10 razões para limitar a exposição dos menores de 12 anos a telemóveis, tablets e afins

Março 16, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da http://visao.sapo.pt/ de 2 de março de 2017.

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O pediatra Hugo Rodrigues comenta à VISÃO as 10 razões apresentadas por uma terapeuta ocupacional pediátrica americana para proibir a exposição às tecnologias a crianças menores de 12 anos

A Academia Americana de Pediatria e a Sociedade Canadiana de Pediatria recomendam que crianças dos 0 aos 2 anos não sejam expostas a nenhuma tecnologia e que o seu uso seja limitado a uma hora por dia a crianças dos 3 aos 5 anos e a duas horas por dia a crianças dos 6 aos 18 anos.

Mas o que se passa na realidade é que a quantidade de tempo que as crianças passam à frente das tecnologias é muito maior do que é aconselhável e, com isso, estão a prejudicar seriamente a sua saúde. Quem o diz é Cris Rowan, uma terapeuta ocupacional pediátrica. Num artigo que escreve para o The Huffington Post, alerta todos os pais, professores e governos para a importância de regular o tempo dedicado às tecnologias.

Pedimos ao pediatra Hugo Rodrigues, que escreve para a Bolsa de Especialistas da VISÃO, um comentário às 10 razões apresentadas por Cris Rowan para banir o uso de tecnologias a menores de 12 anos.

  1. Crescimento cerebral impróprio

A exposição excessiva a tecnologias tem sido associada a um défice do funcionamento executivo cerebral e de atenção, a atrasos cognitivos, a uma aprendizagem debilitada, à diminuição da capacidade de autoregulação e ao aumento da impulsividade.

O desenvolvimento cerebral só termina depois dos 20 anos na maior parte das pessoas, pelo que todos os estímulos a que as crianças e adolescentes estão expostos podem condicionar esse desenvolvimento.

Relativamente à capacidade de atenção, os estímulos dos chamados “ecrãs” são múltiplos e curtos, o que não estimula corretamente o funcionamento executivo, a atenção e aprendizagem. Para além disso, a capacidade de visualização 3D e orientação viso-espacial (coordenação entre visão e orientação espacial) encontra-se comprometida nos ecrãs, pois a imagem tem apenas duas dimensões e não três.

A impulsividade e a auto-regulação podem ficar comprometidas na medida em que mesmo a socialização que se consegue através das tecnologias está sempre intermediada por um aparelho, o que diminui a capacidade de controlo pela sensação de proteção que provoca. A este facto acrescem ainda os conteúdos (vídeos e jogos, por exemplo) que muitas vezes aumentam a agressividade e a impulsividade.

Por fim, relativamente ao défice cognitivo parece-me uma afirmação um pouco exagerada, porque essa relação é extremamente controversa e difícil de provar.

  1. Atraso no desenvolvimento

Porque implicam pouco movimento, as tecnologias acabam por atrasar o desenvolvimento da criança, e, por consequência, ter um impacto negativo no seu desempenho académico.

O desenvolvimento motor encontra-se condicionado pela ausência de estimulação nesse sentido. Particularmente a motricidade fina, que é a área mais afetada. Não tem nada a ver montar um puzzle num tablet ou com peças reais! A orientação tridimensional é algo que só se consegue com peças verdadeiras… Outro exemplo são as formas 3D, que num ecrã não existem (a esfera e um círculo, o cubo um quadrado, …).

Também em termos de linguagem, o desenvolvimento se encontra afetado. A linguagem verbal e escassa na maior parte dos programas e aplicações é muitas vezes “maltratada”, com abreviaturas e ortografia sem regra. A linguagem não verbal não se aprende sem socialização, porque requer contacto face a face e nenhum ecrã o consegue.

  1. Obesidade

O uso da televisão e de jogos de vídeo está relacionado com um aumento da obesidade. As crianças que têm aparelhos tecnológicos nos quartos têm 30% maior incidência de obesidade.

Completamente de acordo. A obesidade é a epidemia do século XXI e o sedentarismo um dos seus principais fatores de risco. Para além disso, o contacto permanente com os aparelhos tecnológicos estimula também a prática de “snacking”, que é o consumo pouco regrado de alimentos pouco nutritivos e muito densos do ponto de vista calórico (por exemplo, bolachas, chocolates, batatas fritas, etc).

  1. Privação de sono

75% das crianças com 9/10 anos têm privação de sono, o que acaba por prejudicar negativamente o desempenho académico;

Também completamente de acordo. O sono é um aspeto fundamental do dia-a-dia das crianças e adolescentes e um dos pilares do seu desenvolvimento. Os ecrãs tem um efeito nocivo na quantidade e qualidade do sono, que tem obrigatoriamente que ser “combatido”.

  1. Doenças mentais

O uso exagerado de tecnologias é considerado um dos fatores responsáveis pelo crescimento das taxas de depressão infantil, ansiedade, defeitos de vinculação, défice de atenção, autismo, transtorno bipolar, psicose e comportamento problemático da criança.

Esta relação é controversa, mas é verdade que o isolamento social e a dependência da tecnologia que se cria podem ter interferência no humor, levando a situações de ansiedade e depressão, por exemplo. Também os conteúdos dos programas e jogos pode moldar o comportamento nesta fase tão vulnerável, levando a comportamentos problemáticos.

Quanto a relação com autismo, psicoses e doenças bipolares, as tecnologias podem ajudar a que surjam episódios de descompensação, mas não atuar como causa dessas doenças.

  1. Agressividade

As crianças estão expostas, através dos media e das tecnologias, a agressão explícita, o que pode influenciá-las a ter um comportamento agressivo.

Completamente de acordo. O controlo de conteúdos tem que ser uma prioridade para todos os pais. As crianças aprendem por imitação, pelo que tem que se selecionar muito bem tudo a que elas têm acesso.

  1. Demência digital

Os conteúdos mediáticos de “alta velocidade” podem contribuir para um défice de atenção e para uma diminuição das capacidades de concentração e de memória.

Já expliquei um pouco no ponto 1. Apesar das crianças poderem ficar muito tempo ligadas às novas tecnologias, isso não significa que tenham uma grande capacidade de concentração. A questão é que os estímulos são muito curtos, o que faz com que, na verdade, elas não estejam muito tempo atentas, mas sim atentas durante pequenos períodos de tempo de cada vez.

  1. Vício em tecnologia

Uma em cada 11 crianças, dos 8 aos 18 anos, é viciada em tecnologia.

Completamente de acordo. Este é um problema real, com o qual nós ainda não sabemos lidar adequadamente. Vai ser um enorme desafio nos próximos tempos porque se trata de uma verdadeira dependência em grande parte dos casos.

  1. Emissão de radiação

Em maio de 2011, a Organização Mundial da Saúde classificou os telemóveis e outros dispositivos sem fio com um risco de categoria 2B (possível carcinogénico), devido à emissão de radiação. As crianças são ainda mais vulneráveis a estes perigos.

Completamente de acordo. Hoje em dia vivemos completamente rodeados por radiações (Bluetooth, Wi-Fi) e muitas delas são ainda algo desconhecidas em termos de consequências para a saúde. O que é um facto é que existe a noção de que o número de casos de cancros em idade pediátrica estão a aumentar e tem obrigatoriamente que haver fatores ambientais que o justifiquem.

  1. Insustentável

A forma como as crianças são educadas não é sustentável. Não há futuro para as crianças que usam a tecnologia em excesso.

Acho demasiado negativo dizer que não há futuro. Cabe-nos a nós, adultos, fazer as escolhas certas para podermos ajudar as nossas crianças a serem adultos saudáveis, felizes e responsáveis. Para isso, é preciso usar sempre o bom-senso e tentar retirar das tecnologias o que podem ter de bom sem sofrermos o efeito negativo do seu (mau) uso.

Depoimento recolhido por Sara Soares

 

 

5 alimentos responsáveis pela obesidade infantil e os pais não fazem ideia

Fevereiro 25, 2017 às 5:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://uptokids.pt/ de 9 de fevereiro de 2017.

uptokids

A obesidade infantil é cada dia mais preocupante. As mudanças nos hábitos de consumo e alimentação têm feito desse mal um problema a nível mundial.

As crianças têm sido vítimas da falta de conhecimento dos pais e da sociedade. Alguns alimentos vendidos como “saudáveis”, na verdade são fontes de carboidratos simples, conservantes, e outros produtos químicos que além de fazerem mal à saúde ainda enchem o organismo de toxinas que podem impedir o funcionamento natural do metabolismo e causar descontrole hormonal.

Por isso, pais, fiquem atentos aos alimentos perigosos para a saúde e peso do seu filho. Aqui estão 5 deles que parecem inocentes, mas não são.

1. Sumos empacotados

Muitos pais bem-intencionados incentivam os filhos a parar de beber refrigerante substituindo-os por sumos. O problema é que na maioria das vezes o açúcar contido num pacote de sumo é superior ao do refrigerante. Não defendemos o consumo de refrigerantes, aliás, acreditamos que estes deveriam ser banidos da alimentação de qualquer ser humano.

2. Sumos de fruta

Parecem tão saudáveis, não é? Mas não é bem assim. Vários médicos têm condenado os sumos de frutas. A frutose, que é o açúcar das frutas, é tão prejudicial quanto as bebidas à base de cola, afirma o Dr. Richard Johnson, da Universidade do Colorado, causam obesidade e hipertensão. Para o Dr. Lair Ribeiro, cardiologista e nutricionista, a frutose é um veneno que é combatido pelas fibras das frutas. Por isso, em vez dar sumo aos seus filhos, dê a fruta – moderadamente nos casos de necessidade de perder peso – e água.

3. Salsichas e enchidos

Relativamente à salsicha os problemas são grandes. Segundo a nutricionista Natália Coelho, “A salsicha tem oito vezes mais gordura e 38 vezes mais sódio que o frango cozido”. Além disso, a salsicha tem nitrato que é cancerígeno, e (…) “gordura saturada, que é também responsável pela obesidade infantil crescendo na nossa população” (…) “problemas de hipertensão arterial e desenvolvimento de doenças crónicas”. O peito de peru industrializado, considerado saudável não fica atrás tanto na questão do nitrato quanto na quantidade de sódio que causa hipertensão e retenção de líquidos.

4. Pipocas de micro-ondas

Embora seja prático e muito saborosas, as pipocas de micro-ondas têm em média 150 calorias por chávena. Ao contrário das pipocas simples que tem 31 calorias por chávena. Mas, ainda é possível fazer pipocas saudáveis no micro-ondas: Coloque meia chávena de grãos de milho nem um pacote de papel (papel de pão), feche e leve ao micro-ondas por 2 minutos na potência média. Se quiser acrescente uma pitada de sal. Pronto! De um pacote (industrializado) com 490 calorias você reduziu para apenas 100 calorias.

5. Pão

O nosso inocente pãozinho de cada dia é responsável por um índice glicémico equivalente a 2 colheres e meia de açúcar! O Índice glicémico mede o quanto um determinado carboidrato pode elevar o nível de glicose no sangue e em quanto tempo. Quando um alimento tem o índice glicémico até 75, é considerado de baixo IG. Já aqueles com mais de 95 de índice glicémico são considerados de alto IG. O pãozinho francês tem um índice aproximado de 95 a 100. Isso significa mais glicose no sangue, mais liberação de insulina pelo pâncreas e o resultado é ganho de peso.

Antigamente, ou seja, antes da junk food, quando as pessoas faziam refeições completas, a obesidade era algo raríssimo. O que se comia nos anos anteriores à segunda metade do século XX? Geralmente arroz, carnes, ovos, frutas, legumes e verduras, queijo, etc – tudo orgânico ou feito com alimentos orgânicos. Tratava-se de uma alimentação muito mais paleo do que a de hoje em dia, com pouco uso dos alimentos processados. Os doces eram compotas de frutas adoçadas com rapadura ou melado, eram servidas como sobremesa e consumidas em pouca quantidade. O segredo para deter a obesidade infantil é voltar-se a uma alimentação sem açúcar refinado, sem gordura trans, sem conservantes e outros aditivos químicos, enlatados, salgadinhos, enchidos (antigamente o único enchido eram as linguiças caseiras sem conservantes). Quanto mais primitiva a alimentação, mais saudável ela será.

Além disso, as crianças brincavam ao ar livre todo o dia. Mexiam-se, corriam, saltavam, e brincavam ao sol e à chuva, ao contrário do que vemos hoje.

Por Stael Ferreira Pedrosa, publicado em Familia.com.br, adaptação de Up To Kids®

 

 

Pode um jogo online engordar uma criança? Autoridades de saúde dizem que sim

Fevereiro 24, 2017 às 10:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.tsf.pt/ de 14 de fevereiro de 2017.

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Nuno Guedes

Direção-Geral da Saúde alerta: pais devem ter cuidado com a publicidade na Internet a alimentos nocivos e dirigida, especialmente, a crianças e adolescentes.

O diretor do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável da Direção-Geral da Saúde (DGS) dá um exemplo que ele próprio já encontrou na Internet: um jogo, patrocinado, com chocolates.

À partida, parece uma brincadeira inofensiva, mas Pedro Graça diz que estamos perante uma das típicas publicidades “insidiosas” comum na Internet e nas redes sociais.

São casos como este e muitas outras formas de publicidade a alimentos nocivos para a saúde, para crianças e adolescentes, que levam a DGS a estar preocupada com a publicidade na Internet e a fazer um alerta aos pais, mas também ao Estado que deve regular.

Em declarações à TSF, Pedro Graça diz que um estudo recente feito no Canadá concluiu que 90% da publicidade a alimentos na Internet envolvia produtos de “má qualidade nutricional”, algo que em Portugal, até com a internacionalização de muitas marcas, “não será muito diferente”.

O responsável da DGS recorda que a publicidade nos meios tradicionais (rádios, TV, imprensa) foge cada vez mais para a Internet, um sítio onde, segundo afirma, os anúncios estão “fora de controlo” e onde as crianças e adolescentes passam cada vez mais tempo.

Pedro Graça sublinha que “estimamos que uma criança está em média uma ou duas horas por dia em frente à televisão, mas se lhe juntarmos a Internet esse tempo em frente aos ecrãs duplica e mesmo triplica ou quadruplica, o que aumenta a nossa preocupação”.

Um crescimento do sedentarismo que, segundo o especialista, é acompanhado muitas vezes pela publicidade a produtos altamente calóricos e maus do ponto de vista nutricional.

O diretor do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável cita ainda um estudo da Fundação para a Ciência e Tecnologia que diz que 55% das crianças portuguesas acedem à Internet diariamente por conta própria, a partir do seu quarto, enquanto que os pais portugueses são aqueles que na Europa menos “controlam os conteúdos de uma forma interativa com os filhos” (68 %).

Em declarações TSF, o deputado do PS, Pedro Delgado Alves, explica que as mudanças ao Código da Publicidade que estão a ser discutidas no Parlamento também vão atingir a Internet, mas admite que é muito difícil, quase impossível, regular tudo o que chega às crianças e adolescentes.

ouvir a reportagem no link:

http://www.tsf.pt/sociedade/interior/pode-um-jogo-online-engordar-uma-crianca-autoridades-de-saude-dizem-que-sim-5665827.html

Como os irmãos influenciam e moldam aquilo que somos

Janeiro 26, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da http://visao.sapo.pt/ de 17 de janeiro de 2017.

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O poder de influência dos nossos irmãos sobre nós próprios é enorme: podem interferir na nossa personalidade, na nossa saúde, no nosso peso e podem, até, ser um pilar para um casamento futuro

Os irmãos são autênticos companheiros de brincadeiras e aventuras, mas com certeza não será preciso muito esforço mental para se lembrar de alguns momentos onde percebeu que não havia alguém com maior capacidade no mundo para o tirar do sério.

Com ou sem exageros, a verdade é que os irmãos partilham connosco um vínculo que vai muito além da ligação de sangue. É com eles que passamos uma grande e importante parte da nossa vida – a infância. Portanto, é natural que tenham um impacto considerável na nossa formação enquanto pessoas. Aqui ficam seis formas através das quais os irmãos influenciam e moldam aquilo que nos tornamos.

1. Podem influenciar o seu peso

Principalmente se for o filho ou um dos filhos mais novos. Um estudo de 2014 publicado no American Journal of Preventive Medicine revelou que, quanto ao risco de obesidade, os irmãos podem ter uma influência maior do que os próprios pais.

Esta descoberta surpreendeu muito os investigadores. “Eu fui para este estudo à espera que, dado o grande papel dos pais nas vidas dos filhos, a obesidade parental tivesse uma associação mais forte do que a obesidade dos irmãos; mas estava errado”, disse Mark Pachucki, um dos autores do estudo, à Harvard Gazette.

Através do estudo de cerca de 2000 pessoas, os investigadores conseguiram perceber que, no caso de famílias com apenas um filho, o facto de um dos pais ser obeso duplicava o risco do filho se tornar obeso. Em famílias de dois filhos, ter um irmão obeso aumentava foi associado a um risco mais de cinco vezes maior de vir a ser obeso, do que foi se o irmão não for obeso. E, se estivermos a falar de irmãos do mesmo sexo, o risco ainda é maior.

2. Moldam o seu caráter

Não sendo consensual, para muitos investigadores a ordem de nascimentos – isto é, se somos o primeiro, o último ou o, ou um dos filhos do meio – tem influência na personalidade: os mais velhos tendem a ser mais inteligentes, os dos meio a ser mais preocupados e os mais novos a correr mais riscos.

No entanto, a personalidade dos nossos irmãos pode ajudar a moldar a nossa própria personalidade, mas talvez não da forma que imagina. Alguns académicos acreditam que a influência se dá através da desidentificação. Através deste processo, “os irmãos desenvolvem atributos distintos e envolvem-se em atividades e comportamentos diferentes, no sentido de estabelecerem identidade únicas dentro da família”, explicam os autores de um estudo de 2007. Desta forma, segundo a teoria, se temos um irmão muito extrovertido e brincalhão, tendemos a ser mais introvertidos e envergonhados.

3. São os primeiros professores que temos

Aqui quem sai a ganhar, normalmente, são os irmãos mais novos. Um estudo de 2014, publicado no Pediatrics Journal, analisou o vocabulário de 385 crianças e dos seus irmãos mais velhos, com proximidade etária.

Os resultados revelaram que, em famílias numerosas, onde a atenção individual por parte dos pais tende a ser menor, os irmãos mais novos beneficiavam, em termos de vocabulário, por terem um irmão mais velho sensível ao ponto de os querer ensinar.

4. Podem ser importantes para o seu casamento

Parece algo estranho ou, pelo menos, curioso. Mas um estudo de 2013, da Universidade de Ohio, descobriu que, por cada irmão que temos, a probabilidade de divórcio diminuía dois por cento.

Os investigadores recolheram informações de cerca de 57 mil americanos, durante um período de 40 anos – entre 1972 e 2012. Esta proteção contra o divórcio foi sentida tanto no início do estudo, como no final.

O estudo não apresentou explicações para este poder protetor, mas um dos autores do estudo, Doug Downey, acredita que os resultados se podem relacionar com a aprendizagem própria da relação entre irmão. “Ao crescer numa família com irmãos, desenvolvem-se um conjunto de capacidades de negociação de interação positivas. Tem de se considerar os pontos de vista do outro, e aprender a falar sobre os problemas. Quantos mais irmãos tem, maior é a probabilidade de ter posto em prática estas capacidades”, referiu o investigador.

5. Aumentam a probabilidade de ter depressão

Nem tudo é bom. Se tem irmãos, sabe que as discussões são algo natural. O problema não são as discussões em si, mas sim o assunto que promove a discussão.

Uma investigação conduzida em 2012, por investigadores da Universidade do Missouri, revelou que, dentro da amostra, os irmãos que discutiam normalmente sobre questões de igualdade e justiça, tinham maior probabilidade de vir a ter sintomas de depressão um ano depois. Se o assunto de discussão tivesse a ver com espaço, os problemas futuros estariam relacionados com ansiedade e baixa autoestima.

6. Tornam-no mais feliz

No entanto, se falarmos de relações próximas, calorosas e com poucas discussões, ter um irmão pode fazer com que se sinta menos só, menos depressivo e com um autoestima mais elevada.

É a esta conclusão que chega o estudo publicado em 2005, pelo Journal of Social and Personal Relationships, através do análise de dados recolhidos de 247 participantes. De acordo com o estudo, o apoio entre irmãos tem um poder significativo, podendo compensar alguma falta de apoio dos pais ou de amigos. Avidan Milevsky, autor do estudo, diz mesmo que esta relação, por todas as suas particularidades, deve ser tida em elevada consideração pelos psicólogos ou terapeutas, principalmente em questões de terapia familiar.

 

Crianças que ingerem proteína em excesso até aos 4 anos desenvolvem mais massa gorda

Janeiro 25, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.tvi24.iol.pt/ de 24 de janeiro de 2017.

reuters

Estudo do Instituto de Saúde Pública do Porto concluiu que a quantidade e a qualidade dos hidratos de carbono (carga glicémica) ingeridos, aos quatro anos, também está relacionada com uma maior adiposidade aos sete

Redação / EC

Um estudo do Instituto de Saúde Pública do Porto indica que a ingestão excessiva de proteína em idade pré-escolar está associada a um maior índice de massa corporal aos sete anos, sendo este resultado mais visível nos rapazes.

Nestes, uma maior ingestão proteica aos quatro anos (idade pré-escolar) “associa-se a uma maior adiposidade” (massa gorda) total e abdominal (perímetro da cintura), bem como a “níveis superiores de insulina três anos mais tarde”, explicou à Lusa a investigadora do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) Catarina Durão.

Para além disso, verificou-se, durante o projeto, que a quantidade e a qualidade dos hidratos de carbono (carga glicémica) ingeridos pelos rapazes, aos quatro anos, também está relacionada com uma maior adiposidade aos sete.

Ou seja, “naqueles com uma alimentação simultaneamente excessiva em proteína e em carga glicémica, o efeito de aumento da massa gorda aparenta ser ainda maior”, indicou.

De acordo com Catarina Durães, é possível que nas raparigas o efeito da alimentação na adiposidade seja mais dependente do total energético ingerido (calorias totais consumidas), enquanto nos rapazes seja mais dependente dos macronutrientes referidos no estudo.

mais informações na notícia do Instituto de Saúde Pública do Porto:

Ingestão de proteína e carga glicémica aos 4 anos associadas a obesidade aos 7

 

 

Mais de uma em cada quatro crianças tem excesso de peso em Portugal

Janeiro 14, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do site http://www.educare.pt/ de 27 de dezembro de 2016.

O relatório mencionado na notícia é o seguinte:

Health at a Glance: Europe 2016 State of Health in the EU Cycle

educare

O problema da obesidade infantil é que estas crianças poderão tornar-se adultos obesos, alerta relatório da OCDE.

Andreia Lobo

Entrava no supermercado e Miguel (nome fictício) ia direto à prateleira dos salgadinhos. Com 11 anos adorava os “cheetos”. Um aperitivo de farinha de milho com sabor a queijo. Devorava um pacote antes do jantar. A cena repetia-se diariamente. Até que, numa consulta de rotina, a pediatra ficou chocada com o seu peso. Hoje, Miguel tem 17 anos. Corre diariamente. Come cinco peças de fruta, por dia. E começa a refeição sempre com sopa, seja em casa ou na escola. Mostra uma vontade férrea em não voltar a ser o gorducho que foi até aos 14 anos. À mesa das famílias portuguesas continuam a faltar os legumes. Seja no prato, a acompanhar a carne e o peixe, ou na forma de sopa. As crianças portuguesas estão entre as que mais comem fruta, mas são das que menos comem vegetais. É o que diz o relatório “Health at a Glance: Europe 2016” sobre os hábitos de alimentação saudável nos 28 Estados-membros da União Europeia.

A obesidade das crianças portuguesas recebe uma chamada de atenção dos autores do relatório. Mas não são as únicas a dar motivos de preocupação. “Mais de uma em cada quatro crianças tem excesso de peso na Áustria, Hungria e Portugal e mais de uma em cada três na Grécia e Itália”, lê-se no relatório publicado em novembro pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Em média, 23% dos rapazes e 21% das raparigas dos 28 Estados-membros têm excesso de peso. A tendência é para os rapazes pesarem mais do que as raparigas. Em Portugal acontece o contrário: as raparigas têm mais peso que os rapazes, o valor da obesidade ultrapassa os 30% nelas e fica nos 25% neles. No Reino Unido, Irlanda, Suécia, Suíça e Turquia acontece o mesmo, elas são mais pesadas.

O relatório “Health Behaviour in School-based Children” mostra que entre as crianças e jovens europeus em idade escolar, 21% dos rapazes e 13% das raparigas tinham excesso de peso em 2013/2014. O peso da obesidade nesta faixa variava de 12% na Dinamarca para 30% em Malta. Mundialmente as balanças estão a mostrar valores cada vez mais altos: entre 2001/2002 e 2013/2014 a percentagem de jovens de 15 anos com excesso de peso aumentou de 11% para 18%, entre os países da União Europeia. O problema da obesidade infantil, lembra a OCDE, é que estas crianças poderão tornar-se adultos obesos.

Pouco exercício físico
Quer chova ou faça sol, Miguel não dispensa o exercício diário. Começou a correr aos 15 anos. Tem a sorte de morar junto a um parque público com bastantes subidas e descidas. E é com as corridas que mantém o peso certo.

Segundo o relatório da OCDE, a falta de exercício é também um problema sério. Nas crianças entre os 11 e os 15 anos, em todos os países europeus, a prática de exercício físico tem vindo a diminuir. Os autores deste relatório lembram que a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda 60 minutos diários de “atividade física moderada a vigorosa” para as crianças. Poucas o farão. A OCDE alerta que nem sempre existem equipamentos ou espaços para a prática da educação física, mesmo ao nível dos currículos, que possibilitem o cumprimento desta recomendação.

Na UE uma em quatro crianças faz exercício “moderado a vigoroso” regularmente. Os melhores cenários surgem na Finlândia e na Irlanda onde 34% das raparigas e 45% dos rapazes com 11 anos fazem exercício diário pelo menos durante uma hora. Na Bulgária, Croácia, Roménia, República Checa e Espanha, cerca de 35% dos rapazes são fortes praticantes de exercício. Na faixa etária dos 15 anos, lideram os rapazes espanhóis, seguidos dos búlgaros, croatas, irlandeses, luxemburgueses, polacos e checos. As raparigas na Bulgária, República Checa, Finlândia, Letónia e República Eslovaca são as mais ativas.

Relativamente às crianças, Dinamarca, França, Grécia e Itália sãos os países onde menos se pratica exercício. Piores só mesmo os italianos. Tanto os rapazes como as raparigas ocupam as últimas posições, são os mais sedentários quer nos 11 quer nos 15 anos. Preocupante é a redução da prática de exercício verificada à medida que as crianças vão crescendo, ou seja, na passagem dos 11 aos 15 anos. Mais notória no sexo feminino. Em Portugal, na Áustria, Finlândia, Irlanda, Polónia e Eslovénia a percentagem de atividade física entre as raparigas cai em 60%.

Consumo de frutas e legumes
Comer mais fruta e legumes pode ser uma questão, simplesmente, de os ter mais à mão. A exposição a estes alimentos, em casa ou na escola, é um fator importante no aumento do seu consumo. E este é também um indicador de saúde alimentar, reconhecem os peritos da OCDE.

Os jovens de 15 anos surgem na décima posição na lista dos que mais fruta comem nos 28 Estados Membros da UE. Os maiores consumidores de fruta são os rapazes, na Dinamarca, Irlanda, Luxemburgo e Portugal e as raparigas na Áustria, Dinamarca, Irlanda e Itália. Pelo contrário, Grécia, Letónia e Suécia (rapazes e raparigas) e Finlândia (rapazes) são os menores consumidores de fruta, com rácios de uma em quatro para as raparigas e menos de um em cinco para os rapazes.

No que respeita ao consumo diário de legumes em 2013/2014, uma em cada três raparigas e um em cada quatro rapazes diziam-se consumidores diários, nos países da UE. Na Bélgica, 61% das raparigas comem legumes todos os dias, são seguidas pelas colegas da Dinamarca, Irlanda e Holanda, com percentagens de consumo a oscilarem entre os 45% e 50%. A Bélgica continua a liderar o ranking do consumo destes alimentos entre os rapazes (52%), seguida da Irlanda (41%) e da França (40%). Comer vegetais todos os dias é prática menos comum em Espanha, Estónia, Portugal (nas raparigas) e Finlândia e Alemanha (rapazes). As diferenças de consumo entre géneros são maiores na Finlândia, Alemanha e Itália.

Ainda assim, os europeus estão a comer cada vez mais legumes. Nos últimos 14 anos, o consumo médio diário aumentou, entre rapazes e raparigas. O maior aumento, acima dos 10%, foi registado na Dinamarca e na Estónia, em ambos os sexos. Lituânia (rapazes e raparigas), Áustria (raparigas) e Irlanda (rapazes) registaram aumentos na ordem dos 8 a 10%. Já o consumo de fruta registou um aumento de 2001 a 2009, mas começou a diminuir a partir de 2010 entre as raparigas. O consumo aumentou em mais de 10% na Áustria, Dinamarca, Estónia, Grécia, Hungria e Malta, também na Espanha e na Suécia (só entre as raparigas), mas diminuiu na Alemanha e na Polónia.

Face a estes números, a OCDE recomenda aos países que desenvolvam estratégias eficazes para assegurar que o consumo de frutas e vegetais, nas crianças e nos jovens, esteja conforme as diretivas mundiais na área da alimentação. O relatório destaca a atuação realizada no âmbito do programa europeu de consumo de fruta e vegetais na escola. No ano letivo de 2009/2010 o programa foi introduzido em 24 países da União Europeia. Os resultados permitem olhar o futuro com otimismo. “As intervenções ao nível da alimentação nas escolas têm um efeito forte e positivo no consumo de frutas e vegetais entre as crianças”, concluem os autores do relatório.

 

Tablet deve ficar fora da mesa para evitar obesidade, dizem pediatras

Dezembro 22, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do http://lifestyle.publico.pt/ de 16 de dezembro de 2016.

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Lusa

Pediatras aconselham refeições em família sem qualquer dispositivo móvel.

Os pediatras defenderam esta sexta-feira a realização de refeições em família e sem qualquer dispositivo móvel como forma de evitar a obesidade, pois sem tecnologias a criança come devagar e percebe quando está saciada.

No âmbito da 23.ª edição das Jornadas de Pediatria de Leiria e Caldas da Rainha, organizado pelo Centro Hospitalar de Leiria, a pediatra do Centro Hospitalar Lisboa Central, Júlia Galhardo, afirmou que os “tablet, iPhone e demais ‘is’ não podem estar na mesa”.

“Se a criança estiver distraída não vai sinalizar que já está saciada e vai continuar a comer. As refeições devem ser feitas em família e devagar. Conversando sobre como correu o dia come-se mais devagar e o organismo tem tempo para fazer a sinalização [saciedade]”.

Júlia Galhardo criticou ainda a forma como as refeições decorrem nas escolas, onde são feitas a correr. “Quem comer a sopa primeiro é que ganha. Está errado. Quem come a sopa devagar, é que deve ser premiado”.

A mesma opinião tem a pediatra do Hospital da CUF, no Porto, Carla Rêgo, que considerou ainda as creches o “lugar mais catastrófico” na questão da alimentação. Esta pediatra recomenda ainda a proibição do uso do biberão a partir dos 12 meses, pois “permite a ingestão sem controlo de volumes brutais de leite”, assim como o “leitinho noturno”, onde vão ser ingeridas proteínas “sem serem gastas”.

A ingestão frequente de água, fazer cinco a seis refeições diárias, com poucas porções, comer devagar e não repetir são outros conselhos deixados. “Deve-se estimular a variedade e evitar proteínas e hidratos de carbono ao jantar. A partir da adolescência, o jantar pode ser apenas água, sopa e fruta”.

Júlia Galhardo considerou que os sabores são outro aspecto que pode influenciar o excesso de peso, pelo que recomendou que o bebé comece a ingerir primeiro a sopa e só mais tarde a papa. “Se comer primeiro a papa, que é mais doce, vai ter mais dificuldade em introduzir o [sabor] amargo”.

Outra sugestão deixada por esta pediatra é recorrer a actividades do dia-a-dia para “pôr as crianças a mexerem-se”. Por exemplo, “participar na limpeza da casa, ouvindo música e dançando ao mesmo tempo ou brincando com um animal de estimação”. Defendendo que “não é preciso ser fundamentalista” nas regras, Carla Rêgo considerou que a preocupação “não deve ser apenas com o fast food“, pois “as bolachas, as barritas e outros alimentos processados têm muito açúcar e gordura”.

A prevalência nacional da obesidade em idade pediátrica em Portugal é de 31,4%, revelou ainda Carla Rêgo, adiantando que o “valor mais elevado verifica-se no Norte”.

 

 

20º Congresso Português de Obesidade – 18 a 20 novembro no Porto

Novembro 14, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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informações no link:

http://www.speo-obesidade.pt/CDA/CONinformacao.aspx

Jovem investigadora vence prémio com trabalho sobre obesidade infantil

Outubro 10, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://p3.publico.pt/ de 22 de setembro de 2016.

John Vizcaino/Reuters

John Vizcaino/Reuters

Liane Costa recebeu 20.000 euros com um estudo sobre o impacto da obesidade na saúde de crianças em idade escolar. Em Portugal, 33,3% das crianças entre os dois e os 12 anos têm excesso de peso

Texto de Lusa

A investigadora Liane Costa, que este ano terminou o internato de formação específica em Pediatria, no Hospital de São João, no Porto, venceu o Prémio Banco Carregosa/SRNOM, no valor de 20.000 euros, com um trabalho na área da obesidade infantil.

Segundo a investigadora, o trabalho, denominado “Childhood Obesity – Related Inflammation and Vascular Injury Impact on the Kidney”, contribuiu “substancialmente para a compreensão do impacto da obesidade no rim e na vasculatura de crianças em idade escolar”.

Liane Costa explicou que “a maioria dos mecanismos envolvidos na associação entre obesidade, disfunção vascular e lesão renal são ainda largamente desconhecidos e têm sido muito pouco explorados em idade pediátrica”. Assim, “foi nosso objectivo contribuir para um melhor conhecimento destes mecanismos, através do estudo de uma amostra de crianças pré-púberes saudáveis, provenientes de uma coorte de nascimentos portuguesa (Geração XXI)”, acrescentou. No seu trabalho, a investigadora observou que “o consumo de álcool durante a gravidez e a obesidade materna contribuíram para o impacto da obesidade na função renal das crianças”, o que, em seu entender, “reforça a necessidade de estratégias preventivas em relação à obesidade, ainda antes do nascimento”.

“Propusemos uma nova forma de ajuste da função renal ao tamanho corporal, o que constitui um resultado com importantes implicações na investigação e prática clínica”, explicou. Para a jovem médica, de 32 anos, este prémio é “uma motivação suplementar para conjugar as duas vertentes — clínica assistencial e de investigação”.

“Espero que seja um bom exemplo, sobretudo, para os colegas mais novos que, de facto, é possível fazer clínica, sermos internos da especialidade e, ao mesmo tempo, fazermos investigação. Espero que sirva como motivação extra, sobretudo para os meus colegas mais novos”, sublinhou. Liane Costa pretende continuar com a sua formação, na área da nefrologia pediátrica, mantendo, em simultâneo, a investigação.

“Irei tentar aplicar este prémio na prossecução de objectivos nesta linha de investigação em que estou agora envolvida”, acrescentou. Segundo o estudo 2013-2014 da Associação Portuguesa contra a Obesidade Infantil (APCOI), que contou com 18.374 crianças (uma das maiores amostras neste tipo de investigação), 33,3% das crianças entre os dois e os 12 anos têm excesso de peso, das quais 16,8% são obesas. De acordo com a Comissão Europeia, Portugal está entre os países da Europa com maior número de crianças afectadas por esta epidemia.

O Prémio Banco Carregosa/ Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos tem um valor total de 25.000 euros — 20.000 euros para o projecto classificado em 1.º lugar e 5.000 euros a dividir por duas menções honrosas, e será entregue esta quinta-feira, 22 de Setembro, no Porto. A coordenação científica está a cargo de Sobrinho Simões.

 

 

 

O mundo está a falhar na redução da obesidade infantil e consumo de álcool

Setembro 22, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 22 de setembro de 2016.

Mais informações na notícia do IHME:

Nations face challenges with overweight children and adult drinking, however many countries see progress in reducing maternal and child deaths

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Andrea Cunha Freitas

Estudo Global Burden of Disease 2015 avaliou em 188 países o cumprimento das medidas na saúde que constam nos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável. Portugal não está mal mas precisa de reduzir os casos de VIH/Sida e atacar a obesidade infantil.

Os principais desafios dos países que querem cumprir os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) em 2030 estão na redução do excesso de peso e obesidade infantil e do consumo de álcool pelos adultos. Esta é uma das principais conclusões do estudo, publicado ontem na revista The Lancet, que avaliou o desempenho de 188 países em 33 indicadores relacionados com a saúde. Portugal não está mal na fotografia, ocupando o destacado 22.º lugar; porém, os autores do relatório não escondem a preocupação com a incidência de novos casos de infecção pelo VIH, que continua a ser das mais elevadas da Europa.

Em traços gerais, a cobertura e acesso aos cuidados de saúde e planeamento familiar aumentou, a mortalidade infantil registada em menores de cinco anos diminuiu e a mortalidade materna também. Ainda assim, o progresso nos 188 países é desigual. “A proporção de países que cumpriram objectivos concretos varia imenso. Mais de 60% dos 188 países estudados apresenta taxas de mortalidade infantil abaixo das 70 mortes por 100 mil nascimentos, atingindo a meta dos ODS, definidos em Setembro de 2015 pelas Nações Unidas. Em contraste, nenhuma nação conseguiu alcançar o objectivo de reduzir o excesso de peso infantil, ou eliminar totalmente doenças infecciosas como o VIH e a tuberculose”, assinala o comunicado de imprensa sobre o estudo.

No trabalho, incluído no projecto Global Burden of Disease 2015, que contou com a colaboração de investigadores dos vários países, o cumprimento das metas dos ODS na área da saúde foi avaliado de forma geral num índice. Os 188 países foram classificados (de 0 a 100) para mostrar os que estão mais perto de cumprir os objectivos. Assim, a Islândia surge no topo da tabela com um resultado de 85 e no final do ranking está a República Centro-Africana, com 20. Os EUA conseguiram uma pontuação de 75 no índice ODS, logo atrás da Eslovénia, Grécia e Japão, todos com 76. E Portugal? Surpresa: “Portugal ocupa um destacado 22.º lugar entre os 188 países (ou territórios) incluídos no estudo, com um índice ODS relacionado com a saúde de 78”, confirma José das Neves, investigador do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (I3S, no Porto) que colaborou neste estudo reunindo e tratando os dados nacionais. Para melhor avaliar o progresso, o investigador lembra o desempenho que Portugal teve há 15 anos: em 2000, ocupávamos o 31.º lugar, com um índice ODS de 68.

indiceods

“Portugal está no pelotão da frente no que diz respeito ao cumprimento dos indicadores de saúde dos ODS e, claramente, numa posição superior àquela que seria de esperar para um país com o nosso índice de desenvolvimento sócio-demográfico”, resume José das Neves.

Apesar dos bons resultados gerais e destacando-se pela positiva em indicadores relacionados com a saúde infantil, supressão de défices nutricionais ou cobertura universal dos cuidados de saúde, Portugal enfrenta alguns desafios. “Os casos mais preocupantes são aqueles do VIH

Sida (índice SDG=37) e do excesso de peso/obesidade infantil (índice SDG=40). Estas duas áreas necessitam, claramente, de um maior investimento, sobretudo no que se refere à prevenção”, considera o investigador, que também participou na elaboração do relatório do grupo especificamente sobre o VIH no mundo desde 1980 até 2015, que foi divulgado no final do mês de Julho. Assim, na opinião de José das Neves, os resultados mostram “de forma inequívoca a evolução do nosso país” nestes indicadores durante os últimos anos, mas também provam que há ainda “importantes esforços a ser desenvolvidos, nomeadamente na área da prevenção”.

Regressando ao cenário mundial, o estudo nota que entre 2000 e 2015 o progresso registado em todos os países e indicadores avaliados foi na ordem dos 7,9 pontos do índice. As áreas que mais evoluíram dizem respeito à mortalidade infantil antes dos cinco anos, contracepção e cobertura universal dos cuidados de saúde. De resto, nota o estudo, registaram-se melhorias “moderadas” no campo das infecções VIH e incidência da tuberculose, alterações “minimais” na hepatite B e o excesso de peso infantil “piorou consideravelmente” nos países mais desenvolvidos.

Há alguns resultados que se destacam, como, por exemplo, a evolução no Quénia no acesso a cuidados de saúde essenciais, que passou de 32% da população em 2000 para 70% em 2015. No Brasil, outro exemplo, morriam cerca de 31 crianças com menos de cinco anos por mil nascimentos em 2000 e passados 15 anos o número baixou para 17 crianças.

A conclusão dos peritos é fácil de adivinhar: para que o mundo consiga atingir as ambiciosas metas definidas nos ODS em 2030, é preciso manter os ganhos obtidos e, em alguns casos, tomar medidas para acelerar os progressos e, por outro lado, mobilizar recursos adicionais para reparar e reverter os maus resultados em alguns indicadores. “Temos exemplos concretos de países que estão a progredir de forma significativa em vários indicadores dos ODS relacionados com a saúde”, refere Stephen Lim, professor de Saúde Global no Instituto para a Métrica e Avaliação da Saúde (IHME, na sigla em inglês), da Universidade de Washington (EUA) e principal autor do estudo. No comunicado de imprensa, o especialista adianta ainda que “agora precisamos de olhar para os países que registaram um forte progresso e perceber o que estão a fazer bem e como podemos aplicar isso noutros territórios”.

 

 

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