sociais –, e as alterações no humor, no ritmo do sono, nas forma como se relacionam com os pares e com a família; o que depois se traduz em comportamentos de menor atenção, concentração, de maior irrequietude, ou até de prostração, face ao cansaço”.

A pesquisa de Russel M. Viner e a Neza Stiglic não conseguiu determinar se o uso dos aparelhos é a fonte da obesidade e depressão ou se as pessoas que sofrem destes problemas estão mais expostas a passar mais tempo em frente a um ecrã. Ivone Patrão diz que pode tratar-se de uma “comorbidade”. “Por vezes a criança ou o jovem já estavam, por exemplo deprimidos, e o estar online surge como uma estratégia de escape. Noutras situações, um hobbie passa a ocupar o dia-a-dia do jovem, que desiste de outras actividades para estar cada vez mais tempo online e para sentir o prazer que isso lhe dá”, explica.

Para Tito de Morais, autor do blogue Miúdos Seguros na Net, “a utilização excessiva de dispositivos móveis por crianças e jovens não estará na origem de patologias como a obesidade e depressão, mas contribui para [as] agravar”. O especialista acrescenta ainda que o sedentarismo será o factor que mais influencia a reprodução destas doenças.

Pais devem negociar

Dora e Augusto Silva, pais de um menino de nove e uma menina de cinco anos, que frequentam o Agrupamento de Escolas do Parque das Nações, em Lisboa, confessam viver uma “luta diária” para incutir a máxima: primeiro os trabalhos de casa, segundo as actividades de lazer (e em quantidades limitadas). Como é que o fazem? Fixam um tempo para os filhos usarem o tablet, recorrendo a um temporizador do mesmo. Assim as crianças percebem que já o estão a usar há muito tempo, justificam.

Há quem restrinja mais afincadamente a utilização de aparelhos, como é o caso de Inês Rodrigues, mãe de duas meninas de seis e nove anos, da mesma escola, que não usam os dispositivos todos os dias e só tem autorização para o fazer quando “os deveres escolares estiverem cumpridos”. A mãe também proíbe o acesso aos aparelhos fora de casa.

Os pais dizem que os miúdos passam entre meia a uma hora diária frente aos dispositivos electrónicos, mas que no fim-de-semana a média aumenta. “Pode variar de uma a quatro horas, ou mesmo mais”, confessam Dora e Augusto Silva.

Para Ivone Patrão, os pais devem adoptar uma postura preventiva. A introdução das novas tecnologias pode ser feita desde a infância, “mas com uma bandeira bem levantada”, a da “negociação dos conteúdos e do tempo de acesso”. Os pais devem adoptar um modelo de negociação, estipulando regras: “Não é pelo conflito que vai haver mudança de comportamento, mas pelo parar, sentar e negociar o que cada uma das partes pretende e está disposta a ceder”, afirma a autora do livro #GeraçãoCordão, recomendando ajuda especializada para casos extremos.

Também Tito de Morais partilha da mesma perspectiva, acrescentando que os adultos devem propôr “alternativas em termos de actividades, criando tempos de utilização [dos ecrãs] adequados”. É o que já faz Inês Rodrigues, que procura actividades fora de casa para realizar com as filhas, já Dora e Augusto Silva incentivam os mais novos à prática do desporto ou de um instrumento.

Ainda assim, o casal reconhece pontos positivos aos aparelhos electrónicos, nomeadamente o auxílio ao estudo. Inês Rodrigues também orienta as filhas para a visualização de conteúdos “de alguma forma educativos” com o objectivo de evitar a pesquisa de assuntos “vazios”.

Texto editado por Bárbara Wong

 

 

 

Relatório Saúde Infantil e Juvenil – Portugal 2018

Fevereiro 5, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Descarreegar o relatório no link:

https://www.dgs.pt/documentos-e-publicacoes/relatorio-saude-infantil-e-juvenil-portugal-2018.aspx?fbclid=IwAR1oHjiEp_znostRqxuGYmgfTfWNq7D6f40nv71aeOyll92SuLHl-z06bmc

 

 

“Quero ir a Pé para a Escola” incentiva à atividade física na rua na Nazaré

Janeiro 28, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Câmara Municipal da Nazaré

Notícia e fotografia do site da Câmara Municipal da Nazaré de 10 de dezembro de 2018.

O Município da Nazaré irá lançar durante o segundo período do corrente ano letivo uma iniciativa destinada a incentivar à deslocação a pé dos alunos para a escola.

A ação destina-se a alunos do pré-escolar, 1º ciclo do ensino básico e comunidade educativa, e tem como objetivos levar as crianças a fazerem o trajeto de casa para a escola a pé, acompanhadas por uma equipa, e por percursos pré-definidos e em segurança.

Integrado no movimento mundial “iwalk”, o projeto promove a caminhada em detrimento do transporte privado, promovendo, assim, o desenvolvimento das capacidades cognitivas e sociais, a autonomia individual da criança no espaço público e a atividade física como aliada no combate à obesidade.

A iniciativa “Quero ir a pé para a escola” irá funcionar como programa-piloto no atual ano letivo, uma vez por semana, com partida dos participantes a partir de quatro pontos de encontro definidos pelo Gabinete de Educação da Câmara Municipal.

Pontos de Encontro:
JI do Bairro dos Pescadores: Edifício a Onda, na Nazaré
Centro Escolar da Nazaré: Pavilhão Municipal da Nazaré
Centro Escolar de Valado dos Frades: Centro de Saúde de Valado dos Frades
Escola Básica de Famalicão: CREN – Centro Recreativo Estrela do Norte, Famalicão

 

Já está disponível para download o InfoCEDI n.º 79 sobre A importância da atividade física na saúde da criança

Janeiro 25, 2019 às 2:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança, Publicações IAC-CEDI | Deixe um comentário
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Já está disponível para consulta e download o nosso InfoCEDI n.º 79. Esta é uma compilação abrangente e atualizada de dissertações, estudos, citações e endereços de sites sobre A importância da atividade física na saúde da criança.

Todos os documentos apresentados estão disponíveis on-line. Pode aceder a esta publicação AQUI.

Maioria é demasiado doce. Afinal, que iogurte se deve dar às crianças?

Janeiro 23, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 19 de setembro de 2018.

Graça Henriques

Um novo estudo britânico revela que a grande maioria dos iogurtes disponíveis no mercado tem açúcar a mais, sobretudo na categoria infantil. Até os orgânicos são demasiado doces. Mas há alternativas saudáveis.

o ingerir dois iogurtes aromatizados, uma criança está a ultrapassar a quantidade diária de açúcar recomendada (25g). A “ameaça doce” que este alimento pode representar para a saúde já era falada, mas agora há um novo estudo que inclui toda a panóplia de iogurtes que tantas vezes nos dificulta a escolha nas prateleiras do supermercado: com sabores, com pedaços de fruta, os destinados especificamente às crianças, os de soja, as sobremesas lácteas e os queijinhos.

Apenas 9% obteve a classificação de baixo teor de açúcar, quase nenhum deles na categoria infantil. Uma questão “preocupante”, alertam os investigadores, dado o aumento da obesidade infantil e a prevalência de cáries entre as crianças. Em Portugal, 28,5% das crianças entre os 2 e os 10 anos têm excesso de peso, entre as quais 12,7% são obesas, de acordo com os resultados do mais recente estudo da Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil que analisou uma amostra de 17 698 crianças, em idade escolar, no ano letivo 2016-2017.

O novo alerta sobre o excesso de açúcar vem de um estudo britânico desenvolvido por investigadores da Universidades de Surrey e Leeds – conhecido esta quarta-feira – que avaliaram cerca de 900 iogurtes disponíveis em cinco grandes cadeias de supermercados online do Reino Unido, que representam 75% do mercado. O estudo revela que, com exceção dos iogurtes naturais/gregos, o teor médio de açúcar dos produtos em todas as categorias estava bem acima do limiar recomendado.

Iorgurtes naturais são saudáveis

Pedro Graça, diretor do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, e Alexandra Bento, bastonária dos nutricionistas, fazem questão de sublinhar que, apesar de se tratar de um estudo britânico, em Portugal a realidade não será muito diferente. Tanto mais que as empresas lácteas estão no mercado global e os valores nutricionais dos alimentos são iguais ou muito semelhantes. Os estudos desenvolvidos em Portugal, nomeadamente o Inquérito Alimentar Nacional, apontam no mesmo sentido.

O diretor do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável começa por explicar que até os iogurtes naturais têm presente na sua constituição nutricional 5/6g de açúcar por 100g. Mas, sublinha, nem tudo é mau e trata-se de um alimento bastante saudável e completo porque é rico em vários nutrientes – proteínas, gorduras, cálcio, fósforo, diversas vitaminas, potássio, zinco, iodo, entre outros. Uma espécie de multivitamínico que pode colmatar défices nutricionais por um baixo preço, afirma.

Esta variada composição nutricional que um iogurte tem na sua matriz faz com que o açúcar tenha um efeito menos negativo do que o de um refrigerante. “No caso dos iogurtes, a entrada do açúcar no sangue é mais lenta, faz-se a conta-gotas, ao contrário do que acontece quando se bebe um refrigerante, que é injeção de açúcar direto nas veias”, diz Pedro Graça. Um refrigerante tem em média 10g de açúcar por 100g, o que faz com que uma garrafa some 33 gramas, o triplo do açúcar presente num iogurte aromatizado (que já ultrapassa os valores recomendados – 5g para 100g).

Quando se fala de um iogurte aromatizado a conversa é outra, já que este pode apresentar 13 a 15 g de açúcar por 100g, mais do dobro de um iogurte natural. “Não faz sentido que um alimento tão bom, saudável, tenha necessidade de ter açúcar aditivado, há formas de se adoçar o alimento, como a canela e a fruta”, refere Pedro Graça.

Sobremesas lácteas são “bombas” calóricas

O estudo britânico revela que as sobremesas lácteas contém mais açúcar – uma média de 16,4g/100g, uma quantidade que representa mais de 45% do consumo de energia. Estes foram seguidos de produtos nas categorias infantil, com sabor, frutas e até os orgânicos (que recebem esta classificação porque são feitos com produtos naturais e não significa que não tenham açúcar).

No caso das sobremesa, Pedro Graça diz que os pais que dão este tipo de alimentos aos filhos devem assumi-los como um bolo feito com leite e que em caso algum substituem uma peça de fruta à refeição.

Alexandra Bento, bastonária dos nutricionistas, afirma, por seu lado, que este estudo vem reforçar a necessidade da reformulação de produtos alimentares com elevado teor de açúcar, com especial enfoque para os destinados às crianças. “Vem também destacar a necessidade de se aumentar a literacia alimentar da população para saberem fazerem melhores escolhas alimentares, porque saber compreender os rótulos é essencial.” E alerta que, considerando as recomendações da Organização Mundial da Saúde para ingestão de açúcar, em alguns casos dos produtos analisados neste estudo revelou que por 100g já disponibiliza a quantidade máxima de açúcar (25g) que uma criança deve ingerir num dia.

De facto, os investigadores sublinham que “embora o iogurte possa ser menos preocupante do que os refrigerantes e sumos de frutas, as principais fontes de açúcares livres nas dietas de crianças e adultos, o que é preocupante é que o iogurte, considerado um ‘alimento saudável’, pode ser uma fonte não reconhecida de açúcares livres adicionados na dieta”.

Por tudo isto concluem: “Nem todos os iogurtes são tão saudáveis quanto os consumidores os percebem e a redução de açúcares livres é justificada.”

O estudo citado na notícia é o seguinte:

An evaluation of the nutrient contents of yogurts: a comprehensive survey of yogurt products in the major UK supermarkets

 

Vote no Projeto SOS – Criança: “Um aluno bem nutrido é um aluno bem-sucedido”

Janeiro 11, 2019 às 2:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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“SOS – Criança: Um aluno bem nutrido é um aluno bem-sucedido” | Instituto de Apoio à Criança – SOS – Criança (My Auchan Avenida da República)

O projeto procura, em articulação com a loja Auchan da Avenida da República, incentivar as crianças de três escolas básicas situadas nos bairros da Picheleira, Lóios e Santo António, a terem uma alimentação saudável e a conhecerem os efeitos da mesma no seu desempenho escolar. As escolas referenciadas integram uma população económica e socialmente desfavorecida, nomeadamente população emigrante, alguns refugiados e de etnia cigana. Procura-se realizar as aprendizagens recorrendo a atividades como a construção de uma horta, a criação de um livro de receitas, a interpretação dos rótulos dos alimentos e a confeção de refeições saudáveis, entre outras. Na construção da horta biológica, as crianças irão relacionar a matéria de estudo do meio, com os nutrientes das plantas que irão semear e ajudar a florescer. Procurar-se-á incentivar as crianças a transmitirem os conhecimentos adquiridos evitando o recurso a alimentos pré-cozinhados, a fast-food, às chamadas calorias vazias, entre outros. Por outro lado, ir-se-á dinamizar momentos de conv´vio familiar, através da alimentação. Por fim, realizar-se-á uma sessão de esclarecimento sobre o Direito da Criança à Saúde, com base na nutrição e uma sessão para os Pais e Encarregados de Educação sobre comportamentos aliados a distúrbios alimentares. Constatação de que as crianças adotam um estilo de vida mais sedentário (deslocam-se em meio de transporte para a escola e para casa; nos intervalos jogam no telemóvel e ocupam os tempos livres com video-jogos). Por sua vez, o tipo de hábitos alimentares das crianças e dos jovens a nível mundial tem vindo a sofrer transformações, como por exemplo: consumo de refrigerantes; fritos; salgados e gorduras saturadas acabando com a dieta mediterrânea. Tal produz impacto na saúde dos jovens (excesso de peso/obesidade; diabetes tipo 2; apneia do sono; distúrbios alimentares) e na sua longevidade. Estudos indicam que, nos últimos anos, tem-se vindo a verificar que as crianças vivem mais doentes e morrem mais cedo que as gerações anteriores. No final do projeto as crianças conhecerão a importância de uma alimentação saudável e o modo como a mesma interfere nos seus resultados escolares: Um aluno bem nutrido é um aluno bem sucedido. As crianças serão mais autónomas para: saber fazer escolhas de alimentos saudáveis; consultar um rótulo e identificar a sua relação com uma alimentação saudável; cultivar e fazer florescer alguns alimentos saudáveis; reconhecer os seus Direitos e entre eles o Direito à Educação e a uma Alimentação Saudável.

Votar no projeto no link:

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSe4NWidkMKeLM-A2STsqNzHYXhrAvfUtcwaXGFOqESNIVTbjw/viewform

Escolas devem limitar acesso a alimentos menos saudáveis – Conselho Nacional Saúde

Dezembro 20, 2018 às 6:00 am | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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thumbs.web.sapo.io

Notícia do Sapo de 5 de dezembro de 2018.

As escolas devem limitar o acesso a alimentos menos saudáveis, recomenda um relatório do Conselho Nacional de Saúde, que aponta deficiências no controlo dos alimentos dentro dos estabelecimentos de ensino.

“As escolas parecem não conseguir monitorizar eficazmente a oferta de alimentos que é feita nos seus bufetes e cantinas”, considera o relatório do Conselho Nacional de Saúde, a que a agência Lusa teve acesso.

Assim, o Conselho recomenda que “o combate à obesidade infantil seja intensificado através de mais medidas de limitação do acesso e publicidade a produtos alimentares não saudáveis, nomadamente dentro dos estabelecimentos de ensino”.

No relatório “Gerações Mais Saudáveis”, que hoje vai ser apresentado, o Conselho Nacional de Saúde sublinha que “a maioria das escolas não cumpre a proporção” estabelecida entre géneros alimentícios a promover e géneros a limitar, que devia ser de três para um.

Citando um estudo realizado em 156 escolas públicas e em cinco privadas a nível nacional, o Conselho indica que só 1,3% respeitam aquela proporcionalidade.

Também as máquinas de venda automática nas escolas “continuam a conter alimentos” que deviam ser limitados e “muitas não são bloqueadas à hora de almoço”.

O documento, que hoje vai ser divulgado publicamente, refere ainda que “o Estado não desenvolveu nenhuma ação concertada que pudesse frenar a oferta de alimentos ricos em açúcar e gorduras saturadas”, apontando a “ausência de políticas reguladoras de publicidade a produtos alimentares nos meios de comunicação”.

Não está também regulada a localização de estabelecimentos de restauração que promovem produtos pouco saudáveis, acrescenta o Conselho Nacional de Saúde, órgão consultivo do Governo que integra cerca de 30 entidades, entre elas várias ordens profissionais.

Os conselheiros do Governo lembram que “a prevalência da obesidade infantil permanece elevada em Portugal” e que as crianças e os jovens são alvo constante de estratégias de marketing e publicidade de alimentos.

É ainda recordado que o Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável previa que, até final deste ano, fosse publicada legislação para regular o marketing e a publicidade de alimentos dirigidos a crianças.

O Conselho Nacional de Saúde recorda alguns projetos positivos de promoção da alimentação saudável, como o regime de fruta escolar, que distribui fruta gratuita pelo menos duas vezes por semana a alunos do 1.º ciclo.

Contudo, o relatório assinala que há uma “tendência decrescente” no número de autarquias que tem aderido ao regime da fruta escolar ao longo dos anos.

Na área das fórmulas infantis para lactentes, o Conselho frisa que “Portugal não dispõe de legislação suficiente para conter e eliminar a promoção inapropriada de substitutos do leite materno”, sendo que a publicidade a estes produtos “não está regulada”.

ARP // PMC

Lusa/Fim

 

Aceder ao estudo:

Gerações Mais Saudáveis – Políticas Públicas de Promoção da Saúde das Crianças e Jovens em Portugal

 

 

Peso das crianças imita o das mães

Dezembro 17, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do site MAGG de 27 de novembro de 2018.

por Catarina da Eira Ballestero

Estudo norueguês afirma também que a obesidade da mãe pode até influenciar o nível de educação das crianças.

De acordo com um estudo norueguês divulgado este mês de novembro, o peso das crianças varia conforme o das mães, existindo uma espécie de “efeito espelho” com o ganho ou perda de quilos destas. A investigação da Universidade de Ciências e Tecnologia de Trondheim (Noruega), que analisou os níveis de atividade de 4,400 crianças e dos seus pais durante 11 anos, descobriu esta ligação.

Citada pelo jornal “The Telegraph”, Marit Næss, uma estudante de doutoramento ligada ao estudo, explica que “o peso dos pais tem um grande impacto na saúde e estilo de vida de uma criança, os comportamentos que conduzem à obesidade são facilmente transmitidos pelos pais”.

Marit Næss acrescenta que as mães que reduzem o seu nível de atividade física durante o período de crescimento dos filhos, acabam por ver estes terem um índice de massa gorda (IMG) elevado na adolescência. No entanto, não existe relação entre o peso dos filhos e o dos pais. Esta disparidade é justificada pelos investigadores devido a serem principalmente as mulheres as responsáveis pelo planeamento de atividades e pela alimentação da família.

Mas a ligação existe apenas quando falamos de ligeiros ganhos ou perdas de peso — caso exista uma mudança drástica no peso da mãe, o filho não imita este comportamento, dado que uma grande alteração está normalmente ligada a uma doença ou a uma dieta alimentar muito específica, que acaba por não envolver os restantes elementos da família.

De acordo com a investigação norueguesa, o peso das mães também tem um impacto na educação das crianças, sendo que os filhos de mães não obesas e com hábitos mais saudáveis, acabam por continuar os estudos durante mais tempo.

“De uma forma geral, famílias com uma educação superior têm índices de massa gorda mais baixos do que famílias com menos estudos”, salienta Kirsti Kvaloy, uma das especialistas da investigação, que acrescenta que uma redução de peso por parte das mães “influencia positivamente os IMG’s das crianças nas famílias com mais estudos”.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Implications of parental lifestyle changes and education level on adolescent offspring weight: a population based cohort study – The HUNT Study, Norway

 

 

Os miúdos estão “mais altos, mais gordos e mais dependentes”

Novembro 21, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 14 de novembro de 2018.

Projecto Geração 21 acompanha mais de oito mil crianças desde o dia em que nasceram. Hoje, os miúdos têm entre 12 e 13 anos. A adolescência está a bater-lhes à porta e eles enfrentam uma nova fase de avaliações, medições e perguntas dos investigadores. Todos beneficiamos com as respostas.

Andrea Cunha Freitas

É um dos maiores estudos longitudinais da Europa e o único deste tipo alguma vez realizado em Portugal. Tudo começou em 2005 com 8600 recém-nascidos nas maternidades públicas da área metropolitana do Porto. Os bebés cresceram, acompanhados por uma equipa de curiosos especialistas que os foi medindo, avaliando e questionando. Agora, chegou a adolescência. O projecto de investigação Geração 21 entrou na sétima fase de avaliações que vai decorrer até Janeiro de 2020. Alexandra, Diogo e Carlos são apenas três exemplos de um imenso grupo de miúdos que produz conhecimento indispensável para conhecer o presente e projectar o futuro da saúde em Portugal.

Este projecto de investigação é uma espécie de poço sem fundo, que se enche de conhecimento que se vai acumulando ano após ano. A Geração 21 já inspirou mais de uma centena de publicações em revistas científicas e “uma dúzia” de teses de doutoramento. A lista de novo saber é longa. Com este trabalho já ficámos a saber que, aos quatro anos, mais de 90% das crianças já consome sal a mais, que a probabilidade de uma cesariana também depende do hospital escolhido, que as mulheres engordam nos quatro anos após o parto, que são as mães que mais castigam os filhos, que as crianças começam a consumir doces logo a partir dos 12 meses, que os filhos de mães fumadoras têm risco de tensão arterial alta logo aos quatro anos… e muito mais. A nova etapa deste projecto começou a 13 de Agosto deste ano com a sétima avaliação dos participantes que acabaram de chegar à interessante fase da adolescência. No início eram mais de oito mil (4430 rapazes e 4217 raparigas) e agora, com algumas desistências pelo caminho, o grupo terá cerca de 7500 crianças.

É cedo para conclusões sobre esta fase quando a análise ainda vai no início. Mas, Henrique Barros, que coordena este projecto dos investigadores do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, vai abrindo a caixa de surpresas. Por esta altura, já se pode dizer que “as crianças portuguesas estão mais altas, mais gordas, mais informadas, mas também mais dependentes”. Dependentes de quê? Dos pais. Não será uma grande novidade, apenas uma confirmação do que vemos à nossa volta. Henrique Barros reforça a última informação com alguns exemplos. Muitos destes miúdos, agora com 12 ou 13 anos, ainda não vão sequer sozinhos de casa para a escola. O caminho faz-se de carro com os pais, mesmo quando a distância é curta. “E às vezes os pais andam a correr de um lado para o outro para os levar de carro para uma actividade desportiva”, acrescenta o investigador acreditando que muitos nem sequer percebem a ironia desta situação.

Além do perfil geral que se pode arriscar fazer, Henrique Barros destaca outras conclusões deste estudo que abrange crianças que vivem nos concelhos do Porto, Vila Nova de Gaia, Matosinhos, Maia, Valongo e Gondomar. Fala, por exemplo, no mapa da obesidade, que elege Valongo como o concelho mais gordo e o Porto como o mais magro. “Sabemos agora que há concelhos mais magros e outros mais gordos e que, se fizermos uma análise mais cuidada ao nível das freguesias, é possível encontrar uma relação entre os chamados hotspots de obesidade e a proximidade de um McDonalds”, diz ao PÚBLICO.

Henrique Barros lembra ainda que este estudo também já demonstrou a grande influência de pequenos gestos do quotidiano da vida familiar. Como um pai contar uma história ao filho antes de dormir. Há um artigo científico que está à espera de publicação e que mostra que “os meninos cujos pais até aos quatro anos de idade lhes liam histórias antes de deitar têm evidência clara nos testes de cognição que vulgarmente chamamos ‘testes de inteligência’, pontuam mais alto”. E não tem a ver com a classe social, antecipa o investigador que assegura que a diferença que a história faz seria notada entre famílias do mesmo contexto social. “É plasticidade induzida pelo ambiente”, sublinha.

Em contraste com esta experiência positiva, Henrique Barros avisa que em breve será publicado um outro trabalho apoiado nos dados da geração 21 que mostra o impacto na “expressão do genoma daquilo que, a nível psicológico, chamamos de stress pós traumático”. “Nas crianças que ao longo da sua vida são sujeitas a formas de educação mais severa, mais violenta, isso não fica só – como se pensou durante muito tempo –, a moldar a sua forma de ser (as suas emoções e a forma como se relaciona com os outros), há marcadores biológicos dessa adversidade durante a infância.” A título de exemplo, Henrique Barros diz-nos que “as crianças que vivem em ambientes mais tensos têm marcadores de inflamação que não estão presentes nas crianças que têm uma vida mais tranquila”. Mais um aviso aos pais.

Sexo fica de fora

Com os milhares de dados que estão a ser recolhidos – aqui mede-se o peso, a altura e a pressão arterial e fazem-se exames para a bioimpedância (que indica a quantidade aproximada de músculo, osso e gordura), espirometria, avaliação do estado pubertário, pupilometria, um exame para avaliar o nível de hidratação da pele e colheitas de sangue –, foi preciso definir alguns alvos da atenção dos investigadores. Assim, desta vez, procuram-se as variáveis ligadas à obesidade, aos consumos de substâncias tóxicas como o tabaco ou o álcool, ao aparecimento da primeira menstruação e aos primeiros sinais de puberdade nos rapazes. Sobre estas manifestações, Henrique Barros adianta desde já que foi demonstrado que nos últimos 70 anos a menarca foi antecipada em um ano. A idade média actualmente está nos 12 anos, com implicações para a idade fértil e para doenças associadas a factores hormonais na idade adulta. Uma vez que sabemos que a genética demora mesmo muito tempo a mudar, a explicação poderá estar na exposição química com efeito na bioquímica hormonal, através dos chamados “disruptores endócrinos”, avança Henrique Barros. A alimentação poderá ser outros dos factores que está a mudar o nosso organismo e os seus timings, não tanto pelo que sabemos que estamos a comer (mais fruta ou menos legumes) mas pelo que não sabemos (contaminantes tóxicos “escondidos” nos alimentos).

Além disso, a Geração 21 também explora a saúde respiratória, as alergias e há novas linhas de investigação dedicadas, por exemplo, aos estuda da reacção à dor crónica em crianças. Espera-se, com esta avaliação, conhecer marcadores de risco que permitam prever o desenvolvimento de doenças na vida adulta ou a adopção de comportamentos que as venham a condicionar. Entre as muitas pontas soltas por onde pegar, há uma que, para já, está de fora. “Não fazemos perguntas sobre sexo. Seria constrangedor para os miúdos e para os pais”, considera o coordenador do projecto. “O objectivo é pensar na perspectiva da promoção da saúde – como viver mais e melhor desde muito cedo – e da prevenção das doenças, começando no período da infância, o que se reflecte, mais tarde, em ganhos de saúde ao longo da vida”, refere Henrique Barros.

“Sou muito criança ainda”

Uma das crianças que estão a ser avaliadas no Centro de Investigação Médica da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto no dia que o PÚBLICO visitou o projecto é Alexandra Moreira. Por uma incrível coincidência, falámos com ela em 2012 quando tinha sete anos. A menina com um penteado de Pipi das Meias Altas cresceu. Hoje temos à nossa frente uma adolescente de cabelo comprido, sorriso tímido e faces coradas. Se há uns anos nos confessava que gostava de brincar, agora admite que o telemóvel ocupa grande parte do seu tempo livre com o Instagram e vídeos de youtubers. Com sete anos tinha o peso certo, apesar de ter tido de fazer dieta em pequenina. Agora, diz-nos que o seu prato favorito é massa com carne picada, admite que gosta de doces, come chicletes todos os dias e, muitas vezes, adia o pequeno-almoço para o meio da manhã altura em que “ataca” um croissant com queijo.

A mãe, Patrícia Moreira, não esconde o orgulho com a filha “carinhosa e bem-educada”, apenas lamenta a distracção de Alexandra que aos “sete ou oito anos” foi diagnosticada com défice de atenção e, desde essa altura, está medicada. Se pedimos a Alexandra Moreira uma espécie de auto-avaliação: responde-nos que a sua melhor qualidade será a simpatia e o pior defeito é ser ciumenta. Na escola tudo vai correndo normalmente. É uma aluna de notas médias, diz a mãe. Educação Física é a disciplina preferida e a que menos gosta é Matemática.

Diogo Lopes também empurra a Matemática para o fim da lista das preferências de disciplinas (encabeçada pelas Ciências), mas rapidamente percebemos que é um “menos gosto” relativo. É aluno de “quadro de honra”, conta-nos sem um pingo de vaidade. Com olhos de avelã cercados por umas enormes e espessas pestanas negras, Diogo convence-nos. “Não me sinto adolescente. Sou muito criança ainda. Brinco muito. Ainda sou um bocado o palhaço da turma. Acho que temos de aproveitar a vida. Estar bem-dispostos”. A mãe, Marta Lopes, fala com tranquilidade do seu “bom menino, bom aluno, extremamente sorridente e bem-disposto” e confirma que “ele ainda não deu o salto” para a adolescência. Não responde torto, é muito sossegado, ajuda os pais e estuda antes de pegar no telemóvel que tem desde o 5º ano. O único medo de Marta é o medo de todas as mães: que um dia, por qualquer motivo, o seu menino se perca. E o único excesso de Diogo parece ser a alimentação. “Gosta de fast food. Se eu deixasse era a loucura. Fruta sim, mas por imposição.

E os pais?

As duas mães, Marta Lopes e Patrícia Moreira, compareceram a todas as chamadas do projecto Geração 21 (as avaliações foram aos 6, 15 e 24 meses e aos 4, 7 e 10 anos) e asseguram que não pretendem desistir. Dizem que é um acompanhamento especial e garantem que já aprenderam algumas lições importantes com esta vigilância e rastreio que acrescenta muito ao que fazem de rotina. Henrique Barros confessa-se impressionado e agradecido pela disponibilidade destas famílias. “Aos pais dos participantes da Geração 21, temos que, em primeiro lugar, agradecer o empenho continuado e exemplar ao longo destes anos. As manifestações de interesse, os comentários e críticas. Sobretudo o ajudarem a sociedade a perceber que estão a fazer parte de qualquer coisa maior em saúde e em ciência”, sublinha. Sobre os mais novos, o coordenador do projecto revela que chegaram a uma conclusão inesperada. “Pensávamos que o que eles gostariam mais de fazer aqui seriam jogos, testes no computador, uma espécie de WebSummit. Mas não. O que eles disseram que mais gostavam era de encontrar pessoas com quem pudessem falar.

Henrique Barros nota ainda que nalguns casos o benefício foi além do bem comum. “Temos a obrigação de encontrar uma solução se por algum motivo detectarmos um problema de saúde. Por exemplo, temos uma família em que foi detectada uma leucemia na criança e a família diz-nos que faz duas visitas regulares, aqui e a Fátima”, conta. No caso de Diogo Lopes, por exemplo, não houve nenhuma doença detectada mas em determinada altura o projecto alertou a mãe. “A nível da alimentação percebi que estava a cometer alguns erros e corrigi”, diz.

Além das vantagens do conhecimento adquirido sobre os seus filhos e as crianças em geral, as mães também beneficiam directamente deste projecto. Também as mães da Geração 21 são seguidas, com questionários, análises e medições. Aliás, ao lado, na sala de espera onde o PÚBLICO conversa com Marta Lopes, uma outra mãe não resiste a fazer um comentário. “Faltam os pais. O pai do Carlos já perguntou várias vezes porque não vem também ele fazer exames. Também queria participar”, diz Ivone Carneiro que espera que o filho, Carlos Eduardo, regresse de um dos gabinetes onde está a fazer uma recolha de amostra de sangue.

 

 

7 em cada 10 crianças não ingerem fruta na quantidade recomendada pela OMS

Outubro 21, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto e imagem da APCOI de 27 de setembro de 2018.

Aumentar o consumo de fruta na infância é a principal meta da iniciativa escolar «Heróis da Fruta» lançada pela APCOI – Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil que no ano letivo passado verificou um aumento da ingestão destes alimentos em 41,9% das crianças participantes. As inscrições para o ano letivo 2018/2019 estão abertas a qualquer sala ou turma de ensino pré-escolar ou do 1º ciclo e podem ser feitas gratuitamente no site www.heroisdafruta.com até 12 de outubro.

74,9% das crianças entre os 2 e os 10 anos não cumpre a recomendação internacional da Organização Mundial de Saúde (OMS) para uma ingestão mínima de cinco porções de frutas e legumes diárias. Esta é uma das principais conclusões do primeiro estudo realizado pela primeira vez em parceria entre investigadores da Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil (APCOI) e do Instituto de Saúde Ambiental (ISAMB) da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL), que analisou uma amostra de 12.764 alunos, no ano letivo 2017/2018.

O estudo também observou as diferenças entre os vários distritos e regiões relativamente à ingestão diária de fruta e legumes e as conclusões são ainda mais alarmantes: Bragança foi o distrito que apresentou a maior percentagem de crianças abaixo das recomendações com 96,7%, seguindo-se o distrito da Guarda com 91,9%, a Região Autónoma dos Açores com 86,6%, Madeira com 85,7%, Viana do Castelo com 82,1%, Vila Real com 81,5%, Santarém e Viseu com 80,4%, Coimbra com 78,6%, Portalegre e Setúbal com 78,1%, Porto com 77,5%, Braga com 74%, Aveiro com 73,1%, Lisboa com 68,1%, Leiria com 66,5%, Faro com 66,3%, Castelo Branco com 64,3%, Beja com 61,6% e por último Évora com 59,0% das crianças a não ingerir a dose diária suficiente de fruta e legumes.

«Heróis da Fruta» com sucesso comprovado na mudança de hábitos dos alunos

A equipa de investigadores da APCOI/ISAMB/FMUL, analisou também os efeitos da implementação da 7ª edição do projeto «Heróis da Fruta – Lanche Escolar Saudável» nas alterações de hábitos alimentares dos alunos e concluiu que, globalmente, 41,9% das crianças aumentou o seu consumo diário de fruta após 12 semanas de participação no projeto.

Em todos os distritos e regiões verificou-se um aumento do consumo diário de porções de fruta após a implementação do projeto, tendo sido o distrito de Portalegre a registar a maior subida com uma percentagem de aumento de 60,5%. Seguindo-se Setúbal com um aumento de 57,6%, Viana do Castelo com 56,4%, Braga com 74,0%, o Viseu com 46,9%, Porto com 46,1%, Guarda com 43,1%, Coimbra com 41,5%, Faro com 41,2%, Vila Real com 39,0%, Lisboa com 37,8%, Castelo Branco com 37,6%, Aveiro com 37,4%, Leiria com 37,2%, Madeira com 36,2%, Bragança com 35,8%, Évora com 35,6%, Açores com 35,5%, Beja com 33,9% e finalmente Santarém com 29,8%.

Para Mário Silvapresidente e fundador da APCOI «Estes números vêm comprovar a importância do projeto Heróis da Fruta enquanto ferramenta de educação para a saúde. O sucesso desta fórmula vencedora é o seguinte: utiliza personagens com que as crianças se identificam combinados com desafios diários que nos ajudam a transmitir as mensagens e os comportamentos-modelo, e claro, recompensas capazes de manter os alunos e os professores motivados! Para este ano letivo que se inicia elevámos ainda mais essa fasquia,porque  haverá prémios de participação para todas as crianças que serão enviados por correio para cada escola e ainda a oportunidade de mais crianças poderem contactar ao vivo com as mascotes do projeto, entre muitas novidades e surpresas. Para se candidatarem aos prémios, basta estarem inscritas e realizarem tarefas tão simples como por exemplo a leitura de um conto».

Depois de efetuar a inscrição no site www.heroisdafruta.com os professores e educadores recebem acesso aos materiais pedagógicos, sem qualquer custo. Mário Silva explicou tratar-se de «uma iniciativa chave-na-mão desenhada para crianças dos 2 aos 10 anos e que todos os professores de turmas 1º ciclo ou educadores de salas de pré-escolar poderão colocar em prática de forma muito simples e gratuita».

Métodos da Investigação

Esta investigação é pela primeira vez realizada em conjunto por investigadores da Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil (APCOI) e do Instituto de Saúde Ambiental (ISAMB) da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL)  e resulta da análise do inquérito junto dos alunos participantes na 7ª edição do projeto «Heróis da Fruta – Lanche Escolar Saudável» no ano letivo 2017/2018. A recolha de dados, através da aplicação de um questionário antes e depois das 12 semanas de intervenção do projeto, foi reportada pelos professores e conta com uma amostra global composta por 12.764 crianças com idades compreendidas entre os 2 e os 10 anos de 626 estabelecimentos de ensino distribuídas pelos 18 distritos continentais e das duas regiões autónomas: Açores e Madeira.

Nas próximas semanas serão divulgados publicamente mais resultados deste estudo sobre hábitos alimentares e estilos de vida das crianças portuguesas. O artigo final deste estudo será posteriormente submetido pelos investigadores para publicação em revista científica.

Inscrições para o ano letivo 2018/2019 abertas até 12 de outubro

As inscrições para a 8ª edição do projeto «Heróis da Fruta» dirigem-se a salas de ensino pré-escolar (a partir dos 2 anos) e turmas de 1º ciclo do ensino básico, mas também poderão inscrever-se bibliotecas escolares, ATL’s, CATL’s ou outras componentes de apoio familiar que reúnam o mesmo grupo de crianças diariamente, públicos ou privados, sendo apenas necessário um registo gratuito através do endereço www.heroisdafruta.com ou do telefone 214 866 045 até ao dia 12 de outubro de 2018.

Para mais informações, por favor, contactar:

APCOI – Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil

Tel: 214 866 045    |   Telm: 960 474 700

 

 

 

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