Em Lousada, os alunos também governam a escola e os professores agradecem

Dezembro 26, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia e fotografia do Observador de 9 de dezembro de 2018.

Ana Kotowicz

O projeto chama-se República dos Jovens e faz com que esta escola funcione de forma semelhante à Assembleia da República. Todos têm voz e a opinião dos alunos influencia as decisões da direção.

O Código de Conduta dos Alunos, tal como estava redigido, não convencia os estudantes da Escola Básica e Secundária de Lousada Oeste. Noutro estabelecimento de ensino, os descontentes teriam de encolher os ombros, pois poucas ou nenhumas ferramentas teriam para convencer a direção a fazer mudanças. Aqui, porém, não foi o caso. Os cerca de 700 alunos da escola não só foram ouvidos, como conseguiram levar a sua avante e mudar o Código de Conduta para uma versão mais próxima do que defendiam.

Como? Graças a um projeto chamado República dos Jovens, que faz com que esta escola funcione de forma semelhante à Assembleia da República. Todos têm voz, todos estão representados, todos têm direito a voto e a opinião dos alunos influencia a tomada de decisões de Luísa Lopes, diretora do agrupamento.

Essa iniciativa valeu-lhes o primeiro prémio do concurso Escola Amiga da Criança, uma parceria entre os pais da Confap e a editora Leya, que distingue estabelecimentos de ensino com projetos educativos inovadores. A cerimónia decorreu no final de novembro.

As diferenças na organização começam logo dentro das salas de aula: não há delegados de turma, ao contrário do habitual — há antes guias e guias dos guias. O primeiro passo para construir esta pirâmide democrática é reunir a Assembleia de Turma, o seu órgão máximo, onde o diretor de turma é o presidente. O único adulto presente tem poder de veto sobre todas as decisões, tal e qual como o verdadeiro Presidente da República sobre as leis que saem do Parlamento.

“A Assembleia de Turma é um momento formal, estão todos os alunos, há um secretário e um moderador, que são estudantes, e onde se podem colocar todas as questões”, explica o professor Alexandre Reis, coordenador do grupo de projetos do agrupamento e responsável pela República dos Jovens em Lousada Oeste.

Nesse momento alto, a turma é dividida — consoante as escolhas dos alunos — em vários grupos, cada um com 5 a 8 estudantes. A seguir, dentro de cada uma dessas equipas, é eleito um guia, que é o líder daquele pequeno grupo. No final da eleição, cada turma terá vários guias e, entre esses, é escolhido o guia dos guias.

É esse o cargo de Sofia, no 9.ºA, depois de dois anos a ser guia. “O que é ser guia dos guias? É tentar manter a turma unida, conseguir pôr todos a trabalhar em grupo, conseguirmos fazer coisas que sejam para o bem de toda a gente. A diferença em relação a ser guia é que temos muito mais responsabilidade. Em vez de controlar e gerir um grupo, temos de controlar e gerir a turma toda.”

Se as diferenças ficassem por aqui, a República dos Jovens não seria uma verdadeira república. Mas a pirâmide tem mais degraus.

“Neste movimento vertical, o órgão que aparece a seguir é o Conselho de Guias, que serve para o diretor de turma se reunir com todos os guias daquele grupo de alunos. Estas reuniões têm caráter confidencial e o que se fala lá dentro não vem cá para fora. Os guias tornam-se os braços direitos do diretor de turma: podem fazer todo o tipo de propostas, discutir o comportamento dos alunos ou propor colegas para o quadro de valor”, explica Alexandre Reis, que é professor de música e está no agrupamento desde 2001, dizendo que nestes momentos se criam relações de proximidade entre docentes e alunos.

Depois de estar assegurado que a opinião de cada estudante chega ao diretor de turma através dos guias, falta garantir que a voz dos alunos chega à direção.

“Periodicamente, reúne-se a Assembleia Geral dos Guias, um dos órgãos mais importantes que temos aqui na escola, e onde está presente a diretora. Foi num desses momentos que foi alterado o Código de Conduta”, explica Alexandre Reis. Nesses encontros, há 30 guias que representam as 30 turmas da escola de Nevogilde. Se, ao início, quando tudo era novidade, os alunos nem sempre estavam à vontade por estarem frente à direção, Alexandre Reis diz que agora tudo é diferente.

“Os alunos já discutem entre eles e estão mais responsáveis pelas decisões que tomam. Aconteceu, por exemplo, um guia estar a pedir para a sala de informática estar aberta para além do horário que já existe e outro alertou logo para o risco de o material informático poder ser roubado. Com tudo isto, eles sentem que são ouvidos. A grande diferença em relação ao tempo em que tínhamos delegados de turma é que eles limitavam-se a aparecer nas reuniões com uma lista de queixas. Agora, a postura é diferente, é construtiva, os alunos sentem que têm de ajudar a resolver os problemas da escola”, sublinha o coordenador do projeto.

“É um voto de confiança que nos dão”

Sofia, Pedro, Rafael, Viviana, António, Lana, Rita, Tatiana e, de novo, Rafael. Todos os nove alunos, com idades compreendidas entre os 13 e os 14 anos, são guias ou guias dos guias das respetivas turmas.

Qual é a diferença? “Quando se é guia dos guias, temos mais responsabilidade porque temos de ajudar a turma toda, temos de resolver todos os problemas e manter toda a gente unida”, explica Pedro, guia dos guias do 8.ºA, e que foi guia durante 3 anos consecutivos, desde que entrou para a escola no 5.º ano.

Quando a pergunta é o que é que a República dos Jovens fez de mais significativo na escola, todos apontam o Código de Conduta e o facto de terem conseguido avançar com algumas das suas reivindicações. “Há coisas que os professores, e até mesmo a direção, não conseguem perceber que estão mal. Nós, alunos, porque convivemos mais com os espaços, notamos quando as coisas estão erradas. Com a República dos Jovens, deu-se mais voz aos alunos para apontar essas coisas”, defende Lana, guia do 8.º A.

António, guia do 9.ºA, concorda. “Com a República dos Jovens sinto-me mais parte da escola e, nós, alunos, podemos ajudá-la a melhorar e a fazer a diferença. Este projeto ajuda os alunos a sentirem-se valorizados e a valorizarem as ideias que têm para a escola.”

Entre algumas das coisas que conseguiram através da República dos Jovens, há questões tão diferentes como serem autorizados a comer nos pisos superiores da escola — era proibido porque isso gerava muito lixo nos corredores –, terem conseguido ter o cartão eletrónico dos alunos e a recolha seletiva do lixo.

“O cartão eletrónico era uma coisa que queríamos muito porque nos permite não trazer dinheiro para a escola. O cartão é carregado e depois usamos na cantina e no refeitório sem termos de nos preocupar mais”, explica Pedro.

O lixo também era há muito um problema grave na escola e a iniciativa para resolver a questão partiu dos alunos. “Há muito tempo que queríamos resolver este problema”, diz Lana. Agora, os estudantes estão envolvidos na recolha e na separação do lixo da escola. “É um voto de confiança em nós”, acrescenta a jovem.

Acima de tudo, todos concordam que ganharam voz na governação da escola. Serem ouvidos pelos professores e pela direção faz toda a diferença: “Quando há coisas que achamos que estão erradas na escola, nós propomos soluções na turma; se a turma aprovar, levamos o assunto à República de Jovens onde vai ser discutido e exposto à direção. Isso faz com que seja mais fácil sermos ouvidos quando nos estamos a bater por melhores condições da escola”, diz António.

Alunos mais bem preparados e com espírito democrático

“Os nossos alunos saem desta escola com uma preparação que, provavelmente, os de outras escolas não têm.” A frase parece tirada da boca de um professor, orgulhoso do caminho académico que os seus estudantes seguiram. Mas não. Francisco Torres tem 17 anos, estuda Direito na Faculdade de Coimbra, mas é da sua antiga escola secundária, em Nevogilde, que fala com entusiasmo.

O que faz com que os alunos saiam da escola de Lousada Oeste mais bem preparados do que outros jovens é exatamente o projeto que começou em 2015. Através da República dos Jovens, explica Francisco Torres, os alunos conseguem influenciar a forma como a escola é governada e perceber como funciona a democracia.

“Ter participado neste programa foi bastante benéfico para aquilo em que estou agora a focar as minhas atenções. Estou a estudar Direito e posso dizer que a República de Jovens deu-me alguns instrumentos que estou a utilizar”, conta o jovem. Um deles foi conseguido através do projeto Justiça para Todos, que permite que os finalistas da escola conheçam melhor o mundo dos tribunais, através de simulações in loco.

Mas esse não foi o único ponto positivo. No último ano que passou na escola de Lousada Oeste, Francisco Torres foi moderador de várias assembleias, o que o ajudou a desenvolver competências sociais, que considera fundamentais para ultrapassar obstáculos que vão surgindo no seu caminho.

“Nas assembleias era necessário interagir com o público, puxar pelos alunos mais novos — eles são a base e são eles quem vai dar continuidade a este projeto. Eu, como aluno mais velho, tinha a obrigação de transmitir os valores e a dinâmica do projeto. Foi a partir desta dinâmica que consegui desenvolver diversos métodos de comunicação, de que neste momento preciso na faculdade”, explica o estudante de Direito.

Hoje, o antigo aluno da escola de Nevogilde acha que os objetivos da República dos Jovens foram alcançados. “No início, o projeto servia para dar voz aos alunos, para ser uma escola governada pelos alunos, dentro do seu campo de governação. Temos uma direção que vê nos estudantes um pilar que sustenta as vontades da comunidade escolar e isso trouxe melhorias estruturais, humanas e sociais. O grande ganho deste projeto é a forma como os alunos se entregaram. Temos um antes e depois nesta escola. Mais do que bons alunos, estamos a projetar grandes cidadãos capazes de enfrentar as questões do futuro. A responsabilidade que adquirem aqui vai ser fundamental para interagirem no mundo social e laboral que é muito agressivo. E percebem melhor a democracia porque ela é o ponto fulcral deste projeto.”

Objetivo: combater a indisciplina

“A República dos Jovens surgiu em 2015 como medida do Plano de Promoção para o Sucesso Escolar, e visava combater a indisciplina. A ideia base era que quanto mais o aluno se sentisse como elemento ativo da escola, quanto mais sentisse espaço para partilhar as suas ideias, mais este sentimento de pertença reduziria os comportamentos desviantes”, explica Alexandre Reis. E foi isso que aconteceu. Mas à medida que o projeto cresceu, tornou-se muito mais do que isso.

Se uma república define o modo de vida dos seus cidadãos, as regras e os princípios fundamentais da sociedade, “uma república na instituição escola define a forma como os seus alunos participam na vida da escola, nas decisões, na necessidade de desenvolverem projetos e de fazerem parcerias com os colegas, de mudarem algo que deve mudar”, sustenta o professor de música. E foi essa característica das democracias, em que todos contam e todos são ouvidos, que mudou a face da escola.

Alexandre Reis acredita que ouvir os alunos não é uma característica exclusiva de Lousada Oeste. “Em todas as escolas, os professores e os diretores ouvem os alunos, a diferença é que nós aqui fazemos isso de uma forma estruturada, de uma forma que nos permite incluir o contributo dos alunos nas nossas práticas educativas. O melhor exemplo é o Código de Conduta ter sido negociado com eles. Havia aspetos com os quais eles não concordavam, propuseram alterações e negociaram-nas com a direção da escola.”

Francisco Torres lembra que os alunos também contribuem para o orçamento participativo da escola, e que no seu tempo de estudante em Nevogilde se bateram, por exemplo, pela melhoria das casas de banho e conseguiram. “Os estudantes acabam por perceber que são a base desta escola e que sem eles não se conseguia pôr a escola no rumo certo. No fim, ficam perfeitamente à vontade para lidar com as questões democráticas do futuro. Os alunos sentem-se membros e parte ativa da escola e isso é fundamental para qualquer ambiente escolar de sucesso.”

Se alunos e professores aplaudem este projeto, a bandeira branca que desde 9 de novembro está içada na escola, com escritos vermelhos onde se lê que esta é uma Escola Amiga da Criança, mostra que fora de portas o mérito da República dos Jovens foi reconhecido. Na primeira edição daquele concurso, que teve mais de mil participantes, a Escola Básica e Secundária de Lousada Oeste recebeu o primeiro prémio.

Ao mesmo tempo, aquele estandarte a balouçar ao sabor do vento é também a realização do sonho de Jorge Ascenção. Quando arrancou a primeira edição da Escola Amiga da Criança, uma ideia do psicólogo Eduardo Sá posta em prática pela Confap, o presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais sonhava ter uma bandeira, à semelhança da azul que sinaliza as melhores praias, que as escolas premiadas pudessem içar.

A ideia do concurso era simples: fugir à cultura da nota e dos rankings que valorizam apenas as médias dos alunos. Procuravam-se ideias extraordinárias. E a escola de Nevogilde foi considerada a mais amiga do aluno de Portugal graças à República dos Jovens. Para além da bandeira, no dia da cerimónia da entrega do prémio, a escola recebeu também cinco mil euros em livros doados pela Leya, parceira da Confap no projeto, para a biblioteca da escola.

Depois da Escola Amiga, concurso distingue também os professores

Quando arrancou a primeira edição do concurso, tanto Jorge Ascenção como Eduardo Sá partilharam com o Observador o seu desejo de que o concurso fosse para continuar. No dia 20 de novembro, Dia Universal dos Direitos das Crianças, foi anunciado que assim seria e a segunda edição do concurso já arrancou oficialmente.

Até 5 de abril, decorrem as candidaturas à Escola Amiga da Criança que este ano terá o alto patrocínio do Presidente da República. O regresso é marcado por algumas novidades: é alargado a estabelecimentos de ensino profissional, haverá novas categorias — por exemplo, a dos projetos digitais — e os professores responsáveis pelos projetos poderão ser distinguidos com o selo “O meu professor”.

O primeiro prémio, atribuído pela Leya, continuará a ser um cheque no valor de cinco mil euros em livros à escolha do estabelecimento de ensino, a que acrescem cheques de quinhentos euros para as menções honrosas de cada categoria.

Na primeira edição, concorreram mais de mil escolas e foram distinguidos cerca de 300 projetos. As escolas interessadas deverão apresentar a candidatura no site da Leya Educação. Os premiados serão conhecidos no Dia Mundial da Criança, a 1 de junho de 2019. O objetivo, lê-se no regulamento, continua a ser o mesmo: que escolas públicas e privadas partilhem “iniciativas extraordinárias, desenvolvidas pelos estabelecimentos de ensino, que contribuam para um desenvolvimento mais feliz dos alunos”.

Escola Amiga da Criança

 

 

 

Só dois alunos foram expulsos da escola nos últimos três anos

Março 17, 2018 às 9:30 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 12 de março de 2018.

Expulsão só pode ser aplicada a maiores de 18 anos. Já a transferência compulsiva foi aplicada a 51 jovens. Mas está em queda.

CLARA VIANA

Em três anos, entre 2015/2016 e o ano lectivo corrente, a medida disciplinar de expulsão da escola só foi aplicada a dois alunos, segundo informações enviadas ao PÚBLICO pelo Ministério da Educação (ME). A expulsão da escola voltou a ser possível com o Estatuto do Aluno aprovado em 2012, mas o ME afirma não dispor dados anteriores a 2015/2016.

Só podem ser expulsos os alunos com mais de 18 anos, que por isso já não se encontram abrangidos pela escolaridade obrigatória. Por via desta medida, os alunos ficam impedidos de regressar à escola durante mais dois anos. Ou seja, são expulsos num ano lectivo e não poderão regressar nos dois anos seguintes.

A possibilidade de um aluno ser expulso tinha sido eliminada na revisão do Estatuto do Aluno aprovada em 2008, mas voltou a ser repescada pelo anterior Governo PSD/CDS em 2012.

A decisão de expulsão compete ao director-geral da Educação, com possibilidade de delegação, e só pode ser adoptada “quando, de modo notório, se constate não haver outra medida ou modo de responsabilização no sentido do cumprimento dos seus deveres como aluno”.

A segunda medida mais gravosa prevista no Estatuto do Aluno é a transferência compulsiva de escola, que também só pode ser decidida pelo director-geral de Educação a partir das propostas apresentadas pela escola nesse sentido. Segundo o ME, o número de alunos abrangidos por esta medida desceu de 75 em 2015/2016 para 51 em 2016/2017. Em 2014/2015 tinham-se registado 215 transferências compulsivas.

Se o número de transferências compulsivas está em queda, o mesmo quase não acontece com os processos enviados pelas escolas com vista à aplicação desta medida. Foram 140 em 2015/2016 e 139 no ano lectivo seguinte.

Também em queda, conforme o PÚBLICO já noticiou, estão os actos praticados no interior da escola que configuram um crime e que são reportados pelos directores ao ME. Passaram de 1321 em 2013/2014 para 422 em 2016/2017.

Segundo o Estatuto do Aluno, a transferência compulsiva de escola pode ser aplicada a estudantes a partir dos 10 anos, quando estejam em causa “factos notoriamente impeditivos do prosseguimento do processo de ensino dos restantes alunos da escola ou do normal relacionamento com algum ou alguns dos membros da comunidade educativa”.

O ME escusou-se a dar exemplos de práticas que possam entrar nesta definição. Mas Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas, adianta que a transferência poderá ser aplicada, por exemplo, “a alunos que agridam um professor ou um funcionário ou que pratiquem uma agressão grave contra um colega”. Chama, contudo, a atenção de que “cada caso é um caso” e que na decisão “devem ser tidas em conta atitudes que funcionam como atenuantes (arrependimento do aluno, por exemplo) ou agravantes (ser reincidente, entre outras)”.

Filinto Lima diz que nunca propôs esta medida. “A suspensão da escola [que pode ter um prazo máximo de 12 dias] é a medida mais gravosa que geralmente é aplicada pelos directores”, acrescenta, para lançar um repto: “Está na altura de debater se o actual Estatuto do Aluno ainda serve a realidade das escolas, que nestes anos mudou muito.”

 

 

 

“É preciso recuperar a disciplina e a autoridade na escola”

Novembro 15, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do https://brasil.elpais.com/ de 13 de julho de 2017 a Inger Enkvist

Ana Torres Menárguez

Ex-assessora de educação do Governo sueco se posiciona contra as novas metodologias educacionais.

Não é fácil encontrar uma opinião como a de Inger Enkvist (Värmland, 1947). Enquanto a maioria dos gurus educacionais defende acabar com as fileiras de carteiras escolares e os formatos convencionais de aula e dar mais liberdade aos alunos dentro da classe, Enkvist, ex-assessora do Ministério de Educação da Suécia, acredita que é preciso recuperar a disciplina e a autoridade dos docentes na sala de aula. “As crianças têm que desenvolver hábitos sistemáticos de trabalho e para isso necessitam que um adulto as orientem. Aprender requer esforço e, quando se deixa os alunos escolherem, simplesmente não acontece.”

Catedrática de Espanhol na Univesidade Lund (Suécia), Enkvist começou sua carreira na educação como professora do ensino secundário e durante mais de trinta anos se dedicou a estudar e comparar os sistemas educacionais de diferentes países. Além da publicação de livros como Repensar a Educação (Bunker Editorial, 2014), escreveu mais de 250 artigos sobre educação.

Enkvist compareceu em março à Comissão de Educação do Congresso dos Deputados da Espanha para apresentar sua visão sobre o modelo educacional espanhol, no qual aponta falta de motivação por parte do professorado e a necessidade de reformulação dos graus de professor em Educação Infantil e Primário – correspondente aos anos de ensino fundamental no Brasil – para tentar atrair os melhores estudantes.

Pergunta. As novas correntes de inovação educacional reivindicam um papel mais ativo por parte dos alunos. Acabar com as aulas expositivas e criar metodologias que impliquem ação por parte do estudante. Por que você se opõe a esse modelo?

Resposta. A nova pedagogia promove a antiescola. As escolas foram criadas com o objetivo de que os alunos aprendessem o que a sociedade havia decidido que era útil. Qual é o propósito da escola se o estudante decide o que quer fazer? Essas correntes querem enfatizar ao máximo a liberdade do aluno, quando o que ele necessita é de um ensino sistemático e bem estruturado, sobretudo se levamos em conta os problemas de distração das crianças. Se não se aprende a ser organizado e a aceitar a autoridade do professor no ensino fundamental, é difícil que se consiga isso mais tarde. O aluno nem sempre vai estar motivado para aprender. É preciso esforço.

P. Em seu livro a senhora questiona a crença de que todas as crianças querem aprender e, portanto, é uma boa opção deixar que tomem a iniciativa e aprendam sozinhos. Quais são seus argumentos contra isso?

R. Nunca foi assim. É uma ideia romântica que vem de Rousseau: dar como certo que o ser humano é inocente, bem-intencionado e bom. Uma criança pode concentrar-se em uma tarefa por iniciativa própria, mas normalmente será numa brincadeira. Aprender a ler e escrever ou matemática básica requer trabalho e ninguém se sente chamado a dedicar um esforço tão grande a assimilar uma matéria tão complicada. É preciso haver apoio, estímulo e algum tipo de recompensa, como o sorriso de um professor ou os cumprimentos dos pais.

P. O que se deveria recuperar do antigo modelo de educação?

R. Ter claro que o professor organiza o trabalho da classe. Se os alunos planejam seu próprio trabalho, é muito complicado que obtenham bons resultados, e isso desmotiva o professor, que não quer responsabilizar-se por algo que não funciona. Essas metodologias estão distanciando das salas de aula os professores mais competentes. Já não se considera benéfico que o adulto transmita seus conhecimentos aos alunos e se fomenta que os jovens se interessem pelas matérias seguindo seu próprio ritmo. Em um ambiente assim não é possível ensinar porque não existe a confiança necessária na figura do professor. Viver no imediato sem exigências é bem o contrário da boa educação.

P. A senhora qualificou a autoaprendizagem como contraproducente. Mas uma vez terminada a formação obrigatória, e que os estudantes consigam um trabalho, o mercado de trabalho muda rápido e eles podem se ver obrigados a se reciclar e mudar de profissão. Não acha que é uma boa ideia lhes ensinar desde pequenos a tomar a iniciativa na aprendizagem?

R. Essa é a grande falácia da nova pedagogia. As crianças têm que aprender conteúdos, e não o chamado aprender a aprender. Não basta dizer aos alunos que devem tomar decisões. Não vão saber como fazer isso. Dou um exemplo. O Governo sueco oferece cursos de formação para adultos e é um desespero quando só se apresentam cidadãos com um perfil educacional elevado. Eles se interessam e acham útil, e por isso têm entusiasmo para começar. Se uma pessoa aprende um conteúdo, considera que é capaz e que no futuro poderá voltar a fazer isso. Quem é mais adaptável e mais flexível ao perder um emprego? Aquele que já tem uma base de conhecimentos, que conta com mais recursos internos, e isso é a educação que lhe proporciona. Quanto mais autodisciplina, mais possibilidades você tem pela frente e menos desesperado se sentirá diante de uma situação limite.

P. Há um grande debate quanto à utilidade dos exames. Alguns especialistas defendem que na vida adulta não ocorra esse tipo de prova e que o importante é ter desenvolvido habilidades para adaptar-se a diferentes entornos.

R. Essa é a visão de alguém que não sabe como funciona o mundo das crianças. Na vida adulta, todos temos prazos, momentos de entregar um texto, e isto se aprende na escola. Com os exames a criança aprende a se responsabilizar e entende que não comparecer a uma prova tem consequências: não será repetida para ele. Se não cumprimos nossas obrigações na vida adulta, logo nos veremos descartados dos ambientes profissionais. Os exames ajudam a desenvolver hábitos sistemáticos de trabalho.

P. Por que você considera que o momento atual da escola não permite que ninguém se destaque?

R. A escola não é neutra, nem todos vão aprender do mesmo modo. Nas classes há desequilíbrios enormes em um mesmo grupo, pode haver até seis anos de diferença intelectual entre os alunos. A escola deveria manter as crianças com diferentes capacidades juntas até os onze anos e, a partir daí, oferecer diferentes níveis para as matérias mais complexas. Isso é feito em algumas escolas públicas da Alemanha. Para os que não entendem, dou um exemplo. Imagine colocar em uma mesma classe 30 adultos com níveis socioculturais e interesses totalmente díspares e pretender que aprendam juntos. Isso é o que estamos pedindo a nossos filhos. Em menos de uma semana haveria uma rebelião.

P. A escola mata a criatividade, segundo o pedagogo britânico Ken Robinson.

R. O mais simples é pensar em um músico de jazz. Parece que está improvisando, brincando. Como pode fazer isso? Sabe 500 melodias de memória e usa pedaços dessas peças de forma elegante. Repetiu isso tantas vezes que parece que o faz sem esforço. A teoria é necessária para que surja a criatividade.

P. Quanto aos conteúdos que se aprende na escola, acha que seria necessário modernizá-los?

R. Uma professora espanhola me contou que um de seus alunos lhe disse na sala de aula: para que serviria estudar Unamuno? Que aplicação prática poderia ter? Precisamos conhecer a situação de nosso país, saber de onde viemos. Com Unamuno se aprende um modelo de reação, que não há motivo para ser adotado, mas conhecê-lo te ajuda a elaborar a sua própria forma de ver o mundo.

 

 

 

O teatro ajuda os alunos de Sintra a crescer

Outubro 24, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 10 de outubro de 2017.

Mostra de Teatro das Escolas de Sintra celebra 25 anos de colaboração com os estabelecimentos de ensino do concelho.

Bárbara Wong

Insultos, provocações. “Eles não sabem falar uns com os outros”, conta o professor da EB 2,3 D. Domingos Jardo, em Mira-Sintra, e é através do teatro que os alunos aprendem a relacionar-se, a ser amigos, a ter “amizades mais profundas”, acrescenta João Brito. A sua escola faz parte de um grupo que, em sintonia com a associação Chão de Oliva e a Câmara Municipal de Sintra (CMS), trabalha a expressão dramática e apresenta os seus resultados na Mostra de Teatro das Escolas de Sintra. Esta terça-feira, celebram-se os 25 anos desta mostra com uma cerimónia solene.

Este é um projecto de expressão dramática que entre 20 e 25 escolas do concelho desenvolvem anualmente com o apoio da Chão de Oliva e da autarquia que, ao longo do ano, avaliam o trabalho que está a ser feito em cada sala de aula ou em cada clube de teatro e que culmina, no final do ano lectivo, com uma apresentação a toda a comunidade e com atribuição de prémios. O projecto tem como “foco principal” o desenvolvimento de quem nele participa, informa a associação em comunicado.

O objectivo é promover o desenvolvimento dos alunos e potenciar o respeito pelo trabalho em grupo. Mas há outras mais-valias no projecto. O professor de Português/Inglês e responsável pelo enriquecimento curricular de Expressão Dramática da escola de Mira-Sintra fala do relacionamento dos alunos: “Há muitos casos de indisciplina que a escola não consegue ter meios para resolver, nem mesmo com equipas de psicólogos, mas [o teatro] ajudaria porque leva os alunos a desinibir-se, a relacionar-se melhor e a ter um melhor comportamento.”

“Tornam-se melhores pessoas e melhores adultos”, diz por seu lado a professora Ana Fazenda, do agrupamento Ferreira de Castro, em Algueirão, responsável pela aula de Expressão Dramática para os 7.º e 8.º anos e pelo Clube de Teatro. Com as suas aulas, os estudantes aprendem a “enfrentar o público, a ter cuidado com a sua postura e dicção, a projectar a voz”, enumera. Tudo características que ajudam, por exemplo, a apresentar um trabalho noutra disciplina. Mas não só. Por vezes, o trabalho é “tão intenso” que os jovens esquecem-se das suas “limitações e ultrapassam-se”. A professora dá o exemplo de um aluno mais tímido ou de uma aluna que seja insegura com a sua imagem — “o ‘não quero fazer para não gozarem comigo’ é ultrapassado porque eles brilham ali [no palco] e ultrapassam os seus receios e vergonhas”, conta.

João Brito corrobora, os tímidos vencem a vergonha e, em grupo, “dão passos decisivos e transformam-se completamente”. Por isso fala de amizades “mais profundas” do que as restantes. E que perduram, acrescenta, dando o exemplo de alunos que já seguiram para o secundário ou mesmo para o mercado de trabalho e que continuam a marcar presença para ajudar os mais novos.

A Expressão Dramática devia ser obrigatória? Sim, defendem os dois docentes. “Obriga a um esforço de concentração, a uma disciplina interior e exterior. Num espaço que não é o da sala de aula tradicional, os alunos aprendem a liberdade de fazer coisas diferentes e a responsabilidade de terem de cumprir, obriga-os a ter uma disciplina maior. Tudo isso é fundamental quer para o estudo quer para trabalharem”, declara Ana Fazenda. “Não se perdia nada, só se ganhava!”, conclui João Brito.

 

 

 

França estuda hipótese de proibir telemóveis em escolas para combater a indisciplina e o bullying

Outubro 23, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do site http://www.comregras.com/ de 9 de outubro de 2017.

Por Alexandre Henriques

Tal como cá, os telemóveis já são proibidos mas podem ser utilizados se o professor autorizar. O Presidente Francês, além de defender a redução do número de alunos por turma para uns fantásticos 12 alunos, também referiu na sua campanha que os telemóveis devem ser totalmente banidos das escolas.

Parece-me que tal como em França já passámos o ponto de não retorno nesta questão dos telemóveis. Sinceramente não sei se valerá a pena gastar tantas energias numa “guerra”  que há muito foi perdida.

O Estatuto do Aluno até inclui quatro alíneas nos deveres do aluno sobre este assunto, a saber:

q) Não transportar quaisquer materiais, equipamentos tecnológicos, instrumentos ou engenhos passíveis de, objetivamente, perturbarem o normal funcionamento das atividades letivas, ou poderem causar danos físicos ou psicológicos aos alunos ou a qualquer outro membro da comunidade educativa;

r) Não utilizar quaisquer equipamentos tecnológicos, designadamente, telemóveis, equipamentos, programas ou aplicações informáticas, nos locais onde decorram aulas ou outras atividades formativas ou reuniões de órgãos ou estruturas da escola em que participe, exceto quando a utilização de qualquer dos meios acima referidos esteja diretamente relacionada com as atividades a desenvolver e seja expressamente autorizada pelo professor ou pelo responsável pela direção ou supervisão dos trabalhos ou atividades em curso;

s) Não captar sons ou imagens, designadamente, de atividades letivas e não letivas, sem autorização prévia dos professores, dos responsáveis pela direção da escola ou supervisão dos trabalhos ou atividades em curso, bem como, quando for o caso, de qualquer membro da comunidade escolar ou educativa cuja imagem possa, ainda que involuntariamente, ficar registada;

t) Não difundir, na escola ou fora dela, nomeadamente, via Internet ou através de outros meios de comunicação, sons ou imagens captados nos momentos letivos e não letivos, sem autorização do diretor da escola;

Não é por estar legislado que os alunos não levam telemóveis para as escolas, não é por estar legislado que os alunos deixam de filmar quem quer que seja e/ou tirar fotografias não autorizadas. A relação aluno/professor, a relação direção/aluno, a relação de pais com filhos, é muito mais importante que a legislação em si.

Sou da opinião que o telemóvel pode e deve ser integrado nas aulas sem complexos, acredito, até porque já experimentei, que os alunos ficam muito mais interessados na aula pois adoram mexer em tecnologia. Claro que como em tudo na vida, a oportunidade de usufruir de algo traz responsabilidades acrescidas, o incumprimento dessas responsabilidades só pode ter um destino, o fim desse privilégio e do voto de confiança que foi proporcionado.

O problema está numa sociedade que evoluiu demasiado depressa e que nem a escola, nem os próprios pais, foram capazes de acompanhar o ritmo louco das tecnologias e dos mais novos.

A culpa do atual estado das coisas deve por isso ser repartido pelos prevaricadores e pelos orientadores, neste caso da falta deles…

Mas como em tudo na vida, em cada ação há uma consequência… Boa ou má… Apliquemos este princípio e estaremos seguramente no bom caminho.

O ministro da Educação francês Jean-Michel Blanquer deu início um debate público sobre a proibição de celulares nas escolas, tentando implementar uma das propostas de campanha do presidente Emmanuel Macron.

Em entrevista à revista Express, o ministro sugere que os alunos podem ter que deixar seus celulares em cofres ao chegarem à escola.

“Nas reuniões de gabinete, deixamos nossos celulares em cofres antes de nos reunirmos. A mim me parece que isso pode ser possível em qualquer grupo humano, inclusive na sala de aula”, disse ele na entrevista, publicada nesta terça-feira.

Macron, de 39 anos, incluiu a proibição aos telefones para todas as escolas dos níveis fundamental e médio em seu manifesto, antes de vencer as eleições em maio.

Especialistas e sindicatos apontaram que o uso do aparelho celular em sala já é proibido na França, apesar de pesquisas indicarem que muitos alunos admitem ter quebrado essa regra.

Alguns professores acham que os telefones são fontes de distração e indisciplina e podem ser usando para cyberbullying na escola, enquanto outros acreditam que podem ser aproveitados para propósitos educacionais – sob controle rigoroso.

Um dos maiores grupos que representam pais de alunos franceses, conhecido como Peep, disse estar cético de que a proibição vá ser implementada.

“Não achamos que seja possível neste momento”, disse Gerard Pommier, líder do Peep, à imprensa nesta quarta-feira.

“Imagine uma escola média com 600 alunos. Eles vão colocar todos os seus telefones em uma caixa? Como vão guardá-los? E devolvê-los no final?”, questionou.

Fonte: ISTOÉ

 

 

Como ter menos indisciplina na sala de aula?

Outubro 18, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://www.comregras.com/ de 28 de setembro de 2017.

Por Alexandre Henriques

Lá vem este com estas tretas românticas da empatia e o blá blá blá da mediação e coaching à distância. Eu estou lá para ensinar, não para fazer amigos ou qualquer tipo de terapia de grupo…

É uma forma de encarar as coisas, discordo, mas respeito. E num puro ato de egoísmo e até de indiferença, só posso pensar que quem pensa assim que se aguente, não sou eu que estou nessa sala de aula…

Acredito piamente que a empatia é o maior aliado do professor. Não é fácil, por vezes vemos e ouvimos certas coisas que só apetece mandar o aluno pela janela fora, desculpem o exagero da expressão.

Ainda na semana passada, tinha umas “criaturas” que parecia que estavam sobre o efeito de qualquer coisa, se calhar até estavam… Era subir espaldares, saltos loucos para os colchões, risadas constantes, provocações entre colegas e eu ali a ver se conseguia explicar alguma coisa. O problema é que ninguém me conhecia, não tinha qualquer tipo de relação com os miúdos e o “está quieto”, “ouve”, “cala-te” não resultavam pois não era visto como alguém com “legitimidade” para mandar calar quem quer que fosse. O professor hoje em dia não é por si só uma autoridade, é obrigado a conquistá-la e as causas para este descalabro, são sociais e já têm décadas…

Até podia ter colocado 5 ou 6 alunos na rua, podia, e no futuro se as coisas não mudarem assim farei, mas o meu objetivo nestas primeiras aulas é apenas um. Criar empatia com os alunos. Não para ser o professor “fixola” ou o “choca aí meu”, mas para criar qualquer tipo de relação que me permita ser visto não como o inimigo, mas como alguém que está ali para ajudar e naturalmente ensinar. É que para turmas como CEFs ou PIEFs, é muitas vezes mais importante o saber estar do que o saber fazer…

Irei apostar em diálogos individuais, separar o líder do grupo e torná-lo meu aliado, mostrar firmeza, mas tolerância para personalidades que foram “danificadas” pelas vicissitudes da vida. Acima de tudo irei mostrar imparcialidade, coerência e real preocupação pela pessoa que está por detrás do aluno.

Com o tempo, serei visto como um farol e respeitado como tal. Estou de alguma forma a manipular os alunos, mas ser professor é também isto, fazer e dizer o que precisa para que os alunos se tornem alunos e o professor possa exercer a sua função, a tão falada inteligência emocional…

Não descobri a pólvora, nem sou mais que ninguém, digo sempre que sou um mero professor como outros tantos que estão ao meu lado por esse país fora. Mas se me permitem e de coração aberto, e já que tenho a oportunidade de chegar a uns quantos, sejam empáticos, utilizem o humor, ouçam os alunos, “percam” um pouco de tempo com eles e irão ganhar muito do vosso tempo e seguramente um ano menos complicado.

Vejo por aí tanto professor revoltado, chateado, desmotivado, que só posso imaginar o que serão algumas salas de aula.

Se não resultar, não é vergonha nenhuma pedir ajuda…

Alexandre Henriques

 

Um estudo publicado em maio sugere que mostrar empatia pode ser uma melhor abordagem para a disciplina estudantil.

Grupos de professores do ensino médio receberam treinamento sobre as prováveis causas que explicam o comportamento inadequado de alguns alunos (muitas vezes os motivos são estressores fora da escola) e como poderiam responder de forma empática, em vez de punir. As ações podem ser tão simples como perguntar aos alunos: “O que está acontecendo com você agora?” e depois ouvir atentamente suas respostas.

O grupo de professores que receberam treinamento em empatia foram comparados com outro grupo de professores que receberam treinamento sobre o uso de tecnologia para melhorar a aprendizagem, e viu-se que com o treino da empatia os alunos tiveram a menor probabilidade de serem suspensos, independentemente da raça, gênero ou de suspensões anteriores.

Esses resultados são congruentes com os de uma pesquisa anterior que mostrava os benefícios da empatia do professor em melhorar a aprendizagem dos alunos, ao mesmo tempo em que reduzia o desgaste dos professores.

Desenvolver empatia nos professores ajuda a evitar suspensões na sala de aula

(Oficina de Psicologia)

 

 

 

Que grande seca, stora!

Agosto 29, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Carmo Machado publicado na http://visao.sapo.pt/ de 18 de agosto de 2017.

O relato de uma professora de Português de um dos episódios que viveu este ano letivo “com uma turma difícil do oitavo de escolaridade, constituída por alunos repetentes sem qualquer apoio ou orientação”

Com um novo ano letivo à porta, renasce em mim a esperança de que desta vez será mais fácil. Porque o grande sonho de um professor é poder partilhar o que sabe com os seus alunos e receber, como moeda de troca, o que eles também têm para lhe dar. Este transação sofre, por vezes, a influência de vários fatores que a dificultam sendo a desmotivação, na minha opinião, o pior desses fatores.

Hoje quero partilhar convosco o que vivi com uma turma difícil do oitavo de escolaridade, constituída por alunos repetentes sem qualquer apoio ou orientação. Percebi, logo no início do primeiro período, que não tinham a mínima motivação para a escola e que, além disso, eram barulhentos e indisciplinados. Se não os tratasse com pinças, facilmente seriam insolentes. Após quatro ou cinco aulas consecutivas a gerir conflitos dentro da turma e a tentar controlar as minhas próprias emoções, compreendi a necessidade de pesar e medir toda e qualquer palavra (gesto ou reação) que ativaria, de imediato, a sua agressividade.

Percebi também, ainda antes do primeiro período terminar, que para levar a turma a bom porto, a exaustão (a minha) seria certamente o resultado. Mas não desisti. Tentei e voltei a tentar, recorrendo a tudo o que me estava e não estava disponível. Tudo os entediava. Uma seca, stora! Um dia em que me encontrei à beira de mim própria, parei de falar e sentei-me. Sim, sentei-me! O que, naquela turma, significaria que eles se levantariam de imediato e tudo poderia acontecer. Só de pé e a deambular pela sala de aula como um polícia os conseguia (minimamente) controlar.

Nenhuma estratégia parecia resultar. Tentei de tudo. Debates, filmes, jogos, trabalhos de pares, até trabalhos de grupo. Sim, caro leitor. Se não é professor, fique a saber que organizar um trabalho de grupo numa turma com estas características é demasiado arriscado. Não se sabe o que pode acontecer. Os comportamentos de trinta alunos problemáticos podem tornar-se incontroláveis. E o barulho, esse, é certamente ensurdecedor. Como não sou de desistir facilmente, arrisquei. Cada grupo teria de escolher/inventar uma personagem e produzir sobre ela um texto de cariz autobiográfico. Após várias tentativas para os motivar (estes alunos não queriam simplesmente fazer absolutamente nada), um grupo pediu-me se podia escrever “em rima”. Em rima, seja! Saiu um texto autobiográfico em verso sobre a vida de um prisioneiro que não tendo acesso ao consumo de drogas na prisão, decidira matar-se. Nenhum dos outros grupos concluiu a tarefa.

Perante a minha crescente desolação, desabafei com os colegas. Porém, não há nada que se possa fazer. A turma é nossa, somos nós que temos de lidar com ela e ninguém nos pode ajudar. Mesmo que nos apeteça desaparecer da sala e da escola para sempre, temos de voltar no dia seguinte e recomeçar tudo novamente como se o dia anterior não tivesse existido. Um dia, cansada de tentar falar por cima das suas vozes, cansada de pedir para estarem calados, cansada de mandar alunos para a rua, parei de falar, sentei-me à secretária e desisti. E então dois ou três alunos daqueles que se sentam mesmo ali à nossa frente, apercebendo-se do meu colapso, disseram-me isto:

A gente não quer estudar, stora. Se nos deixar sair sem falta, a gente não põe cá os pés porque a gente não curte estudar, está aqui a perder tempo… Faça como a stora do ano passado fazia. Ela deixava-nos sair sem marcar falta. Não tem nada a ver com a stora. A stora até é fixe e tudo mas a gente não curte estar aqui.

Perante estas palavras, engoli em seco e tive uma certeza: a motivação destes alunos para a escola é uma porta que só se abre por dentro.

Felizmente ouviu-se o toque de saída…

Carmo Miranda Machado é formadora profissional na área comportamental e professora de Português no ensino público há vinte e sete anos, tendo trabalhado com alunos do 7º ao 12º anos de escolaridade. Possui um Mestrado em Ciências da Educação (Orientação das Aprendizagens) pela Universidade Católica Portuguesa e tem como formação base uma Licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas pela Universidade Nova de Lisboa. Tem dedicado a sua vida às suas três grandes paixões: o ensino, a escrita e as viagens pelo mundo. Colabora na Revista Mais Alentejo desde Fevereiro de 2010 como autora da crónica Ruas do Mundo, tendo ganho o Prémio Mais Literatura atribuído por esta revista nesse mesmo ano. Publicou até ao momento, os seguintes títulos pela editora Colibri: Entre Dois Mundos, Entre Duas Línguas (2007); Eu Mulher de Mim (2009); O Homem das Violetas Roxas (2011) e Rios de Paixão (2015).

 

 

“Quando há um aluno que vem à escola de manhã e de tarde se suicida, o mundo fica do avesso”

Agosto 21, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da http://visao.sapo.pt/ de 19 de julho de 2017.

Carmo Machado

Professora

Professora de Português da Secundária D. Dinis, em Lisboa, escreve sobre o ano letivo mais duro da sua carreira, marcado pelo suicídio de três alunos.

ma vez, numa reunião em início de ano letivo, um colega alto e musculado afirmou a respeito de uma turma difícil que me tinha cabido em sorteio: “Quando os vi pela primeira vez, tive medo.”

Eu nunca tive medo. Já me senti impotente, desesperada, frustrada, revoltada e mesmo agoniada. Com medo, nunca. Já cheguei a sair da sala a chorar, arrastando-me com o peso da frustração na mochila. Já me apeteceu dar um estalo a um aluno insolente. Já vivi momentos que não desejo ao meu pior inimigo. Mas medo, não. Já contei várias até dez, já respirei fundo e engoli em seco em várias aulas para conseguir avançar. Mas medo nunca senti. Mesmo quando recebo turmas de alunos mal educados e repetentes que olham para mim como um inimigo e um alvo a abater. Já tive aulas que não foram aulas mas autênticos campos de batalha, guerras abertas entre a agressividade do aluno e a desilusão do professor.

Não, nunca senti medo. Pelo contrário, enfrento a solidão das suas almas e penso para comigo que aqueles alunos precisam ainda mais de mim do que os outros, aqueles meninos da escola “in” do bairro chique de Lisboa onde poderia ter ficado a trabalhar quando me profissionalizei. Porém, a minha vida profissional – se calhar como todas as vidas – é feita de desafios. Só que os meus desafios deixam marcas diariamente dentro de mim.

Quando, há vinte e sete anos, comecei a ensinar Português numa escola pública situada numa zona carenciada da cidade de Lisboa, nunca pensei chegar até aqui, onde hoje ao escrever esta crónica, me encontro: num estado físico e psicológico tal que nem cem dias de férias consecutivos conseguiriam apaziguar. Ser professora de alunos que encaram a escola como um fardo e uma mera obrigação intensifica o processo de desgaste a que esta profissão já há muito me habituou. Os anos letivos sucedem-se numa azáfama sem deixarem tempo para o que verdadeiramente interessa. A sobrecarga burocrática, os exageros programáticos, a massa humana constituída por trinta e um alunos por turma, o salário estagnado há anos, a indisciplina permanente dentro e fora da sala de aula, as reuniões infrutíferas, os testes obrigatórios, a preparação para o exame e o resto… O resto que é tudo, afinal.

Quando há um aluno que vem à escola de manhã e de tarde se suicida, o mundo fica do avesso e o professor questiona a sua função e, pior ainda, questiona-se a si próprio. Cada vez mais me convenço de que a primeira tarefa de um professor é trabalhar a relação humana com os seus alunos, mostrar-lhes novas perspetivas de vida, deixar uma semente de mudança em alunos que dela necessitam avidamente. Jovens adolescentes a quem, por vezes, falta quase tudo: famílias estruturadas, ambientes propícios à aprendizagem e à curiosidade para aprender, autoestima, autoconfiança e até comida…

Uma das principais dificuldades que sinto no meu dia a dia profissional, enquanto professora / orientadora – mais para o exame do que para a vida – é encontrar tempo para estar atento ao outro, observar os seus comportamentos, ouvi-lo, apoiá-lo. Porque a escola, sei-o bem, pode ser um lugar de grande solidão. No meio de centenas de jovens barulhentos há sempre um silêncio intransponível dentro de alguns.

Quantas vezes, numa aula em frente a três dezenas de seres fervilhantes de vida, de sonhos e de mágoas, não me senti impotente para conseguir chegar a todos? Quantas vezes não me apeteceu simplesmente ignorar o programa? Destruir o manual? Sair da sala com eles para as ruas da cidade? Explicar-lhes que a vida é dura e difícil, injusta muitas vezes, implica ganhos e perdas mas vale a pena ser vivida até ao fim. Sem batota.

 

 

 

 

INDISCIPLINA: Atitudes que favorecem a relação com os alunos

Agosto 4, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do site https://www.soescola.com/ de 17 de abril de 2017.

A indisciplina é uma das maiores dificuldades enfrentadas pelos educadores para desenvolverem o trabalho pedagógico.

Os conflitos em sala de aula caracterizam-se pelo descumprimento de ordens e pela falta de limites como, por exemplo: falar durante as aulas o tempo todo, não levar material necessário, ficar em pé, interromper o professor, gritar, andar pela sala, jogar papeizinhos nos colegas e no professor, dentre outras atitudes que impedem os docentes de ministrar aulas de qualidade.

INDISCIPLINA: O QUE FAZER?

Pensando nisso listei algumas atitudes que podem favorecer essa relação entre professor e aluno.

VEJA ALGUMAS DICAS:

1. Planejar e programar bem as aulas. Não confiar na improvisação.

2. Manter sempre os alunos ocupados porque nada favorece tanto a indisciplina como não ter nada que fazer.

3. Evitar centrar-se num aluno, pois os outros ficarão entregues a si mesmos.

4. Evitar os privilégios na aula. A escola deve ser um lugar de combate aos privilégios.

5. Não fazer alarde de rigor. Quando for necessário corrigir, fazê-lo com naturalidade e segurança.

6. Não falar de assuntos estranhos à aula.

7. Aproximar-se dos alunos de modo amigável, tanto dentro como fora da escola.

8. Estar a par dos problemas particulares dos alunos para poder ajudá-los quando necessário.

9. Se tiver de fazer uma correção (intervenção), que esta seja firme, mas que nunca ultrapasse a linha do amor próprio e seja de preferência em privado.

10. Procurar um ambiente cordial, tranquilo e sereno.

11. Ser coerente e não justificar as incoerências. Quando houver alguma incoerência o melhor é reconhecê-la e honestamente retificá-la.

12. Se se aplica um castigo deve ser mantido e cumprido, a não ser que haja um grande equívoco que justifique uma mudança de atitude.

13. Não se deve castigar sem explicar clara e explicitamente o motivo do castigo.

14. Não agir em momentos de ira e descontrole.

15. Evitar ameaças que depois não possam ser cumpridas, pois isso tira prestígio ao professor.

16. Os alunos monitores devem colaborar na disciplina da aula.

17. Há que ser pródigo em estímulos e reconhecimentos de tudo o que de bom faça o aluno, embora sem exageros ou formas que pareçam insinceras.

18. Evitar castigar todos aos alunos por culpa de um só, a não ser que existam implicações gerais.

19. Evitar atitudes de ironia e sarcasmo.

20. Ser sincero e franco com os alunos.

21. Saber dar algo aos alunos, não pedir-lhes sempre.

 

Claves para manejar las conductas disruptivas en el aula

Agosto 2, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://www.educaciontrespuntocero.com/ de 19 de dezembro de 2016.

En la actualidad uno de los principales problemas dentro de nuestras aulas son los problemas de conducta en niños y adolescentes. Cuando hablamos de conductas disruptivas nos referimos a las conductas inapropiadas que perjudican el buen funcionamiento del aula, referidas a las tareas, relaciones con los compañeros, al cumplimiento de las normas de clase o a la falta de respeto al profesor.

Niños que no dejan hablar, ofenden a los demás, tienen comportamientos agresivos o desmesurados, pierden el control con facilidad, muestran y verbalizan una actitud negativa frente al trabajo, negando cooperación y llamando la atención…

Estas conductas son un desajuste en el desarrollo evolutivo del niño ya que impiden crear y mantener relaciones sociales saludables con sus iguales y con los adultos. Debemos tener presente que detrás de una conducta inapropiada suele haber factores psicológicos que la desencadenan: sentimientos de abandono, frustración, baja autoestima, falta de establecimiento de normas en el núcleo familiar… Estas respuestas son tácticas adquiridas o aprendidas para provocar al adulto y llamar la atención.

El comportamiento disruptivo es común en la infancia, pero en algunos casos, debido a su frecuencia y persistencia en el tiempo se convierte en un problema. Generalmente, estas conductas se producen tanto en el hogar, como en la escuela.

Para poder establecer unas pautas de actuación ante las conductas sería bueno que el profesorado realice un registro de las conductas. Este nos dará muchas pistas sobre cómo podemos ayudar en el problema.

No existen formulas “mágicas” y en muchas ocasiones lo que vale y funciona muy bien para unos, no genera tanta repercusión en otros. Sin embargo, como profesionales de la educación sí podemos seguir una serie de pautas que ayudarán a relajar el ambiente y reducir los episodios de estas conductas:

  • Autocontrol de adulto: Entender que las conductas intentan provocar enfado en los demás, por tanto, no dejarnos manipular, no entres en discusiones, mantén la calma y no levantes el tono de voz. Trata de hablar suave, no demasiado cerca y nunca reteniendo o agarrando. Si no subes el tono de voz, fomentará que el alumno no haga. Podemos ser contundentes sin sonar de forma agresiva. Es recomendable que el niño perciba seguridad en el adulto que le impone las medidas correctoras con un tono firme pero no amenazante.
  • Aplicar un manual de convivencia entre todos los alumnos, que quede visible a la vista de todos (carteles, murales…), donde queden bien establecidas unas normas claras y explícitas de conducta. Es necesario que los alumnos intervengan en este proceso, ya que de este modo lo verán como objetivos a alcanzar y no cómo normas impuestas. Dejar claro las consecuencias antes de aplicarlas
  • Fomentar la reflexión grupal, plantear soluciones a distintas dinámicas del aula, es un modo de enseñar a los alumnos a que solucionen sus problemas.
  • Evitar que capte y se lleve toda nuestra atención ya que sino estas conductas aumentarán. Recordar al inicio o final de la clase que esa conducta es indeseable. Si obstaculiza mucho el desarrollo de la clase se puede usar la técnica del “Time Out” (tiempo fuera)
  • Cuando ocurra o se desencadene una conducta agresiva, hay que responder, pero no reaccionar de forma desproporcionada. Es bueno aislarlo para que no tenga público. Cuando se haya calmado, hablar con el alumno/a se debe mantener contacto visual, evitar entrar en su juego o en argumentaciones, el profesor es la figura de autoridad, eso no es discutible, no debes tratar de quedar por encima, ni humillar, ni entrar en discusiones. Dejar claro que buscamos, cuales son las normas y las consecuencias de incumplirlas.
  • Evitar situaciones que puedan generar o provocar la disrupción sin pretenderlo. Esto será más fácil de hacer si tenemos un registro previo como el que se plantea arriba.
  • Ejercer de modelo: Reconocer cómo nosotros también cometemos errores. Pedir disculpas si es necesario. Ellos aprenderán el modelo que les ofrecemos.
  • No prestar atención a faltas leves.
  • Podemos reducir las conductas disruptivas verbalizando expectativas positivas. Marcar lo que esperamos de ellos ayuda mucho. Usar además el refuerzo positivo
  • Con los más pequeños la economía de fichas resulta una técnica muy eficaz.
  • Crea clases dinámicas, donde haya muchos cambios de actividad, donde las tareas y actividades estén graduadas al nivel de dificultad. Ten un acercamiento al alumno conflictivo y utiliza el humor. Esto generará un ambiente más distendido dentro del aula.

Recordar que lo más importante es nuestro autocontrol, perder los nervios puede agravar el episodio. Estas situaciones son muy complicadas de gestionar, por ello, la mejor fórmula y solución es la práctica diaria, sumada a la reflexión profunda sobre nuestra acción. Cuando nos enfrentemos a una de estas situaciones, debemos intentar aprender de ellas, analizándolas, pensando en lo que funcionó y analizando lo que no lo hizo.

Si a pesar de aunar pautas y formas de actuación, las conductas disruptivas siguen siendo intensas y perduran en el tiempo, es recomendable acudir a un experto que pueda pautarnos y trabajar directamente con el alumno. Estas terapias se centran en entrenar a los padres, profesores y alumno en habilidades de control del comportamiento mediante estrategias de modificación de conducta.

Cristina Martínez Carrero es psicopedagoga y maestra de Audición y Lenguaje

 

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