“Os jovens portugueses têm falta de sentido crítico”

Outubro 14, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 16 de setembro de 2017.

A nova estratégia de Educação para a Cidadania visa prevenir comportamentos como os da violência doméstica. Este ano lectivo será apenas desenvolvida nas escolas que integram o projecto-piloto de flexibilidade curricular.

Clara Viana e Aline Flor

A nova estratégia nacional de Educação para a Cidadania, apresentada nesta sexta-feira pelo Governo, tem na sua base uma lógica preventiva, frisou ao PÚBLICO a secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Catarina Marcelino.

“Na área da cidadania e da igualdade passamos a vida a correr atrás do prejuízo. As pessoas não começam a ser violentas aos 40 anos, que é a média de idades dos agressores e das vítimas de violência doméstica. Basta olhar para os números da violência no namoro para se perceber que a violência começa muito mais cedo. E, para prevenir estes comportamentos, só há uma forma: intervir no âmbito do sistema educativo, porque é aí que podemos chegar a todas as crianças. Porque quando os temas são falados, quando deixam de ser tabu, isso também leva à reacção”, disse.

A violência é um dos conteúdos que serão tratados no âmbito dos temas que foram definidos na estratégia com sendo de abordagem obrigatória para todos os ciclos de ensino. São eles os direitos humanos, a igualdade de género, a interculturalidade, o desenvolvimento sustentável, a educação ambiental e a saúde.

Neste ano lectivo, a nova estratégia irá ser apenas aplicada nas 235 escolas públicas e privadas que integram o projecto-piloto de flexibilidade curricular. No 2.º e 3.º ciclos de escolaridade, os temas a abordar serão desenvolvidos na nova disciplina de Cidadania e Desenvolvimento prevista nas matrizes curriculares que estarão em vigor nas escolas do projecto-piloto, na qual os alunos terão notas à semelhança do que se passa nas outras disciplinas.

No 1.º ciclo e no ensino secundário terão “natureza transdisciplinar”, devendo contar, no último caso, “com o contributo de todas as disciplinas e componentes de formação”, especifica-se no documento divulgado nesta sexta-feira.

“O que se pretende não é instituir uma disciplina formal, no sentido de que há um professor que debita a matéria, mas sim implementar uma metodologia de projecto porque a cidadania, para se desenvolver, tem de contar com uma parte prática”, especificou. Para a elaboração da nova estratégia foram criados também focus groups em que participaram professores e alunos, indicou a governante.

Segundo Catarina Marcelino, com a nova estratégia pretende-se também desenvolver o “sentido crítico” entre os jovens: “O que tem sido constatado em vários estudos e pode ser observado na prática é que os jovens portugueses têm falta de sentido crítico. Do ponto de vista competitivo com jovens de outros países, mesmo ao nível de emprego, este é um traço que nos prejudica. Precisamos de ter capacidade de pensar criticamente porque isso nos torna melhores enquanto cidadãos e é bom para a democracia.”

Os conteúdos a desenvolver no âmbito da nova estratégia terão na base os sete referenciais já elaborados pela Direcção-Geral da Educação, sendo que seis deles foram concluídos na anterior legislatura, numa altura em que a disciplina de Formação Cívica desapareceu da matriz curricular proposta pelo Ministério da Educação, embora muitos estabelecimentos de ensino tenham optado por mantê-la no âmbito da oferta de escola.

“A abordagem da educação para a cidadania tem tido avanços e recuos nas escolas, mas acabou por nunca se consolidar. É isso que pretendemos agora fazer: consolidar esta estratégia dentro do sistema de ensino. Será esse o grande desafio”, indicou Catarina Marcelino, acrescentando que o saldo será “positivo para a sociedade portuguesa”.

 

 

 

 

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“Se fôssemos moscas e estivéssemos num pátio de liceu durante o recreio, ficávamos boquiabertos com o que ali acontece”

Outubro 6, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista da http://visao.sapo.pt/ a Paula Varandas no dia 23 de setembro de 2017.

Plácido Júnior

Em 2015, o alarme soou para a advogada Paula Varandas, 45 anos, com escritório em Almada. Tornou-se “elevadíssimo” o número de jovens, entre os 12 e os 16 anos, cujos pais a contactam para os defender em tribunal. Os crimes em causa vão de tráfico de droga ao roubo e furto, passando por ofensa à integridade física qualificada e à difamação, através do ciberbulliyng. E a advogada detetou, ainda, a estupefação dos seus jovens clientes: “Jamais lhes passara pela cabeça que aquilo podia dar um processo de ‘alta envergadura’, como costumam dizer.” Perante o vazio de consciencialização das consequências penais de ilícitos que sobretudo acontecem no dia a dia das escolas, Paula Varandas lançou pro bono, no início de 2016, o projeto Educar para o Direito. Desde então, e já em parceria com o Forum Justiça Independente (FJI), uma associação de juízes, fez mais de 150 colóquios em liceus públicos e colégios privados, mediante convites provenientes do País inteiro, para uma audiência total que estima em 15 mil estudantes. As palestras duram, em média, uma hora e meia – mas a advogada e os juízes que a acompanham não estão com paninhos quentes, e assim conseguem prender a atenção das suas perplexas plateias, que até tiram os olhos dos telemóveis.

Com que tema começa os seus colóquios?

A violência. No namoro, por exemplo. Começa logo na linguagem que usam entre eles, jovens namorados. 
É mesmo brutal, no sentido pejorativo. Desde palavrões, “vai para ali, vai para acolá”, a baterem-se mutuamente. E o pior é que consideram isto normalíssimo. Imagine-se o caso de uma rapariga com 15 anos e de um rapaz com 16 (isto é o pão nosso de cada dia): ele agredi-la com uma bofetada, um murro ou um pontapé, não é visto como anormal. O número de situações como esta é hoje elevadíssimo e a maioria dos pais não tem a perceção do que está a acontecer. Ou porque essa violência lhes é ocultada ou porque se desvincularam da vida dos filhos.

Como pode uma situação destas terminar no tribunal?

A rapariga de 15 anos chega a casa, marcada pela pancada que levou do namorado, o rapaz de 16 anos. Se estivermos perante pais que não aceitam de todo uma situação destas, podem apresentar uma queixa-crime contra o agressor – sem que a rapariga tenha voto na matéria. Ou seja, o que, hoje em dia, é por eles encarado como um arrufo de namorados, acaba numa sala de audiências de um tribunal, com o rapaz constituído arguido, a responder criminalmente como se fosse um adulto.

Que conclusões tirou deste fenómeno?

Pensei muito sobre isto e, até falando com eles, concluí que se um jovem cresce num meio em que a violência entre o pai e a mãe é recorrente, o rapaz ou a rapariga vão interiorizar que esses são os parâmetros normais de um relacionamento.

O ambiente nas escolas está mais violento?

Sim. Se fôssemos moscas e estivéssemos num pátio de liceu durante o recreio, ficávamos boquiabertos com o que ali acontece. Mas entre eles é normalíssimo. “Tu és isto, tu és aquilo”… são mimos recorrentes que trocam. E batem-se muito mesmo.

Até colocam vídeos nas redes sociais…

Nessas situações, um jovem nunca bate noutro isoladamente. Ou seja, quando há esse plano de espancamento, o agressor reúne um grupo para o incentivar, por um lado, e o proteger, por outro. E há sempre alguém que filma aquilo.

Quem filma tem a noção de cumplicidade no crime?

Não. Quando nos colóquios lhes digo que quem filma é tão culpado quanto aquele que está a bater, ouve-se na plateia um eco de espanto: “Hã?!” 
O argumento é o de que quem filma “não fez nada” em termos de violência…

Que impulso os leva a colocar estas imagens online?

Um jovem disse-me que “é fashion” pôr isto nas redes sociais…

E o que mais é fashion nas redes sociais?

Usá-las para se ofenderem, para publicarem coisas que visam denegrir a imagem de alguém.

Um exemplo…

As nudes, ou seja, vídeos ou fotos de uma rapariga ou um rapaz meio ou completamente nus. Quando começam um namoro, têm a péssima tendência de enviarem um ao outro imagens destas. Enquanto a relação dura, tudo bem. Quando se zangam, e nestas idades é tudo muito volátil, efémero – há, claro, exceções, mas são raras –, rebenta a bronca. Terminado o relacionamento, o rapaz, por exemplo, põe no Facebook, Instagram, Snapchat e por aí fora, fotos ou vídeos que a rapariga lhe enviou. Isto acaba depois por envolver os pais e muita outra gente. Há situações que chegam ao limite de jovens, sobretudo raparigas, não conseguirem regressar à escola, por vergonha.

E se o rapaz rapidamente se arrepender e retirar as imagens – não é uma atenuante?

Quando me fazem essa pergunta nos colóquios, aviso-os: mesmo que a imagem só esteja online durante cinco minutos, esse tempo é suficiente para alguém fazer um print e o autor da ação perder o controlo sobre a circulação do que colocou nas redes sociais. E é, assim, o único responsável por um concurso de crimes, desde a violação do direito à imagem até difamação.

Que perceção estes jovens têm das punições penais que arriscam?

Os estudantes dos liceus com quem contacto nem sabem que existe um Código Penal. Se forem alvo de um processo, acham que vão a tribunal só responder a umas coisas e o assunto acaba aí. Não têm noção das consequências que podem sofrer.

O que lhes explica?

Através de uma linguagem muito clara e prática – até uso expressões deles como “whatever”, que os põem a rir –, acompanhada de slides, explico-lhes que a responsabilidade criminal começa aos 16 anos. Mas a partir dos 12 anos já têm de responder perante a Justiça, só que em tribunal cível, não no criminal, ao abrigo da Lei Tutelar Educativa. Mas os apontamentos judiciais ficam à mesma todos registados. Não são completamente impunes até aos 18 anos, como muitos deles julgavam…

Acha que consegue mesmo prender-lhes a atenção e tirar-lhes os olhos dos telemóveis?

Vou dar o que me parece ser o melhor exemplo. Perto do final do ano letivo passado, apanhei, numa escola em Cascais, 300 estudantes na sala. Fiquei em pânico. Não é aconselhável uma plateia tão grande. Mas foi extraordinário. Um silêncio sepulcral. Tudo a ouvir com atenção. Cada vez que entram, já sabem que é uma advogada que vai falar, e apresentam-se com ar de quem se prepara para levar uma seca e não perceber nada daquela conversa. Logo a abrir, mostro-lhes que não será assim.

E o que lhes diz sobre consequências concretas?

Antes de mais, explico-lhes que uma condenação fica-lhes marcada ad eternum. O registo criminal, de acesso público, tem uma duração de cinco anos. Se, nesse período, precisarem de arranjar um trabalho, não têm qualquer hipótese. Hoje, todas as empresas pedem certificados de registo criminal a quem se candidata a um emprego. E, havendo condenação, a entidade patronal irá recusá-los.

Mas a condenação, ao fim desses cinco anos, é retirada do registo criminal de acesso público…

Sim. No entanto, como também lhes digo, permanece no sistema informático dos tribunais. Se esse ou essa jovem voltar a ter problemas com a Justiça dez anos depois, por exemplo, o juiz há de verificar esse apontamento, embora, claro, não possa cingir-se a esse registo criminal do passado da pessoa.

Não há paninhos quentes nos seus colóquios…

Nem podia haver. Sublinho sempre a medida máxima de prisão efetiva nos crimes sobre os quais falamos. 
A ofensa à integridade física qualificada dá 12 anos de cadeia, o roubo qualificado 15 anos, o tráfico de droga outros tantos, o furto dá oito anos… Isto é propositado. Os jovens que assistem aos colóquios ficam com uma responsabilidade acrescida. Deixam de poder alegar ignorância sobre as consequências de certas condutas.

Os juízes do FJI que a acompanham nos colóquios são igualmente duros?

Sim. Dão também exemplos práticos e reais, através de sentenças que aquele magistrado em concreto, ou um ou uma colega, aplicaram neste âmbito. O propósito é o mesmo: os juízes sabem que o crime entre os jovens está a aumentar, e, se isto continuar assim, veem-se obrigados a tomar nos tribunais as medidas mais gravosas, como a prisão efetiva. Alguém tem de fazer algo de preventivo, para os elucidar sobre as consequências de condutas marginais. Um jovem que entra numa cadeia para cumprir uma pena fica com a vida marcada para sempre. Por norma, passe a expressão, entram na prisão com o mestrado do crime e saem com o doutoramento.

Há tráfico de droga nas escolas?

As coisas passam-se a este nível que vou exemplificar. Doze jovens fazem uma “vaquinha”, como dizem, para comprar haxixe, e um deles é escolhido, porque se mostra mais desenvencilhado, para ir buscar a barra. Estamos a falar de uma quantidade que já há de ascender a cinco gramas, considerados como crime. Imagine-se que, por azar ou denúncia, há uma rusga policial, em que o jovem que foi comprar o haxixe é apanhado. É ele que incorre no crime. Os outros 11, claro, vão negar qualquer envolvimento.

Mas um juiz não há de condenar esse jovem a prisão efetiva…

Se não tiver cadastro, dificilmente um juiz, por um crime destes, o condena a uma pena de prisão. Vai pelo trabalho a favor da comunidade. Há, aliás, uma lei muito específica, dirigida aos jovens delinquentes, que em síntese diz isto: “Tudo menos a prisão.” No entanto, essa lei só é aplicada se o juiz assim o entender. Pode não o fazer. Tome-se o exemplo de um jovem que, desde os 12 anos, traz um reportório de dez ou 20 processos tutelares educativos, em que respondeu por ilícitos vários. Embora dependendo dos crimes em causa, o juiz pode mesmo não aplicar a tal lei específica, que visa prevenir a ida para a cadeia.

Há diferenças entre os problemas dos liceus públicos e os dos colégios privados?

Nos privados foi-me sobretudo destacada pelos responsáveis a questão da droga. A explicação é simples: são filhos de pais com maior capacidade financeira. Esses estudantes chegam a ter 50 euros de semanada e os pais não têm a mínima noção do que eles fazem com o dinheiro. Mas também há violência no namoro e ciberbulliyng. São problemas transversais a toda a sociedade.

Como vê a ação dos professores?

Hoje em dia estão de mãos e pés atados porque, se repreendem os estudantes, sujeitam-se a ser alvos de um processo. Mas se avançam com participações, é nessas alturas que os pais aparecem, frequentemente com uma atitude hostil. Até se chegar a este ponto, por certo o professor enviou avisos para casa, que não foram tidos em conta.

E o poder político está atento ou abstraído?

Está míope, não faz nada para ir ao encontro dos jovens e explicar-lhes os riscos que correm se enveredarem por condutas criminais. Não é dar-lhes colo. É elucidá-los. Parece que ninguém, pais incluídos, se preocupa, já não digo a cem por cento, mas q.b., em dar-lhes importância. Porque estes jovens só querem que os oiçam.

Nos seus colóquios responde a perguntas dos estudantes?

Sim. E também me disponibilizo, no final, para ter conversas individuais com quem as peça.

Como termina as suas palestras?

Digo-lhes que são livres de tomar opções, mas que têm de arcar com as consequências das escolhas que fazem. “A isto se chama viver”, concluo.

Qual é o modus operandi do projeto?

O agendamento é feito por telefone. Fixa-se um dia e uma hora, e eu vou. Esse dia fica trancado na minha atividade profissional. Informo depois o FJI, que escolhe um juiz da comarca para me acompanhar.

(Entrevista publicada na VISÃO 1280, de 14 de setembro)

https://www.facebook.com/Educar-Para-o-Direito-848831975226022/

 

 

Lançamento da 11.ª edição dos Desafios SeguraNet 2017/18

Outubro 2, 2017 às 9:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Notícia do site http://www.seguranet.pt/ de 19 de setembro de 2017.

A 11.ª edição dos Desafios SeguraNet 2017/18 terá início no dia 15 de outubro, prolongando-se até 31 de maio de 2018.

Esta edição destina-se a todas as escolas, públicas e privadas, do ensino básico.

Para participar nos Desafios, as Escolas deverão efetuar o registo com o código de estabelecimento de ensino (não o código de Agrupamento).

Os utilizadores já registados só necessitam de se inscrever na nova Atividade dos Desafios.

Nos Desafios dirigidos ao 1.º ciclo do ensino básico, as turmas registadas serão, ao longo do ano, convidadas a responder a três Desafios sobre temas relacionados com a segurança digital.

No caso dos Desafios dirigidos ao 2.º e 3.º ciclos do ensino básico, as equipas de alunos e professores poderão responder a um desafio por mês e as equipas de encarregados de educação a desafios trimestrais.

Informações e registo em: http://www.seguranet.pt

Comunicar em segurança – desafio para escolas do 1º e 2º ciclo

Setembro 23, 2017 às 6:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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INSCRIÇÕES ATÉ 4 OUTUBRO

mais informações no link:

http://www.comunicaremseguranca.sapo.pt/

 

Parlamento dos Jovens 2017-18

Setembro 8, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Inscrições até 20 de outubro

mais informações no link:

http://www.jovens.parlamento.pt/

 

“O que está em causa não são motivações éticas, mas sim de saúde publica” – Vacinação

Agosto 17, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.educare.pt/ de 3 de agosto de 2017.

Pais estão informados dos riscos da não vacinação e defendem que nas escolas todos os alunos tenham pelo menos as vacinas do Programa Nacional de Vacinação.

Andreia Lobo

Nenhum dos seus irmãos foi vacinado em criança. E a mãe continua a não acreditar nas vantagens da vacinação. Hoje, aos 38 anos e pai de uma criança de dois anos, não passaria pela cabeça de Luís, nome fictício, seguir o exemplo da progenitora. “A minha realidade, em criança, era diferente. Estava em casa com a minha mãe. A minha filha foi para o berçário com menos de um ano. E é claro que o sistema imunológico nestas idades é demasiado frágil para estar em contacto com outras crianças.”

O boletim de saúde da criança está atualizado com o registo da aplicação de todas as vacinas do Programa Nacional de Vacinação (PNV) contra a tuberculose, a hepatite B, a difteria, o tétano, a tosse convulsa, as doenças causadas por Haemophilus influenzae, a poliomielite, a meningite C, o sarampo, a papeira e a rubéola. “Mesmo que a minha filha ficasse em casa, muito provavelmente, não corria o risco de não vacinar”, acrescenta Luís.

Ricardo Costa acompanhou, com interesse de pai, as notícias que foram surgindo na Internet e nos jornais sobre “a polémica da vacinação”. A morte de uma adolescente, devido a uma complicação causada pelo sarampo, extremou posições sobre como sensibilizar os pais a cumprir o PNV. Uma proposta do CDS-PP, rejeitada pelo Parlamento em maio, recomendava que fosse ponderada a possibilidade de impedir as matrículas – ou a sua renovação – aos alunos que não tivessem a vacinação recomendada no Programa Nacional de Vacinação.

O filho de Ricardo Costa, tem 6 anos e frequenta a primeira classe. Como acontece todas as crianças que entram para o 1.º ciclo, na hora da matrícula foi pedido aos encarregados de educação que apresentassem o registo de vacinas. Trata-se de um livrinho amarelo – que faz parte do boletim de saúde – onde os profissionais de enfermagem registam a vacinação. Para isso, colam a etiqueta da embalagem que identifica o lote e a composição da vacina dada. Ou, em alternativa, colocam carimbo do Ministério da Saúde ou da Unidade de Saúde familiar, onde a vacina foi administrada, e a respetiva data.

No boletim de saúde da criança constam todas as vacinas obrigatórias. Para Ricardo Costa, não poderia ser de outra forma. Conhece as razões que levam pais e mães que não querem vacinar os filhos, mas acredita que “os movimentos antivacinas só vêm confundir a opinião pública”. O cirurgião pediatra, João Moreira Pinto concorda, lembrando que, “infelizmente” um grande mito continua a alimentar muita da descrença na vacinação.

Trata-se de um estudo conduzido em 1998 pelo médico britânico Andrew Wakefield, publicado na revista científica Lancet, e que associava a administração da vacina do sarampo a alguns casos de autismo. Mais tarde, em 2004, a credibilidade do estudo caía por completo, depois de ter sido descoberto que o investigador tinha falsificado os dados clínicos a troco de dinheiro dos advogados dos pais das crianças autistas que queriam processar as empresas produtoras das vacinas.

Entretanto, explica João Moreira Pinto, “o artigo supostamente científico onde constavam essas falsidades foi retirado de publicação. E, agora, o caso é uma vergonha para a comunidade científica”. O episódio deixou, no entanto, graves consequências. Em 2008, pela primeira vez em 14 anos, o sarampo voltava a ser frequente no Reino Unido: 461 casos registados em Inglaterra e no País de Gales, 68 na Escócia, segundo dados do Centro de Prevenção e Controlo de Doenças Europeu.

Em Portugal, até maio deste ano, a Direção-Geral de Saúde (DGS) tinha registado 28 casos confirmados de sarampo e 134 notificações em território nacional. Como pai, Ricardo Costa tem uma visão prática sobre a importância da vacinação. “O que está em causa não são motivações éticas, mas sim de saúde publica.” Se dependesse de Cristina Cruz, mãe de um menino de 12 anos, a proposta dos centristas teria sido aprovada e os alunos não se poderiam matricular sem a vacinação em dia. Bárbara Pinto, mãe de uma menina de 12 anos, não iria tão longe. “Penso que as escolas poderiam comunicar às autoridades competentes os casos das crianças que não estão devidamente vacinadas.

João Moreira Pinto também teria votado a favor de uma proposta que responsabilizasse mais os pais na proteção das crianças. “Ao matricular a criança na escola os pais estão a aceitar que ela pertença a uma comunidade que tem as suas regras e estas passam por uma segurança para o próprio e os outros”, argumenta.

O cirurgião pediatra lembra que as crianças não vacinadas – sendo ainda em número muito menor em relação às que o são – beneficiam da “imunidade coletiva”. Ou seja, não adoecem pelo facto de a maioria dos colegas serem vacinados. O aumento de não vacinados afetará este equilíbrio. Pior, diz o médico, uma criança não vacinada “pode estar a colocar em perigo também crianças já vacinadas”. Como? “A taxa de eficiência de uma vacina nunca é de 100%. Pode haver uma criança vacinada que não ficou completamente imune e, portanto, se outros não estiverem vacinados e o vírus andar a circular, pode de facto ficar infetada.”

Muitas das dúvidas dos pais sobre o Programa Nacional de Vacinação encontram resposta na página eletrónica da DGS [https://www.dgs.pt/pns-e-programas/programas-de-saude/vacinacao.aspx]. Nos projetos de resolução aprovados em maio consta a realização de uma campanha nacional de sensibilização para a importância das vacinas na redução da mortalidade e controlo e erradicação de doenças.

A pensar nos riscos da vivência escolar, Cristina Cruz defende que a escola esteja atenta aos alunos que não têm a vacinação mínima. “É uma forma de proteger os nossos filhos e a sociedade em geral”, argumenta. No boletim de vacinas do filho constam as vacinas do PNV e mais as que não são obrigatórias. “Existem muitas vacinas não comparticipadas e eu investi nelas, por saber que são importantes”, refere Cristina, lembrando que quando se trata de ponderar a administração de vacinas “polémicas” recorre ao aconselhamento médico. “Quando houve o surto de hepatite A, o pediatra do meu filho não achou fundamental vaciná-lo e eu não vacinei.”

 

 

Mais de 20% das escolas vão poder escolher como ensinar os alunos

Agosto 10, 2017 às 7:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 10 de agosto de 2017.

Experiência só abrange os anos iniciais de cada ciclo de escolaridade Jornal Publico

 

Projecto-piloto arranca em Setembro e abrange 171 escolas públicas 61 privadas e quatro das sete escolas portuguesas no estrangeiro.

Clara Viana

O segredo foi finalmente desvendado. No próximo ano lectivo serão 230 as escolas que irão testar as mudanças propostas pelo Ministério da Educação (ME) no âmbito do projecto-piloto da flexibilidade curricular, segundo revelou a tutela ao PÚBLICO. Deste total, 171 são escolas públicas o que corresponde a 21,1% da rede de oferta existente, que é constituída por 713 agrupamentos e 95 escolas não agrupadas.

No projecto estarão ainda envolvidas 61 escolas privadas e quatro das sete escolas portuguesas no estrangeiro. Segundo o ME, a lista com os nomes dos estabelecimentos de ensino envolvidos deverá “ser publicada nos próximos dias” no site da Direcção-Geral de Educação.

O novo modelo só será aplicado no primeiro ano de cada ciclo de escolaridade (1.º, 5.º, 7.º e 10.º). Às escolas foi deixada a decisão de fixar quantas turmas destes anos irão participar na experiência, o que por esta altura já deverá ser conhecido uma vez que as listas com a constituição de turmas foram afixadas no dia 28 de Julho, indicou o presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas, Filinto Lima.

O agrupamento de que é director (Dr. Costa Matos, em Vila Nova de Gaia) é um dos que integra o projecto-piloto. Tem cinco escolas e há 8 turmas que foram seleccionadas para o efeito: cinco do 1.º ano, uma do 5.º e duas do 7.º. No caso destes últimos dois anos, as turmas foram seleccionadas “com base no que foi a percepção do trabalho desenvolvido no ano anterior ou seja, tendo em conta as características dos alunos e os hábitos de trabalho dos alunos que lhes foram incutidos pelos seus professores”, esclareceu Filinto Lima, adiantando que reuniu antes com os pais das crianças.

O presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais, Jorge Ascenção, mostrou-se “apreensivo” pelo facto de nem o ministério nem as escolas estarem a informar os encarregados de educação sobre quem será abrangido por estas mudanças. “Os pais têm o direito de saber o que vai acontecer no próximo ano lectivo e isso não está a acontecer.”

As escolas que vão inaugurar a experiência de flexibilidade curricular têm apenas uma obrigação: a integração na matriz curricular de duas novas áreas. São elas Cidadania e Desenvolvimento e Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). É o que se encontra estipulado no despacho que regulamenta o novo modelo, que foi publicado no início de Julho.

Mas, se assim o entenderem, vão ter também 25% do tempo de aulas para tentar levar por diante novas formas de ensinar. O que passará pela constituição de novas disciplinas, mas também por várias outras soluções já apresentadas pelo Ministério da Educação. Uma possibilidade: a fusão de disciplinas em áreas disciplinares, em que dois ou mais professores “trabalham em equipa” na preparação das aulas, que podem ser dadas à vez por cada um ou em conjunto. Por exemplo: em vez de trabalhar de forma separada as disciplinas de Físico-Química e Ciências Naturais, a escola pode juntá-las com a carga horária equivalente à soma das duas.

Pode-se optar também pela alternância entre tempos de estudos tradicionais e semanas em que toda a escola trabalha em conjunto, numa perspectiva multidisciplinar, um só tema. Por exemplo, “a Europa” ou “a crise dos refugiados”. Esta é uma experiência que está a ser seguida na Finlândia.

As escolas podem ainda optar por transformar disciplinas anuais em semestrais e os alunos do 10.º ano terão a possibilidade de trocar uma disciplina do seu curso por outra de um curso diferente.

O ME tem garantido que a nova experiência não implicará uma revisão curricular e que os actuais programas se manterão em vigor, mas os alunos abrangidos pela flexibilidade curricular terão novos documentos de referência, que se intitulam aprendizagens essenciais, e que irão, na prática, substituir as metas curriculares elaboradas durante o mandato de Nuno Crato.

 

 

 

Aprovados mais de sete milhões de euros para integrar 200 psicólogos nas escolas

Julho 27, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 12 de julho de 2017.

A integração de psicólogos nas escolas tem como objectivo apoiar o desenvolvimento psicológico dos alunos e prevenir o abandono escolar.

Lusa

Mais de sete milhões de euros foram aprovados no âmbito do Programa Operacional de Capital Humano (POCH) para financiar a integração de 200 psicólogos nas escolas, mais de metade para a região Norte.

Segundo a informação disponível no site do POCH, foram aprovados quatro milhões de euros de despesa total para a integração, até ao final de 2018, de 108 psicólogos em escolas da região Norte, 1,9 milhões para integrar 52 psicólogos em escolas da região Centro e 1,5 milhões para 40 novos profissionais para o Alentejo.

“A integração de 200 novos psicólogos em escolas públicas visa apoiar o desenvolvimento psicológico dos alunos, a melhoria da sua orientação escolar e profissional, bem como o apoio psicopedagógico às actividades educativas e ao sistema de relações da comunidade escolar”, explicam os técnicos do POCH.

O objectivo central do reforço da rede de psicólogos é a prevenção do abandono escolar precoce e do absentismo, através do diagnóstico das dificuldades que afectam a aprendizagem, de modo a agir atempadamente, identificando e analisando as causas do insucesso escolar e propondo medidas para o reduzir.

A falta de psicólogos nas escolas portuguesas tem sido reiterada, tanto pela comunidade educativa como pela Ordem dos Psicólogos, que em Abril estimou que seriam necessários 500 profissionais nos estabelecimentos de ensino.

Na altura, o bastonário da Ordem dos Psicólogos revelou que estava já prevista a contratação de 200 profissionais no âmbito do POCH, sublinhando que com estas integrações o rácio nas escolas passaria dos actuais 1/1700 para um psicólogo para cada 1100 alunos.

 

 

 

Crianças continuam com níveis baixos de iodo um ano após alerta

Julho 4, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.jn.pt/ de 31 de maio de 2017.

Iodo pode ser obtido através de alimentos de origem marinha, mas também está presente nos ovos, fígado e leite

A investigadora e líder do projeto “IoGeneration” que há um ano revelou que um terço das crianças portuguesas apresentava níveis insuficientes de iodo, podendo assim comprometer o seu desenvolvimento cognitivo, lamenta que nada tenha sido feito desde então.

“Um ano depois de o alerta ter sido dado, pouco ou nada se avançou em termos de políticas de saúde”, afirmou a investigadora do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (Cintesis).

Desenvolvido entre o final de 2015 e abril de 2016, o projeto “IoGeneration” permitiu analisar mais de 2000 crianças portuguesas, de 83 escolas do Norte de Portugal. Os resultados preliminares revelaram-se tão preocupantes que a equipa de investigação deu o alerta logo em março de 2016.

“Ficámos alarmados após analisarmos os dados preliminares, que já indicavam que mais de um terço das crianças teria níveis deficientes de iodo. Sabendo que a falta deste nutriente pode comprometer o coeficiente de inteligência (QI) em 15 pontos, sentimos a obrigação de alertar os decisores políticos e a sociedade o quanto antes”, explicou Conceição Calhau, que atualmente é também professora da Nova Medical School, em Lisboa.

Os resultados finais, publicados agora na revista científica internacional “Nutrients”, atestam que a equipa de investigação liderada pela especialista em Nutrição, do Cintesis, não se precipitou quando decidiu dar o alerta.

“Os dados finais mostram que 29% dos rapazes e 34% das raparigas entre os 6 e os 12 anos sofrem de carência de iodo”, sustentou Conceição Calhau.

Quando compararam as crianças por faixa etária, os investigadores concluíram que os mais pequenos (com 5 ou 6 anos) estão mais protegidos, sendo que “apenas 20% apresentava níveis baixos de iodo. Mas entre as crianças mais velhas (entre os 11 e os 12 anos), 39% têm os níveis de iodo comprometidos”.

Os pais das crianças avaliadas pela equipa de investigação foram também envolvidos no estudo, sendo que 68% confessou não saber o que era o sal iodado. Além disso, as 83 escolas que integraram o estudo não estavam a usar sal iodado, apesar da indicação, publicada em 2013, da Direção-Geral de Educação nesse sentido.

O iodo pode ser obtido através de alimentos de origem marinha, mas também está presente nos ovos, fígado e leite. Neste trabalho, ficou provado que as crianças que bebem dois ou mais copos de leite por dia se encontram mais protegidas contra o défice de iodo, por comparação às que consomem apenas um copo ou nenhum.

Ou seja, “existem outras formas de assegurar um aporte saudável de iodo, através da alimentação, mas em termos de saúde pública, a medida mais eficiente seria legislar no sentido de universalizar a iodização do sal”, sublinhou a investigadora.

Foi aliás neste sentido que deliberou um conjunto de representantes de entidades como a Direção-geral da Saúde e da Educação, da Ordem dos Nutricionistas, do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica e até de representantes do setor da restauração e da indústria, reunidos por iniciativa dos investigadores do Cintesis, já a 30 de março de 2016.

Na declaração de consenso que daí resultou e que foi apresentada pela equipa de investigação em dezembro do ano passado durante uma audição com a Comissão Parlamentar para a Saúde, pode ler-se que “é consensual a necessidade de implementação da utilização universal e obrigatória, através de legislação apropriada, de sal iodado em Portugal, devidamente compatibilizada com as medidas e recomendações de redução do consumo de sal”.

A necessidade diária de iodo situa-se entre as 90 a 150 microgramas, em função da idade da criança. Este micronutriente serve para manter em equilíbrio os processos metabólicos do crescimento e desenvolvimento do cérebro e do sistema nervoso, desde a 15.ª semana de gestação do bebé.

 

 

Alunos vão ter de dizer no início do ano se querem alimentação vegetariana

Junho 12, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 31 de maio de 2017.

A medida tornou-se obrigatória por iniciativa do partido PAN e abrange todas as cantinas públicas e refeitórios do Estado.

PÚBLICO e Lusa

Os alunos que pretendam refeições vegetarianas devem informar a escola no início do ano lectivo, disse à Lusa fonte do Ministério da Educação, na véspera de entrar em vigor a legislação que impõe esta oferta nas cantinas públicas.

De acordo com a mesma fonte, o procedimento contratual de prestação de serviço com as empresas que fornecem os refeitórios escolares, para o próximo ano lectivo, já incluirá a disponibilização de refeições vegetarianas a quem as solicitar no início do ano. “Teremos de aguardar o arranque do ano lectivo para perceber a procura que estas refeições terão entre os alunos”, acrescentou a fonte.

A medida tornou-se obrigatória por iniciativa do partido PAN e abrange todas as cantinas públicas e refeitórios do Estado. O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, promulgou em Março o diploma do Parlamento que obriga a esta mudança.

Para o presidente da Associação Nacional dos Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), Filinto Lima, trata-se de uma boa medida: “Tudo o que é saudável, a escola deve apoiar”. Acredita, porém, que a procura deve ser “muito residual”, pelo menos no início, uma vez que não é comum haver pedidos para alimentação vegetariana nas escolas. “No agrupamento que dirijo [Vila Nova de Gaia], com mais de 2000 alunos, nunca tive nenhum pedido”, exemplificou.

As escolas, especialmente as que servem refeições confeccionadas no local, estão neste momento a preparar-se para servir os alunos que escolherem esta opção. “Estou a dar formação à minha cozinheira, temos seis meses para nos adaptar”, referiu, acrescentando que, nos casos em que as refeições são concessionadas a empresas, a opção vegetariana tem de constar nos cadernos de encargos.

Nutricionistas com reservas

A bastonária da Ordem dos Nutricionistas tem, contudo, reservas em relação à aplicação da obrigatoriedade desta opção nas ementas das cantinas e refeitórios públicos, por não estar expresso que são estes profissionais a orientar a sua elaboração. “Reconheço os benefícios da medida, mas não posso esconder uma nota de preocupação em relação à forma como a medida vai ser aplicada”, disse Alexandra Bento.

“Os únicos técnicos responsáveis e com capacidade de garantir o equilíbrio nutricional são os nutricionistas, mas isso não ficou expresso na lei, apesar de termos chamado a atenção para este facto quando fomos ouvidos na Assembleia da República aquando da preparação da legislação”, disse, defendendo também que “obter uma opção vegetariana equilibrada não é fácil”.

O Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS) elaborou um conjunto de orientações técnicas para a produção e implementação de refeições vegetarianas, nomeadamente um manual com linhas orientadoras para a adopção de um padrão alimentar vegetariano, tendo por base o melhor conhecimento científico disponível e utilizando produtos vegetais de origem nacional, sazonais e enquadrados na tradição culinária portuguesa.

Foi igualmente elaborado, e está disponível no site da Direcção-Geral da Saúde (DGS), um manual para quem trabalha no sector da educação escolar e à população em geral, além de receitas vegetarianas que podem ser consultadas no blogue do PNPAS. A bastonária considera esta iniciativa positiva e classifica-a de “instrumentos importantes”, mas acha que não é com a produção destes documentos que se garante a responsabilização de quem não assegura o equilíbrio nutricional de uma dieta vegetariana. Já o director do PNPAS, Pedro Graça, sublinha que esta iniciativa é uma ajuda na implementação da medida nas cantinas.

Na base deste diploma estiveram iniciativas legislativas do PAN, do Bloco de Esquerda e do Partido Ecologista “Os Verdes”. Segundo o deputado do PAN, André Silva, muitas crianças e jovens eram discriminados nas escolas pelos colegas por comerem comida diferente que levavam de casa.

O projecto de lei a defender a inclusão de um menu vegetariano nas cantinas e refeitórios das escolas, universidades, prisões e hospitais públicos foi apresentado há um ano pelo PAN, tendo sido seguido por propostas do Bloco de Esquerda (BE) e do Partido Ecologista os Verdes (PEV). O diploma foi publicado em Diário da República em Abril para entrar em vigor em Junho.

 

 

 

 

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