Mais detenções perto das escolas, mas consumo de droga baixou

Outubro 25, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do Público de 15 de outubro de 2018.

Em apenas duas semanas, a PSP deteve 25 pessoas por tráfico de droga nas proximidades de escolas. Polícia diz que é normal, dado o tipo de operação realizado e os directores garantem que não houve qualquer evolução negativa no ambiente que se vive neste início de ano lectivo.

Clara Viana

Às operações de início de ano lectivo lançadas pelos efectivos do programa Escola Segura têm estado associadas outras divisões da PSP com o objectivo de limpar focos de tráfico existentes nas proximidades das escolas, disse ao PÚBLICO o subintendente Hugo Guinote, chefe da Divisão de Prevenção e Proximidade da PSP.

Aconteceu o mesmo na operação de início do ano lectivo 2018/2019, realizada entre 12 e 28 de Setembro, e por isso o mesmo responsável adianta que esta é a principal razão pela qual, em apenas duas semanas, tenham sido detidas 25 pessoas por tráfico de droga nas proximidades dos estabelecimentos escolares e nos trajectos escola-casa, que também são acompanhados pela Escola Segura.

Hugo Guinote alerta que devido às características especiais destas operações de início do ano lectivo os seus resultados não podem ser comparados com o balanço anual do programa Escola Segura — com o facto, por exemplo, de em 2015/2016, último ano com dados consolidados, a PSP ter detido ao longo de todo o ano 90 pessoas, quando agora, em apenas duas semanas, prendeu 25.

“Não se pode concluir que houve um salto, até porque o número de detenções varia ao longo do ano também em função do tipo de operações desencadeadas. “Várias das pessoas que foram detidas em Setembro já estavam referenciadas e havia até mandados de detenção em relação a algumas, que foram efectivados agora, aproveitando a mobilização de meios registada”, explica Hugo Guinote. Na operação estiveram envolvidos 3877 polícias e 2943 viaturas.

A Escola Segura é um programa partilhado pela PSP e pela GNR. Os dados referidos dizem apenas respeito ao balanço da actividade da PSP. E também dão conta disto: às 25 pessoas presas por tráfico de droga foram apreendidas 148 doses de cocaína, igual número de doses de heroína e 722 doses de haxixe.

É sabido que quando se fala de heroína as campainhas de alarme disparam, mas Hugo Guinote assegura que as apreensões registadas “estão em linha com o que aconteceu em anos anteriores no mesmo tipo de operações e até baixou”.

Os dados recolhidos pelo Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) têm dado conta de uma tendência de queda no consumo de heroína, embora em 2014 e 2015 se tenha registado um aumento do número de novos utentes em tratamento cuja droga principal de consumo era a heroína. Os inquéritos em meio escolar que têm sido promovidos pelo SICAD mostram que a percentagem de alunos entre os 13 e os 18 anos que já experimentaram heroína passou de 2% em 2011 para 1% em 2015.

Situação melhorou

 Questionados sobre o ambiente nas escolas e nas suas proximidades no início deste ano lectivo, os directores contactados pelo PÚBLICO são unânimes na resposta: não só não se registou nenhuma evolução negativa, como a situação é bem melhor do que a registada há alguns anos.

Dulce Chagas, directora do Agrupamento de Escolas de Alvalade, em Lisboa, lembra a propósito que há cerca de sete anos tiveram de deixar de ter aulas à sexta-feira ao fim da tarde na Secundária Padre António Vieira, que agora é a escola sede do agrupamento, para evitar “mais problemas” devido à concentração de jovens frente ao estabelecimento escolar, que era uma marca do dia anterior aos fins-de-semana. “Melhorámos muito. Agora quase não existem esses grupos”, diz.

À frente da Escola Secundária Camões, também em Lisboa, existe um jardim com um coreto que sempre foi um ponto de concentração dos alunos daquele antigo liceu, como de outros jovens. O director, João Jaime, reconhece que este facto poderá potenciar problemas, mas assegura que “não houve nada a registar” neste início do ano lectivo. “Não tem aparecido ninguém diferente no coreto e os casos que temos referenciados são apenas de alguns jovens, que são os mesmos já assinalados no ano passado”, adianta.

Mais a norte, na Póvoa do Varzim, o director da Escola Secundária Eça de Queirós, José Eduardo Lemos, também assegura que “não tem notícia de que algo de diferente ou anormal tenha acontecido”. Nem na sua escola, nem noutras com que mantém contactos enquanto presidente do Conselho das Escolas, que é organismo que representa os directores junto do Ministério da Educação.

 

 

Criminalidade nas escolas de Lisboa aumentou 10%

Março 13, 2018 às 2:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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LEONARDO NEGRÃO / GLOBAL IMAGENS

Notícia do https://www.dn.pt/ de 13 de março de 2018.

Rute Coelho

Escolas de Lisboa contrariam descida do número de ocorrências a nível nacional. PSP registou 1797 crimes em 2016-17

A Escola Básica 2,3, sede do agrupamento do Alto do Lumiar, convivia paredes meias com o tráfico de droga na rua. De vez em quando apareciam seringas no recreio e havia consumo nas encostas da escola. Mas o problema foi ultrapassado com a polícia a atacar o tráfico e os casebres dos toxicodependentes a serem substituídos por um hipermercado. O Programa Escola Segura da PSP, que já tem 25 anos de existência, está cheio de histórias felizes como esta. Mas, se a nível nacional as ocorrências registadas pelo programa diminuíram, na área do comando metropolitano de Lisboa da PSP (Cometlis) – que inclui concelhos como Amadora, Loures e Sintra – aumentaram 10% no último ano letivo.

Em 2016/17 registaram-se 1797 crimes (furtos, roubos, agressões, tráfico de droga, etc), o que representou uma subida de 10% face ao ano anterior (1631 crimes), segundo dados oficiais do Cometlis facultados ao DN. Curiosamente, a nível nacional a criminalidade em ambiente escolar registou uma descida também de 10% (dados divulgados no início do ano).

A polícia identificou 1881 suspeitos da prática de crimes nos recintos e perímetros escolares, mais 8% do que os 1797 do ano anterior. Também fez 62 detidos, mais 6%, face aos 58 do ano anterior. As ocorrências não criminais (distúrbios escolares) subiram 15,36% num total de 1126, quando tinham sido 976 no ano letivo de 2015/16.

O patrulhamento e apoio dos agentes da Escola Segura à comunidade escolar faz toda a diferença, asseguram os diretores de escolas, os pais e a comunidade educativa em geral (ver texto secundário).

Polícias próximos dos alunos

A escola EB 2,3 D.José I, do Alto do Lumiar é um dos 150 estabelecimentos de ensino da área da 3ª Divisão da PSP de Lisboa (Benfica) abrangidos pelo programa Escola Segura. Só nessa zona territorial da PSP foram registados 312 crimes no ano letivo 2016/17, quando no ano letivo anterior tinham sido 287.

O comando de Lisboa da PSP adiantou que a escola do Alto do Lumiar era das que tinha mais ocorrências, nomeadamente tráfico e consumo de droga junto aos seus muros.

A equipa da Escola Segura da PSP que presta serviço na escola (onde estão alunos até aos 16 anos) mudou esse panorama nos últimos cinco anos, em articulação com a comunidade escolar.

Os agentes Carla Pires, 42 anos, há 14 a prestar serviço na escola, e Vítor Jesus, 42 anos, há uma década ali, já são praticamente da casa. É uma escola em território educativo de intervenção prioritária (TEIP) e por isso conta com uma mediadora escolar para resolver conflitos e uma assistente social. Mas os dois polícias também fazem patrulha a várias outros estabelecimentos de ensino da zona, como o colégio de S. João de Brito (no ranking das melhoras escolas) ou a secundária do Lumiar.

“Tentamos criar proximidade com os alunos, por isso eles tratam-nos como Vítor e Carla. Mas sabem que não podem ultrapassar aquela linha”, contou o agente Jesus, enquanto cumprimenta as auxiliares e os alunos da EB 2,3 Alto do Lumiar. “Fizemos um trabalho intenso ao longo destes anos, a controlar o problema da droga e a dar ações de formação sobre o bullying e violência no namoro, entre outros fenómenos, e agora estamos a colher os frutos disso”, refere Vítor. “O que conseguimos foi em parceria com a comunidade escolar e com a Comissão de Dissuasão da Toxicodependência (CDT)”, acrescentou Carla. Os dois polícias também são pais: Jesus, de uma adolescente de 14 e de outra com nove; Carla, de uma menina com 3 e de um rapaz com 7.

Encostados aos bairros da droga

“Estamos ao pé do bairro da droga com a maior toxicidade que é o da Cruz Vermelha. Depois temos aqui perto as Galinheiras, com tráfico de armas e droga, a Charneca e a antiga Musgueira. Como a realidade dos nossos alunos é esta, e as rusgas são na casa deles, eles acabam por não usar da violência nem a consomem porque já vivem nesse filme. Têm vontade de aprender e sair dessa realidade”, contou a diretora da Escola EB, 2,3 Alto do Lumiar, Maria Caldeira, no cargo desde julho mas há 12 anos na direção, coordenadora de projetos do agrupamento e responsável pela segurança. Na escola juntam-se mais de 20 nacionalidades diferentes, “muitas delas africanas, da Guiné, S. Tomé e Cabo Verde” e também meninos de etnia cigana que começaram a aparecer ali há 10 anos.

Levavam navalhas para a escola

No recreio da EB 2,3 está sempre atento um vigilante particular: Ribeiro de Sousa, 67 anos, agente reformado da PSP, integrado no gabinete de segurança do Ministério da Educação. “Ainda há pouco tempo alguns alunos de etnia cigana andavam aí com navalhas que trouxeram de fora. Dei conhecimento à direção e depois o agente Jesus conseguiu juntar os jovens e persuadi-los a entregarem as navalhas”, contou. “A minha missão aqui é controlar os alunos, para que não danifiquem as infraestruturas e evitem conflitos”. Se fosse cumprido o Estatuto do Aluno à risca, diz, “os miúdos nem podiam usar telemóveis no recreio”. Mas usam.

Depois também há as situações que chegam a tribunal de Família e Menores, como esta: “Uma aluna levantou uma cadeira para um colega dentro da sala e ficou com 18 meses de suspensão por causa disso”. É por isso que as ações de formação dadas pelos polícias são muito importantes, como frisa o agente Vítor Jesus: “Aproveitamos essas ações de 45 minutos ou de 90 minutos sobre o cyberbullying ou as redes sociais para lhes dar alguns conselhos”. Os dois agentes também acabam por dar sugestões sobre percursos a evitar no regresso a casa, uma vez que boa parte daquelas crianças desloca-se a pé.

Se houver uma desordem que ganhe proporções graves dentro da escola ou junto aos muros da mesma, podem ser chamados os 14 agentes que estão adstritos ao programa Escola Segura da PSP na 3ª Divisão, explicaram os agentes. “Nunca aconteceu”, ressalva Jesus. Na manhã em que o DN esteve na escola houve apenas uma ocorrência no exterior, relacionada com o furto de um telemóvel. Também houve uma briga entre dois alunos que foi resolvida pela mediadora escolar Inês Leão.

 

 


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