“O que está em causa não são motivações éticas, mas sim de saúde publica” – Vacinação

Agosto 17, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.educare.pt/ de 3 de agosto de 2017.

Pais estão informados dos riscos da não vacinação e defendem que nas escolas todos os alunos tenham pelo menos as vacinas do Programa Nacional de Vacinação.

Andreia Lobo

Nenhum dos seus irmãos foi vacinado em criança. E a mãe continua a não acreditar nas vantagens da vacinação. Hoje, aos 38 anos e pai de uma criança de dois anos, não passaria pela cabeça de Luís, nome fictício, seguir o exemplo da progenitora. “A minha realidade, em criança, era diferente. Estava em casa com a minha mãe. A minha filha foi para o berçário com menos de um ano. E é claro que o sistema imunológico nestas idades é demasiado frágil para estar em contacto com outras crianças.”

O boletim de saúde da criança está atualizado com o registo da aplicação de todas as vacinas do Programa Nacional de Vacinação (PNV) contra a tuberculose, a hepatite B, a difteria, o tétano, a tosse convulsa, as doenças causadas por Haemophilus influenzae, a poliomielite, a meningite C, o sarampo, a papeira e a rubéola. “Mesmo que a minha filha ficasse em casa, muito provavelmente, não corria o risco de não vacinar”, acrescenta Luís.

Ricardo Costa acompanhou, com interesse de pai, as notícias que foram surgindo na Internet e nos jornais sobre “a polémica da vacinação”. A morte de uma adolescente, devido a uma complicação causada pelo sarampo, extremou posições sobre como sensibilizar os pais a cumprir o PNV. Uma proposta do CDS-PP, rejeitada pelo Parlamento em maio, recomendava que fosse ponderada a possibilidade de impedir as matrículas – ou a sua renovação – aos alunos que não tivessem a vacinação recomendada no Programa Nacional de Vacinação.

O filho de Ricardo Costa, tem 6 anos e frequenta a primeira classe. Como acontece todas as crianças que entram para o 1.º ciclo, na hora da matrícula foi pedido aos encarregados de educação que apresentassem o registo de vacinas. Trata-se de um livrinho amarelo – que faz parte do boletim de saúde – onde os profissionais de enfermagem registam a vacinação. Para isso, colam a etiqueta da embalagem que identifica o lote e a composição da vacina dada. Ou, em alternativa, colocam carimbo do Ministério da Saúde ou da Unidade de Saúde familiar, onde a vacina foi administrada, e a respetiva data.

No boletim de saúde da criança constam todas as vacinas obrigatórias. Para Ricardo Costa, não poderia ser de outra forma. Conhece as razões que levam pais e mães que não querem vacinar os filhos, mas acredita que “os movimentos antivacinas só vêm confundir a opinião pública”. O cirurgião pediatra, João Moreira Pinto concorda, lembrando que, “infelizmente” um grande mito continua a alimentar muita da descrença na vacinação.

Trata-se de um estudo conduzido em 1998 pelo médico britânico Andrew Wakefield, publicado na revista científica Lancet, e que associava a administração da vacina do sarampo a alguns casos de autismo. Mais tarde, em 2004, a credibilidade do estudo caía por completo, depois de ter sido descoberto que o investigador tinha falsificado os dados clínicos a troco de dinheiro dos advogados dos pais das crianças autistas que queriam processar as empresas produtoras das vacinas.

Entretanto, explica João Moreira Pinto, “o artigo supostamente científico onde constavam essas falsidades foi retirado de publicação. E, agora, o caso é uma vergonha para a comunidade científica”. O episódio deixou, no entanto, graves consequências. Em 2008, pela primeira vez em 14 anos, o sarampo voltava a ser frequente no Reino Unido: 461 casos registados em Inglaterra e no País de Gales, 68 na Escócia, segundo dados do Centro de Prevenção e Controlo de Doenças Europeu.

Em Portugal, até maio deste ano, a Direção-Geral de Saúde (DGS) tinha registado 28 casos confirmados de sarampo e 134 notificações em território nacional. Como pai, Ricardo Costa tem uma visão prática sobre a importância da vacinação. “O que está em causa não são motivações éticas, mas sim de saúde publica.” Se dependesse de Cristina Cruz, mãe de um menino de 12 anos, a proposta dos centristas teria sido aprovada e os alunos não se poderiam matricular sem a vacinação em dia. Bárbara Pinto, mãe de uma menina de 12 anos, não iria tão longe. “Penso que as escolas poderiam comunicar às autoridades competentes os casos das crianças que não estão devidamente vacinadas.

João Moreira Pinto também teria votado a favor de uma proposta que responsabilizasse mais os pais na proteção das crianças. “Ao matricular a criança na escola os pais estão a aceitar que ela pertença a uma comunidade que tem as suas regras e estas passam por uma segurança para o próprio e os outros”, argumenta.

O cirurgião pediatra lembra que as crianças não vacinadas – sendo ainda em número muito menor em relação às que o são – beneficiam da “imunidade coletiva”. Ou seja, não adoecem pelo facto de a maioria dos colegas serem vacinados. O aumento de não vacinados afetará este equilíbrio. Pior, diz o médico, uma criança não vacinada “pode estar a colocar em perigo também crianças já vacinadas”. Como? “A taxa de eficiência de uma vacina nunca é de 100%. Pode haver uma criança vacinada que não ficou completamente imune e, portanto, se outros não estiverem vacinados e o vírus andar a circular, pode de facto ficar infetada.”

Muitas das dúvidas dos pais sobre o Programa Nacional de Vacinação encontram resposta na página eletrónica da DGS [https://www.dgs.pt/pns-e-programas/programas-de-saude/vacinacao.aspx]. Nos projetos de resolução aprovados em maio consta a realização de uma campanha nacional de sensibilização para a importância das vacinas na redução da mortalidade e controlo e erradicação de doenças.

A pensar nos riscos da vivência escolar, Cristina Cruz defende que a escola esteja atenta aos alunos que não têm a vacinação mínima. “É uma forma de proteger os nossos filhos e a sociedade em geral”, argumenta. No boletim de vacinas do filho constam as vacinas do PNV e mais as que não são obrigatórias. “Existem muitas vacinas não comparticipadas e eu investi nelas, por saber que são importantes”, refere Cristina, lembrando que quando se trata de ponderar a administração de vacinas “polémicas” recorre ao aconselhamento médico. “Quando houve o surto de hepatite A, o pediatra do meu filho não achou fundamental vaciná-lo e eu não vacinei.”

 

 

Mais de 20% das escolas vão poder escolher como ensinar os alunos

Agosto 10, 2017 às 7:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 10 de agosto de 2017.

Experiência só abrange os anos iniciais de cada ciclo de escolaridade Jornal Publico

 

Projecto-piloto arranca em Setembro e abrange 171 escolas públicas 61 privadas e quatro das sete escolas portuguesas no estrangeiro.

Clara Viana

O segredo foi finalmente desvendado. No próximo ano lectivo serão 230 as escolas que irão testar as mudanças propostas pelo Ministério da Educação (ME) no âmbito do projecto-piloto da flexibilidade curricular, segundo revelou a tutela ao PÚBLICO. Deste total, 171 são escolas públicas o que corresponde a 21,1% da rede de oferta existente, que é constituída por 713 agrupamentos e 95 escolas não agrupadas.

No projecto estarão ainda envolvidas 61 escolas privadas e quatro das sete escolas portuguesas no estrangeiro. Segundo o ME, a lista com os nomes dos estabelecimentos de ensino envolvidos deverá “ser publicada nos próximos dias” no site da Direcção-Geral de Educação.

O novo modelo só será aplicado no primeiro ano de cada ciclo de escolaridade (1.º, 5.º, 7.º e 10.º). Às escolas foi deixada a decisão de fixar quantas turmas destes anos irão participar na experiência, o que por esta altura já deverá ser conhecido uma vez que as listas com a constituição de turmas foram afixadas no dia 28 de Julho, indicou o presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas, Filinto Lima.

O agrupamento de que é director (Dr. Costa Matos, em Vila Nova de Gaia) é um dos que integra o projecto-piloto. Tem cinco escolas e há 8 turmas que foram seleccionadas para o efeito: cinco do 1.º ano, uma do 5.º e duas do 7.º. No caso destes últimos dois anos, as turmas foram seleccionadas “com base no que foi a percepção do trabalho desenvolvido no ano anterior ou seja, tendo em conta as características dos alunos e os hábitos de trabalho dos alunos que lhes foram incutidos pelos seus professores”, esclareceu Filinto Lima, adiantando que reuniu antes com os pais das crianças.

O presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais, Jorge Ascenção, mostrou-se “apreensivo” pelo facto de nem o ministério nem as escolas estarem a informar os encarregados de educação sobre quem será abrangido por estas mudanças. “Os pais têm o direito de saber o que vai acontecer no próximo ano lectivo e isso não está a acontecer.”

As escolas que vão inaugurar a experiência de flexibilidade curricular têm apenas uma obrigação: a integração na matriz curricular de duas novas áreas. São elas Cidadania e Desenvolvimento e Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). É o que se encontra estipulado no despacho que regulamenta o novo modelo, que foi publicado no início de Julho.

Mas, se assim o entenderem, vão ter também 25% do tempo de aulas para tentar levar por diante novas formas de ensinar. O que passará pela constituição de novas disciplinas, mas também por várias outras soluções já apresentadas pelo Ministério da Educação. Uma possibilidade: a fusão de disciplinas em áreas disciplinares, em que dois ou mais professores “trabalham em equipa” na preparação das aulas, que podem ser dadas à vez por cada um ou em conjunto. Por exemplo: em vez de trabalhar de forma separada as disciplinas de Físico-Química e Ciências Naturais, a escola pode juntá-las com a carga horária equivalente à soma das duas.

Pode-se optar também pela alternância entre tempos de estudos tradicionais e semanas em que toda a escola trabalha em conjunto, numa perspectiva multidisciplinar, um só tema. Por exemplo, “a Europa” ou “a crise dos refugiados”. Esta é uma experiência que está a ser seguida na Finlândia.

As escolas podem ainda optar por transformar disciplinas anuais em semestrais e os alunos do 10.º ano terão a possibilidade de trocar uma disciplina do seu curso por outra de um curso diferente.

O ME tem garantido que a nova experiência não implicará uma revisão curricular e que os actuais programas se manterão em vigor, mas os alunos abrangidos pela flexibilidade curricular terão novos documentos de referência, que se intitulam aprendizagens essenciais, e que irão, na prática, substituir as metas curriculares elaboradas durante o mandato de Nuno Crato.

 

 

 

Aprovados mais de sete milhões de euros para integrar 200 psicólogos nas escolas

Julho 27, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 12 de julho de 2017.

A integração de psicólogos nas escolas tem como objectivo apoiar o desenvolvimento psicológico dos alunos e prevenir o abandono escolar.

Lusa

Mais de sete milhões de euros foram aprovados no âmbito do Programa Operacional de Capital Humano (POCH) para financiar a integração de 200 psicólogos nas escolas, mais de metade para a região Norte.

Segundo a informação disponível no site do POCH, foram aprovados quatro milhões de euros de despesa total para a integração, até ao final de 2018, de 108 psicólogos em escolas da região Norte, 1,9 milhões para integrar 52 psicólogos em escolas da região Centro e 1,5 milhões para 40 novos profissionais para o Alentejo.

“A integração de 200 novos psicólogos em escolas públicas visa apoiar o desenvolvimento psicológico dos alunos, a melhoria da sua orientação escolar e profissional, bem como o apoio psicopedagógico às actividades educativas e ao sistema de relações da comunidade escolar”, explicam os técnicos do POCH.

O objectivo central do reforço da rede de psicólogos é a prevenção do abandono escolar precoce e do absentismo, através do diagnóstico das dificuldades que afectam a aprendizagem, de modo a agir atempadamente, identificando e analisando as causas do insucesso escolar e propondo medidas para o reduzir.

A falta de psicólogos nas escolas portuguesas tem sido reiterada, tanto pela comunidade educativa como pela Ordem dos Psicólogos, que em Abril estimou que seriam necessários 500 profissionais nos estabelecimentos de ensino.

Na altura, o bastonário da Ordem dos Psicólogos revelou que estava já prevista a contratação de 200 profissionais no âmbito do POCH, sublinhando que com estas integrações o rácio nas escolas passaria dos actuais 1/1700 para um psicólogo para cada 1100 alunos.

 

 

 

Crianças continuam com níveis baixos de iodo um ano após alerta

Julho 4, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.jn.pt/ de 31 de maio de 2017.

Iodo pode ser obtido através de alimentos de origem marinha, mas também está presente nos ovos, fígado e leite

A investigadora e líder do projeto “IoGeneration” que há um ano revelou que um terço das crianças portuguesas apresentava níveis insuficientes de iodo, podendo assim comprometer o seu desenvolvimento cognitivo, lamenta que nada tenha sido feito desde então.

“Um ano depois de o alerta ter sido dado, pouco ou nada se avançou em termos de políticas de saúde”, afirmou a investigadora do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (Cintesis).

Desenvolvido entre o final de 2015 e abril de 2016, o projeto “IoGeneration” permitiu analisar mais de 2000 crianças portuguesas, de 83 escolas do Norte de Portugal. Os resultados preliminares revelaram-se tão preocupantes que a equipa de investigação deu o alerta logo em março de 2016.

“Ficámos alarmados após analisarmos os dados preliminares, que já indicavam que mais de um terço das crianças teria níveis deficientes de iodo. Sabendo que a falta deste nutriente pode comprometer o coeficiente de inteligência (QI) em 15 pontos, sentimos a obrigação de alertar os decisores políticos e a sociedade o quanto antes”, explicou Conceição Calhau, que atualmente é também professora da Nova Medical School, em Lisboa.

Os resultados finais, publicados agora na revista científica internacional “Nutrients”, atestam que a equipa de investigação liderada pela especialista em Nutrição, do Cintesis, não se precipitou quando decidiu dar o alerta.

“Os dados finais mostram que 29% dos rapazes e 34% das raparigas entre os 6 e os 12 anos sofrem de carência de iodo”, sustentou Conceição Calhau.

Quando compararam as crianças por faixa etária, os investigadores concluíram que os mais pequenos (com 5 ou 6 anos) estão mais protegidos, sendo que “apenas 20% apresentava níveis baixos de iodo. Mas entre as crianças mais velhas (entre os 11 e os 12 anos), 39% têm os níveis de iodo comprometidos”.

Os pais das crianças avaliadas pela equipa de investigação foram também envolvidos no estudo, sendo que 68% confessou não saber o que era o sal iodado. Além disso, as 83 escolas que integraram o estudo não estavam a usar sal iodado, apesar da indicação, publicada em 2013, da Direção-Geral de Educação nesse sentido.

O iodo pode ser obtido através de alimentos de origem marinha, mas também está presente nos ovos, fígado e leite. Neste trabalho, ficou provado que as crianças que bebem dois ou mais copos de leite por dia se encontram mais protegidas contra o défice de iodo, por comparação às que consomem apenas um copo ou nenhum.

Ou seja, “existem outras formas de assegurar um aporte saudável de iodo, através da alimentação, mas em termos de saúde pública, a medida mais eficiente seria legislar no sentido de universalizar a iodização do sal”, sublinhou a investigadora.

Foi aliás neste sentido que deliberou um conjunto de representantes de entidades como a Direção-geral da Saúde e da Educação, da Ordem dos Nutricionistas, do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica e até de representantes do setor da restauração e da indústria, reunidos por iniciativa dos investigadores do Cintesis, já a 30 de março de 2016.

Na declaração de consenso que daí resultou e que foi apresentada pela equipa de investigação em dezembro do ano passado durante uma audição com a Comissão Parlamentar para a Saúde, pode ler-se que “é consensual a necessidade de implementação da utilização universal e obrigatória, através de legislação apropriada, de sal iodado em Portugal, devidamente compatibilizada com as medidas e recomendações de redução do consumo de sal”.

A necessidade diária de iodo situa-se entre as 90 a 150 microgramas, em função da idade da criança. Este micronutriente serve para manter em equilíbrio os processos metabólicos do crescimento e desenvolvimento do cérebro e do sistema nervoso, desde a 15.ª semana de gestação do bebé.

 

 

Alunos vão ter de dizer no início do ano se querem alimentação vegetariana

Junho 12, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 31 de maio de 2017.

A medida tornou-se obrigatória por iniciativa do partido PAN e abrange todas as cantinas públicas e refeitórios do Estado.

PÚBLICO e Lusa

Os alunos que pretendam refeições vegetarianas devem informar a escola no início do ano lectivo, disse à Lusa fonte do Ministério da Educação, na véspera de entrar em vigor a legislação que impõe esta oferta nas cantinas públicas.

De acordo com a mesma fonte, o procedimento contratual de prestação de serviço com as empresas que fornecem os refeitórios escolares, para o próximo ano lectivo, já incluirá a disponibilização de refeições vegetarianas a quem as solicitar no início do ano. “Teremos de aguardar o arranque do ano lectivo para perceber a procura que estas refeições terão entre os alunos”, acrescentou a fonte.

A medida tornou-se obrigatória por iniciativa do partido PAN e abrange todas as cantinas públicas e refeitórios do Estado. O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, promulgou em Março o diploma do Parlamento que obriga a esta mudança.

Para o presidente da Associação Nacional dos Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), Filinto Lima, trata-se de uma boa medida: “Tudo o que é saudável, a escola deve apoiar”. Acredita, porém, que a procura deve ser “muito residual”, pelo menos no início, uma vez que não é comum haver pedidos para alimentação vegetariana nas escolas. “No agrupamento que dirijo [Vila Nova de Gaia], com mais de 2000 alunos, nunca tive nenhum pedido”, exemplificou.

As escolas, especialmente as que servem refeições confeccionadas no local, estão neste momento a preparar-se para servir os alunos que escolherem esta opção. “Estou a dar formação à minha cozinheira, temos seis meses para nos adaptar”, referiu, acrescentando que, nos casos em que as refeições são concessionadas a empresas, a opção vegetariana tem de constar nos cadernos de encargos.

Nutricionistas com reservas

A bastonária da Ordem dos Nutricionistas tem, contudo, reservas em relação à aplicação da obrigatoriedade desta opção nas ementas das cantinas e refeitórios públicos, por não estar expresso que são estes profissionais a orientar a sua elaboração. “Reconheço os benefícios da medida, mas não posso esconder uma nota de preocupação em relação à forma como a medida vai ser aplicada”, disse Alexandra Bento.

“Os únicos técnicos responsáveis e com capacidade de garantir o equilíbrio nutricional são os nutricionistas, mas isso não ficou expresso na lei, apesar de termos chamado a atenção para este facto quando fomos ouvidos na Assembleia da República aquando da preparação da legislação”, disse, defendendo também que “obter uma opção vegetariana equilibrada não é fácil”.

O Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS) elaborou um conjunto de orientações técnicas para a produção e implementação de refeições vegetarianas, nomeadamente um manual com linhas orientadoras para a adopção de um padrão alimentar vegetariano, tendo por base o melhor conhecimento científico disponível e utilizando produtos vegetais de origem nacional, sazonais e enquadrados na tradição culinária portuguesa.

Foi igualmente elaborado, e está disponível no site da Direcção-Geral da Saúde (DGS), um manual para quem trabalha no sector da educação escolar e à população em geral, além de receitas vegetarianas que podem ser consultadas no blogue do PNPAS. A bastonária considera esta iniciativa positiva e classifica-a de “instrumentos importantes”, mas acha que não é com a produção destes documentos que se garante a responsabilização de quem não assegura o equilíbrio nutricional de uma dieta vegetariana. Já o director do PNPAS, Pedro Graça, sublinha que esta iniciativa é uma ajuda na implementação da medida nas cantinas.

Na base deste diploma estiveram iniciativas legislativas do PAN, do Bloco de Esquerda e do Partido Ecologista “Os Verdes”. Segundo o deputado do PAN, André Silva, muitas crianças e jovens eram discriminados nas escolas pelos colegas por comerem comida diferente que levavam de casa.

O projecto de lei a defender a inclusão de um menu vegetariano nas cantinas e refeitórios das escolas, universidades, prisões e hospitais públicos foi apresentado há um ano pelo PAN, tendo sido seguido por propostas do Bloco de Esquerda (BE) e do Partido Ecologista os Verdes (PEV). O diploma foi publicado em Diário da República em Abril para entrar em vigor em Junho.

 

 

 

 

ILGA lança projeto para combater ‘bullying’ homofóbico e transfóbico nas escolas

Junho 9, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.noticiasmagazine.pt/ de 6 de junho de 2017.

A Associação ILGA Portugal lançou hoje um projeto para combater o «bullying» homofóbico e transfóbico, dirigido a estudantes de escolas da região norte, uma iniciativa que pretende alargar a todo o país.

Texto de Lusa | Fotografia de Reuters

Aliança Da Diversidade (ADD) é o nome do projeto de «promoção da cidadania ativa de jovens em contexto escolar na região norte do país», que irá também disponibilizar um atendimento e acompanhamento psicossocial semanal a jovens LGBTI, adianta a associação em comunicado.

Segundo dados da Agência para os Direitos Fundamentais da União Europeia, 94% dos jovens LGBT ouvem ou testemunham comentários e comportamentos negativos em contexto escolar em Portugal.

«As vítimas de crimes de ódio e de discriminação em função da orientação sexual e da identidade de género são bastante jovens. A violência é muitas vezes exercida por colegas e por familiares e raramente é denunciada», referem os dados citados pela ILGA Portugal – Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual, Trans e Intersexo.

«Jovens LGBTI reportam mais episódios de bullying e discriminação, correndo maior risco de exclusão. Promover a solidariedade entre pares é a melhor forma de prevenir a violência e a discriminação», Telmo Fernandes.

«Jovens LGBTI reportam mais episódios de bullying e discriminação, correndo maior risco de exclusão. Tal como demonstrado de forma exemplar no episódio recente ocorrido na Escola Secundária de Vagos, em Aveiro, promover a solidariedade entre pares e a visibilidade neste âmbito é a melhor forma de prevenir a violência e a discriminação», afirma o coordenador do projeto, Telmo Fernandes.

O projeto ADD, apoiado pelo programa Portugal 2020, pretende fornecer recursos e ferramentas para que os possam «organizar grupos, idealmente com a colaboração de professores/as ou outros elementos significativos da comunidade escolar», adianta a ILGA. O objetivo é que estes grupos se constituam como «dinamizadores de atividades regulares de visibilidade positiva da diversidade em função da orientação sexual, da identidade e expressão de género em contexto escolar, e como polos ativos de prevenção da discriminação dentro das escolas», acrescenta.

A ILGA lança hoje um «Estudo Nacional sobre o Ambiente Escolar», dirigido a jovens LGBTI com mais de 14 anos e que estejam a frequentar o ensino regular ou profissional.

A diretora executiva da ILGA Portugal, Marta Ramos, adianta que este projeto vem no seguimento das «inúmeras iniciativas e recursos educativos» que a associação tem vindo a desenvolver com vista «ao combate ao bullying homofóbico e transfóbico». «Este projeto surge para aprofundar este trabalho e o objetivo é que possa vir a ser alargado a todo o país», avança Marta Ramos, salientando que a ILGA marcará hoje presença na manifestação Escola Sem Homofobia, em Lisboa, para «reforçar a importância destas ações».

A ILGA lança também hoje um «Estudo Nacional sobre o Ambiente Escolar», dirigido a jovens LGBTI com mais de 14 anos e que estejam a frequentar o ensino regular ou profissional. O estudo visa «aprofundar o conhecimento acerca das experiências de jovens LGBTI em contexto educativo, que em boa medida permanecem ‘invisibilizadas’ pelas práticas, currículos, manuais e regulamentos escolares, e cujas vivências de discriminação são em grande medida silenciadas e permanecem por denunciar», adianta.

O questionário, confidencial e anónimo, pode ser acedido em enea.ilga-portugal.pt. Os resultados serão divulgados no final do ano e pretendem contribuir para a «implementação de políticas educativas inclusivas mais eficazes».

O estudo tem o apoio técnico da organização norte-americana GLSEN e conta com a colaboração do Centro de Psicologia da Universidade do Porto e do Centro de Investigação e Intervenção Social do ISCTE-IUL.

 

 

Diretores das escolas vão punir quem não devolver manuais

Maio 28, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 24 de maio de 2017.

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Escolas devem comunicar a delegados de saúde alunos sem vacinas em dia

Maio 11, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://observador.pt/de 29 de abril de 2017.

As escolas devem comunicar aos delegados de saúde os casos de alunos que não têm as vacinas em dia, determina um despacho do Governo. Objetivo é promover aconselhamento.

Os estabelecimentos de educação pré-escolar, do básico e do secundário devem comunicar aos delegados de saúde coordenadores do respetivo agrupamento de centros de saúde da área de cada escola “os alunos que não se encontrem com a vacinação recomendada atualizada”, determina um despacho do Governo.

O diploma, publicado sexta-feira em Diário da República, indica que é necessário “reforçar os mecanismos de articulação dos estabelecimentos escolares com as autoridades de saúde” no que à vacinação diz respeito.

O objetivo de as escolas transmitirem esta informação aos delegados de saúde é, segundo o despacho, “promover o aconselhamento e esclarecimento adequados”, bem como sensibilizar as famílias para os benefícios da vacinação.

As vacinas do Programa Nacional de Vacinação (PNV), que são gratuitas, não são obrigatórias, mas geralmente as escolas, públicas e privadas, pedem o boletim vacinal dos alunos no ato da matrícula ou da inscrição.

A importância de se cumprir o esquema vacinal segundo o PNV tem sido evidenciada pelas autoridades de saúde no atual surto de sarampo em Portugal, que até ao momento já afetou 25 pessoas e levou à morte de uma jovem de 17 anos.

A vacinação é o meio de prevenção mais eficaz contra o sarampo, uma doença altamente contagiosa e que, ainda que geralmente tenha evolução benigna, pode gerar complicações graves e até levar à morte.

 

 

 

“Os filhos fechados em casa não estão mais seguros” Entrevista de Manuel Coutinho do IAC ao JN

Maio 5, 2017 às 4:50 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do  Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança) ao Jornal de Notícias de 30 de abril de 2017.

 

As casas de banho escolares – falar disto agora para resolver até setembro…

Abril 26, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Mário cordeiro publicado no https://ionline.sapo.pt/ de 11 de abril de 2017.

Pouco se fala do assunto, mas as consequências podem ser graves. Depois de ler este artigo, o leitor, seja pai, professor, diretor de escola ou meramente cidadão, faça o que puder para que as coisas melhorem!

As más condições das casas de banho escolares são um problema frequente no dia–a-dia das crianças. A maioria das crianças evitam usar a casa de banho da sua escola, muitas delas durante todo o dia.

As razões apontadas – e que poderiam sê-lo por qualquer leitor – incluem: cheiro desagradável, sujidade, portas que não fecham e falta de privacidade, sanitas partidas, ausência de papel higiénico, vandalismo e graffiti nas casas de banho, localização inconveniente das mesmas, o facto de estas se encontrarem por vezes trancadas e, em muitas escolas, só se poderem usar nos intervalos, em que a chusma de crianças a necessitar de ir à casa de banho é grande e, naqueles escassos 15-20 minutos, muita outra coisa há a fazer.

A falta de privacidade é o problema principal referido pela maioria das crianças; num estudo que fizemos, 70% relataram existência de urina e fezes no chão, paredes ou assento da sanita. Neste mesmo estudo, perto de quatro quintos das crianças referiram que as casas de banho eram “sujas, desagradáveis, a cheirar mal, assustadoras e locais de bullying”.

A retenção urinária e fecal por recusa de usar as casas de banho escolares são causa de problemas de saúde, psicológicos e educacionais significativos. No primeiro ciclo, as crianças estão a aprender os hábitos higiénicos, pelo que é fundamental adquirir comportamentos visando autonomia, intimidade e uma boa sexualidade, o que obriga a um nível mínimo de qualidade das instalações sanitárias.

Ao longo do tempo, a retenção pode levar a uma situação conhecida como síndroma de eliminação disfuncional, com um padrão alterado de micção e defecação, e com obstipação, micção infrequente ou síndroma da bexiga preguiçosa. Esta situação pode dar dor abdominal, levar a não conseguir reter as fezes (encoprese), infeções urinárias recorrentes, urgência miccional, enurese, refluxo vesico-ureteral e até lesões renais.

É sabido, também, que a melhor posição para o esvaziamento da bexiga é a posição sentada, com apoio para as coxas e os pés, e o corpo ligeiramente dobrado para a frente. Pois… mas, na prática, 85% das mulheres que usam as casas de banho públicas normalmente agacham-se quando o fazem, resultando num aumento de cerca de uma vez e meia do volume urinário residual. Do mesmo modo, em escolas com sanitas sujas e sem assentos, as meninas tendem a agachar-se para não tocarem nas sanitas, o que pode levar a uma micção incompleta e aumentar o volume residual urinário, com aumento do risco de disfunção vesical e infeção urinária.

Por outro lado, a pressa que as crianças têm de se “despachar”, entre outras razões para evitar o contacto com o assento da sanita, faz com que se verifiquem situações em que a urina reflui para a zona vulvovaginal, molhando depois as cuecas quando se levanta, o que é uma situação muito desagradável do ponto de vista psicológico.

Algumas crianças referem beber menos líquidos, com vista a terem de ir menos à casa de banho, mas isso pode levar a uma leve desidratação, que resulta em menor atenção, irritabilidade, mau humor e falta de concentração, e também aumentar o risco de infeção urinária ou obstipação.

Além destes efeitos físicos, os problemas causados por casas de banho escolares inaceitáveis podem provocar ansiedade e vergonha, especialmente nas crianças que acabam por sofrer de incontinência, podendo ser vítimas de bullying, o que afeta o rendimento escolar, com mais baixa autoestima, pior desempenho e mal-estar na escola.

Sabe-se igualmente que uma em oito meninas (cerca de 12,5%) tem o primeiro período menstrual (menarca) durante o 1.o ciclo e a ausência de condições sanitárias das casas de banho escolares, desde a falta de privacidade (casas de banho mistas) a outros pormenores, como a ausência de caixotes de lixo, pode tornar a menstruação uma experiência traumática que afeta a criança e perturba o desenvolvimento de uma sexualidade saudável.

É ainda de referir a importância das condições higiénicas na disseminação de doenças, designadamente gastroenterites e hepatite A, através da utilização de assentos, sabonetes ou torneiras contaminadas, ainda por cima quando sabemos que a utilização é feita nos intervalos, altura em que as crianças comem os lanches da manhã e da tarde, bem como antes das refeições principais, o que facilita a contaminação se houver má higiene.

Muitos pais “bramem”, nas reuniões de pais, por causa do “tamanho da maçã” ou porque “o Manel deu um encontrão ao Zé”, mas raramente referem as condições das casas de banho como um problema – e muitas direções escolares assobiam para o lado e ignoram a questão. Além disso, existe uma lacuna na legislação, a nível europeu. Em Portugal apenas existem algumas recomendações da responsabilidade do Ministério da Educação, que são escassas e insuficientes, e uma breve referência na Circular Normativa do Ministério da Saúde.

É necessário, pois, falar deste assunto sem papas na língua e que os jornalistas façam reportagens, pressionem e levantem questões a quem de direito – não esqueçamos que estamos a falar de crianças do 1.o ciclo, que ainda estão numa fase inicial da aprendizagem das regras de promoção de saúde e num contexto que deve ser eminentemente educativo e modelar.

Só para dar um exemplo de medidas que se podem tomar se se quiser fazer alguma coisa: num país escandinavo verificou–se que os meninos gostavam de pegar na sua “mangueirinha” e “regar” em todas as direções. Resposta: para lá de sermões, conselhos e normas, pintaram-se alvos em círculos, dentro da sanita. Resultado: as crianças passaram a querer acertar no “100” e deixaram de molhar o resto. Simples, não é? Aqui fica, à atenção de quem de direito. Com imaginação, criatividade e colaboração dos próprios alunos, conseguir-se-ão grandes avanços… mas só depois de reconhecer esta situação como um verdadeiro problema de saúde pública.

 

 

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